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Modalidades e Impedimentos do Casamento

O documento aborda a relação de parentesco e afinidade, detalhando a definição e modalidades do casamento civil, incluindo a promessa de casamento e os requisitos para sua celebração. Discute também os impedimentos matrimoniais, suas classificações e consequências legais, além dos requisitos de consentimento e formalidades necessárias para a realização do casamento. Por fim, menciona as condições que podem levar à anulação do casamento, como vícios de vontade e erro.

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Beatriz Simões
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Modalidades e Impedimentos do Casamento

O documento aborda a relação de parentesco e afinidade, detalhando a definição e modalidades do casamento civil, incluindo a promessa de casamento e os requisitos para sua celebração. Discute também os impedimentos matrimoniais, suas classificações e consequências legais, além dos requisitos de consentimento e formalidades necessárias para a realização do casamento. Por fim, menciona as condições que podem levar à anulação do casamento, como vícios de vontade e erro.

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Relação de Parentesco e Afinidade

BISAVÔ 3º

AVÔ 2º


TIO PAI 1º

4º PRIMO PESSOA IRMÃO 2º

1º FILHO SOBRINHO 3º

NETO 2º

Direito matrimonial
Modalidades de Casamento
Noção de casamento civil
1577º- definição de casamento

O casamento caracteriza-se pela contratualidade, pela assunção do compromisso recíproco


de plena comunhão de vida, pela pessoalidade e pela solenidade.

No passado, era atribuído ao casamento natureza a natureza de ato administrativo, pois os


nubentes tinham de manifestar a sua vontade de casar perante um funcionário, e que só a
intervenção deste conferia valor jurídico ao casamento, e que a declaração de vontade dos
nubentes era tida como uma simples condição da prática de um ato do poder estatal.
O facto da intervenção de um funcionário constituir condição de existência do casamento, a
declaração dos nubentes é que tem o papel principal na disciplina do instituto. Assim,
conclui-se que não é um ato administrativo, mas um ato de Direito Privado, em que o
conservador assegura a observância de uma forma especial que a lei prescreve para o ato.
Ultimamente, nega-se o cariz negocial ao casamento, qualificando-o como um ato jurídico
em sentido estrito (comportamento humano voluntário), ou como uma soma de dois atos
jurídicos simples (comportamento humano voluntário, havendo liberdade de celebração).

Embora, haja uma fixação injuntiva dos efeitos essenciais do casamento, as partes gozam de
alguma autonomia, como por exemplo, poderem escolher quando e com quem querem
casar.

O casamento trata-se de um contrato:


- pessoal: na sua realização é indispensável a
presença dos próprios contraentes, ou de um deles e
do procurador do outro

- solene: a celebração do casamento está sujeita a


uma forma estabelecida por lei (art. 1615º); esta visa
que as partes reflitam antes de se vincularem

Sendo um contrato, o casamento é um contrato especial:


- pessoal: tem influencia do estado das
pessoas, projetando-se, principalmente,
na esfera pessoal, e, acessoriamente, na
esfera patrimonial

- familiar: marcado pelo aspecto


funcional; tem uma finalidade extra-
individual, impedindo a aplicação da
exceção de não cumprimento

Modalidades do casamento
Além do casamento civil, há também o casamento católico, que é o casamento celebrado
segundo o Direito Canónico da Igreja Católica.

Dentro do casamento civil, há uma outra forma de casamento que é o casamento civil
religioso. Este é um casamento religioso não católico, ao qual são reconhecidos efeitos civis.

Há que se distinguir os vários sistemas matrimoniais:


- casamento religioso obrigatório: o Estado reconhece
eficácia civil apenas ao casamento celebrado por forma
religiosa

- casamento civil obrigatório: o Estado só atribui


relevância jurídica ao casamento civil

- casamento civil facultativo: são conferidos efeitos


civis quer ao casamento celebrado por forma civil, quer
ao casamento celebrado por forma religiosa; duas
variantes:
- o Estado só reconhece um regime particular ao
casamento religioso nos aspetos formais, em
tudo o resto é aplicável a lei civil

- o Estado admite a eficácia do direito da igreja


em aspetos que não são meramente formais (é
este que vigora em Portugal)

- casamento civil subsidiário: o Estado reconhece o


casamento religioso, apenas admitindo o casamento
laico para os casos em que é considerado legitimo pelo
direito da igreja (ex.: se provasse que nenhum dos
contraentes professava a religião católica)

A promessa de casamento
Noção e requisitos da promessa de casamento
A promessa de casamento é o contrato pelo qual duas pessoas se comprometem a contrair
matrimonio.
Neste contrato, na falta de disposições específicas (arts. 1591º-1595º), aplicam-se as regras
gerais do contrato-promessa, e, em seguida, as regras gerais dos negócios jurídicos.

A capacidade exigida para a promessa de casamento é a mesma que se requer para a


celebração do casamento.

Em relação ao consentimento, a promessa de casamento está sujeita às regras gerais dos


negócios jurídicos.

A promessa pode ser submetida a condição ou termo; o objeto da promessa de casamento


deve ser legalmente possível (art. 280º nº1); a validade da promessa não depende da
observância de uma forma especial (art. 219º)

Efeitos
Mediante a promessa de casamento, as partes ficam vinculadas a casar uma com a outra.
Contudo, a obrigação de casar obsta à execução especifica da promessa (art. 1591º), sendo
conferido apenas o direito às indemnizações previstas no artigo 1594º.

No caso de rutura da promessa de casamento, os contraentes são obrigados a restituir


donativos que o outro ou terceiro lhe tenha feito em virtude da promessa e na expectativa
do casamento (art. 1592º nº1). Esta é feita, independentemente da culpa.

Já no caso de extinção da promessa por morte de um dos promitentes, cabe ao outro optar
por conservar os donativos do falecido ou exigir aqueles que lhe tenha feito (art. 1593 nº1).
Contudo, certos donativos, devido ao seu caracter íntimo, estão subordinados a um regime
especial, em que o promitente sobrevivo pode manter a correspondência e os retratos
pessoais do falecido e exigir a restituição das cartas e retratos pessoais que lhe tenha
oferecido (art. 1593 nº2).

1595º- caducidade das ações

Pressupostos da celebração do casamento


A diversidade de sexo costumava ser um requisito do casamento civil português. Porém, em
2010 e publicada uma lei que permite o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.
Tal acontece, principalmente, pela lei civil portuguesa não associar ao casamento o dever de
procriação conjunta. O disposto no artigo 1577º refere que o casamento visa a constituição
de família, mas a ligação entre os cônjuges é ela própria uma relação familiar. Já das alusões
que o regime dos deveres conjugais faz aos filhos não se retira uma obrigação de procriação,
mas uma presunção que abrange o caso de conceção após o casamento.

Capacidade
As proibições de casamento estão sujeitas a um princípio de tipicidade, ou seja, são só
aquelas que estão previstas na lei.

Os impedimentos têm como ponto de referencia o momento da celebração do casamento.

Quatro classificações de impedimentos matrimoniais:


- impedimentos nominados e inominados

Os impedimentos nominados são aqueles que são designados impedimentos pela


própria lei.

Os impedimentos inominados são os restantes.

- impedimentos dirimentes e impedimentos impedientes

Os impedimentos dirimentes são aqueles que, quando se verificam, tornam o


casamento anulável.

Os outros são impedimentos impedientes.

- impedimentos absolutos e impedimentos relativos

Os impedimentos absolutos são aqueles que obstam à celebração do casamento com


qualquer pessoa, ou seja, são verdadeiras incapacidades.

Os impedimentos relativos são aqueles que à realização do casamento com certas


pessoas, sendo uma ilegitimidade em sentido técnico.

- impedimentos suscetíveis de dispensa e os impedimentos insuscetíveis de dispensa

Os impedimentos suscetíveis de dispensa são os que não obstam ao casamento, caso


houver um ato de autorização de uma autoridade.
Os impedimentos insuscetíveis de dispensa não permitem o casamento,
independentemente de autorização por uma autoridade.
Somente alguns impedimentos impedientes expressos no artigo 1609º nº1 é que são
suscetíveis de dispensa.

Impedimentos dirimentes
A celebração do casamento com impedimentos dirimentes acarreta a anulabilidade do ato
(art. 1631º a)). Porém, a anulação tem de ser decretada por sentença em ação
especialmente intentada para esse fim (art. 1632º).

1639 nº1- quem tem legitimidade para requerer a anulação

1643 nº1 c)/ 1643 nº2- prazo para requerer a anulação

1633º nº1 a), b) e c)- convalidação de impedimentos dirimentes absolutos

É admissível a convalidação do casamento contraído com impedimentos dirimentes


absolutos, mas não com impedimentos dirimentes relativos (art. 1633º nº1 a), b) e c)).

O artigo 1601º enumera os impedimentos dirimentes absolutos:


- por demência entende-se qualquer anomalia psíquica que torne uma pessoa incapaz de
reger, convenientemente, a sua pessoa e o seu património; é notória a demência certa,
inequívoca e não duvidosa

- no caso do casamento anterior não dissolvido, o impedimento cessa com a dissolução do


casamento anterior, seja por morte ou divórcio; em caso de bigamia, o cônjuge pode
intentar a ação de anulação (a não ser que já esteja pendente uma ação de anulação do
primeiro casamento).

O artigo 1602º refere os impedimentos dirimentes relativos:


- apesar da adoção, normalmente, extinguir as relações familiares entre o adotado e os seus
ascendentes e colaterais naturais, mantêm-se os impedimentos de parentesco e afinidade
derivados da ligação biológica; por força do artigo 1986º nº1, o adotado adquire a situação
de filho do adotante, integrando-se com os seus descendentes

- há um impedimento inominado que é o da filiação por PMA heteróloga (procriação


medicamente assistida), em que há aplicação analógica do regime dos efeitos da filiação
biológica

Nos termos do artigo 1603º nº1, é admitida prova de paternidade ou de maternidade no


processo preliminar de casamento e na ação de declaração de anulação do casamento.
Assim, determina-se que os impedimentos de parentesco ou afinidade relevam ainda que
não esteja estabelecida a afinidade.

No artigo 1987º, quando determina que não é possível fazer prova da filiação natural fora do
processo preliminar do casamento, depois de decretada a adoção, tem de ser alvo de uma
interpretação restritiva, visto que é admissível a prova de filiação biológica do adotado na
ação de declaração de anulação do casamento fundada num dos impedimentos do artigo
1602º a), c) e d).

- em relação à condenação de um dos nubentes, como autor ou cúmplice de homicídio


doloso, temos que entender que este impedimento só é considerado dirimente se já tiver
transitado em julgado a sentença de condenação por homicídio, pois caso a sentença ainda
não tenha transitado em julgado, é considerado um impedimento impediente

Impedimentos impedientes
Os impedimentos impedientes são circunstâncias que, embora obstem ao casamento, não o
tornam anulável se ele se celebrar. No máximo, uma das partes sofre sanções de caráter
patrimonial.

O artigo 1604º refere quais são os impedimentos impedientes:


- o impedimento da falta de autorização é absoluto, enquanto todos os restantes são
relativos

- a falta de autorização dos pais ou do tutor refere-se a menores de 16 e 17 anos de idade,


pois a idade inferior a 16 anos é impedimento dirimente

- a autorização dos pais é regulamentada no artigo 1612º, podendo ser dada antes do
casamento ou na própria cerimónia; a falta desta autorização ou do seu suprimento, não
torna o menor emancipado (artigo 1649º)

- ainda existem dois impedimentos impedientes que não estão neste artigo, o vínculo de
apadrinhamento civil, e o impedimento do casamento civil de duas pessoas unidas entre si
por matrimonio católico anterior não dissolvido (art. 1589 nº2)

- os impedimentos vigentes no artigo 1604º c) e d), e o vínculo de apadrinhamento civil são


os únicos suscetíveis de dispensa, passando o casamento a ser lícito; na falta de dispensa, a
celebração do casamento pode levar a que um dos cônjuges acarrete a sanção presente no
artigo 1650º nº2

- o artigo 1604 f) trata-se de um impedimento sem sanção, tal como o artigo 1589 nº2; este
impedimento só cessa com o transito em julgado da sentença absolutória

Consentimento
Requisitos do consentimento matrimonial
O contrato de casamento exige o mútuo consentimento das partes, que tem de ser
exteriorizado no próprio ato (artigo 1617º).

O artigo 1619º estabelece o princípio do carater pessoal do consentimento, do qual resulta a


necessidade de a vontade de contrair matrimonio ser manifestada pelos próprios nubentes.
A representação só é lícita nos termos em que a lei admite o instituto do casamento por
procuração.
O casamento em cuja celebração tenha faltado a declaração de vontade de um ou de ambos
os nubentes, ou do procurador de um deles, é juridicamente inexistente (artigo 1628º c)).

Tem de haver uma coincidência entre a vontade e a declaração.

Casamento por procuração


O casamento por procuração é uma exceção ao princípio do caráter pessoal do
consentimento.

Nos termos do artigo 1620º nº1, é licita a representação de um, e somente um, dos
nubentes na celebração do casamento.

A procuração para casamento tem de ser outorgada por documento autenticado,


instrumento público ou por documento escrito e assinado pelo representado, com
reconhecimento presencial da assinatura.
A inobservância da forma determina a nulidade da procuração (art. 220º), e o casamento é
inexistente (art. 1628º d))

No caso de ser contraído o casamento por procuração que não indique a modalidade do
casamento, ocorre uma mera irregularidade que não prejudica nem a existência nem a
invalidade do casamento.

1621º- revogação e caducidade da procuração

A revogação pode ser feita a qualquer altura, até ao casamento, pondo termo aos efeitos da
procuração quando é realizada, não dependendo a sua eficácia do conhecimento da
revogação pelo procurador.

Falta de vontade negocial e divergências entre a vontade e a declaração


O casamento é anulável no caso de haver falta de vontade, nos termos do artigo 1635º:
- para que a divergência intencional entre a vontade e a declaração seja considerada
fundamento de anulação, não pode haver vontade de assumir a obrigação de plena
comunhão de vida, onde as partes recusem a totalidade dos efeitos essenciais do casamento
(simulação total); no caso de estarmos perante uma simulação parcial, o casamento é valido
e aplica-se o 1618º

1640º- legitimidade para a requerer a anulação fundada na falta de vontade

1644º- prazo para requerer a anulação fundada na falta de vontade

Erro-vício e coação moral


O casamento celebrado com a vontade viciada por erro é anulável, nos termos do artigo
1636º.
Para ser relevante, tem de se tratar de:
- um erro que recai sobre as qualidades essenciais da pessoa do outro cônjuge: uma
qualidade idónea, apropriada, para determinar o consentimento matrimonial
- ser desculpável: não se pode tratar de um erro que o Homem médio não cairia, nas
circunstâncias do caso

- essencial objetivamente: releva uma qualidade em concreto que tornaria legitima a não
celebração do casamento, à luz da consciência social dominante; subjetivamente: prova de
que a parte que está em erro não teria celebrado o casamento se tivesse uma representação
correta da realidade

Se o erro recair sobre uma circunstância correspondente a um impedimento dirimente, cabe


à vitima optar entre o regime do erro e o regime do impedimento dirimente.

O casamento celebrado sob coação moral é anulável, nos termos do artigo 1638º nº1.

1641º- legitimidade para requerer a anulação fundada em vício de vontade

1645º- prazo para requerer a anulação fundada em vício de vontade

Formalidades do casamento civil


Casamento civil
Formalidades preliminares: O processo preliminar encontra-se regulado pelos artigos 1610º
a 1614º do CC, e pelos artigos 134º a 145º do CRC.
O processo preliminar do casamento destina-se à verificação da inexistência de
impedimentos (art. 1610º), sendo organizado por qualquer conservatória do registo civil e
iniciando-se com a declaração para casamento.
Este processo não impede a validade do casamento, contudo este é considerado contraído
sob o regime imperativo da separação de bens (art. 1720º nº1 a))
Na declaração, os nubentes comunicam a sua intenção de contrair matrimónio e requerem a
instauração do processo de casamento. Esta declaração deve constar de documento com o
nome do funcionário do registo civil, ou de um documento assinado pelos nubentes e
apresentado pessoalmente, via eletrónica ou por correio, contendo os elementos indicados
no artigo 136º nº2 do CRC, acompanhado dos documentos de identificação dos nubentes.
Na sequência da declaração, é consultada a base de dados do registo civil, de forma a
comprovar os registos de nascimento dos nubentes.
Compete ao conservador verificar a identidade e capacidade matrimonial dos nubentes.
Com tudo isto, o conservador tem de, no prazo de um dia a contar da última diligência,
proferir despacho final, autorizando os nubentes a celebrar o casamento, ou mandando
arquivar o processo (art. 1613º)
No caso de ser deduzido algum impedimento, o processo preliminar do casamento é
suspenso até que esse impedimento cesse, seja dispensado ou julgado improcedente por
decisão judicial (art. 1611º nº3).

Formalidades de celebração: Após o despacho final, autorizando a celebração do


casamento, este deve ser celebrado dentro dos seis meses seguintes (art. 1614º).
As formalidades da celebração do casamento encontram-se reguladas nos artigos 153º a
155º, e nos artigos 1615º e 1616º do CRC.
O dia, a hora e o local da celebração são combinados entre os nubentes e o conservador.
A presença dos nubentes, ou do procurador de um deles, bem como do conservador, é
indispensável para a celebração do casamento (art. 1616º a) e b)). No caso da falta de um
destes, há inexistência do casamento (art. 1618º a) e c)). Em relação à falta do conservador,
há uma exceção ao disposto no artigo 1628º no artigo 1629º.
Sempre que a identidade de um dos nubentes ou do procurador não possa ser confirmada,
há a obrigatoriedade de haver duas testemunhas, sendo anulável o casamento no caso de
não se cumprir com esta obrigação (arts. 1631º c); 1642º; 1646º). O casamento é
convalidado se o conservador reconhecer que a falta de testemunhas é devida a
circunstâncias atendíveis (art. 1633 nº1 d)).
Às pessoas presentes na celebração é lhes dada uma última oportunidade de denunciarem
eventuais impedimentos matrimoniais.
Depois de proferir os direitos e deveres presentes no CC, o conservador pergunta aos
nubentes de aceita o outro por consorte, ao que estes têm de responder, sucessiva e
claramente “É de minha livre vontade casar com [indicando o nome completo do outro
nubente]”. Prestado os consentimentos dos contraentes, considera-se celebrado o
matrimónio.
Por último, o conservador proclama, em voz alta, “Em nome da lei e da República
Portuguesa, declaro [indicando o nome completo dos cônjuges] unidos pelo casamento”.

Formalidades subsequentes: As formalidades subsequentes ao casamento civil traduzem-se


no registo civil.
O artigo 1651º indica quais os casamentos sujeitos a registo.
O registo civil do casamento consiste no assento, que é lavrado por inscrição ou transcrição
(art. 1652º) em suporte informático. O assento lavrado por inscrição é um registo direto do
casamento, enquanto um assento lavrado por transcrição é uma transcrição que tem por
base o assento da cerimónia feito por uma entidade que não desempenha funções de
registo civil.
O assento de casamento civil não urgente celebrado em Portugal tem de ser lavrado e lido
em voz alta pelo funcionário que nele coloca o seu nome, logo após a celebração.
Após o registo, os efeitos civis do casamento retrotraem-se à data da celebração do ato (art.
1670º nº1).
O casamento, cujo registo é obrigatório, não pode ser invocado enquanto não for lavrado o
respetivo assento. Existem exceções, como o artigo 1601º c) e o artigo 1653º nº1.
O registo não condiciona a validade nem a existência, mas a prova do casamento.

Casamento civil religioso


Formalidades preliminares: O processo preliminar do casamento ocorre na conservatória de
registo civil.
A declaração pode ser prestada pelos nubentes, pessoalmente ou por intermedio de um
procurador, com indicação da forma religiosa e do ministro do culto credenciado para o ato,
ou pelo ministro de culto, mediante requerimento por si assinado.
O conservador autoriza o casamento e passa o respetivo certificado, onde deve conter
menção de que os nubentes têm conhecimento do disposto nos artigos 1577º, 1600º, 1671º
e 1672º. Este também deve conter o nome e a credenciação do ministro do culto.
Formalidades de celebração: O ministro do culto celebra o casamento, onde é indispensável
a presença dos nubentes, ou de um deles e o procurador do outro, do ministro do culto e de
duas testemunhas. A inobservância destas regras tem as mesmas consequências que o
casamento civil sob forma civil.

Formalidades subsequentes: Após a celebração do casamento, o ministro do culto deve


lavrar imediatamente o assento e enviá-lo à conservatória, dentro do prazo de três dias.
O conservador tem de realizar a transcrição do duplicado no prazo de um dia e uração-lo ao
ministro do culto até ao termo do dia imediato àquele em que foi feita.

Casamento urgente
Este casamento é aquele cuja celebração é permitida, independentemente do processo
preliminar e sem a intervenção do funcionário de registo civil (art. 1622º nº1).
Também é reconhecida eficácia civil aos casamentos católicos urgentes, em que se pode
celebrar, independentemente de processo preliminar e da passagem de certificado para
casamento (art. 1599º nº1). O casamento civil urgente sob forma religiosa é permitido sob
as mesmas condições que o casamento católico.

