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O PAPEL DOS SERVIÇOS FINANCEIROS RURAIS NA PROMOÇÃO
DO DESENVOLVIMENTO DA AGRICULTURA FAMILIAR: Caso da
Cooperativa 25 de Setembro no distrito de Boane, Moçambique
José de Sousa Paiva Moura1
Nelson Maria Rosário2
Resumo
Em Moçambique, a agricultura familiar é o sector que emprega a maioria da população e nos
últimos anos essa atividade tem sido deixada a deriva e, em contrapartida, os outros sectores
são privilegiados, mesmo quando se sabe que a agricultura é considerada a principal atividade
econômica. O presente artigo tem como objetivo analisar o papel dos serviços financeiros
rurais na promoção do desenvolvimento da agricultura familiar, caso da Cooperativa 25 de
Setembro no distrito de Boane, mostrando ainda que os serviços financeiros são importantes
na ajuda as familias rurais para terem uma vida mais digna. Para a concretização do objetivo,
recorreu-se a pesquisa exploratória, qualitativa e quantitativa e estudo de caso, suportados
pela pesquisa bibliográfica e documental. Os resultados mostram que os serviços financeiros
rurais promovem o desenvolvimento da agricultura familiar, na Cooperativa em particular e
no distrito em geral.
Palavras-chave: Agricultura familiar, Serviços financeiros rurais ePromoção do
desenvolvimento
THE ROLE OF THE RURAL FINANCE IN DEVELOPMENT PROMOTION OF
FAMILY AGRICULTURE: Study case Cooperative 25 de September in Boane district,
Mozambique
Abstract
In Mozambique, family agriculture is a sector which employs the huge number of the
population and in the past years, this activity is being misled and on the other hand other
sectors are taking in consideration even through is known that the agriculture is consider the
backbone of the economy. This article has the main objective to analyses the role of the rural
finance in development promotion of family agriculture study case Cooperative 25 de
September in Boane district, showing that the financial services are important in helping rural
families to lead a more dignified life. In order to make the objective come through, a
exploratory research has taken place on the study case as well as quantitative and qualitative
1
Licenciado em Agro-Negócios na Escola Superior de Negócios e Empreendedorismo de Chibuto da
Universidade Eduardo Mondlane. Contacto: josopamo@[Link]
2
Professor na Escola Superior de Negócios e Empreendedorismo de Chibuto da Universidade Eduardo
Mondlane. Contacto: nemaro17@[Link]
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supported by bibliography and documental research. The results show that rural financial
promotes development of family agriculture in cooperative either in particular Boane district."
Keywords:Familyagriculture, financial rural services anddevelopment promotion
EL PAPEL DE LOS SERVICIOS FINANCIEROS RURALES EN LA PROMOCIÓN
DEL DESARROLLO DE LA AGRICULTURA FAMILIAR:
Si la Cooperativa 25 de septiembre en el distrito Boane, Mozambique
Resumen
En Mozambique, la agricultura familiar es el sector que emplea a la mayoría de la población y
en los últimos años esta actividad ha permitido a la deriva y, por otro lado, otros sectores son
privilegiados, aun cuando se sabe que la agricultura es considerada la principal actividad
económica. Este artículo tiene como objetivo analizar el papel de los servicios financieros
rurales en la promoción del desarrollo de la agricultura familiar, si la Cooperativa 25 de
septiembre en el distrito Boane, sigue mostrando que los servicios financieros son importantes
para ayudar a las familias rurales a tener una vida más digna. Para lograr el objetivo, se utilizó
el estudio de investigación y de caso exploratorio, cualitativo y cuantitativo, con el apoyo
documental y la investigación bibliográfica. Los resultados muestran que los servicios
financieros rurales promueven el desarrollo de la agricultura familiar, cooperativa, en
particular, y el distrito en general.
Palabras clave: agricultura familiar, los servicios financieros rurales y que promueven el
desarrollo
INTRODUÇÃO
Os serviços financeiros constituem uma espinha dorsal para a efetividade da atividade
agrícola no país e o motor que guia a atividade comercial com vista a sua lucratividade. Como
em qualquer parte do mundo, estes serviços são prestados e ou destinados a determinados
grupos, estando os pequenos produtores inclusos.
