Notas de Equações Diferenciais Parciais
Notas de Equações Diferenciais Parciais
Notas de EDP
23 de junho de 2025
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Conteúdo
0 Informações sobre a Disciplina 6
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7 Aula 07 - 24 de Março, 2025 47
7.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
7.2 Séries de Fourier . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
Página 3 de 158
17 Aula 17 - de Maio, 2025 100
17.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100
17.2 Introdução à Equação de Laplace . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100
17.3 Existência e Unicidade da Solução para Equação de Laplace. . . . . . 104
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27 Aula 28 - 18 de Junho, 2025 153
27.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 153
27.2 Teoremas de Existências e Unicidades. . . . . . . . . . . . . . . . . . 153
27.3 Problemas não homogêneos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 155
Página 5 de 158
0 Informações sobre a Disciplina
Serão feitas duas avaliações oficiais e uma sub:
Prova 1) 05/05/2025;
Prova 2) 30/06/2025;
Prova S) 07/07/2025.
Provinha 1) 26/03/2025;
Provinha 2) 23/04/2025;
Provinha 3) 21/05/2025;
Provinha 4) 11/06/2025.
∂k u
k
∂ u (x ) B (x ), i 1, . . . , i k ∈ {1, . . . , n } .
∂x 1 . . . ∂x i k
Poderíamos definir EDPs para entradas complexas da função também, ou seja, to-
mando x ∈ Ãn , F com valores em ÃN e u : U ⊆ ÃN → Ãm . Dito isso, aproveitamos
a equação acima para definir algumas terminologias:
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• O número de variáveis é n, pois u depende de n variáveis;
que pode parecer pouco funcional. Sendo assim, alguns exemplos mais concretos
seguem:
Exemplo 1. O gradiente é um operador de derivadas parciais para uma função
u : U → Ò da forma
∂u ∂u
+u (x ) = (x ), . . . , (x ) .
∂x 1 ∂x n
Assim, uma EDP com este operador para igualdade com f : U → Òn , em que U
ainda é um aberto de Òn , seria da forma
∂u ∂u
+u (x ) = f ⇐⇒ (x ), . . . , (x ) = (f1 (x ), . . . , fn (x )),
∂x 1 ∂x n
que, de maneira explícita, significa resolver o sistema
∂u
∂x 1 = f1
..
.
∂u
= fn .
∂x n
Observe, então, que este sistema está sobredeterminado, pois temos apenas uma
função para n equações.
Exemplo 2. Para um exemplo de sistema subdeterminado, considere novamente U
um aberto de Òn , u : U ⊆ Òn → Òn , em que n é maior ou igual a 2, e f : U → Ò.
Com isto, podemos estudar a equação
∂u 1 ∂u n
+ · u (x ) B +...+ =f,
∂x 1 ∂x n
fornecendo um sistema com uma equação e n funções.
Ao estudar EDPs, é comum se deparar com a chamada notação de multi-índice.
Nela, consideramos um vetor de números reais α = (α1, . . . , αn ) ∈ În0 tal que
|α | = α1 + α2 + . . . + αn .
x α = x 1α1 · . . . · x nαn
∂ |α |
∂nα = ∂xα11 . . . ∂xαnn =
∂ α1 x 1 . . . ∂ αn x n
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Exemplo 3. 1) Para n = 2 e α = (2, 1), teríamos
∂ 3u
x α = x 1α1 x 2α2 = x 12 x 21 & ∂xα u = .
∂ 2x1 ∂ x2
∂ 3u
x α = x 11 x 20 x 32 & ∂xα u = .
∂ x1 ∂ 2x2
Quando a igualdade é com zero (f(x) = 0), chamamos esta EDP de homogênea;
caso contrário, ela é não-homogênea.
∂ 2u ∂ 2u ∂ 2u ∂u ∂u
a 20 (x ) 2
+ a 11 (x ) + a 0 2(x ) 2
+ a 10 (x ) + a 01 (x ) + a 00 (x ) = f (x ),
∂x 1 ∂x 1 ∂x 2 ∂x 2 ∂x 1 ∂x 2
mas por que isso é chamado linear? Pois existe uma função T : C k (U ) → C (U ) tal
que, ao ser aplicada em U, coincide com o lado esquerdo da equação, ou seja,
Õ
Tu = a α (x )∂nα u (x ),
|α |≤k
a α (x )∂ α u (x ) + F (x, u (x ), ∂ 1u (x ), . . . , ∂ k −1u (x )) = 0,
Õ
|α |=k
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Exemplo 5. 1 (Equação do Transporte): A equação do transporte é uma
EDP de primeira ordem linear construída a partir de uma função u : U × Ò ⊆
Òn × Ò → Ò dada por
n
∂u Õ ∂u
(x, t ) + b j (x, t ) (x, t ) = f (x, t ).
∂t j =1
∂x j
∂ 2u ∂ 2u
∆u (x ) B + . . . + ,
∂x 12 ∂x n2
∆u = + · +u (x ) = div(gradu (x )),
ou seja,
∂u ∂u ∂ ∂u ∂ ∂u
+ · (+u) = + · ,..., = +...+ = ∆u (x ).
∂x 1 ∂x n ∂x 1 ∂x 1 ∂x n ∂x n
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em que u : U × [0, ∞[→ Ò, onde (mais uma vez) U ⊆ Òn é aberto e ∆(−) é o
operador Laplaciano. Alguns casos particulares, por exemplo,
∂u ∂ 2u
n=1: = k 2 +f
∂t ∂x2
∂ u ∂ 2u
∂u
n=2: =k + +f
∂t ∂x 2 ∂ y 2
2
∂ u ∂ 2u ∂ 3u
∂u
n=3: =k + + +f
∂t ∂x 2 ∂ y 2 ∂z 3
∂ 4u
n Õ n
2
Õ
∆ u = f ⇐⇒ (x ) = f (x )
i =1 j =1
∂x i2 x j2
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9 (Eikodal): entramos, com esta, nos exemplos menos intuitivos. Ela é uma
EDP de primeira ordem totalmente não-linear baseada em ∥+u (x )∥ = 1, ou
seja, da forma
2 2
∂u ∂u
+...+ = 1.
∂x 1 ∂x n
forma
det (D 2u (x )) = f (x ).
12 (Meio Poroso): outra equação de segunda ordem quasilinear, dessa vez to-
mando um γ , 0, com forma
∂u ∂u ∂ 3u
+u + = 0,
∂t ∂x ∂x 3
donde percebemos também que ela é semilinear.
∂ 2u ∂ 2u ∂ 2u ∂u ∂u
a + b + c + d + e +f = 0
∂x 2 ∂x ∂ y ∂y2 ∂x ∂y
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e dissecaremos partes dela. Para facilitar, considere o esquema de cores nela:
∂ 2u ∂ 2u ∂ 2u ∂u ∂u
a 2
+ b + c 2
+d +e + f = 0.
∂x ∂x ∂ y ∂y ∂x ∂y
Quanto ao termo vermelho, ele é o de ordem mais alta da EDP. Vamos fazer uma
2
mudança de variável para sumir com o termo misto ∂x∂ ∂uy : coloque η = Ax + B y e
ξ = C x + D y . Assim,
v (η, ξ) = u (x (η, ξ), y (η, ξ)) & u (x, y ) = v (η (x, y ), ξ (x, y )),
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2 Aula 02 - 26 de Fevereiro, 2025
2.1 Motivações
• Classificação de Segunda Ordem;
Uma observação é que podemos supor que (a i j ) é uma matriz simétrica, ou seja,
a i j = a j i . O porquê dessa liberdade é que temos
∂ 2u a i j + a j i ∂ 2u a i j − a j i ∂ 2u
n Õ
Õ n Õ n Õ n Õ n Õ n
ai j = + .
i =1 j =1
∂x i x j i =1 j =1
2 ∂x i x j i =1 j =1
2 ∂x i x j
Os termos em azul são, em si, simétricos como matrizes. Coloque a seguinte definição
de termos: a +a
αi j B i j 2 j i
a i j −a j i
βi j B 2 .
Então, αi j coincide com αj i por um simples critério de comutatividade da soma, e
β i j coincide na verdade com −β j i pelo mesmo argumento. Note que
∂ 2u ∂ 2u
n Õ
Õ n Õ n Õ n
βi j =− βi j
i =1 j =1
∂x i x j i =1 j =1
∂x i x j
∂ 2u
n Õ
Õ n
= βj i
i =1 j =1
∂x i x j
∂ 2u
n Õ
Õ n
(i B j ←→ j B i ) = βi j .
i =1 j =1
∂x i x j
Logo,
∂ 2u
n Õ
Õ n
2 βi j =0
i =1 j =1
∂x i x j
e, portanto,
∂ 2u
n Õ
Õ n
βi j = 0.
i =1 j =1
∂x i x j
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Em conclusão,
∂ 2u ∂ 2u
Õ n
n Õ ÕÕ n n
ai j = αi j ,
i =1 j =1
∂x i x j i =1 j =1
∂x i x j
em que (αi j ) é simétrico, o que significa que podemos usar os termos como simétricos
sem problemas.
∂ 2u
Doravante, nosso objetivo é “sumir” com os termos ∂x ix
sempre que i for diferente
j
de j. Para tal, seja B uma matriz n por n tal que
n
Õ
y = Bx & yi = Bi j xj .
j =1
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No fim das conta, substituindo isso na EDP original, passamos de
∂ 2u
n Õ n n
Õ Õ ∂u
ai j (x ) + bj + cu = f , a i j , b j , c ∈ Ò.
i =1 j =1
∂x i x j j =1
∂x j
a
∂ 2v
n Õ
n Õ n
n Õ n Õ n
Õ Õ ∂v
B k i a i j B ℓj (B x ) + Bk j bj (B x ) + cv (B x ) = f (x )
ℓ=1 k =1 i =1 j =1
∂ y ℓ y k k =1 j =1
∂ y k
∂ 2v
n n n n n n
ÕÕ ÕÕ Õ Õ ∂v
⇔ B k i a i j B ℓj (y ) + Bk j bj (y ) + cv (y ) = f (B −1 y )
ℓ=1 k =1 i =1 j =1
∂ yℓ yk k =1 j =1
∂ yk
Note que o termo dentro do parênteses grande pode ser escrito como
Õn Õn
B k i a i j B ℓi = (BAB T )k ℓ ,
i =1 j =1
∂ 2v
n
Õ
λℓ + ...,
ℓ=1
∂ y ℓ2
ou seja, existe uma matriz B ortogonal tal que v (y ) = u ◦ B T (y ) satisfaz
∂ 2v Õ Õ
n n n
Õ ∂v
λℓ 2
+ Bk j bj + cv = f .
ℓ=1
∂ y ℓ k =1 ℓ=1 ∂ yk
Agora sim, quanto à dita classificação, diremos que a EDP é
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• Elíptica se λ 1, . . . λ k > 0 ou λ 1, . . . , λ 2 < 0, ou seja, todos os autovalores
seguem o mesmo sinal;
• Hiperbólica se pelo menos um dos autovalores apresentar diferença no sinal
com relação aos outros;
• Parabólica se pelo menos um dos autovalores for nulo.
Para duas variáveis, estes critérios podem ser reescritos utilizando os determinantes!
Para entender por que, note que, se n = 2,
det (D ) = det (BAB −1 ) = det (B) det (A) det (B −1 ) = det (A),
e como
λ1 0
D= ,
0 λ2
obtemos como critérios
• Elíptica se det (A) > 0;
• Hiperbólica se det (A) < 0;
• Parabólica se det (A) = 0.
A expressão final encontrada é chamada Forma Normal.
Exemplo 6. Considere a EDP
∂ 2u ∂ 2u ∂ 2u ∂u ∂u
a 2
+ b + c 2
+d +e + f = 0.
∂x ∂x ∂ y ∂y ∂x ∂y
Fazendo
η = Ax + B y
ξ = Cx + D y,
temos o produto de matrizes
A B A C
M .
C D B D
Além disso, olhando para a equação original, podemos determinar que, nos termos
anteriores,
a 11 = a
a 22 = c
a 12 = 1 b, a 21 = 1 b,
2 2
ou seja,
b
a 2
M = b .
2 c
Utilizando isto, temos
A B a b2 A C λ1 0
BM B =
−1
= .
C D b2 c B D 0 λ2
Logo, para o critério dado derivadas às EDPs em duas variáveis,
b2
det (M ) = ac − .
4
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Exemplo 7. 1) Para a EDP
∂ 2u ∂ 2u ∂ 2u ∂u
2 − + + = 0,
∂x 2 ∂x ∂ y ∂ y 2 ∂ y
segue que
2 − 21
M = 1
− 2 1.
Portanto,
1
det (M ) = 2 + > 0,
4
donde temos esta EDP como elíptica
2) Considerando o Laplaciano,
∂2 ∂2
∆= + . . . + ,
∂x 12 ∂x n2
ou seja,
1 0 . . . 0
0 1 . . . 0
M = .. . . . .. → det (M ) = 1 > 0.
. .
0 . . . 0 1
Logo, o operador Laplaciano é elíptico.
3) Seguindo um raciocínio similar para a equação do calor,
∂u
− ∆u = 0,
∂t
temos
0 0 . . . 0
0 1 . . . 0
M = .. . . . .. .
. .
0 . . . 0 1
Sendo assim, os autovalores são 0 ou 1, o que indica que ela é uma equação
parabólica.
4) Fazendo o mesmo para a equação da onda,
∂ 2u
− ∆u = 0,
∂t 2
tal que
1 0 . . . 0
0 −1 . . . 0
M = .. . .. ,
. . . .
0 . . . 0 −1
o que quer dizer que ela tem como autovalores 1 ou -1, ou seja, é hiperbólica.
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5) Para a equação abaixo
∂ 2u ∂ 2u ∂ 2u
+ + x 3 2 = f (x 1, x 2, x 3 ),
∂x 12 ∂x 22 ∂x 3
a matriz obtida é
1 0 0
M = 0 1 0 .
0 0 x 3
Por lógica, faz sentido pensar que a taxa de variação do material depende do quanto
está sendo produzido (consome o material), ou do quanto está entrando ou saindo,
que é traduzido em
∫ ∫ ∫
d
u dx = f (t , x ) dx − F · n dS.
dt B B ∂B
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Se o termo em parênteses é contínuo, o fato da integral ser nula indica que ele é
constante e, consequentemente, devemos ter
∂u
++·F =f,
∂t
que é a chamada equação da continuidade. Podemos pensar que o fluxo que entra
ou sai depende do material presente na região e de uma certa velocidade v®; se ela
for constante, teremos
∂u
+ v®+u = f ,
∂t
que leva exatamente a forma que colocamos simplificada, a chamada Equação do
Transporte. Resolveremos ela como próxima etapa.
“volume” L dado pelo tamanho do intervalo Ω = (a, b), com fecho Ω = [a, b],
e com produto interno com a normal sendo u · n̂ = u (x ). Assim,
∫ ∫ ∫ b
du
dL = u (x )dx = u (x )dx.
(a,b) dx {a,b } a
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Lembrete! Propriedades do Divergente e Naplaciano
Como toda boa derivada, o operador gradiente, +, satisfaz a Regra de Leibniz
do Produto:
+ · (+f ) = ∆f .
f ∆f = +(f +f ) − +f · +f .
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3 Aula 03 - 10 de Março, 2025
3.1 Motivações
• Continuando os exemplos
γ ′ (t ) = V (γ (t )). □
V :Ω ⊆ Òn → Òn
V (x ) = (a 1 (x ), . . . , a n (x )), x = (x 1, . . . , x n ).
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Proposição. Se γ : [a, b] → Ω é uma curva integral e u é solução de uma equação
semilinear, então aplicar u à curva integral também resolve uma equação semilinear,
ou seja, v B u ◦ γ satisfaz
dv
(t ) = f (γ (t ), v (t ))
dt
Prova. Coloque v = u (γ (t )). Segue que, pela regra da cadeia,
n
dv Õ ∂u ′
(t ) = +u (γ (t ))γ ′ (t ) = (γ (t ))x j (t ).
dt j =1
∂x j
n n
Õ ∂u ′
Õ ∂u
(γ (t ))x j (t ) = (γ (t ))a j (γ (t )) = f (γ (t ), u ((γ (t )))),
j =1
∂x j j =1
∂x j
A receita encontrada no exemplo anterior pode ser usada para outros exemplos
também! Vamos vê-los.
∂u
(x, y ) + 1 ∂∂ yu (x, y ) = x 2
x ∂x
u (x, 0) = sin (x ).
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Seguindo os passos propostos na receita, o x cumpre o papel de a 1 (x, y ), o 1 cumpre
de a 2 (x, y ) e, assim, podemos ir ao primeiro passo: encontrar a γr . Note que
′
x r′ (s) = x (s), x r (0) = r & y r (s) = 1, y r (0) = 0.
Com isso, como são apenas EDOs comuns, podemos resolvê-las afim de encontrarmos
o seguinte resultado:
Logo,
γr (s) = (r e s , s).
O segundo passo, o de calcular o v, é feito por meio de
vr (s) = r 2 e 2s r2
′
⇒ vr (s) = A + (e 2s − 1).
vr (0) = sin (r ) 2
Como vr (0) = A, temos A = sin (r ) e, consequentemente,
r 2 2s
vr (s) = sin (r ) + (e − 1).
2
Por fim, o terceiro passo é encontrar G −1 , que permitirá a nós resolvermos a EDP
inicial. Neste sentido, temos
G (r , s) = γr (s) = (r e s , s) = (x, y ),
u (x, y ) = v ◦ G −1 (x, y ) = v (x e −y , y )
(x e −y ) 2 2y
= sin x e −y + (e − 1)
2
x 2 x 2 e −2y
= sin x e −y + − .
2 2
Exemplo 10. Agora, considere a EDP com problema de condição inicial
∂u
+ ∂∂ yu = u 2
x ∂x
u (x, 0) = sin (x ).
