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Harmônicos e Qualidade de Energia Residencial

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Caracterização e influência dos harmônicos na qualidade de

energia de equipamentos em uma instalação residencial.


Characterization and Impact of Harmonic Distortion on Power Quality in
Residential Electrical Equipment.
Lucas Alves da Silva
las11@[Link]
Alexandre Manoel de Farias
[Link]@[Link]

RESUMO
Este trabalho analisa a influência das correntes harmônicas na qualidade da energia
elétrica em uma instalação residencial. As medições foram realizadas com o
analisador Minipa ET-5061C em diversos eletrodomésticos comuns no contexto
brasileiro, avaliando parâmetros como corrente, fator de potência e distorção
harmônica total (DHT). Os resultados indicaram que equipamentos que dispõem de
circuitos eletrônicos ou eletromagnéticos em sua composição como, por exemplo,
micro-ondas e máquinas de lavar, apresentaram elevados níveis de distorção
harmônica, enquanto cargas resistivas, como ferros de passar e sanduicheiras,
mostraram baixo impacto. Observou-se que altos níveis de DHT afetam
negativamente o fator de potência, mesmo quando a defasagem entre tensão e
corrente é baixa. A comparação dos resultados com os limites estabelecidos pelos
Procedimentos de Distribuição de Energia Elétrica no Sistema Elétrico Nacional
(PRODIST) e pela norma IEC 61000-3-2 revelou que, embora a maioria das distorções
de tensão se mantenha dentro dos padrões, a distorção de corrente ultrapassou os
valores recomendáveis em alguns casos. Conclui-se que a crescente utilização de
cargas não lineares em ambientes residenciais representa um desafio para a
manutenção da qualidade da energia elétrica, demandando soluções técnicas e maior
conscientização dos consumidores.
Palavras-chave: Harmônicos. Qualidade de energia. Instalações elétricas
residenciais.

ABSTRACT
This study analyzes the influence of harmonic currents on the quality of electrical
energy in a residential installation. Measurements were carried out using the Minipa
ET-5061C analyzer on various household appliances commonly found in Brazilian
homes, evaluating parameters such as current, power factor, and total harmonic
distortion (THD). The results indicated that equipment containing electronic or

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15 de agosto de 2025.
electromagnetic circuits, such as microwave ovens and washing machines, exhibited
high levels of harmonic distortion, while resistive loads, such as irons and sandwich
makers, showed low impact. It was observed that high THD levels negatively affect the
power factor, even when the phase shift between voltage and current is low. The
comparison of the results with the limits established by the Brazilian National Electric
Energy Distribution Procedures (PRODIST) and by the IEC 61000-3-2 standard
revealed that, although most voltage distortions remained within acceptable limits,
current distortion exceeded recommended values in some cases. It is concluded that
the increasing use of nonlinear loads in residential environments represents a
challenge for maintaining power quality, requiring technical solutions and greater
consumer awareness.
Keywords: Harmonics. Power quality. Residential electrical installations.

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1 INTRODUÇÃO

A qualidade da energia elétrica (QEE) tem sido historicamente associada à


continuidade do fornecimento, à regulação da tensão e à estabilidade da frequência,
aspectos estes que, em décadas passadas, eram satisfatoriamente mantidos graças
à predominância de cargas lineares nos sistemas elétricos. Entretanto, a crescente
inserção de cargas não lineares nos ambientes residenciais, impulsionada pela
evolução da eletrônica de potência, tem modificado esse cenário, intensificando
distúrbios como os harmônicos, os quais se destacam por sua natureza contínua e
por representarem uma ameaça significativa à integridade dos sistemas elétricos
(MARTINHO, 2013).
As distorções, oriundas do consumo residencial, afetam a forma de onda da
corrente e da tensão, comprometendo diretamente a qualidade de potência entregue
ao consumidor (LOPEZ, 2013). A literatura técnica, por muito tempo, concentrou suas
análises no setor industrial, dada sua representatividade no consumo energético
nacional; no entanto, com a evolução tecnológica e a maior presença de cargas não
lineares em domicílios e comércios, tornou-se urgente o estudo do impacto dessas
cargas na Qualidade da Energia Elétrica (QEE) em ambientes residenciais
(GALLEGO et al., 2005).
A partir do ano de 2001, com o avanço dos programas de conservação energética,
houve uma inserção ainda mais intensa de equipamentos eficientes e não lineares
nos lares brasileiros, alterando profundamente o perfil de consumo e os desafios
relacionados à qualidade da energia (PROCEL, 2024).
Essa tendência se mantém nas últimas décadas, como indicado no 5º Plano de
Aplicação de Recursos do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica
(PROCEL, 2024/2025), que destaca a ampliação do uso de cargas não lineares e
eletrodomésticos com eletrônica embarcada. Embora o relatório não apresente um
valor percentual atualizado das distorções harmônicas causadas por esses aparelhos,
ele reforça a necessidade de avaliações mais rigorosas da qualidade da energia e do
impacto dessas cargas na rede elétrica, evidenciando a continuidade e ampliação
desse desafio no cenário energético nacional (PROCEL, 2024).
A constante substituição de equipamentos por modelos mais modernos e
eficientes, aponta para uma elevação contínua dos níveis de distorção harmônica em
sistemas de baixa tensão, exigindo novas abordagens técnicas e regulatórias (EPE,
2025). Diante desse cenário, torna-se fundamental a caracterização dos harmônicos
gerados por cargas residenciais e a análise de sua influência na qualidade de energia
elétrica, uma vez que tais distúrbios, além de afetarem a eficiência e a durabilidade
dos equipamentos, podem resultar em prejuízos econômicos consideráveis. (Martins,
2003).
Com efeito, a QEE passou a ser entendida como um conceito multidimensional,
que engloba desde a qualidade da tensão e da corrente até a responsabilidade do
consumidor na utilização adequada da energia (LOPEZ, 2013), sendo imprescindível
o desenvolvimento de estudos que revelem o impacto real dos eletrodomésticos na
geração de harmônicos e na degradação da energia fornecida em instalações
residenciais.

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2 OBJETIVOS

2.1 Objetivo geral.

Compreender, por meio de um estudo de caso em ambiente residencial, as


contribuições individuais dos equipamentos lineares e não lineares na geração de
distorções harmônicas e seus efeitos sobre a qualidade da energia elétrica.

2.2 Objetivos específicos.

• Comparar o percentual de harmônicos dos equipamentos lineares e não lineares


na produção de harmônicos.
• Identificar os principais equipamentos eletroeletrônicos que possuem cargas
lineares e não lineares presentes em uma residência típica e suas características
de funcionamento que impactam na geração de harmônicos.
• Analisar os níveis de distorções harmônicas gerados por esses equipamentos,
com base em medições práticas realizadas com o equipamento analisador de
energia.
• Avaliar os impactos da distorção harmônica sobre parâmetros da rede elétrica,
como fator de potência e funcionamento de dispositivos.
• Comparar os resultados obtidos com os limites estabelecidos pelas normas
técnicas vigentes, como o módulo 8 da PRODIST e IEC 61000-3-2, verificando
a conformidade da instalação.

