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História e Componentes dos SIG

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CAPITULO 1 FUNDAMENTAÇÃO TEORICA

2.1História dos Sistemas de Informações Geográficas (SIG)

A solução mais antiga, e até hoje mais comum, de resolver problemas de


análise de informações espaciais envolve a construção e a utilização de mapas.
Embora toda a técnica de produção de mapas em papel esteja bastante dominada,
uma vez que a Cartografia é uma ciência muito antiga, o processo de produção e
utilização de mapas é muito oneroso, principalmente considerando-se os aspectos
de levantamento de dados em campo, armazenamento e atualização.
As primeiras tentativas de automatizar parte do processamento de dados com
características espaciais aconteceram na Inglaterra e nos Estados Unidos, nos anos
50 do século XX, com o objetivo principal de reduzir os custos de produção e
manutenção de mapas. Dada a precariedade da informática na época, e a
especificidade das aplicações desenvolvidas (pesquisa em botânica, na Inglaterra, e
estudos de volume de tráfego, nos Estados Unidos), estes sistemas ainda não
puderam ser classificados como “sistemas de informação”.
Os primeiros Sistemas de Informações Geográficas surgiram na década de
1960, no Canadá, como parte de um esforço governamental para criar um
inventário de recursos naturais. Estes sistemas, no entanto, eram muito difíceis de
usar: não existiam monitores gráficos de alta resolução, os computadores
necessários eram excessivamente onerosos, e a mão de obra tinha que ser altamente
especializada e, portanto também muito onerosa. Não existiam sistemas comerciais
prontos para uso, e cada interessado precisava desenvolver seus próprios
programas, o que demandava muito tempo e, naturalmente, muitos recursos
financeiros. Além disto, a capacidade de armazenamento e a velocidade de
processamento eram muito baixas.
Ao longo dos anos 70 do século XX, foram desenvolvidos novos e mais
acessíveis recursos computacionais, tornando viável o desenvolvimento de sistemas
comerciais. Foi então que a expressão Sistema de Informações Geográficas foi
criada. Foi também nesta época que começaram a surgir os primeiros sistemas
comerciais de CAD (Computer Aided Design, ou Projeto Assistido por
Computador), que melhoraram em muito as condições para a produção de desenhos
e plantas para engenharia, e serviram de base para os primeiros sistemas de
cartografia automatizada. Também nos anos 70 foram desenvolvidos alguns
fundamentos matemáticos voltados para a cartografia, sendo que o produto mais
importante foi a topologia aplicada. Esta nova disciplina permitia realizar análises
espaciais entre elementos cartográficos. No entanto, devido aos custos e ao fato
destes sistemas ainda utilizarem exclusivamente computadores de grande porte,
apenas grandes organizações tinham acesso à tecnologia.
No decorrer dos anos 80 do século XX, com a grande popularização e
barateamento das estações de trabalho gráficas, além do surgimento e evolução dos
computadores pessoais e dos sistemas gerenciadores de bancos de dados
relacionais, ocorreu uma grande difusão do uso de GIS. A incorporação de muitas
funções de análise espacial proporcionou também um alargamento do leque de
aplicações de GIS.
No final da década de 80 e início da década de 90 do século XX, os Sistemas
de Informações Geográficas eram orientados a pequenos projetos, considerando-se
pequenas áreas geográficas com poucos detalhamentos, ainda eram precários os
dispositivos de armazenamento, acesso e processamento de dados, além disso,
somente em grandes corporações era possível encontrar redes de computadores.
Desta forma, realizava-se o mapeamento de uma pequena área, inseria-se este
mapeamento em computadores, realizavam-se algumas análises e elaboravam-se
mapas e relatórios impressos com as informações geográficas desejadas.
Em meados da década de 90, com a popularização da Internet, e a conseqüente
popularização das redes de computadores, os Sistemas de Informações Geográficas
puderam ser orientados às empresas e/ou instituições, com a introdução do conceito
da arquitetura cliente-servidor e a popularização dos bancos de dados relacionais.
Nesta época também, os programas computacionais de SIG incorporaram as
funções de processamento de imagens digitais.
No final da década de 90 e início do século XXI, os Sistemas de Informações
Geográficas começam a se tornarem corporativos e orientados à sociedade, com a
utilização da Internet, de bancos de dados geográficos distribuídos e com os
esforços realizados em relação a interoperabilidade dos sistemas.
[Link]ÇÕES GERAIS SOBRE O SIG
SIG é uma ferramenta computacional que permite realizar análises complexas, ao integrar
dados de diversas fontes e ao criar bancos de dados georreferenciados, tornando possível, ainda,
automatizar a produção de documentos cartográficos (CÂMARA et al.,1998);
Sistema de informação geografica é um conjunto de sistemas de software e hardwares capaz de
produzir, armazenar e processar,analisar e representar inumeras informações sobre o espaço
geografico,tendo como produdo final maopas tematicos,imagens de satelites,cartas
topograficas,graficos e tabelas (wikipedia).

