0% acharam este documento útil (0 voto)
4 visualizações72 páginas

Cuidado de Enfermagem em Hipertensão Gestacional

A dissertação de Francisca Josiane Barros Pereira Nunes investiga as representações sociais de gestantes com hipertensão gestacional sobre o cuidado clínico de enfermagem no pré-natal de alto risco. O estudo qualitativo, realizado em uma maternidade pública em Fortaleza, revela que as gestantes vivenciam sentimentos de ansiedade e insegurança, destacando o papel essencial do enfermeiro no acolhimento e na orientação durante o pré-natal. As conclusões enfatizam a importância das relações interpessoais e da co-responsabilização nas ações de cuidado.

Enviado por

Bruna Vieira
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
4 visualizações72 páginas

Cuidado de Enfermagem em Hipertensão Gestacional

A dissertação de Francisca Josiane Barros Pereira Nunes investiga as representações sociais de gestantes com hipertensão gestacional sobre o cuidado clínico de enfermagem no pré-natal de alto risco. O estudo qualitativo, realizado em uma maternidade pública em Fortaleza, revela que as gestantes vivenciam sentimentos de ansiedade e insegurança, destacando o papel essencial do enfermeiro no acolhimento e na orientação durante o pré-natal. As conclusões enfatizam a importância das relações interpessoais e da co-responsabilização nas ações de cuidado.

Enviado por

Bruna Vieira
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ

CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE


PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CUIDADOS CLÍNICOS EM
ENFERMAGEM E SAÚDE
MESTRADO ACADÊMICO EM CUIDADOS CLÍNICOS EM ENFERMAGEM E
SAÚDE

FRANCISCA JOSIANE BARROS PEREIRA NUNES

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE GESTANTES COM HIPERTENSÃO


GESTACIONAL ACERCA DO CUIDADO CLÍNICO DE ENFERMAGEM NO PRÉ-
NATAL DE ALTO RISCO

FORTALEZA – CEARÁ
2022
FRANCISCA JOSIANE BARROS PEREIRA NUNES

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE GESTANTES COM HIPERTENSÃO GESTACIONAL


ACERCA DO CUIDADO CLÍNICO DE ENFERMAGEM NO PRÉ-NATAL
DE ALTO RISCO

Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado


Acadêmico em Cuidados Clínicos em
Enfermagem e Saúde do Programa de Pós-
Graduação em Cuidados Clínicos em
Enfermagem e Saúde do Centro de Ciências da
Saúde da Universidade Estadual do Ceará,
como requisito à obtenção do título de mestre
em Cuidados Clínicos em Enfermagem e
Saúde. Área de concentração: Cuidados
Clínicos em Enfermagem e Saúde.

Orientadora: Prof.ª Drª Dafne Paiva


Rodrigues.

FORTALEZA – CEARÁ
2022
FRANCISCA JOSIANE BARROS PEREIRA NUNES

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE GESTANTES COM HIPERTENSÃO GESTACIONAL


ACERCA DO CUIDADO CLÍNICO DE ENFERMAGEM NO PRÉ-NATAL
DE ALTO RISCO

Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado


Acadêmico em Cuidados Clínicos em
Enfermagem e Saúde do Programa de Pós-
Graduação em Cuidados Clínicos em
Enfermagem e Saúde do Centro de Ciências da
Saúde da Universidade Estadual do Ceará,
como requisito à obtenção do título de mestre
em Cuidados Clínicos em Enfermagem e
Saúde. Área de concentração: Cuidados
Clínicos em Enfermagem e Saúde.

Aprovado em: 10 de janeiro de 2022

BANCA EXAMINADORA
Ás gestantes que participaram dessa pesquisa,
possibilitando a sua realização.
AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus pelo dom da minha vida, por me dar forças pra vencer todos
os obstáculos que enfrentei nessa jornada e por me guiar e iluminar nesta trajetória.
Ao meu esposo Edson Luís, que sempre apoiou minhas decisões, aceitou a minha ausência e
orou pela proteção nas viagens diárias para Fortaleza.
Á minha querida filha Anne Karoline por ser tão compreensiva e ser a impulsionadora dos
meus sonhos.
Aos meus pais, Fátima e Orlando, por todo o amor, oração, incentivo e motivação dedicados.
Aos meus irmãos, Josevânia e Diego por todo suporte e força.
À minha rede de apoio, composta por pessoas que diretamente cuidaram da minha filha na
minha ausência.
À minha orientadora, prof.ª Dr.ª Dafne, pelos ensinamentos, apoio e exemplo.
Aos membros do Grupo de Pesquisa Saúde da Mulher e Enfermagem e do Programa
Cuidados Clínicos em Enfermagem e Saúde.
As colegas bolsistas, Emilly, Ana Eulária, Larissa e Nicolle pelo auxílio nas coletas de dados.
Aos meus colegas da turma “Bosque do Pensar”, por tantos momentos vivenciados e por todo
crescimento e sentimentos compartilhados, e pela eterna amizade construída.
Aos membros da banca, Prof.ª Dr.ª Eryjosy Marculino Guerreiro e Prof.ª Dr.ª Maria Lúcia
Duarte Pereira, pelos ensinamentos e contribuições.
As gestantes acompanhadas no Hospital Maternidade Escola Assis Chateaubriand (MEAC),
por possibilitar a realização desta pesquisa.
Muito Obrigada!
“Gravidez é o pequeno começo de um grande amor
que será eterno”
(Autor Desconhecido)
RESUMO
A Hipertensão Gestacional é um problema de saúde pública que gera graves consequências
para as mulheres e para o feto, havendo a necessidade de minimizar sua ocorrência. Assim,
este trabalho objetivou apreender as representações sociais de gestantes a respeito do cuidado
clínico de enfermagem no pré-natal de alto risco. Estudo exploratório, com abordagem
qualitativa, orientado pela Teoria das Representações Sociais. A realização da pesquisa
aconteceu em maternidade pública, localizada na região metropolitana de Fortaleza, no estado
do Ceará, no período de dezembro 2020 a janeiro 2021. Participaram da pesquisa 30 gestantes
com diagnóstico de Hipertensão Gestacional acompanhadas no pré-natal de alto-risco,
utilizando-se, para a coleta de dados um formulário e uma entrevista semiestruturada. A
análise dos dados foi processada pelo software IRAMUTEQ. A faixa etária predominante das
gestantes foi de 31 a 35 anos, a maioria com companheiro, com trabalho remunerado, grau de
escolaridade ensino médio e sendo católicas. Quanto ao perfil obstétrico a maioria era
multípara, no 2º e 3º trimestre, com história de aborto nas gestações anteriores,
acompanhamento compartilhado no pré-natal de alto risco e Unidade Básica de Saúde, com
história familiar de Síndrome Hipertensiva da Gravidez. As gestantes possuem visão
abrangente do cuidado clínico. Após a Classificação Hierárquica Descendente, pelo software
IRAMUTEQ, do corpus emergiram quatro classes, denominadas da seguinte forma: Classe 1-
Ser gestantes com Hipertensão Gestacional; Classe 4: Importância do cuidado clínico na
Hipertensão Gestacional; Classe 2- Papel do Enfermeiro no acompanhamento de alto risco e
Classe 3- Vivência no pré-natal de alto risco. As gestantes revelaram a vivência de sentimentos
como ansiedade, medo e insegurança durante a gestação, que influenciaram diretamente as
condições clínicas e o emocional dessas mulheres. O enfermeiro foi destacado como essencial
no cuidado pré-natal de alto risco, sendo um profissional de referência no acolhimento e nas
orientações de cuidado. Destacou-se que o cuidado clínico no pré-natal encontra apoio na
subjetividade da relação de cuidado entre enfermeiro/gestante e no compartilhamento de
experiências, resultando numa assistência individualizada, alicerçada nas necessidades de
saúde que permeiam a vivência de uma gestação de alto risco. Conclui-se que a pesquisa
revelou forte caráter social e da experiência vivenciada para a formação das representações
sociais, enfatizando aspectos do relacionamento interpessoal como os principais fatores
relacionados ao cuidado clínico no pré-natal, evidenciando a importância da
corresponsabilização das ações de cuidado.
Palavras-chave: Hipertensão Gestacional. Cuidado pré-natal. Enfermagem. Gravidez de alto
risco.
ABSTRACT

Gestational Hypertension is a public health problem that generates serious consequences for
women and the fetus, with the need to minimize its occurrence. Thus, this study aimed to
apprehend the social representations of pregnant women regarding clinical nursing care in
high-risk prenatal care. Exploratory study, with a multimethod approach, guided by the
Theory of Social Representations. The research took place in a public maternity hospital,
located in the metropolitan region of Fortaleza, in the state of Ceará, from December 2020 to
January 2021. Thirty pregnant women with a diagnosis of Gestational Hypertension
accompanied in high-risk prenatal care participated in the research. using, for data collection,
a form to trace the sociodemographic and clinical obstetric profile and a semi-structured
interview. Data analysis was processed by the IRAMUTEQ software. The predominant age
group of pregnant women was between 31 and 35 years old, most with a partner, with a paid
job, high school education and being Catholic. Obstetric profile Most were multiparous, in the
2nd and 3rd trimester, with a history of abortion in previous pregnancies, shared follow-up in
high-risk prenatal care and UBS with a family history of Hypertensive Pregnancy Syndrome.
Pregnant women have a comprehensive view of clinical care. After the Descending
Hierarchical Classification, by the IRAMUTEQ software, four classes emerged from the
corpus, named as follows: Class 1 - Being pregnant with Gestational Hypertension. Class 2-
Role of the Nurse in high-risk monitoring. Class 3- Experience in high-risk prenatal care.
Class 4: Importance of clinical care in Gestational Hypertension. Pregnant women revealed
the experience of feelings such as anxiety, fear and insecurity during pregnancy, which
directly influenced the clinical and emotional conditions of these women. The nurse was
highlighted as essential in high-risk prenatal care, being a reference professional in the
reception and care guidelines. It was highlighted that clinical care in prenatal care is supported
by the subjectivity of the care relationships between nurse/pregnant women and by sharing
experiences, resulting in individualized care, based on the health needs that permeate the
experience of a high-risk pregnancy. It is concluded that the research revealed a strong social
character and lived experience for the formation of social representations, emphasizing
aspects of interpersonal relationships as the main factors linked to clinical care in prenatal
care, highlighting the importance of co-responsibility for care actions.

Keywords: Gestational Hypertension. Prenatal care. Nursing. High-risk pregnancy.


LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ESF Estratégia Saúde da Família


HAS Hipertensão Arterial Sistêmica
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IRAMUTEQ Interface de R Pour Les Analyses Multidimensionelles de Textes et de
Questionnaires.
MS Ministério da Saúde
OMS Organização Mundial da Saúde
PA Pressão arterial
PAD Pressão Arterial Diastólica
PAS Pressão Arterial Sistólica
SHG Síndromes Hipertensivas da Gravidez
SIM Sistema de Informação sobre Mortaliddae
ST Seguimento de Texto
SUS Sistema Único de Saúde
TCLE Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
TRS Teoria das Representações Sociais
UBS Unidade Básica de Saúde
UCE Unidades de Contexto Elementares
UCI Unidades de Contexto Iniciais
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO.............................................................................................. 12
2 OBJETIVO..................................................................................................... 18
2.1 Geral................................................................................................................. 18
3 BASES CONCEITUAIS E TEÓRICAS DO ESTUDO.............................. 19
3.1 Contexto da hipertensão gestacional............................................................. 19
3.2 Cuidado clínico de enfermagem no pré-natal de alto-risco........................ 22
3.3 Representações sociais como estratégia para apreender sentidos de
gestantes com hipertensão gestacional.......................................................... 25
4 METODOLOGIA........................................................................................... 29
4.1 Natureza e tipo de estudo............................................................................... 29
4.2 Cenário do estudo........................................................................................... 29
4.3 Participantes do estudo.................................................................................. 29
4.4 Procedimentos e instrumentos de coleta de dados....................................... 30
4.4.1 Entrevista Semiestruturada............................................................................... 30
4.5 Organização e análise dos dados................................................................... 31
4.5.1 Análise lexical a partir do software IRAMUTEQ............................................ 31
4.6 Aspectos éticos e legais da pesquisa.............................................................. 32
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO................................................................... 33
5.1 Caracterização dos participantes da pesquisa............................................. 33
5.2 Cuidado clínico de enfermagem: representações sociais de gestantes
com hipertensão gestacional.......................................................................... 36
5.2.1 Classe 1- Ser gestantes com Hipertensão Gestacional..................................... 39
5.2.2 Classe 4- Importância do cuidado clínico na Hipertensão Gestacional............ 42
5.2.3 Classe 2- Papel do Enfermeiro no acompanhamento de alto risco................... 44
5.2.4 Classe 3- Vivência no pré-natal de alto risco................................................... 46
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................... 49
REFERÊNCIAS.............................................................................................. 51
APÊNDICE A – DADOS SOCIODEMOGRÁFICOS E CLÍNICOS
DAS GESTANTE........................................................................................... 59
APÊNDICE B – ROTEIRO DE ENTREVISTA PARA AS
GESTANTES.................................................................................................. 60
APÊNDICE C – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E
ESCLARECIDO PARA AS GESTANTES (TCLE)................................... 61
ANEXO A – PARECER CONSUBSTANCIADO CEP UECE.................. 62
ANEXO B – PARECER CEP........................................................................ 65
ANEXO C – DECLARAÇÃO....................................................................... 71
12

1 INTRODUÇÃO

A gestação é um fenômeno integrante do ciclo de vida da mulher, permeado por


modificações de âmbito fisiológico, físico, emocional, social e cultural. No cotidiano
feminino, o período gestacional apresenta-se como uma nova experiência, revestida de
especificidades, subjetividades e representações, que podem ser vivenciadas de maneira
natural, sem intercorrência, caracterizada como risco habitual (NÓBREGA et al., 2016).
Apesar da gestação ser envolvida pelo fenômeno fisiológico é caracterizada como
uma situação limítrofe, que pode implicar agravos ou complicações obstétricas, acarretando
ameaça ao bem-estar do binômio materno-fetal com comprometimento do desfecho da
gravidez. Este risco para a mãe e filho classifica a gestação como de alto risco, por apresentar
intercorrência materna ou fetal, definida por uma série ampla de condições clínicas,
obstétricas ou sociais (RICCI, 2015).
A dinâmica da gestação traz a necessidade de alerta que a qualquer momento
uma gestação que está transcorrendo bem pode se tornar de risco, durante a evolução da
gestação ou durante o trabalho de parto, visto que a gestação de Alto Risco é aquela que
apresenta maiores chances de atingir a vida e as condições de saúde maternas, e/ou fetais, e/ou
do recém-nascido, em relação à média da população considerada, necessitando de uma
avaliação contínua a cada consulta pré-natal (BRASIL, 2010).
Dados da Organização Mundial da Saúde assinalam que, diariamente, 830
mulheres morrem em decorrência da gravidez ou parto, sendo 99% nos países em
desenvolvimento. As mulheres morrem como consequência de complicações que ocorrem
durante ou depois da gestação e do parto. As principais complicações, que representam 75%
de todas as mortes maternas são: Hipertensão (pré-eclâmpsia e eclâmpsia); hemorragias
graves (principalmente após o parto); infecções (no pós-parto); complicações no parto e
abortos inseguros (OMS/OPAS, 2018).
De acordo com os dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), em
2020, o país registrou 302 mortes maternas por hipertensão, frente a 317 em 2019. Já sobre
mortes por hemorragia, 176 mulheres perderam a vida em 2020, 19 a menos que em 2019. Em
relação a infecções no período puerperal (até 45 dias depois do parto), o Brasil registrou 77
mortes em 2020, leve alta em relação a 2019 (BRASIL, 2021).
A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é considerada como a condição clínica
que causa maior frequência de complicações na gravidez, com predominância de 12 a 22%
das gestações e expressiva morbimortalidade materna e fetal (BRITO et al., 2015). O
13

diagnóstico precoce e o tratamento adequado são de fundamental importância para melhorar


