5º MÓDULO – DIREITO DOS PORTADORES DE TDAH
1) O que é Constituição?
A palavra constituição tem vários significados como: constituição do universo,
Constituição da associação, da propriedade, da família, etc.
A constituição, propriamente dita, sob o aspecto jurídico, é a lei maior que diz
respeito à organização do Estado e às suas funções, que dispõe sob a forma de Estado
e de Governo e que disciplina e assegura a plena proteção dos direitos individuais.
2) A Educação e a Saúde são direitos constitucionais?
São direitos disciplinados no art. 6º da Constituição, a saber:
“Art. 6º - São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o
lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e infância, a
assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.”
3) Em que consiste o direito à Educação?
A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e
incentivada com a colaboração da sociedade, visando o pleno desenvolvimento da
pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho
(art. 205 da Constituição Federal).
4) Qual o princípio básico do ensino a ser ministrado, além de outros contidos na
Constituição?
Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola, sem privilégios.
5) Todos têm garantia ao acesso à educação escolar, inclusive os portadores de
TDAH?
Sim. A Constituição Federal assegura esse direito, uma vez que a educação
constitui condição fundamental para o exercício da cidadania.
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Ademais a Constituição Federal veda quaisquer formas de discriminação (art. 3º
- inciso IV) e expressa no art. 228 inciso III que é dever do Estado garantir atendimento
especializado aos portadores de deficiência. Lembramos que o TDAH não é um simples
transtorno, mas um problema grave de saúde que afeta aproximadamente 10% da
população mundial caracterizada por uma combinação de dois tipos de sintomas:
Desatenção e Hiperatividade – Impulsividade. O que caracteriza a deficiência, assim
entendida, de acordo com o Dicionário de Língua Portuguesa, Aurélio – Ed.2010, é a
falta, carência, insuficiência (física ou psíquica). Portanto, não há como deixar de
considerar tal transformação grave de saúde como deficiência.
6) As escolas podem proibir o acesso à educação escolar aos portadores do TDAH?
Além da proibição de qualquer discriminação contida expressamente na
Constituição a própria Lei de Diretrizes e Bases para Educação Nacional reafirma o
direito aos portadores de TDAH e quaisquer diferenças que caracterizam a condição
humana.
Cabe à família, à escola e demais membros da sociedade promoverem o
entendimento com vistas a criar processos educativos e pedagógicos a fim de coibir as
diferenças por ventura existentes.
7) As escolas devem desenvolver projetos pedagógicos que contemplem a
diversidade de alunos?
Sim. É requisito fundamental para promover a educação escolar, a criação de
diretrizes básicas para inclusão de pessoas com TDAH no sistema de educação
inclusiva.
8) Como agir em defesa dos direitos do aluno?
Buscar primeiramente a conciliação junto à instituição de ensino, não
ocorrendo, procurar o Conselho Tutelar, órgão permanente e autônomo encarregado
de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente observado o
art.131 do Estatuto da Criança e do Adolescente. Em cada município há no mínimo um
Conselho Tutelar composto de cinco membros escolhidos pela comunidade local.
9) Com relação aos profissionais de educação, como deve ser a atuação?
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O mundo contemporâneo exige uma formação continuada dos profissionais de
educação, objetivando torná-los conscientes das diferenças existentes entre alunos e
visando, sempre, promover estratégias, métodos e tecnologias capazes de promover a
integração de todos sem distinção, o que representaria a reprovação na missão de
educar.
10) O que significa a prática de exclusão, por parte de algumas escolas e faculdades?
Significa o descumprimento da Constituição, da Lei de Diretrizes e Bases e
violação do exercício pleno da cidadania.
11) Quais são as medidas de proteção?
Serão aquelas aplicadas sempre que os direitos reconhecidos por lei forem
violados ou ameaçados por ação ou omissão da sociedade ou do Estado; por falta,
omissão ou abuso dos pais ou responsáveis ou em razão de conduta.
