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Defesa e Democracia no Brasil: Diálogo Essencial

Celso Amorim destaca a importância do debate sobre defesa e democracia no Brasil, ressaltando que a maioria dos brasileiros reconhece a necessidade de investimento em defesa. Ele enfatiza a relação entre o Congresso e a Defesa, a necessidade de uma estratégia comum na América do Sul e a importância de fortalecer a indústria nacional de defesa. A aprovação da MP 544 é vista como um passo crucial para o desenvolvimento tecnológico e a autonomia das Forças Armadas brasileiras.

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Defesa e Democracia no Brasil: Diálogo Essencial

Celso Amorim destaca a importância do debate sobre defesa e democracia no Brasil, ressaltando que a maioria dos brasileiros reconhece a necessidade de investimento em defesa. Ele enfatiza a relação entre o Congresso e a Defesa, a necessidade de uma estratégia comum na América do Sul e a importância de fortalecer a indústria nacional de defesa. A aprovação da MP 544 é vista como um passo crucial para o desenvolvimento tecnológico e a autonomia das Forças Armadas brasileiras.

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Celso Amorim

há contradição. Pelo contrário, Defesa e democracia andam juntas.


E quanto mais se debatem, quanto mais se discutem os rumos da
nossa Defesa, mais apoio nós teremos.
Essa é uma lição que todos temos que aprender, e agora me
dirijo também aos meus companheiros das Forças Armadas, mais
diretamente envolvidos com o nosso trabalho diário: é importante
haver esse debate. Porque é desse debate que nasce o verdadeiro
apoio social.
Eu tive uma boa surpresa recentemente: lendo uma pesquisa
do IPEA, havia a constatação clara de que a maioria dos brasileiros
percebe a necessidade do investimento em Defesa. Isso é algo
muito importante.
Ao trazer o tema da Defesa para o centro das atenções
do Parlamento, a Câmara dos Deputados, por meio da Frente
Parlamentar da Defesa Nacional, aprofunda um diálogo
indispensável para a vitalidade da nossa democracia. Como disse,
Defesa e democracia andam juntas no Brasil do século XXI. E o
Congresso terá um papel cada vez mais destacado nessa relação.
Os Constituintes de 1988 determinaram esse entrelaçamento
essencial ao atribuir ao Congresso uma série de competências
ligadas à Defesa. A Nova República assegurou ao povo brasileiro o
controle sobre o seu destino inclusive na situação limite – que não
desejamos e oxalá nunca ocorra – de um conflito armado.
Dispositivos constitucionais reservam atribuições funda-
mentais ao Congresso, tais como: a definição e modificação dos
efetivos das Forças Armadas; a aprovação de iniciativas ligadas a
atividades nucleares; e as decisões sobre tratados internacionais e
sobre leis orçamentárias. Essas competências revelam a amplitude
não só do controle, mas também do potencial de diálogo entre
Executivo e Legislativo na área de Defesa. Esse potencial aumenta

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Discursos
Defesa: um diálogo nacional