os resultados, haja vista que a gravidez pode impulsionar a HAS em mulheres normotensas ou
até mesmo agravar uma hipertensão preexistente (BRASIL, 2010).
Apesar de a hipertensão gestacional assumir diferentes formas e de existirem
inúmeras denominações clínicas para o aumento da pressão arterial na gravidez, as Síndromes
Hipertensivas da Gravidez (SHG) tem lugar de destaque. Sendo responsáveis por altas taxas
de mortalidade perinatal, prematuridade. restrição de crescimento fetal e aumento
significativo de neonatos com sequelas (FERREIRA et al., 2019; KAHHALE; VIEIRA;
ZUGAIB, 2018).
A identificação da elevação da pressão arterial na gestação apresenta-se na
literatura com as seguintes denominações: Doença Hipertensiva Específica da Gestação
(DHEG) a Síndrome Hipertensiva da Gravidez (SHG). Iremos trabalhar com a denominação
de SHG, caracterizada por valores absolutos de Pressão Arterial Sistólica (PAS) maior ou
igual a 140 mmHg e/ou Pressão Arterial Diastólica (PAD) maior ou igual a 90 mmHg, sendo
confirmada por outra verificação de medida com o intervalo de 4 horas, uma alta taxa de
proteinúria e um índice de proteinúria/creatinúria maior ou igual a 0,5g/l (DIRETRIZES
BRASILEIRAS DE HIPERTENSÃO ARTERIAL, 2020).
Deste modo, há classificações acerca da SHG, ou seja, subdoenças, sendo
classificada nas seguintes categorias: Hipertensão arterial crônica, observada antes da
gravidez ou anterior às 20 semanas de gestação e não desaparece após 12 semanas pós-parto;
Pré-eclâmpsia, essa já ocorre a partir da 20ª semana da gestação, sendo acompanhada de
proteinúria e a suspeita quanto a esse estágio se fortalece quando a gestante passa a reclamar
de cefaleia, distúrbios visuais, dor abdominal e através de exames forem detectados
plaquetopenia ou aumento de enzimas hepáticas, pode ser observada antes das 20 semanas, se
a gestante apresentar doença trofoblástica gestacional ou hidrópsia fetal e sua classificação em
leve ou grave vai depender do grau de comprometimento dos sistemas orgânicos envolvidos
(DIRETRIZES BRASILEIRAS DE HIPERTENSÃO ARTERIAL, 2020).
A Eclâmpsia é conhecida pela manifestação de crises convulsivas tônico-clônicas
generalizada ou coma, na maioria dos casos em gestantes que tenham apresentado quadro
hipertensivo gestacional ou pré-eclâmpsia que ocorre após 20 semanas de gestação, com
desaparecimento até 12 semanas pós-parto, acompanhada de cefaleia, distúrbios visuais, dor
abdominal, plaquetopenia e aumento de enzimas hepáticas. Temos ainda a pré-eclâmpsia
sobreposta à hipertensão crônica, característica típica da mulher que antes de engravidar a
apresenta quadro de hipertensão crônica ou doença renal e durante a gravidez desenvolve a
14

pré-eclâmpsia. E por fim, a hipertensão gestacional sem proteinúria, aquela em que a gestante,
sem quaisquer histórico de hipertensão prévia, passa a apresentar fatores da doença,
geralmente ocorre a partir da vigésima semana (BRASIL, 2012).
Com esta abordagem, percebemos a complexidade da temática e identificamos as
síndromes hipertensivas ocupando o primeiro lugar no ranking de causas de mortes maternas
nos países em desenvolvimento, responsáveis por cerca de 14% de todos os óbitos maternos
no mundo (AL-RUBAIE et al., 2016). No Brasil é uma das principais causas de morte
materna direta, estando associada a um maior risco materno, aumento da morbidade fetal e
neonatal, prematuridade induzida, baixo peso ao nascer e sofrimento fetal (CRUZ et al.,
2016).
Estudos mostram que a incidência das Síndromes Hipertensivas varia de 2 a 8%
das gestações, nos países desenvolvidos, podendo no Brasil chegar a 10% ou mais, o que
causa várias complicações como encefalopatia hipertensiva, função renal comprometida,
falência cardíaca, hemorragia retiniana, associação com pré-eclâmpsia, coagulopatias, além de
causar riscos ao feto que fica sujeito à restrição de crescimento intrauterino, deslocamento
prematuro de placenta, sofrimento fetal, baixo peso, prematuridade e morte intraútero
(ZANATELLI, 2016).
Pela importância do tema, discussões vêm sendo realizadas no âmbito das
políticas públicas em saúde da mulher, as quais apontam para estudos da importância do pré-
natal de qualidade, com acompanhamento multiprofissional e classificação quanto ao risco
obstétrico nas primeiras consultas, para ser diagnosticada em tempo oportuno a gravidez de
alto-risco, como também tratamento a estas mulheres em ambiente hospitalar, como resposta
a diminuição dos indicadores das mortes maternas (KAHHALE; VIEIRA; ZUGAIB, 2018;
NÓBREGA et al., 2016).
Decorrente da necessidade de articulação de uma rede de assistência de atenção à
saúde da mulher efetiva, o Ministério da Saúde (MS) em 2011, lança a Rede Cegonha no
sentido de garantir o acesso e melhorar a qualidade do pré-natal, vinculando a gestante à
unidade de referência para o parto, incorporando boas práticas na atenção ao parto e
nascimento. Essa rede garante o direito ao acompanhamento de livre escolha no trabalho de
parto, parto e puerpério, bem como a garantia de seguimento da puérpera e da criança até o
segundo ano de vida, propiciando a vivência destas experiências com segurança, dignidade e
o respeito pelos serviços de saúde às dimensões social, afetiva e sexual do parto e nascimento
e às singularidades culturais, étnicas e raciais (BRASIL, 2011).
15

Entre as diretrizes propostas na atenção pré-natal, pela rede cegonha ressaltam-se:


ações de cuidado e promoção em saúde; rastreio diagnóstico e prevenção de agravos;
melhoria da comunicação entre serviço de saúde e gestantes; regulação de leitos obstétricos e
neonatais; transporte seguro nas situações de alto risco. Essas diretrizes objetivam suprir as
demandas das mulheres, permitindo que elas tenham uma vivência positiva sobre a gestação
(BRASIL, 2011).
Segundo o manual de gestação de alto risco do MS, a rede de cuidados das
gestantes de alto risco pressupõe o acompanhamento por parte das equipes da Atenção
Primária à Saúde, entre elas as equipes das Unidades de Saúde da Família e da Estratégia
Saúde da Família (ESF), em parceria com os serviços especializados. Nesse cuidado, destaca-
se a importância da abordagem integral às mulheres em suas especificidades relativas às
questões de gênero, raça, etnia, classe social, escolaridade, situação conjugal e familiar,
trabalho, entre outras. Essa atenção à saúde implica na valorização de práticas que privilegie a
escuta ativa e a compreensão sobre os diversos fenômenos, que determinam maior ou menor
condição de risco à gestação (BRASIL, 2012).
Partindo da complexidade da gestação de alto-risco e da necessidade da
estruturação de uma linha de cuidado atuante no diagnóstico e tratamento no pré-natal, como
forma de redução dos internamentos e morbimortalidade materna e perinatal, é que se
direciona à visão para gestantes acometidas por hipertensão gestacional no contexto do
atendimento ambulatorial, com o objetivo de apreender as representações sociais das
gestantes acerca do cuidado clínico de enfermagem recebido no pré-natal de alto risco.
Um estudo de Pio et al., (2019) desenvolvido, com ótica na vivência da gravidez e
a constituição da relação afetiva mãe-bebê em grávidas com SHG, abordou os aspectos
representacionais através dos quais as gestantes conheciam, sentiam e pensavam a gravidez.
Sob a ótica da teoria das representações sociais, o estudo de Sales, Avelar e Santos (2018)
retrata o pensamento, as percepções, a explicação, o posicionamento e as ações das gestantes
quanto à vivência do parto normal em gravidez de alto risco.
Esta pesquisa parte do pressuposto de que para compreender os significados de
estar acometida por uma gravidez de risco e os cuidados recebidos, é necessário identificar as
concepções iniciais dos envolvidos. Nesse sentido, recorreu-se à Teoria das Representações
Sociais (TRS) proposta por Moscovici (2012), por estudar o conhecimento individual do qual
as pessoas se utilizam para interpretar e compreender sua realidade social.
A TRS subsidiará refletir o cuidado clínico de enfermagem que envolve essa
mulher durante o ciclo gravídico-puerperal, haja vista que, as representações sociais
16

possibilitam compreender as diferentes lógicas que configuram a elaboração de um objeto


relevante no cotidiano das pessoas, a partir da aproximação dos saberes científicos e
populares e nos informam sobre as relações que mantemos com nossos corpos, mas também
com o mundo e com a ordem social enquanto determinante de saúde/doença (MOSCOVICI,
2012).
É necessário que os profissionais de saúde conheçam as representações sociais e
percepções das gestantes diagnosticadas com algum agravo ou situação de risco gestacional,
para que possam desenvolver ações voltadas para o empoderamento e autocuidado, visto que,
o diálogo efetivo proporciona maior confiança na relação entre a gestante e os profissionais de
saúde além de possibilitar o reconhecimento das demandas e inquietações da mulher, nessa
fase da vida. Na equipe de saúde destacam-se os profissionais de enfermagem, especialmente
o enfermeiro, como referência no cuidado às gestantes de alto-risco, no desenvolvimento de
ações preventivas e promocionais de saúde, assumindo um papel fundamental na promoção de
boas práticas e na elucidação de conhecimentos a respeito da gravidez, parto e pós-parto, por
possuir formação técnica, científica e humanística, e as condutas adotadas por esse
profissional na atenção pré-natal são diretamente proporcionais à qualidade da assistência
prestada (JARDIM; SILVA; FONSECA, 2019; OLIVEIRA, 2015).
Mediante a complexidade desse fenômeno, emergiu o seguinte questionamento:
Quais as representações sociais das gestantes com hipertensão gestacional acerca do cuidado
clínico de enfermagem recebido no pré-natal de alto-risco?
O interesse em pesquisar as representações sociais das gestantes no pré-natal de
alto risco acompanhadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), na perspectiva da hipertensão
gestacional, através do referencial teórico das Representações Sociais surgiu da inquietação
profissional frente à observação de práticas de cuidados obsoletas e impessoais nos cotidianos
de cuidado, que se materializam em uma assistência de pouca qualidade, centrada na doença e
com desfechos indesejados para o binômio mãe-filho.
Justifica-se também a realização desta pesquisa pela necessidade de visualizar o
pré-natal de alto risco com lentes ampliadas, com mudança do foco na doença para sujeitos
portadores de particularidades e emoções, para que possamos cuidar de forma humanizada,
considerando os contextos sociais dos sujeitos assistidos e assim alcançarmos modificações
na prática profissional, visto que o conhecimento prévio dos indivíduos envolvidos concretiza
uma relação de cuidado.
O estudo é relevante, pois traz contribuições científicas, mediante o conhecimento
produzido sobre a temática, beneficiando a equipe de saúde, em especial o enfermeiro,
17

fortalecendo o aprimoramento do cuidado clínico de enfermagem ao binômio mãe-filho,


contribuindo como subsídio teórico para a construção de referências para o direcionamento de
práticas de cuidado ampliadas, baseadas em vivências e olhares das gestantes com hipertensão
gestacional e ainda por ser tema da agenda nacional de prioridades de pesquisa em saúde.
É importante para a mulher e para seu recém-nascido, pois conhecendo os
desfechos subjetivos da hipertensão gestacional e do cuidado recebido na visão da gestante,
será possível identificar as principais fragilidades da assistência e direcionar o cuidado de
forma a diminuir a ocorrência das complicações dessa síndrome. Favorecerá também o SUS,
uma vez que os resultados podem servir como fonte para melhorar a qualidade dos serviços
prestados e assim contribuir para o melhor desempenho operacional, com a diminuição da
mortalidade materna e consequentemente, redução de gastos com internações.
Nesse aspecto, a realização deste estudo contribui para o avanço científico da
enfermagem, visto que, a compreensão do cuidado clínico do enfermeiro no olhar das
gestantes, reverbera na criação de melhores modos de cuidado e na construção de redes
atuantes e fortes de acompanhamento no pré-natal, o que permite a tomada de decisão na
assistência à saúde, com vistas a um plano de cuidados fundamentado na incorporação de
resultados de pesquisa à sua prática.
18

2 OBJETIVO

2.1 Geral

Apreender as representações sociais de gestantes com hipertensão gestacional


acerca do cuidado clínico de enfermagem no pré-natal de alto risco.
19

3 BASES CONCEITUAIS E TEÓRICAS DO ESTUDO

3.1 Contexto da hipertensão gestacional

A HAS ou popularmente conhecida como pressão alta é uma condição clínica


caracterizada por níveis persistentes de pressão arterial sistólica maior ou igual a 140 mmHg e
diastólica maior ou igual 90mmHg, baseada na média de pelo menos duas verificações no
membro superior direito, com o paciente em repouso e sentado, em intervalos de 4 a 6 horas,
por um período mínimo de 2 semanas (ANDRADE et al., 2015; TOWNSEND; O’BRIEN;
KHALIL, 2016). A pressão sistólica é o primeiro ruído (aparecimento do som) e a pressão
diastólica o quinto ruído de Korotko (desaparecimento do som). A mensuração deve ser feita
com o braço no mesmo nível do coração, com manguito de tamanho apropriado e levando
como padrão na verificação, o braço com os maiores valores (BRASIL, 2012).
A HAS classifica-se segundo a origem em dois tipos, em primária (quando a
causa é idiopática) e secundária (quando decorre de outras patologias, como diabetes,
obesidade e dislipidemia). Ambas têm necessidade de tratamento com medicamentos e
controle laboratorial cuidadoso. Apresenta-se como pandemia longitudinalmente progressiva,
por ser um agravo de grande incidência, com prevalência em quase metade da população
brasileira, evoluindo em mortalidade (SIQUEIRA; SIQUEIRA-FILHO; LAND, 2017).
Evidencia-se que, além de sua alta mortalidade, também predispõe ao desenvolvimento de
outras patologias cardiovasculares e renais, como acidente vascular encefálico, infarto agudo
do miocárdio, doença arterial periférica e falência renal (ANDRADE et al., 2015; RIBEIRO
et al., 2015; SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2020).
O diagnóstico da HAS é obtido de aferições rotineiras dos níveis pressóricos,
complementadas por exames laboratoriais, avaliação clínica e epidemiológica. Na maioria das
vezes a primeira intervenção é tardia, por motivo de o paciente apresentar-se assintomático.
Consequentemente, quando aparecem os sintomas, já pode existir complicações sistêmicas e
até mesmo lesões em órgãos-alvo, como encéfalo, coração, pulmões e rins. Se não
diagnosticada e tratada precocemente, o risco de morbimortalidade é maior (ANDRADE et
al., 2015; DUTRA et al., 2016).
Os principais fatores de riscos epidemiológicos da HAS são consumo excessivo
de sódio, antecedentes familiares, de etnia, diabetes, obesidade, hipotireoidismo, tensão,
ingestão de álcool, dieta alimentar desregrada, sedentarismo, fatores psicológicos,
20

dislipidemia, tabagismo, além de fatores socioeconômicos, socioambientais e culturais


