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Introdução a Renda Variável e Ações

O documento aborda os conceitos fundamentais de renda variável, focando em ações, seus tipos e os direitos dos acionistas. Explica as diferenças entre ações ordinárias e preferenciais, além de detalhar termos do mercado, despesas e riscos associados ao investimento em ações. Também menciona eventos societários e direitos dos acionistas, como participação nos lucros e direito de retirada.

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Introdução a Renda Variável e Ações

O documento aborda os conceitos fundamentais de renda variável, focando em ações, seus tipos e os direitos dos acionistas. Explica as diferenças entre ações ordinárias e preferenciais, além de detalhar termos do mercado, despesas e riscos associados ao investimento em ações. Também menciona eventos societários e direitos dos acionistas, como participação nos lucros e direito de retirada.

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Ou seja, você também é dono da empresa.

INTRODUÇÃO AOS INSTRUMENTOS DE RENDA VARIÁVEL, RENDA O ponto é que, por ser dono, se a empresa der prejuízo isso pode ser repassado
para você. Ou seja, não pense que, ao comprar uma ação você só tem benefícios,
FIXA E DERIVATIVOS pois a verdade não é bem assim.
Como uma empresa que tem suas ações na bolsa de valores tem milhões de só-
cios, é importante saber que existem dois tipos de ações e que cada uma lhe con-
fere direitos diferentes.
Esse é um dos módulos mais densos em sua prova, mas nada de preocupação, nós Vamos falar sobre essas ações a seguir.
vamos evoluindo no conteúdo aos poucos e, se você tiver pleno entendimento dos
primeiros tópicos, vai chegar ao final deste módulo com o conteúdo na ponta da
língua. 4.2. Termos utilizados no mercado de ações

Já sabemos, então, o que é uma ação e como esse ativo chega ao Mercado Finan-
4.1. Renda Variável ceiro.
Estamos quase prontos para estudar as particularidades desse papel. Digo isso
São ativos negociados em mercado, principalmente na Bolsa de Valores ou nos
porque agora irei falar sobre os termos utilizados no mercado e que iremos utilizar
mercados de balcão organizado. Funciona como um leilão e surge com uma das
bastante daqui para frente. Vamos lá?
características que mais chamam a atenção dos ativos de renda variável, a con-
stante variação e oscilação nos seus preços. Esse tipo investimento possui um
risco maior do que na Renda Fixa. • Day trade: combinação de operação de compra e venda realizadas por um
investidor com o mesmo título em um mesmo dia.

• Swing Trade: quando os investidores mantêm os títulos por prazo pequeno.


4.1. Ações
• Buy and Hold: modalidade de investimento no mercado onde o investidor
O primeiro tipo de renda variável que estudaremos é também o mais famoso: as compra ações e as mantém em sua carteira por um longo período. O termo
ações negociadas na Bolsa de Valores. "buy and hold", traduzido do inglês, significa "comprar e segurar".
A ação representa a menor "fração" do capital social de uma empresa, ou seja, • Circuit Breaker: sempre que acionado, interrompe o pregão. Na B3, é acionado
a unidade do capital nas sociedades anônimas. Quem adquire estas "frações" é sempre que o Índice Ibovespa atinge uma queda de 10% (trinta minutos de
chamado de acionista, e vai ter uma certa participação na empresa, correspon- paralisação) e, persistindo a queda, 15% (uma hora de paralisação).
dente a quantas dessas "frações" ele possuir.
Basicamente, podemos pensar na padaria que tem aí pertinho da sua casa. • DARF: documento de arrecadação da receita federal.

Imagine se você pudesse ser sócio(a) deste empreendimento e receber os lucros • Home broker: um canal moderno de relacionamento entre os investidores e
gerados pela venda de pães todos meses. Seria bom, né? Pois é exatamente isso sociedades corretoras que torna ainda mais ágil e simples as negociações no
que acontece com as ações. Você se torna sócio(a) do empreendimento, pode mercado acionário. Também permite o envio de ordens de compra e venda
receber lucros em sua conta, pode votar para decidir sobre quando e quanto pagar de ações pela internet, possibilitando assim o acesso às cotações, o acom-
para cada acionista. panhamento de carteiras de ações e vários outros recursos.

202 203

• Liquidez: maior ou menor facilidade de se negociar um título, convertendo- forma hiperbólica, que o Banco do Brasil tem 1.000 ações. Destas, 500 são PN e
o em dinheiro. 500 são ON. Para que o governo federal possa sempre ser o controlador, ele precisa
possuir 251 ações ON. Assim, ele garante que sempre possuirá o maior poder de
• Lote padrão: lote de títulos de características idênticas e em quantidade voto, já que a ação ON confere um voto por ação.
prefixada pelas bolsas de valores. Agora que entendemos o que é uma ação, vem a pergunta: como uma ação
chega ao Mercado Financeiro? Ou melhor dizendo, se a padaria do seu bairro
• Lote fracionário: as ações, no mercado à vista, são negociadas em lotes
quiser vender ações, o que ela deve fazer?
(geralmente de 100 ações). O mercado fracionário é o local onde são negoci-
adas frações do lote padrão. A resposta para isso é: para vender ações no Mercado Financeiro, uma empresa
precisa contratar uma instituição financeira que vai estruturar a oferta pública de
Beleza. Agora vamos discutir as peculiaridades do mercado de ações. ações.

4.2. Tipos de ações 4.3. Eventos societários


Os principais tipos de ações encontrados no mercado financeiro são as preferen- Ainda na linha dos direitos dos acionistas, vamos listar o que chamamos de even-
ciais e as ordinárias. tos societários. Alguns representam literalmente o lucro, mas não dependem da
ação do acionista e sim da empresa.
• Ações ordinárias: essas ações são chamadas de ON e conferem ao seu de-
tentor o direito a voto nas assembleias dos acionistas da empresa. Em outras
• Dividendos: distribuição de parte do lucro aos seus acionistas, são pagos ex-
palavras, o investidor que compra ações ON pode de fato "mandar" na em-
clusivamente em dinheiro. O estatuto da empresa pode prever o percentual
presa. Uma empresa pode emitir até 100% de ações ordinárias.
do lucro que será distribuído aos acionistas, se essa informação for omissa
• Ações preferenciais: essas ações são chamadas de PN e não conferem ao no estatuto o percentual mínimo a ser distribuído é 25%. Isento de IR.
seu detentor direito a voto na assembleia de acionistas, mas dão preferên-
cia no recebimento dos lucros gerados pelas empresas (os dividendos que • Juros sobre o Capital Próprio: quando a empresa retém parte do lucro
estudaremos mais adiante). Uma ação PN tem pelo menos 10% a mais de para reinvestimento, deverá pagar juros aos acionistas por este valor. Esses
dividendo do que uma ação ON. Um ponto importante é que, se a empresa proventos são pagos em dinheiro, como os dividendos.
ficar três anos consecutivos sem distribuir lucros, essa ação passa a ter direito
• Bonificações: : correspondem à distribuição de novas ações para os atuais
a voto na assembleia. No máximo 50% das ações de uma empresa podem
acionistas, em função do aumento do capital. Excepcionalmente pode ocor-
ser dessa categoria
rer a distribuição de bonificação em dinheiro.

Falei que o acionista ordinário é o cara que pode mandar na empresa, certo? En- • Grupamento (Inplit): reduzir a quantidade de ações aumentando o valor de
tão, isso quer dizer que para eu obter o controle da empresa, basta comprar ações cada ação (o objetivo é o menor risco);
ordinárias que já posso mandar em tudo? Não é tão simples assim. O controlador
da companhia precisa manter 50% mais uma das ações ordinárias da empresa. • Desdobramento (Split): aumenta a quantidade de ações reduzindo o valor
Estou falando assim para você não confundir com 50% mais todas as ações. da ação (o objetivo é a maior liquidez).
Deixe-me explicar através de um exemplo: O Banco do Brasil é uma empresa que
tem ações na bolsa, mas é controlada pelo governo federal. Vamos imaginar, de Despesas incorrentes na negociação

204 205
Como tudo na vida tem bônus e ônus, aqui não é diferente. Falamos sobre os di- 4.5. DRs
reitos, agora falaremos sobre as despesas e riscos que o investidor tem ao investir
nesse mercado.
• American Depositary Receipt (ADRs): são títulos de empresas com sede
fora dos EUA e com títulos negociados na Bolsa de Valores daquele país. A
• Corretagem: é uma tarifa paga pelos investidores ao seu agente de custódia Petrobras, ao negociar recibos nos EUA, vai negociar ADR.
(corretora) por toda ordem de compra e venda executada.

• Custódia: uma espécie de tarifa de manutenção de conta, cobrada por algu-


• Brazilian Depositary Receipt (BDRs): são títulos de empresas com sede
mas corretoras. Sempre que o investidor mantém alguma ação em custódia
fora do Brasil com títulos negociados aqui na B3. A Apple, ao negociar títulos
na corretora ele está sujeito a essa tarifa. Atualmente, muitas corretoras, por
aqui no Brasil, vai negociar BDR.
iniciativa própria, oferecem isenção dessa tarifa para seus clientes.

• Emolumentos: os emolumentos são cobrados pelas Bolsas por pregão em


que tenham ocorrido negócios por ordem do investidor. A taxa cobrada pela Dica do Kléber: lembre-se de que a primeira letra do recibo indica o mercado
Bolsa é de 0,035% do valor financeiro da operação onde aquele papel está sendo negociado.
• Imposto de Renda: o Imposto de Renda no mercado de ações tem como
regra alíquota única de 15%, em operações normais. Agora, se for day trade, Direitos do acionista
a alíquota única é de 20%. No entanto, devido à riqueza de detalhes que Quando o investidor compra ações no mercado, ele está se tornando sócio do
envolve a tributação nesse tipo de operação, vamos dedicar o tópico a seguir empreendimento no qual resolveu aportar seu capital. Por isso, ele terá alguns
para tratar sobre esse assunto. direitos, veja abaixo.

4.4. Recibos de depósitos de ações • Ganho de capital: quando o investidor vende as ações por um preço supe-
rior ao da compra. Esse lucro está sujeito à tributação, conforme detalhado
Os recibos de depósitos DR (depositary receipt) são títulos negociados em um no próximo tópico.
país que têm como lastro ações de uma empresa instalada fora desse país.
• Subscrição: direito aos acionistas de aquisição de ações por aumento de
Imagine que a empresa Apple Inc. queira vender ações aqui na B3. É possível? capital, com preço e prazos determinados. Garante a possibilidade do acionista
Sim, via DR. manter a mesma participação no capital total.
A Apple, que tem suas ações negociadas na Nasdaq, vai custodiar ações em um
banco de investimento estadunidense, que por sua vez, vai emitir um recibo las- • Tag Along: direito do acionista ordinário de vender suas ações em função
treado nessa ação e negociar na bolsa de valores do Brasil. da troca de controle da companhia por, no mínimo, 80% do valor pago pelo
novo controlador.
O mesmo acontece se a Petrobras quiser vender ações na bolsa de valores de
Nova York. Para isso, a nossa estatal vai custodiar algumas ações em um banco
de investimento brasileiro que, por sua vez, levará recibos lastreados nessas ações
Algumas empresas, em seu estatuto, oferecem tag along em percentual maior
à NYSE (New York Stock Exchange, a bolsa de valores de Nova York).
que 80% a todos os acionistas. Quando as empresa oferecem aos acionistas a
Claro que, para diferenciar os papéis de acordo com as praças de negociação, possibilidade de recomprar as ações, a recompra é feita por meio de uma OPA
temos mais códigos nos DR. (Oferta Pública de Aquisição de Ação).

206 207

4.6. Bônus de Subscrição Assembleia Geral Extraordinária


Tem poderes para decidir todos os negócios relativos à companhia ou fundo e
O bônus de subscrição é diferente de direito de subscrição. Vamos entender mel- tomar decisões referentes a sua defesa e desenvolvimento.
hor essa história. Características:
O direito de subscrição é obrigatório para a empresa e cabe ao investidor decidir
se vai ou não exercê-lo. • não tem prazo para ocorrer;
Já o bônus de subscrição é definido pela própria empresa como uma forma de • pode reformar o estatuto social;
beneficiar e privilegiar seus próprios investidores. É como se fosse uma vantagem
em forma de ativos para quem já possui ações da empresa. • pode eleger ou retirar a qualquer hora os administradores e fiscais da com-
panhia;
Eles são distribuídos sempre na mesma proporção na participação do investi-
mento, ou seja, um investidor com maior participação irá receber mais bônus de • cobrar anualmente as contas dos administradores e considerar as demon-
participação do que os investidores com menor participação. strações financeiras por eles apresentadas;
Os bônus e direitos de subscrição são vistos como renda variável, pois podem ser
• autorizar emissão de debêntures;
negociáveis.
Na verdade, eles nada mais são do que títulos negociáveis, emitidos por empre- • suspender execução a execução de direito dos acionistas;
sas listadas em Bolsa, que conferem aos titulares nas condições constantes no • determinar sob avaliação de bens que o acionista pode ajudar para a for-
certificado, de comprar/subscrever as ações do capital social da companhia. mação do capital social;
Por regra, a emissão desses bônus é da assembleia geral, mas pode ser atribuído
• autorizar a emissão de partes beneficiárias;
ao conselho de administração essa decisão.
Os acionistas ou investidores atuais possuem preferência para emissão deste bônus. • discutir sobre transformação fusão incorporação e cisão da companhia assim
como sua dissolução e liquidação;

• eleger e destituir liquidantes e lhes julgar as contas.


4.7. AGO e AGE

É obrigatória e deve ocorrer nos quatro primeiros meses seguintes ao término do 4.8. Direitos dos Acionistas
exercício social.
Além disso, deve ter o intervalo mínimo de 15 dias após a divulgação dos resulta- Os direitos dos acionistas estão previstos no artigo 109 da Lei nº 6.404/76 (So-
dos e conter obrigatoriamente: ciedades por Ações).
Art. 109. Nem o estatuto social nem a assembleia geral poderão privar o acionista
• avaliação das contas e demonstrações financeiras; dos direitos de:

• decisão sobre a destinação do lucro com fixação dos dividendos a serem trib- I – participar dos lucros sociais;
utados; II- participar do acervo da companhia, em caso de liquidação;
• nomeação de administradores e membros do Conselho Fiscal. III – fiscalizar, na forma prevista nesta Lei, a gestão dos negócios sociais;

208 209
IV – preferência para subscrição de ações, partes beneficiárias conversíveis em A fiscalização deve ser feita nas formas admitidas, inclusive por meio do Conselho
ações, debêntures conversíveis em ações e bônus de subscrição, observado o dis- Fiscal ou mediante requisição, à companhia.
posto nos artigos 171 e 172;
Preferência e Subscrição
V – retirar-se da sociedade, nos casos previstos nesta lei.
O direito de preferência na subscrição possui o objetivo de assegurar a estabili-
Participação nos Lucros dade das relações internas de poder, facultando ao acionista a manutenção da
mesma posição na participação do capital social quando a companhia emite no-
Quando duas ou mais pessoas se dispõem a aplicar seus esforços e capitais em
vas ações ou valores mobiliários conversíveis em ações.
um determinado empreendimento por meio de uma sociedade, o fazem com o
objetivo de, após determinado tempo, se apropriar dos lucros do negócio, os quais O direito a subscrição pode ser renunciado.
serão repartidos entre os sócios-empreendedores.
Retirada
Da mesma forma, quem investe em uma companhia aberta deseja participar dos
O direito de retirada (ou recesso), é a possibilidade do acionista retirar-se da com-
lucros que vierem a ser obtidos. Seja subscrevendo ações em um aumento de
panhia, recebendo o valor das ações de sua propriedade, desobrigando-se a per-
capital, seja adquirindo-as no mercado, o investidor está buscando aplicar seus
manecer como sócio.
recursos em uma empresa que consiga bons resultados em suas atividades, para
participar do seu rateio depois. Após as devidas deduções de prejuízos e impostos, Esse mecanismo serve como proteção do acionista minoritário contra qualquer
encontramos o lucro líquido da companhia; alteração na estrutura da companhia, ou contra a redução de seus direitos asse-
gurados.
A participação dos lucros dos acionistas se dá pela distribuição dos dividendos,
cada empresa decide periodicamente o pagamento; O direito não pode ser negado ou restringido, pela Assembleia Geral ou pelo Es-
tatuto da Empresa.
O montante dos dividendos deverá ser dividido entre as ações existentes, para
sabermos quanto será devido aos acionistas por cada ação por eles detida;
O pagamento se dá com referência a permanência do acionista na “data com”; 4.9. Direito de Representação
Deve constar no estatuto da companhia o percentual de distribuição anual do
lucro líquido aos acionistas. Acionista Controlador
Liquidação Possui o poder de controlar a companhia (tomar decisões).
O acionista possui o direito essencial ao acionista, é o de participação no acervo O controle é exercido por:
da social no caso de liquidação da companhia.
Normalmente a divisão do acervo final entre os acionistas será feita conforme o • uma única pessoa (física ou jurídica), que detenha mais de 50% do capital
valor patrimonial das ações, partilhando-se o dinheiro que restar após a liquidação votante da companhia;
do ativo e pagamento do passivo de forma isonômica entre os acionistas.
• controle compartilhado, já que nenhum acionista possui mais de 50% do
Porém, o estatuto social estabelece prioridade no pagamento do acervo final em capital votante. Assim, um grupo de acionistas obtém a maioria por inter-
favor dos preferencialistas. médio de um acordo de votos;
Fiscalização
• um ou mais acionistas, apesar de não deter 50% do capital votante, consegue
A Lei das S.A. determina que todo acionista de uma companhia tem o direito eleger os administradores e impor sua estratégia aos negócios da compan-
essencial de fiscalizar a gestão dos negócios sociais. hia.

210 211

Acionista Majoritário • demonstrações financeiras da companhia;


Possui mais de 50% das ações com direito a voto.
• o parecer dos auditores independentes e o parecer do conselho fiscal;
Vantagens:
• a justificativa para a não distribuição do dividendo obrigatório;
• permissão para atualizar o Estatuto da Companhia;
• o protocolo e a justificativa de incorporação;
• pode escolher os membros do Conselho de Administração;
• fusão, cisão ou incorporação de ações;
• pode interferir na Governança Corporativa, e possui maior poder de decisão
e voto nas assembleias. • as informações adicionais sobre sociedades coligadas e controladas que de-
vem ser inseridas no relatório anual da administração e nas notas explicativas
TAG ALONG às demonstrações financeiras.

É uma ferramenta de proteção concedida aos acionistas ordinários (ON) minoritários


em operações de venda do controle da sociedade.
4.11. Oferta Primária x Oferta Secundária
É um instrumento que promove a extensão do prêmio de controle aos acionistas
minoritários. Acontece quando é realizada a emissão de novas ações ou cotas de fundos de in-
Ações preferenciais (PN) podem ou não possuir essa proteção. vestimento que serão ofertadas ao mercado, com ingresso de recursos no próprio
emissor da oferta.
Sempre que o controle da empresa for vendido, o novo controlador deverá ofer-
ecer aos minoritários ON, pelo menos, 80% do valor pago para comprar as ações A empresa emite e vende novas ações ao mercado.
do bloco de controle. Nesse caso, essa oferta é conhecida como IPO (initial public offer), e o dinheiro
relativo à venda das ações vai direto para o caixa da empresa.
4.10. Fontes de Informações dos Acionistas (CVM e RI) Normalmente uma oferta pública primária acontece quando uma empresa de-
cide fazer uma expansão e precisa de capital para realizar investimentos.
Somente estando bem informados sobre as atividades da companhia é que os Já a oferta secundária acontece quando são ofertadas ações ou cotas de fundos
acionistas poderão fiscalizar a atuação dos administradores da sociedade, bem de investimento já existentes, de modo que os recursos não serão aportados na
como terão condições de proferir, com consciência, o seu voto nas assembleias empresa/fundo, mas serão direcionados aos investidores vendedores.
gerais.
Ou seja, as ofertas secundárias são lançadas no mercado e estão sendo oferecidas
É obrigatória a ampla divulgação das informações relevantes sobre a companhia, por algum acionista que deseja diminuir sua participação na empresa ou simples-
constituindo uma medida de proteção ao acionista minoritário. mente tirar seus investimentos da mesma.
É necessária a elaboração e disponibilização dos documentos:
4.12. Análise técnica
• relatório anual;
• relatório da administração sobre os negócios sociais e os principais fatos ad- O primeiro modo de escolher uma ação também é conhecido como análise grá-
ministrativos; fica.

212 213
Ela estabelece projeções para os preços das ações, baseando-se na observação do
comportamento passado: sua demanda e oferta, a evolução passada dos volumes
negociados e os preços das ações.
Aliada a isso, a análise técnica de ações sabe que o mercado de ações é formado
por seres humanos que por natureza, possuem tendências a seguir certos padrões
de comportamento, como a demanda e oferta, a evolução passada dos volumes
negociados e os preços das ações.
Agora que entendemos o conceito de análise técnica, vamos discutir sobre re-
sistência e suporte. Para isso, invocamos duas figuras icônicas no mercado de
ações: o Touro e o Urso.
Os próximos conceitos importantes são os de Suporte e Resistência. Muitas vezes,
ouvimos os analistas técnicos falarem sobre a batalha entre touros e ursos, ou
a luta entre compradores e vendedores, que acontece devido à dificuldade dos
preços de moverem-se para cima ou para baixo.
O Touro, um símbolo do mercado, faz o movimento para cima quando ataca com
os chifres para superar a resistência, que seria o nível de preço em que uma ação
raramente consegue ficar, acima de um determinado patamar de preço.
O Urso, outro símbolo do mercado, faz o movimento com os braços, golpeando
Abaixo temos um exemplo de um gráfico de análise de preço de ações.
para baixo, buscando romper o suporte, ou seja, o nível de preço em que rara-
mente a ação atinge, abaixo de um determinado patamar de preço.
Estes dois personagens, lutam para superar os patamares de preços de uma ação.

214 215

Este gráfico mostra a evolução de preços de uma determinada ação ao longo do • a empresa consegue pagar suas dívidas?
tempo.
A linha azul do gráfico é chamada "linha de tendência", então, no momento que Naturalmente, estas são algumas das muitas questões envolvidas. No entanto, ex-
foi "fotografada", essa ação estava com tendência de queda no preço. A linha ver- istem literalmente centenas de outras perguntas que você poderá ter sobre uma
melha inferior (A, B e C) é chamada de suporte. Isso porque é o momento que empresa.
o preço do ativo encontra um "suporte" contra queda e começa a subir (hora de Porém, tudo se resume a apenas uma: as ações da empresa são consideradas
apostar na compra). um bom investimento? Pense na análise fundamentalista como uma caixa de
A linha vermelha superior é chamada de "linha de resistência" porque entende-se ferramentas para ajudá-lo a responder tal pergunta.
que o preço encontra uma resistência e começa a cair (hora de apostar na venda. A análise fundamentalista nos ajuda a encontrar o preço "ideal" de uma ação, e ex-
Em resumo, a análise técnica estuda as movimentações nos preços passados e, istem alguns indicadores utilizados para isso. É sobre eles que falaremos a seguir.
a partir daí, explica a sua evolução futura. É uma análise para investidores que
querem operar no curto prazo.
4.14. Determinação do preço de uma ação
4.13. Análise fundamentalista Alguns fatores influenciam no preço de uma ação, entre eles, a oferta e demanda.
Ou seja, se muitos investidores querem comprar ação da TopInvest, o preço da
A análise fundamentalista tem como objetivo diagnosticar o valor justo de uma ação desta companhia tende a subir no mercado, ao passo que se muitos investi-
empresa, a fim de entender se o preço da ação está no valor justo ou não. Ela dores querem vender, o preço tende a cair.
utiliza dados para fundamentar a análise:
Como falamos no tópico anterior, a análise fundamentalista nos ajuda a saber se
o preço da ação é, no momento da análise, um preço justo ou não e para isso,
• demonstração financeira;
usamos os indicadores.
• posicionamento estratégico;

• cenário macroeconômico. • Lucro por ação (LPA): representa o quanto uma ação traz de lucro para o in-
vestidor ao ano, via dividendos. Aqui pegamos o lucro líquido da companhia
e dividimos pela quantidade de ações da empresa.
Quando o valor justo da empresa for maior que o do negociado no mercado, ex-
iste uma oportunidade para investimentos, pois, devido à demanda, os preços • Valor Patrimonial da ação (VPA): o valor patrimonial de uma ação é o valor
tendem a se igualar com o passar do tempo. contábil dos recursos dos acionistas empregados na empresa mensurados
por ação.
Para entender o que é análise fundamentalista, podemos simplificar que ela serve
para responder a certas perguntas, como: • Índice de preço líquido (P/L): este indicador aponta quanto tempo demora
para o investidor recuperar seu investimento. Se o investidor compra uma
• a receita da empresa está crescendo?; ação por R$ 20,00 e recebe, no ano, R$ 2,00 de dividendos, temos que o LPA
dessa ação é de 10 (20/2). Quanto menor for o LPA, mais rápido o investidor
• a empresa está sendo lucrativa?; encontra o payback* do seu investimento.
• a empresa está em uma posição de mercado forte o suficiente para vencer *O payback representa o momento que o investidor recupera seu investi-
os seus concorrentes no futuro?; mento.

216 217
• EBITDA: é o lucro antes dos impostos e depreciações. Basicamente, este in- abaixo vou suprimir os segmentos Bovespa Mais e Bovespa Mais nível 2, pois não
dicador nos aponta a capacidade de geração de caixa que a empresa tem. são temas cobrados em sua prova, okay?
Dessa forma, é possível avaliar o lucro referente apenas ao negócio, descon-
Vamos entender cada um dos segmentos.
tando qualquer ganho financeiro.

• Preço Justo: Myron J. Gordon disse "o valor de uma ação é igual ao valor
presente de seus dividendos esperados". 4.15. Nível 1: Principais Exigências

• percentual mínimo de ações em free float (livre circulação de 20%)


4.15. Governança Corporativa • conselho de administração composto por no mínimo três membros (con-
forme legislação) e com mandato unificado de até dois anos;
As empresas com ações listadas na bolsa de valores são, por definição, grandes
empresas e com boas políticas de gestão. No entanto, a B3 criou o segmento de • calendário público de eventos corporativos.
governança corporativa que aumenta o padrão de exigência da gestão da com-
panhia para trazer ainda mais segurança aos investidores.
4.15. Nível 2: Principais Exigências
A B3 acredita que o constante aperfeiçoamento das boas práticas de governança
corporativa resulta em uma gestão mais transparente, atendendo ao propósito de � todas as exigências do Nível 1;
nivelar o conhecimento e mais proteção aos investidores. Esse processo colabora
para maximizar a criação de valor na empresa e propicia, às partes relacionadas, • conselho de administração com no mínimo cinco membros, dos quais pelo
elementos para a tomada de decisões estratégicas. (Fonte B3). menos 20% deverão ser independentes. O conselho deve ter mandato unifi-
Empresas que listadas nos segmentos de governança da bolsa alcançam um pata- cado de até dois anos;
mar a mais na qualidade de sua relação com os investidores. • demonstrações financeiras traduzidas para o inglês;
A governança corporativa pode ser resumida como: conjunto de mecanismos de • tag along de 100% tanto para PF quanto PJ.
incentivo e controle que visa assegurar as tomadas de decisão alinhadas com os
objetivos de longo prazo das organizações.
Novo Mercado: Principais Exigências
Entre os mecanismos de governança, destacam-se a existência:
• todas as exigências do Nível 2;
• do conselho de administração que seja ativo e atue com independência; • 100% das ações devem ser ordinárias;
• da maioria obrigatória de conselheiros independentes, todos com excelente • reunião pública anual realizada em até cinco dias úteis após a divulgação de
reputação no mercado, experiência e firme compromisso de dedicação ao resultados trimestrais ou das demonstrações financeiras, de apresentação
conselho; pública (presencial, por meio de teleconferência, videoconferência ou outro
• do comitê de auditoria composto exclusivamente por membros indepen- meio que permita a participação a distância) sobre as informações divul-
dentes. gadas;
• conselho de administração com mínimo de dois membros (conforme legis-
Dentro do segmento de governança corporativa, existem os segmentos de listagem lação), dos quais, pelo menos, dois ou 20% (o que for maior) devem ser inde-
(Bovespa Mais, Bovespa Mais Nível 2, Novo Mercado, Nível 1 e Nível 2), na explicação pendentes, além de mandato unificado de até dois anos.

218 219

4.16. Riscos presentes na negociação • Liquidação Financeira: processo de pagamento ou recebimento do valor da
ação, ocorrendo o recebimento e o pagamento entre o comprador e vende-
dor.
O mercado de ações, assim como outros investimentos, apresenta riscos. No caso
do mercado de ações, somente dois riscos são presentes. Em uma operação buy and hold / swing trade, tanto a liquidação financeira, quanto
a liquidação física ocorrem em D+2. Isso significa que só compensará depois de
• Risco de mercado: sempre que o preço de uma ação muda, estamos lidando dois dias úteis.
com o risco de mercado que, diga-se de passagem, é o risco mais presente
nessa modalidade de investimento; Vou te deixar um exemplo para ficar melhor o entendimento.

• Risco de liquidez: caso o investidor encontre dificuldades em vender suas Você vendeu hoje, segunda-feira, um lote de ações da empresa XPTO por R$2.000,00
ações por preço justo, estará sujeito ao risco de liquidez; na bolsa de valores para outro investidor no mercado secundário. Somente na
quarta-feira, ocorrerá a liquidação financeira e você terá acesso ao dinheiro.
Importante ressaltar que, em hipótese alguma, as ações apresentaram risco de
O mesmo processo ocorre com o comprador das ações. Somente na quarta-feira
crédito
ocorrerá a liquidação física e você terá acesso às ações.
Já em uma operação day trade, a liquidação física ocorre em D+0, ou seja, no
4.17. Como escolher uma ação mesmo dia. E a liquidação financeira ocorre em D+2.

