UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL
FACULDADE DE ENGENHARIAS, ARQUITETURA E URBANISMO E GEOGRAFIA
CURSO DE ENGENHARIA ELÉTRICA
Impactos da NBR 5422 no equilíbrio entre o
desenvolvimento e a preservação ambiental
Nikolas Kappes Fajardo
Campo Grande - MS
26 de Outubro de 2024
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL
FACULDADE DE ENGENHARIAS, ARQUITETURA E URBANISMO E GEOGRAFIA
CURSO DE ENGENHARIA ELÉTRICA
Impactos da NBR 5422 no equilíbrio entre o
desenvolvimento e a preservação ambiental
Nikolas Kappes Fajardo
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado
como exigência para obtenção do grau de Ba-
charelado em Engenharia Elétrica da Universi-
dade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS.
Orientador: Prof. Dr. Jeferson Meneguin Ortega
Campo Grande - MS
26 de Outubro de 2024
Impactos da NBR 5422 no equilíbrio entre o desenvolvimento e a
preservação ambiental
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência para obtenção do grau de
Bacharelado em Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul –
UFMS.
Banca Examinadora:
Prof. Dr. Jeferson Meneguin Ortega
Prof. Dr. Jair de Jesus Fiorentino
Prof. Dr. Paulo Irineu Koltermann
Campo Grande - MS
26 de Outubro de 2024
Agradecimentos
Primeiramente, agradeço a Deus pela força, sabedoria e resiliência para enfrentar
os desafios ao longo deste percurso.
Aos pais, Jean Carlos Fajardo e Rosimeri Kappes, pelo amor, paciência e suporte
durante essa trajetória. Pessoas as quais respeito e amo profundamente.
Ao meu irmão Enzo, que de forma similar aos meus pais, sempre esteve presente,
servindo como fonte de alegria e motivação.
Aos familiares, tios, primos e avós pelo carinho e apoio transmitidos apesar da
distância.
Agradeço ao Professor Jeferson Meneguin Ortega pela sua dedicação e orientação
durante a elaboração deste trabalho. E aos demais professores que participaram da minha
formação.
Aos colegas de trabalho, pela contribuição e conhecimentos, que possibilitaram a
realização desse estudo.
Aos amigos de graduação, que direta e indiretamente contribuíram para a minha
formação e evolução como pessoa.
E por fim, aos meus amigos, que partilharam de jornadas semelhantes a minha, e
que estiveram presentes de forma constante.
Resumo
A NBR 5422 desempenha um papel crucial no planejamento e construção de
linhas de transmissão no Brasil, estabelecendo diretrizes técnicas que visam garantir
a segurança, eficiência e adequação às necessidades do setor elétrico. Este trabalho
avalia como a norma aborda os impactos ambientais, discutindo suas causas e efeitos.
A pesquisa identifica os principais fatores associados aos impactos ambientais de
linhas de transmissão, com destaque para a faixa de segurança, além de avaliar a
incorporação de novos critérios ambientais e metodologias que aprimoram a precisão
dos cálculos técnicos. Para exemplificar os impactos e avanços proporcionados pelas
alterações na metodologia de cálculo da faixa de segurança, foi realizado um estudo
de caso simulando uma linha de transmissão conectando as capitais Campo Grande
e Cuiabá. Os resultados obtidos através do estudo de caso e da análise dos novos
métodos de uso e ocupação de solo destacam a relevância da revisão normativa como
ferramenta para a mitigação de impactos ambientais, evidenciando a importância
de uma abordagem integrada entre critérios técnicos e sustentabilidade.
Palavras-chaves: Linhas de Transmissão, Impactos Ambientais, Faixa de Segu-
rança.
Abstract
The NBR 5422 (Brazillian Standard) has a crucial role in the planning and
construction of transmission lines in Brazil, establishing technical guidelines that
aim to ensure safety, efficiency and suitability to the needs of the sector. This paper
evaluates how this standard addresses environmental impacts, discussing their cau-
ses and effects. The research identifies the main factors associated with the environ-
mental impacts of transmission lines, with emphasis on the right of way, in addition
to evaluating the incorporation of new environmental criteria and methodologies
that improve the accuracy of technical calculations. To exemplify the impacts and
advances provided by the changes in the methodology for calculating the right of
way, a case study was carried out simulating a transmission line connecting the ca-
pitals of Campo Grande and Cuiabá. The results obtained through the case study
and the analysis of new methods of land use and occupation highlight the relevance
of the normative as a tool for mitigating environmental impacts, evidencing the
importance of an integrated approach between technical criteria and sustainability.
Keywords: Transmission Line, Environmental Impacts, Right of Way.
Lista de ilustrações
Figura 1 – Matriz Energética - Brasil x Mundo. . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
Figura 2 – Oferta Interna de Energia Por Fonte. . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
Figura 3 – Consumo de Energia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
Figura 4 – Poste Metálico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
Figura 5 – Poste Concreto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
Figura 6 – Torres. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
Figura 7 – Cabos Condutores. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
Figura 8 – Cabos Optical Ground Wire (OPGW). . . . . . . . . . . . . . . . . 20
Figura 9 – Disposição dos Cabos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
Figura 10 – Estrutura de Ancoragem. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
Figura 11 – Estrutura de Suspensão. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
Figura 12 – Tipos de Isoladores. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
Figura 13 – Flecha. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
Figura 14 – Fator de efetividade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
Figura 15 – Relação entre as velocidades médias a 10 m de altura. . . . . . . . 32
Figura 16 – Fator de efetividade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
Figura 17 – Exemplo de LT. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
Figura 18 – Estações Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) para o tra-
çado. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40
Figura 19 – Velocidade do vento pela progressiva. . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
Figura 20 – Temperatura mínima pela progressiva. . . . . . . . . . . . . . . . . 43
Figura 21 – Projeção do balanço ao solo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
Figura 22 – Zoneamento da faixa de passagem. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
Figura 23 – Temperatura coincidente (°C). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
Figura 24 – Velocidade básica do vento (m/s). . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
Figura 25 – Parâmetro alfa da distribuição estatística de Gumbel (m/s)−1. . . 58
Figura 26 – Parâmetro beta da distribuição estatística de Gumbel (m/s). . . . . 59
Lista de tabelas
Tabela 2 – Coeficientes de rugosidade do terreno. . . . . . . . . . . . . . . . . 32
Tabela 3 – Valores de n para correção da velocidade do vento em função da
altura. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
Tabela 4 – 𝐾𝑇,𝑛 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
Tabela 4 – 𝐾𝑇,𝑛 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
Tabela 5 – 𝐾𝑡𝑢𝑟 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
Tabela 6 – 𝐾𝑖𝑛𝑡30𝑠 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
Tabela 7 – Valores de 𝛼 para 𝐾𝑎𝑙𝑡 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
Tabela 8 – Valores para cálculo da parcela horizontal de segurança . . . . . . 38
Tabela 9 – Velocidades de vento por estação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
Tabela 10 – Velocidade do vento corrigida por estação. . . . . . . . . . . . . . . 41
Tabela 11 – Dados iniciais para o calculo da faixa de segurança . . . . . . . . . 46
Tabela 12 – Resultados do estudo de caso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
Abreviações
ACCC Aluminum Conductor Composite Core
ACSR Aluminium Conductor Steel-Reinforced
AIA Avaliação de Impacto Ambiental
CAA Cabo de Alumínio com Alma de Aço
CONAMA Coneselho Nacional do Meio Ambiente
DUP Declaração de Utilidade Pública
EIA Estudo de Impacto Ambiental
IBAMA Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Natu-
rais Renováveis
INMET Instituto Nacional de Meteorologia
LT Linha de Transmissão
OPGW Optical Ground Wire
PNMA Política Nacional do Meio Ambiente
RIMA Relatório de Impacto Ambiental
SIN Sistema Interligado Nacional
9
Sumário
Abreviações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
1.1 Estado da Arte . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
1.2 Objetivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
1.2.1 Objetivo Geral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
1.2.2 Objetivos Específicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
2 Revisão Bibliográfica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
2.1 Conceitos Básicos de uma Linha de Transmissão . . . . . . . . . . . . . . . 17
2.1.1 Estruturas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
2.1.2 Cabos Condutores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
2.1.3 Cabos Para-Raios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
2.1.4 Isoladores e Ferragens . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
2.1.5 Fundações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
2.1.6 Aterramento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
2.2 Normativas Ambientais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
3 Metodologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
4 Resultados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
4.1 NBR 5422/1985 Definições da Faixa de Segurança . . . . . . . . . . . . . . 28
4.2 NBR 5422/2024 Definições da Faixa de Segurança . . . . . . . . . . . . . . 33
4.3 Estudo de caso da faixa de segurança pela NBR 5422/2024 . . . . . . . . . 39
4.3.1 Velocidades do Vento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
4.3.2 Obtenção do Ângulo de Balanço . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
4.3.3 Projeção da Faixa de Segurança . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
4.4 Estudo de caso da faixa de segurança pela NBR 5422/1985 . . . . . . . . . 45
4.4.1 Faixa para 10 anos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
4.4.2 Faixa para 50 anos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
4.5 Uso e ocupação do solo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
Conclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
SUMÁRIO 10
Anexos 55
ANEXO A Figuras. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
11
1 Introdução
A demanda energética é um tema que, com o passar do tempo, torna-se cada vez
mais relevante. O avanço tecnológico e a transição para fontes renováveis, em substituição
aos combustíveis fósseis, figuram entre os principais fatores que impulsionam o aumento
dessa demanda.
As fontes de geração de energia desempenham um papel crucial ao converter dife-
rentes formas de energia presentes na natureza em energia elétrica. Conforme ilustrado na
Figura 1, o Brasil apresenta uma matriz energética significativamente mais sustentável do
que a média mundial, com 44,8% da energia proveniente de fontes renováveis, enquanto o
mundo registra apenas 14,7%. Esse destaque brasileiro deve-se, em grande parte, à utiliza-
ção de usinas hidrelétricas, parques eólicos e usinas solares, que desempenham um papel
fundamental na promoção de um futuro mais sustentável.
Figura 1 – Matriz Energética - Brasil x Mundo.
Fonte: Empresa de Pesquisa Energética - Matriz Energética e Elétrica.
Cada uma dessas fontes possui características específicas, que determinam o local
ideal para a instalação dos equipamentos. Os parques eólicas, por exemplo, precisam ser
instalados em regiões com ventos constantes e de velocidade adequada para garantir a
eficiência na geração de energia elétrica.
Os consumidores, por sua vez, representam o destino final da energia gerada. Ela
é essencial para alimentar eletrodomésticos nas residências, máquinas e equipamentos
no comércio e na indústria, além de garantir a iluminação de parques, vias públicas e
muitos outros usos. Diferente das fontes geradoras, que possuem localizações restritas, os
consumidores estão espalhados por praticamente todo o território nacional.
Desta forma, para que a energia gerada seja enviada para o local de uso, é necessária
uma conexão física entre as duas extremidades. As linhas de transmissão cumprem essa
função essencial, superando obstáculos naturais e terrenos de difícil acesso para levar
energia elétrica a diversas regiões. Elas não apenas garantem a distribuição de energia,
mas também promovem o desenvolvimento econômico e social das áreas conectadas.
Capítulo 1. Introdução 12
A Figura 2 apresenta a oferta interna de energia por fonte no Brasil ao longo dos
anos. Embora fontes tradicionais, como o petróleo, ainda dominem a matriz, observa-se
uma diversificação relevante, alinhada ao movimento global de transição energética.
