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Intervenção Psicossocial em Crises: PSP

bom

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Unidade 1 - Introdução ao Módulo

Enquadramento

Adequada intervenção psicossocial

Existem múltiplos projectos e instituições europeias e internacionais com linhas


orientadoras para a intervenção em situação de crise, como a:

• NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte);


• IASC (Inter-Agency Standing Committee);
• TENTS (The European Network forTraumatic Stress);
• OMS (Organização Mundial de Saúde);
• NCTSN/NCPTSD (National Child Traumatic Stress Network/ National Center for
PTSD).

Estas linhas orientadoras, pela dificuldade de constituição de grupos de controlo num


cenário de crise que permitam a sua validação empírica, são baseadas, fundamentalmente, no
consenso de peritos, na experiência e na investigação em torno do trauma.

Os Primeiros Socorros Psicológicos são uma alternativa ao debriefing psicológico

Em 2010, a OMS através do seu grupo de desenvolvimento de linhas orientadoras,


mhGAP, avaliou as evidências da efectividade dos Primeiros Socorros Psicológicos e
do debriefing e concluiu que, em caso de exposição a um evento potencialmente traumático,
deverá ser oferecido às pessoas os Primeiros Socorros Psicológicos (PSP), em detrimento
do debriefing psicológico.

Em 2009, Bisson foi encarregue pela OMS de realizar uma revisão sistemática sobre a
aplicação de Primeiros Socorros Psicológicos e concluiu que apesar “da inexistência de
evidência directa para a eficácia dos PSP, existem evidências indirectas que suportam a
aplicação do modelo de PSP nas primeiras semanas após um evento traumático”.
Neste módulo serão desenvolvidos os seguintes temas:

• os cinco princípios de Hobfoll (2007).


• o modelo dos Primeiros Socorros Psicológicos de Brymer et al (2006), para a
intervenção imediata em situação de crise.

Unidade 2 - Os Princípios de Hobfoll e os Modelos dos


Primeiros Socorros Psicológicos

Princípios de Hobfoll:

Hobfoll (2007) reuniu um painel mundial de especialistas no estudo e tratamento das


pessoas expostas a crises e violência em massa, para extrapolar dos campos de pesquisa
relacionados e para obter consenso sobre os princípios de intervenção em catástrofe.

Foram identificados cinco princípios de intervenção suportados empiricamente


que devem ser utilizados para orientar e informar a intervenção e a prevenção nos
cenários de crise. Estes são a promoção de:
1 ) Sensação de segurança

2) Promoção do acalmar
3) Promoção da conexão à rede social de suporte

4) Promoção da Sensação de Auto-eficácia e de Eficácia da Comunidade


5) promoção da esperança

Estes cinco princípios descritos por Hobfoll (2007) são hoje considerados como
transversais a todas as intervenções e modelos na área da intervenção em catástrofe.
Finalmente, na aplicação destes princípios a nível internacional, é crítico que se
considere a cultura local e se adapte o desenho e implementação da intervenção às
características singulares da população local.
Avancemos agora para a apresentação do modelo de Primeiros Socorros Psicológicos,
essencial para a primeira abordagem às vitimas de uma situação de crise.

Modelo dos Primeiros Socorros Psicológicos (Brymer et al 2006)

O modelo dos Primeiros Socorros Psicológicos (PSP) é um modelo modular, baseado


na evidência para ajudar crianças, adolescentes, adultos e as famílias após uma crise ou atentado
terrorista.

O modelo PSP foi construído para:

• reduzir o distress inicial causado por eventos potencialmente traumáticos


• promover o funcionamento adaptativo e os mecanismos de coping positivos a curto e
médio prazo.
O modelo PSP não assume que todos os sobreviventes irão desenvolver problemas mentais
ou dificuldades a longo prazo na recuperação. Assume sim, que os sobreviventes e outros
afectados pelo incidente irão experienciar inicialmente reacções ao stress (físicas,
psicológicas, comportamentais, espirituais) e que algumas destas reacções poderão causar
distress que interferirá com o coping adaptativo e com a recuperação, pelo que é
importante o suporte no imediato.

O modelo PSP tem como principais objectivos:

1. Estabelecer uma ligação humana empática, de forma não intrusiva;

2. Promover a segurança desde o primeiro momento e providenciar conforto físico e


emocional;

3. Orientar e acalmar vítimas com reacções intensas;

4. Ajudar as vítimas a comunicar as necessidades e preocupações imediatas e recolher a


informação necessária;

5. Oferecer ajuda prática e informação às vítimas;

6. Conectar as vítimas, assim que possível, à sua rede social de apoio, incluindo família,
amigos, vizinhos, e recursos comunitários;

7. Promover o coping adaptativo e o empowerment de forma a que as vítimas tenham um


papel activo na sua recuperação;

8. Dar informação que possa ajudar as vítimas a lidar de forma mais eficaz com o
impacto psicológico do incidente.
Desta forma, os autores propõem as seguintes linhas orientadoras para os
interventores:

1. Observe primeiro, não seja intrusivo. Depois questione o que necessitam para
determinar como pode ajudar.

2. Muitas vezes, a melhor forma de iniciar contacto é dar ajuda prática (água, comida,
cobertores).

3. Inicie contacto só após ter observado a situação, pessoa ou família, e de se ter


assegurado que não irá ser intrusivo.