Como escolher uma ação


4.19. Juros sobre o capital próprio
Se você, assim como eu, é uma pessoa apaixonada pelo Mercado Financeiro, pode
surgir perguntas, como: “como escolher uma ação já que temos muitas variáveis
Juros sobre capital próprio é uma modalidade de distribuição de lucros aos acionistas.
que envolvem uma empresa?”
Essa modalidade é considerada antes do lucro líquido da empresa, entrando no
Para responder essa pergunta, temos de lançar mão das “escolas de análises”. Ba- lançamento contábil da empresa como despesa. Desta forma, o JCP impacta o lu-
sicamente, vamos falar sobre metodologias de precificação de ações para encon- cro líquido da empresa e, como consequência, a empresa obtém menor cobrança
trar um papel com preço ideal – seja para realizar Day Trade, Swing Trade ou Buy de impostos sobre seu lucro líquido.
and Hold.
Quando os acionistas recebem o JCP, existe um desconto de IR no ato do paga-
mento e a incidência de alíquota é de 15%.
4.18. LIQUIDAÇÃO FÍSICA E FINANCEIRA
4.20. Compensação de Perdas
Um fato importante que você deve levar para sua prova é a questão da liquidação
financeira e liquidação física de uma ação. Ficou confuso? Calma que eu vou te
Já que o Imposto de Renda é cobrado sobre o ganho nominal, imagine uma situ-
explicar melhor.
ação em que o investidor, ao invés de ganhar dinheiro com seu investimento, reg-
Quando se executa uma ordem de compra ou venda de uma ação, acontecem istre uma perda.
dois processos.
Neste caso, o investidor pode compensar perdas em investimento futuro. Ou seja,
se ele perdeu dinheiro em janeiro e ganhou em maio, poderá compensar
• Liquidação Física: processo onde se dá a transferência da propriedade do
ativo entre o comprador e vendedor. Vamos a mais um exemplo.

220 221
No mês de janeiro, o investidor vendeu ações com um prejuízo total de R$ 5.000,00. • todas as operações no mercado de ações estarão livres de IOF.
No mês de março o mesmo investidor vendeu ações com lucro de R$ 8.000,00. As-
sim, o prejuízo anterior será compensado e recolhido IR somente sobre R$ 3.000,00 Vamos tentar entender melhor através de um exemplo dessa dinâmica.
(8.000 - 5.000). Em janeiro deste ano, o investidor comprou R$ 100.000,00 em ações. Passados
Essa compensação pode ser feita a qualquer tempo no futuro. No entanto, se o três meses, em abril, este investidor aliena (vendeu) as ações por um total de R$
investidor não fizer a compensação no mesmo ano do prejuízo, terá que levar esse 120.000,00.
prejuízo à sua declaração anual de ajuste de IR para compensar em anos futuros. Assim sendo, temos um lucro de R$ 20.000,00 a ser tributado, certo? Nesse caso
será retido na fonte pela corretora 0,005% sobre o valor total da venda, ou seja,
Dica do Kléber: a compensação pode ser feita somente para investimentos (120.000 x 0,005) R$ 6,00.
da mesma modalidade. Se o investidor teve prejuízo com day trade, poderá
O investidor, por sua vez, precisa recolher 15% sobre o lucro via DARF sendo 15%
compensar somente com day trade. Se perdeu com swing trade ou buy and
sobre 20.000, um total de R$ 3.000,00. Por ter sido retido na fonte R$ 6,00 o in-
hold, poderá compensar somente com swing trade ou buy and hold.
vestidor desconta na DARF recolhendo apenas R$ 2.994,00.
Em uma operação day trade:
4.20. Tributação
• a alíquota de IR para essa modalidade de operação é 20%;
Em uma operação buy and hold/swing trade: • o fato gerador do IR é a compra e venda no mesmo dia com lucro;

• a alíquota de IR para essa modalidade de investimento é de 15% sobre o lucro; • o imposto é apurado dentro do mês que houve a negociação e deve ser recol-
hido até o último dia útil do mês subsequente;
• o fato gerador de IR é a venda de ações com lucro;
• o recolhimento de IR é sempre feito pelo próprio investidor, via DARF;
• o lucro do investidor é aferido com base no valor das vendas, deduzindo as
despesas por negociação; • a corretora que intermediou a operação recolhe um percentual na fonte de
1% sobre o valor do lucro, a título de antecipação de IR;
• o imposto é apurado no mês que houve a negociação e deve ser recolhido • o IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte) é feito sobre o total líquido da
até o último dia útil do mês subsequente; operação, ou seja, descontando as taxas de registro, emolumentos e opera-
• o recolhimento de IR é sempre feito pelo próprio investidor via DARF; cional;

• a corretora que intermediou a operação recolhe um percentual na fonte de • não está isento de IR, independentemente do valor.
0,005% sobre o valor total da alienação, a título de antecipação de IR. Esse
percentual é conhecido no mercado como "dedo-duro", pois tem a função 4.21. Renda Fixa
de informar a Receita Federal sobre a movimentação do contribuinte;
• fica dispensado o recolhimento do dedo duro se o valor for igual ou inferior No momento que você investe, já sabe o quanto vai receber no vencimento, ou
a R$ 1,00; seja, a renda fixa.
• investidor PF que vende, dentro de um mesmo mês, até o valor de R$ 20.000,00, Porém, uma pergunta bem simples que sempre é dúvida: o que, de fato, é renda
estará sempre isento de IR; fixa?

222 223

Se eu pedir a você uma grana emprestada, talvez me empreste, porque vai com Quando uma empresa quer crescer, naturalmente será necessário investimento.
a minha cara. Uma certeza que eu tenho é: caso a sua resposta para a minha Tais investimentos serão chamados "capital próprio" (ações) ou "capital de ter-
solicitação seja "sim", você me fará três perguntas. ceiros" (dívida, ou melhor dizendo, renda fixa). Quando o investidor compra uma
ação, ele está incorporando dinheiro ao caixa da empresa, por isso, é chamado de
1. Quando você vai me pagar?
"capital próprio".
2. Quanto de juros você vai me pagar quando me devolver o dinheiro?
Apesar de ter citado o mercado de ações como renda variável, cabe destacar que
3. Você tem alguma garantia para me oferecer? não é o único, e vamos ainda abordar cada um dos títulos em cada um dos mer-
cados ao longo deste módulo.
Pronto, você acabou de aprender tudo sobre renda fixa. Ela é um título que:
Ainda introduzindo o assunto do módulo, precisamos entender outro aspecto
1. tem vencimento;
com muita clareza: o governo vai tributar todo tipo de renda existente no mer-
2. tem taxa de juros conhecida no momento da contratação; cado e no caso dos investimentos no Mercado Financeiro não seria diferente. Ou
3. pode ou não oferecer uma garantia adicional. seja, tudo que o agente superavitário ganha investindo seu dinheiro será tribu-
tado. Por isso, vamos abordar tributação agora.
Se você entendeu o conceito simples que acabei de colocar vamos deixar as coisas
um pouco mais técnicas.
Quando o agente superavitário investe seu dinheiro em um título de renda fixa
4.22. Data de Emissão, Data de Vencimento, Valor Nominal e Valor de Face e juros Acru-
está, na prática, emprestando o dinheiro ao agente deficitário (o emissor do título). ados
Esse título, será constado nos passivos do emissor. Em outras palavras, representa
a dívida do emissor.
DATA DA EMISSÃO
Se esse é o conceito de um título de renda fixa, o que seria então um título de
É a data de origem do título.
renda variável?
É quando começa a contagem do tempo e correção do valor nominal do título.
Vamos desenhar minha solicitação de empréstimo de um jeito diferente. Ao invés
de solicitar um empréstimo, faço um convite para você ser meu sócio(a) em um DATA DE VENCIMENTO
estúdio de tatuagem que quero abrir. Que tal? Nesse caso, as perguntas que você
É a data em que o ativo é liquidado, pois o contrato de empréstimo se encerra.
me fará serão outras.
Caso o investidor resolva tirar dinheiro da aplicação antes desta data, ele poderá
1. Quantas cotas da empresa eu terei?
ser penalizado.
2. Quanto eu tenho que investir?
Quando a data de vencimento é atingida, o dinheiro aplicado e o rendimento vão
Nesse exemplo, não estou realizando um empréstimo, mas sim admitindo um para a conta do investidor.
sócio em meu projeto. Você, como sócio, não sabe a taxa de juros que terá de
VALOR NOMINAL
retorno, tampouco conhece o tempo que esse dinheiro levará para retornar a você,
por isso o nome renda variável. Sua remuneração virá dos resultados que nosso É o valor unitário do título hoje;
estúdio trouxer. Você terá parte do lucro.
Exemplo: Um CDB de R$ 1 mil tem o valor nominal de R1mi l .
Em outras palavras, a renda variável é um instrumento que não tem relação com
Os juros do cupom incidem sobre o valor nominal.
dívida, mas com propriedade. uma ação do Banco do Brasil é uma propriedade
transferida ao investidor. VALOR DE FACE

224 225
É o montante que será resgatado no vencimento do papel. 4.24. Aquisição facultativa antecipada (Opção de Call)
O valor de face de um título é o mesmo que valor nominal ou valor de resgate.
Em geral, os títulos de renda fixa pré-fixados possuem um valor de face. Assim, Os títulos privados de renda fixa, como CDB, LCI, LCA e LC, possuem uma data de
para saber se é um investimento atrativo ou não é preciso comparar o valor de vencimento, ou seja, só podem ser resgatados em seu vencimento.
compra com o valor de face. No entanto, existe a possibilidade de fazer a venda antecipada desses títulos no
JUROS “ACRUADOS” chamado mercado secundário. Esse procedimento depende de encontrar outro
comprador para os títulos que você deseja vender.
Refere-se ao valor proporcional da remuneração do título, compreendido entre
data de emissão e data atual. Como esse mercado não possui tanta liquidez, geralmente a venda antecipada
é feita para o próprio emissor do título. Por isso é comum que o título sofra um
Por exemplo, ao investir em um título de renda fixa que rende R$ 1,00 por dia, deságio.
passados 10 dias os juros acumulados serão de R10, 00.

4.25. Tesouro Nacional e o Tesouro Direto


4.23. COMPOSIÇÃO DOS CUPONS DE JUROS
4.25. O que é Tesouro Nacional?
É uma antecipação do capital que você investiu no título, ou seja, funciona de
forma a antecipar o recebimento do principal no futuro.
• Criada pelo Decreto-Lei 92.452 de 1986;
Representam uma renda intermediária extra, que pode ser interessante depen-
dendo do objetivo do investidor. • Vinculada ao Ministério da Fazenda (Economia);

Quanto maior for a quantidade de cupons de juros pagos durante o prazo do título, • É o órgão central do Sistema de Administração Financeira Federal e do Sis-
menor é a cobertura do capital à taxa de juros contratada. tema de Contabilidade Federal;
Títulos públicos com rentabilidade vinculada à variação do IGP-M e pagamento
de juros semestrais. Quando falamos de um país, temos que ter em mente que o mesmo tem várias
O valor nominal unitário será atualizado com base nos índices IGP-M, divulgados contas a receber e várias contas a pagar. Com as contas a pagar e a receber, ter-
pela FGV, até o mês anterior ao corrente, e a projeção divulgada pela ANBIMA/BC emos o chamado “déficit ou superávit” seja ele nominal ou primário. Imagine
para o mês corrente. comigo: O tesouro nacional que vai cuidar de todas as contas públicas, tanto a
pagar como a receber. Funciona basicamente como um grande caixa do gov-
Títulos públicos com rentabilidade vinculada à variação cambial e pagamento de erno.
juros semestrais.
Teremos então várias entradas que são conhecidas como arrecadações do gov-
O valor nominal será atualizado pela variação cambial do dia útil imediatamente erno onde temos: tributos, taxas e etc… Do outro lado as despesas/pagamentos e
anterior à data de emissão do papel até o último dia útil anterior à data-base ou que… normalmente são bem maiores que a arrecadação.
data de cálculo. Para o cálculo da variação cambial utiliza-se o dólar PTAX-800 de
venda disponibilizado pelo SISBACEN. Agora acompanhe o meu raciocínio: Se gastarmos mais do que arrecadamos ire-
mos precisar de mais DINHEIRO! Esse dinheiro precisa vir através de dívidas (que são
A curva de cupom cambial sujo divulgada pela B3. os financiamentos) que o governo toma.
Mas você deve estar se perguntando: Como o governo faz isso?

226 227

Seguinte: Ele pede dinheiro emprestado para você, eu e as empresas. O governo 4.25. Diferenças Sistema SELIC e Tesouro Direto
não financia a dívida pública através de empréstimos bancários. O tesouro irá
emitir suas próprias dívidas, ou melhor irá emitir os títulos de dívida pública fed-
eral, e dessa forma consegue pagar suas contas. Para auxiliar mais ainda no teu
entendimento vamos dividir essas dividas em dois grandes grupos.

• Dívida externa: Títulos de mercados externos (Fique tranquilo que vere-


mos isso mais adiante se for assunto da sua prova).

• Títulos do Mercado Interno: Títulos públicos federais. Ex: selic, ipca, renda+,
educa+ e etc. Esses títulos podem ser negociados:

– Mercado de Atacado: Sistema SELIC;

– Mercado de Varejo: Tesouro Direto;

4.25. Negociação no Tesouro Direto

• Pelo site do Tesouro Direto;


A grande diferença é o público que irá comprar esses títulos. Uma mesma LTN
• Pelo site da Instituição Financeira;
pode ter uma única negociação no mercado de atacado a um valor de R$ 100
milhões e um investidor pessoa física pode investir pouco mais de R$ 100,00 no
mesmo título através do Tesouro Direto. Vale lembrar também que, sempre que Para que você possa investir em títulos públicos federais através do Tesouro Di-
falamos de títulos de crédito (empréstimos) o maior risco é sempre o de crédito reto, você pode ir no site do banco X,Y e Z procurar a opção de investir nos títulos
Vamos fazer uma comparação entre o sistema SELIC (Sistema Especial de Liq- públicos federais e fazer seu aporte. Ou, também pode ir direto no site do Tesouro
uidação e Custódia) e o Tesouro Direto. e fazer o investimento por lá selecionando a instituição financeira que fará a custó-

228 229
dia. Ambas as formas são possíveis, é você quem manda! Basicamente seu din- – Seu Saldo Atual é de R$ 14.944,10;
heiro, suas regras. – Cobrança da Taxa de Custódia é de R$ 29,89;
∗ Isenção para saldos de até R$10.000,00 no Tesouro SELIC
4.25. Tesouro Direto tem Nomes “Meigos”
Fique atendo que aqui estão dois novos títulos que possuem algumas diferenças
Nomes dos títulos do tesouro Direto: mas fica tranquilo que vou explicar cada um deles. Custódia Renda+

• Tesouro Prefixado;

• Tesouro Prefixado com Juros Semestrais;

• Tesouro SELIC;

• Tesouro IPCA+;

• Tesouro IPCA+ Com Juros Semestrais;

• Tesouro Renda+;

• Tesouro Educa+;

– O Tesouro Direto tem diversas Informações Educacionais sempre visando


ajudar o pequeno investidor pessoa física;

O foco do tesouro direto com sua área educacional é ajudar o investidor leigo a Custódia Educa+
tomar a melhor decisão de investimento para o seu futuro. Minha opinião é que
começou muito bem, porém se você assistiu a aula pode ver que eu não sou um
fã dessa ideia. Eram poucos títulos, agora são muitos. Por motivos óbvios o in-
vestidor leigo tende a ficar perdido com tantas opções e informações, e com isso
acaba ficando mais confuso do que quando entrou no site o famoso dilema da
escolha. Pense no tempo que você perde pra escolher um filme no Netflix. Mas
como nem tudo são flores…

4.25. Nada é de Graça…

Cobrança da Taxa de Custódia para Títulos “Tradicionais”

• 0,20% ao ano sobre o valor bruto atual;

– Você investiu R$ 10.000,00;

230 231

Importante! Tesouro Direto não é investimento, é um programa criado pelo gov- • Nome Popular: Conhecido como Tesouro Prefixado, é uma opção para quem
erno federal para dar acesso às PESSOAS FÍSICAS a um investimento seguro e de busca previsibilidade nos seus investimentos.
baixo risco;

• Investimento Máximo Limitado a R$ 1.000.000,00 por mês; 4.26. Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F):
• Negociação é realizada por meio de um agente de custódia;
• Características: Semelhante ao Tesouro Prefixado, porém, com a adição de
• Recompra garantida pelo governo federal; um cupom de juros de 10% ao ano ou 4,88% ao semestre.

• Indicação: Também voltado para o médio prazo, apresenta uma volatilidade


4.26. Títulos Públicos Negociados no Mercado Interno: menor se comparado ao Tesouro Prefixado (LTN).

• Nome Popular: Conhecido como Tesouro Prefixado com Juros Semestrais,


Os títulos públicos são instrumentos financeiros essenciais no mercado interno, este título é uma escolha interessante para quem deseja receber rendimen-
oferecendo opções variadas para atender diferentes objetivos de investimento. tos periódicos.
Eles podem ser classificados em três categorias principais: Títulos Pós-fixados, Tí-
tulos Pré-fixados e Títulos Híbridos. Títulos Pós-Fixados
4.26. Títulos Híbridos (Atrelados à Inflação)
4.26. Tesouro Selic (LFT)
4.26. Tesouro IPCA+ (NTN-b Principal)
• Características: Este título tem seu rendimento atrelado à taxa Selic Over,
ajustando-se diariamente a essa taxa desde seu lançamento em 01/07/2000. • Características: Este título oferece um rendimento prefixado mais a correção
pela inflação, garantindo que o valor inicial de R$ 1.000,00 seja ajustado pelo
• Indicação: Ideal para investidores com objetivos de curto prazo, dada a sua IPCA desde 15/07/2000
menor volatilidade e o risco predominantemente associado ao crédito.

• Aspectos Populares: Conhecido popularmente como Tesouro Selic, é uma • Indicação: Ideal para objetivos de longo prazo, considerando a marcação a
escolha segura para quem busca um investimento com liquidez e menor mercado e o risco associado à volatilidade devido ao prazo extenso.
risco.
• Nome Popular: Conhecido como Tesouro IPCA+, é uma opção para quem
busca proteção contra a inflação no longo prazo.
4.26. Títulos Pré-Fixados

4.26. Tesouro Prefixado (LTN) 4.26. Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-b):

• Características: Este é um título com rendimento pré-definido, garantindo • Características: Assemelha-se ao Tesouro IPCA+, com a diferença de pagar
que o valor de vencimento seja sempre R$ 1.000,00. um cupom de juros de 6% ao ano ou 2,96% ao semestre.

• Indicação: Indicado para objetivos de médio prazo, este título está sujeito à • Indicação: Adequado para investidores de longo prazo, apresenta um risco
marcação a mercado, o que implica em um risco de volatilidade. menor em comparação ao NTN-b Principal, devido à sua menor duration.

232 233
• Nome Popular: Este título é popularmente conhecido como Tesouro IPCA+ O CDB é um título representativo de depósito à prazo, emitido por bancos comer-
com juros semestrais e é preferido por aqueles que desejam rendimentos ciais, bancos de investimento e bancos múltiplos – além, é claro, da Caixa Econômica
periódicos aliados à proteção inflacionária. Federal.
A remuneração pode ser pré ou pós-fixada.
4.26. Renda+
• O CDB prefixado estabelece, a priori, uma taxa nominal de remuneração pelo
• Características e Indicação: Uma variante do Tesouro IPCA+, o Renda+ é pro- período do investimento.
jetado especialmente para complementar a aposentadoria, com um valor
inicial de R$ 1.000,00 corrigido pelo IPCA. • O CDB pós-fixado é corrigido pelo índice de correção desses depósitos, po-
dendo ser a variação do CDI, Selic, TR, TBF, IGP-M, etc.
• Detalhes Específicos: Por exemplo, o Renda+ 2040 propõe a amortização
dos juros e do principal em 240 meses (20 anos), iniciando o pagamento em
15/01/2040 e finalizando em 15/12/2059. Este título apresenta uma carência de 4.28. Prazos mínimos de emissão
resgate de 60 dias, mesmo com a garantia de recompra pelo Tesouro Direto.
• CDB prefixado ou corrigido pela variação da taxa DI: a partir de um dia;
4.26. Educa+ • CDB corrigido pela TR ou TL: a partir de um mês;

• Características e Indicação: Similarmente, o Educa+ é voltado para custear • CDB corrigido pela TBF: a partir de dois meses;
estudos em ensino superior
• CDB corrigido pelo IGPM: a partir de um ano.
• Detalhes Específicos: No modelo do Educa+ 2040, há a amortização dos juros
e do principal em 60 meses (5 anos), com início em 15/01/2040 e término em
Não há referências sobre prazo máximo de emissão.
15/12/2044. Assim como o Renda+, possui uma carência de resgate de 60
dias.
4.29. Algumas características do CDB
Estes títulos públicos oferecem uma variedade de opções para atender a difer-
entes perfis e objetivos de investimento, desde a segurança e liquidez do Tesouro • é um título de renda fixa, portanto, possui vencimento, taxa conhecida no
Selic para objetivos de curto prazo até as opções mais sofisticadas do Tesouro momento da contratação e representa a dívida do banco emissor;
IPCA+ para proteção contra a inflação e planejamento de longo prazo. É fun-
damental entender as características de cada título para alinhar com as neces- • pode ser negociado no mercado secundário (embora não seja comum, é
sidades e metas do investidor. uma prática possível);

• pode ser endossável;


4.27. Certificado de Depósito Bancário (CDB)
• a recompra antecipada do título é facultativa ao emissor. Em outras palavras,
o banco pode ou não oferecer liquidez diária do título;
Aqui, começamos a falar, de fato, sobre renda fixa. O CDB é o instrumento de
renda fixa mais popular do nosso mercado, pois é aqui que o banco pode pegar • a tributação do título obedece a Tabela Regressiva de IR e IOF, além de pos-
dinheiro emprestado de seus clientes. suir retenção exclusiva e definitiva na fonte;

234 235

• possui cobertura do FGC, conforme os limites do fundo; 4.31. Algumas características da LF


• é um título privado e apresenta risco de crédito. Esse risco pode ser dimin-
• é um título privado, portanto, tem risco de crédito elevado;
uído em função do FGC, já citado aqui;

• além do risco de crédito, o título vai apresentar risco de liquidez e de mer- • apesar de ser emitido por um banco, esse título não conta com a cobertura
cado; do FGC;

• o risco de liquidez é diminuído quando o banco oferece liquidez diária ao • o prazo mínimo de vencimento é de 24 meses e não admite liquidez antes
título; desse prazo;

• o risco de mercado, por sua vez, é diminuído quando o título acompanha a • remuneração: taxa de juros prefixada, combinada ou não com taxa flutuante
variação das taxas de juros, ou seja, quando o título for pós-fixado; ou índice de preço – vedada a emissão com cláusula de variação cambial;

• é registrado, custodiado e liquidado na clearing da B3; • por ser um título com vencimento mais longo, admite-se pagamento de
cupons periódicos. Em outras palavras, o investidor pode receber o rendi-
• a distribuição desse produto é feita pelas agências bancárias do próprio banco mento do título em sua conta periodicamente enquanto o principal continua
emissor e também por corretoras e distribuidoras que oferecem CDB de di- aplicado;
versos bancos a seus clientes.
• o valor mínimo para emissão é de R$ 50.000,00. Se o título tiver cláusula de
• as financeiras também são emissoras de CDB subordinação, terá como valor mínimo R$ 300.000,00. Essa cláusula coloca o
credor do banco – no nosso caso, o investidor em LF – em condição subordi-
nada aos demais credores para recebimento em caso de falência do banco.
Portanto, o risco é maior;
4.30. Letra Financeira
• por ser um título com prazo e risco maior, não possui cobertura do FGC e valor
Letra financeira é um instrumento de captação emitido por instituições finan- de entrada maior. A LF costumeiramente apresenta a vantagem ao investi-
ceiras, como: dor de ter remuneração mais atrativas que outros instrumentos de renda
fixa;

• sociedades de crédito, financiamento e investimento;


• A tributação obedece a tabela regressiva de IR e IOF. No entanto, como não
há liquidez antes de 24 meses, podemos concluir que o IOF não será cobrado.
• caixas econômicas; O IR, portanto, será cobrado conforme o prazo de permanência dos rendi-
mentos, ou seja, se o título oferece pagamento de cupom, esse pagamento
• companhias hipotecárias; será deduzido de IR conforme o prazo de pagamento.

• sociedades de crédito imobiliário;


A LF pode ser adquirida pela instituição emissora a qualquer momento, desde
• BNDES. que por meio de bolsas ou de mercado de balcão organizado.

236 237
4.32. Tributação Prazo:

• o prazo de vencimento deve ser, no mínimo de seis meses e máximo de trinta


Os rendimentos auferidos serão tributados no resgate seguindo Tabela de IR Re-
e seis meses;
gressiva, conforme regras de renda fixa. Sendo que, do IOF, não há cobrança.
• é vedado resgate parcial ou total antes de seis meses.

4.33. Depósito a Prazo com Garantia Especial (DPGE) Tributação:

O DPGE é uma forma de captação de depósito a prazo, com garantia especial pro- • a tributação de IR é conforme a Tabela Regressiva, com retenção exclusiva
porcionada pelo fundo garantidor de crédito. Admite quarenta milhões de reais na fonte;
por titular, sem emissão de certificado e com registro obrigatório na B3.
• o limite da garantia oferecida pelo FGC é de até R$ 40.000.000,00 por CPF e
Destinado a investidores PF e PJ. instituição/conglomerado financeiro;
Emissores:
• a emissão desse título está condicionada à autorização do FGC e consequente
alienação fiduciária de uma carteira de recebíveis ao fundo. Explicando: imag-
• bancos comerciais; ine, por exemplo, que o Banco Romero tenha em sua carteira de financia-
mento de veículos R$ 100.000.000,00. Ou seja, esse banco tem um total de
• bancos múltiplos;
100 milhões para receber de seus clientes que estão pagando mensalmente.
• bancos de desenvolvimento;
O Banco Romero, com autorização do FGC, aliena essa carteira ao fundo. Na
• bancos de investimento; prática, isso significa que, se o Banco Romero quebrar e não tiver dinheiro para
• sociedade de crédito; honrar com os DPGEs, o FGC pode cobrar isso junto aos investidores, mas a carteira
de financiamento de veículos passa a ser do FGC. Isso quer dizer que: à medida
• financiamento e investimento; que os clientes do banco estão pagando a parcela de seus veículos, quem recebe
agora é o FGC, não o fundo.
• caixas econômicas.

4.35. Debêntures
4.34. Algumas características do DPGE
Até aqui falamos de títulos emitidos por bancos e pelo governo. Agora vamos
• é um título de renda fixa emitido por Banco Comercial, investimento, so- entender como as empresas não financeiras podem captar recursos no mercado
ciedades de crédito e caixas econômicas; através da emissão de títulos de renda fixa, as NPs.
• embora possa ser emitido por qualquer banco, é um instrumento mais uti- Para deixar as coisas bem simples, vamos começar pelas debêntures. Elas são
lizado por bancos menores que precisam captar recursos do mercado com títulos de renda fixa, como já falei, emitidos por empresas de sociedade anônimas
garantia especial; (S/A) para captação de recursos a longo prazo.
• são transferíveis mediante a cessão particular de créditos entre o interessa- Além disso, são representativos de dívida de médio e longo prazos que asseguram
dos, alterando, mandatoriamente, a titularidade na B3. aos investidores (debenturistas) o direito de crédito contra a companhia emissora.

238 239

Não existe padronização das características deste título. Ou seja, a debênture 4.35. Debênture Simples
pode incluir:
A maioria das debêntures são categorizadas como simples.
• qualquer prazo de vencimento; São títulos de renda fixa, usados pela empresa emissora como uma forma de cap-
tar recursos no mercado e vendidas para os investidores que buscam rentabilizar
• amortização (pagamento do valor nominal) programada na forma anual, semes-
o investimento até o vencimento.
tral, trimestral, mensal ou esporádica, no percentual que a emissora decidir;
Não existe nenhum elemento de renda variável neste tipo de debênture
• remunerações através de correção monetária ou de juros;

• remunerações através do prêmio (podendo ser vinculado à receita ou lucro


da emissora); 4.35. Debenture Conversível
• direito dos debenturistas – além das três formas de remuneração, o deben- É aquela que possibilita aos debenturistas (quem tem posse de uma debênture) a
turista pode gozar de outros direitos/atrativos desde que esses estejam na opção de convertê-las em ações da mesma empresa, a um preço pré-estabelecido,
escritura, com o propósito de tornar mais atrativo o investimento neste ativo; em datas determinadas ou durante um período.
• conversão da debênture em ações da companhia em debêntures conver- Para isto, deve constar na escritura de emissão a razão de conversão, isso significa
síveis em ações, é necessário observar o prazo de seis meses a partir do encer- o número de ações que cada debênture pode ser convertida.
ramento do período de preferência concedido aos acionistas da companhia
Exemplo: na escritura de emissão de uma debênture conversível de R$ 1.000,00,
emissora. Já o prazo de colocação no mercado primário das debêntures não
ela pode ser convertida por 33 ações da companhia.
conversíveis em ações é de seis meses a partir da contagem da data de pub-
licação do anúncio de início de distribuição, e ao término do prazo, o saldo Dividindo o valor nominal da debênture pelo número de ações, temos o preço de
não subscrito deverá ser cancelado. conversão de R30, 30.

• como regra geral, o valor total das emissões de debêntures de uma empresa O debenturista pode escolher realizar a conversão ou manter a debênture con-
não poderá́ ultrapassar o seu capital social. versível.
Nas debêntures conversíveis existe um elemento de renda variável.

4.35. Tipos de Debêntures: O preço de uma debênture conversível é composto pelo valor do título de dívida
e pelo valor da opção de conversão, onde este segundo está ligado ao preço de
Temos cinco tipos de debêntures no mercado: mercado das ações objeto de eventual conversão.

1. debênture simples;
4.35. Debênture Permutável
2. debênture conversível;
Debêntures emitidas por uma companhia e podem ser trocadas, a critério do
3. debênture permutável;
debenturista, por ações de emissão de outras companhias.
4. debênture comum; Tem características bem similares às debêntures conversíveis.
5. debênture incentivada. Apresenta um elemento de renda variável.

240 241
4.35. Debêntures Incentivadas 4.37. Garantia das Debêntures

Veremos mais a frente detalhes. Vimos acima que uma debênture não conta com a cobertura do FGC. Se não tem
FGC, qual será a garantia do investidor ao emprestar dinheiro para a empresa que
emitiu a debênture?
4.36. Cross Default
Notou que eu escrevi "emprestou dinheiro para a empresa"? Pois é, fiz isso para
lembrar você que sempre que o investidor aloca seus recursos em um título de
O conceito de cross default está associado à inadimplência do emissor, de forma renda fixa ele está, na prática, emprestando dinheiro ao emissor.
que todos os débitos sejam imediatamente antecipados.
Bem, retomando a questão da garantia. Como a debênture é um título que não
Resgate antecipado conta a garantia do FGC, é necessário que exista outra garantia, certo? Por isso
A escritura de emissão pode determinar, a critério da emissora, a possibilidade de uma debênture terá uma entre as quatro garantias abaixo.
resgate antecipado das debêntures, para posterior cancelamento.
A emissora recompra o título de forma forçada, não podendo se opor ao deben-
turista. Tal cláusula é de suma importância para o tomador de recursos, pois rep- • Garantia real: aqui a empresa que emite a dívida (debênture) aliena um
resenta uma proteção contra um cenário desfavorável da taxa de juros vigentes. bem à operação. Em outras palavras, um bem real da empresa fica "preso"
de forma que a empresa não pode negociar, vender ou transferir o bem até
que as debêntures sejam quitadas. Se a empresa não tiver caixa para pagar
4.37. Debêntures - COVENANTS as debêntures o bem pode ser vendido para quitação dos títulos.

