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Notas de Equações Diferenciais Parciais

Este documento contém notas de aulas sobre Equações Diferenciais Parciais (EDPs) ministradas na Universidade de São Paulo, abrangendo tópicos desde a introdução até métodos de solução e aplicações. As aulas incluem discussões sobre EDPs lineares, condições de contorno, séries de Fourier e a equação de Laplace, além de avaliações programadas ao longo do curso. O autor, Renan Wenzel, é responsável pelo conteúdo e qualquer erro é de sua responsabilidade.

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Bruna Lemes
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Notas de Equações Diferenciais Parciais

Este documento contém notas de aulas sobre Equações Diferenciais Parciais (EDPs) ministradas na Universidade de São Paulo, abrangendo tópicos desde a introdução até métodos de solução e aplicações. As aulas incluem discussões sobre EDPs lineares, condições de contorno, séries de Fourier e a equação de Laplace, além de avaliações programadas ao longo do curso. O autor, Renan Wenzel, é responsável pelo conteúdo e qualquer erro é de sua responsabilidade.

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

INSTITUTO DE CIÊNCIAS MATEMÁTICAS E


COMPUTACIONAIS - ICMC

Notas de EDP

Renan Wenzel - 11169472

Professor(a): Pedro Tavares Paes Lopes


E-mail: pplopes@[Link]

23 de junho de 2025

Página 1 de 158
Disclaimer
Essas notas não possuem relação com pro-
fessor algum.
Qualquer erro é responsabilidade solene
do autor.
Caso julgue necessário, contatar:
[Link]@[Link]
Conteúdo
0 Informações sobre a Disciplina 6

1 Aula 01 - 24 de Fevereiro, 2025 6


1.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
1.2 Equações Diferenciais Parciais - O Começo . . . . . . . . . . . . . . . 6
1.3 EDPs Lineares, Semilineares, Quasilineares e Totalmente não-lineares 8
1.4 EDPs Elípticas, Hiperbólicas e Parabólicas . . . . . . . . . . . . . . . 11

2 Aula 02 - 26 de Fevereiro, 2025 13


2.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
2.2 Classificação de Segunda Ordem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
2.3 Método das Características . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18

3 Aula 03 - 10 de Março, 2025 21


3.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
3.2 Resolvendo a Equação do Transporte . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21

4 Aula 04 - 13 de Março, 2025 28


4.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
4.2 Método das Curvas Características - Continuação . . . . . . . . . . . 28
4.3 Condições de Contorno e Equação do Calor . . . . . . . . . . . . . . 30

5 Aula 05 - 17 de Março, 2025 34


5.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
5.2 Existência e Unicidade de Solução da Equação do Calor . . . . . . . . 34
5.3 Existência e Unicidade da Equação do Calor . . . . . . . . . . . . . . 38

6 Aula 06 - 19 de Março, 2025 41


6.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
6.2 Separação de Variáveis: Soluções da Equação do Calor . . . . . . . . 41

Página 2 de 158
7 Aula 07 - 24 de Março, 2025 47
7.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
7.2 Séries de Fourier . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47

8 Aula 08 - 26 de Março, 2025 53


8.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
8.2 Séries de Fourier II . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
8.3 Aplicando as Séries de Cosseno e de Seno . . . . . . . . . . . . . . . . 54

9 Aula 09 - 31 de Março, 2025 56


9.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
9.2 Convergência das Séries de Fourier . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56

10 Aula 10 - 02 de Abril, 2025 64


10.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64
10.2 Convergência Pontual das Séries de Fourier - Parte 2 . . . . . . . . . 64
10.3 Fórmula de Parseval . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69

11 Aula 11 - 07 de Abril, 2025 71


11.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71
11.2 Existência e Unicidade da Solução do Calor. . . . . . . . . . . . . . . 71
11.3 Equação da Onda. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75
11.4 Unicidade da Equação da Onda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77

12 Aula 12 - 09 de Abril, 2025 79


12.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79
12.2 Existência e Unicidade da Equação da Onda. . . . . . . . . . . . . . . 79
12.3 Onda com Condições de Neumann . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 82

13 Aula 13 - 23 de Abril, 2025 85


13.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85
13.2 Um Aprofundamento em Condições de Contorno. . . . . . . . . . . . 85

14 Aula 14 - 28 de Abril, 2025 89


14.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89
14.2 Recordando o Caminho. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89
14.3 Soluções Clássicas (C 2 ). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92

15 Aula 15 - 30 de Abril, 2025 94


15.1 Um Comentário sobre Mudança de Variáveis. . . . . . . . . . . . . . . 94

16 Aula 16 - 07 de Maio, 2025 95


16.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95
16.2 Equação de Laplace - O Começo a partir do que Temos. . . . . . . . 95

Página 3 de 158
17 Aula 17 - de Maio, 2025 100
17.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100
17.2 Introdução à Equação de Laplace . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100
17.3 Existência e Unicidade da Solução para Equação de Laplace. . . . . . 104

18 Aula 18 - 12 de Maio, 2025 107


18.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107
18.2 Casos do Laplace: retângulo e bola. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107

19 Aula 19 - 19 de Maio, 2025 110


19.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 110
19.2 Equação de Laplace na Bola Unitária. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 110
19.3 Consequências da Fórmula de Poisson. . . . . . . . . . . . . . . . . . 113

20 Aula 20 - 21 de Maio, 2025 115


20.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 115
20.2 Consequências da Fórmula de Poisson. . . . . . . . . . . . . . . . . . 115
20.3 Uma Palavrinha sobre o Teorema da Divergência. . . . . . . . . . . . 118

21 Aula 21 - 26 de Maio, 2025 120


21.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 120
21.2 Um pouco mais sobre Funções Harmônicas. . . . . . . . . . . . . . . . 120
21.3 Transformada de Fourier. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 121

22 Aula 22 - 28 de Maio, 2025 126


22.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 126
22.2 Transformada de Fourier: propriedades. . . . . . . . . . . . . . . . . . 126

23 Aula 23 - 02 de Junho, 2025 132


23.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132
23.2 Calculando com a Transformada de Fourier. . . . . . . . . . . . . . . 132
23.3 Convoluções. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135

24 Aula 24 - 04 de Junho, 2025 138


24.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 138
24.2 Convolução e Mais Transformada de Fourier . . . . . . . . . . . . . . 138
24.3 Núcleo do Calor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 140

25 Aula 25 - 09 de Junho, 2025 145


25.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 145
25.2 Propriedades do Núcleo do Calor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 145
25.3 A Equação da Onda: Versão com Fourier. . . . . . . . . . . . . . . . 146

26 Aula 26 - 11 de Junho, 2025 150


26.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 150
26.2 Equação de Laplace com Fourier. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 150

Página 4 de 158
27 Aula 28 - 18 de Junho, 2025 153
27.1 Motivações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 153
27.2 Teoremas de Existências e Unicidades. . . . . . . . . . . . . . . . . . 153
27.3 Problemas não homogêneos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 155

Página 5 de 158
0 Informações sobre a Disciplina
Serão feitas duas avaliações oficiais e uma sub:

Prova 1) 05/05/2025;

Prova 2) 30/06/2025;

Prova S) 07/07/2025.

Haverão algumas provinhas ao longo do curso, nas seguintes datas:

Provinha 1) 26/03/2025;

Provinha 2) 23/04/2025;

Provinha 3) 21/05/2025;

Provinha 4) 11/06/2025.

1 Aula 01 - 24 de Fevereiro, 2025


1.1 Motivações
• Tipos de Segunda Ordem;

1.2 Equações Diferenciais Parciais - O Começo


Começaremos do começo: o que é uma EDP? Quais os tipos delas? Como encontrar
uma EDP na rua e o que fazer quando vê-la? Elas acreditam no axioma da escolha?
Brincadeiras à parte, daremos uma olhada na definição e nos principais tipos iniciais.
A partir da primeira pergunta, o nome sugere que será uma equação envolvendo
derivadas em mais de uma variável. Na teoria de EDOs, poderíamos estudá-las a
partir de funções em um intervalo, então teremos que mudar esse intervalo para
algo além. De fato, vamos pegar um aberto U ⊆ Òn e uma função u : U → Ò com
derivadas de ordem k em Î0 = {0, 1, 2, . . . }. Vamos definir

∂k u
 
k
∂ u (x ) B (x ), i 1, . . . , i k ∈ {1, . . . , n } .
∂x 1 . . . ∂x i k

Com isso, uma EDP é uma equação da forma


 
1 k
F x, u (x ), ∂ u (x ), . . . , ∂ u (x ) = 0, F : U × Òm × Ònm × . . . × Ònm → ÒN .
k

Poderíamos definir EDPs para entradas complexas da função também, ou seja, to-
mando x ∈ Ãn , F com valores em ÃN e u : U ⊆ ÃN → Ãm . Dito isso, aproveitamos
a equação acima para definir algumas terminologias:

• A ordem da EDP é a maior ordem da derivada que aparece, ou seja, k;

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• O número de variáveis é n, pois u depende de n variáveis;

• Dizemos que o sistema é um sistema determinado se n = N, sobredeter-


minado se n < N e subdeterminado se n > N .
Pegando de exemplo uma equação de segunda ordem com 2 variáveis, tal que m =
N = 1, sua forma mais geral seria

F (x, x 2, u (x 1, x 2 ), ∂x 1 u, ∂x 2 u, ∂x21 u, ∂x22 u, ∂x 1 ∂x 2 u) = 0,

que pode parecer pouco funcional. Sendo assim, alguns exemplos mais concretos
seguem:
Exemplo 1. O gradiente é um operador de derivadas parciais para uma função
u : U → Ò da forma  
∂u ∂u
+u (x ) = (x ), . . . , (x ) .
∂x 1 ∂x n
Assim, uma EDP com este operador para igualdade com f : U → Òn , em que U
ainda é um aberto de Òn , seria da forma
 
∂u ∂u
+u (x ) = f ⇐⇒ (x ), . . . , (x ) = (f1 (x ), . . . , fn (x )),
∂x 1 ∂x n
que, de maneira explícita, significa resolver o sistema


∂u
∂x 1 = f1
..



 .
∂u
= fn .


 ∂x n

Observe, então, que este sistema está sobredeterminado, pois temos apenas uma
função para n equações.
Exemplo 2. Para um exemplo de sistema subdeterminado, considere novamente U
um aberto de Òn , u : U ⊆ Òn → Òn , em que n é maior ou igual a 2, e f : U → Ò.
Com isto, podemos estudar a equação
∂u 1 ∂u n
+ · u (x ) B +...+ =f,
∂x 1 ∂x n
fornecendo um sistema com uma equação e n funções.
Ao estudar EDPs, é comum se deparar com a chamada notação de multi-índice.
Nela, consideramos um vetor de números reais α = (α1, . . . , αn ) ∈ În0 tal que

|α | = α1 + α2 + . . . + αn .

Com essa notação, podemos escrever

x α = x 1α1 · . . . · x nαn
∂ |α |
∂nα = ∂xα11 . . . ∂xαnn =
∂ α1 x 1 . . . ∂ αn x n

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Exemplo 3. 1) Para n = 2 e α = (2, 1), teríamos

∂ 3u
x α = x 1α1 x 2α2 = x 12 x 21 & ∂xα u = .
∂ 2x1 ∂ x2

2) Para n = 3 e α = (1, 0, 2), seria

∂ 3u
x α = x 11 x 20 x 32 & ∂xα u = .
∂ x1 ∂ 2x2

1.3 EDPs Lineares, Semilineares, Quasilineares e Totalmente


não-lineares
Com tantos nomes num único subtítulo, vamos nos basear bastante em exemplos
para entender os termos. Para o caso das EDPs lineares, tomemos u : U ⊆ Òn →
Òm ; então, ela terá a forma
Õ
a α (x )∂nα u (x ) = f (x )
|α |≤k

Quando a igualdade é com zero (f(x) = 0), chamamos esta EDP de homogênea;
caso contrário, ela é não-homogênea.

Exemplo 4. Para o caso de n = 2, m = 1 e k = 2 (ou seja, um EDP de segunda


ordem, com 2 variáveis), um exemplo de EDP linear seria

∂ 2u ∂ 2u ∂ 2u ∂u ∂u
a 20 (x ) 2
+ a 11 (x ) + a 0 2(x ) 2
+ a 10 (x ) + a 01 (x ) + a 00 (x ) = f (x ),
∂x 1 ∂x 1 ∂x 2 ∂x 2 ∂x 1 ∂x 2

mas por que isso é chamado linear? Pois existe uma função T : C k (U ) → C (U ) tal
que, ao ser aplicada em U, coincide com o lado esquerdo da equação, ou seja,
Õ
Tu = a α (x )∂nα u (x ),
|α |≤k

logo T é uma transformação linear.

Uma EDP semilinear (homogênea) assume a forma

a α (x )∂ α u (x ) + F (x, u (x ), ∂ 1u (x ), . . . , ∂ k −1u (x )) = 0,
Õ

|α |=k

a quasilinear (também homogênea) tem forma


Õ
a α (x, ∂u, . . . , ∂ k −1u)∂ α u (x ) + F (x, u (x ), . . . , ∂ k −1u (x )) = 0.
|α |=k

Por fim, a totalmente não-linear é o que não for nada acima.

Página 8 de 158
Exemplo 5. 1 (Equação do Transporte): A equação do transporte é uma
EDP de primeira ordem linear construída a partir de uma função u : U × Ò ⊆
Òn × Ò → Ò dada por
n
∂u Õ ∂u
(x, t ) + b j (x, t ) (x, t ) = f (x, t ).
∂t j =1
∂x j

Podemos encurtar isso definindo um coeficiente b (x ) = (b 1 (x ), . . . , b n (x )) e


escrevendo
∂u
(x, t ) + (b · +u)(x, t ) = f (x, t ).
∂t
2 (Equação de Cauchy-Riemann): Aqui, vamos considerar uma função com-
plexa u : U ⊆ Ã → Ã e faremos uma EDP linear de primeira ordem dada por
1 ∂u
 
∂u
+i = 0,
2 ∂x ∂y
ou, utilizando a notação z = x + i y e z = x − i y ,
∂u
= 0.
∂z

3 (Equação de Laplace/Poisson): Vamos olhar para duas EDPs, uma homo-


gênea e outra não, ambas de segunda ordem e lineares que giram em torno de
um operador, o chamado Laplaciano, dado por

∂ 2u ∂ 2u
∆u (x ) B + . . . + ,
∂x 12 ∂x n2

extremamente importante na física e na matemática. As EDPs em si são

∆u (x ) = 0(Laplace) & ∆u (x ) = f (x )(Poisson).

Este operador tem propriedades muito boas relacionada ao gradiente e diver-


gente. Mais especificamente,

∆u = + · +u (x ) = div(gradu (x )),

ou seja,
     
∂u ∂u ∂ ∂u ∂ ∂u
+ · (+u) = + · ,..., = +...+ = ∆u (x ).
∂x 1 ∂x n ∂x 1 ∂x 1 ∂x n ∂x n

4 (Equação do Calor): esta teve a origem no século XVII ao estudar a propa-


gação do calor ao longo do tempo, ou seja, ela dependerá do espaço e de uma
variável extra que codifica a passagem do tempo. Sua forma geral é a de uma
equação de segunda ordem linear tal que
∂u
(x, t ) = k ∆u (x, t ) + f (x, t ), k > 0,
∂x

Página 9 de 158
em que u : U × [0, ∞[→ Ò, onde (mais uma vez) U ⊆ Òn é aberto e ∆(−) é o
operador Laplaciano. Alguns casos particulares, por exemplo,

∂u ∂ 2u
n=1: = k 2 +f
∂t ∂x2
∂ u ∂ 2u

∂u
n=2: =k + +f
∂t ∂x 2 ∂ y 2
 2
∂ u ∂ 2u ∂ 3u

∂u
n=3: =k + + +f
∂t ∂x 2 ∂ y 2 ∂z 3

5 (Equação da Onda): novamente uma com origens físicas, a equação segue


a ideia de descrever um objeto pelo qual a energia propaga, uma onda física,
que pode incluir ondas do mar, ondas gravitacionais, ondas sonoras, cordas,
pêndulos, entre muitas outras coisas. Sua forma é uma linear de segunda
ordem como
∂ 2u
2
(x, t ) = c 2 ∆u (x, t ), c > 0,
∂t
onde u : U × Ò → Ò e U ⊆ Ò2 .

6 (Equação de Schrødinger): um exemplo dentro da física quântica e que


envolver números complexos. Também é de segunda ordem e linear, assumindo
a forma
∂u ħ2
iħ =− ∆u + V (x )u,
∂t 2m
onde u : U × Ò → Ã, U é MAIS UM aberto de Òn e V é chamado de potencial.

7 (Equação da Placa): este é um exemplo de uma EDP de quarta ordem


linear, dada por

∂ 4u
n Õ n
2
Õ
∆ u = f ⇐⇒ (x ) = f (x )
i =1 j =1
∂x i2 x j2

8 (Equação de Maxwell): as equações de Maxwell descrevem a luz como uma


onda eletromagnética. Tomamos duas funções de U ⊆ Ò3 (adivinhe o que U
é de novo?) denotadas por E , B : U × Ò → Ò3 e olhamos para o sistema de
EDPs de primeira ordem lineares
ρ
+·E =
ε0
+·B =0
∂B
+×E =−
∂t
 
∂E
+ × B = µ 0 J + ε0 .
∂t

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9 (Eikodal): entramos, com esta, nos exemplos menos intuitivos. Ela é uma
EDP de primeira ordem totalmente não-linear baseada em ∥+u (x )∥ = 1, ou
seja, da forma
 2  2
∂u ∂u
+...+ = 1.
∂x 1 ∂x n

10 (Monge-Ampere): outra EDP totalmente não-linear, mas dessa vez


 de se-
∂ 2u
gunda ordem, que é baseada no chamado Hessiano D 2u (x ) = ∂x ix
e tem a
j

forma
det (D 2u (x )) = f (x ).

11 (p-Laplaciano): uma generalização do Laplaciano, que é o caso p = 0, des-


creve uma equação de segunda ordem quasilinear quando p , 2 da forma

+ · (|+u | p−2 +u) = 0.

12 (Meio Poroso): outra equação de segunda ordem quasilinear, dessa vez to-
mando um γ , 0, com forma

∆(u γ ) = 0 ⇐⇒ γ (γ − 1)u γ−2 +u · +u + γu γ−1 ∆u .

13 (Equação KDV): essa é uma EDP de terceira ordem da forma

∂u ∂u ∂ 3u
+u + = 0,
∂t ∂x ∂x 3
donde percebemos também que ela é semilinear.

14 (Equação de Navier-Stokes para Fluídos Não-Compressíveis): to-


mando u : U × Ò → Òn , U subconjunto de Òn , ela tem a forma
∂u
+ (u · +)u − ∆u = −+p, +u = 0,
∂t
em que
n
Õ n 
∂u 1 Õ ∂u n
(u · +)u = uj ,..., uj
j =1
∂x j j =1
∂x j

é o chamado termo de turbulência. Observe que esta equação é de segunda


ordem e semilinear.

1.4 EDPs Elípticas, Hiperbólicas e Parabólicas


Ao explorar a área de EDPs, o estudante encontrará outra classificação além da
ordem, linearidade e o que mais foi apresentado, mas ela é mais restritiva do que
realmente útil. Considere a equação de segunda ordem em duas variáveis

∂ 2u ∂ 2u ∂ 2u ∂u ∂u
a + b + c + d + e +f = 0
∂x 2 ∂x ∂ y ∂y2 ∂x ∂y

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e dissecaremos partes dela. Para facilitar, considere o esquema de cores nela:

∂ 2u ∂ 2u ∂ 2u ∂u ∂u
a 2
+ b + c 2
+d +e + f = 0.
∂x ∂x ∂ y ∂y ∂x ∂y

Quanto ao termo vermelho, ele é o de ordem mais alta da EDP. Vamos fazer uma
2
mudança de variável para sumir com o termo misto ∂x∂ ∂uy : coloque η = Ax + B y e
ξ = C x + D y . Assim,

v (η, ξ) = u (x (η, ξ), y (η, ξ)) & u (x, y ) = v (η (x, y ), ξ (x, y )),

tal que, aplicando a regra da cadeia e computando as contas,


∂u ∂
=

v (η (x, y ), ξ (x, y ))
∂x ∂x
∂v ∂ η ∂v ∂ ξ
= + +
∂η ∂x ∂ξ ∂x
∂v ∂v
=A +C ,
∂η ∂ξ
sendo parecido para a parcial em y, que resultará em
∂u ∂
= (v (η, ξ))
∂y ∂y
∂v ∂ η ∂v ∂ ξ
= +
∂η ∂ y ∂ξ ∂ y
∂v ∂v
=B +D ,
∂η ∂ξ

(continua na próxima aula...)

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2 Aula 02 - 26 de Fevereiro, 2025
2.1 Motivações
• Classificação de Segunda Ordem;

• O Método das Características.

2.2 Classificação de Segunda Ordem


Vamos dar continuidade ao que foi apresentado aula passada, mas, ao invés do caso
particular que estávamos olhando, analisaremos direto o caso geral. Considere a
equação
∂ 2u
n Õ n n
Õ Õ ∂u
ai j (x ) + bj + cu = f , a i j , b j , c ∈ Ò.
i =1 j =1
∂x i x j j =1
∂x j

Uma observação é que podemos supor que (a i j ) é uma matriz simétrica, ou seja,
a i j = a j i . O porquê dessa liberdade é que temos

∂ 2u a i j + a j i ∂ 2u a i j − a j i ∂ 2u
n Õ
Õ n Õ n Õ n Õ n Õ n
ai j = + .
i =1 j =1
∂x i x j i =1 j =1
2 ∂x i x j i =1 j =1
2 ∂x i x j

Os termos em azul são, em si, simétricos como matrizes. Coloque a seguinte definição
de termos:  a +a
αi j B i j 2 j i
a i j −a j i
βi j B 2 .
Então, αi j coincide com αj i por um simples critério de comutatividade da soma, e
β i j coincide na verdade com −β j i pelo mesmo argumento. Note que

∂ 2u ∂ 2u
n Õ
Õ n Õ n Õ n
βi j =− βi j
i =1 j =1
∂x i x j i =1 j =1
∂x i x j

∂ 2u
n Õ
Õ n
= βj i
i =1 j =1
∂x i x j

∂ 2u
n Õ
Õ n
(i B j ←→ j B i ) = βi j .
i =1 j =1
∂x i x j

Logo,
∂ 2u
n Õ
Õ n
2 βi j =0
i =1 j =1
∂x i x j
e, portanto,
∂ 2u
n Õ
Õ n
βi j = 0.
i =1 j =1
∂x i x j

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Em conclusão,
∂ 2u ∂ 2u
Õ n
n Õ ÕÕ n n
ai j = αi j ,
i =1 j =1
∂x i x j i =1 j =1
∂x i x j
em que (αi j ) é simétrico, o que significa que podemos usar os termos como simétricos
sem problemas.
∂ 2u
Doravante, nosso objetivo é “sumir” com os termos ∂x ix
sempre que i for diferente
j
de j. Para tal, seja B uma matriz n por n tal que
n
Õ
y = Bx & yi = Bi j xj .
j =1

Além disso, tome v (x ) B u (B −1 y ), de forma tal qual


u (x ) = v (B y ).
Com estas duas novas definições, mostraremos que dá para de fato reduzir a equação
de segunda ordem. O motivo para isso é que, seguindo essas etapas, iremos obter
uma nova forma de classificar estas EDPs. Outro passo nessa direção é entender o
que acontece com as derivadas após essa transformação. Pela Regra da Cadeia em
muitas variáveis,
n
∂u Õ ∂v ∂ y k
= .
∂x i k =1 ∂ y k ∂x i
Aqui, pela mudança de variáveis,
 n 
∂ yk ∂ Õ
= Bk j xj
∂x i ∂x i j =1
n
Õ ∂ xj
= Bk j
j =1
∂x i
Õ n
= B k j δi j = B k i ,
j =1

onde δi j é o Delta de Kronecker


1, i =j

δi j B
0, i , j,
que satisfaz a propriedade agradável de sumir com termos de índices diferentes de i
numa somatória:
Õ n
B k j δi j = B k 1 δi 1 +B k 2 δi 2 + . . . + B k i δi i + . . . + B k n δi n = B k i .
j =1
|{z} |{z} |{z} |{z}
0 0 1 0

Sendo assim, a mudança de comportamento da derivada parcial de u para uma em


v algumas linhas acima é justificada; mais ainda,
∂ 2u Õ Õ ∂ 2u
n n
= B k i B ℓj .
∂x i x j ℓ=1 k =1
∂ y ℓ y k

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No fim das conta, substituindo isso na EDP original, passamos de
∂ 2u
n Õ n n
Õ Õ ∂u
ai j (x ) + bj + cu = f , a i j , b j , c ∈ Ò.
i =1 j =1
∂x i x j j =1
∂x j
a
∂ 2v
n Õ
n Õ n
n Õ  n Õ n 
Õ Õ ∂v
B k i a i j B ℓj (B x ) + Bk j bj (B x ) + cv (B x ) = f (x )
ℓ=1 k =1 i =1 j =1
∂ y ℓ y k k =1 j =1
∂ y k

∂ 2v
n n  n n  n  n 
ÕÕ ÕÕ Õ Õ ∂v
⇔ B k i a i j B ℓj (y ) + Bk j bj (y ) + cv (y ) = f (B −1 y )
ℓ=1 k =1 i =1 j =1
∂ yℓ yk k =1 j =1
∂ yk

Note que o termo dentro do parênteses grande pode ser escrito como
Õn Õn
B k i a i j B ℓi = (BAB T )k ℓ ,
i =1 j =1

ou seja, utilizando o seguinte resultado muito importante da álgebra linear


“Se A é uma matriz n por n com entradas reais e simétrica, então existe
uma matriz ortogonal de mesma estrutura tal que o produto delas e da
transposta da matriz ortogonal resulta em uma diagonal:
BAB T = D,
em que D é a matriz Diagonal.”
Com base nisso, escolheremos B ortogonal tal que
λ 1 0 . . . 0 
 
 0 λ2 . . . 0 
BAB T = D =  .. .. .  = λ k δk ℓ .
 
. . .. 
 0 . . . 0 λn 
 
 
Observe como
ÕÕ ∂ 2v
B k i Ai j B ℓj +... =
ℓ,k i ,j | {z }
∂ yℓ yk
λ k δk ℓ
Õ ∂ 2v
λ k δk ℓ +... =
ℓ,k
|{z} ∂ y ℓ y k
=λ ℓ

∂ 2v
n
Õ
λℓ + ...,
ℓ=1
∂ y ℓ2
ou seja, existe uma matriz B ortogonal tal que v (y ) = u ◦ B T (y ) satisfaz
∂ 2v Õ Õ
n n n
Õ ∂v
λℓ 2
+ Bk j bj + cv = f .
ℓ=1
∂ y ℓ k =1 ℓ=1 ∂ yk
Agora sim, quanto à dita classificação, diremos que a EDP é

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• Elíptica se λ 1, . . . λ k > 0 ou λ 1, . . . , λ 2 < 0, ou seja, todos os autovalores
seguem o mesmo sinal;
• Hiperbólica se pelo menos um dos autovalores apresentar diferença no sinal
com relação aos outros;
• Parabólica se pelo menos um dos autovalores for nulo.
Para duas variáveis, estes critérios podem ser reescritos utilizando os determinantes!
Para entender por que, note que, se n = 2,
det (D ) = det (BAB −1 ) = det (B) det (A) det (B −1 ) = det (A),
e como
λ1 0
 
D= ,
0 λ2
obtemos como critérios
• Elíptica se det (A) > 0;
• Hiperbólica se det (A) < 0;
• Parabólica se det (A) = 0.
A expressão final encontrada é chamada Forma Normal.
Exemplo 6. Considere a EDP
∂ 2u ∂ 2u ∂ 2u ∂u ∂u
a 2
+ b + c 2
+d +e + f = 0.
∂x ∂x ∂ y ∂y ∂x ∂y
Fazendo
η = Ax + B y


ξ = Cx + D y,
temos o produto de matrizes
   
A B A C
M .
C D B D
Além disso, olhando para a equação original, podemos determinar que, nos termos
anteriores,
 a 11 = a


a 22 = c

 a 12 = 1 b, a 21 = 1 b,

 2 2
ou seja,
b
 
a 2
M = b .
2 c
Utilizando isto, temos
A B a b2 A C λ1 0
     
BM B =
−1
= .
C D b2 c B D 0 λ2
Logo, para o critério dado derivadas às EDPs em duas variáveis,
b2
det (M ) = ac − .
4

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Exemplo 7. 1) Para a EDP

∂ 2u ∂ 2u ∂ 2u ∂u
2 − + + = 0,
∂x 2 ∂x ∂ y ∂ y 2 ∂ y
segue que
2 − 21
 
M = 1
− 2 1.
Portanto,
1
det (M ) = 2 + > 0,
4
donde temos esta EDP como elíptica
2) Considerando o Laplaciano,

∂2 ∂2
∆= + . . . + ,
∂x 12 ∂x n2
ou seja,
1 0 . . . 0

0 1 . . . 0
M =  .. . . . ..  → det (M ) = 1 > 0.

. .
0 . . . 0 1


Logo, o operador Laplaciano é elíptico.
3) Seguindo um raciocínio similar para a equação do calor,
∂u
− ∆u = 0,
∂t
temos
0 0 . . . 0

0 1 . . . 0
M =  .. . . . ..  .

. .
0 . . . 0 1


Sendo assim, os autovalores são 0 ou 1, o que indica que ela é uma equação
parabólica.
4) Fazendo o mesmo para a equação da onda,

∂ 2u
− ∆u = 0,
∂t 2
tal que
1 0 . . . 0 
 
0 −1 . . . 0 
M =  .. . ..  ,
 
. . . . 
0 . . . 0 −1
 
 
o que quer dizer que ela tem como autovalores 1 ou -1, ou seja, é hiperbólica.

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5) Para a equação abaixo
∂ 2u ∂ 2u ∂ 2u
+ + x 3 2 = f (x 1, x 2, x 3 ),
∂x 12 ∂x 22 ∂x 3
a matriz obtida é
1 0 0 
M = 0 1 0  .
 
0 0 x 3 
 

2.3 Método das Características


A fim de explorar o método das características, que, no fim, culminará em nós
resolvermos nossa primeira equação, iremos supor que estamos trabalhando com
uma de primeira ordem e semilinear:
n
∂u
(x ) = f (x, u (x ))
 Í


 a j (x ) ∂x
j =1 j
 u (x 1, . . . , x n−1, 0) = g (x 1, . . . , x n−1 ).


Na verdade, simplificaremos ainda mais - em primeira instância, estudaremos o caso
em duas variáveis
∂u
+ b (x, y ) ∂∂ yu = f (x, y , u (x, y ))

a (x, y ) ∂x
u (x, 0) = g (x ).
Como motivação física, vamos supor que u : U → Ò represente a densidade de um
material, que f (t , x ) seja a produção de material no ponto x e tempo t e F (t , x ) in-
dique o fluxo de u (quanto material está saindo ou entrando da região). Descrevendo
isto matematicamente, segue que

u dx representa o material em B
∫B
f (t , x ) dx representa o que é produzido em B
∫B

F · n d S representa o fluxo saindo ou entrando em B.


∂B

Por lógica, faz sentido pensar que a taxa de variação do material depende do quanto
está sendo produzido (consome o material), ou do quanto está entrando ou saindo,
que é traduzido em
∫ ∫ ∫
d
u dx = f (t , x ) dx − F · n dS.
dt B B ∂B

Pelo vale que ∫ ∫ ∫


d
udx = f (t , x ) dx − + · F dx .
dt B B B
Juntando tudo numa coisa só, segue que, para toda região B dentro de U,
∫  
∂u
+ + · F − f dx = 0.
B ∂t

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Se o termo em parênteses é contínuo, o fato da integral ser nula indica que ele é
constante e, consequentemente, devemos ter
∂u
++·F =f,
∂t
que é a chamada equação da continuidade. Podemos pensar que o fluxo que entra
ou sai depende do material presente na região e de uma certa velocidade v®; se ela
for constante, teremos
∂u
+ v®+u = f ,
∂t
que leva exatamente a forma que colocamos simplificada, a chamada Equação do
Transporte. Resolveremos ela como próxima etapa.

Lembrete! Teorema da Divergência


O teorema da divergência ou teorema de Ostrogradsky pode ser enunciado
como: seja Ω um subconjunto aberto e limitado com “fronteira suave”. Se u
for uma função suave em uma vizinhança U de Ω, então
∫ ∫
+udV = u · n̂dS,
Ω ∂Ω

em que n̂ é o vetor normal à fronteira de Ω.


No caso de uma dimensão, isso equivale ao teorema fundamental do cálculo -
com uma notação altamente abusada, u será uma função u (x ), com gradiente
du
+u (x ) = ,
dx

“volume” L dado pelo tamanho do intervalo Ω = (a, b), com fecho Ω = [a, b],
e com produto interno com a normal sendo u · n̂ = u (x ). Assim,
∫ ∫ ∫ b
du
dL = u (x )dx = u (x )dx.
(a,b) dx {a,b } a

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Lembrete! Propriedades do Divergente e Naplaciano
Como toda boa derivada, o operador gradiente, +, satisfaz a Regra de Leibniz
do Produto:

+(f g )(v ) = g (v )+f (v ) + f (v )+g (v ), v ∈ Òn ,

além de linearidade e uma versão da regra da cadeia.


Quando fazemos o produto vetorial · de + por uma função, chamamos de
divergente, que satisfaz, de sua própria forma, outra Regra de Leibniz (e
linearidade):
+ · (f g ) = (+f ) · g + f (+ · g ).
A forma como isso se relaciona com a aula é que o laplaciano foi decomposto
no divergente e gradiente para o cálculo de uma integral, e isso funciona por

+ · (+f ) = ∆f .

Uma outra que vale a pena lembrar é que

f ∆f = +(f +f ) − +f · +f .

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3 Aula 03 - 10 de Março, 2025
3.1 Motivações
• Continuando os exemplos

3.2 Resolvendo a Equação do Transporte


Começamos a aula introduzindo a noção de curva integral, a qual será utilizada
durante nossa solução para a primeira EDP deste curso!
Definição. Uma curva integral, ou curva característica, de V é uma função
γ : [a, b] → Ω ⊆ Òn que satisfaz

γ ′ (t ) = V (γ (t )). □

Exemplo 8 (Equação do Transporte). A equação do transporte leva em conside-


ração um aberto Ω ⊆ Òn , ao qual x pertence, um coeficiente vetorial de n valores
b ∈ Òn , um valor de tempo t ∈ (0, T ) e a função u : Ω × [0, T ) → Ò, sendo sua
forma dada por
∂u
+ b · +u = f .
∂t
Relembrando a aula anterior,
• Se f = 0, chamamos ela de equação linear homogênea;
• Se f = f(x) , 0, chamamos ela de equação linear não homogênea;
• Se f = f(x, u(x)), chamamos ela de equação semilinear.
Vamos estudar o problema
n
∂u
(x ) = f (x, u (x ))
 Í


 a j (x ) ∂x
i =1 j
 u (x 0, 0) = g (x 0 ),


em que x = (x 1, x 2, . . . , x n−1, x n ). A ideia para abordar esta questão é definir curvas
integrais (características); começamos isto por meio da definição do campo vetorial

V :Ω ⊆ Òn → Òn
V (x ) = (a 1 (x ), . . . , a n (x )), x = (x 1, . . . , x n ).

Assim, se V é de classe C 1 , dada uma curva γ (t ) = (x 1 (t ), . . . , x n (t )), então


= V (γ (t )) se, e somente se,
γ ′ (t )

 x (t ) = a 1 (x 1 (t ), . . . , x n (t ))
 1.