Com o financiamento da agricultura, neste caso a familiar3 poderá se dar o inicio a
mudança de paradigma, passando-se da produção rudimentar que até hoje predomina em
Moçambique para a agricultura moderna, fazendo nesse caso com que haja aumento
dosíndices de produção e produtividade. Considera-semodernização da agricultura em
Moçambique quando há essencialmente o emprego de maquinarias e uso de agro-químicos
para a produção agrícola. Importa referir, que esta modernização ainda está longe de se tornar
3
“São considerados, como tal, os produtores agrários de pequena escala, cuja produção é intensiva em mãode-
obra, sobretudo familiar, pouco integrados no mercado de factores (insumos, máquinas e dinheiro – terra,
trabalho assalariado e outras fontes de rendimento não-agrícola), que produzem, essencialmente, para a
reprodução da família”(MOSCA, 2014,p. 4).
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real, visto que ela continua a ser praticada na grande maioria ainda de uma forma tradicional,
não existindo deste modomão-de-obracom conhecimento suficiente e capaz de dar conta da
produção e as necessidades da procura.
A agricultura familiar4 é uma atividade que faz face às necessidades e dificuldades de
consumo de bens para a maioria da população mundial pelo fato de prover produtos
relativamente acessíveis e deste modo, substituindo os disponibilizados pelos supermercados
que pela sua característica já são relativamente onerosos. O nosso país debate-se imensamente
com a problemática de chuvas bastante irregulares, falta de aproveitamento e capacidades de
irrigação das áreas de cultivo, cheias que inundam os campos e secas, todos esses fenómenos
ocorrem de forma cíclica, fraco acesso aos serviços agrários, incluindo tecnologias
melhoradas e serviços financeiros, o que no final da época produtiva se traduz em baixa
produção e produtividade agrícolas. (CUNGUARA&GARRETT 2011)
Portanto, fica assente que a agricultura familiar é toda aquela atividade produtiva
praticada pelos pequenos produtores moçambicanos ou famílias moçambicanas, usando
técnicas rudimentares de produção.
O estudo versa sobre “O papel dos serviços financeiros rurais na promoção do
desenvolvimento da agricultura familiar, o mesmo tem como objeto de estudo a Cooperativa
25 de Setembro5, instalada no distrito de Boane Sede, província de Maputo, Moçambique.
Nesta perspectiva, o estudo pode ser considerado de extrema relevância pelo facto da
agricultura ser fortemente praticada e ao mesmo tempo empregar a maioria da população
moçambicana, sendo assim responsável pelo suporte alimentar da população. Contudo, este
setor debate-se além dos problemas acima referenciados, com o difícil acesso aos serviços
financeiros que jogam um papel fundamental, uma vez que poderá ajudar na melhoria dos
índices de produtividade e consequentemente minimizará o já crónico problema da
insegurança alimentar que ocorre quase de uma forma cíclica no país. Por estas e mais razões
implícitas, surgiu o interesse em perceber o facto de a atividade agrícola ser posta de lado
4
“A agricultura familiar em Moçambique constitui a actividade económica que ocupa grande parte da população,
podendo alcançar mais de 75% dos cidadã[Link] Moçambique a agricultura familiar é constituída essencialmente
por pequenas explorações cultivando em áreas de até cinco hectares” (SITOE, 2005, p. 5)
5
A cooperativa 25 de Setembro tem como principal atividade a produção agrícola e comercialização agrícola,
tem na pecuária uma atividade complementar, dedicando-se na criação de suínos. A cooperativa disponibiliza
terra, meios e insumos de produção para seus associados cultivarem, garante assistência técnica e formação junto
do Governo ou das organizações não governamentais.
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quando se fala do acesso aos serviços financeiros, mesmo sabendo que a agricultura é a base
do desenvolvimento do país.
Em termos metodológicos, fez-se um estudo exploratório quanto aos objetivos,
qualitativo e quantitativo quanto ao tipo de pesquisa e fez-se um estudo de caso com uma
abordagem indutiva.
Serviços financeiros rurais e os seus respectivos agentes fornecedores/provedores
Serviços financeiros são atividades não relacionadas com a obtenção de recursos e
concessão de créditos, sendo que a sua remuneração é definida por um valor e ou percentual
fixo e pré-determinado sobre o valor envolvido no serviço. (DANTAS, 1994 como citado em
Dicionário Sensagent6).