Covenants são cláusulas de garantia que as empresas têm que cumprir no mo- • Garantia flutuante: aqui também temos um bem real dando garantia a op-
mento que fazem contratos de endividamento. eração, no entanto essa garantia pode ser substituída. Ou seja, a empresa é
livre para negociar essa garantia em outra operação, desde que substitua o
Portanto, trata-se de um mecanismo de proteção do credor bancário em oper- bem.
ações creditícias.
Em caso de não cumprimento desta condição, ao credor abre-se a prerrogativa de • Garantia quirografária ou sem preferência: : já ouviu a expressão "la garan-
antecipar o vencimento na medida que o devedor não cumpriu com a condição tia soy yo"? Pois é, na garantia quirografária não existe um bem real dando
estipulada garantia ao título, e a única garantia que o investidor tem está associada a
capacidade da empresa para pagar. Se a empresa falir, os investidores con-
correm em igualdade de condições com os demais credores quirografários
4.37. Exemplos de Covanants (sem preferência), em caso de falência da companhia.

1. teto de endividamento da empresa;


• Garantia subordinada: como o próprio nome sugere, essa garantia está
2. vinculação de endividamento a um projeto da empresa; subordinada às demais. O que difere essa garantia da quirografária, é o fato
que o detentor das debêntures não concorre em igualdade de condições
3. obrigar a prestação de contas periodicamente de fatos relevantes; com os demais credores da empresa, mas estão subordinados a estes. Em
outras palavras, se a empresa falir, o investidor que tem essa debênture será
4. autorizar a entrada de novos sócios para o negócio. o último da fila para receber (se é que vai receber).

242 243

4.37. Escritura trário da assembleia dos debenturistas;

A gente viu até aqui que uma debênture é um título de renda fixa emitido por uma • tomar qualquer providência necessária para que os debenturistas realizem
empresa não financeira e têm suas garantias. Agora precisamos entender onde seus créditos.
estão essas informações para que o investidor possa saber exatamente onde está
colocando seu dinheiro.
4.37. Tributação
Essas informações estão dispostas no documento chamado "escritura". A escrit-
ura de uma debênture especifica os direitos dos investidores, deveres dos emi- A tributação em debêntures obedece a Tabela Regressiva de IR. Simples assim.
tentes, todas as condições da emissão, os pagamentos dos juros, prêmio e princi- Sem siglas ou nomes difíceis.
pal, além de conter várias cláusulas padronizadas restritivas e referentes às garan-
tias (se a debênture for garantida).
4.37. Debêntures incentivadas
Além de todas as informações citadas acima, em uma escritura está descrito quem
é o agente fiduciário da debênture. Vamos falar dele agora
No final de 2010, o Governo editou uma série de medidas para estimular a con-
strução de um mercado privado de financiamento a longo prazo.
4.37. Agente Fiduciário Basicamente, essas medidas queriam "incentivar" os investidores a financiar o
crescimento da infraestrutura no país.
O agente fiduciário é o melhor amigo do investidor debenturista. A função dele é
Ou seja, quando uma empresa capta recursos via debênture para construir uma
proteger o interesse dos debenturistas exercendo uma fiscalização permanente e
estrada que vai ligar a região do Mato Grosso ao porto de Santos, por exemplo, ela
atenta, verificando se as condições estabelecidas na escritura da debênture estão
melhora a vida de muitas pessoas que se beneficiam desta obra. Produtores ru-
sendo cumpridas.
rais, empresas de transporte, motoristas, aduaneiros, moradores das regiões onde
Entende-se por relação fiduciária a confiança e lealdade estabelecidas entre a in- estará a estrada e por aí vai.
stituição participante (administradora, gestora, custodiante, etc) e os cotistas.
Esta é a importância de termos mais e mais obras de infraestrutura.
A emissão pública de debêntures exige a nomeação de um agente fiduciário.
Para incentivar os investidores a financiar estas obras, o Governo resolveu isentar
Deve ser ou uma pessoa natural capacitada ou uma instituição financeira autor-
de imposto investidores pessoa física que alocam recursos na debênture incenti-
izada pelo Banco Central para o exercício desta função e que tenha como objeto
vada.
social a administração ou custódia de bens de terceiros (ex.: corretora de valores).
Assim, as empresas dos segmentos abaixo podem solicitar ao ministério a qual
O agente fiduciário não tem a função de avalista ou garantidor da emissão e poderá
são vinculadas uma autorização para emitir debêntures incentivadas, confira:
usar de qualquer ação para proteger direitos ou defender interesses dos deben-
turistas. No caso de inadimplência da emitente, o agente deve: a. logística e transporte;
b. mobilidade urbana;
• executar garantias reais, receber o produto da cobrança e aplicá-lo no paga-
mento (integral ou proporcional) dos debenturistas; c. energia;

• requerer falência da emitente, se não existirem garantias reais; d. telecomunicações;


e. radiodifusão;
• representar os debenturistas em processos de falência, concordata, inter-
venção ou liquidação extrajudicial da emitente, salvo deliberação em con- f. saneamento básico;

244 245
g. irrigação. Repactuação
Modalidade de debêntures que consiste em adequar a remuneração dos títulos,
4.38. Características das Debêntures incentivadas periodicamente, para condições vigentes no mercado e de forma mais vantajosa
para o investidor.

• isenção de IR para PF; Vencimento Antecipado


Essa cláusula visa garantir aos debenturistas a possibilidade de antecipar o venci-
• IR para PJ de 15%;
mento das debêntures quando na ocorrência de determinados eventos:
• vencimento mínimo de 48 meses;
• quebra de covenant;
• prazo mínimo para resgate de 24 meses.
• ocorrência de cross default.

Covenant
4.39. Registro
Sistema de garantia para pagar dívidas e manter a sustentabilidade na gestão da
empresa.
A emissão deverá ser registrada na CVM e, por se tratar de emissão escritural, na
B3/SND (Sistema Nacional de Debêntures), onde são realizados os controles de
transferência e efetuadas as liquidações financeiras. 4.40. Assembleia de debenturistas
Veja abaixo as característica da emissão de títulos.
A reunião dos debenturistas tem como propósito deliberar sobre assuntos rela-
tivos à emissão. mudar características da emissão, por exemplo. Também pode
• Debêntures simples: no vencimento, o resgate é feito em recursos finan- ser convocada pelo Agente Fiduciário, CVM, ou pelos próprios debenturistas.
ceiros. O prazo mínimo é de um ano.
Dever do agente fiduciário:
• Debêntures conversíveis (DCA): podem ser convertida em ações a exclu-
Deve estar presente, de forma obrigatória, nas emissões públicas.
sivo critério do investidor, em épocas e condições pré-determinadas. Prazo
mínimo de três anos.
4.41. Notas Promissórias (NP)
4.40. Taxas e forma de remuneração e negociação
Se você entendeu bem o que é uma debênture, ficará fácil entender uma nota
promissória. Uma nota promissória é um título de Renda Fixa emitido por em-
A empresa determina o fluxo de amortização e as formas de remuneração, infor- presas não financeiras, porém com finalidade exclusiva de capital de giro.
mações que devem constar na escritura.
Ao passo que uma debênture pode financiar projetos de longo prazo, uma NP vai
Podem ser remuneradas: sempre financiar necessidades de curto prazo da empresa e por esta razão uma
NP tem regras bem objetivas quanto a seu prazo máximo de emissão:
• prefixada;
• sendo 360 dias se for emitida para uma empresa S/A com capital aberto ou
• pós-fixada – TR, TBF, TLP, índice de preços, e DI (a mais usual). S/A com capital fechado.

246 247

Não estão sujeitas ao prazo máximo de vencimento a que se refere o caput das 4.41. Resgate
notas promissórias que, cumulativamente:
I. tenham sido objeto de oferta pública de distribuição com esforços restritos, con- A nota promissória deve prever o resgate e liquidação do título em moeda cor-
forme regulamentação específica; rente data de vencimento.
II. contenham com a presença de agente fiduciário nos titulares das notas promis- O emissor pode antecipar o resgate, havendo previsão expressa no título, pode
sórias. resgatar antecipadamente a nota promissória.

4.41. Forma de Emissão

São nominativas, sendo sua circulação por endosso em preto e de mera transfer- 4.41. Tributação
ência de titularidade, constando obrigatoriamente no endosso a cláusula "sem
garantia". Por ser um título de renda fixa, terá sua tributação conforme a Tabela Regressiva
de IR, com a observação de que, por ser um título de curto prazo, a menor alíquota
possível é de 20%.
4.41. Negociação Agora que vimos tudo a respeito da renda fixa, chegou o momento de entender
como funciona a renda variável.
A nota promissória, no mercado primário, pode ser negociada por uma instituição
integrante do sistema de distribuição de valores mobiliários. Se for o caso de uma
colocação de garantia, será realizada da seguinte forma: 4.42. Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCA)

As Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA)


• balcão;
são investimentos que, embora destinados a setores diferentes, compartilham
muitas semelhanças. Ambas são títulos emitidos por instituições financeiras, que
• balcão organizado B3. têm como objetivo captar recursos para financiar atividades específicas: o setor
imobiliário no caso das LCIs, e o agronegócio no caso das LCAs.

4.41. Registro

O registro na CVM pode ser negociado no mercado de balcão organizado, sendo


a B3 o mais usual. 4.42. O Que São LCI e LCA?
Remuneração
Tanto a LCI quanto a LCA são títulos que possuem lastro, ou seja, são garantidos
por um ativo real. No caso das LCIs, o lastro são os financiamentos imobiliários,
• Prefixada vencida com desconto. enquanto nas LCAs, são financiamentos do agronegócio. Esses títulos são consid-
erados seguros devido à dupla garantia: o lastro e a garantia da instituição finan-
• Pós-fixada, corrigida pela taxa DI. ceira que os emite, respaldada pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

248 249
4.42. Funcionamento das Letras de Crédito jam otimizar seu fluxo de caixa. Com prazos e características específicas, esses
títulos desempenham um papel crucial no financiamento dos setores imobiliário
Exemplificando com LCI Vamos imaginar um jovem casal, Enzo e Valentina, que e do agronegócio, contribuindo para o desenvolvimento econômico e geração de
deseja comprar um imóvel. Eles encontram um apartamento de R$500.000,00 e empregos no país.
conseguem financiar R$400.000,00 pela Caixa Econômica Federal, pagando uma
taxa de 11% ao ano por 30 anos. A Caixa, então, empacota vários desses financia-
mentos e os vende a investidores sob a forma de LCIs. Os investidores, por sua 4.43. Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA)
vez, compram esses títulos, que pagam uma taxa de 8% ao ano, proporcionando
ao banco um lucro na diferença entre as taxas, conhecido como spread. O CDCA é um título de crédito nominativo, de livre negociação e representativo de
Funcionamento da LCA De maneira similar, um agricultor como o Loreci, que promessa de pagamento em dinheiro, vinculado a direitos creditórios originários
precisa financiar a compra de máquinas agrícolas, pode recorrer ao Banco do de negócios realizados entre produtores rurais (ou suas cooperativas) e terceiros,
Brasil. O banco empacota vários desses financiamentos agrícolas e os vende a inclusive financiamentos ou empréstimos.
investidores como LCAs. Novamente, o banco lucra com o spread entre a taxa De um modo bem simples de entender, o CDCA é a negociação dos recebíveis no
cobrada dos financiamentos e a taxa paga aos investidores. agronegócio, alienado as CRAs
O CDCA é emitido exclusivamente por cooperativas de produtores rurais e outras
4.42. Vantagens para Investidores e Instituições Financeiras pessoas jurídicas que exerçam atividades de comercialização, beneficiamento ou
industrialização de produtos e insumos agropecuários ou de máquinas e imple-
Para os investidores, a grande vantagem é a isenção de imposto de renda para mentos utilizados na produção agropecuária. Pode ser também distribuído por
pessoas físicas, o que torna esses títulos bastante atrativos. Já para as instituições meio de oferta pública.
financeiras, a venda dessas letras de crédito permite a antecipação do fluxo de Em resumo, é através desse título que cooperativas de produtores rurais tomam
caixa, possibilitando a realização de novas operações lucrativas. recursos do mercado para financiar produtores. A operação é desenhada através
do fluxo abaixo.

4.42. Características Importantes Uma cooperativa, em posse de CRAs obtidas através de negócios com produtores
de milho, por exemplo, deseja emitir um CDCA para obter um empréstimo. Para
1. Emissão: Podem ser emitidas por bancos comerciais, de investimento, múlti- isso, a cooperativa contata um banco e negocia uma operação de emissão e de-
plos, associações de poupança e empréstimo, entre outros. sconto de CDCA, apresentando a sua carteira de CRAs para registro e a montagem
do lote.
2. Garantia: Possuem garantia real (lastro) e garantia do FGC.
O banco recebe o CDCA da cooperativa e entrega os recursos a ela sob a forma de
3. Remuneração: Pode ser prefixada, pós-fixada ou híbrida. uma operação de desconto. No vencimento, os produtores de milho quitam suas
dívidas referentes às CRAs junto à cooperativa – que por sua vez, líquida o valor
4. Prazos: Recentemente alterados, com a LCI exigindo um prazo mínimo de acordado do desconto. O banco, que é o participante de registro, efetua a baixa
12 meses e de 36 meses para títulos atrelados a índices de preços; para a LCA, do CDCA no sistema de registro, e a operação é liquidada. Caso a cooperativa não
o prazo mínimo é de 9 meses e 12 meses para títulos atrelados a índices de efetuasse o pagamento do CDCA no vencimento, o banco executaria o CDCA e as
preços. CRAs seriam transferidas ao banco por força do penhor.

LCI e LCA são opções de investimento seguras e vantajosas, tanto para investi-
dores que buscam isenção fiscal quanto para instituições financeiras que dese-

250 251

4.44. Características do CDCA 4.46. Cédula de Crédito Imobiliário (CCI)

• pode ser negociado com taxa prefixada ou pós-fixadas; Mais um título lastreado no crédito imobiliário? Sim, temos aqui mais um instru-
mento que fomenta a indústria da construção civil.
• possui isenção fiscal para pessoa física quando da aquisição deste título;
A CCI é um instrumento que facilita a negociabilidade e a portabilidade do crédito
• tais títulos apresentam maiores garantias e retornos mais atrativos do que os imobiliário.
usualmente praticados no mercado; É importante você memorizar a palavra "portabilidade", lembre-se dela, pois va-
mos usá-la mais adiante. Basicamente, portabilidade é uma transferência, mas
• é emitido com alienação fiduciária dos direitos creditórios vinculados ao tí- iremos detalhar melhor tudo isso a seguir.
tulo, o que aumenta ainda mais as garantias dos investidores nessa oper-
ação. Um banco, uma sociedade de crédito imobiliário ou uma incorporadora, emprestam
dinheiro para as pessoas comprarem seus imóveis, certo? O prazo desse tipo de
crédito normalmente é longo, podendo chegar até 35 anos.
4.45. Características da CPR Faz sentido para você que 35 anos é um baita tempo quando se trata de receber
uma dívida? Existe uma solução para isso, chamada CCI.
• o lastro do título é, costumeiramente, o penhor rural; O banco (ou o emissor do crédito imobiliário) basicamente "empacota" recebíveis
e vende no mercado financeiro.
• não tem cobertura do FGC;
O banco recebe à vista esse crédito imobiliário, com desconto, claro, e quem com-
• pode ser negociado no mercado primário ou secundário; prou a CCI recebe a prazo dos mutuários do crédito imobiliário. Sabe quando um
comerciante vende seus produtos a prazo e vai ao banco solicitar a antecipação
• pode ser negociado no mercado de balcão sem registro na clearing; desses recebíveis? Então, é exatamente isso que o banco faz ao emitir uma CCI
no mercado: ele antecipa os recebíveis.
• para ser negociado no mercado secundário, é imprescindível que tenha sido
registrado na clearing de ativos; Algumas características-chave sobre esse produto:

• será custodiada na clearing da B3;


• é negociado no mercado de balcão e registrado na clearing da B3;
• investidor PF está isento de IR;
• Está sujeito ao Ir Conforme tabela Regressiva;
• investidor PJ vai pagar IR conforme a Tabela Regressiva;

• é possível a liquidação física do título. Em outras palavras, o investidor pode- • possui garantia real do lastro da operação de crédito;
ria comprar uma CPR para um produtor de soja, por exemplo, sendo que no
vencimento do título ele não receberia dinheiro, mas sim, a soja produzida. • não possui cobertura do FGC;
Esse tipo de contrato é muito comum entre os produtores e as exportadoras.
Ou seja: a empresa que vai exportar financia a produção para ser vendida no • embora qualquer investidor possa ter acesso, é um produto negociado, via
mercado externo. Esse tipo de negociação pode ser dispensado do registro de regra, entre o emissor e companhias securitizadoras e fundos de investi-
na clearing. mento.

252 253
4.47. Certificado de Recebível Imobiliário (CRI) • não possui prazo mínimo;

• não possui garantia do FGC;


O CRI é um título de renda fixa de longo prazo emitido exclusivamente por uma
companhia securitizadora, com lastros em um empreendimento imobiliário que • possui lastro no crédito imobiliário e, sendo assim, tem garantia real;
pagam juros ao investidor.
• há isenção de IR para investidor PF;
Pausa para entender o que é uma companhia securitizadora.
O termo securitizadora vem do inglês "securities" que, traduzido, significa "título". • é um título registrado na clearing de títulos da B3;
Assim, podemos concluir que uma securitizadora é uma empresa que emite títu-
• não há regulação para o valor unitário do título, no entanto, títulos com valor
los no mercado. É necessário realizar prospecto da emissão de CRI.
de aplicação de R$ 1.000,00 são comuns.
Podem ser emitidos de forma simples ou com regime fiduciário. Neste último
caso, se constitui um patrimônio separado administrado pela companhia securi-
tizadora, é composto pela totalidade dos créditos submetidos ao regime fiduciário 4.48. Certificado de Recebível do Agronegócio (CRA)
que lastreiam a emissão.
Um banco emite títulos no mercado para os investidores. Para simplificar ainda Um CRA é um título de valor mobiliário de renda fixa emitido exclusivamente por
mais: a securitizadora é quem antecipa a carteira de crédito dos bancos, pagando companhias securitizadoras.
à vista para o banco e recebendo a prazo dos tomadores.
Baseado em direitos creditórios originados em negócio entre produtores rurais
ou entre suas cooperativas e terceiros – inclusive financiamento ou empréstimo
• Prazo mínimo: não possui prazo mínimo. relacionados à produção, comercialização, beneficiamento ou industrialização.
• Tributação: pessoa física isenta de IR. Portanto, tem que ser objeto de oferta pública com autorização da CVM para ser
ofertado ao mercado – exceto se for ofertado exclusivamente para investidor qual-
• Remuneração: não podem ser emitidos com correção pela variação cam- ificado.
bial.
Características principais:
Voltemos, então, para o CRI. Esse título é emitido por uma securitizadora. Em
linhas gerais, imaginemos que a securitizadora tenha comprado uma carteira de • não possui garantia do FGC;
crédito imobiliário de um banco no valor de R$ 500.000.000,00. Essa compra é,
para o banco, uma antecipação de um fluxo de caixa futuro e, para a securitizadora, • lastro em direitos creditórios originados de negócios entre produtores rurais,
um pagamento à vista. ou suas cooperativas, e terceiros inclusive financiamentos ou empréstimos
relacionados com a comercialização. beneficiamento ou industrialização de
A pergunta que fica é: de onde a securitizadora vai tirar essa grana toda para pagar
produtos ou insumos agropecuários.
o banco? Se você respondeu "do Mercado Financeiro", acertou. A securitizadora
emite um título chamado CRI. • há isenção de IR para investidor PF;
Um CRI é um título de valor mobiliário, portanto tem que ser objeto de oferta
pública com autorização da CVM para ser ofertado ao mercado, exceto se for ofer- • é um título registrado na clearing de títulos da B3;
tado exclusivamente para investidor qualificado.
• não há regulação para o valor unitário do título. No entanto, títulos com valor
Características principais: de aplicação de R$ 1.000,00 são comuns.

254 255

4.49. Cédula do Produtor Rural (CPR) Isso pode ser entendido como se o banco, ao prestar esse serviço de seguro (aval),
dissesse aos investidores "investidores que pensam em comprar a CPR desse pro-
duto, podem comprar sem medo que se o produtor tiver algum problema com
A CPR é um título emitido por produtor rural (ou cooperativa de produtores) para sua safra, eu pago o valor da CPR".
financiar sua produção. Eu adoro uma analogia, então aqui vai mais uma.
Se você está lendo essa apostila, você se matriculou em nosso curso (honesta-
mente,assim eu espero, viu?). Agora, imagine que eu, enquanto professor, tenha 4.50. Operação Compromissada
idealizado esse projeto e sabia que, do dia que tive a ideia até o curso estar pronto
para ser vendido para você, demorariam seis meses. Essa é mais uma modalidade de investimento oferecida por bancos. Caracteriza-
Se imaginarmos que, quando o curso ficasse pronto, eu pudesse matricular 50 se pelo compromisso de recompra de um determinado ativo, apresentando prazo
alunos e que cada aluno investiria 500 reais no curso. Logo eu teria um fatura- e preço previamente definidos.
mento de 25 mil reais depois de seis meses. Nesse caso, o investidor compra um título de propriedade do banco. Não con-
Tô rico, né? Não, não estou rico. funda "propriedade" com "emissão".

O ponto aqui é: para o projeto acontecer, eu tenho custo. Site, câmera, edição Deixa eu explicar isso melhor: quando você compra um CDB de um banco, está
de vídeos, e por aí vai. Como eu não tenho dinheiro para bancar esse projeto, eu comprando um título emitido pelo banco e representa uma dívida do próprio
emito uma CPC (cédula do produtor de cursos) e vendo para um investidor que banco.
queira financiar esse projeto. Assim, o investidor me paga hoje R$ 20.000,00 para Acontece que o banco, como um player do Mercado Financeiro, também compra
que eu consiga produzir esse curso lindo para você, e quando eu estiver vendendo títulos no próprio mercado, por exemplo, uma debênture. Na compromissada, o
os cursos, ele recebe os R$ 25.000,00. investidor está comprando essa debênture comprada anteriormente pelo banco.
Assim, todo mundo fica feliz: Agora com uma linguagem um pouco mais técnica, uma "compromissada" é uma
operação que possui lastro em ativos de propriedade do banco, e o banco assume
• eu por conseguir montar o projeto; o compromisso de recomprar esse ativo do investidor.

• o investidor por ganhar dinheiro ao comprar minha CPC; Apesar de ser um título lastreado em outro ativo, o risco desse investimento é da
instituição financeira que emite a compromissada
• Você por encontrar esse curso parrudo e ter passado no exame de certifi-
cação.
4.50. Características
É claro que você sabe que não existe CPC, mas é exatamente isso que o acontece
com uma CPR. Um produtor rural antecipa a venda de sua produção junto ao • título lastreado em algum ativo de propriedade do banco;
mercado.
• registrado e liquidado na B3;
Acontece que o mercado financeiro é bem exigente. E se por alguma razão, esse
produtor não conseguir vender sua safra? Quem garante que o investidor vai re- • uma das partes deve ser um banco comercial, de investimento, desenvolvi-
ceber seu dinheiro? É aí que entra o sistema financeiro. mento, uma sociedade de crédito, financiamento e sociedade corretora ou
distribuidora de valores de títulos e mobiliários;
O produtor (ou a cooperativa de produtores) que quer emitir uma CPR vai con-
tratar um banco ou uma seguradora para prestar serviço de aval. Então, o banco • possui cobertura do FGC se o lastro for título emitido por empresa ligada
vai assumir o risco da operação. ao banco emissor da compromissada, que tem como objeto títulos emitidos

256 257
após 8 de março de 2012; • 0,5% ao mês, se a meta da taxa Selic, definida pelo BACEN, for superior a 8,5%
ao ano;
• tributação conforme a Tabela Regressiva de IR, tanto para PF quanto para PJ;
• 70% da meta da taxa Selic, definida pelo BACEN, vigente na data de início de
• sujeito a cobrança de IOF se resgatado antes de 30 dias. cada período de rendimento.

O saldo dos depósitos de poupança efetuados até a data de entrada em vigor de


4.51. Caderneta de Poupança MP 567 de 3 de maio de 2012 será remunerado, em cada período de rendimento,
pela TR mais juros de 0,5% ao mês.
A poupança foi criada por Dom Pedro II durante o Império, em 1861. E acredite,
As contas abertas nos dias 29, 30 e 31 têm como data de aniversário o dia 1° do mês
desde a sua criação, a poupança paga praticamente os mesmos juros até hoje, ou
seguinte.
até menos.
Exemplo
Ela foi criada para atender população pobre do Brasil imperial, em 1871 foi criada
uma lei que permitia aos escravos depositar dinheiro na poupança por meio de A poupança possui rentabilidade mensal, isto é, paga juros ao investidor somente
doações, heranças ou renda proveniente de algum tipo de trabalho. uma vez por mês. Esse pagamento é feito no dia do aniversário da poupança, que
se dá sempre no dia de sua aplicação.
Se o investidor colocou o dinheiro na poupança no dia 10 de fevereiro, receberá sua
4.51. Características rentabilidade no dia 10 de março e nos meses subsequentes. Uma observação a
essa regra, porém, é que poupanças com depósito inicial nos dias 29, 30 e 31 farão
• a remuneração definida pelo Banco Central é igual em todas as instituições
aniversário no 1° dia do mês subsequente ao próximo mês da aplicação.
financeiras;
A poupança possui liquidez diária, contudo, com perda de rentabilidade em caso
• o prazo do investimento é indeterminado; de saque efetuado antes do aniversário. Já sobre rentabilidade, a poupança tem
duas regras para pagar o investidor, e essas regras estão condicionadas à taxa
• a poupança conta com garantia do FGC até o limite estabelecido; Selic.
• possui liquidez diária, entretanto, valores sacados antes da data de aniver-
sário não recebem o rendimento do último período;

• rendimentos são creditados mensal ou trimestralmente se o investidor for


pessoa física. No caso de pessoa jurídica, será depositado o rendimento trimes-
tralmente;

• aplicações em cadernetas de poupança realizadas através de depósito em


cheque têm como data de aniversário o dia que o dia do depósito.

4.53. Tributação
4.52. Rentabilidade
• isenção total de IR na fonte e na declaração, pessoa física e pessoa jurídica
O rendimento da poupança será composto por TR mais juros de: imune.

258 259

• demais pessoas jurídicas pagam IR com Tabela Regressiva. Na prática é assim que funciona, veja o exemplo abaixo.
Imagine que o investidor tenha investido R$ 1.000,00 e 10 dias depois ele resolve
Curiosidades sacar seu investimento com um rendimento de R$ 100,00. Esse investidor pagará
Algumas curiosidades sobre a caderneta de poupança: 66% sobre a rentabilidade, ou seja, sobre os R$ 100,00.
Nesse caso o investidor terá um ganho de apenas R$ 34,00. No entanto, sobre
• a poupança não é considerada um instrumento de renda fixa, mas sim um esse saldo será calculado o IR que é nosso próximo tema
depósito à vista com remuneração;
Dica do Kléber: investimentos em renda variável não sofrem essa tributação
• os bancos devem direcionar, no mínimo, 65% do saldo das cadernetas de sob nenhuma hipótese.
poupança para o crédito imobiliário.

4.54. Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) 4.55. Tributação Renda Fixa - Imposto de Renda (IR)

O IOF aparece várias vezes na sua vida: quando compra algo parcelado, uso de Além do IOF, os investimentos serão tributados com IR. A cobrança desse tributo
moeda estrangeira no cartão de crédito, cheque especial, etc. Mas você sabe será feita, no mercado de renda fixa, também conforme uma tabela regressiva,
como ele aparece na prova da ANBIMA ou, melhor dizendo, no mercado finan- que você vê aqui embaixo.
ceiro?
Os rendimentos obtidos em títulos de renda fixa, justamente por ter um prazo
definido no momento do investimento, serão tributados com IR (imposto de renda)
e IOF regressivo, e no caso do IOF terá uma tabela que isenta o investidor a partir
do 30° dia. Isto é, investimentos realizados com prazo de resgate menor ou igual
serão tributados segundo a tabela de IOF abaixo.

A partir de agora, essa tabela deve ser sua nova companheira. A cada olhada no
celular para conferir suas redes sociais, você deve olhar duas vezes para essa tabela
até ter esse conceito bem enraizado, combinado?
Não sei se você notou, mas tanto no IOF quanto no IR os investimentos com prazos
maiores pagam menos imposto. A razão disso é muito simples: o governo quer
incentivar os investimentos de longo prazo.
Na prática, essa tabela funciona assim: imagine que um investidor tenha investido
R$ 1.000,00 em um instrumento de renda fixa, e ao solicitar o resgate, tenha aferido,

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sete meses depois, ganho de R$ 200,00. No período de sete meses o investidor 4.56. Funcionamento do FGC
está sujeito a alíquota de 20%. Nesse caso, pagará R$ 40,00 de IR, tendo apenas
R$ 160,00 de lucro líquido.
Instituição privada, sem fins lucrativos mantido pelas instituições financeiras.
Outro ponto importante é que, caso haja cobrança de IOF, essa cobrança será re-
alizada primeiro para que o saldo líquido dos rendimentos possam ser tributados
pelo IR.
Tudo que vimos até aqui sobre tributação aplica-se apenas para o mercado de • Busca trazer competitividade as instituições financeiras de menor porte;
renda fixa. No caso de renda variável, a coisa é um pouco mais simples. O mercado
de renda variável será sempre isento de IOF e terá uma tributação fixa que na
maioria dos casos, será de 15%.
Cada produto de renda fixa ou renda variável terá regras específicas sobre a trib- • Espécie de seguro contra o calote dos títulos cobertos;
utação. Contudo, em linhas gerais, obedecerá o que descrevemos aqui.
A partir do momento que tivermos abordado cada investimento, detalharei a forma
de cobrança e as especificações do produto. Logo, para continuar nossa intro- • As instituições financeiras depositam entre 0,01% e 0,02% dos depósitos cober-
dução, vamos falar de uma garantia adicional que alguns produtos do mercado tos;
oferecem: o fundo garantidor de crédito.

