Aderito Elias Dionisio
ANÁLISE DA GESTÃO DAS INFRAESTRUTURAS ESCOLARES EM MOÇAMBIQUE:
ESTUDO DE CASO DA ESCOLA BÁSICA DE CHICA, DISTRITO DE
RIBAUE,PROVINCIA DE NAMPULA (2022 Á 2026)
Mocambique
Nampula
2025
1. Tema
Análise da Gestão das Infraestruturas Escolares em Moçambique: Estudo de Caso da
Escola Básica de Chica (2022 á 2026)
1.1. Problema
Em Moçambique, a realidade das infraestruturas escolares continua a ser marcada por grandes
carências e desigualdades. De acordo com o Ministério da Educação e Desenvolvimento
Humano (MINEDH), muitas escolas do ensino básico não possuem edifícios adequados,
carteiras suficientes, nem instalações sanitárias condignas. Em várias zonas do país, sobretudo
nas áreas rurais, é comum os alunos estudarem debaixo de árvores, sem protecção contra o sol
ou a chuva, e frequentemente sentados no chão por falta de mobiliário.
De acordo com Garcia et al., (2014) a infra-estrutura do espaço escolar influencia no trabalho
dos professores, bem como no desempenho dos alunos.
Entretanto, em Moçambique, o sector da educação é um dos que mais carecem de
infraestruturas escolares para suas operações educativas, em particular as escolas do ensino
primário, e esse facto é notório nas escolas situadas nas áreas rurais e suburbanas (Chaque,
2019, p. 2).
Ainda de acordo com o mesmo autor, nessas instituições escolares as suas infra-estruturas
apresentam fissuras nas paredes, coberturas desalojadas, as portas, as janelas, os vidros e
outros materiais pedagógicos encontram-se num estado degradado. Nos dias chuvosos ou de
vendaval as aulas não decorrem normalmente, o que, de algum modo, pode constituir um
perigo para saúde e influenciar negativamente no empenho pedagógico dos principais agentes
do PEA.
Este cenário, para além de comprometer a qualidade do ensino, reflecte uma profunda
fragilidade na gestão das infraestruturas escolares. Não se trata apenas de falta de recursos
financeiros, mas também de ausência de planeamento, de manutenção regular, de
acompanhamento técnico e de uma cultura de responsabilidade e transparência na
administração das escolas.
A Escola Básica de Chica, espelha esta realidade. O edifício escolar encontra-se degradado,
com salas danificadas, janelas e portas em falta, e número insuficiente de carteiras, obrigando
os alunos a sentarem-se no chão. Em alguns casos, as aulas decorrem ao ar livre, sob árvores,
devido à carência de salas de aula utilizáveis. A inexistência de um plano de manutenção,
aliada à negligência das autoridades locais, contribui para o agravamento contínuo das
condições físicas da escola. Perante esta situação levanta-se a seguinte questão: Como é feita
a gestão das infraestruturas escolares na Escola Básica de Chica, e de que forma essa gestão
(ou a falta dela) influencia o processo de ensino-aprendizagem?
1.2. Delimitação do tema
Este estudo centra-se na análise da gestão das infraestruturas escolares em Moçambique, com
enfoque particular na Escola Básica de Chica, situada no distrito de Ribáuè, província de
Nampula. A investigação abrange o período de 2022 a 2026.
1.3. Justificativa
A escolha do presente tema deveu-se, fundamentalmente, ao facto de o pesquisador ter
realizado uma das suas Práticas Pedagógicas na Escola Básica de Chica, no distrito de Ribáuè,
província de Nampula, tendo constatado, no decorrer das actividades lectivas, diversas
limitações relacionadas com as infraestruturas escolares. Durante as aulas, foi possível
observar alunos a estudarem debaixo de árvores, por ausência de salas de aula em número
suficiente e em condições adequadas. Muitos sentavam-se no chão, devido à falta de carteiras,
e outros partilhavam os poucos espaços disponíveis em salas improvisadas e degradadas,
construídas com materiais precários.
Esta vivência directa permitiu ao pesquisador perceber que a problemática da infraestrutura
escolar ultrapassa as estatísticas e os relatórios oficiais — é uma realidade vivida diariamente
por professores e aluno, que compromete não apenas o conforto físico, mas também a
motivação, o rendimento e o direito a uma educação de qualidade.
