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1a AULA
PROMESSA DE CASAMENTO
O conceito de promessa de casamento vem prevista no art.o 1591oCC:
contrato pelo qual duas pessoas se comprometem a contrair matrimónio.
Qual a especialidade do regime da promessa de casamento relativamente ao
regime que vale em geral para os contratos de promessa?
Ø Em 1o lugar: o contraente que não cumpre a promessa de casamento, não
responde pela totalidade dos prejuízos causados, responde só por certas
despesas, sem que as partes possam convencionar cláusula penal de
montante superior
Ø Em 2a lugar não permite recorrer à execução específica, prevista no art.o
830oCC.
Ø Da promessa nunca resulta uma verdadeira obrigação de casar, cujo
cumprimento possa
ser exigido judicialmente em virtude do caráter iminentemente pessoal da
promessa.
Razão de ser desta diversidade de regime: a razão de ser desta diversidade de
regime, pode ser encontrada no facto de uma equiparação ao regime geral
levaria a que o consentimento para o matrimónio fosse menos livre e o
consentimento dos nubentes tem de ser livre tanto quanto possível até ao
momento da celebração do casamento.
É mais importante garantir a liberdade do consentimento dos nubentes do que
impor-lhes até ao fim o rígido princípio do cumprimento da palavra dada.
ROMPIMENTO DA PROMESSA DE CASAMENTO Se houver rompimento da
promessa há:
Ø responsabilidade civil nos termos do art.o 1594 CC, mas tal não exclui que
ao mesmo tempo que um dos nubentes que rompe a promessa, possa cumprir
um outro ato constitutivo de responsabilidade civil extracontratual. Ex: Praticar
um crime de difamação (180o e 181o do CP).
Ø restituição dos donativos feitos em virtude da promessa e na expectativa do
casamento, nos termos dos art.o1592o e 1593oCC. Os donativos caducam tal
como as doações para casamento e devem ser restituídos. A obrigação de
restituição está prevista em termos amplos tanto no caso de retratação como
de incapacidade, como no caso esposado culpado ou esposado inocente, e
tanto aos donativos recebidos do outro esposado como aos recebidos de
terceiro. Esta obrigação de restituição abrange também cartas e retratos
pessoais do outro esposado.
Existe um regime especial em caso de morte do outro esposado, nesse caso o
sobrevivo tem direito de opção: pode exigir dos herdeiros do outro esposado,
os donativos que tenha feito, restituindo também os que recebeu, mas pode
também conservar os donativos recebidos do falecido, perdendo neste caso o
direito de exigir os que por sua parte lhe tenha feito- Art.o 1593oCC
IMPEDIMENTOS MATRIMONAIS
- Circunstâncias que obstam à celebração válida e eficaz do casamento
Regra geral quanto à capacidade (1600oCC): tem capacidade para contrair
casamento todos aquelas em quem não se verifique algum dos impedimentos
matrimonias previstos na lei. O legislador classificou os impedimento enquanto:
Ø
Ø
ØØØØ
Impedimentos impedientes: apenas podem levar à imposição de sanções caso
o casamento se tenha verificado, sanções essas normalmente e
maioritariamente de caráter patrimonial (1604oCC).
Al.a): o nubente só pode casar com 16 anos, mas mesmo casando com 16
anos, só pode casar se tiver autorização dos seus pais, ou caso os pais se
recusem a dar autorização, tem de pedir o suprimento dessa autorização ao
conservador do registo civil- tem de ir fazer um requerimento ao conservador
do registo civil, dizer que pretende casar-se com pessoa “B” e que os pais
injustificadamente não derma o consentimento e que pede o suprimento ao
conservador do registo civil
Al.c): O parentesco entre tio e sobrinho (...), por motivos eugénicos sobretudo,
para evitara procriação em face da proximidade genética
Al.d): quem exerce as funções de tutor, acompanhante ou o administrador legal
dos bens também não pode casar com o outro nubente
Al.f) (despacho de pronúncia é proferido por um juiz de instrução criminal no
âmbito do processo de instrução e corresponde a uma confirmação da
acusação do MP)
Impedimentos dirimentes: dirimem ou podem ser aptos a destruir o casamento
por aplicação do regime da anulabilidade.
1.
2.
Absolutos (sanáveis)- 1601oCC. Exemplo de ser sanável:
Ø Al.a): Uma pessoa que se case com idade inferior a 16 anos, quando
alcançar os 18 anos, pode apresentar-se na Conservatório do registo Civil na
presença
de duas testemunhas e confirmar o seu casamento.
Ø Al.b) Ex de ser sanável: a pessoa que padece de demência notória pode
cura-
se e sane-se o impedimento matrimonial
Ø Al.c) A pessoa que casou tendo um anterior casamento não dissolvido, pode
anular o 1o casamento e assim convalida-se o 2o casamento.
Relativos (insanáveis)-1602oCC: afetam a capacidade de o nubente para casar
com pessoas certas e determinadas.
Ø Al.a) Duas pessoas que são parentes da mesma linha reta, nunca o vão
deixar
de ser, logo o impedimento é insanável. Ex: Avós casarem com os netos;
filhos casarem com os pais).
Ø Al.b) O legislador introduziu na nossa legislação, a possibilidade de o
progenitor
único da criança poder requerer ao tribunal que o seu cônjuge ou unido de
facto exerçam também as responsabilidades parentais sobre o seu filho, trata-
se de uma medida de inclusão da criança no seu respetivo agregado familiar. O
legislador entendeu que se alguém exerceu as responsabilidades parentais em
relação ao filho do seu cônjuge ou ao filho do seu companheiro, não poderá
casar com essa criança relativamente a quem exerceu as responsabilidades
parentais, porque teve com a criança uma relação que em
tudo se assemelha a uma relação de pai para filha ou de mãe para filho-
Impedimento insanável.
Ø Al.c) Ex: Casamento entre irmãos (proibido na legislação portuguesa, por
motivos de decoro social (não é bem visto pela nossa sociedade que os irmãos
possam casar entre si) e motivos eugénicos (impedir os casamentos para evitar
que as crianças que nasçam dessas uniões tenham problemas de saúde
mental).
Ø Al.d) Afinidade na linha reta (sogro ou a sogra não podem casar com o genro
ou com a nora)
Ø Al.e) neste caso já há uma sentença transita em julgado que é irrecorrível
1608oCC: só impede a celebração do casamento se não tiver decorrido um
ano sobre o termo da incapacidade e não estiverem aprovadas as respetivas
contas.
À luz dos impedimentos impedientes são suscetível de dispensa pelo
conservador do registo civil:
1609 no1
1609 no2: Ex de um motivo sério que justifique a celebração do casamento: a
sobrinha estar grávida do tio, a razão de ser deste impedimento seria evitar a
procriação entre pessoas que tenham um grau d parentesco próximo, mas se a
sobrinha já está grávida do tio, já não faz sentido manter a proibição do
casamento porque já não é possível alcançara finalidade que o legislador
pretendia alcançar: não procriação. O legislador entendeu que nesse caso é
melhor legalizar a situação permitindo o casamento atar és da dispensa do
impedimento , nos termos dos artigos 1609 no1 al.a) e 1609 no2.
