Diabetes Gestacional: Definição e Fatores
Diabetes Gestacional: Definição e Fatores
GESTACIONAL EPIDEMIOLOGIA
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ocorre hipoglicemia, o que, segundo - A função renal, apesar de evidências de
algumas referências, representaria um sinal alterações significativas na gestação,
de alerta para a ocorrência de insuficiência parece retornar aos níveis pré-gravídicos ao
placentária, visto que resistência elevada à término da mesma
insulina é decorrente principalmente da - As evidências confirmam que a presença
produção placentária do hormônio de nefropatia diabética encerra pior
lactogênio placentário. prognóstico gestacional, com aumento do
risco de abortamento, parto prematuro, pré-
PUERPÉRIO
eclâmpsia, CIUR, morte neonatal
❖ Ocorre uma queda brusca da necessidade ❖ Pré-eclâmpsia: Há aumento na incidência
de insulina por uma redução abrupta dos de pré- eclâmpsia. No entanto, a
hormônios contrainsulínicos produzidos pela fisiopatologia é incerta
placenta.
RASTREAMENTO E DIAGNÓSTICO
QUADRO CLÍNICO
❖ Diferentes métodos são atualmente utilizados
❖ A gestantes com diabetes gestacional, em para o diagnóstico de DMG
geral, são assintomáticas, mas quando ❖ A investigação de DMG deve ser feita em
apresentam sintomas é comum queixar-se todas as gestantes sem diagnóstico prévio
de: de diabetes
- Polidipsia ❖ A presença de fatores associados com maior
- Polifagia risco de hiperglicemia na gravidez não deve
- Ganho exagerado de peso (materno ou ser utilizada para fins de rastreamento de
fetal) DMG
- Polaciúria ❖ Na primeira consulta pré-natal, deve ser
- Cansaço solicitada glicemia de jejum, com o principal
- Mal-estar objetivo de detectar o diabetes preexistente
- Edema MMSS/ MMII ❖ A hiperglicemia inicialmente detectada em
- Visão turva qualquer momento da gravidez deve ser
❖ Glicosúria: O aumento progressivo do débito categorizada e diferenciada em DM
cardíaco da gestante acarreta aumento do diagnosticado na gestação (do inglês overt
fluxo plasmático renal com elevação da diabetes) ou em DMG
filtração glomerular - Se o valor encontrado for ≥ 126 mg/dL, será
- Este fato compromete a capacidade de feito o diagnóstico de DM diagnosticado na
reabsorção tubular máxima para a glicose e gestação
promove a glicosúria, mesmo na vigência de - Se a glicemia plasmática em jejum for ≥ 92
glicemia normal mg/dL e < 126 mg/dL, será feito o
❖ Infecção Urinária: Há aumento na incidência diagnóstico de DMG.
de infecção urinária, provavelmente ❖ Em ambos os casos, deve-se confirmar o
decorrente da glicosúria observada resultado com uma segunda dosagem da
❖ Candidíase Vaginal: Há aumento na glicemia de jejum
incidência desta afecção. Possivelmente, ❖ Caso a glicemia antes da 20ª semana seja
resulta da acidificação do meio vaginal pelo < 92 mg/dL, a gestante deve realizar um
acúmulo de glicogênio em sua mucosa. novo TOTG no segundo trimestre, entre a 24a
❖ Lesões Vasculares: O agravamento de lesões e 28a semanas de gestação.
vasculares preexistentes, como as renais e as ❖ Considerando-se as especificidades do Brasil,
da retina, é tema controverso e carece de a proposição de duas estratégias de
comprovação científica diagnóstico de DMG para nossa população,
na dependência da viabilidade financeira e
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disponibilidade técnica de cada região, é deve-se repetir a glicemia de jejum de 24 a
importante para alcançar a maior cobertura 28 semanas
possível e, desta forma, diminuir a iniquidade
TRATAMENTO
no acesso
❖ Evidências sugerem que a intervenção em
COM VIABILIDADE FINANCEIRA E
gestantes com DMG pode diminuir a
DISPONIBILIDADE TÉCNICA TOTAL
ocorrência de eventos adversos na gravidez
❖ Todas as gestantes com glicemia de jejum
DIETA
inferior a 92 mg/dL devem realizar o TOTG
com 75 g de glicose de 24 a 28 semanas. ❖ O tratamento inicial do DMG consiste em
❖ Se o inicio do pré-natal for tardio (após 20 orientação alimentar que permita ganho de
semanas de idade gestacional) deve-se peso adequado e controle metabólico
realizar o TOTG com a maior brevidade ❖ O cálculo do valor calórico total da dieta
possível deve ser feito de acordo com o índice de
❖ Estima-se que assim sejam detectados 100% massa corporal (IMC)
dos casos ❖ O ganho de peso indicado ao longo da
❖ O teste oral de tolerância à glicose (TOTG) gestação baseia-se, idealmente, na
deve ser precedido por dieta sem restrição avaliação do IMC pré-gestacional ou no IMC
de carboidratos ou com, no mínimo, obtido no início do pré-natal
ingestão de 150 g de carboidratos nos 3 dias ❖ O valor calórico total prescrito deve ser
anteriores ao teste, com jejum de 8 horas individualizado e conter:
- 40 a 55% de carboidratos
COM VIABILIDADE FINANCEIRA E
- 15 a 20% de proteínas
DISPONIBILIDADE TÉCNICA PARCIAL
- 30 a 40% de gorduras
❖ Todas as gestantes devem realizar a glicemia ❖ E recomenda-se consumo mínimo diário de:
de jejum no início do pré-natal para - 175 g de carboidratos
diagnóstico de DMG e de DM diagnosticado - 71 g de proteínas (1,1 g/kg/dia)
na gestação, e, caso o resultado do exame - 28 g de fibras
apresente valores inferiores a 92 mg/dL,
antes de 24 semanas de idade gestacional,
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❖ Deve-se dar preferência ao consumo de ecografia realizada entre a 29a e a 33a
alimentos que contenham carboidratos com semanas de gestação
baixo índice glicêmico. A insulina é a primeira escolha na
- A dieta com baixo índice glicêmico no terapêutica medicamentosa para controle
DMG se associou à diminuição da glicêmico no período gestacional, devido à
necessidade de indicar o uso de insulina e sua eficácia comprovada e à pequena
menor ganho de peso ao nascer passagem placentária.
❖ São escassos os estudos de segurança do
uso de adoçantes na população de ❖ A dose inicial de insulina é de 0,5 U/kg, com
gestantes ajustes individualizados para cada caso
- Os edulcorantes (aspartame, sacarina, ❖ Em geral, associam-se insulinas humanas de
acessulfame-K e sucralose) podem ser ações intermediária e rápida
usados como alternativa para a substituição ❖ Os análogos de insulina asparte e lispro têm
da sacarose, entretanto, devem ser utilizados vantagens sobre a insulina regular,
com moderação. promovendo melhor controle dos níveis de
glicemia pós-prandiais com menor
ATIVIDADE FÍSICA ocorrência de hipoglicemias
❖ O análogo de ação prolongada detemir,
❖ A prática de atividade física deve fazer
após a conclusão de um estudo
parte do tratamento do DMG, respeitando-
randomizado controlado realizado em
se as contraindicações obstétricas
mulheres com DM1, é classificado pela
❖ A prática de atividade física promoverá:
agência reguladora norte-americana Food
- Sensação de bem-estar
and Drug Administration (FDA) e pela Anvisa
- Menor ganho de peso
como A para uso durante a gestação
- Redução da adiposidade fetal
❖ O uso de glargina, segundo a bula aprovada
- Melhor controle glicêmico
pela Anvisa pode ser considerado durante a
- Menos problemas durante o parto
gravidez, se clinicamente necessário, e
❖ Contraindicações:
pertence à categoria C na gestação
- Hipertensão induzida pela gravidez
- Ruptura prematura de membranas O uso de análogos de insulina de ação
- Trabalho de parto prematuro rápida, tais como as insulinas asparte e
- Sangramento uterino persistente após o lispro, é seguro durante a gravidez,
segundo trimestre propiciando melhor controle dos níveis de
- Restrição de crescimento intrauterino glicemia pós-prandial e menor risco de
hipoglicemia. A insulina NPH humana é a
INSULINOTERAPIA primeira escolha dentre as insulinas
basais.
❖ Recomenda-se o monitoramento das
glicemias capilares pré e pós-prandiais
quatro a sete vezes por dia, especialmente ANTIDIABÉTICOS ORAIS
nas gestantes que usam insulina ❖ Em relação ao uso de antidiabéticos orais na
❖ Após 2 semanas de dieta, se os níveis gravidez, número crescente de estudos não
glicêmicos permanecerem elevados (jejum ≥ mostra efeitos deletérios materno-fetais do
95 mg/dL e 1 hora pós-prandial ≥ 140 mg/dL uso da metformina na gestação
ou 2 horas pós-prandiais ≥ 120 mg/dL), deve- - A metformina ultrapassa a barreira
se iniciar tratamento farmacológico placentária
❖ O critério de crescimento fetal para início da - Em bula, por determinação da Anvisa, a
insulinoterapia é uma alternativa quando a metformina é categoria B. Estudo
medida da circunferência abdominal fetal randomizado controlado observou que o uso
for igual ou superior ao percentil 75 em uma
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de metformina a partir do segundo trimestre neonatal e macrossomia, sugerindo que essa
foi seguro para as mães e para os fetos medicação não deva ser utilizada no
❖ Filhos de mulheres incluídas no estudo tratamento do diabetes na gestação
Metformina em Diabetes Gestacional (MiG) ❖ Outros agentes orais não foram
foram acompanhados e avaliados adequadamente estudados na gestação e
prospectivamente em comparação com a são contraindicados
prole de mães tratadas com insulina durante
CONTROLE GLICÊMICO NA GRAVIDEZ E
a gestação, configurando a coorte MIG
AVALIAÇÃO CLÍNICA
TOFU (do inglês “The Offspring Follow-Up”)
- No resultado não foram observados eventos ❖ O acompanhamento da gestante diabética
adversos graves no acompanhamento em também apresenta algumas variações entre
médio prazo das crianças expostas os diversos autores, porém, de uma forma
- No entanto, até o momento ainda não há geral, segue-se da seguinte forma:
dados disponíveis sobre o efeito metabólico - Medições de glicemia capilar diárias pela
desta população na vida adulta decorrente manhã em jejum, antes do almoço, antes do
desta exposição jantar, uma ou duas horas após o almoço e
❖ Situações nas quais o uso de metformina uma ou duas horas após o jantar em
poderia ser considerado: diabéticas em uso de insulina
- Falta de adesão da paciente ao uso de - Glicemia capilar de jejum e pós-prandiais
insulina nas consultas e a critério médico
- Não acessibilidade à insulina - Glicemia de jejum e pós-prandial semanal
- Dificuldade na autoadministração de para as gestantes com diagnóstico de
insulina diabetes gestacional
- Estresse para a paciente em níveis - Função renal com dosagem trimestral de
exacerbados decorrentes uso de insulina e ureia, creatinina e proteinúria nas diabéticas
que determina restrição alimentar não prévias
corrigida mesmo após orientação - Fundo de olho trimestral nas diabéticas
adequada prévias
- Necessidade de altas doses diárias de
insulina (>100 UI) sem resposta adequada no PARTO
controle glicêmico e ganho de peso
❖ As gestantes com ótimo controle metabólico
excessivo em uso de insulina
e que NÃO APRESENTAM antecedentes
❖ A glibenclamida, embora de forma menos
obstétricos de morte perinatal, macrossomia
contínua do que a metformina, também
ou complicações associadas, como
apresenta passagem placentária
hipertensão, podem aguardar a evolução
- Seu uso está associado ao aumento do
espontânea para o parto até o termo
risco de hipoglicemia neonatal, maior ganho
- Não se indica cesariana em razão do DMG,
de peso materno, maior ganho de peso
sendo a via de parto uma decisão obstétrica
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PÓS-PARTO
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❖ É fundamental indicar a manutenção do ❖ Parece decorrer de uma hipoxemia de
peso adequado, revisando as orientações consumo, em que a hiperglicemia provoca
sobre dieta e atividade física uma disfunção no transporte de oxigênio e
❖ Mulheres com intolerância à glicose e no metabolismo fetal.
histórico de DMG devem mudar seus hábitos ❖ ALTERAÇÕES DO VOLUME DO LÍQUIDO
de vida, com dieta adequada e exercícios AMNIÓTICO
físicos, mantendo um peso próximo do ideal ❖ A polidramnia acomete 25% das grávidas
para evitar o aparecimento do diabetes diabéticas
❖ São considerados fatores de risco para o ❖ Resulta do aumento da diurese fetal, devido
desenvolvimento de DM do tipo 2 em à hiperglicemia
mulheres com DMG prévio: ❖ A maior concentração de glicose no líquido
- Glicemia em jejum na gestação acima de amniótico provoca, por efeito osmótico,
100 mg/dL aumento da captação de água para o
- Etnia não branca líquido
- História familiar de diabetes tipo 2, ❖ Índices de Líquido Amniótico (ILA) superiores
principalmente materna a 18 possuem relação com macrossomia
- Ganho excessivo de peso durante ou após fetal
a gestação ❖ A avaliação ultrassonográfica deve ser
- Obesidade (Obesidade abdominal) realizada a cada quatro semanas após a 28ª
- Dieta hiperlipídica semana
- Sedentarismo
- Uso de insulina na gestação FETAIS
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provocando aumento das proteínas, dos
lipídios e do glicogênio corpóreo, o que
confere ao neonato aspecto característico
- A insulina tem efeito no feto semelhante ao
do hormônio de crescimento, provocando
crescimento e ganho de peso excessivos.
- Não há, portanto, edema e sim acúmulo de
gordura e visceromegalia.
- O feto macrossômico apresenta menor
chance de nascer por parto vaginal. Neste
caso, há um aumento da incidência de
distocia (principalmente de espáduas) e de
partos operatórios.
❖ Recomenda-se a realização de parto
operatório (cesariana) em fetos com
peso estimado > 4.000-4.500 g
❖ Assim como o abortamento, estas
❖ Crescimento Intrauterino Restrito:
malformações possuem relação direta com
- Resulta do comprometimento das trocas
a elevação da glicemia de jejum e da
placentárias em função da doença vascular
hemoglobina glicosilada antes da gravidez
do vilo terciário.
ou no primeiro trimestre
❖ Idealmente, os níveis de hemoglobina DISTOCIA DE ESPÁDUAS
glicosilada no início da gestação devem ser ❖ É definida como a dificuldade na liberação
menores que 7%, havendo aumento dos ombros fetais durante o parto vaginal de
progressivo do risco de malformações fetais feto em apresentação cefálica
com a elevação dos seus níveis ❖ Pode ocorrer em qualquer gestação, mas
- Recomenda-se HbA1c < 6,5% antes da nitidamente tem sua frequência aumentada
concepção, visando a menor risco de com o aumento do peso fetal, como na
anomalias congênitas(SBD) macrossomia fetal, além da deposição de
❖ No diabetes gestacional o risco de gordura em tronco, a qual pode contribuir
anomalias fetais não está aumentado, assim para tal dificuldade no parto.
como de abortamento SOFRIMENTO FETAL
- Isto ocorre porque no diabetes gestacional ❖ Ainda não estão bem esclarecidas as causas
a hiperglicemia surge no segundo trimestre, da hipóxia e da morte fetal súbita
após o período de organogênese PREMATURIDADE
❖ Da mesma forma, não está aumentado o ❖ A maior incidência de partos prematuros nas
risco de óbito fetal, exceto nos casos com grávidas diabéticas decorre da
hiperglicemia de jejum > 105 mg/dl hiperdistensão uterina da polidramnia, da
persistente nas últimas semanas da gestação insuficiência placentária, de alterações
DISTÚRBIO DO CRESCIMENTO metabólicas motivadas pela instabilidade no
❖ Macrossomia (peso maior que 4.000 g) controle da doença e por indução de
- A hiperglicemia materna facilita a nascimento pré-termo em benefício materno
passagem transplacentária de elevada e ou fetal
quantidade de glicose, que estimula o ❖ Algumas fontes bibliográficas correlacionam
pâncreas fetal saudável a produzir insulina a ocorrência da prematuridade com a pré-
- Embora esta insulina não consiga participar eclâmpsia
adequadamente do controle glicêmico do
feto, ela exerce seus efeitos anabólicos,
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ALTERAÇÕES
NEONATAIS
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bilateral, rins policísticos, rim multicístico - Neste método, a cavidade uterina é
bilateral e obstrução uretral) e... dividida em quatro quadrantes, utilizando-se,
- Na insuficiência placentária (pelo para tanto, duas linhas imaginárias
fenômeno da centralização fetal, na qual a perpendiculares que se cruzam na cicatriz
redistribuição da circulação fetal prioriza umbilical
órgãos mais importantes em detrimento de - Posicionando-se o transdutor
outros, como os rins) perpendicularmente ao solo, mensura-se,
❖ A incapacidade do saco amniótico de então, o diâmetro vertical do maior bolsão
manter o seu conteúdo é observada na de líquido amniótico, livre de cordão
rotura prematura das membranas ovulares umbilical e partes fetais, em cada um dos
(RPMO), onde o líquido amniótico produzido quadrantes
é perdido - Por fim, as medidas são somadas e o
❖ Em parte dos casos, sobretudo nos mais resultado expresso em centímetros.
leves, não é possível se determinar a ❖ O método é utilizado, preferencialmente, em
etiologia do oligoidrâmnio, sendo o mesmo gestações acima de 26 semanas e quando o
considerado idiopático fundo uterino ultrapassa a cicatriz umbilical.
❖ A maior ou menor frequência de cada um ❖ O oligoidrâmnio é considerado presente se o
desses achados varia com a idade ILA for menor ou igual a 5,0 cm
gestacional ❖ Em situações especiais, como, por exemplo,
- A ocorrência de oligoidrâmnio no primeiro em gestações gemelares, a mensuração do
trimestre da gestação é rara e, geralmente, volume do líquido amniótico pelo ILA não é
de etiologia indeterminada factível, devendo-se optar pelo emprego do
- No segundo trimestre, a principal causa de método do maior bolsão vertical
oligoidrâmnio são as malformações do trato - Neste método, posicionando-se o
urinário fetal, seguida pela RPMO, sendo a transdutor perpendicularmente ao solo,
insuficiência placentária, exceção mensura-se o diâmetro vertical do maior
- Por sua vez, quando diagnosticado no bolsão de líquido amniótico encontrado na
terceiro trimestre da gestação, o cavidade uterina, livre de cordão umbilical e
oligoidrâmnio tem como causas principais a partes fetais
RPMO e a insuficiência placentária, embora - Sendo o oligoidrâmnio considerado
algumas vezes a etiologia não possa ser presente se este for menor ou igual a 2,0 cm
determinada.
CONDUTA
QUADRO CLÍNICO ❖ A determinação da etiologia do
❖ O quadro clínico do oligoidrâmnio é oligoidrâmnio é de fundamental importância
relativamente pobre na definição da conduta a ser adotada
❖ Ele pode ser suspeitado quando a altura ❖ Para tal fim, recomendamos a realização de
uterina for menor do que a esperada para a exame ultrassonográfico com avaliação da
idade gestacional ou pela melhor morfologia do trato urinário fetal (à procura
identificação das diversas partes fetais à das malformações que representem possíveis
palpação uterina causas de oligoidrâmnio) e avaliação da
circulação fetal (Doppler das artérias
DIAGNÓSTICO
umbilical e cerebral média), no intuito de se
❖ Embora possa ser suspeitado clinicamente, o diagnosticar uma insuficiência placentária
diagnóstico de oligoidrâmnio requer a ❖ A possibilidade de rotura prematura das
observação da diminuição do volume do membranas ovulares deverá ser confirmada
líquido amniótico à ultrassonografia ou excluída pelo exame clínico e por
❖ Para tanto, sugerimos a utilização do índice métodos complementares, de acordo com a
do líquido amniótico (ILA) rotina do serviço
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❖ Enquanto o ILA for maior que 3,0 cm, a PROGNÓSTICO
avaliação seriada do volume do líquido
amniótico deverá ser feita a intervalos ❖ Alguns casos de oligoidrâmnio de causa
semanais indeterminada, principalmente aqueles de
- Da mesma forma, um teste de vitalidade menor intensidade, podem se resolver
fetal(cardiotocografia, perfil biofísico fetal ou espontaneamente
dopplervelocimetria) deverá ser realizado ❖ O oligoidrâmnio está associado a resultados
duas vezes/semana, enquanto normais maternos e perinatais adversos, como:
❖ Em caso de ILA menor que 3,0 cm ou de um - Deformações fetais
teste de vitalidade fetal anormal, em um feto - Compressão do cordão umbilical
viável, sugere-se a internação da paciente, - Óbito fetal
com controle diário da vitalidade fetal. ❖ O prognóstico fetal, no oligoidrâmnio,
❖ Complicações gestacionais específicas depende, sobretudo, da idade gestacional
associadas ao oligoidrâmnio, como, por de seu início e da sua causa, tornando
exemplo, a pré-eclâmpsia, serão conduzidas imperiosa a determinação de sua etiologia
de acordo com protocolo específico ❖ Embora raro, o oligoidrâmnio quando ocorre
❖ Ressalte-se que o melhor controle de no primeiro trimestre tem mau prognóstico e,
algumas doenças maternas pode, em alguns geralmente, evolui para abortamento.
casos, diminuir a intensidade do - Exames ultrassonográficos seriados
oligoidrâmnio permitem o acompanhamento da evolução
❖ Independentemente de sua etiologia, não natural do processo (piora do oligoidrâmnio,
indicamos hidratação materna ou óbito fetal ou, raramente, resolução)
amnioinfusão (infusão de líquido amniótico ❖ No segundo trimestre da gestação, o
por amniocentese) para a correção do prognóstico e a conduta dependerão da
oligoidrâmnio por não terem estes benefícios etiologia do oligoidrâmnio
comprovados - Fetos com malformações bilaterais do trato
❖ A época ideal do parto de um feto com urinário têm prognóstico reservado, uma vez
oligoidrâmnio vai depender de uma que com rins ausentes, ou não funcionantes,
combinação de fatores, incluindo: a vida extrauterina não é possível
- Idade gestacional - Nessa idade gestacional, os casos de
- Vitalidade fetal oligoidrâmnio secundários à insuficiência
- Presença de outros achados como placentária deverão ter uma eventual causa
patologias maternas relacionadas à materna investigada e tratada, embora,
insuficiência placentária. assim como aqueles casos de oligoidrâmnio
❖ Nos casos de oligoidrâmnio de etiologia por RPMO, frequentemente, evoluam para
idiopática, sugerimos o parto por volta de: óbito fetal ou neonatal, seja pela
- 37 semanas (se ILA entre 3,1 e 5,0 cm) prematuridade extrema, seja pela hipoplasia
- ou 34 semanas (se ILA menor ou igual a 3,0 pulmonar decorrente da diminuição do
cm) volume de líquido amniótico
❖ Quanto à via de parto, caso a vitalidade
fetal esteja comprometida, deve-se optar
pela cesariana
- Nos casos de oligoidrâmnio idiopático, com
vitalidade fetal preservada, um parto normal
pode ser realizado
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POLIDRÂMNIO ❖ Para tanto, sugerimos a utilização do ILA,
considerando polidrâmnio se este for maior
❖ Polidrâmnio é o aumento do volume do
ou igual a 24,0 cm
líquido amniótico
❖ O método é utilizado, preferencialmente, em
❖ Sua incidência é estimada em cerca de 1 a
gestações acima de 26 semanas e quando o
2% das gestações
fundo uterino ultrapassa a cicatriz umbilical.
ETIOLOGIA/FISIOPATOLOGIA ❖ Em situações especiais, como, por exemplo,
❖ O polidrâmnio é resultante ou do aumento em gestações gemelares, a mensuração do
da produção do líquido amniótico ou da volume do líquido amniótico pelo ILA não é
diminuição do seu consumo factível, devendo-se optar pelo emprego do
❖ O aumento da sua produção é observado, método do maior bolsão vertical (técnica
mais comumente, no diabetes mellitus descrita acima)
materno (por diurese osmótica) - Sendo o polidrâmnio considerado presente
- Mas também em casos de anemia fetal, se este for maior ou igual a 8,0 cm.
tumores fetoplacentários ou transfusão
CONDUTA
fetofetal (pelo aumento da produção de
❖ Uma vez detectado o polidrâmnio, devemos
urina devido à circulação hiperdinâmica)
buscar determinar sua etiologia
❖ Por sua vez, a diminuição do consumo do
❖ Semelhante ao observado no oligoidrâmnio,
líquido amniótico é observado em casos de
quanto mais acentuado for o polidrâmnio,
malformações fetais (como anencefalia,
maior a possibilidade dessa busca ser bem
hérnia diafragmática, malformação
sucedida
adenomatóide cística, atresia esofágica e
❖ Para isso, recomendamos o rastreamento do
atresia duodenal) que impedem uma
diabetes mellitus gestacional e a realização
adequada deglutição do líquido amniótico
de exame ultrassonográfico com avaliação
ou sua absorção no intestino delgado
detalhada da morfologia fetal (à procura das
❖ Assim como ocorre no oligoidrâmnio, em
malformações mais frequentemente
alguns casos de polidrâmnio, principalmente
associadas ao polidrâmnio) e procura de
naqueles mais brandos, não é possível se
sinais de anemia fetal (Doppler da artéria
determinar sua causa, sendo o mesmo
cerebral média)
considerado idiopático
❖ Um teste de vitalidade fetal
QUADRO CLÍNICO (preferencialmente, perfil biofísico fetal)
❖ Embora o quadro clínico do polidrâmnio não deverá ser repetido a intervalos semanais,
seja muito rico, ele pode ser suspeitado enquanto normais, ou a intervalos menores,
quando a altura uterina for maior do que a se alterados
esperada para a idade gestacional ❖ Quando possível, a correção da causa do
❖ Podem ocorrer, ainda, desconforto polidrâmnio (como no caso do diabetes
abdominal, dispneia, edema suprapúbico, mellitus materno ou da anemia fetal) tende a
pele lisa e brilhante na região do abdome, diminuir sua intensidade
dificuldade de palpação das diversas partes ❖ A amniodrenagem (remoção de líquido
fetais e dificuldade de ausculta dos amniótico por amniocentese) é indicada
batimentos cardíacos fetais apenas nos casos mais acentuados e
sintomáticos (com dispneia materna
DIAGNÓSTICO progressiva e dor abdominal persistente, ou
❖ Seu diagnóstico é feito pela observação do trabalho de parto prematuro)
aumento do volume do líquido amniótico à - Visa diminuir o desconforto e/ou prolongar
ultrassonografia a gestação
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INDICAÇÕES DE
❖ Nos casos de polidrâmnio de etiologia
idiopática, sugerimos o parto por volta de 38
semanas
❖ A presença de polidrâmnio não é
contraindicação para o parto normal PARTO CIRÚRGICO
- Entretanto, com o objetivo de evitar
complicações, como prolapso de cordão,
INTRODUÇÃO
descolamento prematuro da placenta,
trabalho de parto prolongado e atonia ❖ Os índices de cesariana aumentaram
uterina pós-parto, a equipe obstétrica deve consideravelmente nos últimos anos por
permanecer atenta, realizando assistência várias razões
adequada durante o parto e o puerpério ❖ As indicações desse procedimento
representam um aspecto complexo e
PROGNÓSTICO controvertido da assistência obstétrica
❖ Alguns casos de polidrâmnio idiopático, ❖ Portanto, é impossível apresentar uma lista
sobretudo os mais leves, resolvem-se completa de indicações de cesariana
espontaneamente ❖ A interrupção da gravidez por via alta
❖ Entretanto, o polidrâmnio tem sido associado (cesariana) pode ser indicada em benefício
a um maior risco de resultados maternos e da mãe (indicação materna), do feto
perinatais adversos, como: (indicação fetal) ou em benefício de ambos.
- Dificuldade respiratória materna ❖ Em relação à real necessidade da
- Parto prematuro cesariana, existem indicações absolutas e
- Apresentações anômalas relativas.
- Prolapso de cordão ❖ Em relação à urgência, a cesariana pode ser
- Rotura prematura das membranas ovulares de urgência absoluta ou relativa
- Trabalho de parto prolongado ❖ Quando não há urgência, diz-se que a
- Atonia uterina pós-parto cesárea é eletiva
- Descolamento prematuro da placenta Vale lembrar que a maior parte das
após rotura das membranas indicações de cesariana é relativa, isto
é, realizada quando não há urgência.
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❖ É importante salientar que não existem
INDICÇÕES MENOS COMUNS
contraindicações absolutas à cesariana
- Contrariamente aos outros tipos de cirurgia, ❖ Outras indicações de cesariana menos
que não envolvem mais de um paciente no comuns abrangem:
mesmo procedimento, os riscos e os - Placentação anormal (placenta prévia,
benefícios maternos e fetais da cesariana vasa prévia, placenta acreta)
devem ser considerados - Infecção materna (herpes simples ou vírus
❖ Além dessa peculiaridade, é importante da imunodeficiência humana)
ressaltar que muitas gestantes apresentam - Gestação múltipla
baixa tolerância em aceitar qualquer - Obstrução mecânica ao parto vaginal
situação de risco fetal relacionada ao parto (grandes leiomiomas, fratura pélvica severa
vaginal, independente do risco materno prévia, macrossomia fetal, anomalias fetais
associado à intervenção operatória como hidrocefalia)
15
CLIMATÉRIO E
incidência de distúrbios associados à idade
e à deficiência de estrogênio, como a
osteoporose e as doenças cardiovasculares.
MENOPAUSA CONCEITOS
2
sulfato de deidroepiandrosterona (SDHEA – ALTERAÇÕES OVARIANAS
produzido quase totalmente pelas
suprarrenais) e deidroepiandrosterona ❖ Há redução, por atresia, do número de
(DHEA) folículos ovarianos durante toda a vida da
mulher
Os ovários contribuem para a produção
❖ A senescência ovariana é um processo que
desses hormônios durante os anos
reprodutivos, porém, após a menopausa,
se inicia efetivamente na vida intrauterina,
somente a glândula suprarrenal mantém no interior do ovário embrionário, em razão
essa síntese hormonal. da atresia de oócitos programada
❖ A partir do nascimento, os folículos
primordiais são ativados continuamente,
ALTERAÇÕES NO NÍVEL DE GLOBULINA amadurecem parcialmente e, em seguida,
DE LIGAÇÃO AO HORMÔNIO SEXUAL regridem
❖ Os principais esteroides sexuais, estradiol e - Essa ativação folicular prossegue em um
testosterona, circulam no sangue ligados a padrão constante, independente de
um transportador de glicoproteínas estimulação hipofisária
produzido no fígado, conhecido como ❖ Contudo, há evidências a sugerir que essa
globulina de ligação ao hormônio sexual ativação regular de folículos é acelerada
(SHBG, de sex hormone-binding globulin) durante a fase tardia da vida reprodutiva
❖ A SHBG tem sua produção hepática ❖ Uma depleção mais rápida dos folículos
reduzida, com aumento das frações ovarianos se inicia no final da quarta e início
livre/biodisponível de estrogênio e da quinta décadas de vida e se mantém até
testosterona o momento em que o ovário menopáusico é
❖ Com a redução do número de folículos, praticamente destituído de folículos
ocorre também redução da produção dos ❖ Em média, uma mulher pode ter
androgênios androstenediona e testosterona aproximadamente 400 eventos ovulatórios
pelas células da teca durante sua vida reprodutiva
- Essa diminuição não é tão brusca quanto a Ausência de menstruação associada a
produção de estradiol pelas células da níveis elevados de FSH e LH é
granulosa diagnóstico de falência ovariana.
❖ Entre essas alterações hormonais no
eixo hipotálamo-hipófise-ovários, ALTERAÇÕES ENDOMETRIAIS
poucas apresentam variações
suficientemente distintas para serem ❖ As alterações microscópicas que ocorrem no
usadas como marcadores séricos da endométrio refletem diretamente o nível
transição para a menopausa. sistêmico de estrogênio e de progesterona e,
❖ O diagnóstico de transição consequentemente, podem ser muito
menopáusica se baseia principalmente diferentes dependendo da fase da transição
em informações coletadas na menopáusica
anamnese. ❖ Durante a fase inicial da transição
❖ Na pós-menopausa, entretanto, em menopáusica, o endométrio reflete ciclos
razão do aumento acentuado nos ovulatórios que prevalecem nesse período
níveis de FSH que foi descrito, esta ❖ Durante o estágio final da transição
gonadotrofina se torna um marcador menopáusica, a anovulação é muito
mais confiável. comum, e o endométrio refletirá o efeito do
estrogênio atuando sem oposição à
progesterona
❖ Portanto, alterações proliferativas ou
alterações proliferativas desordenadas são
3
achados frequentes no exame patológico
de amostras de biópsia endometrial (EMB, de
endometrial samples)
Sangramento uterino anormal é comum
durante a fase de transição
menopáusica. Contudo, em todas as
mulheres, qualquer que seja o estado
menopáusico, é necessário determinar a
etiologia de sangramentos anormais.