A nível académico, esta investigação é relevante porque contribui para o aprofundamento do
debate sobre a gestão das infraestruturas escolares no contexto moçambicano, tema ainda
pouco explorado com a profundidade que a sua gravidade exige. A nível social, visa lançar
luz sobre uma situação que afecta milhares de crianças em idade escolar, muitas das quais
abandonam ou evitam a escola devido às condições precárias dos espaços de aprendizagem.
Ao estudar o caso concreto da Escola Básica de Chica, espera-se não apenas identificar os
principais desafios de gestão enfrentados pela instituição, mas também contribuir com
recomendações práticas que possam ser adaptadas a outras escolas com realidades
semelhantes, promovendo assim uma melhoria gradual e sustentável das condições de ensino
no país.
1.4. Objectivos
1.4.1. Geral
Analisar como é feita a gestão das infraestruturas escolares na Escola Básica de Chica.
1.4.2. Específico
Descrever o estado actual das infraestruturas escolares na Escola Básica de Chica;
Identificar os principais desafios na gestão e manutenção dessas infraestruturas;
Explicar as percepções dos pais encarregados de educação, alunos, professores e
gestores sobre a gestão das infraestruturas escolares.
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Neste capítulo faz-se uma breve revisão acerca dos principais conceitos nomeadamente: Infra-
estruturas escolares e o processo de ensino-aprendizagem. Aqui também desenvolvem-se
conteúdos relacionados ao tema à luz de vários autores.
2.1. Definição de Conceitos
2.1.1. Infra-Estruturas Escolares
Segundo Gonçalves (2007), infra-estrutura é o conjunto de elementos ou serviços
considerados necessários para que uma organização possa funcionar ou para que uma
actividade se desenvolva efectivamente. O termo infra-estrutura possui diversas acepções em
diferentes campos, sendo que neste trabalho vai-se olhar para as infra-estruturas escolares.
De acordo com Soares et al., (2013), infra-estrutura escolar refere-se ao ambiente físico da
escola propenso ao estímulo para aprendizagem, podendo reduzir a desigualdade entre as
escolas e promover melhores interacções humanas.
Daniela (s.d), o conceito de infra-estrutura escolar vai desde itens básicos, como o
fornecimento de água, energia eléctrica, manutenção e limpeza dos ambientes, salas de aulas
confortáveis com mobiliários adequados e de boa qualidade, banheiros e cozinha, passando
por locais de convivência como parques e brinquedoteca. Além de espaços de apoio
didácticos como bibliotecas, laboratórios, quadras, entre outros espaços para organização do
funcionamento do colégio, como salas de professores, coordenadores e directores, secretarias,
etc. Passando também por equipamentos e materiais didáctico-pedagógicos, como
computadores com acesso à internet e demais insumos tecnológicos.
Entretanto, as definições acima apresentadas são complementares e com base nelas entende-se
como sendo infra-estruturas escolares o conjunto de condições físicas (edifícios), materiais
(didáctico-pedagógicos) e equipamentos que cada escola apresenta para prosseguir os fins
para os quais foi estabelecida.
2.1.3. Processo de Ensino-Aprendizagem
De acordo com Libânio (1994), o processo de ensino-aprendizagem constitui uma actividade
de colaboração entre professores e alunos orientados pelo docente com a finalidade de
fornecer as condições e meios para que os alunos assimilem activamente conhecimento,
habilidades e convicções, ou seja, é uma actividade pedagógica relacionada com os factores
internos (escola) e externos (família).
O MINEDH (2014) define o PEA como sendo o conjunto de todos aspectos que favorecem a
aprendizagem e aplicação da capacidade de leitura, escrita, contagem e cálculo numérico de
todas as crianças e adolescentes ao longo do ensino básico.
Já Fernandez (1998) afirma que o PEA é a apropriação do conhecimento ao desenvolvimento
intelectual e físico do aluno, a formação de sentimentos, qualidade e valores que, alcancem os
objectivos gerais e específicos.