(ANDRADE et al., 2015; DUTRA et al., 2016).
Embora seja frequente em indivíduos adultos, sendo 60% em idosos, a maior
preocupação quanto à HAS está relacionada ao seu desenvolvimento por mulheres gravidas.
Neste sentido quando em gestantes, a prevalência da HAS é igualmente elevada, considerando
as preexistentes e aquelas que desenvolvem a afecção no decorrer da gestação. Com alto
percentual de incidência no Brasil e no mundo, a HAS manifesta-se em gestantes de todas as
idades e é a maior causa de morte materna em obstetrícia (SOCIEDADE BRASILEIRA DE
CARDIOLOGIA, 2020, SILVA et al., 2017; TOWNSEND et al., 2016).
Na gestante o aumento da pressão arterial no sistema vascular é denominada por
Síndrome Hipertensiva da Gravidez (SHG), se inicia quando a gestante apresenta alguns
problemas durante a sua gestação. As SHG envolvem um conjunto de patologias relacionadas
com ponto de partida o aumento da pressão arterial, com pressão igual ou maior que 140/90
mmHg. Apresentando-se sob diversas formas clinicas, tais como: pré-eclâmpsia, eclâmpsia,
hipertensão crônica, pré-eclâmpsia sobreposta a hipertensão crônica e hipertensão gestacional
(BRASIL, 2012).
Sendo a complicação mais frequente durante a gestação a SHG, apresenta como
causa importante de morbidade grave, incapacidade prolongada e morte entre as mães e seus
bebês. Merece destaque no cenário da saúde pública mundial, por representar a terceira causa
de mortalidade materna no mundo e a primeira no Brasil. Em países desenvolvidos,
aproximadamente de duas a oito em cada 100 gestantes vão desenvolver o evento, enquanto
no Brasil pode-se chegar a 10% dos casos (KAHHALE; VIEIRA; ZUGAIB, 2018).
Estima-se que a SHG esteja entre as causas mais comuns de gestações de risco e
que seja responsável por mais de 30.000 mortes maternas por ano no mundo (DADELSEN;
MAGEE, 2016; KASSEBAUM et al., 2020). No Brasil, proximamente 10% de todas as
gestações, apresentam alguma forma de SHG. Além dos altos índices de mortalidade, a SHG
pode trazer graves consequências à saúde da mulher, tais como intercorrências
cardiovasculares, renais, pulmonares, encefalopatias e coagulopatias. A saúde fetal também
pode ser comprometida, incidindo em prematuridade e baixo peso ao nascer, sendo que,
quanto mais grave a hipertensão, maior o risco de desfechos desfavoráveis (GOLD et al.,
2018; RODRIGUES et al., 2016).
Estudos realizados na cidade de Helsinquia, na Finlândia, e na Grécia revelam que
filhos de mães que são atualmente acometidas por complicações relacionadas à SHG, podem
apresentar deficiência cognitiva, problemas psiquiátricos e maior tendência a sofrer síndrome
21

metabólica (KINTIRAKI et al., 2015; TOWNSEND; O’BRIEN; KHALIL, 2016). Com maior
incidência em primigestas, multíparas com idade tardia para a gravidez, obesidade e
antecedente familiar de hipertensão arterial. As grávidas nestas condições também apresentam
maior risco de desenvolver diabetes gestacional e diabetes tipo 2 (SOUSA et al., 2020).
As complicações da hipertensão na gestação são principalmente o aborto, parto
prematuro, restrição do crescimento fetal, descolamento da placenta, sofrimento fetal e
afecções em órgãos vitais após o nascimento. A situação mais grave, no entanto, é quando a
doença evolui para pré-eclâmpsia, eclâmpsia ou síndrome hemólise, elevação de enzimas
hepáticas e baixa contagem de plaquetas (HELLP), que são síndromes hipertensivas de
elevado risco para a vida materna (SOUSA et al., 2020).
Carvalho et al., (2014) assinala que as SHG ocasiona mortalidade materna quando
não identificadas e tratadas de imediato, justificada pelas precárias condições econômicas,
culturais, tecnológicas e da qualidade da assistência ao pré-natal. O que constitui grave
violação aos direitos reprodutivos, considerando que a grande maioria dos casos de óbitos
poderia ser evitada.
Deste modo, a assistência pré-natal de qualidade configura-se como método de
escolha para melhorar os resultados maternos e neonatais, e é particularmente importante para
as gestantes de alto risco, uma vez que auxilia no controle e prevenção de resultados adversos.
Para tanto, no enfrentamento dos casos de SHG é necessário uma maior clareza em torno do
diagnostico, em especial da classificação da doença, bem como aumento das consultas de pré-
natal, com resolutividade e efetividade nas demandas gestacionais, provisão de intervenções
adequadas a cada caso e vigilância continua do risco (DADELSEN; MAGEE, 2016).
Estudos afirmam que a mortalidade materna e perinatal por SHG são
influenciadas tanto por fatores biológicos, socioeconômicos e culturais como pela qualidade
da assistência recebida, ou seja, uma ampla gama de fatores de risco reflete a heterogeneidade
da doença (ANTUNES et al., 2017; ARAUJO et al., 2017; DUTRA et al., 2016). O MS
considera fator de risco gestacional preexistente a idade materna maior que 35 anos, o que
exige cuidado especial durante a assistência do pré-natal, visto que uma vez classificado o
risco materno, a gestante deve ser acompanhada no pré-natal de alto risco (GONÇALVES,
2012).
Pesquisas apresentam que a idade materna é fator determinante de complicações
durante o período gravídico, sendo que a gestação de uma jovem, bem como a gestação que
ocorre em idade avançada, é considerada de risco gestacional para a SHG. Conforme
evidenciado em estudo realizado por Nóbrega et al., (2016) a hipertensão gestacional foi
22

diagnosticada com maior frequência em gestantes com idades entre 19 a 25 anos. No estudo
de Amorim et al., (2017) a faixa etária predominante foi de 26 a 32 anos. Na pesquisa de
Ferreira et al., (2019), a idade variou entre 15 e 47 anos.
A morte materna é diretamente relacionada à gestação ou agravada por esta,
considerada na fase gravídica ou em 42 dias após o parto. É classificada de acordo com as
causas obstétricas em diretas e indiretas, sendo as diretas o resultado de agravos em
decorrência da gravidez, parto e puerpério, devido a intervenções, iatrogenias, ou de uma
diversidade de fatores associados aos citados; e a morte obstétrica indireta ocorre devido a
doenças adquiridas antes ou na concepção, sendo relacionada por fatores fisiológicos da
gestação (SOARES, 2009).
A assistência pré-natal constitui-se, portanto, numa das ações fundamentais para a
prevenção e tratamento das doenças durante a gestação, parto e puerpério, impactando de
maneira positiva nos indicadores materno-infantis, com o objetivo de acolher a mulher desde
o início da gravidez, assegurando ao fim da gestação, o nascimento de uma criança saudável e
a garantia do bem-estar materno e neonatal (BRASIL, 2012b).
Um cuidado pré-natal e puerperal qualificado e humanizado se dá por meio da
incorporação de condutas acolhedoras, sem intervenções desnecessárias; do fácil acesso aos
serviços de saúde de qualidade, com ações que integrem todos os níveis da atenção, promoção
da saúde, prevenção de doenças e assistência à saúde da gestante e do recém-nascido, desde o
atendimento ambulatorial básico ao atendimento hospitalar para alto risco (BRASIL, 2012b).
No pré-natal, a identificação de fatores de risco relacionados ao desenvolvimento
da hipertensão é fundamental, para que se possa promover vigilância mais cuidadosa no
sentido de diagnosticar os primeiros sinais e/ou sintomas da doença. Como não existem meios
eficazes, a nível populacional, de prevenção da hipertensão gestacional, uma vez identificados
esses sinais e/ou sintomas, é importante que a atenção esteja voltada para impedir o
agravamento da doença e assim, reduzir a morbimortalidade materna e perinatal. A maioria
das mortes devido a SHG é evitável através da prestação de cuidados em tempo hábil e
eficazes às mulheres que apresentem essas complicações (OMS, 2016).

3.2 Cuidado clínico de enfermagem no pré-natal de alto risco

A condição da Hipertensão Gestacional requer uma assistência multiprofissional,


contínua e eficaz, com a estruturação de uma rede assistencial de apoio para um melhor
controle desse evento, tornando-se primordial para a redução das complicações da hipertensão
23

no ciclo gravídico-puerperal. As ações devem ser direcionadas pelas necessidades da mãe e


do feto, ressaltando a importância de uma equipe capacitada, capaz de reconhecer os sinais e
sintomas apresentados pela mulher, de excluir os diagnósticos diferenciais e, assim
implementar a assistência correta e necessária em quadros de pré-eclâmpsia (COLLINS et al.,
2017).
A enfermagem, dentro da equipe multiprofissional em saúde, atua no cuidado pré-
natal desde planejamento familiar até o pós-parto, caracterizando-se como uma das categorias
profissionais em saúde de referência para essa assistência (HERCULANO et al., 2011). Neste
contexto, devido ao alto índice de morbimortalidade e com alta taxa de desfechos
desfavoráveis da Hipertensão gestacional, a assistência de enfermagem de qualidade e
baseada nas evidências científicas é imprescindível para essas pacientes, bem como para o seu
recém-nascido. (FERREIRA et al., 2016).
Ferreira et al., (2016), sintetizaram os cuidados de enfermagem direcionados às
mulheres com hipertensão gestacional, os quais foram capazes de diminuir complicações e
taxas de morbimortalidade, envolvendo, principalmente: identificação precoce de sinais de
pré-eclâmpsia; exame físico criterioso, acompanhamento de exames laboratoriais e avaliação
fetal; capacitação dos profissionais, incluindo necessidade de educação continuada;
padronização do atendimento a partir de instrumentos; aferição da PA com manguito
adequado à circunferência do braço com velocidade lenta de desinsuflação da coluna de
mercúrio (≤2 mmHg), necessidade da padronização da técnica de medição da PA;
identificação e tratamento precoces da crise hipertensiva mediante protocolos institucionais;
bem como a revisão de casos e processos de trabalho.
Saliente-se que o cuidado de enfermagem prestado, embasado em resultados
científicos, consiste em padrão eficaz no cuidado de saúde, apresentando melhores resultados
para os pacientes, proporcionando maior qualidade de atendimento, minimizando custos
devido à redução de iatrogenias, bem como promove padrões de segurança e confiabilidade às
organizações de saúde (SPECHT, 2017).
É válido ressaltar que, o enfermeiro deve estabelecer uma comunicação eficaz
com a gestante, propiciando um cuidado holístico que valorize não só o histórico clínico, mas
ampliam para a história de vida da gestante, obtendo melhores resultados tanto em relação ao
envolvimento das pacientes no processo de recuperação da saúde, o que resulta em maior
adesão ao tratamento, como em relação aos cuidados ampliados dos profissionais, que
consideram os conteúdos emocionais como aspectos fundamentais na resolução da gestação,
24

na adesão ao tratamento e no futuro vínculo maternal e consequentemente um melhor


enfrentamento desse processo (PIO et al., 2019).
Esta atuação do enfermeiro consiste no ato de cuidar, ação que transcende ao
conhecimento técnico, exigindo um conhecimento do sujeito a partir dele próprio (TELLES et
al., 2020). Esse conhecimento é uma condição necessária para o cuidar, embasado na
perspectiva integral, individual e humanista (SANTOS FILHO et al., 2020). Sendo que o
cuidado consiste em ações voltadas ao comportamento de proporcionar apoio, assistência e
capacitação de outra pessoa ou coletividade, tendo como meta a melhoria do bem-estar, seja
esse biológico, social, psíquico, e espiritual (SANTOS et al., 2013; CHAVES et al., 2017;
SCHMALFUSS et al., 2019).
O cuidado deve ser guiado pelas necessidades da pessoa, não consistindo em uma
mera assistência mecanicista (SANTOS et al., 2013). Essa prioridade deve vir munida de
ferramentas singulares, como os relacionamentos, os vínculos, o conhecimento científico e
técnico, que devem ser adicionados à medida que sejam exigidas pelos pares (MARTINS et
al., 2017).
O enfermeiro constrói uma relação horizontal, fazendo uso do diálogo, da escuta e
do acolhimento para compreender o sujeito e para contemplar a singularidade dos sujeitos faz-
se necessário o uso da clínica (REFRANDE et al., 2019). A clínica se apresenta como atitude,
como ética de intervenção, como experiência de libertação da realidade existente (MOREIRA
et al., 2015). Efetiva-se em um movimento de transformação tanto de quem lhe demanda
intervenção quanto da própria instituição clínica (SILVEIRA et al., 2013). O termo clínica se
originou na forma de cuidar e de se posicionar perante os sujeitos, refere-se às ações dos
profissionais (MOREIRA et al., 2015).
Portanto, é a partir da clínica dos sujeitos e com o propósito de atender suas
necessidades que se planeja e efetua o cuidado de enfermagem (MARTINS et al., 2017). Ao
atendimento dessas manifestações e necessidades chama-se cuidado clínico, por basear-se na
clínica apresentada pelos sujeitos (MOREIRA, et al., 2015).
Na enfermagem, o cuidado e a clínica estão bem conectados, pois não existe o
cuidado sem a clínica e a clínica sem o cuidado (MOREIRA et al., 2015). O cuidado lançado
ao indivíduo, quando não atrelado à clínica, é uma mera técnica (REFRANDE et al., 2019).
Assim, para se conceber o cuidado, este deve ser clínico, individualizado e pessoal (CHAVES
et al., 2017).
Ao direcionar seu olhar sobre as necessidades das gestantes com hipertensão
gestacional no pré-natal de alto risco com vistas ao cuidado clínico, o enfermeiro definirá as
25

ações a serem empregadas para a resolução dessas necessidades, visto que o conhecimento
clínico do enfermeiro interfere no processo terapêutico e contribui para integralidade do
cuidado, pois a identificação das alterações clínicas mais importantes pode refletir em uma
prática clínica resolutiva e reconhecida (MARTINS et al., 2017).

3.3 Representações sociais como estratégia para apreender sentidos de gestantes com
hipertensão gestacional

O estudo é fundamentado à luz da Teoria das Representações Sociais (TRS)


proposta por Moscovici (2012). Segundo o autor, a referida teoria possibilita compreender as
diferentes lógicas que configuram a elaboração de um objeto relevante no cotidiano das
pessoas, a partir da aproximação dos saberem científicos e populares.
A TRS foi desenvolvida pelo sociólogo Serge Moscovici, com origem Francesa,
em 1960, concretizada pela publicação de sua obra “La Psicanalyse: son image et son
public”, em 1961. Psicólogo social romeno, naturalizado francês, nasceu em 1928, de família
judia e vivenciou os horrores da Segunda Guerra Mundial, sofrendo, inclusive, discriminação
antissemita. Estudou Psicologia na França, em 1948, investigando e divulgando a psicanálise;
lecionou em universidades de renome e dirigiu o Laboratório Europeu de Psicologia, em
Paris. Morreu em 15 de novembro de 2014, em Paris, deixando ampla obra e vários
seguidores de seus preceitos (JODELET, 2001).
As representações sociais são expressões e interpretações do corpo social sobre
determinado assunto ou conteúdo aceito, difundido e certificado pela sociedade. Elas
emergem da contribuição de cada indivíduo que apreende e estabelece um comportamento a
partir dessas representações. A História e a Antropologia permitem considerar as
representações como entidades sociais de vida própria que se comunicam e surgem como
objetos materiais, uma vez que são resultado das nossas ações e comunicações. Assim, as
representações passam a fazer parte do vocabulário e da interpretação do indivíduo de acordo
com a sua bagagem sociocultural (MOSCOVICI, 2012).
Ressalta-se que as representações sociais são elaboradas a partir de uma
multiplicidade de informações, imagens, sentimentos conscientes e inconscientes, atitudes e
não apenas por mecanismos cognitivos. Isto confere um caráter dinâmico às representações
sociais. As representações são estruturadas pela mediação entre sujeito e objeto, a partir da
ação discursiva, a qual se manifesta por meio da linguagem "encarnada" nas práticas do
cotidiano (MOSCOVICI, 2012).
26

