Hipótese Pratica :
A propôs contra B uma ação judicial, dizendo e pedindo o seguinte:
• Que comprou ao reu o automóvel XPTO por 5000$;
• Que comprou convicto que XPTO estava em boas condições;
• Que dois dias após a compra verificou que o automóvel precisava de uma
reparação cujo
o valor se aproximava do preço da aquisição ;
Na conclusão da petição pode ler-se: “Pelo exposto, deverá anular-se o contrato de
compra e
venda com fundamento em erro, condenando-se ainda o Reu a suportar todas as
despesas a
que a sua conduta deu causa.”
Na audiência de julgamento:
As testemunhas indicadas pelo Reu afirmaram, para alem do mais o seguinte:
• Que António na verdade só comprou o automóvel, por ter sido ameaçado pelo
Bernardo.
• Que na verdade Bernardo tinha furtado o automóvel a Carlos e falsificado os
documentos que lhe permitiam proceder ao seu registo em seu nome.
• Que já tinham adquirido um automóvel a Bernardo e que se arrependeram
por os
mesmos apresentarem diversos problemas mecânicos
Questões?
• Poderia o juiz julgar a ação procedente com o fundamento em coação moral
atendendo
ao referido em a)? Justifique.
• Poderia o juiz decidir com base nos factos indicados por as testemunhas em b e c?
• Poderia o juiz condenar o reu a proceder as reparações que segundo a prova
produzida
se mostrava necessárias?
R.1- Neste caso está em causa o principio do dispositivo do Art.5º, sabermos ou não
se o juiz
poderá ter em conta aquilo que a disse.
O facto indicado pela testemunha não é um facto complementar já que não
fundamenta o erro
mas sim fundamenta uma coação moral, deste modo o juiz não poderá julgar tendo
em conta
esse facto já que não faz parte da causa de pedir.
R.2- Em B não se acrescenta nem se altera em nada a causa de pedido pois nem
são factos
complementares, pois se caso b tenha vendido um automóvel que não é seu, o
negocio seria
nulo mas isso não está na causa de pedir portanto o juiz não poderá ter em conta
essa
informação.
Em C os factos são instrumentais já poderão confirmar aquilo que o autor disse, ou
seja,
confirmam o facto essencial que foi aquilo que o autor alegou, deste modo o juiz a
partir daqui
poderia concluir que b vendia automóveis com defeito.
Logo apenas os facto em C poderiam ser usados para a decisão.
R.3- O autor pede que se condene em fundamento em erro e que suporte as
despesas destes
atos, mas não pediu na condenação fosse pedido a condenação das reparações.
Nos termos do art.609º,n1 o juiz não pode condenar se tal não for pedido ou se não
podermos
retirar isso daquilo que foi pedido