Para identificar a espécie de casamento, e na ausência de funcionário de registo civil,


ministro da Igreja Católica ou de ministro de outro culto, aplica-se o artigo 1590º.

1622º nº1- requisitos de fundo para o casamento urgente

Especialidades:
- desnecessidade do processo preliminar de casamento
- dispensa da presença do conservador do registo civil ou de ministro de um culto
- obrigatória a presença de quatro testemunhas
- fase da homologação

Formalidades preliminares: Há uma proclamação oral ou escrita que se vai celebrar o


casamento, feita à porta de casa onde se encontram os nubentes, por qualquer das pessoas
presentes.

Formalidades de celebração: O casamento celebra-se com a declaração expressa do


consentimento de cada nubente às quatro testemunhas (duas das quais não podem ser
parentes sucessíveis dos nubentes).

Formalidades subsequentes: É redigida uma ata do casamento, onde assinam todos os


intervenientes.
É apresentada a ata ao conservador, que irá decidir se o casamento pode ser homologado
(art. 1623º nº1). As causas justificativas na não homologação são referidas no artigo 1624º.
Quando não é homologado, o casamento é juridicamente inexistente (art. 1628º b)). Mesmo
que o casamento não seja homologado, pode ser declarada a validade do casamento nos
termos do artigo 1624º nº3.
O registo do casamento civil urgente homologado é lavrado por transcrição, com base no
despacho da homologação.
Casamento de portugueses no estrangeiro e de estrangeiros em Portugal
O casamento contraído no estrangeiro entre portugueses ou entre um português e um
estrangeiro, pode ser celebrado perante os ministros do culto católico, os agentes
diplomáticos ou consulares portugueses, pela forma estabelecida em lei portuguesa, ou
perante as autoridades locais competentes, pela forma estabelecida na lei do lugar da
celebração.

O casamento é celebrado após o processo preliminar, a não ser que este seja dispensado por
lei. Este processo é organizado pelos agentes diplomáticos ou consulares portugueses, ou
por qualquer conservatória do registo civil.

Formalidades subsequentes: O casamento é registado no consulado português competente.


No caso de o casamento ser celebrado perante o agente diplomático ou consular português,
este é registado por inscrição. Já o casamento católico é transcrito, com base no assento
paroquial.
Se o casamento for celebrado perante as autoridades estrangeiras, pela forma estabelecida
na lei do lugar da celebração, é registado por transcrição do documento comprovativo do
casamento.

Em relação ao casamento de português com estrangeiro celebrado em Portugal, este só se


pode realizar pelas formas e segundo as formalidades previstas na lei portuguesa.

No que diz respeito ao casamento de estrangeiros em Portugal, este pode ser celebrado
segundo a forma prescrita na lei nacional de qualquer um dos contraentes, perante os
respetivos agentes diplomáticos ou consulares, desde que igual competência seja
reconhecida pela mesma lei aos agentes diplomáticos e consulares portugueses.
Contudo, também pode ser celebrado segundo as formas e formalidades prescritas na lei
portuguesa. Neste caso, o estrangeiro deve instruir o processo preliminar de casamento com
certificado de inexistência de impedimentos à celebração do casamento, passado pela
entidade competente do país que seja nacional. Este certificado pode ser suprido por uma
declaração de que nenhum impedimento obsta à celebração do casamento, na circunstância
de, por força maior, não ser possível uraçãoa-lo.

Casamento católico
É atribuída relevância civil ao regime do Direito Canónico do casamento católico em
matérias que não se cingem à forma.

As decisões definitivas das autoridades eclesiásticas quanto à nulidade do casamento


católico e à dispensa do casamento rato e não consumado podem produzir efeitos civis,
após revisão e confirmação pelo competente tribunal do Estado português (art. 1626º nº1).

Tendo em conta o disposto no artigo 1625º, o casamento católico só pode ser tido como
inválido se violar o Direito Canónico. Assim, se infringir regras civis sobre os requisitos do
casamento já não será anulável.

Algumas das principais discrepâncias são: o casamento civil anterior não dissolvido não é
impedimento; a simulação parcial implica a invalidade do casamento; a idade de 14 anos
para a mulher (apesar, de em Portugal se ter estabelecido a idade de 16 anos); etc.
1596º- só quem tem capacidade matrimonial exigida na lei civil é que pode celebrar o
casamento católico

Na falta de instrumento da invalidade, a garantia do respeito dos impedimentos de Direito


Civil na celebração do casamento católico é assegurada mediante os instrumentos gerais,
como a recusa de transcrição.
Esta recusa de transcrição permite ao Estado português assegurar a observância dos
impedimentos de Direito Civil mais importantes.

Formalidades preliminares: O processo preliminar do casamento é organizado nas


conservatórias do registo civil (art. 1597º nº1).
A declaração pode ser prestada na conservatória pelos nubentes, pessoalmente ou por
intermédio do procurador, ou pelo pároco competente para a organização do processo
canónico, mediante requerimento por si assinado.
O conservador, no prazo de um dia a contar da data do despacho (que mostra que não há
nenhum impedimento) ou da que os nubentes manifestaram a intenção de contrair
casamento católico, passa um certificado onde declara que os nubentes podem contrair
casamento.

Formalidades subsequentes: Após a celebração do casamento, o pároco deve lavrar o


assento paroquial, enviando-o à conservatória competente no prazo de três dias.
O conservador deve transcrever o duplicado dentro do prazo de um dia e comunicar o
registo civil do casamento ao pároco até ao termo dia imediato àquele que foi feito.
No caso de o pároco não enviar o duplicado, a transcrição pode ser feita a todo tempo, em
face do documento necessário, a requerimento de qualquer interessado ou do Ministério
Público.

As formalidades do ato de celebração são reguladas, exclusivamente, pelo Direito Canónico.

Nem todos os casamentos católicos, em Portugal, são registados por transcrição, pois, nos
termos do artigo 1589 nº1, o registo do casamento católico de duas pessoas já ligadas entre
si por casamento civil não dissolvido faz-se por averbamento ao assento do casamento civil.

Efeitos do casamento
Generalidades
Estado de casado
Os efeitos do casamento regem-se todos pelas mesmas normas (art. 36º nº2 CRP; 1588º
CC).

Ao casar, as partes adquirem um estado de casado, estando sujeitos a deveres de cônjuges.

Este estado caracteriza-se pela sua:


- indisponibilidade
- durabilidade vital
- oponibilidade erga omnes
1601º c)- princípio da monogamia

O regime casamento-estado é fundamental, seja antes, durante ou depois do casamento,


pois o Estado não se desinteressa da relação conjugal depois da cerimónia.
Isto é verificável pelo facto dos impedimentos podem ser mencionados a todo o momento.

O Estado impõe aos cônjuges uma determinada imagem do casamento, a imagem do artigo
1577º CC.
A plena comunhão de vida é impossível, pelo que se exige a sua observância na medida do
possível, que é aproximado pelo artigo 1672º CC.

O mais importante do casamento é a dimensão pessoal, já que a relação conjugal é


concebida como uma unidade entre duas pessoas e não como uma comunidade de bens.

A doutrina tende a separar os efeitos pessoais dos efeitos patrimoniais do casamento.


Contudo, há quem entenda que deve haver um tratamento em conjunto destes efeitos, pois
existem deveres que possuem ambas as vertentes.

Princípio da igualdade cos cônjuges


1671º- igualdade dos cônjuges

Desta resulta a proibição da sua discriminação consoante o sexo.


Há necessidade de reafirmar este princípio, pois com o pluralismo religioso que vivemos,
existe a ideia, por vezes, que a mulher está subordinada ao homem.

Uma das manifestações deste princípio é o facto de os cônjuges estarem vinculados de


forma idêntica e recíproca à concretização dos deveres conjugais.
Outra é a atribuição aos cônjuges da direção conjunta da família.

Acordos sobre a orientação da vida em comum


A lei impõe que os cônjuges tentem chegar a um acordo a tudo o que seja a orientação da
sua vida em comum.
Esta obrigação insere-se no dever de cooperação conjugal, pelo que a recusa sistemática e
gratuita de um cônjuge chegar a acordo com o outro pode ser motivo suficiente para
divórcio sem necessidade de consentimento.
Na falta de acordo, há possibilidade de intervenção do tribunal para evitar uma situação de
bloqueio.

O objeto dos acordos sobre a orientação da vida em comum são os assuntos com especial
relevância familiar, estando de fora os direitos de personalidade que não estejam
diretamente abrangidos pela relação conjugal, apesar de o titular ter de os exercer com
respeito pelos interesses da família.

Tutela da personalidade no casamento e a ideia do núcleo intangível da comunhão


conjugal
A generalidade das normas sobre os efeitos do casamento é de natureza injuntiva. Contudo,
isto não significa que o casamento elimina a individualidade de cada um dos membros do
casal, até porque no disposto no artigo 1671º nº2 CC indicia que tem de se ter em conta os
interesses pessoais de cada um dos cônjuges na celebração de acordos sobre a orientação
da ida em comum.

Deveres dos cônjuges


Dever de respeito
Este dever exige aos cônjuges não lesar a honra um do outro, sendo ilícitos os
comportamentos que atinjam a integridade moral do outro cônjuge.

Este princípio é um reflexo da tutela geral da personalidade física e moral assegurada pelo
artigo 70 nº1 CC.

Além da esfera pessoal, este dever manifesta-se na esfera patrimonial dos cônjuges,
correspondendo ao dever geral de respeito.
Todas as obrigações que não caiam na previsão dos restantes deveres conjugais são
impostas pelo dever de respeito.

Dever de fidelidade
O dever de fidelidade implica um duplo dever de abstenção:
- fidelidade física: impedimento de adultério
- fidelidade moral: impedimento de qualquer ligação amorosa de um cônjuge com terceiro
Dever de coabitação
Numa perspetiva clássica, este dever engloba a comunhão de leito (prática de relações
sexuais), mesa (comunhão de vida económica) e habitação.
Contudo, hoje em dia não é esta a realidade, já que, por motivos profissionais, as pessoas
são obrigadas a viver longe da moradia de família (art. 1673º CC).

A obrigação de comunhão sexual é, por vezes, excluída, pois não resulta de forma expressa
na lei.
De qualquer das formas, a exigência desta não é muito intensa, já que só se considera
violada a comunhão sexual se houver uma recusa sistemática, injustificada e prolongada.

Dever de cooperação
O artigo 1647º decompõe o dever de cooperação em duas vertentes:
- obrigação de socorro e auxílio mútuos: os cônjuges têm de assumir em conjunto as
responsabilidades inerentes à vida da família que fundaram, pressupondo a intervenção na
esfera do outro cônjuge
- domínio mais genérico da vida da família

A obrigação de socorro e auxílio mútuos está sujeita a limites, pois não é exigível a ninguém
um comportamento heroico ou próprio de um mártir.

A obrigação do casal assumir as responsabilidades inerentes à vida familiar implica a


cooperação de sustento, guarda e educação dos filhos, tal como o apoio a outros familiares
que estejam a cargo de um ou do outro cônjuge.

Dever de assistência
Art. 1675º- dever de assistência

O dever de assistência corresponde a um dever patrimonial.

Neste cabem duas obrigações, que nunca vigoram simultaneamente e que diferem quanto
ao círculo de beneficiários do cumprimento:
- obrigação de prestar alimentos: contribuir para os encargos da vida familiar numa situação
de normalidade conjugal; o credor da obrigação conjugal é somente o cônjuge

- obrigação de contribuir para os encargos da vida familiar: vincula o cônjuge perante o


outro, mas também perante os familiares a cargo dos cônjuges; esta extingue-se em todas as
hipóteses em que falta a vida em comum (ex.: separação de facto)

O dever de assistência não obriga a que haja uma prestação idêntica por parte dos cônjuges.
A lei impõe uma contribuição proporcional, ajustada às possibilidades de cada um.

As formas de contribuição estão repartidas em duas:


-afetação de recursos: ganhos do trabalho, pensões, rendas, disponibilização de bens
próprios

- trabalho despendido no lar ou na manutenção e educação dos filhos

Efeitos do casamento no domínio do nome, da filiação, da nacionalidade, da


entrada e permanência no território português
Apelido dos cônjuges
Expressa no artigo 1677º nº1, é atribuída aos cônjuges a faculdade de acrescentarem até
dois apelidos do outro ao seu nome.

Apesar desta faculdade poder ser exercida por qualquer um dos cônjuges, só é permitido
que seja apenas um deles a fazê-lo.
No caso de não haver acordo, não há alteração.

Casamento, nacionalidade, entrada e permanência no território português


A nacionalidade portuguesa não se adquire nem se perde pelo mero facto da celebração do
casamento.

A Lei da Nacionalidade prevê que o estrangeiro casado com nacional há mais de três anos
pode adquirir a nacionalidade portuguesa mediante declaração feita na uração do
matrimónio.

O português que case com nacional de outro Estado não perde por esse motivo a
nacionalidade, a não ser que, sendo também nacional de outro Estado, declare que não
quer ser português.

Efeitos predominantemente patrimoniais do casamento


Convenções antenupciais
Convenção antenupcial- negócio celebrado em vista da futura realização de um casamento,
com a necessária intervenção de, pelo menos, um dos nubentes, na qualidade de parte

A convenção antenupcial não exige um acordo entre os nubentes, nem tem de ser um
contrato.

Conteúdo
Prende-se, essencialmente, com a determinação do regime de bens, vigorando o princípio
de estipulação (art. 1698º CC).
Esta liberdade é restringida pelo 1699º.

O artigo 1699º nº2 tem de ter uma interpretação restritiva, pois neste não é especificado se
os filhos são de ambos ou só de um. Assim, considera-se que este só se aplica nos casos de
um dos nubentes tiver filhos com terceiro.

Para além da estipulação do regime de bens, pode a convenção antenupcial ter por objeto
outros aspetos que tenham que ver com o futuro casamento ou não.
A relevância do conteúdo de aspetos que não se relacionem com o regime de bens é
escassa.

Capacidade
A capacidade para celebrar convenções antenupciais é regulada pelo artigo 1708º.

Esta capacidade é definida com base na capacidade matrimonial, pelo que têm capacidade
para celebrar convenções antenupciais todos os que têm capacidade para casar.

A outorga de uma convenção antenupcial sem que haja capacidade de gozo para tal leva à
nulidade da mesma.

Nos casos em que é aplicável o artigo 1709º, a anulabilidade separa-se do regime geral da
anulabilidade (arts. 287º e 288º) em três aspetos:
- os representantes têm legitimidade para invalidar a convenção, mesmo que não se
encontrem no círculo de pessoas em cujo interessa a lei estabelece a anulabilidade
- o prazo de um ano começa a contar-se a partir da data do casamento e não a partir do
momento em que cessa a incapacidade
- a anulabilidade é sanável mediante a celebração do casamento depois de finda a
incapacidade

Forma e registo
A forma da convenção antenupcial deve obedecer ao artigo 1710º.

Regra geral, a convenção antenupcial não adquire carater retroativo (art. 191º nº1 CC).
Contudo, o nº1 admite a exceção em relação aos casamentos católicos, podendo-se, por
analogia, aplicar aos casamentos civis por forma religiosa.

Revogação e modificação
Este regime depende se estamos num momento anterior ou posterior ao casamento:
- anterior: vigora o princípio geral da modificação ou extinção por mútuo consentimento dos
contraentes (art. 1712º nº1 CC)
- posterior: vigora o princípio da imutabilidade (art. 1714º nº1 CC)

Invalidade e caducidade
Neste caso, são aplicáveis as regras gerais sobre as invalidades dos negócios jurídicos.
Contudo, a incapacidade de exercício está presente no artigo 1709º.

A inobservância dos requisitos dispostos no artigo 169ºº leva à nulidade da convenção (art.
294º CC).

A convenção antenupcial caduca nos termos do artigo 1716º.

Doações para casamento


1753º nº1- definição da doação para casamento

Estas doações são feitas em vista do casamento, sendo este a sua causa jurídica e o fator do
qual dependem.

Critério da qualidade do doador (art. 1754º CC):


- doações entre esposados: feitas por um dos esposados ou pelos dois reciprocamente
- doações de terceiro: feitas por terceiro a um ou a ambos os esposados

Critério do momento da eficácia (art. 1755º CC):


- doações inter vivos: o efeito de transmissão da propriedade da coisa ou da titularidade de
um direito ocorre em vida do doador
- doações mortis causa: a doação ocorre por morte do doador

Estes critérios são cumuláveis.

Há uma revogação tácita do artigo 1760º nº1 b) pelo artigo 1791º nº1.

Efeitos do casamento no campo ativo patrimonial


Regimes de bens
Regime de bens (em sentido estrito)- conjunto de regras cuja aplicação define a titularidade
sobre os bens do casal

Regime de bens (em sentido amplo)- complexo de normas relativas aos efeitos do
casamento que se produzam, no plano patrimonial, durante a subsistência do vínculo
matrimonial e não estejam estritamente ligados à disciplina dos deveres dos cônjuges; é útil
distinguir entre:
- regime patrimonial primário: efeitos gerais patrimoniais; associam-se as normas
injuntivas
- regime patrimonial secundário: regras sobre a titularidade dos bens; associam-se
as normas supletivas
Adotando a noção estrita de regime de bens, podemos dividir os bens stricto sensu em duas
categorias:
- regime de bens típicos: enquadram-se num dos quadros previstos na lei (comunhão geral
de bens, comunhão de bens adquiridos e separação de bens)
- regime de bens atípicos: os demais

Ainda há outra classificação:


- regimes convencionais: podem ser fixados pelas partes, mediante convenção antenupcial;
a fixação pode ser de um regime típico ou de um regime atípico (art. 1698º CC)
- regimes supletivos: vigoram na falta de uma estipulação válida e eficaz das partes; no
regime português, o regime supletivo é da comunhão de adquiridos (art. 1717º CC)
- regimes imperativos: vigoram num casamento independentemente da vontade das partes;
o casamento celebrado sem precedência do processo preliminar e o celebrado por pessoas
com idade igual ou superior a 60 anos é obrigatoriamente o regime da separação de bens
(art. 1720º nº1 CC)

Regime da comunhão de bens adquiridos (1721º a 1731º CC)


A regra é que são bens comuns o produto do trabalho dos cônjuges e os bens adquiridos por
eles, a título oneroso, durante o matrimónio (art. 1724º CC).

No âmbito da aplicação do artigo 1724º, deve-se afastar os bens adquiridos em substituição


de salários, como as pensões, pois estes são direitos estritamente pessoais (art. 1733º nº1 c)
CC).

Há uma polémica à volta do artigo 1723º c), devido à exigência de documento de aquisição
ou equivalente com intervenção de ambos os cônjuges, sob pena de os bens próprios
deixarem de o ser.
Parte da doutrina considera que então os bens seriam comuns.
Outra parte da doutrina considera que, se não for afetado o interesse de terceiros, o bem
adquirido será próprio, ainda que falte a documentação exigida. No caso, desse interesse ser
posto em causa, o bem adquirido será comum, restando ao cônjuge o direito a uma
compensação.

No caso do artigo 1726º CC, no caso de a prestação mais valiosa ser a prestação dos bens
próprios, aplica-se o 1723º c) CC. Já se as prestações forem 50/50, utiliza-se o regime do
artigo 1724º b) CC.

Pelo artigo 1728º nº1 CC, por interpretação a contrário, conclui-se que aos frutos dos bens
próprios se aplica a qualidade de bens comuns.

Regime de comunhão geral de bens (art. 1732º a 1734º)


A regra é que são comuns todos os que a lei não considera incomunicáveis (art. 1732º CC).
Os bens incomunicáveis são os presentes no artigo 1733º CC.
Com isto, não se pode afirmar a inexistência de bens próprios no regime de comunhão geral.

Às situações restantes aplicam-se, com as necessárias adaptações, as normas que tocam ao


regime de comunhão de bens adquiridos.
Regime de separação geral de bens (art. 1735º e 1736º)
Neste regime não há bens comuns. Contudo, podem existir situações de compropriedade
(art. 1736 nº2 CC).
Isto não dá origem a bens comuns, mas sim a bens próprios de um cônjuge por uma parte, e
pela outra parte próprio do outro cônjuge.

Há que distinguir a compropriedade da comunhão conjugal de bens:


- comunhão conjugal (arts. 1678º- 1687º CC): há uma contitularidade de mão comum; esta
subsiste enquanto não houver partilha dos bens; há um direito com vários titulares

- compropriedade (arts. 1406º- 1408º nº2 CC): há uma pluralidade de direitos da mesma
espécie, que recaem sobre o mesmo bem; esta cessa com a divisão da coisa comum,
podendo ser exigida a todo o tempo por qualquer um dos consortes; cada um tem um
direito sobre cada quota pertencente

Apesar disto, não se pode dizer que no regime de separação de bens há uma total
independência patrimonial, já que os cônjuges estão obrigados a um mínimo de comunhão
de vida patrimonial.
Com isto, resulta que se pode verificar restrições à liberdade de disposição dos bens
próprios, instituídas em prol do grupo familiar, e ao facto dos cônjuges estarem vinculados
aos deveres de cooperação e assistência, dos quais pode resultar a resposta por ambos às
dividas contraídas por um só deles.

