Situação Econômica de Guiné-Bissau em 1996
Situação Econômica de Guiné-Bissau em 1996
2.A presente nota analisa esses temas e alguns novas tendências na economia para o segundo
semestre. A anunciada adesão de Guiné-Bissau à União Monetária e Econômica do África
Ocidental (UEMOA) no próximo 1 de janeiro de 1997 (para ser efetiva no transcurso de
1997), poderia produzir determinados impactos econômicos que alterem as projeções do
Programa.
[Link] 1996, o Programa Econômico considera como metas monetárias: 1) as variações nos
activos internos líquidos do Sistema Bancário e 2) as variações na base monetária. Como
critérios de performance monetária considera: 1) as variações nos activos internos
líquidos do Banco Central, 2) o crédito do sistema bancário ao Governo e 3) o incremento
nos activos externos líquidos do Banco Central.
6.A re-programação das metas e critérios foi conseqüência dum menor apoio à balança de
pagamentos respeito a estimativa preliminar, o que diu lugar a ajustamentos nas metas dos
activos internos e externos e do crédito ao governo. A diferença foi a conseqüência do atraso
no desembolso do Banco Africano de Desenvolvimento, de 4.3 milhões de dólares, no dia 9
de julho de 1996. O atraso ocorreu, em parte, devido a uma falta de coordenação interna e ao
desconhecimento do Ministério do Plano dos requerimentos e procedimentos para o
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desembolso.
[Link] resultados indicam que a maior parte das metas e critérios re-programados para o mês de
junho cumpriram-se (ver quadro seguinte). De acordo à informação mais recente (31 de
julho), as receitas fiscais foram 57.7% maiores que o programado e as despesas em salários
do pessoal da administração pública foram 3.5% menores. Os activos internos líquidos do
sistema bancário e a base monetária foram também 3% e 4.2% menores que as metas
indicadas no programa. Em relação aos critérios de performance, os activos internos
líquidos do Banco Central foram 13.9% menores que o programado, o crédito líquido ao
governo foi 111.5% menor e os activos externos líquidos do Banco Central foram 23.3%
menores. O Banco Central ganhou 1 milhão de dólares em lugar de perder 5 milhões.
Lamentavelmente, não existe informação sobre a situação dos atrasados internos e
externos.
A evolução monetária
[Link] sua parte, os activos externos líquidos do Banco Central a junho 1996 continuaram
sendo negativos (US$ -19.5 milhões), pero 23% menos que em dezembro de 1995. O Banco
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Central acrescentou seu nível de reservas internacionais líquidas en US$ 1.3 milhões. A sua
vez, a banca comercial reduziu suo nível de reservas líquidas em US$ 1.3 milhões. Também a
junho de 1996, os activos internos líquidos do Sistema Financeiro alcançarão um valor de
1164.4 bilhões de pesos, aumentando em 22.2% respeito a dezembro de 1995.
10.A expansão dos activos internos líquidos durante o primeiro semestre, provem
fundamentalmente do incremento do crédito líquido ao governo, em 89.8%, de -267.9
bilhões de pesos a fines de 1995 a -27.3 bilhões en junho 1996. O crédito líquido se tornou
muito menos negativo pelo incremento dos empréstimos ao governo e pelo decrescimento
dos depósitos do governo.
13.O comportamento dos activos internos e externos se traduzo numa expansão dos meios de
pagamento de 26.1% durante o semestre. Em efeito, em dezembro de 1995 foram 755.0
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bilhões (468.7 bilhões de moedas e 286.3 bilhões de quase-moedas) en quanto que em junho
foram 951.7 bilhões de pesos (511.7 de moedas e 440.0 bilhões de quase-moeda). A
preferência por circulante continuo sendo significativa, mais a relação de moedas a quase-
moedas decresceu, de 1.64 em dezembro de 1995 a 1.16 em junho, como conseqüência do
incremento significativo, em 63.6% dos depósitos em moeda estrangeira que nas Contas
Monetárias são considerados como parte do quase-moeda.
A evolução fiscal
[Link] quadro seguinte se mostra a situação do orçamento geral do Estado para 1996. O
quadro inclui a execução ã dezembro de 1995, a execução a junho de 1996, o programado
para tudo 1996 e o avance da execução a junho respeito ao montante total programado para
1996.