No primeiro passo, chegamos à conclusão de que
ou seja,
γr (s) = (r e s , s).
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Encontrada a gama, podemos partir ao passo dois:
G (r , s) = (r e s , s) ⇒ G −1 (x, y ) = (x e −y , y ),
Logo,
γr (s) = (r 1 e s , r 2 e s , s).
Página 24 de 158
Agora, podemos aplicar a mudança para v através de
G (r 1, r 2, s) = (r 1 e s , r 2 e s , s) = (x, y , z ),
u (x, y , z ) = v ◦ G −1 (x, y , z ) = v (x e −z , y e −z , z )
= (x 2 + y 2 )e −2z e z
= (x 2 + y 2 )e −z .
u (x, 0) = g (x )
x 1r′
(s) = b 1, x 1r (0) = r 1 ⇒ x r 1 (s) = r 1 + b 1 s
x 2r (s) = b 2, x 2r (0) = r 2 ⇒ x r 2 (s) = r 2 + b 2 s
′
..
.
x nr′
(s) = b n , x nr (0) = r n ⇒ x r n (s) = r n + b n s
t (s) = 1, t (0) = 0.
′
Logo,
vr′ (s) = f (r + sb, s), vr (0) = g (r ),
que pode ser resolvida colocando
∫ s
vr (s) = g (r ) + f (r + τb, τ)d τ
0
Página 25 de 158
tal que s corresponde a t e r corresponde a x-tb, ou seja,
G −1 (x, t ) = (x − t b, t ).
Portanto, ∫ t
u (x, t ) = g (x − t b) + f (x − t b + τb, τ)d τ.
0
Uma coisa bem legal desse caso é que ele deixa a possibilidade de olhar para
tipos particulares dele. Por exemplo,
∂t + b ∂x = 0
∂u ∂u
u (x, 0) = g (x )
mas, como a função f(x, t) é 0 neste caso, isto significa que a função que resolve esta
EDP é
u (x, t ) = g (x − t b).
Podemos observar como é o comportamento das curvas integrais de acordo com a
transformação de coordenadas
∂u
+ x ∂∂ yu = 0
−y ∂x
u (x, 0) = g (x )
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Derivando novamente, segue que
cuja solução é
x r (s) = A cos (s) + B sin (s).
Analogamente,
y r (s) = C cos (s) + D sin (s).
Continua na próxima aula...
Página 27 de 158
4 Aula 04 - 13 de Março, 2025
4.1 Motivações
• Continuação do exemplo da aula anterior;
• Condições de contorno;
• Equação de Calor.
cuja solução é
x r (s) = A cos (s) + B sin (s)
e
y r (s) = −B cos (s) + A sin (s).
Vamos supor que
x (0) = r & y (0) = 0,
tal que, comparando estes à solução dada,
Olhando para esta forma que a γr assume, notamos que as curvas integrais aqui
assumem o formato de círculos, com diâmetro diretamente proporcional ao r! Mas
se as curvas integrais são círculos, a EDP vai ter solução?
A reposta é que a solução não pode ser definida em todo Ò2 . O motivo disso é
que u (x (s), y (s)) deve satisfazer
d
u (x (s), y (s)) = 0,
ds
ou seja, u deverá ser constante. Porém, com estas curvas características e com base
na condição inicial, o que irá ocorrer é
isto é, olhando nos dois extremos do círculo, a função u deverá variar os valores. Se
a solução existisse, teríamos uma constante que assume valores diferentes, o que é,
no mínimo, meio estranho.
Página 28 de 158
O que acontece, já que temos este problema, se aplicarmos a receita? A ideia é
que ela fornecerá soluções locais perto da coordenada (r, 0) para cada r não-nulo. A
receita sempre funciona para achar uma solução próxima de (r, 0) desde que a n (r , 0)
seja não-nulo. Isto será mais explorado no exemplo seguinte!
Exemplo 15. Tomemos, em Ò2 ,
1 ∂x (x, y ) + 0 ∂∂ yu (x, y ) = 0
∂u
u (x, 0) = x .
Existe solução para essa? Se não, existe pelo menos solução local?
Se tiver solução, teremos, pelo Teorema Fundamental do Cálculo,
∫ x
∂u
u (x, 0) = u (x 0, 0) + (s, 0) ds,
| {z } | {z } x 0 ∂x
=x
| {z }
x0
=0
o que implicará em x coincidir sempre com x 0 . Para resolver isto, podemos olhar
para o valor 0 e encontrar infinitas soluções! Basta ignorar o x e colocar u em termos
de uma função de y, o que significa
u (x, y ) = G (y ) & G (0) = 0.
Após tantos exemplos, percebemos que a tal receita funciona bem. Um leitor
curioso, no entanto, provavelmente já se perguntou “por que a receita funciona?”, e
vamos mostrar isso agora!1
Prova (Prova da receita). Assumindo que os passos 1 e 2 já foram provados, seja
v = u ◦ G (r , s) = u (γr (s)). Então,
n n
∂v Õ ∂u ∂ xj Õ ∂u
= (γr (s)) (s) = (γr (s))a j (γr (s)).
∂s j =1
∂x j ∂s j =1
∂x j
Além disso, pelo passo 2,
∂v
(s) = f (γr (s), vr (s)).
∂s
Juntando ambos, concluímos que
n
Õ ∂u
(γr (s))a j (γr (s)) = f (γr (s), vr (s)).
j =1
∂x j
Utilizando, então, que x = G (r , s), temos
n
Õ ∂u
a j (x ) (x ) = f (x, u (x )).
j =1
∂x j
Por fim,
u (x ′, 0) = v (γx ′ (0)) = g (x ′).
Em resumo, se a n (x ′, 0) é diferente de zero, podemos aplicar a receita para obter
solução local e, se G for um difeomorfismo (função suave com inversa suave - ambas
têm quantas derivadas satisfazerem o leitor), então u ◦ G −1 será solução.
1
Seguindo a ideia das letras miúdas de contratos duvidosos, deixaremos escondido que será
apenas a parte da solução.
Página 29 de 158
4.3 Condições de Contorno e Equação do Calor
Agora que já temos uma forma sólida de encontrar soluções para EDPs, daremos
o passo para a próxima etapa desta jornada. De imediato, estudaremos a questão
do calor num aberto limitado, que nos levará, em seguida, ao estudo das séries
de Fourier. Feito isto, olharemos para as ondas num aberto limitado, depois para
a equação de Laplace e terminamos estudando onda e calor em Òn por meio das
transformadas de Fourier.
Quanto ao calor, comecemos pela dedução física. Seguindo aquela ideia de u como
a densidade de alguma coisa, em cada aberto B contido num espaço Ω, teremos a
seguinte “lei”:
Taxa de Variação em B é resultado do Fluxo que entra em B e do Uso por uma
fonte em B. (ou roxo = azul + vermelho, se não me falha a memória de cores).
Matematicamente, isto seria representado por
∫ ∫ ∫
d
udx = − F · nds + f dx,
dt B ∂V B
que equivale a
∫
∂u ∂u
+ + · F − f dx = 0, [B ⇒ ++·F =f.
B ∂t ∂t
No nosso estudo preliminar das EDPs, a poluição andava com a velocidade do
rio:
F = vu,
®
descrita pela equação do transporte.
Agora, porém, há uma difusão da poluição: F aponta na direção de maior de-
crescimento (inverso do gradiente) e é proporcional a esta diferença; traduzindo,
F = −k +u, k > 0.
Disto, obtemos
∂u ∂u
+ + · (−k +u) = f , = k + · (+u) + f
∂t ∂t
e, em conclusão, chegamos na equação do calor:
∂u
= k ∆u + f .
∂t
Fica a pergunta: é possível resolver esta equação? A resposta é que sim, mas tem
muitas soluções; infinitas, de fato! Então, precisamos mais é determinar a condição
inicial. Porém, só as condições iniciais não são suficientes: aqui, entra o conceito
das condições de contorno.
Definição. As condições de contorno, ou condições de fronteira, para uma
EDP são condições impostas em u(x, t) para t positivo e x um elemento da fronteira
de Ω:
u (x, t ), t > 0, x ∈ ∂ Ω. □
Página 30 de 158
Apesar de ser parecido com o problema de condição inicial, as condições de
contorno tratam de um valor nos extremos (o plural está certo: pode ser em mais
de um ponto, até mesmo na fronteira inteira) de onde a variável independente x se
encontra, enquanto que as de condição inicial dizem respeito ao valor da variável
independente x em um único ponto ponto, normalmente o inicial.
Existem alguns tipos de condições de contorno mais comuns que podem ser
estabelecidas para EDPs, como
∂t = ∆u + f (x ), x ∈ Ω, t > 0 (equação)
∂u
u (x, 0) = g (x ), x ∈ Ω (condição inicial)
u (x, t ) = h (x ),
x ∈ ∂ Ω, t > 0 (condição de contorno).
Neste tipo de problema, buscamos cumprir três coisas:
Página 31 de 158
Lembrete! Extensão e Extensão Contínua
Uma extensão de uma função f : U ⊆ X → Y é uma outra função F : X → Y
tal que sua restrição a U equivale a f:
F |U (x ) ≡ f (x ), [x ∈ U .
Quanto uma função u satisfazer (i) e (ii), diremos que ela é de classe C 2,1 (Ω ×
[0, ∞)), ou seja, ela pertence a este conjunto de funções.
∂t = ∆u + f (x ), x ∈ Ω, t > 0 (equação)
∂u
u (x, 0) = g (x ), x ∈ Ω (condição inicial)
u (x, t ) = h (x ),
x ∈ ∂ Ω, t > 0 (condição de contorno),
então u 1 = u 2 .
∂w ∂u 1 ∂u 2
= − = ∆u 1 + f − ∆u 2 − f = ∆u 1 − ∆u 2 = ∆w
∂t ∂t ∂t
w (x, t ) = u 1 (x, t ) − u 2 (x, t ) = h (x ) − h (x ) = 0
w (x, 0) = u 1 (x, 0) − u 2 (x, 0) = g (x ) − g (x ) = 0.
∂t = ∆w x ∈ Ω, t > 0 (equação)
∂w
w (x, t ) = 0 x ∈ Ω (condição inicial)
w (x, 0) = 0
x ∈ ∂ Ω, t > 0 (condição de contorno),
O próximo passo consiste em mostrar que w é identicamente nula, já que seria o
equivalente a mostrar a equivalência entre u 1 e u 2 A ideia desta prova é unir as
seguintes igualdades de integrais sobre Ω:
∫ ∫
∂w
w dx = (∆w )w dx
Ω ∂t Ω
1 ∂ 2 1 d
∫ ∫ ∫
∂w
w dx = w dx = w 2 dx
∂t 2 ∂t 2 d t
∫Ω ∫Ω Ω ∫ ∫
(∆w )w dx = + · (w +w ) − (+w · +w )dx = w +w · nds − |+w | 2 dx,
Ω Ω ∂Ω Ω
| {z }
=0 pela cond. de contorno
resultando em
1 d
∫ ∫
2
w dx = |+w | 2 dx ≤ 0.
2 dt Ω Ω
Página 32 de 158
Integrando de 0 até t, portanto,
1 1
∫ ∫
2
w (x, t 0 )dx − w 2 (x, 0)dx ≤ 0
2 Ω 2 Ω
1
∫
⇒− w 2 (x, t 0 ) ≤ 0
2 Ω
⇒ w (x, t 0 ) = 0, [x ∈ Ω, t > 0. ■
Página 33 de 158
5 Aula 05 - 17 de Março, 2025
5.1 Motivações
• Princípio do Máximo Forte;
Vamos dar um passo para trás (ou dois, se cada passo corresponder a uma linha
acima do fim); analisemos a desigualdade
1 1
∫ ∫
2
w (x, t 0 )dx − w 2 (x, 0)dx ≤ 0.
2 Ω 2 Ω
Consideremos, com base nisso, o seguinte problema de contorno de uma EDP,
com duas soluções, denotadas por u e v:
∂t = ∆u, Ω, t > 0
∂u
u = 0, ∂ Ω, t > 0
u = φ1, Ω, t = 0
e
∂t = ∆v , Ω, t > 0
∂v
v = 0, ∂ Ω, t > 0
v = φ2, Ω, t = 0
Assim como na demonstração, seja w = u − v e w (x, 0) = φ1 − φ2 , com as mesmas
propriedades mostradas lá, tal que a desigualdade torna-se
∫ ∫
2
(u (x, t ) − v (x, t )) dx ≤ (φ1 (x ) − φ2 (x )) 2 dx .
∂Ω ∂Ω
Pra que isto serve? Para mostrar a continuidade em relação aos parâmetros da
equação!
Página 34 de 158
Lembrete! Produto Interno de Funções
A norma e o produto interno definidos sobre o espaço de funções são
∫
⟨f , g ⟩ = f (x )g (x )dx
Ω
e
∫ 12
2
p
∥f ∥ = ⟨f , g ⟩ = f (x ) dx .
Ω
Com isto,
∥u (·, t ) − v (·, t )∥ ≤ ∥φ1 (·) − φ2 (·)∥.
Agora que estamos convencidos das boas propriedades que estão por trás das EDPs
com condições de contorno, partimos para o
Antes de uma prova do caso geral, vamos olhar para dois particulares que podem
ajudar a entender o que está acontecendo:
n=1) Aqui, U assume a forma de um intervalo fechado U = [a, b], tal que a
figura formada pelo produto cartesiano mencionado forme um quadrado de lado b −a
e altura T . Como
n=2) A cara deste teorema em duas dimensões é bem representada por um
problema de condição de contorno; a título de exemplo, considere
v (x, t ) = u (x, t ) + ε ∥x ∥ 2 .
|{z}
x 12 +x 22 +...+x n2
Suponha que o máximo de v, com respeito aos pontos em seu domínio, ocorra no
ponto (x 0, t 0 ) dentro de U × (0, T ].
Página 35 de 158
A escolha deste ponto em específico é motivada da suposição de um máximo
que caia para fora de um dos dois lados da igualdade no teorema enunciado. Como
definimos v dentro do domínio à esquerda, resta assumir que o máximo cai em um
ponto dentro deste tal domínio, mas fora do conjunto à direita da igualdade, ou seja,
que o máximo ocorra em
A partir disto, obteremos, ao final, uma contradição e, como o ponto de máximo não
poderá estar em U × (0, T ], restará apenas que ele esteja em (∂U × [0, T ]) ∪ (U × {0}).
Sem mais delongas, vamos buscar problema. Pelo cálculo 2, sabemos que, como
x 0 é o máximo da aplicação que mapeia os pontos x em U para v (x, t 0 ):
temos
∂v ∂v
,..., = 0.
∂x 1 ∂x n
Analogamente, t 0 é o máximo do mapa que corresponde um valor de v (x 0, t ) para
cada t dentro do intervalo colocado (0, T ]:
t 0 = max {t ↦→ v (x 0, t )}.
t ∈(0,T ]
v (x 0, T + h) < v (x 0, T ).
Página 36 de 158
qual a soma dos mesmos, também devem ser não negativas; logo, considerando a
matriz das derivadas parciais de segunda ordem conforme representado dentro dos
parenteses
∂ 2v ∂ 2v
. . .
∂x 2 ∂x 1 ∂x 2
21
∂ 2v
2
∂ v
∂v
∂x 2 ∂x 1 ∂x 2 . . .
= .
2
..
∂x i ∂x j .. . . . .
.. ∂ 2v
... .
∂x n2
∆v ≤ 0.
Logo,
∂v
− ∆v ≥ 0
∂t
e, desta forma,
∂v ∂u
0≤ − ∆v = − ∆u −2nε < 0.
∂t ∂t
| {z }
=0
Um absurdo!
Portanto, mostramos que
Para finalizar e obter a igualdade para u, basta tomar o limite conforme ε tende a
0, obtendo, finalmente,
Página 37 de 158
Em particular, uma das consequências do teorema do máximo poderia, de certa
forma, ser chamada “teorema do mínimo”
Corolário. Sob as condições do Teorema do Máximo,
mas
max(−u) = − min(u).
Portanto,
∂t = ∆w x ∈ Ω, t > 0
∂w
w =0 x ∈ ∂ Ω, t > 0
w =0
x ∈ Ω, t = 0.
Página 38 de 158
Caso u e v sejam de classe C 2,1 , w também será, o que garante que estamos dentro
das condições do teorema do máximo! Assim,
mas, por se tratar de máximos e mínimos, o que isto quer dizer é que
0≤w ≤0⇒w =0
e, portanto, u é igual a v.
Estudando novamente a continuidade em relação aos parâmetros, relembremos
o que foi feito anteriormente: partimos de
∂t = ∆u, Ω, t > 0
∂u
u = 0, ∂ Ω, t > 0
u = φ1, Ω, t = 0
e
∂t = ∆v , Ω, t > 0
∂v
v = 0, ∂ Ω, t > 0
v = φ2, Ω, t = 0.
Com isto, w satisfará
∂t = ∆w , x ∈ Ω, t > 0
∂w
w = 0, x ∈ ∂ Ω, t > 0
w = φ1 − φ2,
x ∈ Ω, t = 0
Diferente de antes, utilizando o corolário do módulo para o teorema do máximo,
temos
max |w | = max |φ1 − φ2 |
e, portanto,
max |u − v | ≤ max |φ1 − φ2 |
Resta, por fim, a existência. Para entender como provar a existência da solução
de uma equação do calor, estudemos a forma com a qual o calor dispersa-se em uma
barra de tamanho L - noutros termos, considere o caso em que x está num domínio
unidimensional (ou seja, em que x é um número real variando em um intervalo da
reta real) da equação do calor:
Página 39 de 158
Passo 1: usamos a equação do calor para encontrar tais soluções:
∂ ∂2
(T (t )X (x )) = (T (t )X (x )
∂t ∂x 2
⇐⇒T ′ (t )x (x ) = T (t )X ′′ (x )
T ′ (t ) X ′′ (x )
⇐⇒ = .