Estes impedimentos serão objeto de verificação no chamado processo
preliminar do casamento, previsto nos artigos 1610oCC e seguintes.
O processo preliminar do casamento termina com um despacho final no qual se
autoriza os nubentes a celebrar casamento ou então num despacho final no
qual se manda arquivar o processo. Se for autorizada a celebração do
casamento é emitido o chamado certificado de capacidade matrimonial, este
certificado é valido por 6 meses.
CASAMENTO CIVIL
O Casamento civil corresponde a um negócio jurídico pessoal, devem participar
nele os noivos, ou seja, os próprios intervenientes no negócio jurídico
casamento. No entanto admite-se também, a intervenção de um representante
ou também designado por procurador “ad nuptias”.
Ø No casamento civil admite-se a intervenção de 2 representantes, ambos os
nubentes se podem fazer representar.
Ø No direito católico apenas se admite intervenção de um representantes
Trata-se também de um negócio jurídico solene, para além de pessoal, a
vontade dos nubentes não pode expressar-se de qualquer forma, mas só
através da forma prevista na lei.
Trata-se de um negócio jurídico formal, a forma requerida para a qualidade do
casamento, consiste na cerimónia da celebração do ato, nos termos do art155o
do Código do Registo Civil
REQUISITOS DE FUNDO DO CASAMENTO
É necessário o consentimento e da forma como deve ser prestado o
consentimento
Trata-se de um contrato impondo-se o mútuo consentimento dos
intervenientes, mas este consentimento tem vários caracteres, ou seja, o
consentimento tem de ser:
Ø Atual (1617oCC)
Ø pessoal (1619oCC)
ØØ
puro e simples (1618 no2): porque o consentimento não pode ser sujeito a
condição ou termo. O puro e simples respeita à aceitação integral dos efeitos
do casamento.
perfeito (1631oCC): tem de ser manifestado sem falta ou vícios da vontade nos
termos dos artigos 1631o e ss. Quanto à perfeição do consentimento, temos de
saber que as declarações de vontade dos nubentes devem ser no mesmo
sentido. Não pode existir divergência entre a vontade e a declaração de
vontade. A vontade no ato da declaração constitui presunção de que os
nubentes quiseram contrair o casamento. Se houver divergência entre a
vontade real e a vontade declarada o consentimento é imperfeito.
Admite-se que o casamento seja celebrado com intervenção de procurador ou
procuradores. O casamento por procuração vem previsto no arto 1620oCC.
Art.o1621o: no2: a procuração pode ser revogada a todo tempo e trata-se de
um negócio não receptício, ou seja, produz efeitos, independentemente de o
procurador tomar conhecimento dele.
1620o no2: a vontade do constituinte não pode ser incompleta/ lacunosa e que
o procurador integrará, o constituinte não pode cometer ao procurador qualquer
liberdade de decisão pessoal. Se o procurador tomar conhecimento de
circunstância superveniente ou ignorada do constituinte e que seja tal que o
procurador em face dele tenha sérias dúvidas sobre se o constituinte queria ou
não continuar a casar-se o que é que acontece? A solução da dúvida depende
do acordo entre procurador o constituinte, este acordo pode obrigar a celebrar
o casamento me todo o caso e sejam quais forem as circunstância e nesse
caso, trata-se de um simples núncio ou pode conceder a faculdade de recusar
a celebração em certos termos / aqui o procurador será um mero representante
embora com alguns escassíssimos poderes. Saber se é um mero núncio/um
transmissor do consentimento ou se ele tem poder para decidir se se celebra o
casamento ou não, depende do acordo celebrado entre o procurador e o
constituinte.
1635oCC: 4 casos de falta de vontade. O casamento só é anulável se se
verificar uma destas 4 situações.
Ø B) Ex: O erro sobre a identidade física só se concebe verdadeiramente se
houver um irmão ou uma irmã gémea e portanto o nubente está em erro sobre
a identidade física porque pensa que era a sua noiva mas é a irmã da noiva
(tem de ser gémeos verdadeiros) Ex: Quando os nubentes não se conheciam
Ø C) A coação física no casamento é uma hipótese que só se concebe em
caso de hipnose (hipnotizar a pessoa para que ela manifeste um determinado
consentimento matrimonial)
Ø D) Refere-se, por exemplo, ao casamento para: se obter a nacionalidade
estrangeira, para obter a autorização de residência ou de trabalho, para evitar
uma expatriação, adquirir uma situação vantajosa ou contornar uma disposição
legal.
CASAMENTO SIMULADO
Nos termos da Lei 23/2007, a autorização de residência é cancelada quando o
casamento ou a união de facto ou a adoção invocada para o reagrupamento
familiar, teve como fim único permitir a entrada ou residir no país.
Nos termos desta Lei, é permitido a quem se tenha casado ou quem vive em
união de facto ou quem tiver adotado uma criança, pedir o reagrupamento
familiar (pedir para as pessoas passarem a residir juntas cá em Portugal).
Pune-se nos termos do arto 186oCP, com prisão até um ano quem tiver
contraído casamento apenas com a intenção de obter visto ou autorização de
residência. Porque no casamento simulado, aquilo que se recusa é a
comunhão de vida que constitui a própria essência do casamento.
SITUAÇÕES DA VONTADE VICIADA POR ERRO OU POR COAÇÃO MORAL
ERRO VÍCIO (1636oCC): O erro consiste numa ignorância ou falsa
representação de uma realidade que interveio entre os motivos determinantes
da vontade. O erro previsto neste art.o, deve recair sobre a pessoa com quem
se realiza o casamento e versar sobre uma qualidade essencial (intelectuais,
morais, naturais, jurídicas, físicas ...) dessa pessoa. Nota: Para efeitos deste
artigo e do regime de erro nele previsto, não releva o erro sobre os motivos.
Para os professores Pereira Coelho e Guilherme Oliveira são essenciais as
qualidades particularmente significativas que em abstrato sejam idóneas, para
determinar o consentimento, como por exemplo o estado civil, a nacionalidade,
prática de crime infamante, vida e costumes desonrosos, impotência,
deformidades físicas graves, doenças incuráveis e que sejam hereditárias ou
contagiosas, circunstâncias que entres outras, poderão ter relevância.
O erro vício tem de incidir sobre qualidade essenciais sobre a pessoa do outro
cônjuge, tem de ser próprio, desculpável e tem de ser determinante subjetiva e
objetivamente.
Ø Próprio: não pode recair sobre qualquer requisito legal de existência ou de
validade do casamento. Ex: Falta de idade ou já ser casado.