Figura 2 – Oferta Interna de Energia Por Fonte.
Fonte: Empresa de Pesquisa Energética - Balanço Energético Nacional 2023.
Paralelamente, a Figura 3 evidencia o constante aumento do consumo de energia
elétrica no país. Esse crescimento reflete o aumento populacional e avanço tecnológico,
reforçando a necessidade de expansão da infraestrutura de geração e transmissão de ener-
gia.
Figura 3 – Consumo de Energia.
Fonte: Empresa de Pesquisa Energética - Painel de Monitoramento do Consumo de Energia Elétrica.
Considerando essa crescente demanda de energia elétrica na sociedade contempo-
rânea, associado fato da localização das gerações, especialmente em um país como o Brasil,
Capítulo 1. Introdução 13
torna-se essencial a conexão entre os novos consumidores e a rede do Sistema Interligado
Nacional (SIN). O sistema opera em equilíbrio dinâmico, onde toda a energia gerada deve
ser consumida em tempo real para evitar falhas e garantir a integridade do sistema. Para
isso, é necessário um sistema de transmissão altamente confiável.
No entanto, o avanço à fontes renováveis perde sua eficiência, se durante o processo
de conexão da fonte-carga os impactos ambientais forem negligenciados. Cada Linha de
Transmissão (LT) possui um impacto diferente causado, isso se deve as características
construtivas básicas de cada projeto. Mesmo assim, impactos mínimos não devem invi-
abilizar projetos que conectem regiões isoladas à rede elétrica, pois a energia promove
desenvolvimento, qualidade de vida e novas oportunidades (TOBOUTI; SANTOS, 2014).
Além de que conforme mencionado por Anne Pereira (2014):
Dois importantes grupos de impactos são esperados para esse empreen-
dimento.O primeiro refere-se aos impactos decorrentes do aumento da
circulação de veículos e pessoas, interferências geradas pelas atividades
das obras sobre assentamentos e localidades rurais, bem como os trans-
tornos gerados pela perda ou interdição de áreas de produção agrícola
em função do estabelecimento da faixa de servidão. Já o segundo, agrega
os impactos decorrentes da supressão da vegetação para implantação das
torres e faixa de serviço, que além de promover a redução de ambientes
naturais e fragmentação da vegetação, gera efeitos sobre a fauna local
(PEREIRA, 2014).
A partir dessa constatação, podemos concluir que a faixa de servidão, é um ponto
crítico ao se tratar de impactos ambientais. Desta forma é fundamental a compreensão e
avaliação adequada das fontes de impactos e suas consequências, buscando o balanço entre
o desenvolvimento energético e tecnológico do país e a preservação ambiental. Promovendo
um crescimento sustentável.
1.1 Estado da Arte
Nos últimos anos, as discussões sobre o impacto ambiental das linhas de trans-
missão de energia elétrica têm ganhado relevância, especialmente devido à necessidade de
conciliar o desenvolvimento da infraestrutura energética com a preservação ambiental.
Por definição, a faixa de segurança de uma LT é fundamental para garantir a
operação segura e a integridade do sistema. Entretanto, a presença de vegetação de médio
e grande porte nessas áreas aumenta significativamente o risco de incêndios, o que pode
impactar tanto a operação da linha, resultando em desligamentos, quanto o ecossistema
local (COSTA, 2021). Isso demonstra a importância do dimensionamento adequado das
Capítulo 1. Introdução 14
faixas de segurança e de um manejo apropriado, que deve incluir a manutenção regular
e a limpeza contínua. No entanto, a limpeza das faixas pode causar a fragmentação dos
habitats, criando barreiras artificiais que isolam espécies e comprometem a integridade
ecológica local.
Além disso, a faixa ocupada por linhas de transmissão é transformada em Declara-
ção de Utilidade Pública (DUP), o que permite que o empreendimento seja considerado de
interesse comum para a sociedade. De acordo com (COBRA et al., 2020) a concessionária
pode utilizar a terra sem a necessidade de aquisição por meio da DUP e da instituição da
servidão administrativa. Entretanto, a supressão de vegetação para a implementação des-
sas linhas resulta em impactos diretos e indiretos sobre a flora e a fauna, principalmente
alterando os habitats naturais.
Durante a fase de estudos, é realizada uma estimativa do quantitativo de vegeta-
ção impactada, e, com base nesses dados, são estabelecidas medidas de controle, como
mitigação e compensação ambiental. A compensação, muitas vezes, ocorre por meio de
programas de reposição florestal, que obrigam o empreendedor a restaurar a vegetação
nativa nas áreas impactadas (COBRA et al., 2020). Cobra (2020) ressalta que a repo-
sição florestal frequentemente enfrenta desafios, como a dificuldade de encontrar áreas
disponíveis para plantio. Além disso, a fragmentação dos habitats e a remoção em larga
escala de vegetação podem isolar espécies e comprometer a biodiversidade, o que exige
um planejamento cuidadoso e medidas que vão além da simples compensação, priorizando
a integridade ecológica.
A NBR 5422, que regula aspectos técnicos e de segurança na construção de linhas
de transmissão, desempenha um papel fundamental ao definir diretrizes que visam prote-
ger tanto o sistema elétrico quanto o meio ambiente. Contudo, apesar de sua importância,
essa norma, criada em 1985, vem sendo complementada por uma série de regulamenta-
ções ambientais mais recentes, que refletem uma maior preocupação com os impactos
ecológicos causados pela construção e operação dessas linhas.
Uma das atualizações mais significativas na regulamentação ambiental foi a intro-
dução de diretrizes mais rigorosas para o licenciamento ambiental de empreendimentos,
como as estabelecidas na Resolução Coneselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA)
de 1986 e outras legislações que impõem exigências específicas para a supressão de vege-
tação e mitigação de impactos ambientais. Essas normas exigem que concessionárias que
operam linhas de transmissão conduzam Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e apre-
sentem Relatórios de Impacto Ambiental (RIMA), detalhando os impactos potenciais e
propondo medidas de mitigação e compensação para minimizar os danos.
De acordo com Cobra (2020), o processo de licenciamento ambiental, além de
determinar a necessidade de compensação florestal, também introduz requisitos para a
restauração ecológica das áreas impactadas, especialmente em biomas sensíveis como a
Capítulo 1. Introdução 15
Mata Atlântica. A autora destaca que as normas atuais exigem não apenas a compensação
das áreas desmatadas, mas também um planejamento mais estratégico para garantir que
a reposição florestal contribua para a recuperação de ecossistemas fragmentados, evitando
a criação de corredores ecológicos artificiais que possam isolar populações de espécies.
Com a crescente demanda por energia elétrica e a expansão da infraestrutura de
transmissão, essas atualizações normativas visam equilibrar o desenvolvimento econômico
com a preservação ambiental. Apesar disso, como apontado por Cobra (2020), o cum-
primento dessas normas ainda enfrenta desafios, principalmente devido à dificuldade em
encontrar áreas adequadas para a reposição florestal e à falta de clareza em algumas regu-
lamentações, o que impede uma implementação mais eficaz das medidas compensatórias.
1.2 Objetivos
1.2.1 Objetivo Geral
Em 1985, foi publicada a primeira versão da NBR 5422, com o propósito de for-
malizar, padronizar e servir como referência para projetos de linhas de transmissão. Am-
plamente utilizada por décadas, a norma tornou-se um marco no setor elétrico brasileiro.
Entretanto, com o tempo, identificou-se a necessidade de maior rigor e abrangência para
tratar de situações específicas não contempladas originalmente. Para suprir essas lacunas,
o setor passou a adotar também normas internacionais, como as da IEC, IEEE e brochuras
do CIGRE, além de normativas internas desenvolvidas por operadores.
A revisão da NBR 5422, concluída em 2024, incorporou avanços significativos,
integrando dados da versão original e referências internacionais, bem como aprimorando
critérios técnicos.
Paralelamente, a crescente relevância das questões ambientais ao longo das últimas
décadas influenciou diretamente a revisão da norma, que incorporou novos critérios e
revisou definições para atender às demandas contemporâneas.
Este trabalho tem como objetivo analisar as alterações introduzidas na NBR 5422
e avaliar os impactos dessas mudanças na faixa de segurança de linhas de transmissão. Os
pontos de alterações estão relacionados à obtenção e tratamento dos dados climatológicos,
bem como ao cálculo das distâncias elétricas de segurança. A pesquisa busca compreender
como as mudanças impactam o planejamento e a construção de linhas de transmissão,
com foco nos efeitos ambientais associados.
1.2.2 Objetivos Específicos
Para fins de compreensão dos métodos serão realizados os aspectos da de 1985 e
2024 da NBR 5422, e por meio deles concluir os objetivos:
Capítulo 1. Introdução 16
- Calcular a faixa de segurança;
- Calcular o comportamento do balanço sob ação do vento;
- Realizar um estudo de caso para ambas as versões da NBR 5422;
- Compreender os critérios de uso e ocupação do solo.
17
2 Revisão Bibliográfica
2.1 Conceitos Básicos de uma Linha de Transmissão
As linhas de transmissão, em sua grande maioria, são compostas dos seguintes
elementos: cabos condutores, para-raios, estruturas, ferragens, isoladores, aterramento e
fundação.
2.1.1 Estruturas
A parte mais visível de uma linha são as estruturas, responsáveis por manter os
cabos elevados a uma distância segura do solo e outros obstáculos. Essas estruturas podem
assumir diferentes formas, como torres ou postes (FUCHS, 1979).
Os postes, que geralmente são metálicos ou de concreto, são mais comuns em áreas
urbanizadas, onde o espaço disponível é limitado, conforme apresentado nas Figuras 4 e
5. Podendo assim respeitar as diretrizes urbanísticas das cidades. Todavia, este fato não
restringe seu uso em áreas rurais.
Figura 4 – Poste Metálico.
Fonte: Imagem extraída do software Google Street View® em 31 ago. 2024.
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 18
Figura 5 – Poste Concreto.
Fonte: Imagem extraída do software Google Street View® em 31 ago. 2024.
As torres são metálicas e tem como principal aplicação os ambientes rurais. Elas
podem variar em altura e formato, de acordo com a característica do terreno a ser atra-
vessado, como exemplificado na Figura 6. Possuindo modelos específicos para montanhas,
rios e outros obstáculos naturais.
Figura 6 – Torres.
Fonte: [Link]
not-fast-enough.
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 19
Existem diversos fatores que determinam qual tipo de geometria de estrutura deve
ser utilizada. Entre esses fatores, destacam-se a distância entre fases, disposição dos circui-
tos, quantidades de circuitos, aplicação em ângulos ou alinhamento. Todos esses aspectos
são considerados em vista do custo de produção da torre e da necessidade de otimização
do projeto, de forma a garantir que não apresente riscos operacionais para linha e para o
ambiente no entorno (FUCHS, 1979).
2.1.2 Cabos Condutores
Como segundo ponto em uma LT temos os cabos condutores, que são os respon-
sáveis pela passagem de corrente elétrica. O sistema nacional adota o circuito trifásico
para corrente alternada, ou seja, em uma linha de circuito simples existem três fases si-
multaneamente, na quais cada uma das fases é composta por um ou mais condutores. As
linhas em uma mesma estrutura podem ser compostas também por circuito duplo, onde
seis fases são utilizadas.
Estes cabos são compostos, de forma geral, por alumínio puro ou liga. Além de que
para aproveitar o efeito pelicular existente na corrente alternada, alguns modelos de cabos
possuem um núcleo de outro material, comumente utiliza-se aço, que proporciona maior
resistência e sustentação. Existem também outros tipos de núcleos, como os de materiais
compósitos, que combinam alta resistência e leveza (FUCHS, 1979).