A principal finalidade das representações sociais é a familiarização do


desconhecido, através da qual se possibilita a classificação, categorização e nomeação de
ideias e acontecimentos inéditos, com os quais não havíamos ainda nos deparado. Tal
processo permite a compreensão, manipulação e interiorização do novo, juntando-o a valores,
ideias e teorias já assimiladas, preexistentes e aceitas pela sociedade (MOSCOVICI, 2012).
O fenômeno de representações sociais investigado consiste na gravidez de alto-
risco e o cuidado pré-natal sob o olhar de gestantes com hipertensão gestacional, uma das
maiores causas obstétricas de morbimortalidade materna. A compreensão dos significados de
estar acometida por uma gravidez de risco e dos cuidados de enfermagem recebidos à luz da
teoria das representações sociais subsidiará repensar o cuidado clínico de enfermagem que
cerca essa mulher, durante o ciclo gravídico-puerperal, com ênfase na atenção pré-natal de
alto risco, possibilitando a construção de referências para o direcionamento de práticas.
O conceito de representações sociais surgiu inicialmente na obra de Moscovici
(1976), intitulada “Psicanálise: sua imagem e seu público”. Segundo Guareschi (2012), as
representações sociais presentes na obra de Moscovici são definidas como conjunto de
crenças e saberes socialmente construídos, socialmente partilhados, com os quais e através
dos quais pensamentos, comportamentos e atitudes. A construção social do que é chamado
real, incluem dimensões científicas, cognitivas, práticas, crenças, tradições e rituais pelos
inúmeros saberes que povoam o mundo cotidiano. São essas representações sociais que unem
a dimensão subjetiva e a dimensão objetiva que possibilitam a construção social da realidade.
O fenômeno das representações sociais está ligado aos processos implicados com
diferenças na sociedade. Moscovici sugeriu que as representações sociais são a forma de
criação coletiva em condições de modernidade, dando um caráter dinâmico e heterogêneo a
essas representações, sendo essa a razão de preferir o termo “social” ao coletivo de Durkheim
(MOSCOVICI, 2012).
Trindade et al., (2011) enfatiza que dentre as inúmeras proposições de Moscovici,
a formulação de dois processos fundamentais na formação de uma representação social, ao
mostrar que a gênese de uma representação implica em uma atividade de transformação do
não-familiar em familiar, de um saber (um saber científico - a psicanálise) em outro saber (um
saber do senso comum útil ao grande público). São os dois processos: Objetivação e
ancoragem. A objetivação torna concreto aquilo que é abstrato, ela transforma um conceito
em imagem de uma coisa, apoiando-se em concepções que nos são familiares. A ancoragem
corresponde à incorporação ou assimilação de novos elementos de um objeto a um sistema de
categorias familiares e funcionais aos indivíduos, e que lhes estão facilmente disponíveis na
27

memória. Jodelet ressalta o processo de objetivação como um processo que traz à tona a
“intervenção do social na representação” e a ancoragem diz respeito à representação no social.
Na TRS, a tônica está em como os sujeitos constroem suas representações a partir
de suas experiências, de suas afiliações a grupos diferentes, da posição que ocupam na
estrutura social e de seus conhecimentos formais e informais.
Na perspectiva de Jodelet (2001), a representações sociais nos direciona na forma
de nomear e definir conjuntamente os diferentes aspectos da realidade diária, no modo de
interpretar esses aspectos, tomar decisões e, eventualmente posicionar-se frente a eles de
forma defensiva. Buscando explicar os fenômenos do homem a partir de uma perspectiva
coletiva, sem perder de vista a individualidade.
A TRS vem despertando interesse de várias áreas de conhecimento, especialmente
as que estão voltadas para a formulação e consolidação de políticas públicas, que percebem
problemas de estabelecimento de diálogo efetivo com a população (COUTINHO;
NÓBREGA; ARAÚJO, 2011). Na área da saúde, a relevância da utilização da TRS está
direcionada ao fato das representações sociais serem conjuntos dinâmicos, que visam à
produção de comportamentos e interações sociais, constituindo-se produto e processo, cujas
funções sociais representem novas possibilidades de estudos por serem capazes de
evidenciarem diferentes fenômenos próprios desse campo (SILVA et al., 2011).
As representações sociais circulam e são produzidas na sociedade contemporânea
e se expressam na interação social, em que suas classes distintas de universos de pensamento
são destacadas por Moscovici (1981; 2012) e Sá (2015), a saber: universos consensuais e
universos reificados. Nos últimos é que produzem e circulam as ciências e o pensamento
erudito. Aos universos consensuais correspondem as atividades intelectuais da interação
social pelas quais são produzidas as representações sociais.
A aplicação da TRS nas pesquisas de enfermagem oportuniza compreender as
representações construídas sobre o cuidado, o que nos permite conhecer os sentidos que a ele
se atribuem, a realidade material que lhe serve de referência, as explicações engendradas que
nos permitem entender os comportamentos, as atitudes e as opções das pessoas pelos
caminhos que seguem nos seus cotidianos.
28

A articulação da teoria com o fenômeno estudado permite ampliar a compreensão


sobre o cuidado às pessoas, seus afetos e seus processos de conhecer e agir frente à realidade,
ajudando a melhor conduzir o cuidado potencializando a ruptura do modelo centrado na
doença. Abre caminhos para repensar novas possibilidades para os diferentes problemas de
saúde, pensado no plano terapêutico da lógica do outro que é para quem o cuidado se destina,
com ancoragem na concepção do humano em vez do caráter biologicista (FERREIRA, 2016
OLIVEIRA, 2015).
29

4 METODOLOGIA

4.1 Natureza e tipo de estudo

A fim de alcançar o objetivo proposto, foi realizado um estudo exploratório


descritivo, com abordagem qualitativa, norteada pela Teoria das Representações Sociais em
sua abordagem processual proposta por Moscovici (2012) e Jodelet (2001; 2009).

4.2 Cenário do estudo

O cenário do estudo foi a Maternidade Escola Assis Chateaubriand (MEAC), no


município de Fortaleza, Ceará. A escolha do local deu-se por ser uma das unidades de
referência que acolhem gestantes de alto risco com hipertensão gestacional para
acompanhamento de pré-natal especializado, bem como por representar uma unidade de
assistência, ensino e pesquisa para o cuidado com excelência à saúde da mulher e do recém-
nascido, que faz parte do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (CH-UFC).
Vale ressaltar a importância da referida instituição para a região e cidades
circunvizinhas. Maior maternidade pública do Ceará com importantes contribuições para a
saúde materno-infantil do Ceará e do Brasil. Tem como visão ser instituição acreditada,
referência regional em pesquisa na área de saúde da mulher e perinatal, com profissionais
capacitados e cenários de prática adequados.
Atualmente disponibiliza de 171 leitos ativos à disposição das pacientes do SUS,
com ampla infraestrutura ambulatorial, cirúrgica, obstétrica, diagnóstica e de emergência nas
áreas de Obstetrícia, Ginecologia, Mastologia e Neonatologia, com 29 consultórios ao todo.

4.3 Participantes do estudo

A pesquisa foi realizada com as gestantes de alto risco com hipertensão


gestacional que realizavam acompanhamento pré-natal na referida unidade, no período de
dezembro 2020 a janeiro 2021.
Para a identificação das gestantes com hipertensão gestacional, baseamo-nos no
diagnóstico inicial presente no prontuário e no cartão da gestante e orientado pela
classificação da Comissão de Terminologia do Colégio Americano de Obstetras e
30

Ginecologistas, citado por Kahhale, Vieira e Zugaib, (2018) e pelo Manual Técnico Gestação
de Alto Risco (BRASIL, 2012).
As participantes foram 30 gestantes com diagnóstico de Hipertensão Gestacional
acompanhadas no pré-natal de alto-risco no hospital supracitado durante o período da coleta,
entre os critérios de exclusão gestantes que possuíam algumas limitações físicas e/ou
cognitivas que impediram ou impossibilitaram a participação no estudo.

4.4 Procedimentos e instrumentos de coleta de dados

Inicialmente, foram abordadas as gestantes, apresentando e explicando os


objetivos e aspectos éticos da pesquisa. Após a aceitação dos sujeitos em participar da
pesquisa e da assinatura do Termo de Consentimento Livre Esclarecido - TCLE (APÊNDICE
A), eram convidadas para participar da pesquisa.
A coleta de dados deu-se na sala de classificação/ triagem, antes das consultas
com os profissionais. Na dimensão quantitativa da pesquisa foi aplicado um questionário de
dados sociodemográficos acompanhado por uma entrevista semiestruturada para alcançar a
dimensão qualitativa do estudo.
Utilizou-se um formulário para traçar o perfil sociodemográfico e clínico
obstétrico das participantes (APÊNDICE B) e o roteiro de entrevista semiestruturada
(APÊNDICE C) para apreender os sentidos e significados das gestantes com hipertensão
gestacional acerca do cuidado clínico no pré-natal de alto risco.
Os dados sociodemográficos das gestantes foram organizados em tabelas, com
objetivo de melhor compreensão do seu perfil, bem como fundamentar o marco teórico
proposto.

4.4.1 Entrevista Semiestruturada

Com o consentimento das participantes, formalizado com a assinatura do TCLE,


as entrevistas foram gravadas, transcritas e compuseram um corpus único para ser processado
no software IRAMUTEQ (Interface de R pour les Analyses Multidimensionnelles de Textes et
de Questionnaires) versão 0.7 alfa 2.
A entrevista semiestruturada foi utilizada por permitir aprofundar as respostas
obtidas às questões de pesquisa, explorando, os pontos relevantes mencionados pelos
pesquisados, possibilitando a valorização das opiniões e vivências. Justificado por Arruda
31

(2014), como um dos espaços privilegiados do surgimento das RS e que esse instrumento é o
que mais se aproxima de estabelecer algo semelhante a uma conversa. É no quadro dialógico
da interação entrevistador(a) - entrevistado(a) que se inserem suas consequências para a
elaboração discursiva que será tomada como suporte para a análise da representação social.
Na perspectiva de Minayo (2013), neste tipo de entrevista, o pesquisador
predetermina as perguntas a serem realizadas. Esta exige do pesquisador, uma escuta
habilidosa, para não perder o foco, bem como priorizar o alcance e objetivos do estudo.
A entrevista realizada com as gestantes foi direcionada pelos seguintes
questionamentos: 1- Como está sendo a experiência desta gestação? 2- O que é para você o
cuidado do Enfermeiro no pré-natal de alto risco?

4.5 Organização análise dos dados

Os dados sociodemográficos foram apresentados de forma descritiva para fins de


caracterização das participantes do estudo. Realizado análise lexical, a partir do software
IRAMUTEQ, visando maior fidedignidade dos resultados e consequente aprofundamento nas
questões da pesquisa.

4.5.1 Análise lexical a partir do software IRAMUTEQ

Os dados obtidos através das respostas da entrevista semiestruturada foram


processados e analisados através da análise lexical, do software IRAMUTEQ. Na perspectiva
de Lahlou (2012), as análises lexicais são valiosas técnicas para explorar os dados fornecendo
ao pesquisador um panorama do vocabulário referente ao objeto de pesquisa. Assim, o
propósito dos métodos de análise lexical é de comparar os objetos em função das
características de suas descrições sob a forma de combinações de palavras, o que se dá com o
auxílio das estatísticas descritiva e relacional.
Kelle (2013), Camargo e Justo, (2013) sinalizam que desde 1960 os softwares de
análise estão disponíveis, porém, foi a partir de 1980 que os pesquisadores
predominantemente qualitativos passaram a fazer uso deles, com a popularização de
computadores de uso domésticos.
O software IRAMUTEQ é um programa informático que viabiliza diferentes tipos
de análise de dados textuais, desde aquelas bem simples, até as mais complexas. Começou a
ser utilizado no Brasil em 2013. Apresenta rigor estatístico e permite aos pesquisadores
32

utilizarem diferentes recursos técnicos de análise lexical, além de ser simples, facilmente
compreensível, e possuir acesso gratuito.
Nas análises lexicais clássicas, o programa identifica e reformata as unidades de
texto, transformando Unidades de Contexto Iniciais (UCI) em Unidades de Contexto
Elementares (UCE); identifica a quantidade de palavras, frequência média e número de hapax
(palavras com frequência um); pesquisa o vocabulário e reduz as palavras com base em suas
raízes (lematização); cria dicionário de formas reduzidas, identifica formas ativas e
suplementares (CAMARGO; JUSTO, 2013).
Camargo e Justo (2013) concluíram que o software permite integrar análise
qualitativa e quantitativa, contribuindo, dessa forma, para maior objetividade e possibilidades
às interpretações dos dados dos textos. Com ele, é possível realizar: análises lexicográficas
clássicas, especificidades, método da classificação hierárquica descendente (CHD), análise de
similitude e nuvem de palavras. As análises lexicais com auxílio de softwares são indicados e
podem ser muito produtivas aos estudos que envolvem representações sociais (LAHLOU,
2012).

4.6 Aspectos éticos e legais da pesquisa

A pesquisa obedeceu aos critérios éticos da Resolução nº 466 do Conselho


Nacional de Saúde/ Ministério da Saúde, que dispõe sobre diretrizes e normas reguladoras de
pesquisas envolvendo seres humanos (BRASIL, 2012c. Sendo respeitadas a dignidade e
autonomia do participante da pesquisa, reconhecendo sua vulnerabilidade, assegurando sua
vontade de contribuir e permanecer, ou não, na pesquisa, por intermédio de manifestação
expressa, livre e esclarecida, além da ponderação de riscos e benefícios explicitados no Termo
de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) antes da execução da coleta de dados.
Os riscos decorrentes da realização da presente pesquisa foram mínimos,
eventualmente, podendo gerar constrangimento advindo das perguntas do instrumento
proposto e ficamos dispostos a minimizá-los no momento em que aconteceram.
O projeto obteve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade
Estadual do Ceará sob CAAE: 26762819.0.0000.5534 e parecer de aprovação nº 3.797.374;
da Maternidade Escola Assis Chateaubriand / MEAC/ UFC sob CAAE:
26762819.0.3002.5050.
33

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Neste tópico será apresentado o perfil sociodemográfico e obstétrico das gestantes


participantes da pesquisa e posteriormente, será apresentada a análise, interpretação e
discussão dos dados empíricos mediante análise lexical das entrevistas a partir do software
IRAMUTEQ, com base na CHD.

5.1 Caracterização dos participantes da pesquisa

Os dados sociodemográfico foram obtidos mediante aplicação de questionário, os


quais foram submetidas a tratamento estatístico por frequência simples e porcentagem, sendo
organizados em tabelas, no intuito de permitirem melhor visualização e compressão. Foi
considerado um total de 30 gestantes, com idades variando entre 20 e 41 anos.
De acordo com as informações contidas na Tabela 1, a faixa etária predominante
foi de 31 a 35 anos com percentual de 40 %, seguida pela faixa etária de 20 a 25 anos (30%),
26 a 30 anos (20%) e a última de 36 a 41 anos (10%).
A variação na faixa etária encontrada no presente estudo é semelhante à de um
estudo realizado no hospital público em São Paulo, numa população composta de 114
gestantes de alto risco no período de 2015 a 2016. Nesse estudo foi detectado que a faixa
etária mais acometida por essa doença estava compreendida entre as idades de 18 a 35 anos
(62,3%). Apontando para a predominância da Hipertensão Gestacional em gestantes mais
velhas, assinalando para as gestações tardias como fator de risco corroborando com as
informações do MS (SOUSA et al., 2020).
O perfil da faixa etária encontrada na pesquisa é reforçado também por estudos de
Melo et al., (2016), Ribeiro et al., (2015) e Morais et al., (2015) que apontam para uma faixa
etária variando de 20 a 34 anos de incidência epidemiológica para Hipertensão em gestantes.
Em relação ao estado civil, a maior proporção de gestantes tinha companheiro
(93,3%) e apenas (6,7%) sem companheiros. Os dados acima fazem pensar que a presença do
companheiro reflete em segurança para a mulher e consequentemente para seu filho.
Deixando evidente que a maioria das mulheres prefere engravidar dentro de um
relacionamento mais consolidado, uma vez que a estabilidade colabora para a evolução da
gestação, do estado emocional e financeiro (PARCERO et al., 2017).
Na tabela 1, também foi possível constatar o grau de escolarização dos sujeitos da
pesquisa, identificando uma maior frequência de gestantes com ensino médio (70%), seguido
34

pelo ensino superior (17%), ensino fundamental (13%), não foram identificadas nenhuma
gestante não alfabetizada. Desta feita, pesquisa Fonseca et al., (2017) analisa a relação entre
idade materna, escolaridade e óbito neonatal, corrobora com a afirmativa de que,
independentemente da idade, filhos de mães com baixa escolaridade, inferior a quatro anos de
estudo, apresentam maior chance de óbito neonatal.
No que se refere à remuneração a maioria das gestantes investigadas possuíam
trabalho (56,6%) e 43,3% sem trabalho.
No tocante à religião e ou crença, 60% das gestantes eram católicas, evangélicas
(23,3%), e sem religião (16,6%). De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), o Brasil ainda é a maior nação católica do mundo, apesar de apresentar
declínio desta religião, com ascensão de evangélicos. Dados deste mesmo levantamento
mostram que também cresceu a quantidade de pessoas que se declararam sem religião (IBGE,
2021).

Tabela 1 – Caracterização das gestantes atendidas na MEAC, de acordo com as


variáveis sociodemográficas

Frequência %
IDADE
20 - 25 9 30
26 - 30 6 20
31 -35 12 40
36 - 41 3 10
ESTADO CIVIL
Com companheiro 28 93,3
Sem companheiro 2 6,7
ESCOLARIDADE
Não alfabetizada 0 0
Fundamental 4 13
Ensino Médio 21 70
Ensino Superior 5 17
TRABALHO REMUNERADO
Sim 17 56,6
Não 13 43,3
RELIGIÃO
Católica 18 60
Evangélica 7 23,3
Sem religião 5 16,6
TOTAL 30 100

Fonte: Elaborado pela autora.


35

O perfil obstétrico das gestantes foi apresentado na tabela 2. Evidenciou-se que a


maioria das gestantes era multípara 83,3%, as primíparas foram apenas 16,6%. Sobre a Idade
Gestacional o estudo evidenciou que 50% das gestantes encontrava-se no 2º trimestre de
gestação (entre 14 à 26 semanas) e a outra metade 50% no 3º trimestre (27 até 40 semanas
gestacional). Sendo que 14 entrevistadas relataram abortamentos em gestações anteriores
(46,6%). Acompanhadas pelas UBS de origem e na MEAC um total de 60% e 40% somente
na MEAC sem acompanhamento compartilhado na Atenção Básica.

