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Situação Econômica de Guiné-Bissau em 1996

Cesar Ferrari Quine

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1

Nota informativa: 034.0796

PROGRAMA MONETÁRIO E SITUAÇÃO ECONÔMICA FINANCEIRA


DE GUINÉ-BISSAU A JUNHO DE 1996

César A. Ferrari, Ph.D.

1.A execução a junho de 1996 do Programa Econômico 1996-1997 concordado entre o


Governo de Guiné-Bissau e o FIM mostra um avance perto as metas re-programadas para
dito mês. Porém, a situação macroeconômica durante o primeiro semestre de 1996 se
caracterizou por um déficit estrutural na balança comercial e uma alta inflação, muito
superior a programada.

2.A presente nota analisa esses temas e alguns novas tendências na economia para o segundo
semestre. A anunciada adesão de Guiné-Bissau à União Monetária e Econômica do África
Ocidental (UEMOA) no próximo 1 de janeiro de 1997 (para ser efetiva no transcurso de
1997), poderia produzir determinados impactos econômicos que alterem as projeções do
Programa.

As metas e critérios de performance do Programa Econômico

[Link] 1996, o Programa Econômico considera como metas monetárias: 1) as variações nos
activos internos líquidos do Sistema Bancário e 2) as variações na base monetária. Como
critérios de performance monetária considera: 1) as variações nos activos internos
líquidos do Banco Central, 2) o crédito do sistema bancário ao Governo e 3) o incremento
nos activos externos líquidos do Banco Central.

[Link] metas fiscais, o Programa considera: 1) receitas fiscais mínimas, 2) máximo de


despesas no salários do Governo. Como critérios de performance fiscais considera: 3)
stock de atrasados internos, 4) stock de atrasados externos do mediano e longo prazo e 5)
stock de atrasados externos de corto prazo.

5.O quadro seguinte apresenta as metas e critérios definidos originalmente no programa e as


re-programadas no mês de julho, em termos de saldos nos meses indicados, os montantes
executados e as diferenças entre a execução e as metas re-programadas. No documento do
Programa, a maior parte das metas e critérios são apresentados en termos de variações
trimestrais. Para a dedução dos saldos debe-se considerar que as variações mencionadas são
estimadas desde princípios de 1996. Por tanto, as mesmas incluem as modificações contáveis
do arranjo do ex-Banco de Crédito Nacional (BCN).

6.A re-programação das metas e critérios foi conseqüência dum menor apoio à balança de
pagamentos respeito a estimativa preliminar, o que diu lugar a ajustamentos nas metas dos
activos internos e externos e do crédito ao governo. A diferença foi a conseqüência do atraso
no desembolso do Banco Africano de Desenvolvimento, de 4.3 milhões de dólares, no dia 9
de julho de 1996. O atraso ocorreu, em parte, devido a uma falta de coordenação interna e ao
desconhecimento do Ministério do Plano dos requerimentos e procedimentos para o
2
desembolso.

[Link] resultados indicam que a maior parte das metas e critérios re-programados para o mês de
junho cumpriram-se (ver quadro seguinte). De acordo à informação mais recente (31 de
julho), as receitas fiscais foram 57.7% maiores que o programado e as despesas em salários
do pessoal da administração pública foram 3.5% menores. Os activos internos líquidos do
sistema bancário e a base monetária foram também 3% e 4.2% menores que as metas
indicadas no programa. Em relação aos critérios de performance, os activos internos
líquidos do Banco Central foram 13.9% menores que o programado, o crédito líquido ao
governo foi 111.5% menor e os activos externos líquidos do Banco Central foram 23.3%
menores. O Banco Central ganhou 1 milhão de dólares em lugar de perder 5 milhões.
Lamentavelmente, não existe informação sobre a situação dos atrasados internos e
externos.

METAS E CRITÉRIOS DE PERFORMANCE PARA 1996


----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
----
Dez95 Jun-prog Jun-reprog Jun-exe Diferença
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
----
(Em bilhões de pesos)
Metas para Junho
Receitas fiscais 577 234 234 405.3 57.7%
Maxime salários do Governo 128 74 74 71.4 -3.5%
Activos internos líquidos S. bancário 953 1107 1201 1164.4 -3.0%
Base monetária 443 496 496 475.0 -4.2%
Critérios de performance para Junho
Stock de atrasados internos 28 51 51
Activos internos líquidos do BCGB 910 995 1089 937.4 -13.9%
Crédito líquido ao Governo -268 -75 19 -2.2 -111.5%
(Em milhões de dólares)
Activos externos liquido do BCGB -20.8 -21.8 -25.8 -19.5 -24.4%
Atrasados externos de M e L prazo 183.9 198.9 198.9 n.d.
Atrasados externos de C prazo 30.9 33.3 33.3 n.d.
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
-----
Nota: n.d. não disponível
Fonte: Programa Econômico, Ministério das Finanças e Banco Central de Guiné-Bissau