SINAIS E SINTOMAS
❖ Os sintomas podem ser divididos em: SINTOMAS VASOMOTORES
1. Agudos: vasomotores – fogachos, sudorese
e calafrios; ❖ Pela queda abrupta do nível estrogênico,
2. Crônicos ou tardios: atrofia cutânea percebemos os sintomas vasomotores como
(queda de pelos e cabelos) os mais característicos e os que mais levam
- Atrofia urogenital (ressecamento vaginal, a queixas
dispareunia, prurido vulvar, polaciúria, disúria, ❖ O fogacho é uma sensação súbita e
urgência miccional, incontinência urinária), transitória de calor
- Doença de Alzheimer ❖ Se inicia na região da cintura e se espalha
- Osteoporose pelo tórax, pescoço e face – caráter
- Dença aterosclerótica ascendente –, geralmente mais intensa e
3. Outros sintomas comuns: palpitação, frequente à noite, e que pode ser
cefaleia, tontura, insônia, parestesia acompanhada por sudorese e vermelhidão
- Diminuição da memória, humor depressivo, da pele na cabeça, no pescoço e no tórax
irritabilidade, diminuição da libido ❖ A interrupção do sono é uma queixa comum
- Mastalgia, dor óssea, artralgia, mialgia e de mulheres com fogachos
irregularidade menstrual - Elas podem acordar várias vezes durante a
noite, ensopadas de suor
- Os distúrbios do sono podem resultar em
fadiga, irritabilidade, sintomas depressivos,
disfunção cognitiva e alterações no
funcionamento diário
❖ O mecanismo fisiopatológico básico
envolvido nas ondas de calor parece estar
4
relacionado com a disfunção térmica no 1. Fase inicial da transição menopáusica: o
hipotálamo endométrio reflete ciclos ovulatórios
❖ Alguns autores defendem a teoria de que 2. Fase final da transição menopáusica: o
cada onda de calor corresponderia a um endométrio reflete ciclos anovulatórios, com
pulso de LH, além de ser precedida por alterações proliferativas endometriais, como
aumento de noradrenalina no hipotálamo, as hiperplasias endometriais
determinando alterações na 3. Menopausa e pós-menopausa:
termorregulação com tendência à endométrio atrófico – endométrio < 5 mm
hipertermia
ALTERAÇÕES CARDIOVASCULARES
- Outros autores sugerem que o
hipoestrogenismo provoca vasoespasmos, o ❖ Antes da menopausa, as mulheres têm risco
que poderia alterar o eixo termorregulador bem menor de eventos cardiovasculares, em
❖ A duração média dos sintomas vasomotores comparação com homens na mesma faixa
é de 5,2 anos para mulheres não usuárias de etária
Terapia Hormonal (TH) e de 5,5 anos para ❖ Entretanto, após a menopausa, esse
aquelas submetidas à TH benefício desaparece ao longo do tempo,
❖ Deve-se estar atento, ainda, às demais de forma que mulheres na faixa dos 70 anos
causas de flash de calor, como passam a ter risco idêntico ao de homens na
feocromocitoma, tumor carcinoide, mesma faixa etária
leucemias, tumores pancreáticos e ❖ As razões que explicam a proteção relativa
anomalias da tireoide de mulheres pré-menopáusicas contra DCV
são complexas, mas talvez haja uma
IRREGULARIDADE MENSTRUAL contribuição significativa dos níveis altos de
HDL encontrados em mulheres mais jovens, o
❖ O sangramento uterino anormal é comum
que é um efeito estrogênico
durante a fase de transição menopáusica,
❖ O estrogênio protege os vasos sanguíneos da
podendo ocorrer em mais de 50% das
formação de placas ateroscleróticas, além
mulheres
de promover melhora do perfil lipídico e ter
❖ A irregularidade menstrual pode apresentar-
efeito vasodilatador
se inicialmente como tendência ao
❖ O estrogênio também tem ação redutora
encurtamento gradativo do intervalo –
nos níveis de renina, enzima conversora de
menstruações frequentes –, devido à
angiotensina, P-selectina e homocisteína
maturação folicular acelerada – altos níveis
❖ Por todos esses fatores, deve-se dar especial
de FSH – e consequente ovulação precoce –
atenção a alterações cardiovasculares na
encurtamento da fase folicular
menopausa
❖ Após a fase inicial, passam a ocorrer ciclos
❖ O preditor mais forte de doença coronariana
anovulatórios, com menstruações
em mulheres é o HDL baixo (< 50 mg/dL).
infrequentes, em razão de persistência
- Além disso, o aumento na obesidade
folicular longa
centrípeta e a síndrome metabólica são
❖ A produção irregular de estrogênios,
outros fatores de risco para doença
associada à ausência de progesterona pela
coronariana e estão relacionados ao
inexistência da fase lútea, pode provocar o
aumento na relação androgênio-estrogênio
aumento da duração e da intensidade do
que ocorre nas mulheres em transição
fluxo menstrual
menopáusica
❖ E o endométrio? Como o endométrio é
❖ Entretanto, o ganho de peso na menopausa
responsivo às alterações hormonais, sofre
não é um efeito das alterações hormonais, e
alterações de acordo com a fase
sim da dieta, do exercício e do
reprodutiva da mulher:
envelhecimento
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❖ Por fim, mulheres com falha ovariana prevenir ou diminuir os efeitos deletérios do
prematura estão sob risco aumentado de hipoestrogenismo sobre a massa óssea.
doença cardiovascular ❖ Os fatores de risco para osteoporose são:
❖ São fatores que contribuem para o risco de 1. Idade
doença cardiovascular: 2. História familiar
1. Idade > 45 anos 3. Tamanho dos ossos
2. Dislipidemia 4. Raça branca
3. Hipertensão arterial sistêmica 5. Dieta
4. Diabetes mellitus 6. Atividade física
5. Tabagismo 7. Álcool
6. Sedentarismo 8. Tabagismo
9. Algumas neoplasias
OSTEOPENIA E OSTEOPOROSE
10. IMC baixo e anorexia nervosa
❖ A osteoporose é uma doença esquelética na 11. Sedentarismo
qual há comprometimento da resistência ❖ Observação: algumas condições são fatores
óssea, resultando em aumento do risco de de risco para osteoporose, como mieloma
fraturas múltiplo, hiperparatireoidismo, osteomalácia,
A osteoporose primária se refere a perdas doenças reumatológicas, gastrectomia e
ósseas associadas ao envelhecimento e à anemia perniciosa
deficiência estrogênica menopáusica.
DISTÚRBIOS PSICOLÓGICOS E MENTAIS
❖ Pela privação estrogênica, há o ❖ A queda dos níveis de estrogênios tem efeito
favorecimento da reabsorção óssea em significativo sobre o sistema nervoso central,
detrimento da formação, já que os como dificuldade de concentração,
estrogênios, quando em níveis normais, diminuição da cognição e perda de
sabidamente inibem tal reabsorção memória recente, aumentando o risco de
❖ Na pós-menopausa, nota-se elevação do doença de Alzheimer
cálcio sérico e da sua excreção urinária, ❖ Alterações psicogênicas relacionadas ao
além de aumento da concentração climatério incluem:
plasmática de fósforo e hidroxiprolina, que - Diminuição da autoestima
refletem o aumento do turnover de massa - Irritabilidade, labilidade afetiva
óssea - Sintomas depressivos
- Isso culmina com perda óssea progressiva, - Dificuldades sexuais
que pode ser percebida com - Insônia
acompanhamento por densitometrias ósseas ❖ Tais queixas, assim como a diminuição do
sucessivas desejo sexual, rejeição do parceiro e outras
A perda óssea acelerada é mais rápida relacionadas à sexualidade, são comuns
nos anos iniciais da pós-menopausa. nesse período e não devem ser entendidas e
abordadas apenas como decorrentes das
❖ As fraturas mais comuns nessa época são dos
mudanças biológicas – hormonais – no
corpos vertebrais, do rádio distal e do colo
período do climatério
femoral.
- Deve-se realizar abordagem ampliada da
❖ A osteoporose é conhecida como doença
mulher, sua família e rede social, incluindo
silenciosa, já que as primeiras manifestações
aspectos biopsicossociais
ocorrem após 30 a 40% de perda óssea
❖ É importante ressaltar que a transição
❖ As fraturas decorrentes mais comuns são as
menopáusica é um evento hormonal e
de quadril, punho, corpos vertebrais e fêmur.
sociocultural complexo
❖ O médico que acompanha a paciente
❖ Durante essa fase, fatores psicossociais
nessa fase da vida deve identificar o risco e
também contribuem para os sintomas do
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humor e da cognição, tendo em vista que ❖ O epitélio vulvar gradualmente sofre atrofia
toda mulher que passa pela transição e há redução da secreção das glândulas
menopáusica enfrenta estresse emocional sebáceas
adicional proveniente de fatores como: ❖ A gordura subcutânea nos lábios maiores
- Relacionamento com adolescentes desaparece, levando a recolhimento e
- Início de doença grave retração do prepúcio clitoriano e da uretra,
- Cuidado de pais idosos fusão dos lábios menores e estreitamento e
- Divórcio ou viuvez estenose do introito vaginal
- Mudanças na carreira ou aposentadoria ❖ É comum haver hipertonia ou dissinergia da
❖ Lock (1991) sugere que parte do estresse musculatura do soalho pélvico em pacientes
relatado por mulheres ocidentais é com problemas de frequência urinária,
especificamente cultural constipação e vaginismo, em geral,
- A cultura ocidental enfatiza a beleza e a associados à dor superficial e atrito durante
juventude e, durante o processo de a relação sexual
envelhecimento, algumas mulheres sofrem ❖ A presença de prolapso de órgãos contribui
com a percepção de perda de status, para a dispareunia, assim como
função e controle antecedentes de procedimentos cirúrgicos
ginecológicos que podem provocar
SINTOMAS GENITURINÁRIOS/SEXUAIS
dispareunia em razão de encurtamento da
❖ Sintomas de atrofia urogenital, incluindo vagina
secura vaginal e dispareunia, são comuns na ❖ Outros quadros clínicos, como artrite,
transição menopáusica e podem implicar lombalgia, dor sacroilíaca, ou fibromialgia,
problemas significativos na qualidade de podem contribuir para a ocorrência de dor
vida entre mulheres sexualmente ativas vaginal ou pélvica durante relação sexual
- Estima-se que a taxa de prevalência varia ❖ Redução significativa na quantidade de
entre 10 e 50% pensamentos sexuais, satisfação sexual e
❖ Foram identificados receptores de estrogênio lubrificação vaginal após a menopausa
em vulva, vagina, bexiga, uretra,
musculatura do soalho pélvico e fáscia ALTERAÇÕES DERMATOLÓGICAS
endopélvica ❖ As alterações na pele que podem surgir
- Assim, essas estruturas compartilham durante a transição menopáusica e incluem
responsividade hormonal semelhante, e são hiperpigmentação (manchas do
suscetíveis à supressão de estrogênio envelhecimento), rugas e prurido
característica da menopausa ❖ Em parte, essas condições são causadas
❖ Sem a influência trófica do estrogênio, a pelo envelhecimento da pele
vagina perde colágeno, tecido adiposo e - Sendo difícil diferenciar do impacto das
capacidade de retenção de água deficiências hormonais
- Como resultado, a superfície vaginal se ❖ Além disso, acredita-se que o
torna friável e propensa a sangramentos, envelhecimento hormonal da pele seja
mesmo com traumas menores responsável por muitas alterações dérmicas
❖ Além disso, o pH vaginal se torna mais ❖ Essas alterações incluem:
alcalino, sendo que é comum encontrar pH - Redução da espessura em razão da
acima de 4,5 nos casos de deficiência diminuição no teor de colágeno
estrogênica - Redução na secreção das glândulas
- O pH alcalino cria ambientes vaginais sebáceas
menos hospitaleiros para os lactobacilos e - Perda de elasticidade
mais suscetíveis a infecções por patógenos - Redução no suprimento sanguíneo
fecais e urogenitais - Alterações epidérmicas
7
ALTERAÇÕES ODONTOLÓGICAS anamnese sugestiva, já que o resultado não
traz mais informações relevantes
❖ Na fase final da transição menopáusica, o
- Só há indicação se houver dúvida
epitélio bucal sofre atrofia em razão das
diagnóstica ou
perdas estrogênicas, resultando em:
- Em pacientes com menos de 40 anos – nas
- Redução na produção de saliva e na
pacientes com falência ovariana precoce, é
sensibilidade
necessário documentar o diagnóstico com a
- Gosto ruim na boca
dosagem de FSH
- Aumento na incidência de lesões
cariogênicas A dosagem de FSH, LH e estrogênio não
- Perda de dentes deve ser rotineira, enquanto a avaliação
❖ A perda óssea alveolar oral está fortemente de hormônios tireoidianos só é necessária
correlacionada com osteoporose e pode em casos sintomáticos.
levar à perda de dentes
ALTERAÇÕES MAMÁRIAS
PROPEDÊUTICA DO CLIMATÉRIO
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- Tratamento da dislipidemia e das COLO DO ÚTERO
tireoidopatias ❖ Promove-se rastreamento pelo exame
- Interrupção do tabagismo citopatológico do colo uterino periódico,
- Tratamento da obesidade que pode ser complementado por
- Investigar a história familiar em relação a colposcopia com biópsia dirigida quando
doenças crônicas e neoplasias necessário
❖ Não deve ser esquecida a prevenção do ❖ Em caso de atrofia importante, deve-se
câncer de colo uterino e de mama utilizar estrogenoterapia tópica previamente
- Através da colpocitologia oncótica e da à coleta, para evitar desconforto excessivo e
mamografia anual comprometimento da qualidade do exame
❖ Além da avaliação endometrial, mais
comumente pela ultrassonografia ou pelo CORPO UTERINO
teste da progesterona ❖ A pesquisa pode ser realizada por USG
❖ Assim, diversos exames são desejáveis transvaginal (USGTV)
durante o acompanhamento da paciente ❖ O rastreamento não tem eficácia na
climatérica: redução da mortalidade
- Lipidograma - Por isso, o Ministério da Saúde recomenda
- Glicemia USGTV apenas em caso de sangramento
- Pesquisa de sangue oculto nas fezes (a uterino anormal para a avaliação de lesões
partir dos 50 anos de idade) endometriais/corpo uterino, e não de rotina
- Colpocitologia oncótica a todas as mulheres climatéricas
- Mamografia ❖ A biópsia de endométrio pode ser feita por
- Ultrassonografia pélvica histeroscopia, curetagem diagnóstica –
- Densitometria (em pacientes com mais de sucção ou cureta – ou trocarte plástico de
65 anos ou com fatores de risco) Pipelle
❖ Segundo o Ministério da Saúde, a ❖ O sangramento pós-menopáusico sempre
propedêutica nessa fase engloba quatro deve ser cuidadosamente avaliado
etapas: - A principal causa de sangramento na pós-
1. Avaliação da síndrome climatérica menopausa é a atrofia de endométrio
2. Identificação e rastreamento de doenças ❖ A hiperplasia endometrial e o carcinoma de
crônicas: obesidade, hipertensão, diabetes, endométrio são mais comuns na fase de
dislipidemia, doença cardiovascular e transição menopáusica por ciclos
disfunção tireoidiana anovulatórios
3. Rastreamento de câncer: mama, colo do
útero e cólon AVALIAÇÃO PARA O RISCO DE
4. Avaliação do risco para osteoporose OSTEOPOROSE
9
- Portares de outros agravos sistêmicos, como
insuficiência renal crônica, diabetes,
síndrome de má absorção intestinal,
hiperparatireoidismo, hipertireoidismo,
gastrectomia e anastomoses intestinais
❖ O melhor método diagnóstico de
osteoporose é a densitometria óssea de
coluna vertebral e fêmur.
❖ Os resultados são comparados com a curva
de distribuição da população normal de
mesma idade e de adultos jovens e
expressos em escore T – desvio-padrão em
que a massa óssea medida em determinado
indivíduo difere da média da massa óssea
de um indivíduo jovem
CONSULTAS
10
4. Anual: ❖ A recomendação atual é que a TH, para o
a) Observação do padrão de tratamento de sintomas vasomotores, deve
sangramento menstrual; ser feita pelo menor tempo possível, de
b) Aferição da pressão arterial e do peso; preferência menos de cinco anos, devido
c) Repetição dos exames laboratoriais, aos riscos da TH
conforme a necessidade da paciente. ❖ A interrupção da TH deve ser feita de forma
gradual para evitar a volta dos sintomas
TERAPIA DO CLIMATÉRIO ❖ No caso de contraindicação à reposição
estrogênica, diversas terapias alternativas
INÍCIO DA TERAPIA HORMONAL podem ser utilizadas, como o uso dos
❖ O tratamento hormonal, na ausência de progestógenos
contraindicações, deve ser instituído: - No entanto, as doses consideradas eficazes
- no início da falência ovariana, na menor são mais elevadas do que aquelas
dose efetiva, visando melhorar a qualidade usualmente utilizadas em TH
de vida da mulher, ou ❖ A clonidina, um agente alfa-2-agonista
- nos primeiros dez anos após a menopausa central e periférico usado no tratamento da
❖ Atualmente, as principais indicações para o hipertensão arterial, também tem sido
uso de TH são os sintomas vasomotores, a utilizada
atrofia urogenital e para prevenção e - Alguns sugerem que deve ser a terapêutica
tratamento da osteoporose inicial em pacientes hipertensas
❖ O adiamento do início da Terapia Hormonal - Pode ser utilizada por via oral ou
para períodos posteriores está associado a transdérmica, com taxas de remissão em
aumento do risco de doença cardiovascular torno de 80%
- Já o início precoce parece até diminuir este - A dose é de 0,1 a 0,2 mg/dia
risco, segundo alguns estudos - Pode causar depressão, sonolência, insônia
e ressecamento bucal
INDICAÇÃO ❖ Alguns inibidores seletivos da recaptação da
serotonina ou da serotonina e norepinefrina
SINTOMAS VASOMOTORAS parecem ter um efeito favorável na melhora
❖ O tratamento inicial do fogacho é a adoção dos fogachos, como a:
de práticas que diminuam a temperatura - paroxetina (12,5 a 25 mg/dia)
corporal como: - venlafaxina (75 mg/dia)
- exposição a ambientes arejados - fluoxetina (20 a 40 mg/dia)
- uso de roupas leves ❖ A gabapentina (Neurontin®), um
- prática de exercícios leves anticonvulsivante, vem apresentando
- interrupção do fumo resultados promissores na terapia dos
❖ Por ser um sintoma encontrado em diversas sintomas vasomotores
patologias, outras causas de fogachos - Deve ser utilizada na dose de 300 mg, 2 a 3x
devem ser descartadas, antes da instituição ao dia
da terapêutica ❖ A Metildopa é droga agonista adrenérgica
❖ Os fogachos são a indicação mais comum que melhora os sintomas vasomotores na
de início e manutenção de uma Terapia dose de 250 mg/dia
Hormonal - Pode causar sintomas colaterais como
❖ A terapia estrogênica deve ser realizada náuseas, vertigens e cansaço
continuamente, e não de forma cíclica, ❖ A tibolona é um agente com efeito
podendo os fogachos recorrer nos períodos estrogênico, progestogênico e androgênico
de intervalo naquelas pacientes que dependendo do tecido em que atua
optarem pela TH cíclica - Pode ser utilizada para tratar fogachos e o
ressecamento vaginal sem estimular o
11
endométrio, mas com menor potência do - Apesar de pouca absorção sistêmica, não
que a TH contendo estrogênio e deve ser administrado a pacientes com
progesterona câncer de mama
- Outros benefícios da tibolona seriam a ❖ Reposição androgênica cuidadosa pode ser
melhora da libido e a prevenção de perda instituída se houver uma diminuição brusca
de massa óssea da libido não influenciada por causas
- Porém, alguns estudos mostram risco psicológicas, com queda dos níveis de
aumentado para AVC testosterona livre e deidroepiandrosterona
❖ Outras opções incluem a sulpiride, a ❖ Pelo seu efeito estrogênico, progestogênico
amitriptilina e o propranolol (80-120 mg/dia) e androgênico, a tibolona também pode ser
❖ Grandes estudos controlados e prescrita
randomizados não evidenciaram efeito ❖ Outra opção inclui os lubrificantes vaginais,
benéfico de produtos naturais, como que apesar de proporcionarem alívio dos
fitoestrógenos derivados da soja (apesar de sintomas, principalmente da dispareunia,
comprovadamente terem ação sobre não promovem melhora no trofismo vaginal,
receptores estrogênicos), vitamina E, black podendo ser úteis em pacientes com
cohosh, licorice, ginseng e dong quai sintomas leves
- Não existe consenso científico! ❖ A atividade sexual parece ter papel
importante na manutenção da elasticidade
ALTERAÇÕES ATRÓFICAS vaginal e prevenção da estenose
❖ O tratamento é indicado para alívio dos - Associa-se a menos sintomas de atrofia
sintomas genital e parece se relacionar com a
❖ O tratamento com reposição estrogênica secreção de gonadotrofinas e androgênios.
resulta em uma melhora dramática dos
sintomas em cerca de um mês, porém a ALTERAÇÕES DE HUMOR
recuperação total do epitélio só se completa ❖ A melhora dos sintomas vasomotores com a
dentro de seis meses a um ano terapia de reposição estrogênica influencia
❖ A reposição de estrogênio parece melhorar diretamente na melhora das alterações de
os sintomas urinários, especialmente em humor
pacientes com urgeincontinência e pode ❖ Entretanto, a terapia hormonal não deve ser
melhorar ou curar até 50% das incontinências prescrita com objetivo de tratar distúrbios
urinárias em mulheres menopausadas, depressivos.
devido à melhora do trofismo do epitélio OSTEOPOROSE
uretral
❖ No caso de incontinência de esforço, o ❖ Os objetivos do tratamento da osteoporose
estrógeno não se mostrou efetivo como podem ser resumidos da seguinte forma:
tratamento único, necessitando tratamento - Profilaxia primária (impedir seu surgimento)
complementar - Prevenção de fraturas em pacientes com
❖ Pode ser realizada por via sistêmica ou local, osteoporose já instalada.
entretanto a potência do estrogênio ❖ Em relação à prevenção de fraturas, devem
conjugado no tecido vaginal parece ser ser adotadas medidas para diminuir quedas
quatro vezes maior que o estrogênio (como adaptação da residência) e medidas
administrado por via oral, além de não que melhorem a visão
apresentar os inconvenientes da via oral ❖ Três medidas devem ser adotadas em todas
- A terapia local é a preferida quando as pacientes com osteoporose:
apenas sintomas urogenitais estão presentes - Estímulo à atividade física: Preconiza-se a
- Pois não é capaz de atingir concentrações realização de exercícios físicos por 30
sistêmicas capazes de tratar fogachos e minutos pelo menos 3 x por semana,
prevenir a perda da massa óssea preferencialmente com sobrecarga de peso,
12
os quais já se mostraram eficazes no Sabe-se hoje que, o uso de estrogênio
aumento da densidade óssea sem associação com progesterona
- Dieta: Deve-se estimular o consumo de aumenta o risco de câncer de
vegetais verdes, frutas, leite desnatado, endométrio, mas que a adição de
queijos brancos, carnes mais magras e aves progesterona diminui este risco.
sem pele
- Interrupção do tabagismo 2. Calcitonina
- A calcitonina (nasal ou subcutânea, 100-
Ainda nesse sentido, deve-se incentivar a
200 UI/dia) também inibe a reabsorção
exposição solar, sem fotoproteção, por
óssea e pode ser recomendada em
pelo menos 15 minutos, diariamente,
pacientes com contraindicação ao uso de
antes das 10 ou após as 16 horas.
estrogênio, sendo especialmente útil no
❖ Outra medida que sempre deve ser controle da dor óssea secundária a fraturas
lembrada é a interrupção de drogas que patológicas osteoporóticas, devido ao seu
aumentem a perda óssea, como efeito analgésico e prevenção de novas
glicocorticoides fraturas vertebrais
❖ Em relação às opções medicamentosas - No entanto, resulta em aumento inferior da
para prevenção e tratamento da densidade óssea vertebral e da bacia,
osteoporose, podemos citar: quando comparado ao alendronato
1. Estrógenos - Como efeitos colaterais, citam-se a
- Os estrógenos inibem a reabsorção óssea ocorrência de rinite e epistaxe
- Os estrogênios mais utilizados são: 3. Bifosfonatos
· equinos conjugados (0,625 mg/dia, VO) - São drogas de escolha para tratamento da
· 17-betaestradiol (50 mg/dia, transdérmico) osteoporose
· 17-betaestradiol (1,5 mg/dia, percutâneo) - Bisfosfonatos são análogos estáveis de
· 17-betaestradiol (25-50 mg, subcutâneo, pirofosfatos que contêm dois grupos
semestral) fosfonatos, os quais se ligam a um simples
- Atualmente, deve-se avaliar a relação átomo de carbono dando a estrutura P-C-P
custo-benefício, e procurar alternativas ao - Esta estrutura química é responsável pela
tratamento estrogênico, só se indicando a TH forte afinidade do bisfosfonato pelo osso
com este objetivo na falta de opção - Eles agem, inibindo a reabsorção óssea por
meio de seus efeitos nos osteoclastos;
interferem com o recrutamento,
diferenciação e ação, assim como facilitam
a apoptose dos osteoclastos
- Reduzem a incidência de fraturas em 30-
50% e, comprovadamente, aumentam a
massa óssea no fêmur e na coluna vertebral.
- Possuem evidência de diminuição do risco
de fraturas vertebrais, não vertebrais e da
bacia
- As principais medicações do grupo incluem
o alendronato (10 mg/dia VO) e risedronato
(5 mg ao dia VO). Podem ser administrados
semanalmente, multiplicando-se a dose
diária por 7, o que diminui significativamente
os efeitos colaterais.
13
Não devem ser administrados a pacientes múltiplos fatores de risco para fratura óssea,
renais agudos/crônicos, durante a intolerância de tratamento ou progressão da
gestação e para pacientes com defeitos perda óssea na vigência de tratamento com
de esvaziamento do estômago. bifosfonatos
- Não deve ser usada por um período maior
4. Raloxifeno do que 24 meses devido a um risco teórico
- Pode ser utilizada na prevenção ou de desenvolvimento de osteossarcoma
tratamento da osteoporose, devendo ser 6. Tibolona
considerado uma das drogas de primeira - Apresenta efeito benéfico sobre a
linha na prevenção da osteoporose densidade óssea
- Trata-se de um modulador seletivo do - Deve ser utilizada sem pausa, na dose de
receptor de estrogênio de segunda geração 1,25 ou 2,5 mg ao dia
(SERM) 7. Cálcio
- O raloxifeno diminui o risco de fraturas - Parece ter efeito benéfico na diminuição
vertebrais devido ao seu efeito estrogênico, da taxa de perda óssea, porém seu efeito na
melhora o perfil lipídico ao diminuir o LDL-C e prevenção de fraturas ainda é controverso
aumenta os níveis de fibrinogênio, sem - Seu uso parece ser mais efetivo em
apresentar efeitos no endométrio e na pacientes sem osteoporose instalada que
mama apresentem ingestão diária de cálcio
- Parece diminuir o risco de câncer de mama deficiente
e não provoca sangramento vaginal - Não é eficaz na prevenção da osteoporose
- É usado na dose de 60 mg/dia para quando utilizado isoladamente e deve ser
prevenção e tratamento da osteoporose empregado em associação com drogas
- Estudos revelaram melhora da densidade mais eficazes
óssea, com diminuição somente na - A dose recomendada (suplementação ou
incidência de fraturas vertebrais na dieta) é de 1.000 mg para quem faz uso
- Sintomas vasomotores, tromboembolismo de TH e 1.500 mg/dia para quem não faz uso
venoso e câimbras em membros inferiores de reposição hormonal
são alguns de seus efeitos colaterais - Pode ser administrado na forma de
- Parece ser uma boa opção em pacientes carbonato de cálcio, fosfato ou citrato de
assintomáticas na perimenopausa cálcio
5. Teriparatide - Deve ser administrado após as refeições
- (ou 1-34 PTH) - Os efeitos colaterais mais comuns são
- É droga que contém a sequência do náuseas, dispepsia e constipação
hormônio da paratireoide na sua região N- - O risco de desenvolvimento de nefrolitíase
terminal só estará aumentado quando doses acima
- O hormônio da paratireoide pode exercer de 250 mg/dia de cálcio elementar forem
tanto a estimulação da formação quanto da ingeridos
reabsorção óssea, conforme a dose e o 8. Vitamina D
modo de utilização - A vitamina auxilia na absorção do cálcio e
- Apesar dos efeitos nocivos do hormônio da na sua incorporação ao osso
paratireoide no osso, sua administração - Geralmente é utilizada em associação ao
diária intermitente estimula a formação de cálcio
osso em maior proporção que a reabsorção, - Efeito benéfico na redução da incidência
sendo bastante efetivo em mulheres com de fraturas pélvicas
osteoporose - Pode ser administrada na dose de 400 a 800
- É utilizada na dose de 20 mcg/dia, via SC UI/dia (VO) para profilaxia e tratamento,
- É indicada em pacientes com elevado risco respectivamente
de fratura, como história pessoal de fratura,
14
- Todo paciente com 70 anos ou mais deve ❖ Desta forma, recomenda-se que TODA
receber suplementação desta vitamina PACIENTE em uso de TH tenha um
Diuréticos Tiazídicos: mulheres na pós- seguimento endometrial anual, através de
menopausa com hipertensão arterial biópsia endometrial ou ultrassonografia
podem se beneficiar levemente do seu transvaginal
uso. Seu mecanismo de ação parece se - Espessura menor que 5 mm praticamente
basear no efeito hipocalciúrico da droga, elimina a possibilidade de neoplasia
aumentando o balanço do cálcio. endometrial em mulheres usuárias de TH
combinada contínua
❖ A relação da TRE (Terapia de Reposição
OSTEOPENIA
Estrogênica) com o câncer de mama não é
❖ Em mulheres osteopênicas, pode-se propor,
tão clara
inicialmente, medidas como mudança no
- Embora alguns estudos tenham mostrado
estilo de vida, exercícios, dieta,
aumento da incidência da doença em
suplementação de cálcio e vitamina D
mulheres submetidas à terapia, outros
❖ Só devemos instituir terapia medicamentosa
estudos demonstraram o contrário
para as pacientes osteopênicas com pelo
- O assunto é controverso e os casos devem
menos um fator de risco ou com
ser individualizados.
deterioração progressiva da massa óssea.
- Em relação ao câncer de mama, a
O National Osteoporosis Foundation (NOF, associação de um progestógeno não
2008) recomenda o tratamento oferece qualquer benefício e, inclusive,
farmacológico em todas as pacientes parece aumentá-lo
com: ❖ A TH pode aumentar em até duas vezes o
- Fratura vertebral ou de quadril. risco de doença da vesícula biliar
- T-score ≤ -2,5 no fêmur, quadril ou - Deve-se evitar a via oral em pacientes com
vértebras, após exclusão de outras história de doença
causas. ❖ A TH não deve ser efetuada em pacientes
- Osteopenia (T-escore entre -1,0 e -2,5) e portadoras de hepatopatia aguda ou
causas secundárias associadas a alto crônica
risco de fraturas, como uso de - Devido a metabolização hepática
glicocorticoides ou imobilização. - Em casos selecionados, pode ser utilizada
optando-se pela via não oral
EFEITOS ADVERSOS DA TH E ❖ A dor mamária eventualmente ocorre em
CONTRAINDICAÇÕES resposta à estimulação do tecido glandular
e estroma, tanto pelo estrogênio quanto
❖ A TH pode causar alguns riscos à saúde pelos progestógenos
devido à sensibilidade de alguns tecidos à - Pode haver aumento da incidência de
reposição de estrogênio alteração fibrocística da mama
❖ O principal deles é o desenvolvimento de - Os sintomas podem ser controlados
hiperplasia endometrial e câncer de reduzindo-se as doses dos hormônios ou pela
endométrio troca das medicações
❖ Em pacientes que fazem reposição sem ❖ O estímulo central dos progestógenos
associação com um progestógeno, o risco provoca, em algumas pacientes, alterações
pode ser 4 a 7 vezes maior do humor semelhantes àquelas da transição
- Com a terapia conjugada o risco é menopáusica, como ansiedade,
bastante diminuído, embora não eliminado, irritabilidade ou depressão
principalmente se houve uso de estrogênio ❖ Os estrogênios podem promover retenção
sem oposição no passado hídrica e causar ganho ponderal, mas os
15
progestogênios são os maiores responsáveis
por esses efeitos
AMENORREIA
INTRODUÇÃO
❖ A investigação e o tratamento de pacientes
com amenorreia são comuns na ginecologia
❖ A prevalência de amenorreia patológica
varia de 3 a 4% em populações na idade
reprodutiva
❖ Evidentemente, a amenorreia é normal antes
da puberdade, durante a gravidez e a
lactação e após a menopausa
❖ Amenorreia é a ausência de menstruação
por 6 meses ou pelo tempo correspondente
a três ciclos consecutivos da paciente – é
necessário avaliar, na anamnese, o padrão
habitual da paciente
❖ A definição de amenorreia de acordo com
os três ciclos consecutivos deve ser
individualizada. Exemplos:
1. Pacientes que costumam menstruar de 24
em 24 dias apresentarão amenorreia
TEMPO DE USO DA TERAPIA HORMONAL
quando a menstruação faltar por 2 meses e
(TH)
12 dias ou se estiverem sem menstruar há 6
❖ Não há razão científica para limitações meses
obrigatórias quanto à duração do 2. Se a ausência da menstruação não
tratamento preencher um dos dois critérios definidores
❖ A continuação ou não da terapia deve ser de amenorreia, caracteriza-se o quadro
decidida pela usuária bem informada, clínico como atraso menstrual.
juntamente com seu profissional de saúde, ❖ Trata-se de um sintoma que pode ser
na dependência de metas específicas e de proveniente de diversas causas no eixo
uma estimativa objetiva quanto aos riscos e hipotalâmico-hipofisário-ovariano-uterino
benefícios, além da possibilidade do ❖ A amenorreia pode ser dividida em primária
aparecimento de efeitos adversos – quando a mulher nunca menstruou – e
❖ A continuação ou não da TH irá depender: secundária – quando há a interrupção
- Da manutenção dos benefícios para os temporária dos ciclos menstruais
quais ela foi iniciada Embora, classicamente, a amenorreia seja
- Do aparecimento de efeitos adversos definida como primária (nenhuma
- Do perfil de riscos e benefícios durante o menstruação anterior) ou secundária
tratamento (cessação da menstruação), essa
- Da melhora da qualidade de vida distinção deve ser evitada, considerando
- Da experiência e da consciência clínica de que potencialmente induz a erros
cada médico diagnósticos.
- Da preferência da mulher em continuar ou
interromper a TH após ser suficientemente
informada dos seus riscos e benefícios
16
CLASSIFICAÇÃO/ETIOLOGIA ADQUIRIDOS
❖ Outras anormalidades uterinas que causam
❖ Primeiramente, precisamos compreender
amenorreia sãoestenose do colo uterino e
que a amenorreia pode advir de alterações
sinéquias intrauterinas extensivas
em um dos seguintes pontos:
- Distúrbio do sistema genital (útero,
endométrio)ou na saída do fluxo menstrual
(hímen imperfurado)
- Distúrbios ovarianos
- Distúrbios da hipófise anterior
❖ Distúrbios hipotalâmicos ou do Sistema
Nervoso Central (SNC)
❖ Além disso, podemos avaliar se a amenorreia
apresenta cunho hormonal ou anatômico.
❖ E, naquelas que apresentam alteração
hormonal, devemos definir se são:
- Hipogonadotróficas
- Eugonadotróficas
- Hipergonadotróficas
❖ De acordo com os níveis de gonadotrofinas –
LH e FSH – circulantes, a fim de definir a
localização no eixo hipotalâmico-hipofisário-
ovariano
❖ Já o termo “gonadismo” diz respeito ao
funcionamento do ovário – gônada
DISTÚRBIOS ANATÔMICOS
HERDADOS
❖ Esse tipo de distúrbio é causa frequente de
amenorreia em adolescentes, sendo que a
anatomia pélvica é anormal em
aproximadamente 15% das mulheres com
amenorreia primária
17
PRIMÁRIA
SECUNDÁRIA
18
❖ A revisão dos sintomas também pode ser
útil !!!
❖ Por exemplo, cefaleias de início recente ou
alterações visuais podem ser indicações da
presença de tumor no SNC ou na hipófise.
Tumores hipofisários podem comprimir o
quiasma óptico resultando em hemianopsia
bitemporal, ou seja, perda dos campos
visuais externos direito e esquerdo
❖ Galactorreia bilateral espontânea é
consistente com o diagnóstico de
hiperprolactinemia
❖ A presença de doença da tireoide pode
estar associada à intolerância ao calor ou ao
frio, alterações de peso ou do sono.
❖ Fogachos e ressecamento vaginal sugerem
hipogonadismo hipergonadotrófico, ou seja,
insuficiência ovariana prematura (IOP)
❖ Com frequência, hirsutismo e acne são
observados em pacientes com SOP ou com
HSRC de início tardio
❖ A dor pélvica cíclica indica obstrução do
INVESTIGAÇÃO trato genital inferior
❖ As perguntas importantes sobre os
ANAMNESE
antecedentes familiares são as que
❖ A investigação das anormalidades esclarecem sobre cessação precoce da
menstruais deve-se iniciar com perguntas menstruação ou histórico de doença
sobre o desenvolvimento puberal autoimune, incluindo doença da tireoide,
- Como foi/é a puberdade da paciente? capazes de sugerir risco aumentado de IOP.