significativamente em face da nova dimensão assumida pelo tema


nos últimos anos.
Em um mundo em franca transformação, o Brasil deve gerir
com eficácia a política de Defesa. Não é à toa que se fala tanto,
agora, em transformação das Forças Armadas e, particularmente,
em transformação do Exército, que tem se dedicado muito a esse
tema.
A necessidade de reforço de nossas capacidades na área de
Defesa decorre de uma série de circunstâncias, entre as quais se
destaca o processo de desconcentração do poder mundial. Embora
essa tendência seja, na sua essência, positiva, ela também encerra
riscos, aos quais devemos estar atentos.
A estratégia brasileira combina cooperação e dissuasão.
Na América do Sul, a cooperação deve prevalecer. Desejamos
criar uma comunidade sul-americana em que a guerra seja uma
solução impensável para as eventuais disputas entre Estados.
Isso é uma tarefa da diplomacia. Mas é também uma tarefa da
Defesa, nas suas relações e nas relações das Forças com as suas
equivalentes em outros países. Apoiamos iniciativas e projetos que
reforcem a Defesa e consolidem a segurança de nossos vizinhos.
O fortalecimento de nossa relação bilateral com a Argentina,
o Mercosul e a Unasul foram passos decisivos nesse sentido.
A cooperação com a nossa vizinhança tem no Conselho de
Defesa Sul-Americano da Unasul um sólido espaço institucional
para a criação de confiança e para o equacionamento pacífico de
controvérsias.
Criamos um verdadeiro cinturão de boa vontade em nosso
entorno imediato, cujo reforço deve ser preocupação permanente.
Esse cinturão de boa vontade permite ao Brasil maior liberdade
para uma política externa universalista, sem as amarras que a
eventual presença de ameaças em suas fronteiras ensejaria. Essa

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Celso Amorim

percepção estende-se progressivamente à África. Desejamos


contribuir particularmente para a segurança de nossos parceiros
da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul. Necessitamos dos
países africanos para garantir que esse oceano seja uma via segura
de comércio, livre de ações de pirataria e de crime organizado.
Mencionou-se o submarino nuclear; poderíamos ainda
lembrar o avião de patrulha e o cuidado com o nosso litoral, que o
Exército também exerce. Tudo isso tem a ver com essa dimensão.
Mas a fluidez do cenário internacional e as tendências recentes
de emprego indiscriminado da força por parte de alguns, mesmo
com justificativas teóricas, exigem que o Brasil e a América do Sul
possuam uma estratégia comum fortemente dissuasória. A ausência
de ameaças militares imediatas não justifica a imprevidência
quanto à possibilidade de que venhamos a ser afetados por crises
com reflexos na Defesa e na segurança, mesmo que à nossa revelia.
É uma verdade óbvia, porém frequentemente esquecida,
que nenhum país soberano pode delegar sua defesa a terceiros.
Devemos ser capazes de impor custos elevados a qualquer país que,
por qualquer motivo, se aventure a usurpar o nosso patrimônio.
Nisso, essencialmente, consiste a dissuasão.
Marinheiros, soldados e aviadores bem-equipados e pre-
parados, capazes de vigiar nossas fronteiras, nossos mares e nossos
céus, inspiram respeito e tornam ações hostis menos prováveis.
Forças Armadas bem-aparelhadas e adestradas minimizam a
possibilidade de agressões, permitindo que a política de defesa
contribua decisivamente com uma política externa voltada para a
paz e o desenvolvimento.
Com a Estratégia Nacional de Defesa, aprovada em 2008 e agora
objeto de revisão, o Brasil afirmou o elo indissociável entre defesa
e desenvolvimento. Ao priorizar os setores nuclear, cibernético e
espacial, a Estratégia Nacional de Defesa impulsiona a ciência e a

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Discursos
Defesa: um diálogo nacional

pesquisa, e expande a formação de recursos humanos em áreas de


ponta. Ao reorganizar a indústria nacional de material de defesa,
a Estratégia reforça o desenvolvimento tecnológico independente.
Níveis sempre maiores de capacitação tecnológica, por sua vez,
possibilitarão o atendimento crescentemente autônomo das
necessidades de equipamentos das nossas Forças Armadas, ao
mesmo tempo em que asseguram maior margem de manobra à
política de defesa.
O Governo da Presidenta Dilma Rousseff tem buscado, por
meio do Ministério da Defesa, recuperar a capacidade de
investimento estratégico do País, contribuindo para o renasci-
mento da indústria nacional de defesa. Iniciativas como a MP
544, aprovada ontem por esta Casa e elaborada com o concurso de
vários órgãos do Governo, transformam em realidade o preceito
de reorganização da indústria nacional de produtos de defesa,
inscrito na Estratégia Nacional de Defesa. Essas iniciativas estão em
linha com o Plano Brasil Maior, idealizado pela Presidenta.
A MP 544, que esperamos em breve seja uma lei, fornece um
novo marco para as atividades do Estado e do mercado no domínio
da indústria do material de emprego militar. Em seu bojo são
definidos termos de grande importância, como produto de defesa,
produto estratégico de defesa e sistema de defesa. Estabelecem-se
normas especiais de compra, contratações e desenvolvimento, por
meio de processos licitatórios diferenciados, complementando a
Lei de Licitações.
A MP 544 institui, ainda, um Regime Especial Tributário para
a Indústria de Defesa, o RETID, com o objetivo de reduzir o custo
tributário e de industrialização do material de defesa. Estabelecem-
-se ainda normas de financiamento para o desenvolvimento de
programas, projetos e ações afetas a produtos estratégicos de defesa.
Finalmente, a MP 544 assegurará a continuidade da capacidade