A evolução monetária

[Link] o primeiro semestre, a base monetária do Banco Central cresceu em 5.3%; as


reservas legais decrescerão em 31.4% e as notas e moedas crescerão em 27.3%, com lo que a
emissão monetária durante o semestre foi positiva.

[Link] sua parte, os activos externos líquidos do Banco Central a junho 1996 continuaram
sendo negativos (US$ -19.5 milhões), pero 23% menos que em dezembro de 1995. O Banco
3
Central acrescentou seu nível de reservas internacionais líquidas en US$ 1.3 milhões. A sua
vez, a banca comercial reduziu suo nível de reservas líquidas em US$ 1.3 milhões. Também a
junho de 1996, os activos internos líquidos do Sistema Financeiro alcançarão um valor de
1164.4 bilhões de pesos, aumentando em 22.2% respeito a dezembro de 1995.

VARIÁVEIS MONETÁRIAS NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 1996


(en bilhões de Pesos Guineenses)
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
---
Dez95 Junho96 Junho/Dez
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
---
Base Monetária do BCBG 450.9 475.0 5.3%
Reserva legal 164.5 112.8 -31.4%
Notas/Moedas 286.4 362.1 27.3%
Activos externos líquidos -197.5 -212.2 7.4%
AEL dos bancos (m US$) 11.7 10.5 -10.3%
AEL do BCGB (m US$) -20.8 -19.5 -6.2%
Activos internos líquidos 953.0 1164.4 22.2%
Credito a Economia 338.2 294.8 -12.8%
Credito ao Governo -267.9 -27.3 -89.8%
Liquidez total (M2) 755.0 951.7 26.1%
Moeda 468.7 511.7 9.2%
Da qual depósitos a ordem 190.6 152.8 -19.8%
Quase-moeda 286.3 440.0 53.7%
Da qual en m/e 240.7 393.7 63.6%
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
---
Fonte: Banco Central de Guiné-Bissau

10.A expansão dos activos internos líquidos durante o primeiro semestre, provem
fundamentalmente do incremento do crédito líquido ao governo, em 89.8%, de -267.9
bilhões de pesos a fines de 1995 a -27.3 bilhões en junho 1996. O crédito líquido se tornou
muito menos negativo pelo incremento dos empréstimos ao governo e pelo decrescimento
dos depósitos do governo.

[Link] o semestre, o Banco Central não outorgou adiantamentos al governo. O saldo


dos empréstimos ao governo (444.8 bilhões) aumento respeito ao montante de dezembro de
1995 (224.7 bilhões) como conseqüência do arranjo do ex-Banco de Crédito Nacional, que
significou um traslado de saldos devedores do “crédito a economia” ao “crédito ao
governo”.

[Link] período, o crédito a economia se reduzo em 12.8%, de 338.2 bilhões em dezembro


1995 a 294.8 bilhões em junho 1995. O crédito a economia decresceu, fundamentalmente,
pelo arranjo do ex-BCN. Considerando dito montante, o crédito a economia ficaria em 423.6
bilhões, um incremento de 25.3% respeito ao montante de dezembro de 1995.

13.O comportamento dos activos internos e externos se traduzo numa expansão dos meios de
pagamento de 26.1% durante o semestre. Em efeito, em dezembro de 1995 foram 755.0
4
bilhões (468.7 bilhões de moedas e 286.3 bilhões de quase-moedas) en quanto que em junho
foram 951.7 bilhões de pesos (511.7 de moedas e 440.0 bilhões de quase-moeda). A
preferência por circulante continuo sendo significativa, mais a relação de moedas a quase-
moedas decresceu, de 1.64 em dezembro de 1995 a 1.16 em junho, como conseqüência do
incremento significativo, em 63.6% dos depósitos em moeda estrangeira que nas Contas
Monetárias são considerados como parte do quase-moeda.

A evolução fiscal

[Link] quadro seguinte se mostra a situação do orçamento geral do Estado para 1996. O
quadro inclui a execução ã dezembro de 1995, a execução a junho de 1996, o programado
para tudo 1996 e o avance da execução a junho respeito ao montante total programado para
1996.

