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Morfologia e Cultivo do Maracujazeiro

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O maracujá é uma planta dicotiledônea originária da América Tropical, pertence à


ordem Malpighiales, à família Passifloraceae e ao gênero Passiflora, reunindo mais de 500
espécies conhecidas. Entre elas, destacam-se as mais cultivadas comercialmente: Passiflora
edulis Sims f. edulis (maracujá-roxo), P. edulis f. flavicarpa Degener (maracujá-amarelo) e P.
alata Curtis (maracujá-doce) (WFO, 2025; Faleiro et al., 2017a).

3.1 Morfologia do maracujazeiro


​ O maracujazeiro é uma planta trepadeira herbácea ou semilenhosa, com presença de
gavinhas nas axilas das folhas, as quais são utilizadas para a fixação da planta em superfícies
verticais. Apresentam crescimento vigoroso, atingindo de 5 m a 10 m de comprimento (de
Jesus; Faleiro, 2016)

3.1.1 Sistema radicular


​ O sistema radicular do maracujazeiro é superficial de raiz pivotante, concentrando
entre 0,15 m a 0,45 m de profundidade, com distribuição radial entre 0,45 m a 1,35 m a partir
do caule (Carvalho-Okano; Vieira, 2001; da Cunha; Barbosa; Faria, 2004).

3.1.2 Caule
​ Segundo Carvalho-Okano e Vieira (2001), o caule é semi-flexível, de formato
cilíndrico ou 3-5 anguloso, com ângulos, em alguns casos, ligeiramente alados. Podem ser
pilosos ou glabros e estriados longitudinalmente, dependendo da espécie (Vanderplank, 1996).

Imagem 01: Caule do maracujazeiro.


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Fonte: Autoral, 2025.

3.1.3 Folha
​ Segundo da Cunha, Barbosa e Faria (2004), as folhas são simples (raramente
compostas), alternas, inteiras ou lobadas, de margem inteira ou serrilhada (raramente
glandular-serrilhada). Apresentam 3 ou 5 nervuras, sendo pouco comum peninérveas.

Imagem 02: Folha lobada (A) e folha inteira (B).

Fonte: Autoral, 2025.

Não obstante, podem apresentar glândulas nectaríferas na face abaxial na forma de


océolos. Segundo os autores, o pecíolo possui glândulas nectaríferas, variando em número
(podendo ser ausente) e formato, sendo uma característica utilizada por botânicos para a
identificação de espécies (Carvalho-Okano; Vieira, 2001).
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Imagem 03: glândulas nectaríferas na face abaxial da folha (A) e no pecíolo (B).

Fonte: Autoral, 2025.

​ Algumas folhas podem apresentar estípulas de formas variadas, como lineares,


foliáceas ou em forma de seta. Essas estruturas podem ser persistentes ou caducas e seu
hábito, bem como sua sua conformação, também servem como característica de
reconhecimento botânico (Vanderplank, 1996).

3.1.4 Gavinha
​ São folhas modificadas presentes nas axilas foliares de plantas com hábito trepador,
servindo para prender as plantas nas superfícies em que se amparam durante o seu
crescimento. No maracujá, na maioria dos casos, aparece de forma unitária (da Cunha;
Barbosa; Faria, 2004).

Imagem 04: Gavinha do maracujazeiro


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Fonte: Autoral, 2025.