..


 x n (t ) = a n (x 1 (t ), . . . , x n (t ))



Utilizando a proposição a seguir, iremos dizer os passos que seriam usados para
resolver, quase como uma receita de bolo

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Proposição. Se γ : [a, b] → Ω é uma curva integral e u é solução de uma equação
semilinear, então aplicar u à curva integral também resolve uma equação semilinear,
ou seja, v B u ◦ γ satisfaz
dv
(t ) = f (γ (t ), v (t ))
dt
Prova. Coloque v = u (γ (t )). Segue que, pela regra da cadeia,
n
dv Õ ∂u ′
(t ) = +u (γ (t ))γ ′ (t ) = (γ (t ))x j (t ).
dt j =1
∂x j

Como γ é curva integral, cada x j satisfaz x j′ (t ) = a j (γ (t )), tal que

n n
Õ ∂u ′
Õ ∂u
(γ (t ))x j (t ) = (γ (t ))a j (γ (t )) = f (γ (t ), u ((γ (t )))),
j =1
∂x j j =1
∂x j

pois u é solução da equação semilinear. Portanto, observando que o termo u (γ (t ))


é exatamente a definição de v, obtivemos
dv
(t ) = f (γ (t ), v (t )). ■
dt
Para aplicar esta proposição, o que temos é o conhecimento de um dos pontos,
a condição inicial u (x ′, 0) = g (x ′), e a possibilidade de calcular v a partir do conhe-
cimento de u ao longo da curva que passa por x’, a qual denotamos γx ′ . A partir
disso, para acharmos a solução, pegamos um ponto (x ′, x n ), tentamos encontrar a
curva integral que passa por este ponto e calculamos v.
Em outras palavras, isto nos leva à seguinte receita:

Passo 1) Dado um vetor r ∈ Òn−1 , calculamos γr (s) = V (γr (s)), com condição inicial
γr (0) = (r , 0);

Passo 2) Dado um vetor r ∈ Òn−1 , calculamos vr (s) = f (γr (s), vr (s)), com condição
inicial vr (0) = g (r );

Passo 3) Seja G : U ⊆ Òn → Òn tal que G (r , s) = γr (s). A solução deve, então, ser


dada por
u (x ) = v ◦ G −1 (x ),
pois
v = u ◦ γr (s) = u ◦ G (r , s) ⇐⇒ u = v ◦ G −1 .

A receita encontrada no exemplo anterior pode ser usada para outros exemplos
também! Vamos vê-los.

Exemplo 9. Considere o problema de condição inicial

∂u
(x, y ) + 1 ∂∂ yu (x, y ) = x 2

x ∂x
u (x, 0) = sin (x ).

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Seguindo os passos propostos na receita, o x cumpre o papel de a 1 (x, y ), o 1 cumpre
de a 2 (x, y ) e, assim, podemos ir ao primeiro passo: encontrar a γr . Note que

x r′ (s) = x (s), x r (0) = r & y r (s) = 1, y r (0) = 0.

Com isso, como são apenas EDOs comuns, podemos resolvê-las afim de encontrarmos
o seguinte resultado:

x r (s) = Ae s , x r (0) = r ⇒ x r (s) = r e s


y r (s) = s + A, y r (0) = 0 ⇒ y r (s) = s .

Logo,
γr (s) = (r e s , s).
O segundo passo, o de calcular o v, é feito por meio de

vr (s) = r 2 e 2s r2
 ′
⇒ vr (s) = A + (e 2s − 1).
vr (0) = sin (r ) 2
Como vr (0) = A, temos A = sin (r ) e, consequentemente,
r 2 2s
vr (s) = sin (r ) + (e − 1).
2
Por fim, o terceiro passo é encontrar G −1 , que permitirá a nós resolvermos a EDP
inicial. Neste sentido, temos

G (r , s) = γr (s) = (r e s , s) = (x, y ),

ou seja, temos uma transformação de coordenadas em que s torna-se y e r assume a


forma x e −y . Destarte,
G −1 (x, y ) = (x e −y , y ).
Portanto, a solução é dada por

u (x, y ) = v ◦ G −1 (x, y ) = v (x e −y , y )
 (x e −y ) 2 2y
= sin x e −y + (e − 1)
2
 x 2 x 2 e −2y
= sin x e −y + − .
2 2
Exemplo 10. Agora, considere a EDP com problema de condição inicial
∂u
+ ∂∂ yu = u 2

x ∂x
u (x, 0) = sin (x ).
No primeiro passo, chegamos à conclusão de que

x r′ (s) = x r (s), x r (0) = r & y r′ (s) = 1, y r (0) = 0,

ou seja,
γr (s) = (r e s , s).

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Encontrada a gama, podemos partir ao passo dois:

vr′ (s) = vr (s) 2, vr (0) = sin (r ).

Com isso, obtemos


vr′ s
vr′ (τ) s
∫ ∫
= 1 ⇐⇒ dτ = dτ
vr2 0 vr (τ) 2 0
∫ vr (s)
du
⇐⇒ = s, u = vr (τ) & du = vr′ (τ)d τ
vr (0) u2
vr (s)
1 1 1
⇒− = − =s
u vr (0) vr (0) vr (s)
1 1
⇒ = − s.
vr (s) vr (0)
Logo,
vr (0)
vr (s) =,
1 − svr (0)
tal que, sabendo o valor de vr em 0, podemos reescrever
sin (r )
vr (s) = .
1 − s sin (r )
Assim como antes, podemos agora encontrar G e resolver a equação:

G (r , s) = (r e s , s) ⇒ G −1 (x, y ) = (x e −y , y ),

donde segue, portanto, que


sin (x e −y )
u (x, y ) = v ◦ G −1 (x, y ) = v (x e −y , y ) = .
1 − y sin (x e −y )
Exemplo 11. Em seguida, olhemos para o problema de condição inicial
∂u
(x, y , z ) + y ∂∂ yu (x, y , z ) + ∂u
(x, y , z ) = u (x, y , z )

x ∂x ∂z
u (x, y , 0) = x 2 + y 2 .

Na primeira etapa, temos

x r′ (s) = x r (s), x r (0) = r 1


y r′ (s) = y r (s), y r (0) = r 2
z r′ (s) = 1.

em que r = (r 1, r 2 ) é um elemento de Ò2 . Resolvendo as EDOs, obtemos

x r (s) = r 1 e s , y r (s) = r 2 e s , &z r (s) = s .

Logo,
γr (s) = (r 1 e s , r 2 e s , s).

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Agora, podemos aplicar a mudança para v através de

vr′ (s) = vr (s)



vr (s) = (r 12 + r 22 )e s .
vr (0) = r 12 + r 22

Finalmente, vamos encontrar a G e reverter seu efeito:

G (r 1, r 2, s) = (r 1 e s , r 2 e s , s) = (x, y , z ),

o que significa que passamos de s para z, de r 1 para x e −s e de r 2 para y e −s . Com


isso, notamos que
G −1 (x, y , z ) = (x e −z , y e −z , z )
e, portanto,

u (x, y , z ) = v ◦ G −1 (x, y , z ) = v (x e −z , y e −z , z )
= (x 2 + y 2 )e −2z e z
= (x 2 + y 2 )e −z .

Exemplo 12 (Equação do Transporte). Finalmente, chegamos ao exemplo da equa-


ção do transporte para resolver de vez esta EDP. Ela é dada por

∂t (x, t ) + b+u (x, t ) = f (x, t )


 ∂u

u (x, 0) = g (x )

Aqui, a variável que denotamos por x, normalmente unidimensional, passou a ser


em duas na forma (x, t). Além disso, x ′ = x .
No primeiro passo, temos

x 1r′
(s) = b 1, x 1r (0) = r 1 ⇒ x r 1 (s) = r 1 + b 1 s
x 2r (s) = b 2, x 2r (0) = r 2 ⇒ x r 2 (s) = r 2 + b 2 s

..
.
x nr′
(s) = b n , x nr (0) = r n ⇒ x r n (s) = r n + b n s
t (s) = 1, t (0) = 0.

Sendo assim, nossa curva integral tem forma

γr (s) = (r + sb, s) = (r 1 + sb 1, . . . , r n + sb n , s).

Logo,
vr′ (s) = f (r + sb, s), vr (0) = g (r ),
que pode ser resolvida colocando
∫ s
vr (s) = g (r ) + f (r + τb, τ)d τ
0

Seguindo esta linha, temos

G (r , s) = γr (s) = (r + sb, s) = (x, t ),

Página 25 de 158
tal que s corresponde a t e r corresponde a x-tb, ou seja,

G −1 (x, t ) = (x − t b, t ).

Portanto, ∫ t
u (x, t ) = g (x − t b) + f (x − t b + τb, τ)d τ.
0
Uma coisa bem legal desse caso é que ele deixa a possibilidade de olhar para
tipos particulares dele. Por exemplo,

∂t + b ∂x = 0
 ∂u ∂u

u (x, 0) = g (x )

Com base no que encontramos durante o exemplo, a solução geral é da forma


∫ t
u (x, t ) = g (x − t b) + f (x − t b + τb, τ)d τ,
0

mas, como a função f(x, t) é 0 neste caso, isto significa que a função que resolve esta
EDP é
u (x, t ) = g (x − t b).
Podemos observar como é o comportamento das curvas integrais de acordo com a
transformação de coordenadas

γr (s) = (r + bs, s) = (x, t ),

tal que x = r + bt e, isolando o r,


x −c x
x − tb = r ⇒ t = =A+
b b
para alguma constante A. Em outras palavras, conseguimos uma descrição para
corresponder cada ponto x a um ponto em t - sabendo uma “posição”, podemos
encontrar o “tempo” em que ela ocorre.
Em particular, se f for nula, também acontece algo com a v definida:

vr′ (s) = 0 ⇒ vr (s) = k

para alguma constante k, isto é, u é constante ao longo das curvas integrais.

Exemplo 13. Considere agora a seguinte EDP:

∂u
+ x ∂∂ yu = 0

−y ∂x
u (x, 0) = g (x )

Aplicando o primeiro passo da receita, temos que resolver

x r′ (s) = −y r (s), x r (0) = r


y r′ (s) = x r (s), y r (0) = 0.

Página 26 de 158
Derivando novamente, segue que

x r′′ (s) = −y r′ (s) = −x r (s),

cuja solução é
x r (s) = A cos (s) + B sin (s).
Analogamente,
y r (s) = C cos (s) + D sin (s).
Continua na próxima aula...

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4 Aula 04 - 13 de Março, 2025
4.1 Motivações
• Continuação do exemplo da aula anterior;

• Condições de contorno;

• Equação de Calor.

4.2 Método das Curvas Características - Continuação


Exemplo 14. Considere a EDP da aula passada:
∂u
+ x ∂∂ yu = 0

−y ∂x
u (x, 0) = g (x )

Aplicando o primeiro passo da receita, temos que resolver

x r′ (s) = −y r (s), x r (0) = r


y r′ (s) = x r (s), y r (0) = 0,

cuja solução é
x r (s) = A cos (s) + B sin (s)
e
y r (s) = −B cos (s) + A sin (s).
Vamos supor que
x (0) = r & y (0) = 0,
tal que, comparando estes à solução dada,

x (0) = A & y (0) = −B ⇒ γr (s) = (r cos (s), r sin (s)).

Olhando para esta forma que a γr assume, notamos que as curvas integrais aqui
assumem o formato de círculos, com diâmetro diretamente proporcional ao r! Mas
se as curvas integrais são círculos, a EDP vai ter solução?
A reposta é que a solução não pode ser definida em todo Ò2 . O motivo disso é
que u (x (s), y (s)) deve satisfazer
d
u (x (s), y (s)) = 0,
ds
ou seja, u deverá ser constante. Porém, com estas curvas características e com base
na condição inicial, o que irá ocorrer é

u (x (π), y (π)) = −r & u (x (0), y (0)) = r ,

isto é, olhando nos dois extremos do círculo, a função u deverá variar os valores. Se
a solução existisse, teríamos uma constante que assume valores diferentes, o que é,
no mínimo, meio estranho.

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O que acontece, já que temos este problema, se aplicarmos a receita? A ideia é
que ela fornecerá soluções locais perto da coordenada (r, 0) para cada r não-nulo. A
receita sempre funciona para achar uma solução próxima de (r, 0) desde que a n (r , 0)
seja não-nulo. Isto será mais explorado no exemplo seguinte!
Exemplo 15. Tomemos, em Ò2 ,
1 ∂x (x, y ) + 0 ∂∂ yu (x, y ) = 0
 ∂u

u (x, 0) = x .
Existe solução para essa? Se não, existe pelo menos solução local?
Se tiver solução, teremos, pelo Teorema Fundamental do Cálculo,
∫ x
∂u
u (x, 0) = u (x 0, 0) + (s, 0) ds,
| {z } | {z } x 0 ∂x
=x
| {z }
x0
=0
o que implicará em x coincidir sempre com x 0 . Para resolver isto, podemos olhar
para o valor 0 e encontrar infinitas soluções! Basta ignorar o x e colocar u em termos
de uma função de y, o que significa
u (x, y ) = G (y ) & G (0) = 0.
Após tantos exemplos, percebemos que a tal receita funciona bem. Um leitor
curioso, no entanto, provavelmente já se perguntou “por que a receita funciona?”, e
vamos mostrar isso agora!1
Prova (Prova da receita). Assumindo que os passos 1 e 2 já foram provados, seja
v = u ◦ G (r , s) = u (γr (s)). Então,
n n
∂v Õ ∂u ∂ xj Õ ∂u
= (γr (s)) (s) = (γr (s))a j (γr (s)).
∂s j =1
∂x j ∂s j =1
∂x j
Além disso, pelo passo 2,
∂v
(s) = f (γr (s), vr (s)).
∂s
Juntando ambos, concluímos que
n
Õ ∂u
(γr (s))a j (γr (s)) = f (γr (s), vr (s)).
j =1
∂x j
Utilizando, então, que x = G (r , s), temos
n
Õ ∂u
a j (x ) (x ) = f (x, u (x )).
j =1
∂x j

Por fim,
u (x ′, 0) = v (γx ′ (0)) = g (x ′).
Em resumo, se a n (x ′, 0) é diferente de zero, podemos aplicar a receita para obter
solução local e, se G for um difeomorfismo (função suave com inversa suave - ambas
têm quantas derivadas satisfazerem o leitor), então u ◦ G −1 será solução.
1
Seguindo a ideia das letras miúdas de contratos duvidosos, deixaremos escondido que será
apenas a parte da solução.

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4.3 Condições de Contorno e Equação do Calor
Agora que já temos uma forma sólida de encontrar soluções para EDPs, daremos
o passo para a próxima etapa desta jornada. De imediato, estudaremos a questão
do calor num aberto limitado, que nos levará, em seguida, ao estudo das séries
de Fourier. Feito isto, olharemos para as ondas num aberto limitado, depois para
a equação de Laplace e terminamos estudando onda e calor em Òn por meio das
transformadas de Fourier.
Quanto ao calor, comecemos pela dedução física. Seguindo aquela ideia de u como
a densidade de alguma coisa, em cada aberto B contido num espaço Ω, teremos a
seguinte “lei”:
Taxa de Variação em B é resultado do Fluxo que entra em B e do Uso por uma
fonte em B. (ou roxo = azul + vermelho, se não me falha a memória de cores).
Matematicamente, isto seria representado por
∫ ∫ ∫
d
udx = − F · nds + f dx,
dt B ∂V B

que equivale a
∫  
∂u ∂u
+ + · F − f dx = 0, [B ⇒ ++·F =f.
B ∂t ∂t
No nosso estudo preliminar das EDPs, a poluição andava com a velocidade do
rio:
F = vu,
®
descrita pela equação do transporte.
Agora, porém, há uma difusão da poluição: F aponta na direção de maior de-
crescimento (inverso do gradiente) e é proporcional a esta diferença; traduzindo,

F = −k +u, k > 0.

Disto, obtemos
∂u ∂u
+ + · (−k +u) = f , = k + · (+u) + f
∂t ∂t
e, em conclusão, chegamos na equação do calor:
∂u
= k ∆u + f .
∂t
Fica a pergunta: é possível resolver esta equação? A resposta é que sim, mas tem
muitas soluções; infinitas, de fato! Então, precisamos mais é determinar a condição
inicial. Porém, só as condições iniciais não são suficientes: aqui, entra o conceito
das condições de contorno.
Definição. As condições de contorno, ou condições de fronteira, para uma
EDP são condições impostas em u(x, t) para t positivo e x um elemento da fronteira
de Ω:
u (x, t ), t > 0, x ∈ ∂ Ω. □

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Apesar de ser parecido com o problema de condição inicial, as condições de
contorno tratam de um valor nos extremos (o plural está certo: pode ser em mais
de um ponto, até mesmo na fronteira inteira) de onde a variável independente x se
encontra, enquanto que as de condição inicial dizem respeito ao valor da variável
independente x em um único ponto ponto, normalmente o inicial.
Existem alguns tipos de condições de contorno mais comuns que podem ser
estabelecidas para EDPs, como

Tabela 1: Exemplos de Condições de Contorno


Nome da Condição Forma da Condição Explicação
Dirichlet u (x, t ) = g (x, t ), x ∈ ∂ Ω, t > 0 Corresponde à Temperatura Fixa na
fronteira de Ω
Neumann F (x, t ) · n (x ) = g (x, t ), x ∈ ∂ Ω, t > 0 Corresponde a um fluxo de tempera-
tura fixo e proporcional a g na fronteira
de Ω
Robin F (x, t ) ∝ u (x, t ), x ∈ ∂ Ω, t > 0 Corresponde ao fluxo de temperatura
proporcional à própria temperatura

Um problema típico de condição de contorno supões que Ω seja um aberto limi-


tado, ∂ Ω seja suave e requer que o matemático determine a solução de

 ∂t = ∆u + f (x ), x ∈ Ω, t > 0 (equação)
 ∂u

u (x, 0) = g (x ), x ∈ Ω (condição inicial)

 u (x, t ) = h (x ),

x ∈ ∂ Ω, t > 0 (condição de contorno).

Neste tipo de problema, buscamos cumprir três coisas:

1) A busca pela existência de (pelo menos) uma solução;

2) A prova de que a solução é única;

3) A demonstração de que a solução depende continuamente de f, g e h - a


equação, a condição inicial e a condição de contorno.

Para isto, utilizamos normalmente o chamado método da energia, no qual


vamos mostrar, primeiramente, que se existe uma solução, ela deverá ser única; o
que queremos dizer por isso é que, se u 1 e u 2 resolvem a EDP, então elas são iguais.
Suponhamos, sem mais delongas, que u 1, u 2 : Ω × [0, ∞) → Ò sejam funções tais
que:

i) A derivada parcial de u com respeito a t existe e é contínua para todo par de


coordenadas (x, t) e Ω × [0, ∞);

ii) As derivadas parciais de u com respeito a j-ésima coordenada de x, junto à


segunda derivada parcial de u com respeito às i-ésima e j-ésima coordenadas de
x, existem e são ambas contínuas todo par de coordenadas (x, t) e Ω × [0, ∞),
além de admitirem extensão contínua até Ω: para todo (x, t) em Ω × [0, ∞),
existem
∂u ∂u
& .
∂x j ∂x i x j

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Lembrete! Extensão e Extensão Contínua
Uma extensão de uma função f : U ⊆ X → Y é uma outra função F : X → Y
tal que sua restrição a U equivale a f:

F |U (x ) ≡ f (x ), [x ∈ U .

Uma extensão é dita contínua quando F é contínua, como esperado.

Quanto uma função u satisfazer (i) e (ii), diremos que ela é de classe C 2,1 (Ω ×
[0, ∞)), ou seja, ela pertence a este conjunto de funções.

Proposição. Se u 1, u 2 são funções de classe C 2,1 (Ω × [0, ∞)) e solucionam

 ∂t = ∆u + f (x ), x ∈ Ω, t > 0 (equação)
 ∂u

u (x, 0) = g (x ), x ∈ Ω (condição inicial)

 u (x, t ) = h (x ),

x ∈ ∂ Ω, t > 0 (condição de contorno),

então u 1 = u 2 .

Prova. Coloque w B u 1 − u 2 , tal que:

∂w ∂u 1 ∂u 2
= − = ∆u 1 + f − ∆u 2 − f = ∆u 1 − ∆u 2 = ∆w
∂t ∂t ∂t
w (x, t ) = u 1 (x, t ) − u 2 (x, t ) = h (x ) − h (x ) = 0
w (x, 0) = u 1 (x, 0) − u 2 (x, 0) = g (x ) − g (x ) = 0.

Em conclusão, sob as hipóteses requeridas, w deve satisfazer

 ∂t = ∆w x ∈ Ω, t > 0 (equação)
 ∂w

w (x, t ) = 0 x ∈ Ω (condição inicial)

 w (x, 0) = 0

x ∈ ∂ Ω, t > 0 (condição de contorno),

O próximo passo consiste em mostrar que w é identicamente nula, já que seria o
equivalente a mostrar a equivalência entre u 1 e u 2 A ideia desta prova é unir as
seguintes igualdades de integrais sobre Ω:
∫ ∫
∂w
w dx = (∆w )w dx
Ω ∂t Ω
1 ∂ 2 1 d
∫ ∫ ∫
∂w
w dx = w dx = w 2 dx
∂t 2 ∂t 2 d t
∫Ω ∫Ω Ω ∫ ∫
(∆w )w dx = + · (w +w ) − (+w · +w )dx = w +w · nds − |+w | 2 dx,
Ω Ω ∂Ω Ω
| {z }
=0 pela cond. de contorno

resultando em
1 d
∫ ∫
2
w dx = |+w | 2 dx ≤ 0.
2 dt Ω Ω

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Integrando de 0 até t, portanto,
1 1
∫ ∫
2
w (x, t 0 )dx − w 2 (x, 0)dx ≤ 0
2 Ω 2 Ω
1

⇒− w 2 (x, t 0 ) ≤ 0
2 Ω
⇒ w (x, t 0 ) = 0, [x ∈ Ω, t > 0. ■

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5 Aula 05 - 17 de Março, 2025
5.1 Motivações
• Princípio do Máximo Forte;

• Existência e Unicidade da Solução da Equação do Calor;

• Resolvendo a Equação do Calor.

5.2 Existência e Unicidade de Solução da Equação do Calor


Ao fim da última aula, vimos uma proposição sobre a unicidade de soluções para
EDPs com condição de contorno. Uma das passagens foi a seguinte: saímos de
1 d
∫ ∫
2
w dx = |+w | 2 dx ≤ 0
2 dt Ω Ω

e, integrando de 0 até t, obtivemos,


1 1
∫ ∫
2
w (x, t 0 )dx − w 2 (x, 0)dx ≤ 0
2 Ω 2 Ω
1

⇒− w 2 (x, t 0 ) ≤ 0
2 Ω
⇒ w (x, t 0 ) = 0, [x ∈ Ω, t > 0.

Vamos dar um passo para trás (ou dois, se cada passo corresponder a uma linha
acima do fim); analisemos a desigualdade
1 1
∫ ∫
2
w (x, t 0 )dx − w 2 (x, 0)dx ≤ 0.
2 Ω 2 Ω
Consideremos, com base nisso, o seguinte problema de contorno de uma EDP,
com duas soluções, denotadas por u e v:

 ∂t = ∆u, Ω, t > 0
 ∂u

u = 0, ∂ Ω, t > 0

 u = φ1, Ω, t = 0


e
 ∂t = ∆v , Ω, t > 0
 ∂v

v = 0, ∂ Ω, t > 0

 v = φ2, Ω, t = 0


Assim como na demonstração, seja w = u − v e w (x, 0) = φ1 − φ2 , com as mesmas
propriedades mostradas lá, tal que a desigualdade torna-se
∫ ∫
2
(u (x, t ) − v (x, t )) dx ≤ (φ1 (x ) − φ2 (x )) 2 dx .
∂Ω ∂Ω

Pra que isto serve? Para mostrar a continuidade em relação aos parâmetros da
equação!

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Lembrete! Produto Interno de Funções
A norma e o produto interno definidos sobre o espaço de funções são

⟨f , g ⟩ = f (x )g (x )dx

e
∫  12
2
p
∥f ∥ = ⟨f , g ⟩ = f (x ) dx .

Com isto,
∥u (·, t ) − v (·, t )∥ ≤ ∥φ1 (·) − φ2 (·)∥.
Agora que estamos convencidos das boas propriedades que estão por trás das EDPs
com condições de contorno, partimos para o

Teorema (Princípio do Máximo (Forte)). Seja U um aberto limitado de Òn e u uma


função de classe C 2,1 (U × [0, T ]) tal que
∂u
(x, t ) = ∆u (x, t ), (x, t ) ∈ U × (0, T ].
∂t
Então,
max u = max{u (x, t ) : (x, t ) ∈ (∂U × [0, T ]) ∪ (U × {0})}
(x,t )∈U ×[0,T ]

Antes de uma prova do caso geral, vamos olhar para dois particulares que podem
ajudar a entender o que está acontecendo:
n=1) Aqui, U assume a forma de um intervalo fechado U = [a, b], tal que a
figura formada pelo produto cartesiano mencionado forme um quadrado de lado b −a
e altura T . Como
n=2) A cara deste teorema em duas dimensões é bem representada por um
problema de condição de contorno; a título de exemplo, considere

 ∂t (x, t ) = ∆u (x, t ), x ∈ Ω, t > 0


 ∂u

u (x, t ) = h (x, t ), x ∈ ∂ Ω, t > 0

 u (x, 0) = g (x ),

x ∈ Ω.

Então,
max(u) ≤ max(g , h).

Agora sim, vejamos sua demonstração:

Prova. Seja ε > 0 e defina v : U × [0, T ] → Ò por

v (x, t ) = u (x, t ) + ε ∥x ∥ 2 .
|{z}
x 12 +x 22 +...+x n2

Suponha que o máximo de v, com respeito aos pontos em seu domínio, ocorra no
ponto (x 0, t 0 ) dentro de U × (0, T ].

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A escolha deste ponto em específico é motivada da suposição de um máximo
que caia para fora de um dos dois lados da igualdade no teorema enunciado. Como
definimos v dentro do domínio à esquerda, resta assumir que o máximo cai em um
ponto dentro deste tal domínio, mas fora do conjunto à direita da igualdade, ou seja,
que o máximo ocorra em

U × (0, T ] = (U × [0, T ]) \ ((∂U × [0, T ]) ∪ (U × {0})).

A partir disto, obteremos, ao final, uma contradição e, como o ponto de máximo não
poderá estar em U × (0, T ], restará apenas que ele esteja em (∂U × [0, T ]) ∪ (U × {0}).
Sem mais delongas, vamos buscar problema. Pelo cálculo 2, sabemos que, como
x 0 é o máximo da aplicação que mapeia os pontos x em U para v (x, t 0 ):

x 0 = max{x ↦→ v (x, t 0 )},


x ∈U

temos
∂v ∂v
,..., = 0.
∂x 1 ∂x n
Analogamente, t 0 é o máximo do mapa que corresponde um valor de v (x 0, t ) para
cada t dentro do intervalo colocado (0, T ]:

t 0 = max {t ↦→ v (x 0, t )}.
t ∈(0,T ]

Assim, dependendo de onde o t 0 está no intervalo ao qual pertence, teremos algumas


situação. Caso t 0 esteja no interior deste intervalo, isto é, t 0 esteja em (0, T ), teremos
∂v
= 0.
∂t
Por outro lado, se o ponto de máximo coincidir com o extremo T incluso no intervalo,
então
≤0
z }| {
∂v v (x 0, T + h) − v (x 0, T )
(x 0, T ) = lim ≥ 0.
∂t h→0 h
h<0 |{z}
≤0
Vale mencionar que h é tomado como negativo, ou, no máximo, valendo zero, pois
caso fosse positivo, sua soma com T sairia da borda do intervalo. No fim das contas,
a desigualdade acima garante que

v (x 0, T + h) < v (x 0, T ).

Como conclusão, ao juntar as partes dos casos de extremos,


∂v
(x 0, t 0 ) ≥ 0
∂t
Há ainda uma terceira parte que podemos observar: caso x 0 seja máximo da
∂ 2v

função U ∋ x ↦→ v (x, t 0 ), então ∂xi ∂x é não positiva. Assim, seus autovalores, tal
j

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qual a soma dos mesmos, também devem ser não negativas; logo, considerando a
matriz das derivadas parciais de segunda ordem conforme representado dentro dos
parenteses
 ∂ 2v ∂ 2v
. . .

 ∂x 2 ∂x 1 ∂x 2
 21
∂ 2v

2
∂ v
 ∂v
 ∂x 2 ∂x 1 ∂x 2 . . . 
=  .

2
..

∂x i ∂x j  .. . . . .

.. ∂ 2v 
 
 ... .

 ∂x n2 

a soma dos termos em vermelho - o traço da matriz - também deve satisfazer


 2 
∂ v
Tr ≤ 0.
∂x i ∂x j

Observe, porém, que isto é exatamente o mesmo que

∆v ≤ 0.

Após estes passos, descobrimos que v satisfaz as propriedades


∂v
≥ 0 & ∆v ≤ 0.
∂t
Vamos ver como isto se relaciona com a função u, então:
∂v ∂u ∂  ∂u
= + ε ∥x ∥ 2 =
∂t ∂t ∂t   ∂t
2
∆v = ∆u + ε ∆ ∥x ∥ = ∆u + 2nε.
| {z }
=2+2+...+2

Logo,
∂v
− ∆v ≥ 0
∂t
e, desta forma,
∂v ∂u
0≤ − ∆v = − ∆u −2nε < 0.
∂t ∂t
| {z }
=0
Um absurdo!
Portanto, mostramos que

max v = max{v (x, t ) : (x, t ) ∈ (∂U × [0, T ]) ∪ (U × {0})}.


(x,t )∈U ×[0,T ]

Para finalizar e obter a igualdade para u, basta tomar o limite conforme ε tende a
0, obtendo, finalmente,

max u = max{u (x, t ) : (x, t ) ∈ (∂U × [0, T ]) ∪ (U × {0})}. ■


(x,t )∈U ×[0,T ]

Página 37 de 158
Em particular, uma das consequências do teorema do máximo poderia, de certa
forma, ser chamada “teorema do mínimo”
Corolário. Sob as condições do Teorema do Máximo,

min u = min{u (x, t ) : (x, t ) ∈ (∂U × [0, T ]) ∪ (U × {0})}


(x,t )∈U ×[0,T ]

Prova. Suponha que


∂u
= ∆u .
∂t
Então,
∂ (−u) ∂u
=− = −∆u = ∆(−u).
∂t ∂t
Pelo teorema do máximo,

max (−u) = max{−u (x, t ) : (x, t ) ∈ (∂U × [0, T ]) ∪ (U × {0})}. ■,


(x,t )∈U ×[0,T ]

mas
max(−u) = − min(u).
Portanto,

min u = min{u (x, t ) : (x, t ) ∈ (∂U × [0, T ]) ∪ (U × {0})}. ■


(x,t )∈U ×[0,T ]

Usando o teorema e o corolário, também podemos provar que


Corolário. Sob as condições do teorema,

max |u | = max{|u |(x, t ) : (x, t ) ∈ (∂U × [0, T ]) ∪ (U × {0})}.


(x,t )∈U ×[0,T ]

5.3 Existência e Unicidade da Equação do Calor


De cara, entenderemos a importância deste teorema pois ele é o que nos permitirá
provar a unicidade da equação do calor! Como de costume com este tipo de proble-
mática, vamos considerar dois problemas de condições de contorno correspondentes
à equação do calor:
 ∂t = ∆u + f , x ∈ Ω, t > 0
 ∂u

u = h (x, t ), x ∈ ∂ Ω, t > 0

 u = g (x ),

x ∈ Ω, t = 0

e
 ∂t = ∆v + f , x ∈ Ω, t > 0
 ∂v

v = h (x, t ), x ∈ ∂ Ω, t > 0

 v = g (x ),

x ∈ Ω, t = 0.

Colocando w = u − v , temos

 ∂t = ∆w x ∈ Ω, t > 0
 ∂w

w =0 x ∈ ∂ Ω, t > 0

 w =0

x ∈ Ω, t = 0.

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Caso u e v sejam de classe C 2,1 , w também será, o que garante que estamos dentro
das condições do teorema do máximo! Assim,

max w = max{w (x, t ) : (x, t ) ∈ (∂U × [0, T ]) ∪ (U × {0})} = 0


(x,t )∈U ×[0,T ]

min w = min{w (x, t ) : (x, t ) ∈ (∂U × [0, T ]) ∪ (U × {0})} = 0,


(x,t )∈U ×[0,T ]

mas, por se tratar de máximos e mínimos, o que isto quer dizer é que

0≤w ≤0⇒w =0

e, portanto, u é igual a v.
Estudando novamente a continuidade em relação aos parâmetros, relembremos
o que foi feito anteriormente: partimos de

 ∂t = ∆u, Ω, t > 0
 ∂u

u = 0, ∂ Ω, t > 0

 u = φ1, Ω, t = 0


e
 ∂t = ∆v , Ω, t > 0
 ∂v

v = 0, ∂ Ω, t > 0

 v = φ2, Ω, t = 0.


Com isto, w satisfará

 ∂t = ∆w , x ∈ Ω, t > 0
 ∂w

w = 0, x ∈ ∂ Ω, t > 0

 w = φ1 − φ2,

x ∈ Ω, t = 0

Diferente de antes, utilizando o corolário do módulo para o teorema do máximo,
temos
max |w | = max |φ1 − φ2 |
e, portanto,
max |u − v | ≤ max |φ1 − φ2 |

Resta, por fim, a existência. Para entender como provar a existência da solução
de uma equação do calor, estudemos a forma com a qual o calor dispersa-se em uma
barra de tamanho L - noutros termos, considere o caso em que x está num domínio
unidimensional (ou seja, em que x é um número real variando em um intervalo da
reta real) da equação do calor:

 ∂t = ∆u + f , ∈ [0, L], t > 0


∂u

 x
u (0, t ) = u (L, t ) = 0, ∈ ∂ [0, L] = {0, L}, t > 0

x
 u (x, 0) = g (x ),

x ∈ [0, L], t = 0.

A ideia do método é procurarmos soluções da forma T (t )X (x ).

Página 39 de 158
Passo 1: usamos a equação do calor para encontrar tais soluções:

∂ ∂2
(T (t )X (x )) = (T (t )X (x )
∂t ∂x 2
⇐⇒T ′ (t )x (x ) = T (t )X ′′ (x )
T ′ (t ) X ′′ (x )
⇐⇒ = .
T (t ) X (x )
Sendo assim, deve existir uma constante λ real tal que
T ′ (t ) X ′′ (x )
= =λ
T (t ) X (x )
e, consequentemente,

T ′ (t ) = λT (t )
X ′′ (x ) = λX (x )

Passo 2: usaremos as condições de contorno para achar as soluções do passo 1:


sabemos que
T (t )X (0) = T (t )X (L) = 0.
Assim, para que T não seja identicamente nula, precisamos que os extremos se
anulem - X (0) = X (L) = 0.
Logo, juntando com o passo 1,

T ′ (t ) = λT (t ) & X ′′ (x ) = λX (x ), X (0) = X (L) = 0.

Passo 3: analisaremos os casos com diferentes λ na próxima aula!

Página 40 de 158
6 Aula 06 - 19 de Março, 2025
6.1 Motivações
• Existência da Equação do Calor Unidimensional;

• Método da Separação de Variáveis.

6.2 Separação de Variáveis: Soluções da Equação do Calor


Conforme vimos previamente, analisaremos os casos com diferentes λ’s na EDP do
Calor Unidimensional. O primeiro deles será o caso em que λ é nulo: aqui,

X ′′ (x ) = 0 ⇒ X ′ (x ) = A ⇒ X (x ) = Ax + B,

e podemos usar isso para checar as condições de contorno que obtemos para este X

X (0) = 0 ⇒ A · 0 + B = 0 ⇒ B = 0
X (L) = 0 ⇒ A · L + 0 = 0 ⇒ A = 0.

Com isto, descobrimos que toda solução dessa EDP, se λ for nulo, será trivial!
O segundo caso a ser analisado é aquele em que λ é positivo. Analogamente ao
caso nulo, começamos com
√ √
X (x ) = λX (x ) ⇒ X (x ) = Ae
′′ λx
+ Be − λx
.

