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Contrarrazões ao Recurso Inominado C6

Carlos André Fagundes Teixeira apresenta contrarrazões ao recurso inominado do Banco C6 Consignado S.A, defendendo a manutenção da sentença que declarou inexistente o débito referente a um empréstimo e determinou a restituição de valores e indenização por danos morais. O autor argumenta que os descontos indevidos em seu benefício previdenciário configuram falha na prestação de serviços e causaram abalo psicológico, justificando a indenização. O documento solicita a manutenção da decisão de primeira instância e a rejeição do recurso do banco.

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Contrarrazões ao Recurso Inominado C6

Carlos André Fagundes Teixeira apresenta contrarrazões ao recurso inominado do Banco C6 Consignado S.A, defendendo a manutenção da sentença que declarou inexistente o débito referente a um empréstimo e determinou a restituição de valores e indenização por danos morais. O autor argumenta que os descontos indevidos em seu benefício previdenciário configuram falha na prestação de serviços e causaram abalo psicológico, justificando a indenização. O documento solicita a manutenção da decisão de primeira instância e a rejeição do recurso do banco.

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...

AO DOUTO JUÍZO DA 3ª VARA CÍVEL DE PELOTAS DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO ESTADO DO


RIO GRANDE DO SUL

PROCESSO N. 5008105-18.2021.8.21.0022

CONTRARRAZÕES ao Recurso Inominado

CARLOS ANDRÉ FAGUNDES TEIXEIRA, já qualificado nos autos, que tramita contra a o
Banco C6 Consignado S.A, também já qualificado nos autos, vem respeitosamente à presença de
Vossa Excelência, por intermédio de sua procuradora constituída, apresentar CONTRARRAZÕES ao
Recurso Inominado apresentado pelo Banco C6, consoante alegações em anexo.

Ante o exposto, requer seja recebido a presente, determinando-se a juntada aos autos a fim de
que possa produzir os jurídicos e legais efeitos a que se destina.

Nestes termos pede deferimento.


Pelotas – RS, 25 de abril de 2023.

Guinther Machado Etges

OAB/RS 39.430

Thaynah Silveira
Estagiária

Alessandra Blohm
Estagiária

Martha Blank
Estagiária
...

EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA

PROCESSO N. 5008105-18.2021.8.21.0022

CONTRARRAZÕES AO RECURSO INOMINADO

RECORRIDO: CARLOS ANDRÉ FAGUNDES TEIXEIRA


RECORRENTE: BANCO C6 CONSIGNADO S.A

Ambos já qualificados nos autos.

COLENDA TURMA,

EMÉRITOS JULGADORES:

Merece ser mantida a sentença proferida pelo juízo da 3ª Vara Cível de Pelotas, que julgou
procedente o feito quanto objeto recorrido, nestes termos:

DISPOSITIVO

ISSO POSTO, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO, DECLARO INEXISTENTE O DÉBITO REFERENTE AO CONTRATO
DE EMPRÉSTIMO DE N°010016678886 E DETERMINO O CANCELAMENTO DEFINITIVO DOS DESCONTOS
MENSAIS NO BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO DO AUTOR. CONDENO O RÉU A RESTITUIR AO AUTOR, EM DOBRO,
OS VALORES INDEVIDAMENTE DESCONTADOS DO SEU BENEFÍCIO A TÍTULO DE CUMPRIMENTO DO
CONTRATO, CORRIGIDOS MONETARIAMENTE PELO IGP-M E ACRESCIDO DE JUROS MORATÓRIOS DE 1% AO
MÊS, DESDE A DATA DOS DESCONTOS, BEM COMO AO PAGAMENTO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS,
NA QUANTIA DE R$ 5.000,00, A SER CORRIGIDA PELO IGPM E ACRESCIDA DE JUROS MORATÓRIOS DE 1% AO
MÊS A CONTAR DA DATA DA PUBLICAÇÃO DA SENTENÇA

I – INTRODUÇÃO

Merece ser mantida a sentença proferida pelo juízo a quo, que julgou procedente o feito quanto
objeto recorrido, conforme será exposto a seguir.
...

II.A - PRELIMINARMENTE- DA PERDA DO OBJETO DA AÇÃO E CONSEQUENTE PERDA


DO INTERESSE PROCESSUAL

O recorrente requereu a extinção do feito pela suposta perda do objeto, sob a pecha de já ter
desaverbado o empréstimo em comento.

Todavia, excelência, o dano moral encontra-se configurado pela simples vinculação de empréstimo
consignado no benefício previdenciário do autor, uma vez que a empresa em comento realizou tal prática
sem qualquer anuência do requerente.

Frisa-se que a conduta da ré não deve ser incentivada pelo Judiciário, sendo que a extinção do feito
seria um benefício para o requerido, ao passo que este realizou conduta totalmente abusiva e arbitrária,
ferindo seriamente os direitos de seus consumidores ao prestar serviços jamais desejados.

Outrossim, ao vincular empréstimo consignado no benefício do requerente, tal prática acabou por
zerar a margem consignável do mesmo, o que acarreta em possível negativa de crédito.