ORÇAMENTO GERAL DO ESTADO


(em bilhões de Pesos Guineenses)
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
-
Dez95 Dez96 Junho96 Avance
Executado Programado Executado %
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
--
Receita total 1466 1740 405 23.7
Receita orçamental 577 811 405 49.9
Receita tributaria 323 458 174 38.0
Receita não tributaria 253 352 231 65.6
Donativos 889 929 0 0.0
Ajuda alimentaria 41 --- 0 0.0
Ajuda balança de pagam. 263 373 0 0.0
Ajuda a projetos 580 557 0 0.0
Despesa total 1519 2108 547 25.9
Despesas de funcionamento 703 1073 363 33.9
Salários 128 157 71 45.2
Bens e serviços 166 237 56 23.6
Transferências 103 133 64 48.1
Juros correntes 306 545 172 31.5
Despesas de investimento 819 1085 192 17.7
Empréstimos líquidos -4 -50 -8 16.0
Saldo global
Incluído donativos -53 -368 -142 38.6
Excluído donativos -942 -1297 -142 10.9
Variação de atrasados
Externos -409 -698 n.d.
Internos -27 -28 n.d.
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
--
Nota: n.d. não disponível
Fonte: Ministério das Finanças

[Link] termos gerais, a execução fiscal a junho encontrasse atrasada com respeito ao
5
programado. A receita orçamental durante o primeiro semestre foi 49.9% do programado
para tudo 1996. Porém, as receitas tributarias foram 38% do programado. O que permitiu
alcançar o avance global e cumprir a meta de receitas orçamentais foram as receitas não
tributarias, que representaram 65.6% do montante programado para 1996. O principal
componente de dita receita foi a compensação financeira da União Europeia (137.5 bilhões
no mês de junho). Em geral, as receitas do Estado continuam sendo estruturalmente muito
menores que as despensas totais e requerem dos donativos para seu financiamento.

[Link] o primeiro semestre, o Estado guineense não recebeu donativos de seus parceiros
internacionais. O montante programado para 1996 é de 929 bilhões de pesos.

17.A carência de donativos é uma das rações para o atraso na execução das despesas fiscais
durante o primeiro semestre. As despesas executadas foram 25.9% do programado para tudo
1996. As despesas de funcionamento mostraram um avance de 33.9% e as despesas de
investimento de 17.7%. Com esse pouco nível de avance, é difícil que o montante de
investimento programado para 1996 poda-se completar no segundo semestre. Dita situação
no é conveniente considerando a necessidade de construir a infra-estrutura pelo
desenvolvimento da economia.

[Link] donativos e sem avance no investimento, os déficit global, excluído e incluído


donativos, encontra-se muito distanciado do programado para tudo 1996.

A evolução do setor externo

[Link] o primeiro semestre de 1996, as exportações FOB alcançaram um valor


acumulado de US$ 11.1 milhões de dólares que ultrapasso o valor das exportações no mesmo
período de 1995. O montante alcançado representou 43.7% do Programa para 1996.

20.A castanha de caju continuo sendo o principal produto de exportação (87.4% do total),
seguido do algodão em rama (11.7%). Durante o primeiro semestre se exportaram 13 mil
toneladas de castanha por um montante de U$ 9.7 milhões, com um preço promedio de US$
747 a tonelada. As expectativas de exportação para 1996 são de 30 mil toneladas. Como
conseqüência, é possível que as exportações de 1996 superem o montante programado (US$
21.9 milhões). Sim embargo, a castanha não chegara a alcançar o valor excepcional
exportado em 1994 (U$ 31.0 milhões). Os principais mercados de exportação continuaram
sendo os asiáticos (88%).

21.É conveniente notar que o preço real da exportação da castanha é do ordem de 900 a 1000
dólares por tonelada. Nesse sentido, as exportações de castanha no primeiro semestre
estariam sub-valorizadas em 17-25% (US$ 1.6-2.4 milhões) e as transferencias privadas
sobre-valorizadas. A balança comercial seria menos negativa que o consignado nas contas
oficias.

[Link] sua parte, as importações FOB alcançarão até junho de 1996 um valor de U$ 26.2
milhões, equivalente ao 42.7% do programado para tudo o ano.

