1 Iniciar falando sobre a colônia militar do jatai ...
com o passar do tempo, com a
entrada do colonizador do estado Paraná... foi necessário importante criar – aos olhos
dos homens brancos – aldeamentos indígenas e consequentemente colônias militares
2 Companhia melhoramento de terras (chegada dos trilhos de são Paulo para o Paraná...
com o passar do tempo, já no advento da modernidade e com o fim das colônias
militares. Chegou a vez de observar a república. As construções que foram
desenvolvendo no limiar dos anos de 1900. Vem justamente trazendo uma nova visão,
roupagem para o lugar em si. A exemplo disso, temos a construção da ponte ferroviária
que ligava a cidade de Jataizinho até Londrina. Afim de levar o progresso adiante. Aí
encontrava-se os primeiros passos para um novo caminho.
3 A chegada dos trilhos de são Paulo para o Paraná, serve como massa de manobra para
o poderio econômico do grande explorador. A companhia melhoramento de terras
(cmnp).
4 Ponte ferroviária (construção, estudos sobre a ponte...)
Colônia Militar do Jataí:
A segunda metade do século XIX na província do Paraná, é marcado por
diversos momentos de tensões nas relações Colonizador versus Indígena. Um dos meios
de controlar a população indígena foi com a criação de Aldeamentos e das Colônias
Militares1 que tinha como foco as questões econômicas, seguranças contra os inimigos e
facilitar a comunicação entre uma província e outra, principalmente nas margens do Rio
Tibagi. Cada aldeamento ou colônia militar era administrada por um colono que tinha
uma extrema relação com o Império Brasileiro que no caso da colônia militar do jataí
por João da Silva Machado2 e do aldeamento indígena de São Pedro de Alcântara, aos
cuidados de Castelnuovo.3
1
“Para o governo, as colônias militares surgem como meio de estabelecer o policiamento nas matas,
levando segurança para lugares ermos – para onde fugiam do poder do Estado homens considerados
perigosos para sociedade – e também para áreas de fronteira. Este foi um projeto amplamente aceito pelo
governo, e em 1858 já seriam 16 colônias espalhadas pelo território brasileiro” (OLIVEIRA, 2011 apud
BEZERRA, 2014, p. 9).
2
“Silva Machado nasceu no Rio Grande do Sul em 1782, e começou a fazer negócios como condutor de
tropas de sua terra natal até Sorocaba, estabelecendo patrimônio nas províncias de São Paulo e Paraná. As
ligações que fez com famílias importantes em São Paulo, permitiram-no expandir ainda mais seus
negócios” (BEZERRA, 2014, p. 4). “[...] Após a Guerra dos Farrapos, na qual teve atuação legalista, foi
promovido a coronel do Exército Imperial e foi incumbido de missões de reconhecimento nos sertões do
rio Tibagi, e de definições de fronteira e de formação de aldeamentos. Assim consolidou ainda mais sua
ascensão social, construindo uma imagem de empreendedor do sertão, articulador de importantes rotas,
defensor da imigração e protetor dos índios; e em 1840 recebeu o título de Barão de Antonina. Nesse
período, foi Deputado na Assembleia Legislativa de São Paulo, e eleito Senador pela província do
Paraná” (BEZERRA, 2014, p. 4-5).
3
“Domingos Antônio Luciani, Frei Timóteo, nasceu no dia 15 de setembro de 1817, numa região
limítrofe entre a Lugúria e a Toscana chamada de Castelnuovo Magra, na Itália” (GUEDES, 2015, p.
2878). “A promulgação do decreto imperial 285 de 21 de Junho de 1843 favoreceu a Ordem enviar os
missionários para Brasil, graças a intermediação do Barão de Antonina que conseguiu alguns
Capuchinhos genoveses para a missão no Paraná [...]” (GUEDES, 2015, p. 2879). “A princípio foi
escalado para colaborar no Lazareto de Santa Isabel entre 26 de Março a 30 de Junho de 1852, pois a
A colônia militar do Jatai (ou Jatay com grafia do século XIX) serve como base
estratégica e como meio de comunicação fluvial pelo rio Tibagi para justamente
favorecer a troca de informações e produtos com outras províncias, principalmente a da
província do Mato Grosso e São Paulo. Além disso, servia como base para outros
colonos que passavam pela região nas suas explorações e utilizava da mesma como
abrigo em um certo período que estaria passando por ali.