Tabela 2 – Caracterização das gestantes atendidas na MEAC, de acordo com as


variáveis obstétricas
Frequência %
PARIDADE
Multípara 25 83,3
Primípara 5 16,6
IDADE GESTACIONAL
2º Trimestre 15 50
3º Trimestre 15 50
ACOMPANHAMENTO NA UBS
Sim 18 60
Não 12 40
FATORES DE RISCO
História familiar de SHG 7 23,3
Sem fator de risco 6 20
Sobrepeso e História pessoal de SHG 5 16,6
História Familiar e Pessoal de SHG 4 13,3
Diabetes, Sobrepeso e História Pessoal de SHG 3 10
Sobrepeso e História Familiar de SHG 2 6,6
História Pessoal de SHG 1 3,3
História de Trombofilia 1 3,3
Diabetes 1 3,3
TOTAL 30 100
Fonte: Elaborado pela autora.

Brasil, (2010) reafirma que em casos em que doenças ou possíveis riscos sejam
observados a gestante deve ser referenciada ao Serviço de Referência em Pré-natal de
Cuidados Especiais ou Alto Risco de cada região, recebendo atenção voltada para suas
necessidades, sem, portanto, perder o vínculo com a UBS mais próxima de sua residência.
Visto que é na UBS que ocorre o acompanhamento pré-natal e continuidade no puerpério e
cuidados em puericultura. É no pré-natal que ocorre a busca de informações e realização de
36

exames para fazer a classificação de risco de acordo com os dados obtidos. Essas ações
respondem ao principal objetivo da assistência pré-natal que é o acolhimento e a adesão da
gestante para assegurar que a gestação transcorra de forma saudável para o binômio mãe-
filho. A partir de então é oferecido um acompanhamento que se adéque a cada caso
(RIEGERT et al., 2018).
Entre os fatores de risco apontadas pelas participantes 23,3% apresentaram
História Familiar de Síndrome Hipertensiva da Gravidez - SHG; 20% não apresentaram fator
de risco; 16,6% tinham História Pessoal de SHG e Sobrepeso; 13,3% apresentaram tanto
História Familiar quanto Pessoal de SHG; 10% além da História Pessoal de SHG e Sobrepeso
apresentaram Diabetes; 6,6% tinham História Familiar de SHG e Sobrepeso; 3,3% História
Pessoal de SHG; 3,3% História de Trombofilia e 3,3% de Diabetes.
Oliveira et al;(2016), apontam que as mulheres que desenvolvem SHG
apresentam um risco mais elevado de recidiva da doença em gestações futuras e
habitualmente apresentam história familiar e ou pessoal de SHG, o que sugere envolvimento
de fatores genéticos. Reforçado por Sousa et al; (2020) quais destacam os antecedentes
familiares, o consumo excessivo de sódio, a etnia, diabetes, obesidade, hipotireoidismo,
ingestão de álcool, dieta alimentar desregrada, sedentarismo, fatores psicológicos,
dislipidemia, tabagismo e fatores socioeconômicos, socioambientais e culturais como fatores
de risco da SHG.
Estudos afirmam que a mortalidade materna e perinatal por SHG são
influenciadas tanto por fatores biológicos, socioeconômicos e culturais como pela qualidade
da assistência recebida, ou seja, uma ampla gama de fatores de risco refletem a
heterogeneidade da doença (SOARES; LENTSCK, 2021).

5.2 Cuidado clínico de enfermagem: representações sociais de gestantes com hipertensão


gestacional

As entrevistas realizadas, foram transcritas posteriormente em formato de texto


eletrônico, digitadas no Microsoft Word, fonte número 12, letra tipo Times New Roman, e
convertidos para o bloco de notas, para que seus dados pudessem ser processados pelo
software IRAMUTEQ, que faz a análise lexical das palavras presentes nos discursos dos
entrevistados.
A etapa de transcrição das entrevistas necessita de um rigoroso tratamento dos
textos compostos pelas respostas dos pesquisados, de modo as respostas obtidas sejam
37

transformadas em textos compreensíveis pelo software, visto que nem todos os símbolos da
ortografia oficial podem ser utilizados nas sentenças do corpus a ser tratado pelo software
(CAMARGO; JUSTO, 2013).
Cada linha de comando do corpus foi iniciada com o padrão próprio a ser
reconhecido pelo programa, seguido das variáveis eleitas para este estudo. Exemplo: ****
*ges_01 *ida_02 *com_01 *esc_03 *tra_01 *rel_02 *obs_01 *idg_ 01 * psf_02 *fat_ 03.
O processamento dos dados provenientes da entrevista semiestruturada aplicada
às gestantes, pelo software IRAMUTEQ, reteve 30 textos (entrevistas) extraindo desses, 47
segmentos de textos (ST), formando quatro classes, com aproveitamento de 72.34% do
corpus, conforme indica a Figura 1. O software IRAMUTEQ, possibilita através dela
estabelecer uma correlação entre segmentos de texto e vocábulos, com formação de um
esquema hierárquico de classes de vocábulos, possibilitando a inferência do conteúdo do
corpus, nomeação de classes e compreensão das ideias de cada classe e relação com as
variáveis estabelecidas em cada estudo (CAMARGO; JUSTO, 2013).
Os resultados presentes nas classes, referem-se às representações sociais de
gestantes com Hipertensão Gestacional sobre o cuidado clínico de Enfermagem, a partir da
assistência vivenciadas pelas gestantes e dos fatores que envolvem a prática, muitas vezes não
baseada em evidências científicas.
A análise e interpretação dos dados foi desenvolvida e orientada pelo referencial
da TRS e seguiu a ordem das classes apresentadas no dendograma, obtido pelo processamento
dos dados.
38

Figura 1 – Dendograma de classes das representações sociais de gestantes com


Hipertensão Gestacional sobre o cuidado clínico no pré-natal de alto risco

Fonte: Relatório IRAMUTEQ, 2021

Inicialmente, (1ª partição) o corpus foi dividido em duas ramificações, originando


dois subcorpus, o A, que deu origem à classe 1- Ser gestantes com Hipertensão Gestacional e
o B, que sofreu nova partição (2ª partição), originando o subcorpus C, que originou a classe 4-
Importância do cuidado clínico na Hipertensão Gestacional e o subcorpus D, que sofreu nova
partição (3ª partição), originando as classes 3- Vivência no pré-natal de alto risco e 2- Papel
do enfermeiro no acompanhamento de alto risco.
39

Quadro 1 – Classes produzidas pelo IRAMUTEQ a partir do corpus gestantes e suas


denominações
Classes do dendograma gerado pelo
software IRAMUTEQ- Figura 1
Corpus representações sociais de gestantes
CLASSES DENOMINAÇÃO DAS CATEGORIAS
sobre o cuidado clínico no pré-natal de alto
CORRESPONDENTES
risco

Classe 1 Ser gestantes com Hipertensão Gestacional


Este corpus representa a dimensão
relacionada às percepções das gestantes
Importância do cuidado clínico na Hipertensão
sobre os aspectos que compõem o cuidado
Classe 4 Gestacional.
clínico do Enfermeiro no pré-natal de alto
risco, bem como as vivências e experiências
Classe 2 Papel do Enfermeiro no acompanhamento de
de ser gestantes com Hipertensão
alto risco.
Gestacional.

Classe 3
Vivência no pré-natal de alto risco.

Fonte: Elaborado pela autora.

5.2.1 Classe 1- Ser gestantes com Hipertensão Gestacional

Esta classe, com 26,5% dos ST traz referências às vivências das gestantes com
Hipertensão Gestacional. Na qual as palavras mais frequentes foram pressão (em referência à
hipertensão arterial), relatando medo que o diagnóstico causou, bem como preocupação
ansiedade e insegurança no desenvolvimento da gestação e seu desfecho.

Minha experiência está sendo envolvida pelo medo e insegurança, esta gestação
gerou mudança na rotina da alimentação, tudo tem que ter muito cuidado ***
*ges_12 *ida_02 *com_01 *esc_03 *tra_01 *rel_01 *obs_02 *idg_ 01 * psf_01
*fat_ 04
A experiência está sendo bem diferente, estou tendo mais cuidado, pois já tive um
aborto. Estou com medo por motivo da pressão alta e também por que toda minha
família teve pré-eclâmpsia*** *ges_27 *ida_01 *com_02 *esc_04 *tra_02 *rel_01
*obs_01 *idg_ 02 * psf_01 *fat_ 05
Muito complicada, porque estou sentindo vários sintomas, como pressão alta,
inchaço e dor de cabeça e está sendo difícil **** *ges_08 *ida_01 *com_01
*esc_03 *tra_02 *rel_03 *obs_01 *idg_ 01 * psf_01 *fat_ 04
40

Nas narrativas percebeu-se a ancoragem no medo, sentimento presente na


gravidez, e que na gestação de alto risco torna-se concreto, podendo significar a perda do
controle da gravidez, bem como as consequências que pode sofrer a gestante e seu bebê. Para
as entrevistadas, conviver com a hipertensão gestacional intensifica as inseguranças e medos,
pela objetivação da real condição de riscos aos quais estão submetidos.
A Hipertensão Gestacional acarreta acréscimos de ansiedade e insegurança, com
maiores dificuldades de adaptação emocional que a gestação normal, qualquer coisa diferente
do esperado, ou do que se considera normal, aumenta consideravelmente o medo. Ressalta-se
a estreita vinculação entre intercorrências clínico-obstétricos e estados emocionais
particulares, identificando-se a doença hipertensiva como mobilizadora de intensa
insegurança e medo (MARTINS et al., 2012).
Os relatos revelaram que o sentimento de ansiedade e preocupação pela presença
da hipertensão na gestação, influencia diretamente o emocional e o comportamento dessas
mulheres, o que pode prejudicar o próprio controle da pressão.

A experiência está sendo bem diferente, fico com ansiedade e toda dorzinha fico
preocupada, ultimamente estou com muita dor de cabeça, minha pressão é bem
difícil de controlar, meu emocional é a flor da pele*** *ges_28 *ida_01 *com_01
*esc_04 *tra_01 *rel_01 *obs_01 *idg_ 02 * psf_02 *fat_ 05
Experiência nova, porém preocupante por conta da pressão alta, a gente sabe que é
um risco, tenho risco de ter pré-eclâmpsia com 37 semanas, todo dia é diferente.
Tem semana que é boa e semana de sustos*** *ges_25 *ida_03 *com_01 *esc_03
*tra_02 *rel_01 *obs_01 *idg_ 02 * psf_02 *fat_ 01

A ansiedade é um outro ponto a ser considerado. Pode ser considerado um estado


afetivo caracterizado por intranquilidade, insegurança, insatisfação, incerteza, por medo da
experiência desconhecida, presente em todo o período gestacional e que aumenta com a
proximidade do parto (TEDESCO, 2000b). Para Maldonado (2002), a gestação é uma
situação crítica que, naturalmente, acarreta alterações fisiológicas e emocionais, que
justificam a presença de certo grau de ansiedade.
As representações sociais afirmativas acima são reforçadas pelos discursos, em
que a ansiedade, preocupação, o medo do desconhecido e do que está por acontecer são muito
significativos para as gestantes com Hipertensão Gestacional.
O problema da ansiedade na gestação é uma questão importante para o
profissional. É preciso que ele compreenda a sujeito em sua vivência gestacional, diante de
sua simplicidade como pessoa, dispondo de tempo para escutá-la e perceber, em sua
comunicação verbal, simbólica e sintomática, as possíveis implicações dessa ansiedade.
41

Neste aspecto, a percepção do risco traz sentimentos de diferentes intensidades,


com alterações emocionais que podem lhes trazer prejuízos não apenas fisiopatológicos, mas
de aspecto subjetivo. Kahhale, Vieira, Zugaib, (2018) apontam que, independentemente da
situação de risco ter sido diagnosticada, previamente, ou durante a gestação atual, observa-se
sentimentos de estresse, medo e ansiedade na gestante e em seus familiares.
Pela singularidade da história da gestação, não existe a gravidez ideal, toda
gravidez produz uma situação de maior ou menor conflito entre uma tendência maternal e
outra de rejeição (LANGER, 1981). Laplanche e Pontallis (2010) conceituam, como
ambivalência, as ações e os sentimentos que resultam de um conflito defensivo e que têm
motivações incompatíveis. Assim, sentimentos antagônicos, como medo, insegurança,
gratificante, podem ocorrer de maneira simultânea.
Sabemos que a gestação é marcada por um turbilhão de sentimentos e
duplicidades de emoções. No caso das gestantes deste estudo, os sentimentos estão
exacerbados pela presença de uma doença prévia que pode comprometer a vida da mãe e do
bebê. Identificou-se que embora as entrevistadas tenham apresentado a experiência do medo
como sentimento principal também percebeu o sentimento positivo de felicidade e
importância.

Fiquei muito feliz, principalmente por ser um menininho e formar um casal. Mas
tem momentos que dá aquela ansiedade, aquele medo de não saber o que está por
vir, mas confio acima de tudo em Deus e sei que os planos dele são melhores do que
os nossos, então eu sigo firme e confiante. *** *ges_18 *ida_03 *com_01 *esc_03
*tra_02 *rel_01 *obs_01 *idg_ 01 * psf_01 *fat_ 07
Minha experiência é de felicidade, não foi planejado, mas está sendo bem vindo.
**** *ges_01 *ida_02 *com_01 *esc_03 *tra_01 *rel_02 *obs_01 *idg_ 01 *
psf_02 *fat_ 03
Está sendo muito surreal, não sabia que podia engravidar...tentava engravidar e não
conseguia. Estou sem acreditar. **** *ges_02 *ida_03 *com_01 *esc_03 *tra_01
*rel_03 *obs_02 *idg_ 01 * psf_02 *fat_ 04.
Uma experiência sem tamanho, pois é o primeiro filho e eu não vejo a hora... ***
*ges_19 *ida_02 *com_01 *esc_03 *tra_01 *rel_01 *obs_02 *idg_ 02 * psf_01
*fat_ 01

Esse achado reitera a afirmação de Quevedo (2006) de que o significado da


maternidade que aparece entre as gestantes de alto risco está relacionado também a
sentimentos positivos de felicidade. A representação da vida é descrita como um sonho e,
relacionado ao seu papel e função social enquanto mulher.
Neste aspecto mesmo com o sentimento do medo, vale ressaltar que a felicidade
de gerar um filho enquadra estas gestantes em uma emoção de graça e fé, apresentando-se
como recurso de enfrentamento para a manutenção da esperança de que a gestação evolua da
42

melhor forma possível, no qual 83,3% das gestantes relataram pertencer a alguma religião e
usar a fé para renovação de forças no enfrentamento e aceitação do quadro de risco.
A religião tem relação estreita com o estilo de vida, necessitando ser
compreendida como algo que dá sentido à situação de crise e sofrimento da usuária e auxilia
na recuperação da saúde. Sendo assim, deve ser incentivada pelos profissionais de saúde
como peça fundamental para enfrentar o diagnóstico e criar mecanismos que facilitem a
assistência prestada e a adesão aos cuidados necessários ao tratamento (PORTO, 2018).

5.2.2 Classe 4- Importância do cuidado clínico na Hipertensão Gestacional

Nesta classe, com 20,6% dos ST, as gestantes relatam a importância do cuidado
clínico na hipertensão gestacional, enfatizando os aspectos positivos e relevantes do cuidado.
Entre as palavras mais frequentes destacam-se: controle dos riscos, acompanhamento seguro,
esclarecedor e atenção, apresentando maior ligação com esta classe.