Assim, para o trabalho, vai-se usar o conceito apresentado pelo MINEDH (2014), que refere
que é o conjunto de todos aspectos que favorecem a aprendizagem e aplicação da capacidade
de leitura, escrita, contagem e cálculo numérico de todas as crianças e adolescentes ao longo
do ensino básico. Escolhe-se o conceito porque traz um conceito de PEA que se enquadra no
contexto do nosso estudo que é o ensino básico, pois este trabalho vai abordar o PEA no
âmbito do ensino básico.
2.2. Abordagem sobre Infra-Estruturas Escolares
A infra-estrutura educacional é uma das componentes fundamentais no resultado da qualidade
da educação como um todo. E quando esta questão básica não é preenchida, ou mesmo
ignorada, além de acarretar aos profissionais da educação certo desconforto para a realização
do trabalho, os mantém de mãos atadas para o efectivo exercício do ensino (Silva et al.,
2014).
Por sua vez, Demo (2001) refere que a qualidade converge com a ideia de bem feito e
completo. A educação é o termo resumo da qualidade na área social e humana, pois ele
entende que não se tem como chegar à qualidade sem educação. Essa educação, por sua vez,
exige construção e participação, precisa de currículo, prédios, equipamentos, mas, sobretudo,
de bons professores, de gestão criativa e de ambiente construtivo, participativo, sobretudo, de
alunos construtivos e participativos para a qualidade se efectivar.
Ainda o mesmo autor refere que para ter uma educação de qualidade é necessária uma série
de factores tais como boa estrutura escolar assim como funcionamento, professores
qualificados, bem remunerados, que participem das decisões que envolvem o ensino, tais
como a escolha do material didáctico por exemplo, é preciso que todos que integram a escola
tenha compromisso com a educação.
Importa notar, segundo Moran (2000) que o espaço escolar tornou-se um ambiente formador
de personalidades e de representações. Sua estrutura física deve ser atractiva para os alunos de
forma que eles possam sentir-se à vontade para desenvolverem suas actividades
socioeducativas e desenvolverem seu pensamento crítico. Pode-se considerar o espaço escolar
como um forte potencial para o desenvolvimento de actividades cognitivas e motoras,
tornando-se, assim, cenário de múltiplos interesses.
Analisar o espaço escolar é um factor importante para que se possa compreender sua relação
com a aprendizagem. Uma escola sem uma estrutura física adequada pode criar num aluno um
quadro mental de abandono ou de desvalorização da educação pelo Estado e até mesmo pela
sociedade. De acordo com Davis e Oliveira (1993), o espaço escolar não é apenas um
continente, um recipiente que abriga alunos, livros, professores, um local em que se realizam
actividades de aprendizagem.
Mas é também um conteúdo, ele mesmo educativo. Escola é mais do que 4 paredes, é clima,
espírito de trabalho, produção de aprendizagem, relações sociais de formação de pessoas. O
espaço tem que gerar ideias, sentimentos, movimentos no sentido da busca do conhecimento,
tem que despertar interesse em aprender, além de ser algo alegre, aprazível e confortável, tem
que ser pedagógico. O aluno aprende dele lições sobre a relação entre corpo e a mente, o
movimento e o pensamento, o silêncio e o barulho do trabalho que constroem conhecimento.
Tem-se, assim, a necessidade de um ambiente que forneça subsídios para tal integração.
Estudar num ambiente agradável, reconhecendo a variedade de circunstâncias que cada escola
apresenta, pode contribuir positivamente no processo de aprendizagem e ao mesmo tempo
tornar-se estimulante.
Por outro lado, estudar em um local onde as estruturas são precárias, com péssimas condições
estruturais pode desestimular ou até mesmo contribuir para um possível afastamento do aluno
da escola. Um ambiente com recursos estruturais escassos torna-se um ambiente sem vida e
sem a menor chance de promover qualquer tipo de actividade instrutiva. A educação é um
processo social que ajuda a formar cidadãos deve-se dar devida atenção à infra-estrutura e ao
espaço fisco escolar uma vez que é na escola que o aluno passará grande parte de seu tempo,
(SILVA, et al., 2014).
2.2.1. Factores que Contribuem para a Degração das Infra-Estruturas Escolares
De acordo com Costa (1999) as infra-estruturas escolares têm um papel essencial na formação
de toda comunidade escolar, pois garante o conforto e o bem-estar de todos os seus utentes.