Ø Desculpável: erro desculpável é o erro que não pode ser grosseiro, patente
ou ostensivo, em que não teria caído uma pessoa normal considerando as
circunstâncias do caso.
Ø Determinante subjetiva e objetivamente: não basta que o erro tenha sido
determinante
subjetivamente (ou seja para o próprio interessado), não basta que a
circunstância sobre a qual recaiu o erro tenha sido essencial para o nubente, é
preciso que seja determinante objetivamente (para o padrão social aquele erro
é considerado também determinante).
COAÇÃO MORAL (1638oCC): enquanto vicio da vontade, reconduz-se ao
receio ou temor ocasionado no declarante pela culminação de um mal dirigido
à sua própria pessoa, honra ou
fazenda ou de um terceiro. O receio da culminação ulterior do mal com que é
ameaçado é que constitui propriamente a coação como vício da vontade. Esse
mal há de ter sido culminado precisamente com a intenção de extorquir o
consentimento do declarante.
Requisitos:
Ø Tem de ser essencial ou determinante
Ø Tem de haver intenção de extorquir a declaração Ø A culminação deve ser
injusta ou ilícita
O mal ameaçado pode corresponder ao exercício de um direito e, todavia, a
culminação ser injusta. Será injusta se o culminante quiser obter uma
vantagem anormal, desproporcionada ou sem qualquer relação com o seu
direito. Se se tratar de uma coação proveniente de terceiro, acresce-se que tem
de ser grave o mal e justificado o receio da sua consumação.
CASAMENTOS URGENTES (1622oCC)
Só podem casar as pessoas, em relação a quem não se verifique qualquer dos
impedimentos matrimoniais previstos na lei portuguesa (art.1601oCC e ss).
Para determinar se os nubentes têm ou não capacidade existe o processo
preliminar do casamento, os nubentes vão à conservatória do Registo civil,
dizem que querem casar, é declarado o processo preliminar do casamento
através do qual vão ser feitas publicações para se descobrir se existem
impedimentos à celebração do casamento, e portanto só podem casar se não
existirem impedimentos à celebração do casamento.
Mas no casamento urgente (a urgência resulta do receio de morte próxima de
algum dos nubentes ou da iminência de parto), permite-se a celebração do
casamento sem decorrer este processo preliminar do casamento, este
processo vai decorrer após a celebração do casamento. No caso de se verificar
algum impedimento dirimente, o casamento urgente é inexistente mas após a
celebração do casamento urgente é necessário submetê-lo à homologação,
nos termos do art 1623o.
Art.o1624oCC: Causas justificativas da não homologação do casamento
urgente.
O casamento urgente é uma modalidade do casamento que dispensa o
processo preliminar do casamento previamente à celebração do casamento e
só pode ser autorizado se houver iminência de morte ou iminência de parto.
No caso do casamento ter sido celebrado sob a forma urgente, vigora sempre o
regime da separação de bens, nos termos do disposto no arto1720oCC. Este
regime imperativo de separação de bens também se aplica quando o
casamento seja celebrado por quem tenha completado 60 anos de idade.
CASO PRATICO
Joana enfermeira vive, numa casa arrendada em Lisboa, desde 2018.
Em janeiro de 2022 João, o seu namorado, passou a residir consigo em Lisboa,
na casa que esta habitava desde 2018.
Em novembro de 2024 nasce Maria, filha de Joana e João.
Hoje Joana descobre que João é casado, embora esteja separado desde 2019.
Devido a tal facto, Joana decide que não pode continuar com a relação que
tem com João e pede para este abandonar a casa onde ambos habitam. O que
este recusa por entender que tem igual direito a permanecer na mesma.
a)
À luz do direito da família diga se existe uma relação jurídica entre Joana e
João, em caso afirmativo qual e quais os seus efeitos?
Há uma união de facto entre ambos (Lei 7/2001), produzem-se os efeitos da
união de facto, sendo esses efeitos os presentes no Artigo 3.o, para se
produzirem esses efeitos não basta estar preenchido o no2 do artigo 1.o é
necessário que não se verifique nenhuma exceção - Artigo 2.o, alínea c), quem
tem competência para o divorcio é o conservador ou o tribunal, depende de o
divorcio e por acordo entre ambos ou litigioso (sem consentimento ai é em
tribunal).
Portanto existe uma relação jurídica, união de facto, e não produz efeitos a
menos que tenha sido decretada a separação entre joao e a pessoa com quem
estava casado, se assim for pode beneficiar dos efeitos da união de facto, se
não, não pode.
Quem terá direito a permanecer na casa onde ambos residem?
b)
Joana, pois se formos ao Artigo 3.o alínea a), há uma ruptura de união de facto
e se isto não produz efeitos tudo se passa como se fosse da Joana e ela pode
dizer ao joao para sair de casa.
Caso a hipótese dissesse que eles estavam efetivamente separados, a união
de facto ai produziria efeitos, e ai tínhamos que ir ao regime da proteção de
casa morada de família, e começaríamos por referir o Artigo 3.o depois o Artigo
4.o e consequentemente o Artigo 1105.o e não o Artigo 1793.o pois o primeiro
e para situações em que a casa morada de família esta arrendada a um ou
ambos os membros de união de facto ou conjugues, ja o ultimo aplica-se mas
casos em que a casa em que eles residem é propriedade de um ou de ambos,
o que não seria o caso.
LEI DA UNIÃO DE FACTO
A união de facto é um termo que aparece pela primeira vez na reforma de
1977, no art.o2020 CC.
A Lei 135/99 (não definia a união de facto mas previa-a como uma comunhão
entre sexos diferentes foi a 1a lei a consagrar um regime da união de facto,
mas logo foi revogada pela Lei 7/2001 (também não define e fala numa
comunhão de leito, comunhão de mesa e comunhão de habitação entre ambos
os sexos ou sexos diferentes).
Logo a Lei 7/2001 passou a reconhecer a união de facto entre pessoas do
mesmo sexo A união de facto trata-se, por vezes, de uma convivência pré-
matrimonial.
Art 2o da Lei 7/2001:
b) Uma pessoa portadora de demência mesmo que (...) não pode viver em
união de facto, porque a demência é considerada um impedimento matrimonial
e visa-se evitar que haja uma conceção de uma criança entre pessoas que
tenham problemas de demência para efeitos de se impedir a passagem da
doença para as crianças. O fundamento deste impedimento são motivos
eugénicos- evitar que as crianças possam também ter a mesma doença.
c) Se a pessoa for casada, pode viver com outra pessoa mas não se produzem
os efeitos da união de facto, salvo se essa pessoa estiver separada
judicialmente de pessoas e bens (prevista no CC).
d) linha reta (ex: a avó não pode casar com o neto/ pai não pode casar com a
filha/filho); 2a grau da linha colateral ( ex: irmãos não se podem casar):;
afinidade na linha reta ( ex: não podem casar: sogra com o genro; nora com o
sogro)- podem viver em união de facto mas não se produzem os efeitos da
união de facto em sentido jurídico.