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Celso Amorim

produtiva da indústria nacional de defesa, protegendo tanto


empresas quanto produtos estratégicos.
Ao fomentar a capacidade tecnológica e o desenvolvimento
nacional, a MP 544 resultará na geração de renda e empregos. É
um motivo para que mais uma vez me congratule com esta Casa
pela aprovação unânime, ontem, desta medida provisória.
Quero fazer, entretanto, duas observações que creio
importantes, se me permitem. A primeira é sobre a regulamentação
necessária para essa medida provisória, porque todo esse
tratamento especial conferido às empresas estratégicas de defesa
tem que ser, depois, objeto de uma reciprocidade. Não faria
sentido que o Estado estivesse investindo recursos – porque são,
em última análise, recursos do Estado, recursos de algum tipo de
renúncia fiscal – para que o resultado depois escapasse ao nosso
próprio controle. Há muitos casos anedóticos, que não vou repetir,
de apoio a indústrias brasileiras em áreas estratégicas, seguidos
da venda dessas empresas a outras. E os produtos que foram
alcançados com os nossos recursos não podem ser obtidos, porque
são considerados produtos de segurança por outros países. Temos
de evitar que esse paradoxo ocorra.
A segunda observação refere-se ao fato de que nós continua-
mos a dar as boas-vindas ao capital estrangeiro na indústria de
defesa, de preferência quando ele está associado a alguma entidade
ou empresa nacional. Temos vários exemplos disso, que são bem-
-sucedidos e devem continuar. O que esta medida provisória faz não
diminui em nada as vantagens que já tem hoje em dia esse capital,
ou o tratamento benéfico que ele recebe. Apenas cria vantagens
adicionais para empresas estratégicas, tais como definidas na lei.
Isso é algo muito importante. Há vários exemplos desse tipo. Eu
poderia mencionar dois: a Helibrás é um caso; o Guarani, com a
IVECO, é outro. Isso continuará a ocorrer e continuará a ser bem-

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Discursos
Defesa: um diálogo nacional

-vindo, mas não exclui que nós demos um tratamento ainda mais
favorável, tributário ou de outra natureza, às empresas estratégicas
de defesa.
Outra estipulação da Estratégia Nacional de Defesa a que
temos nos dedicado é o Plano de Articulação e Equipamentos
de Defesa, o PAED. Em dezembro passado, instituí um grupo de
trabalho para concretizar a elaboração do Plano. Ele já estava
previsto há muito tempo, já havia diretrizes, mas na realidade não
tinha ainda havido, talvez em um grau suficiente, uma articulação
entre os planos das várias forças. Isso é absolutamente essencial.
O PAED deverá analisar aspectos tais como: a harmonização dos
projetos apresentados pelas forças; a recuperação da capacidade
operacional da Marinha, do Exército e da Aeronáutica; pesquisa,
desenvolvimento e ensino; transferência de tecnologia; e a
aquisição – de preferência, de maneira regular, como disse o
Presidente da Frente – de produtos de defesa no Brasil.
Como decorrência desse novo quadro de tratamento dos
assuntos de Defesa, e sempre que possível orientado pelo
fortalecimento da indústria nacional, o Ministério da Defesa
colocará ênfase em vários projetos durante este ano. Poucos deles
ainda não foram propriamente orçamentados, mas já estão em
discussão para serem objeto de decisão muito prontamente.
Citaria a aquisição dos caças, com transferência de tecnologia
e de capacidade de produção para o Brasil. Outro exemplo é o
PROSUPER, que tem que ser desenvolvido. Há projetos na área do
Exército, que estão apenas começando, como é o caso do SISFRON,
o sistema de vigilância das fronteiras. Há uma lista enorme, que
inclui o PROSUB; o veículo blindado sobre rodas Guarani; o
desenvolvimento do KC-390, um avião de transporte a jato que
deverá substituir o famoso Hércules C-130, não só no Brasil, mas
em muitos outros países, e que já tem sido objeto de cooperação

