Conjunções
Antes de iniciarmos a explicação sobre as conjunções propriamente, é importante
recordarmos o conceito básico de orações. A oração é uma unidade linguística em que se
encontra obrigatoriamente um verbo ou uma locução verbal. Observe os exemplos a
seguir:
● Ela esperou pela amiga durante a tarde toda.
● O cachorro fugiu de casa. O cachorro voltou no dia seguinte.
No primeiro exemplo, temos apenas uma oração, já que temos apenas um verbo. No
segundo exemplo, temos duas orações pela quantidade de verbos observados, e não
necessariamente pelo ponto final. Entretanto podemos usar uma conjunção para
transformar os dois enunciados do segundo exemplo em apenas um:
● O cachorro fugiu de casa, mas voltou no dia seguinte.
Acompanhe mais um exemplo que segue a mesma linha de raciocínio, iniciando com duas
orações e dois enunciados e depois transformando-os em um só:
● Você se machucou. Eu soube.
● Eu soube que você se machucou.
Agora que já relembramos o significado de oração, vamos iniciar nosso estudo sobre as
conjunções.
As conjunções possuem a função de reunir ou relacionar orações em um mesmo
enunciado. Quando houver duas ou mais palavras com a função de conjunção, dizemos
que se trata de uma locução conjuntiva. As conjunções e locuções conjuntivas têm o
objetivo de unir duas ou mais orações ou palavras.
Essa classe de palavras pode ser dividida em conjunções subordinativas e conjunções
coordenativas, e cada uma dessas classificações possui suas subdivisões conforme a
estrutura e o sentido determinados.
As conjunções coordenativas ligam orações independentes entre si e podem ser
completamente entendidas uma sem a outra. Já as orações subordinativas ligam orações
que são dependentes entre elas, ou seja, quando uma oração depende de outra para ser
entendida. Assim, a conjunção que liga a oração subordinada à oração principal
chama-se conjunção subordinativa.
Relembre os exemplos iniciais do material e observe que a conjunção mas (o cachorro
fugiu de casa, mas voltou) e a conjunção que (soube que você se machucou) possuem
classificações diferentes.
Qual é coordenativa e qual é subordinativa?
Espero que você tenha acertado, confira a correção no final do material, mas antes vamos
ampliar nosso conhecimento sobre as conjunções.
Tipos de conjunções coordenativas
As conjunções coordenativas podem ser aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas e
explicativas.
Conjunções coordenativas aditivas
Estabelecem relação de adição entre as orações ou os termos conectados. Como
exemplos de conjunções aditivas, temos: “e”, “nem”, “mas também”, “como também”, “mas
ainda”, etc.
● Era uma pessoa brincalhona e ativa.
● Corria e brincava e cantava.
● Não estava feliz nem triste.
● Julia não fala nem ouve.
● Trabalha muito, mas também se diverte.
Conjunções coordenativas adversativas
Estabelecem relação de oposição entre as orações ou os termos conectados. Como
exemplos de conjunções adversativas, temos “mas”, “porém”, “todavia”, “contudo”,
“entretanto”, “no entanto”, etc.
● Não gostava dele, porém tinha um bom convívio.
● Não falava, mas gritava desesperadamente.
● Sabia de muitas coisas, contudo não foi capaz de resolver aquele enigma.
● Não fomos campeões, todavia exibimos o melhor futebol.
● Telefone, entretanto ninguém atendeu.
Conjunções coordenativas alternativas
Estabelecem relação de alternância entre as orações ou os termos conectados. Essa
alternância pode dizer respeito à incompatibilidade ou à equivalência entre eles. Como
exemplo de conjunções alternativas temos: “ou”, “talvez”, “ou…ou”, “ora…ora”, “seja…seja”,
“quer…quer”, “já…já”
● Vamos resolver isso ou não nos encontramos mais.
● Ora ficava interessado, ora ficava disperso.
● Ou você vem conosco ou você não vai
● Ora ria, ora chorava.
● Talvez a fruta esteja madura, talvez ainda esteja verde.
Conjunções coordenativas conclusivas
Estabelecem relação de conclusão entre as orações ou os termos conectados. Como
exemplos de conjunções aditivas, temos: “pois”, “portanto”, “logo”, “assim”, “então”, entre
outros.
● Eu saí de casa atrasado, logo, perdi o voo.
● Era muito gulosa, então, não sobrou comida.
● O céu estava muito escuro, portanto, ia chover.
● Consegui falar com ele, pois esperei à sua porta.
● Almoçarei antes de sair, assim não ficarei com fome.
Conjunções coordenativas explicativas
Estabelecem relação de explicação entre as orações ou os termos conectados. Como
exemplos de conjunções aditivas, temos “pois”, “porque”, “porquanto”, “que”, entre outros.