EFEITOS PESSOAIS E EFEITOS PATRIMONIAIS DA UNIÃO DE FACTO-
Art3o
A enumeração dos efeitos pessoais e patrimoniais da união de facto, da lei
7/2001 no art.o3 não é taxativa, como resulta do no2 do art.o3.
Quanto à condição de eficácia da união de facto: não se impõe quanto à
eficácia da união de facto um requisito de hetero-sexualidade, na medida em
que a união de facto entre pessoas do mesmo sexo está equiparada à união de
facto entre pessoas de sexo diferente.
Os unidos de facto do mesmo sexo podem adotar e as mulheres unidas de
facto, independentemente da orientação sexual também podem recorrer às
técnicas de procriação medicamente assistida- Lei 32/2006.
A união de facto só produz efeitos se durar à mais de 2 anos e não deve existir
impedimento ao casamento dos membros da união de facto.
Efeitos pessoais:
Ø
ØØØØ
Ø
Os membros da união de facto ao contrario das pessoas casadas não são
sujeitos nem vinculados a nenhum dos deveres pessoais dos art.o 1671 no2
( principio da codireção/ direção conjunta da família) e 1672oCC (deveres dos
cônjuges).
Nenhum dos membros da união de facto pode acrescentar apelidos do outro,
ao contrário do que acontece com as pessoas casadas
Podem adotar crianças se a união de facto durar há mais de quatro anos e
tiverem mais de 25 anos, tanto na união de facto do mesmo sexo, como de
sexos diferentes.
Cada um dos membros da união, pode adotar singularmente uma criança sem
o consentimento do outro membro da união de facto
Aquisição da nacionalidade: Nos termos da Lei 37/81 se um dos membros da
união de facto for estrangeiro mas viver à mais de 3 anos com um nacional e
que tenha obtido o reconhecimento judicial da união de facto, pode obter
nacionalidade nos termos do art.o3 da lei 37/81.
Acolhimento de crianças: os membros da união de facto podem acolher
crianças nos termos do art 46 no2 da LPCJP (lei de proteção de crianças e
jovens em perigo).
Ø Recurso a técnicas de procriação medicamente assistida: Os
heterossexuais ou casais de mulheres ou mulheres solteiras podem recorrer à
procriação medicamente assistida (excluindo-se os casais homossexuais).
Ø Presunção de paternidade dos progenitores: Presume-se pai aquele que
viver em comunhão duradoura de vida com a mãe nos termos do art.o1871 no1
al. c),
EFEITOS PATRIMONIAIS DA UNIÃO DE FACTO
Ø Não existe um regime, nem regras sobre a administração de bens, na
medida em que os membros da união de facto são estranhos um ao outro,
ficando as suas relações patrimoniais sujeitas ao regime das relações
obrigacionais e reais.
Ø Cada membro pode praticar os atos que entender, com a exceção da doação
ser feita com a pessoa com quem o doador cometeu adultério, sendo esta nula
- art.o2196 CC. Esta total liberdade gera situações de grande iniquidade.
Desvios a esta total liberdade
ØØ
Ø
Ø
Os membros da união de facto vivem em comunhão de mesa, sendo a vida em
economia comum um dos aspetos em que se exprime a união de facto.
A união de facto pode prolongar-se durante muitos anos, durante os quais se
adquirem bens, se contraem dividas, se movimentam contas bancárias, tendo
tudo isto interferência nos respetivos patrimónios e por isso põe-se a questão
de saber se os
companheiros podem celebrar os designados contratos de coabitação
1o DESVIO contratos de coabitação: contratos que regulam eles próprios, em
instrumento notarial os aspetos patrimoniais da relação que estabeleceram ou
vão estabelecer, desencadeando os bens que levam para o casal, fixando
presunções sobre a propriedade dos móveis ou dos valores depositados em
contas bancárias, a contribuição de cada um para as despesas da casa, o
pagamento de dividas e a divisão dos bens que venham a adquiri durante a
vida comum. – Estes contratos só podem
incidir sobre aspetos patrimoniais.
2o DESVIO: os membros da união de facto vivem como se fossem casados o
que cria a
aparência de uma vida matrimonial que pode suscitar a confiança de terceiros
que contratem com os membros da união ou com um deles. Parece assim
razoável estender à união de facto, o art.o1691 al. b) CC, entendendo que os
sujeitos são solidariamente responsáveis (art.o1695 no1 CC), pelas dívidas
contraídas por qualquer um deles para ocorrer aos encargos normais da vida
familiar- Ex: A e B vivem em união de facto e criam a aparência da vida
matrimonial. O A faz umas compras na mercearia que manda entregar em
casa, o merceeiro acredita que tanto ele como a mulher são responsáveis pelo
pagamento das compras, entende-se que faz sentido por analogia aplicar o
art.o 1691 al. b) d a união de facto nessas circunstâncias.
3o DESVIO : aplicação do regime de IRS, tal como se aplica aos casados.
4o DESVIO: se a pessoa viver em união de facto, com beneficiário titular, pode
inscrever-
ØØ
se na ADSE (seguro).
Extinção da união de facto (art.o8, lei 7/2001):
Ø ruptura por parte de um ou de ambos: há que observar o destino da morada
de casa da família- 1105oCC (em matéria de arrendamento) e 1793o (em
matéria de atribuição do uso da casa de morada da família)
Ø por morte: art.o2020 CC; tem direito real de habitação sobre a morada de
casa de família pelo período igual ao que tiver durado a união de facto, que não
pode ser inferior a 5 anos (art 5 da lei 7/2001); transmissão do direito ao
arrendamento; indemnização em causa de morte se o falecido prestava
alimentos ao sobrevivo ( no3 do art.o 495oCC)
Ø por casamento de qualquer um dos membros da união de facto
LEI DA ECONOMIA COMUM lei 6/2002 - Estabelece o regime de proteção das
pessoas que vivem em economia comum há mais de 2 anos.
ARTIGO 4.o - Direitos aplicáveis as pessoas que vivem em economia comum
ARTIGO 5.o- As pessoas que viviam em economia comum com o proprietário
da casa.
FONTES INTERNAS DO DIREITO DA FAMÍLIA:
- CRP - 12 princípios que aqui estão consagrados:
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12.
