i
Índice
CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO.......................................................................................................3
1.1 Introdução..................................................................................................................................3
1.1.2. Justificativa............................................................................................................................3
1.1.3. Problema................................................................................................................................3
1.2. OBJETIVOS.............................................................................................................................4
1.2.1. Objetivo Geral.......................................................................................................................4
1.2.2 Objectivos Específicos............................................................................................................4
CAPITULO II: METODOLOGIA..................................................................................................5
2.1 Metodologia...............................................................................................................................5
CAPÍTULO III: REVISÃO DA LITERATURA............................................................................6
3.1 As Raízes Filosóficas: A Psicologia como Estudo da Alma.....................................................6
3.2 A Transição para a Consciência: Racionalismo e Empirismo...................................................7
3.3 A Fisiologia e a Mensurabilidade dos Fenômenos Psíquicos....................................................8
3.4 . A Consolidação do Objeto: A Consciência como Experiência Imediata................................8
3.5 A Contribuição da Fisiologia e da Psicofísica...........................................................................9
CAPÍTULO IV: CONCLUSÕES..................................................................................................10
4.1 Conclusão................................................................................................................................10
Referencias bibliográficas.............................................................................................................11
i
CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO
1.1 Introdução
A Psicologia, reconhecida hoje como uma ciência independente, tem as suas raízes fundadas
numa longa tradição de questionamento filosófico sobre a natureza da mente, da alma e,
particularmente, da consciência humana. O período anterior à sua formalização no final do
século XIX, marcado pela inauguração do primeiro laboratório de Psicologia Experimental por
Wilhelm Wundt em 1879, é fundamental para compreender a sua génese. Este trabalho tem
como objetivo explorar a trajectória do pensamento sobre a consciência, desde a Antiguidade
Clássica até ao limiar do século XIX, analisando como as reflexões de filósofos, fisiólogos e
pensadores pavimentaram o caminho para o surgimento da Psicologia como uma ciência
empírica dedicada ao estudo da experiência consciente.
1.1.2. Justificativa
Compreender as origens filosóficas e fisiológicas da Psicologia é crucial para qualquer estudante
da área, pois permite desnaturalizar a disciplina, mostrando que os seus conceitos fundamentais
são produtos de um longo desenvolvimento histórico e não verdades autoevidentes. Investigar
como a "consciência" foi problematizada ao longo dos séculos oferece uma perspectiva crítica
sobre os métodos e pressupostos da Psicologia moderna. Este estudo justifica-se pela
necessidade de mapear a evolução das ideias que permitiram a transição de uma psicologia
entendida como parte da filosofia para uma ciência autónoma, destacando a importância do
contexto histórico na formação do conhecimento científico.
1.1.3. Problema
De que maneira as investigações e speculações filosóficas e fisiológicas sobre a natureza da
consciência, desenvolvidas desde a Grécia Antiga até ao século XIX, contribuíram para a criação
das condições epistemológicas e metodológicas necessárias para o estabelecimento da Psicologia
como uma ciência independente?
3
1.2. OBJETIVOS
1.2.1. Objetivo Geral
Analisar o desenvolvimento do pensamento sobre a consciência no período anterior à fundação
da Psicologia como ciência.
1.2.2 Objectivos Específicos
Identificar as contribuições da Filosofia grega para a concepção inicial do objeto de
estudo da Psicologia.
Examinar o debate entre Racionalismo e Empirismo e sua influência na definição dos
problemas centrais da futura psicologia.
Descrever a contribuição da Fisiologia do século XIX para a criação de uma metodologia
científica aplicável ao estudo dos fenómenos psíquicos.
Explicar como a convergência dessas correntes levou à definição da consciência como
objeto de estudo e à sua investigação experimental.
4
CAPITULO II: METODOLOGIA
2.1 Metodologia
De acordo com Gil, A (2001) ele diz que pesquisa bibliográfica é feita a partir de um material
que já elaborado, constituído, meramente por livros e artigos científicos e muito importante para
o levantamento de informações essenciais sobre os aspectos ligados ao trabalho académico.
Este trabalho adopta uma abordagem qualitativa de natureza teórico-bibliográfica. A pesquisa
baseia-se na revisão e análise crítica de fontes secundárias, incluindo livros, capítulos de livros e
artigos académicos da área da História da Psicologia. A metodologia consistiu em: (1)
identificação de bibliografia relevante e credível sobre o tema; (2) leitura crítica e analítica do
material selecionado; (3) organização dos conteúdos de forma cronológica e temática; e (4)
síntese das informações, articulando-as com o problema e os objetivos propostos, sempre com a
devida referência aos autores .
