4º MÓDULO – TRATAMENTO
O tratamento é multidisciplinar envolvendo tanto o uso de medicamentos, que
é considerado eficaz e seguro a partir de 6 anos, quanto o treinamento parental,
acompanhamento psicopedagógico e psicológico.
Os medicamentos utilizados são estimulantes e são muito eficazes no
tratamento. Usando o remédio da forma indicada e supervisionada pelo médico e pela
equipe, percebe-se boa adaptação ao tratamento e segurança no uso.
Algumas pessoas precisam usar muitos anos, mas não por dependência e sim
pela dificuldade de se concentrar e controlar o comportamento.
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Estudos apontam que a falta de um tratamento adequado pode acarretar
prejuízos graves em todas as faixas etárias, risco de abuso de substâncias (como o
álcool e drogas ilícitas), depressão, suicídio, evasão escolar, déficit no aprendizado,
gravidez na adolescência, envolvimento com criminalidade, dificuldade de socialização,
acidentes, multas e acidentes de trânsito.
As vantagens de realizar o tratamento
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Já se sabe que o tratamento adequado está associado à melhora do
desempenho escolar, melhora nas notas e na leitura, aumento na pontuação em testes
e diminuição da evasão escolar.
O tratamento com estimulantes também tem efeito protetor contra transtorno
de humor, depressão, tentativas de suicídio, redução de criminalidade e redução de
acidentes e lesões, principalmente no trânsito.
A quem devo procurar?
Como dito, o diagnóstico é clinico e você deve procurar um profissional
capacitado podendo ser um psiquiatra infantil, neuropediatra, um médico de família
ou um pediatra, com experiência neste transtorno.
É importante que a criança passe por uma avaliação clínica com um médico
(médico de família do seu bairro ou pediatra), e suspeitando de TDAH, ela deve ser
encaminhada ao serviço especializado.
Caso você tenha identificado uma dessas características na criança, converse na
escola para que os educadores possam também auxiliar nessa observação, pois esse
comportamento específico deve ocorrer em mais de um ambiente frequentado pela
criança. Se possível, solicitar um relatório da escola para que possa auxiliar no
diagnóstico.
Fonte: OLIVEIRA, Ariêta de Jesus Felisberto. TRANSTORNO DE DÉFICT DE ATENÇÃO/HIPERATIVIDADE :
CARTILHA PARA PAIS E RESPONSÁVEIS. Viçosa, MG : UFV, Departamento de Medicina e Enfermagem,
2022.
TRATAMENTO E APOIO PSICOLÓGICO
Quais são os medicamentos mais comumente usados no tratamento do TDAH?
1. Os medicamentos para o tratamento são escolhidos de acordo com os
consensos de especialistas.
2. A primeira escolha são os estimulantes. Quando a resposta é insatisfatória,
deve-se trocar para um segundo estimulante.
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3. A próxima tentativa deve ser a atomoxetina (um não-estimulante).
4. Caso seja necessário trocar, deve-se então usar um antidepressivo.
5. Caso necessário, deve-se trocar para um segundo antidepressivo.
6. A última etapa são os alfa-agonistas.
No Brasil, existem dois estimulantes: o metilfenidato e a lis-dexanfetamina. Os
estimulantes são os medicamentos considerados mais eficazes no tratamento do
TDAH.
Vale lembrar que a presença de comorbidades pode exigir o uso de outros
medicamentos, mesmo que eles não sejam indicados para tratar os sintomas de TDAH.
Os estimulantes não são drogas perigosas, capaz de provocar efeitos colaterais
sérios?
Os estimulantes são considerados medicamentos seguros pela maioria dos
pesquisadores e dos clínicos que o utilizam em milhões de pacientes em todo o
mundo.
Todavia cabe aqui um parênteses: todo medicamento é capaz de provocar
reações adversas no organismo. Basta pensar na aspirina, medicamento comum, mas
que pode provocar úlceras gástricas e até hemorragias fatais.
Os estimulantes só devem ser utilizados com orientação do médico com
experiência no tratamento do TDAH.
O primeiro estimulante foi desenvolvido para tratamento do TDAH há mais de
50 anos, e os seus efeitos são bem estudados e conhecidos. Vale lembrar que os
estimulantes são os medicamentos de primeira escolha, quando comparados a todos
os demais, por conta de sua eficácia.
Por quanto tempo é necessário que se faça uso da medicação? Por toda a vida?
O tratamento, incluindo ou não medicamentos, deve ser longo o suficiente para
um controle dos sintomas durante um período maior, contornando ou minimizando os
problemas na vida escolar, familiar e social. Como foi dito, o TDAH pode ser crônico
em alguns casos e persistir na vida adulta.
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Muitas vezes, com a conscientização acerca do transtorno, com o aprendizado
de certas estratégias de comportamento, é possível depois de algum tempo reavaliar a
necessidade de se manter o medicamento ou não.
Do ponto de vista psicológico o que pode ser feito para ajudar a pessoa com TDAH?