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Celso Amorim

com outros países sul-americanos e com países de outras regiões,


como Portugal e República Tcheca; helicópteros de transporte, que
já mencionei; o SISGAAZ, que a Marinha desenvolverá; e veículos
aéreos Não Tripulados. Alguns desses exemplos são típicos da
necessidade de interoperabilidade e de perfeita coordenação entre
as Forças, uma tarefa que o Estado-Maior Conjunto tem levado
adiante.
Todos esses projetos, ou quase todos, encontram-se já em fase
de execução. Um ou dois são ainda objeto de decisão. Claro que
alguns já estão refletidos, ainda que inicialmente, no orçamento
deste ano, mas demandarão recursos por longo tempo. E essa
questão da continuidade é absolutamente essencial. Aproveitando
a presença do meu amigo Marco Antonio Raupp, juntamente com
quem assessorei o Ministro Renato Archer na questão do satélite
sino-brasileiro, observo que a área espacial é típica desse desafio da
continuidade. Nós conhecemos os efeitos da falta de continuidade
em projetos de grande envergadura. A continuidade é algo
essencial, e nos alegra muito que essa percepção seja plenamente
compartilhada nesta Casa.
Estamos também iniciando uma discussão muito importante
sobre artilharia antiaérea, área em que o Brasil ainda é, infelizmen-
te, deficiente. Também nesse caso a cooperação entre as várias
Forças é muito importante.
Destaco a relevância do projeto do Satélite Geoestacionário
Brasileiro, em que o Ministério da Defesa está associado ao
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e ao Ministério
das Comunicações. Por orientação da Presidenta, teremos uma
empresa brasileira integradora desse projeto. Esse é um projeto
muito importante, porque, além das vantagens tecnológicas
que fornece, ele possibilitará que as comunicações da Defesa
sejam seguras. Evitará que elas dependam de um fornecedor

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Discursos
Defesa: um diálogo nacional

estrangeiro, por mais bem-intencionado que seja, uma vez que em


algum momento ele pode ser forçado a criar uma dificuldade, ou
pode ver outra razão qualquer para isso, até econômica. Nós não
podemos depender disso. Então, esse é um passo extraordinário,
e o Dr. Raupp é uma das pessoas profundamente envolvidas
nessa questão, como era o seu antecessor, Aloízio Mercadante, e o
Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.
As externalidades positivas dos investimentos militares para
atividades econômicas civis ressaltam a importância do novo
marco estratégico da indústria de defesa. Ainda no concernente
à Ciência e à Tecnologia, nosso Ministério priorizará, com pleno
apoio da Presidenta Dilma Rousseff, a ampliação da oferta de vagas
em seus institutos tecnológicos, como o ITA e o IME, bem como a
contratação de novos professores e pesquisadores para o CTA, o
CTEX e o IPQM. Trabalharemos juntamente com as universidades
que cooperam com nossos projetos, sobretudo no caso da Marinha.
Gostaria de consignar aqui o indispensável apoio que temos
recebido do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que
proporciona financiamento a diversos projetos de tecnologia de
ponta de grande interesse para a Defesa, por meio de seus órgãos
de fomento à pesquisa e ao desenvolvimento, como a Finep.
Também trabalhamos em consonância com outros Ministérios. Já
tive oportunidade de mencionar o fato de que a medida provisória
aprovada ontem, aqui na Câmara, foi verdadeiramente um
trabalho de equipe. Isso é muito importante porque essas medidas
e esses projetos na área de Defesa constituem não só um projeto do
Ministério da Defesa, mas um projeto de Governo, com apoio do
Parlamento e da sociedade.
Eu menciono aqui a América do Sul e a África pelos
motivos óbvios de serem a nossa circunstância ampliada, mas,
evidentemente, continuaremos a desenvolver iniciativas com