4.56. FGC - Fundo Garantidor de Crédito • De acordo com o CMN, o FGC deve ter um saldo de liquidez de 2,50% dos
depósitos elegíveis.

Muita gente faz investimentos irresponsáveis contando com esse carinha aqui,
mas a dúvida que fica é: Será mesmo que é prudente fazer isso? Isso é muito
mais vamos ver a seguir.
– Por exemplo: Se tem 100 milhões, o FGC terá basicamente 2,5 milhões
de cobertura.

4.56. O FGC - Fundo Garantidor de Créditos

O FGC foi criado em 1.995 com a resolução 2.211/95 pelo CMN. Vale lembrar que o
Agora aqui pra nós… você se sente seguro com isso? Pense comigo: quando que
FGC não é um órgão público é uma associação de sem fins privados, sociedade
uma instituição financeira deve quebrar? Normalmente quando uma instituição
privada que visa:
quebra pode ser um efeito de cadeia e com isso outras instituições quebrarem.
Esporadicamente é lógico, mas isso não é algo fácil de prever, está aí o COVID19
• Preocupação com a estabilidade do sistema financeiro; que não nos deixa mentir.
Com isso quero que você entenda que: O FGC é funcional? SIM! Ele já foi seguro
• 2009 tivemos a introdução da DPGE com garantia de até 40 milhões; para muitos investidores? SIM! Mas quero que você tenha em mente que isso não
faz dele infalível, e com isso não invista tendo o FGC como um objetivo central,
• Maio de 2017 tivemos as regras atuais do FGC; mas sim como um recurso de emergência.

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4.56. Produtos Garantidos 4.57. FGCoop - Fundo Garantidor do Cooperativismo: produtos e serviços que possuem

O FGC foi criado em 2.014 para dar solidez e confiança ao Sistema de Crédito Co-
operativo:

• Regulado pela resolução 4.150/12 do CMN;


• Preocupação com a estabilidade do sistema financeiro;
• Criado para igualar as condições de garantia dos bancos comerciais;

– Contribuição mensal ordinária de 0,0125% dos saldos garantidos;


– MESMAS garantias do FGC;

O FGCoop, ou Fundo Garantidor do Cooperativismo, é uma entidade brasileira es-


tabelecida para oferecer proteção aos depósitos em cooperativas de crédito.
Semelhante ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que protege os correntistas,
poupadores e investidores de instituições financeiras.
OBJETIVO:
O FGCoop tem o objetivo de promover a estabilidade do Sistema Nacional de
Crédito Cooperativo no Brasil, garantindo os depósitos de seus associados até um
DPGE, com garantia específica até 40 milhões de reais! limite estabelecido.
Basicamente os produtos de créditos emitidos por instituições financeiras que co- PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS:
operam para o FGC serão cobertos pelo mesmo.
Lembrando que : 1. Proteção aos Associados: O FGCoop garante os depósitos dos associados
de cooperativas de crédito, assegurando um limite máximo por CPF ou CNPJ
em caso de intervenção, liquidação ou falência da cooperativa.
4.56. Valores Garantidos 2. Contribuições das Cooperativas: As cooperativas de crédito contribuem
para o fundo, pagando cotas proporcionais ao volume de depósitos que pos-
O FGC garante até R$ 250.000,00 por CPF/CNPJ por instituição financeira; suem.
3. Gestão Independente: O FGCoop é gerido de forma independente das co-
• Aplica-se um limite de 1 milhão de reais a cada período de 4 anos. operativas de crédito, proporcionando uma garantia mais confiável aos as-
sociados.
Basicamente é isso, parece simples mas nas provas da Anbima até o conteúdo 4. Promoção da Confiança: A existência do FGCoop aumenta a confiança dos
mais simples pode ficar complicado. Eu te recomendo revisitar esse conteúdo associados nas cooperativas de crédito, sabendo que seus depósitos estão
mais de uma vez (não só essa mas como os outros também). protegidos até certo limite.

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5. Limites de Garantia: Semelhante ao FGC, o FGCoop estabelece limites para 4.58. Introdução ao Mercado de Derivativos
a garantia dos depósitos. É importante verificar qual é o limite atual.

6. Regulação e Fiscalização: O FGCoop opera sob a supervisão e regulação de Os instrumentos de investimentos estudados até aqui são chamados de ativos
órgãos governamentais, garantindo a aderência às normas financeiras e de financeiros. A partir de agora vamos estudar instrumentos de investimentos que
segurança. derivam de um ativo, por isso o nome "derivativo".
Esses instrumentos possibilitam que o investidor tenha acesso a um ativo, via de
PRINCIPAIS SERVIÇOS E PRODUTOS: regra, com outro ativo ou até mesmo por uma fração do preço do ativo objeto.
O objetivo de um derivativo é a transferência de risco. Quando um investidor
procura se proteger de algum risco específico, ele contrata um derivativo que o
1. Contas Correntes e de Poupança: Oferecem contas correntes para gestão manterá posicionado com a proteção.
do dia a dia financeiro e contas de poupança para economias de longo prazo.
Ficou complicado? Calma, vou explicar melhor cada um desses instrumentos.
2. Empréstimos e Financiamentos: Disponibilizam várias opções de crédito, Antes, deixe-me explicar quais são os tipos de derivativos, e seus agentes.
incluindo empréstimos pessoais, financiamentos imobiliários, crédito rural,
Tipos de derivativos
financiamentos de veículos e linhas de crédito para negócios.

3. Cartões de Crédito e Débito: Oferecem cartões de crédito e débito, muitas • Derivativos agropecuários: têm como ativo objeto commodities agrícolas,
vezes com taxas competitivas e benefícios adicionais. como café́, boi, milho, soja e outros.

4. Investimentos: Proporcionam uma gama de opções de investimento, como • Derivativos financeiros: têm seu valor de mercado referenciado em alguma
certificados de depósito, fundos de investimento e planos de aposentadoria. taxa ou índice financeiro, como taxa de juro, taxa de inflação, taxa de câmbio,
índice de ações e outros.
5. Serviços de Pagamento: Incluem serviços como pagamentos de contas,
transferências bancárias e serviços de débito automático. • Derivativos de energia e climáticos: têm como objeto de negociação en-
ergia elétrica, gás natural, créditos de carbono e outros.
6. Seguros: Muitas cooperativas de crédito oferecem seguros de vida, saúde,
automóvel, residencial e empresarial. Tipos de transações no mercado de Derivativos
7. Consultoria Financeira: Fornecem consultoria financeira personalizada, muitas
vezes focada nas necessidades específicas de seus membros. • mercado de swap;

8. Serviços para Negócios: Incluem linhas de crédito empresarial, serviços de • mercado a termo;
pagamento de salários, financiamento de capital de giro e outros serviços • mercado de opções;
voltados para pequenas e médias empresas.
• mercado futuro.
9. Produtos de Planejamento Financeiro: Algumas cooperativas oferecem
serviços de planejamento financeiro, como gestão de patrimônio e planeja-
Participantes (players)
mento de aposentadoria.

10. Tecnologia Bancária: Disponibilizam plataformas de internet banking e aplica- • Hedger: opera nesse mercado buscando proteção contra oscilações de preços
tivos móveis para gestão de contas e transações online. dos ativos.

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• Especulador: assume o risco da operação com o objetivo de auferir ganhos 4.58. Mercado de Swap
com a oscilação dos preços.
Podemos traduzir "swap" como "troca", isso ajuda muito a entender o conceito,
• Arbitrador: obtém vantagens financeiras em função de distorções nos preços pois o mercado de swap consiste em operações que envolvem a troca de index-
do ativo nos diferentes mercados. adores
O mercado de swap consiste em operações que envolvem a troca de indexadores.
Agora que já temos uma introdução sobre os contratos, tipos de derivativos e os O hedger (que busca a proteção) possui um ativo financeiro e gostaria de proteger
players desse mercado, deixa eu trazer um exemplo tangível para ajudar na sua esse ativo de eventuais mudanças no preço que vão contra seu objetivo.
compreensão.
Essa troca de indexadores pode ser feita por indexadores de taxa juros, moedas
Imagine que você seja um produtor de milho e vai começar uma plantação hoje. A ou índice de preços.
colheita do milho se dá entre 90 e 100 dias. Entre seus custos você tem sementes,
Imagine que seu cliente tenha um CDB pré-emitido pelo seu banco, mas esse
insumos, arrendamento da terra, funcionários, colheita, armazenagem e trans-
cliente, por manter relações comerciais em dólar, precisa se proteger da variação
porte para a trading que vai exportar seu milho. Este custo total é de R$ 40,00 por
cambial. Como alternativa, esse cliente contrata um swap, trocando assim a re-
saca de milho, assim, para que você tenha lucro, é necessário que venda o milho
muneração prefixada pela variação do dólar.
por R$ 50,00 a saca.
Perceba nesse exemplo que o seu cliente possui um ativo (CDB-pré) com rentabil-
Acontece que, assim como você, existem milhares de outros produtores mundo
idade prefixada, mas passa a receber como rentabilidade a variação cambial.
afora com o mesmo objetivo. Se por qualquer razão tivermos uma supersafra de
milho, o preço da saca pode cair, você terá que vender por R$ 30,00 a saca e amar- Neste caso, seu banco vai usar como valor base da operação o valor total do CDB,
gar um prejuízo de R$ 10,00 por saca. deixando seu cliente passivo na taxa prefixada e ativo na variação cambial. Em
outras palavras, o investidor deixa de receber (passivo) a taxa prefixado e passa a
Agora, você que está aprendendo tudo sobre o mercado, tem a dizer o que pode
receber (ativo) a variação cambial do período.
ser feito?
O swap é um tipo de contrato de derivativos que precisa ser registrado na clearing
Nesse caso, você pode vender um contrato futuro de milho na B3. Assim, você
da B3 e sempre terá como contraparte uma instituição financeira. Ou seja, não dá
trava o preço de R$ 50,00 hoje e, aconteça o que acontecer no mercado, você vai
pra negociar um swap com outro investidor.
ter resultado financeiro de R$ 50,00 por saca.
Algumas características desse mercado.
O que temos aqui? Um contrato de derivativo agrícola onde você fez um hedge
(proteção) da sua posição de milho.
Agora troque a produção de milho por uma dívida em dólar. Nesse caso, como • Valor base: é o valor do contrato de swap que pode ser o valor de um ativo
você precisa pagar algo em dólar no futuro, você deve comprar um contrato futuro ou um valor acordado entre as partes.
de dólar. • Ponta passiva: é o indexador que o investidor deixa de receber após a con-
Ou podemos trocar a dívida em dólar por ações da Petrobras, que estão com tratação do swap.
tendência de queda no preço. Nesse caso, você pode comprar uma opção de
venda das ações para garantir seu lucro. • Ponta ativa: é o indexador que o investidor recebe após a contratação do
swap.
O que eu quero deixar com esses exemplos é que, de modo geral, os derivativos
são usados para se proteger contra a queda ou alta de preços dos ativos. Agora • Ajuste positivo: é o valor que o investidor recebe em conta caso sua ponta
estamos prontos para, de fato, entender cada um dos contratos ativa renda mais que a ponta passiva.

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• Ajuste negativo: é o valor que o investidor paga para a contraparte caso sua
ponta passiva renda mais do a ponta ativa.

• Tributação: o IR no mercado de swap é retido na fonte pela contraparte e


será pago segundo a Tabela Regressiva de IR, tendo como base de cálculo o
valor do ajuste positivo (se houver).

• Compensação de perdas: caso o investidor tenha prejuízo, este não poderá


ser compensado no futuro.

• Swap de fluxo de caixa: modalidade de swap que os ajustes são feitos pe-
riodicamente.

• Swap com pagamento final: também chamado no mercado de swap bul-


let, essa modalidade faz o acerto dos ajustes somente no vencimento do
swap. Talvez você tenha notado que, independente dos cenários, o resultado final da
operação foi o mesmo. Se a taxa de juros de mercado cai para 5%, o ajuste pos-
• Risco de Crédito: risco que uma das contrapartes não honre com os paga- itivo do swap leva o resultado final para os 7% contratado no swap. Se a taxa de
mentos nas datas acordadas. Os bancos estabelecem limites pré-definidos juros de mercado sobe para 10%, o ajuste negativo leva o rendimento para os 7%
por contraparte de acordo com as características do contrato e da própria contratado.
contraparte. Algumas vezes, são solicitadas margens antecipadas ou even-
Em resumo: independente de quanto feche a taxa de juros de mercado, a escola
tuais (ex: se durante a vida do contrato a "exposição" ultrapassar um limite
vai receber os 7% contratados.
previamente estabelecido).
Uma observação a esse exemplo é que aqui temos o resultado bruto. Agora vamos
• Risco de Mercado: ao longo da vida do "contrato", os preços dos ativos e/ou evoluir essa aplicação colocando o IR no cálculo.
passivos subjacentes flutuam de forma que os "payoffs" de cada uma das
partes envolvidas é incerto. Exemplo: para um swap dólar X real, basica-
mente os riscos de mercado são o dólar, Taxa Prefixada e Cupom Cambial.

Agora que já vimos as características desse tipo de contrato, vamos ver um exem-
plo prático de como pode (e deve) ser utilizado um swap.
Imagine que a TopInvest tenha R$ 1.000.000,00 aplicados em um CDB que rende
100% do DI. Primeiro que isso seria uma boa ideia, partindo do princípio que tenho
parte nessa empresa. Mas agora pense que a taxa de juros esteja com forte tendên-
cia de queda e por isso, o rendimento desse CDB vai acompanhar essa queda.
Para proteger essa posição, a diretora financeira aqui da escola vai até o banco e
faz um swap de DI x Pré a uma taxa de 7% a.a., pelo período de 360 dias.
Agora vamos prever, na imagem abaixo, dois cenários possíveis para a taxa de
juros.

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Na figura acima eu trouxe o IR de 20porque no exemplo o prazo do swap era de 360 • Opção Europeia: opção que pode ser liquidada apenas na data de venci-
dias. Se você reparou bem, na coluna com cenário de alta eu não coloquei nada. mento do contrato de opções.
E a razão é simples. O swap, nesse caso, não será tributado, mas o rendimento
da ponta passiva sim. E como eu não sei exatamente a quanto temos o CDB, não
tem como saber qual o IR devido.
Ponto importante: o ativo subjacente terá seu IR conforme o prazo do ativo e o • Strike: preço de exercício da opção.
swap terá seu IR conforme o prazo do swap, que não necessariamente será igual.

• In the Money: situação onde exercer uma opção representa lucro para seu
4.58. Mercado de Opções titular.

É um contrato que dá a seu detentor ou comprador o direito, mas não o dever,


de comprar, se for uma opção de compra, ou vender, se for uma opção de venda,
determinado ativo objeto, pelo preço de exercício. • Out the Money: situação onde exercer uma opção representa prejuízo do seu
titular.
O lançador da opção (ou vendedor) tem a obrigação de vender, no caso de uma
opção de compra, no caso de opção de venda, o ativo objeto do contrato pelo
preço de exercício se solicitado pelo titular da opção.
• At the Money: situação onde exercer uma opção não representa lucro nem
Vamos entender, primeiro, alguns termos do mercado de opções. prejuízo.

• Ativo objeto: ativo que dá origem à negociação de opção.

• Call: opção de compra. Agora que vimos todos os termos desse mercado, vamos "montar"uma operação
com opções para facilitar seu aprendizado.
• Put: opção de venda.
Imagine que seu cliente tenha em sua carteira ações da TopInvest que foram com-
• Lançador: player que vende a opção no Mercado Financeiro. pradas por R$ 20,00. Ele gostaria de "travar" o preço de sua ação a R$ 21,00 para
que ele não perca em caso de desvalorização do papel. O que esse cliente precisa
• Titular de opção: player que compra a opção no mercado, portanto, tem o fazer?
direito de exercer a operação.
Comprar uma call? Uma put? Pagar ou receber o prêmio?

• Prêmio: preço de negociação, por ação objeto, de uma opção de compra ou Esse cliente quer ter a opção de vender sua ação da Top a R$ 21,00 daqui três
venda pago pelo comprador de uma opção. meses. Se ele quer vender, então ele deve comprar uma put (opção de venda)
que lhe conferirá o direito de vender essa ação a R$ 21,00.
• Exercício de opções: operação pela qual o titular de uma operação exerce Por essa opção, ele pagará um prêmio, que é considerado a perda máxima nesse
seu direito de comprar o lote de ações objeto, ao preço de exercício. mercado.
• Opção Americana: opção que pode ser liquidada durante a vigência do con- Vamos assumir que o prêmio pago por essa opção seja de R$ 1,00. Assim, teremos,
trato, a qualquer momento. no quadro abaixo o resultado da operação, conforme os cenários.

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Na segunda linha, as ações da empresa desvalorizam e chegaram ao mercado
com preço de R$ 1,00. Pergunto, você venderia por R$ 21,00 algo que vale R$ 1,00?
Creio que sim, certo?
Assim você teria de lucro R$ 19,00. (o valor da venda menos o valor pago como
prêmio).
Se seguirmos essa análise, linha após linha, vamos notar que sempre que o preço
do ativo objeto no mercado estiver cotado a um preço abaixo do strike, será van-
tajoso para o titular exercer a opção. Quando o preço estiver acima do preço de
exercício, não será vantajoso exercer a opção e o investidor terá um prejuízo de R$
1,00 (o valor pago pelo prêmio).
Uma observação importante se faz necessário na linha 5. Nesse ponto, o ativo
estava custando R$ 21,00 no mercado. Se o investidor exercer ou não exercer, terá
prejuízo de R$ 1,00.

Em resumo: o investidor que compra uma opção de venda está apostando


Antes explicar o cenário, vamos entender cada uma das colunas. na queda do preço do ativo.

• Coluna a: indica o preço de exercício da opção de venda. Agora imaginemos que você, de olho na valorização eminente das ações da Top-
Invest, queira comprar opções para ter um lucro com a compra. Nesse caso, você
• Coluna b: indica o valor que pago de prêmio pelo titular da opção. compraria uma call (opção de compra). Assim, teremos o quadro abaixo com os
seguintes cenários.
• Coluna c: indica o preço que o ativo objeto está sendo cotado no mercado
à vista no dia do vencimento da opção.

• Coluna d: indica se o titular vai exercer ou não a opção com base no valor de
negociação.

• Coluna e: indica o resultado financeiro que o titular terá a depender do preço


de mercado.

Agora vamos entender esse quadro. O investidor que comprou essa opção pagou
R$ 1,00 para ter o direito (opção) de vendar a ação da Top por R$ 21,00, indepen-
dente do preço de mercado.
Na primeira linha, as ações da empresa desvalorizam e chegaram ao mercado
com preço zero. Pergunto, você venderia por R$ 21,00 algo que vale nada? Creio
que sim, certo? Assim você teria de lucro R$ 20,00 (o valor da venda menos o valor
pago como prêmio).

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Se você comparar as duas tabelas, vai notar que, quando o preço da ação cai no • Vendedor: compromisso de entregar o bem negociado na data prevista e
mercado, não vale comprar por R$ 21,00 algo que vale mais do que isso. com o preço previamente acordado.
Vamos analisar a linha 3. Você compraria por R$ 21,00 algo que vale, no mercado,
R$ 15,00? Provavelmente não, né? Assim você ficaria com o prejuízo de R$ 1,00, • Comprador: pagamento do preço previamente acordado.
que é o valor que você pagou de prêmio.
• Prazo: não existe regra para prazo e preço do contrato, embora não seja co-
Agora se analisarmos a linha 8, temos o seguinte: você compraria por R$ 21,00 mum operações com prazo superior a 999 dias.
algo que vale R$ 30,00 no mercado? Provavelmente sim. Nesse caso, seu lucro
seria de R$ 8,00. • • Margem de garantia: é um valor exigido para garantir a operação. É uti-
Alguns pontos importantes sobre o mercado de opções: lizada caso haja prejuízos, dada pelo comprador ou vendedor e ajustada de-
pendendo do valor negociado. Pode ser ativos ou em moeda.

• o titular de uma opção tem, como perda máxima da operação, o prêmio que – – Cobertura (vendedor): depósito em ativos-objeto (ações);
ele pagou pela opção;
– – Margem (comprador): depósito em R$, títulos públicos, ações, ouro e
outros.
• o lançador de uma opção tem, como lucro máximo da operação, o prêmio
que ele recebeu pela opção; • Liquidação antecipada: o contrato pode ser liquidado antecipadamente por
decisão do comprador.
• o titular pagou o prêmio, por isso, tem o direito de exercer a opção.
• Formas de negociação: negociado no mercado de balcão e registrado na
• o lançador recebeu o prêmio, por isso, tem obrigação de comprar ou vender,
clearing da B3.
se for exercido;
• Liquidação: a liquidação desses contratos pode ser física ou por diferença fi-
• havendo lucro na operação, será cobrado IR. Alíquota de 15% para operações
nanceira. Os contratos que são liquidados por diferença financeira são chama-
normais e 20% para operações day trade. O pagamento é realizado por meio
dos no mercado de NDF (non deliverable forward).
de uma DARF.
• Alíquota de 15% de Imposto de Renda sobre o lucro da operação, em caso do
swing trade. O pagamento é realizado via DARF.
4.58. Mercado a Termo
• Em caso de prejuízo, as perdas podem ser compensadas com os ganhos
O que vimos até aqui sobre o mercado de opções é que o titular tem a opção de líquidos auferidos em outras operações futuras, menos em operações de day
exercer ou não o contrato. No mercado a termo, temos muitas semelhanças ao trade.
mercado de opção.
• Operações a termo podem alavancar muito a posição do investidor, devido
No entanto, as partes são obrigadas a exercer o que foi acordado no início. Ou seja,
a isso a B3 exige uma margem de garantia ou garantia para diminuir o risco
exercer o contrato não é uma opção, mas uma obrigação.
de contraparte.
Por exemplo, a contratação de compra/venda de ações da TopInvest para ser en-
tregue em 30 dias pelo valor de R$ 20,00.
Os contratos liquidados por diferença financeira são chamados no mercado de
Vamos citar aqui algumas características importantes do mercado a termo. NDF (non deliverable orward).

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Pense nas ações da empresa que você mais gosta. Imagine que eu venda a você e transporte para a trading que vai exportar seu milho. Esse custo total é de R$
um lote destas ações para entregar em 90 dias pelo preço de R$ 20,00. 40,00 por saca de milho, assim, para que você tenha lucro é necessário que venda
o milho por R$ 50,00 a saca
Nesse caso, daqui 90 dias, independentemente do preço, a ação está cotada no
mercado: eu vendo por R$ 20,00 e você compra por R$ 20,00. Neste caso, você pode vender um contrato futuro de milho na B3. Assim, você
trava o preço de R$ 50,00 hoje e, aconteça o que acontecer no mercado, você vai
ter resultado financeiro de R$ 50,00 por saca.
4.58. Mercado Futuro
Se ao final do contrato, o milho estiver cotado a R$ 70,00, você terá pago, via ajuste
Por último, e não menos importante, temos o mercado futuro. Esse tipo de nego- diário, R$ 20,00. Assim você garante que vende por R$ 50,00. Nesse caso você vai
ciação é um misto dos demais contratos. vender por R$ 70,00, mas como pagou R$ 20,00 no ajuste, bateu R$ 50,00.

Se você entendeu bem como funcionam os demais derivativos, vai ficar fácil en- Se ao final do contrato o milho estiver cotado a R$ 30,00, você terá recebido, via
tender como funciona o mercado futuro. A premissa é a mesma, negociar no ajuste diário, R$ 20,00. Assim, garante o preço de R$ 50,00. Neste caso você vende
presente a venda ou compra de um ativo que será entregue no futuro pelo preço por R$ 30,00, mas como recebeu R$ 20,00 no ajuste, bateu R$ 50,00.
combinado hoje. Ainda nesse mercado temos a presença de mais um player: o arbitrador. Este tipo
Algumas características do mercado futuro. de investidor é aquele que busca ganhar dinheiro com a distorção de preços entre
os contratos (da mesma ou de outra praça).
• Contratos padronizados: nesse tipo de operação a negociação é padronizada Por exemplo, um investidor nota que o contrato de milho está sendo negociado
para todos os clientes, ou seja, taxa, prazo e preço são iguais para todos os na CBoT (bolsa de Chicago) a U$ 10,00. Esse mesmo investidor percebe que o
clientes. O contrato é listado na B3. preço desse contrato aqui na B3 está cotado a R$ 50,00. Esse investidor, então,
compra contratos na CBoT e vende na B3, buscando auferir lucro com a diferença
• Margem de Garantia: o investidor que entra nesse mercado precisa alocar, dos ajustes diários.
como garantia, um valor junto a B3, que servirá como garantia da operação.
Quando o contrato é liquidado a B3 devolve a margem de garantia. Esse player tem uma importância fundamental nesse mercado. Faz sentido que
milho é uma commodity e por isso, seu preço é o mesmo aqui ou em qualquer
• Liquidação antecipada: não existe a possibilidade de liquidação antecipada lugar do mundo? Se existe essa diferença muito grande de preços significa que o
deste contrato, no entanto, o investidor pode inverter sua operação anulando mercado está com preço distorcido.
sua exposição ao contrato.
Quando esse player cria uma pressão compradora dos contratos em Chicago, o
• Ajuste diário:a cotação dos ativos subjacentes e dos contratos são atual- preço de lá tende a subir, ao passo que, quando entra vendido aqui na B3, os
izadas diariamente e pode haver um ajuste negativo ou positivo na conta preços desse contrato tendem a cair. Assim, chegamos, em determinado mo-
das contrapartes. mento, ao equilíbrio de preço entre as praças.

• Risco de contraparte: a B3, ao recolher a margem de garantia dos investi-


dores, assume para si o risco de contraparte da operação. 4.58. Estratégias de proteção, alavancagem e posicionamento

A premissa aqui é a que expliquei no começo do tema derivativos. No mercado de capitais, existem formas de você defender seu capital, caso algum
imprevisto possa acontecer na economia ou dentro do setor do qual você está
Imagine que você seja um produtor de milho e vai começar uma plantação hoje.
investindo.
A colheita do milho se dá entre 90 e 100 dias. Entre seus custos você tem se-
mentes, insumos, arrendamento da terra, funcionários, colheita, armazenagem As estratégias podem ser de proteção deste capital, de alavancar seu capital ou

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de posicionamento. Vamos falar um pouco sobre cada uma delas. 4.59. Certificado de Operações Estruturadas (COE)
Estratégias de proteção: quem deseja proteção dentro dos derivativos é chamado
de hedger. Eles buscam diminuir seus riscos por ser um importador, exportador, Como o próprio nome sugere, é um instrumento que permite o investidor comum
tomador de empréstimos ou aplicador. possa investir, com poucos recursos, em operações estruturadas e com as mais
Quais são os riscos provenientes: diversas estratégias.
É um instrumento inovador e flexível, que mescla elementos de renda fixa e renda
• variação de valor de ativo/passivo; variável. Traz ainda o diferencial de ser estruturado com base em cenários de gan-
hos e perdas selecionadas de acordo com o perfil de cada investidor. É a ver-
• fluxo futuro, de pagamentos/recebimentos operacionais e financeiros e de são brasileira das Notas Estruturadas, muito populares na Europa e nos Estados
valor de investimento no exterior. Unidos.
Basicamente o banco que distribui o COE pode alocar o recurso do investidor em
Exemplos de hedgear (proteger) usando derivativos: operações bem personalizadas. Quer um exemplo?

• produtor rural vai vender boi em 60 dias e gostaria de se proteger contra a Um COE pode, por exemplo, comprar ações do Facebook, Netflix, título público
queda do preço; emitido pelo governo da Austrália e apostar na queda das ações, de forma que,
quanto maior for a queda das ações, maior será o lucro do investidor. Louco, né?
• um banco tem passivos a serem pagos daqui em três anos em dólar, mas Pois é, o COE permite usar e abusar da criatividade do gestor do recurso.
possui capital em reais. A expectativa do mercado é que haja desvalorização
Somente bancos de investimentos podem oferecer COE ao mercado. No entanto,
do real, logo o banco procura se proteger do risco cambial.
é comum encontrar esses produtos sendo distribuídos por DTVM e CTVM. Ou seja,
o produto é do banco, mas quem vende é a corretora.
Estratégias de alavancagem: dita também como especulação, esta estratégia
O COE terá, por definição, data de vencimento, datas de observação e rentabili-
busca lucrar assumindo riscos que o mercado apresenta.
dade previamente acordada.
Exemplos de alavancagem usando derivativos:
Vamos desenhar um COE aqui para você entender o mecanismo?

• compra/venda futura de ativos; Nosso COE vai comprar índice Nasdaq, peso chileno e ações do Google. O venci-
mento desse nosso COE será daqui dois anos e teremos datas de observação a
• venda de opções, etc. cada seis meses, com as regras abaixo.

Estratégias de posicionamento: também conhecido como arbitragem, tem o


• Observação 1 (seis meses): se todos os ativos valorizarem, na média, 10%, pag-
intuito de obter lucro a partir das distorções de preços que os ativos sofrem. É
amos os 10% para o investidor e liquidamos o COE. Se a valorização média dos
montado uma posição, utilizando dois ou mais instrumentos para obter lucro sem
ativos for inferior a 10%, não pagamos os investidores e continuamos com o
risco.
COE.
Exemplos de alavancagem usando derivativos:
• Observação 2 (doze meses): se todos ativos valorizarem, na média, 15pag-
• venda de contrato futuro que está caro e a compra do ativo à vista; amos os 15% para os investidores e liquidamos o COE. Se a valorização média
dos ativos for inferior a 15%, não pagamos os investidores e continuamos com
• compra de contrato futuro barato e vendendo ativo à vista mais caro. o COE.