Em relação à situação das pessoas casadas com idade igual ou superior a 60 anos, o
Professor Jorge Duarte Pinheiro defende que tal pode, atualmente, ser incompatível com o
princípio da igualdade (art. 13º CRP), já que a esperança média de vida hoje é bastante
superior e não se espera que alguém com 60 anos já tenha “pouco tempo e pouca qualidade
de vida”.

Regimes atípicos
Os regimes atípicos são os que se diferencia, em qualquer aspeto, de um dos regimes
previstos no CC.

Estes regimes têm de ser fixados em convenção antenupcial, encontrando-se submetidos às


restrições comuns ao princípio da liberdade de estipulação em matéria de regime de bens.

Um exemplo é o regime da participação nos adquiridos, que é um regime atípico em


Portugal, mas que é típico na Alemanha.
Neste regime não há bens comuns, mas é assegurada aos cônjuges, no momento da
extinção do casamento, uma participação por igual ao valor correspondente à diferença
entre o património inicial e final do casal.

Fixado um regime atípico, coloca-se o problema da titularidade de todos os bens do casal.


Em primeiro lugar, aplicam-se as regras de interpretação do negócio jurídico, e, só depois,
aplicam-se as regras da comunhão de adquiridos naquilo em que a convenção for omissa.
Modificação superveniente do regime de bens
O artigo 1714º nº1 consagra o princípio da imutabilidade do regime de bens, determinando
que depois da celebração do casamento não é permitida a revogação ou a modificação da
convenção antenupcial, nem a alteração do regime de bens legalmente fixado, a não ser nos
casos previstos por lei.

As exceções à regra encontram-se figuradas no artigo 1715º nº1 b), c) e d), ou seja, a simples
separação judicial de bens, a separação de pessoas e bens e os demais casos previstos na lei.

Simples separação judicial de bens


A separação só pode ser decretada em ação intentada por um dos cônjuges contra o outro
(art. 1768º CC).

O fundamento é o perigo de um cônjuge perder o que é seu pela má administração do outro


(art. 1767º CC).

A legitimidade para intentar a ação incumbe, normalmente, ao cônjuge lesado (art. 1769º
nº1 1ª parte). Porém, se este for maior acompanhado, pode o acompanhante intentar a
ação (art. 1769º nº1 2ª parte). Já no caso de o acompanhante ser o outro cônjuge, a ação
pode ser intentada por um parente na linha reta ou até ao terceiro grau da linha colateral ou
pelo Ministério Público (art. 1769º nº2 CC).

1770º nº1- efeitos da simples separação judicial de bens

A simples separação de bens é irrevogável (art. 1771º CC).

Outros casos
Estes são:
- ausência na fase de curadoria definitiva (art. 108º)
- ausência na fase de morte presumida (art. 115º)
- separação de meações decretada no âmbito de uma execução
- separação de bens decretada na sequência da declaração de insolvência de um ou de
ambos os cônjuges

Administração de bens
A titularidade dos poderes de administração
1678º- poderes de administração dos bens do casal que cabem a cada um dos cônjuges

São configuráveis quatro sistemas:


- entrega a administração a apenas um dos cônjuges
- confere separadamente a cada um dos cônjuges a administração de uma certa massa de
bens
- obriga a intervenção de ambos os cônjuges para a prática de atos sobre bens comuns
- qualquer um dos cônjuges pratique tais atos sozinho

A regra geral de administração dos bens comuns, instituída no artigo 1678º nº3, opta pelo
terceiro ou pelo quarto sistema.
Administração ordinária- corresponde à gestão normal; atos que, não alterando a substância
da coisa, se destinam à sua frutificação ou conservação

O que releva é a normalidade da gestão, tendo de ser avaliada em vários aspetos, por
exemplo:
- frequência com que o ato tende em geral a ser praticado
- condições económicas do casal

Administração extraordinária- todos os demais atos

O regime correspondente à qualificação do ato dá azo a problemas práticos:


- uma vez que um só cônjuge tem legitimidade para a prática de um ato de administração
ordinária relativamente a bens comuns, é possível que os dois cônjuges, por desavença ou
desconhecimento, pratiquem atos incompatíveis
- cada cônjuge carece de legitimidade para a prática de atos da administração extraordinária,
o desentendimento entre os membros do casal pode impedir uma gestão patrimonial
independente de intervenção judicial.

As soluções destes problemas têm de ser encontradas dentro do quadro legal:


- caso de atos de administração ordinária: prevalecerá o ato praticado em primeiro lugar
- caso de atos de administração extraordinária: se um cônjuge praticar um ato sem o
consentimento do outro, o ato só será válido se o cônjuge que o praticar tiver obtido o
suprimento judicial desse consentimento (art. 1684º nº3) ou se tiver entrado na
administração com conhecimento e sem oposição expressa do outro (aparência de
mandato)

Existem exceções às regras gerais sobre a administração dos bens do casal, estando
compreendidas em:
- exceções aplicáveis à administração dos bens comuns

As exceções encontram-se nas primeiras quatro alíneas do artigo 1678º nº2.

A existência do dever de assistência impõe um limite ao exercício dos poderes de


administração ou disposição que a lei atribui exclusivamente a um dos cônjuges.

Em relação à 2ª parte da d) do nº2 do 1678º, a gestão dos bens atribuídos nessas


condições é regulada pelo artigo 1678º nº1 (no caso dos bens atribuídos no regime
da comunhão de adquiridos, que são próprios por força do 1729º nº2) ou pelo 1678º
nº3 (caso dos bens atribuídos na comunhão geral, que são comuns nos termos do
1732º).

- exceções às duas regras gerais sobre a administração dos bens do casal (administração de
bens próprios e bens comuns)

Estas exceções encontram-se nas três últimas alienas do 1678º nº2.


Somente a e) refere expressamente as duas categorias. Porém, por maioria de razão,
as últimas duas alíneas também abrangem os bens comuns.

1678º nº2 e)- o início da utilização exclusiva por um cônjuge de um bem móvel que
não lhe pertença carece da autorização do outro; o início consensual da utilização
exclusiva de um bem móvel não determina uma atribuição irreversível de poderes
amplos de administração, podendo o acordo ser unilateralmente revogado

1678º nº2 f)- quando impossibilidade de exercício da administração é temporária ou


eventual, aplica-se o artigo 1679º; aplica-se o artigo 1649º nº2 no caso da
impossibilidade decorrer de sanção pela violação do artigo 1604º a)

No caso de ser instaurada a curadoria provisória, há um afastamento das


regras especificas da administração dos bens do casal, pois esta confere uma
maior proteção ao ausente casado.

Em relação ao segundo pressuposto, procuração bastante entende-se como


aquela que torna dispensável a transferência de poderes de gestão para o
outro cônjuge, ou seja, os poderes do procurador não podem ser menores
que os que cabem a um cônjuge administrador.

1678º nº2 g)- esta não impede que as partes estipulem uma coadministração sobre
um bem próprio

Regime do exercício da administração conjugal


O artigo 1681º cobre quatro situações:
- administração ao abrigo do disposto nas a) a f) do nº2 do 1678º

- administração fundada em mandato

O contrato de mandato está sujeito às regras do mesmo, estando o cônjuge, cuja


legitimidade foi conferida por mandato, submetido ao regime geral da
responsabilidade civil obrigacional (arts. 798º e 799º).

As regras do mandato não integralmente aplicáveis ao mandato conjugal:


- caso não haja estipulação em contrário, só há obrigação de prestar contas e de
entregar o saldo relativamente a atos praticados nos últimos cinco anos
- o mandato conjugal é livremente revogável
- o mandato presume-se gratuito, mesmo que tenha por objeto atos que o
mandatário pratique por profissão

O mandato só releva se for reduzido a escrito (art. 1681º nº3, indiretamente).

- administração fundada numa aparência de mandato


A esta são aplicáveis, com as devidas adaptações, as regras de administração
conjugal fundada num contrato de mandato (responsabilidade civil, prestação de
contas, entrega do saldo, extensão dos poderes de gestão).

O mandato aparente não confere mais poderes do que aqueles que seriam
conferidos pelo mandato conjugal.
Com isto quer-se dizer que a legitimidade do “mandatário aparente” está confinada
ao perímetro da administração ordinária, salvo prova que o conhecimento e a falta e
oposição expressa do outro cônjuge também compreendem o início da atividade
gestória extraordinária.

- entrada na administração de bens comuns ou bens próprios do outro cônjuge, sem


poderes e com oposição expressa desse outro cônjuge

A má-fé referida no artigo 1678º nº3 quer dizer que este tem de indemnizar o outro
cônjuge pela perda ou deterioração dos bens administrados, mesmo que não tenha
agido culposamente (art. 1269º, a contrário), e pelo valor dos frutos que deixou de
obter por culpa sua e que um proprietário diligente não teria obtido (art. 1271º).

Há que referir que o cônjuge que administrar bens ao abrigo do disposto no artigo 1678º
nº1 e nº2 não está isento de responsabilidade civil.
A constituição da obrigação de indemnizar exige sempre a existência de dolo.
Tal acontece igualmente no caso de o cônjuge praticar atos de administração, sem poderes e
sem o conhecimento do cônjuge a quem competia a administração.

Se a ação do cônjuge preencher os requisitos da gestão de negócios, há que se observar o


que estabelece o artigo 466º.

Providencias administrativas
O cônjuge que não tem administração dos bens pode tomar medidas de carater
administrativo relativamente aos mesmos, enquanto gestor de negócio, nos termos dos
artigos 464º ss. ou do artigo 1679º.

Há que distinguir dois planos:


- plano dos pressupostos: a gestão de negócios demarca-se do artigo 1678º nº2 f) e da
gestão de negócios geral; a impossibilidade que decorre do artigo 1679º é temporária; as
providencias administrativas só podem ser tomadas no caso do retardamento destas
resultar em prejuízos

- plano dos efeitos: o gestor conjugal tem a obrigação de prestar contas da sua
administração; incorre em responsabilidade civil pela prática de atos meramente culposos
(arts. 465 c) e 466º nº1)

A gestão conjugal pode ser:


- representativa (art. 268º): a produção de efeitos das providencias administrativas recai
sobre a esfera jurídica do cônjuge dono do negócio; o negócio celebrado pelo outro cônjuge
em seu nome vincula-o, mesmo que não tenha havido ratificação
- não representativa (art. 471º): há responsabilização do cônjuge dono do negócio por
divida contraída decorrente da adoção de providencias administrativas, mesmo que este não
a tenha assumido

Contas bancárias singulares


No caso de ser depositado dinheiro comum, o depósito não atribui ao crédito de restituição
a natureza de bem próprio.

Cada um dos cônjuges é obrigado a informar o outro acerca da existência da conta singular,
o seu saldo e os seus movimentos, e a apresentar os respetivos documentos (arts. 573º e
575º).

Disposição dos bens do casal


Poderes de disposição
Os poderes de disposição dividem-se em:
- poderes de disposição em vida: estes subdividem-se em:
- poderes de disposição sobre móveis
- poderes de disposição sobre imóveis
- poderes de disposição por morte

Poderes de disposição em vida sobre a generalidade dos bens móveis


1682º- regula quaisquer atos de alienação ou oneração sobre a generalidade dos bens
móveis

À universalidade do direito que constitui o estabelecimento comercial aplica-se o disposto


no artigo 1682º-A. Contudo, a alienação ou oneração dos elementos materiais (que não
prejudiquem a aptidão funcional do estabelecimento) que o compõem está submetida ao
disposto no artigo 1682º.

Segundo artigo 1682º nº1 e nº2 conseguimos concluir que a legitimidade para dispor
coincide com a legitimidade para administrar.
Porém, há exceções, encontradas no artigo 1682º nº3.

Em relação ao artigo 1682º nº3 a) cabem no preceito de “moveis da vida do lar”, os


bem móveis que desempenham algum papel na habitação familiar.
O bem tem de se encontrar na casa de moradia da família e tem de estar ao serviço
de, pelo menos, um dos membros do agregado familiar.

Poderes de disposição em vida sobre a generalidade dos bens imóveis e sobre o


estabelecimento comercial
A simples promessa de disposição de imóveis ou de estabelecimento comercial não carece
de consentimento.

Não estão sujeitos ao artigo 1682º-A os atos de disposição de bens que não pertencem nem
ao património comum nem ao património próprio dos cônjuges.

Poderes de disposição sobre a casa de moradia familiar


O cônjuge que não é proprietário nem arrendatário da casa de morada de família é titular de
um direito de utilização da mesma suscetível de ser tutelado por todos os meios processuais
necessários.

Há que qualificar um imóvel como casa de morada da família. Esta qualificação resulta de
um acordo, expresso ou tácito, dos cônjuges ou de decisão judicial, nos termos do artigo
1673º.
A qualificação como casa de morada da família só pode recair sobre um bem.

Poderes de disposição em vida quanto ao direito de aceitar ou rejeitar aquisições a título


gratuito
O assentimento do cônjuge do sucessível é indispensável (art. 1683º nº2), mesmo que os
bens objeto da sucessão nunca viessem a ingressar no património comum (art. 1722º nº1
b)).

Não se exige o consentimento do cônjuge daquele que pretende rejeitar uma proposta de
doação, inter vivos ou mortis causa.

Consentimento conjugal
O consentimento releva enquanto:
- condição de validade: opera no plano dos atos de administração (art. 1678º nº3) e de
disposição (art. 1682º nº 1 e nº3)
- condição de responsabilização patrimonial: revela-se no domínio das disposições a título
gratuito de móveis comuns (art. 1682º nº4) e das dívidas (art. 1691º nº1 a) e 1692º a))

Ilegitimidades conjugais
Aos atos não previstos é analogicamente aplicável o artigo 1687º nº1 e nº3, ou seja, todos
serão anuláveis, com exceção dos atos de simples administração dos bens próprios do outro
cônjuge praticados por quem não tenha legitimidade para administrar, aos quais se aplicará
o artigo 1687º nº4.

Efeitos do casamento no campo passivo patrimonial


Responsabilidade dos cônjuges pelas dividas contraídas
Divida comunicável/comum- lei prevê situações em que uma dívida contraída por um
cônjuge também, responsabiliza o outro cônjuge, logo, ambos os cônjuges; pode existir
mesmo que os cônjuges estejam casados no regime de separação de bens

Divida incomunicável/própria- dívida que só responsabiliza o cônjuge que a contraiu

O artigo 1691º nº1 b) refere que a divida é contraída para ocorrer aos:
- encargos da vida familiar: abrange todas as necessidades dos cônjuges, filhos, parentes,
afins a cargo dos cônjuges
- encargos devem ser normais: a divida tem de ser pequena, relativamente ao padrão de
vida do casal
Já em relação ao artigo 1691 nº1 c) menciona uma divida contraída em proveito comum do
casal. Esta quer dizer que o cônjuge que a contraiu pretendia obter um benefício conjunto
para o casal.
Este benefício tem de ser provável, de acordo com as regras de experiência, no momento
em que a divida foi contraída.

Responsabilidades pelas dívidas dos cônjuges nos regimes atípicos


No caso de alienação ou oneração de imóvel, o consentimento conjugal só é dispensado se
estiver em causa um imóvel próprio cujos frutos sejam igualmente bens próprios.

No caso de repúdio, o consentimento comum deixa de ser exigível se, por força do regime
matrimonial adotado, tanto os bens adquiridos por via sucessória como os respetivos frutos
forem tidos como bens próprios.

Em relação às dívidas, as normas que aludem especificamente a um regime típico de bens


são aplicáveis analogicamente aos regimes atípicos em que predomine a componente do
regime típico que é referido.

Bens que respondem pelas dívidas dos cônjuges


O regime das dívidas é indisponível, pelo que não são válidas as estipulações entre terceiros
e os cônjuges que excluam a responsabilidade subsidiária de bens ou substituam a
responsabilidade parciária pela solidária.

A violação do impedimento no artigo 1604º a) isenta certos bens de responsabilidade pelas


dívidas dos cônjuges (art. 1649º nº2 2ª parte).

Compensações devidas pelo pagamento de dívidas do casal


Quando por dívidas comunicáveis responderem os bens de só um deles, o crédito do
património do cônjuge que satisfez a dívida será pago pela meação do outro cônjuge no
património comum, e, a título subsidiário, pelo património próprio do cônjuge obrigado à
compensação (art. 1689º nº3).

A partilha dos bens comuns do casal


Noção e pressupostos
Partilha- ato pelo qual se põe termo à indivisão de um património

Na comunhão conjugal, a partilha visa a atribuição definitiva aos cônjuges dos bens comuns,
através do preenchimento das respetivas meações.

Na comunhão conjugal a partilha implica duas ordens de pressupostos:


- existência de bens comuns
- cessação das relações patrimoniais entre os cônjuges ou separação superveniente de bens

As cessações das relações patrimoniais entre os cônjuges ocorrem por:


- dissolução do casamento: - morte de um cônjuge
- divorcio
- segundo casamento do cônjuge do ausente, celebrado após a
declaração de morte presumida do ausente
- dispensa do casamento rato e não consumado

- declaração de nulidade ou anulação do casamento: as eventuais estipulações das partes


em matéria de regime de bens ou com relevo patrimonial são irrelevantes, a não ser que os
dois cônjuges estejam de boa-fé ou que essas estipulações sejam invocadas pelo cônjuge de
boa-fé

- separação de pessoas e bens

Situação dos bens no período que decorre entre a cessação das relações patrimoniais dos
cônjuges, ou separação superveniente de bens, e a partilha
Enquanto não ocorrer a partilha, os bens continuam em contitularidade, mas em vez de ser
do tipo germânico, passa a ser do tipo romano.

Formas de partilha
A partilha pode-se fazer:
- fora do inventário

Se for de património comum que não compreenda bens imóveis não está sujeita à
observância de forma (art. 219º).

No caso de fazerem parte bens imóveis, esta poder ser feita por:
- escritura publica
- documento particular autenticado
- no âmbito do processo de separação de pessoas e bens
- no âmbito do processo de divorcio por mútuo consentimento

- mediante processo de inventário

O inventário para partilha dos bens comuns pode ser judicial ou notarial

As operações de partilha
A partilha desdobra-se em três operações:
- cálculo do valor do património comum

Implica a determinação do valor do ativo e a dedução do passivo.

Na determinação do valor ativo, o primeiro passo é avaliação dos bens comuns.


Os bens comuns são os direitos integrados no património comum, incluindo os
direitos de crédito correspondentes às compensações devidas pelos cônjuges ao
património comum.

Pode acontecer que a partilha se faça segundo um regime distinto do que vigorou
durante o casamento (art. 1719º).
- cálculo do valor das meações

- preenchimento das meações

O artigo 1731º prevê que possa haver uma atribuição preferencial na partilha dos
bens do casal.
Esta tem de ser feita por convenção antenupcial.

Se o montante dos bens do património comum atribuídos a um dos cônjuges for


superior ao da respetiva meação, assiste ao outro o direito de lhe exigir o pagamento
de tornas no valor correspondente ao excesso.

Os contratos entre os cônjuges


As doações entre casados
1761º ss. CC- doações entre casados

Subsidariamente, as doações entre casados são regidas pelas regras gerais da doação (940º
ss.).
As regras do 1761º ss.:
- as doações são revogáveis a todo o tempo (art. 1765º)
- têm apertada vigilância legislativa face ao seu regime e efeitos
- são inválidas se vigorar imperativamente o regime de separação de bens (art. 1762º)
- as doações caducam nas situações previstas no artigo 1766º nº1, 1791º nº1

O artigo 1791º nº1 revoga tacitamente o artigo 1766º nº1 c).

Outros contratos entre os cônjuges


- compra e venda

O artigo 1714º nº2 proíbe a compra e venda entre os cônjuges, exceto quando estes
se encontrem separados de pessoas e bens.
Contudo, a doutrina admite validade da compra e venda entre casados, que não
estão separados de pessoas e bens, quando se trate de venda executiva (prevalece o
maior preço oferecido).

- sociedade

O artigo 1714º nº2 impede a celebração de contratos de sociedade entre os


cônjuges, exceto quando estes se encontrem separados de pessoas e bens.

Nas situações em que os cônjuges se encontram separados de pessoas e bens, há


que contrapor:
- sociedades sob forma civil: não é admissível a constituição entre os cônjuges de
sociedades civis sob forma civil, nem a participação de ambos numa sociedade com
esta natureza e forma
- sociedades comerciais e civis sob forma comercial: permitida a sua constituição
entre cônjuges e a participação destes na mesma sociedade, desde que se trate de
uma sociedade por quotas, anónima ou em comandita, na qual nenhum dos
cônjuges, ou só um deles, seja sócio comandito

- contratos a título oneroso não mencionados no artigo 1714º nº2

Em geral, são válidos todos os contratos entre os cônjuges que não sejam proibidos
pelo artigo 1714º nº2.

