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Horta Automatizada: Sustentabilidade Escolar

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HORTA AUTOMATIZADA COM SENSORES CASEIROS:

SUSTENTABILIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA NO


AMBIENTE ESCOLAR

¹Daniel Kaian Siqueira Sousa


²Yochanan Melo Freitas

Orientador: Francisco Davi Vasconcelos Soares

Forquilha

2025
1. INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, a preocupação com a preservação ambiental e o uso racional dos recursos
naturais tem se intensificado diante de desafios como a escassez de água, o aumento da poluição
e as mudanças climáticas. No Brasil, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), cerca de
46% da água tratada é desperdiçada em processos de distribuição e uso inadequado. Esse dado
revela a urgência de repensar práticas cotidianas que contribuam para o consumo consciente.

Nesse contexto, a escola torna-se um espaço privilegiado para desenvolver projetos que aliam
educação ambiental e inovação tecnológica, estimulando nos estudantes a reflexão crítica
sobre problemas reais da sociedade. Experiências práticas, como a criação de hortas escolares,
favorecem o contato direto com a natureza, incentivam hábitos alimentares saudáveis e
reforçam o compromisso com a sustentabilidade.

Entretanto, uma dificuldade recorrente em hortas escolares é a manutenção adequada da


irrigação, especialmente em ambientes onde há limitação de recursos e a água precisa ser
utilizada de forma racional. O desperdício, mesmo em pequenas quantidades, compromete tanto
o cultivo quanto o aprendizado sobre o cuidado ambiental.

Diante disso, surge a questão central que este projeto busca responder: como unir práticas de
sustentabilidade e o uso de recursos tecnológicos simples para reduzir o desperdício de
água em uma horta escolar?

2. JUSTIFICATIVA
A escolha deste tema se justifica pela necessidade de conciliar o cuidado ambiental com o uso
consciente dos recursos disponíveis na escola. Em muitas instituições de ensino, projetos de
horta são implantados como ferramenta pedagógica, mas enfrentam dificuldades relacionadas
à irrigação adequada e ao desperdício de água. Essa realidade também faz parte do cotidiano da
nossa comunidade escolar, que convive com limitações de infraestrutura e precisa valorizar o
reaproveitamento de materiais.

O desenvolvimento de uma horta automatizada com sensores caseiros permite aliar práticas de
sustentabilidade à experimentação tecnológica acessível, despertando nos alunos a
curiosidade científica e a percepção de que soluções inovadoras podem surgir a partir de
recursos simples e de baixo custo.

Além disso, o projeto promove o engajamento dos estudantes na preservação ambiental,


estimula hábitos de cooperação e fortalece a relação da escola com a comunidade, ao
demonstrar na prática que é possível cultivar alimentos de forma racional e sustentável. Dessa
forma, a relevância deste trabalho é científica, por estimular a pesquisa e a experimentação;
social, por sensibilizar para a economia de recursos; e cultural, por valorizar práticas comunitárias de
produção de alimentos e cuidado com o meio ambiente.

3. OBJETIVO GERAL
Implantar e analisar uma horta automatizada com sensores caseiros no ambiente escolar,
promovendo o uso racional da água e a conscientização ambiental entre os estudantes.

4. OBJETIVOS ESPECÍFICOS
• Pesquisar sobre o consumo de água em hortas escolares e alternativas de redução do
desperdício.
• Construir um sensor caseiro de umidade do solo utilizando materiais simples e
recicláveis.
• Implantar um sistema de irrigação por gotejamento em caixotes de cultivo.
• Comparar o crescimento das plantas em hortas irrigadas manualmente e hortas irrigadas
pelo sistema automatizado.
• Registrar e analisar os dados de consumo de água e desenvolvimento das plantas.
• Incentivar a participação ativa dos estudantes em práticas sustentáveis e de inovação
tecnológica.

5. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A educação ambiental, segundo a Lei nº 9.795/1999, deve ser compreendida como um processo
permanente, no qual indivíduos e comunidades constroem valores sociais, conhecimentos e
atitudes voltadas para a conservação do meio ambiente. No espaço escolar, ela ganha ainda
mais relevância por proporcionar experiências que aproximam teoria e prática, tornando os
estudantes agentes ativos na transformação de sua realidade.

De acordo com Leff (2001), a sustentabilidade exige uma mudança de paradigma, em que os
indivíduos passem a compreender a finitude dos recursos naturais e a necessidade de práticas
que conciliem desenvolvimento e preservação. Nesse sentido, a implantação de hortas escolares
surge como uma estratégia pedagógica eficaz, pois permite vivenciar princípios de ecologia,
alimentação saudável, cooperação e responsabilidade social (JUNQUEIRA; ALMEIDA, 2017).

Além de seus benefícios ambientais e alimentares, a horta escolar também pode se constituir
em um espaço de inovação. Segundo Blikstein (2013), a chamada “aprendizagem maker”
promove a experimentação e a criação de soluções tecnológicas a partir de recursos simples,
estimulando a autonomia e a criatividade dos estudantes. Dessa forma, ao incorporar sensores
caseiros para o monitoramento da umidade do solo e sistemas de irrigação por gotejamento com
garrafas PET, o projeto dialoga com práticas de baixo custo que unem ciência e tecnologia ao
cotidiano escolar.