Direito a celebração do casamento (36.ono1 2a parte);
direito de constituir família (36.ono1 1a parte);
competência da lei civil para regular os requisitos e os efeitos do casamento
(36.oNo2); admissibilidade dos divorcio para quaisquer casamentos (36.ono2
parte final); igualdade dos cônjuges (36.ono3);
atribuição aos pais do dever de educação dos filhos (36.ono5);
inseparabilidade dos filhos dos seus progenitores (36.ono5);
não descriminação entre filhos nascidos no casamento e fora do casamento
(36.ono4); proteção a adoção (36.ono7);
proteção a família (67.o);
proteção da paternidade e da maternidade (68.o);
proteção da infância (69.o)
(artigo 36.o no3 CRP igualdade entre os cônjuges o direito da família tem
características particulares que levam a uma diferenciação desta matéria
relativamente ao direito civil nomeadamente no que diz respeito aos direito das
obrigações)
A proteção devida a célula base da organização social dota de uma maioria de
normas com natureza imperativa por contraposição as normas do direito das
obrigações que são maioritariamente supletivas ou dispositivas
- CC-todooLivroIV
- A lei do apadrinhamento civil
- A lei da proteção de crianças e jovens em risco
- A lei tutelar educativa - lei que estabelece o que é que acontece as crianças
que soa imputáveis
mas que praticam crimes
- Lei da economia comum - 6/2001
- Lei da união de facto 7/2001
- Código de processo civil
- Registo civil do processo tutela cível
- Lei da procriação medicamente assistida
- Código penal quanto a previsão do crime de bigamia artigo (247.o)
- Falsificação do estado civil (248.o)
- Subtração (ex o pai com quem a criança não vive vai buscar a criança e leva-
a consigo) de
menor (249.o)
FONTES INTERNACIONAIS DO DIREITO DA FAMÍLIA:
- Declaração universal dos direitos humanos;
- Convenção sobre os direitos da criança;
- Carta dos direitos fundamentais da UE;
- Convenções da AIA e regulamentos da UE (designadamente o regulamento
4/2009 em
obrigações de alimentos, o regulamento 1259/2010 em matéria de lei aplicável
ao divorcio, regulamento 2016/1103 em matéria aplicável a regimes de bens do
casamento, e o regulamento 2016/1104 em matéria aplicável a regimes de
bens de parcerias registadas)
- Convenção de Istambul sobre a violência domestica
O direito da família tem uma maioria de normas de natureza imperativa e é um
direito institucional na medida que o legislador se limita a reconhecer esse
direito. A família regula sempre a usa existência independentemente do direito,
o legislador limita-se a reconhecer a organização familiar, mas nem sempre
esta está reconhecida na lei, primeiro apareceu o casamento depois a união de
facto (que inicialmente era uma situação horrível do ponto de vista social).
CARACTERES DO DIREITO DA FAMILIA:
- Predomínio de normas imperativas, o que revela o interesse publico na
organização familiar;
- Institucionalismo, porque o legislador se limita quando regula as relações de
família a
reconhecer esse direito que vive e constantemente s realiza na instituição
familiar, e a ideia de
que. A família se organiza e o direito se adapta a organização familiar;
- Coexistência na ordem jurídica portuguesa do direito estadual e do direito
canónico na
disciplina da relação matrimonial;
- Permeabilidade do direito da família as transformações sociais;
- Ligação a outras ciências humanas, por exemplo - direito da filiação, é um
direito largamente
tributário da biologia;
- Afetação de certas questões do direito familiar a tribunais de competência
especializada;
CARACTERES DOS DIREITOS FAMILIARES:
- Direitos familiares pessoais não são direitos subjetivos propriamente ditos,
são poderes
funcionais, poderes deveres e como tais irrenunciáveis e indisponíveis;
- Fragilidade da garantia, os direitos familiares têm um garantia mais frágil do
que a garantia dos
direitos de credito pois não existe uma sanção organizada para o seu não
cumprimento, por exemplo - falamos em deveres conjugais (1672.o) que são os
deveres de cooperação, coabitação, respeito, fidelidade, assistência mas não
ha nenhuma sanção para o não cumprimento dos deveres enquanto nos
direitos de credito se a pessoa não cumpre há uma
sanção específica e portanto os deveres de família não tem uma garantia
efetiva mas sim muito
frágil;
- Caracter duradouro;
- Carácter relativo, existem casos em que excepcionalmente os direitos
familiares doam de
proteção absoluta é o caso dos artigos 485.o no3 e 486.ono2;
- Tipicidade, consiste em so ser admitida a pratica de determinados negócios
ou atos, por
exemplo - casamento, perfilhação ou adoção.
CONSTITUIÇÃO DA RELAÇÃO MATRIMONIAL DO CASAMENTO COMO
ATO:
Unidade do estatuto matrimonial, tendo o casamento ser católico ou civil nos
termos do Artigo 1587.ono1 importa entender o sentido deste dualidade tratar-
se-a de 2 formas de celebração do casamento ou se por outro lado o
casamento civil ou católico são institutos diferentes regidos por ordens jurídicas
diferentes.
1o caso: conserve a sua unidade independentemente da sua forma de
celebração que pode ser civil ou católica.
2o caso: se se tratar de 2 modalidades de casamento diferentes designa-se por
casamento, 2 institutos diferentes que por esse motivo devem ser estudados
em separado.
Antes da CRP de 1976 não se duvidava da existência do casamento civi e
católico fossem institutos diferentes mas em face do Artigo 36.ono2 que atribui
competência a lei civil para regular os requisitos do casamento católico
podíamos pôr em questão a constitucionalidade do artigo 1625.o e do 25.o 1o
parágrafo da concordata 1940, no entanto, a ideia de que a CRP teria revogado
o artigo 1625.o não é defendida pela doutrina nem pela jurisprudência.
Conceitos e os caracteres gerais do casamento - interessa-se não so os
estados mas também em as igrejas a ligação entre o casamento e religião e
muito antiga e aparece em todos os povos, no nosso pais assim o significado
particular para a igreja católica que considera como um dos sacramentos o
casamento entre batizados, reclama por isso, a igreja a sua sujeição a
legislação e jurisdição eclesiásticas salvo no que respeito aos efeitos
meramente civis do casamento;
Promessa de casamento
Casamento civil - consagrado no artigo 1587.o define o casamento como o
contrato celebrado entre 2 pessoas que pretendem constituir família mediante
uma plena comunhão de vida - esta pela comunhão de vida infere-se de outras
disposições do código, trata se d uma comunhão de vida em que os conjugues
estou reciprocamente vinculados pelos deveres de respeito, fidelidade,
cooperação, coabitação e assistência - artigo 1672.o, comunhão de vida
exclusiva 1601.o alínea c), e não livremente dissolúvel nos termos do artigo
1773.o, no entanto, a eliminação da relevância da culpa para dissolução do
casamento e a própria simplificação do regime do divórcio tornam frágeis os
deveres recíprocos e permitem uma dissolução fácil do vinculo, por outro
baldoa procriação não é um fim absolutamente essencial do casamento pelo
que não deve integrar a definição.