[Link] termos gerais, a execução fiscal a junho encontrasse atrasada com respeito ao
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programado. A receita orçamental durante o primeiro semestre foi 49.9% do programado
para tudo 1996. Porém, as receitas tributarias foram 38% do programado. O que permitiu
alcançar o avance global e cumprir a meta de receitas orçamentais foram as receitas não
tributarias, que representaram 65.6% do montante programado para 1996. O principal
componente de dita receita foi a compensação financeira da União Europeia (137.5 bilhões
no mês de junho). Em geral, as receitas do Estado continuam sendo estruturalmente muito
menores que as despensas totais e requerem dos donativos para seu financiamento.
[Link] o primeiro semestre, o Estado guineense não recebeu donativos de seus parceiros
internacionais. O montante programado para 1996 é de 929 bilhões de pesos.
17.A carência de donativos é uma das rações para o atraso na execução das despesas fiscais
durante o primeiro semestre. As despesas executadas foram 25.9% do programado para tudo
1996. As despesas de funcionamento mostraram um avance de 33.9% e as despesas de
investimento de 17.7%. Com esse pouco nível de avance, é difícil que o montante de
investimento programado para 1996 poda-se completar no segundo semestre. Dita situação
no é conveniente considerando a necessidade de construir a infra-estrutura pelo
desenvolvimento da economia.
20.A castanha de caju continuo sendo o principal produto de exportação (87.4% do total),
seguido do algodão em rama (11.7%). Durante o primeiro semestre se exportaram 13 mil
toneladas de castanha por um montante de U$ 9.7 milhões, com um preço promedio de US$
747 a tonelada. As expectativas de exportação para 1996 são de 30 mil toneladas. Como
conseqüência, é possível que as exportações de 1996 superem o montante programado (US$
21.9 milhões). Sim embargo, a castanha não chegara a alcançar o valor excepcional
exportado em 1994 (U$ 31.0 milhões). Os principais mercados de exportação continuaram
sendo os asiáticos (88%).
21.É conveniente notar que o preço real da exportação da castanha é do ordem de 900 a 1000
dólares por tonelada. Nesse sentido, as exportações de castanha no primeiro semestre
estariam sub-valorizadas em 17-25% (US$ 1.6-2.4 milhões) e as transferencias privadas
sobre-valorizadas. A balança comercial seria menos negativa que o consignado nas contas
oficias.
[Link] sua parte, as importações FOB alcançarão até junho de 1996 um valor de U$ 26.2
milhões, equivalente ao 42.7% do programado para tudo o ano.
24.É conveniente notar também que uma parte importante das importações de arroz (46.5%
em 1995) são re-exportadas em forma ilegal ao Senegal. Nesse sentido, as exportações até
junho estariam adicionalmente sub-valorizadas em US$ 3.7 milhões. Como contraparte, as
importações também estariam sub-valorizadas no mesmo montante, por quanto os Francos
CFA obtidos na re-exportação de arroz são usados para importar do mesmo Senegal bens
diversos (batatas, cebolas, tecidos, roupa, etc.). Num estudo econométrico recente, feito para
modelar o comportamento de longo prazo da economia guineense (ver “Cenários de Projeção
Econômica 1996-2005" de junho de 1996), mostra-se que esse comercio ocorre pela
existência duma taxa de cambio peso/CFA conveniente.
BALANÇA DE PAGAMENTOS
(em milhões de dólares)
---------------------------------------------------------------------------------------------------
1995 1995 1996 1996 Avance
1sem 1sem prog. %
---------------------------------------------------------------------------------------------------
Bens e serviços -60.8 -34.7 -29.1 -70.3 41.4
Bens -35.4 -21.4 -15.1 -35.9 42.1
Exportações 23.9 7.2 11.1 25.4 43.7
Cajú 20.5 4.7 9.7 21.9 44.3
Importações -59.3 -28.5 -26.2 -61.3 42.7
Serviços -25.4 -12.7 -14.0 -34.4 40.7
Rendimentos -6.8 -5.4 -3.4 -11.5 29.6
Pesca 11.3 1.8 8.3 11.9 69.7
Juros -18.0 -7.2 -11.7 -23.4 50.0
Transferências 21.5 27.3 7.5 57.2 13.1
Balança Corrente -0.7 -6.1 -17.2 7.2
Inflação
[Link]é junho de 1996, a inflação homologa do índice de preços ao consumidor (IPC) dos
últimos 12 meses foi 42.03%, a inflação media dos últimos 12 meses foi 39.45% e a
inflação acumulada durante o primeiro semestre 22.07%. A taxa mensal promedio do
semestre foi 3.37%. Ditas taxas ultrapassaram as taxas previstas no Programa Econômico. A
taxa de inflação acumulada projetada no Programa para tudo 1996 era 15.0% e a media
26.5%.