4. Esteja preparado para que a vítima o possa evitar ou, pelo contrário, não queira deixá-
lo ir.

5. Fale calmamente, seja paciente, responsivo e sensível. Não utilize calão.

6. Se o sobrevivente quiser falar, esteja preparado para ouvir. Enquanto o estiver a ouvir,
foque-se em ouvir as suas necessidades e como poderá ajudar.

7. Reforce positivamente tudo o que o sobrevivente tenha feito para se manter seguro.

8. Dê informação adequada à idade da pessoa e que dê resposta a necessidades imediatas.


Repita as respostas as vezes necessárias.

9. Relembre que o objectivo dos Primeiros Socorros Psicológicos são a redução do


distress e a promoção do funcionamento adaptativo, por isso não deverá pedir detalhes
do evento potencialmente traumático.

Preparação para a aplicação dos Primeiros Socorros Psicológicos

De forma a assistir os sobreviventes de uma catástrofe ou de um incidente


potencialmente traumático, o interventor tem de tomar conhecimento da natureza do evento,
das circunstâncias actuais e do tipo e disponibilidade dos serviços de suporte existentes.

Entrar no cenário

Entrar no cenário de uma forma bem sucedida implica actuar dentro da estrutura de um
agente de Protecção Civil, em que os papéis estão claramente definidos. É essencial estabelecer
comunicação e coordenar actividades com as organizações presentes no local.
Uma boa entrada no cenário implica também obter conhecimento sobre quem lidera,
organiza, que procedimentos já foram adoptados, que serviços de suporte existem. É importante
ter informação exacta sobre o que vai acontecer, que serviços estão disponíveis e onde podem
ser encontrados.

Esta informação deverá ser obtida o mais precocemente possível, dado que providenciar
esta informação é muitas vezes importante para a redução dos níveis de ansiedade e para a
promoção do coping.

Dar suporte

Em alguns cenários, os Primeiros Socorros Psicológicos são oferecidos em zonas já


constituídas. Noutros, o interventor pode ter de circular nas imediações para identificar quem
poderá necessitar de ajuda. Foque a atenção em como as pessoas estão a reagir e a interagir no
cenário. As pessoas que podem necessitar de assistência imediata manifestam sinais de distress,
incluindo:

• Desorientação
• Confusão
• Agitação
• Pânico
• Isolamento, apatia
• Irritabilidade ou raiva
• Preocupação excessiva

Setting grupal

Os Primeiros Socorros Psicológicos foram primariamente desenhados para a


intervenção individual ou familiar, contudo muitos componentes podem ser utilizados no
formato grupal. Os componentes de informação, suporte, conforto e segurança podem ser
aplicados aos grupos que se formam espontaneamente. Para grupos de crianças ou adolescentes,
oferecer jogos para a distracção pode reduzir a ansiedade e a preocupação após horas ou dias
num abrigo. Quando intervier com grupos lembre-se de:
• Ajustar a discussão às necessidades e preocupações partilhadas pelo grupo;
• Focar a discussão na resolução de problemas e de estratégias de coping aplicados
a necessidades imediatas;
• Não deixar a discussão em torno de preocupações tornar-se apenas num somatório
de queixas;
• Se uma pessoa necessitar de mais suporte, oferecer um espaço dedicado para ela
após a discussão grupal.

Mantenha uma presença calma

As pessoas reagem a um evento com base também nas reacções que observam nos
outros. Ao demonstrar serenidade, pode ajudar os sobreviventes a sentirem que podem confiar
em si. Outros podem seguir o seu pensamento mais focado, mesmo que não se sintam calmos
ou seguros. Os interventores muitas vezes modelam o sentimento de esperança que os
sobreviventes não conseguem inicialmente sentir enquanto estão a lidar com as preocupações
imediatas.

Seja sensível à cultura e à diversidade

Os interventores devem ser sensíveis à cultura, etnia, religião e às diferenças


linguísticas. Enquanto interventor deve estar consciente dos seus próprios valores e
preconceitos e de como estes diferem dos da comunidade com que irá intervir. Ajudar a manter
ou reestabelecer costumes, tradições, rituais, estrutura familiar, papéis de género e laços sociais
é de extrema importância na recuperação da comunidade. Informação acerca da comunidade,
incluindo como são expressas as reacções emocionais, atitudes relativamente a agências
governamentais e receptividade ao aconselhamento, deve ser recolhida precocemente.
Esteja atento às populações de risco

Indivíduos que estão em maior risco após um incidente potencialmente traumático:

• Crianças, especialmente aquelas:


o Separadas dos pais/adultos cuidadores;
o Cujos pais/adultos cuidadores, membros da família ou amigos morreram;
o Cujos pais/adultos cuidadores ficaram significativamente feridos ou estão
desaparecidos;
o Que estavam em lares de acolhimento.
• Aqueles que apresentam ferimentos;
• Aqueles que tiveram múltiplos realojamentos e deslocações;
• Aqueles que têm doenças físicas e mentais prévias;
• Aqueles que têm incapacidades;
• Adolescentes e adultos com comportamentos aditivos;
• Mulheres grávidas;
• Mães com bebés ou crianças pequenas;
• Equipas de emergência;
• Outras perdas significativas (casa, animais de estimação, fotografias de família...);
• Aqueles que experienciaram em primeira mão cenas grotescas ou de risco extremo de
vida;
• Aqueles que pertencem a grupos sociais desfavorecidos.
1) contacto e estabelecimento da relação

Por exemplo, ao estabelecer contacto, poderá dizer:

Adulto: “Olá. O meu nome é Manuel, sou psicólogo. Estou a ver como as pessoas estão e se
poderei ajudar em alguma coisa. Posso falar consigo alguns minutos? Como se chama? Sra.
Antónia, antes de falarmos, existe alguma coisa de que necessite já, como água?”

Criança/Adolescente: “E esta é a sua filha?” (coloque-se ao nível ocular da criança, sorria e


cumprimente a criança utilizando o seu nome).
“Olá Elsa, o meu nome é Manuel e estou aqui a tentar ajudar a tua família. Precisas de alguma
coisa agora? Temos ali água e sumos de fruta, cobertores e caixas de brinquedos.”
___________________________________
Algumas vítimas podem não procurar a sua ajuda, mas podem beneficiar do seu apoio. Quando
identificar estas pessoas, não interrompa conversas em curso e assuma que a pessoa poderá não
querer falar imediatamente consigo. Se a pessoa declinar a sua oferta de suporte, respeite a sua
decisão e indique onde e como poderá obter ajuda depois.
2) Segurança e conforto

Exemplo para fornecer informações:

Adulto: “Pelo que percebi, vamos começar a transportar as pessoas para um abrigo que será o
ginásio da escola secundária, dentro de uma hora. Haverá comida, roupa limpa e um sítio onde
poderão descansar. Por favor, permaneça nesta área, um elemento da equipa virá aqui para levá-
lo”.

Crianças: “Olha o que vai acontecer a seguir: tu e a tua mãe vão juntas para um sítio que se
chama abrigo, que é uma casa segura que tem comida, roupa limpa e um sitio para descansarem.
Fica aqui com a tua mãe até chegar o autocarro.”

Exemplo para discutir os meios de comunicação social:

Adulto: “Passou por muito e é uma boa ideia proteger-se a si e aos seus filhos de imagens,
cheiros ou sons perturbadores. Até as notícias do desastre que passam na televisão podem ser
muito perturbadoras para as crianças. Tente que as crianças não vejam notícias relacionadas
com o desastre. E já agora, também lhe fará bem a si não ver essas notícias.”
3) Estabilização
Respiração abdominal

Para os adultos:
1. Inspire devagar pelo nariz e encha confortavelmente os pulmões até à barriga;
2. Silenciosa e calmamente repita para si: “o meu corpo está cheio de calma”. Expire devagar
pela boca e confortavelmente esvazie totalmente os pulmões;
3. Silenciosa e calmamente repita para si: “o meu corpo está a libertar a tensão”;
4. Repita 5 vezes;
5. Faça-o as vezes que forem necessárias ao longo do dia.
Clique aqui para ver um vídeo com um exemplo de respiração abdominal para adultos

Para as crianças:
Ajude a criança num exercício respiratório:
1. “Vamos praticar uma forma diferente de respirar que pode ajudar os nossos corpos a relaxar;
2. Põe uma mão em cima da barriga (demonstrar);
3. Agora vamos respirar pelo nariz. Quando inspiramos vamos encher de ar a barriga e aguentar
um bocadinho (demonstrar);
4. Depois vamos expirar pelas nossas bocas. Quando o fizermos o nosso estômago vai encolher
(demonstrar);
5. Vamos inspirar muito lentamente enquanto eu conto até 3. Vamos agora expirar muito
lentamente enquanto eu conto até 3;
6. Vamos tentar juntos?”
Clique aqui para ver um vídeo com um exemplo de respiração abdominal para crianças

Relaxamento Muscular

Para relaxamento e eliminação da sensação de dormência:


1. “Deite-se ou sente-se de forma confortável. Execute os movimentos com suavidade. À
medida que vai executando os movimentos é importante concentrar a sua atenção na zona do
corpo que está tensa ou sensação de formigueiro, observando as sensações físicas nessa zona;
Imaginando que sente os braços dormentes:
2. Feche os punhos com força. Faça força e mantenha durante 5 segundos, dirija a atenção para
os punhos;
3. Agora abra a mão e relaxe durante 10 a 15 segundos, dirigindo a atenção para essa zona;
4. Repita novamente;
5. Agora troque de mão e repita o procedimento. Repita as vezes necessárias;
6. Faça músculo com força no braço. Faça força e mantenha durante 5 segundos, dirigindo a
atenção para o braço;
7. Agora relaxe o músculo do braço durante 10 a 15 segundos e observe as sensações físicas no
braço. Repita novamente;
8. Troque de braço e repita o procedimento;
9. Repita as vezes necessárias até obter o relaxamento da zona do corpo.”

