Mariane Lacerda PIESS VI Medicina | Univasf
RAPS – Rede de Atenção Psicossocial
Portaria n.º 3.088/2011 e Instrutivo Técnico da RAPS
A RAPS é um arranjo de serviços e práticas organizadas em rede para
cuidar de pessoas com sofrimento mental e/ou uso problemático de álcool e
outras drogas. O foco é garantir cuidado integral, territorializado e centrado
na pessoa, privilegiando cuidado comunitário, redução de danos e inclusão
social em vez de isolamento institucional.
Definição de transtornos mentais graves e persistentes:
substituição ao termo “doença mental crônica”, por conta da associação
deste último com questões incuráveis e intratáveis. Compreende três
dimensões: diagnóstico de um transtorno mental; gravidade do
quadro; e disfunção, limitações funcionais e sequelas do quadro
mental.
o Podemos considerar alguns grupos didaticamente transtornos
psicóticos, afetivos, espectro impulsivo-compulsivo, transtornos
alimentares e da personalidade associados à cronicidade e à
disfunção/limitação importantes, constituem os TMGP.
A porta de entrada para o cuidado na RAPS, conforme normativas, são os
estabelecimentos e os serviços da Atenção Primária em Saúde, da Urgência
e Emergência e os Centros de Atenção Psicossocial, onde as pessoas são
acolhidas, sejam elas referenciadas ou por demanda espontânea.
O Ministério tem desenvolvido linhas de cuidados, de forma a orientar e
ordenar os fluxos locais, de acordo com a Política Nacional de Saúde Mental.
PORTARIA Nº 3.088, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2011: Institui a Rede de
Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental
e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas,
no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
+ Portaria de Consolidação n.º 3, de 28 de setembro de 2017
+ Alterada por meio da Portaria n.º 3.588/2017 incluindo novos serviços,
bem como orientando alterações na vocação inicial dos Serviços
Residenciais Terapêuticos (SRT), visando ampliar o alcance e a
efetividade das ações da rede.
Art. 1º Fica instituída a Rede de Atenção Psicossocial, cuja finalidade é a
criação, ampliação e articulação de pontos de atenção à saúde para
pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades
decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do
Sistema Único de Saúde (SUS).
Art. 2º a 4º descrevem as diretrizes e os objetivos da Rede de Atenção
Psicossocial (RAPS) — ou seja, como a rede deve funcionar e o que ela
precisa alcançar.
Diretrizes principais (Art. 2º) — Indica como devemos atuar
1. Respeito aos direitos humanos: preservar autonomia e
liberdade do usuário.
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2. Equidade: reconhecer determinantes sociais ([Link].: pobreza,
moradia, trabalho).
3. Combate ao estigma: ações para reduzir preconceito e exclusão
social.
4. Acesso e qualidade: cuidado integral, equipe
multiprofissional e lógica interdisciplinar.
5. Atenção humanizada: centrada nas necessidades individuais.
6. Diversificar estratégias de cuidado: diferentes serviços e
modalidades (ambulatórios, residências terapêuticas, CAPS,
atenção básica).
7. Atuação territorial: intervenção no território para inclusão
social e autonomia.
8. Redução de danos: estratégias práticas para diminuir riscos do
uso de drogas.
9. Base comunitária: serviços territoriais com participação social
(usuários/familiares).
[Link]ção em rede regionalizada: articulada com outros
setores (educação, assistência social, trabalho).
[Link]ção permanente: formação contínua dos profissionais.
[Link] Terapêutico Singular (PTS): cuidado orientado por PTS
para pessoas com transtornos mentais e problemas associados ao
uso de substâncias.
Objetivos gerais (Art. 3º) — Indica o que a rede quer alcançar
1. Ampliar acesso aos serviços de atenção psicossocial para toda a
população.
2. Facilitar o acesso de pessoas com transtornos mentais e usuários de
crack/álcool/drogas e suas famílias aos pontos de atenção.
3. Articular e integrar os pontos de atenção (rede territorial), com foco
em acolhimento, acompanhamento contínuo e atenção às urgências.
