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Doenças Ocupacionais e Prevenção

O documento aborda as principais doenças relacionadas ao trabalho, enfatizando a importância da prevenção e tratamento por profissionais de saúde. Destaca doenças respiratórias ocupacionais, Lesões por Esforço Repetitivo, Síndrome de Burnout e a necessidade de biossegurança. A identificação de riscos e a implementação de medidas preventivas são cruciais para a saúde do trabalhador.
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Doenças Ocupacionais e Prevenção

O documento aborda as principais doenças relacionadas ao trabalho, enfatizando a importância da prevenção e tratamento por profissionais de saúde. Destaca doenças respiratórias ocupacionais, Lesões por Esforço Repetitivo, Síndrome de Burnout e a necessidade de biossegurança. A identificação de riscos e a implementação de medidas preventivas são cruciais para a saúde do trabalhador.
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Doenças relacionadas ao trabalho

Abordagem das principais doenças relacionadas ao ambiente ocupacional que podem ser prevenidas e
tratadas por profissionais da área de saúde.
Adriana de Souza Marinho Teixeira
1. Itens iniciais

Propósito
Conhecer as doenças ocupacionais mais recorrentes permitem que o fisioterapeuta atue na prevenção, no
restabelecimento e na manutenção da saúde do trabalhador, adaptando o ambiente e as atividades laborais
de forma mais eficiente.

Objetivos
• Reconhecer as principais doenças ocupacionais respiratórias.
• Distinguir a lesão por esforço repetitivo e a doença osteomuscular relacionada ao trabalho.
• Identificar a Síndrome de Burnout.
• Relacionar acidente de trabalho com as regras de biossegurança.

Introdução
As doenças ocupacionais englobam qualquer distúrbio ou lesão relacionada às atividades do trabalho ou ao
ambiente laboral que resulta em alterações biológicas, químicas, físicas e psicológicas, podendo impactar
diretamente na saúde do indivíduo.

Os diversos segmentos da saúde se preocupam com os efeitos que as atividades laborais podem gerar na
capacidade e eficiência do trabalhador e buscam identificar os fatores que levam a doenças no ambiente
laborativo. Isso permite a atuação com propostas preventivas e, quando necessárias, intervenções curativas.

As doenças ocupacionais, incluindo os acidentes relacionados ao trabalho, são um problema de saúde pública
altamente preocupante que requer cada vez mais um somatório de esforços de controle e prevenção. Sem
dúvida, as medidas de prevenção nas empresas, nas indústrias, enfim, em todas as formas de trabalho
humano devem ser a maior preocupação da área de saúde. A identificação dos riscos a que o trabalhador
pode estar exposto na prática de determinada atividade é fundamental para a elaboração de um plano de
atuação preventiva.

Para melhor conhecer os acometimentos que podem ser desenvolvidos em cada atividade, é necessário
entendermos, primeiramente, as doenças relacionadas ao trabalho. Por esse motivo, vamos estudar as
doenças ocupacionais respiratórias, as Lesões por Esforço Repetitivo (LER), o distúrbio osteomuscular
relacionado ao trabalho (DORT), a Síndrome de Burnout e conhecer os acidentes de trabalho e quais são as
regras de biossegurança.
1. Doenças ocupacionais

Doenças ocupacionais respiratórias


As doenças ocupacionais respiratórias são consequências da exposição às substâncias nocivas no ambiente
de trabalho, que podem agredir o sistema respiratório.

Saiba mais
A função do sistema respiratório é permitir ao organismo a troca de gases com o ar atmosférico e
assegurar a manutenção da concentração de oxigênio (O2) no sangue, necessário para as reações
metabólicas e que durante o processo expiratório permite a eliminação de gases residuais, como o
dióxido de carbono (CO2).

Podemos classificar as doenças ocupacionais respiratórias em agudas e crônicas. Elas acometem tanto o trato
respiratório superior como o trato respiratório inferior.

Veja a seguir a divisão do sistema respiratório.

O trato respiratório superior é formado por órgãos localizados fora da caixa torácica: nariz, cavidade nasal,
faringe, laringe e parte superior da traqueia.

