PAPILOSCOPIA
Sumário
PAPILOSCOPIA .......................................................................................... 0
FACUMINAS ................................................................................................ 3
1. INTRODUÇÃO ................................................................................... 4
2. ENTENDA MAIS SOBRE ESTA CIÊNCIA ........................................ 6
3. O CASO WILL & WILLIAM WEST ..................................................... 7
4. FUNÇÃO DO PAPILOSCOPISTA ..................................................... 9
4.1 QUAIS AS ÁREAS DE ATUAÇÃO ............................................... 10
4.2 DIFERENÇA ENTRE O PERITO CRIMINAL E O
PAPILOSCOPISTA ........................................................................................... 10
4.3 A IMPORTÂNCIA DA PAPILOSCOPIA FORENSE .................... 12
4.4 COMO SE TORNAR UM PROFISSIONAL DA ÁREA................. 12
5. PRÁTICA SOBRE PAPILOSCOPIA ................................................ 13
5.1 QUIROSCOPIA ............................................................................. 14
6. 0 PROPRIEDADES DAS IMPRESSÕES DIGITAIS ............................. 20
6.1 Perenidade ....................................................................................... 20
6.2 Imutabilidade .................................................................................... 20
6.3 Variabilidade .................................................................................... 21
6.4 CARATERÍSTICAS TÉCNICAS ...................................................... 21
6.4.1 Praticabilidade .......................................................................... 21
6.4.2 Classificabilidade ..................................................................... 21
7.0 FORMAÇÃO DA IMPRESSÃO DIGITAL ............................................ 22
7.1 A ESTRUTURA DA PELE HUMANA .............................................. 22
7.2 A IMPRESSÃO DIGITAL E SEUS ELEMENTOS ........................... 24
7.3 TIPOS DE IMPRESSÃO DIGITAL .................................................. 24
7.4 COMPOSIÇÃO DA IMPRESSÃO DIGITAL .................................... 25
7.4.1 SISTEMAS DE LINHAS ............................................................... 26
7.4.2 LINHAS DIRETRIZES................................................................... 27
1
7.4.3 DELTA ........................................................................................... 28
7.4.4 NÚCLEO ....................................................................................... 28
7.4.5 PONTOS CARACTERÍSTICOS ................................................... 29
7.4.6 SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO DATILOSCÓPICA DE
VUCETICH ................................................................................................... 30
8.0 TESTES DE REVELAÇÃO DE DIGITAIS .......................................... 33
9.0 CONCLUSÃO ...................................................................................... 36
REFERÊNCIAS ......................................................................................... 37
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1. INTRODUÇÃO
Uma das áreas de atividade da Perícia Criminal é a Papiloscopia. O
policial que atua neste campo é chamado de papiloscopista. Além da atuação
profissional, o papiloscopista tem uma formação educacional específica, e sua
atuação é diferente da de um perito criminal.
Papiloscopia é a ciência forense que trata da identificação humana por
meio das papilas dérmicas. A palavra Papiloscopia é resultante de um hibridismo
greco-latino (Papilla = papila e Skopêin = examinar).
Papilas são pequenas saliências de natureza neurovascular, localizadas
na parte externa (superficial) da derme, estando os seus ápices reproduzidos
pelos relevos observáveis na epiderme.
Ela estuda a identificação humana pelas digitais, presentes nas palmas
das mãos e na sola dos pés. Tem como propósito a perícia e o estudo a fim de
pesquisas técnico-científicas, visando a identificação em indivíduos vivos ou
mortos.
A coleta, identificação e arquivamento das impressões digitais humanas
acontecem muitas vezes em casos de crime nos quais é necessário a verificação
de provas que envolvem as digitais humanas na cena.
Podem também ser utilizadas as técnicas da papiloscopia para a
identificação de corpos que sofreram decomposição ou estão em estado de difícil
identificação.
Em meio a inúmeros procedimentos e processos voltados à apuração de
provas criminais, e também ligados à veracidade de um fato, a prova judicial é o
objeto mais importante da ciência processual, já que ela constitui os olhos do
processo.
Assim, a impressão digital deixada num local de crime é a prova mais
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direta e incontestável da indicação da presença do indivíduo ou até mesmo da
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autoria do delito, tornando a papiloscopia uma grande ferramenta judicial e
investigatória nesse sentido.