[Link] principais produtos importados continuaram sendo arroz (25.2% do total),


equipamento de transporte (21.4%) e combustível (12.6%). Os preços de importação de
6
arroz flutuaram entre US$ 310.3 em dezembro de 1995 e US$ 346.0 em junho. A elevação do
preço do arroz no semestre (11.5%), tive um impacto muito importante na inflação (ver
parágrafo 32).

24.É conveniente notar também que uma parte importante das importações de arroz (46.5%
em 1995) são re-exportadas em forma ilegal ao Senegal. Nesse sentido, as exportações até
junho estariam adicionalmente sub-valorizadas em US$ 3.7 milhões. Como contraparte, as
importações também estariam sub-valorizadas no mesmo montante, por quanto os Francos
CFA obtidos na re-exportação de arroz são usados para importar do mesmo Senegal bens
diversos (batatas, cebolas, tecidos, roupa, etc.). Num estudo econométrico recente, feito para
modelar o comportamento de longo prazo da economia guineense (ver “Cenários de Projeção
Econômica 1996-2005" de junho de 1996), mostra-se que esse comercio ocorre pela
existência duma taxa de cambio peso/CFA conveniente.

BALANÇA DE PAGAMENTOS
(em milhões de dólares)
---------------------------------------------------------------------------------------------------
1995 1995 1996 1996 Avance
1sem 1sem prog. %
---------------------------------------------------------------------------------------------------
Bens e serviços -60.8 -34.7 -29.1 -70.3 41.4
Bens -35.4 -21.4 -15.1 -35.9 42.1
Exportações 23.9 7.2 11.1 25.4 43.7
Cajú 20.5 4.7 9.7 21.9 44.3
Importações -59.3 -28.5 -26.2 -61.3 42.7
Serviços -25.4 -12.7 -14.0 -34.4 40.7
Rendimentos -6.8 -5.4 -3.4 -11.5 29.6
Pesca 11.3 1.8 8.3 11.9 69.7
Juros -18.0 -7.2 -11.7 -23.4 50.0
Transferências 21.5 27.3 7.5 57.2 13.1
Balança Corrente -0.7 -6.1 -17.2 7.2

Capitais 60.0 6.1 7.8 32.3 24.1


Operações financeiras -27.2 11.1 4.2 -14.5 -28.9
Balança de capitais 32.8 17.2 12.0 17.8

Saldo -13.3 5.0 -13.0 -6.8


Financiamento
Reservas BCGB -3.6 -6.3 -1.3 -1.0
Especial 17.0 1.3 14.3 19.6
Divida reesc. 177.4 0.0 0.0 234.3
Variac atrasados -160.4 1.3 14.3 -214.7
Déficit 0.0 0.0 0.0 11.8
---------------------------------------------------------------------------------------------------
Fonte: ESTES, Banco Central de Guiné-Bissau

[Link] conseqüência do comportamento das exportações e importações, a balança


comercial mostrou um déficit durante o primeiro semestre de 1996 de US$ 15.1 milhões. A
sua vez. A balança de serviços mostrou um déficit de US$ 13.99 milhões e a balança de
rendimentos, que inclui as receitas de pesca e os juros programados, mostrou um déficit de
US$ 3.4 milhões. Em resumo, durante o primeiro semestre, a balança de transações
correntes foi negativa em US$ -17.2 milhões de dólares. No mesmo período de 1995 o
déficit foi de US$ -6.1 milhões. A ração principal encontrasse nas menores Transferências
7
correntes ao governo.

[Link] o primeiro semestre de 1996 a balança de capitais mostrou um total de US$


12.01 milhões, um montante menor ao do primeiro semestre de 1995. As Transferências de
capitais representaram 24.1% do programado para 1996, em quanto que as operações
financeiras representaram -28.9%. Os porcentagens indicam que o apoio internacional
prometido a Guiné-Bissau ainda não se encontra efetivado.

[Link] montantes acima mencionados se traduziram num déficit global na balança de


pagamentos de US$ -12.99 milhões. No mesmo período de 1995, a balança mostrou um
superavit de US$ 5 milhões. O financiamento do déficit diu-se a traves dum incremento na
variação de atrasados de US$ 14.3 milhões e uma ganancia de reservas pelo Banco
Central de US$ 1.3 milhões. A situação e novamente um indicativo da falta duma
coordenação adequada; falta um mecanismo que permita indicar em forma oportuna que o
excesso do Banco Central pode servir para diminuir a escassez do Ministério das Finanças.