De acordo com Cobra (2000) como citado em Dicionário Sensagent, serviços
financeiros são os serviços prestados pelas instituições financeiras.
Serviços financeiros englobam essencialmente as atividades da banca e seguros,
fundamentais para a sustentação da economia nacional, não só em termos diretos, pela
capacidade geradora de emprego e riqueza, como indirectamente, pelo apoio que prestam às
empresas no desenvolvimento do seu negócio. (LEADERSHIP BUSINESS GROUP, 2016).
De acordo com Brealey, Myers & Allen (2007), as instituições financeiras são os
bancos, empresas de poupança e de empréstimos, as seguradoras e os fundos de investimento.
Em Moçambique os fornecedores ou prestadores de serviços financeiros são de acordo com
Amarcy e Massingue (2011), as instituições de crédito constituídas por bancos comerciais e
de investimento, cooperativas de crédito, micro-bancos e instituições de locação financeira.
Grob e Nogueira (2010) apontam uma série de instituições que fornecem serviços financeiros
(Quadro 1).
Segundo a Lei 9/2004 de 21 de Julho, as cooperativas de crédito são instituições de
crédito constituídas na forma de sociedades cooperativas, cuja atividade desenvolve-sea
serviço exclusivo dos seus sócios. Esta lei vê o crédito como o ato pelo qual uma entidade,
agindo a título oneroso, coloca ou promete colocar fundos à disposição de outra entidade
contra a promessa de esta a restituir na data de vencimento, ou contrair, no interesse da
mesma, uma obrigação por assinatura.
6
Dicionário onlineconsultado em: [Link]
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Quadro 1: Prestadores ou provedores de serviços financeiros
Bancos Comerciais Bancos de Operadores de Instituições
Microfinanças Microfinanças Financeiras de
Desenvolvimento
Banco Comercial e de Banco Agência de ADIPSA
Investimentos, SA (BCI) Oportunidade de Desenvolvimento
Moçambique, SA Econômico da Província de
(BOM) Manica (ADEM)
BancABC, SA Banco ProCredit, Associação de AGRIFUTURO
SA Desenvolvimento Sócio
Económico de Matutuíne
(HLUVUKU)
Banco Internacional de Banco Tchuma, AMODER (Associação European Investment
Moçambique, SA SA Moçambicana para o Bank (EIB)
(Millennium BIM) Desenvolvimento Rural)
BTM, SA SOCREMO - Cooperativa de Crédito Norwegian
Banco de Micro-Empresários de Investment Fund for
Microfinanças, SA Angónia (CCMEA) Developing
Countries
(NORFUND)
Barclays Bank Fundo de Desenvolvimento African
Moçambique, SA da Mulher (FDM) Development Bank
(ADB).
FNB Projecto HOPE Danish International
Moçambique Development
Agency (Danida)
Moza Banco, SA The Hunger Project European Investment
Mozambique Bank (EIB)
Fonte: Adaptado de Grob e Nogueira (2010)
Tendo em conta as instituições que prestam ou fornecem este tipo de serviços e acima
de tudo, os tipos de serviços que prestam, torna-se necessário a seguir fazer referência a
alguns conceitos que orbitam os serviços financeiros e que particularmente vieram para este
trabalho.
Seguro de acordo com Silva (Sd) é a transferência do risco através da qual, o segurado
transfere a probabilidade de perda financeira para a Companhia de Seguros.
Risco é “o evento ou acontecimento possível, futuro e incerto”, Silva (Sd). No entanto,
Brigham e Weston (2000) assumem que risco é a possibilidade de um empréstimo não ser
pago conforme prometido.
Leasing é um contrato de locação financeira, com extensão por mais de um ano e
exigindo-se uma série de pagamentos fixos, (BREALEY, MYERS &ALLEN, 2007).
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Crédito é o ato pelo qual uma entidade, agindo a título oneroso, coloca ou promete
colocar fundos à disposição de outra, com a promessa desta última os restituir na data de
vencimento (LEI 9/2004 de 21 de Julho).
O microcrédito é um crédito concedido para criar auto-emprego através de atividades
que criam rendimentos, bem como para a habitação para os pobres, VALGY(2010) apud
Grameen Bank. No entanto, neste conceito podemos dar destaque para a camada mais
necessitada que é incluída mesmo devido as caraterísticas desse tipo de crédito, que são: os
montantes de empréstimos reduzidos, o prazo de concessão bastante curto (até um ano) e os
períodos de reembolso também (semanais ou mensais).