Cuidado clínico do Enfermeiro é muito importante pelo acompanhamento, estou


gostando do cuidado proporcionado aqui **** *ges_06 *ida_03 *com_01 *esc_03
*tra_01 *rel_02 *obs_01 *idg_ 01 * psf_02 *fat_ 07
É fundamental. Nós precisamos de esclarecimentos e de alguém que nos oriente o
que devemos fazer e como fazer, para controlar os riscos *** *ges_10 *ida_03
*com_01 *esc_03 *tra_02 *rel_01 *obs_01 *idg_ 01 * psf_01 *fat_ 06
O cuidado do enfermeiro resume no bom atendimento e na atenção regular que
sempre apresentam*** *ges_23 *ida_04 *com_01 *esc_03 *tra_02 *rel_03 *obs_01
*idg_ 02 * psf_01 *fat_ 01
É atenção, zelo e responsabilidade conosco, pois estamos carregando um novo ser e
apesar de estarmos no alto risco, mas com um cuidado atencioso podemos vencer e
passar por este momento da melhor forma*** *ges_27 *ida_01 *com_02 *esc_04
*tra_02 *rel_01 *obs_01 *idg_ 02 * psf_01 *fat_ 05

Quando a experiência da gestante é diferente da sua expectativa, ela pode repensar


ou ressignificar as suas representações acerca do cuidado recebido, atribuindo um novo valor
e significado a ele, e possibilitando novos conhecimentos e práticas sociais (CARNEIRO et
al., 2013; MOSCOVICI, 2003).
Neste aspecto as gestantes representaram o cuidado clínico do Enfermeiro
envolvido de segurança, esclarecedor, atencioso e seguro, apontando para uma construção do
cuidado que valorize as interações das gestantes com atenção especial aos aspectos subjetivos,
presentes na vivência de uma gravidez de alto risco.
Estudos têm demonstrado que o diagnóstico de gravidez de alto risco é fator de
estresse e que a ansiedade e a vulnerabilidade das mulheres quanto à incerteza de levar a
43

gravidez a termo são percebidas naquelas que vivenciam a hipertensão gestacional (SOUZA;
ARAUJO; COSTA, 2011; BLACK, 2007). Assim, faz-se necessário uma construção de um
cuidado centrado na gestante como ser particular e individual com construção de vínculo, o
que é visualizado nas falas abaixo.

O cuidado é essencial, está sempre atencioso e cuidadoso, orientando sobre tudo,


sendo o companheiro e muitas vezes amigo *** *ges_28 *ida_01 *com_01 *esc_04
*tra_01 *rel_01 *obs_01 *idg_ 02 * psf_02 *fat_ 05
É fundamental, são pessoas superimportantes, são quem estão ao nosso lado nos
dano apoio e nos escutando para passar a situação para outros profissionais, são
bacanas e admiro a empatia que eles têm*** *ges_09 *ida_03 *com_01 *esc_03
*tra_01 *rel_01 *obs_01 *idg_ 01 * psf_01 *fat_ 04

No ST da gestante 09, percebeu-se a importância que a categoria da Enfermagem


tem no cuidado e acompanhamento pela construção do vínculo, interpretada pela palavra
“nosso lado”, o que representou uma participação direta de apoio e escuta ativa. Esta
aproximação configura-se como estratégia que visa ampliar a produção do cuidado em saúde,
para além das necessidades fisiológicas, fornecendo subsídio para as gestantes apresentarem
suas opiniões e expectativas acerca da assistência recebida, destacando conceitos edificados
socialmente e associados na vivência real o que auxiliara para planejar e analisar ações
pautadas nas necessidades (BRUNELLO et al., 2010).
A evolução e as transformações na prática do cuidado rompendo com o modelo
centrado na doença configuram-se em avanços para uma assistência de qualidade e integral a
gestante com hipertensão gestacional, o que proporciona um cuidado holístico em que a
subjetividade é valorizada e é neste aspecto que a clínica do cuidado acontece.
O cuidado clínico na hipertensão gestacional configura-se no ato de cuidar com
responsabilidade, ética e compromisso social atrelado ao conhecimento científico e ao olhar
clínico ampliado, utilizando a escuta atenta e acolhedora, o toque, os discursos e as
necessidades do ser cuidado, sempre alinhado pelo respeito e pela individualidade
(SILVEIRA et al., 2013; MOREIRA et al., 2015).
O que é identificado pela fala da gestante 12 “o cuidado clínico transmite calma,
vinculo, vê a gente de forma completa, nos dá segurança de seguir em frente...Apesar de ser
de alto risco, mas com uma palavra e acompanhamento, agente sente-se segura com a
certeza que está tudo bem com o bebê*** *ges_12 *ida_02 *com_01 *esc_03 *tra_01
*rel_01 *obs_02 *idg_ 01 * psf_01 *fat_ 04”.
O cuidado clínico nada mais é do que o entrelaçamento de novos relacionamentos
entre os sujeitos do cuidado, na criação de espaços onde a subjetivação possa ser produzida a
44

partir das necessidades desses sujeitos, e do respeito às diversas formas de se conceber e


significar a saúde e a doença, distante das classificações e fragmentações assistenciais
clássicas e obsoletas que tentam envolver os usuários dos serviços (MOREIRA et al., 2015).
Bormio (2008) reforça que o cuidado deve considerar vários elementos, como a
personalidade, a experiência vivida, as circunstâncias do contexto e as normas culturais. É
decorrente desse aspecto multifatorial que uma determinada situação vivida pelo sujeito
sofrerá um processamento interno, envolvendo sua avaliação quanto à natureza do evento e
sua possível ameaça, bem como a escolha da melhor maneira de enfrentamento, resultando
em uma determinada resposta.
O acompanhamento diante dos novos e inesperados acontecimentos,
representados pela hipertensão, deve ter acentuado a ligação e o vínculo dessas gestantes. A
escuta clínica e ampliada tem grande valor possibilitando a expressão e conscientização dos
medos e expectativas. Oferecer tempo, espaço e receptividade auxiliam no estabelecimento do
vínculo e na possibilidade de a gestante integrar sua experiência da maternidade ao contexto
adverso do qual necessita ainda realizar maior elaboração.

5.2.3 Classe 2- Papel do Enfermeiro no acompanhamento de alto risco

De acordo com o apreendido na análise das falas das gestantes, nesta classe, as
gestantes relataram o papel do enfermeiro no pré-natal de alto risco como essencial,
orientador e acolhedor.

O Enfermeiro é essencial, pois tira muitas dúvidas, faz muitas perguntas e sempre é
o primeiro nas consultas de pré-natal. **** *ges_01 *ida_02 *com_01 *esc_03
*tra_01 *rel_02 *obs_01 *idg_ 01 * psf_02 *fat_ 03
É a partir dele que se verifica todo o diagnóstico, para ter um cuidado redobrado.
*** *ges_18 *ida_03 *com_01 *esc_03 *tra_02 *rel_01 *obs_01 *idg_ 01 * psf_01
*fat_ 07
É indispensável e maravilhoso, faz de tudo para estarmos bem, se preocupa muito
com a nossa saúde, principalmente quando a gente tem Hipertensão **** *ges_03
*ida_01 *com_01 *esc_03 *tra_02 *rel_02 *obs_01 *idg_ 01 * psf_01 *fat_ 03

O Enfermeiro aparece como peça fundamental no acompanhamento de alto risco,


com construção de vínculos, acolhimento, orientação, esclarecimento de dúvidas
minimizando medos e anseios. Oliveira et al; (2017); respaldam o papel do enfermeiro no
acompanhamento às gestantes com hipertensão gestacional como essencial na preservação e
manutenção da vida da mulher e do feto/neonato, pois este profissional possui diferencial,
45

como autonomia e senso crítico, além do conhecimento técnico-científico, que quando


somados a uma equipe multiprofissional torna o trabalho dinâmico e resolutivo.
Segundo Gregório et al; (2007), a orientação para a educação em saúde cabe ao
enfermeiro, que desempenha papel relevante na equipe ao orientar e intervir para que
mudanças em atitudes e hábitos de vida resultem em melhor controle das doenças na gravidez.
A orientação tem sua importância reconhecida no pré-natal de alto risco.

O papel do enfermeiro é fundamental e importante e só tenho a agradecer. Por estar


mais próximo temos mais contato, orientam, sempre estão dispostos no que for
preciso, dá um suporte maior. *** *ges_22 *ida_03 *com_01 *esc_03 *tra_01
*rel_01 *obs_01 *idg_ 02 * psf_01 *fat_ 05
É paciente e claro nas conversas, eu mesma sinto mais acolhida pelo Enfermeiro.
*** *ges_05 *ida_03 *com_01 *esc_03 *tra_01 *rel_02 *obs_01 *idg_ 01 * psf_01
*fat_ 02
Muito importante. Consigo ficar mais à vontade com o enfermeiro, sinto mais bem
acolhida. *** *ges_30 *ida_03 *com_01 *esc_03 *tra_01 *rel_01 *obs_01 *idg_ 02
* psf_02 *fat_ 05
Importante, seu acompanhamento é um auxílio grandioso *** *ges_25 *ida_03
*com_01 *esc_03 *tra_02 *rel_01 *obs_01 *idg_ 02 * psf_02 *fat_ 01

Nestes discursos podemos compreender o vínculo do enfermeiro no pré-natal de


alto risco o que possibilita um acolhimento, acompanhamento e confiança das gestantes.
Brunello et al;(2010) afirmam que a construção do vínculo é uma ferramenta essencial na
busca da melhoria da qualidade da atenção à saúde e na integralidade do cuidado. O vínculo
permite a aproximação do profissional com o paciente, possibilitando que as gestantes se
sintam acolhidas com momentos de trocas, escuta qualificada e respeito.
O MS preconiza, em sua política de promoção à saúde da gestante, uma
assistência pautada no acolhimento da mulher e da sua família, de modo que prevaleça a
escuta qualificada das necessidades dessas usuárias e se planeje um cuidado guiado pelas
principais demandas. O acolhimento no pré-natal com construção de vínculo a partir de uma
escuta qualificada e de uma responsabilização dá origem ao processo de intervenção, onde o
profissional de saúde, orientado por diretrizes e técnicas, direciona o cuidado a mulher
gestante (BRASIL, 2012).
Matumoto, Mishima e Pinto (2001) afirmam que é necessário ao profissional que
realiza o acolhimento saber ouvir; é preciso disponibilizar-se para a escuta do outro e de suas
necessidades além da dor física. É a partir desta atitude que se cria o vínculo profissional
cliente, indispensável para dar início a um processo de estímulo à autonomia do usuário
quanto ao seu cuidado, auxiliando-o no desenvolvimento de uma consciência cidadã.
46

O papel dos enfermeiros, haja vista que estes mantêm maior proximidade no
processo de cuidar das gestantes hipertensas, em sua atuação profissional, têm oportunidade
ímpar de identificar sinais e sintomas característicos da evolução desta doença, interferindo
antes mesmo das complicações se instalarem. Essa condição, entretanto, está diretamente
aludida com o aprimoramento da assistência prestada às gestantes hipertensas, o que implica,
dentre outras estratégias, não apenas em consumir saberes produzidos em outras áreas, como
também em gerar conhecimentos de enfermagem que respondam a essa demanda.

5.2.4 Classe 3- Vivência no pré-natal de alto risco

Na classe 3, com a maioria dos ST, 32,4%, as palavras que apresentaram maior
importância foram: agora, tranquilo, depois do acompanhamento, passa o medo, saber,
cuidadoso. Nas narrativas percebeu-se a ancoragem das vivências das gestantes depois de
ingressar no pré-natal de alto risco, referindo uma tranquilidade e confiança no
acompanhamento.

Antes estava com medo, mas agora depois do acompanhamento me tranquilizei.


**** *ges_01 *ida_02 *com_01 *esc_03 *tra_01 *rel_02 *obs_01 *idg_ 01 *
psf_02 *fat_ 03
Agora está sendo tranquilo, mas no início não estava... *** *ges_14 *ida_01
*com_01 *esc_03 *tra_01 *rel_01 *obs_01 *idg_ 01 * psf_02 *fat_ 01
Minha vivência agora está tranquila, porque o acompanhamento é contínuo. ***
*ges_21 *ida_03 *com_01 *esc_03 *tra_02 *rel_02 *obs_01 *idg_ 02 * psf_02
*fat_ 07
No inicio foi bem preocupante, pois tive sangramento e apresentei hipertensão, mas
agora depois do acompanhamento já está mais tranquilo. *** *ges_24 *ida_04
*com_01 *esc_04 *tra_01 *rel_01 *obs_01 *idg_ 02 * psf_02 *fat_ 01
A experiência está envolvida por sentimentos de medo e insegurança e ao mesmo
tempo confiança pelo cuidado recebido. Fico tranquila por que estou em boas
mãos.*** *ges_26 *ida_02 *com_01 *esc_03 *tra_02 *rel_01 *obs_01 *idg_ 02 *
psf_02 *fat_05

A atenção e a disponibilidade oferecida pelos profissionais de saúde no pré-natal


de alto risco esclarecem dúvidas e fornecem orientações detalhadas o que dissipa o medo e a
angústia apresentada pelas gestantes. Após serem orientadas, as gestantes sentem-se mais
seguras. Merleau-Ponty (2004) afirma que o corpo é o meio de comunicação com o mundo, é
nosso ancoradouro, um espaço expressivo no qual o sujeito se mostra, em gestos e atitudes, as
várias maneiras de sentir o mundo. É na relação com o outro e com o mundo, e na ação
expressiva, que o corpo é percebido através do laço e do encontro. A construção da confiança
47

permite, por meio da expressão do gesto, do toque, do saber ouvir atentamente, que a gestante
de alto risco encontra a sua verdadeira essência humana.
Neste aspecto, o Enfermeiro escuta e compartilha o viver das gestantes de alto
risco, sentimentos de confiança e segurança podem estar mais presentes no vivenciar dessa
gestação. Além disso, esse momento caracteriza-se como uma oportunidade para que se
realize a educação em saúde e a gestante seja orientada com mais atenção (BONOMI, 2001;
ASSIS, 2004). Silva (2017), em seu estudo ressalta a importância de um pré-natal de
qualidade, por se tratar de uma assistência principalmente preventiva e que tem por objetivo
de identificar, tratar ou controlar doenças, prevenir complicações na gestação ou parto,
assegurar a boa saúde materna, promover o bom desenvolvimento fetal, reduzir os índices de
morbidade e mortalidade materna e fetal.
O acompanhamento no pré-natal de alto risco auxilia no controle e prevenção de
resultados adversos, com clareza em torno do diagnóstico e envolvimento das gestantes no
processo do cuidado, aumento das consultas de pré-natal, reclassificação do risco,
resolutividade e efetividade nas demandas gestacionais, provisão de intervenções adequadas
com vigilância contínua do risco (DADELSEN; MAGEE, 2016).
Brasil, (2010) descreve que o pré-natal de alto risco deve permitir a identificação
precoce e adequada dos problemas da gestante, assim como os procedimentos diagnósticos e
terapêuticos necessários. A gravidez de risco envolve um atendimento diferenciado tanto no
número e qualidade das consultas oferecidas, quanto na capacitação da equipe envolvida. A
equipe de saúde deve estar preparada para enfrentar quaisquer fatores que possam
adversamente afetar a gravidez, sejam clínicos, obstétricos, de cunho socioeconômico ou
emocional. Esse atendimento diferenciado tem por objetivo minimizar os riscos associados a
essa gravidez, diminuindo a chance de ocorrer um resultado desfavorável para a gestante e o
feto.
Assim a UBS inicia a assistência ao reconhecer a existência da gestação, então
realiza a primeira consulta pré-natal com caráter exploratório, buscando informações e
realizando exames para fazer a classificação de risco de acordo com os dados obtidos. Essas
ações respondem ao principal objetivo da assistência pré-natal que é o acolhimento e a adesão
da gestante para assegurar que a gestação transcorra de forma saudável para o binômio mãe-
filho. A partir de então é oferecido um acompanhamento que se adéque a cada caso.
Em casos em que doenças ou possíveis riscos sejam observados a gestante é
referenciada ao Serviço de Referência em Pré-natal de Cuidados Especiais ou Alto Risco de
cada região, recebendo atenção voltada para suas necessidades, sem, portanto, perder o
48

vínculo com a UBS mais próxima de sua residência. O que foi identificado no estudo a
presença do acompanhamento compartilhado entre a UBS e o alto risco, em 60 % das falas.