Antes de se perceber em que consiste um Sistema de Informação Geográfica, é necessário


definir o que é Informação Geográfica. Neste sentido pode-se considerar Informação Geográfica
como sendo:
• Informação sobre locais na superfície terrestre;
• Conhecimento sobre a localização de algo;
• Informação sobre a localização de edifícios e ruas numa cidade;
• Informação sobre acontecimentos originados num determinado ponto.
Um Sistema de Informação Geográfica pode ser entendido como um complexo sistema de
hardware e software, que tem como objecto a compreensão e análise de dados espaciais
georreferenciados, cujo fim último é ajudar as várias actividades humanas onde os dados
espaciais têm um papel determinante.
Existe, na verdade, uma certa dificuldade em apresentar um único conceito capaz de definir
estes sistemas. Estes sistemas podem ser definidos com base em diferentes critérios: pela sua
funcionalidade (Ozemoy, Smith and Sicherman, 1981); pelo seu desígnio2 (Cowen, 1988);
pelo seu modelo de dados (Smith, 1987); pela sua estrutura organizacional.4 (Carter, 1989).
Peter Burrough (1986: 6) define um sistema de informação geográfica como sendo um poderoso
conjunto de instrumentos para reunir, armazenar, visualizar, transformar e apresentar dados
especializados do mundo real, sistema que tem em vista um conjunto específico de objectivos.
[Link] DE UM SIG
Um SIG,contém componentes que se encontram permanente em evolução,o que melhora
gradualmente a sua produtividade.

Componentes de um SIG
Pessoas – As pessoas são compostas de desenvolvedores, operadores e administradores do sistema,
aplicando as funções do SIG na resolução de problemas, desenvolvendo novas ferramentas e
conhecimento a ser aplicado.

Hardware – Consiste em elementos físicos que dão apoio ao funcionamento do sistema, como
processador, memória, dispositivos de armazenamento, scanners, dentre outros.

Software – A partir dele é possível operar as ferramentas e executar suas funções para a geração da
informação geográfica.

Dados – São registros de ocorrências com referência espacial. A localização é uma característica particular
que os diferencia dos demais tipos de dados.

Metodologias – Consiste no conjunto de procedimentos que cada usuário constrói em um SIG, visando 9
atingir um objetivo.

Base de dados
Na base de geoprocessamento ésta a fusão de pelo menos duas tecnologias com putacionais,que
desnvolveram em ramos distintos da informatica, o da cartografia digital,que cria os elementos
gráficos e os sistemas gerenciadores de base de dados que permitem a construção e a
comparação dos atributos desses elementos (Abreu e Barroso,2003).
Base de dados: é uma coleção de dados persistentes que são usados pelo sistema de aplicações
de uma detrminada organização (DATE,C.J.,2000,página 11).Qualquer base de apresnta um
conjunto de propriedades.

CARACTERISTICAS DO SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRFICA

 sempre relativamente estática:


o As feições naturais e muitas feições culturais (de origem humana) não são
alteradas rapidamente;
o Ao imprimir a informação geográfica em papel, a mesma se torna estática.
 pode ser muito volumosa:
o alguns terabytes (1012 bytes) de dados pode se produzido por um único
satélite em um dia;
o alguns gigabytes (109 bytes) de dados são necessários para descrever a rede
viária do Brasil.
A informação geográfica pode ser expressa na forma digital, codificada em um
alfabeto que utiliza somente dois caracteres (0 ou 1), denominado bits. Qualquer
informação digital é uma seqüência de bits.
Para realizar coletas e manipulações de informações geográficas na forma
digital, se fez necessário, o desenvolvimento de várias tecnologias, sendo que as de
importante destaques são:

 Sistema de Satélite de Navegação Global (GNSS) o um sistema de satélites


orbitando a Terra e transmitindo sinais precisos para o posicionamento
geográfico;
o Este sistema de satélites é composto por um conjunto de satélites Norte-
Americanos (GPS), Russos (GLONASS) e da Comunidade Européia
(Galileo).
o os sinais transmitidos pelos satélites são recebidos, na superfície terrestre,
por dispositivos eletrônicos especiais (receptores GNSS).
o os receptores oferecem a medida direta de posição na superfície da Terra; o
a localização é expressa em latitude/longitude ou ainda outro em outro
sistema de coordenadas
 Sensoriamento Remoto o utiliza sensores a bordo de satélites e aeronaves
para capturar informações sobre a superfície e atmosfera terrestre;
 os sensores variam de acordo com a capacidade de detalhamento da
observação espacial, espectral, temporal e radiométrica;
 os sinais capturados pelos sensores são transmitidos para a Terra, recebidos
em estações onde eles são transformados em imagens digitais.