Na Figura 7, a esquerda, um condutor Aluminium Conductor Steel-Reinforced
(ACSR) que consiste em um cabo condutor de alumínio com alma de aço, onde os fios
que compõem o cabo são circulares. À direita um cabo Aluminum Conductor Composite
Core (ACCC), que possui um núcleo em compósito de carbono, tornando-se resistente e
leve, além de adotar uma geometria otimizada que elimina o ar dentro da seção do cabo,
garantindo uma melhor efetividade para este condutor. Sendo esses alguns dos exemplos
de cabos existentes.
Figura 7 – Cabos Condutores.
Fonte: [Link]
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 20
2.1.3 Cabos Para-Raios
Os cabos para-raios, também conhecidos como cabo guarda, estão posicionados no
topo das linhas de transmissão. Sua principal função é proteger a linha contra descargas
atmosféricas, além de atuar como condutores de corrente de curto-circuito para o sistema
de aterramento (LABEGALINI et al., 1992). O material utilizado varia de acordo com
a necessidade da linha, sendo um dos fatores principais a capacidade de corrente. Esses
cabos, são conectados à malha de aterramento, fechando o circuito entre a linha e as
subestações. Em regiões onde o índice de incidência de raios é mínimo, existe a possibi-
lidade da não utilização desse cabo. Para áreas onde esse índice é alto, modelos como o
OPGW, são amplamente utilizados. A Figura 8 demonstra um exemplo de cabo OPGW,
que de acordo com a fabricante “... utilizado em linhas de transmissão de energia para
proteção contra descargas atmosféricas e transmissão de dados, atendendo a demanda por
comunicação de alta capacidade” (FURUKAWA, Online). Sua composição inclui fios de
aço-alumínio e tubos de aço inoxidável e alumínio.
Figura 8 – Cabos OPGW.
Fonte: [Link]
ds1097141—115mm2.
A disposição dos cabos condutores pode variar, mas sempre deve respeitar o ângulo
de blindagem do cabo para-raios (LABEGALINI et al., 1992), assim como na Figura 9,
em circuito duplo e disposição triangular, para manter a blindagem dois para-raios foram
empregados na parte superior da torre.
Figura 9 – Disposição dos Cabos.
Fonte: [Link]
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 21
É importante destacar que existem dois principais tipos de estruturas, a de anco-
ragem e a de suspensão. As estruturas de ancoragem são responsáveis pela fixação física
dos cabos, onde a tração é aplicada. Estas estruturas são utilizadas principalmente no
início e fim da linha e em ângulos no traçado. Essas estruturas são mais robustas e re-
sistentes, projetadas para suportar grandes diferenças de tração. Contudo, o seu uso é
feito apenas nos casos de necessidade, já que essas estruturas possuem um custo elevado
e maior complexidade (FUCHS, 1979).
A torres de ancoragem realizam a fixação dos cabos por meio de grampos especia-
lizados, tensionando-os conforme as especificações de projeto. Na Figura 10 é apresentado
uma torre de ancoragem em alinhamento com múltiplos cabos condutores por fase, o cabo
para-raios também é ancorado (FUCHS, 1979).
Por outro lado, as estruturas de suspensão são projetadas para suportar o peso dos
cabos, mantendo-os suspensos ao longo do traçado ou em ângulos pequenos. Essas estru-
turas têm como função principal sustentar os cabos sem transmitir esforços significativos
de tração para a torre. menos robustas e de custo reduzido e desta forma não suportam
grandes diferenças de tração (FUCHS, 1979).
Figura 10 – Estrutura de Ancoragem.
Fonte: [Link]
A Figura 11 ilustra uma estruturas de suspensão, neste caso em um poste, a
suspensão é feita a partir de um isolador do tipo pilar com base inclinada, ou line-post.
O braço para o para-raios é necessário para que o ângulo de blindagem seja atingido, de
acordo com o projeto da estrutura.
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 22
Figura 11 – Estrutura de Suspensão.
Fonte: [Link]
2.1.4 Isoladores e Ferragens
A composição de isoladores e ferragens são os responsáveis pela fixação dos cabos
à estrutura, de forma que exista um bloqueio elétrico entre o ponto de conexão ao cabo e
a estrutura. Esse bloqueio impede que a corrente percorra outro caminho que não seja o
condutor designado (FUCHS, 1979).
Os cabos para-raios, por usa vez, não possuem isoladores. Eles são fixados dire-
tamente à estrutura por meio de ferragens específicas que garantem sua estabilidade e
conexão com a malha de aterramento (LABEGALINI et al., 1992). Em postes, por exem-
plo, a conexão ao aterramento é realizada utilizando um cabo que percorre a estrutura,
seja por dentro ou por fora, na Figura 11 é possível observar este cabo que conecta as
ferragens e o para-raios ao aterramento. Nas torres esse procedimento é realizado pelo
corpo metálico da estrutura, sem a necessidade de um cabo.
A escolha do arranjo adequado para a LT depende de diversos fatores, como o tipo
de estrutura (poste ou torre), sua aplicação (ancoragem ou suspensão), a tensão da linha,
a geometria da estrutura e as condições ambientais. Além disso, aspectos como o nível de
poluição local e exigências normativas específicas também devem ser considerados.
O tipo exato do grampo de fixação (ferragem que conecta diretamente ao cabo)
depende também do tipo de cabo, na qual cada tipo de cabo condutor contempla um
grampo especificado pelos fabricantes, de forma que a integridade do produto seja garan-
tida. Para cabos para-raios, por exemplo, esse critério varia de acordo com o tipo do cabo
utilizado, em cabos OPGW existe a preocupação com a fibra ótica.
Para os isoladores, três principais tipos são amplamente utilizados em linhas de
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 23
transmissão: vidro, cerâmico e polimérico, como demonstrado na Figura 12. Cada material
apresenta um custo de fabricação diferenciado, um peso, e uma capacidade. Além de ser
vital a escolha de um material adequado com o local de implantação, seja ele em cidades
ou em campos, de uma maneira que a manutenção do equipamento possa ser realizada
fácil e precisamente (LABEGALINI et al., 1992).
Figura 12 – Tipos de Isoladores.
Fonte: Compilação do autor.1
2.1.5 Fundações
Para garantir a estabilidade das estruturas, que precisam suportar o peso dos cabos
e demais equipamentos é indipensável um fundação adequada.
De forma semelhante aos arranjos, as fundações variam de acordo com as aplicações
e tipos de estruturas, sejam postes, torres de ancoragem ou de suspensão. A escolha do
modelo de fundação depende principalmente das características do solo, que influenciam
diretamente sua capacidade de carga e durabilidade ao longo do tempo.
A composição do solo é um dos fatores mais críticos na definição do tipo de funda-
ção, sendo necessário realizar estudos geotécnicos detalhados para determinar o método
mais apropriado.
1
Montagem a partir de imagens coletadas nos sites: [Link]
standard/standard-profile/hv-glass-suspension-insulator-u160bl-2, [Link]
polimerico e [Link]
[Link].
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 24
2.1.6 Aterramento
O aterramento desempenha um papel fundamental na segurança e funcionamento
das linhas de transmissão. Conectado ao cabo para-raios, o sistema de aterramento garante
o fechamento da malha, auxiliando na dissipação de correntes provenientes de falhas e
descargas atmosféricas. A resistência do pé da torre, também chamada de resistência final
do aterramento, é um parâmetro essencial e geralmente é determinada de acordo com
normativas específicas (ABNT, 2023).
O aterramento de uma LT é composto por hastes e cabos, cuja quantidade e dis-
posição são definidas de acordo com o projeto. Esses elementos dependem da resistividade
do solo da região, sendo necessário adequar o sistema de aterramento de acordo com as
características geográficas do local de instalação.
2.2 Normativas Ambientais
A Lei Federal de número 6.938, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Am-
biente (PNMA), definiu como competencia do CONAMA a determinação da necessidade
de realiazar estudos e relatórios de impacto ambiental, no caso de obras ou atividades de
significativa degradação ambiental (BRASIL, 1981).
Por meio destas definições o CONAMA publicou, no Diário Oficial da União, a
resolução CONAMA nº1, de 23 de janeiro de 1986, os critérios básicos para a Avaliação de
Impacto Ambiental (AIA), servindo como instrumento da PNMA. Estabelecido também
nesta resolução a definição de impacto ambiental ”[...] alteração das propriedades físicas,
químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia
resultante das atividades humanas [...]”(BRASIL, 1986). A partir dessas diretrizes o tipo
de estudo a ser realizado foi definido:
Art. 2º - Dependerá de elaboração de estudo de impacto ambiental e
respectivo relatório de impacto ambiental - RIMA, a serem submeti-
dos à aprovação do órgão estadual competente, e do Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) em
caráter supletivo, o licenciamento de atividades modificadoras do meio
ambiente,tais como: [...] VI - Linhas de transmissão de energia elétrica,
acima de 230KV [...]. (BRASIL, 1986)
Após a definição desta normativa o decreto Nº 99.274, de 6 de junho de 1990,
responsável pela regulamentação da Lei Fedral Nº 6.938, no artigo 17 diz que:
A construção, instalação, ampliação e funcionamento de estabelecimento
de atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 25
potencialmente poluidoras, bem assim os empreendimentos capazes, sob
qualquer forma, de causar degradação ambiental, dependerão de prévio
licenciamento do órgão estadual competente integrante do Sisnama, sem
prejuízo de outras licenças legalmente exigíveis.
§ 1º Caberá ao Conama fixar os critérios básicos, segundo os quais se-
rão exigidos estudos de impacto ambiental para fins de licenciamento,
contendo, entre outros, os seguintes itens:
a) diagnóstico ambiental da área;
b) descrição da ação proposta e suas alternativas; e
c) identificação, análise e previsão dos impactos significativos, positivos
e negativos.
2º O estudo de impacto ambiental será realizado por técnicos habilita-
dos e constituirá o Relatório de Impacto Ambiental Rima, correndo as
despesas à conta do proponente do projeto.
3º Respeitada a matéria de sigilo industrial, assim expressamente carac-
terizada a pedido do interessado, o Rima, devidamente fundamentado,
será acessível ao público. (BRASIL, 1990, s.p.)
O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (RIMA)
se tornaram ferramentas fundamentais para o AIA, sendo realizado para todos os projetos
que se enquadram nas definições. O EIA deve avaliar as etapas de implantação e operação
da atividade, definindo os limites da área a ser afetada, podendo haver definições e dire-
trizes extras a depender da localidade e característica do projeto a ser instalado, sendo
este um estudo multidisciplinar. O RIMA se baseia nos dados e conclusões do EIA, e
por meio deste, sintetiza os resultados, apontando os níveis de impactos, efeitos, medidas
mitigadores e recomendações.(BRASIL, 1986)
26
3 Metodologia
Uma linha de transmissão pode ser descrita como um empreendimento causador
de impactos em várias frentes, sejam elas, sociais, econômicas ou ambientais. Para uma
análise voltada para o âmbito ambiental, a etapa de implantação e execução de um projeto
é o elemento principal.
Por meio de um estudo de caso realizado na região Amazônica é possível observar
a dimensão dos impactos causados por tal infraestrutura:
O EIA/Rima estima a área total sujeita à supressão vegetal em 800 ha.