Grounding
Se a pessoa não está responsiva, deve utilizar o Grounding:
• Sente a pessoa numa posição confortável;
• Diga: “Inspire e expire lentamente”;
• Diga-me 5 coisas que esteja a sentir. Por exemplo: “Sinto as costas na cadeira, sinto
um cobertor na minha mão…;
• Inspire e expire lentamente”;
• Agora diga-me 5 sons que esteja a ouvir. Por exemplo: “Oiço o meu coração a bater,
um telemóvel a tocar…”;
• Inspire e expire lentamente;
• Olhe à sua volta e diga-me 5 objectos que esteja a ver. Por exemplo: “Vejo o chão,
uma mesa, os meus sapatos…”; Se se tratar de uma criança pode utilizar a nomeação de
cores. Por exemplo: “Diz-me 5 cores que estejas a ver. Consegues ver alguma coisa
azul?”

4) recolha de informação

Áreas a pesquisar:
• Natureza e severidade das experiências durante o incidente;
• Morte de um ente querido;
• Preocupações acerca da vida após o incidente;
• Separação ou preocupação acerca da segurança dos entes queridos;
• Doenças físicas, doenças mentais e necessidade de medicação;
• Perdas (casa, escola, trabalho, animais de estimação, outros bens);
• Sentimentos exacerbados de culpa ou vergonha;
• Pensamentos de fazer mal ao próprio ou a outros;
• Disponibilidade do suporte social;
• Consumos anteriores de álcool ou drogas;
• Exposição anterior ao trauma e à morte de entes queridos;
• Mecanismo de coping passados.

5) assistência

A ajuda prática para as vítimas na resposta às necessidades e preocupações imediatas


poderá ser conduzida em quatro passos:

Passo 1 - Identificar as necessidades mais imediatas


A vítima tem frequentemente múltiplas preocupações, pelo que é necessário focar-se em uma
de cada vez.
Exemplo com adulto: “Eu compreendo o que me está a dizer, Sra. Antónia. A sua maior
preocupação é encontrar o seu marido e certificar-se que ele está bem. Vamos focar-nos nisso
e estabelecer um plano para obter essa informação”.
Exemplo com criança: “Parece que estás muito preocupado com muitas coisas, como o que
aconteceu à tua casa, quando volta o teu pai e o que vai acontecer a seguir. São todas
preocupações importantes, mas vamos pensar qual é a mais importante agora e vamos fazer um
plano.”
Passo 2 - Clarificar a necessidade
Fale com a vítima para especificar o problema. Quanto mais clarificado estiver o problema,
mais fácil será em colocá-lo em passos práticos para o resolver.

Passo 3 - Discutir um plano de acção


Ajude a vítima a pensar no que pode ser feito. Tente que a resposta venha primeiro da pessoa e
só depois tente oferecer sugestões. Diga à vítima o que poderá esperar realisticamente dos
recursos disponíveis.

Passo 4 - Agir para atender à necessidade


Ajude o sobrevivente a iniciar a acção. Por exemplo, ajude-o a marcar uma hora com o serviço
que necessita e se necessário ajude-o no preenchimento de formulários.

6) Conexão ao suporte social

Como psicólogo, deve:


• Melhorar o acesso das pessoas à sua rede de suporte primária (família e outros
significativos);
• Incentivar o recurso às pessoas que estão a prestar apoio imediato;
• Discutir formas de procurar e dar apoio;
• Identificar possíveis pessoas de apoio;
• Discutir o que fazer/falar (como abordar outras pessoas);
• Explorar a resistência em procurar apoio;
• Abordar os sobreviventes com isolamento social extremo:
o Pense sobre o tipo de apoio que lhe será mais útil;
o Pense nas pessoas de quem a vítima se poderá aproximar;
o Decida quem pode ser um bom modelo ou mentor;
o Decida de antemão o que o sobrevivente gostaria de discutir ou fazer;
o Escolha o momento certo e lugar para abordar alguém para apoio.

7) informação sobre coping

Reacções de Stress:
• Forneça informações simples sobre reacções de stress e coping;
• Construa a discussão em torno das reacções da vítima;
• Inclua possíveis reacções negativas e positivas;
• Evite patologizar as reacções de stress;
• Discuta formas positivas e negativas de lidar com as reacções de stress.

Duração das reacções de Stress:


• A duração das reacções dependerá (entre outras coisas):
o Da gravidade da exposição ao trauma e perda;
o Da gravidade das adversidades após o incidente;
o Da frequência com que estão expostos a estímulos que evocam pensamentos
ou sentimentos associados ao incidente. Diga que é natural a resposta de
ansiedade face ao que viveu e que é normal que comece a diminuir a intensidade,
frequência e duração das reacções. Contudo, se as reacções continuarem a
interferir com a sua capacidade de funcionar após um mês, deverá procurar
serviços especializados de saúde mental.