APLICAÇÃO DO SIG EM DIVERSAS ÁREAS


O SIG tem uma ampla aplicação e funcionalidades,o que acaba por ter uma grande influência no
processo de tomada de decisões e nas analises espaciais para localização de diversos
empreendimentos. Oliveira (1997) e Menezes et al, 2011 apresnta uma relação das diversas áres
de aplicação do SIG, divididas em cinco grupo principais:

 Ocupação Humana;
 Uso da Terra;
 Uso de Recursos Naturais;
 Meio Ambiente;
As atividades humanas sempre são desenvolvidas em alguma localidade geográfica e,
portanto podem ser geograficamente referenciadas, desta forma, são praticamente
infindáveis as possibilidades de aplicações de Sistemas de Informações Geográficas. No
entanto, serão relacionadas as aplicações mais comuns e consagradas mundialmente.
As companhias de gestão de infraestruturas, tais como gás, telefone,
eletricidade, água, esgoto, TV a cabo, entre outras. Cada uma dessas companhias
geralmente possui milhares de consumidores, cada um deles com uma conexão
com a rede de infraestrutura, além disso, necessitam gerenciar milhares de
quilômetros de fios e dutos (subterrâneos e aéreos), com transformadores, chaves,
válvulas, representando muitas vezes bilhões de dólares em infraestrutura instalada.
Os sistemas de informações Geográficas aplicados à gestão de infraestruturas
também recebem o nome de AM/FM (Automatic Mapping/ Facility Management).
Uma companhia de gestão de infraestrutura pode receber milhares de
telefonemas para manutenção em um único dia assim, necessitam gerenciar todas
essas atividades, manter informações acuradas sobre o posicionamento geográfico
de todos consumidores, equipamentos e atividades, manter os registros de
atividades atualizados, realizar avaliações diárias dos serviços executados e ainda
fornecer informações para outras instituições, por exemplo, fornecer as
informações sobre a tubulação subterrânea da rede de esgoto para a empresa de
telefonia que necessita cavar um buraco em uma determinada posição geográfica.
No caso de uma empresa responsável por rodovias, se faz necessário,
armazenar informações sobre o estado da pavimentação em toda a rede de
rodovias, além disso, manter um cadastro de toda a sinalização vertical e horizontal
das rodovias e analisar dados de acidentes. Atualmente, algumas localidades no
Brasil e muitos países desenvolvidos, contam com a possibilidade de carros
contendo sistemas de navegação pelo sistema viário, contendo mapas digitais de
ruas e rodovias, conectados a receptores GNSS. Empresas de distribuição de bens e
serviços mantêm suas frotas conectadas a receptores GNSS e desta forma, realizam
o monitoramento e controle de cada um de seus veículos em tempo real.
Na agropecuária, atualmente é possível utilizar mapas e imagens detalhadas,
para planejar o plantio, a aplicação de insumos agropecuários e ainda planejar a
colheita, além de analisar e realizar a previsão de safra. Atualmente, essa aplicação
de SIG é denominada agricultura de precisão.
No setor florestal, o SIG pode ser aplicado ao manejo de árvores, com vistas à
extração sustentável de madeira. Todas as árvores produtoras de madeira são
georreferenciadas, e sua volumetria sistematicamente monitorada. Quando o
volume de madeira na floresta diminui a taxa de crescimento, essas árvores podem
ser seletivamente retiradas e sua madeira encaminhada para a indústria. No entanto,
a retirada de árvores da floresta também é um problema geográfico e necessita ser
cuidadosamente planejado para não comprometer as árvores em crescimento.
Após a retirada das árvores é realizado o replantio das mesmas espécies, nas
mesma posições geográficas, mantendo assim a floresta saudável e produtiva.
A floresta ainda pode ser utilizada em outras atividades humanas sustentáveis
tais como turismo e extrativismo (apicultura, extração de resina, frutos, flores, etc.)