Vias aéreas superiores.

Já o trato respiratório inferior é composto pelos órgãos localizados dentro da cavidade torácica: parte inferior
da traqueia, brônquios, bronquíolos, bronquíolos, alvéolos e pulmões.

As camadas das pleuras (parietal e visceral) fazem parte do trato respiratório inferior.
Vias aéreas inferiores.

Sabemos que o sistema respiratório é a principal interface entre os meios interno e externo do corpo humano.
Considerando o grande número de elementos dispersos no meio ambiente, e em especial nos locais de
trabalho, a exposição a esses agentes por períodos prolongados pode ser a causa de doenças respiratórias
relacionadas ao trabalho.

E como saber quais são os limites de tolerância à exposição a determinados agentes químicos?

Bem, temos a Norma Regulamentadora expedida pelo Ministério do Trabalho, a NR-15, que define limite de
tolerância como:

A concentração ou intensidade máxima ou mínima, relacionada com a natureza e o tempo de


exposição ao agente, que não causará danos à saúde do trabalhador, durante a sua vida laboral.

O desenvolvimento de doenças relacionadas ao trabalho e ao ambiente laboral já é conhecido há muito


tempo. Os efeitos maléficos de substâncias como chumbo, mercúrio e poeira de sílica foram descritos antes
de Cristo. Já no início do século XVI d.C., podemos destacar a frase clássica de Paracelso (1493-1541):

Paracelso
Médico alquimista que procurou estipular doses precisas para a cura de doenças.

Todas as substâncias são venenos, não existe nada que não seja veneno. Somente a dose correta
diferencia o veneno do remédio.

Essa assertiva de Paracelso faz refletir sobre como a quantidade da substância e o tempo de contato podem
ser fatores decisivos para os malefícios. Sabemos que a classe trabalhadora tem maior exposição direta a
esses agentes.

Doenças respiratórias e agentes químicos


Quando falamos em doenças do sistema respiratório relacionadas ao trabalho, podemos associá-las com a
exposição a agentes químicos.
Agentes químicos
São compostos que podem penetrar no organismo pela via respiratória, em forma de poeiras, fumos,
névoas, neblinas, gases ou vapores, que podem ter contato ou ser absorvidos pelo organismo através da
pele ou por ingestão.

Saiba mais
Segundo a Norma Regulamentadora expedida pelo Ministério do Trabalho – NR-9, riscos químicos são
substâncias compostas ou produtos que podem penetrar no organismo pela via respiratória ou que, pela
natureza da atividade laboral, tenham contato com a pele ou sejam absorvidos por ingestão.

Os agentes químicos podem ter ação localizada, atuando somente na região de contato, ou sistêmica, quando
os agentes são absorvidos pelo organismo e distribuídos por órgãos e sistemas.

Os agentes químicos podem estar:

Distribuídos no ar Divididos e suspensos no ar

Apresentam-se em estado gasoso, como os Formados por aerodispersoides (Partículas


gases e os vapores. pequenas) sólidos (poeiras e fumos) ou
aerodispersoides líquidos (névoas e neblinas).

O sistema respiratório é a principal via de absorção dos agentes químicos no organismo, principalmente pela
grande superfície dos alvéolos pulmonares (80 a 90 metros quadrados no adulto), constituindo a maior
interface entre o ser humano e o meio ambiente. As substâncias penetram pela via respiratória superior (boca
e nariz), agindo nas regiões da faringe, laringe, traqueia, brônquios e pulmões.

Exposições inalatórias significativas são passíveis de provocar danos a curto ou longo prazo, constituindo
importante causa de sintomatologia respiratória no trabalhador, bem como de absentismo (Ausência no
trabalho), incapacidade e morte.

A Portaria nº 2.309, de 28 de agosto de 2020, atualizou a lista de doenças relacionadas ao trabalho – LDRT. A
seguir, veja agentes e/ou fatores de riscos físicos e as respectivas doenças respiratórias a eles relacionadas.

Ácido sulfídrico (sulfeto de hidrogênio)

Afecções respiratórias crônicas por produtos químicos, gases, fumaças e vapores.