Essa previsão inclui todos os fatores geradores de desmatamento aqui
apresentados (faixa de servidão, base de torres, praças de lançamento
e acessos), já considerando as características da vegetação ao longo do
traçado da linha de transmissão e as ações propostas para minimizar a
necessidade de remoção de vegetação que serão apresentadas a seguir
(CAMPOS, 2010).
A partir deste estudo, existe a percepção de que um ponto relevante para a com-
preensão dos impactos da linha é a faixa de servidão, comumente referida como faixa de
segurança, faixa de passagem ou faixa de domínio. A NBR 5422/2024 define os corretos
nomes para a determinação das faixas, de acordo com a sua utilidade. A faixa de pas-
sagem é a área de terra, obtida pela projeção no plano horizontal, da largura necessária
para a construção, operação, manutenção e inspeção de uma LT. A faixa de segurança
é a área de terra que projeta no plano horizontal a largura necessária para a linha de
transmissão, determinada pelo balanço dos cabos, efeitos elétricos, estruturas e outros
elementos da linha, sendo necessária para todos os atos de construção, operação, manu-
tenção e inspeção. Faixa de servidão é a faixa de passagem legalmente constituída em
favor da concessionária, a qual se impõe restrições ao uso e gozo, permanecendo,porém,
sob o domínio do proprietário.
Partindo destas definições é possível entender que, para cada etapa do projeto
uma determinada área é necessária, afetando a flora e fauna de diversos modos, seja pela
remoção da vegetação, redução dos número de indivíduos na região e impactos no solo,
dado a todos os processos de aterros e escavações realizados.
Na faixa de segurança da linha a maior parte da vegetação encontrada é removida, a
instalação das fundações e estruturas necessita, com que, o terreno no entorno seja aberto,
liberando desta forma espaço para todo e qualquer tipo de equipamento e maquinário,
além das profundas escavações realizadas para o suporte de grandes torres metálicas. Em
Capítulo 3. Metodologia 27
ambientes rurais, o tipo de aterramento mais apresentado é o lançamento de cabos de
cobre, contrapesos, por grandes extensões da faixa, sendo assim, necessário, uma outra
etapa de poda e remoção de vegetação, percorrendo dezenas de metros a partir de cada
estruturas, a depender da resistividade do solo no local.
Com a necessidade de proteção da linha, devido a possíveis desligamentos, e das
matas e florestas, por conta de possíveis incêndios, o balanço dos cabos é crucial para a
determinação de uma superfície de poda, podendo ser realizada em formato de escada,
dado o aumento da distância das árvores em relação ao eixo da LT. Porém não podemos
negligenciar a possibilidade da remoção total da vegetação no entorno, devido a grande
dificuldade de poda com uma elevada distância do solo. Árvores de grande porte, mesmo
que localizadas fora da faixa de segurança, podem também apresentar podas inevitáveis,
dado dado a possibilidade de queda nos cabos condutores ou estruturas. Sendo identifi-
cada como a área adjacente à faixa de passagem, necessária para manter o fornecimento
de energia, tendo em vista a poda ou corte de qualquer árvore, cujo tombamento ou apro-
ximação aos cabos condutores possam causar danos ou provocar desligamentos da linha
(ABNT, 2024).
Como um todo, a instalação de uma linha de transmissão é um feito que devasta
a natureza ao seu redor. Por este motivo a conservação e a consciência ambiental são fun-
damentais, para que as obras atuais e futuras sempre busquem o menor impacto possível.
Para determinação da faixa de segurança serão utilizados cálculos conforme as
fórmulas apresentadas na NBR 5422, que serão apresentadas ao decorrer das Seções 4.1 e
4.2. Os dados climatológicos desempenham um papel fundamental nesse processo, influ-
enciando o comportamento dos cabos por meio das velocidades de vento e temperatura,
informações cruciais para entender o balanço dos cabos. Na primeira edição da norma,
esses valores eram obtidos por meio de mapas disponíveis nos anexos. Já na segunda
edição, foi desenvolvido pelo autor deste trabalho um programa computacional capaz de
coletar dados diretamente do INMET e, com base nesses dados, gerar gráficos contendo
as informações desejadas. Neste trabalho ambos os métodos serão utilizados, de acordo
com cada normativa.
28
4 Resultados
Este capítulo explora os cálculos e análises que embasam a definição da faixa de
segurança, proporcionando uma visão de ambas as versões da NBR 5422. Com base nessas
informações, dois estudos serão desenvolvidos, permitindo discutir os resultados obtidos.
Por fim, será abordado o tema do o uso e ocupação do solo dentro da faixa de segurança
determinada, destacando os critérios estabelecidos por cada versão da norma e analisando
sua relação com a preservação do meio ambiente.
4.1 NBR 5422/1985 Definições da Faixa de Segurança
A largura deve ser determinada considerando balanço dos condutores sob ação de
vento, efeitos de campos elétricos e magnéticos, radiointerferência e ruído audível (ABNT,
1985).
A faixa de segurança da LT representa o tamanho mínimo a ser adotado, desta
forma, a faixa de passagem adotada pode ser igual ou maior que a faixa de segurança
calculada.
O ângulo de balanço dos cabos é calculado a partir de alguns fatores: velocidades de
vento na região, geometria da torre, peso do cabo e tamanho dos vãos. Existem também,
é claro, considerações pontuais que podem influenciar.
Neste trabalho será abordado a metodologia de cálculo para a faixa de segurança.
Focando na análise e compreensão do balanço dos cabos, uma das principais componen-
tes que determinam a largura de faixa. Deve ser mantida uma distância segura entre os
condutores externos, durante o balanço, e o limite da faixa de passagem. A força do vento
sobre o condutor para o cálculo de flecha e balanço deve levar em consideração a tempe-
ratura do condutor igual a ambiente, altura média das fases no suporte e a velocidade de
vento com período de retorno de 10 anos e tempo de integração de 30s.
A flecha é a distância vertical entre o ponto do colo do cabo com a linha que liga
os dois pontos de fixação, de acordo com a Figura 13. Fator de grande relevância para a
faixa, já que, um condutor mais ”folgado” ocupa um maior espaço quando em situação
de balanço. Podendo ser calculada conforme a Equação 4.1, (LABEGALINI et al., 1992).
𝑎2 · 𝑝𝑐𝑜𝑛𝑑
𝑓= (4.1)
8𝑇0
onde:
𝑓 é a flecha do condutor, expresso em metros (m);
𝑝𝑐𝑜𝑛𝑑 é o peso linear do cabo, expresso em newton por metro (N/m);
Capítulo 4. Resultados 29
Figura 13 – Flecha.
Fonte: Autor.
𝑎 é o vão, expresso em metros (m);
𝑇0 é a tração horizontal, expressa em newton (N).
O ângulo de balanço das cadeias de isolador deve ser considerado igual ao do
condutor, este fator é relevante em estruturas de suspensão, na qual, o cabo se encontra
suportado por uma cadeia vertical. Para a determinação deste ângulo deve se utilizar a
Equação 4.2 (ABNT, 1985).
(︃ )︃
−1 𝑞0 · 𝑑 · 𝐿𝑚
𝛽 = 𝑡𝑔 𝐾 (4.2)
𝑝𝑐𝑜𝑛𝑑 · 𝐿𝑝
onde:
𝛽 é o ângulo de balanço médio, expresso em graus;
𝑞0 é a pressão dinâmica, expressa em newton por metro quadrado (N/m2);
𝑑 é o diâmetro do cabo, expresso em metros (m);
𝐿𝑚 é o vão médio, expresso em metros (m);
𝑝𝑐𝑜𝑛𝑑 é o peso linear do cabo, expresso em newton por metro (N/m);
𝐿𝑝 é o vão gravante, expresso em metros (m);
𝐾 é o fator de efetividade, conforme a Figura 14.
O vão gravante e o vão médio são dependentes da exata configuração da linha. O
vão médio, também chamado de vão de vento, é a média aritmética dos vãos adjacentes
a um suporte. O vão gravante, também chamado de vão de peso, é a distância entre os
pontos com tangente horizontal das catenárias dos vãos adjacentes ao suporte, ou seja, é
a distâncias entre os dois pontos de flecha máxima dos vãos adjacentes (ABNT, 1985).
Capítulo 4. Resultados 30
Figura 14 – Fator de efetividade.
Fonte: Figura 7 - NBR 5422/85.
A pressão de vento dinâmica é calculada conforme:
1
𝑞0 = · 𝜌 · 𝑉𝑃2 (4.3)
2
onde:
𝑞0 é a pressão dinâmica, expressa em pascal (Pa);
𝜌 é a massa específica do ar, expressa em quilogramas por metro cúbico (kg/m3 );
𝑉𝑃 é a velocidade do vento para projeto, expressa em metros por segundo (m/s).
A massa específica do ar é dada por:
1, 293 16000 + 64 · 𝑡 − 𝐴𝐿𝑇
𝜌= · (4.4)
1 + 0, 00367 · 𝑡 16000 + 64 · 𝑡 + 𝐴𝐿𝑇
onde:
𝜌 é a massa específica do ar, expressa em quilogramas por metro cúbico (kg/m3 );
𝑡 é a temperatura coincidente, expressa em graus Celsius (°C);
𝐴𝐿𝑇 é a altitude média da região, expressa em metros (m/s).
A temperatura coincidente faz referência ao valor médio das temperaturas mínimas
diárias, contando com suposto coincidente da velocidade de vento do projeto (ABNT,
1985). Podendo ser determinada por meio da Figura 23, localizada no Anexo A.
Pelas definições da normativa a velocidade de vento de projeto 𝑉𝑃 é obtida a partir
da velocidade básica de vento 𝑉𝑏 , corrigida com o fator de rugosidade do terreno na região,
o intervalo de tempo necessário para que o obstáculo responda à ação de vento, a altura
dele e o período de retorno adotado. Através da Figura 24, no Anexo A, a velocidade
básica de vento é obtida.
Nos cálculos do ângulo de balanço o período de retorno deve ser igual ou superior
Capítulo 4. Resultados 31
a 10 anos e o período de integração de 30s. A velocidade 𝑉𝑏 é referida a 50 anos e 10min,
ou seja, tornando necessário a conversão de ambos os períodos.
Para o período de retorno a conversão é realizada pela equação
^ ln [− ln (1 − 𝑇1 )]
𝑉𝑇 = 𝛽 − (4.5)
^
𝛼
onde:
𝑉𝑇 é a velocidade de vento referida a um período de retorno 𝑇 , expressa em metros por
segundo (m/s);
𝑇 período de retorno desejado, expresso anos;
𝛽^ estimador do fator de posição da distribuição de Gumbel, obtido por meio da Figura
26, Anexo A;
𝛼^ estimador do fator de escala da distribuição de Gumbel, obtido por meio da Figura 25,
Anexo A.
Realizado a definição da velocidade de acordo com o período de retorno desejado
a velocidade de projeto pode ser determinada, por meio da Equação 4.6, que permite a
conversão do período de integração e aplica fatores para a rugosidade do terreno e altura
dos cabos.
)︂ 𝑛1
𝐻
(︂
𝑉 𝑝 = 𝐾𝑟 · 𝐾𝑑 · · 𝑉𝑇 (4.6)
10
onde:
𝑉𝑝 representa a velocidade de vento corrigida e aplicável ao projeto, expressa em metros
por segundo (m/s);
𝐾𝑟 é o fator de correção de acordo com a rugosidade do terreno, obtido por meio da
Tabela 2;
𝐾𝑑 é o fator de correção do período de integração, obtido por meio da Figura 15;
𝐻 altura na qual é desejado obter a velocidade de vento, expresso em metros (m);
𝑛 coeficiente para a correção da velocidade de vento em função da altura, de acordo com
a Tabela 3;
𝑉𝑇 é a velocidade de vento referida a um período de retorno 𝑇 , expressa em metros por
segundo (m/s).
