0% acharam este documento útil (0 voto)
31 visualizações9 páginas

IA no Judiciário: Impactos e Ética Jurídica

O documento analisa o uso da inteligência artificial (IA) no Judiciário, discutindo sua capacidade de substituir advogados e os impactos éticos e legais dessa tecnologia. Embora a IA possa automatizar tarefas e aumentar a eficiência, a substituição total do advogado é considerada improvável devido à necessidade de habilidades humanas como sensibilidade e persuasão. A pesquisa conclui que a IA deve ser uma ferramenta de apoio, com a regulação legal ainda em desenvolvimento para garantir a proteção dos direitos fundamentais.

Enviado por

leosbt14
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
31 visualizações9 páginas

IA no Judiciário: Impactos e Ética Jurídica

O documento analisa o uso da inteligência artificial (IA) no Judiciário, discutindo sua capacidade de substituir advogados e os impactos éticos e legais dessa tecnologia. Embora a IA possa automatizar tarefas e aumentar a eficiência, a substituição total do advogado é considerada improvável devido à necessidade de habilidades humanas como sensibilidade e persuasão. A pesquisa conclui que a IA deve ser uma ferramenta de apoio, com a regulação legal ainda em desenvolvimento para garantir a proteção dos direitos fundamentais.

Enviado por

leosbt14
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

INSTITUTO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS


FACULDADE DE DIREITO

CAROLINE VEIGA FIGUEIREDO DA SILVA


ELENILSON DA SILVA SOUSA
FELIPE DE LIMA RANIERI
GEOVANA VITORIA DA SILVA TAVARES
LEONARDO BEZERRA TAVARES
MARIA FERNANDA MENDES ALENCAR DA SILVA

USO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO JUDICIÁRIO: substituição do


advogado, impactos, benefícios e entendimentos jurídicos.

BELÉM-PA
2025
CAROLINE VEIGA FIGUEIREDO DA SILVA
ELENILSON DA SILVA SOUSA
FELIPE DE LIMA RANIERI
GEOVANA VITORIA DA SILVA TAVARES
LEONARDO BEZERRA TAVARES
MARIA FERNANDA MENDES ALENCAR DA SILVA

USO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO JUDICIÁRIO: substituição do


advogado, impactos, benefícios e entendimentos jurídicos.

Trabalho para a avaliação da disciplina de Ética Jurídica


da Turma 030/2024 do Curso de Graduação de Direito
da Universidade Federal do Pará.

Orientador: Prof. Dr. Paulo Sérgio Weyl Albuquerque


Costa

BELÉM-PA
2025
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO 3
2. A SUBSTITUIÇÃO DO ADVOGADO PELA IA 3
3. MALEFÍCIOS E CONSEQUÊNCIAS DO USO DA IA 3
4. BENEFÍCIOS DO USO DA IA 3
5. LEGISLAÇÃO, DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA 3
6. CONCLUSÃO 5
REFERÊNCIAS 7
4

1. INTRODUÇÃO
A inteligência artificial (IA) tem transformado profundamente as formas de atuação
em diversas áreas do conhecimento, e o Direito não é exceção. A crescente automação de
atividades jurídicas, como a elaboração de peças, pesquisa jurisprudencial e organização de
processos, tornou-se um aliado poderoso dos operadores do Direito.

A sustentação oral representa um dos momentos mais relevantes no exercício da


advocacia, principalmente em instância superiores, assim sendo, um momento que destina à
apresentação argumentativa direta perante os julgadores. Além de uma função técnica,
demonstrar o compromisso pessoal do advogado com a causa e a articulação dinâmica do
argumento. No entanto, com o avanço das tecnológicas como IA torna-se possível a
automação de algumas atividades jurídicas, até mesmo esse momento do processo judicial.

Segundo a Ordem dos advogados do Brasil (OAB) a Sustentação oral é um ato


primitivo da função de Advogado e Qualquer substituição por máquinas ou IA ocasionará em
uma infração ética além de acusação de exercício ilegal da profissão.

