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Educação e Saúde: Conexões e Transformações

Resenha: Confluências e divergências conceituais em educação em saúde

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Simone Sousa
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CURSO(s): Psicologia

ANO/SEMESTRE: 2023/01

EIXO: Formação Acadêmica

DISCIPLINA: Práticas Interprofissionais de Educação em Saúde

PROFESSOR (ES): INES OLIVEIRA JACQUES

NOME DO ALUNO: SIMONE MARQUES DE SOUSA

Resenha: Confluências e divergências conceituais em educação em saúde

A educação em saúde conheceu profundas mudanças, tanto no plano conceitual como no


das práticas dele decorrentes, fruto das transformações por que passou a humanidade em
termos políticos, económicos e sociais. O conceito de educação desviou-se da perspectiva
instruidora e escolarizadora de crianças e jovens em permanente interação com os outros.
Por sua vez, o conceito de saúde perdeu o seu pendor negativo de ausência de doença,
passando a ser entendido positivamente como um estado de completo bem-estar físico,
mental, social e espiritual, em constante mutação ao longo da vida. Nesse sentido, a
educação em saúde deixou também de ser vista como a transmissão de informação de
caráter higienista-sanitário, orientada para a prevenção ou o tratamento da doença,
efetuada em contextos formais, para passar a ser entendida como a capacitação dos
indivíduos para controlarem os seus próprios determinantes de saúde, através da criação ou
do desenvolvimento de competências de ação. A educação e a saúde passam, pois, a
apresentar-se como duas faces de um mesmo processo.

Todavia não só o conceito de educação sofreu alterações; o mesmo aconteceu com o


conceito de saúde. Encarada inicialmente como ausência de doença, gozar de saúde
significava não padecer de enfermidade, estar em harmonia consigo mesmo e com o meio.
Em 1.978 a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu saúde como “um estado de
completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença”. A percepção
do conceito de qualidade de vida também tem muitos pontos em comum com a definição de
saúde.

A evolução do conceito de saúde ficou também provada nos vários documentos


produzidos na sequência das diversas Conferências Internacionais sobre Promoção da Saúde
de Ottawa (OMS, 1986) até Nairobi (WHO, 2009).

Sob o título Promoção da saúde nos países industrializados (OMS, 1986), realizada na
conferência de Ottawa, fez surgir, pela primeira vez, a noção de promoção da saúde
enquanto processo que capacita os indivíduos para agir e controlar os seus determinantes de
saúde. A saúde, tida como um recurso para a vida e não como um fim na (e da) vida, se
centra, assim, na pessoa e na comunidade que devem ser capazes de identificar
necessidades, definir prioridades, planejar e implementar estratégias conducentes à saúde.

Na conferência de Adelaide, intitulada Promoção da saúde e políticas públicas saudáveis


(OMS, 1988), se alertou para a premência de atender às minorias e a grupos particulares
mais atingidos e à necessidade das políticas dos países centrais terem um impacto positivo na
saúde dos países periféricos, sendo fundamental que os governos sejam proativos e
encontrem soluções para os problemas transnacionais, como aqueles que têm sido criados
pelo próprio desenvolvimento tecnológico.

Em Sundsvall, sob o tema da Promoção da saúde e ambientes favoráveis à saúde (OMS,


1991), se salientou a importância da responsabilidade individual e coletiva das organizações
governamentais e não governamentais na criação de ambientes saudáveis e na obtenção de
justiça em saúde. Nesse sentido, a educação, tida como um direito humano básico que deve
ser assegurado por toda a vida, podia contribuir para essa capacitação.

A efetividade da promoção da saúde, o desenvolvimento da educação em saúde, a baixa


participação comunitária, as desigualdades e a falta de equidade em saúde foram as
preocupações levadas, em 1997, à quarta Conferência Internacional sobre Promoção da
Saúde, em Jacarta, sob o mote Promoção da saúde no século XXI (OMS, 1997). Aqui se
destacou a promoção da saúde como elemento indispensável para o seu desenvolvimento, e
se refletiu ainda sobre a importância do setor privado na promoção da saúde. Salientou-se a
importância da promoção da saúde ser feita por e com as pessoas e não para elas ou sobre
elas.

No México, sob a égide da Promoção da saúde rumo a uma maior equidade (OMS, 2000),
se debateu a inter-relação entre saúde e equidade e se reforçou a importância da
emergência de novas doenças como ameaça ao progresso em saúde. Salientou-se também a
importância da participação coletiva na promoção da saúde, sobretudo no que se referia ao
determinante ambiental.