Desvalorização da taxa de cambio

28.O quadro seguinte mostra a evolução da taxa de cambio e a desvalorização cambiaria


nominal e real do Peso guineense vis a vis o Dólar de Estados Unidos durante o primeiro
semestre de 1996:

DESVALORIZAÇÃO DA TAXA DE CAMBIO OFICIAL


(Em pesos por dólar e percentagens)
-----------------------------------------------------------------------------------------------
dezembro 95 junho 96
-----------------------------------------------------------------------------------------------
taxa cambio oficial* 21928.8 23417.6
taxa cambio libre* 22365.3 23485.9
desvalorização nominal (%) 42.7 6.8
inflação do período (%) 49.7 22.1
desvalorização real (%) -4.7 -12.5
-----------------------------------------------------------------------------------------------
* fim do período
Fonte: Banco Central de Guiné-Bissau

[Link] o período, a taxa de cambio dólar/peso continuo sua desvalorização, mais a


uma taxa menor que da inflação. A fim de junho, a taxa de cambio oficial foi de 23,417.60
pesos por dólar, en dezembro de 1995 foi 21,928.77. A taxa de cambio do mercado libre foi
23,885.95 a fim de junho, mantendo uma diferença de 1.9% respeito a taxa de cambio oficial.
A desvalorização nominal correspondente foi de 6.8%.

[Link] conseqüência, a taxa de desvalorização real durante o semestre foi negativa em


12.5%. Com dito comportamento é difícil que as exportações respondam com maior volume.
No estudo econométrico mencionado acima (“Cenários de Projeção Macroeconômica 1996-
2005") mostra-se que as exportações tem uma elasticidade a taxa de cambio real significativa
e que uma desvalorização real da taxa de cambio tem um efeito positivo sobre o crescimento
das exportações em particular e do setor agrícola e da economia en geral.
8

Inflação

[Link]é junho de 1996, a inflação homologa do índice de preços ao consumidor (IPC) dos
últimos 12 meses foi 42.03%, a inflação media dos últimos 12 meses foi 39.45% e a
inflação acumulada durante o primeiro semestre 22.07%. A taxa mensal promedio do
semestre foi 3.37%. Ditas taxas ultrapassaram as taxas previstas no Programa Econômico. A
taxa de inflação acumulada projetada no Programa para tudo 1996 era 15.0% e a media
26.5%.

INFLAÇÃO PRIMEIRO SEMESTRE 1996


(Em porcentagens)
--------------------------------------------------------------------------------------------------
Mensal Acumulada Media Homologa
--------------------------------------------------------------------------------------------------
Janeiro 2.00 2.00 20.24 52.91
Fevereiro 3.61 5.69 23.26 50.26
Março 1.97 7.77 29.07 41.52
Abril 3.22 11.24 32.40 49.11
Maio 5.65 17.53 35.28 50.01
Junho 3.87 22.07 39.45 42.03
---------------------------------------------------------------------------------------------------
Fonte: INEC

32.A inflação continua a ser um problema na Guiné-Bissau. Varias são as rações que podem
explicar-a. A desvalorização cambiaria, o crescimento da quantidade de dinheiro e a inflação
do preço internacional do arroz são os factores que melhor a explicam1.

[Link] cada período, o principal origem da inflação depende da situação particular das
variáveis mencionadas. Durante o primeiro semestre de 1996, sendo a inflação maior
(22.07%), a desvalorização da taxa de cambio (6.8%) não pode ser identificada como a
principal fonte inflacionária. A inflação teria seu origem, principalmente, no importante
crescimento que experimento a liquidez monetária (26.1%) pelo incremento dos depósitos
em moeda estrangeira e o incremento no preço internacional do arroz (11.5%),
particularmente o último que tem a maior ponderação na equação. Essa ponderação se
explica, a sua vez, pela importante ponderação que o arroz tem no cabaz do IPC (17.16%) e
pelo efeito que sua inflação tem sobre os preços dos outros produtos do cabaz com os que é
complementário (peixe fresco, 15.97% do cabaz, carne de vaca, 7.63%, e carne de porco,
4.41%).

[Link] dúvida importante subsiste em relação as ponderações do cabaz do índice de preços


ao consumidor usado pelo INEC (ver Nota Informativa 028.496 de abril de 1996). A inflação
1
Ver as Notas Informativas 05.1294 de dezembro 1994, 025.0396 de março 1996 e 028.496 de
abril 1996 sobre os determinantes da inflação na Guiné-Bissau. A melhor equação explicativa
incluída na última Nota é: CIPC = 0.337 CCAMBIO(-1) + 0.215 CLIQUI(-2) + 0.836
CPARROZ - 4.833 DUMMY + e; onde as variáveis correspondem aos factores mencionados.
9
do índice de preços ao consumidor da cidade de Bissau (a inflação geral) calculada pelo
INEC não coincide com a inflação calculada com as ponderações entregadas pelo INEC à
Missão do FMI.2 De acordo a ditas ponderações a inflação no semestre seria 21.96%,
ligeiramente menor à calculada pelo INEC.