Navalha (2010) assevera o microcrédito como sendo a modalidade de financiamento
que permite aos pequenos empreendedores aceder ao financiamento alternativo, utilizando
uma metodologia própria centrada no perfil e necessidades dos mesmos, e deste modo
estimulando pequenas atividades e com isso gerando emprego e renda.
SERVIÇOS FINANCEIROS RURAIS E SUA IMPORTÂNCIA NA PROMOÇÃO DO
DESENVOLVIMENTO DA AGRICULTURA FAMILIAR
O crédito aliado a outras políticas de inclusão desempenha um importante papel na
geração de trabalho e renda para a Agricultura Familiar. Ainda gera oportunidades,
aproximando o beneficiário das políticas que estimulam investimentos em avanços
tecnológicos e melhorias nas estruturas das propriedades ou unidades produtivas, mas, mais
ainda, trazendo a modernização do campo também auxilia e estimula sua permanência na
agricultura, e fortalece o processo de sucessão na agricultura familiar (ZIGER, 2013).
Para Dall’Agnol (2012), o crédito permite ao agricultor familiar ampliar suas relações
com o ambiente socioeconômico, agregando avanços tecnológicos, beneficiando-se da
assistência técnica, movimentando o comércio e os serviços, tanto na medida da compra de
seus insumos produtivos, quanto na venda de seus produtos produzidos e tendo ainda outros
efeitos multiplicadores.
CONTRIBUIÇÃO DOS SERVIÇOS FINANCEIROS PARA O DESENVOLVIMENTO
DA AGRICULTURA FAMILIAR
Negrão (2003) no seu artigo “como induzir o desenvolvimento em África?” apud Valá
(2009a), defende que para tal indução, deve-se orientar o investimento para a disponibilização
de “dinheiro barato” para o sector empresarial nacional de modo a elevar a procura aos
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pequenos produtores através da agro-indústria. Isto significa que a disponibilização do crédito
e dos demais serviços financeiros a um custo baixo que permita ao pequeno produtor obter e
restituí-lo dentro do período acordado e na íntegra, vai proporcionar ou gerar mais
rendimentos resultantes de uma cadeia de eventos rigidamente respeitados, que no final tem a
consequência de desenvolver a agricultura familiar e em último, o meio rural.
Já Dall’Agnol (2012) demonstra que os efeitos multiplicadores da aplicação do crédito
refletir-se-ão no aumento da produção das propriedades ou explorações come seremento na
economia local, tendo nos gastos dos produtores a renda necessária para impactar
positivamente nas relações com outras áreas e setores.
O crédito no meio rural tem desencadeado diversas formas de desenvolvimento,
fatos verificados na organização social e económica com autonomia e
sustentabilidade, o acesso ao crédito de forma qualificada promove o crescimento da
produção e diversificação das unidades familiares, nos processos de agregação de
valor, industrialização e comercialização, na inclusão social de milhares de
habitantes do meio rural. (ZIGER, 2013, p. 10)
Verifica-se uma transformação distorcida e regressiva da agricultura, no sentido da
configuração de uma estrutura produtiva virada para as exportações, com um padrão de
acumulação centrado no estrangeiro e, portanto, com limitado contributo para a
industrialização da economia. A agricultura não tem desempenhado a sua função principal na
actual fase de desenvolvimento que é o de assegurar a melhoria da dieta alimentar, garantir
determinados níveis de segurança alimentar e reduzir a pobreza. A dependência alimentar tem
aumentado (MOSCA, 2014, p. 23).
ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
A Cooperativa 25 de Setembro, fica localizada em Boane, Província de Maputo, foi
fundada nos anossetenta (70), o que significa que ela já funciona a mais dequarenta (40) anos.
Actualmente comtrinta e oito (38) membros, sendo as mulheres que constituem a maioria, ela
se dedica a produção de culturas como o milho, feijões, beringela, batata, repolho, couves,
entre outras, tanto num sistema de rega como em sequeiro, numa área de 40ha.