Estou sendo muito bem acompanhada em ambos os lugares tanto no posto como
aqui. Apesar de vim a insegurança, mas ao mesmo tempo quando a gente é bem
acompanhada e atendida pelos profissionais da saúde, já dá uma segurança. Estou
bem confiante que irá dá tudo certo*** *ges_22 *ida_03 *com_01 *esc_03 *tra_01
*rel_01 *obs_01 *idg_ 02 * psf_01 *fat_ 05

A importância da vinculação proporciona um cuidado efetivo, contínuo e integral,


não perdendo o vínculo com a UBS de origem e otimizando a qualidade da assistência, visto
que pós-parto a puérpera volta para seu território e continua seu acompanhamento o que
fortalece ainda mais a confiança. O atendimento compartilhado de maneira apropriada, ou
seja, mantendo uma comunicação articulada entre os serviços, torna-se um importante
diferencial na atenção à gestação, destacando-se para a integralidade da atenção à saúde como
princípio norteador do acompanhamento da gestante de alto risco (CABRITA, et al., 2015;
XAVIER, et al.,2015).
49

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Análise lexical a partir do software IRAMUTEQ, permitiu identificar as


representações sociais de gestantes sobre o cuidado clínico de enfermagem no pré-natal de
alto risco, com ênfase nos aspectos subjetivos mais importantes para cada grupo, bem como
os que são imperceptíveis para ambos os grupos.
As gestantes revelaram a vivência de sentimentos como ansiedade, medo e
insegurança durante a gestação, que influenciaram diretamente as condições clínicas e o
emocional dessas mulheres. Esse aspecto foi evidenciado como um importante fator de
vulnerabilidade diante de sua condição de saúde e do bebê.
O enfermeiro foi destacado pelas gestantes como essencial no cuidado pré-natal
de alto risco, sendo um profissional de referência no acolhimento e nas orientações de
cuidado, propiciando o empoderamento dessas gestantes quanto ao autocuidado. As
orientações, a troca de experiências, o respeito à singularidade de cada mulher foram os
principais aspectos mencionados nessa relação, proporcionando uma assistência permeada
pela abordagem holística do cuidado pré-natal, fazendo com que as gestantes se tornassem
protagonistas do seu cuidado.
A rede de cuidado compartilhada entre a UBS e o Serviço de Referência em Pré-
natal de Cuidados Especiais ou Alto Risco potencializa a integralidade dessa assistência,
oportunizando o vínculo e a corresponsabilização assistencial.
Em relação ao cuidado clínico de enfermagem na Hipertensão Gestacional, as
gestantes enfatizaram que a sensação de segurança no acompanhamento realizado,
valorizando a subjetividade da relação de cuidado entre enfermeiro/gestante e o
compartilhamento de experiências, resultando numa assistência individualizada, alicerçada
nas necessidades de saúde que permeiam a vivência de uma gestação de alto risco. Essa
relação de cuidado transcende as ações de cuidado voltadas para a doença, refletindo avanços
significativos no fazer do enfermeiro, resultando na efetivação na qualidade e integralidade na
assistência à gestante com hipertensão gestacional.
Conclui-se que a pesquisa revelou forte caráter social e da experiência vivenciada
para a formação das representações sociais, enfatizando aspectos do relacionamento
interpessoal, como os principais fatores relacionados ao cuidado clínico no pré-natal. As
gestantes possuíam uma visão abrangente do cuidado clínico, evidenciando a importância da
corresponsabilização das ações de cuidado.
50

O presente estudo apresentou como limitações o tamanho da amostra das


participantes, por motivo da pandemia da Covid-19, que alterou as condições de acesso para a
realização da pesquisa, mediante os protocolos da instituição de saúde. Salienta-se a
necessidade de ampliação para outros locais de pesquisa.
Acredita-se que este estudo agrega conhecimentos à área obstétrica e motiva a
contemplação do cenário do cuidado no pré-natal de alto risco, evidenciando a necessidade de
aprimorar as práticas de atenção ao pré-natal, levando em conta as evidências científicas e
peculiaridades de cada mulher, agregando teoria, técnica e humanização durante o cuidado ao
binômio mãe-filho, além da inclusão da família.
Espera-se que as análises, discussões e reflexões apresentadas neste estudo
contribuam para que sejam reconhecidas as fragilidades e potencialidades encontradas na
assistência prestada às gestantes de alto risco, fornecendo base de dados teórica para fins
didáticos em análises posteriores.
51

REFERÊNCIAS

AL-RUBAIE, Z. T. A., ASKIE, L.M; RAY, J.G, HUDSON, H.M, LORD, S.J. The
performance of risk prediction models for pre-eclampsia using routinely collected maternal
characteristics and comparison with models that include specialised tests and with clinical
guideline decision rules: a systematic review. Int J Obstetr Gynaecol., v. 9, n.123, p.1441-
52, 2016.

AMORIM, F. C. M.; NEVES, A. C. D. N.; MOREIRA, F. D. S.; OLIVEIRA, A. D. D. S.;


NERY, I. S. Perfil de gestantes com pré-eclâmpsia. Revista de enfermagem UFPE on line,
v. 11, n. 4, p. 1574-1583, 2017. Disponível em: [Link] Acesso
em: 11 jan. 2020.

ANDRADE, S.S.A; STOPA, S.R, BRITO, A.S; CHUERI, P.S.; SZWARCWALD, C.L.;
MALTA, D.C. Prevalência de hipertensão arterial autorreferida na população brasileira:
análise da Pesquisa Nacional de Saúde, 2013. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 24, n.2,
p. 297-304, 2015.

ANTUNES, M.B; DEMITTO, M.O; GRAVENA, A.A.F; PADOVANI, C.; PELLOSO, S.M.
Síndrome hipertensiva e resultados perinatais em gestação de alto risco. Revista Mineira de
Enfermagem, v. 21, p. 1-6, 2017

ARAÚJO, I. F. M.; SANTOS, P. A. D.; SANTOS, P. A. D.; FRANKLIN, T. A. Síndromes


hipertensivas e fatores de risco associados à gestação. Rev. enferm. UFPE on line, v.11,
n.10, p. 4254-4262, 2017.

ARRUDA, Â. Despertando do pesadelo: a interpretação. In: SOUSA, C. P.; ENS, T. R.;


BÔAS, L. V.; NOVAES, A. O..STANICH, K. A. B. (Orgs.). Ângela Arruda e as
representações sociais: estudos selecionados. Curitiba: Chmpangnat; São Paulo: Fundação
Carlos Chagas, 2014, p. 117 – 45.

ASSIS, I. L. R. Gravidez de alto risco: a percepção das gestantes. 2004. 90 f. Dissertação


(Mestrado em Enfermagem) - Departamento de Enfermagem, Universidade Federal de Minas
Gerais, Belo Horizonte, 2004.

BLACK K.D. Stresss, symptoms, self-monitoring confidence, well-being, and social support
in the progression of preeclampsia/gestacional hypertension. J Obstet Gynecol Neonatal
Nursing., v.36, p. 419-29, 2007.

BONOMI, A. Pré-Natal Humanizado: Gerando Crianças Felizes. São Paulo: Atheneu, 2001.

BORMIO, S. N. G. Fantasias inconsciente de gestantes portadoras de hipertensão


arterial crônica por meio da técnica do desenho-estória. 2008. 152 f. Tese (doutorado
emMedicina ) - Universidade Estadual Paulista, Botucatu, 2008.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações


Programáticas Estratégicas. Gestação de alto risco: manual técnico. 5. ed. Brasília:
Ministério da Saúde, 2010. 302 p. (Série A. Normas e Manuais Técnicos).
52

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 1459 de 24 de junho de 2011. Institui no âmbito do


Sistema Único de Saúde a Rede Cegonha. Diário Oficial da União, Brasília, 2011.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção


Básica. Atenção ao pré-natal de baixo risco. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. (Série A.
Normas e Manuais Técnicos).

BRASIL. Ministério da Saúde. Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012. Conselho


Nacional de Saúde. Diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo Seres
Humanos. 2012b. Disponível em: [Link]
Acesso em: 11 jan. 2020.

BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema de Informação sobre Mortalidade. Portal da


Secretaria de Atenção Primária a Saúde [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde, 2021.
Disponível em: [Link] Acesso em 20 ago. 2021.

BRITO, K. K. G.; MOURA, J. R. P.; SOUSA, M. J.; BRITO, J. V.; SANTOS, S. H.O;
SOARES, M. J. G. O. Prevalência das síndromes hipertensivas específicas da gestação
(SHEG). Revista de pesquisa Cuidado é fundamental online, v. 7, n. 3, p. 2717-2725,
2015.

BRUNELLO, M. E. F.; PONCE, M. A. Z.; ASSIS, E. G. D.; ANDRADE, R. L. D. P.,


SCATENA, L. M., PALHA, P. F.; VILLA, T. C. S. O vínculo na atenção à saúde: revisão
sistematizada na literatura, Brasil (1998-2007). Acta paulista de Enfermagem, v. 23, n.2, p.
131-135, 2010.

CABRITA, B. A. C.; ABRAHÃO, A. L.; ROSA, A. P.; FREITAS, F. D. S. F. A busca do


cuidado pela gestante de alto risco e a relação integralidade em saúde. Ciência, Cuidado e
Saúde, v. 14, n. 2, p. 1139-1148, 2015.

CAMARGO, B. V.; JUSTO, A. M. IRAMUTEQ: Um Software Gratuito para Análise de


Dados Textuais. Temas em Psicologia, v. 21, n. 2, p. 513-518, 2013. Disponível em:
[Link] Acesso em: 19 jan. 2020.

CARNEIRO, M.S.; TEIXEIRA, E.; SILVA, S.E.D.; CARVALHO, L.R.; SILVA, B.A.C.;
SILVA, L.F.C. Dimensões da saúde materna na perspectiva das representações sociais. Ver
Min Enferm., v.17, n. 2, p.446-453, 2013.

CARVALHO M.V.P, SILVA, T.M.P SOARES, N.S, CARVALHO, M.L., FERREIRA,


A.K.A, SOUSA, A.F.L. Mortalidade materna na capital do Piauí. Revista Interdisciplinar, v.
7, n. 3, p. 17-27, 2014.

CHAVES, L. D. P.; MININEL, V.A,; SILVA, J.A.M.D.; ALVES, L.R; SILVA, M.F.D.;
CAMELO, S.H.H. Supervisão de enfermagem para integralidade do cuidado. Revista
brasileira de enfermagem, v. 70, p. 1106-1111, 2017. Disponível em:
[Link] Acesso em: 19 jan. 2020.
53

COLLINS, A.; SUTTON, R. S.; HANDLEY, M.; OLIVER, D.; PATTERSON, L.; TEW, N.
L.; BOONE, M. An exemplar of team competence. Crit. Care. Nurse, v. 27, n. 2, p. 142-144,
2007. Disponível em: [Link] Acesso em: 11 jan.
2020.

COUTINHO, M. P. L; NÓBREGA, S. M., ARAÚJO, L. C. Software TRIDEUX- uma


ferramenta metodológica aplicada ao campo de pesquisas em representações sociais. In:
COUTINHO, M. P. L.; SARAIVA, E. R. A. Métodos de pesquisa em psicologia social:
perspectivas qualitativas e quantitativas. João Pessoa: Universitária, 2011, p. 107-147.

CRUZ, A. F. D. N.; VIEIRA, B. D. G.; ALVES, V. H.; RODRIGUES, D. P.; QUEIROZ, A.


B. A.; SANTOS, K. [Link] materna pela doença hipertensiva especifica da gestação:
estudo descritivo com abordagem quantitativa. Revista de Pesquisa Cuidado é
Fundamental, v. 8, n. 2, p. 4290-4299, 2016.

DADELSEN, V.P; MAGEE, L. Preventing deaths due to the hypertensive disorders of


pregnancy. Clin. obstet. gynaecol. v.36, n.4, p.83-102, 2016 Disponível em: [Link]
org/10.1016%[Link].2016.05.005. Acesso em 25 jan. 2020.

DIRETRIZES BRASILEIRAS DEHIPERTENSÃO ARTERIAL. Diretriz Brasileira de


Hipertensão Arterial, v. 107, n. 3, supl. 3, set. 2020. Disponível em:
[Link]
Acesso em: 04 jan. 2020.

DUTRA, D. D.; DUARTE, M. C. S.; ALBUQUERQUE, K. F.; LIMA, A. S.; SOUZA


SANTOS, J.; SOUTO, H. C. Doenças cardiovasculares e fatores associados em adultos e
idosos cadastrados em uma unidade básica de saúde Cardiovascular disease and associated
factors in adults and elderly registered in a basic health unit. Revista de pesquisa cuidado é
fundamental online, v. 8, n. 2, p. 4501-4509, 2016.

FERREIRA, M. A. Teoria das Representações Sociais e Contribuições para as Pesquisas do


Cuidado em Saúde e de Enfermagem. Esc Anna Nery, v.20, n. 2, p. 214-219, 2016.

FERREIRA, M.B.G; SILVEIRA, C.F; SILVA, S.R.D; SOUZA, D.J.D; RUIZ, M.T
Nursingcare for womenwithpre-eclampsiaand/or eclampsia: integrativereview. Rev. Esc.
Enferm. USP, São Paulo, v. 50, n. 2, p. 324-334, abr. 2016. Disponível em:
[Link]
62342016000200324&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 01 jan. 2020.

FERREIRA, E. T. M; MOURA, N.S; GOMES, S.M.L; SILVA, E.G.; GUERREIRO, M.D.;


ORIÁ, M.O.B. Características maternas e fatores de risco para pré-eclâmpsia em gestantes.
Rev Rene, v. 20. n. 1, e40327, 2019.

FONSECA, S. C. FLORES, P.V.G; CAMARGO, K.R; PINHEIRO, R.S; COELI, C.M.


Escolaridade e idade materna: desigualdades no óbito neonatal. Revista de Saúde Pública, v.
51, n. 2, p.1-9, 2017. Disponível em:
[Link] Acesso
em: 6 jul. 2021.
54

GOLD, R.A; GOLD, K.R; SCHILLING, M.F; MODILEVSKY, T. Efeito da idade, paridade
e raça na incidência de hipertensão e eclâmpsia associadas à gravidez nos Estados
Unidos. Pregnancy Hypertension: An International Journal of Women's Cardiovascular
Health, v. 4, n. 1, p. 46-53, 2014.

GONÇALVES, Z. R.; MONTEIRO, D. L. M. Complicações maternas em gestantes com


idade avançada. Femina, v. 40, n. 5, p. 275-9, set./out., 2012. Disponível em:
[Link] Acesso em: 20 dez. 2019.

GREGORIO, Z.F.P. et al. Gravidez de alto risco: o papel do enfermeiro num ambulatório
especializado de assistência pré-natal. Acta Paulista de Enfermagem, São Paulo, v. 20, n. 1,
p. 134- 141, jan-mar. 2007.

GUARESCHI, P. Apresentação a edição brasileira. In: MOSCOVICI, S. A psicanálise, sua


imagem e seu público. Petrópolis: vozes, 2012, p. 7-8.

HERCULANO, M. M. S. et al. Aplicação do processo de enfermagem a paciente com


hipertensão gestacional fundamentada em Orem. Rev. Rene, Fortaleza, v. 12, n. 2, p. 401-
408, abr./jun. 2011. Disponível em: [Link]
/[Link]. Acesso em: 12 dez. 2019.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Características gerais da


população, religião. 2021 - [Link]
[Link]?edicao=9749&t=destaques Acesso em: 12 dez. 2019.

JARDIM, M.J.A.; FONSECA, L.M.B.; SILVA, A.A. Contribuições do enfermeiro no pré-


natal para o empoderamento da gestante. Revista de Pesquisa Cuidado é Fundamental, v.
11, n. 2, p. 432-440, 2019.

JODELET, Denise. O movimento de retorno ao sujeito e a abordagem das representações


sociais. Sociedade e estado, v. 24, p. 679-712, 2009.

JODELET, Denise. Representações sociais: um domínio em expansão. As representações


sociais, v. 17, p. 44, 2001.

KASSEBAUM, N.J; BERTOZZI-VILLA, A.; COGGESHALL, M.S.; SHACKELFORD


K.A.; STEINER, C.; HEUTON, K.R. Níveis e causas globais, regionais e nacionais de
mortalidade materna durante 1990–2013: uma análise sistemática para o Global Burden of
Disease Study 2013. The Lancet , v. 384, n. 9947, p. 980-1004, 2014.

KAHHALE C, S.; VIEIRA, F. R. P.; ZUGAIB, M. Pré-eclâmpsia. Revista de Medicina, São


Paulo, v. 97, n. 2, p. 226-234, 2018.

KELLE, U. Análise com auxílio de computador. In: BAUER, M.; GASKELL, G. (orgs.)
Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático. Petrópolis: Vozes,
2013. p. 393-415.

KINTIRAKI, E.; PAPAKATSIKA, S.; KOTRONIS, G.; GOULIS, D.G; KOTSIS,


V. Pregnancy-Induced hypertension. Hormones (Athens), v. 14, n. 2, p. 211-223, 2015.
55

LAHLOU, S. Text Mining Methods: An answer to Chartier and Meunier. Papers on Social
Representations, v.20, n.38, p.1.-7, 2012

LANGER, M. Maternidade e sexo: Estudo psicanalítico e psicossomático. Porto Alegre:


Artes Médicas, 1981.

LAPLANCHE, Jean; PONTALIS, Jean-Bertrand. Vocabulário da psicanálise.


In: Vocabulário da psicanálise. 1988. p. 707-707.