Sistemas, Ciência e Estudos


O que significa fazer um SIG?
Pode significar a utilização das ferramentas dos programas computacionais de
Sistemas de Informações Geográficas para resolver um problema, como os
anteriormente mencionados.
Um projeto de SIG pode ter os seguintes estágios:
• Definição do problema;

• Aquisição de programas computacionais e equipamentos;

• Aquisição de bases de dados;

• Montagem e capacitação dos recursos humanos;

• Organização da base de dados;

• Realização de análises;

• Interpretação, apresentação e distribuição dos resultados.

Muitas vezes, se faz necessário a construção e/ou adaptação das ferramentas


dos programas computacionais de SIG.
• Essas novas ferramentas são construídas para adaptar os programas
computacionais de SIG à tarefas específicas da aplicação ou da instituição
onde o mesmo está implantado;
• Podem também ser desenvolvidas para automatizar processos de
entrada, organização, armazenamento, gerenciamento, análises, exibição e
distribuição de dados e informações geográficas;
• Podem ser desenvolvidas ferramentas para realizar a integração dos
programas computacionais de SIG à outros programas computacionais tais
como processamento de imagens, CAD, programas de processamento de
dados GNSS, programas de estatísticas, SCADA, modelagem
tridimensional, Internet, etc.
• Podem ser incorporadas aos programas computacionais de SIG,
outras funções de análises espaciais, por exemplo, funções aplicadas às
ciências sociais e econômicas (veja [Link]).
Fazer um SIG pode significar também, o estudo das teorias e conceitos básicos
de SIG e outras tecnologias da informação geográfica. Neste caso, está se lidando
com a Ciência da Informação Geográfica.

. Dados Geográficos
Para que seja possível produzir informações geográficas a partir de Sistemas de
Informações Geográficas, é necessário “alimentar” os computadores e os
programas computacionais de SIG com dados sobre o mundo real. Desta forma, é
necessário produzir uma representação ou um modelo computacional do mundo
real, que é extremamente complexo em seu detalhamento e em sua dinâmica
temporal.
Construir uma representação do mundo real implica em três grandes
considerações:
• Redução da complexidade geométrica do mundo real, através da
aplicação de escala, amostragem e seleção de elementos.
• Redução da complexidade temporal do mundo real, através de um
corte temporal ou da observação de fenômenos em intervalos discretos de
tempos.
• Identificação e categorização dos elementos existentes na superfície
terrestre, através de cortes temáticos.
. Alguns autores consideram os temas de característica contínua como campos,
ou seja, superfície contínua sobre a qual as entidades geográficas variam
continuamente segundo distribuições.
Em SIG e também em cartografia, os elementos de característica contínua
podem ser representados por elementos de estrutura vetorial, tais como, conjuntos
de pontos regularmente ou irregularmente espaçados, isolinhas (curvas de mesmo
valor), redes de polígonos regulares ou irregulares, e também por elementos de
estrutura matricial, conjuntos de pixels ou células (tesselação, imagens digitais).
Existem também temas na superfície terrestre que apresentam característica
discreta, ou seja, apresentam facilidade na localização ou mapeamento direto de
bordas entre classes, geralmente entre esses temas estão aqueles construídos pelo
ser humano, tais como elementos do sistema viário (ruas, rodovia, avenidas,
aeroportos, portos, pontes, etc.), edificações em geral, áreas agrícolas,
equipamentos de infraestruturas (postes, linhas de transmissão e de comunicação,
etc.). As bordas desses elementos são obtidas por identificação visual direta e
mensuradas com as técnicas de topografia, fotogrametria, sensoriamento remoto,
geodésia, etc. Alguns autores também denominam os elementos de característica
discreta de objetos, que são definidos por uma superfície ocupada por entidades
identificáveis e cada posição (x, y) do espaço poderá ou não estar ocupada.
Os elementos de característica discreta podem ser representados em SIG ou em
cartografia preferencialmente por estruturas vetoriais (pontos, linhas e polígonos),
no entanto, também é possível representar tais elementos utilizando-se estruturas
matriciais (pixels, células).