12) Nos casos de maus-tratos sofridos por alunos, qual o procedimento?
Cabe aos dirigentes do estabelecimento de ensino comunicar as ocorrências ao
Conselho Tutelar.
13) A autoridade policial deve tomar ciência dos maus-tratos?
Evidenciada essa prática cabe ao professor ou dirigente da escola comunicar o
ocorrido à autoridade policial.
14) Onde está caracterizada tal prática?
No art. 136 do Código Penal que expressa:
“Art. 136 – Expor a perigo a vida ou a saúde da pessoa sob sua autoridade, guarda ou
vigilância, para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de
alimentação ou cuidados indispensáveis, quer seja sujeitando-a a trabalho excessivo
ou inadequado, quer abusando de meios de correção ou disciplina.”
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15) Cabe ao Conselho Tutelar encaminhar à autoridade judiciária os casos de sua
competência?
Não, somente ao Poder Judiciário, mas ao Ministério Público todos os fatos que
constituem infração administrativa ou penal contra os direitos da criança e do
adolescente.
16) A propositura de ação sempre terá início na denúncia ao Conselho Tutelar?
Não. É garantido o acesso de toda a criança ou adolescente à Defensoria
Pública, ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. A assistência judiciária gratuita
será prestada aos que dela necessitarem, através de defensor público ou advogado
nomeado, desde que comprovem insuficiência de recursos.
Lembramos que as ações judiciais de competência da justiça da infância e da
juventude são isentos de custas e emolumentos.
17) Todo o problema que envolva portador de TDAH, na instituição de ensino, tem
que ser resolvido pelo Conselho Tutelar ou pelo Poder Judiciário?
Não. Devem ser esgotados todos os recursos no âmbito escolar.
18) A prevenção não seria o caminho para evitar os questionamentos de ordem
administrativa e/ou judicial?
A prevenção geral que consiste em evitar a ocorrência da ameaça ou violação
dos direitos da criança e do adolescente já está previsto nos artigos 70 a 73 do
Estatuto. A prevenção consiste em adoção de medidas e programas de atendimento
que evitem a marginalização, a discriminação e a caracterização de risco pessoal.
19) Há uma legislação específica que dispõe sobre o diagnóstico e tratamento do
TDAH na educação básica?
Existe somente um projeto de Lei do Senado de nº402, de 2008, que ainda não
se transformou em lei.
Entretanto, lembramos que dentre os direitos fundamentais assegurados pela
constituição, que é a Lei Maior, está o direito à vida e à saúde. A criança e o
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adolescente que estão em fase de desenvolvimento, devem merecer a proteção
especial da família, da sociedade e do poder público, como expressa a Carta Magna. O
direito à vida reflete a mais importante das reivindicações do ser humano através de
padrões de comportamento biológico, quando se luta pela sobrevivência e pelas
necessidades orgânicas e psicossociais, quando se busca a coesão interna e sua própria
valorização.
20) Não tendo recursos pode o portador de TDAH receber os medicamentos
gratuitamente?
Deve, cabe ao Poder Público fornecer os medicamentos, quando demonstrado
a sua necessidade através da declaração médica.
21) Não estando a medicação na lista elaborada pelo Poder Público, mesmo assim é
dever fornecer a medicação?
Sim, uma vez que há responsabilidade solidária da União, dos Estados e dos
Municípios, de acordo com o art. 6º, 23º, II, 24, XII, 194º, 195º, 196º e 198º da
Constituição, no que se refere ao fornecimento de medicação, não estando incluída
sua obrigatoriedade de constar na listagem do Poder Público.
22) Caso não seja atendido o pedido pelo Poder Público, a quem recorrer?
Ao Poder Judiciário e não tendo recursos para fazê-lo, poderá efetivá-lo através
da Defensoria Pública.
Fonte: Cartilha Direito dos Portadores de TDAH (Doutrina – Jurisprudência). Associação Brasileira do
Déficit de Atenção – ABDA.