A questão territorial não foi escolhida sem pretexto. O império sabia exatamente
da posição das terras escolhidas para se tornar a colônia militar. Foi a partir das
estratégias imperiais que foi fundada a colônia militar do Jatai. “A região, em que foi
fundada a colônia militar de Jataí, fazia parte do sertão do rio Tibagi: compreendido
entre os rios Tibagi e Iguaçu” (BEZERRA, 2014, p. 2). Além disso, Jéssika Bezerra
(2014) reitera que essa região localizada nas margens do Tibagi favorecia o império por
servir como fronteira e proteção para o território brasileiro, ou seja, “[...] frente a
possíveis pretensões das repúblicas vizinhas, pois estava entre a província do Mato
Grosso e a Corte” (BEZERRA, 2014, p. 2-3).
Vale mencionar que não foi apenas criado essa colônia ao norte da província do
Paraná. Segundo Jéssika Bezerra (2014) outras colônias no Mato Gross como as
Nhoaque, Brilhante, Dourados e Miranda e em São Paulo com a Itapura e Avanhandava
foram criadas e são territórios estratégicos para não deixar o inimigo adentrar/explorar
essas regiões. E um dos motivos dessa proteção é por que encontrava-se no Tibagi
pedras preciosas e recursos naturais. Bezerra (2014) menciona que:
“Para além da defesa da soberania, a ação dos conservadores no
poder, a partir de 1840, deu início a uma série de políticas com intuito
de ordenar a administração e reforçar a integração do território na
política Imperial, consolidando o poder fluminense: fortalecer o centro
dependia da possibilidade de fazer circular com facilidade, de uma
província a outra, pessoas, informações e as ordens que saiam da
corte” (BEZERRA, 2014, p. 3).
Portanto, cria-se essa colônia militar do Jatai, a primeira da província do Paraná
justamente para fortalecer o império. A groso modo, toda colônia militar tinha a mesma
função de assegurar as terras do império e fortalece-lo. Porém, cada administração tinha
cidade do Rio de Janeiro era assolada pela febre amarela. No mesmo ano, foi requisitado, de acordo com
Quaresma (1990) pelo bispo de São Paulo, Dom Antonio Joaquim de Mello, a assumir a paróquia de
Santa Bárbara e Monte-mor (então chamada Água Choca), encargo que desempenhou até Outubro de
1854 quando foi transferido para o aldeamento São Pedro de Alcântara, em Jataizinho, Paraná”
(GUEDES, 2015, p. 2879).
suas próprias organizações. Diante disso, ainda sobre a organização dessas colônias em
especifico, Antonio Marcos Myskiw e Leticia Maria Verson (2021), diz que
“Por haver grande aceitação pela elite política imperial a este modelo
de colonização, as Colônias Militares tornaram-se elementos
estratégicos na referida regulamentação para levar adiante a ocupação
de terras devolutas e proteção da região de fronteira, coordenando a
concessão de terras gratuitas aos colonos nacionais, aos imigrantes e
aos militares colonos” (MYSKIW, VERSON, 2021, p. 291).
A colônia militar do Jatai ficou ao encargo de João da Silva Machado, mais
conhecido como Barão de Antonina.4 Inaugurada no século XIX, mais precisamente no
ano de 1851 com o Decreto nº 751, de 02 de janeiro do mesmo ano, “[...] devendo ser
instalada junto ao porto do arroio Jatahy, na confluência com o rio Tibagi” (MYSKIW,
VERSON, 2021, p. 292). É interessante mencionar que a colônia não foi possível ser
feita apenas com um único homem, ou seja, mais pessoas estavam envoltas nessa
criação e nesse desenvolvimento da colônia, que seria Joaquin Francisco Lopes e John
Henry Elliott que ficaram encarregados segundo Myskiw e Verson (2021) das
atividades relacionadas com a demarcação e medição dessas áreas urbanas e do “plantio
de sementes e as orientações para as construções de benfeitorias” (MYSKIW,
VERSON, 2021, p. 292).
A população indígena que encontrava nas margens e na mata dentro dessa região
da colônia militar eram os Kaingang e Guarani que já estavam no local muito antes da
chegada do Barão de Antonina e de outros colonos que vinha de São Paulo, Mato
Grosso ou Rio de Janeiro como a vinda de Frei Timóteo de Castelnuovo capuchino
vindo da Itália para catequizar os indígenas do Brasil Império. Para Mota (2014) a
população indígena já estava nessas terras antes de 1850 como os Coroados (Kaingang),
Ñandewa (Guarani) vindo pós guerra do Paraguai e também uma quantia
significativamente grande de Kayowá que compunha as sociedades encontrada antes da
criação da colônia militar.