Para entendermos melhor o que é a Papiloscopia, como atuar nessa área
e quais os principais desafios, é importante saber um pouco da sua história,
conforme veremos a seguir.
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2. ENTENDA MAIS SOBRE ESTA CIÊNCIA
A investigação das papilas dérmicas, evidentes na palma das mãos e na
sola dos pés (impressões digitais) no Brasil começou por volta de 1901. Tem
suas divisões de pesquisa da seguinte maneira: datiloscopia, quiroscopia,
podoscopia, poroscopia.
A datiloscopia é o processo de identificação humana pelas impressões
digitais (dedos).
Já quiroscopia é o processo de identificação humana pelas impressões
palmares (mãos).
A podoscopia é o processo de identificação humana pelas impressões
plantares (pés).
A poroscopia é o processo de identificação humana dos poros.
Temos também a necropapiloscopia que é a perícia realizada em
cadáveres, que tem como finalidade identificar pessoas falecidas cuja identidade
é desconhecida; a sua identificação será feita pelo confronto das impressões
papilares.
Para que seja feita essa identificação de cadáveres existem técnicas
adequadas para cada circunstância em que se encontra o corpo. Todas essas
técnicas fazem parte da Papiloscopia e da atividade do profissional
papiloscopista.
Na área Criminal, a Papiloscopia trata da identificação de pessoas
indiciadas em inquéritos ou acusadas em processo, confeccionando o Boletim
de Identificação Criminal (BIC) por força do Código de Processo Penal, o que
constitui uma forma de identificação obrigatória, bem como o levantamento de
impressões digitais em locais de crime.
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3. O CASO WILL & WILLIAM WEST
Mundialmente, o caso criminal mais notável da utilização desta ciência é
o de Will & William West.
Will e William West não eram irmãos, mas tinham nomes iguais, e em
1903 eles foram presos na Penitenciária Leavenworth no Kansas. O primeiro a
ser preso foi William, porém, alguns anos depois, com a chegada de Will e com
as incríveis semelhanças entre os dois, a polícia local decidiu investigar seguindo
o método de Bertillon – um método de obtenção de medidas criado para
identificação humana.
O sistema de identificação humana que consistia na medição das
diferentes partes do corpo foi intutulado como uma homenagem ao policial
francês Alphonse Bertillon, em Paris (1879).
Após constatar falhas no método Bertillon, e com a frequência afirmação
de Will, que dizia nunca ter sido preso antes, a polícia decidiu mudar a técnica e
partiu para a investigação das digitais, método que ainda era pouco usado na
época, mas que resolveu o mistério.
Por fim, após a conclusão de que Will e William West eram duas pessoas
diferentes, a Papiloscopia passou a ser utilizada com maior periodicidade nas
prisões em todo o mundo.
O método se aperfeiçoou ao longo dos anos, e, com o auxílio da
tecnologia, hoje temos uma ciência muito mais assertiva do que há cem anos.
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A perícia papiloscópica compreende o local de crime, perícia em
laboratório, perícia em veículo, perícia necropapiloscópica, representação facial
humana (retrato falado), perícia prosopográfica, entre outras. Até hoje não foi
encontrado nenhum caso de duas pessoas com o mesmo conjunto de minúcias
de impressão digital.
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4. FUNÇÃO DO PAPILOSCOPISTA
O Papiloscopista é o profissional especialista e competente que faz uso
da papiloscopia para a identificação de pessoas e demais atividades de sua
responsabilidade.
A coleta de fragmentos humanos no local do crime é a principal atividade
de um papiloscopista. Mas o que faz um papiloscopista vai além da perícia, pois
esse profissional também está capacitado à confecção de documentos que
utilizem as impressões digitais.
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O papiloscopista é, em primeiro lugar, um policial civil ou federal e, além
das atribuições voltadas às técnicas da Papiloscopia, ele também pode
desenvolver atividades administrativas, como cumprir medidas de segurança
orgânica ou outras tarefas que lhe sejam atribuídas.
4.1 QUAIS AS ÁREAS DE ATUAÇÃO
O profissional papiloscopista da Polícia Civil pode ser designado para
atuar em delegacias da corporação, Instituto Médico Legal (IML) ou
departamentos de homicídios e de proteção à pessoa (DHPP). Na execução de
suas tarefas, pode ser alocado em tarefas de campo ou laboratoriais.