O tempo indicado na definição de 𝑛 é referente ao período de integração.
Capítulo 4. Resultados 32
Tabela 2 – Coeficientes de rugosidade do terreno.
Categoria do terreno Características do terreno Coeficiente de rugosidade Kr
A Vastas extensões de água, áreas planas costeiras; desertos planos 1,08
B Terreno aberto com poucos obstáculos 1,00
C Terreno com obstáculos numerosos e pequenos 0,85
D Áreas urbanizadas; terrenos com muitas árvores altas 0,67
Fonte: Tabela 1 - NBR 5422.
Figura 15 – Relação entre as velocidades médias a 10 m de altura.
Fonte: Figura 1 - NBR 5422/85.
Tabela 3 – Valores de n para correção da velocidade do vento em função da altura.
n
Categoria do terreno
t = 2s t = 30s
A 13 12
B 12 11
C 10 9,5
D 8,5 8
Fonte: Tabela 2 - NBR 5422.
Com a velocidade de vento e o ângulo de balanço dos cabos a obtenção da projeção
horizontal do condutor devido ao vento pode ser obtida, e com isso, a largura de faixa
Capítulo 4. Resultados 33
determinada conforme Equação 4.7 (ABNT, 1985).
𝐿 = 2 · (𝑏 + 𝑑 + 𝐷) (4.7)
onde:
𝐿 é a largura mínima da faixa de segurança, expressa em metros (m);
𝑏 é a distância horizontal do eixo do suporte ao ponto de fixação do condutor mais afastado,
expresso em metros (m);
𝑑 é a soma das projeções horizontais da flecha , em metros;
𝐷 é 𝐷𝑈 /150, no mínimo igual a 0,5m, onde 𝐷𝑈 é o valor em metros numericamente igual
à tensão máxima de operação em kV.
4.2 NBR 5422/2024 Definições da Faixa de Segurança
O período de retorno se refere a probabilidade de um evento ocorrer a cada ano, ou
seja, para um evento com período de retorno de 50 anos existe 2% de chance de ocorrer a
cada ano. O período de integração é o tempo de amostragem de um parâmetro climático
(ABNT, 2024).
O ângulo de balanço das cadeias de isolador deve ser considerado igual ao do
condutor, este fator é relevante em estruturas de suspensão, na qual, o cabo se encontra
suportado por uma cadeia vertical. Para a determinação deste ângulo deve se utilizar a
Equação 4.8 (ABNT, 2024).
(︃ )︃
𝑞0 · 𝑑 · 𝐿𝑚
𝛽 = 𝑡𝑔 −1 𝐾 (4.8)
𝑝𝑐𝑜𝑛𝑑 · 𝐿𝑝
onde:
𝛽 é o ângulo de balanço médio, expresso em graus;
𝑞0 é a pressão dinâmica, expressa em pascals (Pa), calculado para 30s;
𝑑 é o diâmetro do cabo, expresso em metros (m);
𝐿𝑚 é o vão médio, expresso em metros (m);
𝑝𝑐𝑜𝑛𝑑 é o peso linear do cabo, expresso em newtons por metro (N/m);
𝐿𝑝 é o vão gravante, expresso em metros (m);
𝐾 é o fator de efetividade, conforme a Figura 16.
O vão gravante e o vão médio são dependentes da exata configuração da linha.
O vão médio é a média aritmética dos vãos adjacentes a um suporte. O vão gravante,
também chamado de vão de peso, é a distância entre os pontos com tangente horizontal
das catenárias dos vãos adjacentes ao suporte, ou seja, é a distâncias entre os dois pontos
de flecha máxima dos vãos adjacentes (ABNT, 2024).
A pressão de vento dinâmica é calculada conforme:
1
𝑞0 = · 𝜇 · 𝑉𝑃2 (4.9)
2
Capítulo 4. Resultados 34
Figura 16 – Fator de efetividade.
Fonte: Figura 22 - NBR 5422.
onde:
𝑞0 é a pressão dinâmica, expressa em pascal (Pa);
𝜇 é a massa específica do ar, expressa em quilogramas por metro cúbico (kg/m3 );
𝑉𝑃 é a velocidade do vento para projeto, expressa em metros por segundo (m/s).
A massa específica do ar é calculada conforme:
288, 15
𝜇 = 1, 225 · · exp(−1, 2 · 10−4 · 𝑎𝑙𝑡) (4.10)
𝑡 + 273, 15
onde:
𝜇 é a massa específica do ar, expressa em quilogramas por metro cúbico (kg/m3 );
𝑡 é a temperatura do ar1 , expressa em grau Celsius (°C);
𝑎𝑙𝑡 é a altitude média da região, expressa em metros (m).
A velocidade do vento para projeto deve ser obtida a partir de um grupo de
critérios:
As velocidades de projeto usadas para cálculo da ação mecânica do vento
sobre os componentes da linha de transmissão, conforme a Seção 8, são
calculadas a partir da velocidade de referência 𝑉𝑅 , definida como a ve-
locidade com um período de retorno T, período de integração 10 min,
referida a 10 m de altura e em terreno de categoria B. (ABNT, 2024)
Conciderando o texto citado e outros pontos da Seção 4.9 da referida norma, temos
que as velocidades de ventos são definidas por meio de distruibuições estatísticas. Para
cálculos mecânicos, são utilizadas velocidades de vento de séries de máximos anuais, que
1
De acordo com a NBR 5422 para o cálculo da Equação 4.10 deve ser utilizado a temperatura média
das mínimas.
Capítulo 4. Resultados 35
devem ser coletadas por no mínimo 10 anos, e por meio da distruibuição estatística de
valores máximos de Gumbel, a série é definida.
A categoria de terreno B se refere a Tabela 1 da norma, na qual este tipo de terreno
é descrito como: Terreno aberto com poucos obstáculos.
Os dados de vento medidos podem ser obtidos por meio das estações do INMET,
coletados de forma horária, com período de integração de 10 min e com equipamentos
instalados a 10 m de altura. Respeitando os critérios definidos.
Com a série de máximas anuais das estações, o tratamento dos dados pode ser
realizado, seguindo as instruções definidas no Anexo A da NBR 5422. Para a defnição do
ângulo de balanço deve se encontrar o vento para 50 anos de período de retorno, seguindo
a metodologia dos máximos de Gumbel. A conversão dos valores de ventos coletados para
o ano desejado deve ser feita conforme a Equação 4.11.
𝑣𝑇 = 𝑣¯ + 𝐾𝑇,𝑛 · 𝑠 (4.11)
onde:
𝑣𝑇 é a velocidade do vento com período de retorno T, expresso em metros por segundo
(m/s);
𝑣¯ é a média da série de máximos, expressa em metros por segundo (m/s);
𝑠 é o desvio padrão da série de máximos, expresso em metros por segundo (m/s);
𝐾𝑇,𝑛 é o fator de frequência, que depende do número de anos da série e do período de
retorno.
O 𝐾𝑇,𝑛 pode ser obtido a partida da Tabela 4, na qual apresenta os valores da
seguinte forma:
Tabela 4 – 𝐾𝑇,𝑛
Número Período de retorno (anos)
de anos 2 10 30 50 150 250
7 -0.127 2.026 3.322 3.914 5.178 5.763
8 -0.13 1.953 3.207 3.779 5.002 5.568
9 -0.133 1.895 3.116 3.673 4.863 5.415
10 -0.136 1.848 3.042 3.587 4.751 5.291
11 -0.138 1.809 2.981 3.516 4.659 5.188
12 -0.139 1.777 2.93 3.456 4.58 5.101
13 -0.141 1.748 2.886 3.405 4.513 5.027
15 -0.142 1.724 2.814 3.321 4.404 4.906
16 -0.143 1.703 2.784 3.286 4.359 4.855
Fonte: Tabela A.2 - NBR 5422.
Capítulo 4. Resultados 36
Tabela 4 – 𝐾𝑇,𝑛
Número Período de retorno (anos)
de anos 2 10 30 50 150 250
17 -0.144 1.683 2.757 3.255 4.318 4.811
18 -0.145 1.666 2.733 3.227 4.282 4.77
19 -0.146 1.651 2.711 3.202 4.249 4.734
20 -0.147 1.637 2.692 3.179 4.219 4.701
21 -0.148 1.625 2.674 3.158 4.191 4.67
22 -0.148 1.613 2.657 3.138 4.166 4.64
23 -0.149 1.603 2.642 3.12 4.143 4.617
24 -0.15 1.593 2.628 3.104 4.121 4.593
25 -0.15 1.584 2.614 3.089 4.101 4.571
30 -0.151 1.575 2.56 3.026 4.019 4.48
35 -0.153 1.541 2.52 2.979 3.958 4.412
40 -0.154 1.515 2.489 2.943 3.911 4.36
45 -0.155 1.495 2.464 2.913 3.873 4.318
50 -0.156 1.479 2.443 2.889 3.842 4.283
100 -0.157 1.466 2.341 2.77 3.686 4.111
Fonte: Tabela A.2 - NBR 5422.
A partir do valor de velocidade de vento de referência com o período de retorno
corrigido é preciso realizar as útlimas correções de fatores, de acordo com a seção 8.2.1
da NBR 5422.
Para o cálculo da faixa de segurança o período de integração necessário é de 30s.
Quatro coeficientes são utilizados para essa conversão, o 𝐾𝑡𝑢𝑟 que representa o fator de
conversão de conversão da turbulência, a depender da região do Brasil, 𝐾𝑖𝑛𝑡30𝑠 que repre-
senta o fator de conversão do período de integração de 10min para 30s, 𝐾𝑟𝑢𝑔 responsável
por aplicar o fator de rugosidade do terreno (ABNT, 2024). Apresentados respectivamente
na Tabela 5, 6 e 2, no qual o coeficiente de rugosidade aplicado é o mesmo em ambas
as versões da normativa. E por fim o 𝐾𝑎𝑙𝑡 que realiza a correção para a altura média do
cabo, obtido por meio da Equação e Tabela 7
Tabela 5 – 𝐾𝑡𝑢𝑟
Região 𝐾𝑡𝑢𝑟
Sul 1,08
Sudeste e Centro-Oeste 1,12
Norte e Nordeste 1,16
Fonte: Tabela 8 - NBR 5422/2024.
Capítulo 4. Resultados 37
Tabela 6 – 𝐾𝑖𝑛𝑡30𝑠
Categoria do terreno 𝐾𝑖𝑛𝑡30𝑠
A 1,17
B 1,22
C 1,30
D 1,48
Fonte: Tabela 9 - NBR 5422/2024.
)︂𝛼
𝑧
(︂
𝐾𝑎𝑙𝑡 = (4.12)
10
onde:
𝐾𝑎𝑙𝑡 é o fator de conversão de altura;
𝑧 é a altura da medição, expressa em metros (m);
𝛼 é definido por meio da tabela 7.
Tabela 7 – Valores de 𝛼 para 𝐾𝑎𝑙𝑡
Categoria do terreno 𝛼
A 0,11
B 0,16
C 0,22
D 0,28
Fonte: Tabela 3 - NBR 5422/2024.