Acrilatos

Afecções respiratórias crônicas por produtos químicos, gases, fumaças e vapores.


Amônia

Faringite crônica.

Bronquite crônica não especificada.

Bromo

Sinusite crônica.

Laringotraqueíte crônica.

Carbonetos de metais duros

Pneumoconiose por outras poeiras inorgânicas especificadas.

Asma.

Faringite crônica.

Rinite crônica.

Poeira de alumínio

Aluminose (do pulmão).

Poeiras contendo micro-organismos e parasitas infecciosos vivos e seus produtos tóxicos

Pulmão de fazendeiro.

Pulmão dos criadores de pássaros.

Doença pulmonar por sistemas de ar condicionado e de umidificação do ar.

Poeiras da indústria do couro

Neoplasia maligna da cavidade nasal.

Neoplasia maligna dos seios da face.

Exposição a asbesto ou amianto; e/ou névoas ácidas; e/ou agentes químicos usados no processo de
produção da borracha, incluindo processo de vulcanização

Neoplasia maligna da laringe.


Exposição a agentes químicos provenientes da produção de alumínio; e/ou arsênio e seus compostos;
e/ou asbesto ou amianto

Neoplasia maligna dos brônquios e dos pulmões.

Exposição a poeiras de carvão mineral; e/ou poeiras de sílica livre cristalina

Pneumoconiose dos mineiros de carvão.

Da extensa lista de doenças pulmonares relacionadas ao trabalho, destacamos as duas mais recorrentes:
silicose e asbestose. Ambas são modalidades de pneumoconioses, as principais doenças respiratórias
notificadas e que se originam principalmente por inalação de pequenas partículas de poeira causadoras de
fibrose intersticial nos pulmões.

Silicose
Decorre da inalação da sílica, especialmente por trabalhadores da construção civil, da mineração, do garimpo
e das indústrias químicas de cerâmica (na fabricação de pisos, azulejos e louças sanitárias, borracha e vidro
ou no uso de areia para trabalhos de jateamento).

Saiba mais
A sílica possui diversas aplicações comerciais e industriais, é a principal matéria dos componentes
semicondutores e dos silicones, assim como dos cristais piezoelétricos. Na forma vítrea, é muito utilizada
na indústria de vidros e como componentes óticos.

A exposição ocupacional se dá por meio da inalação de poeira, que significa toda partícula sólida formada por
trituração, suspensa ou capaz de se manter suspensa no ar. Dependendo do tamanho da partícula, ela vai se
depositar em diferentes locais do sistema respiratório.

Assim, as partículas podem ser:

• Inaláveis - partículas menores que 100 μm


• Torácicas - partículas menores que 25 μm
• Respiráveis - partículas menores que 10 μm

Veja a seguir, as diferentes frações de partículas e suas áreas de penetração no sistema respiratório:
Segundo dados do Ministério do Trabalho, as ações de Vigilância em Saúde do Trabalhador relacionadas à
silicose começaram, no Rio de Janeiro, no final da década de 1980, quando já existia mobilização dos
sindicatos cobrando ações do poder público.

No Brasil, a NR-15, que trata de atividades e operações insalubres, traz em seu anexo XII os limites de
tolerância para poeiras minerais:

Fica proibido o processo de trabalho de jateamento que utilize areia seca ou úmida como abrasivo.

É necessária a interrupção da exposição à poeira de sílica tão logo seja feito o diagnóstico. Essa ação pode
impactar positivamente e evitar a progressão da doença e da insuficiência respiratória. Também é importante
cessar o tabagismo.

O tratamento precoce e adequado para aliviar as complicações do cor pulmonale melhora a função pulmonar
e, associado ao exercício físico bem orientado, é capaz de aliviar a insuficiência respiratória.

Cor pulmonale
Cor pulmonale é o aumento e o espessamento do ventrículo do lado direito do coração que resulta de
um distúrbio pulmonar subjacente que causa hipertensão pulmonar (pressões elevadas nos pulmões). O
aumento e o espessamento do ventrículo direito resultam em insuficiência cardíaca.

