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Causas e Tratamentos da Obesidade

A obesidade é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, influenciada por fatores genéticos, ambientais e comportamentais. A condição está associada a sérios riscos à saúde, incluindo resistência à insulina e síndrome metabólica, e seu tratamento pode incluir intervenções cirúrgicas quando outras abordagens falham. A prevenção e o manejo da obesidade requerem uma abordagem interdisciplinar e cuidados contínuos para evitar o reganho de peso.
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Causas e Tratamentos da Obesidade

A obesidade é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, influenciada por fatores genéticos, ambientais e comportamentais. A condição está associada a sérios riscos à saúde, incluindo resistência à insulina e síndrome metabólica, e seu tratamento pode incluir intervenções cirúrgicas quando outras abordagens falham. A prevenção e o manejo da obesidade requerem uma abordagem interdisciplinar e cuidados contínuos para evitar o reganho de peso.
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Obesidade

Segundo a OMS, é um acúmulo -​ Jejum prolongado não


anormal ou excessivo de gordura intencional → poderiam
corporal que pode atingir graus passar dias ou semanas até
capazes de afetar a saúde. conseguir se alimentar
novamente.
ou
No mundo moderno:
Também pode ser classificada
como um desequilíbrio entre a -​ Variedades inesgotáveis de
ingestão calórica e o gasto alimentos baratos, fartos,
energético. palatáveis e de elevada
densidade energética;
⚠️ DOENÇA CRÔNICA = TRATAMENTO CRÔNICO
-​ Custo x Benefício →
Origem: multifatorial. incentivo ao aumento de
porções e copos, combos
-​ Genética → risco de (item + item = menor preço),
desenvolver a doença se: oferta de fast-foods;
nenhum dos pais é obeso =
9%, um dos pais é obeso = -​ Avanços tecnológicos
50% e os dois pais são impactaram no nosso nível
obesos = 80%. de atividade física,
reduzindo-o.
-​ Ambiente → maior influência
para o desenvolvimento da “Por que comemos?”
doença.
→ Necessidade;
-​ Comportamento/estilo de → Ansiedade;
vida → impulsividade, comer → Poder de compra;
compensatório, transtornos. → Fome;
→ Vontade de comer;
EPIDEMIOLOGIA → Padrões;
→ Pressão de escolha;
Nos primórdios: → Cultura alimentar;

-​ Baixa disponibilidade de -​ Mais de 50% dos adultos são


alimentos (pessoas obesos (500 milhões);
deveriam caçar/pescar para
conseguir alimento); -​ Desenvolvimento
econômico → aumento da
-​ Elevada atividade física; obesidade;
Obesidade
-​ Atualmente, a mortalidade -​ Dietas muito ricas em
por obesidade é maior do gordura podem levar a um
que a por baixo peso; aumento do apetite.

FISIOPATOLOGIA AMBIENTE INTRAUTERINO X


OBESIDADE

MACRONUTRIENTES X OBESIDADE
→ Programação metabólica
Carboidratos: materna com início no mínimo 3
meses antes da gestação pode
-​ A maior parte da ingestão reduzir as chances de
resulta em glicogênio, desenvolvimento da enfermidade
gerando energia que será posteriormente pelo bebê.
estocada no tecido
muscular e no fígado. -​ Bebês de mães com
obesidade: maior expressão
No entanto, há um limite nesse dos genes orexígenos, que
estoque: estimulam o apetite e
favorecem o acúmulo de
-​ 5,4% resulta em oxidação peso.
(glicólise e CK);
-​ 2,2% resulta em gordura -​ Influência paterna: estresse,
(glicogênese). dieta não saudável, ingestão
de toxinas… →
→ Quanto maior o consumo, maior anormalidades nos
a oxidação e a lipogênese. espermatozóides.

SONO E OBESIDADE
Lipídios:

Desalinhamento Circadiano
-​ Armazenados como
triglicerídeos com
-​ Exposição luminosa à noite
facilidade;
(TV, PC, celular, etc.);

-​ Gorduras saturadas e trans


-​ Dormir mais durante o dia;
podem interferir na
sensibilidade à insulina,
-​ Privação de sono
favorecendo o acúmulo de
gordura abdominal.
→ Aumento do consumo =
aumento da fome e maior
chance do comer noturno;
Obesidade
→ Redução do gasto Após processo de perda de peso,
energético = maior cansaço os adipócitos podem manter a
e alteração da capacidade de armazenamento
termorregulação. de gordura por até 3 anos.