A partir da metologia descrita a projeção ao solo do ângulo de balanço pode ser
obtida, e por meio desta à largura da faixa considerando apenas o balanço. De forma
complementar a essa largura uma distância horizontal de segurança deve ser definida,
considerando parcelas fixas e elétricas, o cálculo desta distância horizontal foge do escopo
deste trabalho, no entanto, alguns pontos que compõem a sua dimensão são relevantes
ao se considerar a preservação e impactos ambientais. Esses fatos serão abordados ao
decorrer do trabalho.
Compreendido os efeitos de ações mecânicas no dimensionamento da faixa, a com-
ponente restante é ’D’, na qual representa uma distância horizontal de segurança, levando
como consideração parcelas básicas de seguranças e elétricas, a depender da situação.
Caso exista obstáculos ao longo da linha, componentes básicas são adicionadas a dis-
tância horizontal de segurança calculada. Como por exemplo, em casos de vegetação de
preservação permanente ’D’ recebe um adicional de 3m (ABNT, 2024). Para a compo-
nente elétrica a Equação 4.13 é utilizada, sendo referente as distâncias mínimas fase-terra,
para sobretensões de frente lenta (ABNT, 2024).
⎡ ⎛ √ ⎞ ⎤
𝐾𝐶𝑆 · √2 · 𝑈𝑆 · 𝐹𝑆𝑓 𝑙
3 ⎠ − 1⎦
𝑑𝑓 𝑡,𝑓 𝑙 = 2, 174 ⎣exp ⎝ (4.13)
1080 · 𝑘𝑎𝑙𝑓 · 𝑘𝑧𝑓 𝑙 · 𝐾𝑔
Capítulo 4. Resultados 38
onde:
𝑑𝑓 𝑡,𝑓 𝑙 é a distância mínima fase-terra para sobretensões de frente lenta, expressa em metros
(m);
𝐾𝐶𝑆 é o fator de coordenação estatístico, demonstrado no Anexo C da NBR 5422/2024,
para faixa de segurança pode ser considerado igual a 1,35;
𝑈𝑆 é a tensão entre fases nominal eficaz da linha, expressa em quilovolts (kV);
𝐹𝑆𝑓 𝑙 é o fator de sobretensão de frente lenta;
𝑘𝑎𝑙𝑓 é o fator de correção das condições atmosféricas para sobretensão de frente lenta;
𝑘𝑧𝑓 𝑙 é o fator de desvio para frente lenta, definido por 1 − 1, 3 · 𝑧𝑓 𝑙 ;
𝑧𝑓 𝑙 é o coeficiente de variação da distribuição de probabilidades da suportabilidade da
distância em ar considerada, para sobretensões de frente lenta 𝜎𝑓 𝑙 /𝑈50𝑓 𝑙 , cujo valor pode
ser considerado igual a 0,06;
𝐾𝑔 é o fator de espaçamento fase-terra, demonstrado no Anexo C da NBR 5422/2024,
para faixa de segurança é considerado igual a 1,28.
Esta componente 𝑑𝑓 𝑡,𝑓 𝑙 é substituta da componente 𝐷 da antiga norma, encontrada
na equação 4.7. Para a versão de 1985 o fator era determinado unicamente a partir da
tensão da linha de transmissão. Na nova normativa a aplicação das parcelas elétricas na
faixa de segurança exige um estudo aprofundado nas características da linha a ser cons-
truída. Considerando efeitos de sobretensão, variações estatistas gerais, que consideram
efeitos adversos que podem vir a ocorrer durante a operação da LT e também apresenta
correções devido a condições atmosféricas, incorporando componentes como a umidade e
densidade do ar, para a região específica da linha.
Considerando apenas essas diferenças é observável como a versão de 2024 torna o
calculo mais robusto, introduzindo diversos efeitos adicionas, entendendo que a região na
qual a linha de transmissão é implantada afeta diretamente nas distâncias de segurança.
Mas conforme mencionado anteriormente, ainda existem distâncias adicionais dependente
de obstáculos, demonstrados na Tabela 8. O fator adicional para vegetações de preservação
permanente é um caso extremamente relevante, na qual a norma trás uma garantia adi-
cional de que a linha não impactará na vegetação, em coerência com os maiores cuidados
com a preservação que a nova versão adota.
Tabela 8 – Valores para cálculo da parcela horizontal de segurança
Obstáculo próximo à linha Parcela básica (m)
Edificações 4,0
Veículos rodoviários e ferroviários 1,1
Vegetação de preservação permanente 3,0
Fonte: Tabela 7 - NBR 5422/2024.
Capítulo 4. Resultados 39
4.3 Estudo de caso da faixa de segurança pela NBR 5422/2024
4.3.1 Velocidades do Vento
Considerando uma suposta LT, que realize a conexão dos municípios de Campo
Grande e Cuiabá, localizados no Estado de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso respec-
tivamente, de forma semelhante ao apresentado na Figura 17. Em linha reta esta linha
possuiria aproximadamente 548 km de extensão.
Figura 17 – Exemplo de LT.
Fonte: Imagem extraída do software Google Earth® em 17 set. 2024.
Como próximo passo é preciso ser identificado as estações meteorológicas da região,
sendo feito através do mapa de estações convencionais do INMET, para esta região temos
as estações conforme a Figura 18.
Capítulo 4. Resultados 40
Figura 18 – Estações INMET para o traçado.
Fonte: [Link]
Seguindo o traçado em linha reta apenas duas estações passam por ele, a de Campo
Grade e a de Cuiabá, para melhorar o banco de dados de cálculo será adotado outras
estações que se aproximam do traçado, e que atendam os critérios de 10 anos de coleta.
Desta forma a lista final de estações utilizadas são: Campo Grande, Cuiabá, Coxim,
São Gabriel do Oeste e Sidrolândia. Após a filtragem dos dados de máximos anuais,
desconsiderando anos com grande perda de coleta de dados, obtemos a série conforme a
Tabela 9.
As estações de Coxiem e São Gabriel do Oeste possuem mais de 10 anos de coletas
de dados, no entanto considerando um critério onde cada ano de coleta deve possuir uma
maioria dos dados validos, fez com que, parte dos dados de ambas as estações fossem
descartados, com o intuito de não afetar negativamente a série.
Capítulo 4. Resultados 41
Tabela 9 – Velocidades de vento por estação.
Velocidade do vento (m/s)
Ano
Campo Grande Cuiabá Coxim São Gabriel do Oeste Sidrolândia
2003 - 9,5 - - -
2004 12,9 9,4 - - -
2005 12,6 8,6 - - -
2006 11,7 10,6 - - -
2007 12,5 9,5 7,4 13,0 -
2008 11,1 - 8,7 13,4 -
2009 11,5 - 10,7 12,3 8,8
2010 12,1 - - - 10,6
2011 - - - - 10,5
2012 11,2 8,4 - - 9,2
2013 11,8 6,8 - - 9,4
2014 12,5 6,8 - - 11,2
2015 10,1 7,2 - - -
2016 12,1 6,3 - - -
2017 12,2 7,0 - - -
2018 11,2 4,9 - - 7,7
2019 10,3 - - 16,2 8,4
2020 13,2 8,0 - 10,3 8,3
2021 - 8,4 - - -
2022 - 5,6 - - 8,5
2023 9,2 - 9,1 16,5 9,0
Fonte: Banco de dados do INMET.
Para o tratamento dos dados será utilizado a Equação 4.11, com o período de
retorno de 50 anos. A partir desta equação, considerando categoria de terreno B e tempo
de integração de 30s, é possível a equação que aplica os fatores de correções necessários,
de acordo com a Equação 4.14.
𝑣 + 𝐾𝑇,𝑛 · 𝑠) · 𝐾𝑡𝑢𝑟 · 𝐾𝑖𝑛𝑡30𝑠
𝑣50𝑚𝑖𝑛/30𝑠 = (¯ (4.14)
Para este caso será considerado nenhum coeficiente de rugosidade do terreno, que
dependem da sua categoria, já que a utilizada é B.
Com o cálculo individual para cada estação o resultado obtido pode ser observado
na Tabela 10.
Tabela 10 – Velocidade do vento corrigida por estação.
Velocidade do vento 50 anos 30s (m/s)
Campo Grande Cuiabá Coxim São Gabriel do Oeste Sidrolândia
20,45 17,50 18,06 28,72 17,30
Dado a velocidade de vento de cada estação, com posição conhecida, é possível
computar a velocidade final para cada ponto do traçado, de 50 anos 30s. Por meio do
Capítulo 4. Resultados 42
método de interpolação do Inverso da Potência da Distância. Chegando a um gráfico que
relaciona a progressiva da LT com o vento estimado no local, demonstrado na Figura 19.
Figura 19 – Velocidade do vento pela progressiva.
Fonte: Autor.
4.3.2 Obtenção do Ângulo de Balanço
Como exemplo de cabo a ser utilizado para a determinação da flecha será escolhido
o Cabo de Alumínio com Alma de Aço (CAA)) 954 MCM RAIL 45/7. A seleção deste
condutor se deve ao seu uso em linhas de 500kV, como exemplo a LT 500kV Ribeirão
Preto-Estreito-Jaguara (Biodinâmica Rio, 2007). O cabo RAIL possuí 1,598kgf/m de
peso unitário, aproximadamente 29,61mm de diâmetro e 11812kgf de carga de ruptura,
considerando uma tração aplicada de 20% desta carga, resultando em 2362,4kgf. Nesta
mesma linha foi utilizado estruturas que suportam vãos acima de 500m, valor este que
servirá para a resolução das equações.
Como passo seguinte é realizado a determinação da massa específica do ar, por meio
da Equação 4.10, para a resolução desta equação é fundamental a obtenção da média das
temperaturas mínimas na região. Este valor por definição deve ter a probabilidade de 2%
de vir a ocorrer anualmente (ABNT, 2024). Através das estações do INMET essa série de
dados é obtida, e de forma semelhante ao vento, por meio de interpolação do Inverso da
Potência da Distância é obtido um gráfico, como na Figura 20.
Capítulo 4. Resultados 43
Figura 20 – Temperatura mínima pela progressiva.
Fonte: Autor.
A partir da Figura 19 a maior velocidade de vento medida para a linha é de
aproximadamente 28m/s, nas proximidades do quilômetro 120. Neste ponto temperatura
mínima é de aproximadamente 12,1°C, segundo a Figura 20. A altitude neste ponto é de
184m, informação retirada do software Google Earth®. Com estes resultados a Equação
4.10 traz a massa específica de ar igual a 1,2104kg/m3 , evidenciado na Equação 4.15.
288, 15
𝜇 = 1, 225 · · exp(−1, 2 · 10−4 · 184) = 1, 2104𝑘𝑔/𝑚3 (4.15)
12, 1 + 273, 15
Na obtenção da pressão de vento, a velocidade de vento deve ser ajustada para
a altura do objeto de estudo, para a LT 500kV considerada, será utilizado uma altura
de 34,5 metros, valor média considerando as informações do relatório de referência. (Bi-
odinâmica Rio, 2007).Com estas informações a pressão dinâmica dada pela Equação 4.9
pode ser resolvida, aplicando juntamente a Equação 4.12. Resultando em 705,226 Pa, em
conformidade com a Equação 4.16.
(︃ )︂0,16 )︃2
1 34, 5
(︂
𝑞0 = · 1, 2104 · 28 · = 705, 226𝑃 𝑎 (4.16)
2 10
Como passo final, o ângulo de balanço da Equação 4.8 pode ser determinado. O fa-
tor K relacionado para a velocidade de 28m/s é igual a aproximadamente 0,34, analisando
a Figura 16. Para isto será considerando um vão de 500m, como referência a suportabili-
dade das estruturas da LT 500kV (Biodinâmica Rio, 2007). O vão médio e vão gravante
serão considerados iguais, simulando uma linha com estruturas em mesmo nível e em vãos
constantes. Resultando em um ângulo de 24,37°, solucionado na Equação 4.17.