Efeitos do casamento em situações de rutura da vida em comum


Separação de facto
Noção de separação de facto
1782º nº1- definição de separação de facto

A separação de facto verifica-se quando se preencham dois elementos:


- objetivo: falta de vida em comum dos cônjuges; a ausência de coabitação
- subjetivo: propósito de não restabelecer a vida em comum

Um casal pode viver separado de facto durante anos sem que venha a ser decretado o
divórcio ou separação de pessoas e bens.
Dois cônjuges podem viver separados de facto até à morte de um deles, onde a morte
dissolverá o casamento.

Efeitos da separação de facto


Divorcio e separação de pessoas e bens
A separação de facto constitui fundamento do divorcio por rutura da vida em comum (art.
1781º a)).

Dever de assistência
A ausência da vida em comum inerente à separação de facto leva à conversão da obrigação
de contribuir para os encargos da vida familiar em obrigação de prestar alimentos.

Se a separação de facto for imputável a um dos cônjuges a obrigação de alimentos só


incumbe ao único ou principal culpado.
Contudo, a obrigação pode ser imposta pelo tribunal ao cônjuge inocente ou menos culpado
(art. 1675º nº3).

Filiação
Cessa a presunção da paternidade do marido da mãe se o nascimento do filho ocorrer
passados trezentos dias depois da data que a sentença de separação de pessoas e bens ou
em outro processo que fixe a cessação da coabitação (arts. 1829º nº1 e nº2 b)).

As regras de exercício das responsabilidades parentais são aplicáveis aos cônjuges separados
de facto (art. 1909º nº1).

Restantes aspetos
A ausência da vida em comum inerente à separação de facto obsta à aplicação do artigo
1691º nº1 b).
A separação de facto há mais de um ano permite que seja válida a doação ou a disposição
testamentária a favor de quem o autor da liberalidade casado cometeu adultério (art. 2196º
nº2 a)).

No demais, vigoram os efeitos comuns do casamento.


Ou seja, os cônjuges separados de facto continuam vinculados aos deveres dos cônjuges,
exceto o dever de assistência.

As regras sobre a administração, disposição, dívidas e regime de bens perduram.

O cônjuge sobrevivo separado de facto mantém a qualidade de sucessível legal (2133º e


2157º).

A separação de pessoas e bens


Noção e natureza da separação de pessoas e bens
A separação de pessoas e bens é um instituto que extingue as relações patrimoniais e o
dever de coabitação entre os cônjuges.

Boa parte do regime do divórcio é aplicável à separação de pessoas e bens (art. 1794º).

A separação de pessoas e bens pode ser por mútuo consentimento ou sem consentimento
de um dos cônjuges (art. 1773º).

As causas da separação de pessoas e bens sem o consentimento de um dos cônjuges são as


mesmas do divorcio sem o consentimento de um dos cônjuges (art. 1781º).

O artigo 1795º nº2 mostra que a lei prefere o divorcio à separação de pessoas e bens, pois
este dispõe que se um cônjuge requerer o divorcio e o outro requerer a separação de
pessoas e bens, se ambos os pedidos procederem, a sentença deve decretar o divórcio.

Efeitos da separação de pessoas e bens


Efeitos relativamente aos deveres conjugais
A separação de pessoas e bens afeta dois deveres conjugais, o dever de coabitação e o de
assistência (art. 1795º-A).

Os restantes deveres subsistem, mas mesmo que sejam incumpridos tem pouca relevância.

Efeitos no domínio do nome e da filiação


O cônjuge que tiver acrescentado ao seu nome apelidos do outro conserva-os (art. 1677º-B
nº1), mas pode ser privado judicialmente do seu uso quando este “lese gravemente os
interesses morais do outro cônjuge ou da sua família” (art. 1677º-C).

No domínio da filiação, cessa a presunção de paternidade do marido da mãe se o


nascimento do filho ocorrer passados trezentos dias depois da conferencia de separação de
pessoas e bens por mútuo consentimento ou da data de citação do reu para a separação de
pessoas e bens litigiosa (art. 1829º nº1 e nº2 a) e b)).

Em matéria de regulação do exercício das responsabilidades parentais sobre filhos comuns,


aplicam-se os artigos 1905º e 1906º.

Efeitos predominantemente patrimoniais


Quanto aos bens, a separação de pessoas e bens produz os efeitos que produziria a
dissolução do casamento (art. 1795º-A 2ª parte).

Cessam as relações patrimoniais entre os cônjuges:


- extingue-se a comunhão conjugal de bens
- deixam de ser aplicáveis as regras de administração e disposição dos bens do casal, e as
regras sobre as dividas dos cônjuges
- são permitidos os contratos de compra e venda e sociedade entre os cônjuges

O direito de arrendamento para habitação é transmissível inter vivos entre os cônjuges (art.
1105º).

Aquele que está separado de pessoas e bens não tem direito de suceder como herdeiro legal
do seu cônjuge (art. 2133º nº3), nem de receber indemnização por danos não patrimoniais
no caso de morte do consorte (art. 496º nº2).
Contudo, se morrer um dos cônjuges separados de pessoas e bens, o outro beneficia da
transmissão do arrendamento para habitação se residir no locado (art. 1106º nº1 a)).

Aplica-se, em geral, o regime dos efeitos patrimoniais do divorcio (arts. 1789º a 1793º), por
força do artigo 1794º.

Causas de cessação da separação de pessoas e bens


A separação de pessoas e bens termina por reconciliação dos cônjuges ou pela dissolução do
casamento (art. 1795º-B).

Reconciliação
Com a reconciliação volta a vigorar o regime inicialmente fixado para o casamento.

A reconciliação determina o reinício da presunção de paternidade (art. 1830º a)).

A reconciliação dos cônjuges separados de pessoas e bens é de exclusiva competência da


conservatória do registo civil, e efetua-se com base em acordo declarado pelos cônjuges e
homologado pelo conservador.
Se a separação foi decretada no tribunal, o conservador envia certidão da decisão que
homologou o acordo de reconciliação para o respetivo processo judicial.

Dissolução do casamento
A separação de pessoas e bens pode terminar pela dissolução do casamento, abrangendo a
morte ou o divorcio.
A separação de pessoas e bens pode ser convertida em divórcio a todo o tempo, mediante
requerimento de ambos os cônjuges (art. 1795º-D nº2).

Decorrido um ano sobre o transito em julgado da sentença, sem que os cônjuges se tenham
reconciliado, qualquer um deles pode requerer a conversão da separação em divórcio.

Extinção do vínculo matrimonial


Enunciado
A extinção do vínculo matrimonial pode assumir duas formas:
- retroativa: corresponde à invalidade do casamento
- não retroativa: identifica-se com a dissolução do casamento e abrange a dissolução por
morte e por divorcio

Invalidade do casamento
Valores negativos do casamento civil
Enunciado
Os valores negativos do casamento civil são dois (art. 1627º):
- inexistência
- anulabilidade

Inexistência
As causas de inexistência são unicamente as que figuram no artigo 1628º.
O artigo 1629º restringe o âmbito da causa de inexistência constante no artigo 1628º a).

Anulabilidade
Causas de anulação do casamento
O artigo 1631º enuncia três grupos de causas de anulabilidade:
- impedimento dirimente
- falta ou vícios da vontade
- ausência de testemunhas, quando a presença destas é exigida por lei

Regime da ação da anulação


Os artigos 1639º a 1642º determinam a legitimidade para intentar a ação de anulação, em
função da causa da anulabilidade que é invocada.

Os artigos 1643º a 1646º preveem os prazos da ação de anulação do casamento, também


em função da causa da anulabilidade invocada.

O artigo 1633º nº1 aponta situações em que se considera sanada a anulabilidade do


casamento.

Efeitos da anulação
A anulação implica a cessação dos efeitos do casamento, com carater retroativo (art. 1688º).

As disposições testamentárias feitas por um cônjuge em benefício do outro caducam (art.


2317º d)).
A nulidade do casamento católico
A nulidade é um desvalor exclusivo do casamento católico.

A declaração da nulidade compete aos tribunais eclesiásticos, que aplicam o direito


canónico.

De acordo com o artigo 1626º, as decisões das autoridades eclesiásticas que declarem a
nulidade do casamento produzem efeitos civis, a requerimento de qualquer das partes, após
a revisão e confirmação pelo competente tribunal do Estado português.

Os efeitos de nulidade do casamento católico são idênticos aos da anulação do casamento


civil.

Casamento putativo
Noção e natureza jurídica
O casamento putativo é o casamento anulado ou declarado nulo que produz efeitos como se
fosse válido até ao transito em julgado da sentença de anulação ou até ao averbamento no
registo civil da decisão de nulidade (art. 1647º nº1 e nº3).

O instituto não se aplica aos casamentos inexistentes (art. 1630º nº1, última parte).

Requisitos gerais do casamento putativo


Os requisitos gerais do casamento putativo são três:
- existência do casamento
- anulação do casamento civil ou declaração de nulidade do casamento católico
- casamento contraído de boa-fé, por pelo menos um dos cônjuges

Regime geral de eficácia putativa


Boa-fé de ambos os cônjuges
O casamento anulado ou declarado nulo, quando contraído de boa-fé por ambos os
cônjuges, produz os seus efeitos em relação aos cônjuges e a terceiros (art. 1647º nº1 e
nº3).

Boa-fé de apenas um dos cônjuges


Se apenas um dos cônjuges tiver contraído casamento de boa-fé, só este pode recorrer ao
instituto geral do casamento putativo.

Tem de se distinguir a eficácia do casamento que é:


- oponível ao outro cônjuge: o cônjuge de boa-fé pode invocar todos os efeitos do
casamento
- eficácia que se produz perante terceiros: o cônjuge de boa-fé pode invocar os efeitos do
casamento que sejam “de mero reflexo das relações havidas entre os cônjuges” (ex.:
disposição e dívidas); o cônjuge de boa-fé não pode invocar a subsistência do vínculo de
afinidade ou da doação para casamento feita por terceiro
Como se sabe, o segundo casamento celebrado por pessoa que ainda esteja casada é
invalido (arts. 1601º c) e 1631º a)).
Contudo, é possível pensar em situações de eficácia simultânea de dois ou mais casamentos
contraídos pela mesma pessoa.

Se os dois casamentos foram contraídos segundo um regime de comunhão, ambos os


cônjuges do bígamo têm direito a uma meação que pode incluir os bens levados para o
casamento ou adquiridos, na constância do matrimonio, a título gratuito pelo bígamo.

Casos especiais de eficácia putativa


Presunção de paternidade
Ao abrigo do artigo 1827º, a anulação ou declaração de nulidade do casamento, ainda que
contraído de má-fé por ambos os cônjuges, não exclui a presunção de que o pai é o marido
da mãe.

Estabelecida ou constituída a paternidade do marido da mãe, as regras aplicáveis ao


exercício das responsabilidades parentais são as mesmas que estão previstas para o caso de
divórcio ou separação de pessoas e bens (arts. 1905º e 1906º).

Alimentos
Tendo sido declarado nulo ou anulado o casamento, o cônjuge de boa-fé conserva o direito
de alimentos após o transito em julgado da decisão respetiva (art. 2017º).

Nacionalidade
A declaração de nulidade ou anulação do casamento não prejudica a nacionalidade
adquirida pelo cônjuge que o contraiu de boa-fé (art. 3º nº2 da Lei da Nacionalidade).

Dissolução por morte


Efeitos da dissolução por morte
A morte de um dos cônjuges acarreta a cessação da generalidade dos efeitos pessoais e
patrimoniais do casamento (art. 1688º).
Assim, deve-se proceder à partilha dos bens do casal.

As relações de afinidade que ligam o cônjuge sobrevivo aos parentes do outro subsistem
(art. 1585º, segunda parte).

O cônjuge sobrevivo que tiver acrescentado ao seu nome apelidos do outro conserva-os
(art. 1677º-A, primeira parte).
Contudo, o viúvo pode perder os apelidos do cônjuge falecido em duas situações:
- segundas núpcias, se não declarar até à celebração do novo casamento que pretende
conservar tais apelidos
- privação judicial do uso do nome, a pedido dos descendentes, ascendentes e irmãos do
cônjuge falecido, “quando aquele uso lese gravemente os interesses morais” da família do
defunto

Com a morte do cônjuge, cabem ao outro os seguintes direitos e prerrogativas:


- direito de suceder como herdeiro legitimo e legitimário do falecido, se não estiver
separado de pessoas e bens (art. 2133º nº1 a) e b), nº3 e 2157º), e se não tiver havido
renuncia à condição de herdeiro legitimário (art. 1700º nº1 c) e nº3)

- direito de suceder somente como herdeiro legitimo; implica direitos semelhantes aos que
cabem ao companheiro sobrevivo sobre a casa de morada de família e o recheio desta (art.
1707º-A nº3)

- direito a ser alimentado pelos rendimentos dos bens deixados pelo falecido (art. 2018º)

- direito à transmissão por morte da posição de arrendatário habitual se, no momento da


morte, o cônjuge sobrevivo residia no locado, independentemente de estar separado de
pessoas e bens (art. 1106º nº1 a))

- atribuição preferencial, na partilha, do direito de habitação da casa de morada de família e


do direito do uso do respetivo recheio (art. 2103º-A)

- o direito à indemnização por danos não patrimoniais sofridos com a morte da vítima, se
não estiver separado de pessoas e bens (art. 496 nº2)

- legitimidade para requerer providencias preventivas ou atenuantes da ofensa à memoria


do cônjuge falecido (direitos de personalidade)

- exercício exclusivo das responsabilidades parentais sobre os filhos menores do casal (art.
1904º nº1)

- eventual exercício das responsabilidades parentais sobre os filhos menores do cônjuge


falecido (art. 1904º nº2)

Divorcio
Generalidades
Noção de divorcio
O divórcio é uma causa de dissolução do casamento decretada pelo tribunal ou pelo
conservador do registo civil, a requerimento de um ou dos dois cônjuges.

Modalidades de divórcio
São duas as principais classificações de modalidades de divórcio:
- critério da vontade das partes: divórcio por mútuo consentimento vs. divórcio sem
consentimento de um dos cônjuges
- critério da entidade competente para decretar a dissolução do casamento: divórcio
judicial vs. divórcio administrativo

Critério da vontade das partes


O divórcio por mútuo consentimento pode ser:
- mútuo consentimento quanto à dissolução do casamento e às matérias complementares
- litigioso quanto às matérias complementares
O divorcio sem consentimento de um dos cônjuges é um divórcio litigioso em sentido
estrito.

O divórcio litigioso em sentido amplo abarca o divórcio sem mútuo consentimento quanto à
dissolução e quanto a matérias complementares.
Este poder ter por base:
- princípio da culpa: a lei faz depender a obtenção do divórcio litigioso por parte de um
cônjuge de uma violação culposa dos deveres conjugais pelo outro
- princípio da rutura: o legislador regula os pressupostos e os efeitos do divórcio sem o
consentimento de um dos cônjuges, abstraindo a questão da responsabilidade

O direito ao divórcio
O direito ao divórcio tem como características:
- carater pessoal

Este conhece várias exceções:


- o requerimento do divórcio por mútuo consentimento pode ser assinado por
procuradores dos cônjuges (art. 1775º nº1)
- quando o cônjuge que pode pedir o divórcio for maior acompanhado, a ação pode
ser intentada pelo acompanhante que tenha poderes de representação, obtida por
autorização judicial (art. 1785º nº2, 1ª parte)
- se o acompanhante daquele que pedir o divórcio for o próprio cônjuge, a ação pode
ser intentada por qualquer parente da linha reta ou até ao terceiro grau da linha
colateral do maior acompanhado ou pelo Ministério Público (art. 1785º nº2, 2ª
parte)

- intransmissibilidade

É admitida a possibilidade de a ação de divórcio poder ser continuada pelos


herdeiros do autor para efeitos patrimoniais, se o cônjuge autor falecer na pendencia
da causa (art. 1785º nº3)

- irrenunciável

Divórcio por mútuo consentimento


Pressupostos
O divórcio por mútuo consentimento pressupõe que ambos os cônjuges estejam de acordo
quanto à dissolução do casamento (art. 1773º nº2).

Processo
As regras processuais do divórcio por mútuo consentimento encontram-se nos artigos 1775º
a 1778º-A.

Antes do início do processo de divórcio a conservatória do registo civil ou o tribunal devem


informar os cônjuges sobre a existência e os objetivos dos serviços de mediação familiar (art.
1774º).
O divórcio por mútuo consentimento varia consoante corra na conservatória do registo civil
ou no tribunal.

Divórcio por mútuo consentimento pela conservatória do registo civil


O divórcio por mútuo consentimento pode ser instaurado na conservatória do registo civil,
mediante requerimento assinado pelos cônjuges ou seus procuradores, acompanhados
pelos documentos enumerado no artigo 1775º nº1.

Recebido o requerimento, o conservador informa os cônjuges da existência dos serviços de


mediação familiar.

No caso de os cônjuges manterem o propósito de se divorciarem, o conservador convoca os


cônjuges para uma conferencia (art. 1776 nº1, 1ª parte).
O desenrolar do processo depende do juízo que merecerem os acordos que forem
apresentados pelas partes. Este juízo o conservador poderá determinar a prática de atos e a
produção de prova eventualmente necessária.

Se os acordos não acautelarem suficientemente os interesses de ambos os cônjuges e dos


filhos, o conservador convida os cônjuges a alterar os acordos.

Não sendo efetuadas as modificações, a homologação é recusada e o processo do divórcio é


integralmente remetido para o tribunal.

Se for apresentado pelos cônjuges acordo sobre o exercício das responsabilidades parentais,
a tramitação do processo de divórcio por mútuo consentimento na conservatória será
distinta (art. 1776º-A).

Divórcio por mútuo consentimento pelo tribunal


O divórcio por mútuo consentimento é requerido no tribunal se os cônjuges não o
acompanharem de algum dos acordos previstos no artigo 1775º nº1.
Assim, a tramitação é regulada especificamente pelo artigo 1778º-A.

Recebido o requerimento, os cônjuges são informados da existência dos serviços de


mediação familiar.

O divórcio sem consentimento de um dos cônjuges pode ser convertido em divórcio por
mútuo consentimento, nos termos do artigo 1779º, prosseguindo no tribunal.

Divórcio litigioso
Causas
O divorcio sem consentimento de um dos cônjuges implica o preenchimento de uma das
situações enumeradas no artigo 1781º.

Processo
A legitimidade na ação do divórcio é disciplinada pelo artigo 1785º.
Ao receber o requerimento de divórcio, o tribunal informa o cônjuge que pretende a
dissolução do casamento sobre a existência e os objetivos dos serviços de mediação familiar
(art. 1774º).

No processo do divórcio, há uma tentativa de conciliação dos cônjuges (art. 1779º nº1).

Se a tentativa de reconciliação dos cônjuges não resultar, o juiz tentará obter o acordo dos
cônjuges para o divorcio por mútuo consentimento (art. 1779º nº2).

Na falta de acordo para o divórcio por mútuo consentimento, o juiz procurará obter o acordo
dos cônjuges quanto aos alimentos, regulação do exercício das responsabilidades parentais e
utilização da casa de morada de família.

Apreciação do sistema português de causas de divórcio litigioso


Um sistema de divórcio litigioso pode seguir o modelo:
- divórcio-sanção: o divórcio pressupõe um ato ilícito e culposo de um cônjuge e pretende
ser uma sanção para esse ato; só pode ser requerido pelo cônjuge inocente
- divórcio-falência: a concessão do divórcio exige um estado de vida conjugal intolerável e
pretende por fim a essa situação; qualquer um dos cônjuges pode requerer o divórcio
- divórcio-remédio: o divórcio pressupõe um estado de vida conjugal intolerável, mas a
situação é causada por um dos cônjuges, com ou sem culpa; só pode ser requerido pelo
cônjuge afetado pela crise matrimonial que não provocou

O sistema português atual de divórcio litigioso constitui um sistema misto, combinando os


modelos divórcio-falência e divórcio-remédio.

O ilícito conjugal deve ser sancionado no plano dos efeitos específicos do divórcio e através
do instituto da responsabilidade civil.

Efeitos do divórcio
O princípio da equiparação do divórcio à dissolução por morte
O artigo 1788º consagra o princípio de que o divórcio tem juridicamente os mesmos efeitos
da dissolução por morte.

Com isto, o divórcio determina a cessação da generalidade dos efeitos pessoais e


patrimoniais do casamento (art. 1688º).

O divorcio permite a partilha dos bens do casal.

Explicitação dos efeitos específicos do divórcio


Há exceções à tendencial equiparação dos efeitos do divórcio aos da morte (ex.: a afinidade
que ligava cada um dos cônjuges aos parentes do outro cessa).

A isto acresce uma subordinação a uma disciplina distinta das matérias do exercício das
responsabilidades parentais, da obrigação de alimentos e do destino da casa de família.
Regime do exercício das responsabilidades parentais em caso de divórcio
Se ambos os pais exerciam as responsabilidades parentais, o divórcio introduz modificações
neste ramo (arts. 1905º, 1906º e 1911º nº2).
Passa-se de um modelo de exercício conjunto pleno para um modelo de exercício conjunto
mitigado, pois as responsabilidades parentais em questões de particular importância para a
vida do filho são exercidas em comum, por ambos os pais, enquanto que as
responsabilidades parentais relativas a atos da vida corrente do filho são exercidas apenas
por um dos cônjuges (art. 1906º nº1 e nº3).