Estudando as condições, temos

X (0) = 0 ⇒ A + B = 0 ⇒ A = −B
√ √ √ √
X (L) = 0 ⇒ Ae λL
+ Be − λL = 0 ⇒ A (eλL
− e − λL ) = 0.
| {z }
>0

Concluímos que, novamente,

A = 0 & B = −A = 0,

e não existe nenhuma solução sem ser a trivial, mais uma vez.
Nossa última esperança é o caso de λ negativo. Vamos agarrá-la e ver no que
dá, de forma similar aos outros dois:
√ √
X ′′ (x ) = λX (x ) ⇒ X (x ) = A cos ( −λx ) + B sin ( −λx ),

em que faz sentido optar pela solução com seno e cosseno, pois o termo dentro da
raiz não dá problema. Com isso,

X (0) = 0 ⇒ X (0) = A = 0

X (L) = 0 ⇒ X (L) = B sin ( −λL) = 0.

Parece que está tudo bem! Queremos B diferente de zero, e esse caso
√ deixa aberta
esta possibilidade, pois podemos procurar pelo caso em que sin ( −λL) seja nulo.

Página 41 de 158
Isto ocorre sempre que o termo dentro do parenteses for um múltiplo inteiro de π.
Portanto,
 2
√ nπ nπ
−λ = ⇐⇒ λ = − .
L L
Na verdade, a construção acima é o chamado método da separação de va-
riáveis, e podemos aplicar ele para casos específicos da equação do calor. Veremos
um deles a seguir.

Exemplo 16. Para conseguirmos estudar o método da separação de variáveis, da-


remos nomes a alguns dos bois que apareceram durante o estuda da Equação do
Calor. Reconsidere-a, então, a seguir:
∂ 2u
 ∂t (x, t ) = ∂t 2 (x, t ), x ∈ [0, L], t > 0
 ∂u


u (0, t ) = u (0, L) = 0, t >0
 u (x, 0) = g (x ),

x ∈ [0, L].

A parte laranja constituirá o primeiro passo do método; a amarela, o segundo; e,
por fim, a verde corresponde à terceira. No caso da equação vista acima, já sabemos
que ela tem soluções da forma

 
nπx
Xn (x ) = B n sin ( −λx ) = B n sin , n ∈ Î,
L

onde Xn (x ) são as chamadas autofunções, e


 2

λn = −
L

são os autovalores, assim como na álgebra linear. Além disso, para a parte da
temperatura, outrora denotada por T, obtivemos

T ′ (t ) = λT (t ),

que, juntando à dedução para X, resulta em soluções


nπ 2
Tn (t ) = C e − ( L ) t .

Unindo as partes, as soluções obtidas para a equação do calor têm forma


 
2 nπx
− ( nπ )
u n (x, t ) = B n e L t
sin , n ∈ Î.
L

Mediante o passo 3, vamos achar uma solução que satisfaz a condição inicial, come-
çando por observar que2
N N  
Õ Õ 2 nπx
− ( nπ
L ) t
u (x, t ) = u n (x, t ) = bn e sin
n=1 n=1
L
2
“Como a soma de várias soluções é, também, uma solução para as EDPs,”

Página 42 de 158
também resolve a EDP do calor e a condição do contorno. Com efeito,
N  Õ N
∂u ∂ Õ ∂u n
= un =
∂t ∂t n=1 n=1
∂t

∂ 2u n
N
Õ
=
n=1
∂x 2

∂2
ÕN 
= un
∂x 2 n=1
∂ 2u
=
∂x 2
e
N
Õ N
Õ
u (0, t ) = u n (0, t ) = 0 & u (L, t ) = u n (L, t ) = 0.
n=1 n=1
Agora que sabemos que isso funciona, vamos procurar soluções que tenham essa
forma
N  
Õ 2 nπx
− ( nπ )
u (x, t ) = bn e L t
sin
n=1
L
e, para que continue dando certo, precisaremos que

u (x, 0) = g (x ).

Substituindo t por 0 na forma geral, encontramos


N  
Õ nπx
b n sin = g (x ),
n=1
L

donde concluímos que, se


N  
Õ nπx
g (x ) = g n sin ,
n=1
L

então tomamos b n = g n para todo n natural e obtemos


N  
Õ 2 nπx
− ( nπ
L ) t
u (x, t ) = gn e sin .
n=1
L

Uma coisa interessante é que, tomando, como fato geral, por agora, que para muitas
g’s, vale a decomposição
∞  
Õ nπx
g (x ) = g n sin ,
n=1
L
então a forma
N  
Õ 2 nπx
− ( nπ
L ) t
u (x, t ) = gn e sin
n=1
L

Página 43 de 158
deve resolver boa parte das EDPs de calor.
Para conferir, voltemos ao passo 1 e vamos resolver o problema dado. Queremos
soluções da forma u (x, t ) = T (t )X (x ). Logo,
T ′ (t ) X ′′ (x )
T ′ (t )X (x ) = T (t )X ′′ (x ) ⇒ = = λ.
T (t ) X (x )
Agora, no passo 2, precisamos resolver a condição de contorno imposta sobre T e X,
ou seja,
T ′ (t ) = λT (t ) & X ′′ (x ) = λX (x ), X ′ (0) = X ′ (L) = 0.
Assim como fora feito no caso geral, analisaremos os casos do λ:
Caso 1: λ = 0.
Aqui, usando que X ′′ (x ) = 0, obtemos

X (x ) = Ax + B ⇒ X ′ (0) = A, X ′ (L) = A.

Assim, como o valor nas fronteiras é nulo, isto leva à conclusão de que A também é
nulo. Portanto,
X (x ) = B .
Caso 2: λ > 0.
Quando λ é positivo, acontece

X ′′ (x ) = λX (x ),

cujas soluções são da forma


√ √
X (x ) = Ae λx
+ Be − λx ,

com √ √ √ √
X ′ (x ) = λAe λx − λBe − λx .
Resolvendo a EDO da derivada de X com base nas condições de fronteira, segue que

X ′ (0) = 0 ⇒ λ(A − B) = 0 ⇒ A = B
√ √ √ √
X ′ (L) = 0 ⇒ λ(Ae λL − Be − λL ) = 0 ⇒ A = Be −2 λL .

Consequentemente, juntando ambas,


√ √
B = Be −2 λL ⇒ 1 = e −2 λL ou B = 0.

A primeira opção é um absurdo, então resta apenas B nulo como solução, donde
temos A também nulo e apenas soluções triviais para esta EDP.
Caso 3: λ < 0.
Quando λ é negativo, temos
√ √
X ′′ (x ) = λX (x ) ⇒ A cos ( −λx ) + B sin ( −λx )

Página 44 de 158
e √ √ √ √
X ′ (x ) = − −λA sin ( −λx ) + B −λ cos ( −λx ).
Assim como antes, iremos resolver esta EDO com base nas condições de fronteiras

X ′ (0) = 0 ⇒ B −λ = 0 ⇒ B = 0
√ √
X ′ (L) = 0 ⇒ − −λA sin ( −λL) = 0.
Observando o caso em que A é não-nulo, para ver se conseguiremos fugir das soluções
triviais, então teremos que resolver

sin ( −λL) = 0.

Assim, −λL precisa ser um múltiplo inteiro de π; logo,
 2

λ=− , n ∈ Ú \ {0}.
L
No fim das contas, as soluções encontradas são da forma
 
p nπx
Xn = a n cos ( −λ n x ) = a n cos , n ∈ { 0 , 1, 2, 3, . . . }
L |{z} | {z }
Caso 1 Caso 3

Vemos, a partir disto, que


Tn′ (t ) = λ nTn (t );
quando n for positivo, pode ser reescrito como
 2
nπ nπ 2
Tn (t ) = −

Tn (t ) ⇒ Tn (t ) = c n e − ( L ) t .
L
Por outro lado, quando n for nulo,
T0′ (t ) = 0 ⇒ T0 (t ) = c 0 .
Taí uma novidade que saiu de resolver este caso específico! E ainda nem chegamos
ao passo 3; antes dele, concluímos que
 
2 nπx
− ( nπ )
u n (x, t ) = Xn (x )Tn (t ) = a n e L t
cos , n ∈ {0, 1, 2, . . . }.
L
Finalmente, quanto ao passo 3, que consiste em encontrar soluções com a condi-
ção inicial
N   Õ N
Õ 2 nπx
− ( nπ )
u (x, t ) = an e L t
cos = u n (x, t ),
n=0
L n=0
que satisfaz a EDP do calor pois
N
∂u Õ ∂u n
(0, t ) = (0, t ) = 0
∂x n=0
∂x
N
∂u Õ ∂u n
(L, t ) = (L, t ) = 0.
∂x n=0
∂x

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Colocando u (x, 0) = g (x ), devemos ter
N   N  
Õ nπx a0 Õ nπx
g (x ) = a n cos = + a n cos .
n=0
L 2 n=1
L

Em geral, se
N  
g0 Õ nπx
g (x ) = + g n cos ,
2 n=1 L
então
N  
g0 Õ 2 nπx
− ( nπ
u (x, t ) = + g n e L ) cos t
,
2 n=1 L

Página 46 de 158
7 Aula 07 - 24 de Março, 2025
7.1 Motivações
• Séries de Fourier.

7.2 Séries de Fourier


Agora, veremos mais um método muito utilizado para lidar com EDPs.

Definição. Uma função f : Ò → Ã é dita T-periódica se, para todo x em Ò,

f (x + T ) = f (x ), [x ∈ Ò. □

Observe, então, que a função f é unicamente determinada em qualquer intervalo


[a, a +T ) para números reais a. Essa definição é a base para trabalhar com as séries
de Fourier, pois elas serão, em grandes partes, 2π-periódicas (e normalmente, em
intervalos [0, 2π] ou [−π, π]).
Dito isso, nosso objetivo inicial é escrever uma função 2π-periódico com a se-
guinte série, chamada série de Fouries

a0 Õ
f (x ) = + [a n cos (nx ) + b n sin (nx )],
2 n=1

em que a forma acima leva o nome de forma real (de números reais), mas que tem
como alternativa a forma complexa

Õ
f (x ) = c n e i nx .
n=−∞

Qual a diferença entra elas, se ambas levam o nome “série de Fourier”? Na verdade,
elas duas são equivalentes, mas para não ficar com o argumento de autoridade,
recordemos algumas coisas dos números complexos.

Lembrete! Fórmula de Euler


A fórmula de Euler é dada por

e i θ = cos (θ) + i sin (θ),

que leva também à seguinte expressão para seno e cosseno

e i θ + e −i θ e i θ − e −i θ
cos (θ) = , sin (θ) = .
2 2i

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Usando isto, temos

e + e −i nx e − e −i nx 1
 i nx   i nx 
a0 Õ
f (x ) = + an + bn − bn
2 n=1 2 2i 2i
∞ ∞
a0 Õ 1 Õ1
= + (a n − i b n )e i nx + (a n + i b n )e −i nx
2 n=1 2 n=1
2
∞ −∞
a0 Õ 1 Õ 1
= + (a n − i b n )e i nx + (a −k + i b −k )e i k x
2 n=1 2 k =−1
2

Õ
=
n=−∞
a0 1 1
c0 = , cn = (a n − i b n ), n > 0 ∨ cn = (a −n + b −n ), n < 0.
2 2 2
Em conclusão, toda série real pode ser escrita como uma complexo; mostremos,
também, a contrapartida disso.

Õ ∞
Õ −∞
Õ
f (x ) = = c0 + cn e i nx
+ c n e −i nx
n=−∞ n=1 n=−1

Õ
= c0 + (c n e i nx + c −n e i nx )
n=1
Õ∞
= c0 + (c n cos (nx ) + i c n sin (nx ) + c −n cos (nx ) − i c −n sin (nx ))
n=1
Õ∞
= c0 + (c n cos (nx ) + i c n sin (nx ) + c −n cos (nx ) − i c −n sin (nx ))
n=1

Õ
= c0 +
 
(c −n + c −n cos (nx )) + (i c n − i c−n )
n=1

a0 Õ
= + (a n cos (nx ) + b n sin (nx )),
2 n=1
a 0 = 2c 0, a n = c n + c −n , b n = i c n − i c −n , n > 0.
Pelos mesmos argumentos, trocando apenas “∞” por “N”, e vemos que
N N
Õ a0 Õ
cn e i nx
= + (a n cos (nx ) + b n sin (nx )).
n=−N
2 n=1

Apesar de termos mostrado algumas propriedades sobre essas tais séries de Fou-
rier, ainda não conseguimos usá-las para nada, e nosso objetivo é seguir algo parecido
a um dos processos anteriores para a equação do calor, em que chegamos numa solu-
ção com a forma delas: as séries de Fourier constituem um ferramental muito útil no
estudo das EDPs. Até chegar lá, temos algumas etapas, por exemplo toda a parte
do trabalho com os coeficientes a n , b n e c n . Como toda bom e velho estudante,
vamos tentar adivinhas os coeficientes à base do chute!

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Lembrete! Combinação Linear e Produto Interno
Lembre-se, da álgebra linear, que um vetor v pode ser escrito como combinação
linear de vetores e i de uma base, mas com seus tamanhos alterados em αi
unidades: Õ
v = αi e i ,

e que o produto interno deste vetor v com os elementos da base resulta nos
respectivos α’s
Õ
v , ej = αi e i , e j = α j .

Como indicamos antes, o produto interno no espaço de funções pode ser dado
pela integral como ∫
f (x )g (x )dx = ⟨f , g ⟩ .

Com base nisso, nosso chute totalmente aleatório (não é) se baseia em considerar

Õ ∞
Õ
f (x ) = cn e i nx
⇐⇒ f (x )e −i mx
= c n e i nx e −i mx ,
n=−∞ n=−∞

tal que
∫ π ∫ π ∞
Õ
f (x )e −i mx
dx = c n e i nx e −i mx dx .
−π −π n=−∞

Logo,
∫ π ∞ ∫
Õ π
f (x )e −i mx
dx = c n e i (n−m)x dx .
−π n=−∞ −π

Computando a integral da exponencial,


Õ∞ ∫ π ∞
Õ
cn e i (n−m)x
dx = c n 2πδ nm = 2πc m ,
n=−∞ −π n=−∞

onde apareceu o antigo Delta de Kronecker. Substituindo por k a diferença entre n


e m, chegamos em
∫ π  2π, π k =0


e dx = e i k x
ikx

−π  ik
 , k , 0.
 −π
Podemos trabalhar no segundo termo das possibilidades e chegar em
π
1 ikx 1 ikπ 1
e = (e − e −i k π ) = 2i sin (k π) = 0;
ik −π ik ik
logo,
π
2π, k =0
∫ 
e ikx
dx =
−π 0, k , 0.
Finalmente, chegamos à definição formal de que

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Definição. A série de Fourier complexa é

1 π
Õ ∫
f (x ) = cn e i nx
, cn B f (x )e −i nx dx
n=−∞
2π −π

e a série de Fourier real é



a0 Õ
f (x ) = + (a n cos (nx ) + b n sin (nx )),
2 n=1
com
1
∫ π
a0 = f (x )dx,
π −π
1 1
∫ π ∫ π
an = f (x )(e −i nx
+ e )dx =
i nx
cos (nx )dx
2π −π π −π
1 1
∫ π ∫ π
bn = f (x )(i e −i nx
− i e )dx =
i nx
f (x ) sin (nx )dx . □
2π −π π −π
Para consolidar o que foi visto (e, convenhamos, não foi pouca coisa), vejamos
alguns exemplos.
Exemplo 17. 1) Considere a função f : Ò → Ã, 2π−periódica, definida por
f (x ) = x, x ∈ [−π, π).
Aqui,
1
∫ π
an = x cos (nx )dx = 0,
π −π
pois é o produto de uma função ímpar por uma par, cuja integral num intervalo
simétrico é 0.

Lembrete! Funções Pares e Ímpares


Dizemos que uma função f : X → Y é par quando ela satisfaz, para
todos os elementos do seu domínio, a igualdade

f (−x ) = f (x ), [x ∈ X .

Por outro lado, ela é dita ímpar quando, para todos os elementos do
domínio,
−f (x ) = f (−x ), [x ∈ X .

Quanto aos b n ’s, usamos uma integração por parte para descobrir
1 1 cos (nx ) π 1
∫ π   ∫ π
cos (nx )
bn = x sin (nx )dx = − x − + dx
π −π π n −π π −π n
π
1 π 1
 
−π
=− cos (nπ) − cos (−πn) + sin (nx )
π n n πn 2 −π
2
= − cos (nπ).
n

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Sendo assim, a série de Fourier obtida é
∞ ∞
Õ −2 cos (nπ) Õ 2
f (x ) = sin (nx ) = (−1) n sin (nx ).
n=1
n n=1
n

Analogamente, a formulação complexa resulta em



Õ (−1) n i nx
f (x ) = i e , n,0
n=−∞
n

em que usamos
a0
c0 = = 0,
2
an − i bn (−1) n
cn = =i , n>0
2 n
a n + i b −n (−1) n
c −n = =i , n > 0.
2 n

2) Agora, tome como função f : Ò → Ã, também 2π-periódica, dada por

f (x ) = |x |, x ∈ [−π, π).

Então, temos os coeficientes a 0

1 2 2 π2
∫ π ∫ π
a0 = |x |dx = x dx = = π,
π −π π 0 π 2
os a n ’s, dados por

1 2
∫ π ∫ π
an = |x | cos (nx )dx = x cos (nx )dx
π −π π 0
2 x sin (nx ) π 2
∫ π
sin (nx )
= − dx
π n 0 π 0 n
2 cos (nx ) π
=
π n2 0
2
= (cos (nπ) − 1), n ≥ 1
πn 2
e, por fim, os b n ’s, que são determinados a partir de

1
∫ π
bn = f (x ) sin (nx )dx = 0.
π −π

Página 51 de 158
Destarte, a série de Fourier é

π Õ 2
|x | = + (cos (nπ) − 1)
2 n=1 n 2 π

π Õ 4
= + − cos (nx ) (como o cosseno é 0 quando n é par)
2 n=1 n 2 π

π Õ 4
= − cos (nx )
2 n=1 n 2 π
n ímpar

π 4 Õ cos (2m + 1)x
= − ,
2 π m=0
(2m + 1) 2

em que, no último passo, apenas transformamos a expressão “n ímpar” na


versão simbólica de um número ímpar genérico.
Observe que, caso a série convirja para x nulo, obtemos

π 4Õ 1
− = 0,
2 π n=0 (2n + 1) 2

que permite concluirmos uma igualdade bem interessante sobre somatórias via
manipulação algébrica:

π2 Õ 1
= .
8 n=0
(2n + 1) 2

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8 Aula 08 - 26 de Março, 2025
8.1 Motivações
• Séries de Fourier de Seno e de Cosseno;

8.2 Séries de Fourier II


Gostaríamos de continuar o estudo de séries de Fourier 2π-periódica, analisando elas
em
[−π, π], [−T , T ], [0, π], [0, T ],
e a série seno e cosseno. Quando temos uma função f : [−π, π] → Ã, podemos
estender ela a intervalos para além do [−π, π], (mas precisamos excluir uma das ex-
tremidades!), e sua série de Fourier será a mesma da original; além disso, a expressão
será idêntica à da original.
De forma mais rigorosa, seja f : [−π, π] → Ã; definimos a função f˜ : Ò → Ã da
forma
f˜ (x + 2nπ) = f (x ), x ∈ [−π, π), n ∈ Ú.
Em particular, para recuperar f, basta restringir o domínio de f˜ para [−π, π). A
série de Fourier de f é, por definição, a mesma que a de f˜, e as fórmulas anteriores
para os coeficientes também permanecem.
Uma coisa legal que dá pra fazer é restringir a série a apenas o termo cosseno, ou
apenas o termo seno, e analisar as chamadas Séries de Fourier Seno e Cosseno
da Função que apareceram durante nosso estudo dos casos da EDP do calor; para
isso, olharemos duas extensões que valem a pena: uma par e uma ímpar.
A ideia aqui é pegar a f, estender a [−π, π] e estender esta função periódica
repetidamente. No caso da extensão seno, faremos:

1. Extensão a uma função ímpar3 de [−π, π];

2. Estender a uma função 2π-periódica f˜.

Nosso objetivo, então, será calcular a série, na forma real, de f˜ restrita ao [0, π].
Segue que

a0 Õ
f˜ (x ) = + [a n cos (nx ) + b n sin (nx )]
2 n=1
1
∫ π
an = f˜ (x ) cos (nx )dx = 0
π −π
1 2
∫ π ∫ π
bn = ˜
f (x ) sin (nx )dx = f (x ) sin (nx )dx .
π −π π 0
Aqui, conseguimos ver a necessidade de pegar uma extensão ímpar especificamente:
a integral que define os termos a n , do cosseno, tornam-se nulas; as que definem os
3
Porque seno é uma função ímpar.

Página 53 de 158
os termos b n , definindo o seno, dobram e ficam restritas ao intervalo [0, π]. Logo, a
série de fourier seno é dada por

2 π
Õ ∫
f (x ) = b n sin (nx ), bn = f (x ) sin (nx )dx .
n=1
π 0

Quanto à Série de Fourier Cosseno, o que fazemos é:

1. Estender a uma função par4 de [−π, π];

2. Estender a uma função 2π-periódica f˜.

Analogamente a antes, a série de Fourier cosseno de f é a série de Fourier de f˜


restrita ao [0, π]:

a0 Õ
f˜ (x ) = + [a n cos (nx ) + b n sin (nx )]
2 n=1
1
∫ π
bn = f˜ (x ) sin (nx )dx = 0
π −π
1 2
∫ π ∫ π
an = ˜
f (x ) cos (nx )dx = f (x ) cos (nx )dx .
π −π π −π
Logo, a série de Fourier cosseno é dada por

2 π

a0 Õ
f (x ) = + a n cos (nx ), an = f (x ) cos (nx )dx .
2 n=1 π 0

8.3 Aplicando as Séries de Cosseno e de Seno


Exemplo 18. Considere o problema do calor numa barra com tamanho π; estuda-
remos a propagação do calor ao longo dela e seu comportamento nas extremidades,
por meio da EDP
∂ 2u
 ∂t = ∂x 2 , t > 0, x ∈ [0, π]
 ∂u


u (0, t ) = u (π, t ) = 0, t >0
 u (x, 0) = g (x ),

x ∈ [0, π].

Conforme fora feito previamente, pelo método da separação de variáveis, chegamos
a uma conclusão e um problema:

2
Õ
u (x, t ) = b n e −n t sin (nx ),
n=1

junto ao problema de conseguir trabalhar apenas com condições iniciais na forma de


senos e cossenos; de forma conveniente, conseguimos agora mesmo um ferramental
4
Porque cosseno é uma função par.

Página 54 de 158
que permite transformar funções numa soma de senos e cossenos, ou apenas um dos
dois. Assim, considerando a condição de contorno dada,

2
Õ ∫ π
u (x, 0) = g (x ) = b n sin (nx ), b n = g (x ) sin (nx )dx .
n=1
π 0
Em conclusão,
∞  ∫
2 π 
2
Õ
u (x, t ) = g (y ) sin (n y )d y e −n t sin (nx ).
n=1
π 0

Olhando para um exemplo dentro do exemplo, vamos considerar o caso em que


g (x ) = x , que já vimos antes sua série; então, a solução torna-se

Õ 2 2
u (x, t ) = (−1) n+1 e −n t sin (nx ).
n=1
n
Exemplo 19. Agora, vamos ver a EDP
∂ 2u
 ∂t (x, t ) = ∂x 2 , x ∈ [0, π], t > 0
 ∂u


∂x (0, t ) = ∂x (π, t ) = 0, t >0
∂u ∂u
 u (x, 0) = g (x ).


Vimos que

a0 Õ 2
u (x, t ) = + a n e −n t cos (nx )
2 n=1

a0 Õ
g (x ) = u (x, 0) = + a n cos (nx ).
2 n=1
Usando a série cosseno, concluímos
2
∫ π
an = g (x ) cos (nx )dx,
π 0
tal que a solução será

1 2
∫ π ∫ π 
2
Õ
u (x, t ) = g (y )d y + g (y ) cos (n y )d y e −n t cos (nx ).
π 0 π 0
| {z } n=1
=a 0 /2

Novamente, se g (x ) = x , isto torna-se



π 4Õ 1 2
u (x, t ) = − 2
e −(2n+1) t cos (2n + 1)x .
2 π n=1 (2n + 1)
Observe que, conforme t tende a infinito, o termo exponencial negativa faz a parte
da soma tender a 0, resultando em
1
t →∞ ∫ π
u (x, t ) −→ g (y )d y ,
π 0
que é exatamente a média de g.

Página 55 de 158
9 Aula 09 - 31 de Março, 2025
9.1 Motivações
• Convergência das Séries de Fourier.

9.2 Convergência das Séries de Fourier


Considere a função f : Ò → Ã, 2π-periódica, com a seguinte forma se escrever sua
série de Fourier:
N  N 
Õ a0 Õ
f (x ) = lim cn e i nx
= lim + (a n ) cos (nx ) + b n sin (nx )
N →∞ N →∞ 2
∫ π n=−N n=1
1
cn = f (x )e −i nx dx .
2π −π
Nosso tópico de discussão dessa vez tem relação com o termo que vem logo antes
da série descrita acima: o limite; mais especificamente, a convergência das séries de
Fourier. Iremos passar pela convergência pontual, que diz respeito à convergência
de uma função em cada ponto, pela uniforme, sobre a convergência ser controlada
para todos os pontos do domínio dela, e algumas outras, como a L 2 . Para uma
especificidade maior, a pontual significa que, para cada x dentro de um subconjunto
dos reais,
ÕN
f (x ) = lim c n e i nx .
N →∞
n=−N
Por outro lado, a uniforme assumiria a forma da igualdade
N
Õ
lim max f (x ) − c n e i nx = 0,
N →∞ x ∈Ò
n=−N

e, a L 2 ,
∫ π Õ 2
lim f (x ) − N cn e i nx
dx = 0.
N →∞ −π n=−N
Dizer que elas são fáceis de checar é um exagero, então elas serão parte dos principais
tópicos de estudo dessa parte.
Antes, porém, definimos
Definição. Uma função f : [a, b] → Ò é contínua por partes se existe uma
partição do intervalo [a, b]
a = x0 < x1 < . . . < xn = b
tal que
1) A restrição de f aos subintervalos gerados pela partição, ou seja,
f | (xi ,xi +1 ) ,
é contínua;

Página 56 de 158
2) Existem os limites laterais para cada componente da partição, isto é,
lim f (x ) & lim f (x ). □
x →x i+ x →x i−

Figura 1: ilustração da continuidade por partes - um monte de “componentes contí-


nuas” da função em cada parte da partição.

Exemplo 20. a) A função


1
x, x ∈ (0, 1]

f (x ) =
0, x =0
não é contínua por partes - ela falha quando olhamos para qualquer partição
em seus componentes a = x 0 = 0 e x 1 > 0
b) Similarmente, a função
 
1
, x ∈ (0, 1]

 sin

f (x ) =

x
 0,

x ∈ [−1, 0]

também não é.
c) Finalmente, um exemplo de função contínua por partes é
x ∈ [0, 1]

x,
f (x ) =
1 + x, x ∈ [−1, 0]
Definição. Uma função f : [a, b] → Ò é C 1 por partes, ou suave por partes5 ,
se existe uma partição do intervalo [a, b]
a = x0 < x1 < . . . < xn = b
tal que
5
O termo suave sempre tem que ser levado com cautela. Em geral, suave significa ter todas as
derivadas contínuas, mas, muitas vezes, pode ser usado para se referir à derivada conveniente ser
contínua. No caso daqui, basta que a primeira seja, então suave significa uma função ter derivada
e ela ser contínua.

Página 57 de 158
1) A restrição de f aos subintervalos gerados pela partição, ou seja,
f | (xi ,xi +1 ) ,
é C1;
2) Existem os limites laterais da função e de sua derivada para cada componente
da partição, isto é,
lim f (x ), lim− f (x ), lim+ f ′ (x ) & lim− f ′ (x ). □
x →x i+ x →x i x →x i x →x i

Figura 2: de forma parecida com a anterior, temos a ilustração de uma função C 1


por partes.

É preciso ter cautela ao afirmar que uma função é C 1 por partes apenas por suas
propriedades; a exemplo, a função
√
x, x ∈ [0, 1]
f (x ) =
0, x ∈ [−1, 0]
é contínua, MAS não é C 1 por partes: basta ver sua primeira derivada e comparar
com o exemplo (a) das funções que não são contínuas por partes.
Definição. Uma função f : Ò → Ã é contínua (suave) por partes se, para cada
a < b, as suas partes real e imaginária ,
Re(f ) : [a, b] → Ò & Im(f ) : [a, b] → Ò
são contínuas (suaves) por partes. □

Página 58 de 158
Observe que, caso ela seja 2π-periódica, bastaria provar para o intervalo [−π, π].

Lembrete! Parte Real e Imaginária


Quando temos uma função com codomínio complexo, f : X → Y ⊆ Ã, ela
pode ser escrita como

f (x, y ) = u (x, y ) + i v (x, y ),

de forma análoga aos próprios números complexos, com forma

z = x + iy.

A analogia vai um pouco além: da mesma forma que a parte real de z é x, e


a imaginária é y (sem o i), temos as partes real e imaginária de f como

Re(f ) = u (x, y ) & Im(f ) = v (x, y ).

Teorema (Convergência Pontual das Séries de Fourier). Seja f : Ò → Ã uma


função 2π-periódica e C 1 por partes. Então,
N N
Õ a0 Õ f (x + ) + f (x − )
lim cn e i nx
= lim + (a n cos (nx ) + b n sin (nx )) = ,
N →∞ N →∞ 2 2
n=−N n=1

em que as funções na divisão representam, respectivamente, os limites laterais da f:

f (x 0+ ) B lim+ f (x ), f (x 0− ) = lim− f (x ).
x →x 0 x →x 0

A prova deste teorema pode ser vista como composta por dois passos: a desi-
gualdade de Bessel e o estudo do núcleo de Dirichlet

Proposição (Desigualdade de Bessel). Seja g : Ò → Ã contínua por partes e

1 π

cN = g (x )e −i nx dx .
2π −π

Então,
N ∞
1 π

2 2
|g (x )| 2 dx .
Õ Õ
lim |c n | = |c n | ≤
N →∞
n=−N n=−∞
2π −π

Prova (Ideia). A ideia dessa prova é utilizar conceitos de álgebra linear: ao consi-
derar uma base ortonormal B = {e 1, . . . , e n }, ou seja, uma base tal que

e i , e j = δi j ,

então podemos escrever

u = ⟨u, e 1 ⟩ e 1 + . . . + ⟨u, e n ⟩ e n .

Página 59 de 158
Assim,
n
2
| u, e j | 2 .
Õ
∥u ∥ =
j =1

No nosso caso,

c n 1 i nx
Õ  
u= √ e ,
n=−∞
2π 2π
tal que, com e n sendo o termo em parênteses,

|c n | 2
∥u ∥ 2 =
Õ
.
n=−∞

A partir disso, sabemos que


N
Õ 2
g (x ) − cn e i nx
≥0
n=−N

e, usando a definição de norma como


∫ π
2
∥h ∥ = ⟨h, h⟩ = |h (x )| 2 dx,
−π

podemos reescrever a desigualdade acima com a cara


∫ π N
c n e i nx | 2 dx ≥ 0.
Õ
|g (x ) −
−π n=−N

Como estamos mexendo com números complexos, o módulo pode ser visto como um
produto do termo dentro dele pelo seu conjugado complexo, tal que
∫ π N
Õ  N
Õ 
0≤ g (x ) − cn e i nx
g (x ) − cm e −i mx
dx
−π n=−N m=−N

∫ π N ∫ π N ∫ π
2
Õ Õ
= |g (x )| dx − cm g (x )e −i nx
dx − cn g (x )e −i nx dx
−π m=−N −π n=−N −π
| {z } | {z }
N N
2π |c m | 2 2π |c n | 2
Í Í
m=−N n=−N
N
Õ N
Õ ∫ π
+ cn cm e i (n−m)x dx
n=−N m=−N −π
| {z }
2πδnm

∫ π N
2
|c n | 2 .
Õ
= |g (x )| dx + (−2π − 2π + 2π)
−π n=−N

Página 60 de 158
Portanto,
∫ π N
2
|c n | 2 . ■
Õ
0≤ |g (x )| dx − 2π
−π n=−N

Podemos ir ao passo 2 agora, relacionado ao núcleo de Dirichlet.


Proposição. Seja g : Ò → Ã uma função 2π-periódica e contínua por partes.
Então,
N
Õ ∫ π
cn e i nx
= D n (x − y )g (y )d y
n=−N −π
1 π

cn = g (y )e −i n y d y ,
2π −π
em que
N
1 Õ i nx
D N (x ) B e .
2π n=−N

Prova. Basta fazer uma conta e obtemos


N  N
1 1 Õ i n (x −y )
Õ ∫ π  ∫ π 
g (y )e −i n y
dy e i nx
= e g (y )d y = D N (x − y ). ■
n=−N
2π −π −π 2π n=−N

O valor D N é chamado núcleo de Dirichlet.


Proposição. Vale a igualdade
0
1 e −i N x − e i (N +1)x π
1
∫ ∫
D N (x ) = & D N (x )dx = D N (x )dx = .
2π 1 − ei x −π 0 2
Prova. Basta observar que
N
Õ 2N
Õ
2πD N (x ) = e i nx
= e i (m−N )x
n=−N m=0
2N
Õ
= e −i N x e i mx
m=0
2N
Õ
= e −i N x (e i x ) m
m=0
1 − e i (2N +1)x
= e −i N x
1 − ei x
e −i N x − e i (N +1)x
= .
1 − ei x
Quanto aos valores especificados da integral, partimos de
−1
Õ N
Õ N
Õ N
Õ N
Õ
2πD N (x ) = 1 + e i nx + e i nx = 1 + e −i nx + e i nx = 1 + 2 cos (nx ).
n=−N n=1 n=1 n=1 n=1

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Logo,
∫ 0 ∫ 0 N  N 0
Õ Õ sin (nx )
2π D N (x )dx = 1+2 cos (nx ) dx = π − 2 =π
−π −π n=1 n=1
n −π
∫ π ∫ π N  N π
Õ Õ sin (nx )
2π D N (x )dx = 1+2 cos (nx ) dx = π − 2 = π.
0 0 n=1 n=1
n 0

Portanto, dividindo ambos por 2π, obtemos


∫ 0
1
D N (x )dx =
2
∫−ππ
1
D N (x )dx = .
0 2
Agora sim, podemos provar o teorema da convergência pontual .
Prova (Convergência Pontual). Primeiramente, observe que, colocando ỹ = x − y ,
∫ π ∫ x +π
D N (x − y )f (y )d y = D N ( ỹ )f (x − ỹ )d ỹ .
−π x −π

Em seguida, note que, colocando


∫ a+π
F (a) =

g (x )dx = g (a + π) − g (a − π) = 0,
a−π

então F(a) é constante e


∫ a+π ∫ π
F (a) = F (0) ⇒ g (x )dx = g (x )dx .
a−π −π

Logo, ∫ x +π ∫ π
D N ( ỹ )f (x − ỹ )d ỹ = D N (y )f (x − y )d y .
x −π −π
Fizemos isto pois esta integral tornar-se-á o valor da função à esquerda e à direita.
Desta forma,
N
Õ f (x + ) − f (x − )

n=−N
2
N
Õ f (x + ) f (x − )
= − −
n=−N
2 2
∫ π ∫ 0 ∫ π
= D N (y )f (x − y )d y − f (x )D N (y )d y − +
f (x − )D N (y )d y
−π −π 0
∫ π ∫ 0
= D N (y )(f (x − y ) − f (x − ))d y + D N (y )(f (x − y ) − f (x + ))d y
0 −π
∫ 0
1 −i N y 1 −i N y
∫ π − +
i (N +1)y f (x − y ) − f (x ) i (N +1)y f (x − y ) − f (x )
= (e −e ) d y + (e − e ) dy.
0 2π 1 − ei y −π 2π 1 − ei y

Página 62 de 158
Com isso, definindo
f (x −y )−f (x − )
(
1−e i y
, y ∈ [0, π]
g x (y ) = f (x −y )−f (x + )
1−e i y
, y ∈ [−π, 0]

para colocar os mesmos limites de integração nas duas integrais integral e

1
∫ π
dn = g x (y )e −i n y d y ,
2π −π
tal que
∞ ∫ π
2
|g x (y )| 2 d y ⇒ lim d n = 0.
Õ
|d n | ≤ 2π
−π N →∞
n=−∞
Temos, portanto,
∫ 0
1 −i N y 1 −i N y
∫ π − +
i (N +1)y f (x − y ) − f (x ) i (N +1)y f (x − y ) − f (x )
(e −e ) d y + (e − e ) dy
0 2π 1 − ei y −π 2π 1 − ei y
1 1
∫ π ∫ π
= e −i N y g x (y )d y − e i (N +1)y g x (y )d y
2π −π 2π −π
N →∞
= d N − d −(N +1) −→ 0. ■

Na aula seguinte, mostraremos que a função g x : Ò → Ã é contínua por partes.