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• Observação 3 (dezoito meses): se todos os ativos valorizarem, na média, 20pag- • aviso que o recebimento dos montantes devidos ao investidor está sujeito ao
amos os 20% para os investidores e liquidamos o COE. Se a valorização média risco de crédito do emissor do certificado;
for inferior a 20%, não pagamos os investidores e continuamos com o COE.
• investimento inicial mínimo ou valor nominal, se houver;
• Observação 4 (vinte e quatro meses): esta observação vai acontecer no venci-
mento e, portanto, não há o que observar, pois o COE vai liquidar indepen- • condições de pagamentos periódicos dos rendimentos, quando houver;
dente do resultado. Assim, se os ativos renderem, na média 25%, pagamos
• a data de vencimento ou o prazo da operação;
os investidores 25% e liquidamos o COE. Se os ativos renderem, na média,
menos que 25%, pagamos aos investidores 10%. • a parcela do valor do investimento protegida, acompanhada de aviso sobre
a necessidade da imobilização do capital por determinado período a fim de
existir esta proteção de fato, quando for o caso;
4.59. Tributação
• os ativos subjacentes utilizados como referenciais e informações sobre os
O COE é um instrumento tributado de acordo com a Tabela Regressiva de IR, in- meios de obtenção dos valores dos índices, taxas ou cotações destes por
dependente do que exista dentro do COE. parte dos investidores;
É comum surgirem perguntas como "mas Kléber, se o COE comprar somente • aviso que não se trata de investimento direto no ativo subjacente;
ações, qual será o IR?".
• dados completos sobre todos os cenários possíveis de desempenho do COE
A resposta é: o IR do COE terá sempre seu valor conforme a Tabela Regressiva de em resposta às alternativas de comportamento dos ativos subjacentes, in-
IR da renda fixa. Independente do que o COE compre, esse produto tem prazo e cluindo aviso de que tais resultados são válidos no vencimento;
taxa previamente conhecido.
• a especificação dos direitos e das obrigações do titular e do emissor, respec-
tivamente, que possam influenciar as condições de remuneração;
4.59. Documentação
• condições de recompra ou resgate antes do vencimento pactuado;
O COE, para ser distribuído, precisa de um documento chamado DIE (Documento
• aviso sobre as condições de entrega física de ativo subjacente, quando for o
de Informações Essenciais). Como o nome sugere, é um documento que contém
caso;
todas as informações necessárias para subsidiar a decisão do investidor.
• aviso sobre as condições que impliquem na extinção dos certificados antes
do vencimento pactuado, quando for o caso;
4.59. O DIE deve conter
• aviso sobre as condições de liquidez do investimento, incluindo informações
• informações verdadeiras, completas, consistentes e que não induzam o in- sobre a admissão à negociação do COE em mercado secundário e sobre o
vestidor ao erro; formador de mercado, se houverem;

• escrita em linguagem simples, clara, objetiva, concisa e adequada à sua na- • indicação e uma breve descrição dos principais fatores de risco;
tureza e complexidade;
• aviso que o COE não é garantido pelo FGC;
• utilidade à avaliação de investimento no COE;
• indicação das entidades administradoras de mercado organizado que man-
• nome do emissor e seu CNPJ; têm sistemas de registro nos quais o COE será emitido;

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• advertência em destaque com a seguinte afirmação "A presente oferta foi 4.60. clearing houses
dispensada de registro pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A dis-
tribuição de Certificado de Operações Estruturadas (COE) não implica, por
parte dos órgãos reguladores, garantia de veracidade das informações prestadas, As clearing houses são responsáveis por trazer segurança ao sistema financeiro.
ou de adequação do certificado à legislação vigente ou de julgamento sobre Imagine as milhões de transações que circulam no mercado. Como podemos
a qualidade do emissor ou da instituição intermediária"; fazer o controle disso? Como temos a certeza que uma ação comprada por um
investidor foi mesmo colocada em nome desse investidor após a compra?
• informação sobre qualquer outro fator que possa afetar de forma significa-
Os títulos negociados hoje no sistema financeiro são somente escriturais, ou seja,
tiva as condições de contratação da operação;
não existem os títulos físicos, somente informação e dados nos sistemas.
• descrição da tributação aplicável; Em nosso mercado existem dois sistemas independentes responsáveis por cus-
todiar e liquidar as transações.
• orientação sobre como encaminhar uma reclamação ou esclarecer dúvidas
a respeito do COE; • SELIC: o Sistema Especial de Liquidação Custódia é responsável pela custó-
dia, isto é, a guarda e liquidação de Títulos Públicos Federais negociados no
• descrição da natureza e das características essenciais destacando se o COE mercado interbancário ou mercado de balcão.
é da modalidade "investimento com valor nominal protegido" ou "investi-
• Clearing B3: é responsável por custodiar e liquidar os ativos negociados no
mento com valor nominal em risco", bem como o detalhamento das partic-
ambiente da Bolsa de Valores,. Bem como o registro de títulos de renda fixa
ularidades inerentes à respectiva modalidade – sobretudo no tocante à pos-
e derivativos no mercado de balcão.
sibilidade da perda do capital investido.

4.61. SISTEMA DE PAGAMENTOS BRASILEIRO (SPB)


O último tópico da lista imensa acima trata sobre as modalidades do COE.
Além disso, um COE pode ser emitido nas modalidades abaixo. O SPB é o conjunto de entidades, sistemas e mecanismos relacionados com
o processamento e liquidação de operações de transferência de fundos, de
operações com moeda estrangeira ou com ativos financeiros e valores mobiliários.
• Valor Nominal Protegido: nessa modalidade, o investidor não corre risco de
perder todo ou parte do investimento. Na pior das hipóteses, o valor investido Desde 2002, quando houve uma grande reforma no SPB decorrente da edição da
é 100% resgatado ao final do COE (sem qualquer correção). Lei 10.214/2001 — conhecida como "Lei do SPB", que estabeleceu o fundamento
legal e regulatório das câmaras de compensação e liquidação—, proporcionou-se
• Valor Nominal em Risco: nessa modalidade, o investidor corre risco de perder a interligação dos sistemas dos participantes do mercado, que também partici-
tudo ou parte do que investiu. Se a estratégia de investimento não for vence- param ativamente dessa reformulação.
dora, o investidor pode ter algum prejuízo ao final do COE. Isso de modo que pessoas físicas, empresas, governos e instituições financeiras
passaram a poder realizar transferências de dinheiro para pagamentos, cobertura
de saldos, aplicações e outras finalidades com muito mais segurança e rapidez.
A pergunta que fica então é: por que eu iria investir em um COE que tem risco
de perda se posso investir em um COE com capital protegido? A resposta para Hoje o SPB é integrado por serviços de:
essa pergunta é simples: quanto maior for o risco do investimento, maior será o
retorno esperado. • compensação de cheques;

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• compensação e liquidação de ordens eletrônicas de débito e de crédito; A oferta de ações é feita no mercado primário através do banco líder e os custo-
diantes (corretoras). A reserva não caracteriza a liquidação (compra efetiva das
• transferência de fundos e de outros a vos financeiros; ações), mas a intenção de compra.
• compensação e liquidação de operações com títulos e valores mobiliários; Ao enviar a sua reserva, o investidor pode fazer a ordem de duas formas.
• compensação e liquidação de operações realizadas em bolsas de mercado-
rias e de futuros e outras entidades. • Ordem a Mercado: sem preço estabelecido, o investidor aceita comprar as
ações pelo preço que estiverem sendo negociadas no mercado.
Além disso, ele se caracteriza atualmente pela base legal sólida e abrangente, pelo
uso obrigatório de contrapartes centrais para a liquidação de obrigações, pela • Ordem Limitada: o investidor limita a sua compra a um determinado valor,
certeza da liquidação dada pela contraparte central com base em mecanismos ficando de fora da operação caso este seja superior ao limite estabelecido.
de gerenciamento de riscos e salvaguardas, bem como pela irrevogabilidade e
finalidade das liquidações. – se o preço for igual ou inferior ao preço limite, a corretora autoriza a com-
pra das ações;
– se o preço for superior, a ordem não é executada e não é adquirida nen-
4.62. INITIAL PUBLIC OFFERING (IPO) huma ação.

Traduzindo, significa "oferta pública inicial". É a primeira vez que uma empresa
ofertará parte de sua companhia para novos sócios, ofertando suas ações para o Quando um IPO é anunciado, as instituições coordenadoras da oferta pública di-
mercado, ou seja, é o processo de abertura de capital de uma empresa. Assim, vulgam um calendário com as datas e os prazos para o cumprimento de proced-
esta empresa se torna uma companhia de capital aberto com papéis negociados imentos regulatórios e de mercado.
ou negociáveis no pregão da Bolsa de Valores. O investidor interessado em investir na empresa que fará o IPO, tem o período de
reserva para manifestar seu desejo de adquirir as ações. Deverá ser informado o
número de ações que o investidor quer comprar ou o montante em reais que o
O IPO normalmente é feito por empresas que já estão em um estágio de maturi- investidor está disposto a investir.
dade estabelecido de seus negócios.
Como é dada a avaliação do sucesso de um IPO? São pelos seguintes dados:

Veja abaixo alguns objetivos de realizar uma IPO ou oferecer ações no mercado • o volume de capital levantado pela companhia na aquisição das ações pelos
primário. investidores;

• Acesso ao capital: a empresa adquire recursos, tendo um custo menor do • o preço que a ação está sendo cotada;
obtido em financiamentos bancários ou outro tipo de crédito.
• o tamanho da demanda total verificada pelos coordenadores da oferta.
• Liquidez: a empresa possibilita dar maior liquidez para os empreendedores
e sócios.
Se houver um excesso de demanda pelo IPO, os investidores interessados não
• Questão de imagem: empresas que vão ofertar suas ações precisam ap- receberão o volume ou valor em reais indicado no período de reserva. Haverá um
resentar um nível de transparência de suas operações e resultados, dando rateio sobre o volume ofertado de ações, permitindo que cada investidor tenha
maior credibilidade e maior projeção, e reconhecimento do público. posse proporcional ao desejado.

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4.63. Modalidades de OPA será necessário estruturar o processo de underwriting.


Vamos usar como exemplo a padaria do Sr. Manoel aí do seu bairro. Imagine
I. OPA para cancelamento de registro: é a OPA obrigatória, realizada como que a padaria esteja tão grande que o Sr. Manoel resolva captar outros sócios no
condição do cancelamento do registro para negociação de ações nos mercados mercado, e, para isso, o sr. Manoel precisa vender ações da padaria na bolsa de
regulamentados de valores mobiliários. valores.

II. OPA por aumento de participação: é a OPA obrigatória, realizada em conse- O primeiro passo para um processo de underwriting é contratar uma instituição
quência de aumento da participação do acionista controlador no capital social de financeira que será a instituição líder. Bem, se temos um banco líder, por dedução,
companhia aberta. podemos concluir que existe mais de uma instituição no processo de subscrição.
Eis aqui a lista de empresas que fazem parte do processo de subscrição:
III. OPA por alienação de controle: é a OPA obrigatória, realizada como condição
da eficácia do negócio jurídico de alienação de controle de companhia aberta.
• ofertante;
IV. OPA voluntária: é a OPA que visa a aquisição de ações de emissão de com-
panhia aberta, que não deva realizar-se segundo os procedimentos específicos • banco coordenador/banco líder;
estabelecidos nos tipos de OPA citados anteriormente.
• banco liquidante;
As ofertas podem ser primárias ou secundárias.
caixa da empresa, as ofertas são chamadas de primárias. Por outro lado, quando • escriturador;
não envolvem a emissão de novos títulos, caracterizando apenas a venda de ações
• central depositária;
já existentes, em geral dos sócios que querem desinvestir ou reduzir a sua partic-
ipação no negócio e os recursos vão para os vendedores e não para o caixa da • custodiante;
empresa, a oferta é conhecida como secundária (block trade).
• market maker;
Importante: não confunda oferta secundária com mercado secundário.
• agente fiduciário;
Além disso, quando a empresa está realizando sua primeira oferta pública, ou seja, • agência de rating.
quando está abrindo seu capital, a oferta recebe o nome de oferta pública inicial
ou IPO (do inglês, initial public offer).
Agora que conhecemos todos os participantes do processo de subscrição, vamos
Quando a empresa já tem o capital aberto e já realizou sua primeira oferta, as entender o papel de cada um.
emissões seguintes são conhecidas como ofertas subsequentes ou, no termo em
inglês, follow on. O primeiro, que aposto que você já ouviu falar, é o ofertante. Ele é a empresa que
quer ofertar seus títulos no mercado.
Um ponto importante: apesar de eu ter trazido o tema de underwriting aqui no
4.64. Underwriting tema de ações, vale reforçar que este processo não acontece somente com ações,
mas com toda oferta de títulos e valores mobiliários no mercado. Então, aqui no
Underwriting (além de ser uma palavra chique em inglês) é o processo de sub- nosso exemplo, a padaria do Sr. Manoel será a ofertante.
scrição feito pelas companhias que vão colocar valores mobiliários no mercado.
Ao banco coordenador, também chamado de líder da distribuição, cabem as
Ou seja, sempre que uma empresa quer captar recursos no mercado financeiro, seguintes obrigações:

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• avaliar, em conjunto com o ofertante, a viabilidade da distribuição, suas condições • Garantia Firme: o agente underwriter, garante à padaria que consegue vender
e o tipo de contrato de distribuição a ser celebrado; todas as ações ofertadas, ou seja venda de 100% das ações. Caso não consiga
vender, o próprio banco ou fundo de investimento que é administrado por
• solicitar, com o ofertante, o registro de distribuição devidamente instruído, ela comprará as ações que sobraram. Ou seja, o banco assume o risco. É
assessorando-o em todas as etapas da distribuição; claro que para ser garantido essa venda de 100% das ações, o custo do con-
• formar o consórcio de distribuição, se for o caso; trato será alto.

• informar a CVM, até a obtenção do registro, os participantes do consórcio,


discriminando por tipo, espécie e classe a quantidade de valores mobiliários • Melhores esforços: o agente underwriter vai oferecer no mercado, prome-
inicialmente atribuída a cada um; tendo que dará o melhor esforço para que essas ações sejam vendidas, mas
não há garantia de venda dessas ações. As ações não vendidas ficarão em
• comunicar imediatamente a CVM qualquer eventual alteração no contrato posse da empresa ofertante, dessa forma, a padaria assume o risco. Aqui, o
de distribuição, ou sua rescisão; custo de serviço é mais baixo.
• remeter mensalmente a CVM, no prazo de 15 dias após o encerramento do
mês, a partir da divulgação do anúncio de início de distribuição, relatório in- • Stand-by: o agente underwriter vai oferecer no mercado. O que não vender
dicativo do movimento consolidado de distribuição de valores mobiliários; na primeira leva, ele segurará e fará uma segunda oferta no mercado para
tentar vender.
• participar ativamente, em conjunto com o ofertante, na elaboração do prospecto
e na verificação da consistência, qualidade e suficiência das informações dele
constantes, ficando responsável pelas informações prestadas no documento; Banco Liquidante é, como o nome sugere, a intuição que vai liquidar as vendas
dos valores mobiliários. Em outras palavras, é onde os custodiantes vão enviar o
• divulgar, quando exigido pela instrução CVM 400, os avisos nela previstos;
dinheiro dos investidores que comprarem as ações da empresa.
• acompanhar e controlar o plano de distribuição da oferta; O escriturador é a instituição responsável por abrir e manter, de forma eletrônica,
• controlar os boletins de subscrição ou os recibos de aquisição, devendo de- o livro de registro de ações escriturais. Hoje não temos mais a negociação física
volver ao ofertante os boletins ou os recibos não utilizados, se houver, no dos papéis, no entanto, toda negociação é escritural, em outras palavras, as infor-
prazo máximo de 30 dias após o encerramento da distribuição; mações dos titulares dos títulos estão devidamente registradas em um sistema
de informação e o escriturador é o responsável por manter esses registros.
• suspender a distribuição na ocorrência de qualquer fato ou irregularidade,
Essas instituições funcionam como um elo entre a companhia e os investidores
inclusive após a obtenção do registro, que venha a justificar a suspensão ou
(ou a central depositária), sendo responsável por controlar, em sistemas informa-
o cancelamento do registro;
tizados, o livro de acionistas, por registrar e tratar as ordens de movimentações
• comunicar imediatamente a ocorrência do ato ou irregularidade à CVM, que recebidas do titular, como a venda ou transferência das ações, e por providenciar
verificará se a ocorrência do fato ou da irregularidade são sanáveis; o tratamento dos eventos incidentes sobre as ações, como o recebimento de div-
idendos, bonificações, grupamentos e desdobramentos de ações.
• guardar, por cinco anos, à disposição da CVM, toda a documentação relativa
ao processo de registro de distribuição pública e de elaboração do prospecto. As instituições que realizam a escrituração de ações para um ofertante assumem
a obrigação, perante os investidores, de disponibilizar e enviar periodicamente in-
formações relativas a sua posição como acionista, como também sobre as movi-
Lembrando que o agente underwriter junto à ofertante tem que escolher qual
mentações ocorridas.
será o tipo de contrato de underwrite/subscrição por um determinado preço, que
podem ser de três tipos. São eles: O escriturador deve disponibilizar as seguintes informações aos acionistas:

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• mensalmente, quando houver movimentação, ou sempre que solicitado o É o custodiante que tem autorização para movimentar as ações dos seus clientes
extrato da conta com a posição acionária do investidor; na central depositária. Qualquer ordem de venda, transferência, depósito ou re-
tirada de ações da central depositária é realizada por intermédio do custodiante.
• anualmente, até o final do mês de fevereiro, o saldo existente ao final do ano Além disso, ele administra os eventos corporativos realizados na conta do investi-
anterior; dor na central depositária. Assim, quando uma companhia distribui dividendos, o
investidor irá recebê-los diretamente em sua conta no custodiante.
• sempre que solicitado, as informações relativas aos eventos acionários
Essas instituições também assumem obrigações relacionadas à divulgação de in-
formações e devem disponibilizar aos seus clientes, periodicamente ou quando
A central depositária é responsável por assumir, fiduciariamente, a titularidade
solicitado, a posição consolidada da sua conta de custódia e as movimentações e
dos ativos no livro de acionistas. Eu já falei em algum momento dessa apostila
eventos ocorridos.
que uma empresa tem milhões de acionistas, certo? Agora junte a isso o fato de
que todos os dias essas ações são negociadas aos montes na bolsa de valores, É também o custodiante que tem a responsabilidade de efetuar e manter o cadas-
mudando a todo instante de proprietário. Como ficaria o livro de acionistas com tro do investidor e providenciar as alterações solicitadas por seus clientes.
tantas mudanças? É aqui que entra a central de depositária.
É também o custodiante que tem a responsabilidade de efetuar e manter o cadas-
A central depositária assume a totalidade dos ativos negociados e, por sua vez, tro do investidor, providenciando as alterações solicitadas por seus clientes. O
registra em nome dos investidores. Esse tipo de registro, no entanto, assegura market maker, em tradução literal "formador de mercado", é uma pessoa jurídica,
que a central depositária não tem nenhum direito de propriedade sobre os ativos devidamente cadastrada na B3, que se compromete a manter ofertas de compra
mantidos sob sua guarda. e venda de forma regular e contínua durante a sessão de negociação, estimulando
a liquidez dos valores mobiliários, facilitando os negócios e mitigando movimen-
Ou seja, no livro de acionistas as ações em livre negociação no mercado ficam
tos artificiais nos preços dos produtos.
registradas em nome da central depositária e esta assume o controle individual
de cada acionista. Diariamente é feita a conciliação dos ativos registrados na pro- Cada formador de mercado pode se credenciar para atuar em mais de um ativo/derivativo,
priedade fiduciária da central depositária e dos ativos registrados no livro do es- podendo exercer sua atividade de forma autônoma ou contratado pelo emissor
criturador. dos valores mobiliários, por empresas controladoras, controladas ou coligadas do
emissor, ou por quaisquer detentores de valores mobiliários que possuam inter-
É também a central depositária que assume a responsabilidade pelo tratamento
esse em formar o mercado para papéis de sua titularidade.
dos eventos corporativos, recebendo os créditos do escriturador e repassando-os
aos investidores, além de tratar as bonificações, desdobramentos ou grupamen- Os formadores de mercado devem atuar diariamente respeitando os parâmet-
tos. ros de atuação (quantidade mínima, spread máximo e percentual de atuação na
sessão de negociação). No entanto, caso o mercado apresente comportamento
No Brasil, a única central depositária de ações é a central depositária da B3, que
atípico – oscilações fora dos padrões regulares decorrentes de algum fato econômico,
disponibiliza aos investidores o Canal Eletrônico do Investidor (CEI) para consultas
catastrófico ou até mesmo de algum fator positivo totalmente inesperado que al-
de informações relacionadas à sua conta
tere em demasia o preço do papel –, o formador de mercado poderá ter, com
O custodiante é a instituição responsável por, de fato, movimentar as ações dos consenso da B3, seus parâmetros alterados ou ser liberado de suas obrigações
clientes na central depositária. durante a sessão de negociação.
Embora a central depositária mantenha o controle individual das contas dos in- A B3, para incentivar a atividade de formador de mercado, poderá conceder van-
vestidores, a sua relação com eles é apenas indireta. Existe um terceiro partici- tagens de custo nas negociações realizadas pelo mesmo, por exemplo, isenção
pante que, na prática, é quem tem o relacionamento direto com os investidores e em emolumentos e taxas de negociação.
atua como uma espécie de agente, servindo de intermediário entre eles e a cen-
Em resumo, o market maker é a instituição que vai comprar e vender ativos para
tral depositária.

292 293
prover liquidez ao mercado. Se em determinado dia aparecerem muitos investi- • opinar sobre a suficiência das informações prestadas nas propostas de mod-
dores querendo comprar a ação daquela empresa, o market maker entra no mer- ificação das condições dos valores mobiliários;
cado vendendo sua posição. Ao contrário, se tem muita gente vendendo, o mar-
ket maker entra comprando. • verificar a regularidade da constituição das garantias reais, flutuantes e fide-
jussórias, bem como o valor dos bens dados em garantia, observando a manutenção
O agente fiduciário é uma instituição que está presente somente nas ofertas da sua suficiência e exequibilidade nos termos das disposições estabelecidas
públicas de ativos de renda fixa (debêntures, CRI e CRA). No tópico de debêntures na escritura de emissão, no termo de securitização de direitos creditórios ou
citei o papel do agente fiduciário, agora vamos citar em tópicos, o que deve ser no instrumento equivalente;
exercido pelo agente fiduciário
• examinar proposta de substituição de bens dados em garantia, manifestando
• exercer suas atividades com boa-fé, transparência e lealdade para com os sua opinião a respeito do assunto de forma justificada;
titulares dos valores mobiliários (parece óbvio, mas se a CVM quis deixar isso
claro, quem sou eu para contrariar, não é?); • intimar, conforme o caso, o emissor, o cedente, o garantidor ou o coobrigado
a reforçar a garantia dada, na hipótese de sua deterioração ou depreciação;
• proteger os direitos e interesses dos titulares dos valores mobiliários, empre-
gando no exercício da função o cuidado e a diligência que todo homem ativo • solicitar, quando julgar necessário para o fiel desempenho de suas funções,
e honesto costuma empregar na administração de seus próprios bens; certidões atualizadas dos distribuidores cíveis, das Varas de Fazenda Pública,
cartórios de protesto, das Varas do Trabalho, Procuradoria da Fazenda Pública,
• renunciar à função, na hipótese da superveniência de conflito de interesses da localidade onde se situe o bem dado em garantia ou o domicílio ou a sede
ou de qualquer outra modalidade de inaptidão e realizar a imediata convo- do devedor, do cedente, do garantidor ou do coobrigado, conforme o caso;
cação da assembleia para deliberar sobre sua substituição;
• solicitar, quando considerar necessário, auditoria externa do emissor ou do
• conservar em boa guarda toda documentação relativa ao exercício das suas patrimônio separado;
funções
• verificar, no momento de aceitar a função, a veracidade das informações rel- • examinar, enquanto puder ser exercido o direito à conversão de debêntures
ativas às garantias e a consistência das demais informações contidas na es- em ações, a alteração do estatuto do emissor que objetive mudar o objeto
critura de emissão, no termo de securitização de direitos creditórios ou no da companhia, criar ações preferenciais ou modificar as vantagens das exis-
instrumento equivalente, diligenciando no sentido de que sejam sanadas as tentes, em prejuízo das ações em que são conversíveis as debêntures, cumprindo-
omissões, falhas ou defeitos de que tenha conhecimento; lhe aprovar a alteração ou convocar assembleia especial dos debenturistas
para deliberar sobre a matéria;
• diligenciar junto ao emissor para que a escritura de emissão, o termo de se-
curitização de direitos creditórios ou o instrumento equivalente, e seus adi- • convocar, quando necessário, a assembleia dos titulares dos valores mobil-
tamentos, sejam registrados nos órgãos competentes, adotando, no caso da iários;
omissão do emissor, as medidas eventualmente previstas em lei;
• comparecer à assembleia dos titulares dos valores mobiliários a fim de prestar
• acompanhar a prestação das informações periódicas pelo emissor e alertar as informações que lhe forem solicitadas;
os titulares dos valores mobiliários, no relatório anual, sobre inconsistências
ou omissões de que tenha conhecimento; • manter atualizada a relação dos titulares dos valores mobiliários e de seus
endereços;
• acompanhar a atuação da companhia securitizadora na administração do
patrimônio separado por meio das informações divulgadas pela companhia • • coordenar o sorteio das debêntures a serem resgatadas, na forma prevista
sobre o assunto; na escritura de emissão;

294 295

• escritura de emissão; 4.65. Inclusão da Resolução CVM 160 no conteúdo cobrado


• fiscalizar o cumprimento das cláusulas constantes na escritura de emissão, Basicamente, a resolução 400 e 476 foram revogadas e viraram a nova Resolução
no termo de securitização de direitos creditórios ou no instrumento equiva- 160.
lente, especialmente daquelas impositivas de obrigações de fazer e de não
fazer; Ela fala basicamente sobre as ofertas públicas de distribuição primária ou secundária
de valores mobiliários e a negociação dos valores mobiliários ofertados nos mer-
cados regulamentados.
• comunicar aos titulares dos valores mobiliários qualquer inadimplemento,
pelo emissor, de obrigações financeiras assumidas na escritura de emissão, Para facilitar seus estudos, a seguir separamos os principais pontos da mudança.
no termo de securitização de direitos creditórios ou em instrumento equiv-
alente, incluindo as obrigações relativas a garantias e a cláusulas contratu-
ais destinadas a proteger o interesse dos titulares dos valores mobiliários e
4.66. Âmbito, Definições e Finalidade
estabelecem condições que não devem ser descumpridas pelo emissor, indi-
cando as consequências para os titulares dos valores mobiliários e as providên- Essa Resolução regula as ofertas públicas de distribuição de valores mobiliários,
cias que pretende tomar a respeito do assunto. à negociação dos valores mobiliários ofertados nos mercados regulamentados e
tem por fim assegurar a proteção dos interesses do público investidor em geral e
promover a eficiência e o desenvolvimento do mercado de valores mobiliários.
Em resumo, o agente fiduciário tem o papel de proteger os interesses dos investi- As informações da Resolução se aplicam a toda e qualquer oferta pública de dis-
dores. tribuição de valores mobiliários e de títulos e instrumentos financeiros cuja regu-
lamentação da distribuição pública seja atribuída por lei à CVM.
Já as agências de rating são empresas especializadas em classificar o risco do
emissor de um título de renda fixa. Exceto:
Se você fosse emprestar seu dinheiro para alguém que passa pela rua, iria querer
saber, no mínimo, a condição de pagamento desse sujeito, certo? Isso é mais ou • Quando a oferta dos valores mobiliários e dos referidos títulos e instrumen-
menos o que uma agência de rating faz no processo de análise de títulos de renda tos financeiros forem expressamente tratados em regulamentação especí-
fixa. fica diversa;
As agências criam "nota" de qualidade de crédito que são simbolizadas por letras • Iniciais e subsequentes de cotas de fundos de investimento fechados exclu-
que vão de AAA a D. Quanto mais "próximo" de AAA, maior é a capacidade de sivos, conforme definidos em regulamentação específica;
crédito da empresa emissora e portanto, menor será o rendimento que ele pagará
por seus títulos. • Subsequentes de cotas de fundos de investimento fechados destinada ex-
Hoje, mundialmente, nós trabalhamos com três agências de aating: a Moodys, a clusivamente a cotistas do próprio fundo nos casos de fundos ou classes de
Fitch e a Standard Poor's, essa que rankeia, através do rating, as empresas en- cotas com menos de 100 (cem) cotistas na data da oferta e cujas cotas não
quanto emissoras de títulos de renda fixa e também o risco dos países. estejam admitidas à negociação em mercado organizado

Agora que a gente conhece todos os players envolvidos no processo de subscrição • Decorrentes de plano de remuneração destinado aos administradores, fun-
de um ativo, é claro que, por estarem envolvidos em processos financeiros com cionários e pessoas naturais que prestem serviços ao emissor ou à empresa
seus clientes, a CVM criou normas de conduta que regulam as limitações dos coligada, controlada ou controladora do emissor e entidades sem fins lucra-
agentes. É sobre isso que vamos falar agora tivos por ele mantidas;

296 297
• De lote único e indivisível de valores mobiliários destinado a um único in- Procura de investidores
vestidor;
• A procura, no todo ou em parte, de investidores indeterminados para os val-
• De valores mobiliários oferecidos por ocasião de permuta no âmbito de oferta
ores mobiliários, por meio de quaisquer pessoas naturais ou jurídicas, inte-
pública de aquisição de ações (“OPA”), sem prejuízo das disposições de norma
grantes ou não do sistema de distribuição de valores mobiliários, atuando
específica sobre OPA, e desde que tais valores mobiliários estejam admitidos
em nome do emissor, do ofertante ou das instituições participantes do con-
à negociação em mercados organizados brasileiros;
sórcio de distribuição;
• Iniciais ou subsequentes de valores mobiliários emitidos e admitidos à ne-
gociação em mercados organizados de valores mobiliários estrangeiros, com Consulta sobre a viabilidade da oferta ou a coleta de intenções de investi-
liquidação no exterior em moeda estrangeira, quando adquiridos por investi- mento
dores profissionais residentes no Brasil por meio de conta no exterior, sendo
vedada a negociação desses ativos em mercados regulamentados de valores • A consulta sobre a viabilidade da oferta ou a coleta de intenções de investi-
mobiliários no Brasil após a sua aquisição; e mento junto a potenciais subscritores ou adquirentes indeterminados, ressal-
vada a hipótese.
• De ações de propriedade da União, Estados, Distrito Federal, municípios e
demais entidades da administração pública, que, cumulativamente:
Negociação destinada a subscritores ou adquirentes indeterminados
• Não objetiva colocação junto ao público em geral.
• A negociação feita em loja, escritório, estabelecimento aberto ao público,
• Seja realizada em leilão organizado por entidade administradora de mercado
página na rede mundial de computadores, rede social ou aplicativo, desti-
organizado, nos termos da legislação que estabelece normas gerais sobre
nada, no todo ou em parte, a subscritores ou adquirentes indeterminados;
licitações e contratos administrativos.
• A prática de quaisquer atos destacados acima, ainda que os destinatários
da comunicação sejam individualmente identificados, quando resultante de
4.67. Definição de atos de distribuição pública comunicação padronizada e massificada.