Por outro lado, a questão da degradação das infra-estruturas não só afecta negativamente aos
alunos, atinge a comunidade geral da escola, embora em diferentes aspectos.
A degradação das infra-estruturas escolares é vista por Gonçalves (2007, p. 6) e Pereira (2012,
p. 86) como tendo origem em diversos erros que podem ocorrer desde a fase de concepção até
à de exploração e que são agravados pela acção dos agentes exteriores e pela negligência nas
acções de manutenção e reparação ligeira. Assim as possíveis causas da degradação das infra-
estruturas são:
a) Causa Estrutural
De acordo com Pereira (2012, p. 86), as causas estruturais estão relacionados com efeitos
mecânicos sobre o edifício e estas podem surgir devido à sobrecarga excessiva, reduzida
resistência do betão, deficiente recobrimento, desencaixe entre os elementos e deformação
excessiva dos elementos estruturais.
b) Erros de Projecto
De acordo com Gonçalves (2007, p. 10), os erros de projecto devem-se a falhas de concepção
e de dimensionamento por sua vez devidas à falta de conhecimento dos projectistas, à
repetição dos mesmos erros, à falta de informação disponível e de comunicação, contribuindo
para uma acelerada degradação com altos custos de manutenção.
A economia e rapidez pretendidas na elaboração dos projectos de estabilidade, o aparecimento
de novos materiais, as soluções arquitectónicas arrojadas, a errada avaliação da resistência do
solo de fundação, a incorrecta utilização de programas de cálculo automático e o desrespeito
pelas possíveis deformações da solução construtiva adoptada conduzem a deformações
induzidas pelo edifício, má concepção das redes de distribuição e drenagem de águas, má
qualidade dos materiais usados, humidade do terreno, insuficiente resistência da parede,
(Gonçalves, 2007, p. 1)
c) Erros de Execução
Os erros de execução são vastos e podem ir desde uma deficiente compreensão do projecto,
no que respeita aos pormenores construtivos e às características a exigir aos materiais, até às
deficiências no planeamento, utilização de tecnologia desadequada e mão-de-obra não
qualificada. Nesses erros temos a deficiente ventilação, rigidez excessiva na ligação entre
elementos, (Gonçalves, 2007, p. 10).
d) Acções Ambientais
Para Pereira (2012, p. 86) as acções ambientais referem-se a efeitos físicos ou químicos sobre
os materiais decorrentes do meio envolvente que pode ser devido à humidade, secagem,
exposição ao vento, chuva e poluição.
Segundo Gonçalves (2007, p. 9) as acções ambientais mais importantes são as de carácter
higrotérmico. As variações de temperatura provocam a dilatação e contracção das paredes,
dos elementos confinantes e dos diversos materiais que as compõem, gerando tensões
significativas não só no seu seio como nas ligações a outros elementos, que podem resultar
em fissurações ou empolamentos. As mudanças higroscópicas provocam também variações
dimensionais, especialmente nos materiais mais porosos, que podem ser ou não reversíveis,
dependendo do tipo de material e da sua produção.
e) Causa Temporal
Segundo Pereira (2012, pp. 86-87), estas causas estão relacionadas com a passagem do tempo
que podem ser devido ao envelhecimento natural, carbonatação e falta de estanquidade a
agentes agressivos exteriores.
f) Causa Humana
As causas humanas agrupam-se em situações de acção humana sobre o edifício ou infra-
estrutura que pode ser devido a falta de manutenção, vandalismo e deficiente reparação
(Pereira, 2012, p. 87).
g) Falta de Manutenção
As acções de manutenção correspondem a uma série de medidas ligeiras aplicadas à
construção de forma a permitir que esta desempenhe as suas funções de forma satisfatória
durante o seu período de vida útil. A não implementação de uma estratégia de manutenção
permite a evolução das anomalias e contribui para o aparecimento de outras, aumentando o
custo de reparação, (Gonçalves, 2007, p. 10).