Página 63 de 158
10 Aula 10 - 02 de Abril, 2025
10.1 Motivações
• Convergência Uniforme das Séries de Fourier;
• Convergência de séries de Fourier no sentido L 2 ;
• Fórmula de Parseval.

10.2 Convergência Pontual das Séries de Fourier - Parte 2


Na aula passada, estávamos olhando a questão da convergência pontual das séries
de Fourier por meio de um teorema. Quase terminamos a prova, mas faltou mostrar
que uma função auxiliar definida durante a prova, denotada por g x , era contínua
por parte. Para isso, no caso de y diferente de 0, é óbvio que ela é, mas dá problema
no 0, que devemos conferir se quebra mesmo; nesse caso,
f (x − y ) − f (x − )
lim+ g x (y ) = lim+ .
y →0 y →0 1 − ei y
Assim, aplicando a regra de L’Hospital e usando a propriedade de f ser suave por
partes,
f (x − y ) − f (x − ) −f ′ (x − y ) f ′ (x − )
lim+ = lim = .
y →0 1 − ei y y →0+ −i e i y i
Analogamente, mostramos o mesmo para o limite a 0 pela lateral à esquerda.
Exemplo 21. Considere a função f : Ò → Ã 2π-periódica dada por f (x ) = x para
x no intervalo [−π, π). Todas as suas derivadas, em cada intervalo de tamanho 2π,
será 1. Sendo assim, para onde a série dessa f converge?
Como ela é contínua, os limites laterais são iguais. Assim, usando o teorema da
convergência pontual ,
N
Õ 1
lim c n e i nx = (f (x ) + f (x )) = f (x ),
N →∞
n=−N
2
o que significa que a série da função, dada por

Õ (−1) n+1 1
2 sin (nx ).
n=1
n 2
converge exatamente para a função em si. Para ver a utilidade disso, segue que,
pela nossa análise, temos

(−1) n+1
 
π Õ π
=2 sin n
2 n=1
n 2

(−1) 2n+2
 
Õ π
=2 sin (2n + 1)
n=0
2n + 1 2

Õ (−1) n
=2 .
n=0
2n + 1

Página 64 de 158
Portanto, temos uma forma de calcular π:

(−1) n 1 1 1
Õ  
π=4 ⇒ π = 4 1− + − +... .
n=0
2n + 1 3 5 7

Exemplo 22. O outro exemplo que já estudamos foi para a função módulo definida
em um intervalo de tamanho 2π. Seguindo o mesmo raciocínio feito acima,

π 4 Õ cos (2n + 1)θ
|θ| = − , [θ ∈ [−π, π].
2 π n=0 (2n + 1) 2

Quando θ vale 0, vemos que



2
Õ 1
π =8 .
n=0
(2n + 1) 2

Quando temos uma função apenas contínua por partes, dificilmente vamos con-
seguir algo melhor do que o resultado anterior. No entanto, se tivermos algo como o
exemplo do módulo - contínua normalmente e suave por partes - podemos discutir
a convergência uniforme das suas séries.
N
Definição. Dizemos que a série fn , em que cada fn : Ò → Ã é 2π-periódica e
Í
n=−N
contínua, converge uniformemente a f : Ò → Ã se
 N
Õ 
lim sup fn (x ) − f (x ) = 0. □
N →∞ x ∈Ò
n=−N

Essa definição pode ser reescrita em termos de ε − δ; na verdade, a pontual


também pode:

i) Pontual: Dado ε > 0 e um ponto x no domínio da função, existe N = N (x, ε)


dependente de x e de ε tal que, se n for maior ou igual a N, então
N
Õ
fn (x ) − f (x ) < ε.
n=−N

ii) Uniforme: Dado ε > 0, existe um natural N dependente de ε apenas, tal


que, para qualquer natural maior que ele,
N
Õ
fn (x ) − f (x ) < ε, [x ∈ Ò.
n=−N

O nome uniforme vem justamente disso: o ε vale uniformemente para todos


os números no domínio da função.

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Lembrete! O Teste-M de Weierstrass
Um resultado super recorrente no estudo da uniformidade de sequências de
funções é o teste-M de Weierstrass: se existem constantes M n positivas tais
que
|fn (x )| ≤ M n , [x ∈ Ò
cujas soma é finita, ou seja,

Õ
M n < ∞,
n=−∞

N
então a série de funções fn converge uniformemente à f.
Í
n=−N

Teorema. Se f : Ò → Ã é 2π-periódica, suave por partes e contínua6 , então a série


de Fourier (real e complexa) converge uniformemente à f.

Prova. Note que, por hipótese, a função derivada de f, f ′ : Ò → Ã está definida


a não ser em pontos isolados, é 2π-periódica e é contínua por partes. Assim, pela
Desigualdade de Bessel ,

1 π

|c n′ | 2 |f ′ (x )| 2 dx < ∞.
Õ

n=−∞
2π −π

Observe também que, como ganhamos uma partição pela definição de suavidade por
partes,
N ∫
1 1 Õ x j +1
∫ π
cn = f (x )e −i nx
dx = f (x )e −i nx dx .
2π −π 2π j =0 x j

Fazendo uma integração por partes, com termo derivado sendo e −i nx e termo fixo
f (x ), chegamos em
N  x j +1
1 Õ e −i nx x j +1
e −i nx
∫ 
cn = f (x ) − ′
f (x ) dx .
2π j =0 −i n xj xj −i n
| {z }
−i nx j +1 −i nx j
=f (x j +1 )e −f (x j )e

Ao expandir a soma, ela torna-se uma série telescópica com os únicos termos res-
tantes sendo −f (x 0 )e −i nx 0 e f (x N )e −i nx N , ou seja,

1 1
∫ π
cn = f ′ (x )e −i nx dx
2π −π in
6
Por exemplo, a função | · |.

Página 66 de 158
Em conclusão, temos
1 ′
cn = c
in n
Õ∞
f (x ) → c n e i nx
n=−∞
Õ∞
f ′ (x ) → i nc n e i nx .
n=−∞

Além disso, vemos que os termos da série de f satisfazem

|c n e i nx | ≤ M n B |c n |.

Assim, pelo Teste-M de Weierstrass, basta provar que



Õ
|c n | < ∞.
n=−∞

Para isso, usamos a desigualdade de Cauchy-Schwartz para obter


N
Õ N
Õ
|c n | = |c 0 | + |c n |
n=−N n=−N
n,0
N
Õ 1
= |c 0 | + |nc n |
n=−N
|n |
n,0
N  12  Õ
N  21
1

2
≤ |c 0 | + |nc n |
n=−N
|n | 2 n=−N
n,0 n,0
∞  12   12
1 1 π
 Õ ∫
≤ |c 0 | + 2 |f ′ (x )| 2 , [N .
n=1
n2 2π −π

Logo,

Õ
Mn < ∞
n=−∞
e, portanto, a convergência é uniforme. ■

Lembrete! Desigualdade de Cauchy-Schwartz


A desigualdade de Cauchy-Schwartz é com respeito ao produto interno de
vetores dentro de um espaço vetorial; mais especificamente, ela afirma que
N
Õ
a n b n = | ⟨(a 1, . . . , a n ), (b 1, . . . , b n )⟩ | ≤ ∥(a 1, . . . , a n )∥∥(b 1, . . . , b n )∥.
n=1

Página 67 de 158
Teorema. Seja f : Ò → Ã uma função 2π-periódica e contínua por partes (mas
bastaria ser L 2 (−π, π)!). Então,
N
∫ π Õ 2
lim c n e − f (x ) dx = 0.
i nx
N →∞ −π n=−N

Prova. Para o caso em que f é contínua, confira em algum material (e.g. Robert
Seeley). ■
Faremos uma interpretação dos achados que tivemos. Para isso, recordemos algumas
coisas:

Lembrete! Convergência em L 2
Já recordamos previamente a norma e produto interno no espaço de funções.
Olhando especificamente para as funções contínuas e 2π-periódicas, o produto
interno assume a forma
∫ π
⟨f , g ⟩ = f (x )g (x )dx,
−π

e, a norma,
∫ π  21
2
p
∥f ∥ B ⟨f , f ⟩ = |f (x )| .
−π

Com isso, podemos falar sobre a convergência no sentido L 2 , ou convergência


quadrática, como
ÕN
lim ∥ c n e i nx − f (x )∥ = 0.
N →∞
n=−N

Lembrete! Base ortonormal


Para um espaço vetorial V com produto interno ⟨·, ·⟩, considere a base B =
{e 1, . . . , e n }. Diremos que ela é uma base ortonormal se

e i , e j = δi j .

Com isso, dado um vetor u de V, ele pode ser escrito como


n
Õ
u= u, e j e j .
j =1

Consequentemente, também,
n
Õ
u− u, e j e j = 0.
j =1

Uma coisa muito interessante que dá para fazer com o conceito de base ortonor-
mal misturado ao da série de Fourier é considerar V como um dos três:

Página 68 de 158
1.) O espaço das funções contínuas e 2π-periódicas;

2.) O espaço das funções contínuas por partes;

3.) O espaço das funções L 2 .


Nestes casos, há uma base ortonormal com elementos da base descritos por
1
e n = √ e i nx , n ∈ Ú,

pois, com esta forma,
1 π

⟨e n , e m ⟩ = e i (n−m)x dx = δ nm .
2π −π

Além disso, como qualquer função dentro daquelas classes possui um critério de
garantia de convergência que permite com que elas sejam escritas em termo de uma
série de Fourier, esses elementos de fato formam uma base, pois

1
 ∫ π 
cn e i nx
= f (y )e −i n y
d y e i nx
2π −π
1 iny 1 i nx
∫ π  
= f (y )√ e d y √ e
−π 2π 2π
= ⟨f , e n ⟩ e n .

Assim, concluímos que a discussão sobre séries de Fourier era, na verdade, uma
discussão pela busca de uma base ortonormal para os espaços de funções acima -
uma série de Fourier é, essencialmente, escrever uma combinação linear de vetores
linearmente independentes para aquelas classes de funções: uma base para elas. De
fato, concluímos que

Õ ∞
Õ
f (x ) = cn e i nx
= ⟨f , e n ⟩ e n .
n=−∞ n=−∞

Portanto, também,
N
Õ
lim f − ⟨f , e n ⟩ e n = 0
N →∞
n=−N

10.3 Fórmula de Parseval


Considere a soma parcial
N
Õ
S N (x ) = c n e i nx .
n=−N
Vimos que, pelos critérios de convergência, se f pertence a um dos três espaços
vetoriais de funções mencionados, então

lim ∥S N − f ∥ = 0.
N →∞

Página 69 de 158
Por outro lado, sabemos que

∥s N ∥ = ∥S N − f + f ∥ ≤ ∥s N − f ∥ + ∥f ∥
∥f ∥ = ∥f − S N + S N ∥ ≤ ∥f − s N ∥ + ∥S N ∥.

Logo, 
∥S N ∥ − ∥f ∥ ≤ ∥S N − f ∥
⇒ ∥S N ∥ − ∥f ∥ ≤ ∥S N − f ∥.
∥f ∥ − ∥S N ∥ ≤ ∥S N − f ∥
Desta forma,
lim ∥S N ∥ − ∥f ∥ = lim ∥S N − f ∥ = 0
N →∞ N →∞

e, portanto,
lim ∥S N ∥ = ∥f ∥.
N →∞
Em outras palavras, os critérios de convergência que vimos foram, também, válidos
para convergência em norma das funções! Agora, com isso em mãos, podemos usar
a forma de reescrita da norma em termos do produto interno para obter
∫ π N N
2
Õ Õ
∥S N ∥ = ⟨S N , S N ⟩ = c n e i nx c m e −i mx dx
−π n=−N n=−N
N
Õ N
Õ ∫ π
= cn cm e i (n−m)x dx
n=−N m=−N −π
| {z }
=2πδnm

N
2π |c n | 2 .
Õ
=
n=−N

Conclusão: se f admite série de Fourier convergente, temos a fórmula de Parseval:



1 π

2
|c n | 2 .
Õ
|f (x )| dx =
2π −π n=−∞
| {z } | {z }
∥f ∥ 2 1
2π ∥S N ∥ 2

Ou seja, no fim das contas, a desigualdade de Bessel é uma igualdade!

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11 Aula 11 - 07 de Abril, 2025
11.1 Motivações
• Existência e Unicidade da Solução do Calor;

• Equação da Onda.

11.2 Existência e Unicidade da Solução do Calor.


Na aula passada, aplicamos o método da energia/princípio do máximo à equação do
calor
∂ 2u
 ∂t (x, t ) = ∂x 2 , x ∈ [0, π], t > 0
 ∂u


∂u
(0, t ) = (π, t ) = 0,
∂u
t >0
 u∂x(x, 0) = u ∂x(x ),

x ∈ [0, π]
 0
para provar a unicidade de sua solução, e a separação de variáveis para a existência.
Neste processo, obtivemos a suposta solução
∞ ∫ π
−n 2 t
Õ
u (x, t ) = bn e sin (nx ), b n = u 0 (y ) sin (n y ).
n=1 0

Sendo assim, devemos conferir se ela é realmente uma solução! Quanto à condição
de contorno,

2
Õ
u (0, t ) = b n e −n t sin (n0) = 0
n=1

2
Õ
u (π, t ) = b n e −n t sin (nπ) = 0.
n=1

Para a condição inicial, olhamos para a extensão ímpar 2π-periódica da função u 0 .


Vimos que:
1) Se u 0 é contínua por partes,
∫ π N
Õ 2 N →∞
u 0 (x ) − b n sin (nx ) dx −→ 0;
0 n=1

2) Se u 0 é suave por partes,



Õ u 0 (x + ) + u 0 (x − )
b n sin (nx ) = .
n=1
2

3) Se u 0 é uma função contínua e também suave por partes, supondo u 0 (0) =


u 0 (π) = 0, então temos a convergência uniforme
 N
Õ 
lim max b n sin (nx ) − u 0 (x ) = 0.
N →∞ x ∈[0,π]
n=1

Página 71 de 158
Lembrete! Troca de j-ésima derivada com limite
Considere a sequência de funções (fn )n∈Î, fn : [a, b] → Ò em que cada fn é
C k . Suponha que todas as derivadas, até a k-ésima, convergem uniformemente
para a respectiva derivada de uma mesma função:

d j fn n→∞ (j )
[j ∈ {0, . . . , k }, −→ f : [a, b] → Ò.
dx j
Logo, f = f (0) é também de ordem C k e

djf
= f (j ) .
dx j
A conclusão é que podemos trocar a ordem de realizar a j-ésima derivada antes
ou depois do limite da sequência de funções:

dj
 j 
d f
( lim f n ) = lim .
dx j n→∞ n→∞ dx j

O mesmo resultado vale para funções de várias variáveis, como u : [0, π] ×


[t 0, ∞) → Ò, em que t 0 é positivo, desde que todas as derivadas parciais até
a (k+j)-ésima com respeito à t e à x, convirjam uniformemente.

(Lembramos que, conforme fora dito em alguma nota de rodapé, ou num lem-
brete, dizer que uma função é suave vai à gosto do material sendo usado). Agora,
vamos mostrar que

∂ k +j
 
−n 2 t
Õ
j xk
bn e sin (nx )
n=1
∂t
converge uniformemente para x variando entre 0 e π, e para t maior que t 0 , em que
t 0 é positivo7 Para isto, vamos usar o Teste-M de Weierstrass; a fim disso, note que

d d h −n 2 t 2
sin (nx ) = ±n j & e = (−n 2 ) h e −n t
dx j dt h

e, com isso,

∂ k +j 2 2

k j
b n e −n t sin (nx ) ≤ b n n 2k e −n t n j
∂t x
2 2k +j −n 2 t 0 π

≤ n e |u 0 (y )|d y C M n .
π 0

Agora que temos os M n ’s do teste, vamos conferir a convergência de sua série. Com
efeito,
an
∞ z }| {
2k +j −n 2 t 0
Õ
n e <∞
n=1
7
O caso em que t 0 = 0 foi deixado de curiosidade para quem quiser ver.

Página 72 de 158
e, pelo teste da razão,
2t  2k +j
a n+1 (n + 1) 2k +j e −(n+1) 1 n→∞
0

= 2
= 1+ e −2nt 0 −t 0
−→ 0,
an n 2k +j e −n t 0 n

a série converge, tal como a u. Concluímos que u é suave para todo t maior que t 0
e todo t 0 positivo. Logo, a classe de u é

u ∈ C ∞ ([0, π] × (0, ∞));

em outras palavras, o calor regulariza suas soluções!


Finalmente, para conferir se ela realmente resolve a EDP, fazemos
∞  Õ ∞ ∞
∂ Õ −n 2 t ∂ −n 2 t
(−n 2 )b n sin (nx )
Õ
bn e sin (nx ) = b n (e ) sin (nx ) =
∂t n=1 n=1
∂t n=1

Õ ∂2 2t
= b n e −n
2
(sin (nx ))
n=1
∂x
∞
∂2 Õ

−n 2 t
= bn e sin (nx )
∂x 2 n=1
∂u ∂ 2u
⇒ = .
∂t ∂x 2

Lembrete! Teste da Razão


O teste da razão é um critério de convergência com uma versão para séries e
outra para sequências. Ele consiste em analisar a razão entre um dos termos
da série e seu sucessor, e ver se um é sempre maior que o outro a partir de
certo ponto, sempre menor, ou sempre iguais. Mais especificamente, dada a
série

Õ
an ,
n=1
temos:
a n+1
L B lim
n→∞ an
com os seguinte casos:

1) Se L for menor que 1, a série converge absolutamente;

2) Se L for maior que 1, a série diverge;

3) Se L for igual a 1, mantenha-se agnóstico, ou seja, não afirme se ela


converge ou diverge, pois é inconclusivo.

Na aula passada, numa das reviravoltas menos esperadas8 da história, vimos


que a desigualdade de Bessel era, na verdade, uma igualdade de Bessel/fórmula de
8
Ou não.

Página 73 de 158

Parseval . Então, se u (x ) = b˜n sin (nx ),
Í
n=1
∫ π ∫ ∞
πÕ ∞
2
Õ
|u (x )| dx = bfn sin (nx ) m sin (mx )dx
bf
0 0 n=1 m=1
∞ Õ
Õ ∞ ∫ π
= bfn bf
m sin (nx ) sin (mx )dx
n=1 m=1 0
∞ Õ ∞ ∞
π πÕ
|b n | 2 .
Õ
= δ nm bfn bf
m =
n=1 m=1
2 2 n=1

Uma aplicação desse raciocínio é que, se


bfn
∞ z }| {
2
Õ
u (x, t ) = b n e −n t sin (nx ),
n=1

então
∫ π ∞ 2
πÕ 2
|u (x, t )| 2 dx = b n e −n t
0 2 n=1

π
|b n | 2
Õ
≤ e −2t
2
∫ n=1
π
= e −2t |u 0 (x )| 2 dx
0
⇒ ∥u ∥ ≤ e −t ∥u 0 ∥.
Consequentemente, conforme t tende ao infinito, a função u passa a zerar. Para
uma condição de contorno de Neumann, a solução teria a forma
a0 Õ

2 2
a 02 π

π −t Õ 2
u (t , x ) = + a n e −n t cos (nx ), ∥u ∥ = + e an .
2 n=1 4 2 n=1

e tudo se repete.
Uma curiosidade é que, conforme vimos num exemplo anterior, a série de uma
função identidade é

Õ (−1) n
x =2 sin (nx )
n=1
n
e, aplicando Parseval , temos
π Õ (−1) n 2

π3 π

2
= x dx = 2
3 0 2 n=1 n

πÕ 4
=
2 n=1 n 2

Õ 1 π2
⇒ 2
= .
n=1
n 6

Página 74 de 158
11.3 Equação da Onda.
O processo de estudo da equação da onda será altamente similar ao feito para a
equação do calor: começaremos com uma dedução física, seguida do estudo da
unicidade, por meio do método da energia e, em seguida da existência, através da
separação de variáveis. Em forma puramente equacional, ela tem a forma

∂ 2u
= ∆u,
∂t 2
mas, como veremos adiante, estudaremos ela com problemas de condições inicial e
de contorno, os quais assumirão as respectivas formas de

x ′ = f (x ), x ′′ = f (x, x ′), x (0) = x 0 & x ′ (0).

Seguindo a ideia inicialmente apresentada, a dedução física partirá do estudo


da corda vibrante que, como o nome sugere, consiste de uma corda presa (ou não)
vibrando. Pela física, espera-se que sua massa em uma parte dela seja aproximada-
mente o valor de sua densidade multiplicado pelo comprimento da parte analisada
e que sua aceleração resulte da derivada dupla da posição:

Massa ≈ ρ∆x, ρ densidade


∂ 2u
Aceleração ≈ (x, t )
∂t 2

Figura 3: ilustração de uma corda presa nas duas extremidades, com comprimento
total L.

Continuando com a ideia da física, é esperado que a força realizada para fa-
zer a corda vibrar verticalmente resulte das componentes verticais da tração, que,
seguindo o desenho, seriam descritas por

F = T sin (θ) − T sin (ϕ).

Além disso, usando as estimativas para massa e aceleração acima, juntas à Segunda
Lei de Newton, temos

∂ 2u
M a = T sin (θ) − T sin (ϕ) ⇒ ρ∆x (x, t ) = T sin (θ) − T sin (ϕ).
∂t 2

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Podemos assumir que as vibrações sejam pequenas, resultando nos ângulos serem
pequenos o suficiente para estimarmos que o seno e a tangente coincidem, tal que

∂ 2u
ρ∆x (x, t ) ≈ T tan (θ) − T sin (θ)
∂t 2
e, como a tangente pode ser representada em termos da derivada, concluímos que

∂ 2u ∂u ∂u
ρ∆x 2
(x, t ) ≈ T (x + ∆x, t ) − T (x, t ).
∂t ∂x ∂x
Portanto,
∂ 2u
∂u ∂u
∂x (x, t ) − ∂x (x, t )
ρ 2 (x, t ) = T ,
∂t ∆x
tal que, passando o limite conforme ∆x torna-se minúscula,

∂ 2u ∂ 2u ∂ 2u T ∂ 2u
ρ 2 (x, t ) = T ⇐⇒ = .
∂t ∂x 2 ∂x 2 ρ ∂x 2

Lembrete! Aproximando Funções Trigonométricas


O raciocínio acima pode parecer heresia, mas a lógica dele vem das séries de
Taylor de seno e tangente:

θ3
sin (θ) = θ − + O (θ 5 )
3
θ3
tan (θ) = θ + + O (θ 5 ).
3
Assim,
2θ 3
sin (θ) = tan (θ) − + O (θ 5 )
3
e, para θ pequeno o suficiente, os termos ao cubo e à quinta desaparecem,
deixando
sin (θ) ≈ tan (θ).
O termo denotado por um “o” maiúsculo chique é a chamada notação big-O,
para a qual há um lembrete logo a seguir

Página 76 de 158
Lembrete! Notação big-O e little-O
A notação big-O, ou Ozãoa , determina o comportamento do limite de uma
função conforme seus valores tendem a algum lugar. Formalmente falando,
dizemos que f(x) é da ordem (big-O) de g(x) dado que existe um número
real positivo M e um valor x 0 dentro do domínio de f tais que

|f (x )| ≤ M |g (x )| [x ≥ x 0 .

Rearranjando isso, vemos que isto significa que, a partir de certo ponto no
domínio da f, ela está a uma razão não maior que M da g:
|f (x )|
≤M [x ≥ x 0,
|g (x )|
que permite definirmos que “f é da ordem de g” em termos do limite-supremo
da razão, ou
|f (x )|
lim sup < ∞.
x →∞ |g (x )|
Em ambos os casos, escrevemos f (x ) = O (g (x )). Caso não estejamos interes-
sados no limite ao infinito, podemos reformular isso conforme x tende a um
valor a usando
|f (x )|
lim sup < ∞,
x →a |g (x )|
para o qual escrevemos

f (x ) = O (g (x )) : x → a.

Existe também a notação little-O, ou Ozinhob , que é quase a big-O, mas


restrita - a little-O está para a big-O assim como “menor” está para “menor
ou igual”, então seria
|f (x )|
< M [x ≥ x 0,
|g (x )|
a
Acho que ninguém chama assim, mas uma tradução livre seria quase isso
b
Novamente uma tradução livre

11.4 Unicidade da Equação da Onda


Agora que vamos trabalhar com a unicidade da equação da onda, é bom mantermos
muito bem definido o problema a ser analisado: consideraremos o seguinte problema
de contorno:
∂ 2u


 ∂t 2
(x, t ) = ∆u (x, t ) + f (x, t ), t ∈ Ò, x ∈ Ω
 u (x, t ) = h (x, t ),

 t ∈ Ò, x ∈ ∂ Ω

 u (x, 0) = u 0 (x ), x ∈Ω
 ∂ u (x, 0) = u (x ),

x ∈ Ω.
 ∂t 1

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Em azul, temos a equação da onda em si; em vermelho, a condição de contorno; e,
em verde, as condições iniciais. Sendo assim, podemos começar o estudo por meio
da proposição a seguir

Proposição. Existe no máximo uma solução da equação da onda, dada por uma
função u de classe C 2 (Ω × Ò), sendo Ω um aberto regular limitado.

Prova. Sejam u, v duas funções de classes C 2 (Ω × Ò) que solucionam a equação da


onda. Defina
w B u − v,
tal que
∂ 2w ∂ 2 u ∂ 2v
= − = ∆u + f − ∆v − f = ∆u − ∆v = ∆w .
∂t 2 ∂t 2 ∂t 2
Para t real e x na fronteira de Ω, vemos que w satisfaz a condição de fronteira

w (x, t ) = u (x, t ) − v (x, t ) = h (x, t ) − h (x, t ) = 0

e, para y em Ω, as condições iniciais

w (y , 0) = u (y , 0) − v (y , 0) = u 0 (y ) − u 0 (y ) = 0
∂w ∂u ∂v
(y , 0) = (y , 0) = (y , 0) = u 1 (y ) − u 1 (y ) = 0.
∂t ∂t ∂t
Continua na próxima aula...

Página 78 de 158
12 Aula 12 - 09 de Abril, 2025
12.1 Motivações
• Equação da Onda: existência e unicidade de solução.

12.2 Existência e Unicidade da Equação da Onda.


Começamos o estudo da equação da conda com problema de contorno na aula pas-
sada, e continuaremos a partir disso. O primeiro passo será demonstrar a unicidade
da equação da onda por meio do método da energia; com isto, considere Ω um
aberto limitado e regular de Òn , no qual está definido o problema
∂ 2u


 ∂t 2
(x, t ) = ∆u (x, t ) + f (x, t ), x ∈ Ω, t ∈ Ò passo 1
 u (0, t ) = u (L, t ) = h (x, t ),

 x ∈ ∂ Ω, t ∈ Ò condição de contorno, passo 2.

 u (x, 0) = u 0 (x ), x ∈ Ω condição inicial, passo 3.
 ∂ u (x, 0) = u (x ),

x ∈ Ω condição inicial, passo 3.
 ∂t 1

Suponha que u e v são de classe C 2 (Ω × Ò) e que ambas resolvam a Equação da


Onda. Na mesma lógica do calor, a função w = u − v resolve-a também, mas com
condições dadas por h (x, t ) = f (x, t ) = u 0 = u 1 = 0. Nosso objetivo será mostrar
que este w é identicamente nulo.
Primeiramente, sabe-se que
∂ 2w
= ∆w .
∂t 2
Seguindo o método da energia, vamos multiplicar ambos os lados pela derivada
parcial de w com respeito ao tempo e integrar:
∂w ∂ 2w
∫ ∫
∂w
2
dx = ∆w dx
Ω ∂t ∂t Ω ∂t
2
1
∫ 
d ∂w
= dx
2 Ω dt ∂t
que, junto à igualdade
∫ ∫     
dw dw ∂w
(∆w )dx = +· +w −+ · +w dx
Ω dt Ω dt ∂t
| {z }
teo. da divergência
∫ ∫
∂w ∂
= · +w · n dS − (+w ) · +w dx
∂Ω ∂t | {z } Ω ∂t
= ∂∂nw
1 ∂
∫ ∫
∂w ∂w
= dS − ∥+w ∥ 2 dx,
∂Ω ∂t ∂n 2 ∂t Ω

concluímos que
2
1 d
∫   ∫
∂w 2 dw ∂w
+ ∥+w ∥ dx = dS.
2 dt Ω ∂t ∂Ω dt ∂n

Página 79 de 158
Pela condição de Neumann,
∂w
=0
∂n
e, pela de Dirichlet,
dw
= 0,
dt
pois w (x, t ) = 0 sempre que x é um ponto de fronteira e t for real, donde segue, pela
definição da derivada, que
dw w (x, t + h) − w (x, t )
= lim = 0, x ∈ ∂ Ω.
dt h→0 h
Logo, ∫
dw ∂w
dS = 0
∂Ω dt ∂n
e segue que
2 2
1 1
∫   ∫ t ∫   
∂w 2 d ∂w 2
E (t ) = + ∥+w ∥ dx = + ∥+w ∥ dx dt
2 Ω ∂t 2 0 dt Ω ∂t
é constante. Portanto,
2
1
∫  
dw 2
E (t ) = E (0) = (x, 0) + ∥+w (x, 0)∥ dx = 0.
2 Ω dt
Como ambos os termos ao quadrado são maiores ou iguais a 0,
dw
= 0 & +w (x, t ) = 0.
dt
Por conta de todas as primeiras derivadas de w se anularem, a função w é cons-
tante, o que significa também que

w (x, t ) = w (x, 0) = 0.

Em conclusão: w é identicamente nula e, pela forma como ela foi definida, u é


equivalente a v, donde afirmamos que a solução é única.
Agora que temos a unicidade, vamos ver a questão da existência dessa única
solução; sendo assim, considere novamente o problema da onda, mas no seguinte
caso particular:
∂ 2u ∂ 2u
2 (x, t ) = ∂x 2 (x, t ), x ∈ [0, L], t ∈ Ò passo 1

∂t


 u (0, t ) = u (L, t ) = 0,

t ∈ Ò condição de contorno, passo 2.
.


 u (x, 0) = u 0 (x ), x ∈ [0, L] condição inicial, passo 3.
 ∂ u (x, 0) = u (x ),

x ∈ [0, L] condição inicial, passo 3.
 ∂t 1

Passo 1: A fim de aplicar o método da separação de variáveis, vamos procurar


soluções que tenham a forma u (x, t ) = T (t )X (x ). Segue que, nesse caso,

∂ 2u ∂ 2u
= T ′′ (t )X (x ) & = X ′′ (x )T (t ),
∂t 2 ∂x 2

Página 80 de 158
que, pela condição da EDP da onda, pode ser reescrito como
T ′′ (t ) X ′′ (x )
T (t )X (x ) = X (x )T (t ) ⇐⇒
′′ ′′
= = λ.
T (t ) X (x )
Assim, as soluções terão a cara
T ′′ (t ) = λT (t ) & X ′′ (x ) = λX (x ).
Passo 2: agora, utilizaremos as condições de contorno para encontrar a cara da
solução. Mais especificamente,
u (0, t ) = 0 ⇒ T (t )X (0) = 0 ⇒ X (0) = 0
u (L, t ) = 0 ⇒ T (t )X (L) = 0 ⇒ X (L) = 0.
Disto, tiramos que a solução, em relação a X, deve satisfazer a EDO com condições
de contorno
X ′′ (x ) = λX (x ), X (0) = X (L) = 0.
Quando estudamos séries de Fourier, já vimos que as soluções para isso são da forma
   2
nπx nπ
Xn (x ) = b n sin , λn = − .
L L
Logo, determinamos que, com relação à parte T da solução, ela satisfaz as soluções
parciais
 2

Tn (t ) = −
′′
Tn (t ),
L
que é uma EDO cujas soluções têm forma
   
nπt nπt
Tn (t ) = A cos + B sin .
L L
Portanto, a cara das soluções, a priori ao problema inicial, são
   
nπt nπt
u n (x, t ) = c n cos + d n sin .
L L
Finalizaremos o estudo da unicidade incluindo os problemas iniciais impostos à EDP
da onda.
Passo 3: para fazermos o que fora dito, somaremos as soluções particulares para
determinar as formas de c n e d n , usando u 0 e u 1 . Assim,
∞       
Õ nπt nπt nπx
u (x, t ) = c n cos + d n sin sin ,
n=1
L L L
cuja derivada é
∞           
du Õ nπ nπt nπ nπt nπx
= − c n sin + d n cos sin .
dt n=1
L L L L L
Logo,
∞   ∞    
Õ nπx du Õ nπ nπx
u 0 (x ) = u (x, 0) = c n sin & u 1 (x ) = (x, 0) = d n sin .
n=1
L dt n=1
L L

Página 81 de 158
Exemplo 23. Podemos aprofundar esse estudo olhando o que acontece quando o
intervalo tem forma [0, π] e quando ele não tem. Para L = π, temos
2
∫ π
cn = u 0 (y ) sin (n y )dy
π 0
2
∫ π
dn = u 1 (y ) sin (n y )dy.
nπ 0
Caso sejam impostas as condições

u 0 (x ) = x, u 1 (x ) = 0,

seguirá que, pela expansão em Fourier seno da identidade,



Õ 2
u 0 (x ) = (−1) n+1 sin (nx )
n=1
n

e, assim, a solução da equação da onda será



Õ 2
u (x, t ) = (−1) n+1 sin (nx ) cos (nx ).
n=1
n

Quando L , π, por outro lado,

2
∫ L  
nπ y
cn = − u 0 (y ) sin dy
L 0 L
2
∫ L  
nx
dn = − u 1 (y ) sin dy.
nπ 0 L

12.3 Onda com Condições de Neumann


Para refrescar a memória, as condições de Neumann são impostas não sobre a solução
na fronteira em si, mas sim sobre o fluxo, ou seja, sua derivada, de forma que ele
seja fixo na fronteira do aberto em estudo. O problema estudado será
∂ 2u ∂ 2u
2 (x, t ) = ∂x 2 (x, t ), x ∈ [0, L], t ∈ Ò passo 1


 ∂t
 ∂ u (0, t ) = ∂ u (L, t ) = 0,

t ∈ Ò cond. contorno de Neumann, passo 2.
.

∂x ∂x

 u (x, 0) = u 0 (x ), x ∈ [0, L] condição inicial, passo 3.
 ∂ u (x, 0) = u (x ),

x ∈ [0, L] condição inicial, passo 3.
 ∂t 1

Passo 1: novamente, olharemos para u (x, t ) = T (t )X (x ), tal que

∂ 2u ∂ 2u
= T ′′ (t )X (x ) & = X ′′ (x )T (t ),
∂t 2 ∂x 2
que, pela condição da EDP da onda, pode ser reescrito como
T ′′ (t ) X ′′ (x )
T (t )X (x ) = X (x )T (t ) ⇐⇒
′′ ′′
= = λ.
T (t ) X (x )

Página 82 de 158
Assim, novamente, as soluções terão a cara

T ′′ (t ) = λT (t ) & X ′′ (x ) = λX (x ).