Configura oferta pública de distribuição o ato de comunicação vindo de um ofer-


tante, de um emissor, quando este não for o ofertante, ou ainda de quaisquer pes- 4.68. Consulta sigilosa a potenciais investidores profissionais.
soas naturais ou jurídicas, integrantes ou não do sistema de distribuição de valores
mobiliários, atuando em nome do emissor, do ofertante ou das instituições inter- É permitida, mesmo antes do protocolo do requerimento de registro da oferta
mediárias, disseminado por qualquer meio ou forma que permita o alcance de pública, a consulta sigilosa a potenciais investidores profissionais para apurar
diversos destinatários, e cujo conteúdo e contexto representem tentativa de des- a viabilidade ou o interesse em uma eventual oferta pública de distribuição.
pertar o interesse ou prospectar investidores para a realização de investimento
A consulta mencionada nas normas pode ser realizada:
em determinados valores mobiliários.
Sem prejuízo de outros atos que se enquadrem em tal definição. São exemplos – Pelos ofertantes;
que caracterizam uma oferta como pública: – Por instituições intermediárias agindo em nome de ofertante;
Material publicitário – Até o momento do protocolo, por pessoas contratadas pelos ofertantes e
que com estes estejam trabalhando ou os assessorando para a realização
• A utilização de material publicitário dirigido ao público investidor em geral. da consulta.

298 299

A consulta a potenciais investidores, incluindo os documentos e apre- ∗ De material publicitário;


sentações utilizados, não pode vincular as partes, sendo proibida a re- ∗ De apresentações para investidores, incluindo os documentos de su-
alização ou aceitação de ofertas, bem como o pagamento ou o recebi- porte a tais apresentações;
mento de quaisquer valores, bens ou direitos de parte a parte. ∗ De entrevistas na mídia.
Durante a consulta a potenciais investidores, as pessoas mencionadas
devem obter de seus interlocutores o compromisso de manter em sigilo Os remetentes das comunicações devem se identificar, incluindo infor-
as informações recebidas na consulta e a possibilidade de realização de mações pelas quais possam ser contatados, bem como explicitar a sua
oferta pública de distribuição de valores mobiliários até a divulgação do ligação com o ofertante e com a instituição participante do consórcio de
aviso ao mercado ou do anúncio de início de distribuição. distribuição e o fato de que está participando, ou espera participar, do
esforço de venda da oferta pública de distribuição do valor mobiliário.
As pessoas quando mencionadas, como vimos anteriormente, devem
manter à disposição da CVM: As comunicações permitidas conforme as normas devem:
∗ Ser consistentes com o conteúdo do prospecto e das informações
∗ Lista com informações que possibilitem a identificação das pessoas
periódicas do emissor requeridas pela legislação e regulamentação
consultadas, bem como a data ea hora em que foram consultadas.
em vigor;
∗ As apresentações e os materiais utilizados.
∗ Usar linguagem serena e moderada;
∗ Observar os princípios de qualidade, transparência e equidade de
4.69. Publicidade acesso à informação;
∗ Abster-se de:
Após o início do período de oferta a mercado, é permitido ao ofertante, ∗ Utilizar linguagem que omita ou que não reflita adequadamente a
às instituições participantes do consórcio de distribuição e às pessoas existência de riscos;
contratadas que com estes estejam trabalhando ou os assessorando de
∗ Conter afirmações que afastem as responsabilidades do ofertante e
qualquer forma dar ampla publicidade à oferta, nas condições estabele-
das instituições participantes do consórcio de distribuição sobre as
cidas por este artigo, inclusive por meio da disseminação:
informações fornecidas;
∗ Do prospecto e da lâmina da oferta; ∗ Afirmar que não se trata de oferta pública;
∗ De material de caráter explicativo e educacional que contenha as- ∗ Afirmar que as informações constantes da comunicação são confi-
pectos úteis e relevantes para: denciais;
∗ O apropriado entendimento das características do valor mobiliário ∗ Conter linguagem de natureza contratual que implique percepção
objeto da oferta; e de anuência tácita de reserva ou colocação de ordem; e
∗ Para o acompanhamento do desempenho do investimento, incluindo: ∗ Usar informações falsas, imprecisas ou que induzam o investidor a
∗ Datas de vencimento; erro.
∗ Método de cálculo e calendário de pagamento de juros; É permitido o uso de tabelas, gráficos, diagramas, imagens e mapas nos
∗ Indexadores; documentos e comunicações autorizados conforme as normas desde
∗ Direitos e deveres do emissor e do investidor relativos a cláusulas de que:
vencimento antecipado; ∗ Sejam úteis para o objetivo de facilitar a compreensão das informações
∗ Opções de recompra; essenciais;
∗ Convocação e comparecimento a assembleias; ∗ Sejam acompanhados de legendas claras e descrições das hipóteses
∗ Outras informações; usadas, quando houver;

300 301
∗ As escalas dos eixos dos gráficos e diagramas, incluindo as grandezas A obrigação prevista nas normas não impede a divulgação em outros
utilizadas e as variáveis escolhidas para a construção da figura, repre- meios de comunicação e mídias digitais.
sentam a informação de maneira justa e não enviesada, devendo ser As divulgações devem ser feitas, sempre que possível, antes da abertura
idênticas quando mais de uma figura for utilizada para a realização ou após o encerramento do pregão.
de comparações; Na hipótese de alguns dos envolvidos na oferta pública de distribuição
∗ As imagens somente sejam incluídas quando úteis para a compreen- não possuir página própria em português na rede mundial de computa-
são de aspectos relevantes da oferta. dores, e sempre que as precauções adotadas pelo ofertante e pelas in-
stituições mencionadas anteriormente forem suficientes para atingir a
O material publicitário, se utilizado é obrigatória a divulgação de prospecto, finalidade de ampla publicidade que se deve dar aos prospectos, é dis-
afirmar que um prospecto preliminar ou definitivo foi divulgado, con- pensada a divulgação do prospecto por estes envolvidos.
forme o caso, e indicar onde ele pode ser obtido, além da advertência
Na hipótese de um ou mais ofertantes serem pessoas naturais, fica dis-
em destaque: “Leia o prospecto antes de aceitar a oferta e em espe-
pensada a apresentação de seu nome e endereço nos anúncios de início
cial a seção dos fatores de risco”.
e encerramento da distribuição de valores mobiliários, desde que tais
∗ conter referência expressa de que se trata de material publicitário, informações constem, de forma completa, no mínimo, dos prospectos
não devendo se confundir com o prospecto; e preliminar e definitivo.
∗ advertir que se trata de investimento de risco.
Na promoção publicitária que utilize materiais na forma audiovisual se 4.70. Prospecto
realizadas de forma oral não podem comprometer a clareza e o destaque
dos avisos, e, nos casos de advertência de forma escrita, o tamanho da O prospecto deve ser elaborado pelo ofertante em conjunto com o co-
fonte deve ser adequado para não comprometer a leitura. ordenador líder e conter a informação necessária, suficiente, verdadeira,
precisa, consistente e atual, apresentada de maneira clara e objetiva em
A utilização das comunicações permitidas neste artigo independe de
linguagem direta e acessível, de modo que os investidores possam for-
aprovação prévia pela Superintendência de Registro de Valores Mobil-
mar criteriosamente a sua decisão de investimento.
iários – SRE, porém os materiais publicitários devem ser encaminhados
à CVM em até 1 (um) dia útil após a sua utilização. O prospecto deve, de maneira que não omita informações relevantes,
nem contenha informações imprecisas ou que possam induzir a erro,
As divulgações requeridas por esta Resolução, inclusive do prospecto
conter os dados e informações sobre:
preliminar, quando houver, e do prospecto definitivo, devem ser feitas,
com destaque e sem restrições de acesso, na página da rede mundial ∗ A oferta, incluindo seus termos e condições;
de computadores: ∗ Os valores mobiliários objeto da oferta e os direitos que lhes são iner-
entes;
∗ Do ofertante; ∗ O ofertante, caso diferente do emissor;
∗ Do fundo de investimento cujas cotas estejam sendo ofertadas, quando ∗ O emissor e sua situação patrimonial, econômica e financeira;
for o caso; ∗ Os terceiros garantidores de obrigações relacionadas com os valores
∗ Das instituições participantes do consórcio de distribuição, sendo mobiliários objeto da oferta, se houver, incluindo sua situação patri-
aceita a remissão à página do coordenador líder que contenha as monial, econômica e financeira;
divulgações no caso de participantes que não sejam coordenadores; ∗ Os principais fatores de risco relacionados com o emissor, com o
∗ Das entidades administradoras de mercado organizado de valores valor mobiliário, com a oferta, e com o terceiro garantidor;
mobiliários nos quais os valores mobiliários do emissor sejam admi- ∗ Os terceiros que venham a ser destinatários dos recursos captados
tidos à negociação, quando aplicável com a oferta primária.

302 303

O conteúdo mínimo do prospecto depende das características do emis- documentos adicionais àqueles que periodicamente já fornece ao mer-
sor, da operação, do tipo de valor mobiliário e do público-alvo, devendo cado.
conter as informações devidamente discriminadas:
∗ A: Para oferta pública inicial ou subsequente de distribuição de ações, 4.71. Fatores de Risco
bônus de subscrição e de certificados de depósito sobre estes valores
mobiliários;
Os principais fatores de risco elencados no prospecto devem ser:
∗ B: Para oferta pública de distribuição de debêntures ou de outros
tipos de valores mobiliários representativos de dívida, inclusive con- ∗ Específicos em relação ao valor mobiliário, à oferta, ao emissor e ao
versíveis ou permutáveis em ações de emissor registradas nas Cate- terceiro garantidor;
gorias A e B. ∗ Materiais para a tomada de decisão de investimento
∗ C: Para oferta pública inicial ou subsequente de distribuição de co- A materialidade de cada fator de risco relativo ao emissor deve ser com-
tas de fundos de investimento fechados, exceto os fundos de inves- patível com o conteúdo do respectivo formulário de referência, nos casos
timento em direitos creditórios – FIDC; em que esse é exigido pela regulamentação. O ofertante deve avaliar a
∗ D: Para oferta pública de distribuição de cotas de fundos de investi- materialidade dos fatores de risco durante a elaboração do prospecto
mento em direitos creditórios – FIDC; com base na probabilidade de ocorrência e na magnitude do impacto
∗ E: Para oferta pública de distribuição de valores mobiliários repre- negativo, caso concretizado. Deve ser apresentada uma descrição ad-
sentativos de operações de securitização emitidos por companhias equada de como cada fator de risco elencado pode afetar o emissor, o
securitizadoras. valor mobiliário, e o terceiro garantidor, sendo aceito que a materiali-
A seção 1 do prospecto, denominada Capa do Prospecto, deve ter, no dade seja expressa em uma escala qualitativa de risco “menor, médio e
máximo, 1 (uma) página de formato A4, quando impressa, devendo re- maior”.
fletir, de forma legível, direta e objetiva, as informações expressamente Os fatores de risco devem ser dispostos de maneira que o fator de maior
solicitadas no respectivo anexo. materialidade seja apresentado em primeiro lugar, seguido pelos de-
A seção 2 do prospecto, denominada Principais Características da Oferta, mais em ordem decrescente.
deve apresentar as características da operação e conter as informações
fundamentais de que os investidores necessitam para compreender a
natureza do emissor e características dos valores mobiliários ofertados,
4.72. Prospecto Preliminar
devendo adicionalmente:
O prospecto preliminar deve atender a todas as condições de um prospecto
∗ Ser elaborada de forma que possa ser lida independentemente das definitivo, exceto por não conter:
demais partes do prospecto;
∗ Ser coerente com as demais partes do prospecto, sem reproduzir ∗ O número de registro da oferta na CVM;
desnecessariamente informações já contidas neste documento; ∗ O preço ou a taxa de remuneração definitivos
∗ Possuir número máximo de 15 (quinze) páginas de formato A4, quando O preço ou a taxa de remuneração podem ser apresentados sob a forma
impressa. de faixa de variação, hipótese em que as demais informações que dela
O emissor de valores mobiliários objeto de oferta pública secundária, dependam devem ser apresentadas, no mínimo, com base no valor mé-
deve fornecer ao ofertante as informações e os documentos necessários dio da faixa de variação.
para a elaboração dos documentos da oferta, se obrigatórios por esta O prospecto preliminar deve ser utilizado, até a divulgação do anúncio
Resolução, devendo o emissor ser ressarcido por todos os custos que in- de início, nas ofertas em que a divulgação de prospecto seja exigida e
correr na coleta, elaboração, preparação e entrega de informações ou em que haja previsão de:

304 305
∗ Recebimento de reservas; ∗ Ser escrita de forma clara, concisa e efetiva quanto ao objetivo de
∗ Procedimento de precificação, com ou sem recebimento de reser- permitir que o público investidor em geral compreenda a oferta;
vas; ∗ Ser precisa, apropriadamente balanceada na ênfase dada a infor-
∗ Utilização de material publicitário mações positivas e negativas, e não deve induzir o investidor a erro;
Em adição aos dizeres tópicos citados anteriormente “A” a “E”, os seguintes ∗ Ser de fácil leitura e escrita em linguagem simples, abstendo-se de
dizeres devem constar da capa do prospecto preliminar, com destaque: fazer comentários por referência ao prospecto nas seções destinadas
a sintetizar as informações solicitadas;
∗ “PROSPECTO PRELIMINAR” e a respectiva data de edição; ∗ Seguir o modelo e os requisitos de tópicos abordados na ordem ap-
∗ “O prospecto definitivo estará disponível em na rede mundial de com- resentada nos Anexos F a J desta Resolução;
putadores do ofertante, dos coordenadores, das instituições partic- ∗ Estabelecer, adicionalmente, os termos e condições gerais da oferta;
ipantes do consórcio de distribuição, se houver, das entidades ad-
∗ Ser elaborada de forma a permitir a leitura adequada inclusive em
ministradoras de mercado organizado de valores mobiliários no qual
dispositivos eletrônicos móveis, programas e aplicativos em geral.
os valores mobiliários do emissor sejam admitidos à negociação e da
CVM.”; A descrição dos fatores de risco na lâmina da oferta deve ser relevante
∗ “É admissível o recebimento de reservas, a partir de [dia] de [mês] de para a oferta em questão e ser exclusivamente elaborada em benefí-
[ano]. Os pedidos de reserva são irrevogáveis e serão quitados após o cio da compreensão da oferta por parte dos investidores, abstendo-se
início do período de distribuição conforme os termos e condições da o ofertante de formular declarações de caráter genérico sobre os riscos
oferta.”, exclusivamente na hipótese de estar previsto o recebimento de investimento, e de limitar sua responsabilidade ou de quaisquer pes-
de reservas para subscrição ou aquisição; soas que atuem em seu nome Devem ser listados os 5 (cinco) principais
fatores de risco, em ordem decrescente de materialidade, com base na
∗ “As informações contidas neste prospecto preliminar estão sob análise
probabilidade de ocorrência e na magnitude do impacto negativo, caso
da Comissão de Valores Mobiliários- CVM, a qual ainda não se man-
concretizado.
ifestou a seu respeito.”, nos casos de oferta com rito de registro or-
dinário de distribuição; A probabilidade de ocorrência e a magnitude do impacto negativo dos
fatores de risco devem ser expressas em uma escala qualitativa de níveis
∗ “As informações contidas neste prospecto preliminar não foram anal-
“menor, médio e maior”, quando requerido nos anexos a esta Resolução.
isadas pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM", nos casos de
oferta com rito de registro automático de distribuição.
4.74. Responsabilidade sobre as Informações
4.73. Lâmina da Oferta O ofertante é o responsável pela suficiência, veracidade, precisão, con-
sistência e atualidade dos documentos da oferta e demais informações
A lâmina da oferta deve ser elaborada pelo ofertante em conjunto com o
fornecidas ao mercado durante a oferta pública de distribuição.
coordenador líder em adição ao prospecto e de forma consistente com
ele, servindo para sintetizar o seu conteúdo e apresentar as característi- O coordenador líder deve tomar todas as cautelas e agir com elevados
cas essenciais da oferta, a natureza e os riscos associados ao emissor, às padrões de diligência, respondendo pela falta de diligência ou omissão,
garantias, e aos valores mobiliários. para assegurar que as informações prestadas pelo ofertante, inclusive
aquelas eventuais ou periódicas constantes da atualização do registro
A lâmina da oferta não é obrigatória nas ofertas em que a elaboração do
do emissor na CVM e as constantes do estudo de viabilidade econômico
prospecto é dispensada.
financeira do empreendimento, se aplicável, são suficientes, verdadeiras,
A lâmina da oferta deve: precisas, consistentes e atuais, permitindo aos investidores uma tomada
∗ Ser útil para fins da decisão de investimento; de decisão fundamentada a respeito da oferta.

306 307

Em caso de oferta secundária que não seja realizada pelo emissor ou registro for previamente analisado por entidade autorreguladora au-
pelo seu acionista controlador, cabe ao ofertante, no que se refere a in- torizada pela CVM nos termos do convênio;
formações do emissor, somente a responsabilidade. ∗ Subsequente de distribuição de ações, bônus de subscrição, debên-
O coordenador líder e o ofertante, este último na hipótese apenas, de- tures conversíveis ou permutáveis em ações e de certificados de de-
vem manter à disposição da CVM, a documentação comprobatória de pósito sobre estes valores mobiliários de emissão de ações com grande
sua diligência para fins de cumprimento. exposição ao mercado - EGEM (“subsequente de ações de EGEM”)
Na hipótese de o ofertante não pertencer ao grupo controlador do emis- destinada:
sor, ou não atuar representando o mesmo interesse de acionista contro- ∗ Exclusivamente a investidores profissionais;
lador do emissor, e este lhe negar acesso aos documentos e informações ∗ Inclusive ao público investidor em geral, sujeita à apresentação dos
necessários à elaboração do prospecto, o ofertante deve fornecer toda a documentos.
informação relevante que lhe estiver disponível ou que possa obter em ∗ De distribuição de debêntures não-conversíveis ou não-permutáveis
registros e documentos públicos, dar divulgação deste fato nos docu- em ações, ou de outros tipos de valores mobiliários representativos
mentos da oferta, inclusive no prospecto, devendo requerer que a CVM de dívida de emissão frequente de valores mobiliários de renda fixa -
exige do emissor a complementação das informações indicadas pelo EFRF destinada (“debêntures simples de emissor frequente de dívida”):
ofertante, necessárias ao registro da oferta pública.
∗ Exclusivamente a investidores profissionais.
∗ Inclusive ao público investidor em geral, sujeita a apresentação dos
4.75. Rito de Registro Automático de Distribuição – Emissores e Valores Mo- documentos previstos.
biliários Elegíveis. ∗ De distribuição de debêntures não-conversíveis ou não-permutáveis
em ações, ou de outros tipos de valores mobiliários representativos
O registro da oferta não se sujeita à análise prévia da CVM e a distribuição de dívida de emissor em fase operacional registrado nas Categorias
pode ser realizada automaticamente se cumpridos os requisitos e pro- A e B (“debêntures simples”) destinada exclusivamente a:
cedimentos devidos nos casos de oferta pública: ∗ Investidores profissionais.
∗ nicial de distribuição de ações, bônus de subscrição, debêntures con- ∗ Investidores qualificados.
versíveis ou permutáveis em ações e de certificados de depósito so- ∗ Inclusive ao público investidor em geral quando (“debêntures sim-
bre estes valores mobiliários de emissores registrados em fase op- ples de emissor registrado para o público em geral nas hipóteses de
eracional quando o requerimento de registro for previamente anal- registro automático”):
isado por entidade autorreguladora autorizada pela CVM nos termos ∗ O requerimento de registro for previamente analisado por entidade
do convênio (“IPO de ações com análise via convênio”), sujeita a ap- autorreguladora autorizada pela CVM nos termos do convênio;
resentação dos documentos. ∗ Se tratar de títulos com características idênticas, exceto pela taxa de
∗ Subsequente de distribuição de ações, bônus de subscrição, debên- remuneração, inclusive com o mesmo vencimento, aos distribuídos
tures conversíveis ou permutáveis em ações e de certificados de de- em oferta pública anterior destinada público investidor em geral (re-
pósito sobre estes valores mobiliários de emissores em fase opera- abertura de séries);
cional (“subsequente de ações”) destinada: ∗ Se tratar de título padronizado, de acordo com modelo definido por
∗ Exclusivamente a investidores profissionais; entidade autorreguladora e que seja previamente aprovado pela CVM;
∗ Exclusivamente a investidores qualificados, sujeita a apresentação ∗ Inicial de distribuição de cotas de fundo de investimento fechado
dos documentos. não exclusivo (“inicial de cotas de fundo fechado”) destinada exclu-
∗ Inclusive ao público investidor em geral quando o requerimento de sivamente a:

308 309
∗ Investidores profissionais. recursos com vistas a implementar projetos de investimento na área
∗ Investidores qualificados. de infraestrutura, ou de produção econômica intensiva em pesquisa,
∗ Inclusive ao público investidor em geral quando o requerimento de desenvolvimento e inovação, considerados como prioritários na forma
registro for previamente analisado por entidade autorreguladora au- regulamentada pelo Poder Executivo Federal, de acordo com os req-
torizada pela CVM nos termos do convênio (“inicial de fundo fechado uisitos da referida Lei, destinada exclusivamente a investidores qual-
destinada ao público investidor em geral com análise via convênio”); ificados (“debêntures incentivadas emitidas por SPE”);
∗ Subsequente de distribuição de cotas de fundo de investimento fechado ∗ De valores mobiliários representativos de dívida quando o emissor
não exclusivo (“subsequente de cotas de fundo fechado”) destinada não for registrado na CVM (“dívida de emissor não registrado”).
exclusivamente: ∗ De distribuição de certificados de depósito de valores mobiliários no
∗ A investidores profissionais. âmbito de programa de BDR Patrocinado:
∗ A investidores qualificados. ∗ Nível I;
∗ Ao público investidor em geral, desde que tenha havido oferta an- ∗ Nível II;
terior objeto de análise prévia por parte da CVM e não tenha havido
∗ Subsequente de distribuição de certificados de depósito de valores
ampliação de público-alvo do fundo ou alteração em sua política de
mobiliários no âmbito de programa de BDR Patrocinado Nível III, ex-
investimento (“subsequente de fundos fechados destinada ao público
clusivamente nos casos de programa BDR Nível III em que houve
investidor em geral sem mudança na política de investimento ou
oferta inicial por rito de registro ordinário (“subsequente de BDR Pa-
ampliação de público-alvo”);
trocinado Nível III”);
∗ Do público investidor em geral quando o requerimento de registro
for previamente analisado por entidade autorreguladora autorizada ∗ Destinada inclusive ao público investidor em geral para colocação
pela CVM nos termos do convênio (“subsequente de fundo fechado em bolsa de valores de ações oriundas de distribuição primária decor-
destinada ao público investidor em geral com análise via convênio”); rente de aumento de capital privado, em volume superior a 5% (cinco
por cento) da emissão e inferior a 1/3 (um terço) das ações em cir-
∗ De distribuição de títulos de securitização emitidos por companhias
culação no mercado, considerando as novas ações ofertadas para o
securitizadoras registradas na CVM (“títulos de securitização”) desti-
cálculo das ações em circulação, desde que os valores mobiliários já
nada exclusivamente a:
estejam admitidos à negociação em mercado organizado (“sobras
∗ Investidores profissionais.
de aumento de capital privado”);
∗ Investidores qualificados.
∗ De distribuição de valores mobiliários representativos de dívida des-
∗ Inclusive ao público investidor em geral quando:
tinada exclusivamente a credores de emissor em recuperação judi-
∗ O requerimento de registro for previamente analisado por entidade cial ou extrajudicial (“emissores em plano de recuperação”), nos ter-
autorreguladora autorizada pela CVM nos termos do convênio (“títu- mos de plano de recuperação judicial ou extrajudicial homologado
los de securitização com análise via convênio”); em juízo.
∗ Se tratar de títulos com características idênticas, exceto pela taxa de
remuneração, inclusive com mesmo instrumento de lastro, vincu- Nas hipóteses constantes: Devem ser observadas as restrições à ne-
lado a risco corporativo único e mesma data de vencimento, aos dis- gociação dos valores mobiliários ofertados elencadas no Capítulo VII;
tribuídos em oferta pública anterior destinada público investidor em Deve ser dada ciência ao investidor por meio de aviso em destaque na
geral (reabertura de séries); ou capa do prospecto e na lâmina da oferta, nos casos em que exigidos por
∗ O devedor do lastro for único e se enquadrar como EFRF ou EGEM; esta Resolução, de que:
∗ De debêntures não conversíveis emitidas pelas sociedades previstas A CVM não realizou análise prévia do conteúdo do prospecto, nem dos
na Lei nº 12.431, de 24 de junho de 2011, relacionadas à captação de documentos da oferta;

310 311

Pode haver restrições à revenda dos valores mobiliários, descrevendo 4.77. Lote Adicional e Lote Suplementar
quais são estas, nos casos aplicáveis
Consideram-se companhias securitizadoras registradas, as sociedades A quantidade de valores mobiliários a ser distribuída pode, a critério do
de propósito específico que sejam subsidiárias integrais de companhias ofertante e sem a necessidade de novo requerimento de registro ou de
securitizadoras registradas na CVM, nos termos da regulamentação que modificação dos termos da oferta, ser aumentada, até um montante
dispõe sobre as companhias securitizadoras de direitos creditórios. que não exceda em 25% (vinte e cinco por cento) a quantidade inicial-
mente requerida (lote adicional).
4.76. Rito de Registro Ordinário de Distribuição - Emissores e Valores Mo- Nas ofertas destinadas exclusivamente a investidores profissionais, é dis-
pensada a observância do limite de 25% (vinte e cinco por cento) previsto
biliários Elegíveis nas normas, devendo o valor máximo do lote adicional estar previsto nos
documentos da oferta, assim como a especificação da destinação dos
O rito de registro ordinário de distribuição de valores mobiliários é aquele recursos adicionais.
que se sujeita à análise prévia da CVM para a obtenção do registro, con- O emissor ou o ofertante podem outorgar aos coordenadores opção de
forme o procedimento e os requisitos elencados no art. 29, e deve ser distribuição de lote suplementar, a ser exercida em razão da prestação
obrigatoriamente seguido nos casos de oferta pública: de serviço de estabilização de preços dos valores mobiliários objeto da
∗ Inicial de distribuição de ações, bônus de subscrição, debêntures oferta, nas mesmas condições e preço dos valores mobiliários inicial-
conversíveis ou permutáveis em ações e de certificados de depósito mente ofertados, até um montante pré-determinado que consta obri-
sobre estes valores mobiliários. gatoriamente nos documentos da oferta e no prospecto, e que não pode
ultrapassar 15% (quinze por cento) da quantidade inicialmente ofertada.
∗ Subsequente de distribuição de ações, bônus de subscrição, debên-
tures conversíveis ou permutáveis em ações e de certificados de de-
pósito sobre estes valores mobiliários: 4.78. Apresentações para Investidores
∗ Em que exista obrigação de elaboração de estudo de viabilidade econômico-
financeira; Os documentos de suporte a apresentações oferecidas a investidores
devem ser divulgados pelo ofertante e pelos coordenadores, em até 1
∗ Destinada ao público investidor em geral.
(um) dia após a sua utilização.

Aplicam-se às exigências dos documentos de suporte de apresentações
Na hipótese de valores mobiliários de emissão de emissor em fase pré- realizadas junto a investidores.
operacional: A exigência constante não se aplica às ofertas destinadas exclusivamente
a investidores profissionais, exceto quando se tratar de oferta subsequente
∗ Somente pode ser distribuída para investidores qualificados; de distribuição de ações, bônus de subscrição, debêntures conversíveis
∗ Não é admitida a análise prévia do requerimento de registro por en- ou permutáveis em ações e de certificados de depósito sobre estes val-
tidades autorreguladoras. ores mobiliários ou a distribuição contar com o exercício do direito de
Na distribuição dos valores mobiliários na oferta deve ser dada ciência ao preferência ou com oferta prioritária destinada aos atuais detentores
investidor, por meio de aviso em destaque no prospecto e na lâmina da dos valores mobiliários.
oferta, que há vedações que se aplicam à revenda dos valores mobiliários A divulgação de vídeos das apresentações realizadas para investidores é
até que estejam satisfeitas as condições. facultativa.