3.1.5 Flor
​ A flor do maracujazeiro é popularmente conhecida como “flor-da-paixão”, nome que
remonta a 1610, quando o italiano Jacomo Bosio descreveu sua aparência como uma
representação simbólica da Paixão de Cristo. De acordo com Vanderplank (1996), os
filamentos da corona remeteriam-se à coroa de espinhos; o androginóforo seria a coluna de
flagelação; os estigma seriam os cravos, enquanto os estames as cinco chagas de Cristo.
​ Em relação aos aspectos botânicos, a flor é completa, actinomorfa, aparecendo na
axila floral isoladas ou aos pares (raramente em algumas espécies). O cálice é pentâmero,
gamossépalo, carnoso ou membranoso, de coloração esverdeada ou colorida, com o tubo
calicinal variando entre pateliforme, campanulado, infundibuliforme ou curto, dependendo da
espécie (Vanderplank, 1996; Carvalho-Okano; Vieira, 2001).
​ A corola é pentâmera, com as pétalas menores e mais finas que as sépalas, estando
dispostas alternadamente a essas. Se desenvolvem na margem do tubo calicinal, apresentando
coloração variada (Vanderplank, 1996).
A corona é uma estrutura filamentosa localizada na extremidade apical do tubo
calicinal, disposta em um ou mais círculos, dispondo de coloração e tamanho diversos. Tal
estrutura apresenta grande importância taxonômica (Vanderplank, 1996; Carvalho-Okano;
Vieira, 2001).
O opérculo é uma estrutura membranosa localizada abaixo da corona, dentro do tubo
calicinal. Essa estrutura se projeta de forma radial em direção ao centro da flor, protegendo as
câmaras nectaríferas de agentes não-polinizadores. O opérculo possui importância na
identificação das espécies por apresentar tamanho, forma e coloração variados. (Vanderplank,
1996; Carvalho-Okano; Vieira, 2001).
O androginóforo se refere a estrutura colunar que sustenta o androceu e o gineceu. O
androceu é isostêmone e monadelfo. As anteras são dorsifixas e se abrem para a exposição do
grão de pólen de coloração amarelada. O gineceu possui ovário súpero, unilocular, com
placentação parietal, apresentando de 20 a 200 óvulos. Apresentam 3 estiletes livres, cada um
apresentando um estigma capitado (Vanderplank, 1996; Carvalho-Okano; Vieira, 2001).

Imagem 05: Flor do maracujazeiro.


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Fonte: Thea, 2025.

3.1.6 Fruto
​ O maracujá é um fruto do tipo baga indeiscente. Apresenta forma oval ou globosa,
com pericarpo carnoso (polpa mucilaginosa), cuja quantidade depende do número de
sementes fecundadas na polinização Além disso, sua casca é coriácea, lisa e quebradiça, de
coloração variada (comercialmente comum amarelo e roxo). Já as sementes são ovaladas,
compridas, com testa rígida, envoltas por arilo carnoso, ou em algumas espécies saciforme ou
membranoso (Vanderplank, 1996; Carvalho-Okano; Vieira, 2001).

Imagem 06: Flor do maracujazeiro.

Fonte: Autoral, 2025.

4 ESPÉCIES E CULTIVARES

O termo “maracujazeiro” é usado para se referir a todas as plantas do gênero


Passiflora. Estima-se que existam mais de 500 espécies desse gênero, sendo entre 150 e 200
nativas do Brasil, muitas delas apresentando frutos comestíveis. As espécies mais cultivadas
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comercialmente são a Passiflora edulis Sims f. edulis (maracujá-roxo), a P. edulis f.


flavicarpa Degener (maracujá-amarelo) e a P. alata Curtis (maracujá-doce). No entanto,
muitas outras espécies são cultivadas e consumidas tanto no Brasil, quanto no mundo.
(Faleiro et al., 2017a; Faleiro et al., 2017b; da Cunha; Barbosa; Faria, 2004).

4.1 Passiflora edulis Sims


​ Trata-se de uma espécie com frutos de alta qualidade e excelente rendimento
industrial, sendo atualmente a mais cultivada no mundo. Apresenta duas formas amplamente
exploradas, cada uma com finalidades específicas: edulis (maracujá-roxo) e flavicarpa
(maracujá-amarelo) (Faleiro et al., 2017b). Atualmente há 26 cultivares de Passiflora edulis
Sims registradas no banco do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA, 2025).

