0% acharam este documento útil (0 voto)
5 visualizações5 páginas

Desvalorização e Inflação: Análise Monetária

Cesar Ferrari Quine

Enviado por

Nomotika
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
5 visualizações5 páginas

Desvalorização e Inflação: Análise Monetária

Cesar Ferrari Quine

Enviado por

Nomotika
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

1

Nota Informativa: 036.1096

DESVALORIZAÇÃO, INFLAÇÃO E CONTROLO MONETÁRIO

César Ferrari, Ph.D.

Introdução

1.A desvalorização acelerada da taxa de cambio do peso vis a vi as outras moedas


convertíveis internacionalmente, iniciada a meados de julho, continua sua evolução com a
mesma tendência. A sua vez, a desvalorização está induzindo pressão sobre os custos dos
bens e serviços e gerando inflação. As causas e os níveis actuais e projectados da
desvalorização e inflação foram analisados na Nota Informativa 035.996. As projecções
indicam que a fim de 1996 a taxa de cambio livre poderia ficar entre 48 e 55 mil Pesos por
Dólar, significando uma desvalorização anual entre 115 e 145%. A projecção da inflação para
1996 foi de 62%.

2.O controlo monetário é usualmente usado como principal instrumento de controlo da


inflação. Porém, é preciso conhecer quais variáveis monetárias podem ser usadas da forma
mais eficaz para esse fim. Na presente Nota, em primeiro lugar se analisam as
disponibilidades monetárias que fazem possível manter as expectativas em favor da
desvalorização. Na segunda e terceira parte se analisa os elementos disponíveis para o
controlo monetário da inflação.

Desvalorização cambiaria e recursos monetários

[Link] Nota Informativa 035.996 argumentou-se que, estadisticamente, não existe uma forte
relação entre crédito bancário e desvalorização cambiaria. Aparentemente, a procura de
moeda estrangeira originada nas expectativas explicadas na Nota mencionada não é,
necessariamente, sustentada por recursos monetários originados no crédito bancário.

4.A mais provável fonte de recursos para sustentar essas expectativas são os recursos
monetários em moeda nacional que os próprios agentes económicos tem. Podem ser de dois
tipos: 1) de propriedade dos mesmos agentes, mais em poder dos bancos em forma de
depósitos e 2) a moeda nacional actualmente em seu poder.

[Link] fim de setembro de 1996, o montante total de depósitos de privados e empresas


(residentes) no sistema bancário era 696 bilhões de pesos. A quantidade de depósitos em
moeda nacional era 45.8% do total e em moeda estrangeira 54.2%. A maior parte de esta,
56.3%, estava en US Dólares, 28.2% en Francos Franceses, 11.4% en Escudos e 4.1% em
outras moedas. 74.9% dos depósitos era propriedade de empresas privadas e particulares.
Também, 93.4% do total eram depósitos a ordem (em moeda nacional).

[Link] mesmo tempo, a quantidade de moeda em poder do público era 358.4 bilhões de pesos
(366.3 bilhões de pesos em circulação emitidos pelo Banco Central menos 7.9 bilhões na
caixa dos bancos).

[Link] total, os agentes económicos poderiam dispuser de 677.2 bilhões de pesos para
aquisição de moeda estrangeira. Sim se considerara somente seus depósitos a ordem, o
2
montante que poderiam dispuser de imediato seria de 656.1 bilhões de pesos, equivalentes a
16.4 milhões de dólares (considerando um cambio de 40 mil pesos por dólar).

8.A setembro de 1996, o crédito total ao sector privado do sistema bancário era de 337.9
bilhões de pesos, equivalente a 48.5% do total dos depósitos. Sendo as previsões de 68.4
bilhões, o crédito líquido total era de 269.5 bilhões de pesos. Excluindo o encaixe mínimo
obrigatório de 25%, equivalente a 174 bilhões, o saldo líquido disponível para emprestar era
na mesma data de 522 bilhões, equivalente a 1.5 vezes o montante do crédito total.

[Link] sua parte, em setembro a Tesouraria do Banco Central tinha para uso imediato, em
notas e moedas estrangeiras, o equivalente de 17.4 bilhões de pesos. Tinha também 6.8
bilhões de pesos em cheques em cobrança em moeda estrangeira e o equivalente de 503.1
bilhões de pesos em contas correntes nos bancos estrangeiros.

[Link] outras palavras, é evidente que sim os agentes económicos continuam mantendo as
expectativas que induziam à desvalorização e continuam adquirindo moeda estrangeira em
forma mais acelerada que a oferta disponível, para o qual tem os recursos suficientes sim
necessidade de recorrer ao crédito bancário, o Banco Central não tem possibilidade de manter
a taxa de cambio.