312 313
4.79. Formação de Preço para efeito do disposto neste artigo, desde que as operações estejam
enquadradas nas respectivas políticas de investimento de cada fundo.
O preço da oferta é único pois a CVM pode autorizar, em operações es- A vedação prevista nas normas não se aplica nos seguintes casos:
pecíficas, a possibilidade de preços e condições diversos consoante tipo, ∗ Operações realizadas por pessoas jurídicas no exercício da atividade
espécie e classe, fixados em termos objetivos e em função de interesses de formador de mercado da ação objeto da oferta, conforme definida
legítimos do ofertante, admitido ágio ou deságio em função das condições na norma específica;
do mercado.
∗ Operações posteriormente cobertas por aquisição em mercado da
O ofertante, em conjunto com os coordenadores, pode estabelecer que quantidade total de ações correspondente à posição a descoberto
o preço ou, tratando se de valores mobiliários representativos de dívida, até, no máximo, 2 (dois) pregões antes da data de fixação do preço
a taxa de remuneração, sejam determinados por meio de procedimento da oferta.
de precificação destinado a uma parcela (tranche) constituída exclusiva-
mente por investidores profissionais, desde que os critérios aplicáveis à
sua fixação sejam indicados no prospecto preliminar. 4.80. Adequação do Perfil do Investidor e Restrições ao Investimento
Nas ofertas registradas de debêntures não-conversíveis e não-permutáveis
em ações, outros títulos representativos de dívida ou de títulos de se- As instituições participantes do consórcio de distribuição e as pessoas
curitização, é permitida a participação de investidores qualificados no contratadas que com estas estejam trabalhando ou as assessorando de
procedimento de precificação. qualquer forma durante a distribuição devem verificar a adequação do
investimento ao perfil de risco de seus respectivos clientes, nos termos
A determinação do preço ou taxa de remuneração definitivos, quando
da regulamentação da CVM que dispõe sobre o dever de verificação da
realizada, pode ocorrer no mesmo dia da realização do procedimento lá
adequação dos produtos, serviços e operações ao perfil do cliente, e, adi-
referido e sua divulgação deve ser feita em até 1 (um) dia útil após tal
cionalmente, devem diligenciar para verificar se os investidores por elas
definição. O preço ou taxa de remuneração definitivos são condições
acessados podem adquirir os valores mobiliários ofertados ou se há re-
para a concessão do registro definitivo da oferta.
strições que impeçam tais investidores de participar da oferta.
O procedimento de precificação em ofertas com ou sem o recebimento
de reservas somente pode ter início a partir da divulgação do aviso ao
mercado. 4.81. Recebimento de reservas
Parágrafo único. A intenção de realizar o procedimento de precificação
deve ser comunicada à CVM juntamente com o requerimento de reg- O recebimento de reservas para subscrição ou aquisição de valores mo-
istro de distribuição realizado. biliários objeto de oferta pública é admissível desde que:
É vedada a aquisição de ações, no âmbito de ofertas públicas de dis- ∗ Tenha sido requerido o registro da distribuição;
tribuição de ações, por investidores que tenham realizado vendas a de- ∗ A oferta esteja a mercado;
scoberto da ação objeto na data da fixação do preço da oferta e nos 5
(cinco) pregões que a antecedem. ∗ Tal fato esteja divulgado na lâmina da oferta.
Para os efeitos de normas, são consideradas operações de um mesmo As reservas são efetuadas de acordo com os termos e condições definiti-
investidor as vendas a descoberto e as aquisições de ações realizadas vas da oferta, facultada a exigência de depósito do montante reservado.
em seu próprio nome ou por meio de qualquer veículo cuja decisão de O depósito dos recursos para reservas, se houver, é realizado em conta
investimento esteja sujeita a sua influência. bloqueada, remunerada ou não, em instituição indicada pelo coorde-
Fundos de investimento cujas decisões de investimento sejam tomadas nador líder e sob sua responsabilidade, cuja movimentação deve obe-
pelo mesmo gestor não serão considerados como um único investidor decer às seguintes normas:

314 315

∗ Apurados os montantes das reservas e das sobras disponíveis e efet- valores, bens ou direitos dados em contrapartida aos valores mobiliários
uado o rateio, se for o caso, o coordenador líder deve autorizar a liber- ofertados, na forma e condições previstas nos termos e condições da
ação das importâncias correspondentes às subscrições a serem efe- oferta.
tuadas por intermédio de cada instituição consorciada; A modificação deve ser divulgada imediatamente por meios ao menos
∗ O coordenador líder deve autorizar, no prazo de 3 (três) dias úteis, a iguais aos utilizados para a divulgação da oferta e as entidades partic-
liberação do saldo não utilizado dos depósitos, a favor dos respectivos ipantes do consórcio de distribuição devem se certificar de que os po-
depositantes. tenciais investidores estejam cientes, no momento do recebimento do
documento de aceitação da oferta, de que a oferta original foi alterada
Caso seja utilizada a faculdade, o investidor pode estipular no pedido
e das suas novas condições.
de reserva como condição de sua confirmação preço máximo para sub-
scrição e taxa de juros mínima de remuneração. Os investidores que já tiverem aderido à oferta devem ser imediatamente
A solicitação de reserva constitui ato de aceitação dos termos e condições comunicados a respeito da modificação efetuada diretamente por cor-
da oferta pública de valores mobiliários e tem caráter irrevogável. Mesmo reio eletrônico, correspondência física ou qualquer outra forma de co-
que o prospecto preliminar não estipule a possibilidade de desistência municação passível de comprovação, para que informem, no prazo mín-
do pedido de reservas, esta pode ocorrer, sem ônus para o subscritor ou imo de 5 (cinco) dias úteis contados da comunicação, eventual decisão
adquirente, caso haja divergência relevante entre as informações con- de desistir de sua adesão à oferta, presumida a manutenção da adesão
stantes do prospecto preliminar e do prospecto definitivo que altere sub- em caso de silêncio.
stancialmente o risco assumido pelo investidor ou a sua decisão de in- A SRE pode determinar a sua adoção caso entenda que a modificação
vestimento. não melhora a oferta em favor dos investidores.
A solicitação de reserva pode ser disponibilizada e assinada pelo investi- No caso de modificação que demande aprovação prévia e que compro-
dor em formato digital, e deve, obrigatoriamente: meta a execução do cronograma, deve ser adotado também por opor-
tunidade da apresentação do requerimento de modificação.
∗ Conter as condições de integralização, subscrição ou aquisição de so-
bras, se for o caso; Os investidores que revogaram a sua aceitação têm direito à restituição
integral dos valores, bens ou direitos dados em contrapartida aos valores
∗ Conter as condições aplicáveis caso a oferta conte com a possibili- mobiliários ofertados, na forma e condições dos documentos da oferta
dade de distribuição parcial; e do prospecto, nos casos em que é exigida a divulgação deste.
∗ Cientificar, com destaque, que a oferta original foi alterada nos casos A documentação referente deve ser mantida à disposição da CVM.
de modificação de oferta;
∗ Incluir declaração assinada pelo subscritor ou adquirente de haver
obtido exemplar do prospecto preliminar e de que tem conhecimento 4.83. Suspensão e Cancelamento da Oferta de Distribuição.
das novas condições na hipótese de modificação de oferta; e
∗ Possibilitar a identificação da condição de investidor vinculado à oferta. A SRE pode suspender ou cancelar, a qualquer tempo, a oferta pública
de distribuição que:
A solicitação de reserva assinada deve ser mantida à disposição da
CVM . ∗ Esteja se processando em condições diversas das constantes da pre-
sente Resolução ou do registro;
4.82. Efeitos da Revogação e da Modificação da Oferta. ∗ Esteja sendo intermediada por coordenador que esteja com registro
suspenso ou cancelado, conforme a regulamentação que dispõe so-
A revogação torna ineficazes a oferta e os atos de aceitação anteriores bre coordenadores de ofertas públicas de distribuição de valores mo-
ou posteriores, devendo ser restituídos integralmente aos aceitantes os biliários;

316 317
∗ Tenha sido havida por ilegal, contrária à regulamentação da CVM ou 4.84. Revogação da aceitação
fraudulenta, ainda que após obtido o respectivo registro.
A aceitação da oferta somente pode ser revogada pelos investidores se
A SRE deve proceder à suspensão da oferta quando verificar ilegalidade
tal hipótese estiver expressamente prevista nos documentos da oferta e
ou violação de regulamentação consideradas sanáveis.
no prospecto, ressalvadas as hipóteses previstas nos quais são inafastáveis.
O prazo de suspensão da oferta não pode ser superior a 30 (trinta) dias,
durante o qual a irregularidade apontada deve ser sanada.
Findo o prazo sem que tenham sido sanadas as irregularidades que de-
4.85. Distribuição parcial
terminaram a suspensão, a SRE deve ordenar a retirada da oferta e can-
celar o respectivo registro ou indeferir o requerimento de registro caso O ato que deliberar sobre a oferta pública deve dispor sobre o trata-
este ainda não tenha sido concedido. mento a ser dado no caso de não haver a distribuição total dos valores
mobiliários previstos para a oferta pública ou a captação integral do mon-
A rescisão do contrato de distribuição com um dos coordenadores, decor- tante previsto para a oferta pública, especificando, se houver previsão
rente de inadimplemento de qualquer das partes ou de não verificação. de distribuição parcial, a quantidade mínima de valores mobiliários ou
Importa no cancelamento do registro da oferta. o montante mínimo de recursos para os quais será mantida a oferta
A resilição voluntária do contrato de distribuição por motivo distinto não pública.
implica revogação da oferta, mas sua suspensão, até que novo contrato O prospecto ou, nos casos em que a divulgação de um prospecto é dis-
de distribuição seja firmado. pensada, os demais documentos da oferta, deve conter seção especí-
O ofertante deve divulgar imediatamente, por meios ao menos iguais fica nos termos e condições da oferta tratando da destinação dos recur-
aos utilizados para a divulgação da oferta, comunicado ao mercado in- sos conforme a quantidade de valores mobiliários a ser distribuída ou
formando sobre a suspensão ou o cancelamento, bem como dar con- o montante de recursos que se pretende captar, bem como a eventual
hecimento de tais eventos aos investidores que já tenham aceitado a fonte alternativa de recursos, caso seja admitida a distribuição ou a cap-
oferta diretamente por correio eletrônico, correspondência física ou qual- tação parcial.
quer outra forma de comunicação passível de comprovação, para que, Exceto quando contrariamente dispuserem a lei ou os termos e condições
na hipótese de suspensão, informem, no prazo mínimo de 5 (cinco) dias da oferta, em nada são afetadas a subscrição ou a aquisição dos valores
úteis contados da comunicação, eventual decisão de desistir da oferta. mobiliários ocorridas em uma oferta pública com distribuição ou cap-
Têm direito à restituição integral dos valores, bens ou direitos dados em tação parcial, desde que autorizada pelo órgão competente do emissor
contrapartida aos valores mobiliários ofertados, na forma e condições e realizada dentro do valor mínimo.
dos documentos da oferta e do prospecto, nos casos em que é exigida a Na hipótese de não terem sido distribuídos integralmente os valores mo-
divulgação deste: biliários objeto da oferta e não tendo sido autorizada a distribuição par-
cial, ou, caso tenha sido autorizada a distribuição parcial e não tenha
∗ Todos os investidores que já tenham aceitado a oferta, na hipótese havido o atingimento do montante mínimo, nos termos das normas,
de seu cancelamento; os valores, bens ou direitos dados em contrapartida aos valores mobil-
iários ofertados devem ser integralmente restituídos aos investidores, na
∗ Os investidores que tenham revogado a sua aceitação, na hipótese forma dos termos e condições constantes dos documentos da oferta e
de suspensão. do prospecto.
Aplica-se à devolução dos valores, bens ou direitos dados em contra-
A documentação referente ao disposto deve ser mantida à disposição partida aos valores mobiliários ofertados aos investidores que tenham
da CVM. condicionado sua adesão à distribuição total dos valores mobiliários.

318 319

Não se sujeitam às regras deste artigo as ofertas públicas secundárias À instituição que não celebrou o instrumento referido é permitida a adesão
de valores mobiliários, que obedecem às regras de distribuição parcial por meio da celebração, com o coordenador líder, do termo específico.
que forem previstas nos atos do ofertante e nos termos e condições con- Os coordenadores devem garantir que os representantes de venda das
stantes dos documentos da oferta, inclusive do prospecto. instituições participantes do consórcio de distribuição recebam previ-
Havendo a possibilidade de distribuição parcial, deve ser dada a opção amente exemplares dos documentos da oferta, inclusive do prospecto,
ao investidor de, por meio do documento de aceitação da oferta, condi- para leitura obrigatória e que eventuais dúvidas possam ser esclarecidas
cionar sua adesão a que haja distribuição: por pessoa designada tempestivamente pelos coordenadores.
O coordenador líder deve manter à disposição da CVM outros contratos
∗ Da totalidade dos valores mobiliários ofertados;
relativos à emissão ou subscrição, inclusive no que toca à distribuição de
∗ De uma quantidade ou montante financeiro maior ou igual ao mín- lote suplementar.
imo previsto pelo ofertante e menor que a totalidade dos valores mo-
Não é considerada participante da oferta a instituição que realiza apenas
biliários originalmente objeto da oferta ou da captação integral pre-
a liquidação financeira de ordem a pedido de instituição participante do
vista.
consórcio de distribuição, desde que orientada nesse sentido por seus
Parágrafo único. Para os fins deste artigo, entende-se como valores mo- clientes.
biliários efetivamente distribuídos todos os valores mobiliários objeto de Exceto nas ofertas sujeitas ao rito de registro automático, após o início
subscrição ou aquisição, conforme o caso. da distribuição, o contrato de distribuição firmado entre o ofertante e os
coordenadores pode ser alterado mediante prévia autorização da CVM
4.86. Instituições intermediárias Sem prejuízo da garantia firme de colocação prestada ao ofertante, po-
dem ser realizadas realocações entre o coordenador líder e as demais
instituições participantes do consórcio de distribuição, desde que pre-
O relacionamento do ofertante com as instituições intermediárias deve
vistas no contrato de distribuição.
ser formalizado mediante contrato de distribuição de valores mobiliários
que contenha obrigatoriamente. Na hipótese de vinculação societária, Afasta a responsabilidade dos coordenadores perante o ofertante pela
direta ou indireta, entre o ofertante ou seu acionista controlador e os prestação de garantia, respeitadas as condições especificadas no con-
coordenadores ou seus acionistas controladores, tal fato deve ser infor- trato de distribuição.
mado. O coordenador líder, os demais coordenadores e as demais instituições
Todas as formas de remuneração, ainda que indiretas, devidas pelo ofer- participantes do consórcio de distribuição devem zelar para que as in-
tante às instituições participantes do consórcio de distribuição devem formações divulgadas e a alocação da oferta não privilegiam pessoas
ser explícitas e divulgadas no prospecto ou nos documentos da oferta, vinculadas, em detrimento de pessoas não vinculadas. Obrigações do
neste caso, quando a divulgação de um prospecto é dispensada, incluindo líder
qualquer outra forma de pagamento, benefício ou direito. ∗ Avaliar, em conjunto com o ofertante, a viabilidade da distribuição,
As instituições intermediárias podem se organizar sob a forma de con- suas condições e o tipo de contrato de distribuição a ser celebrado;
sórcio com o fim específico de distribuir os valores mobiliários no mer-
∗ Solicitar, juntamente com o ofertante, o registro de oferta pública
cado ou garantir a subscrição da emissão.
de distribuição devidamente instruído, assessorando-o em todas as
As cláusulas relativas ao consórcio devem ser formalizadas no mesmo etapas da distribuição;
instrumento do contrato de distribuição, no qual deve constar a outorga
de poderes de representação das instituições participantes do consórcio ∗ Formar o consórcio de distribuição, se for o caso;
de distribuição ao coordenador líder e, se for o caso, as condições e os ∗ Nas ofertas submetidas ao rito de registro ordinário, informar à SRE,
limites de coobrigação de cada instituição participante. até a obtenção do registro, os participantes do consórcio, discrimi-

320 321
nando por tipo, espécie e classe a quantidade de valores mobiliários ∗ Informar à CVM, até o dia posterior ao do exercício da opção de dis-
inicialmente atribuída a cada um; tribuição de lote suplementar, a data do respectivo exercício e a quan-
∗ Comunicar imediatamente à SRE qualquer eventual alteração no con- tidade de valores mobiliários envolvidos.
trato de distribuição, ou a sua rescisão; Para fins do cumprimento de normas, as imagens digitalizadas são ad-
∗ Remeter mensalmente à CVM, no prazo de 15 (quinze) dias após o mitidas em substituição aos documentos originais requeridos por esta
encerramento do mês, a partir da divulgação do anúncio de início de Resolução, desde que o processo seja realizado de acordo com a legis-
distribuição, relatório indicativo do movimento consolidado de dis- lação federal que dispõe sobre a elaboração e o arquivamento de docu-
tribuição de valores mobiliários (Resumo Mensal da Distribuição). mentos públicos e privados em meios eletromagnéticos, e com a regu-
lamentação federal que estabelece a técnica e os requisitos para a digi-
∗ Participar ativamente, em conjunto com o ofertante e demais coor-
talização desses documentos.
denadores, na elaboração do prospecto e na verificação da suficiên-
cia, veracidade, precisão, consistência e atualidade das informações O documento de origem pode ser descartado após sua digitalização, ex-
dele constantes. ceto se apresentar danos materiais que prejudiquem sua legibilidade.
O disposto neste artigo não afasta a responsabilidade das demais in-
∗ Adotar diligências para verificar o atendimento às condições impostas
stituições participantes do consórcio de distribuição por eventuais in-
por esta Resolução para a realização da oferta, inclusive o público-
frações às obrigações previstas nas normas a que derem causa.
alvo da oferta.
∗ Divulgar, quando exigido por esta Resolução, os avisos nela previstos;
∗ Acompanhar e controlar o plano de distribuição da oferta;
4.87. CÓDIGO ANBIMA DE REGULAÇÃO E MELHORES PRÁTICAS PARA OFERTAS PÚBLI-
∗ Controlar os atos de subscrição, em conjunto com as demais institu- CAS DE DISTRIBUIÇÃO E AQUISIÇÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS
ições participantes do consórcio de distribuição;
Para facilitar nossa compreensão neste tópico, chamarei o Código AN-
∗ Suspender a oferta na ocorrência de qualquer fato ou irregularidade,
BIMA de Regulação e Melhores Práticas de Distribuição e Aquisição de
inclusive após a obtenção do registro, que venha a justificar a sus-
Valores Mobiliários, somente de "código", beleza?
pensão ou o cancelamento do registro, durante o prazo máximo.
O objetivo deste código é estabelecer princípios e regras que devem
∗ Se tratando de oferta sujeita ao rito de registro automático, cancelar ser observados pelas instituições participantes da ANBIMA nas ofertas
a respectiva oferta caso o fato ou irregularidade que tenha levado à públicas de valores mobiliários, incluindo os programas de distribuição,
suspensão da oferta não tenha sido sanado; regulamentados pela Lei no 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e pela CVM
∗ Comunica imediatamente a ocorrência do ato ou irregularidade ali (ofertas públicas), com a finalidade de propiciar a transparência e o ad-
mencionada à SRE, que deve verificar se a ocorrência do fato ou da equado funcionamento do mercado.
irregularidade é sanável. As seguintes ofertas públicas não estão sujeitas às disposições deste código
∗ Manter à disposição da CVM, pelo prazo de 5 (cinco) anos após o e estão automaticamente dispensadas de registro na ANBIMA, salvo se
encerramento da oferta, toda a documentação relativa ao processo tais ofertas utilizarem o prospecto, caso em que serão aplicáveis as dis-
de registro de distribuição pública, de elaboração do prospecto e de- posições do presente código.
mais documentos requeridos por esta Resolução, nos termos da reg- I. As ofertas públicas de valores mobiliários distribuídas com esforços re-
ulamentação específica que dispõe sobre o registro de coordenadores stritos, nos termos da regulamentação em vigor.
de ofertas públicas de distribuição de valores mobiliários; II. As ofertas públicas de lote único e indivisível de valores mobiliários.
∗ certificar-se da adoção das providências necessárias para o bloqueio III. As ofertas públicas de que trata a Instrução CVM no 286/98, que dis-
ou restrição à negociação nos casos desta exigência. põe sobre alienação de ações de propriedade de pessoas jurídicas de

322 323

direito público e de entidades controladas direta ou indiretamente pelo porativa;


Poder Público e dispensa os registros de que tratam os artigos 19 e 21 da II. incluir, no formulário de referência, a análise e os comentários da ad-
Lei 6.385, nos casos que especifica. ministração sobre as demonstrações financeiras da emissora, que dev-
IV. As ofertas públicas de valores mobiliários de emissão de empresas de erão explicitar:
pequeno porte e de microempresas, assim definidas em lei.
a) razões que fundamentam as variações das contas do balanço pat-
Tais ofertas públicas automaticamente dispensadas de registro devem rimonial e das demonstrações de resultados da emissora, tomando
ser registradas na ANBIMA apenas para fins de registro em sua base de por referência, pelo menos, os últimos três exercícios sociais;
dados.
b) razões que fundamentam as variações das contas do balanço pat-
As instituições participantes da ANBIMA devem observar os seguintes
rimonial e das demonstrações de resultados da emissora, tomando
princípios e regras em suas atividades relacionadas às operações de oferta
por referência as últimas Informações Trimestrais (ITR) acumuladas,
pública de que participem:
comparadas com igual período do exercício social anterior, se for o
I. nortear a prestação das atividades pelos princípios da liberdade de ini- caso;
ciativa e da livre concorrência;
II. evitar quaisquer práticas que infrinjam ou estejam em conflito com as III. incluir, no formulário de referência, informações, se houver, acerca
regras e princípios no código, na legislação pertinente e/ou nas demais da adesão da emissora, por qualquer meio, a padrões internacionais rel-
normas estabelecidas pela ANBIMA; ativos à proteção ambiental, incluindo referência específica ao ato ou
documento de adesão;
III. evitar a adoção de práticas caracterizadoras de concorrência desleal
e/ou de condições não equitativas, bem como de quaisquer outras práti- IV. incluir, no formulário de referência, informações, se houver das políti-
cas que contrariem os princípios contidos no código, respeitando os princí- cas de responsabilidade social, patrocínio e incentivo cultural adotadas
pios de livre negociação; pela emissora, assim como dos principais projetos desenvolvidos nessas
áreas ou dos quais participe;
IV. cumprir todas as suas obrigações, devendo empregar, no exercício de
V. incluir, no formulário de referência, informações sobre pendências ju-
sua atividade, o cuidado que toda pessoa prudente e diligente costuma
diciais e administrativas relevantes da emissora e/ou ofertantes, descrição
dispensar à administração de seus próprios negócios, respondendo por
dos processos judiciais e administrativos relevantes em curso, com indi-
quaisquer infrações ou irregularidades cometidas durante o período em
cação dos valores envolvidos, perspectivas de êxito e informação sobre
que prestarem as atividades reguladas pelo código;
provisionamento;
V. buscar desenvolver suas atividades com vistas a incentivar o mercado
VI. incluir, no prospecto, as informações abaixo especificadas, no que diz
secundário de valores mobiliários, respeitadas as características de cada
respeito ao relacionamento relevante entre o coordenador e a emissora
oferta pública.
e/ou ofertantes, bem como a destinação de recursos:
Nas ofertas públicas em que atuem na qualidade de coordenadores, as
instituições participantes devem zelar pela elaboração do prospecto e a) relacionamento — apresentar de forma consolidada, as relações da
do formulário de referência, a fim de que apresentem informações sufi- emissora e/ou ofertantes com o coordenador líder e demais coor-
cientes, claras e precisas, para que o investidor tome a decisão de investi- denadores da oferta pública, incluindo as empresas dos respectivos
mento com as informações necessárias disponíveis, observadas. Devem, grupos econômicos destes, tais como empréstimos, investimentos,
ainda: valor, prazo, taxa, garantia e outras relações eventualmente existentes,
I. incluir, no formulário de referência, a descrição de práticas de gov- inclusive com instituições financeiras que tenham relações societárias
ernança corporativa diferenciadas, eventualmente adotadas pela emis- com os coordenadores;
sora, por exemplo, do Código de Melhores Práticas de Governança Cor- b) destinação de recursos — descrever genericamente a destinação dos
porativa publicado pelo IBGC — Instituto Brasileiro de Governança Cor- recursos e destacar se uma parte ou a totalidade será destinada para

324 325
liquidar ou amortizar quaisquer operações, inclusive se contratadas do presente código, não cabendo qualquer responsabilidade à ANBIMA
junto aos acionistas controladores e sociedades controladas da emis- pelas informações constantes dos referidos documentos relativos às ofer-
sora e/ou ofertante. tas públicas, bem como pela qualidade da emissora e/ou ofertantes, das
Quando houver destinação de recursos da oferta para liquidar ou instituições participantes e/ou dos valores mobiliários objeto da oferta
amortizar dívidas devidamente descritas e individualizadas na seção pública.
"Destinação de Recursos" do prospecto, dentro do curso de paga-
mentos ordinário ou extraordinário junto aos coordenadores e seus 4.89. Código Anbima de Regulação e Melhores Práticas para Estruturação,
respectivos controladores ou controladas que sejam instituições fi-
nanceiras, deverá constar, nesta seção, referência para as seções de Coordenação e Distribuição de Ofertas Públicas de Valores Mobiliários e
relacionamento e operações vinculadas; Ofertas Públicas de Aquisição de Valores Mobiliários
c) conflitos de interesses — informações sobre a existência ou não de
eventuais conflitos de interesses na participação dos coordenadores Para finalizarmos este módulo vamos abordar o código que vai tratar da
nas ofertas públicas decorrentes do seu relacionamento com a emis- oferta pública de ativos e aquisição. O conteúdo abaixo foi extraído do
sora e/ou ofertantes, assim como sobre os mecanismos adotados para próprio Código ANBIMA.
eliminá-los ou mitigá-los;
VII. incluir, no formulário de referência, em seção específica, even-
tual descrição de políticas de gerenciamento de risco adotadas pela
4.89. Objetivo e Abrangência
emissora, na forma da regulamentação aplicável. Assim como os demais códigos da ANBIMA, este tem como objetivo:
∗ a manutenção dos mais elevados padrões éticos e a consagração da
4.88. Selo ANBIMA institucionalização de práticas equitativas no Mercado Financeiro e
de capitais;
É obrigatória a veiculação da logomarca da ANBIMA, acompanhada de
∗ a concorrência leal;
texto obrigatório (Selo ANBIMA), utilizada para demonstração do com-
promisso das instituições participantes com o cumprimento e observân- ∗ a padronização de seus procedimentos;
cia dos termos descritos acima. ∗ a estímulo ao adequado funcionamento da distribuição de produtos
O selo ANBIMA deve estar presente nos seguintes documentos: de investimento;
I. I. prospecto; ∗ a transparência no relacionamento com os investidores, conforme o
II. II. lâmina para nota promissória, conforme modelo disponibilizado pela canal utilizado e as características dos investimentos;
ANBIMA; ∗ a qualificação das instituições e de seus profissionais envolvidos na
III. memorando, conforme modelo disponibilizado pela ANBIMA; distribuição de produtos de investimento.
IV. avisos ao mercado;
Este código se destina aos bancos múltiplos, comerciais, de investimento,
V. comunicados ao mercado;
de desenvolvimento, sociedades corretoras e distribuidoras de títulos e
VI. anúncio de início de distribuição; valores mobiliários, assim como aos administradores fiduciários e/ou ge-
VII. anúncio de encerramento de distribuição; stores de recursos de terceiros quando distribuírem seus próprios fun-
VIII. edital de oferta pública de aquisição de ações. dos de investimento.
A veiculação do Selo ANBIMA tem por finalidade exclusiva demonstrar o A observância das normas deste código é obrigatória para as institu-
compromisso das instituições participantes em atender as disposições ições participantes. Elas que devem assegurar que o presente código

326 327

seja também observado por todos os integrantes de seu conglomerado V. adotar condutas compatíveis com os princípios de idoneidade moral
ou grupo econômico que estejam autorizados, no Brasil, a distribuírem e profissional;
produtos de investimento. VI. evitar práticas que possam prejudicar a distribuição de produtos de
As instituições participantes estão dispensadas de observar o disposto investimento, especialmente no que tange aos deveres e direitos rela-
neste código na distribuição de produtos de investimento para: cionados às atribuições específicas de cada uma das instituições par-
1. União, Estados, Municípios e Distrito Federal (excluindo os RPPS); ticipantes estabelecidas em contratos, regulamentos, neste código e na
regulação vigente;
2. pessoa jurídica dos segmentos classificados como middle e corporate,
segundo critérios estabelecidos pela própria instituição participante; VII. envidar os melhores esforços para que todos os profissionais que de-
sempenhem funções ligadas à distribuição de produtos de investimento
3. caderneta de poupança.
atuem com imparcialidade e conheçam o código de ética da instituição
As instituições participantes submetidas à ação reguladora e fiscalizadora participante e as normas aplicáveis à sua atividade;
do Conselho Monetário Nacional, do Banco Central do Brasil e da Comis-
VIII. divulgar informações claras e inequívocas aos investidores acerca
são de Valores Mobiliários, concordam, expressamente, que a atividade
dos riscos e consequências que poderão advir dos produtos de investi-
de distribuição de produtos de investimento excede o limite de sim-
mento;
ples observância da regulação que lhe é aplicável, devendo, dessa forma,
submeter-se também aos procedimentos estabelecidos por este código. IX. identificar, administrar e mitigar eventuais conflitos de interesse que
possam afetar a imparcialidade das pessoas que desempenhem funções
O presente código não se sobrepõe à regulação vigente, ainda que se-
ligadas à distribuição de produtos de investimento.
jam editadas normas, após o início de sua vigência, que sejam contrárias
às disposições ora trazidas, de maneira que deve ser desconsiderada,
caso haja contradição entre as regras estabelecidas neste código e a reg- 4.89. Regras e Procedimentos
ulação em vigor, a respectiva disposição deste código, sem prejuízo das
demais regras nele contidas. As instituições participantes devem garantir, por meio de controles in-
ternos adequados, o permanente atendimento ao disposto no código,
às políticas e à regulação vigente.
4.89. Princípios Gerais de Conduta Sendo que, para assegurar o cumprimento do código, as instituições
participantes devem implementar e manter, em documento escrito, re-
As instituições participantes devem: gras, procedimentos e controles que:
I. exercer suas atividades com boa-fé, transparência, diligência e leal- I. sejam efetivos e consistentes com a natureza, porte, estrutura e mod-
dade; elo de negócio das instituições participantes, assim como com a com-
II. cumprir todas as suas obrigações, devendo empregar, no exercício plexidade dos produtos de investimento distribuídos;
de suas atividades, o cuidado que toda pessoa prudente e diligente cos- II. sejam acessíveis a todos os seus profissionais, de forma a assegurar
tuma dispensar à administração de seus próprios negócios, respondendo que os procedimentos e as responsabilidades atribuídas aos diversos
por quaisquer infrações ou irregularidades cometidas; níveis da organização sejam conhecidos;
III. nortear a prestação das atividades pelos princípios da liberdade de III. possuam divisão clara das responsabilidades dos envolvidos na função
iniciativa e da livre concorrência, evitando a adoção de práticas carac- de controles internos e na função de cumprimento das políticas, pro-
terizadoras de concorrência desleal e/ou de condições não equitativas, cedimentos, controles internos e regras estabelecidas pela regulação vi-
respeitando os princípios de livre negociação; gente ("compliance"), da responsabilidade das demais áreas da institu-
IV. evitar quaisquer práticas que infrinjam ou estejam em conflito com ição, de modo a evitar possíveis conflitos de interesses com as demais
as regras e princípios contidos neste código e na regulação vigente; áreas;