5
CAPÍTULO III: REVISÃO DA LITERATURA
3.1 As Raízes Filosóficas: A Psicologia como Estudo da Alma
A obra de Bock (1999) deixa claro que a palavra "Psicologia" tem sua etimologia na Filosofia
grega, significando "estudo da alma" (psykhé + logos). Filósofos como Platão e, principalmente,
Aristóteles, em seu tratado "Sobre a Alma", iniciaram a investigação sistemática sobre
faculdades como a sensação, a percepção e a razão, estabelecendo as primeiras ponderações
sobre o que viria a ser o objeto da Psicologia (Bock, 1999).
Contudo, foi a partir do século XVII, com o trabalho do filósofo René Descartes, que se operou a
transição crucial do estudo da "alma" para o estudo da "consciência". A sua proposição do
"Penso, logo existo" (Cogito ergo sum) colocou a consciência de pensar como a base
incontestável da existência (Schultz & Schultz, 2016).
O seu dualismo cartesiano, que separava a mente (res cogitans) do corpo (res extensa), criou o
problema fundamental de como duas substâncias distintas interagem, um problema que a
Psicologia herdaria. Paradoxalmente, ao conceber o corpo como uma máquina, Descartes abriu
caminho para o estudo objectivo e mecanicista de seus processos, influenciando futuramente a
fisiologia (Bock, 1999).
Em oposição à visão inatista de Descartes, a tradição Empirista, com pensadores como John
Locke, David Hume e George Berkeley, argumentava que a mente era uma "tábula rasa" (lousa
em branco) ao nascer, sendo todo o conhecimento adquirido através da experiência sensorial
(Bock, 1999). Este enfoque na experiência como origem do conhecimento direcionou a atenção
para a análise dos processos conscientes – sensações, percepções e ideias. Os empiristas,
sobretudo Hume, desenvolveram as leis de associação (semelhança, contiguidade e causa e
efeito) para explicar como as ideias se conectam na mente, fornecendo um dos primeiros
modelos para o funcionamento da consciência (Bock, 1999).
Segundo Bock (1999), no século XIX, os avanços na Fisiologia foram decisivos para fornecer à
Psicologia o seu método. Pesquisadores como Hermann von Helmholtz, que mediu a velocidade
do impulso nervoso, demonstraram que os processos biológicos subjacentes à percepção eram
6
mensuráveis. Contudo, o marco mais significativo foi o desenvolvimento da Psicofísica por Ernst
Weber e Gustav Fechner, que estabeleceu relações matemáticas precisas entre o mundo físico (o
estímulo) e o mundo psicológico (a sensação) (Bock, 1999). A psicofísica provou,
concretamente, que os fenómenos da consciência podiam ser medidos, quantificados e estudados
com os rigores do método científico, tornando inevitável a separação da Psicologia da Filosofia.
A convergência final dessas três correntes – a questão filosófica sobre a mente, os mecanismos
de associação propostos pelo Empirismo e a metodologia experimental da Fisiologia – criou as
condições ideais para o surgimento da Psicologia como ciência. O objeto estava definido: a
consciência como experiência imediata. Coube a Wilhelm Wundt sintetizar essas influências,
adoptando a introspecção treinada (herdada da tradição filosófica de examinar a própria
consciência) e submetendo-a a condições experimentais controladas (herdadas da fisiologia e
da psicofísica) no seu laboratório de Leipzig .(Figueiredo, 1991, p. 25),
3.2 A Transição para a Consciência: Racionalismo e Empirismo
Destaca que foi no campo da Filosofia que se travaram os debates cruciais que pavimentaram o
caminho para a Psicologia científica. Dois movimentos filosóficos foram particularmente
importantes:
Racionalismo (René Descartes - Século XVII): Descartes é uma figura-chave. Ao propor
a dúvida metódica e chegar à famosa conclusão "Penso, logo existo" (Cogito ergo sum),
ele estabeleceu a consciência (o pensamento) como a certeza fundamental da existência.
Sua dualidade corpo-mente (ou dualismo cartesiano) separou radicalmente a substância
pensante (a mente, imaterial e livre) da substância extensa (o corpo, material e regido por
leis mecânicas). Isso criou o problema central de como duas substâncias tão diferentes
interagem, um problema que a Psicologia herdaria. Ao tratar o corpo como uma
"máquina", no entanto, Descartes também abriu espaço para uma investigação científica e
objetiva dos processos corporais que influenciam a mente.