2.2.2. Influência das Infra-Estruturas Escolares na Aprendizagem
A literatura internacional sobre os determinantes educacionais indica que as condições de
infra- estrutura das escolas têm pouco ou nenhum impacto sobre o desempenho dos
estudantes. Estudos conhecidos internacionalmente, como o Relatório Coleman (1966) e o
trabalho realizado por Hanushek (2003) sobre os insumos escolares, ambos nos EUA,
apontaram que os factores que mais influenciam o desempenho dos alunos são os
relacionados ao background1 familiar do aluno.
Nos últimos anos, os estudos sobre os determinantes da educação destacam a estreita
associação entre infra-estrutura e aprendizagem. Franco e Bonamino (2005) apontam que é
inegável a relevância dos recursos escolares para a aprendizagem do aluno nos países em
desenvolvimento porque ainda há uma grande variabilidade nos recursos escolares
disponíveis nas escolas, o que não ocorre nos países desenvolvidos.
Dentre os estudos dessa natureza, destaca-se a pesquisa realizada por Riani (2004), que
analisou o efeito dos recursos sobre a probabilidade dos indivíduos de 7 a 14 anos
frequentarem a escola nos municípios de Minas Gerais no Brasil, verificando que escolas com
biblioteca, quadras e laboratórios de ciências exercem influência significativa para a
assiduidade à escola.
Ao nível nacional tem-se o estudo de Chaque (2019), sobre o papel das infra-estruturas
escolares no processo de ensino e aprendizagem na Escola Primária do 1o e 2o graus de
Cumbeza que constatou que as infra-estruturas organizadas e preservadas podem influenciar o
aproveitamento escolar dos principais agentes do PEA.
O pressuposto subjacente a todos esses estudos é o de que quanto melhor a infra-estrutura
escolar, melhor será o ambiente de estudo, o que favorecerá o desempenho discente. A
respeito disso, Sátyro et al., (2007, p. 3) destaca que “a infra-estrutura escolar pode exercer
influência significativa sobre a qualidade da educação”, sendo necessário conhecer melhor a
condição actual das escolas do país. Tais autores ainda destacam a pouca atenção dada ao
tema. Sinalizam que a riqueza de dados sobre as condições materiais das escolas,
sistematicamente levantadas pelo Censo Escolar realizado pelo INEP/MEC, é pouco
aproveitada.
No entanto, apesar da relevância de tais estudos, cabe o alerta de Franco e Bonamino (2005)
de que os recursos por si mesmos não são requisitos suficientes para garantir o aumento do
desempenho dos alunos, pois este ocorre em função da interacção de diferentes factores. Além
disso, os autores também enfatizam que se faz premente considerar não somente a presença
ou ausência de tais materiais, mas também se eles, quando presentes, são efectiva e
coerentemente usados no âmbito escolar.
2.2.2. Estratégias de Melhoria de Infra-estruturas Escolares
Para diversos especialistas, a infra-estrutura escolar deve ser considerada como um ponto
importante de investimento do colégio, permitindo que parte do dinheiro que chega para
aplicar na administração da instituição, seja direccionado para melhorar aspectos das
estruturas básicas, físicas, de apoio ou didácticas.
De acordo com a Eduxe (2018), o primeiro e mais primordial de todos os cuidados que a
escola deve tomar envolve o seu espaço físico. Salas de aula confortáveis, bons pátios, uma
boa estrutura de cantina e banheiros, espaços de trabalho confortáveis e acolhedores para a
equipe pedagógica e administrativa, dentre outros. Não faz sentido começar a olhar para
outras questões sem que a instituição tenha condição de oferecer a toda a comunidade escolar
uma boa infra- estrutura básica para que o processo de ensino/aprendizagem e convívio social
aconteça de maneira saudável e confortável.
Chaque (2019), ao tratar sobre as estratégias para lidar com o problema de degradação das
infra- estruturas defende as seguintes estratégias:
As escolas devem desenvolver uma parceria com todas as estruturas organizacionais,
envolvendo os sectores privados, organizações sociais e civis, na resolução dos
problemas internos concernente à degradação e falta de infra-estruturas escolares;
A direcção da escola, em conjunto com o conselho da escola, adopta medidas
possíveis para sensibilizar a comunidade geral da escola a participar activamente na
resolução dos problemas internos da escola de forma a melhorar a degradação das
infra-estruturas da instituição;
A manutenção para preservar o ciclo de vida das infra-estruturas.