A Cooperativa é bastante organizada e como qualquer entidade organizada, tem um
órgão de direcção que por sinal é presidido por um membro do sexo feminino. As suas
atividades são na sua maioria independentes, mas os traços associativos ou cooperativos
estão presentes, sendo que estes dividem as suas atividades em grupos de trabalho destacados,
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partilham os custos na contracção de empréstimos e não só. Os empréstimos são contraídos
em nome da Cooperativa, mas nem sempre todos os membros se beneficiam, ou seja, pela
insuficiência do valor de uma letra contraída, nem todos os membros de uma so vez podem
ter acesso ao empréstimo, nesse caso, os empréstimos passam a ser rotativos.
Para o presente estudo foram inquiridos trinta e um (31) produtores agrícolas
pertencentes à Cooperativa 25 de Setembro, ou seja, o equivalente a trinta e uma famílias
praticantes da agricultura familiar, correspondente ao tamanho amostral da população em
estudo.
SERVIÇOS FINANCEIROS RURAIS E SEUS AGENTES FORNECEDORES OU
PROVEDORES
De acordo com os resultados obtidos a partir da aplicação dos questionários e das
entrevistas efectuadas, constata-se que os serviços financeiros rurais são inúmeros. Significa
deste modo, que os resultados aqui apurados, coadunam certamente com os depoimentos de
Grob e Nogueira (2010) apresentando uma série de serviços financeiros que de antemão
Amarcy e Massingue (2011) em sincronia com o Banco de Moçambique (2007) já haviam
validado. Neste sentido, quer-se concluir que a poupança, o crédito, o microcrédito e o leasing
são serviços financeiros existentes no distrito de Boane e particularmente o crédito e o
microcrédito (Tabela 1) são os que especialmente os produtores da Cooperativa 25 de
Setembro aderem. No entanto, os outros serviços como pode-se notar, “não são acedidos”7
pelos pequenos produtores por razões anteriormente esclarecidas e ainda pela urgência em
adquirir e fazer o devido uso dos outros.
Os créditos vem proporcionado tanto a geração de renda, quanto o crescimento
econômico apesar de favorecer mais a geração de renda. No entannto, os juros destes créditos
são pagos pelos solicitantes ou beneficiários dos mesmos sem que sejam subsidiados à taxas
que ascendem os 20%, de acordo com o credor.
Tabela 1: Serviços procurados em função do sexo
7
O uso dos outros serviços é escasso, o que de acordo com as necessidades de utilização para outros fins não
permite fazer essa aplicação de forma constante e comum. É necessário referir que o seguro agrícola em
Moçambique ainda continua sendo uma atividade não enraizada.
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Sexo do produtor? Total
Qual serviço procurou?
Masculino (%) Feminino (%) (%)
Crédito 19.4 16.1 35.5
Microcrédito 29.0 35.5 64.5
Total 48.4 51.6 100.0
Fonte: Adaptado de Grob e Nogueira (2010)
No que respeita aos fornecedores destes serviços, os autores referenciados
anteriormente fizeram questão de referenciá-los e bem, sendo que em particular estão as
Instituições de micro finança com 63.3% donde se destaca os bancos e os operadores, seguido
dos bancos comerciais 20.4% e ainda o Fundo de Iniciativa Local ou Fundo de
Desenvolvimento do Distrito não menos importante com 16.3%. Portanto, em conformidade
com as estatísticas executadas e aos resultados apurados (Tabela 2), conclui-se que destes
fornecedores, os que os produtores da Cooperativa lidam mais são os bancos e operadores de
micro finança, tal como Grob e Nogueira (2010) afirmaram.
Tabela 2: Principais fornecedores dos serviços financeiros à Cooperativa
Respostas Porcentagem
Agentes de serviços financeiros
Número Percentual de casos
Bancos Comerciais 10 20.4 % 32.3%
FIIL/ FDD 8 16.3% 25.8%
Instituições de micro finanças ou
31 63.3% 100.0%
microcrédito
Total 49 100.0% 158.1%
Fonte: Adaptado de Grob e Nogueira (2010)
A IMPORTÂNCIA DOS SERVIÇOS FINANCEIROS COMO PROMOTORES DO
DESENVOLVIMENTO DA AGRICULTURA FAMILIAR
De acordo com os resultados do inquérito, os produtores foram unânimes (97% dos
inquiridos: Tabela 3) em afirmar que os fornecedores dos serviços financeiros rurais mostram
abertura em fornecer os serviços. Quanto à atratividade a situação foi contrária em termos de
afirmação, 74% dos inquiridos não vê atratividade nos serviços. Portanto, dizem não haver
escolhas ou soluções melhores.