Casamento católico - corresponde a noção enunciado no cânone 1557.o
parágrafo 2.o do código de direito canónico como um ato de vontade pelo qual
o homem e a mulher por pacto irrevogável se entregam e recebem
mutuamente a fim de constituirem matrimonio. O casamento católico integra
aquelas mesmas características gerais do casamento que são: exclusividade e
indissolubilidade, a vocação para perpetuidade do casamento católico e muito
mais forte do que no casamento civil, pois, são extremamente raros os casos
em que o direito canónico permite a dissolução do vinculo matrimonial, as
propriedades e características essenciais do casamento como ato e como
estado correspondem na formulação tradicional aos 3 bens do matrimonio:
1. BONUM PROLIS - procriação e educação dos filhos
2. BONUM FIDELI - Fidelidade mutua
3. BONUM SACRAMENTI - indissolubilidade
EX:Imaginemos que um dos conjugues presta o seu consentimento matrimonial
mas não pretende ter filhos exclui um dos bens do casamento o que eu
significa que este é invalido por falta de consentimento matrimonial.
Sistemas matrimonias, existem quatro:
1. Sistema religioso obrigatório, vigorou na Grécia até 1882 com a igreja
Ortodoxa;
2. Sistema do casamento civil obrigatório, vigorou em Portugal a partir de 1910;
3. Sistema do casamento civil facultativo, aqui temos 2 modalidades. Numa
primeira o estado
permite o casamento católico e da a esse casamento efeitos legais mas dá-
lhes os mesmos efeitos e sujeita-o ao mesmo regime do casamento laico ou
vivo, quanto a 2a modalidade - o estado admite como valido o casamento
católico, admite-o como tal, ou seja, como regulado pelo direito da igreja, o
estado não reconhece apenas a forma de celebração religiosa, mas também, a
própria legislação e ate a jurisdição eclesiástica sobre o casamento renunciado
à sua soberania, neste caso casamento civil e católico não são apenas 2
formas diferentes de celebração do casamento mas 2 institutos diferentes um
regulado pelo direito civil e outro regulado pelo direito canónico;
4. Sistema casamento civil subsidiário, o estado subordina-se inteiramente a
igreja assumindo como seu o direito matrimonial canónico, por esse motivo, e
em princípio o casamento católico é o único que o estado reconhece, o
casamento civil so é admitido para os casos em que subsidiariamente é
admitido pelo direito canónico. O direito canónico admite os casamentos mistos
pelo que so serão legítimos os caimentos civis entre não batizados.
QUANTO A EVOLUÇÃO NO DIREITO PORTUGUÊS
1967: Com o código de Seabra 1967 existia o sistema do casamento civil
facultativo, existia o casamento civil e católico aplicando-se. Cada um deles o
seu ordenamento jurídico.
1910: A 5 de outubro 1910 com a implantação da republica veio a ser aprovado
decreto no1 cujo o arrugo 3.o se previa que todos os português celebrarão
casamento perante o respeito oficial do registo civil.
1940: Em 1940 foi celebrado um parto entre o estado português e santa sé que
leva a designação de concordata - atives desta introduzir se o sistema de
casamento civil facultativo, na 2a modalidade o código de 1966 manteve a
legislação concordatária, no entanto a indissolubilidade do cimento católico por
divorcio expressa no artigo 24.o da concordata e inserido mais tarde no artigo
1790.o do cc veio a ser objeto de contestação generalizada em largos setores
da opinião pública - contestação reforçada com a queda da ditadura.
O decreto 261/25 27 Maio no artigo ver revogar o artigo 1790.o CC que não
permitia aos tribunais civis decretar o divorcio nos casamentos católicos,
continuou em vigor o sistema do casamento
civil facultativo na 2a modalidade embora com um enquadramento muito mais
próximo da 1a modalidade
1976: O marcos seguinte foi a CRP de 1976, no seu Artigo 36.o no2 atribui
competência a lei cvil para regular os requisitos e os efeitos do casamento e da
sua dissolução por morte ou divorcio independentemente da sua forma de
celebração;
Lei 16/2001 - liberdade religiosa - por via dessa lei passaram a existir
casamento civis celebrados por forma religiosa perante ministros do culto da
igreja ou comunidade religiosa radicada no país nos termos do artigo 19.o
desta lei, portanto e possível celebrar um caimento evangélico, judaico... mas
plica-se exclusivamente o direito civil
Concordata 2004 foi regida a concordata de 1940, portanto, ja não se vincula o
estado português a reserva aos tribunais eclesiásticos o casamento das causas
respeitadas a nulidade do casamento católico, por outro lado, as decisões
relativas a dispensa pontifícia rato e não consumado e nulidade do casamento
católico deixaram de ser recebidas no direito português de forma automática
independentemente de revisão e confirmação pelo competente tribunal da
relação, so produzindo efeitos civis a requerimento e alguma das orates após
revisão e confirmação
CASO PRÁTICO
Em 1986 António contraiu casamento com a sua cunhada Bárbara, viuva desde
1984.
Do casamento de António e Bárbara nasceu Diamantina no dia 10.10.2022.
Em Abril de 2019 Diamantina casou com Francisco, filho biológico de António
que foi adotado aos 2 anos de idade por Helena e João.
No dia 2 de Abril de 2020 Diamantina e Francisco separaram-se.
Em janeiro de 2021 Diamantina casou civilmente com Gustavo, irmão de
barbara.
Pronuncie-se quanto à admissibilidade dos casamentos celebrados:
1. Entre António e Bárbara -Estamos perante uma relação de afinidade, ou
seja, vinculo que liga cada um dos conjugues aos parentes do outro. Bárbara
era casada com o irmão de Antonio e portanto relação de afinidade, agora falta
saber o grau e a linha - linha colateral (não existe 1o grau, o que distingue da
linha Reta é consultar o Artigo 1580.o reta quando um dos parentes descende
do outro e Colateral quando não descende um do outro mas têm um progenitor
em comum). E linha colateral 2o grau linha colateral e não é um impedimento
matrimonial pois só o é quando é em linha reta.
2. Entre Diamantina e Francisco - O casamento entre Diamantina e Francisco
contem um impedimento dirimente relativo (ARTIGO 1602.o), uma vez que
proíbe o casamento entre parentes em linha reta e em linha colateral até ao
segundo grau, o que inclui irmãos (alínea c).
No entanto, Francisco foi adotado por outro casal, o que levanta a questão - a
adoção
rompe os laços biológicos para fins de impedimento matrimonial? O ARTIGO
1986.o estabelece que a adoção plena extinga os vínculos familiares com a
família biológica, salvo impedimentos matrimoniais.
INVALIDADE DO CASAMENTO
- O casamento civil so pode ser inexistente ou anulável; - O casamento
católico so pode ser inexistente e nulo;
Quanto ao regime de INEXISTÊNCIA:
a inexistência vem prevista no Artigo 1628.o e prevê se que é juridicamente
inexistente nos termos da alínea a), b), c) e d).
O regime da inexistência é mais gravoso pois não produz quaisquer efeitos
nem mesmo putativos a inexistência pode ser invocada a todo o tempo por
qualquer interessado e independentemente de declaração judicial nos termos
do Artigo 1630.o.