Objetivos específicos (Art. 4º) — São as metas práticas que se busca
alcançar
Foco em grupos vulneráveis: crianças, adolescentes, jovens,
pessoas em situação de rua, populações indígenas.
Prevenção do consumo e da dependência de substâncias.
Redução de danos relacionados ao uso de crack, álcool e outras
drogas.
Reabilitação e reinserção social: acesso a trabalho, renda e
moradia.
Formação permanente dos profissionais de saúde.
Ações intersetoriais em parceria com governos e sociedade civil.
Informação e direitos: oferecer informações sobre direitos,
prevenção, cuidado e serviços disponíveis.
Regulação e organização dos fluxos e demandas da rede (como
encaminhamentos).
Monitoramento e avaliação: indicadores de efetividade e
resolutividade do cuidado e dos serviços.
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A RAPS tem 6 componentes:
I. Componente de APS, constituído por UBS, eSF e eCR;
a. Identificar precocemente;
b. Realizar o acolhimento e o atendimento humanizado;
c. Acompanhar as pessoas com quadros clínicos e psicossociais
estáveis, leves e moderados;
d. Articulação permanente com serviços especializados;
e. Encaminhar casos de maior complexidade
f. Desenvolver ações de promoção de saúde mental e de
prevenção de seus agravos;
As Equipes de Consultório na Rua, por ser itinerante,
devem ampliar o acesso ao cuidado, estabelecer vínculo
e acompanhar as pessoas em situação de rua.
II. Componente de ATENÇÃO ESPECIALIZADA, é constituído por:
a. Centros de Atenção Psicossocial (Caps)
Tipos: Caps, Caps i (infantil) e Caps AD (Álcool e outras
drogas)
Porte: I, II, III, IV (adultos)
1. Caps I é o único que não tem obrigatoriedade de
psiquiatra atuando.
Embora se diferenciem em porte e tipologia, todos
devem atender aos casos clínicos e psicossociais de
maior complexidade, independentemente da Hipótese
Diagnóstica (HD).
Caps III e IV funcionam 24h, permitindo a permanência
noite (além de permanência dia).
Contam com equipe multiprofissional especializada
durante todo horário de funcionamento (enfermeiro,
médico psiquiatra, equipe de enfermagem e profissional
administrativo). Outras categorias profissionais em
conformidade com as singularidades epidemiológicas e
socioeconômicas de cada região.
Serviços especializados em saúde mental e de caráter
territorial e comunitário.
Atendimento intensivo e reabilitação de pessoas com
transtornos mentais mais graves e persistentes;
Estratégias: oficinas, terapias, atendimentos individuais
e coletivos, em programas (projetos terapêuticos)
individualizados.
Muitos pacientes necessitam de cuidados várias vezes
por semana, além de medicação assistida e suporte para
atividades de vida diária.
O Caps deve promover articulação da rede em prol da
reabilitação psicossocial e da inclusão sociofamiliar,
além do devido referenciamento aos serviços de
urgência e emergência.
b. Equipes Multiprofissionais de Atenção Especializa em
Saúde Mental – eMAES:
Tipos: I, II, e III
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Se diferenciam em seu porte considerando a composição
e a carga horária das equipes, constituídas por
médico(a) psiquiatra, psicólogo(a) e assistente social.
Não exigem construção ou abertura de novos serviços,
podendo ser cadastradas hospitais, clínicas e
ambulatórios preexistentes.
Realiza oferta de cuidado individual e grupal, devendo
estar articuladas a outros pontos da Raps e
preferencialmente com vagas reguladas.
Atendem às pessoas com transtornos mentais mais
prevalentes e de gravidade moderada, tais como: os
transtornos de ansiedade, os transtornos de humor e a
dependência química, referenciadas pela atenção básica
e pelos Caps.
Devem buscar sempre manter vínculo com a unidade da
APS de origem do paciente.
Desenvolvem a dimensão pedagógica junto às equipes
da atenção básica por meio do matriciamento e, com
isso.
Desempenham a função de reguladora no que diz
respeito ao referenciamento dos usuários da atenção
primária para a atenção secundária e alta complexidade,
nas duas direções.