Taxas de juro

35.A inflação tem um efeito importante sobre o comportamento das taxas de juros reais. O
Banco Central modifica as taxas de juro activas nominais de acordo a evolução da inflação, a
fim de manter as taxas activas reais positivas. As taxas passivas são determinadas a partir do
teto estabelecido pela taxas activas e um “spread” nominal promedio do sistema bancário
mais o menos constante, a fim de não prejudicar a situação financeira dos bancos. O “spread”
promedio é estimado como a diferença entre as taxas activas e passivas, ponderadas pela
respectiva proporção dos diferentes créditos e depósitos existentes no sistema, e ajustado
pela taxa de encaixe que afecta, teoricamente, à disponibilidade efectiva de recursos
emprestáveis.

[Link] consequência dessa política, as taxas de juro activas e passivas não são sempre
positivas em termos reais e o “spread” entre as taxas é considerável. As taxas reais resultam
de deflatar a taxas nominais pela inflação. No presente documento as taxas reais se estimaram
considerando a inflação homologa (a evolução dos preços entre determinado mês e o mesmo
mês do ano anterior) determinada pelo INEC.

37.O quadro seguinte mostra as taxas nominais e reais durante o primeiro semestre de 1996.
Durante dito período, as taxas passivas reais para os depósitos a ordem e com pré-aviso
foram sempre negativas. As taxas reais para os depósitos a prazo foram também negativas,
incluindo as taxas prazo promedio simples (das diferentes taxas a prazo) e moda (a taxa dos
depósitos até 90 dias, que são a maior parte dos depósitos a prazo). A taxa passiva ponderada
das taxas foi também sempre negativa (o promedio ponderado pela participação do respectivo
depósito no total). No quadro pode-se também notar uma evolução similar para as taxas
activas reais. Pode-se observar também que foram negativas até fevereiro de 1996, se
incrementaram e foram positivas em março 1996 para descender no mês seguinte.

TAXAS DE JURO NO SISTEMA BANCÁRIO


(Em porcentagens)
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
------
PASSIVAS Ponderada A ordem C/p aviso Promedio Moda
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
------
VALORES NOMINAIS
95.12 8.3 5.0 15.0 36.5 33.0
96.01 8.1 5.0 15.0 36.5 33.0
96.02 9.8 6.0 19.0 46.8 43.0
2
O cabaz de bens com que se define o Índice de Preços ao Consumidor em Bissau, entregado
pelo INEC à Missão do FMI em março 1996, inclui 51 produtos, dos quais 44 são alimentícios, 5 são
bebidas e 2 tabacos. Os produtos alimentarias representam o 92.1% do índice, bebidas 5.9% e tabaco
2%. Quatro produtos definem quase a metade do índice (48.7%). O principal produto é arroz (17.2%),
seguido de peixe fresco (16.0%), pão (8.0%) e carne de vaca (7.6%).
10
96.03 9.8 6.0 19.0 46.8 43.0
96.04 10.3 6.0 19.0 46.8 43.0
96.05 9.2 6.0 19.0 46.8 43.0
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
VALORES REAIS
95.12 -27.6 -29.9 -23.2 -8.8 -11.2
96.01 -29.3 -31.3 -24.8 -10.7 -13.0
96.02 -26.9 -29.5 -20.8 -2.3 -4.8
96.03 -22.4 -25.1 -15.9 3.7 1.0
96.04 -26.0 -28.9 -20.2 -1.6 -4.1
96.05 -27.2 -29.3 -20.7 -2.2 -4.7
-----------
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
ACTIVAS 180 181/1 Mais de 1 Des- Mora Ponderada
Dias Ano Ano coberto
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
-------
VALORES NOMINAIS
95.12 46.0 48.0 49.0 42.0 2.0 45.8
96.01 46.0 48.0 49.0 42.0 2.0 45.8
96.02 50.0 51.0 53.0 54.0 2.0 50.9
96.03 50.0 51.0 53.0 54.0 2.0 50.9
96.04 50.0 51.0 53.0 54.0 2.0 51.0
96.05 50.0 51.0 53.0 54.0 2.0 50.8
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
--
VALORES REAIS
95.12 -2.5 -1.1 -0.5 -5.1 -31.9 -2.6
96.01 -4.5 -3.2 -2.6 -7.1 -33.3 -4.6
96.02 -0.2 0.5 1.8 2.5 -32.1 0.4
96.03 6.0 6.7 8.1 8.8 -27.9 6.6
96.04 0.6 1.3 2.6 3.3 -31.6 1.3
96.05 -0.0 0.7 2.0 2.7 -32.0 0.5
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Fonte: Banco Central de Guiné-Bissau e estimados do autor