ESTRESSE E COMP. ALIMENTAR SÍNDROME METABÓLICA

Estresse crônico → estado É um conjunto de doenças que


depressivo → diminuição do têm como base a resistência à
apetite (hipofagia) → diminuição insulina, que causam alterações
do peso no organismo e elevam o risco de
problemas cardiovasculares.
ou
Critérios básicos (pelo menos 2
Estresse crônico → estado ansioso desses 4):
→ aumento do apetite (hiperfagia)
→ aumento do peso 1.​ Obesidade visceral/central
(CC → mulher: > 88 cm;
OBESIDADE E DISFUNÇÃO homem: > 102 cm)
HIPOTALÂMICA obrigatório;

Doença crônica favorece outras 2.​ Pressão arterial ≥ 130/85;


condições crônicas. Quanto mais
tarde ocorre a intervenção, maior 3.​ Alteração glicêmica (basta
o desafio. ter pré-diabetes);

Emagrecimento = cura? 4.​ Perfil lipídico: HDL →


NÃO! homem: < 40 mg/dL;
mulher: < 50 mg/dL.
A velocidade da perda de peso
não é proporcional à velocidade LEPTINA E GRELINA
de ajuste hipotalâmico.
São hormônios que atuam no
O emagrecimento causa uma hipotálamo, cuja função é regular
redução no tamanho das células as sensações de fome e saciedade.
adiposas, e não no número. Dessa
forma, se não tiver os cuidados
necessários após a perda de peso,
há uma maior propensão ao
reganho.
Obesidade
2.​ Aumento da gordura
corporal, especialmente
gordura visceral
(abdominal).

3.​ Essa gordura libera


substâncias inflamatórias
É comum encontrar pessoas com (citocinas) e ácidos graxos
obesidade com níveis séricos de livres.
leptina (hormônio da saciedade)
elevados, mas com uma 4.​ Essas substâncias
resistência à sua ação. Isso ocorre interferem nos receptores
porque os mecanismos de de insulina e atrapalham a
sensação de saciedade estão sinalização celular.
desregulados em decorrência do
excesso de conexões nos 5.​ Resultado: a glicose não
receptores de leptina. entra direito nas células, e
o corpo precisa de mais
RESISTÊNCIA À INSULINA insulina para tentar fazer o
mesmo efeito.
Ocorre quando as células do
corpo (principalmente do fígado, 6.​ Com o tempo, o pâncreas
músculos e tecido adiposo) param pode ficar exausto, e a
de responder adequadamente à produção de insulina
insulina. Ou seja, a insulina até é diminui → predispondo ao
produzida, mas não consegue diabetes tipo 2.
“abrir a porta” das células para a
glicose entrar. Isso faz com que a FOME EMOCIONAL ≠
glicose se acumule no sangue, e o TRANSTORNO ALIMENTAR!
pâncreas tente compensar
produzindo mais insulina. Possíveis gatilhos:

Processo: → Frustrações;
→ Ansiedade;
1.​ Excesso de nutrientes → Raiva;
(principalmente → Cansaço;
carboidratos simples e → Tédio;​
gorduras) → sobrecarrega o → Baixa autoestima…
metabolismo.
Obesidade
DISTRIBUIÇÃO ANATÔMICA DO → Peso gestacional elevado;
TECIDO ADIPOSO
→ “Compensação de
●​ Obesidade Andróide: mais ausências”;
presente em homens;
diabetogênico; → Escolas;
pró-trombótico;
pró-inflamatório e → Diversão moderna;
aterogênico.
PREVENÇÃO
●​ Obesidade Ginóide: mais
presente em mulheres, 1.​ Primária: prevenir a
também representa maior doença;
risco cardiovascular.
2.​ Secundária: prevenir
Tipos de tecido adiposo: complicações;

-​ Branco: possui funções de 3.​ Terciária: prevenir o


reserva energética agravamento das
(armazena triglicerídeos), complicações.
proteção de órgãos contra
choques externos, isolante
térmico e secreção
hormonal (adipocinas);

-​ Marrom: possui funções de


produção de calor
(termogênese) e de
regulação da temperatura
corporal.

OBESIDADE INFANTIL

Fatores que podem ter influência


na gênese da doença: TRATAMENTO CIRÚRGICO
DA OBESIDADE
→ Ofertas de mamadeiras
(leia-se: uso de fórmulas);
⚠️ DEVE ser a última estratégia para
redução de peso.