3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

3.1 Qualidade de energia.

Entre os diversos fenômenos que comprometem a qualidade da energia, os


harmônicos destacam-se por sua frequência e impacto. Eles surgem da presença de
cargas não lineares, como computadores, fontes chaveadas, lâmpadas fluorescentes
e equipamentos com dispositivos eletrônicos e mais recente nos equipamentos com
tecnologia inverter que utilizam eletrônica de potência para o controle da eficiência.
Esses dispositivos, ao operarem de forma diferente da linearidade ideal, distorcem a
forma senoidal da corrente, resultando em componentes harmônicas que se somam
à corrente e à tensão fundamentais. Essa distorção harmônica provoca o aumento
das perdas no sistema, aquecimento de condutores, ressonâncias indesejadas e mau
funcionamento de equipamentos (KAGAN, 2010). Um exemplo real é apresentado na
Figura 1 onde foi realizada uma medição real em uma residência em duas
configurações distintas: Figura 1a, a carga se encontrava praticamente resistiva,
apresentando uma corrente senoidal com poucas interferências harmônicas. Já a
situação da Figura 1b, ilustra o comportamento da mesma carga após o acionamento
de algumas cargas não lineares.
Problemas relacionados à baixa qualidade da energia elétrica impactam
diretamente os processos produtivos e operacionais de diversos consumidores, em
especial os setores industriais e comerciais. A ocorrência de distúrbios, como
oscilações de tensão, interrupções momentâneas e harmônicos, pode afetar o
desempenho de sistemas automatizados, provocar falhas em processos sensíveis,
resultar em perdas de dados, matéria-prima e até mesmo comprometer a segurança

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dos trabalhadores e o meio ambiente (CASTRO et al., 2017). Por isso, manter a
estabilidade e a conformidade dos parâmetros elétricos não é apenas uma exigência
técnica, mas uma necessidade estratégica para evitar prejuízos e garantir a
confiabilidade dos sistemas.
Figura 1 – Onda senoidal em carga linear e não-linear em um medidor de
energia.

(a) (b)
Fonte: Própria

A inadequação de qualquer um desses parâmetros pode comprometer o


funcionamento dos equipamentos elétricos, além de elevar o consumo de energia e
as perdas técnicas na rede. Um sistema que não fornece uma amplitude correta de
tensão, por exemplo, pode causar mau funcionamento ou até mesmo a queima de
dispositivos conectados, além de contribuir para o aumento das perdas na conversão
e transmissão de energia (ROCHA, 2016).

3.2 Distorção harmônica

A distorção harmônica total (DHT) representa uma medida da deformação que


uma forma de onda sofre em relação à forma puramente senoidal. Essa distorção
ocorre pela presença de componentes harmônicas, geralmente múltiplos da
frequência fundamental, que alteram a simetria e a periodicidade da onda
(MARTINHO, 2013).
A ANEEL, por meio dos Procedimentos de Distribuição (PRODIST), já definiu os
indicadores de distorção harmônica, bem como os valores de referência a serem
utilizados como limites legais no futuro (ANEEL, 2022). O valor eficaz de uma
grandeza periódica não senoidal, como a tensão, é obtido por meio da soma
quadrática das componentes harmônicas, conforme expressa a Equação 1.

𝑉!" = #∑#%&' $
#() 𝑉# (1)

onde 𝑉# é o valor eficaz da componente harmônica de ordem ℎ, e ℎ%&' é a ordem


máxima considerada (ANEEL, 2022).
Além disso, define-se a Distorção Harmônica Individual de Tensão de ordem ℎ
como a relação percentual entre a tensão harmônica e a tensão fundamental 𝑉) , como
mostra a Equação 2.
*!
𝐷𝐻𝐼𝑣# % = *"
∙ 100 (2)

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A Distorção Harmônica Total de Tensão (DHTv) pode ser definida, conforme


mostrado na Equação 3, como a relação percentual entre o valor eficaz das
componentes harmônicas da tensão (excluindo a fundamental) e o valor eficaz da
componente fundamental.

,∑!$%& *!#
!'#
𝐷𝐻𝑇𝑣% = *"
∙ 100 (3)

Esse índice permite quantificar o impacto dos harmônicos no sistema e é


amplamente utilizado na avaliação da qualidade da energia elétrica (ANEEL, 2013).
Para a corrente elétrica, a distorção total (DHTi) pode ser expressa pela Equação 4.

,∑!$%& .!#
!'#
𝐷𝐻𝑇𝑖% = ."
∙ 100 (4)

onde 𝐼# representa as correntes harmônicas de ordem superior e 𝐼) a corrente


fundamental (KAGAN, 2010).
A importância desses parâmetros está no fato de que a presença de harmônicos
pode provocar diversos problemas nas instalações elétricas. Harmônicas de ordem
ímpar, por exemplo, são predominantes e afetam o funcionamento de equipamentos
projetados para operar com ondas senoidais puras, como motores e transformadores.
O resultado pode ser o aquecimento excessivo, ruído acústico, perdas adicionais e
até falhas prematuras (LOPEZ, 2013). Já as harmônicas de ordem par, embora menos
frequentes, causam impactos significativos por induzirem componentes de corrente
contínua em dispositivos sensíveis. Em especial, as harmônicas múltiplas de três, em
conexões em estrela, são aditivas no condutor neutro, podendo causar sobrecargas e
danos ao sistema (LOPEZ, 2013).
A ANEEL estabeleceu, ainda, valores de referência para a distorção harmônica
total da tensão conforme a faixa de tensão nominal do sistema. Para tensões inferiores
ou iguais a 1 kV em ambiente residencial, o limite estipulado para DHT é de 10%
(ANEEL, 2018), evidenciando a preocupação regulatória com os impactos das cargas
residenciais na qualidade da energia.

3.3 Fator de potência.

O fator de potência é entendido como a relação entre a potência ativa e a potência


aparente, sendo uma medida da eficiência com que a energia elétrica é convertida em
trabalho útil. De acordo com Martinho (2013), em sistemas puramente lineares essa
relação é expressa pelo cosseno do ângulo 𝜑 de defasagem entre a corrente e a
tensão que determina o tamanho relativo da potência reativa em relação a potência
ativa, de acordo com a Equação 5.
𝐹𝑃 = cos(𝜑) (5)
No entanto, em sistemas com componentes harmônicos, essa definição torna-se
insuficiente para descrever com precisão o comportamento da potência, haverá agora
uma parcela adicional associada à distorção harmônica, denominada potência de
distorção harmônica. Nesse contexto, a potência aparente S passa a ser calculada de
acordo com a Equação 6.