T (t ) X (x )
Sendo assim, deve existir uma constante λ real tal que
T ′ (t ) X ′′ (x )
= =λ
T (t ) X (x )
e, consequentemente,
T ′ (t ) = λT (t )
X ′′ (x ) = λX (x )
Página 40 de 158
6 Aula 06 - 19 de Março, 2025
6.1 Motivações
• Existência da Equação do Calor Unidimensional;
X ′′ (x ) = 0 ⇒ X ′ (x ) = A ⇒ X (x ) = Ax + B,
e podemos usar isso para checar as condições de contorno que obtemos para este X
X (0) = 0 ⇒ A · 0 + B = 0 ⇒ B = 0
X (L) = 0 ⇒ A · L + 0 = 0 ⇒ A = 0.
Com isto, descobrimos que toda solução dessa EDP, se λ for nulo, será trivial!
O segundo caso a ser analisado é aquele em que λ é positivo. Analogamente ao
caso nulo, começamos com
√ √
X (x ) = λX (x ) ⇒ X (x ) = Ae
′′ λx
+ Be − λx
.
X (0) = 0 ⇒ A + B = 0 ⇒ A = −B
√ √ √ √
X (L) = 0 ⇒ Ae λL
+ Be − λL = 0 ⇒ A (eλL
− e − λL ) = 0.
| {z }
>0
A = 0 & B = −A = 0,
e não existe nenhuma solução sem ser a trivial, mais uma vez.
Nossa última esperança é o caso de λ negativo. Vamos agarrá-la e ver no que
dá, de forma similar aos outros dois:
√ √
X ′′ (x ) = λX (x ) ⇒ X (x ) = A cos ( −λx ) + B sin ( −λx ),
em que faz sentido optar pela solução com seno e cosseno, pois o termo dentro da
raiz não dá problema. Com isso,
X (0) = 0 ⇒ X (0) = A = 0
√
X (L) = 0 ⇒ X (L) = B sin ( −λL) = 0.
Parece que está tudo bem! Queremos B diferente de zero, e esse caso
√ deixa aberta
esta possibilidade, pois podemos procurar pelo caso em que sin ( −λL) seja nulo.
Página 41 de 158
Isto ocorre sempre que o termo dentro do parenteses for um múltiplo inteiro de π.
Portanto,
2
√ nπ nπ
−λ = ⇐⇒ λ = − .
L L
Na verdade, a construção acima é o chamado método da separação de va-
riáveis, e podemos aplicar ele para casos específicos da equação do calor. Veremos
um deles a seguir.
são os autovalores, assim como na álgebra linear. Além disso, para a parte da
temperatura, outrora denotada por T, obtivemos
T ′ (t ) = λT (t ),
Mediante o passo 3, vamos achar uma solução que satisfaz a condição inicial, come-
çando por observar que2
N N
Õ Õ 2 nπx
− ( nπ
L ) t
u (x, t ) = u n (x, t ) = bn e sin
n=1 n=1
L
2
“Como a soma de várias soluções é, também, uma solução para as EDPs,”
Página 42 de 158
também resolve a EDP do calor e a condição do contorno. Com efeito,
N Õ N
∂u ∂ Õ ∂u n
= un =
∂t ∂t n=1 n=1
∂t
∂ 2u n
N
Õ
=
n=1
∂x 2
∂2
ÕN
= un
∂x 2 n=1
∂ 2u
=
∂x 2
e
N
Õ N
Õ
u (0, t ) = u n (0, t ) = 0 & u (L, t ) = u n (L, t ) = 0.
n=1 n=1
Agora que sabemos que isso funciona, vamos procurar soluções que tenham essa
forma
N
Õ 2 nπx
− ( nπ )
u (x, t ) = bn e L t
sin
n=1
L
e, para que continue dando certo, precisaremos que
u (x, 0) = g (x ).
Uma coisa interessante é que, tomando, como fato geral, por agora, que para muitas
g’s, vale a decomposição
∞
Õ nπx
g (x ) = g n sin ,
n=1
L
então a forma
N
Õ 2 nπx
− ( nπ
L ) t
u (x, t ) = gn e sin
n=1
L
Página 43 de 158
deve resolver boa parte das EDPs de calor.
Para conferir, voltemos ao passo 1 e vamos resolver o problema dado. Queremos
soluções da forma u (x, t ) = T (t )X (x ). Logo,
T ′ (t ) X ′′ (x )
T ′ (t )X (x ) = T (t )X ′′ (x ) ⇒ = = λ.
T (t ) X (x )
Agora, no passo 2, precisamos resolver a condição de contorno imposta sobre T e X,
ou seja,
T ′ (t ) = λT (t ) & X ′′ (x ) = λX (x ), X ′ (0) = X ′ (L) = 0.
Assim como fora feito no caso geral, analisaremos os casos do λ:
Caso 1: λ = 0.
Aqui, usando que X ′′ (x ) = 0, obtemos
X (x ) = Ax + B ⇒ X ′ (0) = A, X ′ (L) = A.
Assim, como o valor nas fronteiras é nulo, isto leva à conclusão de que A também é
nulo. Portanto,
X (x ) = B .
Caso 2: λ > 0.
Quando λ é positivo, acontece
X ′′ (x ) = λX (x ),
com √ √ √ √
X ′ (x ) = λAe λx − λBe − λx .
Resolvendo a EDO da derivada de X com base nas condições de fronteira, segue que
√
X ′ (0) = 0 ⇒ λ(A − B) = 0 ⇒ A = B
√ √ √ √
X ′ (L) = 0 ⇒ λ(Ae λL − Be − λL ) = 0 ⇒ A = Be −2 λL .
A primeira opção é um absurdo, então resta apenas B nulo como solução, donde
temos A também nulo e apenas soluções triviais para esta EDP.
Caso 3: λ < 0.
Quando λ é negativo, temos
√ √
X ′′ (x ) = λX (x ) ⇒ A cos ( −λx ) + B sin ( −λx )
Página 44 de 158
e √ √ √ √
X ′ (x ) = − −λA sin ( −λx ) + B −λ cos ( −λx ).
Assim como antes, iremos resolver esta EDO com base nas condições de fronteiras
√
X ′ (0) = 0 ⇒ B −λ = 0 ⇒ B = 0
√ √
X ′ (L) = 0 ⇒ − −λA sin ( −λL) = 0.
Observando o caso em que A é não-nulo, para ver se conseguiremos fugir das soluções
triviais, então teremos que resolver
√
sin ( −λL) = 0.
√
Assim, −λL precisa ser um múltiplo inteiro de π; logo,
2
nπ
λ=− , n ∈ Ú \ {0}.
L
No fim das contas, as soluções encontradas são da forma
p nπx
Xn = a n cos ( −λ n x ) = a n cos , n ∈ { 0 , 1, 2, 3, . . . }
L |{z} | {z }
Caso 1 Caso 3
Página 45 de 158
Colocando u (x, 0) = g (x ), devemos ter
N N
Õ nπx a0 Õ nπx
g (x ) = a n cos = + a n cos .
n=0
L 2 n=1
L
Em geral, se
N
g0 Õ nπx
g (x ) = + g n cos ,
2 n=1 L
então
N
g0 Õ 2 nπx
− ( nπ
u (x, t ) = + g n e L ) cos t
,
2 n=1 L
Página 46 de 158
7 Aula 07 - 24 de Março, 2025
7.1 Motivações
• Séries de Fourier.
f (x + T ) = f (x ), [x ∈ Ò. □
em que a forma acima leva o nome de forma real (de números reais), mas que tem
como alternativa a forma complexa
∞
Õ
f (x ) = c n e i nx .
n=−∞
Qual a diferença entra elas, se ambas levam o nome “série de Fourier”? Na verdade,
elas duas são equivalentes, mas para não ficar com o argumento de autoridade,
recordemos algumas coisas dos números complexos.
e i θ + e −i θ e i θ − e −i θ
cos (θ) = , sin (θ) = .
2 2i
Página 47 de 158
Usando isto, temos
∞
e + e −i nx e − e −i nx 1
i nx i nx
a0 Õ
f (x ) = + an + bn − bn
2 n=1 2 2i 2i
∞ ∞
a0 Õ 1 Õ1
= + (a n − i b n )e i nx + (a n + i b n )e −i nx
2 n=1 2 n=1
2
∞ −∞
a0 Õ 1 Õ 1
= + (a n − i b n )e i nx + (a −k + i b −k )e i k x
2 n=1 2 k =−1
2
∞
Õ
=
n=−∞
a0 1 1
c0 = , cn = (a n − i b n ), n > 0 ∨ cn = (a −n + b −n ), n < 0.
2 2 2
Em conclusão, toda série real pode ser escrita como uma complexo; mostremos,
também, a contrapartida disso.
∞
Õ ∞
Õ −∞
Õ
f (x ) = = c0 + cn e i nx
+ c n e −i nx
n=−∞ n=1 n=−1
∞
Õ
= c0 + (c n e i nx + c −n e i nx )
n=1
Õ∞
= c0 + (c n cos (nx ) + i c n sin (nx ) + c −n cos (nx ) − i c −n sin (nx ))
n=1
Õ∞
= c0 + (c n cos (nx ) + i c n sin (nx ) + c −n cos (nx ) − i c −n sin (nx ))
n=1
∞
Õ
= c0 +
(c −n + c −n cos (nx )) + (i c n − i c−n )
n=1
∞
a0 Õ
= + (a n cos (nx ) + b n sin (nx )),
2 n=1
a 0 = 2c 0, a n = c n + c −n , b n = i c n − i c −n , n > 0.
Pelos mesmos argumentos, trocando apenas “∞” por “N”, e vemos que
N N
Õ a0 Õ
cn e i nx
= + (a n cos (nx ) + b n sin (nx )).
n=−N
2 n=1
Apesar de termos mostrado algumas propriedades sobre essas tais séries de Fou-
rier, ainda não conseguimos usá-las para nada, e nosso objetivo é seguir algo parecido
a um dos processos anteriores para a equação do calor, em que chegamos numa solu-
ção com a forma delas: as séries de Fourier constituem um ferramental muito útil no
estudo das EDPs. Até chegar lá, temos algumas etapas, por exemplo toda a parte
do trabalho com os coeficientes a n , b n e c n . Como toda bom e velho estudante,
vamos tentar adivinhas os coeficientes à base do chute!
Página 48 de 158
Lembrete! Combinação Linear e Produto Interno
Lembre-se, da álgebra linear, que um vetor v pode ser escrito como combinação
linear de vetores e i de uma base, mas com seus tamanhos alterados em αi
unidades: Õ
v = αi e i ,
e que o produto interno deste vetor v com os elementos da base resulta nos
respectivos α’s
Õ
v , ej = αi e i , e j = α j .
Como indicamos antes, o produto interno no espaço de funções pode ser dado
pela integral como ∫
f (x )g (x )dx = ⟨f , g ⟩ .
Com base nisso, nosso chute totalmente aleatório (não é) se baseia em considerar
∞
Õ ∞
Õ
f (x ) = cn e i nx
⇐⇒ f (x )e −i mx
= c n e i nx e −i mx ,
n=−∞ n=−∞
tal que
∫ π ∫ π ∞
Õ
f (x )e −i mx
dx = c n e i nx e −i mx dx .
−π −π n=−∞
Logo,
∫ π ∞ ∫
Õ π
f (x )e −i mx
dx = c n e i (n−m)x dx .
−π n=−∞ −π
Página 49 de 158
Definição. A série de Fourier complexa é
∞
1 π
Õ ∫
f (x ) = cn e i nx
, cn B f (x )e −i nx dx
n=−∞
2π −π
f (−x ) = f (x ), [x ∈ X .
Por outro lado, ela é dita ímpar quando, para todos os elementos do
domínio,
−f (x ) = f (−x ), [x ∈ X .
Quanto aos b n ’s, usamos uma integração por parte para descobrir
1 1 cos (nx ) π 1
∫ π ∫ π
cos (nx )
bn = x sin (nx )dx = − x − + dx
π −π π n −π π −π n
π
1 π 1
−π
=− cos (nπ) − cos (−πn) + sin (nx )
π n n πn 2 −π
2
= − cos (nπ).
n
Página 50 de 158
Sendo assim, a série de Fourier obtida é
∞ ∞
Õ −2 cos (nπ) Õ 2
f (x ) = sin (nx ) = (−1) n sin (nx ).
n=1
n n=1
n
em que usamos
a0
c0 = = 0,
2
an − i bn (−1) n
cn = =i , n>0
2 n
a n + i b −n (−1) n
c −n = =i , n > 0.
2 n
f (x ) = |x |, x ∈ [−π, π).
1 2 2 π2
∫ π ∫ π
a0 = |x |dx = x dx = = π,
π −π π 0 π 2
os a n ’s, dados por
1 2
∫ π ∫ π
an = |x | cos (nx )dx = x cos (nx )dx
π −π π 0
2 x sin (nx ) π 2
∫ π
sin (nx )
= − dx
π n 0 π 0 n
2 cos (nx ) π
=
π n2 0
2
= (cos (nπ) − 1), n ≥ 1
πn 2
e, por fim, os b n ’s, que são determinados a partir de
1
∫ π
bn = f (x ) sin (nx )dx = 0.
π −π
Página 51 de 158
Destarte, a série de Fourier é
∞
π Õ 2
|x | = + (cos (nπ) − 1)
2 n=1 n 2 π
∞
π Õ 4
= + − cos (nx ) (como o cosseno é 0 quando n é par)
2 n=1 n 2 π
∞
π Õ 4
= − cos (nx )
2 n=1 n 2 π
n ímpar
∞
π 4 Õ cos (2m + 1)x
= − ,
2 π m=0
(2m + 1) 2
que permite concluirmos uma igualdade bem interessante sobre somatórias via
manipulação algébrica:
∞
π2 Õ 1
= .
8 n=0
(2n + 1) 2
Página 52 de 158
8 Aula 08 - 26 de Março, 2025
8.1 Motivações
• Séries de Fourier de Seno e de Cosseno;
Nosso objetivo, então, será calcular a série, na forma real, de f˜ restrita ao [0, π].
Segue que
∞
a0 Õ
f˜ (x ) = + [a n cos (nx ) + b n sin (nx )]
2 n=1
1
∫ π
an = f˜ (x ) cos (nx )dx = 0
π −π
1 2
∫ π ∫ π
bn = ˜
f (x ) sin (nx )dx = f (x ) sin (nx )dx .
π −π π 0
Aqui, conseguimos ver a necessidade de pegar uma extensão ímpar especificamente:
a integral que define os termos a n , do cosseno, tornam-se nulas; as que definem os
3
Porque seno é uma função ímpar.
Página 53 de 158
os termos b n , definindo o seno, dobram e ficam restritas ao intervalo [0, π]. Logo, a
série de fourier seno é dada por
∞
2 π
Õ ∫
f (x ) = b n sin (nx ), bn = f (x ) sin (nx )dx .
n=1
π 0
Página 54 de 158
que permite transformar funções numa soma de senos e cossenos, ou apenas um dos
dois. Assim, considerando a condição de contorno dada,
∞
2
Õ ∫ π
u (x, 0) = g (x ) = b n sin (nx ), b n = g (x ) sin (nx )dx .
n=1
π 0
Em conclusão,
∞ ∫
2 π
2
Õ
u (x, t ) = g (y ) sin (n y )d y e −n t sin (nx ).
n=1
π 0
Página 55 de 158
9 Aula 09 - 31 de Março, 2025
9.1 Motivações
• Convergência das Séries de Fourier.
e, a L 2 ,
∫ π Õ 2
lim f (x ) − N cn e i nx
dx = 0.
N →∞ −π n=−N
Dizer que elas são fáceis de checar é um exagero, então elas serão parte dos principais
tópicos de estudo dessa parte.
Antes, porém, definimos
Definição. Uma função f : [a, b] → Ò é contínua por partes se existe uma
partição do intervalo [a, b]
a = x0 < x1 < . . . < xn = b
tal que
1) A restrição de f aos subintervalos gerados pela partição, ou seja,
f | (xi ,xi +1 ) ,
é contínua;
Página 56 de 158
2) Existem os limites laterais para cada componente da partição, isto é,
lim f (x ) & lim f (x ). □
x →x i+ x →x i−
Página 57 de 158
1) A restrição de f aos subintervalos gerados pela partição, ou seja,
f | (xi ,xi +1 ) ,
é C1;
2) Existem os limites laterais da função e de sua derivada para cada componente
da partição, isto é,
lim f (x ), lim− f (x ), lim+ f ′ (x ) & lim− f ′ (x ). □
x →x i+ x →x i x →x i x →x i
É preciso ter cautela ao afirmar que uma função é C 1 por partes apenas por suas
propriedades; a exemplo, a função
√
x, x ∈ [0, 1]
f (x ) =
0, x ∈ [−1, 0]
é contínua, MAS não é C 1 por partes: basta ver sua primeira derivada e comparar
com o exemplo (a) das funções que não são contínuas por partes.
Definição. Uma função f : Ò → Ã é contínua (suave) por partes se, para cada
a < b, as suas partes real e imaginária ,
Re(f ) : [a, b] → Ò & Im(f ) : [a, b] → Ò
são contínuas (suaves) por partes. □
Página 58 de 158
Observe que, caso ela seja 2π-periódica, bastaria provar para o intervalo [−π, π].
z = x + iy.
f (x 0+ ) B lim+ f (x ), f (x 0− ) = lim− f (x ).
x →x 0 x →x 0
A prova deste teorema pode ser vista como composta por dois passos: a desi-
gualdade de Bessel e o estudo do núcleo de Dirichlet
1 π
∫
cN = g (x )e −i nx dx .
2π −π
Então,
N ∞
1 π
∫
2 2
|g (x )| 2 dx .
