Guardião das Areias
(Aventura / Fantasia)
Capítulo 1 – O Deserto Esquecido
Lia, uma jovem exploradora de 24 anos, atravessava o Deserto de Aramun, um lugar
que os mapas modernos já não assinalavam. A areia parecia infinita, e as lendas
diziam que ali estava enterrada uma cidade perdida, consumida pelo tempo e pelas
maldições.
Desde criança, Lia ouvira o avô contar histórias sobre o Guardião das Areias, um
ser imortal que protegia os segredos da cidade. Enquanto os outros riam das lendas,
ela cresceu a acreditar nelas. Agora, guiada por um antigo diário de família,
estava decidida a encontrar a cidade perdida de Nymara.
Capítulo 2 – O Homem das Dunas
Ao anoitecer, quando as estrelas iluminavam o deserto, Lia viu uma figura solitária
aproximar-se. Era um homem de pele bronzeada, com olhos dourados como o próprio
sol.
— O que procuras nas terras proibidas? — perguntou ele, a voz profunda ecoando na
areia.
— A verdade. — respondeu Lia. — A cidade de Nymara.
O homem sorriu, mas os seus olhos brilharam de forma estranha.
— Eu sou o que resta de Nymara. Se continuares, não haverá regresso.
Ele desapareceu como se fosse engolido pelo vento, deixando apenas pegadas que se
desfizeram em pó.
Capítulo 3 – As Ruínas
Três dias depois, exausta e quase sem água, Lia avistou colunas partidas erguidas
na areia. Eram as ruínas de Nymara.
No centro, um portão gigantesco de pedra estava coberto por inscrições antigas. Lia
tocou na pedra e sentiu um calor percorrer-lhe o corpo. A porta abriu-se sozinha,
revelando escadarias que desciam para a escuridão.
Ao descer, encontrou corredores adornados com mosaicos que contavam a história de
um império glorioso, destruído por uma praga de fogo e areia.
Capítulo 4 – O Guardião
No coração da cidade subterrânea, uma sala imensa abrigava um trono de cristal. E
nele, sentado, estava o mesmo homem que encontrara no deserto.
— Eu avisei. — disse ele, levantando-se. — Sou Amon-Ra, último rei de Nymara,
condenado a guardar estas ruínas até o deserto me engolir por completo.
Lia percebeu então que ele não era humano. A pele cintilava como vidro sob o sol, e
a areia parecia mover-se ao seu redor como se o obedecesse.
— O que procuras aqui pode ser a tua ruína. — avisou.
Capítulo 5 – O Coração de Cristal
No trono, Lia viu uma esfera azul brilhante: o Coração de Cristal, a joia que,
segundo o diário do avô, continha a energia vital de Nymara.
— Se a retirares, libertarás a cidade do esquecimento. — disse Amon-Ra. — Mas
também libertarás a maldição que a destruiu.
Lia hesitou. O peso da escolha esmagava-lhe o peito. Seria melhor deixar a cidade
adormecida, ou arriscar-se a devolver-lhe a glória?
Capítulo 6 – A Escolha
Com as mãos trémulas, Lia agarrou o cristal. O chão tremeu, e a cidade subterrânea
começou a erguer-se, libertando-se da areia. Colunas, templos e muralhas renasciam
diante dos seus olhos.
Mas com elas também surgiram figuras sombrias, soldados feitos de poeira e fogo,
que outrora haviam destruído Nymara.
Amon-Ra ergueu os braços e gritou:
— Eu avisei! Agora cabe a ti lutar pelo futuro desta terra!
Capítulo 7 – A Batalha das Areias
Lia correu pelas ruas renascidas, enquanto o cristal pulsava nas suas mãos. Os
soldados da areia perseguiam-na, mas o poder da joia permitia-lhe afastá-los com
rajadas de luz.
No entanto, cada ataque drenava-lhe a força. Sentia-se mais fraca a cada passo.
Amon-Ra juntou-se a ela. Apesar de condenado, lutava ao seu lado, invocando
muralhas de areia para conter os inimigos.
— Só há uma forma de acabar com isto. — disse ele, apontando para o céu. — Leva o
cristal até ao topo do Templo do Sol e devolve-o à eternidade.
Capítulo 8 – O Sacrifício
Escalando as escadas do templo, Lia ergueu o cristal ao sol nascente. A luz
refletiu-se, iluminando toda a cidade. Os soldados desintegraram-se, gritando em
eco.
Mas o poder também consumia Amon-Ra. O Guardião caiu de joelhos, sorrindo com
tristeza.
— Obrigado, viajante. Libertaste-me da minha prisão.
Com o último suspiro, transformou-se em poeira dourada, espalhando-se pelo vento.
Epílogo – O Segredo do Deserto
Quando o sol se ergueu totalmente, a cidade voltou a ser engolida pela areia,
desaparecendo como miragem.
Lia ficou sozinha no deserto, o cristal já desaparecido. Muitos diriam que fora
loucura. Mas ela sabia o que vira.
E, no silêncio do deserto, jurou que um dia regressaria. Porque Nymara não estava
destruída… apenas adormecida.