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𝑆 = :𝑃$ + 𝑄$ + 𝐷² (6)

onde P é a potência ativa, Q a potência reativa e D a potência associada à distorção


harmônica.
Consequentemente, o fator de potência total de um sistema com harmônicos deve
considerar não apenas a defasagem entre corrente e tensão fundamental, mas
também o conteúdo harmônico da corrente. Assim, a Equação 7 descreve o fator de
potência considerando a DHT de corrente no seu cálculo.
!"#(%)
𝐹𝑃 = (7)
'()*+,!"

Essa expressão mostra que, mesmo quando o cosseno do ângulo φ é elevado,


indicando pequena defasagem entre tensão e corrente, o fator de potência pode ser
reduzido significativamente em função do conteúdo harmônico.
Na prática, isso significa que instalações com elevado conteúdo harmônico
apresentam um fator de potência reduzido, mesmo quando aparentemente bem
corrigidas do ponto de vista reativo. Isso compromete a eficiência energética do
sistema e pode resultar em penalidades contratuais, além de problemas operacionais
como aquecimento de condutores, mau funcionamento de dispositivos de proteção e
aumento das perdas técnicas. (MARTINHO, 2013)
Dessa forma, ao analisar a influência dos harmônicos na qualidade da energia
elétrica em residências, é imprescindível considerar o seu impacto sobre o fator de
potência e não apenas para fins de diagnóstico e correção. É importante também
garantir a conformidade com normas técnicas e a segurança operacional das
instalações.

3.4 Normas e recomendações

A análise da qualidade da energia elétrica e, em especial, da influência dos


harmônicos, requer a observância de normas e diretrizes técnicas que garantam a
padronização dos procedimentos de medição, avaliação e controle. No Brasil, essa
normatização é conduzida por órgãos reguladores como a Agência Nacional de
Energia Elétrica (ANEEL), por meio do PRODIST, e por entidades internacionais como
a Comissão Eletrotécnica Internacional (IEC - International Electrotechnical
Commission), por meio de suas recomendações técnicas. No entanto, como o
PRODIST não apresenta informações e limites de distorções harmônicas específicos
para eletrodomésticos residenciais, optou-se também pela utilização da norma IEC
61000-3-2, a qual estabelece limites claros para a Distorção Harmônica Total (DHT)
de corrente e para harmônicos individuais, possibilitando uma avaliação mais precisa
do desempenho desses equipamentos.

3.4.1 PRODIST – Módulo 8

O PRODIST (Procedimentos de Distribuição de Energia Elétrica no Sistema


Elétrico Nacional) é um conjunto normativo publicado pela ANEEL com o propósito de
uniformizar as práticas técnicas aplicadas às redes de distribuição elétrica no Brasil.
O conteúdo do Módulo 8 é voltado especificamente à qualidade da energia, abordando

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aspectos fundamentais como distorções harmônicas, fator de potência, flutuações e


variações de tensão, desequilíbrios entre fases e desvios de frequência (ANEEL,
2022).
Essa norma define os limites aceitáveis para a distorção harmônica total de tensão
conforme a faixa de tensão nominal do sistema. Para sistemas com tensão nominal
menor ou igual a 1 kV que é a condição típica de instalações residenciais, o limite
estipulado para a DHT é de 10% como é visto na Tabela 1. (ANEEL, 2022).

Tabela 1 - Limites das distorções harmônicas totais.


Tensão nominal
Indicador
𝑽𝒏 ≤ 𝟏, 𝟎 𝒌𝑽 𝟏, 𝟎 𝒌𝑽 < 𝑽𝒏 < 𝟔𝟗 𝒌𝑽 𝟔𝟗 𝒌𝑽 < 𝑽𝒏 < 𝟐𝟑𝟎 𝒌𝑽
DTT95% 10,0% 8,0% 5,0%
DTTP95% 2,5% 2,0% 1,0%
DTTI95% 7,5% 6,0% 4,0%
DTT395% 6,5% 5,0% 3,0%
Fonte: ANEEL (2022)

3.4.2 Limites de Emissão Harmônica – IEC 61000-3-2

A norma IEC 61000-3-2 (IEC, 2018) estabelece limites para a emissão de


correntes harmônicas geradas por equipamentos elétricos com corrente de entrada
até 16A por fase, conectados a sistemas de baixa tensão. Esses limites visam garantir
que os equipamentos conectados à rede elétrica pública não causem distorções
excessivas na forma de onda da corrente, protegendo assim a integridade da
qualidade de energia no sistema como um todo. A norma é amplamente utilizada
internacionalmente e serve como base para regulamentações nacionais em diversos
países pois apresenta um agrupamento das cargas em categorias, como pode ser no
Quadro 1.
Quadro 1 – Classificação dos equipamentos segundo a IEC 61000-3-2.
Classificação dos equipamentos.
Equipamentos trifásicos balanceados (correntes de linha eficazes com diferença
Classe A menor que 20%) e todos os demais equipamentos, exceto aqueles das classes
seguintes.

Classe B Equipamentos portáteis.

Classe C Equipamentos de iluminação.

Equipamentos que possuem potência ativa fundamental de entrada entre 75 e


600 W. Independentemente da forma de onda de sua corrente de entrada,
Classe D
equipamentos das Classes B, C e, provisoriamente, equipamentos acionados por
motor não são considerados como Classe D.
Fonte: IEC 61000-3-2 (IEC, 2018)
Os limites máximos de corrente para cada ordem harmônica são estabelecidos
individualmente, com valores mais restritivos para harmônicas de ordens inferiores.
Na Tabela 2 são apresentados os limites para equipamentos da Classe A e a Tabela
3 os limites para Classe D.

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Tabela 2 – Limites de corrente harmônica (Classe A)


Limite de Corrente Harmônica

Pares Ímpares
Ordem Corrente Ordem Corrente
Harmônica Máxima Harmônica Máxima
2ª 1,08 3ª 2,30

4ª 0,43 5ª 1,14

6ª 0,30 7ª 0,77

8ª ≤ h ≤ 40ª 0,23 x (8/h) 9ª 0,40

----------- ----------- 11ª 0,33

----------- ----------- 13ª 0,21

----------- ----------- 15ª ≤ h ≤ 39ª 0,15 x (15/h)


Fonte: IEC 61000-3-2 (IEC, 2018)

Tabela 3 – Limites de corrente harmônica (Classe D)


Limite de Corrente Harmônica

75W < P < 600W P > 600W


Ordem Harmônica
(mA/W) (A)

3ª 3,4 2,30

5ª 1,9 1,14

7ª 1 0,77

9ª 0,5 0,40

11ª 0,35 0,33

13ª 0,296 0,21

15ª <= h <= 391ª 3,85/h 2,25/h


Fonte: IEC 61000-3-2 (IEC, 2018)

4 METODOLOGIA

A proposta deste trabalho é realizar medições em eletrodomésticos e


eletroeletrônicos de uso comum, entre consumidores residenciais, com o objetivo de
avaliar seu impacto na qualidade da energia elétrica. Foram analisados parâmetros
como conteúdos harmônicos, fator de potência, corrente e tensão, a fim de identificar
o comportamento elétrico desses equipamentos e como eles podem contribuir para
distorções na rede. A lista dos eletrodomésticos utilizados nos ensaios, bem como os
detalhes das medições realizadas, será apresentada no item 4.2.