Contudo, a vontade do império era maior em popularizar a região que foram
encaminhados para a colônia em um primeiro momento “31 famílias de colonos
engajados e um capelão, que se ocupava dos trabalhos junto aos colonos e indígenas”
(MYSKIW, VERSON, 2021, p. 292). Além disso, Barão de Antonina junto com seus
funcionários, um dos mais conhecido como Joaquin Francisco Lopes inauguraram as
explorações pelas “novas terras” afim de “[...] abrir caminhos, pacificar grupos
4
A partir daqui, mencionarei seu nome popular para quando me referir a sua pessoa.
indígenas, reconhecer rios e tomar posses para seus mandatários” (BEZERRA, 2014, p.
6). Outras explorações foram feitas durante os anos de exploração desses homens na
região. “Desta forma, era estratégia destas explorações construírem uma imagem de
amigos, que facilitasse sua circulação naquele território” (BEZZERA, 2014, p. 8).
A relação entre o homem branco e o indígena é detalhada nos escritos de Bigg-
Wither e a partir dos seus relatos é possível observar essa questão. O engenheiro inglês
Thomas P. Bigg-Wither começa sua jornada em solo paranaense (Brasil Império na
época) em meados de 1872 na província do Paraná e tem como finalidade – a partir dos
interesses ingleses – em mapear a “nova terra”, observar a fauna e flora e
consequentemente as populações indígenas com quem acaba trocando muitas
experiencias ao longo dos anos que passou explorando. As suas observações tem
duração de mais ou menos três anos, indo de 1872 até 1875.
Bigg-Wither em seu relato “Novo caminho no Brasil meridional: a Província do
Paraná” descreve vários acontecimentos da sua exploração. Em relação a colônia militar
do Jatai, na qual o mesmo ficou “preso” pela intensa chuva e aumento do nível do rio
Tibagi pela chuva torrencial. Segundo seus escritos nesses relatos de viagem, Bigg-
Wither argumenta que
“[...] pois o Tibagi, nos sete dias que se seguiram, subiu mais de 15
pés e a maior enchente se conheceu desde o ano de 1859 levou
inteiramente o alto das margens, que tinham trinta e três pés acima do
nível normal do rio, extravasando para a esquerda e direita até a vila,
em mares de água turbulenta” (BIGG-WITHER, ANO, p. 397).
Thomas Bigg-Wither utiliza-se dos indígenas na sua exploração pela província.
Utilizam-se de suas canoas, de seus alimentos e sua experiência com o local. Thomas
afirma que “Além de mim e de Telêmaco, o nosso grupo consistia agora em seus índios
caiuás e um mineiro brasileiro, que levávamos para nos ajudar na exploração de ouro e
diamantes existentes, sem dúvida, em muitos pontos do rio” (BIGG-WITHER, ANO, p.
397). Além disso, expõem que muito utilizou das indígenas para navegar no rio. Suas
habilidades eram intrínsecas as habilidades dos colonos e de outros indígenas de outras
regiões que eles observaram.
O modo com que eles manobravam a canoa era inteiramente diferente
daquele a que estávamos habituados no Ivaí. Um suporte estreito de
cinco pés de extensão percorria toda a amurada da canoa, firmemente
preso em intervalos por meio de ganchos. Sobre esse suporte, dois de
cada lado, os índios trabalhavam, enquanto um deles ficavam de é na
popa, guiando. Os quatro índios que remavam na frente estavam
armados de resistentes varejões de ferro na ponta, chamados “zingas”,
como se diz aqui, de vinte pés ou mais de comprimento, e que eram
feitos de galho verde de pindaíba, mais forte e mais resistente que o
mais fino freixo [...]” (BIGG-WITHER, ANO, p. 390).
Com o passar do tempo e com a brevidade dos colonos em explorar essa terra,
chegou à república junto com a emancipação da colônia. A partir disso – e antes já não
se tinha muito investimento – veio a falta de verba para a manutenção da mesma.