4.1.1 P. edulis Sims f. edulis


​ Conhecido como maracujá-roxo, maracujá-peroba-roxo ou maracujá-de-comer, a
espécie é bastante cultivada, principalmente, na Colômbia. O maracujá-roxo apresenta frutos
saborosos, doces e bem aromáticos. Seu formato é globoso, com aproximadamente 5 cm de
comprimento e de casca roxa quando maduro. (Carvalho-Okano; Vieira, 2001; Da Cunha;
Barbosa; Faria, 2004).
​ Morfologicamente, caracteriza-se como uma trepadeira de caule cilíndrico, com folhas
trilobadas, apresentando três nervuras partindo da base, e de bordas serrilhadas. Pode
apresentar folhas bilobadas ou inteiras ovaladas durante o período juvenil. As estípulas são
caducas em formato de seta. Ainda, apresenta no ápice do pecíolo um par de glândulas
sésseis. As flores são solitárias, apresentando três brácteas ovais de bordos serrilhados; sépala
verde e branca nas faces abaxial e adaxial, respectivamente; pétalas brancas e corona com
filamentos roxo e branco (Carvalho-Okano; Vieira, 2001; Da Cunha; Barbosa; Faria, 2004).

4.1.2 P. edulis Sims f. flavicarpa Degener


​ Conhecido como maracujá-amarelo, maracujá-azedo, maracujá-peroba, entre outros
nomes, diferencia-se do P. edulis Sims f. edulis por apresentar um par de glândulas marginais
nas sépalas externas; corona púrpura intenso na parte basal e frutos maiores (6 cm a 12 cm) de
coloração amarelada com polpa mais ácida, destinado principalmente, para fabricação de
polpa concentrada pu consumo in natura (Carvalho-Okano; Vieira, 2001; Da Cunha; Barbosa;
Faria, 2004).
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4.1.3 BRS Gigante Amarelo


​ Cultivar de maracujá-amarelo bastante produtiva de frutos para o mercado in natura.
Os frutos são oblongos, amarelo brilhante, ligeiramente achatado nas extremidades. Sua
massa varia de 120 g a 350 g, com polpa amarela de rendimento de 40%. Sua produção varia
de 30 t ha-1 a 49 t ha-1 no primeiro ano de cultivo. Ainda, a cultivar não apresenta tolerância a
geadas, devendo-se evitar o seu cultivo em regiões propensas ao fenômeno (De Jesus et al.
2017).

4.1.4 BRS Rubi do Cerrado


Apresenta alta produtividade, frequentemente superior a 50 t ha⁻¹. A casca dos frutos
varia entre vermelha e amarela, sendo cerca de 50% dos frutos com coloração vermelha. A
polpa, de cor amarelo intenso, possui rendimento médio de 35% e teor de sólidos solúveis em
torno de 14 °Brix. Trata-se de uma cultivar de dupla aptidão, com bom desempenho tanto para
consumo in natura quanto para a indústria. No entanto, apresenta baixa tolerância ao vírus do
endurecimento dos frutos do maracujazeiro (Cowpea aphid-borne mosaic virus – CABMV) e
à bactériose Xanthomonas axonopodis pv. passiflorae (De Jesus et al. 2017).

4.1.5 IAC Paulista


​ Híbrido de casca roxa-avermelhada e pouca de coloração amarelo-alaranjada.
Apresenta sabor agradável, suave, de menor acidez e maior teor de sólidos solúveis. Essa
cultivar produzida pelo Instituto Agronômico de Campinas se apresenta como alternativa
interessante para a exportação de frutas frescas pela qualidade da polpa e coloração da casca
atraente ao mercado externo (De Jesus et al. 2017).

4.2 Passiflora alata Curtis


​ Conhecido como maracujá-doce, maracujá-de-refresco, maracujá-de-comer,
maracujá-guaçú entre outras nomes, o P. alata Curtis é o maracujá mais consumido ao natural
devido ao sabor adocicado e refinado de sua polpa. Não somente destinada ao consumo in
natura, o maracujá-doce apresenta substâncias de valor medicinal, como calmofilase,
maracujina e passiflorina, extraídas de todas as partes da planta. Ainda, essa espécie apresenta
grande utilidade ornamental devido às suas flores vermelhas grandes e vistosas (Machado et
al. 2017; Carvalho-Okano; Vieira, 2001; Manica, I., 2005) .
​ Morfologicamente, descreve-se como uma trepadeira glabra, de caule quadrangular e
fortemente alado. Apresenta folhas inteiras, com estípulas linear-lanceoladas não séssil. A flor

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