38.A fim de correger a negatividade da taxa real, a partir do 25 de agosto de 1995, as taxas
de juros nominais foram incrementadas em 3 pontos em todas suas modalidades (4 para os
depósitos a mais de um ano). As taxas foram novamente incrementadas a partir do 11 de
novembro a 46% para os créditos a 180 dias e a 33% para os depósito a 90 dias. Finalmente,
a última modificação ocorreu o 19 de fevereiro de 1996. A taxas passivas reais continuaram
sendo negativas e as activas reais tornaram-se ligeiramente positivas.

[Link] relação à problemática das taxas de juro, um estudo recente sobre taxas de juro,
depósitos e créditos no sistema bancário guineense (ver Nota Informativa 033.796 de julho de
1996) confirma, em forma concordante com a teoria, que na Guiné-Bissau os agentes
económicos actuam racionalmente em termos económicos: 1) A maior taxa de juro real, as
empresas e particulares colocam maiores depósitos a prazo em termos reais no sistema
bancário, 2) Sem a taxa de juro real é negativa, não estão dispostos a perder dinheiro em
termos reais e preferem colocar suas poupanças em bens o fora do sistema bancário. Os
resultados sugerem que uma política orientada a desenvolver o sistema financeiro na Guiné-
Bissau requere, necessariamente, uma revisão profunda das taxas de juro passivas a fim de
progresivamente fazer-as positivas em termos reais
11

As novas tendências macroeconômicas

40.O mencionado crescimento de 63.6% do equivalente em pesos da moeda estrangeira no


sistema bancário (ver parágrafo 13), com uma desvalorização de 6.8% até junho, indica um
crescimento da moeda estrangeira de 53.2% no primeiro semestre; um crescimento muito
elevado que estaria indicando uma rápida conversão dos recursos monetários domésticos a
moeda estrangeira por razões diversas da desvalorização da taxa de cambio. A sua vez, a
importante desvalorização do peso que ocorre desde mediados de julho, depois da
revalorização do peso no mês de junho, estaria confirmando uma crescente procura de moeda
estrangeira, em parte pelo fim da campanha de caju (que precisa pesos) e, em forma
acelerada, por outras razões. Por outras palavras, estaria ocorrendo uma rápida dolarização
da economia.

41.A aceleração da desvalorização e a notável modificação da relação de moedas a quase-


moeda poderia ser uma expressão da fuga do peso ao dólar e outras moedas fortes
estrangeiras como conseqüência da anunciada desaparição do peso e a introdução do
Franco CFA como moeda da Guiné-Bissau. A anunciada adesão a UEMOA, estaria
induzindo aos agentes econômicos a buscar a proteção de seu patrimônio em outras moedas
ou na compra de bens duráveis. Nos próximos meses a tendência poderia-se reforçar.

[Link] conseqüências do processo acima indicado: 1) o Banco Central terminaria com


“todos” os pesos da economia em suas mãos, 2) se verificaria um incremento notável das
transações em moeda estrangeira, 3) a modificação do cabaz de moedas continuaria
provocando uma forte desvalorização do peso, situação que estaria-se já verificando, 4) a
desvalorização provocaria uma forte inflação dos preços em pesos, mais como a gente ficaria
sem pesos, as transações realizariam-se em dólares (ou outra moeda estrangeira), 5) se
produziria uma forte perdida de ingresso real dos proprietários dos pesos no momento da
conversão peso/CFA.