- Chegou a ter ciclicidade menstrual regular? ❖ Antecedentes de irregularidade menstrual ou
❖ Deve-se caracterizar intervalo e duração do sinais de produção excessiva de
ciclo bem como a quantidade de fluxo androgênios podem ser observados nas
menstrual mulheres com SOP
- É importante determinar quando foi ❖ Na história social deve-se investigar
observada alteração nesse padrão, e se tal exposição a toxinas ambientais, incluindo
alteração foi abrupta ou gradual cigarros
❖ O desenvolvimento da amenorreia foi ❖ É necessária atenção a qualquer
associado à infecção pélvica, cirurgia, medicamento sendo utilizado, em especial
radioterapia, quimioterapia ou outra aqueles que aumentem os níveis de
doença? prolactina, como os antipsicóticos
❖ A história cirúrgica deve se concentrar em
EXAME FÍSICO
procedimentos pélvicos anteriores,
particularmente os intrauterinos, incluindo ❖ A aparência/estado geral é útil na
dilatação e curetagem investigação de casos de amenorreia
- Deve-se buscar identificar complicações ❖ IMC baixo, talvez em conjunto com desgaste
associadas às cirurgias realizadas, do esmalte dos dentes resultante de vômitos
principalmente infecções recorrentes, é altamente sugestivo de
transtorno alimentar
19
❖ É muito importante buscar sinais de síndrome ❖ Alterações no campo visual, em particular
de Turner, incluindo baixa estatura e outros hemianopsia bitemporal, indicam tumores
estigmas, como pescoço alado ou tórax em hipofisários ou no SNC.
forma de escudo ❖ A inspeção da pele pode revelar acantose
❖ Os defeitos na linha facial média, como nigricans, hirsutismo ou acne, que indicam
fenda palatina, são consistentes com algum SOP ou outras causas de hiperinsulinemia
defeito no desenvolvimento hipotalâmico ou e/ou hiperandrogenismo.
hipofisário. ❖ Nas pacientes com síndrome de Cushing
❖ A presença de hipertensão arterial em podem ser observadas gordura
pacientes pré-púberes é consistente com supraclavicular e estrias abdominais com
mutações no gene CYP17 com desvio da via hipertensão arterial
esteroidogênica para a produção de ❖ As pacientes com hipotireoidismo podem se
aldosterona apresentar com aumento no volume da
20
glândula tireoide, reflexos retardados e
bradicardia
❖ No exame das mamas, galactorreia bilateral
implica presença de hiperprolactinemia
❖ O exame da genitália inicia-se com a
verificação no padrão de distribuição dos
pelos pubianos
❖ Pelos pubianos ausentes ou com distribuição
feminina esparsa podem ser causados por
ausência de adrenarca ou por SIA
- Por outro lado, níveis elevados de
androgênios resultam em padrão masculino
de distribuição dos pelos genitais
21
SANGRAMENTO
INCIDÊNCIA
UTERINO
30% das mulheres em idade reprodutiva e
até 50% das mulheres na perimenopausa
❖ Os fatores que mais influenciam a incidência
ANORMAL (SUA) são idade e estado reprodutivo
- Por exemplo, o sangramento uterino é raro
em meninas na fase pré-puberal e em
INTRODUÇÃO
mulheres pós-menopáusicas, enquanto as
❖ O Sangramento Uterino Anormal (SUA), taxas de sangramento anormal aumentam
agudo ou crônico, é definido como o acentuadamente nos grupos de
sangramento proveniente do corpo uterino, adolescentes, de mulheres na
com anormalidade, seja na sua perimenopausa e em idade reprodutiva.
regularidade, no volume, na frequência ou
duração, em mulheres que não estão INFÂNCIA
grávidas
❖ Os sangramentos vaginal, retal e uretral
Termos como hemorragia uterina podem ser semelhantes!!!
disfuncional ou menorragia estão ❖ Nessa faixa etária, a vagina, mais do que o
abandonados. útero, é a fonte de sangramento mais
❖ Na prática clínica diária, esta queixa é comum
frequente e estes casos são observados, seja ❖ A vulvovaginite é a causa mais frequente
no atendimento não especializado em - Mas condições dermatológicas,
Unidades Básicas de Saúde, ou em crescimento neoplásico ou trauma por
consultórios de GO e quando o sangramento acidente, abuso sexual ou corpo estranho
é agudo e/ou intenso, as pacientes são vistas também podem ser as razões
em Unidades de Pronto Atendimento ou nas ❖ Além da vagina, o sangramento também
Emergências Médicas pode ter origem na uretra, secundário a
❖ O SUA é responsável por grande número das prolapso uretral ou infecção
consultas ginecológicas e, felizmente, na ❖ Em geral, o sangramento uterino
maioria das vezes o sangramento é de propriamente dito é causado por aumento
pequena intensidade, sem comprometer o nos níveis de estrogênio
estado geral das pacientes - Puberdade precoce
- Entretanto, em algumas situações, essa - Ingestão exógena acidental
condição pode ser debilitante, a ponto de - Neoplasias ovarianas
haver indicação de procedimentos
ADOLESCÊNCIA
cirúrgicos como as histerectomias em alta
porcentagem delas. ❖ Nessa faixa etária, o sangramento uterino
❖ Em situações de cronicidade, esta perda de anormal resulta de anovulação e defeitos na
sanguínea excessiva pode, além dos coagulação
problemas médicos, afetar a qualidade de ❖ Por outro lado, crescimentos neoplásicos,
vida, seja pela necessidade de mudança de como pólipos, leiomiomas e neoplasias
hábitos (como as trocas frequentes de ovarianas, são menos frequentes
absorventes), ou porque pode estar ❖ É importante notar que as possibilidades de
associada a cólicas menstruais e a anemia gravidez, infecções sexualmente
ferropriva dela subsequente. transmissíveis (ISTs) e abuso sexual não
devem ser desprezadas nessa população
IDADE REPRODUTIVA ❖ O “sistema” PALM-COEIN é aplicável uma
vez excluídas causas de sangramento
❖ Com o aumento da atividade sexual, relacionadas à gravidez
aumentam também as taxas de
sangramento relacionado com gravidez e
com ISTs
❖ A incidência de leiomiomas e de pólipos
endometriais também aumenta com a
idade
PERIMENOPAUSA
MENOPAUSA
❖ Doenças benignas
- A maioria dos casos é decido a atrofia do
endométrio ou da vagina
❖ Neoplasias malignas
- Carcinoma endometrial
❖ Assim como nas mulheres na fase pré-
puberal, como o sangramento com origem
no reto, na vagina ou na uretra pode ter
apresentação semelhante, é essencial
esclarecer com precisão o local do
sangramento
CLASSIFICAÇÃO
2
invasivo é fino e friável, além de descolar do
colo uterino com facilidade
- Nas mulheres com sangramento pós-coito,
a NIC foi encontrada em 7 a 10%, o câncer
invasivo em aproximadamente 5% e o
câncer vaginal ou endometrial em menos de
1%
DOR PÉLVICA
SINAIS E SINTOMAS
❖ Considerando-se o papel das
prostaglandinas na menorragia e na
MENORRAGIA E METRORRAGIA
dismenorreia, parece lógico que dores em
❖ Menorragia: menstruação cíclica
cólica acompanhem sangramento anormal
prolongada ou intensa. De forma objetiva, os
❖ E, de fato, é frequente que haja
valores que definem o conceito são
dismenorreia concomitante a sangramento
menstruação por mais de sete dias ou com
anormal causado por lesões, infecções e
perda sanguínea superior a 80 mL
complicações de gravidez
❖ Metrorragia: sangramento intermenstrual
❖ A dispaurenia e a dor não cíclica são menos
❖ Entretanto, muitos dos distúrbios
frequentes em pacientes com sangramento
ginecológicos não se apresentam com
anormal e, em geral, sugerem causa
padrões de sangramento específicos
estrutural ou infecciosa
❖ Assim, as pacientes podem se apresentar
- Mulheres com leiomiomas, geralmente,
com menorragia ou metrorragia, ou ambos.
relatam dispaurenia e dor pélvica
É comum as mulheres se queixarem de
ambos os padrões, a menometrorragia. PROPEDÊUTICA DO SUA
3
ter origem no trato reprodutivo inferior, EXAMES LABORATORIAIS
sistema gastrintestinal ou trato urinário
❖ A localização será dificultada caso não haja ❖ Gonadotrofina coriônica humana b
sangramento ativo - Abortamento, gravidez ectópica e mola
- Nesses casos, o exame qualitativo de urina hidatiforme podem causar hemorragia
e a pesquisa de sangue oculto nas fezes potencialmente letal
❖ Durante o exame, sinais isolados ou em - As complicações associadas à gravidez
conjunto podem sugerir a etiologia podem ser rapidamente excluídas com
dosagem de gonadotrofina coriônica
humana b (b-hCG) no sangue ou na urina
❖ Testes hematológicos
- Além disso, nas mulheres com sangramento
uterino anormal, o hemograma completo
identifica anemia assim como indica o grau
de perda sanguínea
- Nas perdas crônicas, os índices eritrocitários
refletirão a presença de anemia microcítica
e hipocrômica com reduções de volume
corpuscular médio (VCM), hemoglobina
corpuscular média (HCM) e concentração
de hemoglobina corpuscular média (CHCM).
- Além disso, nas pacientes com anemia
ferropriva clássica causada por perda
crônica de sangue, é possível haver
elevação na contagem de plaquetas
- Na anemia ferropriva, a ferritina sérica está
reduzida, assim como o ferro sérico, com
elevação da capacidade total de ligação
do ferro
- Nas pacientes com menorragia sem outra
causa evidente, deve-se considerar
proceder ao rastreamento para distúrbios da
coagulação, especialmente nas
adolescentes com menorragia. Além disso,
há indicação de rastreamento nas pacientes
que apresentem outros episódios pessoais ou
familiares sugestivos de disfunção da
coagulação
- Esta avaliação inclui hemograma completo
com contagem de plaquetas, tempo de
tromboplastina parcial e tempo de
protrombina e pode incluir teste para doença
de von Willebrand
❖ Exame em preparação úmida e cultura do
colo uterino
- Investigação de cervicite, com
identificação do agente etiológico
❖ Exame citológico
- Exame preventivo de Papanicolau
4
- Investigação de CA do colo uterino e de - Dependendo dos resultados citológicos,
endométrio estarão indicadas colposcopia, curetagem
- Os resultados citológicos anormais mais endocervical e/ou biópsia de endométrio
frequentes associados a sangramento ❖ Biópsia de endométrio
anormal podem indicar cervicite, neoplasia - Nas mulheres com sangramento anormal, a
intraepitelial ou câncer investigação histológica de endométrio é
capaz de identificar infecção ou lesões
5
neoplásicas como hiperplasia ou câncer de - A principal vantagem da histeroscopia é
endométrio detectar lesões intracavitárias, como
- Indicações: em qualquer mulher com mais leiomiomas e pólipos, que podem passar
de 35 anos de idade com sangramento despercebidas na UTV ou na biópsia de
anormal e naquelas com menos de 35 anos endométrio
com suspeita de sangramento uterino
anovulatório refratário a tratamento clínico
❖ Ultrassonografia
- USG Transvaginal (UTV): a atualmente é MIOMA
escolhida por muitos especialistas em
detrimento da biópsia endometrial como INTRODUÇÃO/CONCEITO
modalidade de primeira linha para ❖ Leiomiomas são neoplasias benignas do
investigação de sangramento anormal. músculo liso que com frequência originam-se
Como vantagem, permite a avaliação de no miométrio
miométrio e endométrio. Assim, se a origem ❖ Em geral, são referidos como miomas
do sangramento anormal for uma patologia uterinos e, como seu conteúdo considerável
miometrial, como o leiomioma, a de colágeno produz uma consistência
ultrassonografia proporciona informações fibrosa, são erroneamente denominados
anatômicas que não são obtidas por fibromas
histeroscopia ou por biópsia endometrial. ❖ Em muitas mulheres, os leiomiomas são
Além disso, a UTV, em comparação com clinicamente insignificantes
essas outras duas técnicas, normalmente ❖ Por outro lado seu número, tamanho e
oferece maior conforto para a paciente e localização dentro do útero podem
detecção adequada de hiperplasia provocar diversos sintomas
endometrial e câncer - Em conjunto, esses sintomas constituem um
- USG com infusão salina (UIS) ou segmento importante da prática
Histerossonografia: procedimento ginecológica
ultrassonográfico efetivo e minimamente
invasivo pode ser usado para avaliar EPIDEMIOLOGIA
visualmente o miométrio, o endométrio e a ❖ Sua incidência costuma ser citada como 20
cavidade endometrial. Permite a a 25%, mas chegou a atingir 70 a 80% em
visualização das massas comuns associadas estudos usando exames histológicos ou
a sangramento uterino anormal, como ultrassonográficos
pólipos, leiomiomas submucosos e coágulos ❖ Além disso, o valor comprovado varia
sanguíneos intracavitários. Essas massas dependendo da faixa etária e raça da
frequentemente criam distorções não população estudada
registradas ou espessamento do
revestimento endometrial na UTV. FATORES DE RISCO
A UIS normalmente permite a detecção das
massas intracavitárias, bem como a ❖ Idade reprodutiva (18-55 anos)
diferenciação de lesões endometriais, ❖ Etnia:
submucosas ou intramurais - 70% mulheres brancas
- USG transvaginal com Doppler colorido - 80% mulheres afro-americanas
(UTV-DC) ❖ Hereditariedade:
❖ Histeroscopia - Estudos em famílias e em gêmeos
- Este procedimento requer a inserção de revelaram risco de formação de leiomiomas
endoscópio óptico, geralmente com 3 a 5 aproximadamente duas vezes maior nas
mm de diâmetro, na cavidade endometrial mulheres com familiares de primeiro grau
afetados
6
❖ O mioma não se desenvolve apenas pela
hiperplasia e hipertrofia de células
ETIOPATOGENIA miometriais, mas também pelo aumeto da
matriz extracelular (MEC)
❖ É uma neoplasia benigna de células
- A MEC é composta por colágeno,
musculares lisas do miométrio
proteoglicanos e fibronectinas
- Responsiva aos hormônios ovarianos
❖ A presença também de mediadores, em
❖ A variação nos efeitos hormonais sobre o
conjunto com os hormônios esteroides,
leiomioma está relacionada em parte ao seu
levam a aumento da atividade mitótica e
crescimento autônomo
deposição de MEC
❖ O desenvolvimento e o crescimento dos
leiomiomas resulta de uma complexa
interação entre:
- Hormônios esteroides (estrógenos e
progesterona)
- Fatores de crescimento ❖ Cada leiomioma é derivado de um único
- Citocinas miócito progenitor
- Mutações somáticas (40% dos leiomiomas - Assim, cada tumor dentro de um útero com
apresentam anormalidades genéticas) múltiplos tumores apresenta origem
❖ O rápido crescimento desses tumores citogenética independente
durante a gestação, quando os níveis ❖ A mutação primária que inicia a
hormonais são altos, a regressão dos mesmos tumorigênese é desconhecida, mas
após a menopausa, além da diminuição de encontram-se falhas cariotípicas
crescimento com terapêutica como identificáveis em aproximadamente 40% dos
análogos a GnRH, danazol e leiomiomas
antiprogestínicos, ratificam o papel hormonal - Foram identificados diversos defeitos
no desenvolvimento dessa afecção singulares envolvendo os cromossomos 6, 7,
❖ No local de crescimento e desenvolvimento 12 e 14 e, mais raramente, 1, 3, 10 e 13
dos leiomiomas, existem receptores de correlacionados com a velocidade e o
progesterona e estrógenos aumentados em direcionamento do crescimento do tumor
relação ao miométrio e endométrio normal
❖ Há heterogeneidade decorrente de
aspectos bioquímicos e histológicos distintos
inerentes a cada nódulo leiomiomatoso
7
CLASSIFICAÇÃO uterina; e tipo II, quando mais de 50% da
massa estiverem circundados por miométrio
❖ Os leiomiomas são classificados com base ❖ Apenas cerca de 0,4% dos leiomiomas
em sua localização e orientação de desenvolve-se no colo uterino
crescimento ❖ De forma mais rara, os leiomiomas também
❖ Os leiomiomas subserosos originam-se dos foram encontrados em ovários, tubas
miócitos adjacentes à serosa uterina, e seu uterinas, ligamento largo, vagina e vulva.
crescimento está orientado para o exterior.
Leiomiomatose: são tumores externos
- Quando estão presos apenas por uma
formados por músculo liso, benignos
haste ao seu miométrio progenitor, são
embora infiltrativos, podem se
chamados leiomiomas pediculados
desenvolver nas mulheres com
- Os leiomiomas parasíticos são variantes
leiomiomas uterinos concomitantes. A
subserosas que se prendem às estruturas
metástase de leiomioma benigno origina-
pélvicas próximas, a partir das quais
se de leiomiomas uterinos
recebem suporte vascular, podendo ou não
morfologicamente benignos que se
se soltar do miométrio progenitor
disseminam de forma hematogênica. As
❖ Os leiomiomas intramurais são aqueles com
lesões são encontradas em pulmões, trato
crescimento centrado dentro das paredes
gastrintestinal e cérebro. Classicamente,
uterinas
são observadas em mulheres com história
❖ Por fim, os leiomiomas submucosos, que
recente ou remota de cirurgia pélvica.
estão próximos ao endométrio, crescem e
projetam-se em direção ao interior da
cavidade endometrial SINAIS E SINTOMAS
SANGRAMENTO
8
vênulas intensamente dilatadas subjuga os e a alterações vasculares que podem
mecanismos hemostáticos normais impedir a implantação
❖ Existe uma associação mais forte entre
DESCONFORTO PÉLVICO E subfertilidade e leiomiomas submucosos do
DISMENORREIA que com tumores localizados em qualquer
outro lugar
❖ Um útero suficientemente aumentado pode
❖ As taxas de abortamentos espontâneos
causar sensação de pressão, frequência
aumenta com o número de leiomiomas, mas
urinária, incontinências ou constipação
não foram afetadas pelo tamanho ou pela
❖ É raro os leiomiomas se estenderem no
localização do tumor
sentido lateral a ponto de comprimir o ureter
e levar à obstrução e à hidronefrose
DIAGNÓSTICO
❖ A dispareunia e a dor pélvica cíclica são
mais frequentes que a dismenorreia ❖ Diagnóstico clínico e através de exame de
imagem
DOR PÉLVICA AGUDA ❖ O diagnóstico de miomas uterinos é
usualmente baseado no achado de um
❖ Trata-se de queixa menos frequente com
útero aumentado, móvel e com contornos
esse tumor
irregulares ao exame bimanual ou um
- é mais encontrada em casos de
achado ultrassonográfico, por vezes casual
degeneração ou prolapso do leiomioma
❖ Exames de imagem são necessários para
❖ Os leiomiomas podem sofrer degeneração e
confirmação diagnóstica e definição da
essa necrose tecidual pode estar associada
localização do tumor
à dor aguda, febre e leucocitose
- Esse quadro pode ser confundido com ❖ Avaliação radiológica rotineira não é
outras causas de dor pélvica aguda necessária e nem melhora desfechos.
❖ As mulheres com prolapso de um tumor a
partir da cavidade endometrial se ❖ A ultrassonografia transvaginal associada se
apresentam normalmente com queixa de necessário a via abdominal é o padrão-ouro
cólica ou dor aguda à medida que o tumor para diagnóstico dos miomas uterinos,
se expande e atravessa o canal demonstrando alta sensibilidade (95 a 100%)
endocervical ❖ É um exame não invasivo, de baixo risco,
❖ É comum encontrar sangramento ou com boa acurácia e baixo custo
descarga serossanguinolenta - O aspecto ultrassonográfico dos leiomiomas
varia entre imagens hipo e hiperecoicas,
INFERTILIDADE E PERDA DE GRAVIDEZ dependendo da proporção de músculo liso
para tecido conectivo e da existência de
❖ Estima-se que 2 a 3% dos casos de degeneração
infertilidade decorram somente de - A calcificação e a degeneração cística
leiomiomas criam as alterações mais distintivas na
❖ Seus supostos efeitos incluem oclusão do ultrassonografia
óstio tubário e interrupção das contrações ❖ As calcificações têm aspecto hiperecoico e
uterinas normais que impulsionam os costumam circundar o tumor ou se
espermatozoides ou o ovo apresentam distribuídas aleatoriamente
❖ A distorção da cavidade endometrial ❖ Se menorragia, dismenorreia ou infertilidade
também pode prejudicar a implantação e o acompanham uma massa pélvica, a
transporte dos espermatozoides cavidade endometrial deve ser investigada
❖ É importante ressaltar que os leiomiomas buscando por leiomiomas submucosos,
estão associados à inflamação endometrial pólipos endometriais, anomalias congênitas
ou sinéquia
9
❖ Se o endométrio estiver espessado ou submucoso de um pólipo endometrial ou
irregular, a ultrassonografia com infusão adenomiose
salina (UIS) ou a histeroscopia podem ❖ Em úteros muito grandes ou com múltiplos
fornecer informações adicionais miomas a ressonância magnética (RM)
auxilia na informação sobre o número de
miomas, tamanho e localização
- A RM auxilia também no diagnóstico
diferencial entre mioma, adenomiose e
adenomiomas e leiomiossarcomas
- A RM pode ser necessária quando a
imagem estiver prejudicada pela
compleição física da paciente ou por
anatomia distorcida
- Essa ferramenta permite avaliar de forma
mais precisa tamanho, número e localização
dos leiomiomas, o que pode ajudar na
identificação das pacientes adequadas
para as alternativas à histerectomia, como
miomectomia ou embolização das artérias
uterinas
❖ É importante ressaltar que, para massas
predominantemente em fundo uterino, a RM
também pode ajudar a diferenciar entre
leiomioma fúndico, uma indicação
apropriada para miomectomia, e
adenomiose, para a qual não há indicação
para esse procedimento
TRATAMENTO
10
❖ No passado, a maioria dos médicos preferia prostaglandinas do que as mulheres
a remoção cirúrgica do útero assintomático assintomáticas
com leiomiomas grandes, em razão de ❖ Portanto, o tratamento da dismenorreia e da
preocupações com o risco de câncer e menorragia associadas aos leiomiomas tem
como possível aumento da morbidade como base o papel das prostaglandinas
operatória caso o tumor crescesse como mediadoras desses sintomas
- Esses problemas foram refutados, e, as
mulheres assintomáticas com leiomiomas TERAPIA HORMONAL
volumosos também podem ser tratadas com
❖ Tanto os COCs quanto os progestogênios
conduta expectante
têm sido usados para induzir atrofia
❖ Para aquelas com tumores sintomáticos, a
endometrial e reduzir a produção de
cirurgia, se possível, deve ser marcada o
prostaglandinas em mulheres com
mais próximo de uma eventual gravidez
leiomiomas
planejada, para reduzir o risco de
❖ O dispositivo intrauterino liberador de
recorrência do tumor
levonogestrel (SIU-LNG) também se mostrou
❖ Em algumas mulheres com leiomiomas
capaz de melhorar a menorragia em
sintomáticos, a terapia clínica pode ser a
mulheres com sangramento relacionado
melhor opção
com leiomioma
❖ Além disso, em virtude de os leiomiomas com
- É importante ressaltar que não é possível
frequência regredirem na pós-menopausa,
usar SIU-LNG quando os leiomiomas
algumas mulheres optam por tratamento
produzem distorção da cavidade
clínico para aliviar os sintomas até a
endometrial
menopausa
❖ Os contraceptivos esteroides representam
❖ Em outras, a terapia clínica, com agonistas
uma opção racional de tratamento para os
do GnRH, é usada como adjunto à cirurgia
sintomas menstruais relacionados com
AINES leiomiomas
- Entretanto, em razão dos efeitos
❖ Mulheres com dismenorreia apresentam imprevisíveis dos progestogênios sobre o
níveis endometriais mais altos de crescimento do leiomioma, o American
11
College of Obstetricians and Gynceologists de GnRH, e os agonistas, assim, reduziriam
(2008) recomenda acompanhamento de diretamente o tamanho do leiomioma
perto da evolução no tamanho do ❖ Os resultados do tratamento com agonistas
leiomioma e do útero do GnRH incluem redução acentuada do
volume uterino e do leiomioma
ANDRÓGENOS ❖ Os benefícios clínicos da redução do
tamanho do leiomioma abrangem alívio da
❖ Tanto o danazol quanto a gestrinona
dor e redução da menorragia, em geral
reduzem o volume do leiomioma e
amenorreia
melhoram os sintomas de sangramento
❖ Os agonistas do GnRH apresentam custos,
❖ No entanto, seus efeitos colaterais
riscos e efeitos colaterais significativos
relevantes, que incluem acne e hirsutismo,
- Os efeitos colaterais são causados pela
impedem seu uso como agentes de primeira
redução profunda nos níveis séricos de
linha
estrogênio
AGONISTAS DO GNRH
ANTAGONISTAS DO GNRH
❖ São inativos quando administrados por via
❖ Existem dois agentes dessa classe, cetrorelix
oral, mas há formulações para administração
e ganirelix, que estão aprovados pela FDA
pelas vias intramuscular, subcutânea e
- Usados tamém no tratamento de
intranasal
infertilidade
❖ O acetato de leuprolida (Lupron Depot) foi
❖ Seus efeitos hipoestrogênicos profundos são
aprovado pela FDA para tratamento de
similares àqueles dos agonistas do GnRH,
leiomioma e encontra-se disponível para
mas não se observa o flare inicial de
administração intramuscular de doses
gonadotrofina
mensais de 3,75 mg ou doses trimestrais de
❖ Sua ação é mais rápida
11,25 mg
❖ Injeções subcutâneas diárias induzem
❖ Os agonistas de GnRH reduzem os
redução do leiomioma comparável à obtida
leiomiomas porque inibem os efeitos de
com os agonistas do GnRH
crescimento do estrogênio e da
progesterona ANTIPROGESTOGÊNIOS
- Inicialmente, esses agonistas estimulam os
receptores dos gonadotrofos hipofisários ❖ A mifepristona, também conhecida como
para causar uma liberação suprafisiológica RU486, é um progestogênio que tem sido
do hormônio luteinizante (LH) e do hormônio usado no tratamento de leiomiomas
folículo-estimulante (FSH) ❖ Esse agente reduz em aproximadamente
- Esse efeito, também chamado de flare 50% o volume do leiomioma
(efeito estimulador), costuma durar uma
semana. No entanto, em sua ação de longo EMBOLIZAÇÃO DAS ARTÉRIAS UTERINAS
prazo os agonistas promovem a (EAU)
infrarregulação (downregulation) dos
❖ Trata-se de procedimento intervencionista
receptores nos gonadotrofos, produzindo,
angiográfico no qual injetam-se microesferas
assim, dessensibilização para estimulação
de álcool polivinílico (PVA, de polyvinyl
adicional do GnRH. Como consequência, a
alcohol) ou outro agente sintético
redução da secreção de gonadotrofina leva
particulado embólico em ambas as artérias
à supressão dos níveis de estrogênio e
uterinas
progesterona 1 a 2 semanas após a
❖ O fluxo sanguíneo uterino é, então, obstruído,
administração inicial do agonista do GnRH
produzindo isquemia e necrose
❖ Outro mecanismo possível seria que os
próprios leiomiomas contivessem receptores
12
❖ Como os vasos que nutrem os leiomiomas
têm calibre maior, as microesferas são ❖ Miomectomia versus histerectomia.
preferencialmente direcionadas para os Historicamente, a histerectomia era
tumores, poupando o miométrio adjacente recomendada para as mulheres que não
❖ A EAU é uma opção de tratamento para desejassem engravidar. Muitos
mulheres com leiomiomas uterinos que acreditavam que a miomectomia, em
tenham sintomas significativos apesar do comparação com a histerectomia,
tratamento clínico e que seriam acarretava risco maior de morbidade
consideradas candidatas à histerectomia ou perioperatória. Com o acúmulo de
à miomectomia experiência, a miomectomia mostrou-se
❖ Em razão das possíveis complicações de efetiva e com riscos perioperatórios
gravidez após EAU, o procedimento não é comparáveis aos da histerectomia.
considerado para mulheres que não tenham ❖ A desvantagem é que as aderências
filhos intra-abdominais no pós-operatório e a
recorrência do leiomioma são mais
TRATAMENTO CIRÚRGICO comuns após miomectomia, em
comparação com histerectomia. As taxas
❖ Histerectomia de recorrência após miomectomia variam
- A remoção do útero é o tratamento entre 40% e 50%. O desenvolvimento de
cirúrgico definitivo e mais comumente novo leiomioma parece ser menos
realizado em casos de leiomioma provável nas mulheres que engravidam
- A histerectomia para tratamento de após a miomectomia, talvez em razão
leiomiomas pode ser realizada por via dos efeitos protetores do aumento da
vaginal, abdominal ou laparoscópica paridade
- A remoção dos ovários não é necessária, e
a decisão de realizar a ooforectomia no
momento da histerectomia deve ponderar
idade e risco de câncer, entre outros fatores
- Outras considerações a serem feitas antes
de histerectomia incluem tamanho do útero
ENDOMETRIOSE
e hematócrito no período pré-operatório
INTRODUÇÃO/CONCEITO
❖ Miomectomia
- A ressecção dos tumores é uma opção ❖ Endometriose é uma doença ginecológica
para as mulheres sintomáticas que tenham crônica, benigna, estrogênio-dependente e
intenção de engravidar no futuro ou para de natureza multifatorial que acomete
aquelas que se oponham à histerectomia principalmente mulheres em idade
- O procedimento pode ser realizado por reprodutiva
incisão laparoscópica ou histeroscópica ou ❖ Pode ser definida pela presença de tecido
por laparotomia que se assemelha à glândula e/ou ao
- Em geral, a miomectomia produz melhora estroma endometrial fora do útero, com
na dor, na infertilidade ou no sangramento. predomínio, mas não exclusivo, na pelve
Por exemplo, a menorragia melhora em feminina
aproximadamente 70 a 80% das pacientes ❖ Foi proposto o conceito que dividiu a
após a remoção do tumor endometriose em três doenças distintas:
peritoneal, ovariana e endometriose
profunda
- A peritoneal caracteriza-se pela presença
de implantes superficiais no peritônio;
- a ovariana, por implantes superficiais no
ovário ou cistos (endometriomas);
13
- e endometriose profunda, que é definida ❖ Fatores de risco:
como uma lesão que penetra no espaço - Antecedente familiar com parente de
retroperitoneal ou na parede dos órgãos primeiro grau com endometriose
pélvicos, com uma profundidade de 5 mm - Menarca precoce e menopausa tardia
ou mais. Casos no pulmão, mamas, ossos, - Nuliparidade
sistema nervoso central, fígado, vesícula - Gestação tardia
biliar, rins e uretra já foram descritos, mas são - Fluxo menstrual aumentado – em volume
extremamente raros. e/ou duração
❖ A variante adenomiose, antigamente - Estenose cervical e outras obstruções do
englobada no mesmo processo, fluxo de saída menstrual
compreende a presença de tecido - Raça branca
endometrial implantado no interior das fibras - Nível socioeconômico elevado
miometriais, denominada por alguns autores - Quadros de ansiedade, depressão e outros
endometriose interna transtornos psiquiátricos
- Atualmente, endometriose e adenomiose ❖ Fatores protetores:
são reconhecidas como patologias distintas - Tabagismo
Ainda não está claro se as diferentes - Uso de contraceptivos hormonais
formas diferem com relação à dor, à - Multiparidade
infertilidade ou ao prognóstico. - Primeira gestação precoce – antes dos 18
anos.
EPIDEMIOLOGIA
FISIOPATOLOGIA
❖ A incidência de endometriose é difícil de
quantificar, uma vez que as portadoras da ❖ As hipóteses etiopatogênicas para explicar o
doença quase sempre são assintomáticas e desenvolvimento da doença são muitas. As
os exames de imagem apresentam mais aceitas estão relacionadas a seguir.
sensibilidade baixa para o diagnóstico Hipóteses etiopatogênicas mais aceitas:
❖ Embora os dados epidemiológicos da 1. Teoria da menstruação retrógrada – teoria
doença sejam de difícil caracterização, de Sampson: defende ser o refluxo do
acredita-se haver uma prevalência da sangue menstrual, por meio das tubas
doença entre 5% a 10% da população uterinas pérvias, o responsável pelo distúrbio
feminina em idade reprodutiva ❖ O sangue menstrual contém células viáveis,
❖ Atualmente acredita-se que mais de 7 com capacidade de implantação, que, por
milhões de brasileiras tenham a doença fatores locais e sob estímulo estrogênico,
❖ A endometriose é diagnosticada, em média, formariam focos de tecido endometrial
na terceira década de vida ectópico
❖ É descrita a associação a mulheres com ❖ Apesar da plausibilidade biológica, essa
baixo IMC e níveis de ansiedade acima da teoria é muito contestada, pois a maioria das
média. mulheres apresenta menstruação retrógrada
❖ O diagnóstico tardio favorece baixa e não tem endometriose;
qualidade de vida pelos sintomas álgicos, 2. Teoria da metaplasia celômica: algumas
grande abstenção no trabalho ou escola e células indiferenciadas – pluripotenciais –
implicações na fertilidade situadas nos ovários, no peritônio e em outros
locais sofrem diferenciação em células de
FATORES DE RISCO / FATORES PROTETORES endométrio.
❖ A incitação para tal diferenciação seria o
❖ Por ser uma doença estrogênio-dependente, estímulo hormonal sobre esse epitélio
todos os fatores que propiciam o ambiente celômico indiferenciado, que se transforma
hiperestrogênico podem favorecer seu em tecido endometrial, em vez do tecido
aparecimento
14
correspondente – tecido peritoneal, ovariano ❖ Além disso, septo retovaginal, ureter e,
etc.; raramente, bexiga, pericárdio, cicatrizes
3. Teoria combinada ou teoria de Javert: cirúrgicas e pleura podem ser afetados
aceita ambas as hipóteses ❖ Os sítios raros de endometriose podem
concomitantemente e explica, em parte, a apresentar sintomas cíclicos atípicos
ocorrência dos focos pélvicos – pelo refluxo - Por exemplo, mulheres com endometriose
de células endometriais, de acordo com a no trato urinário podem descrever sintomas
teoria de Sampson; por outro lado, os focos cíclicos de irritação ao urinar e hematúria
longínquos seriam explicados pela - Aquelas com envolvimento retossigmoide
metaplasia celômica; podem relatar sangramento retal cíclico
4. Teoria imunológica: proposta de meados - Lesões pleurais foram associadas a
da década de 1990, considera uma série de pneumotórax menstrual e hemoptise
alterações imunológicas, principalmente ❖ Os endometriomas ovarianos são uma
relacionadas à resposta imune celular Th1, manifestação comum da endometriose
como fator principal - Esses cistos ovarianos apresentam paredes
❖ Essa teoria explicaria o fato de apenas lisas, têm cor marrom-escura e são repletos
algumas mulheres desenvolverem de líquido com aspecto de chocolate,
endometriose, mesmo com a maioria delas podendo ser uniloculares ou, quando muito
apresentando menstruação retrógrada grandes, multiloculares
❖ Os defeitos imunológicos estudados e já - Supõe-se que os endometriomas ovarianos
comprovados nessa teoria incluem alteração sejam formados por invaginação do córtex
na ação citotóxica e no reconhecimento de ovariano e posterior incorporação de
antígenos das células NK (Natural Killer) e resíduos menstruais que se tenham aderido à
alteração na secreção de diversas citocinas superfície ovariana
– IL-1, IL-6, IL-8, TNF-alfa, IL12, IL-18 e outras;
5. Teoria da implantação: propõe que SINAIS E SINTOMAS
células endometriais manipuladas durante
cirurgias – parto cesárea – podem ser DISMENORREIA PROGRESSIVA – DOR
implantadas na cavidade endometrial e na PÉLVICA CÍCLICA
parede pélvica, criando focos de ❖ A dismenorreia progressiva, refratária ao
endometriose tratamento medicamentoso habitual, é o
❖ Tal teoria foi desenvolvida na tentativa de principal sintoma
explicar o aparecimento de focos de ❖ Normalmente, a dismenorreia associada à
endometriose cicatricial. endometriose precede as menstruações em
Nenhuma das teorias conseguiu 24 a 48 horas e é menos responsiva aos
comprovar a etiologia da endometriose medicamentos AINEs e aos COCs
até o momento.