Há dois problemas fundamentais:


- saber o que são “questões de particular importância”

Exemplos: educação religiosa do filho menor com idade inferior a 16 anos;


tratamento médico ou intervenção cirúrgica de alguma gravidade; atos patrimoniais
que careçam da autorização do Ministério Público; representação do menor em
juízo; escolha do estabelecimento de ensino e atividades extracurriculares; as
deslocações para o estrangeiro; a prática de desportos radicais

Em questões de manifesta urgência qualquer um dos progenitores pode agir sozinho,


tendo de prestar informações ao outro logo que seja possível (art. 1906º nº1, 2ª
parte).

- determinar com qual dos pais o filho residirá habitualmente

O tribunal deve atender ao interesse da criança, considerando o eventual acordo dos


pais e a disponibilidade manifestada por cada um deles para promover relações
habituais do filho com o outro (art. 1906 nº5).

A figura primária de referência corresponde ao chamado cuidador principal, que se


entende ser o progenitor que, antes da rutura da vida em comum, assumia no dia-a
dia as tarefas de cuidado do filho.

O pai que não resida habitualmente com o filho pode relacionar-se livremente com ele
sempre que ambos o desejem.

O pai a quem coube a guarda física da criança está vinculado ao dever de prover ao seu
sustente, enquanto o outro pai está obrigado a prestar alimentos ao filho (art. 1905º).
Desde que os rendimentos do pai sem a guarda física assim o permitam, a lei impõe que à
criança seja assegurado um nível de vida idêntico ao que esta gozava antes da rutura.

Ao abrigo do direito-dever de visita, ao pai que não exercer as responsabilidades parentais


assiste a faculdade de comunicar com o filho e de estar com ele durante algumas horas ou
alguns dias.
O pai pode levar a criança a sua casa em fins de semana alternados e passar férias e épocas
ou datas festivas.
A referência legal ao modelo de exercício em comum mitigado não obsta à vigência de
outros modelos.
Este é o único modelo de exercício comum especificado na lei, o que o torna uma espécie de
modelo supletivo.

O acordo é apresentado pelos pais na conservatória do registo civil no âmbito de um


processo de divórcio por mútuo consentimento ou de um processo de regulação das
responsabilidades parentais por mútuo acordo.

Na falta de acordo, aplica-se o processo de regulação do exercício das responsabilidades


parentais.
Este processo inclui uma conferencia de pais, na qual se procurará obter um acordo que
corresponda aos interesses da criança, que pode ser ouvida pelo tribunal.

Na ausência de acordo, o juiz decide provisoriamente sobre a regulação das


responsabilidades parentais, suspende a conferencia e remete as partes para mediação ou
audição técnica especializada.
No fim do prazo destinado a mediação ou audição técnica especializada, é retomada a
conferencia.

Na falta de acordo, haverá audiência de discussão e julgamento, sendo proferida uma


sentença de regulação do exercício das responsabilidades parentais.

Se um dos pais ou contitulares das responsabilidades não cumprir o que tiver sido acordado
ou decidido, pode o outro requerer ao tribunal as diligencias necessárias para cumprimento
coercivo e a condenação do remisso em multa e uma indemnização a favor da criança, do
requerente ou de ambos.

Na disciplina legal do incumprimento da regulação, determina-se especificamente que pode


ser ordenada a entrega da criança.
O CP prescreve que é punido com pena de prisão até dois anos, ou com pena de multa até
240 dias, aquele que não cumprir o regime estabelecido para a convivência do menor na
regulação do exercício das responsabilidades parentais.

O acordo ou a sentença de regulação do exercício das responsabilidades parentais não são


imutáveis.
O acordo pode ser modificado por mútuo consentimento dos pais, estando a modificação
sujeita a aprovação do Ministério Público e a homologação judicial.

Qualquer dos pais ou o Ministério Público podem requerer a alteração da regulação


constante de acordo ou decisão final, no caso de incumprimento por ambos os pais ou
quando as circunstâncias supervenientes tornem necessário alterar o que estiver
estabelecido.
Obrigação de alimentos
Embora o artigo 2009º nº1 a) determine que o ex-cônjuge que careça de alimentos tem
direito a recebê-los do outro, o artigo 2016º nº1 afigura-se a algo restritivo na delimitação
desse direito.

Nos termos do artigo 2016º nº2, qualquer dos cônjuges tem direito a alimentos,
independentemente do tipo de divórcio.
Este direito pode ser negado por razões manifestas de equidade (art. 2016º nº3).

Beneficiando um ex-cônjuge do direito de alimentos perante o outro, importa fixar o


montante da prestação.
Nesta fixação o tribunal deve tomar em conta o disposto no artigo 2016º-A nº1.

Se o ex-cônjuge, credor de alimentos, contrair novo casamento ou iniciar união de facto, os


eu direito a alimentos cessa nos termos do artigo 2019º.

A eliminação da declaração do cônjuge culpado não significa a rejeição da aplicação do


instituto geral da responsabilidade civil entre cônjuges.
O artigo 1792º determina, no seu nº1, que o cônjuge lesado tem direito a pedir uma
reparação dos danos causados pelo outro cônjuge, nos termos gerais da responsabilidade
civil.
Já o nº2 deste mesmo artigo dispõe a obrigação do cônjuge que obteve o divórcio com
fundamento na alteração das faculdades mentais do outro cônjuge a reparar danos não
patrimoniais causados ao requerido pela dissolução do casamento.

O destino da casa de morada de família


Há que distinguir a situação que a casa:
- pertence a um dos cônjuges ou a ambos

O direito a nela habitar pode vir a ser atribuído exclusivamente àquele que não era
proprietário do imóvel ou que era somente um dos contitulares, através da formação
de uma relação de arrendamento.

A relação de arrendamento pode ser constituída por acordo ou por sentença.


Na falta de acordo entre os cônjuges divorciados quanto ao destino da casa, é
aplicável o disposto no artigo 1793º.

- é arrendada

Esta matéria é regulada no artigo 1105º.

Os ex-cônjuges podem optar pela:


- transmissão: o direito de arrendatário habitual passa a pertencer exclusivamente
ao outro cônjuge
- concentração a favor de um deles: o arrendamento habitacional era bem comum
do casal e passa a ter como titular exclusivo um dos ex-cônjuges
Processo
Se se tratar de um divórcio por mútuo consentimento administrativo, o destino da casa de
morada de família é definido por acordo entre as partes e carece de ser homologado pelo
conservador do registo civil.

Quando se tratar de divórcio por mútuo consentimento judicial ou sem consentimento de


um dos cônjuges, é preciso atender aos circunstancialismos que envolvem o pedido de
atribuição da casa de morada de família.

É atendível o pedido unilateral de modificação de acordos sobre o destino da casa de


morada da família, depois de ser homologada pelo conservador ou pelo tribunal, com
fundamento em circunstâncias supervenientes (art. 2012º).

Outros casos de dissolução do casamento


Celebração de novo casamento, após declaração de morte presumida
A declaração de morte presumida não dissolve o casamento (art. 115º).

Após a declaração de morte presumida o cônjuge do ausente pode contrair novo casamento
(art. 116, 1ª parte).

Se o ausente regressar, ou houver notícias de que este era vivo quando foram celebradas as
novas núpcias, considera-se o primeiro casamento dissolvido à data da declaração de morte
presumida (art. 116º, 2ª parte).

Se o ausente não regressar, considera-se o primeiro casamento dissolvido à data da


declaração de morte presumida.

Se se provar que o ausente morreu antes de ser celebrado o segundo casamento, o primeiro
casamento dissolveu-se na data do óbito.

Mudança de sexo: possível fundamento de divórcio


A mudança de sexo na constância do matrimonio perdeu autonomia enquanto causa de
dissolução.

No caso de mudança de sexo de uma dar partes na constância do matrimonio, o facto é


suscetível de ser invocado por um dos cônjuges como fundamento de divórcio.

Dispensa do casamento rato e não consumado


Por casamento rato entende-se aquele que foi validamente celebrado.
O casamento não consumado é aquele em que não houve cópula entre os cônjuges.

Este corresponde a uma causa particular de dissolução do casamento católico.

A dispensa é concedida a pedido de ambos os cônjuges ou de um só deles, mesmo contra a


vontade do outro.
Direito da Filiação
Constituição do vínculo de filiação
Noção e modalidades de filiação
Noção de filiação
O conceito de filiação pode ser analisado em sentido:
- estrito: é a relação juridicamente estabelecida entre as pessoas que procriaram e as que
foram geradas
- amplo: é, não só a relação familiar constituída pela procriação, mas também a relação que
tem efeitos similares; este sentido permite analisar também o vínculo de adoção

A criança representa a preocupação fundamental deste ramo do Direito.


Este fator justifica o domínio do princípio do superior interesse da criança, que é um
conceito indeterminado. Contudo, este tem um núcleo que corresponde à estabilidade das
condições da vida da criança, das suas relações afetivas e do seu ambiente físico e social.

Modalidades de filiação
Existem três modalidades de filiação:
- filiação biológica

Equivale à filiação em sentido estrito, sendo aquela que decorre da procriação.

O seu estabelecimento tem eficácia retroativa até à data do nascimento do filho.

Existem dois tipos desta filiação:


- filiação decorrente de procriação por ato sexual
- filiação decorrente de procriação medicamente assistida

- filiação adotiva

É aquela que, independentemente dos laços de sangue, se constitui por sentença


proferida no âmbito do processo de adoção.

A filiação adotiva não tem eficácia retroativa.

- filiação por consentimento não adotivo

Constitui-se através do consentimento da parte que assegurará a posição jurídica de


pai, independentemente dos laços de sangue e sem que tenha havido sentença de
adoção.

Esta reveste carater retroativo.

Critério biológico e critério social/afetivo


O critério geral determinante para a constituição do vínculo da filiação continua a ser o
biológico.

Contudo, o critério biológico não representa um valor absoluto, nem mesmo em contexto de
filiação biológica.

Estabelecimento da filiação, no caso de procriação através do ato sexual


Distinção entre estabelecimento da maternidade e estabelecimento da paternidade
Art. 1796º CC- distingue o estabelecimento da maternidade e estabelecimento da
paternidade

Relativamente ao estabelecimento da maternidade, segue-se o sistema da filiação, pois a


maternidade jurídica resulta do nascimento, pois pressupõe que a mãe genética e a mãe da
gestação são a mesma pessoa.

Já no estabelecimento da paternidade, é afastado o sistema da filiação, seguindo-se a


presunção de que o pai é o marido da mãe, no caso de filhos nascidos dentro do casamento.

Estabelecimento da maternidade
Arts. 1803º a 1825º- estabelecimento da maternidade

O estabelecimento da maternidade pode ser feito de duas formas:


- declaração de maternidade (arts. 1803º a 1807º)

Este é o modo normal de estabelecer a maternidade.


É uma identificação de maternidade que pode ser feita pela mãe (declaração de
maternidade em sentido estrito) ou por terceiros.

Geralmente, a declaração de maternidade é feita no registo de nascimento do filho.

A mãe não perfilha, declara a maternidade.


A declaração de maternidade é uma declaração de ciência, enquanto a perfilhação é
uma declaração de consciência.

- reconhecimento judicial (arts. 1814º a 1825º)

O reconhecimento judicial da maternidade ocorre através de uma ação autónoma de


declaração da maternidade.

A ação de investigação judicial da maternidade pode ser:


- simples: incide apenas no plano do estabelecimento da maternidade
- complexa: pretende reconhecer a maternidade do filho nascido na constância do
matrimonio da pretensa mãe, tendo consequências no estabelecimento da
paternidade

Estabelecimento da paternidade
Arts. 1826º a 1846º- presunção da paternidade
Arts. 1847º a 1873º- reconhecimento da paternidade

A paternidade presume-se em relação ao marido da mãe, mas em casos de filiação fora do


casamento, estabelece-se por reconhecimento (art. 1796º).

O reconhecimento da paternidade pode efetuar-se por declaração de paternidade ou por


perfilhação.

Existem três modos para estabelecer a paternidade:


- presunção

O filho nascido ou concebido na constância do matrimonio da mãe tem como pai o


marido da mesma (art. 1826º nº1).

A cessação de presunção de paternidade ocorre nos termos dos artigos 1828º, 1829º
e 1832º.

No caso de bigamia ou casamento sucessivo da mãe com desrespeito pelo prazo


internupcial, o conflito de presunções de paternidade é resolvido com base no artigo
1834º nº1, ou seja, prevalece a presunção de que o pai é o segundo marido da mãe.
Porém, se a paternidade do segundo marido por impugnada com sucesso, renasce a
presunção relativa ao anterior marido da mãe (art. 1834º nº2).

- perfilhação

A perfilhação é o modo de estabelecer a paternidade fora do casamento.


É o ato através do qual uma pessoa do sexo masculino declara que um outro
individuo é seu filho.

A perfilhação é:
- pessoal: tem de ser feita pelo próprio pai ou por intermedio de procurador com
poderes especiais
- livre: confirmada pela previsão de anulabilidade da perfilhação viciada por coação
moral
- solene: tem de revestir uma das formas previstas no artigo 1853º
- irrevogável

Existem requisitos que dizem respeito ao:


- perfilhante: exigida a capacidade (art. 1850º) e consentimento; tem o perfilhante
que identificar a mãe (art. 1855º)
- perfilhando: é exigida a ausência de outra paternidade estabelecida, conceção do
perfilhando, existência do perfilhando e assentimento do perfilhando maior ou
emancipado

A perfilhação não pode ser invocada antes de ser lavrado o respetivo registo.
- reconhecimento judicial

O reconhecimento judicial é outro modo de estabelecer a paternidade fora do


casamento, realizando-se através de uma ação autónoma de investigação da
paternidade.

Esta ação não pode ser proposta enquanto a maternidade não estiver estabelecida
(art. 1869º).

Regra geral, a ação de investigação da paternidade é iniciada pelo filho contra o


pretenso pai.

Nos restantes aspetos relacionados com a paternidade, aplica-se o regime definido


para o reconhecimento judicial da maternidade (arts. 1818º e 1819º).

A prova da procriação pode ser feita através de testes de ADN (art. 1801º) ou pela
demonstração de que o suposto pai teve relações sexuais com mãe durante o
período definido como período de conceção.

Constituição da adoção
Noção e modalidades da adoção
1586º- definição do conceito de adoção

1986º- efeitos da adoção

Modalidades de adoção:
- adoção internacional: implica a mudança de residência da criança adotada
- adoção interna: não implica a mudança de residência da criança adotada
- adoção singular: feita por apenas uma pessoa
- adoção conjunta: feita por duas pessoas

Requisitos da adoção interna


O vínculo adotivo tem origem numa sentença judicial.

Esta sentença implica o preenchimento de vários requisitos quanto ao:


- adotando

São quatro os requisitos:


- conveniência do vínculo: 1974º nº1
- não subsistência de adoção anterior: 1975º
- idade máxima do adotando: 1980º nº2
- consentimento: 1981º nº1 a)

- adotante

São cinco os requisitos:


- vontade de adotar: 1990º nº1 a)
- motivos legítimos: 1974º nº1
- idoneidade: 1973º nº2
- idade mínima: 1979º nº1 e nº2
- idade máxima: 1979º nº3

Em caso de adoção conjunta, a lei exige que os dois candidatos à adoção estejam
ligados por uma união conjugal ou por uma união de facto protegida há mais de
quatro anos (art. 1979º nº1).

- terceiros

Quanto aos familiares do adotante, são dois requisitos:


- não envolvimento de sacrifício injusto: 1974º nº1
- consentimento do cônjuge do adotante: 1981º nº1 b)

Quanto aos parentes e ao tutor do adotando, são dois os requisitos:


- consentimento para a adoção: 1982º nº1
- audição dos parentes do adotando: 1984º

Requisitos quanto à relação adotando-adotante


São três os requisitos:
- probabilidade do estabelecimento de um vínculo: 1974º nº1
- necessidade de que o adotando tenha já estado ao cuidado do adotante: 1974º nº2
- diferença de idades: 1979º nº3

O processo de adoção interna


O processo de adoção comporta em si caracter administrativo e judicial.

A primeira fase do processo inicia-se com a apresentação da candidatura a adotante perante


um organismo de segurança social.
Esse organismo irá proceder ao estudo do candidato, durante um prazo de 6 meses.
Concluído o estudo, a decisão do organismo de segurança social é anunciada ao candidato
que, caso seja desfavorável, poderá recorrer ao tribunal.
Em caso de decisão favorável, o menor é entregue ao candidato, durante o período
experimental.
No fim do período da pré-adoção, ou quando se verificam reunidas as condições para ser
requerida a adoção, o organismo de segurança social elabora, durante 30 dias, o relatório.
Assim, pode o candidato apresentar uma petição de adoção, com a qual se inicia a fase
judicial do processo.

Particularidades da adoção plena


O artigo 1987º define que, depois de decretada a doação plena, não é possível estabelecer a
filiação natural do adotando, nem fazer prova dessa filiação.

O artigo 1985º prevê o segredo da identidade, pois a identidade do adotante não pode ser
revelada aos pais biológicos do adotando, salvo se aquele declarar que não se opõe a essa
revelação.
Deste mesmo artigo decorre que a identidade dos pais biológicos só não é revelada ao
adotante se esses se tiverem oposto a tal, mediante declaração expressa.

Não se prevê o segredo de identidade dos pais biológicos perante o adotado, pois tal
previsão entraria em conflito com os direitos fundamentais à identidade pessoal e genética
do ser humano (art. 26º CRP).

A adoção internacional
A adoção internacional de menores residentes no estrangeiro implica a intervenção das
autoridades de dois Estados.

A implicação de existência destas intervenções é o que faz com que, em países em conflito,
não ocorram adoções.

Estabelecimento da filiação em caso PMA


Procriação medicamente assistida
A PMA abarca o conjunto de técnicas destinadas à formação de um embrião humano sem a
intervenção do ato sexual.

No âmbito desta técnica, separam-se:


- processos de procriação sexuada: recurso a gametas de ambos os sexos
- processos de procriação assexuada: recurso a gametas de apenas um dos sexos

Podemos distinguir a procriação medicamente assistida:


- homologa: os gametas utilizados são ambos do casal de benificiários
- heteróloga: implica o recurso a um doador; ainda pode ser total ou parcial, consoante as
células reprodutoras não provêm de nenhum dos membros do casal ou provêm de um deles

Todas mulheres podem recorrer a estas técnicas, independentemente do diagnostico de


infertilidade.

Os beneficiários da PMA podem ser casais heterossexuais, casais homossexuais de mulheres


e mulheres solteiras.

Contrapartida económica da dação


É afastada a possibilidade de haver uma contrapartida, com base no princípio da dignidade
da pessoa humana.

Anonimato do doador
Há quem diga que deve haver um segredo de identidade do doador, pois o contrário
implicaria uma redução acentuada do número de dadores.

No entanto, em termos constitucionais, esta posição é problemática, pois a pessoa nascida


tem direito à sua identidade pessoal genética (art. 26º nº3 CRP), o que engloba o direito a
conhecer quem lhe transmitiu os genes.
O professor Jorge Duarte Pinheiro defende que o anonimato nunca pode ser absoluto, de
forma a impedir, por exemplo, que a pessoa nascida com recurso a PMA não venha a casar
com o dador.

Gestação por substituição


Dentro das técnicas de PMA, inclui-se a gestação de substituição, que consiste na situação
em que a mulher se disponha a suportar uma gravidez por conta de outrem e a entregar a
criança após o parto, renunciando aos poderes próprios da maternidade.

Existem várias classificações:


- quanto à titularidade do ovócito:
- maternidade de gestação genérica: o ovócito pertence à mãe de
gestação
- maternidade de substituição puramente gestacional: o ovócito não
pertence à mãe de gestação

- quanto à existência, ou não, de contrapartidas patrimoniais para a mãe de gestação:


- maternidade de substituição a título
oneroso
- maternidade de substituição a título
gratuito

- quanto à ligação entre a mãe de gestação e a mãe de receção:


- maternidade de substituição intrafamiliar
- maternidade de substituição extrafamiliar

Os casos de maternidade de substituição envolvem um acordo mediante o qual a mãe de


gestação se compromete a três obrigações principais:
- iniciar e completar a gravidez
- entregar à mãe a receção da criança
- reconhecer a mãe de receção como mãe jurídica, abstendo-se de quaisquer direitos
parentais sobre o menor

Para o professor Jorge Duarte Pinheiro, é clara a nulidade do contrato de gestação a título
oneroso, pois tal iria contra a dignidade da pessoa humana, que seria aqui como que
vendida.

Estabelecimento da filiação nos casos de PMA homóloga e parcialmente heteróloga


A filiação apenas se estabelece quando houver consentimento no uso da técnica de PMA.