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Tabela 3: Abertura dos prestadores dos serviços financeiros
Percentagem Percentagem
Válido Frequência Percentual
válida acumulativa
Sim (Mais que 50%) 30 97 97 97
Não (1% a 20%) 1 3 3 100
Total 31 100 100
Fonte: Trabalho de Campo (2016)
Em relação à importância dos serviços financeiros rurais, não restam dúvidas, o que se
pode comprovar a partir dos resultados apurados no inquérito que mostram o quão
fundamental são os serviços financeiros para a agricultura familiar nacional. O Ministério da
Agricultura (2011) assevera que os serviços financeiros são importantes porque o problema da
baixa produtividade agrícola deve-se a aplicação de práticas de cultivo tradicionais e a baixa
utilização de insumos, refere que as parcelas são cultivadas manualmente e com utilização
mínima de sementes melhoradas, facto que seria facilmente ultrapassado com o fácil acesso e
utilização dos serviços financeiros. Salienta ainda que a pobreza rural deve-se, sobretudo ao
limitado desenvolvimento da agricultura, deve-se ao limitante acesso ao mercado e à fraca
produtividade das culturas alimentares, o que só pode ser ultrapassado com o auxílio dos
serviços financeiros.
Carrilho et al. (2002) argumenta que o crédito sazonal, especialmente para fornecer
insumos, é fundamental para que os produtores familiares adicionam valor ao nível rural
como condição necessária para um crescimento sustentável dos rendimentos e redução da
pobreza rural. No entanto, o mesmo pensamento desta solução de melhoria das condições
sociais e consequentemente o alcance do desenvolvimento deste meio é partilhado por Valá
(2009b).
O gráfico 01 apresenta informações relativa a questão da possibilidade de se praticar a
atividade agrícola e assim prosperar sem o suporte dos serviços financeiros rurais.
Sociedade e Território – Natal. Vol. 28, N. 2, p. 42 - 56. Jun./Dez. de 2016
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Gráfico 1: Possibilidade de desenvolvimento da agricultura familiar desprovido dos
serviços financeiros rurais
Fonte: Trabalho de Campo (2016)
Os produtores inquiridos afirmaram na generalidade absoluta (100%) que os serviços
financeiros para a agricultura em geral e para a agricultura familiar em especial na realidade
rural, estão de tal maneira associados e ou interligados e que se esses fossem separados, seria
impossível produzir-se e obter-se rendimentos satisfatórios. Com isto, querem os produtores
dizer que não é possível de forma alguma que a agricultura familiar desenvolva-se sem o
auxílio dos serviços financeiros rurais.
CONTRIBUIÇÃO DOS SERVIÇOS FINANCEIROS RURAIS PARA A PROMOÇÃO
DO DESENVOLVIMENTO DA AGRICULTURA FAMILIAR NA COOPERATIVA 25
DE SETEMBRO DE BOANE
Dos argumentos dos produtores da Cooperativa, deu a entender que os serviços
financeiros contribuem para o alargamento das suas áreas de cultivo, possibilitam a
funcionalidade do sistema de bombagem de água para rega, permitem a aquisição de
combustível para as atividades de lavoura, aquisição ainda de sementes melhoradas, permite o
uso de adubos e defensivos e, permite a contratação de mão-de-obra tanto efetiva como
sazonal para dar conta das atividades produtivas (Gráfico 2). Estes depoimentos, se encaixam
de maneira sintonizada aos argumentos que os autores fazem, sendo os exemplos Valá
(2009a), em que defende a disponibilização do crédito e demais serviços financeiros a custo
baixo para permitir gerar mais rendimentos resultantes de uma cadeia de eventos rigidamente
respeitados culminando com o desenvolvimento da agricultura familiar. Dall’Agnol (2012) e
Ziger (2013) acrescentam como suporte comprovativo de alguns aspectos acima referenciados
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ou evidenciados e ainda acrescentam o aspecto da inclusão social, agregação de valor,
industrialização e comercialização.