Passo 2:utilizaremos as condições de Neumann para encontrar as componentes


que formarão a solução:
d
u (0, t ) = 0 ⇒ T (t )X ′ (0) = 0 ⇒ X ′ (0) = 0
dx
d
u (L, t ) = 0 ⇒ T (t )X ′ (L) = 0 ⇒ X ′ (L) = 0.
dx
Logo, com relação a X, é necessário satisfazer

X ′′ (x ) = λX (x ), X ′ (0) = X ′ (L) = 0,

o que significa que as soluções dessa EDO são


   2
nπx nπ
Xn (x ) = b n sin , λn = − .
L L
e
a0
X0 (x ) = , λ 0 = 0.
2
Logo, determinamos que T satisfaz

λ 0 = 0 ⇒ T ′′ (t ) = 0 ⇒ T (t ) = At + B
 2    
nπ nπt nπt
Tn (t ) = −
′′
Tn (t ) ⇒ Tn (t ) = A cos + B sin ,
L L L
que nos fornece duas soluções, de acordo com λ:

u 0 (x, t ) = At + B
   
nπt nπt
u n (x, t ) = a n cos + b n cos .
L L
Passo 3: novamente, somamos as soluções particulares para determinar a n e b n
por meio de u 0 e u 1 :
∞       
Õ nπt nπt nπx
u (x, t ) = At + B + a n cos + b n sin cos ,
n=1
L L L

cuja derivada é
∞           
du Õ nπ nπt nπ nπt nπx
=A+ − a n sin + b n cos cos .
dt n=1
L L L L L

Logo,
∞   ∞    
Õ nπx Õ nπ nπx
u 0 (x ) = B + a n cos & u 1 (x ) = A + b n cos .
|{z}
n=1
L n=1
L L
a0
2

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Exemplo 24. Assim como fizemos antes, vamos olhar para o caso em que L = π;
nele,

1
∫ π
B= u 0 (y )dy
π 0
2
∫ π
an = u 0 (y ) cos (n y )dy
π 0
1
∫ π
A= u 1 (y )dy
π 0
2
∫ π
bn = u 1 (y ) cos (n y )dy.
πn 0
Dessa vez, vamos interpretar u, A e B fisicamente, de modo que

• A será a média da velocidade inicial;

• B será a média da condição inicial imposta à onda; e

• u pode ser vista como a soma da média da posição inicial com a velocidade
inicial passado certo tempo t, e com as oscilações.

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13 Aula 13 - 23 de Abril, 2025
13.1 Motivações
• Separação de variáveis para ondas;

• Motivação por trás das condições de contorno;

13.2 Um Aprofundamento em Condições de Contorno.


Vamos dar uma olhada mais a fundo no prcoesso de separação de variáveis que
utilizamos durante o estudo da existência de solução da equação da onda na aula
passada. Vale relembrar que estudamos o problema
∂ 2u ∂ 2u
2 (x, t ) = ∂x 2 (x, t ), x ∈ [0, L], t ∈ Ò passo 1

∂t


 C(u) = 0,

t ∈ Ò cond. contorno de Neumann, passo 2.
.


 u (x, 0) = u 0 (x ), x ∈ [0, L] condição inicial, passo 3.
 ∂ u (x, 0) = u (x ),

x ∈ [0, L] condição inicial, passo 3.
 ∂t 1

Durante o passo 1, procuramos por soluções que tivessem a cara

u (x, t ) = T (t )X (x ),

e encontramos as EDOs

T ′′ (t ) = λT (t ), X ′′ (x ) = λX (x ).

No segundo passo, havíamos utilizado a condição de fronteira para obtermos

C(T (t )X (x )) ⇒ T (t )C(X (x )),

nos fornecendo a condição inicial para a EDO em x com a forma

X ′′ (x ) = λX (x ), C(x ) = 0.

Para entender melhor o que está por trás disso, precisamos deixar alguns lem-
bretes de Álgebra Linear:

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Lembrete! Diagonalização de Matrizes
Temos duas fórmulas de diagonalizar matrizes, mas elas são equivalentes. Para
a primeira, seja A uma matriz quadrada de dimensão n e com coeficientes reais.
Dizemos que A é diagonalizável se existe uma base {e 1, . . . , e n } de Òn tal
que
Ae j = λ j e j .
Isto pode ser reformulado exigindo que exista uma matriz diagonal D, normal-
mente composta por autovalores de A, tal que A e D são similares, ou seja,
que exista uma matriz inversível P tal que

P −1 AP = D .

Para encontrar D, normalmente utilizamos os zeros do polinômio característico


da matriz:
p A (λ) = det (A − λId),
em que Id é a identidade das matrizes de dimensão n.
Um resultado altamente importante é que toda matriz auto-adjunta (AT = A,
ou ⟨Ax, y ⟩ = ⟨x, Ay ⟩) é diagonalizável, e outro é que a base mencionada na
primeira definição pode ser tomara como uma base ortonormal. Consequência
desses dois são, por exemplo,

Ae j = λ j e j
e i , e j = δi j
Õ n
u= u, e j e j .
j =1

A parte interessante é que existe uma relação entre estes problemas da álgebra
linear e nosso estudo das EDPs! Consideremos o operador diferencial agindo por

d2u
Au = ;
dx 2
então, A é análogo à matriz A. Quando impomos as condições de contorno, estamos
efetivamente tornando A em um operador auto-adjunto (ou matriz auto-adjunta),
então vai existir uma base ortonormal B = {e 1, e 2, . . . }. Assim, a questão da condi-
ção de contorno (e, consequentemente, da separação de variáveis) torna-se uma de
responder a questão “Quando é que A é auto-adjunto?”
Com base no lembrete, queremos que ocorra a igualdade

⟨Au, v ⟩ = ⟨u, Av ⟩ .

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Lembremos como funciona o produto interno no espaço de funções, tal que
L
d2 u L L
∫ ∫
du du dv
⟨Au, v ⟩ = v dx = v − dx
0 dx 2 dx 0 0 dx dx
L ∫ L 2
du dv L dv
= v −u + u dx
dx 0 dx 0 0 dx
| {z }
⟨u,Av ⟩.

Em conclusão,

⟨Au, v ⟩ − ⟨u, Av ⟩ = u ′ (L)v (L) − u ′ (0)v (0) − u (L)v ′ (L) + u (0)v ′ (0)

e, para que A satisfaça o que precisa para ser auto-adjunto, devemos escolher uma
condição de contorno tal que

u ′ (L)v (L) − u ′ (0)v (0) − u (L)v ′ (L) + u (0)v ′ (0) = 0.

Exemplo 25. Alguns exemplos de condições de contorno que garantem o requeri-


mento acima são:

u (0) = u (L) = v (0) = v (L) = 0 (Dirichlet)


u ′ (0) = u ′ (L) = v ′ (0) = v ′ (L) = 0 (Neumann)
u (0) = u (L), u ′ (0) = u ′ (L), v (0) = v (L), v ′ (0) = v ′ (L) (Periódica).

Em geral, definimos as condições de contorno da seguinte forma:

α1u (0) + α̃1u ′ (0) + β 1u (L) + β˜1u ′ (L) = 0



Cu = 0 ⇐⇒ ,
α2v (0) + α̃2v ′ (0) + β 2v (L) + β˜2v ′ (L) = 0

em que os coeficientes são reais e seus conjuntos como vetores, isto é,

(α1, α̃1, β 1, β˜1 ) & (α2, α̃2, β 2, β˜2 )

são linearmente independentes. Queremos que, se u e v forem funções de classe


C 2 ( [0, L]) satisfazem Cu 1 = Cu 2 = 0, então

u ′ (L)v (L) − u ′ (0)v ′ (0) − u (L)v ′ (L) + u (0)v ′ (0) = 0.

Exemplo 26. 1) Para a condição de contorno de Dirichlet,

α1 = β 2 = 1, α̃1 = β˜1 = β 1 = 0, α̃2 = β˜2 = β 2 = 0

2) Para Neumann,
α̃1 = 1, resto 0, β˜2 = 1, resto 0.

3) Para a Periódica,

α1 = 1, β 1 = −1, α̃1 = β˜1 = 0, α̃2 = 1, β˜2 = −1, α2 = β 2 = 0.

Página 87 de 158
4) Para Dirichlet-Neumann,
α1 = 1, resto 0, β˜2 = 1, resto 0.

5) Para Neumann-Dirichlet,
β˜1 = 1, resto 0, α2 = 1, resto 0.

6) Para Robin,
α̃1 = 1, α1 = ±1, resto 0, β 2 = 1, β˜2 = ±1, resto 0.
Teorema. Dada uma condição de contorno auto-adjunta, existe uma sequência de
funções em C 2 ([0, L]) e uma sequência de números reais, respectivamente
{ϕn }n∈Î ∈ C 2 ([0, L]) & {λ n }n∈Î ∈ Ò,
tais que, comparando analogias com álgebral linear à direita
d2 ϕ n
1) = λ n ϕn [n Ae n = λ n e n
dx 2
2) ⟨ϕn , ϕm ⟩ = δnm e i , e j = δi j

Õ ∞
Õ
3) Para toda u contínua por partes, u = ⟨u, ϕn ⟩ ϕn u= ⟨u, e i ⟩ e i
n=1 n=1

Exemplo 27. 1) Para a condição de contorno de Dirichlet,


r  2
2
 
nπx nπ
ϕn = sin , λn = −
L L L

2) Para Neumann, r 2
2
  
nπx nπ
ϕn = cos , λn = −
L L L
3) Para a Periódica de [−L, L],
r
1 1 1
   
nπx nπx
ϕn = ou √ sin , ou √ cos
2L L L L L

4) Para Dirichlet-Neumann,
 2
1 πx 1 π
   
ϕn = c n sin x+ , λn = − n +
2 L 2 L

5) Para Neumann-Dirichlet,
 2
1 πx 1 π
   
ϕn = c n cos x+ , λn = − n +
2 L 2 L

Página 88 de 158
14 Aula 14 - 28 de Abril, 2025
14.1 Motivações
• Soluções Clássicas da Onda.

14.2 Recordando o Caminho.


Vamos começar a aula relembrando o que fizemos anteriormente para obter uma
solução clássica da onda: considerando o problema
∂ 2u ∂ 2u


 ∂t 2 = ∂x 2
, t ∈ Ò, x ∈ [0, π]
 u (0, t ) = ∂ u (π, t ) = 0,

 t ∈Ò
∂x

 u (x, 0) = u 0 (x ), x ∈ [0, L)]
 ∂ u (x, 0) = u (x ),

x ∈ [0, L].
 ∂t 1

Na parte 1, fazemos
T ′′ (t ) X ′′ (x )
u (x, t ) = T (t )X (t ) ⇔ T ′′ (t )X (x ) = T (t )X ′′ (x ) ⇒ = ,
T (t ) X (x )
que tem como soluções

T ′′ (t ) = λT (t ) & X ′′ (x ) = λX (x ).

Na parte 2, aplicamos as condições de fronteira e obtemos um problema de autova-


lores:
T (t )X (0) = 0, [t X = λX
  ′′
(0) = X (L) = 0 ⇒

T (t )X ′ (L) = 0, [t X (0) = X ′ (L) = 0.

Estudando os casos dos autovalores, temos:


λ = 0: neste caso,

X ′′ (x ) = 0 ⇒ X ′ (x ) = A ⇒ X (x ) = Ax + B
X (0) = 0 ⇒ A0 + B = 0 ⇒ B = 0
X ′ (0) = 0 ⇒ A = 0 ⇒ A = 0.

Consequentemente, neste caso, X será identicamente nula, o que é um problema.


λ > 0: aqui, teremos

√ √ √ √ √ √
X ′′ (x ) = 0 ⇒ X ′ (x ) = λAe λx − λBe − λx ⇒ X (x ) = Ae λx + Be − λx .
X (0) = 0 ⇒ A + B = 0 ⇒ A = −B
√ √ √ √ √
X ′ (L) = 0 ⇒ Ae λL − λBe − λL = 0 ⇒ A(e λL + e − λL ) = 0
|{z} | {z }
A=−B >0
⇒ A = 0 & B = 0.

Página 89 de 158
λ < 0: finalmente, nossa última esperança para a solução não identicamente nula
(que sabemos existir) nos dá
√ √
X (x ) = A cos ( −λx ) + B sin ( −λx )
X (0) = 0 ⇒ A = 0
2
√ √ √ π2 1

X (L) = 0 ⇒ B λ cos ( λL) = 0 ⇒ cos ( −λL) = 0 ⇒ λ n = − 2 n +

.
L 2
Consequentemente, as soluções deste caso terão a cara
2
1 π2 1
    
π
Xn (x ) = C sin − n + x , λ n = − 2 n + .
L 2 L 2

Como a EDO que define o T(t) é basicamente a mesma, podemos reaproveitar a


solução para obtermos
2
π2 1

Tn (t ) = − 2 n +
′′
Tn (t )
L 2
1 1
       
π π
Tn (t ) = An cos n + t + B n sin n+ t .
L 2 L 2
Somando e multiplicando tudo, as soluções parciais têm cara

1 1 1
            
π π π
u n = a n cos n + t + b n sin n + t sin − n + x
L 2 L 2 L 2
A parte 3 consiste em colocar tudo o que encontramos acima numa solução única
∞ 
1 1 1
           
Õ π π π
u (x, t ) = a n cos n + t + b n sin n + t sin − n + x ,
n=0
L 2 L 2 L 2

com condições

1
   
Õ π
u 0 (x ) = u (x, 0) = a n sin n+ x .
n=0
L 2
A diferença é que, agora, iremos aplicar o ferramental de álgebra linear que vimos
na aula passada. Aqui, consideraremos

1
   
π
ϕn = sin n+ x ,
L 2
que é ortogonal e
L
1 1
∫        
π π
⟨ϕn , ϕm ⟩ = sin n + x sin m + x dx = 0.
0 L 2 L 2
Sabemos que
 2
d2 1
 
π
ϕn = − n+ ϕn = λ n ϕn ,
dx 2 L 2

Página 90 de 158
tal que

d2
 
λ n ⟨ϕn , ϕm ⟩ = ⟨λ n ϕn , ϕm ⟩ = ϕn , ϕm
dx 2
d2
 
= ϕn , 2 ϕm
dx
= ⟨ϕn , λ m ϕm ⟩
= λ m ⟨ϕn , ϕm ⟩ .

Consequentemente,
(λ n − λ m ) ⟨ϕn , ϕm ⟩ = 0
e, logo,
n , m ⇒ ⟨ϕn , ϕm ⟩ = 0.
Para podermos aplicar o que foi visto, queremos também que esse conjunto de
vetores forme uma base ortonormal, ou seja, ∥ϕn ∥ = 1. Esta condição equivale a
 2
L
1 1 1
∫   ∫ L     
2 π 2 π L
c sin n + x dx = c 1 − cos 2 n + x dx = c 2,
0 L 2 0 2 L 2 2

ou seja, r
2 1
   
π
ϕn = sin n+ x .
L L 2
Com isso, sabemos que
∞ ∞ 
r ∫  r
2 L
1 2 1
    
Õ Õ πy πx
u0 = ⟨u 0, ϕn ⟩ ϕn = u 0 (y ) sin n+ dy sin n+ )
n=0 n=0
L 0 L 2 L L 2

2 L
1 1
 ∫       
Õ πy πx
= u 0 (y ) sin n+ dy sin n+ ) .
n=0
L 0 L 2 L 2

A conclusão é que a solução geral tem coeficientes com a cara

2 1
∫ L   
πy
an = u 0 (y ) sin n+ dy.
L 0 L 2

Voltando para o problema que estávamos estudando no início, podemos deter-


minar que

(n + 1/2)π (n + 1/2)πt (n + 1/2)πt (n + 1/2)πx
       
∂u Õ
= − a n sin + b n cos sin
∂t n=0
L L L L

(n + 1/2)π (n + 1/2)πt (n + 1/2)π
   
∂u Õ
(x, 0) = − b n sin + bn
∂t n=0
L L L
2 (n + 1/2)π y
∫ L  
= u 1 (y ) sin dy,
L 0 L

Página 91 de 158
pois
∞ ∞  ∫
2 L
(n + 1/2)π y (n + 1/2)πx
Õ Õ     
u 1 (x ) = ⟨u 1, ϕn ⟩ ϕn = u 1 (y ) sin dy sin .
n=0 n=0
L 0 L L

Portanto,
2 L
(n + 1/2)π y
∫  
bn = u 1 (y ) sin dy.
(n + 1/2)π 0 L

14.3 Soluções Clássicas (C 2 ).


Com o ferramental desenvolvido, vamos abordar as soluções clássicas da equação da
onda, que são as soluções suaves (classe C 2 ). Como fizemos antes, consideramos o
problema
∂ 2u ∂ 2u
2 = ∂t 2 , t ∈ Ò, x ∈ [0, π]

∂x


 u (0, t ) = u (π, t ) = 0,

 t ∈Ò

 u (x, 0) = u 0 (x ), x ∈ [0, π]
 ∂ u (x, 0) = 0,

x ∈ [0, π].
 ∂t
Vamos adiantar o processo.
Passo 1:T ′′ (t ) = λT (t ), X ′′ (x ) = λX (x ).
Passo 2:

X ′′ (x ) = λX (x )

⇒ X (x ) = sin (nx ), n ∈ Î
X (0) = X (π) = 0
e
u n (x, t ) = [a n cos (nt ) + b n sin (nt )] sin (nx ).
Passo 3:

Õ
u (x, t ) = [a n cos (nt ) + b n sin (nt )] sin (nx )
n=1

2 π
Õ ∫
u (x, 0) = u 0 ⇒ a sin (nx ) = u 0 (x ) ⇒ a n = u 0 (y ) sin (n y )dy
n=1
π 0

∂u Õ
(x, 0) = 0 ⇒ − b n n sin (nx ) = 0 ⇒ b n = 0.
∂t n=1

Portanto, as soluções para o problema proposto têm a forma



2 π
Õ ∫
u (x, t ) = a n cos (nt ) sin (nx ), a n = u 0 (y ) sin (n y )dy.
n=1
π 0

No entanto, queremos focar especificamente nas soluções C 2 , que serão aquelas


cujas segundas derivadas existem e, além disso, são contínuas. Para isso, é esperado

Página 92 de 158
que teremos que derivar aquela expressão. Fazendo isto, obtemos

Õ
u (x, t ) = a n cos (nt ) sin (nx )
n=1

Õ
∂x u (x, t ) = na n cos (nt ) cos (nx )
n=1
Õ∞
∂t u (x, t ) = − na n sin (nt ) sin (nx )
n=1

∂x2x u (x, t ) = − n 2 a n cos (nt ) sin (nx )
Õ

n=1

∂t2t u (x, t ) = − n 2 a n cos (nt ) sin (nx )
Õ

n=1

∂x2t u (x, t ) = −
Õ
na n cos (nt ) sin (nx ).
n=1

Logo, basta provar que essas derivadas dão valores que existem, o que pode ser
alcançado provando que a série

|n 2 a n |
Õ

n=1
converge.
Com efeito, pela forma de a n ,
=0
2 π
2 cos (n y ) π 2
∫ ∫ π
cos (n y )
z}|{
an = u 0 (y ) sin (n y )dy = − u 0 (y ) + u 0′ (y ) dy
π 0 π n 0 π 0 n
2
∫ π
cos (n y )
= u 0′ (y ) dy
π 0 n
2 ′ sin (n y ) π 2
∫ π
sin (n y )
= u 0 (y ) − u ′′
0 (y ) dy
π n2 0 π 0 n2
2 ′′ cos (n y ) π 2
∫ π
cos (n y )
= u 0 (y ) 3
+ u 0′′′ (y ) dy,
π n 0 π 0 n3
que nos permite escrever
2 π

an = ± 3 cn , cn = u ′′′ (y ) cos (n y )dy.
πn 0

Logo,
∞ ∞ ∞ 1  ∞  12
Õ
2 2Õ1 2 Õ 1 2 Õ 2
n |a n | = |c n | ≤ 2
|c n | < ∞,
n=1
π n=1
n π n=1
n n=1
| {z } | {z }
2 Bessel ⇒<∞
= π6 <∞

ou seja, a série converge, e esta solução é, de fato, suave.

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15 Aula 15 - 30 de Abril, 2025
15.1 Um Comentário sobre Mudança de Variáveis.
A aula de hoje foi mais focada na revisão para a prova. No entanto, foi feito um
comentário a respeito da mudança de variáveis: se f : [0, π] → Ò for uma função
2π-periódica, temos em mente a solução geral dada por

2 π
Õ ∫
f (x ) = b n sin (nx ), bn = f (y ) sin (n y )dy,
n=1
π 0

Mas como poderíamos lidar com uma função f : [0, L] → Ò?


A ideia é definir uma outra função dada por
 
xL
f˜ (x ) = f , f˜ : [0, π] → Ò,
π

que pode ser trocada também fazendo


 
˜ πx
f (x ) = f .
L

Com isto, sabemos resolver a série para f˜ como foi dado acima:

2 π

f˜ (x ) = f˜ (y ) sin (n y )dy,
Õ
b n sin (nx ), bn =
n=1
π 0

e basta reverter com a regrinha que passamos


  Õ ∞  
πx nπx
f (x ) = f˜ = b n sin ,
L n=1
L

com coeficientes
2 π
2
∫   ∫ L  
yL nπz
bn = f sin (n y )dy = f (z ) sin dz.
π 0 π L 0 L

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16 Aula 16 - 07 de Maio, 2025
16.1 Motivações
• Calor e Onda em Mais Dimensões;

• Transição para o Estudo da Equação de Laplace.

16.2 Equação de Laplace - O Começo a partir do que Temos.


Até o momento, estudamos as equações da onda e do calor com a variável “espaço”
(x) em uma única dimensão. A ideia aqui é explorarmos um pouco mais do que
acontece quando aumentamos, e manteremos em Ò3 . Assim, considere um aberto
Ω ⊆ Òn , com n = 1, 2, 3 e o problema

 ∂t = ∆u, t > 0, x ∈ Ω
 ∂u

u = 0, x ∈ ∂Ω .

 u (x, 0) = u 0 (x ),

x ∈Ω

Usando a solução normalmente encontrada no passo 1, concluímos que, para x =
(x 1, x 2, . . . , x n ) em um conjunto Ω de Òn ,
X ′′ (x ) T ′ (t )
u (x, t ) = X (x )T (t ) ⇒ = ...,
X (x ) T (t )
mas não. Aqui, não faz sentido falar na derivada de X em x, porque x é uma variável
em Òn ! A forma que encontramos, na verdade,
∆X (x ) T ′ (t )
u (x, t ) = X (x )T (t ) ⇒ = = λ.
X (x ) T (t )
O processo da EDO é o mesmo, mas temos que levar em conta a multidimensiona-
lidade da X!
O passo 2 também muda: partindo de que u (x, t ) = 0 quando x é um ponto na
fronteira de Ω, segue que X (x ) = 0 na fronteira também. Assim,

∆X (x ) = λX (x ), x ∈ Ω
X (x ) = 0, x ∈ ∂ Ω
T ′′ (t ) = λT (t ).

Para a onda, a ideia é parecida:


∂ 2u
 ∂t 2 = ∆u, t > 0, x ∈ Ω


.

u = 0, x ∈ ∂Ω
 u (x, 0) = u (x ),
∂t (x, 0) = v0 (x ), x ∈Ω
 ∂u
 0

tal que o Passo 1 fornece


∆X (x ) T ′′ (t )
u (x, t ) = T (t )X (x ) ⇒ = = λ,
X (x ) T (t )

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e obtemos a EDO no Passo 2

∆X (x ) = λX (x ), x ∈ Ω
X (x ) = 0, x ∈ ∂ Ω
T ′′ (t ) = λT (t ).

Ambos os passos 2 das duas equações acabam lidando com o problema de au-
tovalores do Laplaciano com condições de Dirichlet, que pode ser atacado por meio
do teorema abaixo

Teorema. Se Ω for um subconjunto aberto, convexo, limitado e com fronteira regu-


lar de Òn , então existe uma sequência de funções {ϕn }n∈Î de classe C ∞ (Ω) e uma
sequência de escalares {λ n }n∈Î tais que

1) ϕn ϕm dx = δ nm ;

2)∆ϕn = λ n ϕn , ϕn | ∂ Ω = 0;
n→∞
3)λ n < 0, λ n −→ −∞

Õ
4)[u 0 ∈ C(Ω), u 0 = ⟨u 0, ϕn ⟩ ϕn .
n=1

Note que a expressão para u 0 no item 4 pode ser reescrita, usando os outros
itens, como
∫ Õ N 2 N →∞
u0 − ⟨u 0, ϕn ⟩ ϕn dx −→ 0.
Ω n=1

Exemplo 28. Considere o caso em que n vale 1 e Ω é o intervalo aberto Ω = (0, π).
Aqui, tomemos r
2
ϕn (x ) = sin (nx ), λ n = −n 2
π
e
∞ ∞  ∫ π
2
Õ Õ 
u0 = ⟨u 0, ϕn ⟩ ϕn = u 0 (y ) sin (n y )dy sin (nx ),
n=1 n=1
π 0
que nada mais é que a série seno! Com isso, quando atacamos o passo da condição
inicial no calor e na onda, conseguimos

Õ ∞
Õ
u (x, t ) = Tn (t )Xn (x ) = c n e λn t ϕn (x )
n=1 n=1

Õ ∞
Õ
u 0 (x ) = u (x, 0) = c n ϕn (x ) ⇒ c n = ⟨u 0, ϕn ⟩ ⇒ u (x, t ) = ⟨u 0, ϕn ⟩ e λn t ϕn .
n=1 n=1

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Para a onda, também, obtemos a solução com esse mesmo processo:

Õ ∞
Õ p p
u (x, t ) = Tn (t )X n (x ) = [b n sin ( −λ n t ) + a n cos ( −λ n t )]ϕn
n=1 n=1

Õ
u 0 (x ) = a n ϕn ⇒ a n = ⟨u 0, ϕn ⟩
n=1

∂u Õ p 1
v0 (x ) = (x, 0) = b n −λ n ϕn ⇒ b n = √ ⟨v0, ϕn ⟩
∂t n=1 −λ n
∞ 
1
Õ p p 
u (x, t ) = ⟨u 0, ϕn ⟩ cos ( −λ n t ) + √ ⟨v0, ϕn ⟩ sin ( −λ n t ) ϕn .
n=1 −λ n

O que aprendemos com este exemplo é que já temos um método para resolver as
EDPs que não depende tanto da dimensão. Testaremos ele com o seguinte problema
de autovalores em n = 2: seja Ω o retângulo de base L 1 e altura L 2 encostado na
origem e considere a EDP
( 2 2
∂ u
∂x 2
(x, y ) + ∂∂ yu2 (x, y ) = λu (x, y ), x ∈ (0, L 1 ), y ∈ (0, L 2 )
.
u (0, y ) = u (L 1, y ) = u (x, 0) = u (x, L 2 ) = 0, x, y ∈ (0, L 1 ) × (0, L 2 )
Temos que determinar a função u e o escalar λ.
Nosso passo 1 será considerar a solução u (x, y ) = X (x )Y (y ), o que indica que
X ′′ (x )Y (y ) + X (x )Y ′′ (y ) = λX (x )Y (y ).
Dividindo tudo por X (x )Y (y ), temos a equação
X ′′ (x ) Y ′′ (y )
= = λ,
X (x ) Y (y )
tal que isto torna-se o conjunto de equações

 X′′ (x ) = λ 1 X (x )
 ′′

Y (x ) = λ 2Y (y )

 λ 1 + λ 2 = λ.


Em seguida, no passo 2, usamos as condições de contorno para obtermos
u (0, y ) = u (L 1, y ) = 0 ⇔ X (0)Y (y ) = X (L 1 )Y (y ) = 0 ⇔ X (0) = X (L 1 ) = 0
e, analogamente,
u (x, 0) = u (x, L 2 ) = 0 ⇔ X (x )Y (0) = X (x )Y (0) = 0 ⇔ Y (0) = Y (L 2 ) = 0,
que nos fornece as soluções para as EDOs dadas por
   2
nπx nπ
X (x ) = λ 1 X (x ), X (0) = X (L 1 ) = 0 ⇒ X n (x ) = sin
′′
, λ1 = −
L1 L1
   2
nπ y nπ
Y ′′ (x ) = λ 2Y (x ), Y (0) = Y (L 2 ) = 0 ⇒ Yn (y ) = sin , λ1 = − ,
L2 L2

Página 97 de 158
tal que as soluções da EDP terão a cara
2
   
nπx mπx
ϕmn (x, y ) = √ sin sin
L 1L 2 L1 L2
  2  2
nπ mπ
λ mn = − + .
L1 L2
Vamos ver o mesmo problema quando Ω é uma bola unitária:

Ω = {(x, y ) ∈ Ò2 : x 2 + y 2 < 1}, ∂ Ω = {(x, y ) ∈ Ò2 : x 2 + y 2 = 1},

com EDP
∂ 2u ∂ 2u
(
∂x 2
(x, y ) + ∂y2
(x, y ) = λu (x, y ), (x, y ) ∈ Ω
.
u = 0, (x, y ) ∈ ∂ Ω
Como retornaremos a isto quando virmos as EDPs de Laplace e Poisson, por
agora vamos apenas jogar as soluções com uma transformação de variáveis, aceitando
que fazer isso é possível:

x = r cos (θ) ∂ 2u 1 ∂u 1 ∂ 2u

∆u = + + ,
y = r sin (θ) ∂r 2 r ∂r r 2 ∂θ 2
com a vantagem disso tornar a EDP original
 ∂ 2u 1 ∂ u 1 ∂ 2u
+ r ∂r + r 2 ∂θ 2 , = λu (r , θ), (r , θ) ∈ [0, 1] × [0, 2π]
∂r 2 .
u (1, θ) = 0, θ ∈ [0, 2π]

Assim, o passo 1 torna-se definir as soluções como u (r , θ) = R (r )Θ(θ), tal que


1 1
ΘR ′′ + ΘR ′ + 2 R Θ′′ = λR Θ.
r r
r2
Dividindo tudo por , isto equivale a

r 2 R ′′ + r R ′ Θ′′ r 2 R ′′ + r R ′ − λr 2 R Θ′′
+ = λr 2 ⇐⇒ + = 0.
R Θ R Θ
Vamos denotar por
r 2 R ′′ + r R ′ − λr 2 R Θ′′
λ1 B & λ2 B ,
R Θ
tal que podemos escrever em forma de EDOs

r 2 R ′′ + r R ′ − λr 2 R = λ 1 R & Θ′′ = λ 2 Θ.

Com isso, podemos ir ao passo 2! Comece observando que, em geral, na coorde-


nada polar, os pontos que correspondem ao 0 também correspondem ao 2π, que nos
fornece uma condição inicial geométrica na forma
dΘ dΘ
Θ(0) = Θ(2π) & (0) = (2π) = 0
dθ dθ

Página 98 de 158
e, em R, teremos a condição pela própria EDP:

R (1)Θ(θ) = 0 ⇒ R (1) = 0 & lim R (r ) < ∞,


r →0

em que a segunda condição é pedida por parcimônia mesmo. Logo,

Θ′′ (θ) = λ 2 Θ(θ), & Θ(0) = Θ(2π), & Θ′ (0) = Θ′ (2π),

que nos dá como solução

 1, λ2 = 0


Θ(θ) = sin (nx ), λ 2 = −n 2 .

 cos (nx ), λ 2 = −n 2 .


A da EDO em R é a Equação de Bessel, então vamos deixar ela pra depois,
porque a cara dessa aqui é feia:
∞   2k +v
(−1) k x
v 2 = λ1 .
Õ
Jv (x ) = ,
k =0
k !Γ(k + r − 1) 2

Na próxima aula, olharemos para um novo tipo de EDP, a Equação de Laplace.

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17 Aula 17 - de Maio, 2025
17.1 Motivações
• Existência da Solução de Laplace;

• Método da Energia;

• Princípio do Máximo Generalizado.

17.2 Introdução à Equação de Laplace


Finalmente, iniciamos o estudo da equação de Laplace e Poisson, que são a mesma
EDP base, mas com a diferença que a primeira é igualada a 0, enquanto a segunda
a uma função. O problema base é

∆u (x ) = f (x ), x ∈Ω


Bu (x ) = g (x ), x ∈ ∂Ω

e, quanto à classificação,

Laplace: se f = 0, ou seja,
∆u = 0;

Poisson: se f é diferente de 0, isto é,


∆u = f , 0.

Uma solução da equação de Laplace é chamada Função Harmônica. Além disso,


temos as seguintes condições de contorno:

I) Dirichlet: u (x ) = g (x ), x ∈ ∂ Ω;

II) Neumann: ∂n u (x ) = g (x ), x ∈ ∂ Ω;

III) Robin: ∂n u (x ) + a (x )u (x ) = g (x ), x ∈ ∂ Ω.

Além disso, vale a pena olhar para os diferentes formatos dela em cada dimensão.

d2u
n=1: (x ) = f (x );
dx 2
∂ 2u ∂ 2u
n=2: (x, y ) + (x, y ) = f (x, y );
∂x 2 ∂y2
∂ 2u ∂ 2u ∂ 2u
n=3: (x, y , z ) + (x, y , z ) + (x, y , z ) = f (x, y , z ).
∂x 2 ∂y2 ∂z 2
Exemplo 29. No caso de uma dimensão, um exemplo da equação de Laplace seria

d2u
= f (x )

(x )
dx 2 .
u (0) = α, u (L) = β

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Para lidar com os possíveis casos, dividimos o problema em 2 a fim de incluir um
problema de Laplace e um de Poisson - considere v , w : [0, L] → Ò com os problemas
 d2v 2
dx 2
(x ) = 0 ddxw2 (x ) = f (x )
v (0) = α, v (L) = β w (0) = w (L) = 0

e note que u B v + w é solução do problema anterior, já que

d2 u d2v d2w
= + = 0 + f = f (x )
dx 2 dx 2 dx 2
u (0) = v (0) + w (0) = α + 0 = α
u (L) = v (L) + w (L) = 0 + β .

Vamos resolver para v!

d2v
= 0 ⇒ v ′ (x ) = A ⇒ v (x ) = Ax + B
dx 2
β −α
v (0) = α ⇒ β = α, v (L) = β ⇒ AL + α = β ⇒ A =
L
β −α
v (x ) = x + α.
L
Agora, podemos resolver para w e obter
∫ x ∫ x ∫ y 
w (x ) = f (x ) ⇒ w (x ) = A +
′′ ′
f (s)ds ⇒ w (x ) = Ax + b + f (s)ds dy,
0 0 0

com as condições dadas,


∫ 0
w (0) = 0 ⇒ A0 + B + (. . . ) = 0 ⇒ B = 0
0
1
∫ L ∫ y  ∫ L ∫ y 
w (L) = 0 ⇒ AL + f (s)ds dy = 0 ⇒ A = − f (s)ds dy
0 0 L 0 0
1
∫ x ∫ y   ∫ L ∫ y  
w (x ) = f (s)ds dy − f (s)ds dy x .
0 0 L 0 0

Em conclusão,
x ∫ y
1 L ∫ y
∫   ∫  
β −α
u (x ) = α + x+ f (s)ds dy − f (s)ds dy x
L 0 0 L 0 0

Aqui, é necessário tomar um cuidado: quando o problema dado for da forma


( 2
du
dx 2
= f (x ), x ∈ [0, L]
dx (0) = α, dx = β ,
du du

se não for satisfeita a relação


∫ L
f (s)ds = β − α,
0

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não existirá solução para este problema, já que
∫ x
u = f ⇒ u (x ) = A +
′′ ′
f (s)ds
0

leva em

u ′ (0) = α ⇒ A = α
∫ L
u (L) = β ⇒ α +

f (s)ds,
0

ou seja, ∫ L
f (s)ds = β − α
0
garante que a igualdade seja válida. Neste caso, teremos
∫ x ∫ y 
u (x ) = α x + f (s)ds dy + B,
0 0

indicando que existem infinitas soluções.