Coping negativo (pode ter efeitos negativos não intencionais):


• Isolamento social;
• Evitamento extremo de pensar ou falar sobre o incidente;
• Trabalhar demasiado;
• Raiva ou violência;
• Uso de álcool ou drogas.

Coping positivo (leva a resultados positivos):


• Apoio social;
• Actividades positivas distractoras;
• Estabelecer e alcançar objectivos;
• Alterar expectativas/prioridades;
• Respiração/relaxamento/descanso;
• Exercício físico;
• Escrita de um diário;
• Aconselhamento;
• Humor.
Coping na família:
• Retomar as rotinas familiares;
• Desenvolva a percepção de que poderão existir diferenças nas reacções e recuperação
dos elementos da família;
• Encoraje o entendimento mútuo, a paciência e a tolerância aos diferentes percursos de
recuperação dos elementos da família;
• Ajude os adolescentes a compreender os comportamentos mais protectores dos pais
(por exemplo, pedir para ligar quando chegar à casa dos amigos) como normais e
passageiros.

Reacções de raiva:
• As vítimas podem modificar a sua raiva:
o Retirando-se do local por um tempo;
o Conversando com um amigo sobre o que está a irritá-lo;
o Fazendo exercício físico (por exemplo, caminhar, correr, fazer flexões);
o Fazendo um diário em que descreve como se sente. Relembre o sobrevivente
que estar com raiva não irá ajudá-lo a conseguir o que quer e que pode prejudicar
os seus relacionamentos importantes. Incentive o sobrevivente a distrair-se com
actividades positivas. Incentive ainda o sobrevivente a permitir que outro adulto
possa supervisionar temporariamente os seus filhos.

Emoções "negativas" de culpa e vergonha:


• Algumas vítimas podem pensar acerca do que causou o evento, como reagiram, e
como poderá ser o futuro. Atribuírem culpa excessiva a si mesmos ou a outros pode
aumentar a intensidade das suas reacções.
• Deve escutar essas crenças e ajudar os sobreviventes a olhar para a situação de outra
forma. Poderá perguntar: “Se um amigo seu tivesse passado por esta situação, o que lhe
diria? Consegue dizer o mesmo a si próprio?”;
• Ajude a esclarecer mal-entendidos, rumores e distorções;
• Ajude os sobreviventes a entender como os pensamentos influenciam as emoções.
Como lidar com os problemas do sono:
• Incentivar as vítimas para:
o Manterem rotinas de sono regulares;
o Reduzirem o consumo de álcool;
o Eliminarem as bebidas com cafeína à tarde/noite;
o Aumentarem o exercício físico regular;
o Relaxarem antes de dormir;
o Limitarem as sestas a 15 minutos, e sempre antes das 16:00;
o Obterem suporte para preocupações imediatas.

Abuso de substâncias:
• Explique que muitas pessoas optam por beber, usar medicamentos ou drogas para
reduzirem o seu sofrimento;
• Peça ao indivíduo para identificar os prós e contras do uso de álcool ou de outras
drogas como forma de lidar com os problemas;
• Chegue a um acordo de abstinência ou de um padrão de consumo seguro.

Problemas de sono nas crianças:


• Lembrar aos pais que é frequente que as crianças queiram permanecer perto dos seus
pais à noite;
• Alterações temporárias nas rotinas de dormir (quererem dormir na cama dos pais ou
que os pais fiquem no seu quarto) são normais, desde que os pais façam um plano com
seus filhos para negociar um retorno à rotina normal de sono.

Questões desenvolvimentistas:
• As pressões e adversidades após um acidente podem resultar em importantes
interrupções, atrasos ou regressões no progresso do desenvolvimento;
• A perda de oportunidades de desenvolvimento ou conquistas pode ser experienciado
como uma das principais consequências resultantes do desastre. Tente alertar os
membros da família para estas dificuldades, ressalvando que as dificuldades no
desenvolvimento diminuirão com a progressiva adaptação ao incidente.
Considerações finais

Terminado o capítulo 2, deixo-lhe algumas considerações finais:

• São cinco os princípios de intervenção suportados empiricamente que devem ser


utilizados para orientar e informar a intervenção e a prevenção nos cenários de crise:
o promoção da sensação de segurança
o promoção do acalmar
o promoção da sensação de autoeficácia e de eficácia da comunidade
o promoção da conexão à rede social de suporte
o promoção da esperança

• O modelo dos Primeiros Socorros Psicológicos foi construído para reduzir o distress
inicial causado por eventos potencialmente traumáticos, e para promover o
funcionamento adaptativo e os mecanismos de coping positivos a curto e médio prazo;

• De forma a estar preparado para aplicar os Primeiros Socorros Psicológicos, o


psicólogo deverá:
o entrar no cenário
o dar suporte
o ter em conta o setting grupal
o manter uma presença calma
o ser sensível à cultura e à diversidade
o estar atento às populações de risco
• São oito as ações essenciais nos Primeiros Socorros Psicológicos:
o contacto e estabelecimento da relação
o segurança e conforto
o estabilização
o recolha de informação
o assistência prática
o conexão ao suporte social
o informação sobre o coping
o referenciação a serviços

Unidade 3 - Auto-ajuda e Limites do Interventor

Auto-ajuda e Limites do Interventor

Providenciar ajuda e suporte em situações de crise pode ser enriquecedor a nível pessoal e
profissional devido à satisfação em ajudar o outro. Contudo, pode também ser muito exigente
do ponto de vista físico e emocional.