Gráfico 2: Contribuição dos serviços financeiros para a atividade agrícola
Fonte: Trabalho de Campo (2016)
Mais suporte se nota em Abramovay (1998), exemplificando projetos de
desenvolvimento de pequena dimensão em que o acesso ao crédito, mesmo em atividades
econômicas tradicionais e aparentemente pouco promissoras gera renda se traduzindo em
melhoria na condição de vida para as populações envolvidas com os projetos, e para o nosso
caso, os produtores familiares. Contudo, finalizamos com o apoio de Psico (2010) que
solidifica a contribuição dos serviços financeiros referindo-se as suas funções essenciais para
uma produção mais eficiente e um consumo estável ao nível familiar e para custos de
transação mais baixos no mercado. No entanto, permite a redução da fome no seio do
agregado familiar, permite o aumento do rendimento familiar e consequentemente melhoria
da situação educacional e de saúde do agregado (CONSELHO DE MINISTROS, 2007).
Dos argumentos apresentados pelos produtores da Cooperativa, deu para perceber que
os serviços financeiros contribuem para o alargamento das suas áreas de cultivo, possibilitam
a funcionalidade do sistema de bombagem de água para rega, permitem a aquisição de
combustível para as atividades de lavoura, aquisição de sementes melhoradas, permite o uso
de adubos e defensivos e permite a contratação de mão-de-obra tanto efectiva como sazonal
para dar conta das atividades produtivas.
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Estes serviços se expressam importantes ainda por no final da época produtiva,
contribuírem para um aumento da produção e produtividade à partir do aumento das áreas de
cultivo devido a aplicação de técnicas melhoradas ou novas técnicas de produção, fazendo
com que os rendimentos da época produtiva sejam satisfatórios, desta maneira, melhora a
dieta alimentar dos produtores e o com o resultado da venda da sua produção, são efectuadas
poupanças e investimentos em imóveis. Portanto, isso permitiu a redução do problema da
insegurança alimentar no seio do agregado familiar dos produtores, aumento do rendimento
familiar e consequente melhoria da situação educacional e de saúde do agregado. Outro dos
ganhos com o uso dos serviços financeiros rurais é o alargamento do mercado consumidor por
parte da cooperativa 25 de Setembro, que permitiu o abastecimento ao mercado local,
provincial e da capital do país.
Outro ganho verificado foi o acesso a telefonia móvel por parte dos membros da
cooperativa, uma vez que no distrito os serviços de telefonia móvel estão em expansão, onde
os membros têm a opção de escolher entre as três operadoras de telefonia móvel existente no
distrito e no país. Dizer que estes serviços estãojogando um papel bastante preponderante na
comunicação dos produtores entre si, bem como com os parceiros da cooperativa. Contudo,
dizer que de um modo geral, a qualidade de vida dos produtores melhorou tendo em conta as
conquistas registadas por estes produtores.
CONCLUSÕES
Realizada a pesquisa, concluiu-se que os serviços financeiros existentes no distrito de
Boane, província de Maputo, Moçambique são o crédito, o microcrédito, a poupança e o
leasing. No entanto, no caso da Cooperativa 25 de Setembro, os serviços existentes, acedidos
e usados são principalmente o crédito e o microcrédito.
Quanto aos respetivos fornecedores, o estudo mostrou a existência de Bancos
Comerciais, o Fundo de Investimento de Iniciativa Local ou Fundo de Desenvolvimento do
Distrito, as Agências de Desenvolvimento e as instituições de microcrédito ou microfinanças,
sendo que para o caso da Cooperativa 25 de Setembro apenas as Agências de
Desenvolvimento não as fornecem.
Relativamente a importância dos serviços financeiros para promover o
desenvolvimento da agricultura familiar nas zonas rurais, a Cooperativa 25 de Setembro e o
distrito numa perspectiva geral, acham muito importante o acesso e utilização de serviços
Sociedade e Território – Natal. Vol. 28, N. 2, p. 42 - 56. Jun./Dez. de 2016
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financeiros. No que concerne a sua contribuição, os serviços financeiros promovem o
desenvolvimento da agricultura familiar na Cooperativa 25 de Setembro.
De um modo geral, provou-se que os serviços financeiros promovem o
desenvolvimento da agricultura familiar, na Cooperativa 25 de Setembro em particular e no
distrito de Boane, em geral
REFERÊNCIAS
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Recebido em Agosto de 2016
Aprovado em Novembro de 2016
Publicado em Dezembro de 2016
Sociedade e Território – Natal. Vol. 28, N. 2, p. 42 - 56. Jun./Dez. de 2016