REPRESNTAÇÃO DE DADOS EM SIG

Geoprocessamento: Conceito tradicional conjuntos de ferramentas usadas para


coleta e tratamento de informações espaciais
Armazenamento de informação geográfica em formato digital
Manipulação de dados para geração de novas informações
Geração de saidas na forma de mapas,relatório
GEOPROCESSAMENTO
O geoprocessamento é o conjunto de técnicas de recolha, tratamento, manipulação e
apresentação de informações espaciais. De entre as mais relevantes, podemos
mencionar: cartografia automatizada, processamento de imagens de satélite,
digitalização de mapas e Sistemas de Informação Geográfica (SIG). (Furtado, 2002)
O objecto de trabalho do geoprocessamento é a georreferenciação, que corresponde à
ligação da informação a um atributo geográfico. Isto é, a informação tem uma morada
a que corresponde um par de coordenadas (latitude, longitude) do local a que se refere.
Uma informação que tem aliada a si uma posição geográfica é também denominada de
informação georreferenciada.

O geoprocessamento permite a análise apurada das dinâmicas criminais e,


consequentemente, a definição de estratégias preventivas de acção policial. Por sua
vez, o tratamento criterioso dos dados, inclusive a aplicação de ferramentas de apoio
analítico, como o geoprocessamento, depende da criação de uma base de dados central
e da qualificação do processo de recolha e processamento das informações, ou seja,
requer-se um rigor e uniformização na produção de dados, bem como a monitorização
de todo o processo de tratamento das informações.

Para se chegar à definição de informações é necessário rever a noção de dados, isto é,


conjunto de valores (numéricos, alfanuméricos, alfabéticos, gráficos) sem qualquer
significado próprio. A partir do momento em que tais dados passam a conter um
significado para um determinado uso ou determinação, que lhes é conferido pelo
utilizador, deixam de ser apenas registos para dar origem a informação. Não se deve
no entanto confundir informação com notícia, enquanto que a primeira descreve factos
e detalhes sobre determinados assuntos, a segunda é apenas um descrição de algo que
aconteceu recentemente. A informação é a notícia tratada e confirmada por outras
fontes.

A informática, termo comummente empregado nos dias de hoje, realiza o


processamento automatizado da informação, através do uso de equipamentos
computacionais, técnicas e procedimentos adequados a esse fim. Ao longo das últimas
décadas, a informática tem evoluído conceitualmente o que se tem reflectido nas
organizações.

Essa evolução vem favorecer um avanço cada vez maior da recolha de dados e
posterior criação de informações, com a finalidade da modelação do mundo real
através do geoprocessamento – disciplina do conhecimento que utiliza técnicas
matemáticas e computacionais para o tratamento da informação geográfica. Dentro
deste desígnio, temos os denominados Sistemas de Informação Geográfica (SIG) –
ferramentas computacionais para geoprocessamento – que consistem num conjunto
integrado e organizado de equipamentos e programas computacionais, dados
geográficos e pessoal, destinados a obter, armazenar, actualizar, manipular, analisar e
exibir todas as formas de informação geograficamente referenciada.

2.3. Fenómeno do crime e da violência

O crime é um fenómeno social, no qual se exigem acções sociais. Com o acentuado


crescimento do clima de insegurança, a sociedade reivindica cada vez mais políticas
públicas de combate e prevenção da criminalidade. A prevenção criminal torna-se no
grande objectivo das forças e serviços de segurança e de todas as partes interessadas no
bem-estar da comunidade. Compreender a dinâmica criminal não significa localizar os
locais onde ocorrem os crimes ou onde estão os criminosos, a fim de se tomarem
acções repressivas. Significa, acima de tudo, compreender os seus processos
operacionais para que seja possível antecipá-lo e preveni-lo. A prevenção deve ser
comunitária, com políticas interventivas nessa temática.

A instabilidade, imprevisibilidade e incerteza do mundo actual colocam a problemática


da segurança no centro do debate nas sociedades modernas. A sua centralidade é
indissociável da sensação de vulnerabilidade da sociedade a um conjunto de novas
ameaças e riscos que agudizam o sentimento de insegurança dos cidadãos.

O processo de mudança social foi originado pelas alterações surgidas na família e pelas
mudanças nas estruturas económicas, cujas descontinuidades são geralmente
consideradas fundamentais para uma análise compreensiva da problemática do crime e
da violência.

O papel da família, como agente de socialização primária, tem vindo aos pouco a
perder importância. Por oposição, outros agentes de socialização como a escola, os
grupos de pares e os meios de comunicação social têm assumido cada vez mais um
papel de relevo na formação do comportamento e atitudes dos adolescentes com maior
risco de vir a reproduzir modelos de acção baseados na violência veiculados pelos
diferentes média.
Em paralelo com os factores mencionados, as mudanças ocorridas nas estruturas
económicas da sociedade contemporânea originam fenómenos como o desemprego de
longa duração, aumento das desigualdades sociais e o alastramento de bolsas de
pobreza. Embora não exista nenhum estudo que associe o desemprego à criminalidade,
o desemprego de longa duração aparece associado ao aparecimento de novos problemas
de delinquência e criminalidade.