O interventor ou a sua família podem ser directamente afectados pela situação de crise. Mesmo
não estando directamente envolvido, pode ser afectado pelo que vai ver ou ouvir enquanto
ajuda. Como interventor, é importante prestar uma atenção extra ao seu próprio bem-estar,
assim como estar atento aos sinais de stress que podem surgir após um indivíduo lidar com
eventos exigentes.

Neste capítulo (dividido em dois sub capítulos) iremos abordar alguns cuidados a ter durante as
várias fases da intervenção: antes, durante e após a mesma e o modelo dos Primeiros Socorros
de Stress.

Cuide de si mesmo, para que possa cuidar melhor dos outros!


Fases da Intervenção

Antes da intervenção:

Considere o seu nível de conforto com a ocorrência e circunstâncias em causa. Ao decidir se


está apto a participar como interventor na situação de crise deve considerar o seu nível de
conforto com a ocorrência em causa, bem como as suas circunstâncias actuais.

Estas incluem:

Considerações de Saúde

Avalie a sua condição física e emocional, e qualquer condição que interfira com a sua
capacidade de trabalhar por longos períodos:
• Cirurgias recentes ou tratamentos médicos;
• Problemas emocionais ou psicológicos recentes;
• Perdas ou alterações significativas na sua vida no último ano;
• Restrições de dietas que o impeçam de trabalhar;
• Capacidade para permanecer activo por longos períodos de tempo em
actividades físicas que poderão ser extenuantes;
• Se necessário, prepare medicação para os dias em que prevê estar a intervir, se
possível levando sempre a mais.

Considerações familiares

Avalie a capacidade da sua família em lidar com a possibilidade de intervir em cenário de


catástrofe:
• A sua família está preparada para a sua ausência?
• A sua família está preparada para lidar com o facto de poder intervir em ambientes
em que existe algum nível de risco?
• A sua família pode assumir algumas das suas responsabilidades enquanto está a intervir?
• Tem uma boa rede de suporte para quando regressar da intervenção?

Considerações relacionadas com o Trabalho

Avalie qual o impacto que tirar tempo para intervir no cenário de catástrofe, pode ter no seu
trabalho:
• O seu empregador permitirá a sua ausência?
• O seu trabalho é suficientemente flexível para permitir que responda ao cenário 24 -
48h após ter sido contactado?

Tome uma decisão honesta sobre se está pronto para ajudar nesta situação específica e neste
momento em particular.

Durante a intervenção: Tenha consciência da exposição que poderá ter a situações terríveis
a saúde pública
Enquanto interventor, pode sentir-se responsável pela segurança e cuidados das outras pessoas.
Pode presenciar ou mesmo experienciar situações terríveis, como destruição, ferimentos, morte
ou violência. Pode ainda ouvir histórias de dor e sofrimento. Estas experiências podem afectá-
lo a si e aos seus colegas.
Desta forma, na aplicação de primeiros socorros psicológicos, é importante reconhecer e
diferenciar as reacções de stress, de forma a cuidar de si durante a intervenção.

Acções para a Saúde Pública

Os interventores podem experienciar reacções de stress, que são consideradas normais:


• Aumento ou diminuição do nível de actividade;
• Dificuldades no sono;
• Irritabilidade, zanga ou frustração;
• Dificuldades na atenção e em tomar decisões;
• Reacções físicas, como cefaleias, dor de estômago, taquicardia, entre outros;
• Ansiedade.

Acções de Intervenção Individual

Os interventores podem experienciar respostas ao stress mais graves que podem necessitar de
apoio profissional ou de supervisão:
• Fadiga de compaixão:
o alienação
o resignação
o impotência aprendida;
• Reexperienciação do trauma;
• Isolamento;
• Utilização de substâncias;
• Dificuldades interpessoais, incluindo a violência doméstica;
• Depressão;
• Comportamentos suicidários ou para-suicidários.

A organização pode reduzir o risco de reacções mais extremas de stress fazendo


algumas acções:
• Limitar o tempo de exposição ao cenário: não mais do que turnos de 12 horas e
encorajar intervalos
• Proceder à rotação de elementos das zonas de maior exposição para zonas com menor
nível de exposição
• Impor pausas
• Encorajar o apoio de pares
• Monitorizar os interventores
• Providenciar supervisão
• Realizar treino de gestão de stress

Existem algumas actividades que promovem a autoajuda. São estas:

• Gerir os recursos pessoais;


• Planear a segurança da família;
• Obter a nutrição, os exercícios e o relaxamento necessário;
• Utilize as seguintes estratégias de gestão de stress:
o Supervisão;
o Pratique técnicas de relaxamento no seu dia-a-dia;
o Aumente a frequência de actividades de prazer;
o Passe tempo com a sua família e amigos;
o Escreva, mantenha um diário;
o Limite o uso de cafeína, nicotina, álcool e outras substâncias.