As atividades da construção civil em várias


etapas da obra (fundações, acabamento, corte
de azulejos e de pedras, mistura de cimento e
areia) apresentam maior risco de exposição à
sílica.

A manifestação da silicose é insidiosa, ou seja,


a doença surge de maneira lenta, sem
apresentar sinais ou sintomas mais graves e,
geralmente, quando os sintomas surgem,
manifestam-se em quadros de dispneia
(Sensação subjetiva de falta de ar). O
diagnóstico pode ser feito por radiografia do
tórax ou tomografia computadorizada.
A espirometria, exame pulmonar que permite avaliar distúrbios ventilatórios, mensurando a capacidade dos
pulmões de reterem ar, bem como a velocidade e volume expirado, pode mostrar a magnitude do
acometimento da doença.

Teste da função respiratória por espirometria.

A silicose está relacionada com o desenvolvimento de outras doenças, como tuberculose, câncer de pulmão,
doenças reumatológicas e pneumotórax.

Pneumotórax
Caracteriza-se pela presença de ar entre as duas camadas da pleura.

Asbestose
A asbestose é considerada uma pneumoconiose, ou seja, doença do sistema respiratório relacionada ao
trabalho. Ela gera a formação de tecido cicatricial no pulmão, o que reduz a elasticidade e a capacidade de
expansão pulmonar. A causa é atribuída à inalação de poeiras de amianto, que leva ao desenvolvimento de
fibrose pulmonar crônica e irreversível.

O asbesto, conhecido comercialmente como amianto, é uma fibra mineral utilizada principalmente na
fabricação de produtos como telhas, caixas d’água, placas, tubulações, pastilhas de freio e embreagens.

Amianto
Silicato natural hidratado de cálcio e magnésio (tanto crisotilo ou anfibólio) de contextura fibrosa,
refratário ao calor, de difícil fusão e amplamente empregado na confecção de produtos incombustíveis.

Em 11 de setembro de 2001, a cidade de Nova


York sofreu um atentado terrorista que incidiu
sobre as Torres Gêmeas. A destruição dos
edifícios expôs a população à poeira do
amianto, que gerou um pico de incidência de
asbestose. Atualmente, esses casos estão
associados ao desenvolvimento de câncer.

O quadro clínico da asbestose é semelhante ao


da silicose: provoca falta de ar e redução da
capacidade para as atividades diárias. O
diagnóstico geralmente é feito por radiografia e
tomografia computadorizada. Quando inconclusivo, o diagnóstico pode ser confirmado pelo exame lavado
broncoalveolar com a contagem de corpos asbestóticos.

Atenção
Para o diagnóstico das doenças respiratórias relacionadas ao trabalho, é necessário coletar a história
clínica ocupacional completa do paciente, explorando os sintomas respiratórios, os sinais clínicos e os
exames complementares, o estabelecimento de relação temporal adequada entre o evento e as
exposições a que foi submetido o trabalhador, traçando assim o nexo de causalidade. Também devem
ser consideradas na anamnese as manipulações de resinas epóxi, massas plásticas, soldas, entre outros,
em atividades, hobbies ou trabalho extra que podem esclarecer certos achados que não se explicam
pela história ocupacional.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a inalação da fibra de amianto pode ainda causar câncer de
pulmão, ovário e laringe. O emprego de asbesto já foi proibido em mais de 60 países, porém ainda é utilizado
no Brasil. O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) recomenda fortemente o banimento total do uso
dessa substância em território nacional. Embora o Supremo Tribunal Federal (STF) já tenha se manifestado
contra a utilização dessa matéria-prima, leis têm se oposto a tal determinação.

Já foi organizado o Programa de Vigilância à Saúde do Trabalhador Exposto ao Amianto com o objetivo de
estruturar a intervenção da Vigilância Sanitária (Anvisa) e dos Centros Regionais de Referência em Saúde do
Trabalhador (Cerest Regionais) nessas situações de trabalho, considerando o potencial do amianto em afetar
a saúde de forma negativa (SANTOS, 2016).