Capítulo 4. Resultados 44
(︃ )︃
−1 705, 226 · 0, 02961 · 500
𝛽 = 𝑡𝑔 0, 34 · = 24, 37° (4.17)
1, 598 · 9, 8071 · 500
4.3.3 Projeção da Faixa de Segurança
Para a projeção no solo da faixa mínima, considerando apenas o ângulo de balanço,
o cálculo da flecha é essencial. Considerando as caracteriscas da linha 500kV Ribeirão
Preto como exemplo, a flecha para um vão de 500m e um suposta tração de 2362,4kgf é
igual a 21,14m, como na Equação 4.18.
5002 · 1, 598 · 9, 807
𝑓= = 21, 14𝑚 (4.18)
8 · 2362, 4 · 9, 807
Para a projeção do espaço no solo que o cabo em balanço ocupa, é utilizado o
seno do ângulo de balanço, como na Equação 4.19, resultando em 6,16m de ocupação. A
Figura 21 apresenta um exemplo das distâncias de projeção. Para estruturas de suspensão
o comprimento da cadeia é adicionado a flecha, ambos os elementos devem possuir o
mesmo balanço (ABNT, 2024). Com a distância ’d’ o último fator para a composição
da faixa é a distância ’b’, como exemplo utilizando uma das estruturas da LT 500kV
(Biodinâmica Rio, 2007), esse valor do eixo da estrutura até o ponto de fixação do cabo
mais afastado é de 12,4m, para a estrutura termintal tipo T.
𝑑 = sin 24, 37° · 21, 14 = 8, 72𝑚 (4.19)
Para o exemplo trabalhado a largura mínima total da faixa, considerando apenas
o ângulo de balanço, seria de 37,13m, obtido a partir da Equação 4.20.
𝐿 = 2 · (𝑏 + 𝑑) = 2 · (12, 4 + 8, 72) = 42, 25𝑚 (4.20)
Levando em consideração que este valor é dependente da tração utilizada no cabo
condutor, para trações menores a largura da faixa aumentará. Diferentes estruturas resul-
tarão em alteração deste comprimento, em linhas de extra alta tensão a distância entre
o eixo e o condutor mais afastado tende a aumentar, desta forma, tornado-se ainda mais
essencial o calculado preciso da largura de faixa, considerando exatamente a locação e
características do projeto a ser implantado.
1
Aceleração da gravidade utilizada para converter kgf/m em N/m
Capítulo 4. Resultados 45
Figura 21 – Projeção do balanço ao solo.
Fonte: Autor.
4.4 Estudo de caso da faixa de segurança pela NBR 5422/1985
Seguindo com o exemplo da sessão anterior, para a linha 500kV Ribeirão Preto, a
faixa de segurança pela antiga norma tem como o primeiro passo as leituras dos mapas.
Para fins comparativos a faixa de segurança calculada nessa sessão será tanto para o vento
com período de retorno de 10 anos quanto 50 anos, seguindo o mínimo definido na antiga
normativa e o mínimo na atual, respectivamente.
Os valores coletados nos mapas das Figuras 23, 24, 25 e 26 serão escolhidos em um
ponto próximo a progressiva utilizada na sessão anterior, no quilômetro 120 da LT. Para
as demais informações as Tabelas 2 e 3 e Figura 15 serão utilizadas. Os dados podem ser
observados na Tabela 11.
4.4.1 Faixa para 10 anos
Considerando que a velocidade básica 𝑉𝑏 é fornecida com período de retorno de 50
anos, é obrigatório a realização da conversão deste período de tempo, para isso a Equação
4.5 deve ser aplicada. Resultando em 21,5 m/s, apresentado na Equação 4.21.
1
ln [− ln (1 − 10
)]
𝑉𝑇 = 14 − = 21, 5𝑚/𝑠 (4.21)
0, 3
Capítulo 4. Resultados 46
Tabela 11 – Dados iniciais para o calculo da faixa de segurança
Parâmetros Valores
𝛽^ 14
𝛼^ 0,3
𝑉𝑏 28 m/s
Temp. Coin. 19 °C
n 11
𝐾𝑟 1
𝐾𝑑 1,21
Fonte: Informações coletadas da NBR 5422/1985.
Para o 𝑉𝑝 a altura de torre considerada será de 34,5 metros, uma altura média
considerando as informações da LT 500kV (Biodinâmica Rio, 2007). A partir disto a
Equação 4.6 pode ser solucionada, reforçando que a categoria de terreno selecionada é a
B e o tempo de integração de 30s. Resultando em 29,12 m/s, representado na equação
4.22
1
34, 5
(︂ )︂
11
𝑉𝑝 = 1 · 1, 21 · · 21, 5 = 29, 12𝑚/𝑠 (4.22)
10
Como último item antecedendo a pressão de vento, a massa específica do ar é
definida conforme Equação 4.4, com a altitude de 184m. Por meio da Equação 4.23 𝜌 é
determinado igual a 1,18 kg/m3 .
1, 293 16000 + 64 · 19 − 184
𝜌= · = 1, 18𝑘𝑔/𝑚3 (4.23)
1 + 0, 00367 · 19 16000 + 64 · 19 + 184
E desta forma, por meio dos resultados anteriores, a pressão de vento dinâmica da
Equação 4.24 é solucionada, resultando em 501,53 Pa, referente a Equação ??
1
𝑞0 = · 1, 18 · 29, 122 = 501, 53𝑃 𝑎 (4.24)
2
Por meio deste resultado, e dos demais fatores apresentados na sessão anterior,
o ângulo de balanço pela antiga norma pode ser obtido, utilizando a Equação 4.2, no
entanto, para este caso o Fator de efetividade K é referido a velocidade 29,12m/s, assim,
sendo igual a aproximadamente 0,32. Resultando em 16,87º, como validado na Equação
4.25
(︃ )︃
−1 501, 53 · 0, 02961 · 500
𝛽 = 𝑡𝑔 0, 32 = 16, 87° (4.25)
1, 598 · 9, 807 · 500
Tendo o ângulo de balanço a projeção no solo é obtida de forma semelhante ao
aplicado na Equação 4.19 e considerando a mesma flecha de 21,14m, à vista disso, para
Capítulo 4. Resultados 47
o caso dos ventos de 10 anos a projeção é de 6,13m. Para uma linha de 500kV, como a
selecionada, a distância D é obtida considerando 5% de tensão máxima na LT, ou seja,
525kV que resulta em uma distância D de 3,5m.
Mediante os resultados a largura total da faixa resulta em 37,07m, determinado
na Equação 4.26, considerando a distância do eixo ao ponto de fixação do condutor de
12,4.
𝐿 = 2 · (𝑏 + 𝑑 + 𝐷) = 2 · (12, 4 + 6, 13 + 3, 5) = 44, 07𝑚 (4.26)
4.4.2 Faixa para 50 anos
Tomando como base a metologia apresentada e já aplicada anteriormente neste
trabalho, o vento para 50 anos de retorno se iguala ao 𝑉𝑏 , ou seja, para este caso 28m/s.
Mediante este fato, a velocidade de projeto é estipulada por meio da Equação 4.27.
1
34, 5
(︂ )︂
11
𝑉𝑝 = 1 · 1, 21 · · 28 = 37, 92𝑚 (4.27)
10
Com este resultado e a massa específica do ar de 1,18 kg/m3 anteriormente definida,
a pressão dinâmica de vento é solucionada, através da Equação 4.28
1
𝑞0 = · 1, 18 · 37, 922 = 850, 52𝑃 𝑎 (4.28)
2
E desta forma o novo ângulo de balanço resulta em 25,74º, resultado apresentado
na Equação 4.29. Para esta situação o fator K tende a 0,3 atribuído por meio da Figura
14.
(︃ )︃
−1 850, 52 · 0, 02961 · 500
𝛽 = 𝑡𝑔 0, 3 = 25, 74° (4.29)
1, 598 · 9, 807 · 500
Este ângulo apresenta uma projeção no solo de 9,18m e a distância D em 3,5m, a
largura de faixa para este caso é de 50,16m, reforçado pela Equação 4.30.
𝐿 = 2 · (𝑏 + 𝑑 + 𝐷) = 2 · (12, 4 + 9, 19 + 3, 5) = 50, 16𝑚 (4.30)
Com base no estudo realizado sobre o comportamento da faixa de segurança foi
possível ver a evolução da norma no tema, atualizando a obtenção dos dados de ventos,
componente crítica para o seu dimensionamento, de uma forma que os dados estão em
constante atualização e de forma especifica para cada região do país. Desta forma observa-
se que o nível de critério foi elevado, tendo em vista o constante aumento e evolução do
setor elétrico brasileiro, conforme resultados compilados na Tabela 12.
Capítulo 4. Resultados 48
Um ponto de interessante analise é como apesar da versão de 2024 utilizar um
período de retorno de 50 anos, a largura de faixa calculada pelo balanço dos cabos ainda
é inferior a de 10 anos da versão de 1985. Caso a componente D da faixa de segurança
seja desconsiderada - valor esse que simula de forma simplória uma distância elétrica de
segurança - os resultados se tornam mais próximos. Isso apresenta como a antiga versão
era conservadora nos cálculos de faixa de segurança, onde ventos com 10 anos de retorno
se assemelham a ventos de 50 anos no período atual. Esse conservadorismo pode ter
contribuído para a definição de faixas mais largas ao longo dos últimos anos. Hoje, a
"distância D"é substituída por uma distância elétrica de segurança mínima, definida com
base em critérios mais rigorosos e adaptados às necessidades de cada projeto.
Tabela 12 – Resultados do estudo de caso
Componentes NBR 5422/1985 10 anos NBR 5422/1985 50 anos NBR 5422/2024 50 anos
Velocidade Base 28 28 28
Pressão de vento 501,53 850,52 705,225512
Ângulo de balanço 16,87 25,74 24,37222168
Faixa de segurança (sem parcela D) 37,07 43,16 42,25
Faixa de segurança (com parcela D) 44,07 50,16 -
Fonte: Resultados obtidos pelo autor nos estudos de caso.
Os resultados na Tabela 12 foram obtidos a partir das equações e metodologias
descritas nas Sessões 4.1 e 4.2, com os cálculos apresentados nas Sessões 4.4 e 4.3.
4.5 Uso e ocupação do solo
Ao analisar a norma de 1985 o capitulo 13 - Limpeza de Faixa apresenta alguns
critérios referentes aos cuidados com o impacto ambiental. Citando que o desmatamento
da faixa, quando necessário, deve ser reduzido ao mínimo, aplicando métodos seletivos
e criando níveis de corte, na qual a vegetação próxima a linha é cortada a uma altura
consideravelmente menor do que vegetações distantes (ABNT, 1985). Para a determinação
desse critério de corte a norma apresenta uma simples fórmula, que depende unicamente
da tensão da linha de transmissão, de forma semelhante a Equação 4.31 (ABNT, 1985).