Sempre que possível esforce-se por...

• Recompensar os seus esforços


• Pensar nos mecanismos de coping que o ajudaram no passado e que poderá utilizar
agora
• Conhecer os seus limites: evite trabalhar com muitos sobreviventes no mesmo turno
• Trabalhar em equipa, pergunte como se sentem e peça para eles o monitorizarem
• Faça pausas, mesmo que breves, para alimentação e descanso
• Utilize o apoio de pares e supervisão
• Ser flexível, paciente e tolerante
• Aceitar que não consegue mudar tudo

Deve evitar fazer:


• Longos períodos de trabalho só, ou seja, sem colegas;
• Trabalhar sem fazer pausas;
• Diálogo interno negativo que reforce sentimentos de incompetência;
• Comer de forma excessiva ou utilizar substâncias como forma de suporte;
• Obstáculos comuns à auto-ajuda:
o “Eu seria egoísta se fizesse uma pausa”;
o “Se os outros estão a trabalhar há 24h, eu também tenho de trabalhar 24h
seguidas”;
o “As necessidades dos sobreviventes são mais importantes que as minhas”;
o “Vou descansar só quando fizer X, Y, Z”.

Após a Intervenção| Não descure o seu tempo de reajustamento para a sua


recuperação

Espere um período de reajustamento ao regressar ao seu dia-a-dia. Ter tempo para


descansar e reflectir é uma parte importante no seu papel de interventor. As sugestões
seguintes podem ajudá-lo na sua recuperação.

Sempre que possível esforce-se por..


• Ter e dar suporte;
• Planear tempo para férias;
• Preparar-se para uma mudança na visão do mundo que poderá não encontrar eco nos
seus familiares;
• Procurar ajuda se as reacções e respostas extremas ao stress se mantiverem por 2 ou 3
semanas;
• Aumentar as actividades de prazer, o exercício físico e a gestão do stress;
• Esteja atento à alimentação e à sua saúde;
• Passar tempo com as pessoas importantes;
• Praticar boas rotinas de sono;
• Dar tempo para a reflexão pessoal;
• Falar sobre as suas preocupações ou escrever;
• Reflectir e aceitar o que fez bem, os aspectos a melhorar e os limites do que podia fazer
dadas as circunstâncias.
Por outro lado, deve evitar...

• O uso de álcool, drogas ilícitas ou grandes quantidades de medicação prescrita


• Fazer mudanças de fundo na sua vida, pelo menos por um mês
• Desvalorizar o trabalho que realizou com as vítimas
• Estar demasiado ocupado

Modelo dos Primeiros Socorros para o Stress

O Modelo dos Primeiros Socorros para o Stress (PSS) foi inicialmente desenvolvido por
Patrícia Watson como um modelo de apoio de pares para as forças armadas norte-americanas.

Rapidamente foi adaptado por organizações de resposta à emergência como modelo de suporte
de pares para lidar com o stress resultante de eventos exigentes. No ambiente de trabalho,
os indivíduos melhor posicionados a serem os fornecedores de PSS são os colegas de trabalho
ou outros que tenham relação existente com o indivíduo afectado.

Amigos e familiares também podem desempenhar um papel importante na identificação dos


indivíduos que podem estar em risco.

O contínuo de stress tem quatro estágios:

Apto (verde) Reagir (amarelo) Ferido (laranja) Doente (vermelho)

É importante ressalvar que todas as pessoas reagem quando confrontadas com estímulos
potencialmente traumáticos. No entanto, a forma como respondem vai depender de quão
preparados estão para lidar com o evento stressor e de como interpretam o evento.

Durante o decurso das reacções de stress, uma pessoa pode variar de forma relativamente rápida
de verde para amarelo, de amarelo para laranja e, finalmente, para vermelho e vice-versa.

A Zona Verde é o objectivo a atingir com as actividades de prevenção.


A Zona de Stress na qual começa a existir um risco significativo de perturbações no
desempenho de papéis e de futuras perturbações mentais é a Zona Laranja.

Quando um indivíduo passa das reações de stress diárias normais para as respostas mais
extremas da Zona Laranja devem ser iniciados os PSS pelos pares.

Os PSS são compostos por sete acções principais (clique sobre cada um para saber mais):

Confiança
Competência
Conectar
Acalmar
Proteger
Coordenar
Verificar

Verificar
• Avalie o nível de sofrimento e de funcionamento
• Avalie riscos imediatos
• Avalie necessidade de referenciação para cuidados de saúde
• Reavalie o progresso

Coordenar
• Decida quem deverá ser também informado da situação
• Referencie para cuidados de saúde, se necessário
• Facilite o acesso a outros cuidados necessários

Proteger
• Assegure imediatamente a segurança física da pessoa ou de outros
• Promova um sentimento de segurança psicológica e de conforto
• Proteja de stress adicional (assegure o descanso)
Acalmar
• Reduza a activação fisiológica (diminuição da taquicardia e da frequência respiratória,
relaxamento)
• Reduza a intensidade de emoções "negativas" como o medo ou a raiva
• Oiça empaticamente a pessoa falar sobre as suas experiências
• Dê informação que tranquilize