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4.1 Analisador de energia

O analisador de energia utilizado neste trabalho foi o modelo Minipa ET-5061C,


um equipamento portátil e versátil desenvolvido para medições em sistemas trifásicos
de baixa e média tensão. Fabricado pela empresa brasileira Minipa, o aparelho
permite analisar parâmetros como tensão, corrente, frequência, potência ativa, reativa
e aparente, fator de potência e 𝐶𝑜𝑠 𝜑 de maneira distinta como podemos observar na
equação 7, além da distorção harmônica total (DHT) e a presença de harmônicos até
a 49ª ordem.
Figura 2 – Analisador minipa ET-5061C

Fonte: Manual Minipa ET-5061C (MINIPA, 2025)

A escolha do analisador de energia MINIPA ET5061C foi motivada pela


disponibilidade do equipamento no curso de Bacharelado em Engenharia Elétrica do
IFPE Campus Pesqueira, bem como pela sua confiabilidade e capacidade de atender
com precisão às medições necessárias para o trabalho. A marca MINIPA é
amplamente reconhecida internacionalmente pela qualidade e excelência na
fabricação de instrumentos de medição, o que reforça a segurança na utilização do
equipamento.
Outro diferencial importante do equipamento é sua flexibilidade. Embora venha
com funções de medição pré-configuradas para garantir resultados otimizados em
diferentes situações, ele também permite ajustes manuais, possibilitando
configurações personalizadas de acordo com os parâmetros específicos que se
pretende monitorar. Essa adaptabilidade torna o analisador adequado para diversas
aplicações, garantindo medições precisas e representativas mesmo em condições
variáveis.
Para realizar a configuração do dispositivo, o primeiro passo consiste em ligá-lo e
acessar o menu de configurações por meio das teclas localizadas no painel central do
equipamento. A partir desse menu, é possível definir os parâmetros necessários para
a medição, como as grandezas elétricas a serem monitoradas, o intervalo de tempo
entre as amostragens, a frequência da rede e o tipo de garra de corrente utilizada.
A Figura 3 mostra a tela do analisador com as configurações aplicadas. Nessa
etapa, foi selecionado o modo de medição monofásico (método "Mono"), o qual exibe
diretamente o diagrama de ligação correspondente, facilitando a conexão correta dos
cabos de medição para sistemas de uma única fase.

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Figura 3 – Configuração do analisador

Fonte: Manual Minipa ET-5061C (MINIPA, 2025)

4.2 Eletrodomésticos avaliados

Para a conclusão dos objetivos propostos neste trabalho, foram realizadas


medições em diversos eletrodomésticos, considerando parâmetros como tensão,
corrente, fator de potência e a taxa de distorção harmônica total (DHT) de tensão e
corrente. Os dados foram coletados com dois tempos distintos de amostragem,
definidos conforme as características de funcionamento de cada equipamento. Para
aparelhos com ciclos de operação curtos, como o micro-ondas, foi adotado um
intervalo de coleta de 1 segundo, de modo a capturar com maior precisão as variações
durante o uso. Já para eletrodomésticos com funcionamento mais contínuo, como o
bebedouro tipo “gela-água”, a geladeira e a máquina de lavar roupas, o tempo de
coleta adotado foi de 2 minutos.
As medições harmônicas foram realizadas até a 49ª ordem. No entanto, para fins
de análise e interpretação, foram consideradas apenas as componentes harmônicas
mais relevantes, ou seja, aquelas cuja contribuição percentual para o DHT foi superior
a 1%.
Em determinados casos, foram inseridos gráficos para ilustrar a natureza de
funcionamento dos eletrodomésticos e o comportamento das correntes harmônicas
associadas. Esses gráficos foram analisados com o objetivo de proporcionar uma
melhor compreensão dos fenômenos observados durante o funcionamento dos
equipamentos.
A seleção dos equipamentos utilizados nas medições teve como critério o uso
frequente em residências. A seguir é apresentada a Quadro 2 com os
eletrodomésticos analisados.

Quadro 2 – Eletrodomésticos analisados.


Potência Classe da
Eletrodoméstico Modelo
(W) IEC
Bebedouro Bebedouro Electrolux
elétrico 75W Classe A
BC01X 220V
Bomba de água Bomba periférica Ferrari 1/2CV
Classe A
Acquapump 220V (370W)

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Ferro de passar Ferro de passar


roupa 2kW Classe A
Black+Decker fx3060 220V
Forno micro- Forno micro-ondas Consul
ondas 700W Classe D
CMD20ASBNA 220V
Geladeira/Refrigerador
Geladeira combinado BRASTEMP 135W Classe A
BRM50 127V
Liquidificador Liquidificador Black+Decker
300W Classe A
220V
Máquina de Lavadora automática
lavar roupa Consul CWC08ABBNA 235W Classe A
220V
Sanduicheira Sanduicheira/Grill Britânia
850W Classe A
Press BGR27I
Ventilador Ventilador Arno X-treme7
150W Classe A
220V
Fonte: Própria

5 RESULTADOS E ANÁLISE

5.1 Bebedouro elétrico.

O bebedouro, embora pareça simples, possui componentes internos que geram


harmônicos na rede elétrica devido ao seu modo de operação. Esses harmônicos vêm
principalmente dos circuitos eletrônicos de controle de temperatura, das fontes de
alimentação e dos dispositivos de comutação. O equipamento liga automaticamente
quando a temperatura da água sobe além do valor configurado e desliga ao atingir a
temperatura ideal, operando em ciclos de liga-desliga controlados por um termostato
eletrônico.
Internamente, a fonte de alimentação utiliza retificadores com diodos e capacitores
para converter corrente alternada em contínua, o que resulta em correntes não
senoidais com elevado teor harmônico. O compressor de refrigeração, acionado
conforme a necessidade de resfriamento, usa um motor de indução que também pode
gerar harmônicos, especialmente na partida, sendo normalmente controlado por relés
ou circuitos eletrônicos de chaveamento.
Na Tabela 4 é possível observar uma distorção harmônica total de corrente
(DHTi%) de 10,79%, valor considerado elevado, indicando que a corrente consumida
pelo equipamento contém uma parcela significativa de harmônicos, o que é comum
em cargas não lineares. Por outro lado, a distorção harmônica de tensão (DHT v%) foi
de 2,79%, dentro dos limites normalmente aceitáveis de acordo com o módulo 8 da
PRODIST. Dentre os harmônicos de ordem ímpar, percebe-se que os mais relevantes
foram o 3ª (5,45%) até o de 9ª ordem (2,38%). Entre os harmônicos de ordem par, o
2ª (5,74%) e o 4ª (1,69%) se destacam.