O primeiro passo e muitas vezes o mais importante é dar à pessoa
conhecimentos científicos sobre o transtorno, porque só isso já modifica a baixa
autoestima e certa carga de culpa que o portador provavelmente carrega.
Muitos sintomas de TDAH (e suas consequências) são interpretados
erroneamente pelos demais (e às vezes também pelo próprio portador) ao longo de
toda a vida: “só lembra o que interessa”, “não tem persistência em nada”, “não leva
nada a sério”, “não se dedica”, “se realmente se importasse com os outros, teria
lembrado”, “é vagabundo”, etc.
Em seguida pode ser útil aprender certas estratégias de comportamento para
administrar os sintomas do TDAH. Por exemplo, quando o portador sofre de
dificuldade crônicas de organização e por causa disso acaba se esquecendo de
compromissos, torna-se muito útil estimular o uso de agenda, mural e outros recursos
(especialmente eletrônicos, quando possível).
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Existem algumas estratégias para quando a pessoa tem dificuldade em manter
a atenção em leituras ou em aulas; também existem estratégias para minimizar a
impulsividade.
O professor pode ser um grande aliado no tratamento. Quando ele tem
conhecimentos sobre TDAH, ele se torna capaz de adotar estratégias de ensino
capazes de favorecer o aprendizado dos alunos com TDAH.
A psicoterapia também pode ser útil, seja ela familiar, individual ou de casal (no
caso de adultos casados), quando é necessário tratar as consequências do TDAH na
vida do portador e das pessoas importantes em sua vida.
A Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA) congrega profissionais
estudiosos do assunto, pais e portadores, e tem como objetivos divulgar informação
cientificamente correta e orientar pais, portadores e escolas no reconhecimento e
tratamento do TDAH.
Fonte: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DO DÉFICIT DE ATENÇÃO – ABDA. Cartilha Transtorno do Déficit de
Atenção com Hiperatividade. Rio de Janeiro : 2020.
ALIMENTAÇÃO ADEQUADA PARA O CÉREBRO TDAH
Para casos de TDAH e para melhorar a distração e o cérebro, os melhores
alimentos são as proteínas, como carnes magras, peixes – gorduras boas e
carboidratos complexos – grãos integrais, aveia, sementes, entre outros. Fuja ao
máximo dos carboidratos simples – os mais prejudiciais são o açúcar e a farinha
branca.
Nutrição para o Cérebro TDAH – Alimentação e suplementos nutricionais
Você sabia que o cérebro sozinho consome entre 20 e 25% de toda a energia
que obtemos pela alimentação? Poucas pessoas conhecem este fato. Somente estes
números já dão uma ideia bem clara da importância que a comida tem, especialmente
quando você quer pensar, raciocinar e aprender melhor.
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Isto porque uma alimentação planejada, tendo em vista a nutrição cerebral, é
um elemento chave para performance em qualquer área. Não apenas nos estudos,
mas também no trabalho e no esporte. De fato, muitos se beneficiam: executivos,
atletas, estudantes, pessoas com necessidades específicas e também conforme a idade
avança.
Especialmente quem usa medicação psicoestimulante para o Transtorno do
Déficit de Atenção / Hiperatividade, ansiedade ou depressão (entre outras) deve cuidar
muito do que come. Isto porque os remédios atuam sobre sistemas de
neurotransmissores – usualmente dopamina e serotonina – e o cérebro precisa dos
nutrientes certos para metabolizá-los.
Para quem precisa melhorar a concentração e o foco, a dieta adequada
acompanhada de suplementação nutricional rica em micro-nutrientes necessários para
otimização cerebral é uma grande coadjuvante de tratamentos psicoterapêuticos,
medicamentosos, ajudando também as crianças com dificuldades psicopedagógicas,
escolares e de comportamento.
Do ponto de vista cerebral, os alimentos podem ser divididos em dois grupos:
aqueles que aumentam o desempenho (o metabolismo) e aqueles que deixam o
cérebro mais “aéreo”, mais lentificado.
Para casos de TDAH e para melhorar a distração, os melhores alimentos são as
proteínas – carnes magras em geral, especialmente peixes e os carboidratos
complexos – grãos integrais, aveia, sementes, entre outros. Essencial fugir dos
carboidratos simples – os mais prejudiciais são o açúcar e a farinha branca.
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Os carboidratos simples são metabolizados muito rapidamente pelo corpo –
são rapidamente transformados em glicose, aumentando abruptamente sua
concentração na corrente sanguínea. Com isto, imediatamente vem uma sensação de
bem-estar e maior energia. Isto o cérebro gosta muito, pois para ele é muito
importante o aporte de glicose, que possa ser transformada em energia.
Poderia parecer uma boa ideia manter o sangue bem açucarado, afinal sempre
se diz que o açúcar tem muita energia, muitas calorias… mas as coisas não são bem
assim. Flutuações na glicose sanguínea detonam um gatilho metabólico muito
prejudicial.
Com o aumento da glicose circulante, o pâncreas automaticamente libera uma
descarga de insulina, justamente para retirar o excesso de glicose e armazená-la nas
células do fígado ou nos “pneuzinhos” – os principais depósitos de energia do corpo, as
camadas de gordura.