Já os profissionais ingressantes na Polícia Federal podem atuar em áreas
de crime, laboratório e análise de falsificação de documento.
4.2 DIFERENÇA ENTRE O PERITO CRIMINAL E O
PAPILOSCOPISTA
Frequentemente o papiloscopista é facilmente confundido com o perito
criminal. Mas o que faz um papiloscopista ser um profissional distinto de um
perito criminal?
Há diferenças e semelhanças entre as tarefas, embora haja variações a
depender do estado ou do órgão. Os dois ofícios atendem à definição do perito,
de acordo com a sua especialidade.
Os papiloscopistas são os especialistas em impressões papilares, e os
peritos criminais em áreas periciais como: contábeis, informática, ambiental,
química forense, balística, medicina legal, grafotécnica e outras.
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Enquanto o papiloscopista está vinculado à investigação para
determinação da autoria do crime, o perito criminal está ligado à materialidade
das provas. Assim, as especificidades da atuação de ambos são diferentes. Veja
a seguir:
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4.3 A IMPORTÂNCIA DA PAPILOSCOPIA FORENSE
A ciência da Papiloscopia é de suma importância para assessorar a
Polícia Judiciária, o Ministério Público e os Magistrados no esclarecimento de
delitos para a instrução penal.
Embora não seja possível determinar a autoria de um crime somente com
base na impressão digital, o laudo do papiloscopista aponta quem esteve
presente na cena do crime, gerando um indício de que a pessoa que a produziu
provavelmente esteve naquele espaço.
Mas este é apenas um elemento a mais para a autoridade policial poder
investigar. Quem imputa a autoria de um crime, na verdade, é a investigação
criminal.
4.4 COMO SE TORNAR UM PROFISSIONAL DA ÁREA
Para se tornar um papiloscopista é necessário ser aprovado em um
concurso público e cumprir todos as exigências do cargo, seja na Polícia Civil ou
na Polícia Federal.
A depender da unidade da federação ou do órgão, os editais dos
concursos costumam apresentar pequenas variações, mas no geral o certame é
composto por prova escrita, redação, prova física, pesquisa de vida pregressa,
exames toxicológicos psicológicos e de aptidão.
Uns dos requisitos é ter formação superior em qualquer área de formação
reconhecida pelo Ministério da Educação.
A especialização na área forense é fundamental para tornar-se um
papiloscopista.
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A idade mínima para desempenhar na área é 18 anos. O candidato
precisa ainda ter bom preparo psicológico, porque irá lidar com cadáveres, o que
para muitas pessoas pode ser uma dificuldade.
É necessário ainda entender que um papiloscopista na sua rotina diária
de análise e pesquisa precisa ser um profissional com destreza e atenção
redobrada a detalhes, mãos firmes para manusear provas e elementos químicos
e ter domínio da língua portuguesa para emissão de laudos e relatórios, além de
boa visão.
O papiloscopista também necessita de habilitação para conduzir viaturas
policiais quando necessário.
5. PRÁTICA SOBRE PAPILOSCOPIA
A papiloscopia é a ciência que trata da identificação humana através das
papilas dérmicas encontradas na palma das mãos e na sola dos pés. É uma
ciência mais conhecida pelo estudo das impressões digitais. Como
anteriormente dito ela subdivide em quatro áreas.
A quiroscopia é o processo de identificação humana por meio das
impressões da palma da mão, classificada em três regiões: tênar, hipotênar e
superior.
A podoscopia é a técnica de identificação humana através das
impressões da sola dos pés. Esse tipo é mais utilizado em maternidades, na
identificação dos recém-nascidos.
A poroscopia é o tipo de identificação que utiliza os poros digitais.
A datiloscopia trata da identificação e exame das impressões digitais e
se divide em datiloscopia civil (que identifica pessoas para fins civis, como
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expedição de documentos, etc.) e datiloscopia criminal (que identifica pessoas
indiciadas em inquéritos, acusadas em processos ou em crimes).
5.1 QUIROSCOPIA
Quiroscopia (quiros =mão + Skopën =examinar): ciência que trata da
identificação humana através das papilas dérmicas palmares (impressões
palmares).