Todos os casos suspeitos devem passar por inspeção nos ambientes de trabalho para correção e/ou
eliminação da fonte geradora de riscos à saúde dos trabalhadores.

Atenção
As pneumoconioses não têm cura. Medidas de prevenção são necessárias, portanto, para o controle de
situações de risco inalatório e de geração e disseminação de aerossóis nos ambientes de trabalho.
Também é importante que o controle de emissão de névoas e poeiras se estenda ao meio ambiente,
para evitar danos à população vizinha.

Entre as medidas de controle coletivo, podemos destacar a aspersão de água nos pontos de produção de
poeira, sistema de exaustão localizado, umidificação do ambiente de trabalho para evitar o levantamento
secundário de poeira já sedimentada, enclausuramento do processo produtor de poeiras e, principalmente, a
substituição de matérias-primas.

A proteção respiratória individual deve ser


utilizada nas operações em que as medidas de
proteção respiratória coletivas são insuficientes
para o controle de exposição inalatória, como o
uso de filtros mecânicos individuais.

Relembrando o sistema
respiratório
A especialista Adriana Teixeira fala sobre as características do sistema respiratório e a importância de sua
integridade para as funções vitais.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.

Vem que eu te explico!


Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.

O que é silicose?

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Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.

O que é asbestose?

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Verificando o aprendizado

Questão 1

(Adaptado de Banca: IBFC, BSERH, Prova IBFC — Técnico em Enfermagem — Saúde do Trabalhador, UNIRIO,
2017) O sistema respiratório constitui uma interface importante do organismo humano com o meio ambiente,
particularmente com o ar e seus constituintes, gases e aerossóis, sob a forma líquida ou sólida. Sobre o
sistema respiratório, analise as afirmativas a seguir, dê valores Verdadeiro (V) ou Falso (F) e assinale a
alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo.

( ) O diagnóstico das doenças respiratórias relacionadas ao trabalho baseia-se na história clínica-


ocupacional completa, explorando os sintomas respiratórios, sinais clínicos e exames complementares, o
estabelecimento da relação temporal adequada entre o evento e as exposições a que foi submetido o
trabalhador.
( ) Também devem ser consideradas a manipulação de resinas epóxi, massas plásticas, solda, madeiras
alergênicas em atividades de lazer, hobbies ou trabalho extra por conta própria (bicos), que podem esclarecer
certos achados que não se explicam pela história ocupacional.
( ) Os exames complementares mais utilizados são radiografia do tórax, provas de função pulmonar
(espirometria, volumes pulmonares, difusão de CO2), broncoscopia com lavado broncoalveolar, biópsia, testes
cutâneos, gasometria arterial, hemograma, entre outros.

V, F, V

F, V, F

C
F, V, V

V, F, F

V, V, V

A alternativa E está correta.


A questão apresenta assertivas corretas quanto à avaliação de doenças pulmonares relacionadas ao
trabalho. Para o seu diagnóstico, é necessária a coleta da história clínica-ocupacional, dos sintomas
respiratórios, dos sinais clínicos somados a exames complementares, o que permite o estabelecimento do
nexo causal ou não entre a doença apresentada e a atividade laborativa.

Questão 2

(Adaptado de IDIB Órgão: Prefeitura de Araguaína, Tocantins, IDIB, Fiscal Ambiental, 2020) O silicato natural
hidratado de cálcio e magnésio (tanto crisotilo ou anfibólio) de contextura fibrosa, refratário ao calor, de difícil
fusão e amplamente empregado na confecção de produtos incombustíveis, é denominado amianto. Essa fibra
mineral barata, leve e resistente ao fogo e à corrosão é bastante utilizada na fabricação de diversos produtos
como telhas, caixas d’água, pisos, revestimentos, roupas isolantes, entre outros.

Apesar das suas vantagens, seus fragmentos microscópicos são potencialmente perigosos e podem causar
sérias doenças. Geralmente, o primeiro órgão do corpo humano afetado pelo amianto é(são) o(s):

Fígado

Coração

Pulmão

Olhos

Músculos

A alternativa C está correta.