Diante disso, não deve ser acolhida a preliminar suscitada pelo requerido, ao passo que este
cometeu ato ilícito passível de indenização por danos morais.

III.A - DA INOBSERVÂNCIA DO CONJUNTO PROBATÓRIO DA REGULARIDADE DA


CONTRATAÇÃO

No mais, não há de se falar em inobservância ao conjunto probatório da regularidade da


contratação, ao passo que, diante do inequívoco desconto indevido, de valores no benefício de INSS
da parte autora, sem que a instituição financeira tenha justificado a legitimidade na contratação de
mútuo, configurada está a falha na prestação do serviço, constituindo conduta ilícita que autoriza a
repetição em dobro dos valores debitados.

Os descontos sofridos pelo autor, em sua aposentadoria, de valores referentes a empréstimo


não autorizado, caracteriza falha na prestação de serviços, e, inegavelmente, causa-lhe aflição,
restando manifesta a configuração de dano moral.

O numerário deve proporcionar à vítima satisfação na justa medida do abalo sofrido,


produzindo, no ofensor, impacto bastante para dissuadi-lo de igual procedimento, forçando-o a adotar
uma cautela maior, diante de situações como a descrita nestes autos.
...

A fixação de astreintes para o caso de descumprimento da decisão é perfeitamente viável,


frente à disposição do artigo 497 do CPC/2015.

Se a multa fixada para o caso de descumprimento obedece aos critérios de razoabilidade e


proporcionalidade, de forma a compelir o destinatário da obrigação, sem importar no enriquecimento
ilícito da outra parte, deve ser mantida.

III.B - DA AUSÊNCIA DE DANO MATERIAL – CONTRATO REGULAR E EXERCÍCIO


REGULAR DO DIREITO

A controvérsia na presente apelação cinge-se à responsabilidade civil da instituição financeira


para reparar o dano material sofrido pelo apelado, em razão de fraude praticada por terceiro

O Código de Defesa do Consumidor, em seu artigo 14, dispõe que:

Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos
causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou
inadequadas sobre sua fruição e riscos.

Por sua vez, o artigo 927, parágrafo único, do Código Civil, determina que:

Art. 927. Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados
em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os
direitos de outrem.

No mesmo sentido, o STJ já decidiu em casos análogos:

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. CIVIL E PROCESSO CIVIL. EXAME DO MÉRITO


RECURSAL PELA PRESIDÊNCIA DO TRIBUNAL DE ORIGEM. POSSIBILIDADE. RESPONSABILIDADE CIVIL. FATO
DE TERCEIRO. SÚMULA 07/STJ.
VALORES INDEVIDAMENTE SACADOS DE CONTA CORRENTE, VIA INTERNET, DE FORMA FRAUDULENTA POR
TERCEIRO. DEFEITO NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. FALHA NA SEGURANÇA LEGITIMAMENTE ESPERADA PELO
CONSUMIDOR. PRETENSÃO RECURSAL QUE ESBARRA NO ÓBICE DA SÚMULA 83/STJ. ACÓRDÃO RECORRIDO
EM CONSONÂNCIA COM O ENTENDIMENTO DESTA CORTE SUPERIOR. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
Não é possível o conhecimento de recurso especial para afastar a responsabilidade civil de instituição financeira na
hipótese em que o tribunal de origem reconheceu defeito na prestação de serviços pela falta de segurança ao consumidor
que, através de operações indevidas feitas por terceiro na internet, teve quantia subtraída de sua conta corrente, porque
seria necessário o reexame de fatos e de provas, o que é vedado na instância especial, nos termos da Súmula 7 do STJ.
Não é possível o conhecimento do recurso especial na hipótese em que o tribunal a quo julgou no sentido de que a
instituição financeira responde objetivamente pelos danos causados por fraudes ou delitos praticados por terceiros,
porque esse entendimento encontra-se em sintonia com a jurisprudência do STJ firmada em julgamento de recurso
representativo da controvérsia, aplicando-se a Súmula 83 do STJ. (AgRg no Ag 1430753/RS, Rel. Ministro PAULO DE
TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 03/05/2012, DJe 11/05/2012)

Logo, aplica-se ao presente caso a responsabilidade objetiva da instituição bancária e, por


isso, o dever de arcar com os danos materiais.

III.C - DA AUSÊNCIA DE DANO MORAL – INEXISTÊNCIA DE ATO ILÍCITO


...

Alega o banco apelante que o autor, ora apelado, não faz jus ao recebimento de indenização
por danos morais.

Todavia, a meu ver, os descontos efetuados em sua aposentadoria, de valores referentes a


empréstimo não contratado, caracteriza falha na prestação de serviços que, inegavelmente, causou-
lhe aflição, ultrapassando o limite do mero aborrecimento, restando, portanto, manifesta a
configuração de dano moral.

Ora, não pairam dúvidas de que uma pessoa, ao ser surpreendida com descontos indevidos
em seu benefício, sofre abalo psicológico, já que, tal atitude, certamente gerou privações de ordem
material.

Mesmo que assim não fosse, tenho por desnecessária a prova de prejuízo concreto, sendo
suficiente a demonstração da existência do ato ilícito causador de violação ao patrimônio moral do
indivíduo.