32.A inflação continua a ser um problema na Guiné-Bissau. Varias são as rações que podem
explicar-a. A desvalorização cambiaria, o crescimento da quantidade de dinheiro e a inflação
do preço internacional do arroz são os factores que melhor a explicam1.
[Link] cada período, o principal origem da inflação depende da situação particular das
variáveis mencionadas. Durante o primeiro semestre de 1996, sendo a inflação maior
(22.07%), a desvalorização da taxa de cambio (6.8%) não pode ser identificada como a
principal fonte inflacionária. A inflação teria seu origem, principalmente, no importante
crescimento que experimento a liquidez monetária (26.1%) pelo incremento dos depósitos
em moeda estrangeira e o incremento no preço internacional do arroz (11.5%),
particularmente o último que tem a maior ponderação na equação. Essa ponderação se
explica, a sua vez, pela importante ponderação que o arroz tem no cabaz do IPC (17.16%) e
pelo efeito que sua inflação tem sobre os preços dos outros produtos do cabaz com os que é
complementário (peixe fresco, 15.97% do cabaz, carne de vaca, 7.63%, e carne de porco,
4.41%).
Taxas de juro
35.A inflação tem um efeito importante sobre o comportamento das taxas de juros reais. O
Banco Central modifica as taxas de juro activas nominais de acordo a evolução da inflação, a
fim de manter as taxas activas reais positivas. As taxas passivas são determinadas a partir do
teto estabelecido pela taxas activas e um “spread” nominal promedio do sistema bancário
mais o menos constante, a fim de não prejudicar a situação financeira dos bancos. O “spread”
promedio é estimado como a diferença entre as taxas activas e passivas, ponderadas pela
respectiva proporção dos diferentes créditos e depósitos existentes no sistema, e ajustado
pela taxa de encaixe que afecta, teoricamente, à disponibilidade efectiva de recursos
emprestáveis.
[Link] consequência dessa política, as taxas de juro activas e passivas não são sempre
positivas em termos reais e o “spread” entre as taxas é considerável. As taxas reais resultam
de deflatar a taxas nominais pela inflação. No presente documento as taxas reais se estimaram
considerando a inflação homologa (a evolução dos preços entre determinado mês e o mesmo
mês do ano anterior) determinada pelo INEC.
37.O quadro seguinte mostra as taxas nominais e reais durante o primeiro semestre de 1996.
Durante dito período, as taxas passivas reais para os depósitos a ordem e com pré-aviso
foram sempre negativas. As taxas reais para os depósitos a prazo foram também negativas,
incluindo as taxas prazo promedio simples (das diferentes taxas a prazo) e moda (a taxa dos
depósitos até 90 dias, que são a maior parte dos depósitos a prazo). A taxa passiva ponderada
das taxas foi também sempre negativa (o promedio ponderado pela participação do respectivo
depósito no total). No quadro pode-se também notar uma evolução similar para as taxas
activas reais. Pode-se observar também que foram negativas até fevereiro de 1996, se
incrementaram e foram positivas em março 1996 para descender no mês seguinte.
38.A fim de correger a negatividade da taxa real, a partir do 25 de agosto de 1995, as taxas
de juros nominais foram incrementadas em 3 pontos em todas suas modalidades (4 para os
depósitos a mais de um ano). As taxas foram novamente incrementadas a partir do 11 de
novembro a 46% para os créditos a 180 dias e a 33% para os depósito a 90 dias. Finalmente,
a última modificação ocorreu o 19 de fevereiro de 1996. A taxas passivas reais continuaram
sendo negativas e as activas reais tornaram-se ligeiramente positivas.