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Tabela 4 – Conteúdo harmônico de um bebedouro elétrico.


DHT%
𝐷𝐻𝑇) = 2,79 𝐷𝐻𝑇* = 10,79
𝐼#$% = 0,39𝐴
𝐹𝑃 = 0,84 𝐶𝑜𝑠 𝜑 = 0,96
Harmônicos de Corrente
Pares (%) Ímpares (%) Harmônicos (A)
2ª 5,74 3ª 5,45 2ª 0,022
4ª 1,69 5ª 2,16 3ª 0,024
6ª 0,61 7ª 3,34 4ª 0,007
8ª 0,62 9ª 2,38 5ª 0,011
10ª 0,56 11ª 1,90 6ª 0,003
12ª 0,56 13ª 1,64 7ª 0,014
14ª 0.82 15ª 1,52 8ª 0,003
16ª 0,57 17ª 1,46 9ª 0,009
18ª 0,56 19ª 1,32 10ª 0,002
20ª 0,55 21ª 1,12 11ª 0,008
Fonte: Própria

5.2 Bomba de água.

A bomba de água monofásica com partida direta é composta por um motor de


indução e um sistema hidráulico com rotor, eixo e carcaça. Seu funcionamento ocorre
quando o motor é energizado diretamente da rede, acionando o rotor e impulsionando
a água.
O motor utiliza capacitores para criar o campo girante necessário ao seu
funcionamento. Durante a partida, há um elevado pico de corrente, com forma de onda
distorcida, o que gera harmônicos de baixa ordem na rede elétrica. Mesmo sem
inversores, os capacitores de partida, a natureza indutiva do motor e o comportamento
transitório na energização tornam a bomba uma carga não linear, capaz de introduzir
distorções harmônicas principalmente nos momentos de acionamento.
A Tabela 5 apresenta os resultados obtidos na análise de uma bomba de água
monofásica com partida direta, destacando uma DHT de corrente de 5,86%, corrente
eficaz de 1,51A e fator de potência de 0,97. Os principais harmônicos são o 3ª (3,52%)
e o 5ª (1,8%), com presença também de harmônicos pares como o 2ª (1,42%),
indicando carga não linear com assimetrias.

Tabela 5 – Conteúdo harmônico de uma bomba de água.


DHT%
𝐷𝐻𝑇) = 2,19 𝐷𝐻𝑇* = 5,86
𝐼#$% = 1,51𝐴
𝐹𝑃 = 0,97 𝐶𝑜𝑠 𝜑 = 0,99
Harmônicos de Corrente

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Pares (%) Ímpares (%) Harmônicos (A)


2ª 1,42 3ª 3,52 2ª 0,024
4ª 1,02 5ª 1,8 3ª 0,062
6ª 0,19 7ª 0,75 4ª 0,017
8ª 0,19 9ª 1,11 5ª 0,039
10ª 0,14 11ª 0,36 6ª 0,033
Fonte: Própria

5.3 Ferro de passar roupa.

O ferro de passar roupas é um eletrodoméstico que aquece uma base metálica


por meio do efeito Joule, utilizando uma resistência elétrica interna. O modelo usado
para estudo controla a temperatura com um termostato mecânico que liga e desliga o
circuito conforme necessário, sem a presença de componentes eletrônicos
avançados. Isso torna o ferro uma carga predominantemente resistiva, com
funcionamento simples e direto.
A Figura 4 apresenta o comportamento da corrente elétrica durante os ciclos de
acionamento de um ferro de passar roupa. Observa-se que, após o acionamento
inicial, a corrente RMS se eleva rapidamente, indicando o funcionamento da
resistência elétrica. Após alguns segundos, ocorre a interrupção da corrente, o que
corresponde à atuação do termostato interno ao atingir a temperatura de operação.
Logo em seguida, a corrente volta a subir, evidenciando o reaquecimento automático
para manter a temperatura ideal do ferro.
Além disso, são exibidas as correntes harmônicas de 3ª e 5ª ordem, que
permanecem em níveis muito baixos ao longo do tempo. Isso indica que o ferro de
passar, apesar de ser uma carga resistiva com controle térmico, apresenta baixo
conteúdo harmônico em comparação a outros eletrodomésticos com cargas não
lineares,
Os dados da medição que são apresentados na Tabela 6 refere-se ao conteúdo
harmônico do ferro de passar roupa, que operou com DHT de corrente de 3,57%,
corrente eficaz de 9,1 A e fator de potência de 0,97, indicando comportamento próximo
ao de uma carga linear. Os harmônicos mais significativos foram o 5º (1,34%) e o 3º
(0,91%), com presença mínima de harmônicos pares, como o 2º (0,31%).

Figura 4 – Comportamento das correntes entre os ciclos liga-desliga do ferro


de passar roupa.

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Fonte: Própria

Tabela 6 – Conteúdo harmônico de um ferro de passar roupa.


DHT%
𝐷𝐻𝑇) = 2,50 𝐷𝐻𝑇* = 3,57
𝐼#$% = 9,1𝐴
𝐹𝑃 = 0,97 𝐶𝑜𝑠 𝜑 = 0,99
Harmônicos de Corrente
Pares (%) Ímpares (%) Harmônicos (A)
2ª 0,31 3ª 0,91 2ª 0,054
4ª 0,14 5ª 1,34 3ª 0,092
6ª 0,05 7ª 0,68 4ª 0,025
Fonte: Própria

5.4 Forno micro-ondas

O forno micro-ondas é um eletrodoméstico amplamente utilizado para aquecer e


cozinhar alimentos por meio da radiação eletromagnética em alta frequência
(2,45 GHz). Os principais componentes de um micro-ondas responsáveis pela
geração de harmônicos de corrente estão os diodos retificadores e capacitores, que
integram a fonte de alimentação e convertem a tensão alternada da rede em corrente
contínua pulsante para alimentar o magnetron. Este é o componente responsável por
gerar as micro-ondas propriamente ditas, operando com alta tensão e se comportando
como uma carga altamente não linear. Além disso, motores auxiliares, como o que
movimenta o prato giratório, também contribuem com pequenas distorções. (ROCHA,
2016)
Como resultado, o forno micro-ondas atua como uma carga não linear, injetando
harmônicos na rede elétrica residencial, o que pode comprometer a qualidade da
energia.

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A Tabela 7 mostra os resultados obtidos para um forno micro-ondas, que


apresentou DHT de corrente de 33,23%, corrente eficaz de 5,05 A e fator de potência
0,92. Destacam-se os harmônicos 3º (25,41%), 5º (16,74%) e 2º (8,96%).

Tabela 7 – Conteúdo harmônico de um forno micro-ondas.