[Link] contexto, a única passibilidade de controlo no curto prazo da desvalorização


parecera ser a mudança de expectativas dos agentes económicas, nomeadamente da
credencia que o Peso não continuara sendo a moeda nacional, ou a substituição oficial do
Peso pelo Franco CFA como moeda nacional.

Inflação e controlo monetário

[Link]ém, o problema actual da economia não é a desvalorização cambiaria per se. O


problema real é a inflação que impede fazer ganhos na taxa de cambio real para beneficio dos
produtores e exportadores de bens nacionais que concorrem com a produção internacional.
Sim as projecções são correctas, a fim de 1996 a taxa de cambio real teria uma importante
recuperação, entre 32.8% e 51.3%. Porém, é importante que os ganhos de 1996 sejam
mantidos durante 1997.
[Link] esse propósito é preciso reduzir a inflação que parece estar acrescentando-se. A
inflação durante o primeiro trimestre de 1996 foi 7.8%, durante o segundo 13.3% e durante o
terceiro 17.0%. Nos meses de julho, agosto e setembro a taxa de inflação foi de 6.7%, 3.7% e
8.5%, respectivamente. Nos mesmos meses, a inflação dos últimos doze meses foi 47.4%,
48.2% e 56.5%. A inflação acumulada a setembro é de 46.5%.

14.O problema do último trimestre de 1996 é que da acordo à analises efetuado, as variáveis
que determinariam a inflação já estariam definidas. Nesse caso, o margem de manobra para o
controlo da inflação no resto de 1996 é muito reduzido. A consequência do esforço seria
observada, maior mente, no primeiro e segundo trimestre de 1997.

[Link] reduzir a inflação, três variáveis podem considerar-se: a desvalorização da taxa de


cambio, o crescimento dos meios de pagamento e o crescimento do preço internacional do
arroz; o crédito a la economia não é estadisticamente significativo na determinação da
inflação, incluso tem o signo contrario (quando o crédito se incrementa a inflação se reduze).
Considerando que não é possível influir domesticamente o preço do arroz nem, nas
3
circunstancias actuais, a desvalorização da taxa de cambio, esta última poderia ser
compensada com uma redução da taxa de crescimento dos meios de pagamento.

A projecção dos meios de pagamento a dezembro de 1996

[Link] reduzir o crescimento dos meios de pagamento é conveniente analisar seus diversos
componentes e a forma como se determina. A quantidade total de liquidez na economia é o
resultado do comportamento da base monetária e do multiplicador monetário. O último
depende das preferenciais do público pela liquidez, que no curto prazo são bastante estáveis,
e da taxa de encaixe, que somente tem um impacto efectivo quando os bancos prestam toda a
quantidade que tem a sua disposição, que não é o caso na Guiné -Bissau.

17. A Base Monetária do Banco Central é composta das Notas e Moedas em Circulação e dos
Depósitos das Instituições Financeiras Bancarias (por ração do encaixe legal). Porém, seu
montante total é determinado pelo comportamento das Reservas Internacionais Líquidas do
Banco Central, do Crédito Líquido do Banco Central ao sector financeiro, ao sector privado e
ao sector público e do Património do Banco Central.

[Link] se conhece a variação das variáveis anteriores e possível conhecer a variação da base
Monetária e em consequência dos meios de pagamento. O exercício pode ser feito a partir da
projecção do balance do Banco Central, adequadamente presenteado. É necessário também
ter certos pressupostos de inflação, desvalorização cambiaria e de outras variáveis. Os
pressupostos de inflação e desvalorização correspondem aos presenteados na Nota
Informativa 035.996. Para as outras variáveis, a alternativa 1 supor uma evolução positiva
dos depósitos do Governo e a devolução total do crédito ao sector financeiro usado na
importação de arroz. A alternativa 2, mais pessimista, supor que o Governo não conseguira
acrescentar seus depósitos e tampouco o sistema bancário retornara a totalidade do crédito. O
seguinte quadro mostra ditos pressupostos:

PRESSUPOSTOS PARA PROJECÇÃO DOS MEIOS DE PAGAMENTO


----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
--------
31.12.95 31.09.96 31.12.96
Alternativa1 Alternativa2
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
---------
inflação 4to trimestre 16.3% 16.3%
inflação 1996 70.4% 70.4%
taxa cambio fim período 21928.8 31124.8 47000.0 47000.0
ganho de reservas (milhões US$) 4.0 4.0 4.0
crescimento depósitos do governo 4 trimestre 20.0% -20.0%
pagamento do crédito dos bancos (arroz) 100.0% 0.0%
multiplicador monetário 1.7 2.0 2.0 2.0