DOR PÉLVICA NÃO CÍCLICA
LOCALIZAÇÃO ❖ Com a progressão da doença, os implantes
❖ A endometriose pode se desenvolver em endometrióticos aprofundam-se e lesam
qualquer sítio dentro da pelve e em outras nociceptores, causando dor neuropática,
superfícies peritoneais extrapélvicas clinicamente expressa por dor pélvica
❖ O mais comum é encontrar a endometriose crônica (DPC)
nas áreas dependentes da pelve - Esta geralmente é diária, de grande
- Ovário, peritônio pélvico, fundo de saco intensidade e piora durante o período
anterior e posterior e ligamentos uterossacrais menstrual
costumam estar comprometidos
15
❖ A DPC é o sintoma mais comumente ❖ Os sintomas podem ser crônicos ou cíclicos e
associado à endometriose estar associados à constipação, diarreia ou
- Aproximadamente 40 a 60% das mulheres hematoquezia cíclica
com DPC apresentam endometriose à
laparoscopia INFERTILIDADE
❖ O foco da dor crônica pode variar de uma
❖ A incidência da endometriose nas mulheres
mulher para a outra
subférteis é de 20 a 30%
- Depende da localização da doença
❖ Além disso, embora haja relatos de grande
DISPAREUNIA DE PROFUNDIDADE variabilidade, as pacientes inférteis parecem
ter maior incidência de endometriose do que
❖ A dispareunia associada à endometriose na as mulheres férteis
maioria das vezes está relacionada com ❖ As aderências causadas pela endometriose
doença localizada no septo retovaginal ou talvez impeçam a captura e o transporte do
no ligamento uterossacral e menos oócito pela tuba uterina
associada a envolvimento ovariano ❖ Além do impedimento mecânico da
❖ Durante a relação sexual, a tensão sobre os ovulação e da fertilização, outras falhas sutis
ligamentos uterossacrais comprometidos também parecem estar envolvidas na
pode precipitar a dor patogênese da infertilidade nas mulheres
❖ Embora algumas mulheres com com endometriose
endometriose possam relatar história de - Essas falhas incluem alterações nas funções
dispareunia desde a perda da virgindade, ovariana e imune, bem como na
suspeita-se de dispareunia associada à implantação
endometriose quando a dor passa a ocorrer
depois de anos de relação sexual indolor DIAGNÓSTICO
❖ Entretanto, parece que o grau de
desconforto não depende da gravidade da EXAME FÍSICO
doença ❖ Inspeção:
- Em grande parte, a endometriose é uma
SINTOMAS URINÁRIOS
doença restrita à pelve
❖ Embora sejam sintomas menos comuns em - Portanto, com frequência não são
casos de endometriose, queixas como observadas anormalidades durante a
disúria e frequência e urgência urinárias inspeção
cíclicas podem ser observadas nas mulheres - Algumas exceções incluem a endometriose
afetadas em uma cicatriz de episiotomia ou em uma
❖ A endometriose deve ser suspeitada se tais cicatriz cirúrgica, com frequência na incisão
sintomas forem acompanhados de culturas de Pfannenstiel
negativas de urina ❖ Exame especular:
❖ Se forem observados hematúria ou sintomas - Em geral, o exame da vagina e do colo
vesicais significativos, a cistoscopia pode ser uterino não revela sinais de endometriose
realizada para investigação complementar e - Ocasionalmente, lesões azuladas ou
confirmação diagnóstica parecidas com queimadura por pólvora
podem ser observadas no colo uterino ou no
DOR DEFECATÓRIA fórnice posterior da vagina. Essas lesões
podem ser sensíveis ou sangrar ao contato
❖ A defecação dolorosa é mais rara do que os ❖ Exame bimanual:
outros tipos de dor pélvica e normalmente - A palpação de órgão pélvico pode revelar
reflete a presença de implantes de anormalidades anatômicas sugestivas de
endometriose no retossigmoide endometrios
16
- A presença de nódulos e de sensibilidade - Dosagem sérica ou urinária de
ao toque no ligamento uterossacral podem gonadotrofina coriônica humana
refletir doença ativa ou fibrose ao longo do - Exame e culturas de urina
ligamento - Culturas vaginais
- Além disso, uma massa anexial cística - Esfregaços do colo uterino podem ser
extensa pode representar um endometrioma realizados para excluir infecções ou
ovariano, que pode ser móvel ou aderente a complicações da gestação
outras estruturas pélvicas
- O exame bimanual talvez revele útero EXAMES DE IMAGEM
retrovertido, fixo, sensível ao toque, ou um
❖ A suspeita clínica associada ao exame físico
fundo de saco posterior firme e fixo
traz a hipótese de endometriose, mas é
- Contudo, o exame físico geralmente é
necessária a utilização de ferramentas
impreciso na avaliação da extensão da
diagnósticas auxiliares
endometriose, especialmente se as lesões
❖ O ultrassom pélvico e transvaginal com
forem extragenitais
preparo intestinal e a ressonância magnética
- As nodularidades pélvicas secundárias à
com protocolos especializados são os
endometriose podem ser mais facilmente
principais métodos por imagem para
detectadas pelo exame bimanual durante
detecção e estadiamento da endometriose
as menstruações
e deverão ser realizados por profissionais
EXAMES LABORATORIAIS com experiência nesse diagnóstico
❖ O radiologista deverá contemplar em sua
❖ Os exames laboratoriais são solicitados para avaliação:
excluir outras causas de dor pélvica - Útero, a região retro e a paracervical, os
ligamentos redondos
- Os uterossacros, o fórnice vaginal posterior,
o septo retovaginal, o retossigmoide
- Apêndice, o ceco, o íleo terminal, a bexiga,
os ureteres, os ovários, as tubas e as paredes
pélvicas
❖ A complementação com a avaliação dos
rins e do diafragma direito é desejável,
principalmente quando há suspeita clínica
ou no exame radiológico da pelve
❖ Importante frisar que os exames de imagem
especializados são muito eficientes na
detecção e no estadiamento de lesões
profundas e dos endometriomas ovarianos,
mas só esporadicamente é possível visualizar
lesões superficiais
As diretrizes da European Society of
Urogenital Radiology (2017) recomendam
que a ressonância magnética seja
considerada técnica de segunda linha,
sendo solicitada após a ultrassonografia com
❖ Inicialmente, para excluir infecções ou
preparo intestinal para avaliação da
complicações da gestação:
endometriose pélvica. É útil antes da cirurgia
- Hemograma
para estadiamento pré-operatório
adequado.
17
❖ A tomografia computadorizada de pelve é ❖ A dor é influenciada pela profundidade de
útil no afastamento de outras hipóteses que implantação endometriótica e sua
contemplem o diagnóstico diferencial de dor localização em áreas de maior inervação
pélvica crônica, bem como na identificação ❖ Histologicamente, ainda se divide a
de repercussões intestinais e urinárias – por endometriose em superficial e profunda
exemplo, hidronefrose
❖ A videolaparoscopia tinha, no passado, TRATAMENTO
papel no diagnóstico da endometriose.
❖ A American Society for Reproductive
Porém, atualmente, com o avanço dos
Medicine mostra que a endometriose deve
métodos por imagem, ela é indicada, para o
ser vista como uma doença crônica que
diagnóstico, apenas em pacientes que
requer um planejamento para abordagem
apresentam exames normais e falha no
em longo prazo
tratamento clínico.
❖ O objetivo é maximizar o tratamento
- É o padrão-ouro para o diagnóstico, desde
medicamentoso e evitar procedimentos
que acompanhada de confirmação
cirúrgicos repetidos
anatomopatológica
❖ Por isso, a decisão terapêutica deve ser
- É ideal, pois permite o estadiamento e pode
individualizada, e também se devem
ser utilizada como arma terapêutica
considerar apresentação clínica, severidade
- A visualização de toda a cavidade pélvica
dos sintomas, localização e extensão da
e abdominal, portanto, dos implantes
doença, desejo reprodutivo, idade, efeitos
endometrióticos, é possível por intermédio
colaterais das medicações e taxa de
dessa técnica.
complicações cirúrgicas, além do objetivo
da paciente
CLASSIFICAÇÃO
❖ A abordagem inclui uso de analgésico,
❖ A American Society for Reproductive tratamento hormonal, intervenção cirúrgica e
Medicine classifica a endometriose de terapia combinada, visando melhorar o
acordo com os achados intraoperatórios, quadro, diminuir ou eliminar os sintomas,
que levam em consideração tamanho, melhorar a qualidade de vida e evitar a
profundidade, localização dos implantes progressão da doença
endometrióticos e gravidade das aderências ❖ O princípio da terapia medicamentosa é
❖ Estágios da classificação: bloquear a produção estrogênica ovariana,
1. Estágio 1 – doença mínima: implantes evitando a proliferação endometrial e o
isolados e sem aderências significativas; sangramento dos implantes no momento da
2. Estágio 2 – doença leve: implantes privação hormonal
superficiais com menos de 5 cm agregados e - Portanto, o objetivo do tratamento é
espalhados, sem aderências significativas; manter a paciente em amenorreia, cuja
3. Estágio 3 – doença moderada: múltiplos obtenção facilita a remissão e o manejo dos
implantes superficiais e profundos, sintomas
aderências peritubárias e periovarianas
evidentes; COC S
4. Estágio 4 – doença grave: múltiplos
❖ Têm a grande vantagem do baixo custo e
implantes superficiais e profundos, incluindo
da facilidade posológica, promovem bom
endometriomas e aderências densas e firmes
controle dos sintomas e devem ser usados de
❖ O estágio 4 corresponde à doença mais
modo contínuo
extensa, sem correlação, porém, com o
❖ São ideais para o início do tratamento, pois
prognóstico e o nível de dor
promovem melhor atrofia dos focos
ectópicos
18
❖ Não há preferência por preparados - Pouco utilizado devido os efeitos colaterais,
específicos, e o importante é que a paciente semelhantes ao danazol
use continuamente para permanecer em
amenorreia ANÁLOGOS DE GNRH
ANDROGÊNICOS
19
❖ Esses medicamentos parecem regular a - Dor persistente, apesar da tentativa de
formação de estrogênio local nas lesões tratamento por 6 a 12 meses
endometrióticas e inibir a produção de - Contraindicação ou recusa do tratamento
estrogênio no ovário e na periferia clínico
❖ É muito raro haver necessidade da sua - Necessidade de material para diagnóstico
prescrição na atualidade histopatológico
RESUMINDO... - Exclusão de malignidade na massa anexial
❖ A abordagem inicial para mulheres com - Obstrução intestinal ou do trato urinário
sintomas leves a moderados, que não - Endometriomas ovarianos com diâmetro
desejam engravidar no momento, sem superior a 4 cm
evidência de endometriomas maiores de 4 - Acometimento de apêndice (por ser um
cm na ultrassonografia e sem sinais de diferencial de tumor carcinoide), de íleo
obstrução ureteral e/ou intestinal é a (pelo risco de oclusão intestinal) e de ureter
prescrição de contraceptivos contínuos (pelo risco de exclusão renal)
- Na ausência de contraindicação ao uso de ❖ Remoção da lesão e adesiólise: como o
estrogênios, lança-se mão dos principal método de diagnóstico da
contraceptivos combinados. endometriose é a laparoscopia, o
- Já para as que têm contraindicação, são tratamento cirúrgico durante o diagnóstico é
preferidos os anticoncepcionais com apenas uma opção vantajosa
progestogênios ❖ Ressecção de endometrioma: Em geral, os
❖ A mulher deve ser reavaliada em 3 a 4 endometriomas são tratados cirurgicamente,
meses, mantendo a terapêutica em caso de uma vez que as massas ovarianas requerem
melhora dos sintomas até a manifestação do investigação cirúrgica imediata
desejo de engravidar ou o alcance da - A abordagem do endometrioma visa à
menopausa melhora dos sintomas, prevenção de
❖ Para mulheres com sintomas severos e não complicações relacionadas com massa
responsivas à terapia descrita ou com anexial – ruptura e torção –, exclusão de
evidência de lesões anexiais sugestivas de malignidade, quando tem aparência atípica
endometriomas, é indicada a laparoscopia e volume grande, melhora da subfertilidade
diagnóstica, se não realizada ainda e preservação da função ovariana
❖ Para pacientes que desejam gestar e - É possível fazer acompanhamento clínico e
preenchem critérios para infertilidade – 1 ultrassonográfico semestral por 2 anos em
ano de tentativas sem sucesso –, também mulheres assintomáticas e com imagem < 4
estará indicada a videolaparoscopia cm
- O tratamento cirúrgico está indicado
TRATAMENTO CIRÚRGICO quando o endometrioma apresenta 4 cm ou
mais
❖ O tratamento cirúrgico é dividido em - O padrão-ouro é a ooforoplastia com
conservador – primeira linha – e definitivo cistectomia – ressecção da cápsula do
❖ No tratamento conservador, executam-se a endometrioma
ablação ou excisão dos focos, a lise de - Como tratamento definitivo, a ooforectomia
aderências e a investigação da é reservada para recorrência e
permeabilidade tubária preocupação da paciente com
❖ O tratamento definitivo inclui ooforectomia malignidade
bilateral com ou sem histerectomia,
reservada para casos de manejo difícil com PREVENÇÃO DE RECIDIVA
falha de outras opções terapêuticas e de
prole constituída ❖ A recidiva acontece em cerca de 40% dos
❖ Considera-se cirurgia nos seguintes casos: casos
20
❖ A forma mais eficaz de preveni-la ou retardá- ❖ Os contraceptivos orais não estão
la é a gravidez, com maiores chances de associados à adenomiose
ocorrer a reincidência em até 1 ano a partir
da cirurgia ❖ Outros potenciais fatores de risco
❖ Se esse não é o desejo da paciente, os identificados são:
anticoncepcionais hormonais ou o dispositivo - História de endometrite crônica
intrauterino de progesterona permitem - Abortamento
controle razoável da doença - Trauma uterino durante o parto
❖ A histerectomia isolada não impede a - Hiperestrogenismo
recidiva, e a ooforectomia deve ser evitada
FISIOPATOLOGIA
em pacientes jovens, com ou sem desejo
reprodutivo, exceto em ❖ Anatomia:
casos extremos - No exame macroscópico, é comum haver
aumento uterino global, mas é raro que esse
ADENOMIOSE
aumento ultrapasse o de uma gravidez de 12
semanas
- O contorno da superfície é liso e regular,
INTRODUÇÃO/CONCEITO sendo comum que haja amolecimento
❖ A adenomiose é caracterizada por aumento generalizado e hiperemia do miométrio
uterino causado por resíduos ectópicos - A superfície uterina seccionada tem
endometriais, tanto glandulares quanto de aspecto macroscópico esponjoso com áreas
estroma, profundamente localizados dentro focais de hemorragia
do miométrio. - Os focos ectópicos das glândulas e do
❖ Esses resíduos podem estar distribuídos por estroma, que são encontrados no miométrio
todo o miométrio – adenomiose difusa – ou na adenomiose, originam-se da camada
formar um conjunto focal nodular basal do endométrio
circunscrito – adenomiose focal - Em razão de as células da camada basal
❖ Embora qualquer das formas possa ser não serem submetidas a alterações
suspeitada clinicamente, o diagnóstico proliferativas e secretoras típicas durante o
geralmente é feito com base nos achados ciclo menstrual, a hemorragia dentro desses
histológicos da peça cirúrgica focos é mínima
❖ Observa-se infiltração de tecido endometrial ❖ Patogênese:
no miométrio - A teoria mais aceita a respeito do
❖ Além do SUA, as pacientes com adenomiose desenvolvimento da adenomiose propõe
podem apresentar dismenorreia que sua gênese esteja ligada à invaginação
da camada endometrial basal para o interior
FATORES DE RISCO do miométrio
❖ A paridade e a idade são fatores de risco - A interface endométrio-miométrio é única,
significativos para adenomiose diferente da maioria das interfaces mucosa-
- Especificamente, quase 90% dos casos muscular, pois não possui uma submucosa
ocorrem em mulheres com filhos interveniente
- 80% desenvolvem-se em mulheres entre 40 - Portanto, mesmo no útero normal, o
e 60 anos de idade endométrio costuma invadir superficialmente
❖ A adenomiose está associada a outras o miométrio
patologias que são afetadas pela expressão - Os mecanismos que incitam a invasão
de aromatase citocromo P450 e por níveis profunda do miométrio não são conhecidos,
elevados de estrogênio no tecido mas, em alguns casos, há fragilidade
- Entre essas patologias estão leiomiomas, miometrial causada por gravidez, cirurgia ou
endometriose e câncer endometrial
21
redução da atividade imunológica na 3) pequenos cistos miometriais hipoecoicos,
interface endométrio-miométrio representando glândulas císticas dentro de
- É provável que o estrogênio e o focos ectópicos endometriais
progestogênio desempenhem um papel no 4) projeções estriadas estendendo-se do
seu desenvolvimento e manutenção endométrio para o interior do miométrio
- Por exemplo, a adenomiose evolui durante 5) eco endometrial mal definido
os anos reprodutivos e regride após a ❖ A adenomiose focal aparece como:
menopausa 1) nódulos hipoecoicos isolados que podem
- Segundo uma teoria alternativa, a ser diferenciados de leiomiomas por suas
adenomiose seria causada por metaplasia margens mal definidas
do tecido mülleriano pluripotencial 2) forma mais elíptica do que globular, efeito
de massa mínimo nos tecidos adjacentes
SINAIS E SINTOMAS 3) ausência de calcificações
4) presença de cistos anecoicos de
❖ Aproximadamente 1/3 das mulheres com
diâmetros variados
adenomiose apresenta sintomas
❖ A ressonância magnética de pelve, por sua
❖ Sua gravidade correlaciona-se com maior
vez, é o exame de imagem que apresenta a
número de focos ectópicos e extensão da
maior acurácia
invasão
- Porém, só é usada para complementar.
❖ A menorragia e a dismenorreia são comuns.
Geralmente, quando há presença de outras
- É possível que a menorragia resulte de
patologias uterinas que podem reduzir a
vascularização aumentada e anormal na
acurárica da USG transvaginal
linha endometrial
- Considera-se que a dismenorreia seja
TRATAMENTO
causada por aumento na produção de
prostaglandina verificado nos tecidos ❖ O principal objetivo do tratamento é reduzir
adenomióticos a dor e o sangramento
❖ Cerca de10% das mulheres com adenomiose ❖ Primeiro, é frequente a administração de
queixam-se de dispareunia AINEs
❖ Considerando que a adenomiose ocorre ❖ Podem ser empregados esquemas usando
caracteristicamente em mulheres com filhos COCs ou regimes com anticoncepcionais
e com idade entre 40 e 60 anos, infertilidade contendo apenas progestogênio para induzir
não é uma queixa frequente atrofia endometrial e reduzir a produção
endometrial de prostaglandina, com o
DIAGNÓSTICO objetivo de reduzir a dismenorreia e a
menorragia
❖ Quanto ao diagnóstico, a USG transvaginal
❖ O sistema intrauterino liberador de
apresenta útero aumentado de volume,
levonorgestrel, comercializado sob a marca
ecotextura miometrial heterogênea,
Mirena, também mostrou-se efetivo
podendo ou não ter a descrição de
❖ Alguns autores utilizaram agonistas do GnRH
diminutos cistos miometriais
ou danazol de forma similar ao tratamento
❖ Nas mãos de ultrassonografistas experientes,
da endometriose
os achados da adenomiose difusa podem
- No entanto, não foram realizados ensaios
incluir
clínicos para avaliar essas práticas
1) parede anterior ou posterior do miométrio
❖ A histerectomia é o tratamento definitivo
com espessura maior do que sua
- O tipo de procedimento cirúrgico depende
contraparte
do tamanho uterino e da patologia uterina
2) heterogeneidade na textura miometrial
ou abdominopélvica associada
22
- A ablação ou ressecção endometrial com
o uso de histeroscopia tem sido empregada
com sucesso para tratar a dismenorreia e a
menorragia causadas por adenomiose
- Entretanto, a erradicação completa da
adenomiose profunda é problemática, e a
doença residual responsável por um número
significativo de insucessos do tratamentos
❖ Por este motivo, recomenda-se
ultrassonografia ou RM pré-operatória
para identificar as lesões profundas e,
assim, selecionar melhor as pacientes.
❖ Outra advertência é que qualquer lesão no
revestimento endometrial, o que inclui a
ablação, pode ser o dano inicial que ativa o
tecido endometrial a crescer invadindo o
miométrio, causando, assim, a adenomiose
RESUMINDO...
❖ O tratamento é composto de:
- Uso contínuo de progestogênio
- Agonista de GnRH
- Inibidores da aromatase
- DIU com liberação de levonorgestrel
- Histerectomia – tratamento definitivo
23
DOENÇA HIPERTENSIVA CLASSIFICAÇÃO
2
HIPERTENSÃO AGRAVADA PELA ❖ Existem alguns parâmetros laboratoriais que
GRAVIDEZ (PRÉ-ECLÂMPSIA se alteram caracteristicamente na pré-
SOBREPOSTA) eclâmpsia e comumente se encontram
normais na hipertensão crônica, como a
❖ A hipertensão essencial crônica preexistente elevação do ácido úrico devido a uma
se agrava em algumas gestantes, diminuição de sua excreção (por reabsorção
caracteristicamente após 24 semanas tubular aumentada e clearance diminuído),
❖ Esta elevação dos níveis tensionais pode ser o que resulta em níveis elevados
acompanhada de proteinúria (pré- - Este parâmetro laboratorial se correlaciona
eclâmpsia sobreposta), o que piora muito o com o prognóstico perinatal, sendo
prognóstico maternofetal. considerado nível aumentado aquele acima
❖ Diferenciar entre (1) pré-eclâmpsia; (2) de 5.5-6 mg/dl
hipertensão essencial ou secundária anterior ❖ Além disso, outros achados podem ser de
à gravidez; e (3) hipertensão prévia à grande auxílio, como a atividade de
gestação, com pré-eclâmpsia antitrombina III diminuída (< 70%), que se
superajuntada, é uma das tarefas mais correlaciona com a endoteliose glomerular
difíceis no manejo da hipertensão na capilar e a hipocalciúria (< 100 mg em 24
gestação horas), que sugere pré-eclâmpsia, enquanto
- Uma anamnese bem colhida por vezes é a calciúria > 100 mg fala a favor de
suficiente para esclarecimento dessas hipertensão crônica
dúvidas
❖ Durante o exame clínico, uma pressão DOENÇA VASCULAR HIPERTENSIVA
arterial maior ou igual a 180 x 110 mmHg fala CRÔNICA
mais a favor de hipertensão crônica
❖ A fundoscopia revela, nos casos de ❖ A hipertensão crônica na gravidez é definida
hipertensão de longa duração, alterações como um estado hipertensivo (PA ≥ 140 x 90
características, como estreitamento de mmHg) presente antes do início da gestação
arteríolas, cruzamentos arteriovenosos, OU diagnosticado antes de 20 semanas
exsudatos etc ❖ Esta condição não está associada a edema
❖ Outras evidências sugerem o diagnóstico de e proteinúria (salvo se já houver dano renal
pré-eclâmpsia sobreposta, como o antes da gravidez) e persiste decorridas 12
aparecimento recente de proteinúria (a semanas de pós-parto
nefroesclerose hipertensiva não costuma ❖ A pressão arterial sofre queda durante a
cursar com proteinúria ou proteinúria acima gravidez, decorrente do relaxamento
de 1 g/24h), trombocitopenia e elevação vascular fisiológico, especialmente após 16
das enzimas hepáticas semanas;
3
- O que pode tornar normal uma PA antes embora um modelo multifatorial também
elevada, comprometendo o diagnóstico de tenha sido proposto
hipertensão crônica. ❖ Outros fatores de risco incluem: pré-
❖ O seu manejo durante a gravidez ainda é eclâmpsia prévia (risco maior quanto mais
motivo de controvérsia, porém a maioria dos precoce no curso da gestação anterior for o
autores concorda que pacientes que episódio), gravidez gemelar, gestação molar
apresentem uma PAD maior que 100 mmHg (manifestação antes de 20 semanas),
ou que estavam fazendo uso de medicação diabetes mellitus, obesidade, trombofilias,
anti-hipertensiva antes da gravidez com hipertensão crônica, doença renal e
bom controle pressórico devam ser hidropsia fetal
medicadas durante a gestação. - As gestações molares e multifetais têm seu
❖ As drogas mais usadas são a alfametildopa, risco aumentado pelo acréscimo da massa
a hidralazina, os betabloqueadores e os placentária
bloqueadores dos canais de cálcio. ❖ A exposição ao sêmen do parceiro diminui o
- Os diuréticos devem ser evitados, e os risco de pré-eclâmpsia
inibidores da ECA são contraindicados ❖ Contrariamente, a troca de parceiro e o uso
❖ É associada com uma alta taxa de de preservativo (pela menor exposição ao
implicações maternas e fetais, antígeno do pai) aumentam a probabilidade
principalmente nas hipertensas graves, em da doença
pacientes com lesão de órgão-alvo e nas
pacientes não aderentes às visitas de pré-
natal
❖ Este risco é maior quando há sobreposição
de pré-eclâmpsia
Hipertensão transitória da gravidez: a PA
retorna ao normal até 12 semanas após o
parto (diagnóstico retrospectivo)
Hipertensão crônica: a elevação da PA
persiste além de 12 semanas após o parto.
FATORES DE RISCO
4
ETIOLOGIA/FISIOPATOLOGIA ❖ A placenta torna-se órgão extremamente
vascularizado, que permite as trocas
❖ A etiologia da DHEG permanece materno-fetais
desconhecida, o que di-ficulta a sua ❖ Embora a segunda onda tenha sido mais
prevenção primária valorizada, é pouco provável que a primeira
❖ Em 1916, Zweifel já a ca-racterizava como a onda seja normal, considerando-se as
“doença das teorias” alterações nos vasos deciduais
❖ Muitas teorias já foram sugeridas, mas a ❖ Na DHEG, o fluxo uteroplacentário diminui, o
maioria delas foi abandonada com o passar que leva à diminuição da oxigenação fetal.
do tempo. - Esse efeito é causado pela invasão
❖ Porém, algumas dessas teorias que ainda são inadequada do trofoblasto intravascular,
consideradas impedindo as mudanças fisiológicas normais,
principalmente das artérias miometriais
❖ Por diversos motivos, contrariamente ao
esperado para uma gestação normal, as
artérias espiraladas não modificadas pela
invasão deficiente do trofoblasto
intravascular mantêm a camada muscular
média com diâmetro menor e alta
resistência
DEFICIÊNCIA DA INVASÃO
TROFOBLÁSTICA
5
- Esse fenômeno é responsável pela resposta - É sabido que os vasos de mulheres com
inflamatória exacerbada que impede a pré-eclâmpsia e os do cordão umbilical de
placentação adequada seus RN produzem menos prostaciclina do
❖ Os possíveis mecanismos incluem o excesso que os de gestantes normais
de carga antigênica fetal, a ausência de ❖ Diante de lesão endotelial, a produção de
anticorpos bloqueadores que teriam um ambas as substâncias diminui
efeito protetor contra a imunidade celular ❖ Com o processo desencadeado pelo
materna, a ativação de polimorfonucleares aumento da resistência placentária, com
e do complemento, além da liberação de liberação de citocinas e prostaglandinas pró-
citocinas citotóxicas e interleucinas -inflamatórias pela placenta, o endotélio
❖ O desequilíbrio entre a quantidade dos dois entraria em estresse oxidativo (com
tipos de linfócitos T, com predomínio dos produção de ânion superóxido)
linfócitos T helper 2 (Th2) em relação aos - Essa reação seria a responsável pelo
linfócitos T helper 1 (Th1), que produzem aumento na permeabilidade capilar
citocinas, poderia favorecer a instalação da ❖ As lesões ateromatosas vasculares também
DHEG podem ser resultado do estresse oxidativo.
❖ Entre os fatores epidemiológicos que - Nesse caso, a lesão endotelial da pré-
fortalecem o envolvimento da resposta eclâmpsia apresenta semelhanças com o
imunológica na DHEG, destaca-se o fato de que acontece na aterosclerose, em que se
essa doença ser mais comum na nulípara do supõe que o estresse oxidativo desempenhe
que na multípara. papel importante
❖ A mudança na permeabilidade vascular
LESÃO ENDOTELIAL E ALTERAÇÕES endotelial seria a responsável pelo
INFLAMATÓRIAS extravasamento de proteínas sanguíneas
para o terceiro espaço (mecanismo
❖ Embora a pré-eclâmpsia pareça se originar
responsável pelo aparecimento de
na placenta, o tecido mais afetado na
proteinúria na fase clínica da doença)
apresentação clínica da doença é o
❖ Dessa forma, a pressão coloidosmótica do
endotélio vascular
capilar terminal estaria diminuída, o que
❖ O endotélio é uma das estruturas vasculares
promoveria também a diminuição do
mais complexas e apresenta várias funções
retorno do líquido extravasado pela pressão
importantes
hidrostática no início do capilar, levando a
❖ A prevenção da coagulação sanguínea, o
perda de líquido para o terceiro espaço
controle do tônus vascular e a mediação de
(edema) e hemoconcentração
trocas entre os espaços intra e extravascular
(facilitando ou regulando a passagem de
PREDISPOSICÃO GENÉTICA
determinadas substâncias) têm importância
na DHEG ❖ Há evidências epidemiológicas do
❖ O endotélio intacto impede a formação de envolvimento genético na DHEG
trombos ❖ Assim, filhas de mães com pré-eclâmpsia têm
- Na presença de lesão vascular, que pode maior incidência da doença
ser mecânica, química ou metabólica, ❖ O mecamismo exato da herança ainda é
iniciam-se a cascata de coagulação e a desconhecido
adesão de plaquetas ❖ Ultimamente, foram detectados 58 genes
❖ O endotélio também produz substâncias com diversas funções que têm potencial
vasoativas que podem ser vasodilatadoras para estarem relacionados essa doença, o
ou vasoconstritoras que mostra o alto grau de complexidade de
- Dentre as vasodilatadoras podem ser sua patogênese
citados a prostaciclina e o óxido nítrico
6
ESTRESSE ❖ Dessa maneira, na DHEG ocorrem alterações
em todos os órgãos
❖ Estudos epidemiológicos demosntram que o
risco relativo de DHEG é maior em situação ALTERAÇÕES CARDIOVASCULARES
de estresse
❖ A atividade contrátil do coração raramente
❖ Os fatores emocionais interferem no sistema
está alterada
imunológico, facilitando a deposição de
❖ O rendimento cardíaco varia inversamente
imunocomplexos, que dificultam a função
com a resistência vascular (pós-carga)
normal da placenta
❖ Existe um estado hiperdinâmico do
❖ Em consequência da hipóxia da placenta,
miocárdio
surgem radicais livres, os quais promovem
❖ A hemoconcentração, com elevação do
lesão do endotélio
hematócrito, é ocasionada por
❖ Porém, a resposta a um fator estressante
vasoconstrição (que eleva a pressão
varia de indivíduo para indivíduo
hidrostática) e pelo aumento de
permeabilidade vascular, sendo uma
FATORES LIGADOS À ANGIOGÊNESE
característica marcante do distúrbio
❖ Diversos estudos identificaram níveis altos de hipertensivo
sFlt1 (soluble FMS-like tyrosine kinase 1) na - Uma mulher de peso mediano deve ter um
placenta e no soro de pacientes com pré- volume plasmático de cerca de 5.000 ml ao
eclâmpsia final da gravidez, comparado com os 3.500
❖ O sFlt1 é uma proteína solúvel que exerce ml pré-gravídicos
atividade antiangiogênica ligando-se aos - Em pacientes com distúrbio hipertensivo
fatores angiogênicos (VEGF e PlGF), não se observa esse ganho de 1.500 ml, e a
impedindo sua atividade biológica paciente chega ao final da gestação com o
❖ Nas pacientes com pré-eclâmpsia, a forma mesmo volume plasmático de antes da
solúvel sFlt1 liga-se aos angiogênicos gravidez
circulantes, não permitindo sua sinalização a - Este volume é insuficiente para os padrões
partir dos receptores de membrana gravídicos, resultando em
❖ O VEGF e o PlGF são potentes estimuladores hemoconcentração
da expansão vascular, mecanismo essencial ❖ Não há, entretanto, hipovolemia, pois o
para o desenvolvimento da unidade vasoespasmo diminui o leito vascular a ser
uteroplacentária preenchido
❖ Outra proteína que tem sido implicada na
ALTERAÇÕES HEMATOLÓGICAS
fisiopatologia da pré-eclâmpsia é endoglina
solúvel (sEng), um inibidor solúvel da TGF-β1 ❖ Ocorre aumento do turnover plaquetário na
(transformingrowthfac-tor beta 1). pré-eclâmpsia
❖ A anormalidade hematológica mais comum
REPERCUSSÃO SISTÊMICA é a trombocitopenia decorrente da
❖ Apesar de a hipertensão arterial ser a formação de microtrombos
manifestação mais frequente da DHEG, os ❖ O tempo de protrombina, tempo de
achados patológicos indicam que o fator de tromboplastina parcial e concentração de
importância primária não é o aumento da fibrinogênio não são afetados, exceto na
pressão arterial, mas a redução da perfusão ocorrência de complicações como
tecidual acometimento hepático severo e DPP
- Esta, por sua vez, é secundária ao ❖ Apesar de outros fatores de coagulação
vasoespasmo arteriolar e à lesão endotelial, encontrarem-se normais, a atividade de
que elevam a resistência periférica total e a antitrombina III e dosagem de fibronectina
pressão arterial
7
encontram-se alteradas já no início do ❖ Assim como se elevam os níveis de creatinina
processo patológico e desenvolve-se hipocalciúria
❖ Hemólise microangiopática também pode ❖ O descolamento prematuro de placenta
ocorrer e ser detectada pelo exame de (complicação hemorrágica), quando
esfregaço periférico ou elevação da presente, pode levar à isquemia renal, à
concentração da Desidrogenase Lática necrose tubular aguda e à necrose cortical
(LDH) e queda do hematócrito bilateral.