A quiroscopia é o método de identificação humana por meio das
impressões da palma da mão, classificada em três regiões: tênar, hipotênar e
superior.
O desenho quiroscópico é composto por cristas papilares e sulcos
interpapilares, apresentando deltas, pontos característicos e poros, possuindo
os requisitos unicidade, perenidade, imutabilidade e variabilidade.
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Podemos distribuir a palma da mão em três regiões:
Tenar : É a região situada na base do dedo polegar.
Hipotenar: É a região que se encontra do lado externo da palma da mão,
ou seja, do prolongamento do dedo mínimo, ocupando uma posição oposta à
região tenar.
Superior ou Infra-Digital : É a região situada imediatamente abaixo dos
dedos indicadores, médio, anular e mínimo.
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5.2 PODOSCOPIA
Podoscopia (podo =pé + Skopën =examinar): ciência que trata da
identificação humana através das papilas dérmicas plantares (impressões
plantares).
A podoscopia é o processo de identificação humana através das
impressões da sola dos pés. Esse tipo é mais aplicado em maternidades, na
identificação dos recém-nascidos.
O desenho podoscópico é construído por cristas e sulcos interpapilares,
apresentando deltas, pontos característicos e poros, possuindo os requisitos
unicidade, perenidade, imutabilidade e variabilidade.
A podoscopia é utilizada com maior frequências pelas maternidades, na
identificação dos recém-nascidos, e ainda no confronto de impressões
podoscópicas encontradas em locais de crime.
Com o intuito de identificação a coleta de impressões plantares, podemos
dividir a planta dos pés em cinco regiões, a saber (fig.):
1- Região do grande artelho (dedão);
2- Região do segundo ao quinto artelho;
3- Região fibular (fíbula), lado externo do pé;
4- Região tibial, lado interno (arco do pé);
5- Região do calcanhar.
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5.3 POROSCOPIA
Poroscopia (poro + Skopën =examinar): ciência que trata da identificação
humana através dos poros encontrados nas cristas papilares.
A poroscopia é o tipo de identificação que utiliza os poros digitais.
Em papiloscopia, os desenhos formados pelos poros nos papilogramas
(fig.), servem como meio complementar e seguro para estabelecer a identidade,
quando o número de pontos característicos encontrados em uma impressão ou
fragmento de impressão papilar for insuficiente, pois também possuem as
mesmas propriedades que as papilas dérmicas – perenidade, imutabilidade e
variabilidade.
Na poroscopia, estuda-se:
O número – varia segundo a distância de um para outro orifício (poro), de
9 a 18 por mm2.
Posição – localiza-se na parte central e periférica das cristas papilares.
Dimensões – variam em regra de 80 a 250 micromilímetros.
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Forma – os poros apresentam as seguintes configurações: circular, oval,
estrelário e triangular.
O exame de confronto consiste na tomada das mensurações com a ajuda
de um compasso, a fim de obter-se todas as medidas necessárias além do
levantamento da forma e localização do poro nas peças negativas das fotografias
ampliadas 45 vezes. As cristas aumentam 10 a 15 mm de largura e os orifícios
sudoríparos surgem nítidos, discerníveis nas suas minudências, no diâmetro de
seis a oito milímetros.
5.4 DATILOSCOPIA
Dactiloscopia : ciência que trata da identificação humana através das
papilas dérmicas digitais (impressões digitais).
A datiloscopia estuda a identificação e exame das impressões digitais e
se divide em datiloscopia civil (que identifica pessoas para fins civis, como
expedição de documentos, etc.) e datiloscopia criminal (que identifica pessoas
indiciadas em inquéritos, acusadas em processos ou em crimes).
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Um ser humano normal possui cinco dedos em cada mão, dispostos em
fileira, na ordem convencional de polegar, indicador, médio, anular e mínimo,
formados pelos ossos da falange, falanginha, falangeta,(fig.) a contar da base
onde se articulam com os ossos metacarpianos correspondentes, que os
sustentam e dão articulação. O polegar possui apenas falange e falangeta e se
destaca dos demais por ser o mais grosso e curto da mão.
Os dedos apresentam duas faces; palmar e dorsal além dos bordos
externo, interno e distal.