DHT%
𝐷𝐻𝑇) = 2,73 𝐷𝐻𝑇* = 33,23
𝐼#$% = 5,05𝐴
𝐹𝑃 = 0,92 𝐶𝑜𝑠 𝜑 = 0,97
Harmônicos de Corrente
Pares (%) Ímpares (%) Harmônicos (A)
2ª 8,96 3ª 25,41 2ª 0,493
4ª 1,6 5ª 16,74 3ª 1,259
6ª 1,1 7ª 5,97 4ª 0,890
8ª 0,69 9ª 3,17 5ª 0,824
10ª 0,11 11ª 1,9 6ª 0,06
12ª 0,1 13ª 1,14 7ª 0,297
14ª 0,08 15ª 0,8 8ª 0,037
Fonte: Própria

5.5 Geladeira

A geladeira funciona com base no ciclo de compressão de vapor, onde um


compressor movimenta o fluido refrigerante para resfriar o interior do equipamento.
Em modelos modernos, além do compressor, há placas eletrônicas, sensores e
ventiladores, que exigem o uso de fontes chaveadas para alimentar os circuitos de
controle com tensões contínuas. Embora a geladeira isolada não cause grandes
distúrbios, o uso simultâneo de vários aparelhos com fontes semelhantes pode
comprometer a qualidade da energia elétrica da instalação. (ROCHA, 2016)
A Figura 5 ilustra os ciclos de operação da geladeira, com variações periódicas na
corrente RMS, características do acionamento do compressor. Observa-se que, após
cada desligamento, há um intervalo até o próximo pico de corrente, indicando o
controle automático de temperatura. As componentes harmônicas de 3ª e 5ª ordem
permanecem visivelmente presentes, com valores mais elevados em comparação a
cargas puramente resistivas, o que reforça o comportamento de carga não linear típico
de aparelhos com motores e controles eletrônicos.
Os dados apresentados na Tabela 8 mostram o conteúdo harmônico de uma
geladeira em operação, com DHT de corrente de 9,66%, corrente eficaz de 0,92A e
fator de potência de 0,74, indicando baixa eficiência no uso da energia. Os harmônicos
mais expressivos foram o 3º (5,17%), 5º (3,82%) e 2º (2,83%).

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Figura 5 – Comportamento das correntes entre os ciclos liga-desliga da


geladeira.

Fonte: Própria

Tabela 8 – Conteúdo harmônico de uma geladeira.


DHT%
𝐷𝐻𝑇) = 2,73 𝐷𝐻𝑇* = 9,66
𝐼#$% = 0,92𝐴
𝐹𝑃 = 0,74 𝐶𝑜𝑠 𝜑 = 0,93
Harmônicos de Corrente
Pares (%) Ímpares (%) Harmônicos (A)
2ª 2,83 3ª 5,17 2ª 0,029
4ª 1,10 5ª 3,82 3ª 0,065
6ª 0,79 7ª 2,05 4ª 0,011
8ª 0,53 9ª 1,07 5ª 0,045
10ª 0,37 11ª 0,87 6ª 0,008
12ª 0,30 13ª 1,18 7ª 0,022
14ª 0,34 15ª 0,44 8ª 0,005
Fonte: Própria

5.6 Liquidificador.

O liquidificador é um eletrodoméstico utilizado para triturar, misturar e


homogeneizar alimentos. Seu funcionamento baseia-se em um motor universal
(funciona tanto em corrente alternada quanto contínua), que gira lâminas acopladas a
alta velocidade. A velocidade de rotação é controlada por um seletor que, geralmente,
muda a configuração dos enrolamentos e a tensão aplicada ao motor. (ROCHA, 2016)
Motores universais são cargas não lineares e, por isso, são fontes significativas
de harmônicos de corrente. A comutação das escovas sobre o comutador gera
centelhas e variações abruptas na corrente, distorcendo a forma de onda.

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O funcionamento do liquidificador, conforme os dados da tabela 9, resultou em


uma DHT de corrente de 15,59%, com corrente eficaz de 0,97A e fator de potência de
0,88. Os harmônicos mais intensos foram o 3º (11,53%), seguido do 5º (2,93%) e 7º
(2,63%), além da presença notável do 2º harmônico (1,87%).

Tabela 9 – Conteúdo harmônico de um liquidificador.


DHT%
𝐷𝐻𝑇) = 2,08 𝐷𝐻𝑇* = 15,59
𝐼#$% = 0,97𝐴
𝐹𝑃 = 0,88 𝐶𝑜𝑠 𝜑 = 0,94
Harmônicos de Corrente
Pares (%) Ímpares (%) Harmônicos (A)
2ª 1,87 3ª 11,53 2ª 0,026
4ª 0,99 5ª 2,93 3ª 0,123
6ª 0,28 7ª 2,63 4ª 0,011
8ª 0,24 9ª 1,49 5ª 0,003
10ª 0,22 11ª 0,79 6ª 0,006
12ª 0,25 13ª 0,68 7ª 0,028
14ª 0,29 15ª 0,69 8ª 0,004
Fonte: Própria

5.7 Máquina de lavar roupas

A lavadora que foi objeto de estudo utiliza componentes eletroeletrônicos para


controlar seus ciclos de lavagem, como válvulas solenoides, sensores de nível
(pressostato) e, principalmente, um motor elétrico responsável pelos movimentos de
agitação e centrifugação. Esse controle eletrônico causa comutações rápidas de
corrente, o que distorce o formato da onda de corrente consumida. (ROCHA, 2016)
Essas harmônicas são geradas por dispositivos que não consomem corrente de
forma senoidal, como é o caso do motor controlado eletronicamente. Essa distorção
pode afetar a qualidade da energia elétrica e aumentar perdas em transformadores,
condutores e causar aquecimento anormal.
A Figura 6 mostra os ciclos de operação da máquina de lavar, evidenciando
variações abruptas na corrente RMS associadas aos diferentes estágios do processo
de lavagem, como acionamento do motor, centrifugação e pausas intermediárias.
Nota-se que a corrente não é contínua, com picos concentrados em momentos
específicos, caracterizando a natureza intermitente do equipamento. As harmônicas
de 3ª e 5ª ordem também apresentam elevação durante os picos de corrente, o que
indica a presença de componentes eletrônicos ou motores com controle não linear,
gerando distorções harmônicas significativas na rede.

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Figura 6 – Comportamento das correntes entre os ciclos da máquina de lavar.

Fonte: Própria

A análise do conteúdo harmônico de uma máquina de lavar roupas, apresentada


na Tabela 10, revela uma DHT de corrente de 13,10%, com corrente eficaz de 1,46A
e fator de potência de 0,8. Os principais harmônicos observados foram o 3º (19,03%),
5º (9,23%) e 7º (4,36%), além da presença significativa do 2º harmônico (2,05%).

Tabela 10 – Conteúdo harmônico de uma máquina de lavar roupas.