Conectar
• Encoraje a conexão às pessoas mais próximas
• Ajude na resolução de problemas de forma a remover obstáculos ao suporte social
• Promova actividades sociais positivas no local de trabalho

Competência
• Ajude a pessoa a voltar ao seu funcionamento habitual
• Facilite trabalhos que sejam reforçadores positivos e formação/treino, se necessário
• Encoraje a exposição gradual a situações potencialmente stressantes

Confiança
• Conduza a pessoa de volta à sua auto-confiança, liderança, missão e valores centrais
• Promova a confiança dos colegas e familiares na pessoa

Quando estiver a aplicar PSS, comece sempre com a acção Verificar – seja através das suas
próprias observações ou das informações sobre o evento, sinais de angústia ou de mudança no
funcionamento.

Após esta primeira fase, aproxime-se da pessoa em primeiro lugar para estabelecer contacto e
reunir informações que o ajudem a tomar uma decisão sobre o que fazer.

Recorde-se também que os PSS devem ser aplicados com flexibilidade. O trabalho realizado
numa acção pode dar resposta a diferentes reacções de stress, por isso, a decisão de como agir
dependerá primeiro do tipo de reacção ao stress que a pessoa está a experienciar e também
de uma série de outros factores, incluindo:
• Limitar o tempo de exposição ao cenário: não mais do que turnos de 12 horas e encorajar
intervalos
• Proceder à rotação de elementos das zonas de maior exposição para zonas com menor
nível de exposição
• Impor pausas
• Encorajar o apoio de pares
• Monitorizar os interventores

Quando estiver a aplicar PSS, comece sempre com a acção Verificar – seja através das suas
próprias observações ou das informações sobre o evento, sinais de angústia ou de mudança no
funcionamento.

Após esta primeira fase, aproxime-se da pessoa em primeiro lugar para estabelecer contacto e
reunir informações que o ajudem a tomar uma decisão sobre o que fazer.

Recorde-se também que os PSS devem ser aplicados com flexibilidade. O trabalho realizado
numa acção pode dar resposta a diferentes reacções de stress, por isso, a decisão de como agir
dependerá primeiro do tipo de reacção ao stress que a pessoa está a experienciar e também
de uma série de outros factores, incluindo:

• Limitar o tempo de exposição ao cenário: não mais do que turnos de 12 horas e encorajar
intervalos
• Proceder à rotação de elementos das zonas de maior exposição para zonas com menor
nível de exposição
• Impor pausas
• Encorajar o apoio de pares
• Monitorizar os interventores

Dependendo dos sintomas e das circunstâncias, poderá utilizar mais do que uma acção PSS
simultaneamente. É importante manter uma postura aberta e flexível em relação aos PSS e
utilizá-los como um quadro referencial para relembrar os factores que devem ser considerados
quando alguém está com reacções de stress moderadas ou graves.
Considerações Finais

Terminado o Módulo 4, deixo-lhe algumas considerações finais:

• São cinco os princípios de intervenção suportados empiricamente que devem ser


utilizados para orientar e informar a intervenção e a prevenção nos cenários de crise:
o promoção da sensação de segurança
o promoção do acalmar
o promoção da sensação de autoeficácia e de eficácia da comunidade
o promoção da conexão à rede social de suporte
o promoção da esperança

• O modelo dos Primeiros Socorros Psicológicos foi construído para reduzir o distress
inicial causado por eventos potencialmente traumáticos, e para promover o
funcionamento adaptativo e os mecanismos de coping positivos a curto e médio prazo;

• De forma a estar preparado para aplicar os Primeiros Socorros Psicológicos, o


psicólogo deverá:
o entrar no cenário
o dar suporte
o ter em conta o setting grupal
o manter uma presença calma
o ser sensível à cultura e à diversidade
o estar atento às populações de risco

• São oito as acções essenciais nos Primeiros Socorros Psicológicos:


o contacto e estabelecimento da relação
o segurança e conforto
o estabilização
o recolha de informação
o assistência prática
o conexão ao suporte social
o informação sobre o coping
o referenciação a serviços

• Ao decidir se está apto a intervir numa situação de crise, deverá ter em consideração
a sua saúde, família e outras considerações relacionadas com o trabalho;

• Na aplicação de primeiros socorros psicológicos importa reconhecer e diferenciar as


suas reacções de stress;

• A Organização e actividades de auto-ajuda podem reduzir o risco de reacções


extremas de stress;
• Após a intervenção, deverá passar por um período de reajustamento ao regressar ao
seu dia-a-dia;

• O Modelo dos Primeiros Socorros para o Stress (PSS) foi rapidamente adaptado por
organizações de resposta à emergência como modelo de suporte de pares para lidar
com o stress resultante de eventos exigentes;

• Os Primeiros Socorros para o Stress (PSS) são baseados num Modelo Contínuo de
Stress;

• Os PSS são compostos por sete acções principais:


o Verificar
o Coordenar
o Proteger
o Acalmar
o Conectar
o Competência
o Confiança

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