A dactiloscopia estuda as papilas localizadas na falangeta ou falange
distal, as quais formam desenhos distintos que permite sua classificação e
arquivamento.
Vantagens da dactiloscopia sobre os demais ramos da papiloscopia
A dactiloscopia, além dos requisitos fundamentais da identificação
humana - perenidade, imutabilidade e variabilidade - possui também:
Classificabilidade: permite que os desenhos digitais sejam facilmente
classificados para o arquivamento.
Praticidade: a obtenção das impressões digitais é simples, rápida e de
baixo custo.
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6.0 PROPRIEDADES DAS IMPRESSÕES DIGITAIS
Para que um processo de identificação (estabelecimento da identidade)
possa ser considerado convincente, é necessário que obedeça a alguns
princípios fundamentais, que são:
6.1 Perenidade
É a propriedade que tem os desenhos papilares de se manifestarem
definidos, desde a vida intra- uterina (entre o quarto e o sexto mês) até a
completa putrefação cadavérica. O desenho papilar observado num recém-
nascido permanece até a sua velhice, com a única diferença do aumento de
tamanho, como se fosse uma ampliação fotográfica. Apesar disso, observa-se
que os pontos característicos continuam os mesmos.
Exceção: perda completa dos tecidos da pele em virtude do processo de
decomposição.
6.2 Imutabilidade
É a propriedade que tem os desenhos papilares de não mudarem a forma
original, desde o seu surgimento até a completa decomposição cadavérica. O
desenho conserva-se idêntico a si mesmo, não mudando durante a sua
existência.
Exceção: linhas interpapilares – relação com o envelhecimento humano.
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6.3 Variabilidade
É a propriedade que tem os desenhos papilares de não se repetirem,
variando, portanto, de região para região papilar e de pessoa para pessoa. Não
há possibilidade de se encontrar duas impressões papilares idênticas, nem
mesmo numa mesma pessoa.
Exceção: semelhanças notáveis entre impressões de gêmeos
monozigóticos.
6.4 CARATERÍSTICAS TÉCNICAS:
6.4.1 Praticabilidade: qualidade que indica a facilidade de obtenção
e registro da característica analisada. Envolve custo, tempo, quantidade e
complexidade dos instrumentos utilizados, etc. Com apenas uma ficha de papel
e tinta é possível obter impressões papilares.
6.4.2 Classificabilidade: qualidade que se refere à possibilidade de
classificação para fins de arquivamento e consulta. A classificação das
impressões papilares, principalmente as digitais, cria uma sequência numérica,
ou alfanumérica, que possibilita buscas em arquivos com muitos milhões de
fichas.
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O sistema dactiloscópico pode ser utilizado como Elemento de Prova, no
Caso de Crimes - As impressões papilares são comumente deixadas em locais
de crime. Uma vez localizadas e identificadas, estas impressões constituem-se
em elementos de maior convencimento da autoria de delitos, nos tribunais.
7.0 FORMAÇÃO DA IMPRESSÃO DIGITAL
7.1 A ESTRUTURA DA PELE HUMANA
A pele é o maior órgão do corpo humano e sua espessura varia de 0,5 a
6 mm.22. Ela é de máxima importância, envolvendo todo o nosso corpo e
determinando o nosso limite com o meio externo, protegendo nossos órgãos
internos como uma capa protetora. Nossa pele é formada por três camadas:
Hipoderme, derme e epiderme, respectivamente da parte mais profunda para a
mais externa (Fig.).
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A hipoderme é a camada mais profunda da pele. Ela é formada por feixes
de tecido conjuntivo e é nela que se encontram as células de gordura do corpo,
as veias e os músculos.
A derme, a camada entre a hipoderme e a epiderme, contém a raiz dos
pelos, nervos, terminações nervosas e vasos sanguíneos e linfáticos.
A epiderme é a camada superior e visível da pele, que é cerca de 15 a 40
vezes mais fina que a derme. Ela é constituída por 15 a 20 camadas de células
mortas ou que estão próximas do fim de sua vida celular que são regularmente
vertidas.
O local de interseção da derme e a epiderme não é regular, pois se
interpenetram formando ondulações que são chamadas de papilas dérmicas. As
papilas dérmicas são formadas por cristas papilares e sulcos interpapilares. Elas
são responsáveis pelos desenhos em relevo, observáveis a olho nu, que
originam as impressões papilares (impressões digitais).