- A queda do hematócrito se relaciona à - Na ausência destas complicações, as
hemólise, e a elevação do hematócrito à alterações renais costumam ser reversíveis
hemoconcentração após o término da gestação
- A presença de hemólise e ❖ Devem-se afastar outras causas de
hemoconcentração pode resultar em um insuficiência renal como desidratação ou
hematócrito dentro dos parâmetros normais. nefropatia obstrutiva
❖ A conduta envolve controle da PA, correção
ALTERAÇÕES RENAIS
de distúrbio hidroeletrolítico e nutrição
❖ A lesão renal na pré-eclâmpsia não é adequada
mediada por fenômenos imunológicos ❖ Em pacientes com indicação de terapia de
❖ A lesão mais característica é a endoteliose substituição renal, dá-se preferência à
capilar glomerular. hemodiálise
- Este comprometimento difuso
ALTERAÇÕES ENDÓCRINAS E
(acometendo todos os glomérulos)
METABÓLICAS
apresenta-se à microscopia eletrônica como
uma acentuada tumefação das células ❖ Durante a gravidez normal, a concentração
endoteliais que praticamente oblitera à luz e a atividade dos componentes do SRAA
dos capilares estão aumentadas (hiperaldosteronismo
- Observa-se também deposição de um secundário da gravidez – ver o texto de
material semelhante à fibrina por todo o modificações do organismo materno)
citoplasma da célula endotelial e abaixo ❖ Entretanto a resposta vascular à maioria dos
dela também vasopressores permanece reduzida devido à
- Ocorre proliferação do mesângio e não há secreção equilibrada de PGI2 e TXA2
espessamento da membrana basal. ❖ Na pré-eclâmpsia, a secreção de renina
A endoteliose capilar glomerular já foi pelo aparelho justaglomerular decresce e os
observada em gestantes normais, assim níveis de AT-II e de aldosterona se reduzem
como em gestantes hipertensas com ou para valores pré-gravídicos
sem proteinúria. Dessa forma, não é mais ❖ Embora os níveis de AT-II sejam menores,
considerada patognomônica da doença estão associados a uma maior resposta
como antes. pressora do músculo liso vascular devido ao
aumento das concentrações de TXA2
❖ Todos os distúrbios funcionais renais são
secundários à lesão glomerular e agravados ALTERAÇÕES CEREBRAIS
por um componente pré-renal devido ao
❖ A hipertensão arterial não está implicada na
espasmo vascular intrarrenal
fisiopatologia das crises convulsivas e das
❖ A taxa de filtração glomerular cai cerca de
outras manifestações neurológicas
30%, os níveis de ácido úrico sobem (> 5.5 a 6
❖ A disfunção endotelial, semelhante à que
mg/dl)
ocorre na placenta e nos rins, é responsável
- Fato supostamente decorrente de uma
pelo depósito de fibrina e formação de
reabsorção proximal aumentada de sódio e
trombos plaquetários no sistema nervoso
maior reabsorção de urato induzida pela
injúria renal,
8
central, fenômenos que levam à isquemia ALTERAÇÕES HEPÁTICAS
cerebral
❖ A hiper-reatividade vascular, com ❖ Hemorragia periportal, lesões isquêmicas e
vasoespasmo de artérias do sistema nervoso depósitos de gordura
central, se encontra presente e acentua a - Causados pelo vasoespasmo e deposição
baixa perfusão cerebral de fibrina
❖ As convulsões parecem ser ocasionadas por ❖ O acometimento hepático se manifesta
fenômenos isquêmicos do sistema nervoso clinicamente por dor em quadrante superior
central (vasoespasmo + trombos direito, dor epigástrica, elevações das
plaquetários) transaminases e, em casos mais severos,
❖ Uma predisposição constitucional de hemorragia subcapsular ou rutura hepática
algumas mulheres parece ser outro fator de
ALTERAÇÕES UTEROPLACENTÁRIAS
risco para esta complicação
❖ Um achado tomográfico frequente em ❖ O vasoespasmo generalizado e a ausência
pacientes que apresentaram convulsões é a da segunda onda de migração trofoblástica
presença de edema cerebral, além de áreas aumentam a resistência vascular no leito
hipodensas (que significam isquemia) placentário e diminuem a circulação
❖ É raro uma mulher com eclâmpsia não uteroplacentária
acordar após uma convulsão ❖ Esta redução é da ordem de 40 a 60%, o que
❖ Também é raro que uma mulher com pré- explica a expressiva incidência de grandes
eclâmpsia se torne comatosa sem uma infartos placentários, crescimento restrito da
convulsão antecedente placenta e o seu descolamento prematuro
❖ Uma causa frequente de morte (60% dos ❖ Estes fenômenos determinam sofrimento fetal
óbitos) em pacientes com pré-eclâmpsia é a crônico e são responsáveis pela elevada
hemorragia cerebral. mortalidade perinatal
- Ela é geralmente petequial ou assume a ❖ A hipertensão arterial é o principal fator de
forma de grandes hematomas. risco para o descolamento prematuro de
- A hemorragia tem como causa inicial um placenta (gestose hemorrágica)
aumento da permeabilidade vascular, ❖ A isquemia placentária tem como
seguida, em algumas situações, por rotura repercussões hormonais principalmente a
da parede do vaso (a anoxia determina queda dos níveis de estrogênio e do
lesão endotelial e “enfraquecimento” da hormônio Lactogênio-Placentário (hPL)
parede vascular) ❖ A atividade uterina está aumentada,
❖ Em cerca de 50% dos casos de eclâmpsia a alcançando valores semelhantes aos do
tomografia computadorizada revela áreas parto antes do termo da gestação, o que é
corticais hipodensas, que correspondem a responsável pela grande incidência de
regiões de hemorragia petequial e infartos, prematuridade
principalmente no território da artéria ❖ O útero é também mais sensível ao estímulo
cerebral posterior da ocitocina, e durante o trabalho de parto
❖ Outras manifestações neurológicas incluem ocorre, habitualmente, hipersistolia.
cefaleia, turvação visual, escotomas e, mais
raramente, amaurose FORMAS CLÍNICAS
- Tanto a amaurose quanto o descolamento
PRÉ-ECLÂMPSIA
de retina (pode complicar a amaurose)
regridem dentro de uma semana após o DIAGNÓSTICO
parto
❖ O diagnóstico de pré-eclâmpsia tem como
base o aparecimento de hipertensão e
proteinúria
9
HIPERTENSÃO ❖ No entanto, alguns autores nacionais ainda o
❖ É o sinal clínico mais frequente da síndrome consideram
❖ Definimos hipertensão durante a gravidez ❖ O rápido e repentino ganho de peso e
como a pressão arterial maior ou igual a edema facial frequentemente ocorrem em
140 x 90 mmHg mulheres que desenvolvem pré-eclâmpsia
❖ Um aumento de 30 mmHg na pressão ❖ O edema pode ser notado antes da
sistólica (PAS) ou de 15 mmHg na diastólica elevação dos níveis tensionais, como
(PAD) em relação aos níveis pré-gravídicos já aumento excessivo de peso
foi considerado patológico, mesmo na ❖ Por ser um achado tão comum na gravidez,
ausência de hipertensão o edema não deve validar o diagnóstico de
- De qualquer forma, tais elevações pré-eclâmpsia, assim como a sua ausência
merecem investigação subsequente e rígido não descarta completamente a presença
acompanhamento clínico da gestante, desta condição
especialmente se houver proteinúria
aumentada e elevação do ácido úrico (> 6
mg/dl)
PROTEINÚRIA
❖ A proteinúria patológica é tão característica
da pré-eclâmpsia, que o diagnóstico é
questionável na sua ausência
CLASSIFICAÇÃO
❖ Pode ser pesquisada através dos seguintes
exames: PRÉ-ECLÂMPSIA LEVE
- Proteinúria de 24 horas: presença de 300 ❖ Um aumento súbito e exagerado do peso
mg ou mais de proteína em urina de 24h. costuma ser o primeiro sinal do
Exame mais acurado para quantificação da desenvolvimento da pré-eclâmpsia
proteinúria. Inicia-se a coleta ao despertar ❖ O ganho ponderal que excede 1 kg em uma
da paciente. semana ou 3 kg em um mês deve ser
- Proteína em fita: 1+ ou 2+ em duas amostras considerado anormal e sinal de alerta para o
quaisquer colhidas com um intervalo mínimo desenvolvimento da toxemia
de quatro horas. ❖ O aumento de peso é causado pela
- Dosagem em amostra isolada: 30 mg/dl ou retenção hídrica e precede o
mais em amostra urinária isolada se associa desenvolvimento do edema
a níveis superiores a 300 mg/24 horas. Só ❖ Geralmente a hipertensão arterial é o
deve ser utilizada se não houver condições próximo sinal identificado, sendo a
de se coletar urina de 24h e deve ser proteinúria o sinal mais tardio
confirmada pela repetição da dosagem
- Relação proteína/creatinina urinária: pode PRÉ-ECLÂMPSIA GRAVE
ser utilizada numa amostra isolada de urina, ❖ A presença de qualquer um dos sinais
minimizando erros de coleta e laboratoriais e presentes na Tabela 5 indica gravidade do
economiza tempo para os resultados. processo toxêmico
Valores maiores ou iguais a 0,3 se associam ❖ É importante ressaltar que a pré-eclâmpsia
significativamente com proteinúria > 300 grave pode se instalar mesmo na ausência
mg/24 horas. de níveis tensionais muito elevados
EDEMA
❖ O edema (mãos, face e abdome) não é
mais considerado como integrante das
manifestações clínicas
10
IMINÊNCIA DE ECLÂMPSIA SÍNDROME HELLP
❖ Alguns sinais são incomuns nos casos leves e ❖ Este epônimo foi criado por significa
aumentam a sua frequência à medida que Hemolisys, Elevated Liver enzimes e Low
o quadro se agrava Platelets
❖ São indicativos de iminência da primeira - Do inglês Hemólise, Aumento de
convulsão eclâmptica: Transaminases e Trombocitopenia.
1) distúrbios cerebrais, como cefaleia ❖ Provavelmente representa uma forma grave
(frontoccipital e pouco responsiva a de pré-eclâmpsia, porém ainda não há
analgésicos), torpor e obnubilação; consenso a respeito desta relação
2) distúrbios visuais como turvação da visão, - Uma vez que cerca de 15 a 20% das
escotomas, diplopia e amaurose; pacientes não apresentam antecedentes de
3) dor epigástrica (dor em barra de hipertensão ou proteinúria
Chaussier) ou no quadrante superior direito, ❖ Epidemiologia: Ocorre em cerca de 1 a
causada por isquemia hepática ou distensão cada 1.000 gestações
da cápsula do órgão devido a edema ou - Em cerca de 10 a 20% das pacientes com
hemorragia; pré-eclâmpsia grave ou eclâmpsia
4) reflexos tendinosos profundos exaltados
11
- Geralmente em mulheres brancas, ECLÂMPSIA
multíparas e em grávidas com mais de 35
❖ Caracteriza-se pela presença de convulsões
anos.
tonicoclônicas em uma paciente com pré-
❖ A hemólise é definida pela presença de
eclâmpsia
anemia hemolítica microangiopática, sendo
❖ Em geral são de curta duração (média de 60
a alteração mais importante da tríade
a 75 segundos)
- O diagnóstico pode ser fornecido por um
❖ Pode ocorrer durante a gravidez (50% dos
esfregaço anormal de sangue periférico, que
casos), durante o trabalho de parto (25%) ou
identifica esquizócitos (ou helmet cells),
no puerpério (25%)
equinócitos e burn cells
❖ Ocorre em cerca de 2% dos casos de pré-
- Outros dados laboratoriais incluem aumento
eclâmpsia grave e cerca de 0,25% dos casos
da bilirrubina indireta, haptoglobina
leves
diminuída (< 25 mg/dl), LDH aumentado e
❖ A eclâmpsia tardia refere-se ao
diminuição da hemoglobina
aparecimento de convulsões após 72h de
❖ Outros sintomas incluem:
pós-parto
- Dor no quadrante superior direito ou
❖ Em cerca de 20% dos casos, as crises
epigástrica (80% dos casos)
convulsivas se desenvolvem na ausência de
- Aumento excessivo do peso e piora do
proteinúria, o que reforça a necessidade de
edema (50 a 60%)
seguimento das gestantes que desenvolvem
- Hipertensão (85%)
hipertensão, mesmo na ausência de
- Proteinúria (87%)
proteinúria patológica
- Náusea e vômito (50%)
❖ A causa exata do surgimento das crises
- Cefaleia (40%)
convulsivas ainda é incerta, sendo implicado
- Alterações visuais (15%)
o vasoespasmo acompanhado de isquemia
- Icterícia (5%)
e infarto local e edema, assim como
❖ A mortalidade é muito maior que na pré-
encefalopatia hipertensiva
eclâmpsia isolada, variando de 0 a 24%
❖ Após a convulsão, sobrevém um estado
entre os estudos, geralmente ocorrendo por
comatoso (período pós-ictal), seguido de
rotura hepática, falência renal, Coagulação
alterações respiratórias, taquicardia,
Intravascular Disseminada (CIVD), edema
hipertermia e acidose láctica
pulmonar, trombose de carótida e acidente
❖ Mais raramente, um coma profundo é
vascular encefálico
ocasionado por hemorragia dos centros
❖ A síndrome HELLP apresenta recorrência de 3
cerebrais (icto apoplético), com a paciente
a 27%
apresentando arritmia respiratória, desvio
❖ A morte perinatal ocorre por prematuridade,
conjugado do olhar, anisocoria, hemiparesia
crescimento intrauterino restrito ou
etc.
Descolamento Prematuro de Placenta (DPP)
❖ Um outro evento raro é a instalação do
❖ Há várias tentativas de defini-la, mas a forma
coma sem qualquer episódio convulsivo
proposta por Sibai, em 1990, é a mais
prévio (eclâmpsia comatosa).
utilizada:
❖ - Nestes casos, extensas lesões hepáticas
- Esfregaço periférico com esquizócitos
anóxicas são encontradas
- LDH > 600 U/L ou BT ≥ 1,2 mg/dl
❖ A eclâmpsia pode ser complicada por
- TGO ≥ 70 U/L
edema agudo de pulmão, muitas vezes
- Plaquetas < 100.000/mm3
precipitado por reposição volêmica
❖ As pacientes que não apresentem todos os
exagerada, e morte súbita, secundária a
critérios são diagnosticadas como
uma hemorragia cerebral maciça
portadoras de síndrome HELLP parcial
❖ O trabalho de parto pode ser deflagrado
durante a convulsão ou acelerado.
12
Bradicardia fetal com duração de cerca de TESTE DA ANGIOTENSINA II
três a cinco minutos é comum durante e
logo após o episódio convulsivo, devido ao ❖ Nesse teste, a angiotensina II é infundida até
quadro de hipóxia e hipercapnia materna, e se conseguir um aumento de 20 mmHg na
não requer parto de emergência PAD
- A estabilização da pressão materna, ❖ Se para atingir este objetivo for necessário
terapia anticonvulsivante e oxigenoterapia menos de 8 mg/kg/min, o teste é positivo e
em geral são suficientes para recuperação tem um VPP de 20 a 40% para pré-eclâmpsia
fetal
OUTROS MARCADORES PREDITIVOS DE
❖ Pode-se classificar a eclâmpsia em:
PRÉ-ECLÂMPSIA
– Não complicada: quadro convulsivo não
acompanhado de outras intercorrências ❖ A dosagem urinária do fator de crescimento
– Complicada: associada a coagulopatia, placentário vem se mostrando bastante
insuficiência respiratória e cardíaca, icterícia, promissora
temperatura corporal ≥ 38o C, insuficiência ❖ Entre os fatores, citamos o VEGF, sFIt-1, PlGF e
renal aguda ou pressão diastólica > 115 sEng, porém, até o momento, sua utilização
mmHg é restrita e apenas de caráter investigativo
– Descompensada: choque, coma, ❖ A aferição sanguínea e urinária de proteínas
hemorragia cerebral ou necessidade de angiogênicas é atualmente a principal
assistência ventilatória esperança na predição da pré-eclâmpsia
13
2. Avaliação do crescimento fetal e do - Dor abdominal persistente, principalmente
líquido amniótico. na região epigástrica e no hipocôndrio
- Se os resultados estiverem normais, repetir o direito
teste a cada 3 semanas; - Sangramento vaginal
3. Cardiotocografia basal (CTB), se disponível - Presença de contrações uterinas regulares
- Se a CTB for reativa, repetir semanalmente - Presença de distúrbios visuais, como
❖ As reavaliações materna e fetal devem ser diplopia, fotofobia, escotomas etc.
imediatas caso ocorram mudanças abruptas - Náusea ou vômitos persistentes
nas condições maternas, redirecionando a - Diminuição dos movimentos fetais.
conduta ❖ A antecipação do parto é o único
tratamento definitivo para a pré-eclâmpsia
14
❖ As gestantes nessas condições devem ser ❖ Para minimizar os estímulos convulsivantes, a
admitidas e observadas por 24 horas para paciente deve ser mantida em ambiente
determinar a elegibilidade para a conduta, calmo, devendo submeter-se a restrição
e nesse período serão manejadas como se relativa no leito, adotando a posição
segue: semideitada, que facilita a mecânica
- Administração de sulfato de magnésio respiratória e permite a descompressão da
- Uso de corticoide (betametasona 12 mg IM, veia cava inferior pelo útero
a cada 24 horas, 2 aplicações) ❖ A língua deve ser protegida, e a
- Administração de anti-hipertensivos de permeabilidade das vias aéreas, garantida
ação rápida (hidralazina) pela colocação da cânula de Guedel
- Infusão de solução de Ringer lactato a 100 ❖ Recomenda-se a instalação de sonda
a 125 mL/h vesical de Foley para adequado controle do
- Exames laboratoriais: hemograma fluxo urinário
completo com plaquetas, creatinina sérica, ❖ Quando possível, a cateterização venosa
ácido úrico, TGO, TGP, desidrogenase central permite a determinação da pressão
láctica, proteinúria de 24 horas venosa central, bem como a infusão fácil e
- Dieta suspensa (permitir pequenas rápida de medicamentos
ingestões de líquidos claros e medicação ❖ Feito o diagnóstico de eclâmpsia, ou mesmo
oral) de iminência de eclâmpsia (presença de
❖ Após o período inicial de observação, cefaleia, alterações visuais e epigastralgia),
confirmando-se a elegibilidade materno- deve ser administrado imediatamente o
fetal para a conduta expectante, adota-se o sulfato de magnésio
seguinte: ❖ O esquema de Zuspan, preconizado pelo
- Interrupção do sulfato de magnésio Ministério da Saúde, prevê a administração
- Determinação da PA a cada 4 a 6 horas de sulfato de magnésio 4 g IV (20%), seguida
- Contagem de plaquetas diariamente da infusão contínua da droga na dose de 1
- TGO, TGP, creatinina e bilirrubina de 2 em 2 a 2 g/h em bomba de infusão contínua
dias ❖ Durante as crises convulsivas, deve-se
- Repetição da proteinúria de 24 horas apenas oxigenar a paciente (não há
semanalmente indicação de uso de benzodiazepínicos ou
- Uso de medicação anti-hipertensiva para de qualquer outro anticonvulsivante)
manter a pressão entre 140 x 90 e 150 x 100 ❖ Níveis séricos de magnésio de até 7 mEq/L
mmHg (alfametildopa até 2 g, associada a não são acompanhados de toxicidade
nifedipino, ou betabloqueador, ou aparente
hidralazina) ❖ O primeiro sinal de toxicidade é a perda do
- Se as condições maternas estiverem reflexo patelar (magnésio sérico entre 7 e 10
estáveis, realizar CTB diariamente e perfil mEq/L)
biofísico fetal 2 vezes por semana - Concentrações de magnésio acima de 10
- Avaliação do crescimento fetal por mEq/L podem comprometer os músculos
ultrassonografia a cada 2 semanas respiratórios, causando bradipneia,
- Dopplervelocimetria fetal semanalmente. desenvolvimento de hipóxia importante e
❖ Nas gestantes em manejo conservador, o até parada respiratória
parto deve ser realizado pela via apropriada ❖ Em caso de iminência de eclâmpsia ou na
eclâmpsia propriamente dita, o
TRATAMENDO DA ECLÂMPSIA
anticonvulsivante de escolha é o sulfato de
❖ Além do tratamento anticonvulsivante, deve magnésio intravenoso (independentemente
receber tratamento global para a correção do esquema de aplicação)
de eventuais distúrbios metabólicos e ❖ Se houver hipertensão associada, utiliza-se
respiratórios hidralazina intravenosa
15
TERAPÊUTICA FARMACOLÓGICA ANTI- ❖ Em situações de emergência hipertensiva,
HIPERTENSIVA NA GESTAÇÃO recomenda-se a administração da
hidralazina 5 mg IV, a cada 15 minutos, ou
❖ O uso dos hipotensores é sempre indicado
nifedipino.
para o controle da PA excessivamente
- O objetivo da terapêutica será controlar a
elevada na pré-eclâmpsia grave e na
PA, reduzindo os níveis da PA média em 20 a
eclâmpsia (quando os níveis diastólicos
30%, e eliminar os sintomas
atingem valores ≥ 110 mmHg) e é obrigatório
❖ Quanto à conduta obstétrica, uma vez
nas emergências hipertensivas que colocam
estabilizada a gestante, inicia-se a
em risco a vida da gestante
terapêutica hipotensora de manutenção, e a
❖ Nas gestantes hipertensas crônicas que
gestação poderá evoluir até atingir a
iniciam o pré-natal antes da vigésima
maturidade fetal.
semana, utilizam-se drogas hipotensoras
❖ Diante da deterioração do quadro clínico
sempre que PA diastólica ≥ 90 mmHg
materno e/ou na presença de sofrimento
❖ As drogas mais utilizadas são a
fetal, opta-se pelo parto terapêutico, desde
alfametildopa, na dose de 0,5 a 2 g/d, e os
que o feto seja viável
inibidores dos canais de cálcio,
❖ Nos casos em que a paciente inicia a
principalmente anlodipino, na dose de 5 a 10
gestação sob o uso de terapia anti-
mg/d.
hipertensiva e se apresenta adequadamente
❖ Os Inibidores da Enzima Conversora da
tratada e controlada, a mesma conduta
Angiotensina (IECAs – captopril, enalapril
deve ser mantida, mesmo que tal droga seja
etc.) e os antagonistas dos receptores da
um diurético.
angiotensina II (exemplo: losartana) estão
contraindicados na gestação, devido à sua EMERGÊNCIAS HIPERTENSIVAS NA
associação com restrição do crescimento GESTAÇÃO: TRATAMENTO
fetal, oligoâmnio, insuficiência renal neonatal
❖ Cardiotocografia fetal
e morte neonatal.
❖ Hidralazina 5 mg IV, a cada 15 minutos, até o
controle dos níveis pressóricos
❖ Manter a paciente em decúbito lateral
esquerdo e com o dorso elevado
❖ Manter acesso venoso com soro glicosado a
5%
❖ Monitorizar cuidadosamente a PA
❖ Alternativa medicamentosa: nitroprussiato de
sódio 0,25 a 10 µg/kg/min
❖ Controle dos níveis pressóricos: reduzir os
níveis pressóricos em 20 a 30%
16
O
SANGRAMENTOS DA
❖ É a principal causa de óbito perinatal
❖ É uma das principais emergências obstétricas
SEGUNDA METADE DA
❖ O risco para o feto relaciona-se com a área
de descolamento e a idade da gestação na
17
❖ Neste estágio, o feto ainda está vivo, mas - Tabaco e cocaína
apresenta sinais de comprometimento de - RPMO
vitabilidade (sinais de sofrimento fetal) - Corioamnionite
- Trombofilias
GRAU III (GRAVE)
FATORES DE RISCO
❖ Caracteriza-se pelo sangramento genital
❖ Sociodemográficos e comportamentais:
importante com hipertonia uterina,
- Idade materna ≥ 35 anos e < 20 anos
hipotensão materna e óbito fetal
- Paridade ≥ 3
❖ Pode ser subdividido em:
- Raça Negra
- IIIA – sem coagulopatia instalada
- Mães solteiras
- IIIB – com coagulopatia instalada.
- Tabagismo, uso de álcool e drogas
FISIOPATOLOGIA/ETIOLOGIA - Infertilidade de causa indeterminada »
❖ Fatores maternos na gestação atual
❖ A principal causa do descolamento
- Síndromes hipertensivas – responsável por
prematuro da placenta é a ruptura de vasos
até 50% dos casos de DPP não traumáticos ·
maternos na decídua basal
- Hiper-homocisteinemia
❖ Raramente o sangramento é originado das
- Trombofilia
veias fetais e placentárias
- Diabetes pré-gestacional
❖ O sangue proveniente desta ruptura se
- Hipotireoidismo
acumula e separa a placenta da decídua,
- Anemia
formando um hematoma
- Mal formação uterina
- Este hematoma pode ser pequeno e
- Rotura Prematura de Membranas
autolimitado (separação parcial), ou pode
- Corioamnionite
aumentar e causar a separação completa
- Oligoâmnio/Polidrâmnio - Placenta prévia
(separação total)
- Gestações múltiplas
❖ Esse fato acarreta a perda de função da
- Trauma (automobilístico, brevidade do
placenta, fazendo com que não consiga
cordão, versão externa, torção do útero
manter sua função de troca de substâncias,
gravídico, retração uterina intensa)
causando comprometimento fetal à medida
- Amniocentese/Cordocentese
que evolui
❖ Fatores maternos em gestações anteriores
❖ O sangramento decidual pode ser eliminado
- Cesárea anterior
pelo colo uterino ou pode ficar retido como
- Abortamentos
hematoma retroplacentário
- Pré-eclâmpsia
❖ Poderá, também, causar hemoâmnio
- Natimorto
(sangue infiltra-se no líquido amniótico) ou
- Descolamento Prematuro de Placenta –
útero de Couvelaire (sangue infiltra-se no
aumenta o risco em 3% a 15%
miométrio).
❖ As etiologias podem ser divididas em causas QUADRO CLÍNICO
traumáticas e atraumáticas ❖ Hipertensão arterial (pré-eclâmpsia,
❖ Causas mecânicas: hipertensão crônica...)
- Brevidade de cordão ❖ Hipertonia
- Versão fetal externa ❖ Dor abdominal
- Retração uterina intensa (polidrâmnio – ❖ Sangramento vermelho escuro
retirada e contração do útero) - Nem sempre está presente
- Miomatose uterina - Sua quantidade não está associada à
- Acidente automobilístico gravidade do caso
❖ Causas não mecânicas
- Hipertensão arterial
18
DIAGNÓSTICO - Hematoma subcoriônico
❖ Os sinais e sintomas do trabalho de parto têm
❖ O diagnóstico é eminentemente clínico
um início mais gradual, é caracterizado por
❖ Os achados de estudos de imagem,
contrações uterinas leves em intervalos
laboratório e pós-parto podem ser utilizados
infrequentes e/ou irregulares; as contrações
para apoiar o diagnóstico clínico
tornam-se mais regulares e dolorosas ao
❖ Mulheres com DPP agudo, classicamente,
longo do tempo e são acompanhadas por
apresentam-se com sangramento vaginal
dilatação cervical e/ou apagamento
leve a moderado e dor abdominal e/ ou dor
- O muco que se acumulou no colo do útero
nas costas, acompanhadas de contrações
pode ser eliminado como secreção clara,
uterinas
rosa ou ligeiramente sangrenta, às vezes,
❖ Em pacientes com sintomas clássicos,
vários dias antes do início do parto
anormalidades da frequência cardíaca fetal
❖ A apresentação clínica característica da
ou ausência de batimentos e/ou CIVD
placenta prévia é sangramento vaginal
apoiam fortemente o diagnóstico clínico e
indolor após 20 semanas de gestação, no
indicam DPP extenso
entanto 10% a 20% das mulheres apresentam
❖ O exame de ultrassonografia é útil para
contrações uterinas associadas ao
identificar um hematoma retroplacentário e
sangramento
para excluir outros distúrbios associados a
- Assim, o DPP e a placenta prévia podem ser
sangramento vaginal e dor abdominal
difíceis de distinguir clinicamente, uma vez
- Um hematoma retroplacentário é o achado
que o descolamento pode não estar
clássico e apoia fortemente o diagnóstico
associado à dor significativa; e, por sua vez,
clínico
a placenta prévia pode não ser indolor.
❖ No pós-parto, a ausência de achados
- Em mulheres grávidas com hemorragia
placentários característicos não exclui o
vaginal, uma ultrassonografia deve ser
diagnóstico
realizada para determinar se a placenta
❖ Achados laboratoriais:
prévia é a fonte do sangramento
- Os valores iniciais de fibrinogênio de ≤200
❖ A ruptura uterina é mais comum em mulheres
mg/dL têm um valor preditivo positivo de
com histerotomia prévia
100% para hemorragia pós-parto grave
- Os sinais de ruptura uterina podem incluir
- O diagnóstico de CIVD aguda é
anormalidades do ritmo cardíaco fetal,
confirmado pela demonstração de aumento
sangramento vaginal, dor abdominal
da geração de trombina (por exemplo,
constante, cessação das contrações
diminuição do fibrinogênio) e aumento da
uterinas, hipotensão materna e taquicardia.
fibrinólise (por exemplo, produtos elevados
- Muitos desses sintomas são comuns ao
de degradação de fibrina [PDF] e D-dímero).
descolamento porque a ruptura uterina
- Todavia os achados de laboratório
geralmente leva à DPP
sugestivos de CIVD leve precisam ser
interpretados com cautela durante a
CONDUTA
gravidez
❖ A conduta deve ser individualizada e
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL depende da extensão e classificação do
DPP, do comprometimento materno e fetal e
❖ Em mulheres grávidas com suspeita de
da idade gestacional
descolamento, o diagnóstico diferencial de
❖ As gestantes com suspeita de DPP devem ser
sangramento vaginal, acompanhado de dor
monitoradas avaliando-se o estado
e contrações, inclui:
hemodinâmico materno (PA, pulso e diurese)
- Trabalho de parto
e a vitalidade fetal
- Placenta prévia
❖ A avaliação laboratorial materna deve
- Ruptura uterina
incluir:
19
- Tipagem sanguínea hemodinâmica materna e da idade
- Hemograma completo gestacional
- Coagulograma ❖ Na presença de feto morto e mãe
❖ A ultrassonografia pode ser útil nos casos hemodinamicamente estável, deve-se optar
duvidosos, pois o diagnóstico é pelo PARTO VAGINAL.
eminentemente clínico ❖ A amniotomia faz-se necessária para reduzir
❖ A qualquer sinal de hipotensão ou hemorragia materna e passagem de
instabilidade hemodinâmica, deve-se instituir tromboplastina para a corrente sanguínea
dois acessos venosos calibrosos com infusão da mãe
de 1000 ml de solução cristaloide, com Amniotomia é a ruptura proposital e
velocidade de infusão de 500 ml nos artificial da bolsa amniótica.
primeiros 10 minutos e manutenção com 250
ml/h mantendo-se débito urinário > 30mL/h. ❖ A ocitocina pode ser administrada se houver
❖ A monitorização cardíaca fetal contínua necessidade de induzir o parto
desde que o feto esteja em risco de ❖ O parto deverá ocorrer dentro de 4 a 6 horas
hipoxemia ou desenvolver acidose e o quadro clínico reavaliado a cada hora
❖ De um modo geral, nos casos de feto viável, ❖ Após o parto, a monitorização materna
quando o parto vaginal não for iminente, a rigorosa impõe-se, principalmente quando se
via de parto preferida deve ser a abdominal identifica a presença de útero de Couvelaire
por CESÁREA DE EMERGÊNCIA como achado intraoperatório
❖ Nos casos de feto vivo com cardiotocografia
(CTG) categoria III e o parto vaginal for DESCOLAMENTO CRÔNICO
iminente (próximos 20 minutos), pode-se ❖ As gestantes com este quadro apresentam
optar pelo PARTO VAGINAL ESPONTÂNEO ou hemorragia leve, crônica, intermitente e
INSTRUMENTAL. manifestações clínicas de doença
- Se parto vaginal não for iminente, deve-se placentária isquêmica que se desenvolvem
indicar a cesárea. ao longo do tempo, como:
❖ Nas situações de feto vivo com CTG - Oligo-hidrâmnia
categoria II: a via de parto dependerá da - Restrição de crescimento fetal
idade gestacional, dilatação cervical e se - Pré-eclâmpsia
existe instabilidade fetal ou materna ❖ Elas também correm o risco de ruptura
❖ Nos fetos vivos com CTG categoria I: a via de prematura das membranas
parto dependerá da estabilidade
20
PRINCIPAIS COMPLICAÇÕES ❖ Epidemiologia: 1 em cada 200 gestações
- Nas multíparas, 1 a cada 20 gestações
❖ Útero de Couvelaire com atonia uterina
❖ CIVD TIPOS DE IMPLANTAÇÃO
❖ Choque hipovolêmico e suas complicações
❖ A adequada implantação da placenta é um
mais frequentes:
evento fundamental para o sucesso da
- Insuficiência renal aguda
gestação
- Necrose hipofisária (síndrome de Sheehan)
❖ Assim, para melhor compreendê-la,
PROGNÓSTICO podemos dividi-la inicialmente em três
grandes grupos:
❖ A mortalidade materna chega a - Implantação Tópica: inserção da placenta
aproximadamente 3% dos casos em seu sítio habitual, no segmento corporal
❖ As complicações pioram o prognóstico da cavidade uterina
materno - Implantação Heterotópica: inserção na
❖ O prognóstico fetal é mais grave que o matriz uterina, mas em local anômalo
materno - Implantação Ectópica: inserção fora do
❖ A morte do concepto ocorre, comumente, útero
em 90% dos casos: ❖ Pode-se concluir que:
- 100% nos graves - Na prenhez intrauterina, é possível a
- Nos casos moderados em 65% placentação tópica ou heterotópica
- Nos casos leves em 25% - Na prenhez extrauterina a placentação é
❖ A prematuridade é um fator relevante no sempre ectópica
óbito neonatal, já que mais de 50% dos casos
de DPP cursam em recém-nascidos com LOCALIZAÇÃO DA PLACENTA
menos de 2.500 g HETEROTÓPICA
❖ As possibilidades são as seguintes:
PLACENTA PRÉVIA - Angular ou Cornual: situa-se nos ângulos da
cavidade do útero
INTRODUÇÃO/DEFINIÇÃO - Baixa: ocupa o segmento inferior, mas a
❖ Implantação de qualquer parte da placenta margem da placenta não alcança o orifício
entre o orifício interno do colo do útero e a interno
apresentação fetal acima de 28 semanas de - Cervical: localiza-se na cavidade do colo
gestação uterino
❖ A definição mais completa é a seguinte:
implantação heterotópica da placenta CLASSIFICAÇÃO
sobre o orifício cervical interno (OI), ❖ A classificação depende da localização da
cobrindo-o total ou parcialmente, ou placenta em relação ao orifício interno do
avizinhando-se deste (margem placentária a canal cervical
menos de 5 cm do OI) ❖ Ela é dinâmica e varia com a evolução da
❖ Por que é importante saber que a placenta dilatação cervical.
prévia só pode ser definida após 28 - Placenta Prévia Completa ou Central Total
semanas? ou Total: quando recobre totalmente a área
- A migração placentária geralmente do orifício interno do colo uterino
termina em torno da 28ª semana de - Placenta Prévia Parcial ou Central Parcial:
gravidez. Nesse momento, o crescimento do quando recobre parcialmente a área do
útero pode sobrepujar o da placenta, orifício interno do colo uterino
transformando uma placenta prévia em uma - Placenta Prévia Marginal: o bordo
placenta normalmente inserida. placentário tangencia a borda do orifício
❖ Faz diagnóstico diferencial com DPP interno sem ultrapassá-la
21
- Placenta de Inserção Baixa ou Lateral: FATORES DE RISCO
placenta localizada no segmento inferior do
❖ Idade: as gestantes com mais de 35 anos
útero, porém a borda placentária não
têm uma probabilidade 3,5 vezes maior de
alcança o óstio interno, mas situa-se muito
IVP em comparação com as de idade
próxima a ele. Corresponde à placenta
inferior a 25 anoss, independente do número
prévia cesárea, assim nomeada por se
de partos prévios
localizar imediatamente abaixo da
❖ Multiparidade: A multiparidade representa
histerotomia no momento da cesariana
risco cinco vezes maior. A multiparidade está
envolvida neste processo devido à pior
qualidade da decídua basal.