● Bebeu toda a água, porque tinha muita sede.
● Amava o verão, pois sempre ia para a praia.
● Era uma criança muito tímida, porquanto a família toda era assim.
● Não choveu, porque nada está molhado.
● A avó disse para não comer bolo quente, que dava dor de barriga.
Tipos de conjunções subordinativas
As conjunções subordinativas podem ser integrantes ou adverbiais.
As conjunções subordinativas integrantes iniciam as orações substantivas, que são
aquelas que possuem, em relação à oração principal, função de sujeito, objeto direto, objeto
indireto, predicativo, aposto, agente da passiva ou complemento nominal. Temos como
exemplo “que” e “se”.
● Só era possível se você estivesse lá.
● Eles gostariam que tudo fosse perfeito.
As conjunções subordinativas adverbiais, por sua vez, introduzem orações subordinadas
adverbiais e são subdivididas em causais, comparativas, concessivas, condicionais,
conformativas, consecutivas, finais, modais, proporcionais, temporais e integrantes.
Conjunções subordinativas causais
Iniciam orações com relação de causa, motivo da oração principal. São conjunções
subordinativas causais “que”, “porque”, “como”, entre outras.
● Como não havia estudado, foi mal na prova.
Conjunções subordinativas comparativas
Iniciam orações com relação de comparação com a oração principal. Podem estabelecer
relação de igualdade, superioridade ou inferioridade. São conjunções subordinativas
comparativas “como”, “qual”, “mais que”, “menos que”, entre outras.
● Exibia o seu conhecimento como um pavão exibindo sua cauda.
● Cozinhar é melhor que pedir comida.
● Desenhou algo menos impactante do que costumava fazer.
Conjunções subordinativas concessivas
Iniciam orações que se mostram obstáculo para as ideias da oração principal. São
conjunções subordinativas concessivas “ainda que”, “embora”, “se bem que”, “apesar de
que”, entre outras.
● Adorava dançar, ainda que não ouvisse música com muita frequência.
Conjunções subordinativas condicionais
Iniciam orações que exprimem condições necessárias para realizar o que se declara
na oração principal ou fato (real ou suposto) que contradiz o que foi expresso na oração
principal. Como exemplos, temos “se”, “caso”, “sem que”, “uma vez que”, “contanto que”,
entre outros.
● Se fizer muito sol, vamos passear.
● Ficaremos em casa a não ser que faça sol.
Conjunções subordinativas conformativas
Iniciam orações que exprimem conformidade com as orações principais. São conjunções
conformativas “como”, “conforme”, “segundo”, entre outras.
● Fomos correr pela manhã conforme havíamos combinado.
Conjunções subordinativas consecutivas
Iniciam orações que são consequência daquilo que foi expresso nas orações principais.
Como exemplos, temos “tanto que”, “tal qual”, entre outros.
● Ela treinou tanto durante todos aqueles anos, que conquistou o campeonato.
Conjunções subordinativas finais
Iniciam orações que são finalidade do que foi descrito na oração principal. São
exemplos “para”, “a fim de”, entre outros.
● Ela treinou muito durante todos aqueles anos para conquistar o campeonato.
Conjunções subordinativas modais
Iniciam orações que exprimem o modo pelo qual se executou o fato expresso na
oração principal. São exemplos “sem que”, “de modo que”, entre outros.
● Não poderia apresentar-se sem que ensaiasse muito.
Conjunções subordinativas proporcionais
Iniciam orações que exprimem algo que ocorre, aumenta ou diminui na mesma
proporção do que se exprime na oração principal. São exemplos “à medida que”, “tanto
quanto”, “quanto mais”, “quanto menos”, entre outros.
● Quanto mais nervoso ficava, menos conseguia falar.
● Era tão boa líder quanto seu pai.
Conjunções subordinativas temporais
Iniciam orações que exprimem o tempo em relação ao que é dito na oração principal.
Podem ter relação de tempo anterior, posterior, frequentativo (ou seja, repetido) e
concomitante. Como exemplos temos “antes que”, “primeiro que”, “depois que”, “quando”,
“assim que”, “desde que”, “sempre que”, “a cada vez que”, “enquanto”, entre outros.
● Não falou nada antes que terminasse o dever.
● Depois que se alimentou, foi fazer exercícios.
● A porta abre-se automaticamente sempre que alguém chega perto.
● Enquanto chovia, ele lia o texto com atenção.
Quanto a resposta da questão inicial temos:
A primeira como uma conjunção coordenativa (o cachorro fugiu, mas voltou no dia
seguinte), e a segunda, subordinativa (eu soube que você se machucou).