Outro factor que contribui para a transformação da natureza do fenómeno criminal é o


crescimento dos centros urbanos e o consequente esvaziamento do mundo rural. O
crescimento das grandes metrópoles fomentou o desenvolvimento de subúrbios, onde
são visíveis os efeitos da exclusão e de marginalização de vastos segmentos de
população, afectados pela precariedade de habitação, desemprego e exclusão social.

O fenómeno da criminalidade além de elevar o clima de insegurança, acarreta consigo


elevados custos, não só para as vítimas, a nível moral e patrimonial, mas também para a
sociedade, com a polícia, tribunais, programas de tratamento e integração de
delinquentes e sistemas de saúde e segurança social.

O Estado actual, face ao emergir de novas ameaças (terrorismo, criminalidade


organizada) e riscos, que resultam da actividade intencional de indivíduos e
organizações contra determinados alvos, não consegue responder de forma eficiente e
célere a tais desafios, o que acaba por afectar o próprio significado de segurança.
Consciente que cada vez mais é exigido pelo cidadão maiores níveis de segurança, o
Estado é obrigado a substituir a forma tradicional de segurança por actividades que
visam proporcionar uma segurança de carácter integral, alargando os seus domínios, de
natureza transversal, assentando em múltiplos instrumentos, que permitam prevenir,
conter e combater um largo espectro de ameaças e riscos. Disso é exemplo o Programa
Integrado de Policiamento de Proximidade (PIPP) da PSP.

Este Programa, através do estudo do fenómeno do crime e da violência, permite a


criação de programas de prevenção e combate à criminalidade, reunindo profissionais
de entidades diferentes. Os seus principais objectivos são a redução da criminalidade e
o aumento do sentimento de segurança aliado a uma maior satisfação com o serviço
policial.
Uma das entidades que se tem destacado na área da segurança e criminalidade é o
Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT). Os
objectivos desta entidade centram-se na sensibilização da população no que diz respeito
à temática da segurança, no desenvolvimento de investigações relacionados com a
segurança e na formação de especialistas.

2.4. Mapeamento do crime

2.4.1. Mapas

Os mapas são um dos modos de representar a realidade, o que nem sempre se torna no
método mais apropriado, ou seja, se o que se está a representar são informações acerca
de localizações geográficas, então os mapas são o melhor método. Mas se não existirem
essas informações (local, arruamento, morada), então não existe nada a ser mapeado.

Pode-se colocar então a questão: os mapas são uma forma de visualização? Um mapa é
constituído por dados colocados de uma determinada maneira, os quais podemos
observar de uma só vez. Pode-se dizer que livros também podem ser visualizações de
dados, mas no sentido de serem apenas assimilados visualmente.

Com os mapas podemos efectuar: formulação de hipóteses, recolha de dados, análise,


revisão de resultados, avaliação e substituição da hipótese inicial pela hipótese
modificada. A este ciclo Karl Popper (1975) definiu como sendo o método hipotético -
dedutivo, utilizado pela ciência como ferramenta fundamental. De acordo com este
método, deve-se tomar decisões acerca do tipo de mapa a ser preparado, de como serão
os símbolos ou os tons, de como serão tratadas as informações estatísticas, entre outras.
Essas decisões devem basear-se no objectivo a ser alcançado, tendo em consideração o
públicoalvo. (Furtado 2002)

Os mapas normalmente são premeditados apenas como ferramentas de exibição. Na


realidade, os mapas desempenham um papel importante no processo de pesquisa,
análise e apresentação. O mapeamento é mais eficaz quando são reconhecidas e
utilizadas em toda a sua dimensão as suas múltiplas capacidades. O mapa é o resultado
final de um processo que começa por exemplo com a elaboração de uma peça de
expediente, para onde são recolhidos os dados que serão processados, introduzidos
numa base de dados e finalmente transformados num símbolo no papel. Segundo esta
interpretação estreita, o mapa é uma mera ilustração ou parte da base de dados. Mas os
mapas podem ser úteis de outras formas. Maceachren e Taylor (1994), seguindo
Dibiase (1990), notaram a distinção entre o pensamento visual (o mapa é utilizado para
criar ideias e hipóteses acerca do problema que está a ser investigado) e a comunicação
visual (passagem do domínio privado às actividades públicas de síntese e apresentação)
dos mapas e gráficos.