Õ Õ
lim |c n | = |c n | ≤
N →∞
n=−N n=−∞
2π −π
Prova (Ideia). A ideia dessa prova é utilizar conceitos de álgebra linear: ao consi-
derar uma base ortonormal B = {e 1, . . . , e n }, ou seja, uma base tal que
e i , e j = δi j ,
u = ⟨u, e 1 ⟩ e 1 + . . . + ⟨u, e n ⟩ e n .
Página 59 de 158
Assim,
n
2
| u, e j | 2 .
Õ
∥u ∥ =
j =1
No nosso caso,
∞
c n 1 i nx
Õ
u= √ e ,
n=−∞
2π 2π
tal que, com e n sendo o termo em parênteses,
∞
|c n | 2
∥u ∥ 2 =
Õ
.
n=−∞
2π
Como estamos mexendo com números complexos, o módulo pode ser visto como um
produto do termo dentro dele pelo seu conjugado complexo, tal que
∫ π N
Õ N
Õ
0≤ g (x ) − cn e i nx
g (x ) − cm e −i mx
dx
−π n=−N m=−N
∫ π N ∫ π N ∫ π
2
Õ Õ
= |g (x )| dx − cm g (x )e −i nx
dx − cn g (x )e −i nx dx
−π m=−N −π n=−N −π
| {z } | {z }
N N
2π |c m | 2 2π |c n | 2
Í Í
m=−N n=−N
N
Õ N
Õ ∫ π
+ cn cm e i (n−m)x dx
n=−N m=−N −π
| {z }
2πδnm
∫ π N
2
|c n | 2 .
Õ
= |g (x )| dx + (−2π − 2π + 2π)
−π n=−N
Página 60 de 158
Portanto,
∫ π N
2
|c n | 2 . ■
Õ
0≤ |g (x )| dx − 2π
−π n=−N
Página 61 de 158
Logo,
∫ 0 ∫ 0 N N 0
Õ Õ sin (nx )
2π D N (x )dx = 1+2 cos (nx ) dx = π − 2 =π
−π −π n=1 n=1
n −π
∫ π ∫ π N N π
Õ Õ sin (nx )
2π D N (x )dx = 1+2 cos (nx ) dx = π − 2 = π.
0 0 n=1 n=1
n 0
Logo, ∫ x +π ∫ π
D N ( ỹ )f (x − ỹ )d ỹ = D N (y )f (x − y )d y .
x −π −π
Fizemos isto pois esta integral tornar-se-á o valor da função à esquerda e à direita.
Desta forma,
N
Õ f (x + ) − f (x − )
−
n=−N
2
N
Õ f (x + ) f (x − )
= − −
n=−N
2 2
∫ π ∫ 0 ∫ π
= D N (y )f (x − y )d y − f (x )D N (y )d y − +
f (x − )D N (y )d y
−π −π 0
∫ π ∫ 0
= D N (y )(f (x − y ) − f (x − ))d y + D N (y )(f (x − y ) − f (x + ))d y
0 −π
∫ 0
1 −i N y 1 −i N y
∫ π − +
i (N +1)y f (x − y ) − f (x ) i (N +1)y f (x − y ) − f (x )
= (e −e ) d y + (e − e ) dy.
0 2π 1 − ei y −π 2π 1 − ei y
Página 62 de 158
Com isso, definindo
f (x −y )−f (x − )
(
1−e i y
, y ∈ [0, π]
g x (y ) = f (x −y )−f (x + )
1−e i y
, y ∈ [−π, 0]
1
∫ π
dn = g x (y )e −i n y d y ,
2π −π
tal que
∞ ∫ π
2
|g x (y )| 2 d y ⇒ lim d n = 0.
Õ
|d n | ≤ 2π
−π N →∞
n=−∞
Temos, portanto,
∫ 0
1 −i N y 1 −i N y
∫ π − +
i (N +1)y f (x − y ) − f (x ) i (N +1)y f (x − y ) − f (x )
(e −e ) d y + (e − e ) dy
0 2π 1 − ei y −π 2π 1 − ei y
1 1
∫ π ∫ π
= e −i N y g x (y )d y − e i (N +1)y g x (y )d y
2π −π 2π −π
N →∞
= d N − d −(N +1) −→ 0. ■
Página 63 de 158
10 Aula 10 - 02 de Abril, 2025
10.1 Motivações
• Convergência Uniforme das Séries de Fourier;
• Convergência de séries de Fourier no sentido L 2 ;
• Fórmula de Parseval.
Página 64 de 158
Portanto, temos uma forma de calcular π:
∞
(−1) n 1 1 1
Õ
π=4 ⇒ π = 4 1− + − +... .
n=0
2n + 1 3 5 7
Exemplo 22. O outro exemplo que já estudamos foi para a função módulo definida
em um intervalo de tamanho 2π. Seguindo o mesmo raciocínio feito acima,
∞
π 4 Õ cos (2n + 1)θ
|θ| = − , [θ ∈ [−π, π].
2 π n=0 (2n + 1) 2
Quando temos uma função apenas contínua por partes, dificilmente vamos con-
seguir algo melhor do que o resultado anterior. No entanto, se tivermos algo como o
exemplo do módulo - contínua normalmente e suave por partes - podemos discutir
a convergência uniforme das suas séries.
N
Definição. Dizemos que a série fn , em que cada fn : Ò → Ã é 2π-periódica e
Í
n=−N
contínua, converge uniformemente a f : Ò → Ã se
N
Õ
lim sup fn (x ) − f (x ) = 0. □
N →∞ x ∈Ò
n=−N
Página 65 de 158
Lembrete! O Teste-M de Weierstrass
Um resultado super recorrente no estudo da uniformidade de sequências de
funções é o teste-M de Weierstrass: se existem constantes M n positivas tais
que
|fn (x )| ≤ M n , [x ∈ Ò
cujas soma é finita, ou seja,
∞
Õ
M n < ∞,
n=−∞
N
então a série de funções fn converge uniformemente à f.
Í
n=−N
Observe também que, como ganhamos uma partição pela definição de suavidade por
partes,
N ∫
1 1 Õ x j +1
∫ π
cn = f (x )e −i nx
dx = f (x )e −i nx dx .
2π −π 2π j =0 x j
Fazendo uma integração por partes, com termo derivado sendo e −i nx e termo fixo
f (x ), chegamos em
N x j +1
1 Õ e −i nx x j +1
e −i nx
∫
cn = f (x ) − ′
f (x ) dx .
2π j =0 −i n xj xj −i n
| {z }
−i nx j +1 −i nx j
=f (x j +1 )e −f (x j )e
Ao expandir a soma, ela torna-se uma série telescópica com os únicos termos res-
tantes sendo −f (x 0 )e −i nx 0 e f (x N )e −i nx N , ou seja,
1 1
∫ π
cn = f ′ (x )e −i nx dx
2π −π in
6
Por exemplo, a função | · |.
Página 66 de 158
Em conclusão, temos
1 ′
cn = c
in n
Õ∞
f (x ) → c n e i nx
n=−∞
Õ∞
f ′ (x ) → i nc n e i nx .
n=−∞
|c n e i nx | ≤ M n B |c n |.
Logo,
∞
Õ
Mn < ∞
n=−∞
e, portanto, a convergência é uniforme. ■
Página 67 de 158
Teorema. Seja f : Ò → Ã uma função 2π-periódica e contínua por partes (mas
bastaria ser L 2 (−π, π)!). Então,
N
∫ π Õ 2
lim c n e − f (x ) dx = 0.
i nx
N →∞ −π n=−N
Prova. Para o caso em que f é contínua, confira em algum material (e.g. Robert
Seeley). ■
Faremos uma interpretação dos achados que tivemos. Para isso, recordemos algumas
coisas:
Lembrete! Convergência em L 2
Já recordamos previamente a norma e produto interno no espaço de funções.
Olhando especificamente para as funções contínuas e 2π-periódicas, o produto
interno assume a forma
∫ π
⟨f , g ⟩ = f (x )g (x )dx,
−π
e, a norma,
∫ π 21
2
p
∥f ∥ B ⟨f , f ⟩ = |f (x )| .
−π
e i , e j = δi j .
Consequentemente, também,
n
Õ
u− u, e j e j = 0.
j =1
Uma coisa muito interessante que dá para fazer com o conceito de base ortonor-
mal misturado ao da série de Fourier é considerar V como um dos três:
Página 68 de 158
1.) O espaço das funções contínuas e 2π-periódicas;
Além disso, como qualquer função dentro daquelas classes possui um critério de
garantia de convergência que permite com que elas sejam escritas em termo de uma
série de Fourier, esses elementos de fato formam uma base, pois
1
∫ π
cn e i nx
= f (y )e −i n y
d y e i nx
2π −π
1 iny 1 i nx
∫ π
= f (y )√ e d y √ e
−π 2π 2π
= ⟨f , e n ⟩ e n .
Assim, concluímos que a discussão sobre séries de Fourier era, na verdade, uma
discussão pela busca de uma base ortonormal para os espaços de funções acima -
uma série de Fourier é, essencialmente, escrever uma combinação linear de vetores
linearmente independentes para aquelas classes de funções: uma base para elas. De
fato, concluímos que
∞
Õ ∞
Õ
f (x ) = cn e i nx
= ⟨f , e n ⟩ e n .
n=−∞ n=−∞
Portanto, também,
N
Õ
lim f − ⟨f , e n ⟩ e n = 0
N →∞
n=−N
lim ∥S N − f ∥ = 0.
N →∞
Página 69 de 158
Por outro lado, sabemos que
∥s N ∥ = ∥S N − f + f ∥ ≤ ∥s N − f ∥ + ∥f ∥
∥f ∥ = ∥f − S N + S N ∥ ≤ ∥f − s N ∥ + ∥S N ∥.
Logo,
∥S N ∥ − ∥f ∥ ≤ ∥S N − f ∥
⇒ ∥S N ∥ − ∥f ∥ ≤ ∥S N − f ∥.
∥f ∥ − ∥S N ∥ ≤ ∥S N − f ∥
Desta forma,
lim ∥S N ∥ − ∥f ∥ = lim ∥S N − f ∥ = 0
N →∞ N →∞
e, portanto,
lim ∥S N ∥ = ∥f ∥.
N →∞
Em outras palavras, os critérios de convergência que vimos foram, também, válidos
para convergência em norma das funções! Agora, com isso em mãos, podemos usar
a forma de reescrita da norma em termos do produto interno para obter
∫ π N N
2
Õ Õ
∥S N ∥ = ⟨S N , S N ⟩ = c n e i nx c m e −i mx dx
−π n=−N n=−N
N
Õ N
Õ ∫ π
= cn cm e i (n−m)x dx
n=−N m=−N −π
| {z }
=2πδnm
N
2π |c n | 2 .
Õ
=
n=−N
Página 70 de 158
11 Aula 11 - 07 de Abril, 2025
11.1 Motivações
• Existência e Unicidade da Solução do Calor;
• Equação da Onda.
Sendo assim, devemos conferir se ela é realmente uma solução! Quanto à condição
de contorno,
∞
2
Õ
u (0, t ) = b n e −n t sin (n0) = 0
n=1
∞
2
Õ
u (π, t ) = b n e −n t sin (nπ) = 0.
n=1
Página 71 de 158
Lembrete! Troca de j-ésima derivada com limite
Considere a sequência de funções (fn )n∈Î, fn : [a, b] → Ò em que cada fn é
C k . Suponha que todas as derivadas, até a k-ésima, convergem uniformemente
para a respectiva derivada de uma mesma função:
d j fn n→∞ (j )
[j ∈ {0, . . . , k }, −→ f : [a, b] → Ò.
dx j
Logo, f = f (0) é também de ordem C k e
djf
= f (j ) .
dx j
A conclusão é que podemos trocar a ordem de realizar a j-ésima derivada antes
ou depois do limite da sequência de funções:
dj
j
d f
( lim f n ) = lim .
dx j n→∞ n→∞ dx j
(Lembramos que, conforme fora dito em alguma nota de rodapé, ou num lem-
brete, dizer que uma função é suave vai à gosto do material sendo usado). Agora,
vamos mostrar que
∞
∂ k +j
−n 2 t
Õ
j xk
bn e sin (nx )
n=1
∂t
converge uniformemente para x variando entre 0 e π, e para t maior que t 0 , em que
t 0 é positivo7 Para isto, vamos usar o Teste-M de Weierstrass; a fim disso, note que
d d h −n 2 t 2
sin (nx ) = ±n j & e = (−n 2 ) h e −n t
dx j dt h
e, com isso,
∂ k +j 2 2
k j
b n e −n t sin (nx ) ≤ b n n 2k e −n t n j
∂t x
2 2k +j −n 2 t 0 π
∫
≤ n e |u 0 (y )|d y C M n .
π 0
Agora que temos os M n ’s do teste, vamos conferir a convergência de sua série. Com
efeito,
an
∞ z }| {
2k +j −n 2 t 0
Õ
n e <∞
n=1
7
O caso em que t 0 = 0 foi deixado de curiosidade para quem quiser ver.
Página 72 de 158
e, pelo teste da razão,
2t 2k +j
a n+1 (n + 1) 2k +j e −(n+1) 1 n→∞
0
= 2
= 1+ e −2nt 0 −t 0
−→ 0,
an n 2k +j e −n t 0 n
a série converge, tal como a u. Concluímos que u é suave para todo t maior que t 0
e todo t 0 positivo. Logo, a classe de u é
Página 73 de 158
∞
Parseval . Então, se u (x ) = b˜n sin (nx ),
Í
n=1
∫ π ∫ ∞
πÕ ∞
2
Õ
|u (x )| dx = bfn sin (nx ) m sin (mx )dx
bf
0 0 n=1 m=1
∞ Õ
Õ ∞ ∫ π
= bfn bf
m sin (nx ) sin (mx )dx
n=1 m=1 0
∞ Õ ∞ ∞
π πÕ
|b n | 2 .
Õ
= δ nm bfn bf
m =
n=1 m=1
2 2 n=1
então
∫ π ∞ 2
πÕ 2
|u (x, t )| 2 dx = b n e −n t
0 2 n=1
∞
π
|b n | 2
Õ
≤ e −2t
2
∫ n=1
π
= e −2t |u 0 (x )| 2 dx
0
⇒ ∥u ∥ ≤ e −t ∥u 0 ∥.
Consequentemente, conforme t tende ao infinito, a função u passa a zerar. Para
uma condição de contorno de Neumann, a solução teria a forma
a0 Õ
∞
2 2
a 02 π
∞
π −t Õ 2
u (t , x ) = + a n e −n t cos (nx ), ∥u ∥ = + e an .
2 n=1 4 2 n=1
e tudo se repete.
Uma curiosidade é que, conforme vimos num exemplo anterior, a série de uma
função identidade é
∞
Õ (−1) n
x =2 sin (nx )
n=1
n
e, aplicando Parseval , temos
π Õ (−1) n 2
∞
π3 π
∫
2
= x dx = 2
3 0 2 n=1 n
∞
πÕ 4
=
2 n=1 n 2
∞
Õ 1 π2
⇒ 2
= .
n=1
n 6
Página 74 de 158
11.3 Equação da Onda.
O processo de estudo da equação da onda será altamente similar ao feito para a
equação do calor: começaremos com uma dedução física, seguida do estudo da
unicidade, por meio do método da energia e, em seguida da existência, através da
separação de variáveis. Em forma puramente equacional, ela tem a forma
∂ 2u
= ∆u,
∂t 2
mas, como veremos adiante, estudaremos ela com problemas de condições inicial e
de contorno, os quais assumirão as respectivas formas de
Figura 3: ilustração de uma corda presa nas duas extremidades, com comprimento
total L.
Continuando com a ideia da física, é esperado que a força realizada para fa-
zer a corda vibrar verticalmente resulte das componentes verticais da tração, que,
seguindo o desenho, seriam descritas por
Além disso, usando as estimativas para massa e aceleração acima, juntas à Segunda
Lei de Newton, temos
∂ 2u
M a = T sin (θ) − T sin (ϕ) ⇒ ρ∆x (x, t ) = T sin (θ) − T sin (ϕ).
∂t 2
Página 75 de 158
Podemos assumir que as vibrações sejam pequenas, resultando nos ângulos serem
pequenos o suficiente para estimarmos que o seno e a tangente coincidem, tal que
∂ 2u
ρ∆x (x, t ) ≈ T tan (θ) − T sin (θ)
∂t 2
e, como a tangente pode ser representada em termos da derivada, concluímos que
∂ 2u ∂u ∂u
ρ∆x 2
(x, t ) ≈ T (x + ∆x, t ) − T (x, t ).
∂t ∂x ∂x
Portanto,
∂ 2u
∂u ∂u
∂x (x, t ) − ∂x (x, t )
ρ 2 (x, t ) = T ,
∂t ∆x
tal que, passando o limite conforme ∆x torna-se minúscula,
∂ 2u ∂ 2u ∂ 2u T ∂ 2u
ρ 2 (x, t ) = T ⇐⇒ = .
∂t ∂x 2 ∂x 2 ρ ∂x 2
θ3
sin (θ) = θ − + O (θ 5 )
3
θ3
tan (θ) = θ + + O (θ 5 ).
3
Assim,
2θ 3
sin (θ) = tan (θ) − + O (θ 5 )
3
e, para θ pequeno o suficiente, os termos ao cubo e à quinta desaparecem,
deixando
sin (θ) ≈ tan (θ).
O termo denotado por um “o” maiúsculo chique é a chamada notação big-O,
para a qual há um lembrete logo a seguir
Página 76 de 158
Lembrete! Notação big-O e little-O
A notação big-O, ou Ozãoa , determina o comportamento do limite de uma
função conforme seus valores tendem a algum lugar. Formalmente falando,
dizemos que f(x) é da ordem (big-O) de g(x) dado que existe um número
real positivo M e um valor x 0 dentro do domínio de f tais que
|f (x )| ≤ M |g (x )| [x ≥ x 0 .