Estas ondulações se tornam mais evidentes onde a pele é mais espessa,
como nos pés e palmas das mãos, dando origem às nossas digitais. Além disso,
as papilas dérmicas contêm formas distintas para cada pessoa e esta é a
característica mais importante que faz com que as digitais possam ser usadas
como método de identificação humana, nenhuma digital é idêntica à outra,
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mesmo no caso de irmãos gêmeos. As papilas dérmicas se desenvolvem no feto
após 11 semanas de idade gestacional.
7.2 A IMPRESSÃO DIGITAL E SEUS ELEMENTOS
As linhas papilares da polpa digital (parte carnuda da ponta dos dedos
onde se retira a impressão digital) são as partes que mais interessam no
aprendizado das impressões digitais. As extremidades das pontas dos dedos
possibilitam o desenho digital. Elas oferecem maior utilidade quanto à sua forma
de reprodução, seja em uma tinta ou como naquelas deixadas acidentalmente
em um local de crime. Portanto, pode-se determinar que a impressão digital ou
datilograma.
7.3 TIPOS DE IMPRESSÃO DIGITAL
Existem três tipos de impressão digital que podem ser identificadas em
uma cena de crime. São elas:
Impressões visíveis ou patentes: São as impressões digitais
reproduzidas diretamente com o contato em uma superfície, como por exemplo
tintas, pós, sangue ou algum outro tipo de material que possa se depositar sobre
as cristas papilares. Por serem visíveis, esse tipo de impressão digital não
necessita de aplicação técnica para ser revelada e é geralmente fotografada para
ser analisada futuramente.
Impressões latentes ou invisíveis: São as impressões deixadas pela
transferência de óleos e outras secreções corporais em uma superfície. Elas
podem se tornar visíveis através de técnicas elétricas, químicas ou físicas. As
impressões latentes apresentam uma parte diminuta da superfície do dedo e
podem ser muito difíceis de se manter sua integridade. Por essas razões, as
impressões latentes ocasionam inúmeros erros nos processos de comparação
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de digitais pois contém menos detalhes do que as impressões retiradas em
condições controladas.
Impressões modeladas ou plásticas: São as impressões digitais
depositadas em algum material macio que possa registrar seus detalhes. Temos
como exemplos de materiais que podem gerar esse tipo de impressão a argila,
cera e depósitos de gordura nas peças de carros.
7.4 COMPOSIÇÃO DA IMPRESSÃO DIGITAL
É nomeado desenho digital (fig.) a nomenclatura usada para a reprodução
das formações papilares existentes na polpa digital. Ele é projetado na parte
mais externa da pele humana e pode ser observado diretamente nos dedos à
olho nu. O desenho digital serve de matriz para a formação da impressão digital,
através da pele humana. Esse desenho é formado por linhas negras, brancas e
poros. O conjunto e disposição desse desenho formam a impressão digital.
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7.4.1 SISTEMAS DE LINHAS
A impressão digital se divide em três regiões ou sistemas de linhas
(Marginal, Nuclear e Basilar) que são perfeitamente caracterizados e limitados
por linhas chamadas de diretrizes, com exceção do tipo de impressão digital
Arco, que apresenta apenas dois sistemas, o marginal e o basilar. Assim temos:
Sistema Marginal ou linhas marginais
É a região que se localiza acima do ramo superior das linhas diretrizes até
a base da unha do dedo. Suas linhas seguem de um lado ao outro do dedo quase
paralelamente, gerando uma forma abaulada.
Sistema Nuclear ou linhas nucleares
É a região localizada entre os ramos superior e inferior das linhas
diretrizes. A performance de suas linhas juntamente com a posição onde se
encontra o delta determina qual é o tipo e subtipo da impressão digital.
Sistema Basilar ou linhas basilares
É a região localizada entre a prega interfalangeana e o ramo inferior das
linhas diretrizes. Suas linhas seguem de um lado ao outro do dedo mais ou
menos paralelas como as linhas marginais. Na figura, temos a representação
das três regiões citadas.