Devido à infinidade de combinações possíveis entre as condições relacionadas ao crime


ilustráveis nos mapas, é possível combinar diferentes tipos de mapas para aumentar a
informação presente num mesmo mapa. É possível combinar, por exemplo, dados
nominais e de proporção, com um mapa estatístico do crime de tráfico de droga, e
acrescentar a localização dos possíveis locais de venda de produtos estupefacientes.

Um mapa da criminalidade é um mapa temático. Estes mapas podem ser quantitativos,


apresentando informações numéricas, como o número de crimes numa área ou a taxa de
criminalidade, ou qualitativos. Estes mostram dados não-numéricos, como o tipo de
utilização da terra ou características vitima/criminoso, como homem ou mulher, jovem
ou adulto. Ambos os tipos são usados pelos analistas criminais.

Existe uma variedade considerável de mapas temáticos, onde cada um representa


melhor algum tipo de dados. A informação ao nível da morada causa um tipo de mapa
temático, enquanto os dados medidos ao nível de bairro ou localidade requer uma outra
abordagem. Os mapas temáticos podem ser produzidos dos seguintes modos: (Harries,
1999)

• Mapas estatísticos - que utilizam símbolos proporcionais, gráficos de sectores


circulares ou histogramas para visualizar os aspectos quantitativos dos dados;

• Mapas pontuais - utilizam pontos para representar incidentes individuais ou


números específicos. Este tipo de mapas são provavelmente os mais utilizados pela
Polícia, na medida em que mostram a localização dos incidentes de maneira bastante
precisa quando se utilizam dados com moradas georreferenciadas;

• Mapas coroplet – mostram a distribuição discreta de áreas específicas, como


áreas de patrulha, distritos, regiões. Embora os mapas pontuais nos possam oferecer
maior detalhe acerca de onde ocorrem os eventos, podemos necessitar de informação
sintética para as áreas, o que é importante em termos de planeamento, gestão ou
investigação. Mapas pontuais e coroplet podem ser sobrepostos e formarem um só
mapa;
• Isolinha – deriva do prefixo grego “isso”, que significa igual, e refere-se aos
mapas que unem pontos de igual valor. A forma mais comum utilizada na análise
criminal é a isoplet (mesmo preenchimento), na qual dados para uma área, como
criminalidade por bairro ou densidade populacional, são calculados e utilizados como
pontos de controlo para a determinação de onde serão traçadas as isolinhas;

• Mapas lineares – mostram ruas e estradas, bem como fluxos, através de


símbolos lineares como linhas proporcionais em espessura representando os fluxos.
Este tipo de mapas não são muito utilizados no mapeamento criminal. A sua aplicação
mais comum é na investigação do roubo de veículos, mostrando a conexão entre o local
do roubo e o local da recuperação.

Sem os mapas, os dados podem ser incompreensíveis ou disponibilizados meramente


em forma de lista. Uma lista de suspeitos ou evidências físicas significa pouco se a
informação chave é melhor observada em forma de gráfico. Mesmo uma lista de
moradas pode ser imprecisa para quem não tem conhecimento da localização das
mesmas, numa área com milhares de ruas.

2.4.2. Mapeamento criminal

O mapeamento criminal há muito que é utilizado como parte integrante no processo de


análise criminal sendo mesmo uma das suas componentes chave. Até há pouco tempo o
mesmo consistia em colocar uma marca – que a maior parte das vezes era feita através
de pionés de diferentes cores, onde cada cor correspondia a um tipo de ocorrência –
num mapa em grande escala que representava a área de jurisdição. Este método é
bastante limitado porque aquela marca apenas nos informa de uma ocorrência naquele
local e nada mais.

O mapeamento criminal é, contudo, uma actividade científica, ou seja, uma aplicação


do campo mais amplo da cartografia, que sofreu alterações com o advento dos

SIG`s.

Nos dias de hoje a convergência entre o SIG e a cartografia está quase completa.
Ambos são ferramentas com uma grande amplitude de aplicações, o que reflecte o
desígnio mais importante dos mapas, que é o de transmitir informação.
O SIG é a ferramenta ideal para agrupar bases de dados diferentes que partilham a
mesma área geográfica, por exemplo agrupar bases de dados relativa a acidentes
rodoviários e relativa à criminalidade. Essa função será cada vez mais útil à medida que
a importância da integração dos dados for sendo mais reconhecida. Há uma necessidade
não só de uma maior integração, mas também do reconhecimento de que a maior parte
dos dados utilizados para o policiamento acerca dos arruamentos, estabelecimentos
comerciais, paragens do metro, percursos de autocarrose escolas, provêm de entidades
externas à Polícia. Encontrar esses tipos de dados e adaptá-los para a análise criminal
requer uma actividade considerável e uma atenção para a qualidade dos mesmos. Como
exemplo temos o Sistema de Informação Territorial de Administração Interna (SITAI),
instrumento fundamental para o desenvolvimento de estratégias de prevenção da
criminalidade e de acidentes rodoviários.