[Link] relação à problemática das taxas de juro, um estudo recente sobre taxas de juro,
depósitos e créditos no sistema bancário guineense (ver Nota Informativa 033.796 de julho de
1996) confirma, em forma concordante com a teoria, que na Guiné-Bissau os agentes
económicos actuam racionalmente em termos económicos: 1) A maior taxa de juro real, as
empresas e particulares colocam maiores depósitos a prazo em termos reais no sistema
bancário, 2) Sem a taxa de juro real é negativa, não estão dispostos a perder dinheiro em
termos reais e preferem colocar suas poupanças em bens o fora do sistema bancário. Os
resultados sugerem que uma política orientada a desenvolver o sistema financeiro na Guiné-
Bissau requere, necessariamente, uma revisão profunda das taxas de juro passivas a fim de
progresivamente fazer-as positivas em termos reais
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[Link] efeitos da adesão ocorreriam também no comercio das fronteiras. Como se indico
acima (parágrafo 27), parte importante das importações de arroz são re-exportadas ao Senegal
e os recursos obtidos são usados na compra nesse pais de outros bens. Sem o incentivo para a
ocorrência de dito comercio desaparece (a taxa de cambio peso/CFA), o comercio também
desapareceria. Mais sem a desvalorização se reforça e a taxa de conversão peso/CFA no
momento da adesão e muito elevada, o incentivo para re-exportar arroz se reforçaria. O sul de
Senegal preferiria aumentar suas importações de arroz a través de Bissau. Como
conseqüência, as importações de contrapartida dos outros bens desde Senegal também se
incrementariam. Dependendo da taxa de cambio final, poderia ocorrer uma modificação das
fontes de abastecimento que se traduziria numa redução do comercio com Europa e um
incremento do comercio na fronteira.
[Link] efeitos fiscais de dita situação poderiam ser importantes na medida que as importações
registradas pagam impostos e as não registradas, que ocorrem maior mente a traves das
fronteiras não pagam.
Conclusões e recomendações
46.A pesar das limitações do apoio internacional as metas monetárias e fiscais re-
programadas ao mês de junho se hão praticamente alcançado. Uma major coordenação e uma
avaliação com informação mais oportuna sobre o desenvolvimento do programa haveria
permitido uma major aproximação global à cumprimento das metas iniciais do Programa.
48.A inflação ha sido originada, principalmente, por causas externas, em particular o preço
internacional do arroz. Seria conveniente que a próxima programação considere dito impacto.
[Link] o primeiro semestre, a taxa de cambio real peço valor. A melhor forma de
assegurar a promoção das exportações e o controlo das importações é através de uma taxa de
cambio adequada. Deveria cuidar se que a taxa de cambio Peso/Dólar não perca valor em
termos reais, assegurando que a desvalorização mensal do Peso não seja menor que a inflação
mensal. Para tal fim o Banco Central deveria seguir uma política cambial mais activa. O
controlo da inflação deveria assegurar se com uma estrita política monetária e fiscal.
50.É necessário, lograr uma informação mais atualizada sobre a situação fiscal e sobre a
execução dos donativos externos. Informação inexata não contribui a uma avaliação
adequada do Programa econômico. Assim, deve se fazer um maior esforço no incremento das
receitas fiscais e um major controlo das despensas de funcionamento a fim de no diminuir as
despensas de capital como meio de cumprir as metas fiscais.
[Link], o Programa atual contem metas trimestrais para os anos 1996 e 1997. O
mesmo não considera a anunciada e provável incorporação da Guiné-Bissau à União
Monetária e Econômica do África Ocidental (UEMOA) no próximo 1 de janeiro de 1997.
Porém, as expectativas da união estam sendo incorporadas já no comportamento dos agentes
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econômicos e produziriam alguns impactos econômicos no presente ano, em particular na
taxa de cambio, inflação e quantidade de pesos no poder dos agentes econômicos privados.
Nesse sentido seria conveniente 1) estudar os principais impactos da adesão para uma melhor
gestão da política económica e, sem é necessario, 2) modificar alguns das metas do programa
para ajustar-as as novas realidades econômicas do pais.