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7.4.2 LINHAS DIRETRIZES
As linhas diretrizes são as linhas que, partindo do delta, limitam os
sistemas basilar e marginal, envolvendo o sistema nuclear. Estas linhas são
linhas imaginárias criadas para classificar a maioria dos datilogramas. São elas
as linhas:
Diretriz Basilar: É a linha que limita o sistema nuclear e o basilar
Diretriz Marginal: É a linha que limita o sistema nucelar do marginal.
As linhas diretrizes são linhas que se encurvam nos seus pontos de
divergência. Além disso, não pode ser tomada como uma linha diretriz se ela for
uma linha quebrada que forma um ângulo, nem os ramos de uma bifurcação que
se abre para o núcleo, salvo se houver um curso paralelo entre a bifurcação e o
ponto de divergência. Na figura, temos a representação das linhas diretrizes,
delimitando os sistemas de linhas.
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7.4.3 DELTA
Os deltas são os pontos de encontro que podem estar presentes em uma
digital. O delta é um espaço triangular formado pelos três sistemas de linhas e
localizasse no quadrante inferior da impressão digital. O prolongamento de sua
forma gera as linhas diretrizes que define a divisão de cada uma das regiões ou
grupo de linhas. Sua principal função é definir o tipo fundamental da impressão
digital do sistema Vucetich. Na figura temos exemplos de tipos de delta que
podem ser encontrados entre os sistemas de linhas de impressão digital.
7.4.4 NÚCLEO
O núcleo (figura) é a área circunscrita pelo prolongamento dos “braços”
de um ou mais deltas, ou seja, ele é formado pelas linhas diretrizes. Ele tem
grande importância no processo de classificação de impressões digitais, pois ele
está subordinado a condições de suficiência específica para cada tipo de
impressão digital.
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7.4.5 PONTOS CARACTERÍSTICOS
Os pontos característicos são as particularidades das linhas dos
datilogramas, consideradas isoladamente ou em conjunto, que permitem
diferenciar as impressões digitais. A legislação brasileira exige que pelo menos
doze pontos característicos sejam comparados para confirmar a identificação
das digitais. Para atestar uma identidade, os pontos característicos precisam
estar na mesma localização e com a mesma nomenclatura, sem nenhum ponto
discrepante. Seguem abaixo as principais figuras denominadas de pontos
característicos.
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Para assinalar os pontos característicos em uma impressão digital, os
pontos são enumerados seguindo o sentido horário, como mostrado na figura
abaixo.
7.4.6 SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO DATILOSCÓPICA DE
VUCETICH
O sistema de Vucetich é o sistema de classificação originado na Argentina
em 1891 e que posteriormente foi adotado no Brasil. As classificações são
realizadas de forma numérica para facilitar o arquivamento e pesquisa no arquivo
datiloscópico. As classificações consistem em quatro grupos fundamentais:
Arco: O Arco é o datilograma que normalmente não apresenta delta,
formado por linhas que atravessam ou tendem a atravessar o campo digital. Este
tipo de digital apresenta em sua trajetória formas quase paralelas e abauladas
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ou alterações características. No sistema de Vucetich ele é representado pela
letra “A” para os polegares e número 1 para os demais dedos. A figura abaixo
mostra tipos de digitais do tipo Arco.
Presilha Interna: A Presilha Interna é o datilograma que apresenta delta
localizado à direita da impressão digital exposta e apresenta um núcleo formado
por uma ou mais laçadas abertas para o lado esquerdo do observador.
Ela é representada pela letra “I” para os polegares e pelo número 2 para
os demais dedos. Abaixo segue a imagem de exemplos de presilha interna.
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Presilha Externa: Assim como na Presilha Interna, a Presilha Externa
apresenta um delta, porém desta vez ele é situado à direita do observador. Esta
presilha apresenta linhas que, partido da direita, vão ao centro do desenho,
curvam-se e voltam ou tendem a voltar ao lado de origem, formando uma ou
mais laçadas. A Presilha Externa é representada pela letra “E” para os polegares
e o número 3 para os demais dedos. A figura abaixo mostra exemplos de
presilhas externas.
Verticilo: Verticilo é o datilograma que é caracterizado pela presença de
um delta à esquerda e outro à direita do observador e um núcleo de forma
variada, apresentando no mínimo uma linha curva à frente de cada delta. Ele é
representado pela letra V para os polegares e pelo número 4 para os demais
dedos. A figura abaixo apresenta alguns exemplos de Verticilos.