III. Componente de ATENÇÃO HOSPITALAR:
a. Unidades de Referência Especializadas em Saúde Mental
em Hospitais Gerais (HG);
b. Leitos em Hospitais Psiquiátricos Especializados (HP);
São leitos em hospitais especializados em psiquiatria,
que geralmente se dividem em unidades ou enfermarias.
Devem atender a crises e agudizações, em internações
de curta permanência (inferior a 90 dias). Devem ofertar
cuidado hospitalar para situações de
urgência/emergência decorrentes do consumo ou
abstinência de álcool, crack e outras drogas, bem como
para pessoas com outros transtornos mentais
agudizados, com e sem comorbidades clínicas, advindos
da Rede de Atenção Psicossocial e da Rede de Urgências
e Emergências (RUE).
c. Leitos em Hospital-Dia.
d. Função de retaguarda para os demais estabelecimentos e
serviços da Raps, contar com equipe multiprofissional
(psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais e enfermeiros,
entre outros), proporcionando o acompanhamento integral à
saúde conforme o Projeto Terapêutico Singular (PTS) de cada
pessoa.
e. A decisão pela internação é clínica e, em caso de
involuntariedade, devem ser obedecidos critérios.
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f. Especificamente na saúde mental, são necessários espaços de
convivência, de lazer, para prática de esporte,
preferencialmente, em grupo.
g. Todos os municípios, incluindo aqueles de pequeno porte,
devem contar com referência especializada para internações,
seja própria, em consórcios ou via regulação de leitos
(municipal ou regional) em conformidade com o desenho da
rede pactuada nas instâncias coletivas de gestão.
h. Têm o dever de atender todas as faixas etárias, respeitadas as
disposições do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
IV. Componente da ATENÇÃO ÀS URGÊNCIAS E EMERGÊNCIAS:
a. Unidades de Pronto Atendimento 24 horas (UPA)
b. Prontos-Socorros (PS – portas hospitalares de atenção à
urgência)
c. Salas de Estabilização
d. Serviços de Atendimento Móvel de Urgência (Samu)
V. Componente RESIDENCIAL DE ACOLHIMENTO TRANSITÓRIO:
a. Unidades de Acolhimento (UA): São serviços cadastrados
no CNES dos Caps, em especial dos Caps i e dos Caps AD, e
sob a responsabilidade técnica destes estabelecimentos.
Apresentam caráter residencial (moradia provisória) e
protetivo.
Tipos:
1. Unidade de Acolhimento para adultos (UAA) acima
de 18 anos de idade, de ambos os gêneros.
Podem acolher até 15 pessoas.
2. Unidade de Acolhimento Infantojuvenil (UAI) para
crianças e adolescente. Podem acolher até 10
pessoas.
b. Comunidades Terapêuticas (CT): são instituições privadas,
sem fins lucrativos, integrantes do Sistema Nacional de
Políticas Públicas sobre Drogas (Sisnad) com caráter
intersetorial e interdisciplinar, que prestam serviços de
acolhimento residencial, de caráter transitório, com adesão e
permanência voluntárias de pessoas com transtornos
decorrentes do uso, abuso ou dependência de substâncias
psicoativas. Integram também a Rede de Atenção Psicossocial
(Raps) do Sistema Único de Saúde de forma intersetorial.
O atendimento prestado nas Comunidades Terapêuticas
tem como principal característica a adesão e a
permanência voluntárias, manifestadas por escrito.
VI. Componente da ESTRATÉGIAS DE DESINSTITUCIONALIZAÇÃO E
ACOLHIMENTO ÀS PESSOAS COM TRANSTORNOS MENTAIS EM
EXTREMA VULNERABILIDADE E SEM VÍNCULO FAMILIARES:
a. Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT):
SRT tipo I – Acolhe até dez moradores com certa
autonomia.