Mesmo a colônia sendo de subsistência com suas plantações de feijão, milho, farinha,
arroz como aponta Bezerra (2015 TESE), tinham o rio, que “também oferecia peixes em
abundância” (BEZERRA, 2015, p. 85). Além disso, Jéssika (2015, p. 85) aponta que
“As atividades de subsistência, dessa forma, se organizaram quase como uma economia
autônoma, em razão de a Colônia Militar encontrar-se isolada dos centros com
populações maiores”.
Com a emancipação da colônia militar e o inicio de um novo caminho para o
Brasil – agora uma república – o avanço da modernidade no século XX começa a tomar
forma. Em especifico, me refiro a construção da ponte ferroviária que ligava a antiga
colônia militar à terra ainda pouco explorada. O que se tornaria a cidade de Londrina. A
partir da estrada de ferro e o melhoramento das estradas São Paulo-Paraná inicia-se um
processo de melhoramento. Contudo, a exploração pelas terras indígenas ainda
continua.
Aldeamento Indígena São Pedro de Alcantara:
O aldeamento5 São Pedro de Alcantara, localizava-se na margem esquerda do
Rio Tibagi e teve como diretor o capuchinho Frei Timóteo de Castelnuovo e é fundada
no ano de 1855 e funciona até a morte de Freio Timóteo em 1894. O grande objetivo da
criação desses aldeamentos indígenas é “[...] à abertura de uma rota fluvial ligando a até
então isolada província do Mato Grosso ao porto de Antonina” (MARCANTE, ANO, p.
148) e junto a isso, no aldeamento de São Pedro de Alcantara, “Foi o local onde
trabalhou o frei capuchinho italiano Thimóteo de Castelnuovo (1817-1895), com o
propósito inicial de catequizar indígenas, como afirma Maria Lúcia Striquer Bisotto
(2008, p. 16), no Compêndio histórico de Ibiporã [...]” (KASTER, 2017, p. 64). O
aldeamento encontrava-se em frente a Colônia Militar do Jatai.
5
“O termo aldeamento deriva de aldeia, termo que em Portugal designava determinado tipo de habitat
rural com uma concentração de moradias. No Brasil, aldeamento passou a designar os antigos núcleos de
povoação indígenas, que recebiam nomes conforme a etnia. Os grupos guaranis nominavam esses núcleos
de Tekoha, os caingangues os chamavam de Emã, e assim por diante, cada etnia tendo um nome para seu
local de moradia, locais que os colonizadores portugueses passaram a chamar, generalizadamente, de
aldeias” (ARQUIVO PÚBLICO DO PARANÁ, 2009, p. 15).
Segundo Lucio Tadeu Mota (2021) essa colônia indígena foi a maior da
província do Paraná e foi a que mais durou entre as outras colônias indígenas. Além
disso, Mota afirma que ela foi “Planejada para abrigar os Kayowá, também abrigou
vários grupos Kaingang que viviam no vale do Rio Tibagi (MOTA, 2021, p. 25). Os
escritos de Maicon Fernando Marcante (ANO) corroboram para legitimar a existência
de vários povos abrigados nesse aldeamento. Marcante diz que
“Quatro anos depois chega à região o missionário capuchinho
Timotheo de Castelnovo e em 1855 é rezada a missa inaugural do
aldeamento São Pedro de Alcântara. O aldeamento é criado com a
presença dos índios Kaiowá e em 1858 chegam os primeiros índios da
etnia Kaingang. No final da década de 1870 aldeiam-se também índios
Guarani-Ñandeva. Trata-se, portanto, de um aldeamento misto,
caracterizado pela presença das referidas etnias, além de cristãos –
chamados pelo missionário de “nosso povo” – e de negros escravos e
africanos livres” (MARCANTE, ANO, p. 149).
Na tese de doutorado intitulada como “Catequese e Evasão. Etnografia do
Aldeamento Indígena São Pedro de Alcântara, Paraná (1855-1855)” de Marta Rosa
Amoroso (1998), a autora menciona algumas características dessas sociedades
encontrada no aldeamento. Em primeiro lugar, os Kaiowá que segundo Amoroso foi a
primeira população a se estabelecer nessa margem esquerda do Tibagi. Além disso,
“[...] cuja unidade mínima são os núcleos familiares autônomos que giram em torno de
uma liderança político-religiosa, aos quais estão vinculados outros núcleos, podendo no
total chegar a contar até cem habitantes” (AMOROSO, 1998, p. 117). Contudo, “A
epidemia de 1877 praticamente extinguiu as aldeias Kaiowá do Aldeamento. Os
moradores que sobreviveram à doença abandonaram São Pedro de Alcântara.” Amoroso
reitera que a partir disso, foram buscar abrigos nos rios Congonhas e das Cinzas que
estavam presente do curso do Tibagi e do Paranapanema.
