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Literaturas Africanas em Língua Portuguesa

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LITERATURAS AFRICANAS EM LÍNGUA

PORTUGUESA

LISIANE LUCENA BEZERRA

UNIDADE 2
Unidade 2| Introdução

• Portanto, para ter uma visão das literaturas


africanas de língua portuguesa nesses países, torna-
se necessário considerar as fases da produção do
texto e também os amplos momentos de ruptura
com os códigos estabelecidos. Contudo, os
fundamentos desses momentos caracterizam-se
pelo surgimento de movimentos literários
significativos ou de obras importantes para o
desenvolvimento das literaturas.
Unidade 2 | Objetivos

1. Entender o estudo da literatura africana na Angola.


2. Compreender o estudo da literatura africana em Cabo Verde.
3. Analisar o estudo da literatura africana em Guiné-Bissau.
4. Conhecer o estudo da literatura africana em Moçambique e São Tomé e
Príncipe.
LITERATURA AFRICANA NA ANGOLA

• Assim como em outros países da África, é refletido


na literatura angolana a influência resultante de
precursores e de antecedentes direcionados ao
caráter estético, social e cultural. Outro ponto que
exerceu grande influência refere-se a oralidade
como tradição africana, que inclusive destaca na
literatura, uma identidade cultural expressiva.
• Pode-se destacar como primeira obra angolana direcionada a literatura como o livro de José
da Silva Maia Ferreira que é um li9vro de poemas intitulado Espontaneidades da minha alma
(1849). Posteriormente, surge uma noveleta de Alfredo Troni, com influência queirosiana
chamada Nga Mutúri (1882), como também a obra pertencente a Cordeiro da Matta.
• Alguns escritores foram considerados precursores da literatura moderna na Angola. As obras
desses autores muitas vezes retratam a vida social da angola sob administração colonial
existente na época, assim como algumas obras falam sobre as marcas de mudanças culturais
vividas durante esse período de alterações socioeconômicas da região, cada autor com suas
peculiaridades.
PERÍODOS DA PRODUÇÃO POÉTICA DA ANGOLA

• Três grandes períodos compuseram a


A terra produção poética da Angola:
• Entre 1950 e 1970, onde a conscientização
foi quem marcou esse período;
• O período da década de 1970, onde as
inovações relacionadas a estética
predominaram;
Suas
origens
A gente • E o terceiro período composto pela geração
de 1980.
• O primeiro período que ocorreu entre 1950 e 1960 indicam a fase referente a Viragem
passando para a fase em que a problemática da Angola é conscientizada, principalmente no
que se refere a três fundamentais vertentes.
• O segundo período corresponde a década de 70 onde ocorre o surgimento de três nomes
que serão destaque no que se refere as profundas mudanças na temática e na estética da
Angola, são eles: Arlindo Barbeiros, David Mestre e Ruy Duarte de Carvalho.
• O terceiro período iniciado a partir de 1980, uma geração nova de escritores aparece, essa
nova geração é marcada pela característica eclética.
• Na contemporaneidade no cenário literário da África, as vozes que se mostram em destaque
firmam uma luta intrinsecamente ligada aos primórdios onde existiram as guerras em busca
da colonização presentes nos PALOPs.
LITERATURA AFRICANA EM CABO VERDE

• Inicialmente a literatura em Cabo Verde se Seca

concretizou na década de 30 com a existência da


revista Claridade, na época a autenticidade já era
aclamada, ela tinha o objetivo de afirmação cabo-
verdeana. Seu tipo poético ao contrário do que Fome
ocorreu na Angola não tem temas com reivindicações
relacionadas a negritude, pois em Cabo Verde a
mesticidade predominava.
Desemprego
• A publicação da revista Claridade foi considerada de extrema importância, pois a partir dela a
literatura do país passou por uma sistematização, uma vez que a inspiração era provinda do
Modernismo brasileiro, assim o regionalismo foi abandonado por seus representantes,
objetivando virar-se sobre as incoerências e dilemas existentes nas ilhas, buscando dessa forma
a especificidade de cada uma e fugindo dos temas que a literatura metropolitana abordava
(COSTA, 2018).
• No entanto não havia contestação explícita sobre o sistema colonialista, além de não haver
reivindicações no movimento relacionados a um estatuto nacional. Era evidenciado com isso
que os claridosos vislumbravam um cenário em que Cabo Verde era visto como uma extensão
europeia, com isso os integrantes que compunham o grupo descartavam a ideia de uma
revolução colonial.
• Teixeira de Sousa representou uma figura em destaque, esse momento foi caracterizado pela
efetuação com mais rigidez de críticas políticas e sociais, no entanto ainda sem direcionar
reclamações a emancipação do país. Teixeira exerceu papel de colaborador no periódico
intitulado de Certeza, que por sua vez foi publicado apenas em dois números, pelo fato de ser
considerada pela autoridade colonialista como proibida e subversiva.
• Somente no final dos anos 60 a literatura que tem como lema a resistência de forma
mais explícita sobre o colonialismo e sua opressão passou a ser escrita se unindo a
política como temática, surgindo com isso uma preocupação em se pensar sobre
definições relacionadas a uma nova nação e sua identidade (COSTA, 2018). Alguns
poetas destacaram-se nessa época.
AUTORAS DE CABO VERDE