Também pode ser reconhecida por sentença em ação que não seja
especialmente intentada para esse fim, também pode ser invocada por via da
exceção e declarada oficiosamente pelo tribunal.
Quanto ao regime da ANULABILIDADE:
Podemos dizer que produz alguns efeitos, como vamos ver em matéria de
casamento, pode ser invocada dentro de um certo prazo apenas pelas pessoas
a quem a lei atribui legitimidade e não é do do conhecimento oficioso.
Os casos de anulabilidade são os identificados no Artigo 1631.o, de acordo
com este artigo as causas são, contrair com impedimento dirimente (pode levar
a anulação do casamento) e os restantes presentes nas restantes alíneas.
A anulabilidade do casamento so é invocável quando reconhecida por sentença
em ação especialmente intentada para esse fim.
Em alguns casos a anulabilidade é sanável o artigo 1633.o CC no1 prevê que
considera-se sanada a anulabilidade e valido o casamento desde o momento
da celebração se antes de transitarem em julgado a sentença de anulação
ocorrer alguns dos seguintes factos mencionados nas respetivas alíneas.
LEGITIMIDADE 1639.o a 1642.o:
- Impedimento dirimente prevista no disposto no artigo 1639.o o qual prevê que
tem a legitimidade para intentar a ação de anulação ou para prosseguir nela o
cônjuges ou qualquer parente deles na linha reta (filhos, netos e bisnetos), ou
ate ao 4o grau da linha colateral (primos) bem como os herdeiros, podem ainda
intentar a ação, o tutor, o acompanhamento com poderes para o efeito e o
primeiro cônjuge infrator em caso de bigamia;
FALTA DE VONTADE vem prevista no artigo 1635.o - anulação por simulação
pode ser requerida pelos próprios cônjuges ou por quaisquer pessoa
prejudicadas pelo casamento, a ação de anulação so pode ser proposta pelo
cônjuge cuja vontade faltou mas podem prosseguir nela os seus parentes afins
na linha reta, herdeiros ou adotantes se o autor falecer na pendência da causa;
Anulação fundada em VICIO DA VONTADE temos que ter em consideração o
disposto no artigo 1641.o - erro sobre as qualidades essenciais da pessoa do
outro cônjuge prevista no artigo 1636.o, coação moral prevista no artigo 1638.o
- esta so pode ser instaurada pelo cônjuge que foi vitima do erro ou da coação,
mas podem prosseguir na ação sos eus parentes afins na linha reta, herdeiros
ou adotantes que se o autor falecer na pendência da causa;
PRAZOS:
- Anulação fundada em impedimento dirimente, em casos de menoridade,
demência notaria ou acompanhamento de menores judicialmente impeditivo
quando.
- Quando a ação for proposta pelo próprio incapaz o prazo é de 6 meses
depois de ter atingido a maioridade ou da incapacidade natural ter cessado, ou
de ser visto nesse sentido o acompanhamento.
- Quando a ação for proposta por outra pessoa o prazo e de 3 anos seguidos
do casamento mas nunca depois da maioridade ou da cessação da
incapacidade natural.
- No caso de condenação por homicídio contra o cônjuge nos termos da alínea
b) do artigo o prazo e de 3 anos a contar da celebração do casamento.
- Nos demais casos o prazo e de 3 meses após a dissolução do
Prazos relativos a anulação fundada a FALTA DE VONTADE
Só pode ser instaurada dentro dos 3 anos subsequentes a celebração do
casamento, ou se este era ignorado do requerente nos 6 meses seguintes ao
momento em que teve conhecido.
Anulação fundada a VICIOS DA VONTADE 1645.o
A ação de anulação fundada em vícios da vontade caduca se não for
instaurada dentro dos 6 meses subsequentes a cessação do vicio;
EX: A casou com B porque B disse que era o pai ja na constância do
matrimonio a tem conhecimento de que ele não era o pai da criança qual é o
prazo para instaurar ação de anulação? 6 meses
Anulação fundada na falta de testemunhas
So pode ser instaurada dentro do ano posterior aceleração do casamento
artigo 1646.o
Artigo 1651.o - consagra os casamentos sujeitos a registo , existem 3 tipos de
casamento sujeitos a registo em Portugal, o efeito do registo e retroativo nos
termos do artigo 1670.o, no entanto, a omissão do registo pode ser suprida por
decisão do conservador em processo de justificação administrativa nos termos
do artigo 83.o no1 alínea a) do Código do Registo civil. Para efeitos de
capacidade matrimonial contam todos os casamentos registados ainda que não
em Portugal;
CASAMENTOS URGENTES - vem previsto no artigo 1622.o CC e no artigo
156.o dos Código do Registo Civil, quais são as formalidades preliminares do
casamento urgente? Resumem-se a proclamação a que se refere a alínea a)
do artigo 156.o - uma proclamação oral ou escrita feita a porta da casa onde se
encontrem os ... (consultar artigo). Consultar artigo 1624.o. O casamento
urgente não homologado e um casamento inexistente nos termos do artigo
1628.o alínea a).
O que acontece se um casamento civil for anulado?
Um casamento que se pensava ser validamente celebrado mas que afinal não
é, é um casamento putativo.
Qual é a sua razão de ser? Vem presente nos artigos 1647.o e 1648.o a sua
justificação tem que ver com em face de declaração de retroatividade,
anuidade ou anulação ao casamento declarado nulo ou anulado não deveriam
ser atribuídos quaisquer efeitos mas são e a justificação do casamento putativo
fundamenta-se na proteção da família pois o casamento anulado produz efeitos
ate a data da sentença que o anula é um regime especial da nulidade
O casamento putativo depende de 3 PRESSUPOSTOS:
1. Existência do casamento, o casamento inexistente não produz quaisquer
efeitos nos termos
do artigo 1630.o;
2. Casamento seja declarado nulo ou anulado nos termos do artigo 1647.o no1
e no2 pois a
invalidade do casamento não opera automaticamente, enquanto não for
reconhecida por
sentença em ação especialmente intentada para o efeito o casamento produz
todos os efeitos;
3. Cônjuges estejam de boa fé ou pelo menos algum deles esteja de Boa-Fe a
Boa-Fe de ambos
ou de alguma eles é indispensável para a produção de efeitos em relação a
ambos ou em relação a um deles ou terceiro, quanto aos filhos, produzem
sempre os efeitos putativos ainda que, ambos os cônjuges tenham contraído o
casamento de Ma-fé.
RELAÇÕES DE PARENTESCO
Estabelece-se entre pessoas que têm o mesmo sangue, porque descendem
umas das outras ou porque provem de um progenitor comum.
EX: relações entre pai e filho, irmãos, primos, entre outros.
Relações de afinidade ARTIGO 1583.o
Trata-se de um dos efeitos da relação matrimonial. Em consequência desta,
ficam a ligar um dos conjugues, aos parentes do outro cônjuge, isto é, consiste
num vinculo jurídico que liga um cônjuge a família do outro cônjuge.