Rearranjando isso, vemos que isto significa que, a partir de certo ponto no
domínio da f, ela está a uma razão não maior que M da g:
|f (x )|
≤M [x ≥ x 0,
|g (x )|
que permite definirmos que “f é da ordem de g” em termos do limite-supremo
da razão, ou
|f (x )|
lim sup < ∞.
x →∞ |g (x )|
Em ambos os casos, escrevemos f (x ) = O (g (x )). Caso não estejamos interes-
sados no limite ao infinito, podemos reformular isso conforme x tende a um
valor a usando
|f (x )|
lim sup < ∞,
x →a |g (x )|
para o qual escrevemos
f (x ) = O (g (x )) : x → a.
Página 77 de 158
Em azul, temos a equação da onda em si; em vermelho, a condição de contorno; e,
em verde, as condições iniciais. Sendo assim, podemos começar o estudo por meio
da proposição a seguir
Proposição. Existe no máximo uma solução da equação da onda, dada por uma
função u de classe C 2 (Ω × Ò), sendo Ω um aberto regular limitado.
w (y , 0) = u (y , 0) − v (y , 0) = u 0 (y ) − u 0 (y ) = 0
∂w ∂u ∂v
(y , 0) = (y , 0) = (y , 0) = u 1 (y ) − u 1 (y ) = 0.
∂t ∂t ∂t
Continua na próxima aula...
Página 78 de 158
12 Aula 12 - 09 de Abril, 2025
12.1 Motivações
• Equação da Onda: existência e unicidade de solução.
concluímos que
2
1 d
∫ ∫
∂w 2 dw ∂w
+ ∥+w ∥ dx = dS.
2 dt Ω ∂t ∂Ω dt ∂n
Página 79 de 158
Pela condição de Neumann,
∂w
=0
∂n
e, pela de Dirichlet,
dw
= 0,
dt
pois w (x, t ) = 0 sempre que x é um ponto de fronteira e t for real, donde segue, pela
definição da derivada, que
dw w (x, t + h) − w (x, t )
= lim = 0, x ∈ ∂ Ω.
dt h→0 h
Logo, ∫
dw ∂w
dS = 0
∂Ω dt ∂n
e segue que
2 2
1 1
∫ ∫ t ∫
∂w 2 d ∂w 2
E (t ) = + ∥+w ∥ dx = + ∥+w ∥ dx dt
2 Ω ∂t 2 0 dt Ω ∂t
é constante. Portanto,
2
1
∫
dw 2
E (t ) = E (0) = (x, 0) + ∥+w (x, 0)∥ dx = 0.
2 Ω dt
Como ambos os termos ao quadrado são maiores ou iguais a 0,
dw
= 0 & +w (x, t ) = 0.
dt
Por conta de todas as primeiras derivadas de w se anularem, a função w é cons-
tante, o que significa também que
w (x, t ) = w (x, 0) = 0.
∂ 2u ∂ 2u
= T ′′ (t )X (x ) & = X ′′ (x )T (t ),
∂t 2 ∂x 2
Página 80 de 158
que, pela condição da EDP da onda, pode ser reescrito como
T ′′ (t ) X ′′ (x )
T (t )X (x ) = X (x )T (t ) ⇐⇒
′′ ′′
= = λ.
T (t ) X (x )
Assim, as soluções terão a cara
T ′′ (t ) = λT (t ) & X ′′ (x ) = λX (x ).
Passo 2: agora, utilizaremos as condições de contorno para encontrar a cara da
solução. Mais especificamente,
u (0, t ) = 0 ⇒ T (t )X (0) = 0 ⇒ X (0) = 0
u (L, t ) = 0 ⇒ T (t )X (L) = 0 ⇒ X (L) = 0.
Disto, tiramos que a solução, em relação a X, deve satisfazer a EDO com condições
de contorno
X ′′ (x ) = λX (x ), X (0) = X (L) = 0.
Quando estudamos séries de Fourier, já vimos que as soluções para isso são da forma
2
nπx nπ
Xn (x ) = b n sin , λn = − .
L L
Logo, determinamos que, com relação à parte T da solução, ela satisfaz as soluções
parciais
2
nπ
Tn (t ) = −
′′
Tn (t ),
L
que é uma EDO cujas soluções têm forma
nπt nπt
Tn (t ) = A cos + B sin .
L L
Portanto, a cara das soluções, a priori ao problema inicial, são
nπt nπt
u n (x, t ) = c n cos + d n sin .
L L
Finalizaremos o estudo da unicidade incluindo os problemas iniciais impostos à EDP
da onda.
Passo 3: para fazermos o que fora dito, somaremos as soluções particulares para
determinar as formas de c n e d n , usando u 0 e u 1 . Assim,
∞
Õ nπt nπt nπx
u (x, t ) = c n cos + d n sin sin ,
n=1
L L L
cuja derivada é
∞
du Õ nπ nπt nπ nπt nπx
= − c n sin + d n cos sin .
dt n=1
L L L L L
Logo,
∞ ∞
Õ nπx du Õ nπ nπx
u 0 (x ) = u (x, 0) = c n sin & u 1 (x ) = (x, 0) = d n sin .
n=1
L dt n=1
L L
Página 81 de 158
Exemplo 23. Podemos aprofundar esse estudo olhando o que acontece quando o
intervalo tem forma [0, π] e quando ele não tem. Para L = π, temos
2
∫ π
cn = u 0 (y ) sin (n y )dy
π 0
2
∫ π
dn = u 1 (y ) sin (n y )dy.
nπ 0
Caso sejam impostas as condições
u 0 (x ) = x, u 1 (x ) = 0,
2
∫ L
nπ y
cn = − u 0 (y ) sin dy
L 0 L
2
∫ L
nx
dn = − u 1 (y ) sin dy.
nπ 0 L
∂ 2u ∂ 2u
= T ′′ (t )X (x ) & = X ′′ (x )T (t ),
∂t 2 ∂x 2
que, pela condição da EDP da onda, pode ser reescrito como
T ′′ (t ) X ′′ (x )
T (t )X (x ) = X (x )T (t ) ⇐⇒
′′ ′′
= = λ.
T (t ) X (x )
Página 82 de 158
Assim, novamente, as soluções terão a cara
T ′′ (t ) = λT (t ) & X ′′ (x ) = λX (x ).
X ′′ (x ) = λX (x ), X ′ (0) = X ′ (L) = 0,
λ 0 = 0 ⇒ T ′′ (t ) = 0 ⇒ T (t ) = At + B
2
nπ nπt nπt
Tn (t ) = −
′′
Tn (t ) ⇒ Tn (t ) = A cos + B sin ,
L L L
que nos fornece duas soluções, de acordo com λ:
u 0 (x, t ) = At + B
nπt nπt
u n (x, t ) = a n cos + b n cos .
L L
Passo 3: novamente, somamos as soluções particulares para determinar a n e b n
por meio de u 0 e u 1 :
∞
Õ nπt nπt nπx
u (x, t ) = At + B + a n cos + b n sin cos ,
n=1
L L L
cuja derivada é
∞
du Õ nπ nπt nπ nπt nπx
=A+ − a n sin + b n cos cos .
dt n=1
L L L L L
Logo,
∞ ∞
Õ nπx Õ nπ nπx
u 0 (x ) = B + a n cos & u 1 (x ) = A + b n cos .
|{z}
n=1
L n=1
L L
a0
2
Página 83 de 158
Exemplo 24. Assim como fizemos antes, vamos olhar para o caso em que L = π;
nele,
1
∫ π
B= u 0 (y )dy
π 0
2
∫ π
an = u 0 (y ) cos (n y )dy
π 0
1
∫ π
A= u 1 (y )dy
π 0
2
∫ π
bn = u 1 (y ) cos (n y )dy.
πn 0
Dessa vez, vamos interpretar u, A e B fisicamente, de modo que
• u pode ser vista como a soma da média da posição inicial com a velocidade
inicial passado certo tempo t, e com as oscilações.
Página 84 de 158
13 Aula 13 - 23 de Abril, 2025
13.1 Motivações
• Separação de variáveis para ondas;
u (x, t ) = T (t )X (x ),
e encontramos as EDOs
T ′′ (t ) = λT (t ), X ′′ (x ) = λX (x ).
X ′′ (x ) = λX (x ), C(x ) = 0.
Para entender melhor o que está por trás disso, precisamos deixar alguns lem-
bretes de Álgebra Linear:
Página 85 de 158
Lembrete! Diagonalização de Matrizes
Temos duas fórmulas de diagonalizar matrizes, mas elas são equivalentes. Para
a primeira, seja A uma matriz quadrada de dimensão n e com coeficientes reais.
Dizemos que A é diagonalizável se existe uma base {e 1, . . . , e n } de Òn tal
que
Ae j = λ j e j .
Isto pode ser reformulado exigindo que exista uma matriz diagonal D, normal-
mente composta por autovalores de A, tal que A e D são similares, ou seja,
que exista uma matriz inversível P tal que
P −1 AP = D .
Ae j = λ j e j
e i , e j = δi j
Õ n
u= u, e j e j .
j =1
A parte interessante é que existe uma relação entre estes problemas da álgebra
linear e nosso estudo das EDPs! Consideremos o operador diferencial agindo por
d2u
Au = ;
dx 2
então, A é análogo à matriz A. Quando impomos as condições de contorno, estamos
efetivamente tornando A em um operador auto-adjunto (ou matriz auto-adjunta),
então vai existir uma base ortonormal B = {e 1, e 2, . . . }. Assim, a questão da condi-
ção de contorno (e, consequentemente, da separação de variáveis) torna-se uma de
responder a questão “Quando é que A é auto-adjunto?”
Com base no lembrete, queremos que ocorra a igualdade
⟨Au, v ⟩ = ⟨u, Av ⟩ .
Página 86 de 158
Lembremos como funciona o produto interno no espaço de funções, tal que
L
d2 u L L
∫ ∫
du du dv
⟨Au, v ⟩ = v dx = v − dx
0 dx 2 dx 0 0 dx dx
L ∫ L 2
du dv L dv
= v −u + u dx
dx 0 dx 0 0 dx
| {z }
⟨u,Av ⟩.
Em conclusão,
⟨Au, v ⟩ − ⟨u, Av ⟩ = u ′ (L)v (L) − u ′ (0)v (0) − u (L)v ′ (L) + u (0)v ′ (0)
e, para que A satisfaça o que precisa para ser auto-adjunto, devemos escolher uma
condição de contorno tal que
2) Para Neumann,
α̃1 = 1, resto 0, β˜2 = 1, resto 0.
3) Para a Periódica,
Página 87 de 158
4) Para Dirichlet-Neumann,
α1 = 1, resto 0, β˜2 = 1, resto 0.
5) Para Neumann-Dirichlet,
β˜1 = 1, resto 0, α2 = 1, resto 0.
6) Para Robin,
α̃1 = 1, α1 = ±1, resto 0, β 2 = 1, β˜2 = ±1, resto 0.
Teorema. Dada uma condição de contorno auto-adjunta, existe uma sequência de
funções em C 2 ([0, L]) e uma sequência de números reais, respectivamente
{ϕn }n∈Î ∈ C 2 ([0, L]) & {λ n }n∈Î ∈ Ò,
tais que, comparando analogias com álgebral linear à direita
d2 ϕ n
1) = λ n ϕn [n Ae n = λ n e n
dx 2
2) ⟨ϕn , ϕm ⟩ = δnm e i , e j = δi j
∞
Õ ∞
Õ
3) Para toda u contínua por partes, u = ⟨u, ϕn ⟩ ϕn u= ⟨u, e i ⟩ e i
n=1 n=1
2) Para Neumann, r 2
2
nπx nπ
ϕn = cos , λn = −
L L L
3) Para a Periódica de [−L, L],
r
1 1 1
nπx nπx
ϕn = ou √ sin , ou √ cos
2L L L L L
4) Para Dirichlet-Neumann,
2
1 πx 1 π
ϕn = c n sin x+ , λn = − n +
2 L 2 L
5) Para Neumann-Dirichlet,
2
1 πx 1 π
ϕn = c n cos x+ , λn = − n +
2 L 2 L
Página 88 de 158
14 Aula 14 - 28 de Abril, 2025
14.1 Motivações
• Soluções Clássicas da Onda.
Na parte 1, fazemos
T ′′ (t ) X ′′ (x )
u (x, t ) = T (t )X (t ) ⇔ T ′′ (t )X (x ) = T (t )X ′′ (x ) ⇒ = ,
T (t ) X (x )
que tem como soluções
T ′′ (t ) = λT (t ) & X ′′ (x ) = λX (x ).
X ′′ (x ) = 0 ⇒ X ′ (x ) = A ⇒ X (x ) = Ax + B
X (0) = 0 ⇒ A0 + B = 0 ⇒ B = 0
X ′ (0) = 0 ⇒ A = 0 ⇒ A = 0.
√ √ √ √ √ √
X ′′ (x ) = 0 ⇒ X ′ (x ) = λAe λx − λBe − λx ⇒ X (x ) = Ae λx + Be − λx .
X (0) = 0 ⇒ A + B = 0 ⇒ A = −B
√ √ √ √ √
X ′ (L) = 0 ⇒ Ae λL − λBe − λL = 0 ⇒ A(e λL + e − λL ) = 0
|{z} | {z }
A=−B >0
⇒ A = 0 & B = 0.
Página 89 de 158
λ < 0: finalmente, nossa última esperança para a solução não identicamente nula
(que sabemos existir) nos dá
√ √
X (x ) = A cos ( −λx ) + B sin ( −λx )
X (0) = 0 ⇒ A = 0
2
√ √ √ π2 1
X (L) = 0 ⇒ B λ cos ( λL) = 0 ⇒ cos ( −λL) = 0 ⇒ λ n = − 2 n +
′
.
L 2
Consequentemente, as soluções deste caso terão a cara
2
1 π2 1
π
Xn (x ) = C sin − n + x , λ n = − 2 n + .
L 2 L 2
1 1 1
π π π
u n = a n cos n + t + b n sin n + t sin − n + x
L 2 L 2 L 2
A parte 3 consiste em colocar tudo o que encontramos acima numa solução única
∞
1 1 1
Õ π π π
u (x, t ) = a n cos n + t + b n sin n + t sin − n + x ,
n=0
L 2 L 2 L 2
com condições
∞
1
Õ π
u 0 (x ) = u (x, 0) = a n sin n+ x .
n=0
L 2
A diferença é que, agora, iremos aplicar o ferramental de álgebra linear que vimos
na aula passada. Aqui, consideraremos
1
π
ϕn = sin n+ x ,
L 2
que é ortogonal e
L
1 1
∫
π π
⟨ϕn , ϕm ⟩ = sin n + x sin m + x dx = 0.
0 L 2 L 2
Sabemos que
2
d2 1
π
ϕn = − n+ ϕn = λ n ϕn ,
dx 2 L 2
Página 90 de 158
tal que
d2
λ n ⟨ϕn , ϕm ⟩ = ⟨λ n ϕn , ϕm ⟩ = ϕn , ϕm
dx 2
d2
= ϕn , 2 ϕm
dx
= ⟨ϕn , λ m ϕm ⟩
= λ m ⟨ϕn , ϕm ⟩ .
Consequentemente,
(λ n − λ m ) ⟨ϕn , ϕm ⟩ = 0
e, logo,
n , m ⇒ ⟨ϕn , ϕm ⟩ = 0.
Para podermos aplicar o que foi visto, queremos também que esse conjunto de
vetores forme uma base ortonormal, ou seja, ∥ϕn ∥ = 1. Esta condição equivale a
2
L
1 1 1
∫ ∫ L
2 π 2 π L
c sin n + x dx = c 1 − cos 2 n + x dx = c 2,
0 L 2 0 2 L 2 2
ou seja, r
2 1
π
ϕn = sin n+ x .
L L 2
Com isso, sabemos que
∞ ∞
r ∫ r
2 L
1 2 1
Õ Õ πy πx
u0 = ⟨u 0, ϕn ⟩ ϕn = u 0 (y ) sin n+ dy sin n+ )
n=0 n=0
L 0 L 2 L L 2
∞
2 L
1 1
∫
Õ πy πx
= u 0 (y ) sin n+ dy sin n+ ) .
n=0
L 0 L 2 L 2
2 1
∫ L
πy
an = u 0 (y ) sin n+ dy.
L 0 L 2
Página 91 de 158
pois
∞ ∞ ∫
2 L
(n + 1/2)π y (n + 1/2)πx
Õ Õ
u 1 (x ) = ⟨u 1, ϕn ⟩ ϕn = u 1 (y ) sin dy sin .
n=0 n=0
L 0 L L
Portanto,
2 L
(n + 1/2)π y
∫
bn = u 1 (y ) sin dy.
(n + 1/2)π 0 L
X ′′ (x ) = λX (x )
⇒ X (x ) = sin (nx ), n ∈ Î
X (0) = X (π) = 0
e
u n (x, t ) = [a n cos (nt ) + b n sin (nt )] sin (nx ).
Passo 3:
∞
Õ
u (x, t ) = [a n cos (nt ) + b n sin (nt )] sin (nx )
n=1
∞
2 π
Õ ∫
u (x, 0) = u 0 ⇒ a sin (nx ) = u 0 (x ) ⇒ a n = u 0 (y ) sin (n y )dy
n=1
π 0
∞
∂u Õ
(x, 0) = 0 ⇒ − b n n sin (nx ) = 0 ⇒ b n = 0.
∂t n=1
Página 92 de 158
que teremos que derivar aquela expressão. Fazendo isto, obtemos
∞
Õ
u (x, t ) = a n cos (nt ) sin (nx )
n=1
∞
Õ
∂x u (x, t ) = na n cos (nt ) cos (nx )
n=1
Õ∞
∂t u (x, t ) = − na n sin (nt ) sin (nx )
n=1
∞
∂x2x u (x, t ) = − n 2 a n cos (nt ) sin (nx )
Õ
n=1
∞
∂t2t u (x, t ) = − n 2 a n cos (nt ) sin (nx )
Õ
n=1
∞
∂x2t u (x, t ) = −
Õ
na n cos (nt ) sin (nx ).
n=1
Logo, basta provar que essas derivadas dão valores que existem, o que pode ser
alcançado provando que a série
∞
|n 2 a n |
Õ
n=1
converge.