Quando olhamos para o caso de mais dimensões, a forma geral é

∆u (x ) = f (x ), x ∈Ω

.
∂n (x ) = g (x ), x ∈ ∂ Ω.
∂u

Podemos integrar em Ω e obter


∫ ∫
∆u (x )dx = f (x )dx,
Ω Ω

Além disso, a partir do Teorema da Divergência e das Propriedades dos Gradientes,


temos ∫ ∫ ∫ ∫
∂u
+ · (+u)dx = +u · ndS = dS = g dS.
Ω ∂Ω Ω ∂n ∂Ω
Quando estudamos as equações do calor e da onda, encontramos fenôemnos
físicos descritos por elas, mas e quanto aos problemas de Laplace/Poisson? Onde
eles aparecem? O primeiro lugar é dentro das próprias equações da onda e calor,
mas num contexto estacionário:
 ∂ 2u
∂t 2
= ∆u + f
Bu = 0

com ∂t2u = 0, temos


∆u + f = 0 ⇒ ∆u = −f .
Similarmente, para o problema do calor

∂t = ∆u + f
 ∂u

Bu = 0

Página 102 de 158


e ∂t u = 0, chegamos em
∆u = −f .
Em particular, para que sejam satisfeitos
∂u
∆u = −f & = g,
∂n
precisamos que ∫ ∫
− f dx = g dS.
Ω ∂Ω
O segundo caso em que aparecem os problemas de contorno é quando temos uma
função holomorfa f : Ω ⊆ Ã → Ã com derivada dada por
f (z + h) − f (z )
f ′ (z ) = lim .
h→0 h
Aqui, por ser holomorfa, ela é de classe C ∞ ; logo,
∂ 2u ∂ 2v ∂ 2v ∂ 2u
= = = −
∂x 2 ∂x ∂ y ∂ y ∂x ∂y2
e, portanto,
∂ 2u ∂ 2u
+ = 0.
∂x 2 ∂ y 2
Vale mencionar que a “segunda coordenada” de f também satisfaz:
∂ 2v ∂ 2u ∂ 2u ∂ 2v
=− =− = − 2,
∂x 2 ∂x ∂ y ∂ y ∂x ∂y
e novamente temos
∂ 2v ∂ 2v
+ = 0.
∂x 2 ∂ y 2
Lembrete! Função Holomorfa
Dizemos que uma função complexa f : Ω ⊆ Ã → Ã é holomorfa
quando ela é diferenciável e satisfaz, em suas componentes, as condições de
Cauchy-Riemann; noutras palavras, escrevendo f (x, y ) = u (x, y ) + i v (x, y ) =
(u (x, y ), v (x, y )), ela será holomorfa se satisfazer
∂u ∂v
=
∂x ∂y
∂u ∂v
=− .
∂y ∂x
Esta condição sai da matriz Jacobiana de f, dada por
" #
∂u ∂u
Jf = ∂x
∂v
∂y
∂v .
∂x ∂y

Veremos mais três casos onde aparecem as condições, antes de seguirmos para o
estudo das soluções.

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Exemplo 30. 1) Nas equações de Maxwell: se Ω for um aberto simplesmente
conexo,
+ · E = ερ0

ρ ρ
⇒ E = +ϕ ⇒ +E = ++ϕ = ⇒ ∆ϕ = .
+×E =0 ε0 ε0

2) No estudo de fluídos: se Ω é simplesmente conexo,


+×v = 0

v = +ϕ ⇒ + · (+ϕ) = 0 ⇒ ∆ϕ = 0.
+·v = 0

3) O potencial gravitacional é descrito por


∆ϕ = 4πGϕ.

17.3 Existência e Unicidade da Solução para Equação de La-


place.
Agora que estamos mais acostumados com o problema apresentado, podemos olhas
as condições para suas soluções. Neste contexto, vamos supor que Ω ⊆ Òn é um
aberto, limitado e com fronteira regular. Começaremos esta jornada por meio da
boa colocação para o problema de Dirichlet:
∆u (x ) = f (x ), x ∈Ω

.
u (x ) = g (x ), ∂Ω
Para abordar a unicidade de uma solução do problema acima, desenvolveremos
outra forma do método da energia - sejam u, v : Ω → Ò soluções de classe C 2 do
problema e defina w B u − v . Logo,
∆w = ∆u − ∆v = f − f = 0
e
w | ∂ Ω = u | ∂ Ω − v | ∂ Ω = g − g = 0,
ou seja, w satisfaz o problema
∆w = 0, x ∈Ω

.
w = 0, x ∈ ∂Ω
Por termos ∆w = 0, segue que

w ∆w = 0 ⇒ w ∆w dx = 0.

Assim, novamente usando as Propriedades de Gradientes,
∫ ∫ ∫
0= w ∆w dx = +(w +w )dx − |+w | 2 dx
Ω ∫Ω Ω

= w +w · n dS − |+w | 2 dx
∂Ω | {z } Ω
∂w
∂n

=− |+w | 2 dx,

Página 104 de 158


tal que, junto ao fato de que o mapeamento
Ω ∋ x ↦→ |+w (x )| 2 ∈ Ò
é contínuo e sempre não-negativo, temos
+w (x ) = 0
para todos os pontos de Ω, tornando a função w constante em cada componente
conexa de Ω; no entanto, sabemos que
w | ∂ Ω = 0,
portanto w ≡ 0 e u ≡ v . Isto prova o seguinte
Teorema. Se u e v são soluções clássicas da EDP de Laplace, então u e v são as
mesmas funções - a solução é única.
Além disso, veremos agora a versão generalizada do antigo Princípio do Máximo:
Teorema (Princípio do Máximo). Se u for uma função de classe C 2 (Ω), onde Ω é
um aberto limitado, e u resolve a equação
∆u (x ) = 0,
então
max u = max u .
Ω ∂Ω
Em outras palavras, u atinge seu máximo na fronteiro do aberto em que está definido.
Prova. Seja v : Ω → Ò dada por
v (x ) = u (x ) + ε ∥x ∥ 2,
em que x = (x 1, . . . , x n ) é um elemento de Ω como subconjunto de Òn e sua norma
é dada por
∥x ∥ 2 = x 12 + . . . x n2 .
Além disso, seja x 0 um ponto do fecho de Ω (ponto de acumulação de Ω) tal
que v (x ) ≤ v (x 0 ) para todos os outros pontos de acumulação de Ω. Primeiramente,
note que x 0 existe pela compacidade do fecho; em seguida, suponha que x 0 está, na
verdade, no conjunto Ω em si e escrevamos
x 0 = (x 01, . . . , x 0n ).
Logo, o mapeamento
t ↦→ v (x 01, . . . , x 0 + t , . . . , x 0n )
j

é tal que seu máximo é 0. Destarte,


∂v 1 j
(x , . . . , x 0, . . . , x 0n ) = 0,
∂x j 0
e
∂ 2v
≤ 0[j ∈ {1, . . . , n }.
∂x j2
Portanto,
∆v (x 0 ) ≤ 0. ■

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Teorema. Seja Ω um aberto limitado de Òn . Então, existe no máximo uma solução
u de classe C 2 (Ω) do problema

∆u (x ) = f (x ), x ∈Ω

.
u (x ) = g (x ), x ∈ ∂Ω

Prova. Suponha que u e v sejam duas soluções do problema em questão, ambas de


classe C 2 (Ω). Definimos w B u − v , tal que

∆w = ∆u − ∆v = f − f = 0, x ∈Ω

.
w | ∂ Ω = u | ∂ Ω − v | ∂ Ω = g − g = 0, x ∈ ∂ Ω.

Usando o Princípio do Máximo, temos

maxΩ w = max∂ Ω w = 0

0 ≤ w ≤ 0 ⇒ 0 ⇒ u − v = 0.
minΩ w = min∂ Ω w = 0.

Portanto,
u = v. ■

Outra questão que é bom tirarmos do caminho desde o começo é a da continui-


dade em relação aos parâmetros de fronteira. Para isso, sejam

∆u (x ) = 0, x ∈Ω ∆v (x ) = 0, x ∈Ω
 
&
u (x ) = g (x ), x ∈ ∂Ω v (x ) = h (x ), x ∈ ∂Ω

Novamente, coloque w B u − v . Logo,

∆w = ∆u − ∆v = 0

e
w | ∂ Ω = u | ∂ Ω − v | ∂ Ω = g − h.
Como consequência do princípio do máximo, também,

max w = max w = max g − h 


∂Ω ∂Ω




min (g − h) ≤ u (x ) − v (x ) ≤ max (g − h).
min w = min w = min g − h  ∂Ω ∂Ω
Ω ∂Ω ∂Ω 

Resultado direto disto é que

− max |g − h| ≤ u (x ) − v (x ) ≤ max |g − h|,


∂Ω

Logo,
max (g − h) ≤ max |g − h|,
∂Ω ∂Ω
que pode ser reescrito também como

min (g − h) ≥ min (−|g − h|) = − max |g − h|.


∂Ω ∂Ω ∂Ω

Página 106 de 158


18 Aula 18 - 12 de Maio, 2025
18.1 Motivações
• Casos do Laplace: retângulo e bola.

18.2 Casos do Laplace: retângulo e bola.


Começaremos nos restringindo ao caso do retângulo, ou seja, Ω = (0, L 1 ) × (0, L 2 ),
com equação dada por
∂ 2u 2
(x, y ) + ∂∂ yu2 (x, y ) = 0, (x, y ) ∈ Ω

∂x 2



u (x, 0) = f1 (x )



.


u (x, L 2 ) = f2 (x )
u (0, y ) = g 1 (y )




u (L 1, y ) = g 2 (y )




Colocamos, também, que a restrição de u ao bordo de Ω é uma função G, i.e.,
u | ∂ Ω = G | ∂ Ω . Note que u = v + w , onde

∂ 2v ∂ 2v ∂ 2w ∂ 2w
+ =0 + =0
∂x 2 ∂ y 2 ∂x 2 ∂ y 2
v (x, 0) = f1 (x ) w (x, 0) = 0
v (x, L 2 ) = f2 (x ) w (x, L 2 ) = 0
v (0, y ) = 0 w (0, y ) = g 1 (y )
v (L 1, y ) = 0 w (L 1, y ) = g 2 (y ),

tal que, conhecendo v e w, conhecemos u. Sendo assim, vamos achar v. Começamos


procurando por soluções da forma v (x, y ) = X (x )Y (y ):

∂ 2v ∂ 2 u X ′′ (x ) Y ′′ (y )
0= + ⇐⇒ X ′′
(x )Y (y ) + X (x )Y ′′
(y ) = 0 ⇐⇒ + = 0.
∂x 2 ∂ y 2 X (x ) Y (y )

Em conclusão,
X ′′ (x ) Y ′′ (y )
=λ & = −λ ⇐⇒ X ′′ (x ) = λX (x ) & Y ′′ (y ) = −λY (Y ).
X (x ) Y (y )
A partir disso, no passo 2, usaremos as condições de fronteira para determinar
quais são os possíveis λ’s que satisfaçam estas equações. Com efeito, temos v (0, y ) =
v (L, y ) = 0 leva a

X (0)Y (y ) = 0 & X (L 1 )Y (y ) = 0 ⇒ X (0) = X (L 1 ) = 0.

Logo,
2
X ′′ (x ) = λX (x )
   
nπ nπ
⇒ Xn (x ) = sin x , λn = −
X (0) = X (L 1 ) = 0 L1 L1

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e 2


Yn′′ (y ) = Yn (y ),
L1
tal que 
  

y − Lnπ y nπ nπ
Yn (y ) = Ae L1
+ Be 1 = C cosh x + D sinh y ,
L1 L1
que garante as soluções parciais tendo formato
      
nπ nπ nπ
vn (x, y ) = C n cosh y ] + D n sinh y sin x .
L1 L1 L1

No caso do retângulo, podemos encontrar os coeficientes considerando a solução


total
∞        
Õ nπ nπ nπ
v (x, y ) = c n cosh y + d n sinh y ] sin x .
n=1
L1 L1 L1
Com as condições iniciais

v (x, 0) = f1 (x ) & v (x, L 2 ) = f2 (x ),

podemos estudar os casos em que y vale 0 ou L 2 para obter os valores destas funções.
Ao fazermos isso, chegamos em
∞ 

Õ nπ
y = 0 ⇒ f1 (x ) = v (x, 0) = c n sin x
n=1
L 1
∞       
Õ nπ nπ nπ
y = L 2 ⇒ f2 (x ) = v (x, L 2 ) = c n cosh L 2 + d n sinh L 2 sin x
n=1
L1 L1 L1

Com base no que encontramos para f1 , deduzimos que os coeficientes c n ’s têm ex-
pressão
2
∫ L1  

cn = f1 (s) sin s ds,
L1 0 L1
que podemos usar para encontrar os próprios d n ’s

2
    ∫ L1  
nπL 2 nπL 2 nπs
c n cosh + d n sinh = f2 (s) sin ds
L1 L1 L1 0 L1
1 2
 ∫ L1    
nπs nπL 2
⇒ dn =   f2 sin ds − c n cosh ,
nπL 2 L1 0 L1 L1
sinh L 1

ou seja, caracterizamos por completo as soluções nestes casos.


O segundo que veremos é da bola aberta em Ò2 , com o problema
( 2 2
∂ u
∂x 2
(x, y ) + ∂∂ yu2 (x, y ) = 0, x2 + y2 < 1
.
u (x, y ) = g (x, y ), x2 + y2 = 1

Página 108 de 158


Usaremos as transformações x = r cos (θ) e y = r sin (θ), tal que v (r , θ) = u (x (r , θ), y (r , θ))
e
∂v ∂u ∂ x ∂u ∂ y ∂v ∂u ∂u
= + ⇒ = cos (θ) + sin (θ)
∂r ∂x ∂r ∂ y ∂r ∂r ∂x ∂y
∂v ∂u ∂ x ∂u ∂ y ∂v ∂u ∂u
= + ⇒ = −r sin (θ) + r cos (θ) .
∂θ ∂x ∂θ ∂ y ∂θ ∂θ ∂x ∂y
Vale lembrar que podemos escrever as derivadas parciais usando uma matriz, e
faremos isso para descobrir a matriz que transforma derivadas com respeito a x, y
nas com respeito a r , θ (vice-versa):
∂   ∂ 
∂r = cos (θ) sin (θ) ∂x
∂ ∂
∂θ
−r sin (θ) r cos (θ) ∂y

∂x = 1 r cos (θ) − sin (θ)


∂   ∂ 
∂r ,
∂ ∂
∂y r r sin (θ) cos (θ) ∂θ
onde usamos a fórmula para a inversa de uma matriz 2x2. Consequentemente,
chegamos em
∂ ∂ 1 ∂ ∂ ∂ 1 ∂
= cos (θ) − sin (θ) & = sin (θ) + cos (θ) .
∂x ∂r r ∂θ ∂y ∂r r ∂θ
Com isso, podemos reescrever a derivada para a EDP de Laplace na bola aberta em
Ò2 como
∂2 ∂2 1 1
  
∂ ∂ ∂ ∂
+ = cos (θ) − sin (θ) cos (θ) − sin (θ)
∂x 2 ∂ y 2 ∂r r ∂θ ∂r r ∂θ
1 1
  
∂ ∂ ∂ ∂
+ sin (θ) + cos (θ) sin (θ) + cos (θ) .
∂r r ∂θ ∂r r ∂θ
Note que, assim,
∂2 1 ∂ 1 ∂2 1 ∂
cos2 (θ) 2
+ 2
cos (θ) sin (θ) − sin (θ) cos (θ) + sin2 (θ)
∂r r ∂θ r ∂r ∂θ r ∂r
1 ∂ 2 1 ∂ 1 ∂ 2 ∂2
− sin (θ) cos (θ) + 2 sin (θ) cos (θ) + 2 sin2 (θ) 2 + sin2 (θ) 2
r ∂r ∂θ r ∂θ r ∂θ ∂r
1 ∂ 1 ∂ 2 1 ∂
− 2 sin (θ) cos (θ) + sin (θ) cos (θ) + cos2 (θ)
r ∂θ r ∂r ∂θ r ∂r
1 ∂2 1 ∂ 1 ∂ 2
+ cos (θ) sin (θ) − 2 sin (θ) cos (θ) + 2 cos2 θ 2
r ∂θ∂r r ∂θ r ∂θ
∂ 2 1 ∂ 1 ∂ 2
= 2
+ + 2 2,
∂r r ∂r r ∂θ
ou seja,
∂2 1 ∂ 1 ∂2
∆= + + .
∂r 2 r ∂r r 2 ∂θ 2
Em conclusão disto tudo, a transformação v (r , θ) = u (x (r , θ), y (r , θ)) satisfaz
∂ 2v 1 ∂v 1 ∂ 2v
(r , θ) + (r , θ) + (r , θ) = 0, 0 ≤ r < 1, & 0 ≤ θ ≤ 2π
∂r 2 r ∂r r 2 ∂θ 2
com condição de fronteira
v (1, θ) = g (θ).

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19 Aula 19 - 19 de Maio, 2025
19.1 Motivações
• Equação de Laplace na Bola Unitária.

19.2 Equação de Laplace na Bola Unitária.


Consideramos o problema

∆u (x, y ) = 0, x2 + y2 < 1

.
u (x, y ) = g (x, y ), x2 + y2 = 1

Colocando x = r cos (θ) e y = r sin (θ), se

v (r , θ) = u (x (r , θ), y (r , θ)),

então
∂ 2v 1 ∂v 1 ∂ 2v
 ∂r 2 + r ∂r + r 2 ∂θ 2 , 0 ≤ r < 1, −π ≤ θ ≤ π



v (1, θ) = g (θ), −π ≤ θ ≤ π
 v (r , −π) = v (r , π),
 ∂v
(r , −π) = ∂v
(r , π).
 ∂θ ∂θ

Passo 1: vamos procurar soluções da forma v (r , θ) = R (r )Θ(θ). Obtemos:


1 1
R ′′ (r )Θ(θ) + R ′ (r )Θ(θ) + 2 R (r )Θ′′ (θ) = 0.
r r
r2
Multiplicando tudo por RΘ,

r 2 R ′′ (r ) R ′ (r ) Θ (θ)
   ′′ 
+r + = 0.
R (r ) R (r ) Θ(θ)
Assim,

r 2 R ′′ (r ) + r R ′ (r ) = λR (r )
Θ′′ (θ) = −λΘ(θ).

Passo 2: agora que temos a EDO acima, queremos, para todo n,

R (r )Θ(−π) = R (r )Θ(π)
R (r )Θ′ (−π) = R (r )Θ′ (π),

logo
Θ(−π) = Θ(π) & Θ′ (−π) = Θ′ (π).
Em conclusão,

Θ′′ (θ) = −λΘ(θ)


Θ(−π) = Θ(π)
Θ′ (−π) = Θ′ (π).

Página 110 de 158


Agora, podemos olhar para os casos de λ, como fizemos outra vez
Caso λ = 0: temos

Θ(θ) = a + bθ

Θ(θ) = a ∈ Ò.
Θ(−π) = Θ(π) ⇔ a − bπ = a + bπ ⇒ b = 0

Caso λ < 0: aqui, √ √


Θ(θ) = Ae − −λθ
+ Be −λθ
,
tal que √ √ √ √
Θ(θ) = Θ(−π) ⇐⇒ Ae − −λπ
+ Be −λπ
= Ae −λπ
+ Be −−λπ

junto à
√ √ √ √
Θ′ (θ) = Θ′ (π) ⇐⇒ −Ae − −λπ
+ Be −λπ
= −Ae −λπ
+ Be − −λπ
√ √
⇐⇒ 2Be −λπ
= 2Be − −λπ
√ √
⇐⇒ e −λπ = e − −λπ
|{z} | {z }
>1 <1
√ √
⇒ B = 0 ⇒ Ae − −λπ
= Ae −λπ
⇐⇒ A = 0.

Obtemos um absurdo, ou uma equação inútil.


Caso λ > 0: partimos da EDO
√ √
Θ(θ) = A cos ( λθ) + B sin ( λθ)
√ ′ √ √
λΘ (θ) = −A sin ( λθ) + B cos ( λθ).

Com as condições iniciais,


√ √ √ √
Θ(−π) = Θ(π) ⇐⇒ A cos ( λπ) + B sin ( λπ) = A cos ( λπ) − B sin ( λπ)
√ √ √ √
Θ′ (−π) = Θ′ (π) ⇐⇒ −A sin ( λπ) + B cos ( λπ) = A sin ( λπ) + B cos ( λπ),

que resulta no sistema



2B sin (√λπ) = 0 √

sin ( λπ) = 0 ⇐⇒ λ = n 2, n ∈ Ú.
2A sin ( λπ) = 0.

Consequentemente, encontramos que Θ pode ter as seguintes caras:


a0
Θ0 (θ) =
2
Θn (θ) = a n cos (nθ)
Θ2n (θ) = b n sin (nθ), λ n = n 2, n ≥ 0.

Vamos resolver, então,


r 2 R n′′ (r ) + r R n′ (r ) = n 2 R n (r ).

Página 111 de 158


Para isso, seja w (s) = R (e s ), tal que
dw dR dr
= ⇒ w ′ (s) = R ′ (e s )e s
ds dr ds
d2 w d ′ s s
2
= (R (e )e ) = R ′′ (e s )e s e s + R ′ (e s )e s
ds ds
= R ′ (e s )e 2s + R ′ (e s )e s .
Seja r = e s ; então, queremos
e 2s R (e s ) + e s R ′ (e s ) = λR (e s ) ⇐⇒ w ′′ (s) = λw (s), λ = 0 ou λ = n 2 .
Quando λ vale 0,
w ′′ (s) = 0 ⇒ w (s) = a + bs ⇒ R (r ) = w (ln (r )) = a + b ln (r )
e, quando λ vale n 2 ,
w ′′ (s) = n 2w (s) ⇒ w (s) = ae ns +be −ns ⇒ R (r ) = w (ln (r )) = ae n ln (r ) +be −n ln (r ) = ar n +br −n .
Em conclusão, no passo 2, obtivemos
v0 (r , θ) = a + b ln (r )
vn (r , θ) = (ar n + br −n ) cos (nθ)
v2n (r , θ) = (ar n + br −n ) sin (nθ),
mas ignoramos tanto o termo log quando o termo que tem uma potência negativa
pois estamos analisando apenas as soluções clássicas!
Passo 3:finalmente, no último passo, vamos resolver com a condição de contorno:

a0 Õ
v (r , θ) = + [a n r n cos (nθ) + b n r n sin (nθ)]
2 n=1

a0 Õ
g (θ) = v (1, θ) = + [a n cos (nθ) + b n sin (nθ)]
2 n=1
1 1
∫ π ∫ π
an = g (y ) cos (n y )dy, b n = g (y ) sin (n y )dy.
π −π π −π
Colocando tudo isso junto, obtemos a expressão (que nem cabe certinho na linha)

1
∫ π ∫ π ∫ π
rn
Õ   
v (r , θ) = g (y )dy+ g (y ) cos (n y )dy cos (nθ)+ g (y ) sin (y )dy sin (nθ)
π −π n=1
π −π −π

Voltando um pouco agora, lembre-se da outra forma de escrever seno e cosseno,


tal que a expressão para v pode ser vista como

Õ
v (r , θ) = c 0 + [c n r n e i nθ + c −n r n e −i nθ ]
n=1

Õ −1
Õ
= c0 + c n r n e i nθ + c n r −n e i nθ
n=1 n=−∞

Õ
= c n r |n | e i nθ .
n=−∞

Página 112 de 158


Desta forma,

1 π
Õ ∫
g (θ) = v (1, θ) = cn e i nθ
⇒ cn = g (y )e −i n y dy,
n=∞
2π −π

e chegamos à forma equivalente para v, dada por


∞ 
1
Õ ∫ π 
v (r , θ) = g (ψ)e −i nψ
dψ e i nθ r |n | .
n=−∞
2π −π

Logo,
∞ ∫ −1 ∫ π
1 Õ π i n (θ−ψ) n 1 Õ
v (r , θ) = e r g (ψ)dψ + e i n (θ−ψ) r −n g (ψ)dψ
2π n=0 −π 2π n=−∞ −π
∞ ∞
1 1
∫ π Õ  ∫ π Õ 
= n i n (θ−ψ)
r e g (ψ)dψ + r en −i n (θ−ψ)
g (ψ)dψ
2π −π n=0 2π −π n=0
1 1 1
∫ π ∫ π
e −i (θ−ψ) r
= g (ψ)dψ + g (ψ)dψ
2π −π 1 − r e i (θ−ψ) 2π −π 1 − r e −i (θ−ψ)
1 1 − r e −i (θ−ψ) + r e −i (θ−ψ) − r 2
∫ π
= g (ψ)dψ
2π −π (1 − r e i (θ−ψ) )(1 − r e −i (θ−ψ) )
1 1 − r2
∫ π
= g (ψ)dψ.
2π −π 1 + r 2 − 2r cos (θ − ψ)
em que este resultado final é um caso específico da chamada Fórmula de Poisson.
Ela pode ser reescrita ainda na forma de uma convolução com o núcleo de Poisson:
1 1 − r2
∫ π ∫ π
v (r , θ) = g (ψ)dψ = H r (θ − ψ) g (ψ)dψ
2π −π 1 + r 2 − 2r cos (θ − ψ) −π | {z }
Núcleo de Poisson

19.3 Consequências da Fórmula de Poisson.


Vamos nos concentrar no caso bidimensional; seja o problema, definido numa bola
aberta centrada em (a, b) e com raio R qualquer, dado por
∆u (x, y ) = 0, (x − a) 2 + (y − b) 2 ≤ R 2

.
u (x, y ) = g (x, y ), (x − a) 2 + (y − b) 2 = R 2
A pergunta que fazemos é “qual a solução para esse problema?”. Como já sabemos
estudar o caso da bola unitária, vamos fazer

x = a + R r cos (θ)
y = b + R r sin (θ)

e obtemos a equação de Laplace em B 1 (0); assim,


R2 − r 2 π

g (ψ)
v (r , θ) = 2 2

2π −π R + r − 2R r cos (θ − ψ)

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Teorema. Seja u : Ω ⊆ Ò2 → Ò uma função harmônica. Logo, para todo x em Ω
e raio R positivo tal que
B R (x 0 ) ⊆ Ω,
temos
1 1
∮ ∫ ∮
u (x ) = u (y )dS(y) = u (y )dS(y) = u (y )d y =
∂B R (x 0 ) comprimento(∂B R (x 0 )) ∂B R (x 0 ) B R (x 0 ) Área(B

Prova. Sabemos que, no fecho de B R (x 0 ), temos x 0 = (a, b) e

∆u (x, y ) = 0, (x − a) 2 + (y − b) 2 ≤ R 2

.
u (x, y ) = u (x, y ), (x − a) 2 + (y − b) 2 = R 2

Assim, temos

R2 − r2 π

u (a + R cos (ψ), b + R sin (ψ))
u (x (r , θ), y (r , θ)) = dψ, [r > 0,
2π −π R 2 − r 2 − 2r R cos (θ − ψ)
que é a fórmula de Poisson com

g (ψ) = u (a + R cos (ψ), b + R sin (ψ)) = u | ∂B R (x 0 ) .

Para r = 0, portanto,

R 2 π u (a + R cos (ψ), b + R sin (ψ))



u (a, b) = u (x (0, θ), y (0, t )) = dψ
2π −π R2
1
∫ π
= u (a + R cos (ψ), b + R sin (ψ))R dψ
2πR −π
1

= uds. ■
|∂B (x 0, r )| ∂B r (x 0 )

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20 Aula 20 - 21 de Maio, 2025
20.1 Motivações
• Consequências da Fórmula de Poisson;

• Princípio do Máximo Forte;

• Desigualdade de Harnack;

20.2 Consequências da Fórmula de Poisson.


Nosso objeto de estudo é a fórmula de Poisson, feita no contexto de uma bola de
centro (a, b) e raio R > 0:
∆u = 0, x ∈ B


u |∂ Ω = h
sendo que

R2 − r 2 π

h (ψ)
u (a + r cos (θ), b + r sin (θ)) = dψ.
2π −π R2 + r2 − 2r R cos (θ − ψ)
Colocando h = u | ∂B , temos

h (ψ) = u (a + R cos (ψ), b + R sin (ψ)).

Logo,

R2 − r 2 π

u (a + R cos (ψ), b + R sin (ψ))
u (a + r cos (ψ), b + r sin (ψ)) = dψ,
2πR −π R 2 + r 2 − 2r R cos (θ − ψ)
que pode ser reescrita por meio da substituição

γ (ψ) = (a + R cos (ψ), b + r sin (ψ)) R2 − r2


∫ ∫
u
uds = ds,
∥γ ′ ∥d ψ = R d ψ ∂B 2πR 2 2
∂B R − r − 2r R cos (θ − ψ)

onde ds = R d ψ. Além disso, note que, se considerarmos

x = (a + r cos (θ), b + r sin (θ)) & x ′ = (a + R cos (ψ), b + R cos (ψ)),

então

∥x − x ′ ∥ 2 = ∥(R cos (ψ) − r cos (θ), R sin (ψ) − r sin (θ))∥ 2


= (R cos (ψ) − r cos (θ)) 2 + (R sin (ψ) − r sin (θ)) 2
= R 2 cos2 (ψ) + r 2 cos2 (θ) − 2r R cos (ψ) cos (θ) + R 2 sin2 (ψ) + r 2 sin2 (θ) − 2r R sin (θ) sin (
= R 2 + r 2 − 2r R cos (θ − ψ) ⇒ r 2 = ∥x − p ∥ 2, p = (a, b).

Em conclusão, u pode ser escrita como

R 2 − ∥x − p ∥ 2 u (x ′)

u (x ) = 2
dS(x′),
2πR ∂B ∥x − x ∥′

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que é uma generalização da fórmula vista na aula passada que funciona para bolas
em qualquer dimensão finita. Uma das consequências é que, se x for igual a p, então
u (x ′) 1
∫ ∫
R
u (p) = dS(x ) =

u (x ′)dS(x′),
2π ∂B ∥p − x ′ ∥ 2 2πR ∂B
e portanto recuperamos o valor médio
1

u (p) = u (x ′)dS(x′).
|∂B | ∂B

Logo,
1 π

u (a, b) = u (a + r cos (θ), b + r sin (θ))r dθ, [r > 0, B r (a, b) ⊆ Ω,
2πr −π

sendo que

∂B = {(a + r cos (θ), b + r sin (θ)) : −π < θ ≤ π} & d S = r d θ.

Consequentemente,

1
∫ R ∫ R∫ π
r u (a, b)dr = u (a + r cos (θ), b + r sin (θ))dθdr,
0 2π 0 −π

ou seja,

R2 1 1
∬ ∬
u (a, b) = udx d y ⇐⇒ u (a, b) = udx d y ,
2 2π B R (a,b) πR 2 B

e novamente recuperamos o valor médio


1

u (p) = udx.
|B | B

A segunda consequência disso é o princípio do máximo forte:


Teorema (Princípio do Máximo Forte). Seja Ω um subconjunto aberto, conexo e
limitado de Ò2 , e seja u uma função de classe C 2 (Ω) tal que

∆u = 0.

Se x 0 for um ponto em Ω e tal que u (x 0 ) ≥ u (x ) para todo x em Ω, então

u (x ) = u (x 0 ), [x ∈ Ω.

Prova. Vamos definir


C B {x ∈ Ω : u (x ) = u (x 0 )},
que é não-vazio pois pelo menos o x 0 pertence a ele. Além disso, C é fechado em Ω,
já que se {x n }n for uma sequência de elementos de C que converge para o ponto x̃
em Ω, então
u ( x̃ ) = lim u (x n ) = lim u (x 0 ) = u (x 0 ),
n→∞ n→∞

Página 116 de 158


logo x̃ pertence também a C. Vale também que C é aberto; de fato, dado x̃ em C e
um r positivo tal que
B r ( x̃ ) ⊆ Ω,
temos
1 1
∫ ∫
u ( x̃ )dx = u ( x̃ ) = udx,
|B | B |B | B
de forma que

u ( x̃ ) − u (x ) dx = 0 ⇒ u (x ) = u ( x̃ ) = u (x 0 ), [x ∈ B r ( x̃ ).
B | {z }
≥0

Consequentemente,
B r ( x̃ ) ⊆ C.
Concluímos, com isso, que C é não-vazio, aberto E fechado no conexo Ω. Portanto,

C = Ω ⇒ u (x ) = u (x 0 ), [x ∈ Ω. ■

Veremos também a desigualdade de Harnack e o que resulta dela, dada por


Teorema (Desigualdade de Harnack). Seja u ∈ C 2 (Ò2 ) uma solução de

∆u = 0.

Então, para todo raio positivo tal que ∥x ∥ < R , valem as desigualdades
R − ∥x ∥ R + ∥x ∥
u (0) ≤ u (x ) ≤ u (0).
R + ∥x ∥ R − ∥x ∥

Prova. Tomemos o ponto X = (x, y ) de Ò2 ; sabemos que, pela fórmula de Poisson,

R 2 − ∥X ∥ 2 u (x ′)

u (X ) = ′ 2
dS.
2r R ∂B r (0) ∥x − x ∥

Colocando R = ∥x ′ ∥, segue que

R − ∥x ∥ = ∥x ′ ∥ − ∥x ∥ ≤ ∥x ′ − x ∥ ≤ ∥x ′ ∥ + ∥x ∥
≤ R + ∥x ∥.

Desta forma,
u (x ′)

(R + ∥x ∥)(R − ∥x ∥)
u (x ) = ′ 2
dS
2πR ∂B r (0) ∥x − x ∥
u (x ′)

(R + ∥x ∥)(R − ∥x ∥)
≤ 2
dS
2πR ∂B (R − ∥x ∥)
R + ∥x ∥ 1

= u (x ′)dS
R − ∥x ∥ 2πR ∂B
R + ∥x ∥
= u (0)
R − ∥x ∥

Página 117 de 158


e
u (x ′)

(R + ∥x ∥)(R − ∥x ∥)
u (x ) = ′ 2
dS
2πR ∂B r (0) ∥x − x ∥
u (x ′)

(R + ∥x ∥)(R − ∥x ∥)
≥ 2
dS
2πR ∂B (R + ∥x ∥)
R − ∥x ∥ 1

= u (x ′)ds
R + ∥x ∥ 2πR ∂B
R − ∥x ∥
= u (0).
R + ∥x ∥
Portanto,
R − ∥x ∥ R + ∥x ∥
u (0) ≤ u (x ) ≤ u (0). ■
R + ∥x ∥ R − ∥x ∥
Essa desigualdade em si não é muito legal, mas a consequência dela sim! É o
chamado
Teorema (Teorema de Liouville). Seja u uma função de classe C 2 (Ò2 ), sempre
não-negativa (u ≥ 0) e que satisfaça

∆u = 0.