• O isolamento é considerado outro tema que


ganha destaque devido a insaluridade, de forma
que, contrapontos são construídos devido a
migração. E um nome que representa grande
importância nessa vertente é o da escritora
Orlanda Amarilis, onde ela assume a alternância
relacionada a um mesmo tema: da diáspora, da
solidão e do exílio
• A formação da escritora se deu no trânsito existente entre as ex colônias africanas e a própria
metrópole de Portugal. A sua formação se completa pelas intervenções consideradas públicas, e
que por sua vez entre os ficcionistas de Cabo Verde seu nome foi inscrito, isso ocorreu devido ao
percurso feito pela autora entre os países Canadá, EUA, Nigéria, Holanda, Índia, Espanha,
Hungria, Moçambique ente outros, além de ter suas obras traduzidas (FONSECA & MOREIRA,
Panorama das literaturas africanas de língua portuguesa., 2007)
Orlanda Amarilis é considerada uma referência importante para se construir narrativas
consideradas curtas, e que buscam a exploração de questões com grande significação para a
cultura de Cabo Verde. Entre as obras literária da autora estão as seguintes:
• Ilhéu dos pássaros (1983);
• A casa dos mastros (1989); e
• Cais-do-Sodré te Salamansa (1991).
• Outras autoras de Cabo Verde também tiveram preocupação semelhante, de forma que o
universo feminino fosse invocado em suas obras. A escritora Vera Duarte que apresenta as
seguintes obras literárias: Poesias e Romances.
• A escritora Dina Salústio que está entre as fundadoras da Associação dos Escritores Cabo-
verdianos teve em sua carreira a primeira premiação destinada a literatura infantil do país e
também na literatura infantil dos PALOP levou o terceiro prêmio nos anos de 1994 e 1999
consecutivamente.
• Na atualidade o autor que mais se destaca em Cabo Verde como também fora das ilhas, é o
autor Germano Almeida, ele apresenta um estilo bem peculiar e próprio onde se destaca a
irreverência do humor, com isso trazendo para os livros dele a sociedade de Cabo Verde
posterior a independência, de forma a elaborar os fatos reais concretos que ocorrem no
país através da fluidez de uma proza valendo-se de pinceladas magistrais tanto coloridas
como pitorescas, o autor ganhou o prêmio Camões no ano de 2018.
• Germano Almeida deu início a sua carreira escrevendo crônicas, artigos diversificados para
jornais e poemas.
• O autor afirma ainda em entrevista ao jornal Expresso, que não houve rompimento como
movimento da Claridade, assim sendo, com a tradição da literatura que o representa.
LITERATURA AFRICANA EM GUINÉ-BISSAU

• Guiné-Bissau é um pequeno país situado na costa


ocidental africana que se classifica entre os mais
pobres do mundo. Em meio as antigas colônias
portuguesas, é o país onde a literatura se
desenvolveu mais tardiamente, e isso aconteceu
devido ao atraso da aparição de condições
socioculturais promissoras ao aparecimento de
habilidades literárias.
• A cultura nacional e a literatura não tinha nenhum apoio das autoridades do país, e devido a
isso, por não existir bibliotecas, casa de edições, o desenvolvimento do movimento literário
nacional tem travado. Sendo assim, Abdulai Silá, em 1994, fundou sua própria casa de
edições. Ele é considerado o primeiro romancista contemporâneo do país, fundou a sua
própria casa de edições em 1994.
• Na Guiné-Bissau, surgem nomes importantes na poesia: Vasco Cabral, Hélder Proença, entre
outros. É publicada a primeira antologia da Guiné: Mantenhas para quem luta!, cujas
poesias, tornando-se guerrilheiras, cantam o desejo de libertação. (SECCO C. T., 2011).
PERÍODOS DA LITERATURA GUINEENSE