Em Banguecoque, sob o mote Promoção da saúde num mundo globalizado (OMS, 2005),
se discutiu o papel da globalização no aumento das desigualdades entre e dentro dos países,
nas rápidas mudanças socioeconómicas e nas alterações ambientais. Reconheceu-se o seu
papel no aumento da vulnerabilidade das crianças e na exclusão daqueles que, por algum
motivo, não se consegue integrar nesse novo mundo.

Na chamada para a ação em Nairóbi, com o título Promover a saúde e o desenvolvimento:


quebrar as lacunas de implementação (WHO, 2009), se reiterou a importância da
capacitação individual e comunitária, o fortalecimento do trabalho intersetorial e a
necessidade de inscrever a promoção da saúde nas agendas políticas, bem como o seu papel
no desenvolvimento integrado das nações.

A educação em saúde constitui-se como um campo heterogéneo e que, por isso, tem
sofrido influência de áreas como a antropologia, a biologia, a comunicação, a enfermagem, a
epidemiologia, a estatística, a história, o marketing, a medicina, a pedagogia, a psicologia ou
a sociologia.

As mudanças socioeconómicas que a sociedade tem atravessado têm imprimido


alterações no conceito de saúde e, naturalmente, na própria forma de educar para a saúde e
pode ser traduzido em três grandes gerações de modelos de educação em saúde.

A primeira geração corresponde a uma visão negativa da saúde, já que esta é tida como
ausência de doença. Ao ser um trabalho feito sobre as pessoas e não com as pessoas, esses
modelos ignoram que nem todos os indivíduos têm capacidade de compreender a
informação transmitida.

A segunda geração, apesar de reconhecer a importância da informação, diz respeito a uma


educação em saúde centrada no comportamento. Nessa perspectiva, a saúde passa a ser
produto do comportamento do indivíduo em resposta aos estímulos do(s) meio(s) no(s) qual
(ais) se insere e movimenta pelo que a educação em saúde é de abordagem preventiva,
individual e adaptativa, não se pretendendo a implicação do indivíduo na modificação
desses(s) meio(s), mas antes a sua adaptação a ele(s).

A terceira geração de modelos de educação em saúde, a educação em saúde crítica ou de


foco integral. Nessa perspectiva, a educação em saúde deve ir além da modificação
comportamental, capacitando as pessoas para agirem sobre o meio, implicando-as no
processo de transformação de fatores pessoais, sociais, económicos ou ambientais que
incidem sobre a sua saúde. Esse tipo de educação em saúde é feito com as pessoas e não
sobre elas.

Promoção da saúde deve ser entendida como a aquisição de capacidades pelos indivíduos
e comunidades para controlarem os seus determinantes de saúde. É aqui que a educação,
como um motor de capacitação, se constitui como a chave para que a saúde seja um bem
acessível a todos.

Educação e saúde são, portanto, duas faces do mesmo processo, interdependentes e


construtivas. Busca um desenvolvimento do indivíduo em todas as suas dimensões, como a
fisiológica, a emotiva, a afetiva, a volitiva, a racional, a ética, a espiritual, a social, a ecológica
ou a comunitária (Feio; Oliveira, 2010).

As relações entre saúde e educação são influenciadas, portanto, por fatores culturais,
econômicos, sociais, psicológicos e interpessoais. Variáveis econômicas como renda e
ocupação que mediam a relação entre educação e saúde e recursos culturais, sociais,
psicológicos e interpessoais permitem que as pessoas com diferentes níveis educacionais
acessem e utilizem estratégias de enfrentamento e resolução de problemas para lidarem
com situações de saúde e doença. A educação permite que as pessoas desenvolvam
habilidades que as predispõem a melhores resultados de saúde em contextos múltiplos e
interativos. Sendo assim, para informar políticas de saúde e educação, é importante valorizar
as oportunidades que a educação gera durante o ciclo de vida dos indivíduos.
A compreensão de como a saúde avança por meio da educação e a educação se
aperfeiçoa com a saúde pode ser chave para o enfrentamento das desigualdades e exclusões
que cerceiam e limitam o pleno desenvolvimento humano. Portanto, a educação em Saúde
deve ser um processo permanente e comunitário e não um processo que se confina às
paredes de uma escola, de um hospital ou de um centro de saúde, numa visão
exclusivamente formal de educação.

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