Contudo, o avanço rumo à automação de atividades tradicionalmente humanas levanta


questões sensíveis, especialmente quando se trata da realização de sustentações orais por
sistemas de IA em ambientes judiciais. Essa prática em ascensão provoca um debate sobre os
limites da delegação tecnológica em atividades que exigem discernimento jurídico,
responsabilidade profissional e argumentação personalizada.

Diante desse cenário, a pesquisa tem por objetivo uma análise crítica acerca da
utilização da IA na realização de sustentações orais, analisando suas implicações normativas,
os riscos éticos envolvidos e as consequências práticas para a advocacia e o sistema de justiça.

2. A SUBSTITUIÇÃO DO ADVOGADO PELA IA

A ascensão da inteligência artificial no setor jurídico brasileiro tem provocado um


debate crescente sobre o futuro da profissão, com a pergunta principal sendo se a tecnologia
pode substituir o advogado. Embora o potencial da IA para transformar as práticas jurídicas
seja inegável, a substituição integral do advogado pela IA é considerada improvável, ao
menos em um horizonte próximo. O exercício da advocacia, conforme o artigo 1331 da
Constituição Federal, é reconhecido como indispensável à administração da justiça, exigindo

1
Art. 133. O advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações
no exercício da profissão, nos limites da lei.
5

elementos personalíssimos que a tecnologia não consegue replicar integralmente, como


julgamento valorativo, sensibilidade, persuasão e domínio retórico.

A Inteligência Artificial deve ser vista como uma ferramenta de suporte, não como um
substituto para a presença humana, pois atua como um recurso valioso para aumentar a
eficiência operacional, automatizando tarefas repetitivas e permitindo que os profissionais
foquem em questões mais complexas e estratégicas. Ademais, apesar dos benefícios
evidentes, a implementação da IA no direito enfrenta desafios éticos e legais, especialmente
no que tange à responsabilidade por decisões assistidas por algoritmos.

Um caso emblemático, noticiado pelo G1, foi o de um advogado que utilizou o


ChatGPT e incluiu casos fictícios em um processo judicial (G1, 2023). Esse incidente reforça
a necessidade de supervisão humana rigorosa, pois a responsabilidade final por qualquer
decisão jurídica deve sempre recair sobre o profissional. Além disso, a IA, por ser treinada
com dados históricos, pode perpetuar vieses e desigualdades, o que exige um cuidado ético
redobrado para garantir a imparcialidade do sistema.

Portanto, é possível afirmar que o risco mais imediato, não é a substituição total, mas a
desqualificação do profissional que não se adaptar ao uso ético e competente das novas
ferramentas. Nesse viés, a tecnologia, como o Estatuto da Advocacia (Lei nº 8.906/94) sugere,
pode complementar, mas não substituir, a presença e o discernimento humano, essenciais para
a defesa de direitos personalíssimos, como a realização de sustentação oral.

3. MALEFÍCIOS E CONSEQUÊNCIAS DO USO DA IA


4. BENEFÍCIOS DO USO DA IA
5. LEGISLAÇÃO, DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA
O uso da Inteligência Artificial (IA) no Judiciário brasileiro tem gerado intensos debates no
campo normativo e jurisprudencial. Como visto nos tópicos anteriores, embora a IA traga
benefícios e riscos, é no âmbito da legislação, da doutrina e da jurisprudência que se
delimitam os contornos de sua aplicação, legitimidade e limites. Nesse sentido, compreender
como o ordenamento jurídico brasileiro tem tratado a matéria é fundamental para avaliar até
que ponto a IA pode ser utilizada sem comprometer princípios constitucionais, como o devido
processo legal e a dignidade da pessoa humana.