DHT%
𝐷𝐻𝑇) = 3,19 𝐷𝐻𝑇* = 13,10
𝐼#$% = 1,46𝐴
𝐹𝑃 = 0,8 𝐶𝑜𝑠 𝜑 = 0,88
Harmônicos de Corrente
Pares (%) Ímpares (%) Harmônicos (A)
2ª 2,05 3ª 19,03 2ª 0,035
4ª 1,49 5ª 9,23 3ª 0,781
6ª 0,82 7ª 4,36 4ª 0,028
8ª 0,73 9ª 4,36 5ª 0,385
10ª 0,53 11ª 1,98 6ª 0,024
12ª 0,42 13ª 1,12 7ª 0,144
14ª 0,47 15ª 1,82 8ª 0,021
Fonte: Própria

5.8 Sanduicheira

A sanduicheira elétrica é um eletrodoméstico utilizado para aquecer e prensar


alimentos, funcionando por meio do efeito Joule, semelhante ao ferro de passar. Seu
interior possui uma ou mais resistências elétricas que aquecem as chapas metálicas.

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O controle de temperatura é geralmente feito por um termostato simples, que liga e


desliga o circuito conforme o aquecimento atinge um determinado ponto.
Por ser uma carga resistiva pura, a sanduicheira não gera harmônicos
significativos durante seu funcionamento normal. Entretanto, o acionamento do
termostato pode provocar picos de corrente na rede. Esses efeitos são pontuais e de
curta duração, com impacto harmônico praticamente desprezível em comparação a
dispositivos com controle eletrônico. (CARVALHO, 2015)
No caso da sanduicheira, os dados da Tabela 11 indicam uma DHT de corrente
de 2,11%, corrente eficaz de 3,83 A e fator de potência de 0,99, sinalizando uma carga
quase linear. Os harmônicos presentes são baixos, com destaque para o 3º (1,12%)
e o 2º (0,58%), valores típicos de aparelhos resistivos com controle térmico simples.
Isso mostra que a sanduicheira tem baixo impacto na distorção harmônica da rede
elétrica.

Tabela 11 – Conteúdo harmônico de uma sanduicheira.


DHT%
𝐷𝐻𝑇) = 1,94 𝐷𝐻𝑇* = 2,11
𝐼#$% = 3,83𝐴
𝐹𝑃 = 0,99 𝐶𝑜𝑠 𝜑 = 0,99
Harmônicos de Corrente
Pares (%) Ímpares (%) Harmônicos (A)
2ª 2,05 3ª 19,03 2ª 0,037
4ª 1,49 5ª 9,23 3ª 0,048
6ª 0,82 7ª 4,36 4ª 0,015
Fonte: Própria

5.9 Ventilador

O ventilador é um eletrodoméstico utilizado para promover a circulação de ar e


melhorar o conforto térmico em ambientes. Seu funcionamento se baseia em um
motor elétrico, geralmente do tipo monofásico de indução, que aciona as hélices. A
velocidade do motor é controlada por chaves seletoras que inserem resistores ou
capacitores no circuito, alterando a tensão ou o defasamento e a rotação das pás.
O comportamento harmônico de um ventilador em funcionamento é apresentado
na tabela 12, com DHT de corrente de 11,61%, corrente eficaz de 0,97A e fator de
potência de 0,92. Os harmônicos mais relevantes foram o 2º (3,42%), 3º (2,77%), 5º
(2,34%) e 7º (2,38%).

Tabela 12 – Conteúdo harmônico de um ventilador.


DHT%
𝐷𝐻𝑇) = 2,14 𝐷𝐻𝑇* = 11,61
𝐼#$% = 0,97𝐴
𝐹𝑃 = 0,92 𝐶𝑜𝑠 𝜑 = 0,97
Harmônicos de Corrente

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Pares (%) Ímpares (%) Harmônicos (A)


2ª 3,42 3ª 2,77 2ª 0,030
4ª 1,38 5ª 2,34 3ª 0,027
6ª 0,39 7ª 2,38 4ª 0,014
8ª 0,36 9ª 1,73 5ª 0,025
10ª 0,31 11ª 1,09 6ª 0,005
12ª 0,35 13ª 1,05 7ª 0,002
14ª 0,42 15ª 0,91 8ª 0,004
16ª 0,35 17ª 0,74 9ª 0,014
Fonte: Própria

6 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

6.1 Eletrodomésticos que mais geraram distorções e análise comparativa com


o módulo 8 da PRODIST.

A análise dos dados obtidos por meio das medições revelou importantes aspectos
sobre o comportamento elétrico dos eletrodomésticos residenciais quanto à geração
de harmônicos e seus impactos na qualidade da energia elétrica. Os valores de
distorção harmônica total (DHT) da corrente variaram significativamente entre os
equipamentos, indicando diferentes graus de contribuição para a poluição harmônica
da rede.
Os resultados mostram que os equipamentos com dispositivos eletrônicos e fontes
chaveadas, como o forno micro-ondas (DHTᵢ = 33,23%) e a máquina de lavar (DHTᵢ =
13,10%), estão entre os que mais geram distorções. Esses dispositivos apresentam
forte presença de harmônicos de ordem ímpar, especialmente o 3º, 5º e 7º, conforme
já relatado na literatura técnica. Além disso, foram observados níveis significativos de
harmônicos pares, como o 2º e o 4º, o que indica assimetrias na forma de onda da
corrente que é algo comum em equipamentos que operam com retificadores e
controles eletrônicos.
Em contrapartida, cargas predominantemente resistivas, como o ferro de passar
(DHTᵢ = 1,96%) e a sanduicheira (DHTᵢ = 2,11%), apresentaram baixos níveis de
distorção, com comportamento mais próximo ao linear, contribuindo de forma quase
insignificante para os harmônicos da instalação.
Outro ponto relevante foi as diferenças entre o fator de potência (FP) e o cosseno
φ (cos φ). Enquanto o cos φ indica apenas a defasagem angular entre corrente e
tensão, o FP real é reduzido pela presença de distorções harmônicas, o que evidencia
a importância de se considerar esse parâmetro em análises de qualidade de energia.
Nos equipamentos de natureza resistiva, como ferro de passar (DHTᵢ = 3,57%) e
sanduicheira (DHTᵢ = 2,11%), observou-se que o FP praticamente coincidiu com o cos
φ (0,97/0,99 e 0,99/0,99, respectivamente), confirmando que a baixa distorção
harmônica não compromete o desempenho energético.
Já em cargas não lineares, como o micro-ondas (DHTᵢ = 33,23%) e a máquina de
lavar (DHTᵢ = 13,10%), a diferença entre FP e cos φ foi significativa como pode ser
visto no Quadro 3. No micro-ondas, o cos φ foi elevado (0,97), mas o FP real caiu para
0,92 devido à forte presença de harmônicos. Na máquina de lavar, a diferença foi

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ainda mais acentuada (cos φ = 0,88 e FP = 0,80), confirmando que a redução do fator
de potência total não se deve apenas à defasagem, mas principalmente ao conteúdo
harmônico. Esse comportamento também foi verificado em equipamentos como
geladeira (FP = 0,74 / cos φ = 0,93) e liquidificador (FP = 0,88 / cos φ = 0,94).
Ao comparar os valores medidos com os limites estipulados pelo módulo 8 da
PRODIST, observa-se que, embora a maioria dos equipamentos tenha mantido a DHT
de tensão abaixo dos 10% exigidos para sistemas de até 1 kV, a DHT de corrente
ultrapassou valores recomendáveis em vários casos. Esse fato não configura, por si
só, uma não conformidade normativa, mas serve como alerta para o impacto
cumulativo que essas cargas podem causar na instalação e no sistema de distribuição
como um todo. A Tabela 13 apresenta um resumo dos principais resultados obtidos
neste trabalho.