Se a procriação homóloga tiver ocorrido post mortem, e tenha sido previamente consentido
pelo de cujus, então a filiação será estabelecida por reconhecimento judicial.

Se se tratar de implantação de embrião produzido antes do falecimento da pessoa casada


com a mãe, opera a presunção pate ris est (o pai do filho é o marido da mãe).
Em caso de maternidade de substituição gestacional em que as células reprodutoras provêm
totalmente do casal de receção, a filiação deve ser estabelecida em relação a esse mesmo
casal.

Em caso de procriação medicamente assistida a filiação é estabelecia em relação ao


beneficiário que tiver contribuído com as respetivas células reprodutoras.

Constituição da filiação por consentimento não adotivo


Noção de filiação por consentimento não adotivo

Efeitos da filiação
Generalidades
Momento de produção dos efeitos de filiação
A filiação tem de se encontrar legalmente constituída para que produz efeitos (art. 1797º
nº1).

Efeitos gerais da filiação


Deveres paternofiliais
Os deveres paternofiliais não se confundem com as responsabilidades parentais.

Os deveres paternofiliais perduram ao longo da relação de filiação.


Contudo, a sua projeção não é uniforme, pois começam por estar encobertos pelas
responsabilidades parentais, perdendo intensidade quando o filho sai de casa. Voltam a
ganhar força com o envelhecimento dos pais.

Os pais e os filhos devem-se, mutuamente (art. 1874º n1):


- respeito: obriga os sujeitos a não violar os direitos individuais do outro, quer sejam de
personalidade ou patrimoniais; este dever é mais intenso que o dever geral de respeito

- auxílio: implica a obrigação de ajuda e proteção, relativos quer à pessoa quer ao


património dos pais e dos filhos

- assistência: tem uma configuração sobretudo patrimonial, implicando uma obrigação de


prestar alimentos e contribuir para os encargos da vida familiar (art. 1874º nº2)

A obrigação de alimentos é absorvida pelos encargos da vida familiar quando há uma


comunhão de habitação entre pais e filhos.
Aqui se integra o dever paternal de pagamento de despesas com sustento,
segurança, saúde e educação do filho maior ou emancipado, que, sem culpa grave,
não tenha completado os estudos (art. 1880º).

A obrigação de contribuir para os encargos da vida familiar dependerá das


possibilidades de cada sujeito.

O incumprimento destes deveres pode levar à aplicação de medidas de proteção de


crianças, jovens e idosos em perigo.
Outros efeitos gerais de filiação
O nome do filho
Um dos principais efeitos da filiação é o nome do filho.

O nome completo de uma pessoa é fixado no momento do registo do nascimento, sendo


este indicado por quem for declarar o nascimento ou pelo funcionário perante quem foi essa
declaração apresentada.

O nome tem de ser composto por, no máximo, seis vocábulos, dois nomes próprios e quatro
apelidos.

O nome está sujeito ao princípio da imutabilidade.


Porém, são admitidas modificações não dependentes de autorização fundadas em
vicissitudes subsequentes no campo da constituição e da extinção do vínculo.

Não havendo estabelecimento da filiação, serão ao registando atribuídos apelidos à escolha


de quem declara o nascimento ou ao conservador.
Já se for constituído o vínculo de filiação, cabe aos pais a escolha do nome do filho (art.
1875º nº2). Na falta de acordo, o tribunal fixará o nome, de harmonia com o interesse do
filho.
Quando a paternidade não se encontra estabelecida, podem ser atribuídos apelidos do
marida da mãe (art. 1876º nº1).
Quando não há estabelecimento da maternidade, aplica-se, por analogia, o disposto no
artigo 1876º nº1.

Em caso de adoção plena, a constituição do vínculo de adoção leva à mudança de nome do


adotando (art. 1988º).
Em princípio, conservar-se-á o nome próprio, podendo o adotando, excecionalmente,
requerer a sua alteração.

A nacionalidade do filho
Nos termos do artigo 1º nº1 da Lei da Nacionalidade, a atribuição da nacionalidade
portuguesa ao filho está condicionada pela nacionalidade portuguesa de um dos
progenitores e pelo local de nascimento ser território português.

Beneficiam de nacionalidade portuguesa originaria:


- filhos de mãe portuguesa ou pai português nascidos em território português
- filhos de mãe portuguesa ou pai português nascidos no estrangeiro, se o progenitor
português se encontrar aí a serviço do Estado português, se tiverem o seu nascimento
inscrito no registo civil português e declararem que querem ser portugueses
- filhos de estrangeiros nascidos em território português, se um dos progenitores também
tiver nascido aqui e que tenha cá residência ao tempo do nascimento
- filhos de estrangeiros que não se encontrem ao serviço do respetivo Estado, que não
declarem não querer ser portugueses, desde que, no momento do nascimento, um dos
progenitores aqui resida legalmente há pelo menos dois anos
- outros que nasceram em território português, se não possuírem outra nacionalidade (ex.:
filhos de apátridas)

De acordo com o artigo 5º da Lei da Nacionalidade, o adotado por nacional português


adquire a nacionalidade portuguesa.

As responsabilidades parentais
Noções
Conceito de responsabilidades parentais
As responsabilidades parentais surgem como um meio de suprimento da incapacidade de
exercício dos menores não emancipados.
A criança carece de capacidade genérica de exercício (art. 123º), pelo que não pode, em
regra, praticar pessoalmente atos e negócios jurídicos, tendo de ser representada pelos seus
pais, na qualidade de titulares das responsabilidades parentais (arts. 124º e 1881º).

Carateres das responsabilidades parentais


Os carateres das responsabilidades parentais são:
- carater estatuário

As responsabilidades parentais apresentam natureza estatuária, constituindo uma


situação jurídica que se funda na ligação paternofilial, um grupo (pai e filho menor)
cuja importância é expressamente reconhecida pelo Estado.

- indisponibilidade

As responsabilidades parentais são indisponíveis (art. 1699º nº1 b)).

O pai não pode dispor das responsabilidades parentais, porque o interesse principal
não lhe pertence.
O titular do interesse principal, o filho menor não emancipado, não beneficia de
capacidade para, isoladamente ou em sintonia com o pai, alterar as regras legais.

As responsabilidades parentais são intransmissíveis, competem aos pais e apenas a


eles (art. 1878º nº1).
Um dos pais não pode atribuir ao outro a exclusividade do exercício. A mudança, que
se verifica normalmente em casos de rutura, pressupõe uma intervenção estatal
(arts. 1905º e 1776º-A).

A característica da indisponibilidade manifesta-se ainda no artigo 1882º.


Apesar do preceito ressalvar o que se prescreve no CC acerca da adoção, com esta
não ocorre transmissão das responsabilidades parentais, mas uma extinção das que
cabiam aos pais biológicos e uma atribuição ao adotante das responsabilidades
parentais sobre a criança.

A irrenunciabilidade não obsta à delegação do exercício do poder de guarda e


educação da criança (arts. 1887º nº2 e 1906º nº4).
- funcionalidade acentuada

As responsabilidades parentais têm de ser exercidas.

É a especifica funcionalidade das responsabilidades parentais que legitima a


interferência do Estado na relação dos pais com os filhos.
O princípio da direção interna, parental, da vida familiar cede sempre que assim o
exija o interesse da criança.

A verificação de insuficiências da ação dos pais na prossecução do interesse do filho


funda a aplicação de medidas de promoção e proteção (Lei da Proteção),
providencias limitativas (arts. 1918º e 1920) ou até a inibição do exercício das
responsabilidades parentais (arts. 1913º e 1915º).

- eficácia perante terceiros

A inobservância dos poderes de guarda e educação torna os pais responsáveis pelos


danos que os filhos causarem a terceiros (art. 491º).

Terceiros não podem separar os filhos dos pais, a não ser estes não cumpram com os
seus deveres fundamentais para com eles e sempre mediante decisão judicial (art.
36º nº6 CRP).
Qualquer interferência injustificada de terceiros na esfera de competência parental é
ilícita.

- tipicidade

O conteúdo das responsabilidades parentais é típico, coincidindo com aquele que a


lei lhe assinala.

Não é permitida a criação de situações jurídicas novas, nem a eliminação daquelas


que a lei indica como parte das ditas responsabilidades.

- tutela reforçada

O registo das decisões relativas às responsabilidades parentais


É obrigatório o registo das decisões em matéria de exercício das responsabilidades parentais
sobre a regulação, alteração, cessação, inibição, suspensão e providencias limitativas (art.
1920º-B).

O registo é feito por averbamento ao assento de nascimento do filho.

Na falta de registo obrigatório, as decisões relativas às responsabilidades parentais não


podem ser invocadas contra terceiros de boa-fé (art. 1920º-C).
Não estão sujeitas a registo as situações de delegação pelos pais a terceiros no exercício do
poder de guarda e educação da criança, nem das delegações pelos pais a terceiro do
exercício das responsabilidades parentais relativas aos atos da vida corrente.

Conteúdo das responsabilidades parentais


Enunciado de situações jurídicas compreendidas nas responsabilidades parentais
Compete aos pais (art. 1878 nº1):
- o poder-dever de guarda
- o poder-dever de dirigir a educação
- o dever de prover ao sustento
- o poder-dever de representação
- o poder-dever de administração dos bens do filho menor

Os filhos estão vinculados ao dever de obediência perante os pais (art. 1878º nº2).

Na relação com os pais, os filhos estão numa posição subordinada. Contudo, esta não é uma
subordinação rígida, como vemos no artigo 1878º nº2, 2ª parte.

O poder-dever de guarda
Mediante o poder de guarda, os pais velam pela segurança e saúde dos filhos.

O poder de guarda implica que o filho viva com os pais no mesmo lar, e que estes tenham
aquele em sua companhia.

Os filhos menores não podem ser separados dos pais, salvo quando estes não cumpram os
seus deveres para com eles e sempre mediante decisão judicial (art. 36º nº6 CRP).
Estes também não podem abandonar a casa paterna ou aquela que os pais lhes destinaram,
nem dela ser retirados (art. 1887º nº1).

O poder de guarda abarca a vigilância das ações do filho e a regulação das relações deste
com outrem que não os pais.
Disto retiramos que é lícito aos pais impedir determinados relacionamentos dos seus filhos,
desde que haja fundamento para considerá-los danosos ao interesse destes.

Os pais, porém, não podem privar injustificadamente os filhos do convívio com os irmãos e
com os avós (art. 1887º-A).
Subscreve-se a tese de que o espírito da lei e o interesse do filho obstam também à privação
injustificada do convívio com pessoas que tenham uma ligação forte e particularmente
favorável com a criança.

O poder-dever de guarda confere aos pais a faculdade de decidir no que respeita aos
cuidados de saúde. É a estes que incumbe autorizar intervenções ou tratamentos médicos
atinentes ao filho.
Contudo, há situações em que é excecionalmente dispensado o consentimento dos pais para
o ato médico (ex.: ação estatal no cumprimento de políticas de saúde publica; estado de
perigo).

Quando seja contrário ao interesse da criança, o ato de recusa parental de intervenção


médica pode ser superado, por via judicial, ou, havendo perigo atual ou iminente para a vida
do filho, independentemente de intervenção judicial.

Poder-dever de dirigir a educação


À luz do artigo 35º nº5 da CRP, os pais têm direito e dever à educação dos filhos.

O artigo 1885º explicita duas incumbências dos pais no âmbito do poder-dever de dirigir a
educação:
- promover, de acordo com as suas possibilidades, o desenvolvimento físico, intelectual e
moral dos filhos
- proporcionar aos filhos adequada instrução geral e profissional

O artigo 1886º pronuncia-se concretamente sobre a educação religiosa dos filhos,


reconhecendo aos pais dos menores de 16 anos competência para decidir sobre a matéria.

Contido no poder-dever de educar, continua a subsistir um poder de correção.

Tradicionalmente, são apontadas como medidas lícitas de correção as repreensões e a


privação de um divertimento.
O CP pune, com pena de prisão, quem, tendo ao seu cuidado, à sua guarda, pessoa menor,
lhe infligir maus-tratos físicos ou psíquicos, incluindo castigos corporais.

O dever de prover ao sustento


O dever de manutenção dos filhos é constitucionalmente imposto aos pais (art. 36º nº5
CRP).

O dever paternal de sustento compreende:


- habitação
- vestuário
- alimentação
- todas as prestações conexas com as várias situações jurídicas em que se desdobram as
responsabilidades parentais (ex.: prestações com a saúde, segurança e educação)

No cumprimento do dever de sustento, os pais estão obrigados a proporcionar aos filhos um


nível de vida idêntico ao seu.

Os pais ficam desobrigados de prover ao sustento dos filhos, na medida em que estes
estejam em condições de suportar os encargos com a sua própria manutenção (art. 1879º).

O poder-dever de representação
Aos pais incumbe um poder de representação geral dos filhos menores, ainda que nascituros
(art. 1878º nº1).

Havendo conflito de interesses entre qualquer dos pais e o filho sujeito ao poder paternal,
ou entre os filhos, os filhos menores são representados em tribunal por um ou mais
curadores nomeados pelo tribunal (art. 1881º nº2).

Este dever-poder compreende o exercício de todos os direitos e o cumprimento de todas as


obrigações do filho, excetuando os atos puramente pessoais (aqueles que o menor tem o
direito de praticar pessoal e livremente) e os atos respeitantes a bens cuja administração
não pertença aos pais.

O poder-dever de administração dos bens


Os pais têm a administração dos bens dos filhos menores, com exceção daqueles que estão
mencionados no artigo 1888º nº1.

O poder de administração dos bens dos menores cessa com a emancipação, a não ser que
este, tendo capacidade de gozo matrimonial, tenha casado sem a autorização dos pais ou
sem o respetivo suprimento.
Neste caso, os bens levados pelo filho para o casal, ou que posteriormente lhe advenham a
título gratuito, até à maioridade continuam a ser administrados pelos pais (art. 1649º).

Há um conjunto de atos patrimoniais que os pais não podem praticar sem autorização do
Ministério Público (arts. 1889º e 1892º).

Os atos indevidamente praticados pelos pais sem autorização são anuláveis, nos termos do
artigo 1893º. Porém, podem ser confirmados pela entidade a quem competia a autorização
(art. 1894º).

O dever de obediência e autonomia da criança


Se os filhos menores devem obediência aos pais, em contrapartida os pais devem, de acordo
com a maturidade dos filhos, reconhecer-lhes autonomia na organização da própria vida
(art. 1878º nº2, 2ª parte).
Isto já decorre do dever de respeito a que os pais estão vinculados também perante os filhos
menores (art. 1874º nº1).

As manifestações legais da autonomia da criança não se circunscrevem ao disposto no artigo


1878º nº2, estas são múltiplas (ex.: capacidade do maior de 16 anos para perfilhar (art.
1850º); faculdade de acesso às consultas de planeamento familiar, que é reconhecida a
todos os jovens em, idade fértil).

Exercício das responsabilidades parentais


Exercício em comum das responsabilidades parentais e exercício por um só dos pais;
hipóteses de exercício por terceiro
O atual sistema de exercício das responsabilidades parentais orienta-se pelos seguintes
princípios:
- exercício em comum dessas responsabilidades, salvo exceções
- exercício em comum mitigado das responsabilidades parentais quando os pais não vivam
juntos
- possibilidade de exercício das responsabilidades parentais por terceiro

Exceções ao exercício em comum das responsabilidades parentais


Vigora a regra de que o exercício das responsabilidades parentais pertence a ambos os pais,
que a exercem em comum (arts. 1901º e 1906º nº1).

O exercício das responsabilidades parentais incumbe a um dos pais unicamente nas


seguintes situações:
- impedimento ou morte do outro (arts. 1903º e 1904º)
- a filiação não se encontrar constituída quanto ao outro pai (art. 1910º)
- os pais não vivam juntos e o exercício comum seja tido como contrário ao interesse do filho
(art. 1906º nº2)

O conceito de impedimento abarca a incapacidade acidental provocada por toxicomania ou


alcoolismo.

Por morte de um dos pais, o exercício das responsabilidades parentais pertence ao


sobrevivo, a não ser que se verifique impedimento do progenitor sobrevivo decretado por
tribunal (arts. 1904 nº2, 1911º nº1 e 1912º nº1).

Modo de exercício conjunto das responsabilidades parentais


Se os pais vivem juntos, casados ou em união de facto, aplica-se o regime de exercício
conjunto pleno das responsabilidades parentais (arts. 1901º, 1902º e 1911º nº1).
Ambos decidem em acordo, efetivo ou presumido, todas as questões da vida do filho, sejam
elas, ou não, de particular importância.

Se faltar acordo dos pais coabitantes em questões de particular importância, qualquer um


dos pais pode recorrer ao tribunal que tentará a conciliação. Se a conciliação não for
possível, o tribunal ouvirá o filho, antes de decidir (art. 1901º nº3).

Os atos praticados por um só dos pais, sem o acordo do outro, são anuláveis, por aplicação
analógica do artigo 1893º.

Se os pais nunca viveram juntos, estão divorciados, separados ou deixaram de viver em


união de facto, haverá exercício conjunto mitigado das responsabilidades parentais (arts.
1906º nº1, 1911º nº2 e 1912º nº1).
Com isto quer-se dizer que ambos decidem em matérias de particular importância, mas no
que toca a atos da vida corrente do filho, o exercício das responsabilidades parentais cabe ao
progenitor que com ele reside habitualmente.

O exercício das responsabilidades parentais por terceiro


A lei consagra várias possibilidades excecionais de exercício das responsabilidades parentais
por outrem que não os pais.

Quando houver impedimento de exercício das responsabilidades parentais por ambos os


pais, este exercício caberá, por decisão judicial, preferencialmente ao cônjuge ou unido de
facto de qualquer dos pais, e depois a alguém da família de qualquer dos pais (arts. 1903º e
1904º nº2).

Outra situação de exercício das responsabilidades parentais por pessoa que não seja pai
decorre do apadrinhamento civil.

Quando a filiação se encontrar estabelecida apenas quanto a um dos pais, as


responsabilidades parentais podem ser também atribuídas, por decisão judicial, ao cônjuge
ou unido de facto do único progenitor jurídico, que as exercem em conjunto (art. 1904º-A
nº1).
A atribuição depende de pedido do progenitor e do seu cônjuge ou companheiro e
pressupõe, sempre que possível, a audição do filho (art. 1904º-A nº2 e nº3).
No caso de fim de coabitação, em regra, o exercício conjunto será mitigado (art. 1904º-A
nº5).

Sem prejuízo da titularidade do exercício das responsabilidades parentais pertencer aos pais,
o artigo 1907º nº1, dispõe que quando se verifique algumas das circunstâncias do artigo
1918º, o filho poder confiado à guarda de terceira pessoa, por acordo ou decisão judicial.

Particularidades do exercício das responsabilidades parentais nos casos de progenitores que


nunca viveram juntos, que se divorciaram ou se separaram
Se ambos os pais exerciam as responsabilidades parentais, o divórcio introduz modificações
neste ramo (arts. 1905º, 1906º e 1911º nº2).
Passa-se de um modelo de exercício conjunto pleno para um modelo de exercício conjunto
mitigado, pois as responsabilidades parentais em questões de particular importância para a
vida do filho são exercidas em comum, por ambos os pais, enquanto que as
responsabilidades parentais relativas a atos da vida corrente do filho são exercidas apenas
por um dos cônjuges (art. 1906º nº1 e nº3).

Há dois problemas fundamentais:


- saber o que são “questões de particular importância”

Exemplos: educação religiosa do filho menor com idade inferior a 16 anos;


tratamento médico ou intervenção cirúrgica de alguma gravidade; atos patrimoniais
que careçam da autorização do Ministério Público; representação do menor em
juízo; escolha do estabelecimento de ensino e atividades extracurriculares; as
deslocações para o estrangeiro; a prática de desportos radicais

Em questões de manifesta urgência qualquer um dos progenitores pode agir sozinho,


tendo de prestar informações ao outro logo que seja possível (art. 1906º nº1, 2ª
parte).
- determinar com qual dos pais o filho residirá habitualmente

O tribunal deve atender ao interesse da criança, considerando o eventual acordo dos


pais e a disponibilidade manifestada por cada um deles para promover relações
habituais do filho com o outro (art. 1906 nº5).

A figura primária de referência corresponde ao chamado cuidador principal, que se


entende ser o progenitor que, antes da rutura da vida em comum, assumia no dia-a
dia as tarefas de cuidado do filho.

O pai que não resida habitualmente com o filho pode relacionar-se livremente com ele
sempre que ambos o desejem.

O pai a quem coube a guarda física da criança está vinculado ao dever de prover ao seu
sustente, enquanto o outro pai está obrigado a prestar alimentos ao filho (art. 1905º).
Desde que os rendimentos do pai sem a guarda física assim o permitam, a lei impõe que à
criança seja assegurado um nível de vida idêntico ao que esta gozava antes da rutura.

Ao abrigo do direito-dever de visita, ao pai que não exercer as responsabilidades parentais


assiste a faculdade de comunicar com o filho e de estar com ele durante algumas horas ou
alguns dias.
O pai pode levar a criança a sua casa em fins de semana alternados e passar férias e épocas
ou datas festivas.