Com efeito, pela forma de a n ,
=0
2 π
2 cos (n y ) π 2
∫ ∫ π
cos (n y )
z}|{
an = u 0 (y ) sin (n y )dy = − u 0 (y ) + u 0′ (y ) dy
π 0 π n 0 π 0 n
2
∫ π
cos (n y )
= u 0′ (y ) dy
π 0 n
2 ′ sin (n y ) π 2
∫ π
sin (n y )
= u 0 (y ) − u ′′
0 (y ) dy
π n2 0 π 0 n2
2 ′′ cos (n y ) π 2
∫ π
cos (n y )
= u 0 (y ) 3
+ u 0′′′ (y ) dy,
π n 0 π 0 n3
que nos permite escrever
2 π
∫
an = ± 3 cn , cn = u ′′′ (y ) cos (n y )dy.
πn 0
Logo,
∞ ∞ ∞ 1 ∞ 12
Õ
2 2Õ1 2 Õ 1 2 Õ 2
n |a n | = |c n | ≤ 2
|c n | < ∞,
n=1
π n=1
n π n=1
n n=1
| {z } | {z }
2 Bessel ⇒<∞
= π6 <∞
Página 93 de 158
15 Aula 15 - 30 de Abril, 2025
15.1 Um Comentário sobre Mudança de Variáveis.
A aula de hoje foi mais focada na revisão para a prova. No entanto, foi feito um
comentário a respeito da mudança de variáveis: se f : [0, π] → Ò for uma função
2π-periódica, temos em mente a solução geral dada por
∞
2 π
Õ ∫
f (x ) = b n sin (nx ), bn = f (y ) sin (n y )dy,
n=1
π 0
Com isto, sabemos resolver a série para f˜ como foi dado acima:
∞
2 π
∫
f˜ (x ) = f˜ (y ) sin (n y )dy,
Õ
b n sin (nx ), bn =
n=1
π 0
com coeficientes
2 π
2
∫ ∫ L
yL nπz
bn = f sin (n y )dy = f (z ) sin dz.
π 0 π L 0 L
Página 94 de 158
16 Aula 16 - 07 de Maio, 2025
16.1 Motivações
• Calor e Onda em Mais Dimensões;
∂t = ∆u, t > 0, x ∈ Ω
∂u
u = 0, x ∈ ∂Ω .
u (x, 0) = u 0 (x ),
x ∈Ω
Usando a solução normalmente encontrada no passo 1, concluímos que, para x =
(x 1, x 2, . . . , x n ) em um conjunto Ω de Òn ,
X ′′ (x ) T ′ (t )
u (x, t ) = X (x )T (t ) ⇒ = ...,
X (x ) T (t )
mas não. Aqui, não faz sentido falar na derivada de X em x, porque x é uma variável
em Òn ! A forma que encontramos, na verdade,
∆X (x ) T ′ (t )
u (x, t ) = X (x )T (t ) ⇒ = = λ.
X (x ) T (t )
O processo da EDO é o mesmo, mas temos que levar em conta a multidimensiona-
lidade da X!
O passo 2 também muda: partindo de que u (x, t ) = 0 quando x é um ponto na
fronteira de Ω, segue que X (x ) = 0 na fronteira também. Assim,
∆X (x ) = λX (x ), x ∈ Ω
X (x ) = 0, x ∈ ∂ Ω
T ′′ (t ) = λT (t ).
Página 95 de 158
e obtemos a EDO no Passo 2
∆X (x ) = λX (x ), x ∈ Ω
X (x ) = 0, x ∈ ∂ Ω
T ′′ (t ) = λT (t ).
Ambos os passos 2 das duas equações acabam lidando com o problema de au-
tovalores do Laplaciano com condições de Dirichlet, que pode ser atacado por meio
do teorema abaixo
Note que a expressão para u 0 no item 4 pode ser reescrita, usando os outros
itens, como
∫ Õ N 2 N →∞
u0 − ⟨u 0, ϕn ⟩ ϕn dx −→ 0.
Ω n=1
Exemplo 28. Considere o caso em que n vale 1 e Ω é o intervalo aberto Ω = (0, π).
Aqui, tomemos r
2
ϕn (x ) = sin (nx ), λ n = −n 2
π
e
∞ ∞ ∫ π
2
Õ Õ
u0 = ⟨u 0, ϕn ⟩ ϕn = u 0 (y ) sin (n y )dy sin (nx ),
n=1 n=1
π 0
que nada mais é que a série seno! Com isso, quando atacamos o passo da condição
inicial no calor e na onda, conseguimos
∞
Õ ∞
Õ
u (x, t ) = Tn (t )Xn (x ) = c n e λn t ϕn (x )
n=1 n=1
∞
Õ ∞
Õ
u 0 (x ) = u (x, 0) = c n ϕn (x ) ⇒ c n = ⟨u 0, ϕn ⟩ ⇒ u (x, t ) = ⟨u 0, ϕn ⟩ e λn t ϕn .
n=1 n=1
Página 96 de 158
Para a onda, também, obtemos a solução com esse mesmo processo:
∞
Õ ∞
Õ p p
u (x, t ) = Tn (t )X n (x ) = [b n sin ( −λ n t ) + a n cos ( −λ n t )]ϕn
n=1 n=1
∞
Õ
u 0 (x ) = a n ϕn ⇒ a n = ⟨u 0, ϕn ⟩
n=1
∞
∂u Õ p 1
v0 (x ) = (x, 0) = b n −λ n ϕn ⇒ b n = √ ⟨v0, ϕn ⟩
∂t n=1 −λ n
∞
1
Õ p p
u (x, t ) = ⟨u 0, ϕn ⟩ cos ( −λ n t ) + √ ⟨v0, ϕn ⟩ sin ( −λ n t ) ϕn .
n=1 −λ n
O que aprendemos com este exemplo é que já temos um método para resolver as
EDPs que não depende tanto da dimensão. Testaremos ele com o seguinte problema
de autovalores em n = 2: seja Ω o retângulo de base L 1 e altura L 2 encostado na
origem e considere a EDP
( 2 2
∂ u
∂x 2
(x, y ) + ∂∂ yu2 (x, y ) = λu (x, y ), x ∈ (0, L 1 ), y ∈ (0, L 2 )
.
u (0, y ) = u (L 1, y ) = u (x, 0) = u (x, L 2 ) = 0, x, y ∈ (0, L 1 ) × (0, L 2 )
Temos que determinar a função u e o escalar λ.
Nosso passo 1 será considerar a solução u (x, y ) = X (x )Y (y ), o que indica que
X ′′ (x )Y (y ) + X (x )Y ′′ (y ) = λX (x )Y (y ).
Dividindo tudo por X (x )Y (y ), temos a equação
X ′′ (x ) Y ′′ (y )
= = λ,
X (x ) Y (y )
tal que isto torna-se o conjunto de equações
X′′ (x ) = λ 1 X (x )
′′
Y (x ) = λ 2Y (y )
λ 1 + λ 2 = λ.
Em seguida, no passo 2, usamos as condições de contorno para obtermos
u (0, y ) = u (L 1, y ) = 0 ⇔ X (0)Y (y ) = X (L 1 )Y (y ) = 0 ⇔ X (0) = X (L 1 ) = 0
e, analogamente,
u (x, 0) = u (x, L 2 ) = 0 ⇔ X (x )Y (0) = X (x )Y (0) = 0 ⇔ Y (0) = Y (L 2 ) = 0,
que nos fornece as soluções para as EDOs dadas por
2
nπx nπ
X (x ) = λ 1 X (x ), X (0) = X (L 1 ) = 0 ⇒ X n (x ) = sin
′′
, λ1 = −
L1 L1
2
nπ y nπ
Y ′′ (x ) = λ 2Y (x ), Y (0) = Y (L 2 ) = 0 ⇒ Yn (y ) = sin , λ1 = − ,
L2 L2
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tal que as soluções da EDP terão a cara
2
nπx mπx
ϕmn (x, y ) = √ sin sin
L 1L 2 L1 L2
2 2
nπ mπ
λ mn = − + .
L1 L2
Vamos ver o mesmo problema quando Ω é uma bola unitária:
com EDP
∂ 2u ∂ 2u
(
∂x 2
(x, y ) + ∂y2
(x, y ) = λu (x, y ), (x, y ) ∈ Ω
.
u = 0, (x, y ) ∈ ∂ Ω
Como retornaremos a isto quando virmos as EDPs de Laplace e Poisson, por
agora vamos apenas jogar as soluções com uma transformação de variáveis, aceitando
que fazer isso é possível:
x = r cos (θ) ∂ 2u 1 ∂u 1 ∂ 2u
∆u = + + ,
y = r sin (θ) ∂r 2 r ∂r r 2 ∂θ 2
com a vantagem disso tornar a EDP original
∂ 2u 1 ∂ u 1 ∂ 2u
+ r ∂r + r 2 ∂θ 2 , = λu (r , θ), (r , θ) ∈ [0, 1] × [0, 2π]
∂r 2 .
u (1, θ) = 0, θ ∈ [0, 2π]
r 2 R ′′ + r R ′ − λr 2 R = λ 1 R & Θ′′ = λ 2 Θ.
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e, em R, teremos a condição pela própria EDP:
1, λ2 = 0
Θ(θ) = sin (nx ), λ 2 = −n 2 .
cos (nx ), λ 2 = −n 2 .
A da EDO em R é a Equação de Bessel, então vamos deixar ela pra depois,
porque a cara dessa aqui é feia:
∞ 2k +v
(−1) k x
v 2 = λ1 .
Õ
Jv (x ) = ,
k =0
k !Γ(k + r − 1) 2
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17 Aula 17 - de Maio, 2025
17.1 Motivações
• Existência da Solução de Laplace;
• Método da Energia;
∆u (x ) = f (x ), x ∈Ω
Bu (x ) = g (x ), x ∈ ∂Ω
e, quanto à classificação,
Laplace: se f = 0, ou seja,
∆u = 0;
I) Dirichlet: u (x ) = g (x ), x ∈ ∂ Ω;
II) Neumann: ∂n u (x ) = g (x ), x ∈ ∂ Ω;
III) Robin: ∂n u (x ) + a (x )u (x ) = g (x ), x ∈ ∂ Ω.
Além disso, vale a pena olhar para os diferentes formatos dela em cada dimensão.
d2u
n=1: (x ) = f (x );
dx 2
∂ 2u ∂ 2u
n=2: (x, y ) + (x, y ) = f (x, y );
∂x 2 ∂y2
∂ 2u ∂ 2u ∂ 2u
n=3: (x, y , z ) + (x, y , z ) + (x, y , z ) = f (x, y , z ).
∂x 2 ∂y2 ∂z 2
Exemplo 29. No caso de uma dimensão, um exemplo da equação de Laplace seria
d2u
= f (x )
(x )
dx 2 .
u (0) = α, u (L) = β
d2 u d2v d2w
= + = 0 + f = f (x )
dx 2 dx 2 dx 2
u (0) = v (0) + w (0) = α + 0 = α
u (L) = v (L) + w (L) = 0 + β .
d2v
= 0 ⇒ v ′ (x ) = A ⇒ v (x ) = Ax + B
dx 2
β −α
v (0) = α ⇒ β = α, v (L) = β ⇒ AL + α = β ⇒ A =
L
β −α
v (x ) = x + α.
L
Agora, podemos resolver para w e obter
∫ x ∫ x ∫ y
w (x ) = f (x ) ⇒ w (x ) = A +
′′ ′
f (s)ds ⇒ w (x ) = Ax + b + f (s)ds dy,
0 0 0
Em conclusão,
x ∫ y
1 L ∫ y
∫ ∫
β −α
u (x ) = α + x+ f (s)ds dy − f (s)ds dy x
L 0 0 L 0 0
leva em
u ′ (0) = α ⇒ A = α
∫ L
u (L) = β ⇒ α +
′
f (s)ds,
0
ou seja, ∫ L
f (s)ds = β − α
0
garante que a igualdade seja válida. Neste caso, teremos
∫ x ∫ y
u (x ) = α x + f (s)ds dy + B,
0 0
∆u (x ) = f (x ), x ∈Ω
.
∂n (x ) = g (x ), x ∈ ∂ Ω.
∂u
∂t = ∆u + f
∂u
Bu = 0
Veremos mais três casos onde aparecem as condições, antes de seguirmos para o
estudo das soluções.
∆u (x ) = f (x ), x ∈Ω
.
u (x ) = g (x ), x ∈ ∂Ω
∆w = ∆u − ∆v = f − f = 0, x ∈Ω
.
w | ∂ Ω = u | ∂ Ω − v | ∂ Ω = g − g = 0, x ∈ ∂ Ω.
maxΩ w = max∂ Ω w = 0
0 ≤ w ≤ 0 ⇒ 0 ⇒ u − v = 0.
minΩ w = min∂ Ω w = 0.
Portanto,
u = v. ■
∆u (x ) = 0, x ∈Ω ∆v (x ) = 0, x ∈Ω
&
u (x ) = g (x ), x ∈ ∂Ω v (x ) = h (x ), x ∈ ∂Ω
∆w = ∆u − ∆v = 0
e
w | ∂ Ω = u | ∂ Ω − v | ∂ Ω = g − h.
Como consequência do princípio do máximo, também,
Logo,
max (g − h) ≤ max |g − h|,
∂Ω ∂Ω
que pode ser reescrito também como
∂ 2v ∂ 2v ∂ 2w ∂ 2w
+ =0 + =0
∂x 2 ∂ y 2 ∂x 2 ∂ y 2
v (x, 0) = f1 (x ) w (x, 0) = 0
v (x, L 2 ) = f2 (x ) w (x, L 2 ) = 0
v (0, y ) = 0 w (0, y ) = g 1 (y )
v (L 1, y ) = 0 w (L 1, y ) = g 2 (y ),
∂ 2v ∂ 2 u X ′′ (x ) Y ′′ (y )
0= + ⇐⇒ X ′′
(x )Y (y ) + X (x )Y ′′
(y ) = 0 ⇐⇒ + = 0.
∂x 2 ∂ y 2 X (x ) Y (y )
Em conclusão,
X ′′ (x ) Y ′′ (y )
=λ & = −λ ⇐⇒ X ′′ (x ) = λX (x ) & Y ′′ (y ) = −λY (Y ).
X (x ) Y (y )
A partir disso, no passo 2, usaremos as condições de fronteira para determinar
quais são os possíveis λ’s que satisfaçam estas equações. Com efeito, temos v (0, y ) =
v (L, y ) = 0 leva a
Logo,
2
X ′′ (x ) = λX (x )
nπ nπ
⇒ Xn (x ) = sin x , λn = −
X (0) = X (L 1 ) = 0 L1 L1
podemos estudar os casos em que y vale 0 ou L 2 para obter os valores destas funções.
Ao fazermos isso, chegamos em
∞
Õ nπ
y = 0 ⇒ f1 (x ) = v (x, 0) = c n sin x
n=1
L 1
∞
Õ nπ nπ nπ
y = L 2 ⇒ f2 (x ) = v (x, L 2 ) = c n cosh L 2 + d n sinh L 2 sin x
n=1
L1 L1 L1
Com base no que encontramos para f1 , deduzimos que os coeficientes c n ’s têm ex-
pressão
2
∫ L1
nπ
cn = f1 (s) sin s ds,
L1 0 L1
que podemos usar para encontrar os próprios d n ’s
2
∫ L1
nπL 2 nπL 2 nπs
c n cosh + d n sinh = f2 (s) sin ds
L1 L1 L1 0 L1
1 2
∫ L1
nπs nπL 2
⇒ dn = f2 sin ds − c n cosh ,
nπL 2 L1 0 L1 L1
sinh L 1
∆u (x, y ) = 0, x2 + y2 < 1
.
u (x, y ) = g (x, y ), x2 + y2 = 1
v (r , θ) = u (x (r , θ), y (r , θ)),
então
∂ 2v 1 ∂v 1 ∂ 2v
∂r 2 + r ∂r + r 2 ∂θ 2 , 0 ≤ r < 1, −π ≤ θ ≤ π
v (1, θ) = g (θ), −π ≤ θ ≤ π
v (r , −π) = v (r , π),
∂v
(r , −π) = ∂v
(r , π).
∂θ ∂θ
r 2 R ′′ (r ) R ′ (r ) Θ (θ)
′′
+r + = 0.
R (r ) R (r ) Θ(θ)
Assim,
r 2 R ′′ (r ) + r R ′ (r ) = λR (r )
Θ′′ (θ) = −λΘ(θ).
R (r )Θ(−π) = R (r )Θ(π)
R (r )Θ′ (−π) = R (r )Θ′ (π),
logo
Θ(−π) = Θ(π) & Θ′ (−π) = Θ′ (π).
Em conclusão,
Θ(θ) = a + bθ
Θ(θ) = a ∈ Ò.
Θ(−π) = Θ(π) ⇔ a − bπ = a + bπ ⇒ b = 0
junto à
√ √ √ √
Θ′ (θ) = Θ′ (π) ⇐⇒ −Ae − −λπ
+ Be −λπ
= −Ae −λπ
+ Be − −λπ
√ √
⇐⇒ 2Be −λπ
= 2Be − −λπ
√ √
⇐⇒ e −λπ = e − −λπ
|{z} | {z }
>1 <1
√ √
⇒ B = 0 ⇒ Ae − −λπ
= Ae −λπ
⇐⇒ A = 0.