Em um segundo momento, tinha os Kaingang, nomeados pelos colonos como
Coroados6. Amoroso (1998) aponta que a existência dessa sociedade indígena estava no
território do aldeamento em meados do ano de 1858 e que sua estabilidade foi
relativamente estável e “[...] recebia anualmente visitar de grupos Kaingang de outras
regiões da província (rios Ivaí, Piquiri, e região de Guarapuava)” (AMOROSO, 1998, p.
6
“Designação dada a grande parte dos índios caingangues até a década de 1870, na província do Paraná,
devido à tonsura na parte superior dos cabelos. Os caingangues faziam esse corte desde o início do século
XVII, depois do contato com religiosos da Província del Guairá. Afinal, das quinze reduções jesuíticas
que existiram nessa região, entre 1610 e 1631, que compreendia praticamente todo o interior do atual
território do Paraná, quatro tinham composição majoritária de índios jês, na época com diferentes
denominações, como gualachos, camperos, cabeludos, entre outros” (ARQUIVO PÚBLICO DO
PARANÁ, 2009, p. 22).
119). Porém, dentro do território existia os Kaingang e dentro dessa sociedade existia
diferenças o que ocasionou em disputas interna dentro da mesma. Amoroso (1998)
aponta que em 1879 houve disputas de “facções” no aldeamento entre os Kaingang e
por consequência foram expulsos do aldeamento. Amoroso (1998) ainda afirma que isso
fez com que diminuísse o número de Kaingang naquela região e as visitas que eram
anuais, deixaram de acontecer.
E em um terceto ponto, os Guarani – mas não menos importante que esses dois
já citados. Vale mencionar de antemão, que dentro do aldeamento existia todas essas
sociedades – incluindo os negros libertos – dentro da administração de São Pedro de
Alcantara, porém, cada um dividida em sua área. A parte de corresponde aos colonos –
como a casa aonde habitava Castelnuovo – ficava no centro do aldeamento. Amoroso
(1998) mostra-nos que uma sociedade derivada do Guarani, o Guarani-Ñandeva
correspondia a uma boa parcela da sociedade indígena desenvolvida no aldeamento
indígena e “haviam se fixado ao norte de São Pedro de Alcântara, no rio das Cinzas”
(Frei Timotheo de Castelnovo, 1878, p. 218-223 apud Amoroso, 1998, p. 120).
Uma das características mais importantes desse aldeamento, além da sua posição
na margem esquerda do rio Tibagi que ficava próximo a colônia militar do Jatai, era a
sua agricultura de subsistência. Ou seja, o que produziam ficavam para seu próprio
consumo. “O aldeamento possuía monjolos para a fabricação de farinha de milho, item
produzido exclusivamente pelos moradores” (AMOROSO, 1998, p. 144). Segundo
Amoroso (1998), o que era produzido no aldeamento era a plantação de milho, arroz,
açúcar, feijão, aguardente e um dos mais importantes para a alimentação base dos
indígenas era a produção de farinha de mandioca. Além disso, Amoroso (1998)
menciona que além dos produtos serem utilizados para seu consumo, eles eram
facilmente comercializados.
O fim desse aldeamento não se da simplesmente pela morte de Frei Timoteo,
mas vários fatores corroboraram para este fim, ou seja, “[...] dificuldades enfrentadas
em decorrência falta de verbas e de instrumentos agrícolas e do isolamento do núcleo (o
que dificultava a comercialização de produtos) [...]” (BEZERRA, ANO TESE, p. 170).