Multidisciplinaridade
Redação
Estudar conjunções é essencial para a redação porque elas conectam ideias e garantem
a coesão e a coerência do texto. As conjunções ajudam a relacionar frases e parágrafos,
tornando a argumentação mais clara e lógica. Quando bem utilizadas, elas evitam
repetições desnecessárias, facilitam a compreensão do leitor e fortalecem a
progressão textual.
Por exemplo, conjunções como "mas", "portanto" ou "porque" indicam contradição,
conclusão ou explicação, respectivamente. Isso guia o leitor pelas diferentes partes do
texto, mostrando como as ideias se relacionam e reforçando a clareza do argumento.
Erros no uso adequado das conjunções podem prejudicar a fluidez do texto e confundir o
leitor quanto à intenção do autor. Se atente para os casos mais comuns.
Repetição excessiva da mesma conjunção:
● Errado: "Eu gosto de ler livros, e gosto de assistir filmes, e gosto de caminhar no
parque."
● Correção: "Eu gosto de ler livros, assistir filmes e caminhar no parque."
● Problema: Repetir "e" em sequência torna a frase repetitiva e cansativa.
Uso incorreto de conjunções causais:
● Errado: "Ele faltou à aula, mas estava doente."
● Correção: "Ele faltou à aula porque estava doente."
● Problema: A conjunção "mas" indica oposição, enquanto a relação entre as ideias é
de causa e consequência.
Incoerência no uso de conjunções:
● Errado: "Estudou muito, portanto não conseguiu passar na prova."
● Correção: "Estudou muito, mas não conseguiu passar na prova."
● Problema: "Portanto" indica consequência, mas a frase apresenta uma contradição,
então "mas" seria mais apropriado.
Uso de conjunções adversativas desnecessariamente:
● Errado: "Ele tentou resolver o problema, no entanto, conseguiu resolver
rapidamente."
● Correção: "Ele tentou resolver o problema e conseguiu rapidamente."
● Problema: "No entanto" sugere oposição, mas a frase está afirmando um sucesso,
não uma dificuldade.
Observe as instruções abaixo:
1. "Vivemos em uma sociedade que está em constante mudança. E as tecnologias
avançam rapidamente. Portanto, muitos desafios surgem. Pois a adaptação às
novas realidades é complicada. Mas, o futuro pode ser incerto.”
2. "Vivemos em uma sociedade em constante mudança, onde as tecnologias avançam
rapidamente. Com isso, muitos desafios surgem, já que a adaptação às novas
realidades é complicada. No entanto, o futuro, embora incerto, oferece
oportunidades para aqueles que se preparam para ele.”
Repare que no exemplo 2 as conjunções conectam as ideias de forma lógica e fluida,
criando coesão entre as frases e evitando a repetição desnecessária ou o uso inadequado
de termos como "pois" e "mas".
Na primeira introdução, o uso inadequado das conjunções cria uma sensação de
fragmentação e incoerência:
● “E as tecnologias avançam rapidamente": A frase começa com "e", o que é
desnecessário, pois essa conjunção é usada para adição, mas não há necessidade
de adicionar algo a uma frase inicial ou sem vínculo claro com a anterior.
● “Portanto, muitos desafios surgem": "Portanto" indica uma conclusão, mas a ideia
anterior não apresenta uma premissa clara para que haja uma conclusão direta.
Faltou um argumento que justificasse o surgimento dos desafios.
● “Pois a adaptação às novas realidades é complicada": "Pois" é uma conjunção
explicativa, mas sua posição na frase está errada. Normalmente, "pois" aparece no
meio da frase, após uma justificativa.
● "Mas, o futuro pode ser incerto": "Mas" indica uma oposição, mas o contexto da
frase anterior não apresenta uma ideia que contraponha o futuro incerto, o que gera
confusão.
Na segunda introdução, o uso correto das conjunções melhora a qualidade da redação:
● "Onde": Ao usar "onde", a frase conecta o avanço tecnológico ao contexto da
mudança social, estabelecendo uma relação de causa e efeito entre os fenômenos.
● "Com isso": Esta conjunção mostra a relação de consequência direta, criando uma
conexão lógica entre o avanço tecnológico e os desafios que surgem.
● "Já que": Explicando a razão para a dificuldade de adaptação às novas realidades,
"já que" faz a frase fluir de maneira lógica e clara.
● “No entanto": Aqui, a conjunção adversativa é usada corretamente para indicar uma
contraposição, introduzindo uma nova ideia que contrasta com a anterior, mas de
forma coerente.
Esses ajustes tornam o texto mais fluido e lógico, promovendo uma leitura fácil e uma
argumentação mais forte. A correta escolha de conjunções guia o leitor, permitindo que ele
entenda as relações entre as ideias sem esforço.