MALDONADO, M. T. Psicologia da gravidez: parto e puerpério. 16. ed. São Paulo: Saraiva,
2002.

MARTINS, M.; MONTICELLI, M.; BRUGGEMANN, O. M.; COSTA, R. A produção de


conhecimento sobre hipertensão gestacional na pós-graduação stricto sensu da enfermagem
brasileira. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 46, n. 4, p. 802-808, 2012.

MATUMOTO, S.; MISHIMA, S. M.; PINTO, I. C. Saúde Coletiva: um desafio para a


enfermagem. Cadernos de Saúde Pública, v. 17, p. 233-241, 2001.

MELO, A.W; ALVES, J.I; FERREIRA, A.A; SOUZA, V.S; MARAN, E. Gestação de alto
risco: fatores associados em município do noroeste paranaense. Espaço para Saúde, v. 17, n.
1, p. 83-92, 2016.

MERLEAU-PONTY, M. Organização de Stéphanie Ménasé: Conversas – 1948. São Paulo:


Martins Fontes, 2004. 85p.

MINAYO, M.C.S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 13. ed. São
Paulo: Hucitec, Abrasco, 2013.

MORAIS, É.P; PODESTÁ, M.H; SOUZA, W.A; FERREIRA, E.B. Hipertensão arterial na
gestação: avaliação da adesão ao tratamento. Revista da Universidade Vale do Rio Verde,
v. 13, n. 2, p. 139-151, 2015.

MOREIRA, T.M.M; MONTEIRO, A.R.M; SILVA, L.M.S; RODRIGUES, D.P. O cuidado


clínico de enfermagem. Fortaleza: EdUECE, 2015. 436 p.

MOSCOVICI, S. Sobre representações sociais. Cognição social: Perspectivas sobre a


compreensão cotidiana , v. 8, n. 12, p. 181-209, 1981.

MOSCOVICI, S. Representações sociais: investigações em psicologia social. Tradução


Pedrinho A. Guareschi. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.

MOSCOVICI, S. Representações sociais: investigações em psicologia social. Petrópolis:


Vozes, 2012.

NÓBREGA, M. D. F.; SANTOS, M. T. B. R.; DAVIM, R. M. B.; OLIVEIRA, L. F. M.;


ALVES, É. S. R. C.; RODRIGUES, E. S. R. C. Perfil de gestantes com síndrome hipertensiva
em uma maternidade pública. Rev. enferm. UFPE, Recife, v. 10, n. 5, p. 1805-11, maio
2016. Disponível em: [Link] Acesso
em: 25 jan. 2020.
56

OLIVEIRA, J.C.S.; FERMINO, B.P.D; CONCEIÇÃO, E.P.M; NAVARRO, J.P. Assistência


pré-natal realizada por enfermeiros: o olhar da puérpera. Revista de Enfermagem do
Centro-Oeste Mineiro, v. 5, n. 2, p. 1613-1628, 2015.

OLIVEIRA, A.C.M.D; SANTOS, A.A; BEZERRA, A.R; BARROS, A.M.R.D; TAVARES,


M.C.M. Fatores maternos e resultados perinatais adversos em portadoras de pré-eclâmpsia em
Maceió, Alagoas. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 106, p. 113-120, 2016.

OLIVEIRA, G.S; PAIXÃO, G.P; FRAGA, C.D.S; SANTOS, M.K.R; ANDRADE, M.S.
Assistência de enfermeiros na síndrome hipertensiva gestacional em hospital de baixo risco
obstétrico. Revista Cuidarte, v. 8, n. 2, p. 1561-1572, 2017.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Recomendações da OMS para a prevenção e


tratamento da hemorragia pós-parto. Brasília: OMS, 2014.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE-OMS. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA


DE SAÚDE. Folha informativa- Mortalidade Materna, 2018. Disponível
em:[Link]
-informativa-mortalidade-materna&Itemid=820>. Acesso em: 22 jan. 2020.

PALACIOS, F.F; HAYES, N.; WAGNER, W. El discurso de lo cotidiano y el sentido común:


la teoría de las representaciones sociales. El discurso de lo cotidiano y el sentido común, p.
1-412, 2011.

PARCERO, S.M.J.; COELHO, E.A.C.; ALMEIDA, M.S.; ALMEIDA, M.S.;


NASCIMENTO, E.R. Características do relacionamento entre a mulher e seu parceiro na
ocorrência de gravidez não planejada. Rev. baiana enferm., v. 31, n.2, 2017.

PIO, D. A. M.; PERAÇOLI, J. C.; BETTINI, R. V. Vivências psíquicas de mulheres com pré-
eclâmpsia: um estudo qualitativo. Revista Psicologia e Saúde, v. 11, n. 2, p. 115-127,2019.

PORTO, M.A. Gestantes de alto risco em programa de alta hospitalar qualificada:


personalidade, estilo de vida e vivencias. 2018. 145f. Dissertação (Mestrado em Medicina) -
Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, São Jose do Rio Preto, 2018.

QUEVEDO, M. P.; LOPES, C. M. C.; LEFÈVRE, F. Os significados da maternidade para


mulheres cardiopatas e diabéticas com gravidez de risco. Journal of Human Growth and
Development, v. 16, n. 1, p. 12-21, 2006.

REFRANDE, S.M.; SILVA, R.M.C.R.A.; PEREIRA, E.R.; ROCHA, R.C.N.P.; MELO,


S.H.D.S; REFRANDE, N.A.; SANTOS, R.R.D. Nurses’ experiences in the care of high-risk
newborns: a phenomenological study. Rev. Bras. Enferm. v.72, supl. 3, p. 111-117, 2019.

RIBEIRO, J.F; RODRIGUES, C.O.; BEZERRA, V.O.; SOARES, M.S.; SOUSA, P.G.
Caracterização sócio demográfica e clínica da parturiente com pré-eclâmpsia. Rer Enferm
UFPE, v. 9, n. 5, p. 7917-23, 2015.

RICCI, S. E. Enfermagem materno-neonatal e saúde da mulher. 2 ed. Rio de janeiro:


Guanabara koogan, 2015.
57

RIEGERT, Isadora Tavares et al. Avaliação da satisfação de puérperas em relação ao


parto. Rev. enferm. UFPE on-line, p. 2986-2993, 2018.

RODRIGUES, N.C.P; MONTEIRO D.L.M; ALMEIDA, A.S.; BARROS, M.B.L; PEREIRA,


N.A, O’DWYER, G. Evolução temporal e espacial das taxas de mortalidade materna e
neonatal no Brasil, 1997-2012. Jornal de Pediatria, v. 92, p. 567-573, 2016.

SÁ, C.P. Estudos de psicologia social história, comportamento, representações e


memória. Rio de Janeiro: UERJ, 2015.

SALES, C. G.; AVELAR, T. C.; SANTOS A. R. L. Parto normal na gravidez de alto risco:
representações sociais de primíparas. Estudos e Pesquisas em Psicologia, v. 18. n. 1, p. 303-
320, 2018.

SANTOS FILHO, S. B.; SOUZA, K. V. Metodologia para articular processos de formação-


intervenção-avaliação na educação profissional em enfermagem. Ciência & Saúde Coletiva,
v. 25, n.1, p. 79-88, 2020.

SANTOS, J. L. G. D.; PESTANA, A. L.; GUERRERO, P.; MEIRELLES, B. S. H.;


ERDMANN, A. L. Práticas de enfermeiros na gerência do cuidado em enfermagem e saúde:
revisão integrativa. Rev. Bras. Enferm., v. 66, n. 2, p. 257-263, 2013.

SCHMALFUSS, J. M.; MATSUEI, R. Y.; FERRAZI, L. Mulheres em situação de perda fetal:


limitações assistenciais de enfermeiros. Rev Bras Enferm., v. 72, Suppl 3, p. 381-4, 2019.

SILVA, E. F. D.; CORDOVA, F. P.; CHACHAMOVICH, J. L. R.; & ZÁCHIA, S. D. A.


Percepções de um grupo de mulheres sobre a doença hipertensiva específica da gestação. Rev.
Gaúcha Enferm., Porto Alegre, v. 32, n. p. 316-22, jun. 2011.

SILVA, S.N.; SANTOS, M.A.; CAMPOS, N.P; SOUZA, C.; GONZAGA, M.M.; PEREIRA,
M.R.; SOARES, D.A. A importância do pré-natal na prevenção da toxicemia gravídica e o
papel do enfermeiro. Rev Saúde Foco, v. 9, n.1, p. 8-16, 2017.

SILVEIRA, L. C.; VIEIRA, A. N.; MONTEIRO, A. R. M.; MIRANDA, K. C. L.; SILVA, L.


D. F. D. Cuidado clínico em enfermagem: desenvolvimento de um Conceito na perspectiva de
reconstrução da prática Profissional. Esc Anna Nery, v. 17, n. 3, e2017- 0237, 2013.

SIQUEIRA, A.D.S.E, SIQUEIRA-FILHO, A.G.D, LAND, M.G.P. Análise do impacto


econômico das doenças cardiovasculares nos últimos cinco anos no Brasil. Arquivos
Brasileiros de Cardiologia, v. 109, p. 39-46, 2017.

SOARES, L.G; LENTSCK, M. H. Factors associated with hypertensive pregnancy syndrome:


analysis multiple in hierarchical models/Fatores associados à síndrome hipertensiva da
gestação: análise múltipla em modelos hierarquizados. Revista de Pesquisa Cuidado é
Fundamental Online, v. 13, p. 626-633, 2021.

SOARES, V. M. N. Mortalidade materna por pré-eclâmpsia/eclâmpsia em um estado do Sul


do Brasil. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, v. 31, p. 566-573, 2009.
58

SOUSA, M.G.; LOPES, R.G.C.; ROCHA, M.L.T.; LIPPI, U.G; COSTA, E.D.S; SANTOS,
C.M.P.D. Epidemiologia da hipertensão arterial em gestantes. Einstein, v. 18, n.1, p. 1-8,
2020. Disponível em: [Link] Acesso
em: 10 nov. 2020.

SOUZA, N. L.; ARAUJO, A. C. P. F.; COSTA, I. C. C. Os significados que as puérperas


atribuem à hipertensão gestacional e ao nascimento prematuro. Revista da Escola de
Enfermagem da USP, v. 45, p. 1285-1292, 2011.

SPECHT, J. K. Evidencebasedpractice in longtermcare settings. J. Korean Acad. Nurs., v.


43, n. 2, p. 145-153, 2017. Disponível em: [Link] 23703592.
Acesso em: 10 nov. 2019.

TEDESCO, J. J. A. Aspectos emocionais da gravidez de alto risco. In: TEDESCO, J. J.


A.; ZUGAIB, M.; QUAYLE, J. Obstetrícia psicossomática. São Paulo: Atheneu, 1998.
p.99-108.

TELLES, L. L.; JARDIM, S. R.; ROTENBERG, L. Me chama para conversar que eu gosto:
análise de experiência clínico-institucional com a enfermagem de um hospital psiquiátrico.
Ciência & Saúde Coletiva, v. 25, n. 1, p.181-190, 2020.

TOWNSEND, R.; O'BRIEN, P.; KHALIL, A. Melhores práticas atuais no tratamento de


distúrbios hipertensivos na gravidez. Controle integrado da pressão arterial, v. 9, p. 79,
2016.

TRINDADE, Z. A.; SANTOS, M. F. S.; ALMEIDA, A. M. O. Ancoragem: notas sobre


consensos e dissensos. In: ALMEIDA, A.M.O.; SANTOS, M. F. S,; TRINDADE, Z. A.
Teoria das Representações Sociais- 50 anos. Brasília: Technopolitik, 2011, p.101-120.

XAVIER, R.B; BONAN C.; SILVA, K.S; NAKANO, A.R. Itinerários de cuidados à saúde de
mulheres com história de síndromes hipertensivas na gestação. Interface, Botucatu, v.19, v.1,
p.1109-1120, 2015.

ZANATELLI, C.; DOBERSTEIN, C.; GIRARDI, J.P; POSSER, J.; BECK,


D.G.S. Síndromes hipertensivas na gestação: estratégia para redução da mortalidade
materna. Revista saúde integrada, v. 9, n. 17, p. 73-81, 2016.
59

APÊNDICE A – DADOS SOCIODEMOGRÁFICOS E CLÍNICOS DAS GESTANTE

DADOS SOCIODEMOGRÁFICOS E OBSTÉTRICOS DAS GESTANTES

Iniciais__________________________
Procedência: ______________________
Estado Civil:
Idade
Com companheiro
Sem companheiro
Escolaridade:
Não alfabetizada
Fundamental Incompleto
Fundamental Completo
Ensino Médio Incompleto
Ensino Médio Completo
Ensino Superior Completo
Ensino Superior Incompleto
Profissão:
Trabalho remunerado
Sem trabalho remunerado
Renda per capita:_________________ Número de pessoas que moram na casa
Religião e/ou crenças:
Cristã
Espírita
Nenhuma
2. Aspectos obstétricos
Paridade: Multípara Primípara
Idade gestacional: _____________________
Pré-natal: Unidade de Atenção Primária que faz acompanhamento:
___________________________________________________________________
Maternidade de Referência que faz acompanhamento:
___________________________________________________________________
Total de consultas realizadas até o dia da coleta:____________________________
Fatores de risco:
Diabetes Mellitus tipo 1 tipo 2
Sobrepeso
Doença renal crônica
História de trombofilia
História familiar de eclâmpsia ou pré-eclâmpsia
História pessoal de eclampsia ou pré-eclâmpsia
60

APÊNDICE B – ROTEIRO DE ENTREVISTA PARA AS GESTANTES

ROTEIRO DE ENTREVISTA PARA AS GESTANTES

1- Como está sendo a experiência desta gestação?

2- O que é para você o cuidado do Enfermeiro no pré-natal de alto risco?


61

APÊNDICE C – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO PARA


AS GESTANTES (TCLE)

Você está sendo convidado(a) para participar da pesquisa intitulada “REPRESENTAÇÕES


SOCIAIS DE GESTANTES COM HIPERTENSÃO GESTACIONAL ACERCA DO
CUIDADO CLÍNICO DE ENFERMAGEM NO PRÉ-NATAL DE ALTO RISCO”
coordenada pela profa. Dra. Dafne Paiva Rodrigues, enfermeira e professora do Curso de
Enfermagem da Universidade Estadual do Ceará (UECE). Esta pesquisa traz como objetivo
compreender percepções, significados e sentimentos de gestantes com pré-eclâmpsia acerca
do pré-natal de alto-risco. Caso você autorize, você irá participar de: 1) um questionário sobre
o perfil sociodemográfico e obstétrico e 2) uma entrevista para emitir as suas opiniões sobre a
atenção pré-natal recebida.
A sua participação não é obrigatória e, a qualquer momento, poderá desistir da participação.
Tal recusa não trará prejuízos em sua relação com o pesquisador ou com a instituição em que
recebe cuidados de saúde. Há riscos quanto a sua participação como algum constrangimento
ou ansiedade durante a realização da pesquisa, mas que serão resolvidos com a interrupção da
sua participação e apoio do pesquisador para diminuir esses riscos. Tudo foi planejado para
minimizar os riscos da sua participação, porém se sentir desconforto emocional, dificuldade
ou desinteresse poderá interromper a participação e, se houver interesse, conversar com o
pesquisador.
A participação é voluntária e você não receberá remuneração por esta avaliação. A sua
participação poderá contribuir para a qualidade da assistência as gestantes com pressão alta ou
pré-eclâmpsia a partir da criação e validação de uma tecnologia para melhorar a qualidade da
atenção pré-natal por enfermeiros. As suas respostas não serão divulgadas de forma a
possibilitar a identificação. Além disso, você está recebendo uma cópia deste termo onde
consta o telefone do pesquisador principal, podendo tirar dúvidas agora ou a qualquer
momento.

Pesquisadora: Francisca Josiane Barros Pereira Nunes. Mestranda do Programa de Pós-


graduação em Cuidados Clínicos em Enfermagem e Saúde da UECE. Curso de
Enfermagem/Centro de Ciências da Saúde-UECE. Fone: (85) 3101.9823. E-mail:
josyanebarrosp@[Link]

Fortaleza,___de__________ 20___.

ASSINATURA DO ASSINATURA DO
PARTICIPANTE PESQUISADOR

___________________________ ___________________________
62

ANEXO A – PARECER CONSUBSTANCIADO DO CEP


63
64
65

ANEXO B – PARECER CEP


66
67
68
69
70
71

ANEXO C – DECLARAÇÃO

Você também pode gostar