⎧ (︁ )︁
𝐷
⎨ 𝐻 = 4, 0 + 0, 01 · √𝑈
3
− 50 , 𝑠𝑒 𝑈 > 87 𝑘𝑉
(4.31)
⎩ 𝐻 = 4, 0 , 𝑠𝑒 𝑈 ⩽ 87 𝑘𝑉
A vegetação rasteira é sempre recomendada a ser mantida, com o fim de evitar
erosão, e esse mesmo critério deve ser avaliado para qualquer outro caso. Existe também
o cuidado com possíveis quedas de árvores, para que em nenhum momento a distância da
mesma seja inferior ao limite de 0, 5 + 0, 00025𝐷𝑢 (ABNT, 1985).
Fora esses critérios de desmatamento e limpeza, a norma permite o uso da faixa
para culturas, considerando que a distância do condutor a cultura não seja inferior ao
calculado pela Equação 4.31 (ABNT, 1985).
Capítulo 4. Resultados 49
Na antiga NBR a preocupação com o meio ambiente era básica, afinal a data de
publicação dela é bem próxima com a data de implementação da necessidade de estudos
de impactos ambientes, promovidos pelo CONAMA.
Com a atualização da principal normativa no setor, uma melhor definição do uso e
ocupação do solo foi realizada, e para isto a definição de zonas. Sendo elas: Zona A, Zona
B, Zona C e Zona C’.
ZONA A: Localiza-se no entorno dos suportes da linha de transmissão e
se destina a permitir o acesso do pessoal da manutenção com seus respec-
tivos veículos e equipamentos e servir para colocação de proteção contra
abalroamentos aos suportes. É definida por uma área no entorno do pi-
quete central da estrutura que contemple ao menos o limite da superfície
de arrancamento da fundação da sua perna ou estai mais afastado;
ZONA B: É a faixa de terreno, excluída a zona A, entre as projeções
verticais dos cabos mais afastados do eixo, em repouso, ao longo da linha
de transmissão;
ZONA C: É a porção da faixa de passagem cujos limites externos são os
limites da faixa de passagem, excluindo-se as zonas A e B;
ZONA C´: É a porção da Zona C a ser excluída de compartilhamento
envolvendo estradas, rodovias, ferrovias, ruas e avenidas, associada às
projeções no solo dos cabos mais afastados do eixo, para condição de
balanço máximo [...]. (ABNT, 2024, p. 81)
Capítulo 4. Resultados 50
Figura 22 – Zoneamento da faixa de passagem.
Fonte: NBR 5422.
Interpretando as definições e a Figura 22, é possível concluir que as Zonas A e B
realizam referência as estruturas utilizadas na obra, variando de acordo com seu tamanho
e necessidades de estais. A Zona C é o espaçamento total da faixa de passagem. Já a Zona
C’ refere-se ao espaço definido pela faixa de segurança, por este motivo existe a exclusão
do compartilhamento com outros empreendimentos.
O sistema de zoneamento é útil para a compreensão do manejo de vegetação, para
as zonas de suportes o corte é fundamental, nas demais zonas o critério é definido por
distâncias de segurança verticais, horizontais e diretas, levando em consideração situações
como incêndios. Como demonstrado por Tito todo o sistema de transmissão possui 12 %
dos desligamentos relacionados a incêndios, estes, vindo de diversas fontes (COSTA, 2021),
impactando diretamente a operação da linha e causando um nível altíssimo de degradação
ambiental. Tendo esse ponto de vista múltiplos itens na NBR foram dedicados ao assunto,
com instruções de manejo para regiões de alto risco de incêndio (ABNT, 2024).
Para as zonas B e C a norma restringe o uso e ocupação para diversas atividades,
para culturas a restrição é quanto as distâncias de seguranças em relação aos cabos con-
dutores ou ao alto poder de queima do material cultivado (ABNT, 2024). Refletindo de
forma direta, como abordado por Tobouti e dos Santos:
Isso porque durante a operação da linha há restrições para a terra no
Capítulo 4. Resultados 51
entorno da faixa de servidão, podemos citar: o plantio de árvores de
médio e grande porte, silvicultura, culturas frutíferas ou não, utiliza-
ção de arado ou qualquer outro implemento agrícola que possua mais
de 50 cm; construções e benfeitorias sejam de alvenaria ou de madeira,
como galpões, depósitos, aviários, estábulos, barracos de madeira, chi-
queiros, etc. Há ainda a utilização da queimada como forma de preparo
do campo que ainda é muito recorrente em regiões pouco desenvolvidas
[...](TOBOUTI; SANTOS, 2014, p. 195).
Nesta versão os critérios impostos de manutenção são maiores, para isso a norma
afirma a necessidade de elaboração de documentos que descrevam as ações necessárias
a depender do local e da legislação vigente. Na qual todas as etapas, desde projetos até
a manutenção, devem ser avaliadas de forma criteriosa, principalmente na implantação
e manutenção. Relatando cuidados para situações de corte que possam causar impactos
físicos ao solo da região (ABNT, 2024), podendo acelerar processo de erosão e alteração
do escoamento de águas na região.
Um ponto de grande importância, que é utilizado até mesmo como argumentos
em estudos e avaliações de impactos ambientais, é a possibilidade de ganhos sociais e
econômicos, que devem se equilibrar com a preservação. Até mesmo por que a grande
maioria dos impactos possuí alguma forma de minimização ou até mesmo compensação,
demonstrando que uma linha apesar de causar um significativo dano desenvolve economias
e possibilita uma melhora para a população afetada pela obra (TOBOUTI; SANTOS,
2014).
52
Conclusão
Ao longo desse trabalho, foram abordadas as principais mudanças trazidas pela
atualização da NBR 5422, enfatizando suas implicações ambientais e na forma como a
norma busca equilibrar o desenvolvimento da infraestrutura de transmissão de energia
com a preservação do meio ambiente. Evidenciando a constante necessidade de conciliar
a expansão da rede e a conservação ambiental.
Este trabalho teve como objetivo compreender as novas metodologias aplicadas na
norma, analisando suas implicações no planejamento de linhas de transmissão. Através
dos estudos de caso realizados, foi possível concluir o calculo da faixa de segurança e
ângulo de balanço do cabo condutor, utilizando critérios técnicos que consideram tanto
características construtivas da linha de transmissão quanto os dados climatológicos da
região em análise.
Adicionalmente, o estudo dos novos pontos abordados na norma possibilitou a
compreensão das atualizações nos critérios de uso e ocupação de solo. Essa abordagem
garantiu uma correta manipulação do ambiente encontrado nas proximidades de uma
linha de transmissão, além de trazer ações que garantem a qualidade de operação da
linha.
Um dos pontos críticos e detalhados na norma é faixa de segurança, que passou a
ter um rigor elevado, trazendo metodologias de cálculos mais precisas, principalmente em
respeito a obtenção das pressões de vento. A faixa é responsável por garantir a integridade
operacional da linha, porém, se destaca por seu potencial de impacto ambiental, uma
vez que envolve intervenções diretas no solo e na vegetação. A NBR 5422 detalha as
restrições e cuidados para a manutenção da faixa, abordando temas como o controle da
supressão vegetal e a prevenção de incêndios, o que contribui de forma significativa para
a preservação do ecossistema no entorno da linha de transmissão.
Além disso, a versão de 2024 amplia os métodos em práticas de manejo sustentá-
vel, atribuindo mais responsabilidades em casos de impacto. A obrigatoriedade de estudos
como o EIA, RIMA e AIA refletem diretamente a importância do planejamento detalhado,
de forma que todos os possíveis impactos estejam contemplados. Essas exigências demons-
tram um avanço, trazendo uma visão integrada e ambientalmente responsável, na qual os
cuidados deixam de ser apenas uma exigência legal, e sim uma prática essencial para a
manutenção da biodiversidade e dos ecossistemas.
No entanto, mesmo com uma normatização mais rigorosa e com diretrizes claras, os
desafios para a implantação sustentável de linhas de transmissão permanecem. Questões
como a complexidade de manter habitats conectados para evitar o isolamento de espécies
Conclusão 53
continuam sendo obstáculos. Por isso, é necessário que as concessionárias e o setor elétrico,
em geral, continuem a estudar abordagens e invistam em tecnologias que possibilitem
reduzir os impactos ambientais, minimizando o desmatamento e favorecendo a recuperação
das áreas afetadas.
Com base na compreensão inicial da forma física de uma linha de transmissão,
nas normas e leis aplicáveis, e nos resultados obtidos ao longo deste trabalho, foi possível
evidenciar como a atualização da NBR 5422 contribui diretamente para uma abordagem
mais sustentável na construção e operação de linhas de transmissão. A análise dos dados
revelou que as metodologias de cálculo atualizadas e os novos critérios para faixas de
segurança impactam positivamente na preservação dos ecossistemas, reduzindo os riscos
de desmatamento e contribuindo para uma melhor integração com o meio ambiente. Este
estudo reforça a importância de uma norma que atenda tanto às necessidades do setor
elétrico quanto às exigências ambientais.
O trabalho também ressalta a importância de uma regulamentação robusta que
acompanha o desenvolvimento do setor e da sociedade. Assim a NBR 5422 se posiciona
como um instrumento para a compatibilização entre crescimento do país e a preservação
ambiental, reforçando o compromisso do setor com a sustentabilidade.
Este trabalho se destaca como um estudo pioneiro na análise da nova versão da
NBR 5422, sendo um dos primeiros a investigar as implicações e os impactos ambientais
dessa atualização normativa. Essa análise inicial oferece uma referência valiosa para futu-
ras pesquisas e aprimoramentos normativos, consolidando-se como uma contribuição na
compreensão dos efeitos da nova NBR 5422.
Para estudos futuros, além de explorar o comportamento das distâncias elétricas
fase-terra, sugere-se a análise de estudos regionais de impacto da nova norma em áreas
ambientalmente sensíveis. Tais pesquisas poderiam aprofundar a aplicação prática dos
novos critérios e oferecer mais dados para sustentar as próximas revisões normativas.
54
Referências
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ABNT. Aterramento de estruturas e dimensionamento de cabos para-raios de linha de
transmissão aérea de energia elétrica. [S.l.]: ABNT NBR 17140, 2023.
ABNT. Projeto de linhas aéreas de energia elétrica - Critérios técnicos. [S.l.]: ABNT
NBR 5422, 2024.
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Estreito Jaguara e Ribeirão Preto Poços de Caldas. 2007. Disponível
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Documentos%20Compartilhados/Forms/[Link]?ga=1&id=%2Fsites%
2FEstudosAmbientais%2FDocumentos%20Compartilhados%2FLicenciamento%
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Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), 1986.
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de abril de 1981, e a Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõem, respectivamente
sobre a criação de Estações Ecológicas e Áreas de Proteção Ambiental e sobre a Política
Nacional do Meio Ambiente, e dá outras providências. Brasília, DF, 1990.
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TOBOUTI, A. K.; SANTOS, V. L. P. dos. Impactos ambientais causados na implantação
de linhas de transmissão no brasil/environmental impacts caused the establishment of
transmission lines in brazil. Meio Ambiente e Sustentabilidade, v. 4, n. 3, p. 184–199,
2014.
Anexos
56
ANEXO A – Figuras.
Figura 23 – Temperatura coincidente (°C).
Fonte: Figura 27 - NBR 5422/85.
ANEXO A. Figuras. 57
Figura 24 – Velocidade básica do vento (m/s).
Fonte: Figura 28 - NBR 5422/85.
ANEXO A. Figuras. 58
Figura 25 – Parâmetro alfa da distribuição estatística de Gumbel (m/s)−1.
Fonte: Figura 29 - NBR 5422/85.
ANEXO A. Figuras. 59
Figura 26 – Parâmetro beta da distribuição estatística de Gumbel (m/s).
Fonte: Figura 30 - NBR 5422/85.