No plano legislativo, ainda não há uma lei geral sobre inteligência artificial no Brasil.
Todavia, alguns instrumentos normativos já estabelecem parâmetros relevantes. A Lei nº
12.965/2014, conhecida como Marco Civil da Internet, consagrou princípios de proteção à
privacidade e à neutralidade da rede, que impactam diretamente o uso de algoritmos em
ambientes digitais. Da mesma forma, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais – LGPD (Lei
6

nº 13.709/2018) trouxe diretrizes expressas sobre o tratamento automatizado de dados,


impondo ao controlador o dever de transparência quanto ao uso de sistemas que possam afetar
direitos individuais (DONEDA, 2020). Esses diplomas são frequentemente invocados em
debates sobre a utilização da IA no Judiciário, sobretudo quando envolvem análise de dados
sensíveis de partes processuais.

Além disso, tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei nº 21/2020, que busca
estabelecer o Marco Legal da Inteligência Artificial no Brasil. O texto propõe princípios como
respeito à dignidade humana, não discriminação e transparência, alinhando-se às diretrizes já
discutidas pela União Europeia e pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômico (OCDE) (SILVA, 2021). Embora ainda não aprovado, esse projeto evidencia a
preocupação legislativa em regular uma tecnologia que já é realidade no sistema judicial
brasileiro.

Do ponto de vista doutrinário, autores divergem quanto ao alcance da IA na atividade


jurisdicional. Para Venturi (2022), a IA deve ser utilizada como ferramenta auxiliar, mas
jamais substitutiva, uma vez que a interpretação jurídica envolve elementos axiológicos que
não podem ser reduzidos a cálculos algorítmicos. De forma semelhante, Gonçalves (2021)
ressalta que a aplicação de sistemas de IA deve respeitar os princípios constitucionais e
processuais, de modo que não se crie uma “justiça de máquina”, desprovida de sensibilidade e
adaptabilidade aos casos concretos. Já Doneda (2020), ao tratar do impacto da proteção de
dados na sociedade da informação, enfatiza que a utilização de sistemas automatizados em
decisões judiciais deve ser acompanhada de mecanismos de responsabilização e
auditabilidade.

A jurisprudência brasileira também tem sinalizado limites ao uso da tecnologia. O Conselho


Nacional de Justiça (CNJ) tem se posicionado no sentido de fomentar o desenvolvimento de
ferramentas como o sistema “Victor”, utilizado pelo Supremo Tribunal Federal para auxiliar
na triagem de processos de repercussão geral. Todavia, o CNJ reforça que a decisão final é
sempre do magistrado, resguardando a independência judicial (CNJ, 2019). Em julgados
recentes, o Superior Tribunal de Justiça destacou a importância da preservação do
contraditório e da ampla defesa, mesmo quando há utilização de recursos tecnológicos para
análise de peças processuais (STJ, 2021). Isso demonstra que a jurisprudência nacional
reconhece os benefícios da IA, mas condiciona seu uso ao respeito às garantias fundamentais.

No cenário internacional, observa-se tendência semelhante. A União Europeia publicou, em


2021, uma proposta de regulamento para disciplinar o uso da inteligência artificial,
estabelecendo categorias de risco e proibindo práticas que possam violar direitos
fundamentais. Essa iniciativa tem servido de inspiração para debates legislativos no Brasil
(SILVA, 2021). Da mesma forma, cortes constitucionais em países como a Alemanha e a
França têm reforçado que a utilização da IA deve ser compatível com os princípios do Estado
de Direito e da proteção dos direitos humanos (VENTURI, 2022).
7

Portanto, a análise da legislação, da doutrina e da jurisprudência evidencia que a inteligência


artificial, apesar de sua utilidade para o Judiciário, encontra limites intransponíveis quando
confrontada com valores constitucionais e com a própria essência da atividade jurisdicional.
Esses entendimentos normativos e judiciais dialogam diretamente com os pontos anteriores
do trabalho, na medida em que demonstram que os malefícios e benefícios da IA somente
podem ser compreendidos à luz de sua regulação jurídica. Essa perspectiva conduz à
conclusão de que a tecnologia deve ser incorporada de forma responsável, equilibrando
inovação e salvaguarda dos direitos fundamentais.

