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Defesa em Processo de Receptação Qualificada

Amâncio apresenta sua resposta à acusação de receptação qualificada, argumentando que a denúncia é inepta por não descrever claramente a intenção de comercialização das joias. Ele alega que não tinha conhecimento da origem ilícita dos objetos e que a guarda dos bens era para um familiar, não configurando dolo. O pedido inclui a rejeição da denúncia, a absolvição sumária ou, alternativamente, a produção de provas em audiência.

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Defesa em Processo de Receptação Qualificada

Amâncio apresenta sua resposta à acusação de receptação qualificada, argumentando que a denúncia é inepta por não descrever claramente a intenção de comercialização das joias. Ele alega que não tinha conhecimento da origem ilícita dos objetos e que a guarda dos bens era para um familiar, não configurando dolo. O pedido inclui a rejeição da denúncia, a absolvição sumária ou, alternativamente, a produção de provas em audiência.

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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE

DIREITO DA ___ VARA CRIMINAL DA COMARCA DE


PINHEIROS

Processo nº ______

AMÂNCIO, já qualificado nos autos, por seu advogado que


ao final subscreve, vem, respeitosamente, à presença de
Vossa Excelência, apresentar sua

RESPOSTA À ACUSAÇÃO

(art. 396-A do CPP)

em face da denúncia oferecida pelo Ministério Público,


pelos fundamentos a seguir expostos.

I – SÍNTESE DA ACUSAÇÃO

Consta da denúncia que, em 20 de setembro de 2024,


o acusado teria sido encontrado em sua residência na
posse de joias avaliadas em cerca de R$ 30.000,00 (trinta
mil reais), supostamente oriundas de crime de roubo
ocorrido no mesmo mês.

A imputação sustenta que o réu incorreu no crime de


receptação qualificada (art. 180, §1º, do CP), sob o
argumento de que teria confessado estar guardando os
objetos para posterior comercialização.

II – DAS PRELIMINARES

Inicialmente, cumpre observar que a denúncia não


descreve de forma clara e individualizada os elementos que
configurariam a intenção de comercialização dos bens,
requisito indispensável para a configuração da receptação
qualificada (art. 180, §1º, CP).

Nos termos do art. 41 do CPP, a denúncia deve conter


a exposição do fato criminoso com todas as suas
circunstâncias. A ausência de elementos mínimos torna a
imputação inepta, razão pela qual deve ser rejeitada (art.
395, I, CPP).

III – DO MÉRITO

Ainda que superada a preliminar, a denúncia não


merece prosperar.

O acusado jamais teve ciência da origem ilícita dos


objetos. Limitou-se a guardar bens de seu irmão Celso,
comerciante, com quem já havia mantido transações
semelhantes sem qualquer indício de irregularidade. Não
houve, portanto, dolo de receptação.
O art. 180, caput, do CP exige que o agente adquira,
receba, transporte ou guarde coisa que sabe ser produto
de crime. Ausente a ciência inequívoca da ilicitude,
inexiste tipicidade subjetiva.

Tampouco se configura a qualificadora do §1º do art.


180, pois não há prova de habitualidade ou intenção de
comercializar os objetos. A simples guarda de pertences
para um familiar não se confunde com atividade comercial
ilícita.

Dessa forma, a conduta descrita, quando muito,


poderia ser analisada sob o caput do art. 180, CP, mas sem
prova do dolo deve levar à absolvição do acusado.

IV – DO PEDIDO DE ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA

Nos termos do art. 397, III, do CPP, a absolvição


sumária deve ser reconhecida quando “o fato narrado
evidentemente não constitui crime”.

Na hipótese, não restou comprovado o dolo de


receptar, nem tampouco a qualificadora de atividade
comercial. Assim, deve o réu ser absolvido sumariamente.

Subsidiariamente, caso Vossa Excelência entenda pelo


prosseguimento da ação penal, requer-se a produção de
provas em audiência de instrução, com oitiva das
testemunhas abaixo arroladas.
V – DO ROL DE TESTEMUNHAS

1. Benedito – policial militar (autor da apreensão);


2. Esposa do acusado – que recebeu a citação e
poderá confirmar os fatos;
3. Vizinhos do acusado – que presenciaram a
conduta pacífica e a ausência de atividades comerciais
ilícitas em sua residência.

VI – DOS PEDIDOS

Diante do exposto, requer:

a) o reconhecimento da inépcia da denúncia e sua


rejeição (art. 395, I, CPP);
b) subsidiariamente, a absolvição sumária do acusado,
nos termos do art. 397, III, do CPP;
c) caso não seja esse o entendimento, o prosseguimento
do feito com a produção de provas orais e
documentais;
d) a intimação do Ministério Público para manifestação.

Nesses termos,
Pede deferimento.

Pinheiros, 27 de Fevereiro de 2025


Advogado
OAB/___ nº ___

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