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SRT tipo II – Acolhe até dez moradores com acentuado
nível de dependência, especialmente em função do seu
comprometimento físico, que necessitam de cuidados
permanentes
b. Programa de Volta para Casa (PVC): instituído pela Lei n.º
10.708, de 31 de julho de 2003, regulamentada pela Portaria
de Consolidação GM/MS n.º 5, de 28 de setembro de 2017, que
dispõe sobre o auxílio-reabilitação psicossocial, atualmente no
valor atual de R$ 500,00 (quinhentos reais), destinado às
pessoas acometidas de transtornos mentais, com história de
longa internação psiquiátrica (dois ou mais anos ininterruptos)
em hospitais psiquiátricos ou de custódia, visando favorecer a
ampliação da rede de relações destas pessoas e o seu bem-
estar global, estimular o exercício pleno dos seus direitos civis,
políticos e de cidadania, fora da unidade hospitalar.
VII. Componente das AÇÕES DE REABILITAÇÃO PSICOSSOCIAL:
a. Iniciativa de geração de trabalho e renda: ações para o
fortalecimento, a inclusão e o exercício de direitos de cidadania
de pacientes e seus familiares mediante a criação e o
desenvolvimento de iniciativas articuladas com os recursos do
território nos campos do trabalho, habitação,
educação, cultura, segurança e direitos humanos. Constitui-se
em iniciativas de geração de trabalho e renda,
empreendimentos solidários e cooperativas sociais. O incentivo
financeiro disponibilizado pelo Ministério da Saúde é destinado
aos entes federados que obedeçam aos critérios.
ANOTAÇÕES DA AULA:
Existem serviços/órgãos que estão fora da rede, mas que também fazem
parte do cuidado à saúde mental. Em Paulo Afonso há alguns serviços:
Fundame (crianças), Recanto Solidário (dependentes químicos), Lar dos
Vicentinos (idoso) e APAE (deficiências, atípicos).
Rede de Atenção Biopsicossocial (corpo, mente e vida social – cultura,
religião, etc.).
Em qualquer ponto da rede deve ser feito acolhimento, o que não
necessariamente indica que será feita uma consulta e resolução, mas
sim que o paciente não ficará “solto” na rede.
Paulo Afonso:
o APS: possui UBS, não tem eCR.
Existe uma tendência do médico da AB de encaminhar
casos de transtornos mentais para psiquiatras. Para tanto,
essencial a realização do matriciamento em que o médico
do CAPS vai auxiliar na qualificação dos médicos de AB.
Acompanhamento longitudinal.
Não existe um fluxo linear de atendimento na rede, o
paciente pode transitar entre os diferentes
níveis/componentes;
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Existe, ainda, a tentativa de incluir a AB na investigação de
transtornos de neurodesenvolvimento.
o Atenção Hospitalar:
Paulo Afonso ainda não possui leitos de retaguarda em
psiquiatria.
Região de Paulo Afonso tem direito a 11 leitos psiquiátricos.
Hoje, existem apenas 8 leitos no hospital do BTN.
Serviços que estão fora da rede, por exemplo, auxiliam a
suprir a necessidade de leitos psiquiátricos.
o Urgência e emergência: UPA e Samu.
Equipe de Pronto-Atendimento em Saúde Mental, que vai
atuar junto as forças de segurança pública.
Equipe treinadas, capacitadas e avaliadas
psicologicamente.
Dentro deste contexto, vai existir um profissional
negociador.
Na UPA o seguimento deve ser em 24h. Passou disso, o
paciente é regulado para o serviço de internamento.
o Atenção especializada:
Tem ainda os CER (Centro Especializado em Reabilitação) –
são serviços regionais, atuam em deficiências, transtornos
de neurodesenvolvimento, etc.
Ambulatório em Saúde Mental adulto e infantojuvenil.
Núcleo Desenvolver: focado em transtornos de
neurodesenvolvimento.
o Reabilitação Psicossocial:
Parceria com a Secretaria de Meio Ambiente para capacitar
para a produção de hortaliças, que são
fornecidas/comercializadas para o Assaí, hamburguerias,
etc. O dinheiro é convertido para os trabalhadores.
Ecobrinquedoteca: produção de brinquedos utilizando
material reciclável.
Alguns pacientes tem um nível de envolvimento
cognitivo/comportamental que impossibilitam o trabalho.