❖ Endometrite: A endometrite prévia predispõe
à IVP.
❖ Abortamento Provocado: A frequência de
placenta prévia aumenta
❖ Curetagens Uterinas Prévias: A frequência de
inserção viciosa de placenta aumenta nas
pacientes com dano endometrial por
curetagens uterinas. Tem relação com as
pacientes com antecedentes de
FISIOPATOLOGIA abortamento provocado.
❖ Normalmente, a placenta procura se ❖ Cicatrizes Uterinas Prévias: O principal fator
implantar em locais mais ricamente de risco para placenta prévia é a cicatriz
vascularizados, uma vez que existem uterina anterior, especialmente a que resulta
deficiências de irrigação nos locais usuais. de cesariana anterior. Com uma cesariana
- Os locais mais vascularizados situam-se no anterior, o risco de placenta prévia pode ser
fundo e parte superoposterior do útero 4,5 vezes maior; com duas cesáreas pode ser
❖ Mas por que a placenta acaba se inserindo 7,4 vezes; com três 6,5 vezes e com quatro
no segmento inferior? ou mais chega a 45 vezes maior
- A decidualização pobre do útero, - Se o risco de hemorragia com placenta
possivelmente relacionada a alterações prévia por si só é importante, a combinação
inflamatórias ou atróficas do endométrio, com uma ou mais cesarianas prévias pode
acompanhada de vascularização tornar este risco consideravelmente maior,
defeituosa, parece estar diretamente com resultados às vezes catastróficos.
associada com a placentação heterotópica ❖ Situações de Grande Volume Placentário:
❖ Em outras palavras, a placenta desvia-se da Provavelmente, relaciona-se ao relaxamento
área de inserção primitiva e procura áreas considerável do músculo uterino, que
com melhores condições de nutrir o ovo, favorece o deslizamento e fixação do ovo
expandindo-se superficialmente ao segmento inferior
❖ Por outro lado, em condições de hipóxia ❖ Tabagismo: Parece que o tabagismo
relativa, como no tabagismo, acontece provoca uma hipoxemia na interface
hipertrofia compensatória das vilosidades materno-fetal. Na vigência de hipoxemia, há
coriônicas, que leva ao aumento da um aumento compensatório do órgão
ocorrência de placenta prévia (hipertrofia compensatória das vilosidades
❖ Além disso, a anormalidade de implantação coriais). E toda a placenta de tamanho
placentária se complica, com certa aumentado, por apresentar maior superfície
frequência, com acretização placentária e de inserção na parede uterina, possui uma
inserções heterotópicas do cordão umbilical tendência a se inserir no segmento inferior da
cavidade uterina
22
QUADRO CLÍNICO - Ela pode ser realizada pela via
transabdominal ou transvaginal.
❖ A apresentação clínica da IVP caracteriza-se
- Se for realizada por via transabdominal, ela
por hemorragia indolor com sangue
nos mostrará exatamente a localização
vermelho rutilante, desvinculada de esforços
placentária e a sua posição em relação ao
físicos ou traumatismos (espontânea)
orifício interno do colo do útero
❖ O sangramento aparece mais
- Pode ser realizada pela via transvaginal,
frequentemente no final do segundo
principalmente nos casos em que há dúvidas
trimestre ou ao longo do terceiro trimestre de
em relação à posição do bordo placentário
gravidez
Esse exame deve ser realizado de maneira
❖ O primeiro episódio de sangramento pode se
cuidadosa, não introduzindo mais do que
exibir em pequenas quantidades e cessar
três centímetros do transdutor na vagina e
espontaneamente
este não deve atingir o colo
A hemorragia da placenta prévia - É importante salientar que o número de
raramente está associada aos distúrbios falso-positivos no exame realizado pela via
da coagulação sanguínea. transvaginal é menor do que quando
❖ Mnemônico (PREVIA): Sangramento... realizado pela via abdominal
- Progressivo A ultrassonografia transabdominal rotineira
- Repetição de 2º trimestre, entre 20 e 23 semanas, tem
- Espontâneo por objetivo avaliar a morfologia fetal e
- Vermelho vivo também a localização placentária. A
- Indolor suspeita de placenta prévia/ baixa obriga
- Ausência de hipertonia/SFA à realização da USG Transvaginal.
23
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL ❖ A via de parto é baseada no julgamento
clínico, auxiliado pela informação
❖ Deve ser realizado, especialmente, com
ultrassonográfica sobre o tipo de inserção
outras causas de hemorragia da segunda
viciosa. Em todos os casos, seja por via
metade da gestação, a saber:
vaginal ou por via abdominal, a
- DPP
disponibilidade imediata de sangue deve ser
- Rotura uterina
mandatória.
- Rotura do seio marginal e da vasa prévia.
- Tipo de inserção viciosa:optando-se pela
❖ Além disso, devem ser pesquisadas
interrupção da gestação, a via de parto
hemorragias provenientes de lesões
varia com o tipo de inserção viciosa:
cervicais (cervicite, pólipo, câncer), vaginais
1. Placenta prévia total: a via de parto é
e vulvares, que são facilmente excluídas
sempre cesariana
pelo exame especular
2. Placenta prévia parcial: cesariana, exceto
CONDUTA em multíparas se o parto estiver próximo do
❖ A conduta na placenta prévia depende de fim, o sangramento seja discreto, e não haja
alguns aspectos: um obstáculo mecânico importante ao parto
- Intensidade do sangramento e condição vaginal
hemodinâmica materna: No sangramento 3. Placenta prévia marginal ou baixa: o parto
ativo, a gestante deve ser avaliada vaginal pode ser permitido. Deve-se atentar
principalmente em relação à sua condição para a intensidade da hemorragia.
hemodinâmica Se o sangramento não é muito intenso e
- Idade Gestacional: mãe estável hemodinamicamente ou feto
1. Gestação Pré-Termo: Em gestantes sem morto ou malformações fetais incompatíveis
sangramento ativo e feto prematuro, deve com a vida extrauterina, o parto vaginal é
ser adotada conduta expectante. Deve ser admissível. Neste caso, deve-se proceder à
feito um acompanhamento pré-natal amniotomia precoce (método de Puzos),
cuidadoso em centro especializado para pois permite a insinuação da apresentação
atender essa gestante em caso de que comprime mecanicamente o segmento
sangramento excessivo. inferior do útero e diminui o sangramento.
Essa gestante não deve permanecer
hospitalizada até o parto, salvo em
condições específicas, como difícil acesso
ao hospital
Essa gestante deve ser orientada a não ter
relações sexuais
O uso de corticoterapia deve ser
considerado para aceleração da
maturidade pulmonar.
O uso de tocolíticos parece não aumentar a
morbimortalidade nos casos de trabalho de
parto prematuro, mas estes só devem ser
utilizados se não houver comprometimento COMPLICAÇÕES
hemodinâmico. Essas gestantes devem ser
❖ Por se aderir no segmento inferior uterino, as
cuidadosamente monitoradas durante o seu
modalidades de placenta prévia favorecem
uso
o aparecimento de várias complicações
2. Gestação a Termo: Se a gestante estiver
❖ O risco de hemorragia pós-parto aumenta
no termo ou próxima a ele e tiver
em consequência a uma menor
sangramento, o parto deve ser realizado
24
contratilidade do segmento inferior do útero desproporções cefalopélvicas mal avaliadas
devido à invasão trofoblástica contribuem fortemente para sua ocorrência
- O uso de uterotônicos associado às
CLASSIFICAÇÃO
manobras de compressão uterina muitas
vezes pode não ser suficiente para a ❖ Rotura Uterina Parcial ou Incompleta:
resolução da hemorragia, necessitando de caracteriza-se por preservar a serosa uterina
intervenções cirúrgicas e quase sempre está associada à deiscência
de cicatriz uterina
- Em grande número de casos, apresenta-se
de forma assintomática
- A rotura parcial pode se tornar completa
durante o trabalho de parto
❖ Rotura Uterina Total ou Completa:
corresponde ao rompimento da parede
uterina, incluindo a sua serosa
- Essa rotura pode ser espontânea ou
traumática.
- A traumática se associa ao uso inadequado
de ocitócitos, fórceps, manobras obstétricas
intempestivas, como pressão excessiva no
fundo do útero, ou ainda acidentes com o
PROGNÓSTICO
traumatismo abdominal, como os
❖ Atualmente, a morbimortalidade materna automobilísticos
não são tão expressivas, em virtude de
melhores recursos no acompanhamento pré- FATORES DE RISCO
natal e no diagnóstico precoce de placenta ❖ Cirurgia miometrial
prévia - Cesárea
❖ No entanto, a mortalidade fetal perinatal - Miomectomia
ainda apresenta números importantes em - Metroplastia
razão da prematuridade e da maior - Ressecção de corno uterino
incidência de malformações fetais ❖ Trauma uterino
- Perfuração uterina pós-curetagem ou
ROTURA UTERINA
aborto provocado
INTRODUÇÃO/DEFINIÇÃO - Perfuração por armas brancas ou armas de
fogo
❖ A rotura uterina consiste no rompimento
❖ Malformação congênita
parcial ou total do miométrio durante a
- Gestação em corno uterino rudimentar.
gravidez ou o trabalho de parto. Comunica,
❖ Outros:
assim, a cavidade uterina à cavidade
- Adenomiose
abdominal.
- Doença trofoblástica gestacional
❖ É uma das mais graves complicações da
(penetração excessiva do trofoblasto que
gestação
enfraquece a parede uterina)
❖ É uma das causas de morte materna e
- Secundamento patológico
perinatal.
- Desnutrição
❖ Epidemiologia: A rotura uterina ocorre em
- Multiparidade pelo adelgaçamento das
5,3/1.000 casos em todo mundo
fibras miometriais
- No Brasil, a prevalência da rotura uterina
- Manobra de Kristeller
não é desprezível. A maior paridade das
- Sobredistensão uterina (gestação gemelar
mulheres, os trabalhos de parto complicados
e polidramnia)
com distócias que são negligenciadas, e as
25
- Parto obstruído (desproporção ❖ A ocorrência mais tardia, ou seja, na
cefalopélvica, apresentações anômalas, segunda metade da gravidez, apresenta um
tumores prévios) quadro clínico mais brando
- Versão externa, interna e extração podal - No entanto, a gravidade não é menor
- Trauma fechado (acidentes - A evolução é lenta e, mesmo quando
automobilísticos) completa, a extrusão do feto se faz de
- Uso de ocitócitos e prostaglandinas na maneira progressiva rumo à cavidade
indução ou condução do parto abdominal
- A paciente refere dor hipogástrica
ROTURA UTERINA NA GRAVIDEZ
associada à metrorragia
❖ Pode ser espontânea ou secundária a - Ao exame físico, são evidenciadas duas
traumas massas correspondentes ao útero e ao feto,
❖ A rotura espontânea é um processo lento, cujos batimentos cardíacos são inaudíveis
progressivo, que evolui de forma ❖ O choque hipovolêmico secundário à perda
assintomática e ocorre no final da gestação sanguínea se estabelece lentamente, e
em úteros predispostos pelo pode ocorrer infecção concomitante
enfraquecimento da parede por cicatriz ❖ O prognóstico fetal é o óbito, e o materno é
prévia de cesariana, miomectomia, outras muito grave
cirurgias uterinas
- Zonas patológicas da matriz uterina com TRATAMENTO
resistência diminuída como áreas de ❖ A laparotomia exploradora deve ser
degeneração, necrose, endometriose, imediata tanto para confirmação do
adenomiose e locais onde houve acretismo diagnóstico, quanto para rápida instituição
placentário também são mais sujeitas a do tratamento e controle da hemorragia
rotura. ❖ Nas pacientes sem prole constituída, uma
❖ O local de rotura é habitualmente fúndico, rafia simples da lesão em dois planos deve
salvo naquelas que recaem sobre a cicatriz ser tentada
de cesariana no segmento inferior ❖ A maior dificuldade encontrada pelo
❖ As traumáticas podem resultar de quedas cirurgião é a preservação do futuro
sobre o ventre, pancadas resultantes de obstétrico da paciente
acidentes de trânsito, ferimentos penetrantes ❖ Nas multíparas, procede-se a histerectomia
de armas brancas ou de fogo, manuseio da total ou subtotal, sem ressecção dos anexos.
cavidade uterina (dilatação do colo e ❖ A antibioticoterapia profilática e a
curetagem, inserção de dispositivo hemotransfusão complementam o esquema
intrauterino, uso de objetos com fins abortivos terapêutico.
ou propedêuticos), versão por manobras ROTURA UTERINA NO PARTO
externas.
❖ Pode ser espontânea ou provocada
QUADRO CLÍNICO ❖ As roturas espontâneas ocorrem sem a
❖ Quando ocorre no início da gravidez, a interferência do obstetra
rotura resulta em quadro de abdome agudo - No entanto, é importante destacar que a
grave omissão do médico pode ser responsável
- Cursa com dor intensa, hemorragia interna pela rotura.
e irritação peritoneal ❖ As roturas provocadas normalmente resultam
- Pode evoluir com choque hipovolêmico de procedimentos obstétricos transpélvicos,
- Muitas vezes, o quadro é indistinguível da como versão interna, extração podal,
prenhez ectópica. fórceps, delivramento artificial
❖ Por outro lado, a administração intempestiva
de ocitocina também pode ser a
26
responsável pela rotura uterina, em virtude peritônio e tecido subcutâneo da parede
do aumento exagerado da contratilidade abdominal. Isto ocorre devido à
uterina. comunicação do útero roto com o meio
❖ Em geral, a rotura ocorre em vigência de externo através da vagina
contrações exageradas que tentam vencer - Sinal de Reasens = “subida” da
o “trânsito” impedido apresentação – o feto sai do útero e “cai” na
- A musculatura do segmento inferior é cavidade abdominal. É a percepção,
exigida até a exaustão, momento em que através do toque vaginal, da elevação da
geralmente ocorre a rotura. apresentação fetal após a rotura uterina, ou
❖ Em relação à localização, a rotura uterina seja, o feto, que deveria progredir através do
será corporal, segmentária ou segmento- canal do parto durante o trabalho de parto
corporal. apresenta um recuo na pelve, isto é, se
- Ela pode se estender a órgãos vizinhos, eleva. Isto ocorre, pois, uma vez rompido o
como a bexiga, vagina, reto e ureter. útero, ocorre relaxamento da musculatura
Quando isso acontece, ela é denominada uterina, permitindo sua elevação no canal
de rotura complicada de parto.
27
Quadro de diagnóstico diferencial:
28
FECHAMENTO 1– GO
DIABETES GESTACIONAL
VISÃO GERAL
QUADRO CLÍNICO
• Em geral, assintomática
• Pode apresentar:
▪ Fadiga
▪ Ganho excessivo de peso na gestante ou no bebê;
▪ Aumento do apetite;
▪ Poliúria (vontade frequente de urinar)
▪ Xerostomia (boca seca)
▪ Visão turva
▪ Polidipsia (muita sede)
▪ Náuseas.
CLASSIFICAÇÃO
o
FATORES DE RISCO
• Obesidade
• Idade materna superior a 25 anos
• História familiar e/ou pessoal positiva
• Tabagismo
• Sedentarismo
• Antecedentes pessoais de alterações metabólicas:
o Hemoglobina glicada (HbA1c) ≥ 5,7%
o Síndrome dos ovários policísticos
o Hipertrigliceridemia
o Hipertensão arterial sistêmica
o Acantose nigricans
o Doença cardiovascular aterosclerótica
o Uso de medicamentos hiperglicemiantes
• Antecedentes obstétricos:
o Duas ou mais perdas gestacionais prévias
o Diabetes gestacional
o Polidrâmnio
o Macrossomia (recém-nascido anterior com peso ≥ 4.000 g)
o Óbito fetal/neonatal sem causa determinada Malformação fetal
o Gemelidade
FISIOPATOLOGIA
• GRAVIDEZ INICIAL
o Aborto espontâneo
• AO LONGO DA GESTAÇÃO
o Pré-eclâmpsia
o Hipertensão gestacional
o Hidrâmnio
o Infecção do trato urinário
• PARTO
o Trabalho de parto prematura
o Tocotraumatismo
o Parto instrumental
o Cesárea
o Infecção pós-parto
• FETAIS
o Crescimento fetal excessivo
o Distocia de ombros
o Lesão plexo braquial
o Hipóxia intrauterina
o Insuficiência placentária
o Óbito fetal
• NEONATAL
o Hipoglicemia
o Hiperbilirrubinemia
o Icterícia
o Policitemia
o Trombose
o Prematuridade
o Distúrbio respiratório
o Óbito neonatal
DIAGNÓSTICO
o
• RESUMO DO DIAGNÓSTICO COM VIABILIDADE FINANCEIRA
o
RASTREAMENTO DAS COMPLICAÇÕES CRÔNICAS DO DM PRÉ-GESTACIONAL
• Complicação crônica
o RETINOPATIA
▪ Mapeamento de retina (retinografia) a cada trimestre
▪ Em caso de presença de sinais de retinopatia pré-proliferativa severa ou
proliferativa, a avaliação deve ser feita em intervalos menores, a critério
do oftalmologista.
o DOENÇA RENAL DIABÉTICA
▪ Albuminúria em amostra OU
▪ Relação albumina/ creatinina OU
▪ Proteína em urina de 24 horas
▪ Creatinina sérica e cálculo da TFGe
o NEUROPATIA DIABÉTICA
▪ Exame clínico
o DOENÇA CARDIOVASCULAR ATEROSCLERÓTICA
▪ Eletrocardiograma
▪ Ecocardiograma
▪ Deverá ser realizada nas gestantes com mais de 10 anos de DM ou com
sintomatologia sugestiva ou com histórico prévio de cardiopatia.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
• Diabetes mellitus 1 e 2
• Demais tipos de diabetes
• Hiperglicemia induzida por fármacos
TRATAMENTO
o
• Os antidiabéticos orais (como metformina e glibenclamida) ainda não estão liberados
para uso na gestação, principalmente pela falta de evidências sobre repercussões ao
longo da vida das crianças que sofreram exposição intrauterina a essas drogas.
o Faltam ainda evidências para definir riscos e benefícios do uso dessas drogas,
ou mesmo para indicar uma ou outra com melhor resultado.
o A metformina pode ser admitida como alternativa para controle do DMG em
condições muito específicas, tais como: difícil acesso à insulina; incapacidade
para a autoadministração de insulina; estresse exacerbado em decorrência do
uso de insulina, com potencial restrição alimentar; necessidade de altas doses
diárias de insulina (>100 UI) sem resposta adequada no controle glicêmico.
o O uso de metformina, como alternativa em casos especiais ou em associação
com insulina, deverá ser discutido com a gestante e a família, acompanhado de
anotações específicas no prontuário da gestante e formalizado pela assinatura
do termo de consentimento livre e esclarecido.
CONTROLE GLICÊMICO
• A decisão do momento do parto deve ser contrabalançada pelos riscos do parto tardio
(natimortos e tocotraumatismos pelo crescimento fetal excessivo) e da indução precoce
(prematuridade e possível aumento das taxas de cesárea).
• Nos casos de DMG bem controlado com tratamento não farmacológico, o parto não
deve ser induzido antes de 39 semanas, e a conduta expectante até 40 6/7 semanas
pode ser admitida, desde que monitorada adequadamente.
• No DMG em tratamento farmacológico, o parto deve acontecer entre 39 0/7 e 396/7.
• Nos casos de DMG mal controlado, recomenda-se que o parto seja realizado na
maturidade, a partir da 37ª semana de gestação.
CONTROLE GLICÊMICO NO PARTO
• Recomenda-se manter níveis de glicose intraparto entre 100 mg/dL e 120 mg/dL;
reposição contínua de glicose intravenosa (5% a 10%), quando os níveis estiverem
abaixo de 70 mg/dL, e administração de insulina regular de ação rápida, via subcutânea,
quando os níveis glicêmicos forem ≥120 mg/dL. A grande maioria das mulheres com
DMG e adequado controle glicêmico não necessitará de insulina intraparto.
• Nos casos em que o trabalho de parto tem início espontâneo e insulina já administrada,
recomenda-se infusão continua de glicose a 5% (125 mg/h), por via intravenosa, e
monitoramento da glicemia capilar a cada uma ou duas horas.
• Na indução do parto, recomenda-se fazer o desjejum e administrar insulina no mesmo
esquema da cesárea programada; quando for o caso, a insulina regular no jejum deve
ser mantida.
• Após o parto, com a saída da placenta e a supressão hormonal antiinsulínica, a
medicação deverá ser descontinuada para a maioria dos casos de DMG. Entretanto,
alguns casos de hiperglicemia persistente poderão necessitar de monitoramento dos
níveis de glicose por 24 a 72 horas após o parto.
• Recomenda-se nova avaliação glicêmica após aproximadamente seis a oito semanas,
preferencialmente com TOTG 75 g, medidas de jejum e duas horas. Os valores que
definem diabetes são jejum ≥126 mg/dL ou duas horas ≥200 mg/dL. Pacientes com
valores alterados devem receber tratamento específico, e as com resultado normal
devem ser orientadas sobre o risco aumentado de DM2 e a manter estilo de vida
saudável.
ASSISTÊNCIA HIERARQUIZADA PARA AS GESTANTES COM DMG, DE ACORDO COM AS
CONDIÇÕES TÉCNICAS E FINANCEIRAS
•
ACONSELHAMENTO PÓS PARTO
•
COMPLICAÇÕES
• MALFORMAÇÃO FETAL
▪ As malformações fetais constituem as causas mais importantes de
mortalidade perinatal em gestações complicadas por diabetes melito.
▪ O fator etiológico responsável é o mau controle glicêmico no período
crítico da organogênese – sistema nervoso central (SNC) –, que
corresponde às primeiras 6 a 8 semanas da gravidez.
▪ A incidência de malformações está fortemente associada aos níveis da
HbA1c no 1o trimestre da gestação, que devem ser < 6,5%
▪ As malformações mais comuns incluem defeitos cardíacos complexos,
anomalias do SNC, tais como anencefalia e espinha bífida, craniofaciais
e esqueléticas, incluindo regressão caudal/agenesia do sacro (aumento
de 600 vezes), urogenitais e gastrintestinais.
• MACROSSOMIA FETAL
o A difusão facilitada de glicose através da placenta determina
hiperglicemia/hiperinsulinemia fetal com consequências importantes para o
feto e o recém-nascido
o A insulina determina crescimento fetal excessivo, especialmente do tecido
adiposo.
o O feto da mulher diabética mal controlada tem risco elevado de macrossomia
(> 4.000 g), com concentração desproporcional de tecido adiposo nos ombros e
no tórax, dobrando o risco de distocia no parto.
o Também é frequente a ocorrência de polidrâmnio, pois o feto macrossômico é
poliúrico.
• MATURIDADE FETAL
o Este é um tema escasso e controverso na literatura atual.
o Haveria aumento na incidência da síndrome da angústia respiratória (SAR)
apenas no diabetes mal controlado.
o No diabetes bem controlado, após 36 semanas da gestação, não ocorreria a
imaturidade pulmonar fetal.
• ABORTAMENTO E PARTO PRÉ-TERMO
o O abortamento tem taxas 2 vezes maiores com o mau controle glicêmico.
o A incidência de parto pré-termo (espontâneo e indicado) está aumentada em
até 5 vezes no diabetes, especialmente nos casos que cursam com polidrâmnio.
o Não há contraindicação para o uso de corticoides, mas os betamiméticos devem
ser evitados.
o Durante o uso de corticoide, a dose de insulina deve ser aumentada.
• MORTE FETAL
o A taxa de mortalidade perinatal no diabetes é quase o dobro da vigente na
população não diabética.
o A morte fetal continua a ser uma preocupação obstétrica, mesmo na grávida
bem controlada. O
o s extremos de crescimento fetal podem ocorrer nos dois cenários oferecidos
pelo diabetes materno: macrossomia e crescimento intrauterino restrito (CIR).
o A morte fetal é observada com mais frequência nas últimas semanas da gravidez
especialmente em pacientes com controle glicêmico deficiente, polidrâmnio e
macrossomia fetal.
o Secundariamente à hiperglicemia materna e ao hiperinsulinismo fetal, ocorre
um desequilíbrio na função placentária, com aporte deficiente de oxigênio e
aumento na demanda de oxigênio pelo feto.
o Já em diabéticas com doença vascular resultando em CIR, a morte fetal por
insuficiência placentária pode ocorrer tão cedo quanto o fim do 2o trimestre.
POLIDRÂMNIO:
ETIOLOGIA:
FISIOPATOLOGIA:
• Tanto o organismo materno como o fetal são responsáveis pela produção do líquido
amniótico de acordo com a idade gestacional.
• No início, é formado a partir da passagem passiva de líquidos pela membrana
amniótica – ultrafiltrado do plasma materno.
• A partir da segunda metade da gestação, a produção urinária fetal é o principal
produtor.
• O processo de filtração glomerular fetal começa com 10 a 11 semanas, época na qual
já se pode encontrar urina no espaço amniótico.
• Basicamente o líquido amniótico é excretado pela micção fetal e absorvido pela
deglutição fetal.
• O volume de líquido amniótico é determinado pela quantidade de fluido que entra e
que sai da cavidade amniótica. A micção fetal, a produção de fluido pulmonar e a
ingestão do líquido pelo próprio feto contribuem de forma importante para o balanço
final do volume de fluido amniótico, especialmente nas fases mais tardias da gestação,
com contribuições mínimas de outras fontes.
• Causas Principais de Polidrâmnio:
o Aumento da micção fetal:
▪ Alto débito cardíaco – anemia fetal
▪ Sobrecarga de volume – Síndrome de Transfusão feto-fetal
▪ Diurese osmótica (diabetes materna, uremia materna)
o Diminuição da deglutição fetal/absorção do líquido
• O volume de líquido amniótico aumenta de modo constante até 25 semanas de
gestação. Por meio da USG pode-se quantificar os valores do líquido amniótico no
primeiro trimestre da gestação, da 8ª a 11ª semana gestacional (variando de 5,4 cm3,
na 8ª semana, para 39,5 cm3, na 11ª semana).
CLASSIFICAÇÃO:
DIAGNÓSTICO:
• Manifestações Clínicas:
o Depende da quantidade de líquido
o Leves: podem ser assintomáticas
o Moderadas e Graves: pode ocorrer aumento rápido do volume e causar
dispneia, taquicardia, palpitação, cianose e edema de membros inferiores
o Polaciúria
o Obstrução Intestinal pela compressão de vísceras adjacentes
o Ex. Físico – Grave: pelo do abdome encontra-se distendida, lisa e brilhante.
o Na palpação, a consistência do útero é cística, dificultando a identificação das
partes fetais.
o Os BCFs podem-se tornar imperceptíveis devido à grande quantidade de
líquido amniótico.
o Durante o trabalho de parto, ocorre a formação de bolsa das águas com a
percepção de membranas amnióticas distendidas ao toque vaginal.
• Laboratório:
o Importante na busca da etiologia
o Dosagem de glicemia materna – TOTG de 75 mg
o Coombs indireto e Teste Kleihauer-Betke (identificar a presença de
hemoglobina fetal – Hbf)
o Sorologias para rastreio de infecções maternas – toxoplasmose, parvovírus,
citomegalovírus e sífilis
o Pesquisa de anemia fetal
o Cromossomopatias
• Análise do Líquido Amniótico:
o Mensuração direta do volume no momento da histerotomia e a técnica dye-
diluição (padrão ouro)
o USG – método de escolha
▪ ILA: divide-se o útero em quatro quadrantes e realiza as medidas. O
somatório das medidas quando > 25 cm indica polidrâmnio.
▪ MBV (medida do bolsão vertical): > 8cm
▪ Obs.: anidrâmnio é a ausência de bolsão de líquido amniótico, tanto
pela técnica do ILA ou do MBV.
• USG Morfológica Fetal:
o Objetivo de rastrear malformações fetais como anencefalia, hidrocefalia,
microcefalia, encefalocele, agenesias no trato geniturinário, atresias esofágicas
e obstruções gastrointestinais fetais.
• Amniocentese e Cariótipo Fetal:
o A amniocentese pode ser realizada para análise de cariótipo fetal e
confirmação de infecção fetal por meio de PCR.
o A análise do cariótipo fetal é recomendada quando há detecção de anomalias
congênitas fetais, por existir alto risco de aneuploidias.
o Realização em casos de polidrâmnio severo, por haver alto risco de
aneuploidias fetais.
o Entretanto, a amniocentese e o estudo do líquido amniótico pelo PCR devem
estar baseados na identificação de gestantes de risco para polidrâmnio como
também nos marcadores ecográficos para malformações fetais.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL:
TRATAMENTO:
DEFINIÇÃO:
ETIOLOGIA:
• Vale ressaltar que a maioria dos casos ocorre no decurso do terceiro trimestre e não
apresenta causa identificável.
• Causas Maternas:
o Insuficiência uteroplacentária: pré-eclâmpsia, hipertensão arterial crônica,
colagenoses, nefropatias, trombofilias e tabagismo
o Medicações: inibidores da enzima de conversão da angiotensina, inibidores da
prostaglandina sintetase, trastuzumabe.
• Causas Fetais:
o Cromossomopatias
o Anomalias congênitas, especialmente relacionadas ao trato urinário
o Restrição de crescimento fetal
o Óbito fetal
o Gestação prolongada – pós datismo
o Rotura prematura de membranas
o Infecções
• Causas Placentárias e de Membranas:
o Síndrome da transfusão feto-fetal
o Trombose e infarto placentário
o Amniorrexe
FISIOPATOLOGIA:
DIAGNÓSTICO:
• Suspeita Clínica:
o Altura uterina inferior à esperada para a idade gestacional.
o Confirma-se o caso pela ultrassonografia.
o Em tantos outros casos, é achado ultrassonográfico incidental em exames
realizados por outros motivos.
• Ultrassonografia:
o Qualitativa: impressão subjetiva do examinador
o Quantitativa: ILA e MBV
o 1° Trimestre: diferença menor do que 5 mm entre as medidas do diâmetro
médio do saco gestacional e do comprimento crânio-nádega (CCN).
o Gemelaridade: não se realiza a avaliação pelo método de ILA. O volume de
líquido amniótico é avaliado, nessas gestações, de acordo com a medida do
MB vertical observada em cada uma das cavidades amnióticas. Utiliza-se o
mesmo critério (MB < 2 cm)
• O médico deve rever o cenário clínico após o diagnóstico e identificar possíveis fatores
de risco relacionados e que possam justificar o achado.
o História materna
o Exame físico direcionado
o Pode-se identificar, por exemplo, o uso de certos medicamentos, como anti-
inflamatórios.
o Avaliação ultrassonográfica fetal detalhada: incluindo biometria fetal, pesquisa
de anomalias congênitas, marcadores sugestivos de aneuploidia e
anormalidades placentárias.
o Diante da identificação de anomalias fetais, realiza-se o cariótipo fetal, tendo
em vista que a trissomia do cromossomo 13 e a triploidia fetal são
anormalidades associadas ao oligoâmnio precoce.
PROGNÓSTICO:
MANEJO:
TRATAMENTO:
• Vaginal
• Cirúrgico ou Cesáreo:
o Realizada quando o médico e/ou a paciente acreditam que a via abdominal vai
proporcionar um melhor resultado materno e/ou fetal.
o Indicações se dividem na solicitação materna ou indicação médica.
o Distocia funcional ou falha na progressão do trabalho de parto se deve a falha
das contrações uterinas, variações de posição fetal ou a uma desproporção
cefalopélvica absoluta ou relativa. Deve-se atuar nos fatores corrigíveis, antes
de indicar a cesariana.
o Absolutas:
▪ Cicatriz uterina prévia corporal: o parto vaginal não é recomendado
para mulheres com cicatriz uterina fúndica ou longitudinal de
cesariana anterior, bem como para aquelas submetidas previamente à
miomectomia com comprometimento intramural significativo pelo
risco de rotura uterina também aumenta na tentativa de um parto
normal.
▪ Situação fetal transversa
▪ Herpes genital ativo
▪ Prolapso de cordão
▪ Placenta prévia
▪ Morte materna com feto vivo
▪ Falha imediata da ressuscitação na parada cardiorrespiratória materna
▪ Desproporção cefalopélvica: só pode ser diagnosticada durante a fase
ativa do trabalho de parto, de preferência com 6 cm ou mais de
dilatação cervical. Resulta em parada da progressão do trabalho de
parto. Os sinais clínicos são: dinâmica uterina maior ou igual a 4/10
min, bolsa rota, presença de bossa serossanguínea, edema de colo e
parada de progressão.
▪ Vasa prévia: quando o diagnóstico acontece durante o
acompanhamento pré-natal, devemos considerar uma cesariana
planejada. Se acontecer a rotura do vaso, o nascimento deve ser pela
via mais rápida.
▪ Ruptura uterina
▪ Apresentação pélvica (eletiva)
▪ Gemelar com o primeiro não cefálico
▪ Gemelar monoamniótico
▪ Acretismo placentário
o Relativas:
▪ Macrossomia fetal
▪ Descolamento prematuro de placenta
▪ Gemelar com três ou mais fetos
▪ Cardiotocografia categoria III
▪ Diástole zero ou reversa na artéria umbilical
▪ Alteração no ducto venoso
▪ Apresentação cefálica defletida
▪ Vaginismo
▪ Duas ou mais cesarianas prévias
▪ Situação fetal não tranquilizadora com falha nas medidas corretivas
▪ HIV+ com CV desconhecida ou acima de 1.000 c/mL
▪ História de primoinfecção herpética no terceiro trimestre
▪ Aloimunização
▪ Psicopatias
▪ Fatores obstrutivos do canal do parto
▪ Coactação da aorta e síndrome de Marfan
▪ Iminência de rotura uterina
▪ Acidente grave de punção em amniocentese ou cordocentese
▪ História de distocia de ombro grave em parto anterior
▪ Rotura perineal de quarto grau em parto anterior
▪ Falha da indução de parto bem conduzida
▪ Malformação fetal (meningomielocele, hidrocefalia com macrocrania,
defeito de parede anterior com fígado extracorpóreo, teratomas
sacrococcígeos, hidropsia)
FECHAMENTO 02 – GO – MED8:
CLIMATÉRIO
VISÃO GERAL
FISIOPATOLOGIA
• RELEMBRANDO
o A produção de folículos ovarianos pelas mulheres se inicia a partir da oitava
semana de vida intrauterina por meio da rápida multiplicação mitótica das
células germinativas. Já o envelhecimento do sistema reprodutivo inicia-se
pouco tempo depois, ativando o processo de apoptose celular após atingir o
número máximo de folículos primordiais – cerca de 7 milhões –, por volta da
vigésima semana de gestação. Até o nascimento, cerca de 70% do pool folicular
será perdido por meio desse processo, e ao chegar à puberdade, fase em que
os ovários se tornarão funcionalmente ativos, restarão em média 300 a 500 mil
folículos.
o Até que seu número se esgote na pós-menopausa, os folículos crescem e sofrem
atresia de forma contínua. Esse processo é irrecuperável e ininterrupto,
independentemente de situações como gravidez ou de períodos de anovulação.
o Dos milhões de folículos formados na vida intraútero, apenas 400 terão seu
crescimento resultando em ovulação durante o menacme; o restante é perdido
pelo processo de atresia. O declínio paralelo da quantidade e qualidade dos
folículos contribui para a diminuição da fertilidade. Além disso, o consumo do
pool folicular com o passar dos anos determina alterações hormonais
importantes, responsáveis pelas alterações fisiológicas características do
período peri e pós-menopáusico
• FASES
o PRIMEIRA FASE DO CLIMATÉRIO
▪ Há folículos ovarianos envelhecidos/reduzidos que diminuem a
produção de inibina, havendo aumento leve do hormônio folículo-
estimulante (FSH). Esse aumento faz que as células da granulosa
aumentem ligeiramente a produção de estradiol.
o SEGUNDA FASE DO CLIMATÉRIO
▪ Há número menor de folículos, reduzindo a capacidade e a qualidade
dos ovários, secretando menos estradiol, levando aos sintomas
progressivos de hipoestrogenismo.