6. CONCLUSÃO

A presença da inteligência artificial no Judiciário mostra um cenário cheio de contrastes:


de um lado, a promessa de mais eficiência; de outro, riscos éticos e jurídicos que não podem
ser ignorados. A análise feita até aqui deixou claro que a substituição total do advogado pela
IA não é viável, já que a profissão exige algo que vai além da técnica — envolve
sensibilidade, poder de convencimento e o compromisso humano com a causa, qualidades que
nenhuma máquina consegue reproduzir.

Quando se olham os malefícios e consequências, percebe-se que o perigo maior não é


apenas a perda do caráter humano da advocacia, mas também problemas como vieses nos
algoritmos, erros de informação e a dificuldade de atribuir responsabilidade quando há falhas.
Casos já aconteceram, como o uso de informações falsas em peças processuais e até mesmo o
uso em sustentações orais, mostrando que esses riscos são reais.

Por outro lado, os benefícios do uso da IA são evidentes: rapidez, automação de tarefas
repetitivas, melhor organização de informações e até maior democratização do acesso ao
conhecimento jurídico. Logo, a questão não é rejeitar a tecnologia, mas saber como usá-la
com equilíbrio, sem abrir mão do papel central do advogado.

O debate sobre legislação, doutrina e jurisprudência mostra que o Brasil ainda está
construindo esse caminho. A Constituição e o Estatuto da Advocacia protegem o espaço
essencial do profissional, e órgãos como a OAB já se posicionam contra usos que violem a
ética. Isso indica que a regulação virá de forma gradual, exigindo diálogo entre juristas,
legisladores, sociedade e desenvolvedores de tecnologia.

Em síntese, a Inteligência Artificial deve ser vista como ferramenta de apoio, não
substituto do advogado. O futuro da advocacia vai depender da capacidade do profissional de
8

se adaptar, usar as novas tecnologias a seu favor e, ao mesmo tempo, manter o compromisso
humano com a Justiça. O desafio está em equilibrar inovação e ética, para que a IA seja aliada
na construção de um Judiciário mais rápido, acessível e humano.
9

REFERÊNCIAS

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Promulgada em 5 de outubro de


1988. Disponível em: [Link]
Acesso em: 10 set. 2025.

BRASIL. Lei n. 8.906, de 4 de julho de 1994. Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a


Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Diário Oficial da União, 5 jul. 1994.

CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA (CNJ). Relatório Justiça 4.0: inovação e


transformação digital. Brasília: CNJ, 2019.

DONEDA, Danilo. Da privacidade à proteção de dados pessoais: elementos da formação da


lei geral de proteção de dados. 3. ed. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2020.

G1. Advogado usa casos inventados pelo ChatGPT em processo judicial e leva puxão de
orelha de juiz. G1, 29 maio 2023. Disponível em:
[Link]
[Link]. Acesso em: 10 set. 2025.

GONÇALVES, Marcus Vinicius. Inteligência Artificial e Direito: limites constitucionais e


processuais. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2021.

JUSBRASIL. Inteligência artificial vai agilizar a tramitação de processos no STF. JusBrasil,


21 mar. 2018. Disponível em: [Link]
agilizar-a-tramitacao-de-processos-no-stf/584499448. Acesso em: 10 set. 2025.

SILVA, José Afonso da. Inteligência Artificial e os desafios da regulação no Brasil. Belo
Horizonte: Fórum, 2021.

SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ). Boletim de Jurisprudência do STJ. Brasília:


STJ, 2021.

VENTURI, Elton. Direito, tecnologia e inteligência artificial: desafios contemporâneos.


Curitiba: Juruá, 2022.

Você também pode gostar