CAPÍTULO III – METODOLOGIA
Este capítulo apresenta os procedimentos metodológicos que serão adotados na pesquisa
intitulada׃Análise da Gestão das Infraestruturas Escolares em Moçambique: Estudo de Caso
da Escola Básica de Chica, Distrito de Ribáuè, Província de Nampula (2022–2026). A
metodologia será orientada por princípios científicos que assegurem a validade e a
confiabilidade dos dados, respeitando a relação entre o objeto de estudo e os procedimentos
investigativos.
Conforme Marconi & Lakatos (1995), “uma metodologia deve ter uma relação com o objeto
de estudo”. Garcia (1998) acrescenta que a metodologia é “um procedimento racional e
ordenado, como uma forma de pensar que implica utilização reflexiva para alcançar os
objetivos.” Assim, a pesquisa será guiada por tais fundamentos teóricos.
3.1. Tipo de Pesquisa
3.1.1. Quanto à abordagem
A pesquisa adotará uma abordagem qualitativa, por permitir uma análise aprofundada das
práticas e percepções relacionadas à gestão das infraestruturas escolares, valorizando os
significados atribuídos pelos sujeitos envolvidos.
3.1.2. Quanto aos objectivos
Será uma pesquisa de natureza exploratória e descritiva. Será exploratória por investigar
uma temática ainda pouco desenvolvida no contexto rural moçambicano. Será descritiva por
buscar caracterizar os processos de gestão e as condições físicas da escola.
3.2. Quanto aos procedimentos técnicos
3.2.1. Pesquisa bibliográfica
Inicialmente, será realizada uma pesquisa bibliográfica com base em obras acadêmicas,
relatórios oficiais e artigos científicos sobre gestão escolar, infraestrutura educacional e
políticas públicas. Esta etapa fornecerá o embasamento teórico necessário para a análise da
realidade estudada.
3.2.2. Pesquisa de campo
Em seguida, será feita uma pesquisa de campo na Escola Básica de Chica, por meio de visitas,
observações diretas e entrevistas com os principais atores da gestão escolar e da comunidade
educativa.
3.2.3. Método
O método adotado será o hermenêutico-interpretativo, que permite compreender e
interpretar os significados das práticas de gestão no contexto escolar. Esse método será
adequado para captar a subjetividade dos atores envolvidos.
3.3. Técnicas de Recolha de Dados
3.3.1. Entrevistas semiestruturadas
Serão aplicadas entrevistas com gestores, professores, técnicos do SDEJT e membros da
comunidade escolar. As entrevistas permitirão compreender as práticas, dificuldades e
percepções sobre a gestão das infraestruturas.
3.3.2. Observação direta
Será realizada observação direta das condições físicas da escola (salas de aula, sanitários,
cobertura, mobiliário, etc.), com registro fotográfico e anotações descritivas.
3.3.3. Análise documental
Serão recolhidos e analisados documentos escolares, como relatórios de manutenção, atas de
reuniões e planos de ação da escola, para melhor compreender os mecanismos de gestão
adotados.
3.4. Informantes da Pesquisa
Os informantes serão selecionados de forma intencional, considerando sua ligação direta com
a gestão da escola. Estima-se a participação de aproximadamente 20 a 25 informantes,
incluindo gestores escolares, professores, membros do conselho escolar, encarregados de
educação e técnicos do SDEJT.
4. Cronograma da Pesquisa
Atividades Período
202 2023 202 2025 2026
2 4
1. Definição do tema e problema de pesquisa X
2. Revisão bibliográfica X X
3. Elaboração da proposta de pesquisa
4. Aprovação ética e formalização do estudo X
5. Planejamento metodológico e elaboração de X
instrumentos
6. Trabalho de campo: coleta de dados X
7. Análise e interpretação dos dados X X
8. Redação do relatório parcial X
9. Discussão dos resultados e elaboração do relatório final X X
10. Apresentação e defesa da pesquisa (se aplicável) X
Elaborado por autor 2025
Referências bibliográficas
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Moçambique: desafios e perspetivas. Maputo: Universidade Pedagógica.
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Anexos
Estado actual das escolas
As salas de aulas onde os alunos estudam