→ Introdução alimentar Indicações:


incorreta;
Obesidade
1.​ Idade entre 18 e 65 anos; -​ Tempo máximo de
utilização: 6 meses (após
2.​ Pacientes com IMC ≥ a 45 isso, deve ser retirado e, caso
kg/m2; haja a necessidade de
utilização novamente,
3.​ Pacientes com IMC ≥ a 35 kg aguardar no mínimo 30
com comorbidades graves dias);
associadas. -​ Apresenta baixo risco;

ou → Banda gástrica laparoscópica


ajustável
4.​ Comprovações de insucesso
em tratamentos anteriores
(dieta, psicoterapia,
medicamentos e ativ. física)
por um período de, pelo
menos, 2 anos.

Importante o acompanhamento
de uma equipe interdisciplinar
para minimizar chances de
reganho de peso pós-cirurgia. -​ Técnica ajustável, realizada
por via laparoscópica;
Cirurgias/procedimentos: -​ Cada vez menos indicada
devido ao grau elevado de
-​ Não derivativas: insucesso;
-​ Representa 5% dos
→ Balão intragástrico procedimentos realizados
no país;
-​ Permite uma redução de
20% - 30% do peso inicial;
-​ Riscos: hérnia hiatal e
dismotilidade esofagiana
prévia.

-​ Procedimento endoscópico;
-​ Pode ser um método
auxiliar para perda de peso
pré-operatório;
Obesidade
→ Gastrectomia vertical (ou em
manga, sleeve) -​ Técnica mais realizada
atualmente;
-​ Leva a saciedade mais
precoce;
-​ Perda do excesso de peso
de aprox. 70%;

→ Derivações biliopancreáticas à
Scopinaro e à duodenal Switch

-​ Redução de cerca de 80%


da curvatura maior,
deixando apenas um tubo
estreito no estômago (60 -
100 mL de capacidade);
-​ Indicada para pacientes
com riscos proibitivos para a
técnica duodenal switch
completo; -​ Contra-indicações:
-​ Apresenta risco para evacuações diarreicas
sangramentos ou fístulas, frequentes;
por ser realizado com uma -​ Perda de peso: 35 a 40% do
câmara de alta pressão; peso total, em média;
-​ Remoção do fundo gástrico -​ Riscos: desnutrição,
→ redução dos níveis diarreias, gases;
endógenos de Grelina. -​ Benefícios: refeições mais
volumosas;
-​ Derivativas:
ABSORÇÃO DE MACRO E
→ Y de Roux (ou Bypass gástrico) MICRONUTRIENTES APÓS A
CIRURGIA

Proteínas:

●​ Bypass/Y de Roux: absorção


de aa torna-se limitada ao
jejuno e ao íleo distal (o
Obesidade
normal é que essa absorção lácteos e bebidas
ocorra a nível de duodeno); açucaradas.

Média de ingestão proteica após a Lipídios:


cirurgia:
●​ Bypass/Y de Roux
→ Primeiros 3 meses: 24 g;
→ Ao final de 12 meses: 41 g; -​ Absorção limitada;

Obs.: recomenda-se ingestão -​ Menor secreção de bile e


mínima de proteína de 1,2 enzimas lipolíticas (pq agora
g/kg/dia. já não passam mais pelo
duodeno);
DESNUTRIÇÃO PROTEICA
-​ Quebra tardia da gordura
-​ Perda de massa magra; dietética e,
-​ Hipoalbuminemia; consequentemente,
-​ Edema; formação tardia das micelas;
-​ Astenia (fadiga/fraqueza);
-​ Alopecia (queda de cabelo) -​ Apesar disso, há uma
→ devido à deficiência de AG melhora significativa no
essenciais; perfil lipídico após a cirurgia
bariátrica.
Carboidratos:
Micronutrientes:
SÍNDROME DE DUMPING
●​ Bypass/Y de Roux
-​ Alteração da digestão e
absorção de carboidratos; -​ Alterações nos níveis de
micronutrientes que sofrem
-​ Esvaziamento gástrico mais ação primária no duodeno
rápido; (Zn, Fe, Ca, Vit. do complexo
B - especialmente B1 e B12
-​ Mal estar após uma refeição -);
hipertônica (principalmente
de consistência líquida ou -​ Vit. A, D , E e K
pastosa) → prevenção: (lipossolúveis) também são
evolução gradativa da dieta, menos absorvidas;
alimentos mais consistentes
e introdução de produtos
Obesidade
-​ Suplementação: obrigatória
e permanente após a
cirurgia.

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