▪ Menos inibina, o que provoca a elevação maior do FSH, pois não há mais
retrocontrole negativo na hipófise
• A transição menopausal é caracterizada pela irregularidade do ciclo menstrual devido à
variabilidade hormonal e ovulação inconstante. A diminuição maciça do número de
folículos ovarianos resulta na queda gradual da inibina B, que, por sua vez, desativa o
feedback negativo sobre a hipófise, liberando a secreção de FSH na tentativa de
aumentar o recrutamento folicular. O resultado dos níveis elevados de FSH é a
aceleração da depleção folicular até o seu esgotamento.
• Enquanto houver folículos suficientes, a ovulação ainda é mantida e os níveis de
estradiol permanecerão dentro da normalidade. A contínua perda da reserva folicular
diminui os níveis de estradiol que não são mais suficientes para estimular o pico de
hormônio luteinizante (LH), encerrando, assim, os ciclos ovulatórios. Sem a ovulação
propriamente dita, não há produção de corpo lúteo e consequentemente de
progesterona, além de os níveis de estradiol não serem suficientes para estimular o
endométrio, levando à amenorreia.
• Na pós-menopausa, na tentativa de estimular uma adequada produção de estradiol
pelos ovários, a hipófise é ativada por picos de hormônio liberador de gonadotrofinas
(GnRH) e secreta grandes quantidades de gonadotrofinas, levando as mulheres a um
estado de hipogonadismo hipergonadotrófico. Devido à redução da resposta ovariana
às gonadotrofinas, os níveis de FSH e LH são marcadamente elevados nos primeiros anos
após a menopausa, decrescendo com o envelhecimento.
• Com a diminuição da massa folicular, ocorre relativo aumento no estroma ovariano,
porção responsável pela produção de testosterona e androstenediona.
• A mulher pós-menopáusica não é totalmente desprovida de estrogênio, que segue
sendo sintetizado em níveis muito menores. No ovário, a produção de estradiol é quase
nula. Já, por meio da aromatização periférica da androstenediona no tecido adiposo, a
produção da estrona é mantida e, mesmo em pequenas concentrações circulantes,
passa a ser o principal estrogênio na pós-menopausa. Quanto à progesterona, não há
mais produção.
• O diagnóstico do climatério é clínico, não havendo necessidade de dosagens hormonais
para confirmá-lo quando há irregularidade menstrual ou amenorreia e quadro clínico
compatível. Porém, níveis de FSH acima de 40 mUI/mL e estradiol (E2) menores do que
20 pg/mL são característicos do período pós-menopáusico.
ALTERAÇÕES CLÍNICAS
ALTERAÇÕES HORMONAIS
▪
• PROGESTERONA
o Não há produção de progesterona após a menopausa.
o Na vida reprodutiva, a progesterona protege o endométrio da estimulação
estrogênica excessiva através da regulação de seus receptores e por efeitos
inibitórios diretos.
o Após a menopausa, ainda ocorre produção de estrogênio suficiente para
estimular o tecido endometrial, em especial em mulheres obesas – mas nessa
fase apenas o estimulo do estrogênio sem a proteção da progesterona, torna-
se fator de risco e pode resulta em hiperplasia endometrial e CA de endométrio.
• GONADOTROFINAS
o Como consequência da queda dos níveis dos hormônios ovarianos, o feedback
exercido por eles sobre a hipófise é suavizado e as gonadotrofinas se elevam
consideravelmente.
o Os níveis de FSH podem chegar a 10-20x os valores da prémenopausa, enquanto
os níveis de LH aumentam cerca de 3x.
o O pico hormonal acontece cerca de 1-3 anos após o último período menstrual e
após esses níveis serem atingidos, ocorre declínio gradual das concentrações de
gonadotrofinas.
o Ausência de menstruação associada a níveis elevados de FSH e LH é diagnóstico
de falência ovariana.
ACOMPANHAMENTO CLIMATÉRIO
DIAGNÓSTICO
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
• QUANDO INICIAR
o Na ausência de contraindicações, deve ser instituído no início da falência
ovariana, na menor dose efetiva, visando melhorar a qualidade de vida da
mulher, ou nos primeiros 10 anos após a menopausa.
• INDICAÇÕES
o ALTERAÇÕES VASOMOTORAS
▪ A terapia estrogênica deve ser realizada de forma continuada, e não de
forma cíclica, podendo os fogachos recorrer nos períodos de intervalo
da terapia cíclica. Porém, a recomendação atual é que a TH, para o
tratamento de sintomas vasomotores, deve ser feita pelo menor tempo
possível, de preferência menos de cinco anos, devido aos riscos da TH.
o ALTERAÇÕES ATRÓFICAS
▪ A TH pode ser via sistêmica ou local, mas a potência do estrogênio
conjugado no tecido vaginal parece ser 4x maior que o estrogênio via
oral.
▪ A terapia local é a preferida quando apenas sintomas urogenitais estão
presentes, uma vez que menores doses podem ser utilizadas para
atingir o mesmo efeito sem provocar alterações em outros órgãos e
efeitos colaterais sistêmicos, como sensibilidade mamária, estimulação
endometrial e sangramento de supressão.
▪ A desvantagem na utilização da via tópica consiste na sua incapacidade
de atingir concentrações sistêmicas capazes de tratar fogachos e
prevenir a perda da massa óssea.
▪ Apesar de pouca absorção sistêmica, não deve ser administrado a
pacientes com câncer de mama.
o OSTEOPOROSE
▪ Os estrógenos inibem a reabsorção óssea.
▪ A reposição hormonal é eficaz na prevenção de osteoporose, porem
deve ser indicada com cautela, pois não é isenta de risco (aumento do
risco de doença tromboembólica, neoplasia de endométrio e, segundo
alguns estudos, da incidência de câncer de mama).
▪ Os estrogênios mais utilizados são:
• Equinos conjugados (0,625 mg/dia, VO)
• 17-beta-estradiol (50 mg/dia, transdérmico)
• 17-betaestradiol (1,5 mg/dia, percutâneo)
• 17-beta-estradiol (25-50 mg, subcutâneo, semestral).
▪ Recomenda-se a realização de densitometria óssea para o
rastreamento de osteoporose em todas as mulheres com 65 anos ou
mais. A densitometria também é indicada para mulheres no climatério
com idade inferior a 65 anos que apresentem ao menos um fator de
risco para osteoporose.
• EFEITOS ADVERSOS
o Desenvolvimento de hiperplasia endometrial e câncer de endométrio – em
pacientes que fazem reposição sem associação a um progestógeno o risco pode
ser de 4-7x maior. Com a terapia conjugada o risco é bastante diminuído,
embora não excluído, principalmente se houve uso de estrogênio isolado no
passado.
o Assim, recomenda-se que toda paciente em uso de TH tenha um seguimento
endometrial anual, através de biópsia endometrial ou USG transvaginal.
Espessura menor que 5 mm praticamente elimina a possibilidade de neoplasia
endometrial.
o A TH pode aumentar em até 2x o risco de doença da vesícula biliar. Deve-se
evitar a via oral em pacientes com história de doença.
o TH não deve ser efetuada em pacientes portadoras de hepatopatia aguda ou
crônica – estrogênios tem metabolização hepática. Em casos selecionados pode
ser escolhida outra via não oral.
• CONTRAINDICAÇÕES ABSOLUTAS
o Antecedentes de câncer de mama:
▪ Mulheres que iniciarão uso de TH devem ter mamografia de
rastreamento realizada há no máximo um ano.
▪ Rastreio: para mulheres com risco habitual deve ser iniciado aos 40
anos por meio da mamografia com periodicidade anual (se estiver
normal). O rastreamento do câncer de mama pode ser interrompido
quando a expectativa de vida for menor que sete anos ou quando não
houver condições clínicas para o diagnóstico ou tratamento de uma
mulher com exame alterado. No caso de mulheres com as mamas muito
densas, deve-se ser indicado a realização de USG para rastreio.
o Endométrio recentes
o Tromboembolismo agudo
o Sangramento vaginal de origem indeterminada
o Doenças hepáticas ativas e graves
o Porfiria (grupo de doenças raras causadas por um defeito na produção de
enzimas da hemoglobina, responsável pelo transporte de oxigênio no sangue).
• CONTRAINDICAÇÕES RELATIVAS
o Tromboembolismo prévio
o Doença coronariana
o Hipertensão arterial
o Diabetes mellitus
o Mioma uterino e endometriose
o Doença da vesícula biliar
o Lúpus eritematoso sistêmico
o Melanoma
• VIAS E REGIMES DE REPOSIÇÃO
o Por via oral, podem ser utilizados o estradiol ou os estrogênios conjugados
o Por via transdérmica (adesivo), percutânea (gel) ou subdérmica (implante) o
estradiol é o esteroide disponível.
o A apresentação de creme vaginal pode ser encontrada nos estrogênios
conjugados, o estriol e o promestrieno.
o Estrogênios mais utilizados:
▪ Equinos conjugados na dose de 0,3, 0,45, 0,625 e 1,25 mg/dia. A dose
baixa e também efetiva para os sintomas vasomotores é de 0,3 mg/dia
▪ Estradiol micronizado, nas doses de 0,5 e 1 mg/dia
▪ Etinil estradiol, 5 µg/dia
▪ Valerato de estradiol, 2 mg/dia; Adesivos de estrogênio, 0,025 e 0,05
mg/dia.
o Esquemas de terapia apenas com estrógenos são indicados especificamente
para mulheres histerectomizadas. A exceção ocorre nos casos em que a
indicação da histerectomia foi uma doença estrogênio-dependente, como
endometriose, na qual devemos associar o progestogênio ao esquema
terapêutico.
o TERAPIA DE REPOSIÇÃO COMBINADA
▪ O regime básico mensal da TH para pacientes com o útero preservado
consiste na administração de estrogênios isoladamente durante 3
semanas com associação de um progestógeno durante a última
semana.
▪ A adição da progesterona na TH tem como objetivo promover proteção
endometrial sem interferir nos benefícios estrogênicos, sem
acrescentar efeitos colaterais progestogênico significativos,
principalmente o sangramento uterino.
AMENORREIA:
INTRODUÇÃO:
CLASSIFICAÇÃO:
• Primária:
o Ausência de menstruação sem a ocorrência de menarca
▪ até os 13 ou 14 anos de idade e sendo observada completa ausência de
caracteres sexuais secundários
▪ até os 15 ou 16 anos de idade em meninas com caracteres sexuais
secundários presentes
▪ até três anos após o início do desenvolvimento das mamas, se isto se
deu antes dos 10 anos de idade
o A ausência de início do desenvolvimento da mama aos 13 anos justifica a
investigação.
• Secundária:
o Ausência de menstruação após a menarca
o Quando a menstruação não ocorre por seis meses ou por um período
equivalente a três ciclos habituais em uma mulher que previamente
menstruava, ou seja, que está na idade reprodutiva (menacme).
o É conveniente avaliar mulheres que têm menos de nove ciclos por ano, mas
períodos menores de ausência de menstruação são referidos comumente como
atraso menstrual.
ETIOLOGIA:
• Anatômica:
o Congênitas:
▪ Agenesia Mülleriana
▪ Insensibilidade Androgênica
▪ Hímen Imperfurado
▪ Septo Vaginal
o Adquiridas:
▪ Síndrome de Asherman
▪ Estenose Cervical
• Hipotalâmica:
o Funcional
o Desordem Alimentar
o Deficiência de Gonadotrofinas (ex.: Kallmann)
o Infecções
o Estresse
o Síndrome de Mal Absorção
o Trauma
o Tumor
• Hipofisária:
o Hiperprolactinemia
o Tumor
o Síndrome da Sela Vazia
o Doença Autoimune
o Síndrome de Sheehan
o Síndrome de Cushing
• Ovariana:
o Insuficiência Ovariana
o Genética
o Cirurgia
o Autoimune
o Infecciosa
o Radioterapia/Quimioterapia
o Idiopática
• Outras Causas Endócrinas:
o SOP
o Hiperplasia Adrenal Tardia
o Puberdade Tardia
o Doença da Tireoide
o Doenças Crônicas
o Síndrome de Cushing
o Tumores produtores de androgênio – ovário e adrenal
INVESTIGAÇÃO/DIAGNÓSTICO:
• Anamnese:
o Presença ou ausência de caracteres sexuais secundários?
▪ É importante investigar o período de surgimento da telarca e da
pubarca, pois a presença de ambas associadas ao estirão do
crescimento caracteriza o processo puberal.
▪ Desenvolvimento inadequado das mamas sugere deficiência de
estradiol
▪ Ausência ou escassez de pelos, principalmente com mamas
normodesenvolvidas, sugere deficiência de receptores androgênicos.
o Crescimento estatural adequado?
▪ Retardo no crescimento pode associar-se à síndrome de Turner ou,
menos frequentemente, à deficiência de hormônio de crescimento
(GH).
o Presença de estresse, alteração de peso, alteração de hábitos alimentares e
atividade física ou de doenças crônicas?
▪ Essas manifestações podem associar-se à amenorreia hipotalâmica ou
hipofisária.
▪ Anorexia nervosa e outros distúrbios alimentares estão associados ao
estresse e à desnutrição, podendo provocar amenorreia de origem
central ou psicogênica.
▪ O hipotireoidismo primário e o diabetes tipo II podem ocasionar
hiperprolactinemia e hiperinsulinemia, respectivamente, causando
amenorreia.
o Presença de dor pélvica cíclica (cólica) de caráter progressivo, associada à
amenorreia primária?
▪ Nesta situação, com hormônios normais e útero funcionante, pode
haver obstrução do fluxo menstrual.
o Presença de fogachos ou secura vaginal?
▪ Tais sintomas sugerem hipoestrogenismo, especialmente quando
concomitantes com distúrbios do sono e sintomas neurovegetativos, e
podem ser decorrentes de falência ovariana prematura.
o Sinais e sintomas de hiperandrogenismo (acne, hirsutismo, virilização)?
▪ Essas manifestações podem relacionar-se à anovulação
hiperandrogênica característica da síndrome dos ovários policísticos,
mas também presente na hiperplasia adrenal congênita forma não
clássica.
o Presença de secreção nas mamas?
▪ Galactorreia espontânea ou à expressão das mamas sugere
hiperprolactinemia.
o Ausência da menstruação pós-parto?
▪ Especialmente com a caracterização de agalactia, pode sugerir
síndrome de Sheehan.
• Exame Físico:
o Altura, peso, índice de massa corporal
▪ Síndrome de Turner: estatura baixa pode ser sugestiva
▪ Síndrome de insensibilidade androgênica completa: estatura alta pode
fazer parte das características sugestivas da doença.
▪ Obesidade e desnutrição ou perda rápida de peso podem estar
associadas a alterações do padrão menstrual.
o O estágio de desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários (estágios de
Tanner) indica o nível de atividade estrogênica.
o Presença de estigmas somáticos, como pescoço alado, baixa estatura, palato em
ogiva e malformações do trato urinário, auxilia no diagnóstico de disgenesia
gonadal.
o Envergadura: considerada normal quando igual ou até 2 cm maior do que a
estatura do indivíduo. Alterada pode indicar alguns estados de hipogonadismo.
o Na presença de hirsutismo, classificar de acordo com o índice de Ferriman-
Gallwey modificado.
o Exame genital: o diagnóstico de hímen imperfurado pode ser feito por inspeção
vulvar; já o diagnóstico de vagina curta, pela introdução de cotonete ou de
histerômetro através do introito vaginal.
o No exame, deve-se avaliar sinais de atrofia genital
o Em pacientes que já iniciaram vida sexual, o exame especular pode auxiliar na
avaliação de outras malformações vaginais e de colo, e o toque bimanual, na
avaliação dos órgãos pélvicos.
• Exames Laboratoriais:
o Dosagem sérica de hormônio folículo-estimulante (FSH): indicar
comprometimento da reserva ovariana.
▪ Importante para definir se há ou não hipoestrogenismo
▪ Quando acima de 12-20 mUI/mL, indica baixa reserva folicular ovariana,
e valores acima de 25 mUI/mL sugerem falência ovariana
▪ FSH Normal pode estar presente nas anovulações como na SOP
o Dosagem de prolactina plasmática principalmente na amenorreia secundária:
▪ Elevada: indica o diagnóstico de hiperprolactinemia
▪ Na hiperprolactinemia não relacionada a medicamento e na disfunção
hipotálamo-hipofisária, indica-se exame de imagem da sela túrcica para
investigar causa tumoral.
▪ Casos com prolactina normal e FSH elevado: sugere insuficiência
ovariana.
▪ Casos com prolactina normal e FSH supresso: doença central (disfunção
hipotalâmica ou hipofisária).
o Quando houver suspeita de disfunção tireoidiana, incluir TSH.
o Os sinais ou sintomas de hiperandrogenismo clínico devem ser investigados
com a dosagem de androgênios, incluindo dosagem de 17-OH-progesterona,
testosterona e sulfato de deidroepiandrosterona (DHEA-S), que podem auxiliar
no diagnóstico diferencial e determinar se a origem do hiperandrogenismo é
ovariana ou adrenal.
o Na disfunção hipotálamo-hipofisária (hipogonadismo hipogonadotrófico), para
investigar a origem hipotalâmica ou hipofisária, pode ser realizado o teste de
estímulo com Luteinizing hormone-releasing hormone (LHRH)
▪ A elevação dos níveis de gonadotrofinas após a administração de LHRH
indica que a disfunção é no hipotálamo, e teste negativo, quando não
há elevação das gonadotrofinas, disfunção na hipófise.
• Exames de Imagem:
o USG Pélvica por via transvaginal ou por via abdominal em mulheres que não
iniciaram atividade sexual.
▪ Importante nas amenorreias primárias, quando pode mostrar ausência
do útero, identificação de malformações uterinas ou obstruções ao
fluxo menstrual.
▪ Nas amenorreias secundárias: síndrome dos ovários policísticos.
o Ressonância Magnética:
▪ Não é solicitada rotineiramente
▪ Pélvica: para casos de malformação dos órgãos genitais
▪ Sela Túrcica ou Crânio: investigar tumores, especialmente nos casos de
amenorreia central ou hipogonadotrófica.
o Histerossonografia, histerossalpingografia ou histeroscopia podem mostrar
sinéquias e obliteração da cavidade.
• Análise de Cariótipo:
o Indicado nas amenorreias hipergonadotróficas (níveis de FSH elevados) que se
manifestem como amenorreia primária ou nas que se manifestam como
amenorreia secundária em mulheres com menos de 30 anos.
o Amenorreias primárias com ausência de útero e FSH normal, quando é preciso
incluir dosagem de testosterona para investigar a síndrome de insensibilidade
androgênica.
o Deve-se levar em consideração alguns parâmetros para solicitar:
▪ Presença ou ausência de desenvolvimento mamário: marcador da ação
estrogênica, portanto de função ovariana em algum momento.
▪ Presença ou ausência de útero determinada por meio de exame clínico,
de ultrassom ou de ressonância magnética em casos mais complexos.
▪ Nível sérico de FSH:
➢ Elevado indica insuficiência ovariana.
➢ Normal e com útero ausente indica malformação mülleriana ou
síndrome de insensibilidade androgênica (neste caso, o nível de
testosterona é compatível com níveis do sexo masculino.).
➢ Baixo ou normal e com útero presente: deve-se considerar
todas as causas de amenorreia com eugonadismo e de
hipogonadismo hipogonadotrófico.
RESUMO DA INVESTIGAÇÃO DA AMENORREIA PRIMÁRIA:
TRATAMENTO:
• Hiperprolactinemia:
o Tratamento com agonistas dopaminérgicos.
o Bromocriptina é empregada na dose inicial de 1,25 mg por dia, durante os
primeiros sete dias.
o A seguir, é aumentada gradualmente, dividida em duas a três tomadas diárias,
até que se obtenha o controle dos sintomas.
o Cabergolina é outro agente dopaminérgico com mais especificidade, com
menos efeitos colaterais
o A dose inicial é de 0,5 mg, uma vez por semana, com aumento gradativo de
acordo com o controle clínico dos sintomas e dos níveis de prolactina.
o Reavaliações são feitas a cada quatro a oito semanas e as doses do
medicamento, reajustadas.
o Prolactinomas - Adenomas hipofisários produtores de prolactina, o tratamento
cirúrgico atualmente é pouco utilizado por se obter controle com o uso do
agonista dopaminérgico.
• Hipotiroidismo:
o A reposição de hormônio tiroidiano pode ser suficiente para o retorno da
menstruação, com normalização dos níveis de prolactina.
• Hipoestrogenismo:
o Amenorreia primária sem desenvolvimento dos caracteres sexuais
secundários: deve-se começar o tratamento com pequenas doses de
estrogênio e, posteriormente, aumentá-la até o desenvolvimento mamário,
com posterior inclusão de progestagênio. Deve-se elevar a dose estrogênica
até atingir dose da fase adulta.
o Na deficiência estrogênica em mulheres adultas: reposição com estrogênios
conjugados ou estradiol por diferentes vias. Nas mulheres com útero, a adição
de progestagênio é necessária para prevenir o câncer de endométrio.
o Quando o hipoestrogenismo for decorrente de situações reversíveis, pode-se
proceder à reposição estroprogestativa concomitantemente ao tratamento
específico para a causa (exemplo: desordens alimentares ou algumas doenças
crônicas), até o restabelecimento da função ovariana.
• Anovulação Hiperandrogênica:
o Hiperandrogenismo Iatrogênico, por uso exógeno de androgênio, deve-se
orientar a interrupção do fármaco ou substância desencadeante.
o Na deficiência enzimática da suprarrenal (hiperplasia adrenal congênita de
manifestação tardia), tratamento com prednisona 2,5 mg a 7,5 mg ao dia ou
dexametasona 0,25 mg a 1 mg ao dia.
o Na síndrome dos ovários policísticos, o tratamento da amenorreia é feito com
a ministração de progestagênios cíclicos isolados ou combinados com
estrogênio, que promovem regularização do ciclo menstrual e proteção contra
carcinoma endometrial, porém o uso cíclico de progestagênios não trata o
hiperandrogenismo.
o Alteração do estilo de vida e perda de peso – principalmente para o controle
da resistência insulínica, algumas vezes torna-se necessário o uso de drogas
sensibilizadoras como a metformina
o Em muitos casos de amenorreia de origem hipotalâmica, recomenda-se apoio
psicológico e/ou psiquiátrico, bem como acompanhamento multidisciplinar.
• Tratamento Cirurgico: indicado nas neoplasias ovarianas e de suprarrenal, bem como
na síndrome de Cushing com presença de tumor,nas sinéquias intrauterinas (lise por
histeroscopia, podendo ser seguida da colocação de dispositivo intrauterino, associado
ou não à terapia estrogênica).
FECHAMENTO 3 – SAÚDE DA MULHER – SANGRAMENTO UTERINO ANORMAL
• AGUDO
o Sangramento em que seja necessária uma intervenção para interromper a
perda.
• CRÔNICO
o Ocorrendo pelo menos nos últimos 6 meses
• Frequência: 24 a 28 dias
• Regularidade:
o Variação de 7 a 9 dias
o Mulheres na perimenopausa ou com menos de 25 anos pode variar até 20 dias
• Duração: até 8 dias
• Volume: até 80 ml, sendo subjetiva a avaliação e levando em consideração se atrapalha
as atividades de vida diária nos casos de aumento de volume.
SANGRAMENTO INTERMENSTRUAL
• MEIO DO CICLO
o Fisiológico e comum
o Queda do estradiol antes da ovulação
• CÍCLICO PRÉ-MENSTRUAL OU PÓS-MENSTRUAL
o Defeito da fase lútea ou devido a patologias estruturais genitais
• ACÍCLICO/ALEATÓRIO
o BENIGNAS: cervicites ou pólipos
o MALIGNAS: CA de Colo de útero ou do Endométrio
TERMOS IMPORTANTES
• ESTRUTURAIAS
o P – Pólipo
o A – Adenomiose
o L – Leimioma
o M – Malignidade e hiperplasia
• NÃO ESTRUTURAIS
o C – Coagulopatia
▪ Quando suspeitar?
• Histórico familiar / pessoal hemorrágico
• Fluxo aumentado desde a menarca
• Epistaxe
• Hematoma maior que 2 cm sem causa
• Sangramento de feridas muito pequenas
• Sangramento prolongado oral ou gastrointestinal sem lesão
após extração dentária ou pós-cirúrgico
▪ Mais frequente: Síndrome de Von Willebrand
o O – Ovulatória
▪ SOP (hiperandrogenismo)
▪ Exercício físico de alta intensidade e excessivo
▪ Insuficiência ovariana prematura
▪ Anorexia nervosa
▪ Doenças crônicas
▪ Estresse
▪ Bulimia
▪ Alcoolismo e drogas
▪ Diabetes
▪ Hipo/hipertireoidismo
o E – Endometrial
▪ Distúrbios primários do endométrio
• Alteração local da hemostasia
• Inflamação - endometrite (Clamídia)
▪ Difícil diagnóstico
▪ Realizar biópsia para confirmação
o I – Iatrogênica
▪ DIU de cobre ou SIU de levonorgestrel
▪ Anticoncepcionais hormonais
▪ Análogos do GnRh
▪ Inibidores da aromatase
▪ SERMs/SPRMs (agonistas parciais de estrogênio ou de progesterona)
▪ Anticoagulantes
▪ Agonistas e antagonistas dopaminérgicos
o N – Não classificada
▪ Má formação arteriovenosas/ mullerianas
▪ Hipertrofia miometrial
▪ Istmocele: falha na cicatrização da cesárea
DIAGNÓSTICO DO SUA:
CONDUTA:
• Agudo:
1) Realizar teste de gravidez
2) Estável hemodinamicamente? Não: medidas de estabilização e reposição
volêmica/transfusão
3) Estável hemodinamicamente? Sim: seguir na coleta de dados clínicos (PA, FC,
hidratação e hemograma)
4) História detalhada, exame clínico e ginecológico. Quando possível e/ou
necessário: USG pélvico e investigação laboratorial
5) Seguir para o tratamento medicamentoso
6) Paciente seguiu instável hemodinamicamente ou sem melhora ao TTO
medicamento: TTO cirúrgico
• TTO Medicamentoso:
o ACHO 50 mcg EE de 6/6h VO
o Progéstageno isolado em altas doses VO
o Ácido Tranexâmico 3-4x ao dia em altas doses VO ou EV
o Ácido aminocapróico EV
• TTO do SUA Crônico:
o Deve-se investigar a causa e tratá-la
o ACHO: provocam atrofia endometrial e melhoram 50% do sangramento
o Progestágenos em altas doses: provoca atrofia endometrial
o SIU levonorgestrel: ação local, amenorreia em 85% dos casos
o AINEs: melhoram 30% do sangramento
o Ácido Tranexâmico: antifibrinolítico, melhora o sangramento em cerca de 50%.
• TTO Cirúrgico:
o Ablação Endometrial: cauterização intraútero
o Embolização ou Ligadura das Artérias Uterinas
o Curetagem
o Histerectomia
• ETIOLOGIA
o O pólipo cervical é definido como uma projeção digitiforme do tecido glandular
que recobre o canal cervical, resultado de uma hipertrofia focal desse tecido, e
podem ser endocervicais ou ectocervicais
o São considerados as neoplasias benignas mais comuns do colo do útero
o Sua etiopatogenia está relacionada com múltiplos fatores proliferativos que
atuam no epitélio glandular, como inflamação crônica, congestão vascular e
estímulo hormonal.
o Habitualmente, são friáveis em forma de lágrima ou lobulado, com superfície
brilhosa e coloração avermelhada, púrpura ou cor rosada, dependendo da sua
vascularização. Seu pedículo pode ser longo e fino, mas também curto e com
base larga.
o Histologicamente, os pólipos cervicais são caracterizados por estroma vascular
do tecido conectivo coberto por epitélio, que pode ser colunar, escamoso ou
escamocolunar.
• DIAGNÓSTICO
o Frequentemente, é possível o diagnóstico por meio do exame especular,
quando o pólipo se exterioriza pelo orifício externo do colo, podendo-se avaliar
a superfície dele e em alguns casos sua extensão, se há sangramento ativo ou
ulcerações.
o Quando não exteriorizados pelo orifício externo, pode-se utilizar a pinça de
Menckel ou Kogan, que foi desenvolvida para explorar o canal, principalmente
em casos de sinusiorragia, para visualizá-los.
o Deve ser feito o diagnóstico diferencial com mioma parido, PE e neoplasia
o Ocasionalmente, o diagnóstico de pólipo endocervical é sugerido em
ultrassonografia transvaginal de rotina, com o achado de dilatação e/ou
irregularidade no trajeto do canal cervical. Com uso do Doppler, é possível
avaliar a vascularização dos pólipos endocervicais com maior volume e base
mais larga.
o A colposcopia, pode avaliar melhor, a superfície de pólipos na ectocérvice, mas
não é o melhor exame na avaliação dos pólipos endocervicais com base distante
da junção escamocolunar
o Na propedêutica de infertilidade, é comum a suspeição da presença de pólipo
endocervical em alguns exames, como falhas de enchimento no trajeto do canal
cervical na histerossalpingografia ou sua visualização na histerossonografia,
ultrassonografia e histeroscopia diagnóstica
o A histeroscopia, é o padrão-ouro no diagnóstico de pólipo endocervical. É o
exame capaz de avaliar a lesão em toda a sua extensão, caracterizando o
tamanho, forma, coloração, vascularização, localização e a base de implantação
do pólipo endocervical. Permite ainda a realização de biópsia da lesão e, nos
casos possíveis e em que haja indicação, a exérese dos pólipos.
o A avaliação histeroscópica é necessária e importante, já que hoje se sabe que
15% a 20% dos pólipos diagnosticados como endocervicais são, na realidade,
endometriais e que 25% dos casos de PEs coexistem com um pólipo
endocervical, fazendo-se necessária a avaliação da cavidade uterina
o Os pólipos ectocervicias e os endocervicais em que se identifica a base, podem
ser retirados na consulta ginecológica, utilizando-se uma pinça de Hallis para
apreender a maior parte do corpo do pólipo, seguindo-se a rotação da pinça em
seu próprio eixo, até a liberação de toda a lesão.
o O pólipo com base larga deverá ser retirado com o uso de energia para que se
faça hemostasia.
o Os outros pólipos endocervicais sintomáticos, volumosos (de 3 cm ou mais) ou
de aparência atípica deverão ser removidos por histeroscopia. A histeroscopia
permite a visão detalhada da lesão, possibilitando a retirada completa da lesão,
diminuindo risco de recidiva e sangramento local. O procedimento é
ambulatorial, sendo possível a polipectomia com o uso de pinças e tesouras no
mesmo momento do exame diagnóstico.
o É mandatório o envio dos pólipos para estudo anatomopatológico, mesmo
sendo rara a malignização dele
• VISÃO GERAL
o Os PEs são projeções da mucosa endometrial que podem apresentar base larga
ou pediculada, ser únicos ou múltiplos e variar de alguns milímetros a alguns
centímetros de tamanho
o São habitualmente lisos, regulares e com rede vascular pouco desenvolvida,
contendo quantidade variável de glândulas e estroma.
• ETIOLOGIA
o O crescimento do PE está relacionado à perda o mecanismo pró-apoptótico
dele, associada à hiperexpressão do gene bcl-2. Essa alteração parece
correlacionar-se com o hiperestrogenismo, uma vez que o estrogênio aumenta
a expressão do bcl-2.
o A maior parte dos PEs tem a superfície homogênea e de coloração
esbranquiçada e frequentemente revestida por endométrio. Pode apresentar
superfície hemorrágica em caso de sangramento ou infarto pela torção da base.
Sob visão histeroscópica, os pólipos com transformação maligna, na maioria das
vezes, apresentam vascularização aumentada e irregular, com consistência
amolecida, áreas de necrose e sangramento.
o A transformação maligna do PE poderia ser induzida por certas medicações,
sendo a principal o estrogênio isolado. O tamoxifeno é uma droga com ação
antiestrogênica no tecido mamário, por isso tem sido usado com sucesso na
terapia adjuvante em pacientes com câncer de mama ou alto risco para ele. No
tecido endometrial, o tamoxifeno age como agonista estrogênico de baixa
potência, desencadeando uma série de alterações como PE, hiperplasia e
carcinoma
o TIPO FIBROSOS OU FIBROCÍSΤICOS
▪ Possuem características atróficas. Provável forma regressiva do pólipo
funcional ou hiperplásico. O estroma fibroso predomina em relação ao
conteúdo vascular e glandular. Mais frequentes em mulheres idosas
o TIPO FUNCIONAIS OU MUCOSOS
▪ Apresentam modificações semelhantes ao endométrio que os circunda.
Quando menores que 1 cm, podem descamar com a menstruação e são
considerados pseudopólipos. Os verdadeiros pólipos funcionais não
descamam na menstruação
o TIPO ADENOMATOSOS
▪ O seu estroma é constituído principalmente por músculo liso.
o TIPO HIPERPLÁSICOS
▪ Exibem glândulas hiperplásicas, com ou sem dilatação cística.
▪ A hiperplasia caracteriza-se pela proliferação das glândulas
endometriais, levando à redução da relação glândula/estroma.
▪ À visão histeroscópica, podem apresentar-se com vascularização
aumentada e irregular. Mais prevalente na perimenopausa, período em
que há maior exposição estrogênica sem contraposição da
progesterona.
• DIAGNÓSTICO
o A ultrassonografia transvaginal é um método de alta sensibilidade e
especificidade no diagnóstico do PE. A associação do Doppler colorido ao exame
aumenta a capacidade diagnóstica do método, ao permitir a identificação de
um vaso nutridor único, típico do PE
o O PE pode ser identificado na ultrassonografia como espessamento endometrial
focal quando a lesão não pode ser bem diferenciada do endométrio adjacente.
A histeroscopia é o padrão-ouro para diagnóstico e tratamento, uma vez que
permite acesso visual direto da cavidade uterina.
o Com o uso mais regular da histeroscopia, por exemplo, na propedêutica da
infertilidade, houve aumento do diagnóstico de PE e, com isso, maior número
de indicação cirúrgica.
o A histerossonografia e a histerossalpingografia também podem sugerir a
presença de lesão polipoide uterina.