Empirismo (John Locke, George Berkeley, David Hume - Séculos XVII e XVIII): Em
oposição ao inatismo cartesiano (a ideia de que nascemos com ideias inatas), os
empiristas argumentavam que todo conhecimento deriva da experiência sensorial. Locke
7
propôs a tábula rasa (a mente como uma "lousa em branco") que é preenchida pelas
sensações e reflexões. Hume levou isso adiante, investigando como as ideias se conectam
na mente através de leis de associação (semelhança, contiguidade no tempo/espaço e
causa e efeito). O Empirismo focou na análise dos processos conscientes – sensações,
percepções, ideias – e estabeleceu a associação como o mecanismo fundamental da vida
mental, um conceito que se tornaria central para a futura Psicologia.
3.3 A Fisiologia e a Mensurabilidade dos Fenômenos Psíquicos
Paralelamente aos avanços filosóficos, desenvolvimentos na Fisiologia no século XIX foram
decisivos. Cientistas começaram a estudar os fenômenos psíquicos com métodos experimentais
objetivos, ligando-os a estruturas biológicas.
Hermann von Helmholtz: Mediu a velocidade do impulso nervoso, mostrando que era
um processo físico e mensurável, não instantâneo ou espiritual.
Ernst Weber e Gustav Fechner: Fundadores da Psicofísica, que buscava estabelecer
uma relação matemática precisa entre o mundo físico (o estímulo) e o mundo psicológico
(a sensação). A lei de Fechner, que expressa a relação entre a intensidade do estímulo e a
intensidade da sensação, foi um marco ao demonstrar que era possível medir e quantificar
fenômenos subjetivos da consciência. Para Bock, isso foi crucial para provar que a mente
podia ser objeto de investigação científica.
3.4 . A Consolidação do Objeto: A Consciência como Experiência Imediata
No final do século XIX, todas essas correntes – a questão filosófica sobre a mente, os
mecanismos de associação do Empirismo e os métodos de mensuração da Fisiologia –
convergiram. O objeto de estudo estava definido: a consciência, entendida como a "experiência
imediata" ou os "fenômenos psíquicos".
Foi nesse contexto que Wilhelm Wundt fundou o primeiro laboratório de Psicologia
Experimental em Leipzig, Alemanha, em 1879. Esta data é convencionalmente considerada o
marco de nascimento da Psicologia como ciência independente. Wundt sintetizou as tradições
8
anteriores: seu objetivo era estudar a estrutura da consciência através da introspecção treinada
(método influenciado pela Filosofia), dentro de condições experimentais controladas (método
influenciado pela Fisiologia).
3.5 A Contribuição da Fisiologia e da Psicofísica
No século XIX, avanços na Fisiologia permitiram uma abordagem mais científica dos fenômenos
psíquicos. Pesquisadores como Hermann von Helmholtz demonstraram que processos nervosos
poderiam ser medidos e estudados experimentalmente. Além disso, Ernst Weber e Gustav
Fechner desenvolveram a Psicofísica, que buscava estabelecer relações matemáticas entre os
estímulos físicos e as sensações psicológicas. Fechner, em particular, propôs métodos para
quantificar a experiência consciente, mostrando que era possível estudar a mente de forma
objetiva e mensurável.
9
CAPÍTULO IV: CONCLUSÕES
4.1 Conclusão
Conclui-se que o desenvolvimento da Psicologia como ciência da consciência não foi um evento
isolado, mas o culminar de um longo processo histórico. As conceptualizações filosóficas, desde
a Grécia Antiga até ao empirismo, definiram progressivamente a consciência como o território a
ser explorado, levantando questões sobre a sua origem, estrutura e funcionamento. Por outro
lado, a fisiologia do século XIX forneceu o instrumental metodológico e uma postura empirista
que permitiu transpor essas questões do campo da speculação para o da experimentação
controlada. A grande contribuição de Wundt foi, assim, a de amalgamar estas duas tradições – a
filosófica e a fisiológica – criando um programa de pesquisa coerente. Portanto, o período
anterior à formação da Psicologia foi essencialmente um período de gestação, onde as ideias
sobre a consciência foram sendo refinadas e, finalmente, equipadas com os métodos necessários
para o seu estudo científico.
10
Referencias bibliográficas
Bock, A. M. (1999). A Psicologias e as Psicologias (6ª ed.). São Paulo: Editora Saraiva.
Figueiredo, L. C. M. (1991). *A invenção do psicológico: quatro séculos de subjetivação (1500-
1900) Escuta.
Hume, D. (2009). Tratado da natureza humana. Fundação Calouste Gulbenkian. (Trabalho
original publicado em 1739).
Locke, J. (1978). Ensaio acerca do entendimento humano. Fundação Calouste Gulbenkian.
(Trabalho original publicado em 1689).
Schultz, D. P., & Schultz, S. E. (2016). História da psicologia moderna (10ª ed.). Cengage
Learning.
11