328 329
IV. indiquem as medidas necessárias para garantir a independência e a I. propiciar o controle de informações confidenciais, reservadas ou priv-
adequada autoridade aos responsáveis pela função de controles inter- ilegiadas que tenham acesso os seus sócios, diretores, administradores,
nos e de compliance na instituição. profissionais e terceiros contratados;
As instituições participantes devem manter em sua estrutura área(s) que II. assegurar a existência de testes periódicos de segurança para os sis-
seja(m) responsável(is) por seus controles internos e compliance. temas de informações, em especial para os mantidos em meio eletrônico;
Estas áreas devem: III. implantar e manter treinamento para os seus sócios, diretores, ad-
I. ter estrutura compatível com a natureza, porte e modelo de negócio ministradores e profissionais que tenham acesso a informações confi-
das instituições participantes, assim como com a complexidade dos pro- denciais, reservadas ou privilegiadas.
dutos de investimentos distribuídos; As instituições participantes devem implementar e manter, em docu-
II. ser independente(s) e reportar-se ao diretor responsável pelos con- mento escrito, regras e procedimentos para assegurar a segurança e sig-
troles internos e pelo compliance; ilo da informação, incluindo, no mínimo:
III. ter profissionais com qualificação técnica e experiência necessária I. regras de acesso às informações confidenciais, reservadas ou privile-
para o exercício das atividades relacionadas à função de controles in- giadas, indicando como se dá o acesso e controle de pessoas autorizadas
ternos e de compliance; e não autorizadas a essas informações, inclusive nos casos de mudança
IV. ter comunicação direta com a diretoria, administradores e com o con- de atividade dentro da mesma instituição ou desligamento do profis-
selho de administração, se houver, para realizar relato dos resultados sional;
decorrentes das atividades relacionadas à função de controles internos II. regras específicas sobre proteção da base de dados e procedimen-
e de compliance, incluindo possíveis irregularidades ou falhas identifi- tos internos para tratar casos de vazamento de informações confidenci-
cadas; ais, reservadas ou privilegiadas, mesmo que oriundos de ações involun-
V. ter acesso regular a capacitação e treinamento; tárias;
VI. ter autonomia e autoridade para questionar os riscos assumidos nas III. regras de restrição ao uso de sistemas, acessos remotos e qualquer
operações realizadas pela instituição. outro meio/veículo que contenham informações confidenciais, reservadas
A(s) funções desempenhadas pela(s) área(s) responsável(is) pelos con- ou privilegiadas no exercício de suas atividades.
troles internos e pelo compliance pode(m) ser desempenhada(s) em con- Desta maneira, as instituições participantes devem exigir que seus profis-
junto, na mesma estrutura, ou por unidades específicas. sionais assinem, de forma manual ou eletrônica, documento de confi-
As instituições participantes devem atribuir a responsabilidade pelos con- dencialidade sobre as informações confidenciais, reservadas ou privile-
troles internos e pelo compliance a um diretor estatutário ou equiva- giadas que lhes tenham sido confiadas em virtude do exercício de suas
lente, sendo vedada a atuação em funções relacionadas à administração atividades profissionais, excetuadas as hipóteses permitidas em lei.
de recursos de terceiros, à intermediação, distribuição e à consultoria Os terceiros contratados que tiverem acesso às informações confidenci-
de valores mobiliários, ou em qualquer atividade que limite a sua inde- ais, reservadas ou privilegiadas que lhes tenham sido confiadas no exer-
pendência, na instituição, ou fora dela. cício de suas atividades devem assinar o mesmo documento, podendo
A instituição participante pode designar um único diretor responsável tal documento ser excepcionado quando o contrato de prestação de
pelos controles internos e pelo compliance, ou pode indicar diretores serviço possuir cláusula de confidencialidade.
específicos para cada função.
4.89. Gestão de Riscos
4.89. Segurança e Sigilo das Informações
As instituições participantes devem conseguir identificar, mensurar, avaliar,
As instituições participantes devem estabelecer mecanismos para: monitorar, reportar, controlar e mitigar os riscos atribuídos à sua ativi-

330 331

dade (gestão de riscos). A gestão de riscos deve prever regras e procedimentos sobre o Plano de
A gestão de riscos deve ser: Continuidade de Negócios observando-se, no mínimo:
1) compatível com a natureza, porte, complexidade, estrutura, perfil de I. análise de riscos potenciais;
risco dos produtos de investimento distribuídos e modelo de negócio da II. planos de contingência, detalhando os procedimentos de ativação, o
instituição; estabelecimento de prazos para a implementação e a designação das
2) proporcional a dimensão e a relevância da exposição aos riscos, se- equipes que ficarão responsáveis pela operacionalização dos referidos
gundo critérios definidos pela instituição; planos;
3) adequada ao perfil de risco e a importância sistêmica da instituição. III. validação ou testes no mínimo a cada doze meses, ou em prazo infe-
As instituições participantes devem implementar e manter, em docu- rior, se exigido pela regulação.
mento escrito, regras, procedimentos e controles para assegurar o cont- A validação ou testes de que tratam os itens acima tem como objetivo
role de gestão de risco citado no slide anterior que contenha, no mínimo: avaliar se os Planos de Continuidade de Negócios desenvolvidos con-
I. sistemas, rotinas e procedimentos para a gestão de riscos que: seguem suportar, de modo satisfatório, os processos operacionais críti-
cos para continuidade dos negócios da instituição e manter a integri-
a) assegurem integridade, segurança e disponibilidade dos dados e dos dade, segurança e consistência dos bancos de dados criados pela alter-
sistemas de informação utilizados; nativa adotada, e se tais planos podem ser ativados tempestivamente.
b) sejam robustos e adequados às necessidades e às mudanças do mod- O conteúdo dos documentos exigidos nesse capítulo pode constar de
elo de negócio, tanto em circunstâncias normais, como em períodos um único documento, desde que haja clareza a respeito dos procedi-
de estresse; mentos e regras exigidos em cada seção.

c) Incluam mecanismos de proteção e segurança da informação, com


vistas a prevenir, detectar e reduzir a vulnerabilidade a ataques digi- 4.89. Publicidade
tais;
A instituição participante, ao elaborar e divulgar material publicitário e
II. avaliação periódica da adequação dos sistemas, rotinas e procedimen- material técnico, deve:
tos de que trata o item acima; I. empregar com empenho seus melhores esforços no sentido de pro-
III. processos e controles adequados para assegurar a identificação prévia duzir materiais adequados aos seus investidores, minimizando incom-
dos riscos inerentes a: preensões quanto ao seu conteúdo e privilegiando informações necessárias
para a tomada de decisão de investidores e potenciais investidores;
a) novos produtos;
II. buscar a transparência, clareza e precisão das informações, usando lin-
b) modificações relevantes em produtos existentes; guagem simples, clara, objetiva e adequada aos investidores e potenci-
c) mudanças significativas em processos, sistemas, operações e mod- ais investidores, de modo a não induzir a erro ou a decisões equivocadas
elo da instituição participante; de investimentos
III. conter informações verdadeiras, completas, consistentes e alinhadas
IV. papéis e responsabilidades claramente definidas que estabeleçam com os documentos dos Produtos de Investimento distribuídos;
atribuições aos profissionais da instituição participante em seus diver- IV. zelar para não haver qualificações injustificadas, superlativos não com-
sos níveis, incluindo os terceiros contratados; provados, opiniões ou previsões para as quais não exista uma base téc-
V. indicação de como é feita a coordenação da gestão de riscos da insti- nica, promessas de rentabilidade, garantia de resultados futuros ou isenção
tuição com a área de controles internos e de compliance. de risco para investidores e potenciais investidores;

332 333
V. disponibilizar informações que sejam pertinentes ao processo de de- V. saldos, extratos e demais materiais destinados à simples apresentação
cisão, tratados de forma técnica assuntos relativos à performance pas- de posição financeira, movimentação e rentabilidade, desde que restri-
sada, de modo a privilegiar as informações de longo prazo em detri- tos a estas informações ou assemelhadas;
mento daquelas de curto prazo; VI. propaganda de empresas do conglomerado ou grupo econômico da
VI. manter a mesma linha de conteúdo e forma, e na medida do possível instituição participante que apenas faça menção a Produtos de Investi-
incluir a informação mais recente disponível, de maneira que não sejam mento, a departamentos e/ou empresas que realizam a Distribuição de
alterados os períodos de análise, buscando ressaltar períodos de boa Produtos de Investimento em conjunto com os outros departamentos
rentabilidade, descartando períodos desfavoráveis, ou interrompendo ou empresas que desenvolvam outros negócios do conglomerado ou
sua recorrência e periodicidade especialmente em razão da performance; grupo econômicos;
VII. privilegiar dados de fácil comparabilidade e, caso sejam realizadas
projeções ou simulações, detalhar todos os critérios utilizados, incluindo
valores e taxas de comissões; 4.89. Material Publicitário
VIII. zelar para haver concorrência leal, de modo que as informações disponi- A instituição participante, ao divulgar material publicitário em qualquer
bilizadas ou omitidas não promovam determinados Produtos de Inves- meio de comunicação disponível, deve incluir, em destaque, link ou cam-
timento ou instituições participantes em detrimento de seus concor- inho direcionando investidores ou potenciais investidores ao material
rentes, permitida a comparação somente de produtos que tenham a técnico sobre o(s) produto(s) de investimento mencionado(s), de modo
mesma natureza ou similares. que haja conhecimento de todas as informações, características e riscos
Todo material publicitário e material técnico é de responsabilidade de do investimento.
quem o divulga, inclusive no que se refere à conformidade com as regras A instituição participante e empresas do Conglomerado ou Grupo Econômico
previstas no código de distribuição. que fizerem menção de seus Produtos de Investimento nos materiais
Caso a divulgação seja feita por um terceiro contratado, este deve obter, publicitários de forma geral e não específica, devem incluir link ou cam-
previamente a divulgação, aprovação expressa da instituição participante. inho que direcione os investidores ou potenciais investidores para o site
A instituição participante, quando oferece divulgação de material pub- da instituição.
licitário e material técnico deve observar, adicionalmente às regras pre- A instituição participante deve incluir, quando da divulgação de rentabil-
vistas neste Código e na Regulação em vigor, as regras aplicáveis a cada idade do Produto de Investimento em material publicitário, o nome do
Produto de Investimento, podendo o Conselho de Distribuição expedir emissor e a carência, se houver
diretrizes específicas sobre o tema.
Para fins do código de distribuição, não são considerados material pub-
licitário ou material técnico: 4.89. Material Técnico
I. formulários cadastrais, questionários de perfil do investidor ou perfil O material técnico deve possuir, no mínimo, as seguintes informações
de investimento, materiais destinados unicamente à comunicação de sobre o Produto de Investimento:
alterações de endereço, telefone ou outras informações de simples refer-
I. descrição do objetivo e/ou estratégia;
ência para o investidor;
II. público-alvo, quando destinado a investidores específicos;
II. materiais que se restrinjam a informações obrigatórias exigidas pela
Regulação vigente; III. carência para resgate e prazo de operação;
III. questionários de "due diligence" e propostas comerciais; IV. tributação aplicável;
IV. materiais de cunho estritamente jornalístico, inclusive entrevistas, di- V. informações sobre os canais de atendimento;
vulgadas em quaisquer meios de comunicação; VI. nome do emissor, quando aplicável;

334 335

VII. classificação do produto de investimento; III. carência para resgate e prazo de operação;
VIII. descrição resumida dos principais fatores de risco, incluindo, no mín- IV. nome do emissor, quando aplicável;
imo, os riscos de liquidez, de mercado e de crédito, quando aplicável. [Link]ção aplicável;
Nas agências e dependências da instituição participante, devem-se man- VI. classificação do Produto de Investimento;
ter à disposição dos interessados, seja por meio impresso ou passível de VII. descrição resumida dos principais fatores de risco, incluindo no mín-
impressão, as informações atualizadas previstas no item anterior para imo, os riscos de liquidez, de mercado e de crédito, quando aplicável;
cada Produto de Investimento distribuído nesses locais. VIII. informações sobre os canais de atendimento.
As instituições participantes, quando divulgam de informações dos fun-
4.89. Avisos Obrigatórios dos de investimento nos sites na internet, devem observar, além das in-
formações anteriores, divulgar informações de fundos que:
As instituições participantes devem incluir, com destaque, nos materiais I. sejam constituídos sob a forma de condomínio aberto, cuja distribuição
técnicos os seguintes avisos obrigatórios. de cotas independe de prévio registro na CVM, nos termos da regulação
Caso faça referência à histórico de rentabilidade ou menção a perfor- vigente;
mance: II. que não sejam exclusivos e/ou reservado, e que não sejam objeto de
∗ "Rentabilidade obtida no passado não representa garantia de resul- oferta pública pela instituição participante
tados futuros"; As instituições participantes devem possuir canais de atendimento com-
patíveis com seu porte e número de investidores para esclarecimento de
∗ II. "A rentabilidade divulgada não é líquida de impostos". dúvidas e recebimento de reclamações.
Caso faça referência a Produtos de Investimento que não possuam garan-
tia do fundo garantidor de crédito: 4.89. Conheça seu Cliente
∗ "O investimento em [indicar produto de investimento] não é garan- As instituições participantes devem no seu processo de "conheça seu
tido pelo Fundo Garantidor de Crédito". cliente" buscar conhecer seus investidores no início do relacionamento
e durante o processo cadastral, identificando a necessidade de visitas
Caso faça referência à simulação de rentabilidade:
pessoais em suas residências, seus locais de trabalho e em suas insta-
∗ "As informações presentes neste material técnico são baseadas em lações comerciais.
simulações e os resultados reais poderão ser significativamente difer- As instituições participantes devem implementar e manter, em docu-
entes". mento escrito, regras e procedimentos que descrevam o processo de
"conheça seu cliente" adotado pela instituição.
No uso de mídia impressa e por meios digitais escritos, o tamanho do O documento de que trata o parágrafo acima deve conter regras que se-
texto e a localização dos avisos e informações devem permitir sua clara jam efetivas e consistentes com a natureza, porte, complexidade, estru-
leitura e compreensão. tura, perfil de risco dos Produtos de Investimento distribuídos e modelo
Regras Gerais de negócio da instituição e deve conter, no mínimo:
As instituições participantes devem disponibilizar seção exclusiva em I. procedimento adotado para aceitação de investidores, incluindo pro-
seus sites na internet sobre os Produtos de Investimento distribuídos, cedimento para análise e validação dos dados, bem como a forma de
contendo no mínimo, as seguintes informações: aprovação dos investidores;
I. descrição do objetivo e/ou estratégia de investimento; II. indicação dos casos que são realizadas visitas aos investidores em sua
II. público-alvo, quando destinado a investidores específicos; residência, local de trabalho ou instalações comerciais;

336 337
III. indicação do sistema e ferramentas utilizadas para realizar o controle b) Divulgação referente ao desenquadramento identificado entre o per-
das informações, dados e movimentações dos investidores; fil do investidor e seus investimentos, a ser efetuada sempre que ver-
IV. procedimento de atualização cadastral, nos termos da regulação em ificado o desenquadramento.
vigor;
V. Procedimento operacional: descrição detalhada dos procedimen-
V. procedimento adotado para identificar a pessoa natural caracterizada
tos utilizados para a aferição periódica entre o perfil do investidor e seus
como beneficiário final, nos termos da regulação em vigor;
investimentos.
VI. procedimento adotado para veto de relacionamentos em razão dos
riscos envolvidos. VI. Atualização do perfil do investidor: descrição detalhada dos critérios
utilizados para atualização do perfil do investidor, incluindo como a in-
As instituições participantes devem manter as informações cadastrais stituição participante dará ciência desta atualização.
de seus investidores atualizadas, de modo a permitir que haja identifi-
cação, a qualquer tempo, de cada um dos beneficiários finais, bem como VII. Controles internos: descrição detalhada dos controles internos e
do registro atualizado de todas as aplicações e resgates realizados em mecanismos adotados pela instituição participante para o processo de
nome dos investidores, quando aplicável. suitability para assegurar a efetividade dos procedimentos estabeleci-
dos pela instituição.
A verificação de perfil do investidor não será aplicada nas exceções pre-
4.89. Suitability vistas na regulação vigente. A instituição participante é responsável pelo
suitability de seus investidores.
As instituições participantes, no exercício da atividade de distribuição de
produtos de investimento, não podem recomendar produtos de inves- A coleta de informações do investidor deve possibilitar a definição:
timento, realizar operações ou prestar serviços sem que verifiquem sua
adequação ao perfil do investidor. ∗ do seu objetivo de investimento;
As instituições participantes devem implementar e manter, em docu-
∗ da sua situação financeira;
mento escrito, regras e procedimentos que possibilitem verificar a ad-
equação dos produtos de investimento ao perfil dos investidores (suit- ∗ do seu conhecimento em matéria de investimentos, fornecendo in-
ability), devendo conter, no mínimo, as informações abaixo. formações suficientes para permitir a definição do perfil de cada in-
I. Coleta de informações: descrição detalhada do mecanismo de coleta vestidor.
das informações junto ao investidor para definição de perfil.
II. Classificação do perfil: descrição detalhada dos critérios utilizados Para definição do objetivo de investimento do investidor, a instituição
para a classificação de perfil do investidor, devendo ser observadas as participante deve considerar, no mínimo, as seguintes informações:
características de classificação para cada perfil, conforme Diretriz AN- I. período em que será mantido o investimento;
BIMA de Suitability.
II. as preferências declaradas quanto à assunção de riscos;
III. Classificação dos Produtos de Investimento: descrição detalhada
dos critérios utilizados para a classificação de cada produto de investi- III. as finalidades do investimento.
mento. Para definição da situação financeira do investidor, a instituição partici-
IV. Comunicação com o investidor: descrição detalhada dos meios, pante deve considerar, no mínimo, as seguintes informações:
forma e periodicidade de comunicação utilizada entre a instituição par- I. o valor das receitas regulares declaradas;
ticipante e o investidor para as situações abaixo. II. o valor e os ativos que compõem seu patrimônio;
a) Divulgação do seu perfil de risco após coleta das informações. III. a necessidade futura de recursos declarada

338 339

4.89. Private IV. descrição da prestação de informações para o investidor, com a re-
spectiva periodicidade;
O serviço de private, para fins deste código, compreende as informações V. cláusula prevendo a responsabilidade do terceiro contratado para a
abaixo. prestação dos serviços, quando for o caso.
I. A distribuição de produtos de investimento para os investidores que A instituição participante que oferecer para seus investidores o serviço
tenham capacidade financeira de, no mínimo, três milhões de reais, in- de private deve possuir em sua estrutura:
dividual ou coletivamente
I. 75% dos seus gerentes de relacionamento certificados pelo CFP®, de-
II. A prestação dos seguintes serviços: vendo estes profissionais serem funcionários das instituições participantes
e exercerem suas funções exclusivamente para o private;
a) Proposta de portfólio de produtos e serviços exclusivos e/ou;
II. profissional ou área responsável pela atividade de estrategista de in-
b) Planejamento financeiro, incluindo, mas não se limitando a: vestimentos, devendo o profissional que atue nesta atividade ser certi-
ficado pela Planejar - Certified Financial Planner (CFP®), pela ANBIMA -
1. análises e soluções financeiras e de investimentos específicas para
Certificação de Gestores ANBIMA (CGA), pelo CFA Institute - Chartered
cada investidor, observada a regulação aplicável;
Financial Analyst (CFA), ou, ainda, possuir autorização da Comissão de
2. constituição de veículos de investimento, que podem ser exclusivos, Valores Mobiliários (CVM) para o exercício da atividade de administração
reservados e personalizados segundo as necessidades e o perfil de de carteira de valores mobiliários;
cada investidor, em parceria com administradores fiduciários e/ou III. profissional responsável pela análise de risco de mercado e de crédito
gestores de recursos de terceiros. dos Produtos de Investimento recomendados aos investidores;
IV. economista.
As instituições participantes podem oferecer a seus investidores:
Não é necessária dedicação exclusiva dos profissionais citados anteri-
I. planejamento fiscal, tributário e sucessório, que deve ser desempen-
ormente para o serviço de private, desde que as outras atividades ou
hado por profissional tecnicamente capacitado para esse serviço;
funções desempenhadas não gerem conflito de interesses com o referido
II. planejamento previdenciário e de seguros, que deve ser desempen- serviço.
hado em parceria com sociedade seguradora para a constituição de fun-
As instituições participantes que decidirem prestar o serviço de private
dos previdenciários personalizados segundo as necessidades e o per-
para seus investidores devem, previamente ao início da prestação, infor-
fil de cada investidor, assim como análises e propostas de seguros, de
mar a ANBIMA que passarão a prestar esse serviço e demonstrar que
forma geral;
cumpriram com as exigências previstas neste capítulo.
III. elaboração de relatórios de consolidação de investimentos detidos
em outras instituições, que permitam uma análise crítica em relação às
posições, concentração de ativos, risco do portfólio, entre outros aspec-
tos.
As instituições participantes, quando da prestação do serviço de private,
devem possuir contrato contendo, no mínimo:
I. descrição dos serviços contratados;
II. descrição da forma de remuneração, incluindo os casos de múltipla
remuneração pela aquisição e manutenção dos investimentos;
III. indicação de quem prestará o serviço, se a própria instituição ou ter-
ceiro por ela contratado;

340 341
4.90. FINANCAS DESCENTRALIZADAS BLOCKCHAIN E DEFI - A3565 tida pelo consenso da rede. Acesso global, possibilitado pela internet.
Custos reduzidos, já que não há taxas de intermediários.
4.90. Finanças Descentralizadas, Blockchain e DeFi
4.90. Comparativo Entre CeFi e DeFi
4.90. O que é Blockchain?
Blockchain é uma tecnologia que registra dados de forma segura, em Aspecto CeFi DeFi
blocos conectados e imutáveis. Criada em 1991, seu objetivo inicial era Controle dos ativos Instituições financeiras Usuário
garantir a autenticidade de documentos digitais, tornando-os irrever- Intermediários Bancos e corretoras Nenhum
síveis (não podem ser apagados) e imutáveis (não podem ser alterados). Acessibilidade Restrita por regras e Global e irrestrita
No sistema financeiro tradicional, bancos e bolsas centralizam o cont- localizações
role. Na blockchain, esse controle é distribuído entre vários usuários, os Segurança Depende da instituição Garantida pela rede
mineradores. Custos Taxas administrativas Menores custos de
transação
4.90. Finanças Centralizadas e Finanças Descentralizadas Table 4.1: Diferenças entre CeFi e DeFi

As Finanças Centralizadas (CeFi) dependem de bancos e corretoras para


intermediar transações. Já as Finanças Descentralizadas (DeFi) utilizam
a blockchain, eliminando intermediários e dando ao usuário controle di- 4.90. Considerações Finais
reto sobre seus ativos. Blockchain, DeFi e Smart Contracts estão transformando o mercado fi-
nanceiro. Dominar esses conceitos é essencial para quem busca uma
4.90. Como Funciona o Mecanismo de Consenso? certificação financeira. Continue estudando com dedicação e lembre-
se: cada hora de estudo é um passo mais perto da sua aprovação. Bora
No DeFi, as transações são verificadas por consenso. Milhares de min- pra cima!
eradores validam cada operação, garantindo transparência, segurança
e impedindo fraudes.
4.91. A3566 TOKENIZACAO E NFT
4.90. Smart Contracts: Contratos Inteligentes 4.91. Tokenização e NFT
Smart Contracts são programas digitais que executam automaticamente
4.91. O que é tokenização?
acordos predefinidos, sem a necessidade de terceiros. Por exemplo, um
contrato pode transferir criptomoedas em uma data específica sem in- A tokenização é o processo de conversão de um ativo físico ou digital em
tervenção humana. um token registrado em blockchain . Esse token pode representar uma
posse, um direito ou uma fração de um ativo , permitindo sua transfer-
ência e negociação de forma digital, segura e sem intermediários, como
4.90. Vantagens do DeFi
cartórios e bancos.
Descentralização, com menos dependência de instituições financeiras. Imagine a compra de um carro: em vez de enfrentar toda a burocra-
Autonomia, pois o usuário gerencia seus próprios ativos. Segurança, garan- cia de cartórios, CRVA e taxas, a propriedade do veículo poderia ser reg-

342 343

istrada digitalmente na blockchain . Isso eliminaria intermediários, re- Registro em blockchain. Garantia garantida, segurança e histórico de
duziria custos e tornaria o processo mais ágil e seguro. propriedade.
Frações de propriedade. Pode representar partes de ativos, permitindo
4.91. Como funciona a tokenização? divisão entre investidores.
Benefícios da tokenização para o mercado e o cotidiano
A tokenização utiliza blockchain , uma tecnologia descentralizada e imutável,
para transformar ativos em códigos digitais únicos . Esses tokens podem Segurança. Registros confiáveis e imutáveis, fraudes rápidas.
ser criados por meio de contratos inteligentes , contratos inteligentes Líquido. Agilidade em negociações, permitindo vendas instantâneas de
que automatizam regras de propriedade e transferência. ativos.
Por exemplo, ao comprar um imóvel tokenizado, a escritura poderia ser
registrada na blockchain, garantindo benefícios e facilitando a venda fu- Redução de custos. Eliminar intermediários e taxas burocráticas.
tura sem necessidade de cartórios. A tokenização permite, por exemplo, que investidores comprem frações
de imóveis ou carros raros , democratizando o acesso a ativos de alto
valor. Além disso, os NFTs podem ser usados para contratos inteligentes,
4.91. Ativos fungíveis x Não fungíveis entrada de eventos, direitos autorais e até certificações digitais .
Os ativos tokenizados podem ser fungíveis ou não fungíveis . Veja a difer-
ença:
Fungíveis. Moedas, ações, commodities ;São idênticos entre si e podem
ser trocados por equivalentes (ex: R$100 podem ser trocados por duas 4.91. Exemplos de NFTs e suas aplicações
notas de R$50).
Não fungíveis. Obras de arte, imóveis, carros raros, colecionáveis São Os NFTs vão muito além das artes digitais. Veja algumas aplicações ino-
únicos e insubstituíveis (ex: um quadro original de Van Gogh não pode vadoras:
ser trocado por uma cópia). - Games e Metaverso -- Itens exclusivos em jogos, como skins e terrenos
O que é um NFT? virtuais.
NFT (Non-Fungible Token) é um token não fungível registrado em blockchain, - Música e Entretenimento -- Direitos autorais e ingressos tokenizados
representando um item único e autenticado digitalmente. Diferente de para shows.
um ativo fungível, um NFT não pode ser trocado por outro de igual valor - Educação -- Certificados digitais de cursos e diplomas autenticados
, pois suas características são únicas. em blockchain.
- Setor imobiliário -- Compra e venda de imóveis tokenizados, simplifi-
Imagine um Mustang Shelby GT500 de edição especial. Mesmo que ex-
cada burocracia.
istam outros Mustangs, o número de chassis, a cor e a personalização
tornam esse carro único. Da mesma forma, um NFT representa um item Por que tokenização e NFTs são importantes para sua carreira?
exclusivo , seja uma arte digital, um ingresso, um contrato ou um objeto Mais do que um tema para provas de certificação financeira como CEA,
dentro de um jogo. CPA-10 e CPA-20 , o conhecimento sobre tokenização e NFTs prepara
profissionais para o mercado digital , auxiliando na otimização de pro-
4.91. Principais características dos NFTs cessos, redução de custos e criação de novas oportunidades de negó-
cio. Com a crescente digitalização dos mercados, entender blockchain,
Não fungível. Cada NFT é único e não pode ser substituído por outro tokenização e NFTs será um diferencial competitivo para quem atua no
idêntico. setor financeiro, jurídico, imobiliário e de tecnologia.

344 345
4.91. Fique ligado... Controle Segurança
Descentralizado, sem cont- Alta, com registros imutáveis
A tokenização e os NFTs estão evoluindo na forma como negociamos, Criptomoedas
role governamental no blockchain
investimos e validamos ativos. Seja na compra de um imóvel, na arte Centralizado, controlado por
digital ou no setor financeiro, o blockchain está revolucionando os mer- Moedas Tradicionais Sujeita a alterações e fraudes
bancos
cados e criando novas oportunidades . Ficar atualizado sobre essas tec-
nologias não é apenas um diferencial -- é uma necessidade para quem Table 4.2
quer se destacar no futuro digital!
com seus riscos e níveis de segurança. Avalie seu perfil de risco para es-
4.92. Criptomoedas colher a melhor forma de negociação e guarda.

4.92. O que são criptomoedas? 4.93. Criptoativos no Mercado Tradicional


Criptomoedas são moedas digitais baseadas na tecnologia blockchain,
um sistema descentralizado que garante segurança e transparência ao 4.93. O que são criptoativos?
registrar todas as transações de forma imutável. Ao contrário das moedas
Criptoativos são ativos digitais protegidos por criptografia, transaciona-
tradicionais, que dependem de bancos centrais, as criptomoedas op-
dos e armazenados por meio de blockchain. Segundo o Parecer 40 da
eram independentemente de autoridades governamentais.
CVM, eles podem ser valores mobiliários quando cumprem as normas
vigentes.
4.92. Características essenciais de uma moeda
Toda moeda, incluindo as criptomoedas, deve possuir três característi- 4.93. O que diz a CVM?
cas principais: ser meio de troca, unidade de conta e reserva de valor.
A CVM busca consolidar normas, fiscalizar e disciplinar o mercado de
Criptomoedas, como o Bitcoin, permitem transações globais, mensu-
criptoativos, sendo aberta às inovações tecnológicas que beneficiem o
ração de preços e, por possuírem oferta limitada, são vistas como reser-
mercado e protejam os investidores.
vas de valor no longo prazo.

4.92. Diferenças entre criptomoedas e moedas tradicionais


Criptomoedas são descentralizadas, imutáveis e permitem transações
internacionais rápidas, enquanto moedas tradicionais são controladas 4.93. Tipos de Tokens
por autoridades e sujeitas a alterações e regulamentações.
Tipo de Token Definição
4.92. Formas de negociação e guarda Token de Pagamento Moeda digital para transações e reserva de valor
Token de Utilidade Acesso a produtos ou serviços específicos
As criptomoedas podem ser negociadas em exchanges reguladas (como Token Referenciado a Ativo Representa ativos tangíveis ou intangíveis, como NFTs
Mercado Bitcoin e Binance), de forma descentralizada entre usuários ou
em ATMs específicos. Para armazenar, utilizam-se exchanges, hot wal- Table 4.3: Tipos de Tokens e suas Definições
lets (aplicativos online) ou cold wallets (dispositivos físicos), cada uma

346 347

4.93. Regulação e Transparência


A CVM exige ampla divulgação de informações para proteger investi-
dores e garante medidas legais contra irregularidades, podendo criar
novas normas pelo Sandbox Regulatório.

4.93. Como acessar criptoativos no mercado tradicional?


∗ ETFs de Criptoativos: HASH11 (70,58% BTC, 26,97% ETH) e QBTC11
(100% BTC)
∗ Fundos de Investimento: Hashdex Explorer (até 40% cripto) e Hashdex
Profissional (até 100%)
∗ BDRs Relacionados: COIN34 (Coinbase) e NVDC34 (Nvidia)

4.93. Por que isso importa?


Criptoativos diversificam carteiras, exigem conhecimento de regulação
e são essenciais para quem busca certificações financeiras e aplicação
prática no mercado. Vamos juntos dominar esse tema!

4.94. SIMULADO - MÓDULO 4


Agora que já abordamos os principais instrumentos de renda fixa, renda
variável e derivativos, vamos treinar um pouco através das questões abaixo.
Lembrando que não deve ser confundido com expectativa de cair essas
questões em sua prova.
1 - #4431. Um cliente busca um investimento que lhe proporcione
manutenção do poder de compra. O investimento mais adequado
para este objetivo é:

a) NTN-B.
b) debêntures com taxa prefixada.
c) CDB-DI.
d) NTN-F.

2 - #3983. Com respeito aos dividendos, escolha a alternativa cor-


reta.

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