A referência legal ao modelo de exercício em comum mitigado não obsta à vigência de


outros modelos.
Este é o único modelo de exercício comum especificado na lei, o que o torna uma espécie de
modelo supletivo.

Em todas as situações de rutura da vida comum entre contitulares das responsabilidades


parentais e de progenitores que nunca viveram juntos, o exercício das responsabilidades
parentais tem de ser regulado por acordo dos pais ou por decisão judicial.
O acordo é apresentado pelos pais na conservatória do registo civil no âmbito de um
processo de divórcio por mútuo consentimento ou de um processo de regulação das
responsabilidades parentais por mútuo acordo.

Na falta de acordo, aplica-se o processo de regulação do exercício das responsabilidades


parentais.
Este processo inclui uma conferencia de pais, na qual se procurará obter um acordo que
corresponda aos interesses da criança, que pode ser ouvida pelo tribunal.

Na ausência de acordo, o juiz decide provisoriamente sobre a regulação das


responsabilidades parentais, suspende a conferencia e remete as partes para mediação ou
audição técnica especializada.
No fim do prazo destinado a mediação ou audição técnica especializada, é retomada a
conferencia.

Na falta de acordo, haverá audiência de discussão e julgamento, sendo proferida uma


sentença de regulação do exercício das responsabilidades parentais.

Se um dos pais ou contitulares das responsabilidades não cumprir o que tiver sido acordado
ou decidido, pode o outro requerer ao tribunal as diligencias necessárias para cumprimento
coercivo e a condenação do remisso em multa e uma indemnização a favor da criança, do
requerente ou de ambos.

Na disciplina legal do incumprimento da regulação, determina-se especificamente que pode


ser ordenada a entrega da criança.
O CP prescreve que é punido com pena de prisão até dois anos, ou com pena de multa até
240 dias, aquele que não cumprir o regime estabelecido para a convivência do menor na
regulação do exercício das responsabilidades parentais.

O acordo ou a sentença de regulação do exercício das responsabilidades parentais não são


imutáveis.
O acordo pode ser modificado por mútuo consentimento dos pais, estando a modificação
sujeita a aprovação do Ministério Público e a homologação judicial.

Qualquer dos pais ou o Ministério Público podem requerer a alteração da regulação


constante de acordo ou decisão final, no caso de incumprimento por ambos os pais ou
quando as circunstâncias supervenientes tornem necessário alterar o que estiver
estabelecido.

Inibição e limitações ao exercício das responsabilidades parentais


Preliminares
Inibição- o titular das responsabilidades parentais pode ser juridicamente privado do seu
exercício
Limitações em sentido amplo- o titular das responsabilidades parentais pode conservar o
exercício das responsabilidades parentais com restrições impostas por providencias ou
medidas judiciais ou administrativas

Inibição do exercício das responsabilidades parentais


As inibições podem ser classificadas segundo critérios:
- fonte:
- resultam da lei
- decisão judicial: pode ter como fundamento a condenação pela pratica de um crime
que a lei atribua o efeito de inibição

A inibição judicial que tenha como fundamento crime a que a lei atribua o efeito de
inibição denomina-se “inibição de pleno direito” (art. 1913º).
Caso contrario, é designada por “inibição judicial”.
- extensão dos efeitos (art. 1915º nº2):
- total: abarca a generalidade das situações jurídicas contidas nas
responsabilidades parentais
- parcial: abarca somente a representação e a administração de bens

A inibição do exercício das responsabilidades parentais em qualquer dos casos não isenta os
pais do dever de alimentarem o filho (art. 1917º).

A inibição de pleno direito


Consideram-se de pleno direito inibidos do exercício das responsabilidades parentais, além
dos referidos no artigo 1913º nº1 e nº2, os pais, depois de decretada a medida de promoção
e proteção de confiança com vista a futura adoção (art. 1978º-A).

Estão parcialmente inibidos das responsabilidades parentais os menores não emancipados


(art. 1913º nº2).
Todos os restantes estão totalmente inibidos, salvo determinação judicial distinta quanto ao
maior acompanhado inibido.

A inibição de pleno direito do exercício das responsabilidades parentais cessa (art. 1914º):
- cumprimento da pena de inibição das responsabilidades parentais
- maioridade
- cessão do termo do acompanhamento ou com revisão da sentença que o tenha decretado

A inibição associada à medida de promoção e proteção, referida no artigo 1978º-A,


não cessa, mesmo que a criança não venha a ser adotada (nesta hipótese, é
constituída a tutela).

Inibição judicial
A inibição judicial será total ou parcial, conforme o critério fundamentado do tribunal.

A inibição pode referir-se a todos os filhos ou a apenas alguns (art. 1915º nº2).

Quem pode requerer a inibição são as pessoas presentes no artigo 1915º nº1.
As causas podem ser:
- subjetivas: infração culposa dos deveres do pai para com os filhos, com grave prejuízo
destes
- objetivas: inexperiência, enfermidade, ausência ou outra razão relativa ao pai que mostre
não estar este em condições de cumprir os seus deveres para com os filhos

A inibição decretada pelo tribunal será levantada quando cessem as causas que lhe derem
origem (art. 1916º nº1).

Limitações ao exercício das responsabilidades parentais


As medidas ou providencias limitativas das responsabilidades parentais são aplicáveis
quando, não sendo caso de inibição do exercício das responsabilidades parentais, haja
perigo para a pessoa ou para o património do filho (arts. 1918º nº1 e 1920º nº1).

A Lei de Proteção é que constitui a sede por excelência das limitações ao exercício das
responsabilidades parentais.

Meios de suprimento das responsabilidades parentais


Preliminares
Quando as responsabilidades não são, total ou parcialmente, exercidas, é preciso recorrer a
instrumentos alternativos de prossecução do interesse da criança, que são variados,
abrangendo:
- limitações ao exercício daquelas responsabilidades
- medidas de proteção dos direitos e de proteção das crianças e dos jovens em perigo
- tutela
- administração de bens

A lei reserva o termo “meios de suprimento do poder paternal” unicamente à tutela e à


administração de bens, pois foram concebidos como instrumentos mais duradouros de
proteção do menor.
Os restantes instrumentos estão vocacionados para um suprimento temporário das
responsabilidades parentais.

Tutela
O artigo 1921º enumera os casos em que a criança está sujeita à tutela.

A instauração da tutela é promovida oficiosamente, através de ação tutelar comum.

As hipóteses da extinção da relação tutelar encontram-se no artigo 1961º.

A tutela é exercida por um tutor e pelo conselho de família (art. 1924º nº1).
O conselho de família é regulado pelos artigos 1951º a 1960º.
O órgão é constituído por dois vogais e por um agente do Ministério Público (art. 1951º).

A designação do tutor encontra-se nos artigos 1927º a 1934º.


A designação pelos pais do tutor tem de ser confirmada pelo tribunal (art. 1931º nº1). E,
além disso, pode obstar à atribuição de responsabilidades parentais a terceiro (art. 1904º
nº2).

Não havendo uma pessoa em condições de exercer a tutela, as funções de tutor serão
desempenhadas pelo diretor do estabelecimento de educação e assistência onde tenha sido
internado a criança (art. 1962º nº1).

O cargo de tutor é renumerado (art. 1942º nº1) e ele tem de ser reembolsado das despesas
que legalmente haja feito (art. 1946 nº1).

Os artigos 1948º a 1950º ocupam-se da remoção e exoneração do tutor.


O conteúdo do poder tutelar encontra-se regulado nos artigos 1935º a 1947º.

As restrições mais importantes que demarcam o poder tutelar das responsabilidades


parentais são:
- regra da sujeição a fiscalização do conselho de família e do protutor (arts. 1954º e 1955º
nº1)
- proibição da pratica de certos atos (arts. 1937º e 1939º)
- há um numero de atos cuja pratica depende de autorização maior que para os pais (arts.
1938º, 1940º e 1941º); esta é normalmente é feita pelo Ministério Público

Administração de bens
A administração de bens acontece nas situações dispostas no artigo 1922º.

A administração de bens não ocorre isoladamente, coexistindo com a responsabilidade


paternal ou com a tutela.

O artigo 1961º aplica-se, com as necessárias adaptações, ao termo da administração de bens


(art. 1972º).

A administração de bens é exercida pelas pessoas que se encontram no artigo 1924º nº2.

O cargo de administrador de bens é obrigatório (art. nº 1926º).

A designação do administrador encontra-se regulada pelos artigos 1967º a 1970º.

Direito Tutelar
Proteção de crianças e jovens em perigo
A proteção das crianças
A proteção civil das crianças
A proteção das crianças é fundamentalmente assegurada por normas civis e penais.
No âmbito do Direito da Família, interessa-nos apenas a proteção civil.

O Código Civil contem normas sobre proteção civil dos menores:


- as normas atinentes às responsabilidades parentais, já que põem estas ao serviço do
interesse do filho
- as normas relativas à inibição do exercício das responsabilidades parentais
- as normas que estabelecem limitações ao exercício das responsabilidades parentais
- as normas respeitantes aos meios de suprimento das responsabilidades parentais
- as normas que regulam a adoção, instituto que “visa realizar o superior interessa de
criança”

A maioria das normas de proteção das crianças que estão incluídas no Código Civil é
estudada no quadro do Direito da Filiação.
As normas que justificam a autonomia do Direito civil de Proteção de crianças e jovens
encontram-se na Lei de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo.

A lei de proteção de crianças e jovens em perigo


O significado da Lei de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo
A Lei de Proteção adota um conceito jurídico de perigo que se inspira no artigo 1918º.
Contudo, enquanto o artigo 1918º se cinge à proteção do filho menor, a Lei de Proteção
admite a proteção do jovem adulto (art. 5º a)), e não exclui a aplicação de medidas das
comissões de proteção de crianças e jovens em perigo (entidades não judiciais).

A Lei de Proteção está vocacionada para a defesa da pessoa da criança, enquanto o Código
Civil é especialmente relevante no campo da proteção patrimonial da criança (arts. 1920º e
1921º nº2).

A Lei de Proteção insere-se no movimento de cisão entre a intervenção tutelar relativa aos
jovens que praticaram factos qualificados como crime e a intervenção tutelar respeitante
àqueles que se encontram em perigo.

A intervenção para proteção da criança e do jovem em perigo


O pressuposto da situação de perigo
O pressuposto da intervenção tutelar de proteção é fixado pela clausula geral do artigo 3º
nº1 da Lei de Proteção.
Ou seja, a criança ou o jovem tem de estar numa situação de perigo imputável aos pais,
representante legal ou a quem tenha a guarda de facto.

Entende-se que a situação de perigo é imputável aos pais, ao representante legal ou a quem
tenha a guarda de facto se o perigo tiver sido criado pelos mesmos ou se eles não tiverem
agido de forma adequada a remover o perigo que foi criado por terceiros ou pela própria
criança.

O artigo 3º nº2 da Lei de Proteção, contem uma enumeração exemplificativa de situações de


perigo.

Merecem destaque o:
- abandono: hipótese extrema da criança ou o jovem estar entregue à sua sorte, totalmente
desamparada, e os pais, representante legal ou guardião de facto não manifestarem
qualquer interesse pelo seu destino
- maus tratos: podem ser físicos ou psíquicos
- insuficiência de cuidados parentais (negligencia): situação da criança ou jovem não
receber cuidados ou afeição adequados à sua idade e situação pessoal (ex.: falta de higiene,
ausência de atenção, alimentação deficiente)

Princípios orientadores da intervenção


A intervenção tutelar de proteção está submetida a princípios que são consagrados nas
alíneas do artigo 4º da Lei da Proteção.

Comunicação de situações de crianças e jovens em perigo


A intervenção é desencadeada pela tomada de conhecimento de situações de crianças e
jovens em perigo.

Os artigos 64º ss. da Lei de Proteção regulam a comunicação de atuações de crianças e


jovens em perigo.
As comunicações de situações de crianças e jovens em perigo devem ser feitas às comissões
de proteção por entidades policias e autoridades judiciarias, bem como por entidades com
competência em matéria de infância e juventude.

As comissões de crianças e jovens efetuam comunicações ao Ministério público nos casos


que estão previstos nos artigos 68º e 69º da Lei da Proteção.

Competência para intervir


Em caso de perigo para a criança ou para o jovem, o artigo 6º da Lei da Proteção dispõe que
a intervenção tutelar incumbe às entidades com competência em matéria de infância e
juventude, às comissões de proteção de crianças e jovens e aos tribunais.

Não pode ser ignorado o papel do Ministério Público na promoção e defesa dos direitos das
crianças e jovens em perigo (art. 72º nº1 da Lei da Proteção).

A intervenção das entidades com competência em matéria de infância e juventude (Ex.:


estabelecimentos de ensino) é efetuada de modo consensual com os pais, representantes
legais ou com quem tenha a guarda de facto da criança ou jovem (art. 7º da Lei da
Proteção).

Os artigos 12º ss. da Lei da Proteção regulam a natureza, competência, composição e


funcionamento das comissões de proteção de crianças e jovens.

Dado o caracter não judicial das comissões, a sua autoridade tem de ser aceite pelos
interessados, ou seja, dos pais, do representante legal ou da pessoa que tenha a guarda de
facto da criança (art. 9º da Lei de Proteção), e não oposição da criança ou jovem com idade
igual ou superior a 12 anos ou da criança que, tendo menos de 12 anos, já compreenda o
sentido da intervenção (art. 10º da Lei da Proteção).

O artigo 72º confere ao Ministério Público competência para fiscalizar a atividade das
comissões de proteção e para propor ações ou usar quaisquer meios judiciais necessários à
promoção e proteção das crianças e jovens em perigo.

Só os tribunais podem aplicar a medida de confiança a pessoa selecionada para a adoção,


família de acolhimento ou instituição com vista à adoção (art. 38º da Lei da Proteção).
Noutros casos, a intervenção judicial tende a ser subsidiária relativamente à ação da
comissão de proteção (art. 11º da Lei de Proteção).

Medidas de promoção dos direitos e de proteção das crianças e dos jovens em perigo
Enumeração
Detetada a situação de perigo, a intervenção pode traduzir-se na execução de uma das
medidas de promoção dos direitos e proteção das crianças e dos jovens em perigo.

As medidas em apreço são enumeradas no artigo 35º nº1 da Lei de Proteção.


Não são admitas outras medidas para além destas, a não ser que exista um perigo atual ou
iminente para a vida ou de grave comprometimento da integridade física da criança ou do
jovem (art. 92º nº1 LP).

A intervenção para proteção, considerando que esta implica restrições a direitos


fundamentais dos pais (ex.: direito à educação dos filhos) e dos filhos (ex.:
autodeterminação pessoal).

Classificações
O artigo 35º nº2 LP distingue as medidas de promoção e proteção a executar no meio
natural de ida e as medidas a executar em regime de colocação.

Outra classificação, presente no artigo 36º LP, opõe as medidas decorrentes de negociação
das demais.
As medidas decorrentes de negociação integram um acordo de promoção e proteção no
qual é manifestado o consentimento dos pais, do representante legal ou da pessoa que tem
a guarda de facto da criança ou jovem, e o consentimento da criança e do jovem com mais
de 12 anos.
As medidas aplicadas pelas comissões de proteção são necessariamente decorrentes de
negociação (arts. 9º e 10º da LP). Enquanto as medidas aplicadas pelos tribunais podem ser
negociadas (art. 112º LP) ou impostas (art. 11º b), e) LP).

Prioridade a observar na aplicação das medidas de promoção e proteção


Há que articular os princípios da necessidade, da proporcionalidade e da prevalência da
família.

O principio da prevalência da família confere preferência às medidas que integrem a criança


e o jovem na sua família ou que promovam a sua adoção ou outra forma de integração
familiar estável (art. 4º LP).
Os outros princípios recomendam a escolha de providencias que afetem o menos possível a
vida da criança ou do jovem e da sua família.

Há uma prevalência da medida de acolhimento familiar sobre o acolhimento residencial, em


especial relativamente a crianças até aos seis anos (art. 46º nº 4 e nº5 LP).

Medidas de promoção e proteção em especial


Medidas a executar no meio natural de vida
Estas são:
- medida de apoio junto dos pais (art. 39º LP): a palavra “pais” também inclui o
representante legal ou a pessoa que tenha a guarda de facto
- medida de apoio junto de outro familiar (art. 40º LP)
- medida de confiança a pessoa idónea (art. 43º LP)
- medida de apoio para a autonomia de vida (art. 45º LP)
No âmbito destas medidas são prestados apoios:
- psicopedagógicos: intervenção de natureza psicológica e pedagógica que tenha em conta
as diferentes etapas de desenvolvimento da criança ou do jovem e o respetivo contexto
familiar e que vise o desenvolvimento integral da criança ou jovem

- sociais: intervenção que envolve os recursos comunitários, tendo em vista contribuir com o
desenvolvimento integral da criança ou jovem e para a satisfação das necessidades sociais
do agregado familiar; criação de condições para a prestação de cuidados adequados de
alimentação, higiene, saúde, segurança, bem-estar e educação

- económicos: atribuição pecuniária, para a manutenção da criança ou jovem, ao agregado


familiar reside, tendo como fundamento a necessidade de garantir os cuidados adequados
ao desenvolvimento integral da criança ou jovem

Medidas de colocação
Estas são:
- acolhimento familiar

Este consiste na atribuição da confiança da criança ou do jovem a pessoa singular ou


a uma família (art. 46º nº1 LP).

A confiança pode ser atribuída a pessoas que não tenham qualquer relação de
parentesco com a criança ou o jovem e que não sejam candidatos à adoção.

A família de acolhimento tem sempre direito a receber um subsidio pecuniário por


criança ou jovem acolhida.

- acolhimento residencial

Esta consiste na colocação da criança ou jovem aos cuidados de uma entidade que
disponha de instalações, equipamento de acolhimento e recursos humanos
permanentes, devidamente dimensionados e habilitados, que lhe garantam os
cuidados adequados (art. 49º nº1 LP).

O acolhimento residencial tem lugar em casas de acolhimento, que se devem


organizar de modo a favorecer uma relação afetiva de tipo familiar, uma vida diária
personalizada e a integração na comunidade (art. 50º nº1 e artº 53º nº1 LP).

Confiança a pessoa selecionada para a adoção, a família de acolhimento ou instituição com


vista a futura adoção
Esta medida consiste na colocação da criança ou do jovem sob a guarda de candidato
selecionado para a adoção, de família de acolhimento, de instituição também com vista a
futura adoção (art. 38º-A LP).

A medida é aplicável quando se verifique uma das situações que o 1978º prevê como
fundamento de confiança com vista a futura adoção (art. 38º-A LP).
Tem como efeito a inibição dos pais do exercício das responsabilidades parentais (1978º-A).

Esta leva à designação de um curador provisório à criança até ser decretada a adoção ou
instituída outra medida tutelar civil (art. 62º-A nº3 LP).

Ainda, em regra, obsta a visitas por parte da família, de adoção ou biológica (art. 62º-A nº6
LP).

Acordos de promoção e proteção


As medidas decorrentes de negociação integram um acordo de promoção e proteção (art.
55º LP).

Este acordo consiste num compromisso escrito pelo qual se estabelece um plano contendo
medidas de promoção de direitos e de proteção (art. 5º f) LP).

Execução, duração, revisão e cessação das medidas de promoção e proteção


- execução das medidas de promoção e proteção: art. 59º LP
- duração das medidas: 60º LP (medidas a executar no meio natural da vida); 61º LP
(medidas de acolhimento familiar e de acolhimento residencial); 62º-A nº1 LP (medida de
confiança a pessoa selecionada para adoção, família de acolhimento ou instituição com vista
à adoção)
- revisão de medidas: art. 62º LP (todas as medidas menos a ultima); 62º-A nº1 LP (ultima
medida)
- cessação das medidas de promoção e proteção: 63º nº1 LP

O processo
Arts. 77º a 90º LP- disposições comuns dos processos de promoção e proteção instaurados
nas comissões de proteção e tribunais

É consagrado o principio da audição obrigatória e participação dos pais, representante legal,


pessoas que tenham a guarda de facto, das crianças ou jovens (arts. 84º e 85º LP).

Os órgãos de comunicação social que divulguem situações de crianças ou jovens em perigo


não podem identificar, transmitir elementos, sons ou imagens que permitam a sua
identificação, sob pena dos seus agentes incorrerem na pratica de crime de desobediência
(art. 90º nº1 LP).

Art. 92º a 99º LP- processo nas comissões de proteção

Este processo inicia com o recebimento da comunicação escrita, registo de comunicações


verbais ou factos que a comissão tiver conhecimento (art. 97º nº1 LP).

Segue-se, então, a fase de instrução (97º nº2).

Após a instrução é tomada a decisão (art. 98º LP).


Arts. 100º a 126º LP- processo de promoção e proteção nos tribunais

Este processo é constituído pelas fases de instrução, decisão negociada, debate judicial,
decisão e execução da medida (art. 106º nº1 LP).