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Celso Amorim

outros parceiros tradicionais, como os Estados Unidos e os países


europeus; e também com parceiros novos, como a Índia e a África
do Sul, países que não mereceram, no passado, toda a atenção
que poderiam merecer. Acabo de voltar de uma viagem à Índia,
extremamente exitosa. Está aqui o General José Carlos De Nardi,
um dos que me acompanhou. Eu o menciono porque lembro
aqui da defesa cibernética, que é um ponto importante do nosso
desenvolvimento tecnológico.
Essa breve panorâmica da agenda permite apresentar-lhes
uma visão de conjunto, ainda que sumária, sobre os desafios e as
oportunidades que se abrem à Defesa do Brasil no século XXI.
Se me permitem ser um pouquinho literário, já que fui
professor de teoria política – e vejo aqui o Prof. Luís Pedone, que
era diretor do departamento da UnB, quando eu lá ensinava –, cito
Maquiavel, que, no século XVI, advertia: “O príncipe sábio jamais
deve permanecer ocioso nos tempos de paz, e sim fazer destes um
cabedal para dele se valer na adversidade, a fim de que, quando
mudar a fortuna, esteja sempre pronto a lhe resistir”. Se Maquiavel
me permitir, indo um pouco mais longe, na verdade, ao agir dessa
maneira, ao construir esse cabedal, o príncipe pode até contribuir
para evitar que essa hipótese de adversidade se concretize.
No nosso caso, temos uma vantagem. Em nosso país, a
preparação da Defesa não é tarefa deixada ao capricho de um
príncipe, mas é uma obra coletiva do governo e da sociedade. Um
Congresso com parte ativa na política de Defesa contribuirá para a
construção da prosperidade e da paz que desejamos.
Muito obrigado.

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A política de defesa de
um país pacífico
Texto da aula magna para os cursos de Altos Estudos Militares
das Forças Armadas e de Altos Estudos em Política e Estratégia da
Escola Superior de Guerra. Rio de Janeiro, 9 de março de 2012

É com grande satisfação que venho ministrar aula magna para


plateia tão qualificada.
Gostaria de abordar uma questão que creio dizer respeito,
de diferentes maneiras, à reflexão desenvolvida pelas senhoras e
pelos senhores neste momento de suas carreiras: que política de
defesa deve adotar um país democrático com as características do
Brasil, que se orgulha de seu passado e presente pacíficos, mas que,
como a sexta ou quinta maior economia do mundo, enfrentará
desafios de toda ordem? A resposta a essa indagação deve levar
em consideração os anseios de nossa sociedade e as lições de nossa
história.
Começo pelas lições que a trajetória do país oferece para sua
inserção internacional contemporânea. Embora qualquer política
de defesa no mundo de hoje deva lidar com as chamadas novas
ameaças, é um fato indiscutível que sua atenção primária está posta
nas relações entre Estados. A guerra de todos contra todos de que
falava Thomas Hobbes não corresponde à realidade internacional
atual. A paz perpétua que propôs Immanuel Kant tampouco pôde

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