Logo,
∞ ∫ −1 ∫ π
1 Õ π i n (θ−ψ) n 1 Õ
v (r , θ) = e r g (ψ)dψ + e i n (θ−ψ) r −n g (ψ)dψ
2π n=0 −π 2π n=−∞ −π
∞ ∞
1 1
∫ π Õ ∫ π Õ
= n i n (θ−ψ)
r e g (ψ)dψ + r en −i n (θ−ψ)
g (ψ)dψ
2π −π n=0 2π −π n=0
1 1 1
∫ π ∫ π
e −i (θ−ψ) r
= g (ψ)dψ + g (ψ)dψ
2π −π 1 − r e i (θ−ψ) 2π −π 1 − r e −i (θ−ψ)
1 1 − r e −i (θ−ψ) + r e −i (θ−ψ) − r 2
∫ π
= g (ψ)dψ
2π −π (1 − r e i (θ−ψ) )(1 − r e −i (θ−ψ) )
1 1 − r2
∫ π
= g (ψ)dψ.
2π −π 1 + r 2 − 2r cos (θ − ψ)
em que este resultado final é um caso específico da chamada Fórmula de Poisson.
Ela pode ser reescrita ainda na forma de uma convolução com o núcleo de Poisson:
1 1 − r2
∫ π ∫ π
v (r , θ) = g (ψ)dψ = H r (θ − ψ) g (ψ)dψ
2π −π 1 + r 2 − 2r cos (θ − ψ) −π | {z }
Núcleo de Poisson
x = a + R r cos (θ)
y = b + R r sin (θ)
∆u (x, y ) = 0, (x − a) 2 + (y − b) 2 ≤ R 2
.
u (x, y ) = u (x, y ), (x − a) 2 + (y − b) 2 = R 2
Assim, temos
R2 − r2 π
∫
u (a + R cos (ψ), b + R sin (ψ))
u (x (r , θ), y (r , θ)) = dψ, [r > 0,
2π −π R 2 − r 2 − 2r R cos (θ − ψ)
que é a fórmula de Poisson com
Para r = 0, portanto,
• Desigualdade de Harnack;
u |∂ Ω = h
sendo que
R2 − r 2 π
∫
h (ψ)
u (a + r cos (θ), b + r sin (θ)) = dψ.
2π −π R2 + r2 − 2r R cos (θ − ψ)
Colocando h = u | ∂B , temos
Logo,
R2 − r 2 π
∫
u (a + R cos (ψ), b + R sin (ψ))
u (a + r cos (ψ), b + r sin (ψ)) = dψ,
2πR −π R 2 + r 2 − 2r R cos (θ − ψ)
que pode ser reescrita por meio da substituição
então
R 2 − ∥x − p ∥ 2 u (x ′)
∫
u (x ) = 2
dS(x′),
2πR ∂B ∥x − x ∥′
Logo,
1 π
∫
u (a, b) = u (a + r cos (θ), b + r sin (θ))r dθ, [r > 0, B r (a, b) ⊆ Ω,
2πr −π
sendo que
Consequentemente,
1
∫ R ∫ R∫ π
r u (a, b)dr = u (a + r cos (θ), b + r sin (θ))dθdr,
0 2π 0 −π
ou seja,
R2 1 1
∬ ∬
u (a, b) = udx d y ⇐⇒ u (a, b) = udx d y ,
2 2π B R (a,b) πR 2 B
∆u = 0.
u (x ) = u (x 0 ), [x ∈ Ω.
Consequentemente,
B r ( x̃ ) ⊆ C.
Concluímos, com isso, que C é não-vazio, aberto E fechado no conexo Ω. Portanto,
C = Ω ⇒ u (x ) = u (x 0 ), [x ∈ Ω. ■
∆u = 0.
Então, para todo raio positivo tal que ∥x ∥ < R , valem as desigualdades
R − ∥x ∥ R + ∥x ∥
u (0) ≤ u (x ) ≤ u (0).
R + ∥x ∥ R − ∥x ∥
R 2 − ∥X ∥ 2 u (x ′)
∫
u (X ) = ′ 2
dS.
2r R ∂B r (0) ∥x − x ∥
R − ∥x ∥ = ∥x ′ ∥ − ∥x ∥ ≤ ∥x ′ − x ∥ ≤ ∥x ′ ∥ + ∥x ∥
≤ R + ∥x ∥.
Desta forma,
u (x ′)
∫
(R + ∥x ∥)(R − ∥x ∥)
u (x ) = ′ 2
dS
2πR ∂B r (0) ∥x − x ∥
u (x ′)
∫
(R + ∥x ∥)(R − ∥x ∥)
≤ 2
dS
2πR ∂B (R − ∥x ∥)
R + ∥x ∥ 1
∫
= u (x ′)dS
R − ∥x ∥ 2πR ∂B
R + ∥x ∥
= u (0)
R − ∥x ∥
∆u = 0.
Então, u é constante.
Prova. Pela Desigualdade de Harnack ,
R − ∥x ∥ R + ∥x ∥
u (0) ≤ u (x ) ≤ u (0), [∥x ∥ < R .
R + ∥x ∥ R − ∥x ∥
Fixando x e tomando o limite quando R tende a infinito, obtemos
e ele também pode ser visto como um teorema de integração por partes, já que,
supondo que temos um aberto em duas dimensões (mesma coisa para outras!), te-
remos
∫ ∫
∂f ∂ ∂g
g dxdy = (f g ) − f dxdy
∂ Ω ∂x Ω ∂x ∂x
∫ ∫
∂g
=− f dxdy + + · (f g , 0)dxdy
∂x
∫Ω ∫Ω
∂g
=− f dxdy + f g n x dS,
Ω ∂x ∂Ω
em que usamos
∫ ∫ ∫
+ · (f g , 0)dxdy = (f g , 0) · (n x , n y )dS = f g n x dS.
Ω ∂Ω ∂Ω
u (x ′) R 2 − ∥x ∥ 2 2(x − x ′)u (x )
∫ ∫
−2(x − a)
= ′ ∥2
ds(x ′
) − ′ ∥2
ds(x′),
2πR ∂B R (p) ∥x − x 2πR ∂B R (p) ∥x − x
onde usamos que
1 1
∥x − p ∥ 2 = (x − a) 2 + (y − b) 2 ⇒ = .
∥x − x ′ ∥ 2 (x − x ′) 2 + (y − y ′) 2
Assim, se x = p, temos, no bordo, ∥x ′ − p ∥ 4 = R 4 e
R2 2(a − x ′)u (x ′)
∫
∂x u (p) = − 4
ds(x′),
2πR ∂B R (p) R
tal que
≤R ≤M
1
∫ z }| { z }| {
|∂x u (p)| ≤ |a − x ′ | |u (x ′)| ds(x′)
R 3 π ∂R (p)
∫
M
≤ ds(x′)
πR 2 ∂B R (p)
M 2M
= 2πR = , [R > 0.
πR 2 R
Como R foi tomado de forma arbitrária, a única forma da desigualdade acima ser
verdadeira é se
∂x u (p) = 0,
ou seja, se u for constante em x. De forma análoga, provamos que
∂y u (p) = 0,
u ∈ C ∞ (Ω)
Com isso,
R 2 − ∥x − R ∥ 2 u (x ′)
∫
u (x ) = ds(x′),
2πR ∂B R (p) ∥x − x ′ ∥ 2
| {z }
C ∞ (Ω)
u (x ′)
∫ ∫
j j
∂xk ∂y ′ 2
ds(x′) = u (x ′)∂xk ∂y (∥x − x ′ ∥ −2 )ds(x′)
∂B R (p) ∥x − x ∥ ∂B R (p)
pois
u (x ′)
(x, x ) ∈ ∂B R (p) × B R (p) ↦→
2 ∥x − x ′ ∥ 2
é limitada, com derivadas limitadas e C ∞ no espaço em que é definida. A ideia
aqui é que se temos uma função K que é C ∞ em (x,y), então
K (x + h, y , θ) − K (x, y , θ)
∫ π ∫ π
K (x, y , θ)dθ ⇒ dθ
−π −π h
∫ π∫ 1
= ∂x K (x + sh, y , θ)dsdθ
−π 0
e, assim,
K (x + h, y , θ) − K (x, y , θ)
π
∫
− ∂x K (x, y , θ) dθ =
−π h
∫ π ∫ 1
= ∂x K (x + sh, y , θ) − ∂x K (x, y , θ)ds dθ. ■
−π 0
∂t (x, t ) = ∆u (x, t ), t ≥ 0, x ∈ Òn
∂u
,
u (x, 0) = u 0 (x ), x ∈ Òn
a onda em Òn
∂ 2u (x,t )
∂t 2 = ∆u (x, t ), t ∈ Òn , x ∈ Òn
u (x, 0) = u 0 (x ), x ∈ Òn
∂t (x, 0) = v0 (x ), x ∈ Òn
∂ u
e a equação de Laplace em Òn
∆u (x ) = 0, Òn+ = {x ∈ Òn : x n > 0}
.
u (x, 0) = u 0 (x ), x ∈ Òn−1
Olhando, por exemplo, para a de calor, a ideia base aqui é que nós sabemos que,
no caso unidimensional,
∞
Õ
u (x, t ) = c n (t ) sin (nx ),
n=1
Uma observação aqui é que saímos de uma derivada para uma multiplicação - a
derivada segunda com respeito a x pode ser obtida simplesmente multiplicando a
derivada com respeito a t por (−n 2 ). Com a transformada de Fourier, tentaremos
transformar, em geral
∂ 2u
⇝ −ξ 2û (ξ),
∂x 2
consequentemente transformando o problema
∂u ∂ 2u
= 2
⇝ û ′ (ξ, t ) = −ξ 2û (ξ, t ).
∂t ∂x
Tentaremos obter algo análogo à série de Fourier em Ò. Para isso, seja f : Ò → Ò
e suponha que f (x ) = 0 para |x | ≥ R . Se L for maior que R, então
∞
1 L
Õ ∫
i nπ nπ
f (x ) = cn e L x , cn = f (y )e −i L y
dy, [|x | ≤ L.
n=−∞
2L −L
Agora, coloque
π π 1 1
∆ξ = , ξn = n∆ξ = n , & ∆ξ = ,
L L 2π 2L
tal que
∞
1
Õ ∫ L
nπ nπ
f (x ) = f (y )e −i L y dye i L x
n=−∞
2L −L
∞
1
Õ ∫ L
= f (y )e −i ξn y dye i ξn x ∆ξ
n=−∞
2π −L
∞
1
Õ ∫ L
= f (y )e −i ξn y dye −i ξn x .
n=−∞
2L −L
Assim, definindo ∫ ∞
fˆ (ξn ) B f (y )e −i ξn y dy,
−∞
concluímos que
∞
1 Õ ˆ
f (x ) = f (ξn )∆ξ,
2π n=−∞
que lembra um pouco a integral de Riemann do cálculo 1. Quando tendemos L ao
infinito, segue que ∆ξ tende a 0 e, consequentemente,
1
∫ ∞
f (x ) = e i ξx fˆ (ξ)dξ.
2π −∞
Este processo todo motivou a seguinte definição:
1
∫ ∞
−1 ˆ
F [f (x )] = e i ξx fˆ (ξ)dξ. □
2π −∞
1,
|x | ≤ R
f (x ) = χ [−R,R ] (x ) = .
0, |x | > 0
Então,
∫ ∞ ∫ R
fˆ (ξ) = e −i ξx
χÒ (x )dx = e −i ξx dx
−∞ −R
e −i ξx R
=
−i ξ −R
1
= (e −i ξR − e i ξR )
−i ξ
2 e i ξR − e −i ξR
=
ξ 2i
2 sin (ξR )
= sin (ξR ) = 2 .
ξ ξ
Com isso, observe que ∫ ∞
sin (ξR )
dξ = ∞,
−∞ ξ
mas ∫ ∞
sin (ξR )
dξ,
−∞ ;
ou seja, a transformada de Fourier da função característica do intervalo [−R, R ] é
de classe L 2 .
f (x ) = e −a |x | , a > 0.
dj fˆ
F (x j f ) = i j (ξ).
dξ j
Antes de continuar, vamos terminar o exemplo da aula passada
Exemplo 34. Como calcular a integral de
∫ ∞
2
e −ax dx, a > 0?
−∞
x = r cos (θ)
dx d y = r d r d θ,
y = r sin (θ)
então
1 ∞
∫
f (x ) = e i x ξ fˆ (ξ)dξ.
2π −∞
1
∫ ∞
f (x ) = e i x ξ fˆ (ξ)dξ
2π −∞
Prova. Basta fazer a conta e ver que
1 1
∫ ∞ ∫ ∞ ∫ ∞
i xξ ˆ
e f (ξ)dξ = e i xξ
e −i ξy
f (y )dy dξ
2π −∞ 2π −∞ −∞
| {z }
fˆ (ξ)
1 ∞ ∫ ∞
∫
= e i (x −y )ξ
dξ f (y )dy,
2π −∞ −∞
(y , ξ) ↦→ e i (x −y )ξ f (y )
1 1
∫ ∞ ∫ ∞
2
i xξ ˆ i x ξ − ε2 ξ 2 ˆ
e f (ξ)dξ = lim e e f (ξ) dξ
2π −∞ 2π −∞ ε→0
1
∫ ∞
ε2 2
= lim e i x ξ e − 2 ξ fˆ (ξ)dξ
2π ε→0 −∞
1
∫ ∞ 2
∫ ∞
i x ξ − ε2 ξ 2
= lim e e e −i ξy
f (y )dy dξ
2π ε→0 −∞ −∞
1
∫ ∞ ∫ ∞ 2
−i (y −x )ξ − ε2 ξ 2
= lim e e dξ f (y )dy.
2π ε→0 −∞ −∞
Note que
∞
ε2 2 ε2 2
∫
e −i (y −x )ξ e − 2 ξ dξ = F (e − 2 ξ )(y − x ),
−∞
que, como vimos nas propriedades da transformada de Fourier, pode ser reescrita
como r
ε2 2 2π − 22 (y −x ) 2 2π − (y −x2) 2
F (e − 2 ξ ) = e 4ε = e 2ε .
ε2 ε
Com isso, substituindo
y −x 1
z= & dz = dy,
ε ε
-1
Exemplo 35. Ache as transformadas de Fourier
1
sin (ax )
F 2 & F .
a + x2 x
Sabemos que
2a
F (e −a |x | ) = ,
a2 + ξ2
tal que
2a
e −a |x |
=F −1
.
a 2 + ξ2
Sendo assim,
1 ∞
2a 1 ∞
2a
∫ ∫
e i xξ
2 2
dξ = e −a |x | ⇝ e −i x ξ dx.
2π −∞ a +ξ |{z} 2π −∞ a2 + x2
x ↦→−ξ
ξ↦→x
Consequentemente,
1
π
F 2 2
= e −a |ξ| .
a +x a
Para a de seno, vimos na aula passada que
2 sin (aξ)
F (χ [−a,a] ) = ,
ξ
1 2 sin (aξ)
∫ ∞
ei xξ dξ = χ [−a,a] (x )
2π −∞ ξ
1 2 sin (ax )
∫ ∞
⇐⇒ e −i x ξ dx = χ [−a,a] (ξ)
2π −∞ x
∫ ∞
sin (ax )
⇐⇒ e −i x ξ dx = πχ [−a,a] (ξ).
−∞ x
Portanto,
sin (ax )
F = πχ [−a,a] (ξ).
x
• Tabela de Transformadas;
• Convoluções.
⟨U x, U y ⟩ = ⟨x, y ⟩ ⇐⇒ U −1 = U ∗ ⇔ U = U T (i .e. Ui j = U j i ).
⟨Q x, Q y ⟩ = ⟨x, y ⟩ ⇐⇒ Q T = Q −1 .
f , g , fˆ, ĝ ∈ L 1 (Ò);
1) ⟨F f , F g ⟩ = 2π ⟨f , g ⟩
2) ∥F f ∥ 2 = 2π ∥f ∥ 2 .
= fˆ (ξ) ĝ (ξ)dξ = ⟨F f , F g ⟩ .
−∞
2) Para este, observe que
∥F f ∥ 2 = ⟨F f , F f ⟩ = 2π ⟨f , f ⟩ = 2π ∥f ∥ 2 . ■
Exemplo 36. 1) Sabemos já que
x2 √ ξ2
F (e − 2 ) = 2πe − 2 .
Logo,
∞ ξ2
∞
x2
∫ ∫
2 2 2
∥F f ∥ = 2π ∥f ∥ ⇐⇒ 2π (e − 2 ) dξ = 2π (e − 2 ) 2 dx,
−∞ −∞
condizendo com o Teorema de Plancherel .
2) Agora, considere a transformada
2a
F (e −a |x | ) = , a > 0,
a2 + ξ2
para o qual
∥F f ∥ 2 = 2π ∥f ∥ 2 .
Assim, podemos calcular a integral
4a 2
∫ ∞ ∫ ∞
2 2 2
dξ = 2π e −2a |x | dx.
−∞ (a + ξ ) −∞
Aplicando o Teorema de Plancherel , segue que
e −2ax ∞ 1
∫ ∞ ∫ ∞
e −2a |x |
dx =2 e −2ax dx = 2 =
−∞ 0 −2a 0 a
1
∫ ∞
π
⇒ dξ =
(a 2 + ξ 2 ) 2 2a 3
∫−∞∞
1 π
⇒ 2 2
dx = .
−∞ (1 + x ) 2
2 sin (aξ)
F (χ [−a,a] ) = , &∥F f ∥ 2 = 2π ∥f ∥ 2 .
ξ
Neste caso,
∞
2 sin (aξ) 2
∫ ∫ ∞
2
dξ = 2π χ [−a,a] dx
−∞ ξ −∞
∫ ∞ ∫ a
2
χ [−a,a] (x )dx = 1dx = 2a
−∞ −a
sin2 (aξ)
∫ ∞
4 dξ = 2π2a.
−∞ ξ2
Portanto,
∞
sin2 (aξ) ∞
sin2 (x )
∫ ∫
dξ = πa ⇒ dx = π.
−∞ ξ2 |{z} −∞ x2
a=1
Observação
A igualdade
∥F f ∥ 2
nos permite estender a transformada de Fourier a um operador bijetor
F : L 2 (Ò) → L 2 (Ò).