Encerrada a instrução é designado o dia para uma conferencia com vista à obtenção de
acordo de promoção e proteção (art. 110º b) LP).

Se não tiver sido possível obter acordo, passa-se ao debate judicial (art. 114º LP), onde é
obrigatória a constituição de advogado ou nomeação de patrono à criança ou jovem (art.
103º nº4 1ª parte LP).

Terminado o debate, o tribunal decide, sendo a decisão tomada por maioria dos votos (art.
120º LP)

Arts. 91º a 92º LP- procedimentos de urgência

Quando haja perigo atual ou iminente para a vida ou grave comprometimento da


integridade física da criança ou jovem, cessam as restrições especificas à intervenção não
judicial (art. 91º nº1 LP).

O apadrinhamento civil
Noção de apadrinhamento civil
O artigo 2º da LAC define o apadrinhamento civil.

A relação de apadrinhamento pressupõe duas partes:


- afilhado: criança ou jovem
- padrinho/padrinhos: pessoa singular ou membros de uma família

Porém, também implica um estatuto de “terceiros”, como os pais do afilhado.

O apadrinhamento é uma boa alternativa para a criança ou o jovem que se encontra em


perigo ou que esteja submetido a uma medida de promoção ou proteção, enquanto a
adoção não se configure possível (art. 5º LAC).

Constituição do apadrinhamento civil


O apadrinhamento civil constitui-se por decisão judicial ou por compromisso de
apadrinhamento civil homologado pelo tribunal (art. 13º nº1 LAC).
Pode tomar a iniciativa as pessoas ou entidades referidas no artigo 10º LAC.
O artigo 19º LAC disciplina o processo de constituição do apadrinhamento.

A formação do apadrinhamento exige o preenchimento de vários requisitos:


- quanto ao afilhado
Estes são:
- conveniência do vinculo (art. 5º nº1 LAC)
- idade máxima (art. 5º LAC)
- inviabilidade da adoção (art. 5º LAC)
- não subsistência de outro apadrinhamento (art. 6º LAC)
- consentimento (art. 14º nº1 a) LAC)

- quanto ao padrinho

Estes são:
- habilitação (art. 12º LAC)
- idade mínima (art. 4º LAC)

- quanto a terceiros

Há uma imposição do consentimento das pessoas do artigo 14º nº1 b) e e).


Contudo, o nº2 e o nº3 referem situações em que não é necessário o consentimento
de tais pessoas, e o nº4 indica casos em que o tribunal pode dispensar o
consentimento.

O artigo 11º LAC ocupa-se da designação dos padrinhos.


O artigo 16º LAC indica os elementos obrigatórios no compromisso ou decisão judicial que
constitui o apadrinhamento civil.
O artigo 17º LAC refere os subscritores do compromisso.

A constituição do apadrinhamento civil está sujeita a registo civil obrigatório, efetuado


imediata e oficiosamente pelo tribunal que decidiu ou homologou o compromisso (art. 28º
nº1 LAC).

Efeitos do apadrinhamento civil


O principal efeito é a atribuição das responsabilidades parentais aos padrinhos (art. 7º nº1
LAC).

No momento inicial, a relação de apadrinhamento é acompanhada por uma entidade, sendo


que este acompanhamento está regulado no artigo 20º LAC.

Há também uma obrigação de alimentos (art. 21º LAC) e um impedimento matrimonial (art.
22º LAC).

O apadrinhamento civil não extingue a relação entre afilhado e os seus pais.


Embora estes não exerçam as responsabilidades parentais, beneficiam dos direitos
estipulados no artigo 8º LAC.

As relações entre pais e padrinhos estão orientadas pelo artigo 9º LAC.

Extinção do vinculo do apadrinhamento civil


O apadrinhamento civil é um vinculo permanente (art. 24º nº1 LAC), só sendo extinto pela
revogação.
Apesar disto, o apadrinhamento civil extingue-se com a morte do padrinho ou do afilhado,
não sendo estes sucessíveis legais um do outro.

A revogação extingue o apadrinhamento nos termos do artigo 25º LAC.

Os efeitos do apadrinhamento cessam no momento em que a decisão da revogação se trona


definitiva (art. 27º LAC), sem prejuízo do que está disposto no artigo 26º LAC.

O casamento entre os sujeitos ligados pelo vinculo do apadrinhamento civil extingue este
vinculo.

Direito Convivencial
Constituição da União de Facto
Noção de União de Facto
A definição de união de facto encontra-se no artigo 1º nº1 LUF.

Na união de facto há comunhão de leito, mesa e habitação.

Modalidades de união de facto


Existem duas classificações:
- união de facto heterossexual vs. homossexual

União de facto heterossexual- composta por membros de sexo diferente

União de facto homossexual- composta por membros do mesmo sexo

- união de facto protegida vs. não protegida

União de facto protegida- goza das medidas de proteção previstas na LUF

Requisitos da união de facto protegida


Só goza das medidas de proteção previstas na LUF a união de facto que preencha,
cumulativamente, dois requisitos:
- duração superior a dois anos: o prazo de dois anos tem de decorrer consecutivamente; se
os membros da união deixarem de coabitar, sem que haja parte de qualquer um deles o
propósito de pôr fim à comunhão de habitação, o prazo suspende-se
- inexistência dos impedimentos estabelecidos no artigo 2º LUF

À pessoa que pretenda beneficiar do regime da união de facto protegida cabe a prova de
que vive ou viveu em união de facto há mais de dois anos.
Na falta de disposição legal ou regulamentar em contrario, a prova faz-se nos termos gerais
(art. 2º-A nº1 LUF).
O documento emitido pela junta de freguesia não é inexpugnável, pelo que qualquer
interessado em afastar a aplicação do regime da união de facto protegida pode demonstrar
que o facto não é verdadeiro.

A prova de que a união de facto infringe um dos impedimentos previstos no artigo 2º LUF, ou
que viola o principio da monogamia, compete àquele contra quem é invocada a eficácia da
união de facto protegida, por força do artigo 342º nº2.

Os impedimentos que constam no artigo 2º d) LUF só relevarão se se fundarem em filiação


legalmente constituída.

Efeitos da união de facto


Efeitos gerais da união de facto
- possibilidade de beneficio das medidas de proteção da convivência em economia comum

Os membros de uniões de facto não protegidas, bem como os membros das próprias
uniões de facto protegidas, podem invocar o regime da convivência em economia
comum protegida.

- repercussões da união de facto no domínio da filiação decorrente de ato sexual e de PMA

O artigo 1871º nº1 c) institui uma presunção de paternidade do filho concebido na


constância da união de facto.

As técnicas da PMA podem ser utilizadas em beneficio de membros de união de facto


compostas por mulheres e pessoas de sexo diferente (art. 6º nº1 LPMA).
A filiação da criança nascida graças à aplicação consentida das técnicas da PMA será
fixada relativamente a ambos os membros do casal.

Constituída a filiação relativamente a ambos os progenitores unidos de facto, as


responsabilidades parentais serão plenamente exercidas pelos dois (art. 1911º nº1).

Em caso de dissolução da união de facto por morte, as responsabilidades parentais


incumbirão ao companheiro sobrevivo (arts. 1911º nº1 e 1904º).

É possível o exercício conjunto das responsabilidades parentais pelo único progenitor


da criança e pelo seu companheiro, por decisão judicial (arts. 1903º e 1904º).

Havendo dissolução por rutura da união de facto em que vigorasse o exercício


conjunto das responsabilidades parentais, aplicam-se as regras sobre as
responsabilidades parentais no caso de divorcio (arts. 1911º nº2, 1905º, 1906º e
1904º-A nº5).

- regra da subordinação ao regime comum

As disposições legais sobre os efeitos do casamento não se aplicam em bloco à união


de facto.
À aplicação em bloco opõe-se o direito de não casar, que impede que a pessoa seja
tratada como se estivesse casada, e o principio de que um ato com efeitos profundos
numa esfera jurídica deve estar associada uma forma que permita a pessoa
interessada refletir sobre a decisão que vai tomar.

Não fica excluída a possibilidade de aplicação analógica à união de facto de algumas


normas próprias da união conjugal.

A união de facto está tendencialmente sujeita ao regime geral, como por exemplo do
Direito das Obrigações ou do Direito da Personalidade.

- a lei não impõe aos membros da união de facto deveres análogos aos que vinculam
reciprocamente os cônjuges

Os membros da união de facto estão naturalmente vinculados ao dever geral de


respeito.
Contudo, estes não estão sujeitos aos deveres jurídicos específicos dos cônjuges, ou
seja, à fidelidade, coabitação, cooperação e assistência.

Poderá haver entre os companheiros uma obrigação natural de alimentos,


subordinada às normas dos artigos 202º a 204º.
Também pode haver uma obrigação de alimentos judicialmente exigível, desde que
as partes tenham celebrado validamente um negocio jurídico com esse objetivo (art.
2014º nº1).

Em caso de morte ou lesão corporal daquele que prestava alimentos ao


companheiro, o beneficiário tem direito a indemnização, nos termos do artigo 495º
nº3.

- a lei não estabelece regras semelhantes às do casamento em matéria de regimes de bens,


administração, disposição e dividas

Estas regras não são aplicáveis à união de facto, mas é analogicamente aplicável o
artigo 1691º nº1 b).
Esta norma destina-se a tutelar a confiança de terceiro.

- relevância dos chamados contratos de coabitação

Se o contrato tiver por objeto deveres conjugais específicos ele será invalido, pelos
mesmos motivos que levam à recusa da aplicação em bloco dos efeitos legais do
casamento à união de facto.

Como decorre do artigo 2014º nº1, será possível a constituição negocial de uma
obrigação de alimentos.
Se o contrato de coabitação tiver como objeto matérias de regimes, administração
disposição ou dividas, as clausulas serão validas em tudo o que se conforme com as
regras de direito comum.
As clausulas de administração e disposição de bens próprios que imponham a
necessidade do consentimento do outro membro da união de facto serão invalidas,
por afetarem interesses de terceiros.
As clausulas sobre dividas serão validas na medida em que ampliem a proteção que
assiste aos credores, e desde que não sejam usurárias para um dos membros da
união de facto (art. 282º).

Se o contrato de coabitação tiver por objeto a regulamentação de direitos associados


à cessação da união de facto, as clausulas serão validas se, por exemplo, não
contrariarem medidas legais de proteção da união de facto, com caracter imperativo,
ou não limitarem significativamente a liberdade na rutura.

Efeitos específicos da união de facto protegida


Efeitos do direito não civil da família
Estes efeitos encontram-se no artigo 3º LUF, em todos as alíneas, menos na a).

Efeitos no domínio da nacionalidade, da entrada e permanência no território


português
A Lei da Nacionalidade prevê que pode adquirir a nacionalidade portuguesa mediante
declaração o estrangeiro que viva em união de facto há mais de três anos com nacional
português, após reconhecimento judicial dessa relação.

Adoção
O artigo 7º LUF reconhece às pessoas que vivam em união de facto protegida o direito à
adoção conjunta, em condições análogas às previstas no artigo 1979º.

Cessação da união de facto


Causas de cessação da união de facto
O artigo 8º nº1 LUF prevê três causas de dissolução da união de facto protegida:
- morte de um dos membros
- rutura por vontade de um ou de ambos os companheiros
- casamento de um dos unidos de facto com o outro ou com terceiro

Ainda há uma quarta causa, que é a reconciliação de um membro da união de facto casado,
separado de pessoas e bens, com o respetivo cônjuge.
Esta reconciliação implica o restabelecimento da vida em comum entre os contraentes do
casamento e de todas as situações jurídicas conjugais (art. 1795º-C nº1), o que é
incompatível com a subsistência da união de facto protegida (art. 2º c) LUF).

O artigo 2º-A LUF regula a prova da cessação da união protegida.

A liquidação dos interesses patrimoniais


A composição dos interesses patrimoniais em conflito assentará no instituto do
enriquecimento sem causa.

A coabitação cria confusão quanto à titularidade de bens moveis sujeitos a registo.


Não se conseguindo demonstrar a propriedade exclusiva de um dos membros da união de
facto, entende-se que esses bens pertencem em compropriedade aos membros, pelo que
qualquer um deles poderá requerer a divisão da coisa comum (arts. 1412º e 1413º).

Efeitos específicos da cessação da união de facto protegida


Efeitos da cessação por morte
Com a morte de um membro da união de facto, cabem ao outro os seguintes benefícios:
- direito a alimentos

O membro sobrevivo da união de facto protegida que careça de alimentos pode


exigir alimentos da herança do companheiro falecido (art. 2020º nº1).

- direito a outras prestações

O artigo 3º nº1 e) a g) da LUF confere ao membro da união de facto protegida o


direito de algumas prestações por morte do companheiro.

O artigo 6º regula o regime às prestações por morte.

- direitos sobre a casa de família

Estes estão regulados no artigo 5º nº 1, 2, 4, 5, 6, 7, 8 e 9.

Se os membros da união de facto eram comproprietários da casa de morada da


família, o membro sobrevivo matem a sua posição de comproprietário após a
cessação do prazo de direito à habitação.

O direito ao arrendamento para habitação da casa antes arrendada ao companheiro


falecido está regulado no artigo 1106º nº1 b).

Na transmissão por morte do arrendamento habitacional nos contratos celebrados


antes do NRAU, só beneficia da transmissão por morte do arrendamento
habitacional o membro sobrevivo da união de facto protegida.

O arrendamento habitacional decorrente de transmissão por morte em beneficio do


membro da união de facto está limitado ao período de duração do direito real de
habitação que existiria se o falecido fosse proprietário do imóvel onde se encontrava
instalada a casa de morada de família.

- direito ao recheio

Este está regulado no artigo 5º nº1, 2, 4 e 5.


Se os membros da união de facto fossem comproprietários do recheio da casa de
morada de família, o membro sobrevivo mantém a sua posição de comproprietário
após a cessação do prazo do direito de uso do recheio.

- direito a uma indemnização por danos não patrimoniais

O artigo 496º nº2 e nº3 atribui ao membro sobrevivo da união de facto o


mencionado direito à indemnização, em concurso com os filhos ou outros
descendentes do falecido.

Comparação com os efeitos civis da extinção por morte do vinculo matrimonial


O membro sobrevivo da união de facto beneficia de alguns direitos e prorrogativas que são
idênticos ou semelhantes aos que cabem ao viúvo:
- direito a exigir alimentos da herança do companheiro falecido (art. 2020º)
- direito à transmissão por morte do arrendamento habitacional (art. 1106º)
- direitos de habitação e de preferência na venda da casa de morada de família, bem como o
direito de uso de recheio pertencente ao companheiro falecido (art. 5º nº1 e nº9 LUF)
- direito à indemnização por danos não patrimoniais sofridos com a morte do companheiro
(art. 496º)
- exercício exclusivo das responsabilidades parentais sobre os filhos menores do casal ou do
companheiro falecido (arts. 1904º e 1911º nº1)

As consequências da dissolução da união de facto estão muito aquém das que decorrem da
dissolução por morte do vinculo matrimonial:
- havendo casamento, a morte extingue a sujeição a um regime inerente ao estado de
casado (art. 1688º); na união de facto, a morte de um dos companheiros não implica a
cessação de um regime similar, até porque o mesmo nem sequer chegou a vigorar
- o cônjuge sobrevivo tem o direito de suceder como herdeiro legal, salvo separação de
pessoas e bens (arts. 2133º nº1 a) e b) e 2157º nº3); o companheiro sobrevivo não pode ser
herdeiro legal do de cuiús, beneficiando de meros legados legais que têm por objeto a casa
de morada da família e o respetivo recheio (art. 5º LUF)
- o cônjuge pode requerer providencias preventivas ou atenuantes da ofensa à memoria do
cônjuge falecido (arts. 71º nº1, 73º, 75º nº2, 76º nº2 e 79º nº1); ao membro da união de
facto não é reconhecida a legitimidade para requerer essas providencias.

Efeitos da cessação por rutura ou casamento de um dos membros da união de facto


Se os companheiros casarem um com o outro, a relação passará a ser regulada pelo Direito
Matrimonial.

A dissolução por rutura terá de ser judicialmente declarada quando se pretendam fazer valer
direitos que dependam daquela e tal declaração judicial deve ser proferida na ação em que
os direitos reclamados são exercidos, ou em ação que siga o regime processual das ações de
estado (art. 8º nº2 e nº3 LUF).

Os efeitos principais que a lei associa à rutura da união de facto referem-se à casa de
morada de família.
Se os membros da união de facto viviam em casa pertencente a um deles ou pertencente,
em compropriedade, a ambos, na sequencia da separação, o direito nela a habitar poderá vir
a ser atribuído exclusivamente àquele que não era proprietário do imóvel ou que era
somente um dos comproprietários, mediante constituição de uma relação de arrendamento.

Na falta de acordo rege-se pelo artigo 4º LUF.

O tribunal pode dar de arrendamento a um dos membros da união de facto, a seu pedido, a
casa onde residia o casal, considerando as necessidades de cada um deles e os interesses
dos filhos comuns do casal ou dos filhos de apenas um dos membros da união de facto.

Após a separação, se o casal residia em casa arrendada a um dos membros da união de


facto, aquele que não é arrendatário ou que não é o único arrendatário pode vir a adquirir o
direito exclusivo de habitar nessa casa, graças ao mecanismo de transmissão inter vivos do
direito de arrendamento.

O direito de arrendamento, na sequencia da rutura, está limitado ao período máximo de


duração do direito real de habitação que caberia ao membro sobrevivo da união de facto se
o imóvel pertencesse ao falecido (art. 5º nº1 e nº2 LUF).

Comparação com os efeitos civis da dissolução do casamento por divorcio


Há efeitos do divorcio que são paralelos aos da rutura da união de facto, como por exemplo
quanto à casa de morda e o exercício das responsabilidades parentais.

No entanto, o divorcio produz efeitos relevantes que não apresentam correspondência na


rutura da união de facto:
- o divorcio extingue a sujeição a um regime inerente ao estado de casado (art. 1688º); na
união de facto, na rutura não implica a cessação de um regime similar, até porque o mesmo
nunca chegou a vigorar
- o ex-cônjuge que careça de alimentos tem direito a obtê-los do outro (arts. 2009º nº1 a) e
2016º nº2); este direito não é conferido ao ex-companheiro perante o outro

A convivência em economia comum


Noção e modalidades de convivência em economia comum
A convivência em comum corresponde a uma comunhão de mesa e habitação entre duas ou
mais pessoas (art. 2º LEC).

São duas as principais classificações de modalidades de convivência em economia comum:


- convivência em economia comum protegida vs. não protegida

Convivência em economia comum protegida- goza das medidas de proteção


previstas na LEC, tendo de preencher os seguintes requisitos:
- duração superior a dois anos
- vivencia com entreajuda ou
partilha de recursos
- existência de pelo menos um
membro que seja maior de idade
- convivência que não esteja
relacionada com a prossecução
de finalidades transitórias
- integração livre de todos os
membros no grupo

- convivência em economia comum familiar vs. não familiar

Convivência em economia familiar- os membros estão unidos por laços familiares

Efeitos específicos da convivência em economia comum protegida


Efeitos de direito não civil da família
O artigo 4º nº1 a) a c) LEC regula estes direitos.

Efeitos civis da convivência em economia comum protegida


Estes resumem-se essencialmente à tutela da casa de morada comum (art. 4º d) e e)).

Em caso de morte da pessoa proprietária da casa de morada comum, as pessoas que com
ela tenham vivido em economia comum têm direito real de habitação, pelo prazo de 5 anos,
sobre aquela casam e direito de preferência na sua venda, também pelo mesmo prazo (art.
5º nº1 LEC).
Contudo, estes direitos não serão atribuídos quando se verifique uma das situações
indicadas no artigo 5º nº2 e nº3 LEC.

No caso de morte do membro da convivência em economia comum que era arrendatário da


casa de morada comum, um dos membros sobrevivos pode beneficiar da transmissão por
morte do arrendamento para habitação, nos termos do artigo 1106º.

A posição de arrendatário transmite-se para a pessoa que convivesse com o arrendatário em


economia comum há mais de um ano.

Tendo sobrevivido ao arrendatário vários conviventes em economia comum que preencham


os requisitos legais da transmissão, a propriedade na aquisição do arrendamento cabe,
sucessivamente ao parente do arrendatário, ao parente mais próximo, ao parente mais
velho, ao afim, ao afim mais próximo, ao afim mais velho, ou, na falta de parentes ou afins,
àquele que for o mais velho.

O arrendamento habitacional decorrente de transmissão por morte está limitado a um


período máximo de cinco anos.

Comparação com os efeitos da união de facto protegida


Não há transmissão inter vivos, nem constituição forçada do arrendamento na hipótese de
cessação da convivência em economia comum.
Os direitos de exigir alimentos à herança do falecido e de usar o recheio da casa de morada,
reconhecidos ao companheiro, não são atribuídos ao convivente.

União sem comunhão de habitação


A união sem comunhão de habitação
Aqui as partes decidem residir habitualmente em locais distintos, sem abdicar de outros
elementos que permitem identificar a existência de um casal, ou seja, a comunhão sexual,
fidelidade e entreajuda.

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