Então, u é constante.
Prova. Pela Desigualdade de Harnack ,
R − ∥x ∥ R + ∥x ∥
u (0) ≤ u (x ) ≤ u (0), [∥x ∥ < R .
R + ∥x ∥ R − ∥x ∥
Fixando x e tomando o limite quando R tende a infinito, obtemos

u (0) ≤ u (x ) ≤ u (0) ⇒ u (x ) = u (0). ■

20.3 Uma Palavrinha sobre o Teorema da Divergência.


O teorema da Divergência no cálculo é visto em Ò3 como
∫ ∫
+ · F dx = F · ndS,
Ω ∂Ω

normalmente junto ao teorema de Green em Ò2


∫ ∬  
∂Q ∂P
P dx + Q dy = − dx dy .
S | {z } Ω ∂x ∂y
F1 dx +F2 d y | {z }
+·F dx d y

Com isso, colocando


(y ′ (t ), −x ′ (t ))
γ (t ) = (x (t ), y (t )), γ (t ) = (x (t ), y (t )), & n (t ) =
′ ′ ′ ′
,
∥(x ′ (t ), y ′ (t ))∥

Página 118 de 158


seguirá que
1
∫ ∫
F · ndS = (F1 y ′ − F 2 x ′) ∥(x ′, y ′)∥dt
∂Ω ∥(x ′, y ′)∥
∫∂ Ω
= F 1 dy − F 2 dx
∫∂ Ω
= P dx + Q dy,
∂Ω

e ele também pode ser visto como um teorema de integração por partes, já que,
supondo que temos um aberto em duas dimensões (mesma coisa para outras!), te-
remos
∫ ∫  
∂f ∂ ∂g
g dxdy = (f g ) − f dxdy
∂ Ω ∂x Ω ∂x ∂x
∫ ∫
∂g
=− f dxdy + + · (f g , 0)dxdy
∂x
∫Ω ∫Ω
∂g
=− f dxdy + f g n x dS,
Ω ∂x ∂Ω

em que usamos
∫ ∫ ∫
+ · (f g , 0)dxdy = (f g , 0) · (n x , n y )dS = f g n x dS.
Ω ∂Ω ∂Ω

Analogamente, para y, temos


∫ ∫ ∫
∂f ∂g
g dxdy = f g n y dS − f dxdy.
Ω ∂y ∂Ω Ω ∂y

Juntando as duas formas com F 1 e F 2 nos papeis de f e 1 no papel de g, recuperamos


o teorema da divergência:
∫ ∫ ∫ ∫
∂ F1 ∂ F2
+ dxdy = F1 n x + F 2 n y dS ⇐⇒ + · F dxdy = F · ndS.
Ω ∂x ∂y Ω Ω ∂Ω

Página 119 de 158


21 Aula 21 - 26 de Maio, 2025
21.1 Motivações
• Transformada de Fourier;
• Mais uma solução na Bola e no Retângulo.

21.2 Um pouco mais sobre Funções Harmônicas.


Teorema. Seja u uma função de classe C 2 (Ò2 ) tal que ∆u = 0 e u é limitada.
Então, u é constante.
Prova. Vamos mostrar que
∂x u = ∂y u = 0.
Com efeito, dado x ∈ B R (p),
R 2 − ∥x − p ∥ 2 u (x ′)

u (x ) = 2
ds(x′)
2πR ∂B R (p) ∥x − x ∥

u (x ′) R 2 − ∥x ∥ 2 2(x − x ′)u (x )
∫ ∫
−2(x − a)
= ′ ∥2
ds(x ′
) − ′ ∥2
ds(x′),
2πR ∂B R (p) ∥x − x 2πR ∂B R (p) ∥x − x
onde usamos que
1 1
∥x − p ∥ 2 = (x − a) 2 + (y − b) 2 ⇒ = .
∥x − x ′ ∥ 2 (x − x ′) 2 + (y − y ′) 2
Assim, se x = p, temos, no bordo, ∥x ′ − p ∥ 4 = R 4 e
R2 2(a − x ′)u (x ′)

∂x u (p) = − 4
ds(x′),
2πR ∂B R (p) R
tal que
≤R ≤M
1
∫ z }| { z }| {
|∂x u (p)| ≤ |a − x ′ | |u (x ′)| ds(x′)
R 3 π ∂R (p)

M
≤ ds(x′)
πR 2 ∂B R (p)
M 2M
= 2πR = , [R > 0.
πR 2 R
Como R foi tomado de forma arbitrária, a única forma da desigualdade acima ser
verdadeira é se
∂x u (p) = 0,
ou seja, se u for constante em x. De forma análoga, provamos que

∂y u (p) = 0,

concluindo que u é constante também em y. Portanto, u é uma função constante. ■

Página 120 de 158


Observação
O fato de podermos passar a derivada para dentro da integral logo no início
da prova vem do seguinte resultado:

Teorema. Seja u uma função de classe C 2 (Ò2 ) tal que ∆u = 0. Então,

u ∈ C ∞ (Ω)

Prova (Ideia da Prova). Em passadas rápidas, dado x em Ω, escolha p ∈ Ω


e R > 0 tais que
x ∈ B R (p) ⊆ B R (p) ⊆ Ω.
2

Com isso,
R 2 − ∥x − R ∥ 2 u (x ′)

u (x ) = ds(x′),
2πR ∂B R (p) ∥x − x ′ ∥ 2
| {z }
C ∞ (Ω)

mas como x pertence à bola B R (p), temos


2

u (x ′)
∫ ∫
j j
∂xk ∂y ′ 2
ds(x′) = u (x ′)∂xk ∂y (∥x − x ′ ∥ −2 )ds(x′)
∂B R (p) ∥x − x ∥ ∂B R (p)

pois
u (x ′)
(x, x ) ∈ ∂B R (p) × B R (p) ↦→
2 ∥x − x ′ ∥ 2
é limitada, com derivadas limitadas e C ∞ no espaço em que é definida. A ideia
aqui é que se temos uma função K que é C ∞ em (x,y), então

K (x + h, y , θ) − K (x, y , θ)
∫ π ∫ π
K (x, y , θ)dθ ⇒ dθ
−π −π h
∫ π∫ 1
= ∂x K (x + sh, y , θ)dsdθ
−π 0

e, assim,

K (x + h, y , θ) − K (x, y , θ)
π
∫ 
− ∂x K (x, y , θ) dθ =
−π h
∫ π ∫ 1 
= ∂x K (x + sh, y , θ) − ∂x K (x, y , θ)ds dθ. ■
−π 0

21.3 Transformada de Fourier.


A Transformada de Fourier é uma ferramenta fenomenal em qualquer problema que
ela aparece; aqui, nosso objetivo será vê-la no contexto das EDPs, com o objetivo

Página 121 de 158


de estudar o calor, a onda e a Laplace em Òn , ou seja, o calor em Òn

∂t (x, t ) = ∆u (x, t ), t ≥ 0, x ∈ Òn
 ∂u
,
u (x, 0) = u 0 (x ), x ∈ Òn

a onda em Òn
∂ 2u (x,t )
 ∂t 2 = ∆u (x, t ), t ∈ Òn , x ∈ Òn




u (x, 0) = u 0 (x ), x ∈ Òn
 ∂t (x, 0) = v0 (x ), x ∈ Òn
∂ u



e a equação de Laplace em Òn

∆u (x ) = 0, Òn+ = {x ∈ Òn : x n > 0}

.
u (x, 0) = u 0 (x ), x ∈ Òn−1

Olhando, por exemplo, para a de calor, a ideia base aqui é que nós sabemos que,
no caso unidimensional,

Õ
u (x, t ) = c n (t ) sin (nx ),
n=1

donde segue que, derivando,



∂ 2u
c n (t )(−n 2 ) sin (nx )
Õ
2
(x, t ) =
∂x n=1

∂u Õ
(t ) = c n′ (t ) sin (nx ),
∂t n=1

das quais obtivemos


2
c n′ (t ) = −n 2 c n (t ) ⇒ c n (t ) = e −t n c n (0).

Uma observação aqui é que saímos de uma derivada para uma multiplicação - a
derivada segunda com respeito a x pode ser obtida simplesmente multiplicando a
derivada com respeito a t por (−n 2 ). Com a transformada de Fourier, tentaremos
transformar, em geral
∂ 2u
⇝ −ξ 2û (ξ),
∂x 2
consequentemente transformando o problema

∂u ∂ 2u
= 2
⇝ û ′ (ξ, t ) = −ξ 2û (ξ, t ).
∂t ∂x
Tentaremos obter algo análogo à série de Fourier em Ò. Para isso, seja f : Ò → Ò
e suponha que f (x ) = 0 para |x | ≥ R . Se L for maior que R, então

1 L
Õ ∫
i nπ nπ
f (x ) = cn e L x , cn = f (y )e −i L y
dy, [|x | ≤ L.
n=−∞
2L −L

Página 122 de 158


Substituindo c n na soma por essa expressão, obtemos

1
Õ ∫ L
nπ nπ
f (x ) = f (y )e −i L y dye i L x .
n=−∞
2L −L

Agora, coloque
π π 1 1
∆ξ = , ξn = n∆ξ = n , & ∆ξ = ,
L L 2π 2L
tal que

1
Õ ∫ L
nπ nπ
f (x ) = f (y )e −i L y dye i L x
n=−∞
2L −L

1
Õ ∫ L
= f (y )e −i ξn y dye i ξn x ∆ξ
n=−∞
2π −L

1
Õ ∫ L
= f (y )e −i ξn y dye −i ξn x .
n=−∞
2L −L

Como f = 0 quando |x | ≥ L > R , segue que


∫ L ∫ ∞
f (y )e −i ξn y
dy = f (y )e −i ξn y dy.
−L −∞

Assim, definindo ∫ ∞
fˆ (ξn ) B f (y )e −i ξn y dy,
−∞
concluímos que

1 Õ ˆ
f (x ) = f (ξn )∆ξ,
2π n=−∞
que lembra um pouco a integral de Riemann do cálculo 1. Quando tendemos L ao
infinito, segue que ∆ξ tende a 0 e, consequentemente,

1
∫ ∞
f (x ) = e i ξx fˆ (ξ)dξ.
2π −∞
Este processo todo motivou a seguinte definição:

Definição. A transformada de Fourier da função f, onde f : Ò → Ã é uma


função, é definida como
∫ ∞
ˆ
F [f (ξ)] = f (ξ) = e −i ξx f (x )dx.
−∞

Além disso, a transformada de Fourier inversa é definida como

1
∫ ∞
−1 ˆ
F [f (x )] = e i ξx fˆ (ξ)dξ. □
2π −∞

Página 123 de 158


Exemplo 31. Seja

1,

|x | ≤ R
f (x ) = χ [−R,R ] (x ) = .
0, |x | > 0

Então,
∫ ∞ ∫ R
fˆ (ξ) = e −i ξx
χÒ (x )dx = e −i ξx dx
−∞ −R
e −i ξx R
=
−i ξ −R
1
= (e −i ξR − e i ξR )
−i ξ
2 e i ξR − e −i ξR
=
ξ 2i
2 sin (ξR )
= sin (ξR ) = 2 .
ξ ξ
Com isso, observe que ∫ ∞
sin (ξR )
dξ = ∞,
−∞ ξ
mas ∫ ∞
sin (ξR )
dξ,
−∞ ;
ou seja, a transformada de Fourier da função característica do intervalo [−R, R ] é
de classe L 2 .

Exemplo 32. Agora, considere a função

f (x ) = e −a |x | , a > 0.

Desta vez, temos


∫ ∞ ∫ 0 ∫ ∞
ˆ
f (ξ) = e −i ξx −a |x |
e dx = e −i ξx ax
e dx + e −i ξx e −ax dx
−∞ −∞ 0
∫ 0 ∫ ∞
= e x (a−i ξ) dx + e x (−a−i ξ) dx
−∞ 0
e x (a−i ξ) 0 e x (−a−i ξ) ∞
= +
a − i ξ −∞ −a − i ξ 0
1 1 a + iξ + a − iξ 2a
= + = = 2 .
a − i ξ a + i ξ (a + i ξ)(a − i ξ) a + ξ 2

Exemplo 33. Para o terceiro exemplo de transformada de Fourier, seja


2
f (x ) = e −ax , a > 0.

Página 124 de 158


Então, ∫ ∞
2
fˆ (ξ) = e −i x ξ e −ax dx.
−∞
Com isso,
∫ ∞
d ˆ d 2
f (ξ) = e −i x ξ−ax dx
dξ dξ
∫ ∞ −∞
2
= (−i x )e −i x ξ e −ax dx
−∞
1 d −ax 2
∫ ∞  
= −i e −i x ξ
− (e )dx
−∞ 2a dx
1
∫ ∞
d 2
= e −i x ξ (e −ax )dx
2a −∞ dx
i −i x ξ −ax 2 ∞ 1
∫ ∞
2
= e e − e −ax (−i ξ)e −i x ξ dx
2a −∞ 2a −∞
| {z }
=0
∫ ∞
ξ 2 ξ ˆ
=− e −i x ξ e −ax dx = − f (ξ).
2a −∞ 2a
Em conclusão,
ξ ξ2
fˆ′ (ξ) = − fˆ (ξ) ⇒ fˆ (ξ) = f (0)e − 4a .
2a
Na próxima aula, nosso tópico de estudos será exatamente a função fˆ (0), mas, um
pequeno spoiler de lá, teremos que calcular a integral
∫ ∞
2
ˆ
f (0) = e −ax dx.
−∞

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22 Aula 22 - 28 de Maio, 2025
22.1 Motivações
• Transformada de Fourier.

22.2 Transformada de Fourier: propriedades.


Dado f : Ò → Ã, definimos
∫ ∞
F [f (ξ)] = fˆ (ξ) = e −i x ξ f (x )dx
−∞

com a Transformada de Fourier9 da função f. Veremos algumas propriedades sobre


elas agora. Para isso, determinemos as seguintes notações:
• L 1 (Ò) : o espaço das funções integráveis; e
• L ∞ (Ò) : o espaço das funções “limitadas”,
de tal forma que nosso primeira propriedade possa ser vista como dizer que F é uma
função de L 1 em L ∞ .
Proposição. Se f : Ò → Ã é integrável, então F f é limitada e
∫ ∞
ˆ ˆ
∥ f ∥ L ∞ ≤ ∥f ∥ L 1 ⇐⇒ sup |f (ξ)| ≤ |f (x )|dx.
ξ∈Ò −∞

Prova. Dado ξ um número real qualquer, segue que


∫ ∞ ∫ ∞
ˆ
|f (ξ)| = e −i x ξ
f (x )dx ≤ |f (x )|dx.
−∞ −∞

Portanto, como ξ fora escolhida arbitrariamente,


∫ ∞
ˆ
sup |f (ξ)| ≤ |f (x )|dx. ■
ξ∈Ò −∞

Em segundo lugar, vemos que a Transformada de Fourier é uma transformação


linear
Proposição. A função F : L 1 (Ò) → L ∞ (Ò) é uma transformação linear.
Prova. Com efeito, basta notar que
∫ ∞
F (αf + β g )(ξ) = e −i x ξ (αf (x ) + β g (x ))dx
−∞
∫ ∞ ∫ ∞
=α e −i x ξ
f (x )dx + β e −i x ξ g (x )dx
−∞ −∞
= α F (f ) + β F (g ).
Às vezes, será escrito F [f ]; outras, F f , ou F (f ), ou apenas fˆ. Todas são a mesma coisa, mas
9

dependem um pouco (bastante) da minha preguiça de escrever.

Página 126 de 158


Proposição. Abaixo, estão listadas outras propriedades úteis:
i) F (f (x − a)) = e −i aξ fˆ (ξ) e F (e i ax f (x )) = fˆ (f − a);
ii) Para qualquer a > 0,
1ˆ ξ
 
F (f (ax )) = f ;
a a
iii) (MUITO IMPORTANTE): se f é uma função de classe C 1 e integrável
(f ∈ C 1 ∩L 1 ) tal que f (x ) tende a 0 quando x tende a ±∞, então a transformada
de Fourier leva derivadas em polinômios!
F (f ′ (x )) = i ξ fˆ (ξ).

iv) De forma análoga à propriedade acima, se xf e f são integráveis,


dfˆ (ξ)
F (xf (x )) = i

Prova. i): basta fazer a transformação de variáveis y = x − a e d y = dx no meio


das seguintes etapas:
∫ ∞ ∫ ∞
F (f (x − a)) = e −i x ξ
f (x − a)dx = e −i y ξ e −i aξ f (y )dy = e −i aξ fˆ (ξ).
−∞ −∞
Por outro lado,
∫ ∞ ∫ ∞
F (e i ax
f (x )) = e −i x ξ i ax
e f (x )dx = e −i x (ξ−a) f (x )dx = F f (ξ − a).
−∞ −∞
ii): dessa vez, transformamos y = ax e d y = adx , tal que
1 ∞ −i y ξ 1ˆ ξ
∫ ∞ ∫  
F (f (ax )) = e −i x ξ
f (ax )dx = e a f (y )dx = f .
−∞ a −∞ a a
iii): aqui, faremos uma aplicação da integração por partes:
∫ ∞ ∞ ∫ ∞
F (f ) =

e f (x )dx = e f (x )
−i x ξ ′ i xξ
− (−i ξ)e −i x ξ f (x )dx
−∞ −∞
∫ ∞ −∞
= iξ e −i x ξ f (x )dx.
−∞
iv): primeiramente, note que
d −i x ξ
i (e ) = i (−i x )e −i x ξ = x e −i x ξ .

Com isso,
∫ ∞ ∫ ∞
d −i x ξ
F (xf (x )) = e −i x ξ
xf (x )dx = i (e )f (x )dx
−∞ −∞ dξ
∫ ∞
d
=i e −i x ξ f (x )dx
dξ −∞
dfˆ (ξ)
=i

Página 127 de 158


Em geral, vale que, se f é de classe C k com todas as derivadas integráveis e com
todas as derivadas convergindo a 0 conforme |x | tende a ∞, então
 j 
df
F j
= (i ξ) j F (f ), j < k
dx

Além disso, se x j f é integrável para todo j ≤ k ,

dj fˆ
F (x j f ) = i j (ξ).
dξ j
Antes de continuar, vamos terminar o exemplo da aula passada
Exemplo 34. Como calcular a integral de
∫ ∞
2
e −ax dx, a > 0?
−∞

Para isso, seja ∫ ∞ ∫ ∞


−ax 2 2
I B e dx = e −a y dx,
−∞ −∞
tal que
∫ ∞  ∫ ∞  ∫ ∞∫ ∞
2 −ax 2 −a y 2 2 +y 2 )
I = e dx e dy = e −a (x dxdy.
−∞ −∞ −∞ −∞

Aqui, aplicamos a transformada

x = r cos (θ)

dx d y = r d r d θ,
y = r sin (θ)

que torna a expressão de I 2 em


∫ 2π ∫ ∞ ∞ ∞
1 −t
∫ ∫
2 −ar 2 −ar 2
I = e r drdθ = 2π re dr = 2π e dt
0 0 0 |{z} 0 2a
t =ar 2
d t =2ar d r
∫ ∞
π
= e −t dt
a 0

π
= (−e −t )
a 0
π
= .
a
Portanto, r
2π π
I = ⇒I = ,
a a
donde concluímos que r
−ax 2 π − ξ2
F (e )= e 4a .
a

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Nossa etapa seguinte será estudar a Transformada Inversa. Mais especificamente,
se f tem transformada de Fourier dada por
∫ ∞
fˆ (ξ) = e −i x ξ f (x )dx,
−∞

então
1 ∞

f (x ) = e i x ξ fˆ (ξ)dξ.
2π −∞

Teorema. Se f é uma função de classe C(Ò) ∩ L 1 (Ò) e fˆ é integrável, então

1
∫ ∞
f (x ) = e i x ξ fˆ (ξ)dξ
2π −∞
Prova. Basta fazer a conta e ver que

1 1
∫ ∞ ∫ ∞ ∫ ∞ 
i xξ ˆ
e f (ξ)dξ = e i xξ
e −i ξy
f (y )dy dξ
2π −∞ 2π −∞ −∞
| {z }
fˆ (ξ)
1 ∞ ∫ ∞
∫ 
= e i (x −y )ξ
dξ f (y )dy,
2π −∞ −∞

exceto que essa igualdade não vale! Afinal,

(y , ξ) ↦→ e i (x −y )ξ f (y )

não é integrável! Como resolver isso? Com limites!

1 1
∫ ∞ ∫ ∞ 
2

i xξ ˆ i x ξ − ε2 ξ 2 ˆ
e f (ξ)dξ = lim e e f (ξ) dξ
2π −∞ 2π −∞ ε→0
1
∫ ∞
ε2 2
= lim e i x ξ e − 2 ξ fˆ (ξ)dξ
2π ε→0 −∞
1
∫ ∞ 2
∫ ∞ 
i x ξ − ε2 ξ 2
= lim e e e −i ξy
f (y )dy dξ
2π ε→0 −∞ −∞
1
∫ ∞ ∫ ∞ 2

−i (y −x )ξ − ε2 ξ 2
= lim e e dξ f (y )dy.
2π ε→0 −∞ −∞

Note que

ε2 2 ε2 2

e −i (y −x )ξ e − 2 ξ dξ = F (e − 2 ξ )(y − x ),
−∞
que, como vimos nas propriedades da transformada de Fourier, pode ser reescrita
como r
ε2 2 2π − 22 (y −x ) 2 2π − (y −x2) 2
F (e − 2 ξ ) = e 4ε = e 2ε .
ε2 ε
Com isso, substituindo
y −x 1
z= & dz = dy,
ε ε

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podemos continuar a conta acima como
1 1
∫ ∞ ∫ ∞ ∫ ∞ 2

i xξ ˆ −i (y −x )ξ − ε2 ξ 2
e f (ξ)dξ = lim e e dξ f (y )dy
2π −∞ 2π ε→0 −∞ −∞
1 − (y −x2) 2
∫ ∞
= lim √ e 2ε f (y )dy
ε→0 −∞ 2πε
1
∫ ∞
z2
= lim √ e − 2 f (x − εz )dz
ε→0 2π −∞
1
∫ ∞
z2
=√ lim e − 2 f (x + εz )dz
 2π ∫ ∞
−∞ ε→0
1

2
− z2
= √ e dz f (x ) = f (x ). ■
2π −∞
Pelo Teorema acima, nossa definição da transformada de Fourier inversa como
1
∫ ∞
F (g )(x ) =
−1
e i x ξ g (ξ)dξ
2π −∞
ganhou sentido. Nesta linha, ganhamos a dupla de transformadas invertíveis

F −1 (F (f )) = f se f ∈ C(Ò) ∩ L 1 (Ò) & fˆ ∈ L 1 (Ò)


F (F −1 (f )) = f se f ∈ C(Ò) ∩ L 1 (Ò) & F −1 (f ) ∈ L 1 (Ò).

-1
Exemplo 35. Ache as transformadas de Fourier

1
   
sin (ax )
F 2 & F .
a + x2 x
Sabemos que
2a
F (e −a |x | ) = ,
a2 + ξ2
tal que
2a
 
e −a |x |
=F −1
.
a 2 + ξ2
Sendo assim,
1 ∞
2a 1 ∞
2a
∫ ∫
e i xξ
2 2
dξ = e −a |x | ⇝ e −i x ξ dx.
2π −∞ a +ξ |{z} 2π −∞ a2 + x2
x ↦→−ξ
ξ↦→x

Consequentemente,
1
 
π
F 2 2
= e −a |ξ| .
a +x a
Para a de seno, vimos na aula passada que
2 sin (aξ)
F (χ [−a,a] ) = ,
ξ

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donde concluímos que
2 sin (aξ)
 
χ [−a,a] (x ) = F −1
.
ξ
Logo,

1 2 sin (aξ)
∫ ∞
ei xξ dξ = χ [−a,a] (x )
2π −∞ ξ
1 2 sin (ax )
∫ ∞
⇐⇒ e −i x ξ dx = χ [−a,a] (ξ)
2π −∞ x
∫ ∞
sin (ax )
⇐⇒ e −i x ξ dx = πχ [−a,a] (ξ).
−∞ x
Portanto,  
sin (ax )
F = πχ [−a,a] (ξ).
x

Página 131 de 158


23 Aula 23 - 02 de Junho, 2025
23.1 Motivações
• Teorema de Parseval-Plancherel;

• Tabela de Transformadas;

• Convoluções.

23.2 Calculando com a Transformada de Fourier.


Definimos  ∫ ∞ 
2 2
L = f :Ò→Ã: |f (x )| dx < ∞ ,
−∞
o qual é um espaço vetorial com produto interno dado por
∫ ∞
⟨f , g ⟩ = f (x )g (x )dx
−∞
s∫

|f (x )| 2 dx.
p
∥f ∥ = ⟨f , f ⟩ =
−∞

Uma curiosidade é que, na verdade, este espaço é completo! Logo, é um espaço de


Hilbert!

Lembrete! Operador Unitário e Ortogonal


Um Operador Unitário U : Ãn → Ãn é tal que sua inversa é seu operador
adjunto, ou seja,

⟨U x, U y ⟩ = ⟨x, y ⟩ ⇐⇒ U −1 = U ∗ ⇔ U = U T (i .e. Ui j = U j i ).

Existe também o Operador Ortogonal Q : Òn → Òn , que ocorre quando

⟨Q x, Q y ⟩ = ⟨x, y ⟩ ⇐⇒ Q T = Q −1 .

A seguir, mostraremos que a transformada de Fourier, pode se tornar um ope-


rador unitário sob uma dilatação da sua regra de transformação.

Teorema (Parseval-Plancherel). Sejam f , g : Ò → Ã funções tais que todas elas e


suas transformadas são de classe L 1 (Ò), i.e.,

f , g , fˆ, ĝ ∈ L 1 (Ò);

em particular, elas são integráveis e limitadas, tornando-as de classe L 2 também.


Logo,

1) ⟨F f , F g ⟩ = 2π ⟨f , g ⟩
2) ∥F f ∥ 2 = 2π ∥f ∥ 2 .

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Prova. 1) Queremos provar que
∫ ∞ ∫ ∞
ˆ
f (ξ) ĝ (ξ)dξ = 2π f (x )g (x )dx.
−∞ −∞
Com efeito, basta notar que
1 ∞

g (x ) = e i x ξ ĝ (ξ)dξ,
2π −∞
tal que
∞ ∞
1
∫ ∫ ∫ ∞
 
2π f (x )g (x )dx = 2π f (x ) e i x ξ ĝ (ξ)dξ dx
−∞ −∞ 2π −∞
∫ ∞ ∫ ∞
= f (x ) e −i x ξ ĝ (ξ)dξdx
∫−∞∞ ∫−∞ ∞
= ˆ
g (ξ) e i x ξ f (x )dxdξ
∫−∞∞ −∞

= fˆ (ξ) ĝ (ξ)dξ = ⟨F f , F g ⟩ .
−∞
2) Para este, observe que
∥F f ∥ 2 = ⟨F f , F f ⟩ = 2π ⟨f , f ⟩ = 2π ∥f ∥ 2 . ■
Exemplo 36. 1) Sabemos já que
x2 √ ξ2
F (e − 2 ) = 2πe − 2 .
Logo,
∞ ξ2

x2
∫ ∫
2 2 2
∥F f ∥ = 2π ∥f ∥ ⇐⇒ 2π (e − 2 ) dξ = 2π (e − 2 ) 2 dx,
−∞ −∞
condizendo com o Teorema de Plancherel .
2) Agora, considere a transformada
2a
F (e −a |x | ) = , a > 0,
a2 + ξ2
para o qual
∥F f ∥ 2 = 2π ∥f ∥ 2 .
Assim, podemos calcular a integral
4a 2
∫ ∞ ∫ ∞
2 2 2
dξ = 2π e −2a |x | dx.
−∞ (a + ξ ) −∞
Aplicando o Teorema de Plancherel , segue que
e −2ax ∞ 1
∫ ∞ ∫ ∞
e −2a |x |
dx =2 e −2ax dx = 2 =
−∞ 0 −2a 0 a
1
∫ ∞
π
⇒ dξ =
(a 2 + ξ 2 ) 2 2a 3
∫−∞∞
1 π
⇒ 2 2
dx = .
−∞ (1 + x ) 2

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3) Vamos ver ainda outra forma de chegar em π, dessa vez usando

2 sin (aξ)
F (χ [−a,a] ) = , &∥F f ∥ 2 = 2π ∥f ∥ 2 .
ξ
Neste caso,

2 sin (aξ) 2
∫ ∫ ∞
2
dξ = 2π χ [−a,a] dx
−∞ ξ −∞
∫ ∞ ∫ a
2
χ [−a,a] (x )dx = 1dx = 2a
−∞ −a
sin2 (aξ)
∫ ∞
4 dξ = 2π2a.
−∞ ξ2
Portanto,

sin2 (aξ) ∞
sin2 (x )
∫ ∫
dξ = πa ⇒ dx = π.
−∞ ξ2 |{z} −∞ x2
a=1

Observação
A igualdade
∥F f ∥ 2
nos permite estender a transformada de Fourier a um operador bijetor

F : L 2 (Ò) → L 2 (Ò).

A igualdade
∥F f ∥ 2 = 2π ∥f ∥ 2
continua valendo para qualquer f em L 2 (Ò).
A forma de fazer esta extensão é, dada uma função f ∈ L 2 (Ò),
∫ R
F f B lim e i x ξ f (x )dx .
R →∞ −R
| {z }
fˆR

Este limite é tal que


lim ∥F f − fˆR ∥ = 0.
R →∞

Antes de passarmos para o próximo tópico, o das convoluções, vamos montar


uma tabela de analogia entre séries de Fourier e Transformadas de Fourier.

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Analogia
Série ∫ Transformada
f (x )dx f : Ò → Ã, fˆ (ξ) = −∞ e −i x ξ f (x )dx
1 π −i nx ∫∞
f : [−π, π] → Ã, c n = 2π −π e
f ∈ L 2 (−π, π) ↦→ (c n )n∈Ú f ∈ L 2 (Ò) ↦→ fˆ ∈ L 2 (Ò)

Dado fˆ, f (x ) = 2π e i x ξ fˆ (ξ)dξ
1
∫∞
Dado c n , f (x ) = c n e i nx
Í
−∞
n=−∞
Fórmula de Parseval Teorema de Plancherel

Tabela 2: Analogia entre Série e Transformada de Fourier

23.3 Convoluções.
Definição. Sejam f , g : Ò → Ã. Definimos a convolução de f e g como a função
f ∗g :Ò→Ã
∫ ∞
f ∗ g (x ) = f (x − y )g (y )dy,
−∞

Observação
A convolução funciona com

1) f integrável, g limitada (vice-versa);

2) f, g de classes L 2 (Ò), etc;

3) f de classe L 1 (Ò), g de classe L 2 (Ò), etc.

Proposição (Propriedades da Convolução.). Dadas duas funções f , g : Ò → Ã, a


convolução delas satisfaz:
i) f ∗ g = g ∗ f
i i ) f ∗ (αg + β h) = af ∗ g + β f ∗ h, [α, β ∈ Ã;
i i i ) f ∗ (g ∗ h) = (f ∗ g ) ∗ h;
d
iv) (f ∗ g ) = f ′ ∗ g = f ∗ g ′ .
dx
Prova. i) Fazemos a conta
∫ ∞ ∫ ∞ ∫ ∞
f ∗g = f (x − y )g (y )dy = f (z )g (x −z )dz = g (x − y )f (y )dy = g ∗f .
−∞ |{z} −∞ −∞
z =x −y
d z =d y

ii) Para este, temos


∫ ∞
f ∗ (αg + β h)(x ) = f (x − y )(αg (y ) + β h (y ))dy
−∞
∫ ∞ ∫ ∞
=α f (x − y )g (y )dy + β f (x − y )h (y )dy
−∞ −∞
= αf ∗ g (x ) + β f ∗ h (x ).

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iii) Agora, usaremos a propriedade (i) e obtemos
∫ ∞
f ∗ (g ∗ h)(x ) = f ∗ (h ∗ g )(x ) = f (x − y )(h ∗ g )(y )dy
−∞
∫ ∞ ∫ ∞ 
= f (x − y ) h (y − z )g (z )dz dy
−∞ −∞
∫ ∞ ∫ ∞ 
= f (x − y )h (y − z )g (z )dy dz
−∞ −∞
∫ ∞ ∫ ∞ 
= f (w )h (x − w − z )g (z )dw dz,
−∞ −∞
w = x − y, z = z.

Por outro lado,


∫ ∞ ∫ ∞∫ ∞
(f ∗ g ) ∗ h (x ) = (f ∗ g )(x − y )h (y )dy = f (x − y − z )g (z )dzh (y )dy
−∞
∫−∞∞ ∫−∞∞ 
= f (x − y − z )g (z )h (y )dy dz
∫−∞∞ ∫ −∞

= f (w )g (z )h (x − w − z )dwdz,
−∞ −∞
w = x − y − z, z = z .

Logo,
f ∗ (g ∗ h)(x ) = (f ∗ g ) ∗ h (x ).
iv) Para esta, supondo que existam as derivadas e integrais necessárias, por um
lado temos
∫ ∞ ∫ ∞
d d
f (x − y )g (y )dy = f (x − y )g (y )dy = f ′ ∗ g (x ),
dx −∞ −∞ dx
enquanto que, por outro, podemos usar a propriedade (i) a fim de obtermos
d d
(f ∗ g ) = (g ∗ f ) = g ′ ∗ f = f ∗ g ′ . ■
dx dx
Agora, veremos como as convoluções se relacionam com as transformadas de
Fourier.
Proposição (Transformadas de Fourier e Convoluções). Considere funções f , g :
Ò → Ã bem comportadas (por exemplo, de classe L 2 ). Então,

F (f ∗ g ) = F f F g ;
F −1 (f ∗ g ) = 2π (F −1f )(F −1 g ).

Prova. Para isso, note que


∫ ∫ ∫ 
F (f ∗ g ) = e −i x ξ
f ∗ g (x )dx = e −i x ξ
f (x − y )g (y )dy dx,

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sendo que
e −i x ξ = e −i (x −y )ξ e −i y ξ ,
resultando na continuação das igualdades acimas como:
∫ ∫ 
F (f ∗ g ) = e −i x ξ
f (x − y )g (y )dy dx
∫ ∫
= e −i (x −y )ξ e −i y ξ f (x − y )g (y )dydx
∫ ∫
= e −i (x −y )ξ f (x − y )e −i y ξ g (y )dydx
∫ ∫
= e −i z ξ f (z )e −i y ξ g (y )dydz
∫ ∫
= e −i z ξ
f (z )dz e −i y ξ g (y )dy = F f F g .

Por outro lado, para a transformada inversa,


1

F (f ∗ g ) =
−1
e i x ξ f ∗ g (x )dx

1
∫ ∫
= e i xξ
f (x − y )g (y )dydx

1
∫ ∫
= e i (x −y )ξ f (x − y )e i y ξ g (y )dydx

1
∫ ∫
= izξ
e f (z )dz e i y ξ g (y )dy

1 1
 ∫  ∫ 
= 2π izξ
e f (z )dz e g (y )dy .
i yξ
2π 2π

Portanto,
F −1 (f ∗ g ) = 2πF −1f F −1 g . ■

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24 Aula 24 - 04 de Junho, 2025
24.1 Motivações
• Convolução;
• Núcleo do Calor

24.2 Convolução e Mais Transformada de Fourier


Começamos esta aula apresentando uma versão “invertida” da proposição que fina-
lizou a aula passada, isto é, vimos que
Proposição (Transformadas de Fourier e Convoluções). Considere funções f , g :
Ò → Ã bem comportadas (por exemplo, de classe L 2 ). Então,
F (f ∗ g ) = F f F g ;
F −1 (f ∗ g ) = 2π (F −1f )(F −1 g ).
Agora, provaremos
Proposição. Considere funções f , g : Ò → Ã bem comportadas (por exemplo, de
classe L 2 ). Então,
F −1 (f g ) = F −1f ∗ F −1 g ;
2π (F f g ) = F (f ) ∗ F (g ).

Prova. Sejam f˜ = F −1f e g̃ = F −1 g . Já sabemos que F (f˜ ∗ g̃ ) = F (f˜)F ( g̃ ). Com


isso, note que podemos escrever esta igualdade como
F (F −1 (f ) ∗ F −1 (g )) = f g ,
donde concluímos que, apilcando a transformada inversa nos dois lados,
F −1 F (F −1 (f ) ∗ F −1 (g )) = F −1 (f g ).
Logo,
F −1 (f g ) = F −1 (f ) ∗ F −1 (g ).
Por outro lado, denote por fˆ = F f e ĝ = F g . Temos, então, a relação
F −1 (fˆ ∗ ĝ ) = 2πF −1 (fˆ)F −1 ( ĝ ),
que é equivalente, destrinchando as formas de fˆ e ĝ , à igualdade
F −1 (F f ∗ F g ) = 2πf g .
Em conclusão, aplicando F em ambos os lados,
F F −1 (F f ∗ F g ) = 2πF (f g ).
Portanto,
2πF (f g ) = F f ∗ F g . ■

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Tendo este ferramental, podemos falar das etapas quando a transformada de
Fourier for aplicada a um problema; seguiremos o seguinte roteiro:

Passo 1) Aplicamos a transformada F para transformar derivadas em polinômio;

Passo 2) Resolvemos a equação mais fácil e encontramos a solução transformada û;

Passo 3) Usamos a convolução para simplificar a solução, transformando duas integrais


em uma só.

Exemplo 37. Considere a equação

d2u
− (x ) + u (x ) = f (x ), x ∈ Ò.
dx 2
Encontremos uma solução dela.
Passo 1: Aplicamos a transformada de Fourier à equação acima, obtendo

F (−u ′′) + F (u) = F (f ).

Com isso, vale lembrar que, contanto que a u e sua derivada tenham um crescimento
controlado, isto é,
x →±∞ x →±∞
u (x ) −→ 0 & u ′ (x ) −→ 0,
então valem as relações
 
du
F = ξû (ξ)
dx
 2 
du
F 2
= −ξ 2û (ξ).
dx

De fato, basta aplicar a integração por partes duas vezes para ver a validade delas:
∫ ∞ ∞ ∫ ∞
F (u ) =
′′
e u (x ) dx = u (x ) e
−i x ξ ′′ ′ −i x ξ
− (−i ξ)e −i x ξ u ′ (x ) dx
−∞ |{z} |{z} |{z} |{z} −∞ −∞ | {z } |{z}
g f′ f g g′ f
∫ ∞  ∞ ∫ ∞ 
= iξ e u (x ) dx = i ξ u (x ) e
−i x ξ ′
− −i x ξ
(−i ξ)e −i x ξ
u (x ) dx
−∞ |{z} |{z} |{z} |{z} −∞ −∞ | {z } |{z}
v w′ w v v′ w
2 2
= (i ξ) û (ξ) = −ξ û (ξ).