• TRATAMENTO
o Tratamento do PE por via histeroscópica pode ser dividido em ambulatorial e
hospitalar. O tratamento ambulatorial pode ser realizado durante o diagnóstico
do pólipo – see and treat – utilizando-se pinças de apreensão/corte e/ou meios
de energia de pequeno diâmetro “miniressectoscópio” ou laser
o O grande limitador da polipectomia endometrial é o tamanho da base da lesão.
Lesões com bases muito extensas costumam gerar desconforto maior durante
a polipectomia.
o A paciente deve ser orientada sobre o procedimento e é mandatório que se
respeite o limiar de dor, que é muito variável
ADENOMIOSE
VISÃO GERAL
CLASSIFICAÇÃO
FATORES DE RISCO
• Idade de 40 a 50 anos;
• Menarca precoce (menor de 10 anos de idade);
• Ciclos menstruais curtos (menor de 24 dias de intervalo);
• Uso prévio de contraceptivos hormonais e tamoxifeno;
• Índice de massa corporal elevado;
• Multiparidade (mais de duas gestações);
• História de abortamento;
• Cirurgias uterinas prévias
FISIOPATOLOGIA
DIAGNÓSTICO
TRATAMENTO CIRÚRGICO
• HISTERECTOMIA
o A histerectomia é considerada o tratamento definitivo da adenomiose.
o Está bem indicada nas mulheres com prole concluída, geralmente após os 40
anos de idade, com sintomas intensos de sangramento uterino anormal e
dismenorreia, que não responderam a outra terapêutica, seja hormonal ou
intervenções de menor invasão.
o Com frequência, encontra-se a adenomiose associada a outras doenças que
possam também necessitar de tratamento cirúrgico contemporâneo ao
tratamento da adenomiose, tais como endometriose, miomas uterinos,
hiperplasia endometrial e pólipos endometriais
o A histerectomia total é a mais preconizada, principalmente quando associada a
endometriose.
• CIRURGIA CONSERVADORA
o O fato de as mulheres adiarem a época da maternidade para além dos 30 anos
leva ao risco de a adenomiose ocorrer antes de elas gestarem, podendo ser, em
algumas situações, cogitada com fator de infertilidade. Além disso, há uma
forma cística de endometriose que acomete as mulheres jovens. Para essas
pacientes, existe uma demanda de procedimentos que sejam conservadores do
útero.
o Excisão completa da adenomiose:
▪ Adenomiomectomia
▪ Cistectomia
o Cirurgia citorredutora/adenomiomectomia parcial: adenomiose difusa.
▪ Técnica clássica
▪ Incisão transversa em H
▪ Ressecção em cunha
▪ Dissecção assimétrica
o Técnicas não excisionais:
▪ Ligadura da [Link]
▪ Eletrocoagulação do miométrio
▪ Histeroscópicas: ressecção endometrial, ablação endometrial,
cistectomia
▪ Outras: US de alta frequência, instilação de álcool em adenomiose
cística, ablação endometrial por radiofrequência, micro-ondas, balão
ADENOMIOMA CÍSTICO
LEIOMIOMATOSE:
INTRODUÇÃO:
• Tumor benigno monoclonal formado por fibras musculares lisas, entrelaçadas por
tecido conectivo.
• Macroscopia: arredondados, fibroelásticos e esbranquiçados
• Possuem uma pseudocápsula – plano de clivagem: plano de separação do miométrio
• Em dois terços dos casos, os tumores são múltiplos.
• Constitui uma das principais indicações operatórias
• Incidência: 50-80% das mulheres durante o menacme
• Com base em achados ultrassonográficos, cerca de 50% das mulheres apresentam
mioma, com predomínio entre 35 e 50 anos de idade
• Corresponde a dois terços das indicações de histerectomia em mulheres nessa mesma
faixa etária
FATORES DE RISCO:
FATORES PROTETORES:
CLASSIFICAÇÃO:
• Localização no útero:
o Corporais - 98% dos casos - subdivididos em subserosos, intramurais e
submucosos
o Cervicais
o OBS.: o mioma parido é um tipo raro em que um mioma submucoso pediculado
se exterioriza pelo colo de útero.
o OBS.: os miomas parasitas são aqueles que perdem contato com o útero e
recebem fluxo sanguíneo de outros órgãos.
• FIGO:
0 – Intracavitário, pediculado
1- Submucoso, < 50% intramural
2- Submucoso, >50% intramural
3- Intramural, tangenciando o endométrio
4- Intramural
5- Subseroso, > 50% intramural
6- Subseroro, < 50% intramural
7- Subseroro, pediculado
8- Outros (cervical, parasita)
ETIOPATOGENIA:
QUADRO CLÍNICO:
DIAGNÓSTICO:
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL:
• Adenomiose
• Adenomioma
• Pólipo endometrial
• Tumor anexial
• Endometriose
• Tumor malignos do útero
• Câncer de endométrio
• Sarcoma do útero
• Infecção urinária
• Doenças intestinais
• Gravidez
TRATAMENTO:
ENDOMETRIOSE:
FATORES DE RISCO:
FISIOPATOLOGIA:
QUADRO CLÍNICO:
ESTADIAMENTO – ASMR:
DIAGNÓSTICO:
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL:
• DIP
• Mioma em degeneração
• Cisto ovariano hemorrágico
• Torção ovariana
• Dismenorreia primária
• Gravidez ectópica
• Cistite
• ITU crônica
• Diverticulite
• Nefrolitíase
• Linfadenite mesentérica
TRATAMENTO:
VISÃO GERAL
CLASSIFICAÇÃO
Hipertensão gestacional
Pré-eclâmpsia
Eclâmpsia
Hipertensão crônica
Hipertensão arterial crônica com pré-eclâmpsia superajuntada
FATORES DE RISCO
ETIOLOGIA
FISIOPATOLOGIA
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico de DHEG deve ser presumido nas gestantes com hipertensão arterial,
edema e/ou proteinúria significativa após 20 semanas de gestação.
A probabilidade de acerto no diagnóstico clínico é maior se a paciente for primigesta e
com história de pré-eclâmpsia ou eclampsia.
Deve-se avaliar a pressão arterial, presença de edema generalizado (parede abdominal,
pernas, face, região lombossacra e mãos), aumento de peso acima de 1000g por
semana, proteinúria com valores iguais ou maiores a 300mg de proteína na urina
coletada durante 24h
Embora o curso da DHEG tenha início na ocasião da placentação, as manifestações
clínicas geralmente são tardias, ou seja, ocorrem no último trimestre da gravidez.
Entretanto, quando essas manifestações surgem em idades gestacionais precoces,
guardam relação direta com os piores resultados maternos e perinatais, devendo alertar
para a presença de hipertensão arterial prévia à gestação, trombofilias ou doença renal
preexistente. A única exceção é a doença trofoblástica gestacional, que pode estar
associada à DHEG no início da gestação.
TESTE DE HIPERTENSÃO SUPINA
o Permite, entre 28-32 semanas da prenhez, prever o aparecimento, mais tarde,
da DHEG.
o Considera-se o exame positivo quando mudando-se a paciente do decúbito
lateral para o dorsal a tensão diastólica eleva-se de no mínimo 20mmHg
EXAME DO FUNDO-DOS-OLHOS
o Traduz apenas o espasmo arteriolar.
o Nos casos mais graves há edema de pupila, exsudatos em “flocos de algodão”,
hemorragias e edema sub-retiniano que pode levar ao deslocamento da retina
BIOPSIA RENAL
o Autentica o diagnóstico ao documentar a lesão glomerular
DOPPLER
o A presença de incisura bilateral no início da diástole, após 20-24 semanas de
gravidez, associada à relação A/B média das artérias uterinas > 2,6 é sinal
indicativo de DHEG
PRÉ-ECLÂMPSIA
VISÃO GERAL
FATORES DE RISCO
DIAGNÓSTICO
Nas formas graves, a paciente deve ser internada em enfermaria de gestação de alto
risco.
A gravidez pode ser seguida até que se observe alguma anormalidade que indique sua
interrupção ou até que se atinja a idade gestacional de 37 semanas.
A pré-eclâmpsia de alto risco é marcada pela presença de hipertensão grave (pressão
arterial sistólica ≥ 160 mmHg e/ou pressão arterial diastólica ≥ 110 mmHg.) e/ou um ou
mais dos seguintes sintomas:
o Dor de cabeça persistente ou severa.
o Alterações visuais (fotofobia, flashes, escotomas, visão borrada).
o Dor abdominal.
o Alterações do estado mental (confusão, agitação, alteração do
comportamento).
o Falta de ar.
Na avaliação da vitalidade fetal, utilizam-se os seguintes exames:
o Cardiotocografia fetal, perfil biofísico fetal e exames Dopplervelocimétricos.
Até que se consiga o controle adequado da pressão arterial, a avaliação da vitalidade
fetal deve ser feita diariamente e depois duas a três vezes por semana.
Avalia-se o crescimento fetal por meio da ultrassonografia obstétrica a cada 15 dias.
Na presença de alterações da Dopplervelocimetria ou em caso de instabilidade clínica
materna, a avaliação da vitalidade fetal deve ser diária.
A interrupção da gestação está indicada diante de controle materno ineficaz ou de
alterações da vitalidade.
O término da gestação pode ser imediato ou mediato:
o IMEDIATO
Iminência de eclâmpsia.
Mal controle pressórico (já em uso de três drogas hipotensoras em dose
máxima).
Diástole reversa nas artérias umbilicais.
Índice de pulsatilidade para veias do ducto venoso ≥ 1,5.
Perfil biofísico fetal ≤ 6 (se igual a 6, requer repetição do exame em 6
horas e, se mantido, está indicada a interrupção da gestação).
Desacelerações tardias de repetição na cardiotoco-grafia.
Oligoâmnio grave (índice do líquido amniótico – ILA – < 3,0 cm).
o MEDIATO (APÓS USO DE CORTICOIDE ANTENATAL)
Índice de pulsatilidade para veias do ducto venoso > 1,0 e < 1,5.
Oligoâmnio (ILA entre 3,0 e 5,0 cm).
Doppler de ducto venoso (1,0 < IPV < 1,5)
MANEJO PRÉ-ECLÂMPSIA
O parto terapêutico, quando indicado, pode ser realizado por meio de indução do
trabalho de parto. Nesse caso, ao iniciarem as contrações, administra-se o sulfato de
magnésio (esquema de Pritchard) para a profilaxia da convulsão no parto e ele é
mantido por até 24 horas depois do parto.
Após o parto, nos casos leves, a paciente é mantida sem drogas hipotensoras e realizam-
se controles da pressão arterial nas primeiras 72 horas após o parto.
Quando necessário, diante de pressão arterial diastólica > 100 mmHg, reintroduz-se a
medicação anterior. Nas pacientes com formas graves, em uso de medicação em doses
maiores ou drogas associadas, sugere-se a manutenção da medicação, com ajustes, até
estabilização pressórica da paciente.
Em caso de DHEG sobreposta, não são retiradas as drogas.
É importante lembrar que no pós-parto de pacientes com síndrome hipertensiva
habitualmente ocorre queda dos níveis pressóricos nas primeiras 24 a 48 horas,
podendo haver posterior elevação da pressão a partir do terceiro dia até o sétimo dia
pós-parto (associada à reabsorção do líquido retido no espaço extravascular, com
aumento da volemia).
Nas formas graves, recomenda-se retorno precoce no puerpério para reavaliação da
pressão arterial e ajuste medicamentoso, se necessário.
O aumento da pressão arterial no puerpério ainda pode estar relacionado ao uso de
anti-inflamatórios não hormonais e derivados do ergot, que não devem ser empregados
em pacientes hipertensas.
Após o parto, se necessário, pode-se lançar mão de medicamentos contraindicados na
gravidez, como os inibidores da enzima conversora da angiotensina e os antagonistas
dos receptores de angiotensina, sem prejuízo da lactação.
-
FORMA GRAVE DA PRÉ-ECLÂMPSIA – SÍNDROME DE HELLP
VISÃO GERAL
Definida pelo acrônimo que sintetiza a presença de hemólise (H), elevação enzimas
hepáticas e plaquetopenia, é uma forma de pré-eclâmpsia (PE) em que a disfunção
endotelial se manifesta principalmente pela ativação da coagulação e pela disfunção
hepática, detectadas por meio de exames laboratoriais, sendo possível se apresentar
clinicamente com pressão arterial normal e/ou sem proteinúria.
ETIOLOGIA
HEMÓLISE
o A vasoconstrição presente na doença instalada danifica o endotélio vascular,
formando uma matriz de fibrina que prejudica a dinâmica da circulação das
hemácias na microcirculação.
o Estas sofrem modificações estruturais, e emergem na circulação formas
anômalas tais como esquizócitos e equinócitos, identificadas no esfregaço de
sangue periférico e indicativas de anemia hemolítica microangiopática, um
marco da síndrome.
ELEVAÇÃO DE ENZIMAS HEPÁTICAS
o A alteração enzimática hepática deve-se à lesão de hepatócitos por obstrução
dos sinusoides com fibrina, conforme já explicitado anteriormente.
o As dificuldades circulatórias levam a congestão e distensão da cápsula de
Glisson (causa da dor em hipocôndrio direito), podendo ocorrer necrose
periportal, focos hemorrágicos difusos ou confluentes com capacidade de
formação de hematomas de grandes proporções que podem se manter restritos
em posição subcapsular ou romper para a cavidade, gerando hemorragias
catastróficas e usualmente fatais
PLAQUETOPENIA
o As lesões endoteliais ativam as plaquetas, induzindo sua agregação, formação
de trombos e liberação de aminas vasoativas que agravam o vasoespasmo.
o O consumo exacerbado das plaquetas não consegue ser compensado pela
medula óssea, resultando, assim, em plaquetopenia.
o Acrescente-se, ainda, que a ativação da coagulação pode progredir para a
importante
instalação de CIVD e quadros hemorrágicos de difícil controle.
QUADRO CLÍNICO
DIAGNÓSTICO
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
Classe I
o ≤ 50.000/mm3
Classe II
o > 50.000/mm3 ≤ 100.000/mm3
Classe III
o > 100.000/mm3
TRATAMENTO
Diagnosticar
o Considerar a hipótese diagnóstica. Dor em hipocôndrio direito é um sinal
sugestivo. Prossiga na investigação laboratorial antes de complicações
Avaliar as condições maternas
o Definir condições clínicas e laboratoriais, a necessidade de unidade de
tratamento semi ou intensivo e realizar a propedêutica adequada
Avaliar e melhorar as condições fetais
o Por meio de perfil biofísico e Doppler, avaliar as condições fetais.
o Corticoides em feto entre 24 e 34 semanas.
o Sulfato de magnésio para neuroproteção em feto entre 24 e 32 semanas.
o Programar o parto de acordo com a gravidade do quadro materno e condições
fetais
Controlar a pressão arterial
o Manter PA controlada.
o Caso necessário, hipotensores de ação rápida (hidralazina, nifedipino) quando
PA diastólica ≥110 mmHg
Prevenir eclâmpsia
o Administrar sulfato de magnésio nas pacientes com risco de convulsão
Controlar infusão de líquidos
o Limitar a infusão até 100 mL/h de soro fisiológico e observar a diurese, que
normalmente deve ser de pelo menos 30 mL/h
Realizar hemoterapia
o Manter plaquetas acima de 50.000/mm3 para cesárea e de 20.000/mm3 para
parto normal. Solicitar reserva de plaquetas e/ou de concentrado de hemácias
de forma antecipada
Programar o parto
o A indicação é obstétrica e deve ser individualizada para cada caso
Cuidado perinatal
o Avaliar a idade gestacional, maturidade pulmonar e viabilidade fetal
Cuidado pós-parto
o Observar a recuperação clínico-laboratorial após o parto, principalmente as
transaminases e as plaquetas e, se for o caso, manter sulfato de magnésio por
24 horas
Atentar para falência de órgãos
o Estar alerta para sinais e sintomas de severidade
Aconselhar sobre o futuro
o Orientar a paciente sobre riscos futuros e possibilidade de recorrência.
ECLÂMPSIA
VISÃO GERAL
CLASSIFICAÇÃO
FISIOPATOLOGIA
QUADRO CLÍNICO
DIAGNÓSTICO
TRATAMENTO
OK
SANGRAMENTO DA 2ª METADE DA GESTAÇÃO:
INTRODUÇÃO:
FATORES DE RISCO:
Cesariana anterior
Reprodução assistida
Outras cicatrizes uterinas
Idade materna avançada
Multiparidade
Curetagens uterinas
Gemelaridade
Placenta prévia em gestação anterior
Tabagismo
CLASSIFICAÇÃO:
DIAGNÓSTICO:
Qualquer gestante acima de 24 semanas com sangramento vaginal indolor deve levar
à suspeita de placenta prévia.
História clínica da paciente, levando-se em conta os diagnósticos diferenciais de
sangramento genital
Exame especular é obrigatório para verificar a origem do sangramento, ajudando a
afastar outras causas da hemorragia.
No entanto, o toque vaginal não deve ser realizado, pois pode causar hemorragia
significativa.
Exames complementares:
o Baseado na identificação de tecido placentário por meio de exame de
imagem, mais comumente a ultrassonografia.
o Ultrassonografia – Transvaginal (preferencial): método ideal, pois é um
simples, preciso e seguro. A técnica transvaginal permite a identificação
precisa do orifício interno do colo uterino e sua relação com a margem
placentária, além de auxiliar na pesquisa de acretismo placentário,
principalmente em pacientes com cesariana anterior.
o Antes de 28 semanas de gestação em paciente assintomática, uma nova
ultrassonografia deve ser realizada na 32a semana, porque cerca de 90% das
placentas prévias diagnosticadas no segundo trimestre se resolverão até o
termo.
o Esse fenômeno deve ser atribuído a duas causas principais: trofotropismo e
atrofia de parte da placenta. O trofotropismo implica a migração placentária
para áreas de maior vascularização endometrial. A atrofia da porção
placentária localizada em regiões de menor fluxo sanguíneo, como próximas
ao orifício cervical, também contribui para a aparente migração da placenta.
o Outra hipótese explica o movimento da placenta cada vez mais distante do
orifício interno do colo pelo desenvolvimento do segmento inferior do útero.
O tamanho desse segmento varia ao longo da gravidez, de 0,5 cm na 20a
semana até 5 cm no termo.
o Para melhor programação do parto, é mandatória a realização de
ultrassonografia com intervalo de, no máximo, 28 dias antes da resolução.
o RNM: reservada para casos em que a ultrassonografia é inconclusiva, como
nos casos de placenta posterior, em que pode haver dificuldade na avaliação
da margem inferior da placenta devido à apresentação fetal ou anteposição
de partes fetais, e na suspeita de acretismo placentário.
TRATAMENTO:
ACRETISMO PLACENTÁRIO:
QUADRO CLÍNICO:
DIAGNÓSTICO:
É importante que seja feito ainda no período pré-natal para o planejamento do parto.
Suspeita-se de acretismo sempre que a paciente apresenta placenta prévia e cesárea
anterior.
Solicita-se uma ultrassonografia:
o Perda do espaço hipoecoico retroplacentário
o Adelgaçamento do miométrio subjacente
o Irregularidade na interface útero – bexiga
o Protusão da placenta para a bexiga
o Lacunas irregulares
o Aumento da vascularização
o Fluxo turbulento ao Doppler
RNM: indicada quando a ultrassonografia não for esclarecedora e nos casos de
placenta prévia com predomínio posterior, a ressonância magnética deve ser solicitada
o Protrusão placentária
o Placenta heterogênea
o Bandas escuras intraplacentárias nas imagens ponderadas em T2
o Interrupção focal da parede miometrial
TRATAMENTO:
CLASSIFICAÇÃO:
Grau I:
o Assintomática ou apresenta sangramento genital discreto, sem hipertonia
uterina significativa e com vitalidade fetal preservada.
o Sem repercussões hemodinâmicas e coagulopatias materna.
o O diagnóstico é realizado após o nascimento por presença de coágulo
retroplacentário.
Grau II:
o Sangramento genital moderado com hipertonia uterina.
o Repercussões hemodinâmicas maternas, com aumento de frequência
cardíaca, alterações posturais da pressão arterial e queda do nível de
fibrinogênio.
o Feto vivo, porém, com vitalidade fetal prejudicada
Grau III:
o Óbito fetal
o Hipotensão arterial materna
o Hipertonia uterina importante
o Divide-se em:
IIIA: Sem coagulopatia instalada
IIIB: Com coagulopatia instalada
FISIOPATOLOGIA:
A causa principal é a ruptura dos vasos maternos na decídua basal, onde o sangue irá
se acumular formando um hematoma, separando a placenta da decídua.
Conforme o hematoma aumenta, há mais separação e compressão do espaço
sobrejacente, resultando na destruição local do tecido placentário.
O sangramento pode ser pequeno e autolimitado ou pode continuar a dissecar por
meio da interface placenta-decidual, levando à separação completa ou quase
completa da placenta.
A porção descolada da placenta é incapaz de permutar gases e nutrientes; quando a
unidade fetoplacentária restante é incapaz de compensar essa perda de função, o feto
é comprometido.
Geralmente esse sangramento é eliminado pelo colo uterino ou fica retido como
hematoma retroplacentário (em até 20% dos casos), entretanto, pode também causar
hemoâmnio (sangue infiltra-se no líquido amniótico) ou útero de Couvelaire (sangue
infiltra-se no miométrio).
Todo esse processo leva ao consumo de fatores de coagulação, ativação da fibrinólise
e passagem de tromboplastina para a circulação materna, o que pode levar a uma das
complicações mais temidas do DPP: a Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD).
Essa condição ocorre em 10-20% dos casos de DPP grave, normalmente com óbito
fetal.
A trombina desempenha papel fundamental:
o É formado por duas vias: em um caminho, o sangramento decidual leva à
liberação do fator tecidual (tromboplastina) das células deciduais, o que gera
trombina.
o No outro caminho, a hipóxia decorrente induz a produção de fator de
crescimento endotelial vascular (VEGF), que atua diretamente em células
endoteliais deciduais para induzir expressão aberrante do fator tecidual, que
então gera trombina.
o A produção de trombina pode levar a hipertonia uterina, produção de fatores
inflamatórios capazes de levar a rotura prematura das membranas, distúrbio
de coagulação e deficiência da ação da progesterona, resultando no
desencadeamento da atividade.
QUADRO CLÍNICO:
FATORES DE RISCO:
DPP prévio
Síndromes hipertensivas.
o As mulheres hipertensas têm risco cinco vezes maior de DPP grave em
comparação com mulheres normotensas, e a terapia anti-hipertensiva não
parece reduzir o risco de descolamento placentário entre mulheres com
hipertensão crônica.
Idade materna ≥ 35 anos e < 20 anos
Paridade ≥ 3
Raça negra
Mães solteiras
Tabagismo, uso de álcool e drogas
Infertilidade de causa indeterminada
Hiper-homocisteinemia
Trombofilia
Diabetes pré-gestacional
Hipotireoidismo
Anemia
Malformações uterinas
Rotura prematura de membranas
Corioamnionite
Oligoâmnio/polidrâmnio
Placenta prévia
Gestações múltiplas
Trauma (automobilístico, brevidade do cordão, versão externa, torção do útero
gravídico, retração uterina intensa)
Amniocentese/cordocentese
Cesárea anterior
Abortamentos
Pré-eclâmpsia
Natimorto
DIAGNÓSTICO:
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL:
CONDUTA:
Internação Imediata
Monitoração:
o Avaliando-se o estado hemodinâmico materno (pressão arterial, pulso e
diurese) e a vitalidade fetal.
o 2 acesos venosos calibrosos
o Colher exames: hemograma, coagulograma, tipagem sanguínea, dosagem de
fibrinogênio, ureia e creatinina.
Teste do Coagulo: coleta 10 ml de sangue e manter em temperatura
ambiente por 10 minutos. Se não formar um coágulo firme:
coagulopatia instalada
o Reposição Volêmica:
Infusão de 1.000 mL de solução cristaloide, com velocidade de infusão
de 500 mL nos primeiros 10 minutos e manutenção com 250 mL por
hora, mantendo-se débito urinário > 30 mL por hora
o Sondagem vesical de demora para quantificar a diurese
o O2 sob máscara
o Reserva de hemoderivados:
Concentrado de hemácias, plaquetas, plasma e crioprecipitado
Ultrassonografia: útil nos casos duvidosos
Monitorização cardíaca fetal contínua desde que o feto esteja em risco de hipoxemia
ou de desenvolver acidose.
Encaminha paciente para a Obstetrícia:
o Amniotomia – depende da vitalidade do feto e da estabilidade da gestante
A ocitocina pode ser administrada se houver necessidade de induzir o parto. O parto
deverá ocorrer dentro de 4 a 6 horas e o quadro clínico deverá ser reavaliado a cada
hora.
Após o parto, a monitorização materna rigorosa se impõe, principalmente quando se
identifica a presença de útero de Couvelaire como achado intraoperatório.
ETIOLOGIA:
FISIOPATOLOGIA:
QUADRO CLÍNICO:
DIAGNÓSTICO:
TRATAMENTO:
ATONIA UTERINA:
A atonia uterina é afecção relativamente comum, podendo ocorrer em até 18% das
gestações sem intervenção médica e em 5 a 8% daquelas em que é feita profilaxia.
FATORES DE RISCO:
Hiperdistensão uterina, como gestações gemelares, polidrâmnio e macrossomia.
Uso de sulfato de magnésio na pré-eclâmpsia e eclâmpsia, tem como efeito adverso o
comprometimento da contração uterina no pós-parto, elevando o risco de atonia
uterina, sendo também associados a inflamação corioamniótica, a placenta retida e os
fatores que alteram a anatomia uterina (miomatose, útero bicorno).
Condições que levam à fadiga uterina (parto prolongado ou acelerado, multiparidade).
Idade materna de menos de 20 e pelo menos 40 anos.
Atonia uterina pós-parto prévia
Obesidade
ETIOPATOGENIA:
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS:
COMPLICAÇÕES:
TRATAMENTO:
Oh
DESCOLAMENTO PREMATURO DE PLACENTA (DPP) • A hemorragia arterial de alta pressão na área central da
placenta leva ao desenvolvimento rápido de
Definição: é a separação da placenta de forma parcial ou manifestações clínicas potencialmente fatais de
completa que estava normalmente inserida no corpo ou descolamento (como sangramento grave, CIVD materna
fundo do útero, antes do nascimento do feto em gestações e anormalidades do BCF)
superiores a 20 semanas – SE O DESCOLAMENTO • A hemorragia venosa de baixa pressão, tipicamente na
PREMATURO DA PLACENTA OCORRER < 20 SEMANAS, SERÁ periferia da placenta (descolamento marginal), é mais
CONSIDERADO ABORTAMENTO provável que resulte em manifestações clínicas que
Epidemiologia: acomete de 0,5% a 3% das gestações ocorrem ao longo do tempo (como hemorragia
intermitente leve, oligoidrâmnio e restrição do
CLASSIFIC AÇÃO
crescimento fetal associada à redistribuição do fluxo
Classificação de Sher: baseado em graus de acordo com os sanguíneo cerebral)
achados clínicos e laboratoriais:
FA TORES DE RISCO
OBSERVAÇÃO: Teste de Weiner ou teste do coágulo: • Nº de cesáreas prévias – PRINCIPAL FATOR DE RISCO
coletam-se aprox. 10 mL de sangue em tubo de ensaio, • Gestações múltiplas
mantido em temperatura ambiente → após 7 a 10 min, deverá • Antecedente de placenta prévia
ser observada a formação de um coágulo rígida; caso • Nº de curetagens uterinas
contrário, significa que a coagulopatia está instalada • Idade materna avançada
C OMPLICAÇ ÕES • Multiparidade
• Tabagismo
• Choque hipovolêmico
• Coagulação intravascular disseminada (CIVD): a
formação do hematoma retroplacentário ativa a cascata
de coagulação devido à liberação de tromboplastina, e o
consumo dos fatores de coagulação por esse hematoma
desencadeia a CIVD (coagulopatia de consumo) – a partir
do momento que os coágulos esgotam os meios de
coagulação normal pelo sangue, ocorre um aumento do
processo hemorrágico
• Útero de Couvelaire: a intensidade da hemorragia oculta
ocasiona infiltração do sangue no miométrio,
prejudicando sua contratilidade
• Atonia uterina
• Injúria renal aguda
• Síndrome de Sheehan
• Óbito materno
• Óbito fetal Principais causas de complicações neonatais:
• Prematuridade prematuridade, anemia, hipóxia e restrição do crescimento
fetal
Característica da hemorragia: leve, crônica e intermitente Placenta prévia (anteriormente denominada de placenta
Manifestações clínicas: relacionadas a doença placentária prévia centro-total ou centro-parcial): a placenta recobre
isquêmica que se desenvolvem ao longo do tempo (como total ou parcialmente o orifício interno do colo uterino
oligoidrâmnio, restrição de crescimento fetal, pré- Placenta de inserção baixa (anteriormente denominada de
eclâmpsia e ruptura prematura de membranas ) placenta prévia marginal): a borda placentária se insere no
Coagulação: os exames geralmente são normais segmento inferior do útero, não chega a atingir o orifício
interno e se localiza a 2cm de distância do orifício interno
USG: pode identificar hematoma placentário
(retromembranoso, marginal ou central), e o exame seriado
pode revelar RCF e/ou oligoidrâmnio OBSERVAÇÃO: durante o trabalho de parto, as relações
entre a placenta e o orifício interno do colo modificam-se e os
tipos descritos podem ser alterados
PLACENTA PRÉVIA
QUADRO CLÍNICO
Definição: presença de tecido placentário que se estende até
As manifestações clínicas dependem do local em que a
o orifício interno do colo do útero após 28 semanas de
placenta está inserida, podendo ou não, haver sangramento
gestação
Layssa Carvalló – T14 Unifamaz 5
USG transvaginal (PADRÃO OURO): identificação de tecido
placentário recobrindo ou muito próximo ao orifício interno
do colo uterino
sangramento. evitar atividade física exagerada e evitar Indicações: pode ser adotada quando o sangramento
relações sexuais, principalmente após a 28ª semana materno não for intenso (ausência de alteração
2. Seguimento: exames de USG transvaginal para a hemodinâmica) em gestações com fetos pré-termo, desde
localização da placenta – se a placenta prévia se que seja possível bom controle materno e fetal – essa
resolver durante esse seguimento, não será mais abordagem baseia-se no fato de que 75% dos episódios de
necessário continuar com a restrição de atividade sangramento são autolimitados e sem risco imediato para a
mãe ou para o feto
Quanto mais o parto aproximar-se do termo, menores serão • Recomenda-se que as gestantes com placenta prévia
as complicações perinatais – visto isso, a conduta nos casos permaneçam em repouso e recebam suplementação de
de placenta prévia dependerá principalmente da idade ferro elementar (60 mg VO 3 ou 4x ao dia)
gestacional, intensidade da hemorragia e presença ou não Na vigência de sangramento vaginal, muitas mulheres
de trabalho de parto também apresentam contrações uterinas, o que pode
aumentar ainda mais a perda sanguínea – por isso, alguns
Nos casos de feto pré-termo, diante da suspeita de placenta estudos sugerem administração de tocolíticos para
prévia, na presença de sangramento vaginal, recomenda-se: diminuição do sangramento secundário à irritabilidade
uterina (sulfato de magnésio e terbutalina) – porém, na
1. Internação imediata para controle materno e vitalidade
prática seu uso permanece controverso
fetal
2. Confirmar o diagnóstico pela USG transvaginal • Deve-se evitar administração de betamiméticos, pois
3. Administração de cristaloides e manter a estabilidade podem mascarar sinais clínicos de hipovolemia (como a
hemodinâmica e débito urinário adequado taquicardia)
4. A pressão arterial e o pulso devem ser aferidos a Para casos selecionados de placenta prévia, com
intervalos que variam de 15min a 1h, dependendo da sangramento vaginal inicial que cessou espontaneamente
intensidade do sangramento por no mínimo 48h e a paciente manteve-se clinicamente
5. Avaliação laboratorial: concentração de Hb e Ht, estável, recomenda-se o controle domiciliar – porém, a
determinação do tipo sanguíneo e exames de avaliação decisão para controle domiciliar deve ser individualizada.
da função renal – se o sangramento for abundante ou Acredita-se que gestantes com diagnóstico de placenta
houver outras complicações também deve ser avaliado prévia pela USG e que nunca apresentaram sangramento
o sistema de coagulação (fibrinogênio. plaquetas, TP e consistem em boa opção para essa conduta
TTPa) • Essa conduta implica o entendimento por parte da
6. Hemoderivados devem ser disponibilizados de acordo gestante sobre o diagnóstico e riscos envolvidos
com a necessidade • Orientações: permanecer em repouso relativo e
7. A imunoglobulina anti-D deve ser administrada em abstinência sexual
gestantes com Rh negativo
Conduta ativa
8. Considerar a administração de corticosteroides para o
amadurecimento pulmonar fetal (entre 28 e 34 Indicação: deve-se indicar imediata resolução da gestação
semanas) e a gestação deve ser continuada até a diante de sangramento materno incontrolável com alteração
maturidade fetal (sempre que possível)
Conduta expectante
Layssa Carvalló – T14 Unifamaz 7
hemodinâmica, vitalidade fetal alterada, maturidade fetal 2. Se necessário, sangue e hemoderivados devem estar
comprovada ou chegada ao termo (37 semanas) – a via de disponíveis no intraoperatório
escolha é a CESÁREA devido contraindicação ao parto 3. Pode ocorrer sangramento após a dequitação em razão
vaginal (a placenta bloqueia o orifício de saída do útero) da deficiência de miotamponamento no segmento
• OBSERVAÇÃO: em casos de placenta de inserção baixa, inferior - nessa situação, deve-se utilizar ocitocina e
sem complicações, a depender da avaliação obstétrica e auxílio da compressão do leito placentário no controle
das condições maternas, existe a possibilidade de parto da hemorragia
vaginal 4. Em caso de sangramento pós-parto não responsivo,
pode-se optar por aplicação de pontos hemostáticos na
região (Sutura de Cho), ligadura ou embolização das
Estudos sugerem que a USG transvaginal pode auxiliar na artérias uterinas e, em último caso, histerectomia
decisão do tipo de parto:
OBSERVAÇÃO: na fase de dequitação placentária pode ser
• Quando a distância entre a placenta e o orifício interno do realizado o diagnóstico de acretismo placentário,
colo estiver entre 11 e 20 mm: pequeno risco de geralmente diante da dificuldade de extração da placenta
sangramento e menor necessidade de cesárea (retenção placentária) – nesses casos, a conduta deve ser a
• Quando a distância entre a placenta e o orifício interno do não remoção da placenta e a realização de histerectomia
colo estiver entre 0 e 10 mm: maior incidência de
cesárea, pois os casos estão fortemente associados a
sangramento vaginal ACRETISMO PLACENT ÁRIO
Casos de óbito fetal: a cesárea está indicada quando a Definição: aderência anormal da placenta no miométrio,
placenta estiver em contato com o orifício interno do colo. decorrente da invasão trofoblástica progressiva em busca
Nos casos de decisão pela via vaginal, devem-se avaliar de uma vascularização adequada
outros fatores, como idade gestacional, nº de cesáreas
Principais fatores de risco: cesárea anterior, curetagem
prévias, tempo de óbito, hemorragia, sistema de coagulação
uterina, miomectomia, idade > 35 anos e multiparidade
e condições do colo uterino
CLASSIFI CAÇÃ O