[Link] efeitos da adesão ocorreriam também no comercio das fronteiras. Como se indico
acima (parágrafo 27), parte importante das importações de arroz são re-exportadas ao Senegal
e os recursos obtidos são usados na compra nesse pais de outros bens. Sem o incentivo para a
ocorrência de dito comercio desaparece (a taxa de cambio peso/CFA), o comercio também
desapareceria. Mais sem a desvalorização se reforça e a taxa de conversão peso/CFA no
momento da adesão e muito elevada, o incentivo para re-exportar arroz se reforçaria. O sul de
Senegal preferiria aumentar suas importações de arroz a través de Bissau. Como
conseqüência, as importações de contrapartida dos outros bens desde Senegal também se
incrementariam. Dependendo da taxa de cambio final, poderia ocorrer uma modificação das
fontes de abastecimento que se traduziria numa redução do comercio com Europa e um
incremento do comercio na fronteira.

[Link] efeitos fiscais de dita situação poderiam ser importantes na medida que as importações
registradas pagam impostos e as não registradas, que ocorrem maior mente a traves das
fronteiras não pagam.

[Link] hipóteses anteriores permitem insistir na conveniência de realizar quanto antes um


estudo dos impactos prováveis da adesão, não somente depois da mesma, mais durante o
processo que ocorrera nos próximos meses.
12

Conclusões e recomendações

46.A pesar das limitações do apoio internacional as metas monetárias e fiscais re-
programadas ao mês de junho se hão praticamente alcançado. Uma major coordenação e uma
avaliação com informação mais oportuna sobre o desenvolvimento do programa haveria
permitido uma major aproximação global à cumprimento das metas iniciais do Programa.

47.E conveniente insistir no funcionamento efectivo da Comissão de Coordenação


Macroeconómica composta pelos responsáveis do Ministério de Finanças, Ministério do
Plano e da Cooperação, Ministério de Comercio e Banco Central. A Comissão deveria
avaluar regularmente o Programa Econômico e o cumprimento das metas, a execução
orçamental e financeira do mês anterior e o programa de tesouraria de curto prazo, em moeda
nacional e estrangeira, para os meses seguintes. Se empenharia também para que o
cumprimento das metas seja lograda em forma global e consistente, de tal forma que não
ocorram casos onde algumas metas se ultrapassem entanto que outras fiquem aquém dos
montantes ou das taxas especificadas. Assim, com sua disponibilidade, o Tesouro poderia
haver comprado divisas do Banco Central para reduzir os atrasados e diminuir a quantidade
dos meios do pagamento.

48.A inflação ha sido originada, principalmente, por causas externas, em particular o preço
internacional do arroz. Seria conveniente que a próxima programação considere dito impacto.

[Link] o primeiro semestre, a taxa de cambio real peço valor. A melhor forma de
assegurar a promoção das exportações e o controlo das importações é através de uma taxa de
cambio adequada. Deveria cuidar se que a taxa de cambio Peso/Dólar não perca valor em
termos reais, assegurando que a desvalorização mensal do Peso não seja menor que a inflação
mensal. Para tal fim o Banco Central deveria seguir uma política cambial mais activa. O
controlo da inflação deveria assegurar se com uma estrita política monetária e fiscal.

50.É necessário, lograr uma informação mais atualizada sobre a situação fiscal e sobre a
execução dos donativos externos. Informação inexata não contribui a uma avaliação
adequada do Programa econômico. Assim, deve se fazer um maior esforço no incremento das
receitas fiscais e um major controlo das despensas de funcionamento a fim de no diminuir as
despensas de capital como meio de cumprir as metas fiscais.

51.É prática universal, manter sem alterações as ponderações do índice de preços ao


consumidor até que um novo cabaz seja introduzido com amplio conhecimento público, a
partir de uma pesquisa de consumo ad-hoc. De outra forma, a alteração das ponderações pode
ser interpretada como uma manipulação da estatísticas que no presente caso mostram uma
inflação maior que a real, prejudicando a imagem do país. É conveniente resolver a dúvida no
sentido de definir e difundir quais são as ponderações correctas.

[Link], o Programa atual contem metas trimestrais para os anos 1996 e 1997. O
mesmo não considera a anunciada e provável incorporação da Guiné-Bissau à União
Monetária e Econômica do África Ocidental (UEMOA) no próximo 1 de janeiro de 1997.
Porém, as expectativas da união estam sendo incorporadas já no comportamento dos agentes
13
econômicos e produziriam alguns impactos econômicos no presente ano, em particular na
taxa de cambio, inflação e quantidade de pesos no poder dos agentes econômicos privados.
Nesse sentido seria conveniente 1) estudar os principais impactos da adesão para uma melhor
gestão da política económica e, sem é necessario, 2) modificar alguns das metas do programa
para ajustar-as as novas realidades econômicas do pais.

Bissau, 31 de julho de 1996

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