Além do mais, as epidemias7 das doenças que chegaram na região culminou para este
7
Amoroso (1998) aponta que as epidemias não foi um evento exclusivo do aldeamento de São Pedro de
Alcântara. Mas que essas doenças chegaram a outros lugares através do contato com o Tibagi. Ainda
segundo Amoroso, em 1862 a malária chega à Pirapó, em 1865 o sarampo conseguiu reduzir uma
estimativa de 70 pessoas de 300 Kaingang em São Jerônimo.
derradeiro fim. Amoroso (1998) aponta que o contágio com as epidemias e o alcoolismo
encontrado no aldeamento de São Pedro de Alcântara ocasionou centenas de pessoas
mortas mais ou menos no ano de 1870. “[...] as aldeias Kaiowá, ao norte de aldeamento,
são atingidas por uma epidemia de varíola, e os grupos aldeados dessa etnia são
praticamente extintos” (AMOROSO, 1998, p. 197). Neste momento, alguns indígenas
resolveram sair do aldeamento e se abrigaram em outros lugares rio abaixo.
Experiências do engenheiro Thomas P. Bigg-Wither no Tibagi:
Com o fim do Império Brasileiro e junto a isso o encerramento das Colônias
Militares e dos Aldeamentos Indígenas, o Estado do Paraná no século XX 8 marca um
avanço para os novos colonos, ou seja, “[...] Estado do Paraná passou a reservar áreas
específicas para os índios com os decretos do início do século XX. Assim, reservar
áreas de terras para os índios era dizer que eles não tinham mais a liberdade de manejar
todos seus territórios como vinham fazendo até então” (MOTA, 2014, p. 368). É a partir
do Decreto nº 6 de 1901 que Mota (2014) mostra que esses indígenas só podiam ter suas
moradias no limite pretendido pelo Estado. Novamente, o interesse do indígena era
negado em prol do avanço, do moderno, do interesse do colonizador.
Chegou a vez de levar o Brasil República para um novo patamar. Com isso, o
positivismo da república, busca aumentar as terras, então destinadas aos indígenas, o
que acaba transformando o espaço. Me refiro nas empreitadas no norte do Paraná mais
especificamente no canal que ligava a então colônia militar do Jatai até o Aldeamento
Indígena de São Pedro de Alcântara com a construção da ponte ferroviária. O que antes
eram feitos por canoas ou balsas, com o advento da república, veio novos meios de
transporte.
Antes de abordar a construção da ponte ferroviária que levaria o progresso
adiante – na terra roxa que viria se tornar Londrina até Rolândia com os imigrantes
alemães – é necessário compreender brevemente como eram feito essa travessia pelo rio
Tibagi. É impossível fazer uma analise sem utilizar dos relatos do engenheiro Thomas
P. Bigg-Wither que esteve na província do Paraná durante os anos de 1872 ate 1875
mapeando a fauna e a flora, costumes e caminhos através do Tibagi.
8
1900 em diante.
Thomas P. Bigg-Wither chegou à colônia militar do Jatai em 18 de junho de
18749. Sobre o rio Tibagi, “Durante a última grande guerra com o Paraguai, ele foi,
todavia, utilizado em grande extensão pelos brasileiros, no transporte de munições de
guerra fronteiras desse país, em comunicação fluvial direta com Jatai, pelos
Paranapanema e Paraná” (BIGG-WITHER, ANO, p. 387).
A situação das estradas na província do Paraná antes do século XX eram
precárias e pouco se utilizava delas nos transportes de mercadoria ou nas explorações
territoriais ou fluviais. Bigg-Wither (ANO) diz que seria necessário criar uma nova
estrada que ligasse a cidade de Palmeira – nascente do rio – até pelo menos Jataí para
aumentar e abrir caminho para as civilizações e comércio. Além disso, Bigg-Wither
sobre a colônia militar do Jatai, “Apesar das más estradas e das grandes distâncias, eram
considerados lucrativos os pequenos negócios que se faziam de cachaça, açúcar e café
com as cidades das planícies” (BIGG-WITHER, ANO, p. 388).
Após se instalar na colônia, Bigg-Wither embarca na tentativa de chegar ao
Paranapanema e junto a ele, seu amigo próximo Telêmaco. “A nossa tripulação era
composta de cinco índios caiuás puros, nascidos e criados entre brasileiros, casados com
mulheres brasileiras e a quem o nome de “bugre” constituía ofensa mortal” (BIGG-
WITHER, ANO, p. 390). Além disso, utilizaram de canoas e remos para transitar entre
uma margem e outro e até mesmo no percurso rio abaixo. A escolha por utilizar dos
nativos para guia-los até o Paranapanema não foi ao acaso. “O modo com que eles
manobravam a canoa era inteiramente diferente daquele a que estávamos habituados no
Ivaí” (BIGG-WITHER, ANO, p. 390). Suas experiencias com o rio Tibagi foi o maior
motivo da escolha desses nativos. Contudo, não deixou de passar por obstáculos no
percurso do Tibagi, principalmente por sua largura, que segundo Bigg-Wither tinha em
torno de 500 jardas de largura.