• Os períodos da literatura guineense foram


divididos em: o período colonial; a “uma poesia
de combate; a “uma literatura exclusivamente
poética: da poesia de combate à poesia
intimista”; a “uma poesia mais intimista” e
“Finalmente a prosa!”
• Período colonial: anterior a 1945: Foi no período colonial que as bases foram estabelecidas para
a Guiné-Bissau atual. Em Guiné-Bissau os primeiros escritos foram feitos por escritores situados
ou que habitaram muitos anos na Guiné, sendo vários originários de Cabo Verde.
• Nesse período, destacou-se a figura guineense o Cónego Marcelino Marques de Barros que,
abordava na sua escrita uma característica paternalista e associada ao discurso colonial.
• Uma poesia de combate: 1945 – 1970: Os primeiros poetas guineenses surgiram nesse período,
dentre os mais conhecidos estão Vasco Cabral e António Baticã Ferreira. A literatura desse
período é caracterizada pela poesia de combate, que criticava a miséria, o domínio e a péssima
qualidade de vida que ele gerava e a luta pela independência.
• Desta geração, Vasco Cabral é o escritor poeta guineense que abordou maior número de temas
e que tem maior produção poética. É um poeta guineense que mais alimentou o acervo
literário do seu país, ficando reconhecido, naquela época, como o autor da escola neorrealista.
• Da poesia de combate à poesia intimista: 1970 – 1989: Esse período ficou marcado com uma
literatura exclusivamente poética: da poesia de combate à poesia intimista. Assim, podemos
citar alguns dos poetas mais como: Agnelo Regalla e António Soares Lopes Júnior (Tony Tcheka),
Helder Proença, José Carlos Schwartz, Félix Sigá, Francisco Conduto de Pina, onde essas obras
exibiam um carácter mais social.
• Uma poesia mais intimista: 1990 – Atual: Alguns dos poetas mais marcantes desse período
foram Agnelo Regalla e António Soares Lopes (Tony Tcheka). Em suas obras apresentavam um
carácter mais social.
• Portanto, várias são as publicações que dão conta destas inovações na literatura Bissau-
guineense.
• Prosa: A literatura contemporânea de Guiné-Bissau mostra que, nas suas várias maneiras,
retratando as decepções, os receios e os anseios da população diante a circunstância política,
social e econômica que prevalece no país.
• Em 1993 surgiu a prosa na literatura contemporânea bissau-guineense, sendo inaugurada por
Domingas Sami que introduziu este estilo relatando a respeito da condição feminina na
sociedade nacional.
• Depois, em 1994, surgiu o primeiro romance de Abdulai Silá que destacou sobre a coabitação
na sociedade colonial das duas comunidades presentes, sendo elas: a colonizadora e a
colonizada.
LITERATURA AFRICANA EM MOÇAMBIQUE E SÃO
TOMÉ E PRÍNCIPE

• Em Moçambique o processo de formação da


literatura não diferencia dos demais países africanos
de língua portuguesa, tendo observado à construção
de uma elite de alguns negros, mestiços e brancos
que conquistou, aos poucos, dos canais e centros de
administração e poder. (FONSECA & MOREIRA,
PANORAMA DAS LITERATURAS AFRICANAS DE
LÍNGUA PORTUGUESA, 2007).
• Conforme (SILVA, 2010) apud Manuel Ferreira (1987), ao examinar as literaturas africanas de
língua portuguesa em seu conjunto, reconhece quatro momentos distintos de produção literária,
que podemos dividir em grupos: Literatura das descobertas e expansão, Literatura colonial,
Literatura de sentimento nacional e Literatura de consciência nacional.
• De acordo com SILVA, 2010, p. 44, Há três linhas de força na literatura moçambicana, sendo essas:
• A literatura produzida nas zonas libertadas e em que é visível o reflexo directo da acção ideológica
da Frelimo”
• “A literatura produzida nas cidades por intelectuais que, em geral, assumem posições ideológicas
de distanciamento do poder colonial”
• “A literatura produzida para afirmar a ideologia colonial na sua expressão luso-tropicalista”.
LITERATURA AFRICANA EM SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

• Situadas no Golfo da Guiné, as ilhas de São


Tomé e Príncipe, foram descobertas pelos
portugueses João de Santarém e Pedro de
Escobar, entre 1470 e 1472, porém, só
foram colonizadas em 1493.
• Embora São Tomé e Príncipe mantivesse um regime escravocrata, alguns negros que ganhavam
a liberdade conseguiam adquirir até mesmo direitos políticos, outros, herdeiros dos antigos
engenhos, adquiriam poderes econômicos e passavam a constituir a aristocracia mestiça do
país.
• Em 1876, com a abolição da escravidão, foi implantado o regime de contratados, um sistema
em que os negros eram contratados como serviçais para trabalhar nas roças.
• Na Literatura santomense, as primeiras obras literárias tiveram início no século XIX e foram
produzidas por autores portugueses que moraram alguns anos no país, como o primeiro livro
de poemas relacionado a São Tomé e Príncipe intitulado de Equatoriaes (1896) de António
Lobo de Almada Negreiros.
• No período colonial, os trabalhos literários dos autores santomenses não conseguiram
prestígio, e devido a isso, vários autores publicaram suas obras bem após o período da escrita.
Como o escritor Caetano da Costa Alegre, que teve seu único livro, Versus, publicado
postumamente em 1916.
• Príncipe tem sua presença assegurada na história da literatura africana com escritores como
Francisco da Costa Alegre, Francisco José Tenreiro, Maria Manuela Margarido e Alda do
Espírito Santo, entre outras, defendendo os paradigmas da negritude e/ ou a identidade das
ilhas.
Obrigada!

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