Tabela 13 – Resumo dos resultados.


Classe da Fator de
Eletrodoméstico
IEC potência
𝑪𝒐𝒔 𝝋 𝑻𝑯𝑫𝒗 𝑻𝑯𝑫𝒊

Bebedouro Classe
elétrico 0,84 0,96 2,79 10,79
A
Bomba de água Classe
0,97 0,99 2,19 5,86
A
Ferro de passar Classe
roupa 0,97 0,99 2,50 3,57
A
Forno Classe
0,92 0,97 2,73 33,23
micro-ondas D
Geladeira Classe
0,74 0,93 2,73 9,66
A
Liquidificador Classe
0,88 0,94 2,08 15,59
A
Máquina de Classe
lavar roupa 0,80 0,88 3,19 13,10
A
Sanduicheira Classe
0,99 0,99 1,94 2,11
A
Ventilador Classe
0,92 0,97 2,14 11,61
A
Fonte: Própria

6.2 Análise comparativa com a IEC 61000-3-2

Os eletrodomésticos analisados neste estudo, como o micro-ondas, geladeira,


máquina de lavar, ferro de passar e sanduicheira, se enquadram na Classe A da IEC
61000-3-2, que abrange a maioria dos equipamentos eletrodomésticos tradicionais. O
micro-ondas, por apresentar consumo maior que 600 W com características
específicas de chaveamento eletrônico, pode também ser analisado sob a Classe D,
que impõe restrições ainda mais rígidas à emissão harmônica.
De modo geral, verificou-se que a maioria dos equipamentos manteve suas
correntes harmônicas individuais abaixo dos limites máximos. O forno micro-ondas,

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apesar de ser a carga mais crítica em termos de distorção, apresentou corrente de 3ª


harmônica de 1,259 A, dentro do limite de 2,30 A definido para a Classe A. Ainda
assim, por possuir potência de entrada superior a 600 W e eletrônica de chaveamento,
esse equipamento poderia ser analisado também sob os critérios da Classe D, que
apresentam limites proporcionais mais rigorosos
A máquina de lavar roupas, com corrente de 5ª harmônica de 0,385 A, também
se manteve dentro do limite de 1,14 A estabelecido pela norma. Equipamentos
essencialmente resistivos, como ferro de passar e sanduicheira, registraram valores
muito baixos de correntes harmônicas, todos em conformidade com a IEC.
Outro ponto importante refere-se às harmônicas pares (2ª e 4ª ordens), que
apresentam limites proporcionalmente menores. Em grande parte dos equipamentos,
esses valores foram pouco expressivos; no entanto, no micro-ondas observou-se
maior assimetria, com corrente de 0,493 A na 2ª ordem, ainda assim dentro do limite
permitido.
Portanto, a comparação direta com a IEC 61000-3-2 (IEC, 2018) mostra que,
embora diversos eletrodomésticos apresentem níveis elevados de DHT de corrente,
os valores absolutos de correntes harmônicas individuais permaneceram em
conformidade com a norma. Isso sugere que, do ponto de vista normativo, os
equipamentos atendem aos requisitos de emissão, mas que, na prática, a operação
simultânea de várias cargas não lineares pode resultar em impacto cumulativo
significativo na qualidade da energia em instalações residenciais.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Durante a realização deste trabalho, analisamos a influência das distorções


harmônicas na qualidade da energia elétrica em uma instalação residencial, a partir
de medições práticas realizadas com eletrodomésticos comumente utilizados no
cotidiano. Com base nas análises efetuadas por meio do analisador de energia Minipa
ET-5061C, foi possível identificar a presença de distorções significativas nas formas
de onda da corrente elétrica e nos valores do fator de potência, especialmente em
equipamentos que utilizam dispositivos eletrônicos ou operam com fontes chaveadas.
Os resultados mostraram que eletrodomésticos como micro-ondas, máquinas de
lavar e liquidificadores são fontes expressivas de distorção harmônica, apresentando
níveis elevados de DHT de corrente e contribuindo para a degradação da qualidade
da energia elétrica. Em contrapartida, equipamentos de natureza predominantemente
resistiva, como ferros de passar e sanduicheiras, apresentaram comportamento
praticamente linear, com baixo impacto harmônico.
Também foi possível observar que, em muitos casos, o fator de potência dos
equipamentos analisados foi reduzido devido à presença de harmônicos, mesmo em
situações de baixa defasagem entre tensão e corrente. Isso reforça a necessidade de
considerar a distorção harmônica como componente fundamental na análise da
eficiência energética e no dimensionamento de instalações elétricas residenciais.
Em relação à conformidade normativa, a DHT da tensão permaneceu dentro dos
limites estipulados pelo módulo 8 da PRODIST, demonstrando que, embora as cargas
não lineares causem distorções locais, o impacto na rede de distribuição ainda se
mantém controlado. No entanto, os altos níveis de DHT de corrente identificados
alertam para o risco cumulativo que essas cargas podem representar, especialmente

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em instalações com grande número de dispositivos eletrônicos operando


simultaneamente.
Conclui-se, portanto, que a crescente presença de equipamentos eletrônicos nos
lares brasileiros representa um desafio crescente para a manutenção da qualidade da
energia elétrica. Torna-se essencial o desenvolvimento de soluções que envolvam
tanto a conscientização dos consumidores quanto o aprimoramento de dispositivos de
compensação e filtragem harmônica em instalações residenciais. Além disso, este
trabalho contribui com dados reais e contextualizados, reforçando a importância de
estudos práticos para compreensão e mitigação dos impactos causados por cargas
não lineares no ambiente doméstico.

REFERENCIAS

ANEEL. Procedimentos de distribuição de energia elétrica no sistema elétrico nacional


– PRODIST. Módulo 8 – Qualidade da Energia Elétrica. Brasília: Agência Nacional de
Energia Elétrica, 2022.
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residenciais: estudo de caso. 2015. 130 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia
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2015.
CASTRO, Nivalde José de et al. Qualidade do fornecimento de energia elétrica:
aspectos regulatórios e perspectivas. Rio de Janeiro: Publit, 2017.
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