DIVIDAS DOS CÔNJUGES
O direito comum das obrigações não é suficiente para regular o regime das
dividas conjugais.
De acordo com o direito comum cada cônjuge teria legitimidade para assumir
dividas e responderia com o sue património pelo seu cumprimento, poderia
recorrer ao mandato com ou sem representação a gestão de negócios, a
solidariedade passiva no sentido de fazer uma dos co obrigados a pagar mais
do que a sua parte e a final para que o património de um dos cônjuges pudesse
reforçar a garantia do pagamento das obrigações assumidas pelo outro.
Mas a comunhão de vida conjugal justifica a instituição de um regime especial
mais complexo mas mais ajustado que se caracteriza essencialmente por
facilmente um dos cônjuges puder obrigar o outro sem este ter participado na
assunção da divida e na ausência de mandato ou de gestão de negócios.
O património de um dos cônjuges e o património comum são facilmente
chamados a pagar civis para alem da quota que lhes competia.
Cada um dos cônjuges tem legitimidade para contrair dividas sem o
consentimento do outro (1690.ono1) e atende-se para a determinação da
responsabilidade dos cônjuges para que a data em que as dividas foram
contraídas é a do facto a que lhes deu origem (1690.ono2).
O princípio ja esta consagrado no código de 76 mas atribuindo os bens da
mulher ao marido mal se compreendia que ele podia ser responsabilizado
DIVIDAS DA RESPONSABILIDADE DE AMBOS OS CÔNJUGES (1691.o)
- Alínea a): dividas contraídas antes ou depois da celebração do casamento
pelos 2 cônjuges ou por 1 deles com o consentimento do outro, ou seja, dividas
posteriores e anteriores a celebração do casamento, consagra-se o princípio da
liberdade de forma ([Link]) quanto a validade do casamento e por isso
falamos em casamento consensual que é valido, a prova pode ser difícil e o
ónus da prova incumbe ao credor que queira responsabilizar ambos os
cô[Link] caso de separação de bens o consentimento informal do cônjuge
do devedor que o credor não conheceu nem podia ter conhecido pode traduzir-
se numa responsabilidade parceária pela divida nos termos do artigo
1695.ono2 CC, contra a expectativa do credor que contava com a
responsabilidade integral do cônjuge.
- Alínea b): dividas contraídas por qualquer dos cônjuges antes ou depois da
celebração do casamento sob os encargos normais da vida familiar - estes
encargos são dividas pequenas relativamente ao padrão de vida do casal em
geral correntes ou periódicas que qualquer dos cônjuges tem de ser livre de
contrair, por exemplo: alimentação, vestuário, medico e farmácia, pagamento
de viagem a um filho, ou com encargos de um ascendente em economia
comum. As prestações de empréstimo compra de automóveis NÃO SE
INCLUEM.
- Alínea c): dividas contraídas na constância do matrimonio pelo cônjuge
administrador em proveito comum do casal e nos limites dos seu poderes de
administração. O cônjuge administrador para se considerar que ha
responsabilidade comum e preciso averiguar se essa divida esta confeccionado
com os bens que esse cônjuge tem a administração, essa averiguação assenta
na aplicação dos artigos 1678.o e 1679.o ao caso, não é exemplo a divida
contraída pelo marido para pagar construção de muro na propriedade da
mulher de que ela é administradora, os poderes de administração são mais
amplos do que os dos administradores de bens alheios e estes so terminam
grosso modo na necessidade de ter que pedir consentimento ao outro cônjuge
sobre pena de ilegitimidade, por outro lado, o proveito comum do casal não se
presume este afere-se não pelo resultado mas pela intenção, pela aplicação da
divida, se a intenção foi beneficiar o casal a divida considera-se aplicada em
proveito comum do casal embora na realidade dessa aplicação possam ter
resultados prejuízos também se deve dizer que o interesse comum do casal
pode ser material ou económico, moral ou intelectual. Assim é contraída em
proveito comum do casal a divida que um dos cônjuges contraia para fazerem
os 2 uma viagem.
- Alínea d): as dividas contraídas por qualquer dos cônjuges no exercício do
comercio salvo se se provar que não foram contraídas em proveito comum ou
se vigorar entre ambos o regime de separação de bens. Deve-se atender ao
artigo 15.o Código comercial que prevê que as dividas comercias do cônjuge
comerciante presumem-se contraídas no exercício do comercio. Afasta-se a
presunção de comunicabilidade mostrando que a divida não foi contraída no
exercício do comercio do devedor, por exemplo: o cônjuge marido e vendedor
de automóveis e contrai uma divida para comprar 5 automóveis para revenda e
contrai outra para comprar outro automóvel para o sue uso pessoal então a
divida que ele contraiu os automóveis para venda é comercial e do uso próprio
não é comercial e portanto consegue-se afastar a presunção da
comunicabilidade. Esta aliena estabelece uma verdadeira presunção legal de
direito comum. Não ha comunicabilidade das dividas para efeitos da alínea d)
do artigo 1691.o se vigorar entre os cônjuges o regime de separação de bens.
1692.o dividas contraídas antes ou depois do casamento sem o consentimento
do outro fora dos casos indicados nas alíneas b) e c) do no1 do artigo anterior,
pois nessas alienas a divida e
comunicável ainda que seja so um dos cônjuges a contrai-la. As dívidas
provenientes de crimes e as multas devidas por factos imputáveis a cada um
dos cônjuges. As dividas que onerem doações, heranças ou legados, esta são
da exclusiva responsabilidade do cônjuge aceitante mas se por forca do regime
de bens adotado se estes ingressarem no património comum então a
responsabilidade pelas dividas é comum.
1695.o dividas da responsabilidade de AMBOS os cônjuges:
- Respondem os bens do casal, se a divida é comunicável;
- Ou na sua falta os bens próprios dos cônjuges. Se vigorar no casamento o
regime de
separação de bens a responsabilidade dos cônjuges não e solitário no2
Bens que respondem pela EXCLUSIVA responsabilidade de um dos cônjuges:
- Respondem os bens próprios desse cônjuge devedor e subsidiariamente a
sua meação nos bens comuns, o credor pode penhorar bens comuns na ação
executiva e pedir a citação do cônjuge executado par em20 dias por comprovar
se ja requer ou não a separação de bens sob pena de não o fazendo os bens
comuns serem objeto de execução - Artigo 740.o CPC;
- Respondem os bens por ele levados para o casal 1696.ono2
- Bens sub-rogados nos bens que ele levou para o casal
Quando ha uma divida que era so de um dos cônjuges e responde o património
comum há lugar as compensações uma divida pessoal de 1 dos cônjuges o
outro cônjuge não devedor fica com o credito sob o cônjuge devedor pois foi
utilizado património seu para pagar a divida do outro cônjuge.