Passo 2: Vamos resolver a equação

(1 + ξ 2 )û (ξ) = fˆ (ξ),

que nos dá a forma de û


fˆ (ξ)
û (ξ) = .
1 + ξ2

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Passo 3: Temos
1 ∞
1 ∞
fˆ (ξ)
∫ ∫
u (x ) = F −1
(û) = e i xξ
û (ξ)dξ = ei xξ dξ,
2π −∞ 2π −∞ 1 + ξ2
totalizando duas integrais – uma advinda de fˆ, outra de F −1 (û). Note que
1 ˆ 1
   
u (x ) = F −1
f (ξ) = F −1
∗ F −1 (fˆ).
1 + ξ2 1 + ξ2
Além disso, sabemos que
2
F (e −|x | ) = ,
1 + ξ2
donde concluímos
1 −1 1 2 1 −|x |
   
F −1
= F = e .
1 + ξ2 2 1 + ξ2 2
Logo, temos
1 1
 
u (x ) = F −1
2
∗ F −1 (fˆ) = e −|x | ∗ f (x ).
1+ξ 2
Portanto,
1 ∞

u (x ) = e −|x −y | f (y )dy.
2 −∞

Observação

É possível obter estimativas sobre u usando Plancherel , a qual afirma que

2π ∥u ∥ 2 = ∥û ∥ 2 .

A partir disso,

2π ∥u ∥ 2 = ∥û ∥ 2 = .
1 + ξ2
Consequentemente, como 1 + ξ 2 ≥ 1,

1 ∞ fˆ (ξ) 2
∫ ∫
2
|u (x )| dx = dξ
−∞ 2 −∞ 1 + ξ 2
1
∫ ∞
≤ |fˆ (ξ)| 2 dξ
2π −∞
∫ ∞
= |f (x )| 2 dx
−∞

24.3 Núcleo do Calor


Retomemos nossa (talvez nem tão) querida amiga, a equação do calor
∂ 2u
∂t (x, t ) = ∂x 2 (x, t ), t > 0, x ∈ Ò
 ∂u

u (x, 0) = u 0 (x ), x ∈Ò

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e vamos supor que u e suas derivadas vão a zero no infinito e que u 0 é de quadrado
integrável em Ò. Iremos estudar suas soluções com nossas novas ferramentas da
caixa: a transformada de Fourier e a convolução.
Passo 1: começamos aplicando a transformada F apenas na variável x, obtendo
∫ ∞
û (ξ, t ) B e −i x ξ u (x, t )dx.
−∞

Assim, aplicando a transformada na equação e no problema inicial, temos


   
 F ∂ u (x, t ) = F ∂ 2u2 (x, t )


,

∂t ∂x
 F (u (x, 0)) = F (u 0 (x ))


dos quais tiramos
  ∫ ∞ ∫ ∞
∂u −i x ξ ∂u ∂ ∂ û
F (x, t ) = e (x, t )dx = e −i x ξ u (x, t )dx = (ξ, t )
∂t −∞ ∂t ∂t −∞ ∂t
∫ ∞
F (u (x, 0)) = e i x ξ u (x, 0)dx = û (ξ, 0)
−∞
F (u 0 (x )) = û (ξ)
 2  ∫ ∞ 2 ∫ ∞
∂ u −i x ξ ∂ u 2
F = e (x, t )dx = (−i ξ) − e −i x ξ u (x, t )dx = −ξ 2û (ξ, t ).
∂x 2 −∞ ∂x 2
−∞

Ao fim, obtemos o seguinte problema com condição inicial:


2
∂t (ξ, t ) = −ξ û (ξ, t ), t > 0, ξ ∈ Ò
 ∂ û
.
û (ξ, 0) = û 0 (ξ), ξ∈Ò

Passo 2: vamos resolver a versão facilitada da equação. Segue que


∂ û 2
(ξ, t ) = −ξ 2û (ξ, t ) ⇒ û (ξ, t ) = C (ξ)e −ξ t
∂t
û (ξ, 0) = û 0 (ξ) & û (ξ, 0) = C (ξ) ⇒ C (ξ) = û 0 (ξ).

Em conclusão,
2
û (ξ, t ) = û 0 (ξ)e −ξ t ,
e podemos novamente reverter a transformada para ver qual seria a solução. Com
efeito,
1 1
∫ ∞ ∫ ∞
2
u (x, t ) = F (û (ξ, t )) =
−1
e û (ξ, t )dξ =
i xξ
e i x ξ e −ξ t û 0 (ξ)dξ
2π −∞ 2π −∞
Passo 3: podemos finalmente passar ao último passo e simplificar essa solução
com a convolução. Sabemos que
2 2
u (x, t ) = F −1 (e −ξ t û 0 (ξ)) = F −1 (e −ξ t ) ∗ F −1 (û 0 ),

mas note como


F −1 (û 0 ) = F −1 (F (u 0 )) = u 0,

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o que leva a uma parte da convolução. Para a outra, começamos por
√ ξ2
 
2
− x2
F e = 2πe − 2 .

Logo,
ξ2 1
 
x2
F −1
e − 2 =√ e− 2 .

No entanto, existe uma variável t na original. Com base no que fora feito acima,
vemos que

1 1
∫ ∞ ∫ ∞
i √x y y 2 dy
i x ξ −t ξ 2
e e dξ = e 2t e − 2 √
2π −∞ 2π −∞ 2t
 
∫ ∞ i √x ξ 2 
1 1

2t ξ
= e e − 2 dξ √
2π −∞ 2t
1 1 1
 2 
ξ x x2
⇐⇒F −1 e − 2 √ √ = √ √ e − 4t .
2t 2t 2t 2t
Em conclusão,
2 1 − x2
F −1 (e −t ξ )(x ) = √ e 4t ,
4t π
e podemos escrever a solução u como

1 − x2 1
∫ ∞
(x −y ) 2
 
−1 −ξ 2 t
u (x, t ) = F (e ) ∗ F (u 0 ) = √
−1
e 4t ∗ (u 0 (x )) = √ e − 4t u 0 (y )dy.
4πt 4πt −∞
Com base nisso, diremos que

Definição. O Núcleo do Calor é a função

x2
(
√ 1 e − 4t , t >0
K t (x ) = K (x, t ) = 4πt □
0, t ≤0

Ela leva este nome pois uma solução qualquer da equação do calor pode ser
escrita justamente como uma convolução do núcleo com a condição inicial:

u (x, t ) = K t ∗ u 0 (x ).

Exemplo 38. Considere a condição inicial

1 2
u 0 (x ) = √ e −x .
π
9
Reflita sobre como isso é útil! Basta saber a condição inicial pra ter a solução!

Página 142 de 158


Então,

1 ∞ (x −y ) 2 1

2
u (x, t ) = √ e − 4t √ e −y dy
4πt ∫−∞ π
1 ∞
x 2 2x y y 2 2
= √ e − 4t + 4t − 4t −y dy
π 4t −∞
1
∫ ∞
x2 x2 1+4t x
2
=√ e − 4t + 4t (1+4t ) − 4t y − 1+4t dy
4t π −∞ ∫
1 − x2 ∞
1+4t 2
=√ e 1+4t e − 4t y dy
4t π −∞

1 − x2 4t √ 1 x2
=√ e 1+4t √ π =p e − 1+4t .
4t π 1 + 4t (1 + 4t )π

Uma outra maneira de obter isso é fazermos


ξ2
 
−ξ 2 t −ξ 2 t −
u (x, t ) = F −1
(e û 0 (ξ)) = F −1
e e 4

  
− t + 41 ξ 2
=F −1
e
1 x2
=p e − 1+4t .
π (4t + 1)

Tendo em mãos esta ferramenta nova, é importante olharmos para algumas de


suas propriedades.

Proposição (Propriedades do Núcleo do Calor). Dado x real e t positivo, valem as


seguintes propriedades para o Núcleo do Calor:

∂ 2K
∫ ∞
∂K
I) = ; II) K (x, t )dx = 1.
∂t ∂x 2 −∞

Prova. Tomando x real e t positivo, segue que, sobre o item I,


 2
∂K 1 1 − 3 − x2 x 1 − x2
= − √ t 2 e 4t + √ e 4t .
∂t 2 4π 4t 2 4πt

Por outro lado,

1 2x − x 2
 
∂K
=√ − e 4t
∂x 4πt 4t
∂ 2K 1 1 − x2 1 x 2x − x 2
   
=√ − e 4t − √ − e 4t .
∂x 2 4πt 2t 2 4πt t 4t

Portanto,
∂K ∂ 2K
= .
∂t ∂x 2

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Com relação ao item II, note que

1
∫ ∞ ∫ ∞
x2
K (x, t )dx = √ e − 4t dx
−∞ 4πt ∫−∞
1 ∞
2√ x
=√ e −s 4t ds, [s = √ ]
4πt∫ ∞−∞ 4t
1 2
=√ e −s ds = 1. ■
π −∞

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25 Aula 25 - 09 de Junho, 2025
25.1 Motivações
• Núcleo do Calor - Propriedades;

• Equação da Onda com Fourier;

• Equação de D’Alembert.

25.2 Propriedades do Núcleo do Calor.


Com relação à última aula, é possível verificar que u (x, t ), dada por
2
u (x, t ) = F −1 (e −t ξ û 0 ) = K t ∗ u 0,

converge para u 0 (x ) quando t tende a 0? A resposta é que sim! Temos


1 1
∫ ∞ ∫ ∞ √ √
(x −y ) 2 2
u (x, t ) = √ e − 4t
u 0 (y )dy = √ e −z u 0 (x − 4t z ) 4t dz
4πt −∞ |{z} 4πt −∞
x −y
z= √
√ 4t
− 4t d z =d y

1 ∞ √ t →0

2
=√ e −z u 0 (x − 4t z )dz −→ 0.
π −∞

Portanto,
1
t →0 ∞

2
(x, t ) → √ e −z dzu 0 (x ) = u 0 (x ).
π −∞
Além disso, a u é se u é limitada, já que
C∞

1 − (x −y ) 2 1 − (x −y ) 2
∫ ∞ ∫ ∞  
j k j
∂x ∂z √ e 4t u 0 (y )dy = k
∂x ∂x √ e 4t u 0 (y )dy,
−∞ 4πt −∞ 4πt
pois K (x − y , t )u 0 (y ) é integrável, assim como suas derivadas. Em particular,

∂u ∂ 2u ∂2
∫ ∞ 

− = (K (x − y , t )) − (K (x − y , t )) u 0 (y )dy
∂t ∂x 2 −∞ ∂t ∂x 2
∂K ∂ 2K
= (x − y , t ) − (x − y , t ) = 0,
∂t ∂x 2
indicando que u satisfaz a equação do calor.
Com uma aplicação da fórmula de Plancherel , chegamos em
∫ ∞ ∫ ∞
2 2
2π |u (x, t )| dx = e −2ξ t |u 0 (ξ)| 2 dξ,
−∞ −∞

tal que se u é uma função de quadrado integrável e t tende a infinito, a função tende
a 0 – ela “dispersa”
9
A justificativa disso requer o curso de teoria da medida.

Página 145 de 158


Um resumão de tudo que vimos até o momento sobre o calor é que uma solução
u tem forma
u (x, t ) = F −1û (ξ, t ),
com ∫ ∞
−ξ 2 t
û (ξ, t ) = e û 0 (ξ) & u (x, t ) = K (x − y , t )u 0 (y )dy
−∞
x2
e que, além disso, K (x, t ) = √ 1 e − 4t é o núcleo do calor, o qual satisfaz
4πt

∂K ∂ 2K
= & K (x, 0) = δ 0 (x ).
∂t ∂x 2
Observação
No estudo das EDOs, vimos a exponencial de uma matriz A ∈ Ín,n (Ò) como
solução para
x ′ (t ) = Ax (t )

x (t ) = e t A x 0 .
x (0) = x 0
Podemos fazer um análogo nas EDPs para o problema do calor:

∂t = ∆u
∂u

u (t ) = e t ∆u 0,
u (0) = u 0

onde ∆ é o Laplaciano e escrevemos daquela forma para


2
e t ∆u 0 = F −1 (e −t ξ û 0 ) = K t ∗ u 0 .

Como
K t ∗ K s = K t +s ,
segue que
e t ∆ e s∆u 0 = K t ∗ (K s ∗ u 0 ) = K t +s ∗ u 0 = e (t +s)∆u 0 .

25.3 A Equação da Onda: Versão com Fourier.


Estudamos o problema
∂ 2u ∂ 2u
 ∂t 2 (x, t ) = ∂x 2 (x, t ), x ∈ Ò, t ∈ Ò



u (x, 0) = u 0 (x ), x ∈Ò
 ∂ u (x, 0) = v (x ),

x ∈Ò
 ∂t 0
e supomos que
∂u ∂u ∂ 2u
u ∈ C 2 (Ò2 ), u, , ,
∂t ∂x ∂x 2
são todas integráveis, com
|x |→∞ |x |→∞
∂u
u (x, t ) −→ 0 & (x, t ) −→ 0.
∂x
A forma para resolver isto com a transformada será pelos passos

Página 146 de 158


Passo 1) Aplicar F em x e achar a equação mais fácil;

Passo 2) Resolver a equação mais fácil;

Passo 3) Usar convolução para simplificar.

No primeiro passo, segue que


 2  ∫ ∞ 2 ∂2
∫ ∞
∂ u −i x ξ ∂ u
F 2
= e 2
(x, t )dx = 2 e −i x ξ u (x, t )dx
∂t −∞ ∂t ∂t −∞
∂ 2û
= (ξ, t ).
∂t 2
Por outro lado,
 2  ∫ ∞ 2 ∫ ∞ ∞
∂ u −i x ξ ∂ u ∂u
F 2
= e 2
(x, t ) dx = − (−i ξ)e −i x ξ (x, t )dx + f g
∂x −∞ |{z} ∂x −∞ ∂x −∞
f | {z }
g
∫ ∞ ∞
2 −i x ξ
= (−i ξ) e u (x, t )dx + f g
−∞ −∞
2 2
= (i ξ) û (ξ, t ) = −ξ û (ξ, t ).

Assim, passamos de uma EDP temporal para uma EDO da mola para cada ξ fixo:
∂ 2û 2
 ∂t 2 (ξ, t ) = −ξ û (ξ, t ), t ∈ Ò, ξ ∈ Ò


.

û (ξ, 0) = û 0 (ξ), ξ∈Ò
 ∂ û (ξ, 0) = v̂ (ξ),

ξ∈Ò
 ∂t 0

Finalizado o passo 1, podemos passar para o 2 e resolver esta EDO:


√ √
x ′′ = −λx ⇒ x = A cos ( λx ) + B sin ( λx ).

Como
∂ 2û
= −ξ 2û (x, t ),
∂t 2
então
û (ξ, t ) = A(ξ) cos (ξt ) + B (ξ) sin (ξt ),
tal que, usando a condição inicial,

û (ξ, 0) = A(ξ) ⇒ A(ξ) = û 0 (ξ)


∂ û
(ξ, t ) = −A(ξ)ξ sin (ξt ) + B (ξ)ξ cos (ξt )
∂t
∂ û v̂0 (ξ)
(ξ, 0) = B (ξ)ξ ⇒ B (ξ)ξ = v̂0 (ξ) ⇒ B (ξ) = .
∂t ξ
Em conclusão,
sin (ξt )
û (x, t ) = cos (ξt )û 0 (ξ) + v̂0 (ξ),
ξ

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que dá como solução
1 ∞
∫  
sin (ξt )
F −1
(û) = u (x, t ) = e i xξ
cos (ξt )û 0 (ξ) + v̂0 (ξ) dξ.
2π −∞ ξ
Finalmente, no passo 3, simplificaremos a expressão acima. Note que
 
−1 sin (ξt )
F (û) = F (cos (ξt )û 0 (ξ)) + F
−1 −1
v̂0 (ξ) .
ξ
Assim, a primeira parte da expressão pode ser trabalhada a fim de obtermos
+ e −i ξt
 i ξt 
−1 e
F (cos (ξt )û 0 (ξ)) = F
−1
û 0 (ξ)
2
1 1 1
 ∫ ∞ ∫ ∞ 
= e i x ξ+i ξt
û 0 (ξ)dξ + e i x ξ−i ξt
û 0 (ξ)dξ
2 2π −∞ 2π −∞
1 1 1
 ∫ ∞ ∫ ∞ 
= e i ξ (x +t )
û 0 (ξ)dξ + e i ξ (x −t )
û 0 (ξ)dξ
2 2π −∞ 2π −∞
1 1
= (F −1 (û 0 )(x + t ) + F −1 (û 0 )(x − t )) = (u 0 (x + t ) + u 0 (x − t )).
2 2
Para a parte do seno, vimos que
2 sin (aξ) 1 1
   
sin (t ξ) −1 sin t ξ
F (χ [−a,a] ) = ⇐⇒ F χ [−t ,t ] = ⇒F = χ [−t ,t ] .
ξ 2 ξ ξ 2
Logo,
   
sin (t ξ) −1 sin (t ξ)
F −1
v̂0 (ξ) = F ∗F −1 (v̂0 (ξ))
ξ ξ
| {z }
1
χ [ −t ,t ] (x )
∫2
1 ∞
= χ [−t ,t ] (x − y )v0 (y )dy
2 −∞
1 x +t

= v0 (y )dy.
2 x −t
Para simplifcar ainda mais, vamos supor que exista uma primitiva de v0 denotada
por V0 : Ò → Ò. Logo, pelo Teorema Fundamental do Cálculo,
1 x +t 1

v0 (y )dy = (V0 (x + t ) − V0 (x − t )).
2 x −t 2
Portanto, chegamos na chamada Fórmula de D’Alembert:
1 1
u (x, t ) = (u 0 (x + t ) − u 0 (x − t )) + (V0 (x + t ) + V0 (x − t )) ,
2 2
que basicamente diz que as soluções da Equação da Onda são compostas por uma
onda movendo-se para a esquerda e/ou uma movendo-se para a direita, respectiva-
mente dadas por
1 1 1 1
u 0 (x − t ) − V0 (x − t ) & u 0 (x + t ) + V0 (x + t ).
2 2 2 2

Página 148 de 158


Agora, vamos usar o Plancherel aqui e obteremos
2 2 2
∞ ∞
∂u 2 ∂ û 2
∫  ∫     ∫ ∞
∂u ∂u ∂u
2π + dx = F + F dξ = + |ξû | 2 dξ
−∞ ∂t ∂x −∞ ∂t ∂x −∞ ∂t
∫ ∞  2
2 2 sin (ξt )
= (−ξ sin (ξt )û 0 (ξ) + cos (ξt )v̂0 (ξ)) + ξ cos (ξt )û 0 (ξ) + v̂0 (ξ) dx
−∞ ξ
∫ ∞
= [ξ 2 sin2 (ξt )|û 0 (ξ)| 2 + cos2 (ξt )|v̂0 (ξ)| 2 − 2ξ sin (ξt ) cos (ξt )û 0v̂0
−∞
+ ξ 2 cos2 (ξt )|u 0 | 2 + sin2 (ξt )|v̂0 (ξ)| 2 + 2ξ sin (ξt ) cos (ξt )û 0v̂0 ]dξ
∫ ∞ 
2 2 2
= ξ |û 0 (ξ)| + |v̂0 (ξ)| dξ
−∞
∫ ∞  2 
∂u 2
= + (v0 ) dx
−∞ ∂x
∫ ∞ 2  2
∂u ∂u
= (x, 0) + (x, 0) dx.
−∞ ∂x ∂t

Observação
Para poder aplicar Fourier, é necessário que u 0 e v0 não cresçam rapidamente;
por outro lado, para aplicar D’Alembert, essa restrição não existe.

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26 Aula 26 - 11 de Junho, 2025
26.1 Motivações
• Equação de Laplace e Núcleo de Poisson

26.2 Equação de Laplace com Fourier.


Conforme estivemos fazendo, vamos analisar agora a equação de Laplace pela pers-
pectiva da transformada de Fourier e convolução. Vale relembrarmos que a equação
de Laplace é o problema
( 2
∂ 2u
∂ u
2 (x, y ) + ∂y2
(x, y ) = 0, y > 0, x ∈ Ò
∂x .
u (x, 0) = f (x ), x ∈ Ò

Seguiremos o mesmo roteiro que foi feito até agora para o uso da transformada de
Fourier:

1) Aplicamos F em x e encontramos uma versão mais fácil da EDP;

2) Resolvemos a equação mais fácil;

3) Simplificamos com a convolução.

Começaremos supondo que u ∈ C 2 (Ò), com derivadas integráveis e de crescimento


controlado:
∂u
|x | → ∞ ⇒ u (x, y ) → 0, → 0.
∂x
Do primeiro passo, segue que
   
2u 2u
+ F ∂y2 = 0
 ∂ ∂
 F

∂x 2 ,

 F (u (x, 0)) = F f


sendo que podemos elaborar notando que
 2  ∫ ∞ 2
∂ u −i x ξ ∂ u ∂ 2û
◦F = e (x, y )dx = (ξ, y )
∂y2 −∞ ∂y2 ∂y2
 2  ∫ ∞ 2 ∫ ∞
∂ u −i x ξ ∂ u ∂u
◦F 2
= e 2
(x, y )dx = i ξ e −i x ξ dx = −ξ 2û (ξ, y )
∂x −∞ ∂x −∞ ∂x
ˆ
◦ û (ξ, 0) = f (ξ).

Logo, a equação mais fácil é da forma

2 ∂ 2û
− ξ û (ξ, y ) + (ξ, y ) = 0
∂y2
û (ξ, 0) = fˆ (ξ).

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Assim, no passo 2, iremos fixar o ξ e resolver em y! Com efeito,

û ′′ (ξ, y ) = +ξ 2û (ξ, y ),

e aqui, no termo ξ 2 , aparece a diferença entre a onda e a equação de Laplace. Já


sabemos como resolver equações da forma como a acima:

û (ξ, y ) = A(ξ)e |ξ| y + B (ξ)e −|ξ|y ,

mas precisamos tomar A(ξ) = 0, pois o termo que o acompanha cresce muito rápido,
então a transformada inversas não está bem-definida. Logo,

û (ξ, y ) = B (ξ)e −|ξ|y .

Como
fˆ (ξ) = û (ξ, 0),
segue que B tem a foram
B (ξ) = fˆ (ξ).
Consequentemente,

1 ∞

u (x, y ) = F −1
(fˆ (ξ)e −|ξ|y
)= e i x ξ e −|ξ|y fˆ (ξ)dξ.
2π −∞

Finalmente, usando a convolução, temos


 
y
u (x, y ) = F −1
(fˆ (ξ)e −|ξ|y
)=F −1
(e −|ξ|y
)∗F −1
(fˆ (ξ)) = ∗f.
π (y 2 + x 2 )

Como f ∗ g = g ∗ f , podemos dizer que a solução tem a forma

1
∫ ∞ ∫ ∞
y y
u (x, y ) = 2 2
f (s)ds = f (x − s)ds.
−∞ π (y + (x − s) ) π −∞ (y + s 2 )
2

Definição. O núcleo/kernel de Poisson é a função

1 y
P (x, y ) = P y (x ) =
π y + x2
2

Proposição (Propriedades do Núcleo de Poisson). A função definida acima tem as


seguintes propriedades:

1) Para quaisquer x real e y positivo,

∆P (x, y ) = 0;

2) Para todo y positivo, ∫ ∞


P y (x )dx = 1.
−∞

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Prova. 1) Para ver isso, temos que afzer muita conta. Começando pela variável y,

1 2y 2 x2 − y2
 
y
∂y 2 = − =
y + x2 y 2 + x 2 (y 2 + x 2 ) 2 (x 2 + y 2 ) 2
 2
x − y2 2y yx2 − y3 6y x 2 + 2y 3
  
2 y
∂y 2 = ∂y = − − 4 = − .
y + x2 (x 2 + y 2 ) 2 (x 2 + y 2 ) 2 (x 2 + y 2 ) 3 (x 2 + y 2 ) 3

Para a variável x, temos

2x y
 
y
∂x 2 2
=− 2
y +x (y + x 2 ) 2
2y 4x y 2x 6x y 2 − 2y 3
   
2 y −2x y
∂x 2 = ∂x =− 2 + = .
y + x2 (x 2 + y 2 ) 2 (x + y 2 ) 2 (x 2 + y 2 ) 3 (x 2 + y 2 ) 3

Portanto,
∆P (x, y ) = ∂x2 P (x, y ) + ∂y2 P (x, y ) = 0.
2) Aqui, calculamos a integral diretamente:

1 1 1
∫ ∞ ∫ ∞ ∫ ∞
y dx
P y (x )dx = 2 2
dx = 2
−∞ π −∞ y + x π −∞ 1 + x
 y
y
1 1
∫ ∞
x
= dz, z =
π −∞ 1 + z 2 y

1 1 π π
 
= arctan(z ) = + = 1.
π −∞ π 2 2

A interpretação desse núcleo é que ele funciona de forma similar a um delta de


Kronecker, pois P (x, 0) = δ 0 (x ). Além disso, usando Plancherel , temos
∫ ∞ ∫ ∞
2π 2
|f (x )| dx = |fˆ (ξ)| 2 dξ,
−∞ −∞

donde segue que

1 1
∫ ∞ ∫ ∞ ∫ ∞
2
|u (x, y )| dx = 2
|û (ξ, y )| dξ = |e −|ξ|y fˆ (ξ)| 2 dξ
−∞ 2π −∞ 2π
∫−∞∞
1
= e −2y |ξ| |fˆ (ξ)| 2 dξ
2π −∞
1
∫ ∞ ∫ ∞
≤ ˆ 2
|f (ξ)| dξ = |f (x )| 2 dx.
2π −∞ −∞

Página 152 de 158


27 Aula 28 - 18 de Junho, 2025
27.1 Motivações
• Teoremas de Existências e Unicidades;
• Problemas não homogêneos.

27.2 Teoremas de Existências e Unicidades.


Para a equação de Laplace, temos
Teorema. Seja u 0 : Ò → Ò uma função contínua e limitada. Logo, existe uma
única função u : Ò × [0, ∞) → Ò tal que
1) u é de classe C(Ò × [0, ∞]) ∩ C 2 (Ò × (0, ∞);
2) u é limitada;
3) u satisfaz
∂ 2u ∂ 2u
(x, y ) + (x, y ) = 0, x ∈ Ò, y > 0 & u (x, 0) = u 0 (x ).
∂x 2 ∂y2

Além disso, esta única solução satisfaz automaticamente


4) u é de classe C ∞ (Ò × (0, ∞);
5) |u (x, t )| ≤ supx ∈Ò |u 0 (x )|.
Prova. Para a existência, seja
1
∫ ∞ ∫ ∞
y
u (x, y ) = P (x, y − s)u 0 (s)ds = u 0 (s)ds.
−∞ −∞ π y + (x − s) 2
2

Então,
lim u (x, y ) = u 0 (x ),
y →0
vale
∂ 2u ∂ 2u
∫ ∞ 2
∂ u ∂ 2u

+ = + (x, y − s)u 0 (s)ds = 0
∂x 2 ∂ y 2 −∞ ∂x
2 ∂y2
e, para quaisquer i, j naturais,
∫ ∞
k j j
∂x ∂y u = (∂xk ∂y P )(x, y − s)u 0 (s)ds,
−∞
donde concluímos que u é de classe C ∞ . Além disso, temos a estimativa
∫ ∞
|u (x, y )| ≤ |P (x, y − s)||u 0 (s)|ds
−∞
∫ ∞ 
≤ P (x, y − s)ds (sup |u 0 (x )|)
−∞ x ∈Ò
≤ sup |u 0 (x )|.
x ∈Ò

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Com respeito à unicidade, no primeiro caso, considere que u 0 (x ) tende a 0 con-
forme x cresce. Mostraremos uma única solução tal que, conforme tanto x quanto y
têm quadrados crescendo até infinito, a própria solução irá a 0. Com efeito, suponha
que u e v sejam soluções assim; então, w B u − v satisfaz

 ∆w = 0


w (x, 0) = 0 .

 w (x, y ) −→ 0, x 2 + y 2 → 0


Assim, dado um ponto (x 0, y 0 ) no plano e R > 0 tal que (x 0, y 0 ) ∈ [−R, R ] × [0, R ],
o princípio do máximo garante que
w (x 0, y 0 ) ≤ max{ sup w (x, 0), sup u (x, R ), sup u (−R, y ), sup u (R , y )}.
x ∈[−R,R ] x ∈[−R ,R ] y ∈[0,R ] y ∈[0,R ]

Dado ε > 0, como todos os termos dentro do máximo são ou iguais a 0, ou menores
que ε, podemos escolher R grande suficiente tal que
w (x 0, y 0 ) = u (x 0, y 0 ) − v (x 0, y 0 ) < ε
e, analogamente, tal que
v (x 0, y 0 ) − u (x 0, y 0 ) < ε.
Portanto,
u (x 0, y 0 ) = v (x 0, y 0 ).
No segundo caso, com o método da energia, definimos nosso espaço como
R = Ò × [0, ∞), R R = [−R, R ] × [0, R ].
Assim,
∬ ∬
0= w ∆w dx d y = lim w ∆w dx d y
R R →∞ RR
 ∬ ∫ 
2 ∂w
= lim − |+w | dx d y + w dS
R →∞ RR ∂R R ∂n

=− |+w | 2 dx d y .
R
Consequentemente,
+w = 0 ⇒ w = cte.
Portanto, por w (x, 0) = 0, segue que a w é constantemente nula.
O último caso é o caso do teorema, no qual definiremos
y >0

w (x, y ),
w̃ (x, y ) = .
−w (x, y ), y <0
Podemos mostrar que ∆w = 0 e, consequentemente, que w̃ : Ò2 → Ò é harmônica e
limitada, donde temos
w̃ ≥ c ⇒ w̃ − c ≥ 0 ⇒ w̃ = cte.
Como w̃ (x, 0) = 0, então w̃ = 0. Portanto,
w ≡ 0 ⇒ u = v. ■

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27.3 Problemas não homogêneos.
Vamos considerar o problema de Poisson dado por

∆u (x ) = f (x ), x ∈Ω

.
u (x ) = g (x ), x ∈ ∂Ω

Teorema (Princípio de Dirichlet). Considere a função I : A → Ò, onde A = {u ∈


C 2 (Ω) : u | ∂ Ω = g } é o conjunto de funções que satisfazem a condição de fronteira,
dada por
1

I (u) = |+u (x )| 2 − u (x )f (x )dx.
Ω 2
Então,

1) Se u é de classe C 2 (Ω) é solução do problema de Poisson, então

I (u) = min I (v );
v ∈A

2) Se u faz parte do conjunto A (ou seja, satisfaz a condição de fronteira e é de


classe C 2 (Ω)) e I (u) = min I (v ), então u é solução do problema de Poisson.
v ∈A

Prova. 1) Suponha que u é uma solução do problema de Poisson e que w ∈ A.


Queremos mostrar que
I (u) ≤ I (w ).
Logo, teremos
∫ ∫ ∫
0= (−∆u + f )(u − w )dx = −(∆u)(u − w )dx + f (u − w )dx
Ω ∫ Ω∫ ∫Ω
∂u
= +u · +(u − w )dx − (u − w )dS + f (u − w )dx
∫Ω ∫ ∂ Ω ∂n ∫ Ω

= +u · +udx − +u · +w dx + f (u − w )dx.
Ω Ω Ω

Usando a desigualdade de Cauchy-Schwarz,


∫ ∫ ∫ ∫
+u · +udx + f udx = f w dx dx + +u+w dx.
Ω Ω Ω Ω

Assim,
1 1
∫ ∫ ∫ ∫ ∫
2
+u+udx + f udx ≤ f w dx + ∥∆u ∥ dx + ∥+w ∥ 2 dx
Ω Ω Ω 2 Ω 2 Ω

e
1 1
∫ ∫ ∫ ∫
2 2
∥+u ∥ dx + f udx ≤ ∥+w ∥ dx + f w dx,
2 Ω Ω 2 Ω Ω
que equivale a
I (u) ≤ I (v ).

Página 155 de 158


2) Suponha que u é um mínimo de I e seja v ∈ C 2 (Ω) tal que v | ∂ Ω = 0. Então,
u + tv pertence a A, tal que
I (u) ≤ I (u + tv ).
Considere a função h : Ò → Ò, h (t ) = I (u + tv ), para a qual 0 é um dos mínimos.
Assim, h ′ (0) = 0 e

1
∫  
h (t ) = I (u + tv ) = +(u + tv )+(u + tv ) + (u + tv )f dx
Ω 2
1 t2
∫ ∫ ∫ ∫ ∫
2 2
= ∥+u ∥ dx + t +u+v dx + ∥+v ∥ dx + uf dx + v f dx.
2 Ω Ω 2 Ω Ω Ω

Com respeito à h ′ (0), ela tem a forma


∫ ∫
h (0) =

+u+v dx + v f dx,
Ω Ω

mas, como h ′ (0) = 0, segue que


∫ ∫
− +u+v dx = f v dx.
Ω Ω

Assim, como
∫ ∫ ∫ ∫
∂u
∆uv = [+(v +u) − +v +u] = v − +v +u,
∂ Ω ∂n Ω

obtemos, para todo v ∈ C 2 (Ω) com v | ∂ Ω = 0,


∫ ∫ ∫ ∫
∂u
∆uv dx − v dS = f v dx ⇔ (∆u − f )v dx = 0.
Ω ∂ Ω ∂n Ω Ω

Portanto,
∆u = f . ■

Observe que u é tal que


∫ ∫
− +u+v dx = f v dx.
Ω Ω

Suponha que g = 0. Podemos tomar subespaços de C 1 (Ω), digamos V =


N
{e 1, . . . , e N }, e procurar um vetor u = λ j e j tal que
Í
j =1

N
Õ ∫ ∫
− λj +e j +e i dx = f e i dx, [i .
j =1 Ω Ω

Assim,
∂u
= ∆u + f , t > 0, x ∈ Ò

∂t .
u (x, 0) = u 0 (x ), x ∈Ò

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Para lidar com isso, fazemos uma analogia com EDO! Lá, vimos problemas da forma

x (t ) = ax (t ) + f (t ), a ∈ Ò
 ′
,
x (0) = x 0

resolvido como

e −at x ′ (t ) = ae −at x (t ) + e −at f (t )


e −at x ′ (t ) − ae −at x (t ) = e −at f (t )
| {z }
d (e −at x (t ))
dt
∫ t ∫ t
d −as
(e x (s))ds = e −as f (s)ds
0 ds 0
∫ t
e x (t ) − x (0) =
−at
e −as f (s)ds,
0

eventualmente obtendo
∫ t
x (t ) = e x 0 +
at
e a (t −s) f (s)ds.
0

Aqui, seguindo os mesmos processos, mas com a agindo como o operador ∆, a


expressão para u que obtemos é
∫ t
t∆
u (x, t ) = e u 0 (x ) + e (t −s)∆f (s)ds,
0

sendo a exponencial dada por

1 − (x −y ) 2
∫ ∞ ∫ ∞
t∆
e u0 = √ e 4t u 0 (y )dy = K (x − y , t )u 0 (y )dy.
−∞ 4πt −∞

Portanto, a solução será


∫ ∞ ∫ t ∫ ∞ 
u (x, t ) = K (x − y , t )u 0 (y )dy + K (x − y , t − s)f (y , s)dy ds.
−∞ 0 −∞

Terminamos com a curiosidade que podemos usar


∫ t
t∆
u = e u0 + e (t −s)∆f (s, u (s))ds
0

para achar soluções de


∂u
= ∆u + f (t , u (t )).
∂t

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Referências
[1] STRAUSS, W. A. Partial Differential Equations: an introduction. West-
ford: Wiley, 1992.

[2] Notas de aula do professor.

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