Desvalorização e Inflação: Análise Monetária
Desvalorização e Inflação: Análise Monetária
Introdução
[Link] Nota Informativa 035.996 argumentou-se que, estadisticamente, não existe uma forte
relação entre crédito bancário e desvalorização cambiaria. Aparentemente, a procura de
moeda estrangeira originada nas expectativas explicadas na Nota mencionada não é,
necessariamente, sustentada por recursos monetários originados no crédito bancário.
4.A mais provável fonte de recursos para sustentar essas expectativas são os recursos
monetários em moeda nacional que os próprios agentes económicos tem. Podem ser de dois
tipos: 1) de propriedade dos mesmos agentes, mais em poder dos bancos em forma de
depósitos e 2) a moeda nacional actualmente em seu poder.
[Link] mesmo tempo, a quantidade de moeda em poder do público era 358.4 bilhões de pesos
(366.3 bilhões de pesos em circulação emitidos pelo Banco Central menos 7.9 bilhões na
caixa dos bancos).
[Link] total, os agentes económicos poderiam dispuser de 677.2 bilhões de pesos para
aquisição de moeda estrangeira. Sim se considerara somente seus depósitos a ordem, o
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montante que poderiam dispuser de imediato seria de 656.1 bilhões de pesos, equivalentes a
16.4 milhões de dólares (considerando um cambio de 40 mil pesos por dólar).
8.A setembro de 1996, o crédito total ao sector privado do sistema bancário era de 337.9
bilhões de pesos, equivalente a 48.5% do total dos depósitos. Sendo as previsões de 68.4
bilhões, o crédito líquido total era de 269.5 bilhões de pesos. Excluindo o encaixe mínimo
obrigatório de 25%, equivalente a 174 bilhões, o saldo líquido disponível para emprestar era
na mesma data de 522 bilhões, equivalente a 1.5 vezes o montante do crédito total.
[Link] sua parte, em setembro a Tesouraria do Banco Central tinha para uso imediato, em
notas e moedas estrangeiras, o equivalente de 17.4 bilhões de pesos. Tinha também 6.8
bilhões de pesos em cheques em cobrança em moeda estrangeira e o equivalente de 503.1
bilhões de pesos em contas correntes nos bancos estrangeiros.
[Link] outras palavras, é evidente que sim os agentes económicos continuam mantendo as
expectativas que induziam à desvalorização e continuam adquirindo moeda estrangeira em
forma mais acelerada que a oferta disponível, para o qual tem os recursos suficientes sim
necessidade de recorrer ao crédito bancário, o Banco Central não tem possibilidade de manter
a taxa de cambio.
14.O problema do último trimestre de 1996 é que da acordo à analises efetuado, as variáveis
que determinariam a inflação já estariam definidas. Nesse caso, o margem de manobra para o
controlo da inflação no resto de 1996 é muito reduzido. A consequência do esforço seria
observada, maior mente, no primeiro e segundo trimestre de 1997.
[Link] reduzir o crescimento dos meios de pagamento é conveniente analisar seus diversos
componentes e a forma como se determina. A quantidade total de liquidez na economia é o
resultado do comportamento da base monetária e do multiplicador monetário. O último
depende das preferenciais do público pela liquidez, que no curto prazo são bastante estáveis,
e da taxa de encaixe, que somente tem um impacto efectivo quando os bancos prestam toda a
quantidade que tem a sua disposição, que não é o caso na Guiné -Bissau.
17. A Base Monetária do Banco Central é composta das Notas e Moedas em Circulação e dos
Depósitos das Instituições Financeiras Bancarias (por ração do encaixe legal). Porém, seu
montante total é determinado pelo comportamento das Reservas Internacionais Líquidas do
Banco Central, do Crédito Líquido do Banco Central ao sector financeiro, ao sector privado e
ao sector público e do Património do Banco Central.
[Link] se conhece a variação das variáveis anteriores e possível conhecer a variação da base
Monetária e em consequência dos meios de pagamento. O exercício pode ser feito a partir da
projecção do balance do Banco Central, adequadamente presenteado. É necessário também
ter certos pressupostos de inflação, desvalorização cambiaria e de outras variáveis. Os
pressupostos de inflação e desvalorização correspondem aos presenteados na Nota
Informativa 035.996. Para as outras variáveis, a alternativa 1 supor uma evolução positiva
dos depósitos do Governo e a devolução total do crédito ao sector financeiro usado na
importação de arroz. A alternativa 2, mais pessimista, supor que o Governo não conseguira
acrescentar seus depósitos e tampouco o sistema bancário retornara a totalidade do crédito. O
seguinte quadro mostra ditos pressupostos:
Nota: 1) Inclui depósitos estatais em moeda estrangeira, parte das Reservas internacionais, mais considerado
so uma vez no Total do Activo
PASSIVOS
Base Monetária 450.9 529.0 496.9 606.6
Património -885.3 -1146.8 -1749.9 -1749.9
Previsões 16.2 16.2 16.2 16.2
Capital e reservas 25.4 27.2 27.2 27.2
Resultados -105.7 -52.8 -52.9 -52.9
Flutuação de valores -821.3 -1137.5 -1740.5 -1740.5
TOTAL DO PASSIVO -434.4 -617.8 -1253.0 -1143.3
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Fonte: BCGB
21.A alternativa 1, mais optimista, mostra uma situação onde a base monetária e os meios de
pagamento se reduzem no quarto trimestre de 1996, alcançando uma taxa de crescimento de
10.2% e 31.6%, respectivamente. No contexto duma inflação projectada de 70.4% para 1996,
os resultados indicam uma contracção muito importante da base monetária e dos meios de
pagamento em termos reais. A alternativa 2, mostra uma situação diversa: A base monetária e
os meios de pagamento se acrescentariam 34.5% e 60.7%, respectivamente. Certamente, uma
redução em termos reais mais não da mesma importância como na alternativa 1.
[Link] mais, considerando que é muito provável que o sistema bancário retornara o crédito
usado nas importações de arroz, neste caso a única variável que fica como instrumento de
controlo monetário são os depósitos do Governo no Banco Central. Nesse sentido, a política
Monetária, fica dependente fortemente da política fiscal e o controlo da inflação e
basicamente um problema de controlo fiscal, dos rendimentos tributários e das despesas do
Governo.
[Link] breve comentário sobre apresentação diversa do balance do Banco Central. A mesma
permite uma visão mais clara da situação dos componentes e dos activos e passivos totais.
Uma maior discussão pode ser encontrada na Nota Informativa 038.1096 (em preparação).