Em situações semelhantes, este egrégio TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS


GERAIS já decidiu:

APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS
MATERIAIS E MORAIS - CONSIGNAÇÃO EM FOLHA DE PAGAMENTO - CONTRATAÇÃO NÃO DEMONSTRADA -
FRAUDE - FORTUITO INTERNO - DESCONTOS INDEVIDOS - RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA - ATO ILÍCITO
CONFIGURADO - DANO MORAL - PRESENÇA - VALOR DA INDENIZAÇÃO - MAJORAÇÃO - POSSIBILIDADE. -
Diante da ausência de comprovação da efetiva relação jurídico-negocial entre as partes, o desconto procedido na folha de
pagamento da parte autora se mostra indevido. - O simples desconto indevido constitui fato bastante para que reste
configurado um dano moral passível de ressarcimento. - O valor da indenização por danos morais deve ser fixado com
prudência, segundo os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, mostrando-se apto a reparar, adequadamente, o
dano suportado pelo ofendido, servindo, ainda, como meio de impedir que o condenado reitere a conduta ilícita.
- Há que se falar em majoração do valor arbitrado a título de indenização por danos morais se fixado em montante aquém
daquele que comumente se tem estabelecido para casos similares. (TJMG - Apelação Cível 1.0625.14.003093-7/002,
Relator(a): Des.(a) Evandro Lopes da Costa Teixeira , 17ª CÂMARA CÍVEL, julgamento em 17/08/2017, publicação da
súmula em 29/08/2017).

Nesse raciocínio, inexistem dúvidas de que é devida a indenização pleiteada, eis que
incontroversos os descontos indevidos no benefício previdenciário do autor.

III.D - DA DESPROPORCIONALIDADE DO VALOR DO DANO MORAL APLICADO

No tocante ao quantum indenizatório, insta registrar que o conceito de ressarcimento, em se


tratando de dano moral, abrange dois critérios, um de caráter pedagógico, objetivando repreender o
causador do dano pela ofensa que praticou; outro de caráter compensatório, que proporcionará à
vítima algum bem em contrapartida ao mal sofrido.

Superior Tribunal de Justiça já decidiu que "o direito pretoriano acolhe entendimento no sentido
de que o dano moral, não havendo outro critério de avaliação, deve ficar ao prudente critério do Juiz
sua quantificação" (REsp 108155/RJ, Rel. Ministro Waldemar Zveiter, DJ 30/03/98).
...

Assim, para o arbitramento da reparação por dano moral o julgador deve valer-se de
moderação, levando em conta o grau de culpa e a extensão do dano causado, bem como a situação
econômica das partes.

A quantia arbitrada não pode servir de enriquecimento indevido, mas também não pode ser
ínfima, a ponto de não reprimir a conduta do infrator e desvalorizar os sentimentos da vítima.
Nesse sentido:

"A indenização por dano imaterial, como a dor, a tristeza ou a humilhação sofridas pela vítima, mercê de valores
inapreciáveis economicamente, não impede que se fixe um quantum compensatório, com o intuito de suavizar o
respectivo dano.O quantum indenizatório devido a título de danos morais deve assegurar a justa reparação do prejuízo
sem proporcionar enriquecimento sem causa do autor, além de levar em conta a capacidade econômica do réu, devendo
ser arbitrado pelo juiz de maneira que a composição do dano seja proporcional à ofensa, calcada nos critérios da
exemplariedade e da solidariedade." (STJ, REsp 693172 / MG, de 12.09.2005, relatoria do Ministro Luiz Fux)

Nesse contexto, ponderadas as peculiaridades do caso concreto, observando-se o caráter


pedagógico e punitivo da indenização por danos morais, bem como o notório porte financeiro do réu.
IV- REQUERIMENTO DE MANUTENÇÃO DA SENTENÇA

Ante o exposto, dada a singeleza da questão submetida à análise


pretoriana, resigna-se o Autor-Recorrido a requerer a manutenção da sentença
proferida, na qual restou bem analisada a questão em tela.

Propugna, pois, o Recorrido pelo desprovimento do Recurso


interposto pela parte adversa, mantendo-se incólume o impugnado provimento
jurisdicional no que foi desfavorável à parte Recorrente.

V– PREQUESTIONAMENTO

Em caso de eventual provimento do recurso interposto pela parte


Recorrente (o que se admite apenas hipoteticamente), uma vez que a decisão
recorrida estaria de acordo com os já debatidos dispositivos legais e
constitucionais, a matéria fica desde já PREQUESTIONADA.
.

V – DO PEDIDO

Diante o exposto, requer:

a) Seja mantida a decisão de 1º grau;

b) Se "eventualmente" for acatado o pedido recursal de anulação


da sentença, para evitar prejuízo ao recorrido, roga que seja
mantida a antecipação de tutela concedida na origem.

Nestes termos pede deferimento.

Pelotas – RS, 25 de abril de 2022.

Guinther Machado Etges

OAB/RS 39.430

Thaynah Silveira
Estagiária
Alessandra Blohm
Estagiária

Martha Blank
Estagiária

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