O simples mapeamento de ocorrências não é informação suficiente para os


utilizadores. É necessário que a essa informação seja possível relacionar as diferentes
características do espaço urbano com os diferentes tipos de crimes.

Se a informação geográfica é útil num contexto de controlo do crime, normalmente é


possível representá-la num mapa. Os dados geográficos sobre a criminalidade não são,
em si, suficientes para criar um mapa significativo, já que estes devem ser combinados
com um mapa-base ou com outros dados que os tornem interessantes. Todos os dias, no
entanto cresce a demanda por dados “geograficamente capacitados” à medida que
empresas, governos e organizações começam a reconhecer o valor dos mapas e da
análise espacial (Harries, 1999).

2.5. Aplicação na Polícia de Segurança Pública

A necessidade de possuir, actualizar e controlar a informação é fundamental em


qualquer operação policial. Consequentemente, utilizar uma melhor tecnologia que
atenda às demandas da sociedade, produz um aumento significativo de eficiência na
segurança pública. A complexidade dos problemas sociais na actualidade conduz-nos
para uma óptica cada vez mais comprovada: não basta apenas adornar as operações
policiais com armamento, viaturas e elementos, sem que se disponibilize ferramentas
que permitam optimizar de forma global os recursos disponíveis.
Existem diversos tipos de aplicações possíveis de serem usadas na área da Segurança
Pública, com a utilização de um SIG. É possível definir áreas de jurisdição, planear o
patrulhamento, regular, conceber, planear e executar operações, analisar possíveis
itinerários de fuga de criminosos, analisar estatisticamente o perfil da violência urbana
através da localização geográfica de ocorrências policiais, analisar aglomerações de
acidentes de trânsito e agilizar o atendimento a chamadas de emergência.

A maior parte das aplicações está directamente ligada com a rede viária existente,
sendo de extrema importância relacionar as informações socioeconómicas da área em
estudo, uma vez que permite ter outra perspectiva em determinadas ocorrências bem
como as condições de vida da população da mesma.

A tecnologia SIG, que antes era uma ferramenta de trabalho utilizada quase
exclusivamente por geógrafos, está gradualmente a ganhar terreno no campo policial. O
perfil geográfico usando um SIG permite à polícia determinar onde podem viver ou
trabalhar os criminosos, localizar chamadas telefónicas e identificar pontos onde existe
uma maior incidência de crimes. Esta tecnologia vem substituir a utilização dos
pioneses coloridos em mapas de parede.

No que concerne à aplicação de um SIG na polícia, existe uma questão fundamental


que tem de ser resolvida, questão essa que está relacionada com a qualidade dos dados
espacialmente referenciados ou a geocodificação dos dados. Para tal é de extrema
importância o registo completo da localização (desde a rua até ao número de polícia),
de uma ocorrência. A localização, juntamente com o quem, quê e quando, sempre foi
uma peça fundamental de informações sobre qualquer evento, devendo existir por parte
dos Comandantes de Esquadra acções de sensibilização aos Agentes para esta tarefa.

A utilização de um mapeamento criminal em ambiente digital na Polícia de Segurança


Pública permitirá a execução das seguintes etapas:

• Visão exploratória;

• Desenvolvimento de hipótese (s);

• Desenvolvimento de métodos para teste da (s) hipótese (s);

• Análise dos dados;

• Avaliação dos resultados;


• Decisão e reavaliação da hipótese original.

O mapeamento criminal utilizando um SIG, pode ajudar a Polícia a proteger de forma


mais eficaz o cidadão, uma vez que é um meio mais rápido de visualizar o cenário do
crime, permitindo armazenar e visualizar diversas informações acerca daquela
ocorrência, tais como: dia, hora, local, tipo de crime e modus operandi. A análise destes
dados permite a compreensão de onde e porquê ocorrem os crimes, para que as acções
de combate e prevenção criminal sejam mais eficazes.

Este tipo de mapeamento é também uma ferramenta muito importante no que concerne
ao planeamento de operações policiais, bem como ao conhecimento das características
demográficas da população da área de jurisdição de uma Esquadra.

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