“Uma ou duas vezes colidimos pesadamente contra rochas submersas,
e no momento cheguei a prender a respiração. Mas o perigo passou e
no instante seguinte descemos um salto de uns quatro pés e fomos
alagados mais uma vez de popa à proa pela água perto. Passaram-se
dois minutos e o ruido das águas parece decrescer em nossos ouvidos.
Atras, a cena é selvagem e bastante caótica, mas, a de frente, a água,
embora aqui e ali ainda vomitando aglomerados espuma branca,
através da correnteza, indicando a presença de rochas embaixo, de
repente se tornou mais lisa” (BIGG-WITHER, ANO, p. 392).
9
Vale mencionar que o engenheiro Bigg-Wither chega na colônia anos mais tarde da sua criação. A
colônia já se encontra em transformação tanto no aspecto da flora quanto do social.
A partir desse relato, no livro de Bigg-Wither (ANO) temos uma representação
de um momento de tensão vivido por Bigg-Wither, Telêmaco e alguns índios na época
da exploração do engenheiro pelo Tibagi:
Figura 1: “É Salto! É Salto!”. Kaingang, Bigg-Wither e Telêmaco tentando chegar ao
Paranapanema.
São milhares de experencia pelo Tibagi, pelas terras do Paraná e contatos com
grupos indígenas nessa exploração britânica. O que nos leva a analisar os perigos que
tinha ao navegar e atravessar o rio – tanto com ele baixo ou níveis acima do normal
quando chovia. Bigg-Wither menciona que:
“[...] o Tibagi, nos sete dias que se seguiram, subiu mais quinze pés e
a maior enchente que se conheceu desde o ano de 1859 lavou
inteiramente o alto das margens, que tinham trinta e três pés acima do
nível normal do rio, extravazando para a esquerda e direita até a vila,
em mares de água turbulenta” (BIGG-WITHER, ANO, p. 397).
O relato do engenheiro britânico Bigg-Wither pode ser comparado com
acontecimentos atuais na cidade de Jataizinho (anos após deixar de ser colônia já no
século XX e XXI) que enfrentam com as cheias do rio Tibagi que chegam a encobrir as
árvores no meio do rio e chegando as propriedades que se encontram nas margens do
Rio atém de quase chegar em contato com a ponte ferroviária e a ponte rodoviária.
Portanto, a travessia pelo rio Tibagi era feita com canoas e a travessia de uma
margem para a outra era realizada por burros ou mulas, no século XX esse meio de
travessia muda. A construção da ponte ferroviária e a chegada dos trilhos em Jataí fez
que o progresso fosse instalado nas regiões da futura Londrina e das chegadas de
alemães imigrantes na região de Rolândia.
Falar um pouco mais sobre as experiencias de Bigg-Wither e depois olhar os
documentos no celular amarelo nas notas (e já iniciar a entrada de novo colonos em
1920. Ver o documento CMNP ver se fala sobre algo dos anos 1900 pra frente.
Referências:
BEZERRA, J. A. Mapear, conhecer, ocupar. as explorações dos sertões do Tibagi e o
papel da colônia militar de jataí, 1845-1858. In: I Seminário Internacional da Sociedade
de Estudos dos Oitocentos Brasil no século XIX, 2015, Vitória. Anais do I Seminário
Internacional Brasil no século XIX, 2014. v. 1. p. 1-23.
GUEDES, E. C. “Frei Tomóteo de Castelnuovo: missão, utopia e realidade no
aldeamento São Pedro de Alcântara de Jataizinho/PR (1855-1895)”. Anais do VII
Congresso Internacional de História, Maringá, PR, 2015. p. 2877-2889.
MYSKIW, A. M., and VENSON, L. M. Colônias militares no Brasil meridional. In:
SCHMITT, Â. M., and WINTER, M. D., eds. Fronteiras na História: atores sociais e
historicidade na formação do Brasil Meridional (séculos XVIII – XX) [online].
Chapecó: Editora UFFS, 2021, pp. 283-309. ISBN: 978-65-86545-63-0.
[Link]
Arquivo Público do Paraná. Catálogo seletivo de documentos referentes aos indígenas
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