Sonolência após almoço ou refeições
Como resultado da descarga de insulina, a quantidade de glicose em circulação
cai rapidamente. Na sequência, cérebro lentifica seu metabolismo, passando a
trabalhar mais devagar. Por isto muitas pessoas sentem sono após as refeições – às
vezes, até mesmo logo depois do café da manhã.
Alimentos que tem este efeito possuem uma carga glicêmica elevada – a
capacidade de passar rapidamente para a corrente sanguínea, aumentar os níveis
circulantes de glicose para, em seguida, ocasionar uma queda abrupta. Assim, quanto
maior a carga glicêmica, pior para o cérebro.
Uma dieta carregada de carboidratos simples termina por colocar o cérebro
numa montanha-russa constante, de altos e baixos na disponibilidade do seu principal
nutriente. Isto é totalmente incompatível com as necessidades de um cérebro do qual
se espera alta performance ou quando já existe uma tendência para a hipofunção
metabólica do TDAH.
Estas dicas de alimentação servem para todos que desejam melhorar a
memória, concentração e foco. Mas, acima de tudo, para quem tem TDAH,
hiperatividade, déficit de atenção.
1) O café da manhã é essencial
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A regra básica é bem simples: mais proteínas, menos carboidratos. Eliminar
cereais com açúcar, sucrilhos e achocolatados. Optar por ovos, proteínas magras ou
frios, especialmente peito de peru (entre 60% a 70% da refeição) e pão integral
(carboidratos de baixa carga glicêmica, entre 30% a 40%). Isto é indispensável para as
crianças, que passarão a manhã na escola, sentadas e paradas, assistindo aula.
2) Consumo moderado de carboidratos
Para as outras refeições do dia: manter um equilíbrio entre proteínas e
carboidratos. Alimentos de baixa carga glicêmica – os carboidratos complexos – e as
proteínas devem ser sempre as primeiras escolhas.
3) Cuidado com doces
Procure evitar alimentos pesados e sobremesas doces, especialmente no
almoço. A tendência em sentir sono após a refeição é, em grande parte, decorrente
dos processos digestivos e do sobe-desce dos níveis de glicose. Se não puder resistir a
um doce, diminua a quantidade, especialmente se tiver programado uma atividade
que exige maior esforço mental, como estudar ou ler.
4) Shakes e yogurtes light
Muito úteis quando se precisa de uma refeição mais nutritiva, sem os efeitos do
excesso de carboidratos e açúcares brancos – contém grandes quantidades de
proteína.
5) Café com moderação
A cafeína tem efeitos estimulantes, similares aos da Ritalina. Normalmente, a
cafeína ajuda a melhorar o foco. É recomendável experimentar pequenas doses (uma
ou duas colheres) com crianças muito agitadas ou distraídas, antes de irem para a
escola. Atenção: em altas doses, a cafeína é tóxica.
6) Beba muita água
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O cérebro é composto por 80% de água e tomar entre 1 litro por dia pode
ajudar bastante. Não troque refrigerantes ou bebidas gaseificadas / industrializadas
por água. Cuidado com o consumo excessivo de chás, mesmo naturais, pois podem
conter outras substâncias, além de cafeína.
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7) Leite – Amigo ou vilão
É importante verificar se há alergia ao leite, especialmente em crianças
hiperativas. Estima-se que 30% das crianças tenha alguma forma de restrição ao leite,
que pode ser prejudicial especialmente em altas doses.
8) Dê preferência a alimentos naturais
Sempre que puder, ingerir muitas frutas, vegetais e alimentos naturais, assim
você evita corantes, conservantes e outros produtos químicos com potencial para
causar reações alérgicas e inflamatórias. Algumas crianças costumam dar muito
trabalho para comer, recusando alimentos de paladar mais forte. Nunca caia na
armadilha “é melhor comer porcaria que não comer nada”. O resultado poderá ser
uma criança mais agitada e desatenta.
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9) Cuidado com o alumínio
Hoje em dia uso de panelas de alumínio está cada vez mais raro. Ainda assim,
vale o aviso. Evite alimentos cozidos ou mantidos em panelas de alumínio. É um metal
muito tóxico para o sistema nervoso, com vários estudos associando sua intoxicação a
síndromes neurológicas. O alumínio é também considerado um fator de risco para
Doença de Alzheimer, a forma mais grave de demência senil.
10) Cuidado com exposição a metais pesados
Pode acontecer com você a qualquer momento. Muito cuidado com os
brinquedos que as crianças colocam boca, especialmente importados de procedência
duvidosa e/ou sem selo do Inmetro. A tinta pode conter chumbo e casas antigas, com
encanamentos de cobre, podem deixar quantidades elevadas de resíduos metálicos na
água. Cuidado também com pesticidas e inseticidas.
Fonte: AMORIM, Cacilda. Alimentação para melhorar o TDAH. IPDA – Instituto Paulista de Déficit de
Atenção. 2005. Disponível em: <[Link]
Acesso em 07 Abr. 2021.
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