19.O pressuposto de acrescentamento de reservas e de taxa de cambio permitiu projectar a


situação das reservas internacionais. Para o crédito ao Governo se considerou que o Banco
Central não outorgaria empréstimos e os depósitos evolucionariam de acordo aos
4
pressupostos mencionados acima. O crédito ao sector privado se supus constante e para a
projecção do crédito ao sector financeiro se considerou também os pressupostos acima
mencionados. Sendo por definição o total de activos igual ao total de passivos, a projecção do
património do Banco permitiu a projecção da base monetária por diferença. Para a projecção
do património do Banco Central, se considerou que as previsões, capital e reservas e
resultados se manteriam constantes respeito a setembro. A flutuação de valores, que em
realidade é parte dos resultados, foram projectados a partir dos pressupostos de evolução de
reservas e taxa de cambio. O quadro seguinte mostra os resultados da projecção dum balance
resumido do Banco Central.

BALANCE DO BANCO CENTRAL DE GUINÉ-BISSAU


(Em bilhões de pesos)
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
--------
31.12.95 31.09.96 31.12.96 31.12.96
Alter. 1Alter. 2
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
--------
ACTIVOS
Reservas internacionais -804.0 -961.6 -1535.1 -1535.1
Crédito ao sector público (1) -278.9 -100.2 -218.9 18.4
Crédito ao sector privado 28.9 38.1 38.1 38.1
Crédito ao sector financeiro 324.6 19.5 0.0 19.5
Activos fixos 15.2 18.5 21.6 21.6
TOTAL DO ACTIVO -434.4 -617.8 -1253.0 -1143.3

Nota: 1) Inclui depósitos estatais em moeda estrangeira, parte das Reservas internacionais, mais considerado
so uma vez no Total do Activo

PASSIVOS
Base Monetária 450.9 529.0 496.9 606.6
Património -885.3 -1146.8 -1749.9 -1749.9
Previsões 16.2 16.2 16.2 16.2
Capital e reservas 25.4 27.2 27.2 27.2
Resultados -105.7 -52.8 -52.9 -52.9
Flutuação de valores -821.3 -1137.5 -1740.5 -1740.5
TOTAL DO PASSIVO -434.4 -617.8 -1253.0 -1143.3
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
--------
Fonte: BCGB

[Link] resultados da projecção do balance permitem projectar a evolução da base monetária e


dos meios de pagamentos a dezembro de 1996. As projecções mostram-se no quadro
seguinte:
5
PROJECÇÃO DA EVOLUÇÃO MONETÁRIA
(Em bilhões de pesos e porcentagens)
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
-------
31.12.95 31.09.96 31.12.96 31.12.96
Alter. 1 Alter. 2
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
--------
Base Monetária 450.9 529.0 496.9 606.6
crescimento 4 trimestre -6.1% 14.7%
crescimento 1996 10.2% 34.5%

Meios de pagamento 755.0 1059.3 993.7 1213.3


crescimento 4 trimestre -6.2% 14.5%
crescimento 1996 31.6% 60.7%

21.A alternativa 1, mais optimista, mostra uma situação onde a base monetária e os meios de
pagamento se reduzem no quarto trimestre de 1996, alcançando uma taxa de crescimento de
10.2% e 31.6%, respectivamente. No contexto duma inflação projectada de 70.4% para 1996,
os resultados indicam uma contracção muito importante da base monetária e dos meios de
pagamento em termos reais. A alternativa 2, mostra uma situação diversa: A base monetária e
os meios de pagamento se acrescentariam 34.5% e 60.7%, respectivamente. Certamente, uma
redução em termos reais mais não da mesma importância como na alternativa 1.

22.É conveniente notar a importância do retorno do crédito ao sector financeiro e do


acrescentamento dos depósitos do Governo no Banco Central para o controlo da quantidade
dos meios de pagamento. Ambos representam um retiro de dinheiro de circulação e por tanto
um instrumento de controlo monetário, num contexto onde a taxa de cambio tem um
comportamento exógeno como consequência das expectativas e da disponibilidade de
recursos monetários que os agentes económicos tem.

[Link] mais, considerando que é muito provável que o sistema bancário retornara o crédito
usado nas importações de arroz, neste caso a única variável que fica como instrumento de
controlo monetário são os depósitos do Governo no Banco Central. Nesse sentido, a política
Monetária, fica dependente fortemente da política fiscal e o controlo da inflação e
basicamente um problema de controlo fiscal, dos rendimentos tributários e das despesas do
Governo.

[Link] breve comentário sobre apresentação diversa do balance do Banco Central. A mesma
permite uma visão mais clara da situação dos componentes e dos activos e passivos totais.
Uma maior discussão pode ser encontrada na Nota Informativa 038.1096 (em preparação).

Bissau, 24 de outubro de 1996

Você também pode gostar