A igualdade
∥F f ∥ 2 = 2π ∥f ∥ 2
continua valendo para qualquer f em L 2 (Ò).
A forma de fazer esta extensão é, dada uma função f ∈ L 2 (Ò),
∫ R
F f B lim e i x ξ f (x )dx .
R →∞ −R
| {z }
fˆR
23.3 Convoluções.
Definição. Sejam f , g : Ò → Ã. Definimos a convolução de f e g como a função
f ∗g :Ò→Ã
∫ ∞
f ∗ g (x ) = f (x − y )g (y )dy,
−∞
Observação
A convolução funciona com
Logo,
f ∗ (g ∗ h)(x ) = (f ∗ g ) ∗ h (x ).
iv) Para esta, supondo que existam as derivadas e integrais necessárias, por um
lado temos
∫ ∞ ∫ ∞
d d
f (x − y )g (y )dy = f (x − y )g (y )dy = f ′ ∗ g (x ),
dx −∞ −∞ dx
enquanto que, por outro, podemos usar a propriedade (i) a fim de obtermos
d d
(f ∗ g ) = (g ∗ f ) = g ′ ∗ f = f ∗ g ′ . ■
dx dx
Agora, veremos como as convoluções se relacionam com as transformadas de
Fourier.
Proposição (Transformadas de Fourier e Convoluções). Considere funções f , g :
Ò → Ã bem comportadas (por exemplo, de classe L 2 ). Então,
F (f ∗ g ) = F f F g ;
F −1 (f ∗ g ) = 2π (F −1f )(F −1 g ).
Portanto,
F −1 (f ∗ g ) = 2πF −1f F −1 g . ■
d2u
− (x ) + u (x ) = f (x ), x ∈ Ò.
dx 2
Encontremos uma solução dela.
Passo 1: Aplicamos a transformada de Fourier à equação acima, obtendo
Com isso, vale lembrar que, contanto que a u e sua derivada tenham um crescimento
controlado, isto é,
x →±∞ x →±∞
u (x ) −→ 0 & u ′ (x ) −→ 0,
então valem as relações
du
F = ξû (ξ)
dx
2
du
F 2
= −ξ 2û (ξ).
dx
De fato, basta aplicar a integração por partes duas vezes para ver a validade delas:
∫ ∞ ∞ ∫ ∞
F (u ) =
′′
e u (x ) dx = u (x ) e
−i x ξ ′′ ′ −i x ξ
− (−i ξ)e −i x ξ u ′ (x ) dx
−∞ |{z} |{z} |{z} |{z} −∞ −∞ | {z } |{z}
g f′ f g g′ f
∫ ∞ ∞ ∫ ∞
= iξ e u (x ) dx = i ξ u (x ) e
−i x ξ ′
− −i x ξ
(−i ξ)e −i x ξ
u (x ) dx
−∞ |{z} |{z} |{z} |{z} −∞ −∞ | {z } |{z}
v w′ w v v′ w
2 2
= (i ξ) û (ξ) = −ξ û (ξ).
Observação
2π ∥u ∥ 2 = ∥û ∥ 2 .
A partir disso,
fˆ
2π ∥u ∥ 2 = ∥û ∥ 2 = .
1 + ξ2
Consequentemente, como 1 + ξ 2 ≥ 1,
∞
1 ∞ fˆ (ξ) 2
∫ ∫
2
|u (x )| dx = dξ
−∞ 2 −∞ 1 + ξ 2
1
∫ ∞
≤ |fˆ (ξ)| 2 dξ
2π −∞
∫ ∞
= |f (x )| 2 dx
−∞
u (x, 0) = u 0 (x ), x ∈Ò
Em conclusão,
2
û (ξ, t ) = û 0 (ξ)e −ξ t ,
e podemos novamente reverter a transformada para ver qual seria a solução. Com
efeito,
1 1
∫ ∞ ∫ ∞
2
u (x, t ) = F (û (ξ, t )) =
−1
e û (ξ, t )dξ =
i xξ
e i x ξ e −ξ t û 0 (ξ)dξ
2π −∞ 2π −∞
Passo 3: podemos finalmente passar ao último passo e simplificar essa solução
com a convolução. Sabemos que
2 2
u (x, t ) = F −1 (e −ξ t û 0 (ξ)) = F −1 (e −ξ t ) ∗ F −1 (û 0 ),
Logo,
ξ2 1
x2
F −1
e − 2 =√ e− 2 .
2π
No entanto, existe uma variável t na original. Com base no que fora feito acima,
vemos que
1 1
∫ ∞ ∫ ∞
i √x y y 2 dy
i x ξ −t ξ 2
e e dξ = e 2t e − 2 √
2π −∞ 2π −∞ 2t
∫ ∞ i √x ξ 2
1 1
2t ξ
= e e − 2 dξ √
2π −∞ 2t
1 1 1
2
ξ x x2
⇐⇒F −1 e − 2 √ √ = √ √ e − 4t .
2t 2t 2t 2t
Em conclusão,
2 1 − x2
F −1 (e −t ξ )(x ) = √ e 4t ,
4t π
e podemos escrever a solução u como
1 − x2 1
∫ ∞
(x −y ) 2
−1 −ξ 2 t
u (x, t ) = F (e ) ∗ F (u 0 ) = √
−1
e 4t ∗ (u 0 (x )) = √ e − 4t u 0 (y )dy.
4πt 4πt −∞
Com base nisso, diremos que
x2
(
√ 1 e − 4t , t >0
K t (x ) = K (x, t ) = 4πt □
0, t ≤0
Ela leva este nome pois uma solução qualquer da equação do calor pode ser
escrita justamente como uma convolução do núcleo com a condição inicial:
u (x, t ) = K t ∗ u 0 (x ).
1 2
u 0 (x ) = √ e −x .
π
9
Reflita sobre como isso é útil! Basta saber a condição inicial pra ter a solução!
1 ∞ (x −y ) 2 1
∫
2
u (x, t ) = √ e − 4t √ e −y dy
4πt ∫−∞ π
1 ∞
x 2 2x y y 2 2
= √ e − 4t + 4t − 4t −y dy
π 4t −∞
1
∫ ∞
x2 x2 1+4t x
2
=√ e − 4t + 4t (1+4t ) − 4t y − 1+4t dy
4t π −∞ ∫
1 − x2 ∞
1+4t 2
=√ e 1+4t e − 4t y dy
4t π −∞
√
1 − x2 4t √ 1 x2
=√ e 1+4t √ π =p e − 1+4t .
4t π 1 + 4t (1 + 4t )π
− t + 41 ξ 2
=F −1
e
1 x2
=p e − 1+4t .
π (4t + 1)
∂ 2K
∫ ∞
∂K
I) = ; II) K (x, t )dx = 1.
∂t ∂x 2 −∞
1 2x − x 2
∂K
=√ − e 4t
∂x 4πt 4t
∂ 2K 1 1 − x2 1 x 2x − x 2
=√ − e 4t − √ − e 4t .
∂x 2 4πt 2t 2 4πt t 4t
Portanto,
∂K ∂ 2K
= .
∂t ∂x 2
1
∫ ∞ ∫ ∞
x2
K (x, t )dx = √ e − 4t dx
−∞ 4πt ∫−∞
1 ∞
2√ x
=√ e −s 4t ds, [s = √ ]
4πt∫ ∞−∞ 4t
1 2
=√ e −s ds = 1. ■
π −∞
• Equação de D’Alembert.
1 ∞ √ t →0
∫
2
=√ e −z u 0 (x − 4t z )dz −→ 0.
π −∞
Portanto,
1
t →0 ∞
∫
2
(x, t ) → √ e −z dzu 0 (x ) = u 0 (x ).
π −∞
Além disso, a u é se u é limitada, já que
C∞
1 − (x −y ) 2 1 − (x −y ) 2
∫ ∞ ∫ ∞
j k j
∂x ∂z √ e 4t u 0 (y )dy = k
∂x ∂x √ e 4t u 0 (y )dy,
−∞ 4πt −∞ 4πt
pois K (x − y , t )u 0 (y ) é integrável, assim como suas derivadas. Em particular,
∂u ∂ 2u ∂2
∫ ∞
∂
− = (K (x − y , t )) − (K (x − y , t )) u 0 (y )dy
∂t ∂x 2 −∞ ∂t ∂x 2
∂K ∂ 2K
= (x − y , t ) − (x − y , t ) = 0,
∂t ∂x 2
indicando que u satisfaz a equação do calor.
Com uma aplicação da fórmula de Plancherel , chegamos em
∫ ∞ ∫ ∞
2 2
2π |u (x, t )| dx = e −2ξ t |u 0 (ξ)| 2 dξ,
−∞ −∞
tal que se u é uma função de quadrado integrável e t tende a infinito, a função tende
a 0 – ela “dispersa”
9
A justificativa disso requer o curso de teoria da medida.
∂K ∂ 2K
= & K (x, 0) = δ 0 (x ).
∂t ∂x 2
Observação
No estudo das EDOs, vimos a exponencial de uma matriz A ∈ Ín,n (Ò) como
solução para
x ′ (t ) = Ax (t )
x (t ) = e t A x 0 .
x (0) = x 0
Podemos fazer um análogo nas EDPs para o problema do calor:
∂t = ∆u
∂u
u (t ) = e t ∆u 0,
u (0) = u 0
Como
K t ∗ K s = K t +s ,
segue que
e t ∆ e s∆u 0 = K t ∗ (K s ∗ u 0 ) = K t +s ∗ u 0 = e (t +s)∆u 0 .
Assim, passamos de uma EDP temporal para uma EDO da mola para cada ξ fixo:
∂ 2û 2
∂t 2 (ξ, t ) = −ξ û (ξ, t ), t ∈ Ò, ξ ∈ Ò
.
û (ξ, 0) = û 0 (ξ), ξ∈Ò
∂ û (ξ, 0) = v̂ (ξ),
ξ∈Ò
∂t 0
Como
∂ 2û
= −ξ 2û (x, t ),
∂t 2
então
û (ξ, t ) = A(ξ) cos (ξt ) + B (ξ) sin (ξt ),
tal que, usando a condição inicial,
Observação
Para poder aplicar Fourier, é necessário que u 0 e v0 não cresçam rapidamente;
por outro lado, para aplicar D’Alembert, essa restrição não existe.
Seguiremos o mesmo roteiro que foi feito até agora para o uso da transformada de
Fourier:
2 ∂ 2û
− ξ û (ξ, y ) + (ξ, y ) = 0
∂y2
û (ξ, 0) = fˆ (ξ).
mas precisamos tomar A(ξ) = 0, pois o termo que o acompanha cresce muito rápido,
então a transformada inversas não está bem-definida. Logo,
Como
fˆ (ξ) = û (ξ, 0),
segue que B tem a foram
B (ξ) = fˆ (ξ).
Consequentemente,
1 ∞
∫
u (x, y ) = F −1
(fˆ (ξ)e −|ξ|y
)= e i x ξ e −|ξ|y fˆ (ξ)dξ.
2π −∞
1
∫ ∞ ∫ ∞
y y
u (x, y ) = 2 2
f (s)ds = f (x − s)ds.
−∞ π (y + (x − s) ) π −∞ (y + s 2 )
2
1 y
P (x, y ) = P y (x ) =
π y + x2
2
∆P (x, y ) = 0;
1 2y 2 x2 − y2
y
∂y 2 = − =
y + x2 y 2 + x 2 (y 2 + x 2 ) 2 (x 2 + y 2 ) 2
2
x − y2 2y yx2 − y3 6y x 2 + 2y 3
2 y
∂y 2 = ∂y = − − 4 = − .
y + x2 (x 2 + y 2 ) 2 (x 2 + y 2 ) 2 (x 2 + y 2 ) 3 (x 2 + y 2 ) 3
2x y
y
∂x 2 2
=− 2
y +x (y + x 2 ) 2
2y 4x y 2x 6x y 2 − 2y 3
2 y −2x y
∂x 2 = ∂x =− 2 + = .
y + x2 (x 2 + y 2 ) 2 (x + y 2 ) 2 (x 2 + y 2 ) 3 (x 2 + y 2 ) 3
Portanto,
∆P (x, y ) = ∂x2 P (x, y ) + ∂y2 P (x, y ) = 0.
2) Aqui, calculamos a integral diretamente:
1 1 1
∫ ∞ ∫ ∞ ∫ ∞
y dx
P y (x )dx = 2 2
dx = 2
−∞ π −∞ y + x π −∞ 1 + x
y
y
1 1
∫ ∞
x
= dz, z =
π −∞ 1 + z 2 y
∞
1 1 π π
= arctan(z ) = + = 1.
π −∞ π 2 2
1 1
∫ ∞ ∫ ∞ ∫ ∞
2
|u (x, y )| dx = 2
|û (ξ, y )| dξ = |e −|ξ|y fˆ (ξ)| 2 dξ
−∞ 2π −∞ 2π
∫−∞∞
1
= e −2y |ξ| |fˆ (ξ)| 2 dξ
2π −∞
1
∫ ∞ ∫ ∞
≤ ˆ 2
|f (ξ)| dξ = |f (x )| 2 dx.
2π −∞ −∞
Então,
lim u (x, y ) = u 0 (x ),
y →0
vale
∂ 2u ∂ 2u
∫ ∞ 2
∂ u ∂ 2u
+ = + (x, y − s)u 0 (s)ds = 0
∂x 2 ∂ y 2 −∞ ∂x
2 ∂y2
e, para quaisquer i, j naturais,
∫ ∞
k j j
∂x ∂y u = (∂xk ∂y P )(x, y − s)u 0 (s)ds,
−∞
donde concluímos que u é de classe C ∞ . Além disso, temos a estimativa
∫ ∞
|u (x, y )| ≤ |P (x, y − s)||u 0 (s)|ds
−∞
∫ ∞
≤ P (x, y − s)ds (sup |u 0 (x )|)
−∞ x ∈Ò
≤ sup |u 0 (x )|.
x ∈Ò
∆w = 0
w (x, 0) = 0 .
w (x, y ) −→ 0, x 2 + y 2 → 0
Assim, dado um ponto (x 0, y 0 ) no plano e R > 0 tal que (x 0, y 0 ) ∈ [−R, R ] × [0, R ],
o princípio do máximo garante que
w (x 0, y 0 ) ≤ max{ sup w (x, 0), sup u (x, R ), sup u (−R, y ), sup u (R , y )}.
x ∈[−R,R ] x ∈[−R ,R ] y ∈[0,R ] y ∈[0,R ]
Dado ε > 0, como todos os termos dentro do máximo são ou iguais a 0, ou menores
que ε, podemos escolher R grande suficiente tal que
w (x 0, y 0 ) = u (x 0, y 0 ) − v (x 0, y 0 ) < ε
e, analogamente, tal que
v (x 0, y 0 ) − u (x 0, y 0 ) < ε.
Portanto,
u (x 0, y 0 ) = v (x 0, y 0 ).
No segundo caso, com o método da energia, definimos nosso espaço como
R = Ò × [0, ∞), R R = [−R, R ] × [0, R ].
Assim,
∬ ∬
0= w ∆w dx d y = lim w ∆w dx d y
R R →∞ RR
∬ ∫
2 ∂w
= lim − |+w | dx d y + w dS
R →∞ RR ∂R R ∂n
∬
=− |+w | 2 dx d y .
R
Consequentemente,
+w = 0 ⇒ w = cte.
Portanto, por w (x, 0) = 0, segue que a w é constantemente nula.
O último caso é o caso do teorema, no qual definiremos
y >0
w (x, y ),
w̃ (x, y ) = .
−w (x, y ), y <0
Podemos mostrar que ∆w = 0 e, consequentemente, que w̃ : Ò2 → Ò é harmônica e
limitada, donde temos
w̃ ≥ c ⇒ w̃ − c ≥ 0 ⇒ w̃ = cte.
Como w̃ (x, 0) = 0, então w̃ = 0. Portanto,
w ≡ 0 ⇒ u = v. ■
∆u (x ) = f (x ), x ∈Ω
.
u (x ) = g (x ), x ∈ ∂Ω
I (u) = min I (v );
v ∈A
= +u · +udx − +u · +w dx + f (u − w )dx.
Ω Ω Ω
Assim,
1 1
∫ ∫ ∫ ∫ ∫
2
+u+udx + f udx ≤ f w dx + ∥∆u ∥ dx + ∥+w ∥ 2 dx
Ω Ω Ω 2 Ω 2 Ω
e
1 1
∫ ∫ ∫ ∫
2 2
∥+u ∥ dx + f udx ≤ ∥+w ∥ dx + f w dx,
2 Ω Ω 2 Ω Ω
que equivale a
I (u) ≤ I (v ).
1
∫
h (t ) = I (u + tv ) = +(u + tv )+(u + tv ) + (u + tv )f dx
Ω 2
1 t2
∫ ∫ ∫ ∫ ∫
2 2
= ∥+u ∥ dx + t +u+v dx + ∥+v ∥ dx + uf dx + v f dx.
2 Ω Ω 2 Ω Ω Ω
Assim, como
∫ ∫ ∫ ∫
∂u
∆uv = [+(v +u) − +v +u] = v − +v +u,
∂ Ω ∂n Ω
Portanto,
∆u = f . ■
N
Õ ∫ ∫
− λj +e j +e i dx = f e i dx, [i .
j =1 Ω Ω
Assim,
∂u
= ∆u + f , t > 0, x ∈ Ò
∂t .
u (x, 0) = u 0 (x ), x ∈Ò
x (t ) = ax (t ) + f (t ), a ∈ Ò
′
,
x (0) = x 0
resolvido como
eventualmente obtendo
∫ t
x (t ) = e x 0 +
at
e a (t −s) f (s)ds.
0
1 − (x −y ) 2
∫ ∞ ∫ ∞
t∆
e u0 = √ e 4t u 0 (y )dy = K (x − y , t )u 0 (y )dy.
−∞ 4πt −∞