Outro aspecto fundamental é o uso racional da água. A Agência Nacional de Águas (ANA,
2021) aponta que quase metade da água tratada no Brasil é desperdiçada, o que reforça a
importância de iniciativas educativas que demonstrem alternativas de economia. A automação
de irrigação, mesmo em pequena escala, contribui para a formação de uma consciência crítica
sobre o desperdício e a valorização dos recursos naturais.

Portanto, a fundamentação teórica que embasa este projeto articula os eixos da educação
ambiental, da sustentabilidade e da inovação tecnológica acessível, reforçando a importância
de experiências que sejam ao mesmo tempo pedagógicas, científicas e transformadoras.

6. METODOLOGIA
O projeto será desenvolvido na escola, em um espaço destinado ao cultivo em caixotes, durante
o período letivo de 2025, com a participação de dois alunos do 7º ano, sob orientação do
professor responsável.
Etapas de realização:

Pesquisa inicial: levantamento de informações sobre hortas escolares, consumo de água e


sensores caseiros de umidade do solo.

Planejamento: definição dos materiais necessários e organização dos caixotes de cultivo.

Construção do sistema: montagem dos sensores de umidade com pregos, fios e LED, além da
instalação de garrafas PET como reservatórios de irrigação por gotejamento.

Implantação da horta: preparo do solo nos caixotes, semeadura ou transplantio de mudas


(alface, coentro, cebolinha ou rabanete).

Coleta de dados: registro semanal da altura das plantas, número de folhas, massa fresca,
volume de água utilizado e resposta do sensor em solos úmidos e secos.

Análise dos resultados: comparação entre o crescimento das plantas em caixotes com irrigação
manual e caixotes com irrigação automatizada.

Produção científica: organização dos dados em tabelas e gráficos; elaboração de caderno de


campo, banner e relatório final.

Apresentação: exposição do projeto na etapa municipal da Feira de Ciências, com


demonstração prática do sensor e do sistema de irrigação.

Materiais e recursos:

• Caixotes de madeira ou reciclados;


• Terra e adubo (composto da escola ou doados);
• Sementes ou mudas de hortaliças de ciclo curto;
• Garrafas PET;
• Pregos, fios, LED e pilhas;
• Ferramentas simples (tesoura, fita isolante, estilete);
• Caderno de campo, papel gráfico e material para banner.
Essa metodologia garante que o projeto seja prático, acessível e sustentável, favorecendo tanto
a aprendizagem científica quanto a conscientização ambiental.

7. RESULTADOS ESPERADOS
Espera-se que a implantação da horta automatizada com sensores caseiros promova uma série
de benefícios pedagógicos, ambientais e sociais. Do ponto de vista educacional, o projeto deve
estimular nos alunos a curiosidade científica, a criatividade e a capacidade de buscar soluções
inovadoras para problemas do cotidiano. A prática do registro em caderno de campo, bem como
a análise dos dados coletados, reforçará o aprendizado em Ciências e Matemática, além de
estimular a autonomia dos estudantes.

No âmbito ambiental, a expectativa é de que o uso do sistema de irrigação por gotejamento


aliado ao sensor de umidade reduza o desperdício de água, demonstrando na prática a
importância do uso racional dos recursos naturais. Também se espera que os alunos
compreendam melhor os processos de cultivo de alimentos, reconhecendo o valor da agricultura
sustentável e de baixo custo.

Socialmente, o projeto poderá impactar a comunidade escolar ao incentivar a cooperação entre


estudantes, professores e familiares, além de servir como inspiração para a replicação da
iniciativa em quintais e hortas comunitárias. Assim, espera-se desenvolver maior consciência
ambiental e engajamento em práticas sustentáveis, ampliando o alcance da proposta para além
do espaço escolar.

8. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A realização deste projeto reforça a importância de unir sustentabilidade e inovação
tecnológica no contexto escolar, demonstrando que é possível desenvolver práticas científicas
mesmo em ambientes com poucos recursos. A horta automatizada com sensores caseiros
constitui uma solução pedagógica que dialoga com questões globais, como a preservação
ambiental e a economia de água, ao mesmo tempo em que se adapta à realidade da escola.
Mais do que cultivar hortaliças, a proposta busca cultivar consciência crítica,
responsabilidade ambiental e espírito de cooperação entre os alunos. A continuidade do
projeto permitirá a expansão da horta e a incorporação de novos elementos tecnológicos,
fortalecendo ainda mais o compromisso da escola com a educação ambiental e a formação
cidadã.

REFERÊNCIAS
ANA – Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico. Atlas da Irrigação: uso da água na
agricultura irrigada. Brasília: ANA, 2021.

BLIKSTEIN, Paulo. Digital Fabrication and ‘Making’ in Education: The Democratization of


Invention. In: Walter-Herrmann, Julia; Büching, Corinne (Orgs.). FabLab: Of Machines,
Makers and Inventors. Bielefeld: Transcript Publishers, 2013.

BRASIL. Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a Educação Ambiental, institui a
Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Diário Oficial da União,
Brasília, 1999.

JUNQUEIRA, Kátia; ALMEIDA, José Wagner. A horta escolar como prática pedagógica:
integração entre educação ambiental e alimentação saudável. Revista Brasileira de Educação
Ambiental, v. 12, n. 3, p. 45-60, 2017.

LEFF, Enrique. Epistemologia Ambiental. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2001.

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