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As pesquisas indicam que cerca de 60% dos datilogramas arquivados no
Brasil sejam de digitais do tipo Presilha, 35% do tipo Verticilo e apenas 5% do
tipo Arco. Outro sistema muito semelhante para classificação de digitais é o
proposto por Edward Henry na Inglaterra que, diferente do sistema de Vucetich,
faz a divisão do grupamento do tipo arco em arco plano e arco angular.
8.0 TESTES DE REVELAÇÃO DE DIGITAIS
Os testes de detecção de digitais são aplicados para revelar impressões
papilares latentes. Ao entrar em uma cena de crime, a perícia observa os objetos
deslocados da posição original para verificar se há vestígios papilares. A
detecção de digitais envolve três passos principais: localizar a digital,
desenvolver ou aprimorar suas propriedades e preservar a digital. Um dos pontos
mais cruciais que afetam a revelação das digitais é o tipo de superfície em que
as digitais estão depositadas pois o tipo de material poderá definir qual a melhor
técnica a ser utilizada.
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O princípio básico da revelação digital é o fato de que quando uma pessoa
toca em uma superfície com seus dedos, uma pequena quantidade de secreção
de suor das glândulas sudoríparas é deixada na superfície de uma digital. Este
resíduo humano consiste majoritariamente de água, que dissolve um pequeno
percentual de uma variedade de sólidos. A tabela abaixo mostra a composição
química que normalmente pode ser encontrada na secreção das glândulas
sudoríparas.
Apesar da concentração destes compostos serem muito baixas, com
exceção da água, eles são de grande importância pois podem ser relevantes em
certas reações químicas características onde a impressão digital possa ser
revelada.
Técnica do pó: A Técnica mais utilizada entre os peritos é a técnica do
pó. Ela consiste na aplicação de uma fina camada de pó sobre o local onde a
perícia acredita que possa haver vestígios de impressões digitai. O pó
determinado adere-se sobre os compostos químicos presentes na secreção do
suor humano e pode interagir como ligação de hidrogênio ou força de van der
Walls. Entretanto, a técnica do pó precisa ser realizada com cautela pois sem o
devido cuidado as cerdas do pincel podem danificar a impressão digital, o que
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pode torná-la inviável. Outros instrumentos para promover a aderência do pó nas
digitais podem ser utilizados, como por exemplo o spray de aerossol. A tabela 2
mostra os pós mais utilizados pelos peritos e suas composições.
Tabela 2: Pós mais utilizados na revelação de impressões digitais
latentes.
A figura mostra a aplicação da técnica do pó para a revelação de
uma impressão digital latente.
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O uso do pó ideal varia de acordo com a superfície e condições climáticas
que se encontra a impressão digital latente. Por isso, a variedade existente de
pós permite ao perito a melhor aplicação para reservar a integridade da digital.
9.0 CONCLUSÃO
De acordo com o que foi examinado, é inegável o fato de que a química
forense é uma área extensiva e de extrema importância no que diz respeito de
identificação de criminosos.
Os postulados da datiloscopia permitem a confiabilidade no sistema, visto
que nunca foi encontrado na história da humanidade uma impressão digital igual
à outra. Com o avanço tecnológico, a aplicação da datiloscopia ganhou uma
nova dimensão e a informatização do sistema tornou-se algo fundamental devido
ao crescimento populacional.
Apesar destes avanços, a identificação no Brasil é feita separadamente
por cada estado, o que impede que um indivíduo tenha identidades em vários
estados do país devido à falta de interação dos institutos de identificação.
Com isso, a interação dos institutos de identificação torna-se essencial
para o melhor aproveitamento desta arma tão poderosa que é a impressão
digital.
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REFERÊNCIAS
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Santo, 2004. Disponível em: [Link] Acesso em: 10 de agosto de
2016.
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de 1941. Disponível em: [Link]
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Dezembro 2006.
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Forense e da Investigação Criminal como estratégia didática na
compreensão de conceitos científicos, Didáctica de la química, 2013.
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S. Ana P., P. Michelle C., P. José C. D., S. Tania D. M.; A utilização da
Ciência.
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