O amianto faz parte da família dos minérios, é empregado na construção civil (telhas, pisos vinílicos, caixas
d'água etc.). Sua principal forma de exposição é por inalação, causando principalmente problemas de saúde
relacionados a lesões pulmonares.
2. LER e DORT

Lesão por Esforço Repetitivo (LER) e Distúrbios


Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT)
LER e DORT são as doenças que mais acometem os trabalhadores. Essa constatação é fruto do estudo Saúde
Brasil 2019, do Ministério da Saúde, que utilizou dados entre 2007 e 2016, em que 67.599 casos de LER/DORT
foram notificados. Nesse período, o total de registros cresceu 184%, passando de 3.212 casos em 2007 para
9.122 em 2016, sinalizando um alerta em relação à saúde dos trabalhadores.

Saiba mais
LER é o acrônimo de “Lesões por Esforços Repetitivos” e representa um grupo de afecções do sistema
musculoesquelético. Já o acrônimo DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) tem
sido adotado pelo INSS desde 1998.

O estudo apontou que os casos foram mais


recorrentes em trabalhadores do sexo feminino
(51,7%) entre 40 e 49 anos. A região que
registrou o maior número de casos foi a
Sudeste, com 58,4% do total de notificações do
país no período. Em 2016, os estados que
apresentaram os maiores coeficientes de
incidência foram Mato Grosso do Sul, São Paulo
e Amazonas.

Em relação aos setores ocupacionais, a


ocorrência foi maior entre os profissionais que
atuam na indústria, no comércio, na alimentação, no transporte e nos serviços domésticos/limpeza. Em
relação às profissões, os faxineiros, os operadores de máquinas fixas, os alimentadores de linha de produção
e os cozinheiros foram os mais atingidos.

Histórico
Quando tratamos das doenças que afetam o sistema musculoesquelético e que têm apresentado números
crescentes, lembramos que esses distúrbios ocorrem desde a Antiguidade.

Curiosidade
Foram encontrados sinais de osteofitoses marginais em superfícies articulares de punhos e joelhos em
múmias de populações pré-hispânicas, relacionadas à manutenção da postura de joelhos por tempo
prolongado, associada a movimentos de flexão e extensão dos membros superiores, possivelmente na
atividade de moer grãos.
Em 1700, o médico italiano Bernardino Ramazzini descreveu sintomas musculoesqueléticos entre os notários,
escribas e secretários de príncipes, atribuindo-lhes três fatores básicos: vida sedentária, movimento contínuo
e repetitivo da mão e atenção mental para não manchar os livros.

Os casos de LER/DORT no Brasil foram primeiramente descritos como tenossinovites ocupacionais.

1
Década de 1970
No XII Congresso Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho (1973), foram apresentados
casos de tenossinovites ocupacionais em lavadeiras, limpadoras e engomadeiras. A recomendação
era que fossem observadas pausas de trabalho para os(as) trabalhadores(as) que operassem
intensamente com as mãos.

2
Década de 1980
Na década de 1980, o trabalho de pessoas submetidas a intensas jornadas de trabalho (muitas vezes
com baixa remuneração, ergonomia inapropriada, sob pressão e em trabalhos monótonos) gerou o
que foi conhecido como “epidemia de LER/DORT”, momento em que os sindicatos dos trabalhadores
de processamento de dados travaram uma luta acirrada pelo enquadramento da tenossinovite como
doença do trabalho pelo Ministério da Saúde.

Avaliação dos distúrbios musculoesqueléticos


relacionados ao trabalho
Estudos passaram a evidenciar a relação dos distúrbios musculoesqueléticos com fatores sociais, familiares e
econômicos associados ao estresse ou à insatisfação no trabalho, inclusive em casos de lombalgia e dores
nas costas.

O modelo biopsicossocial passou a ser adotado no lugar do modelo biomédico, ou seja, para melhor
compreender essas lesões, seria necessário entender o indivíduo em seu contexto familiar, avaliar o
ambiente em que vive e considerar todos os facilitadores e barreiras que fazem parte da vida desse
indivíduo, fatores que poderiam de algum modo contribuir para a lesão instalada e as dores crônicas
mal esclarecidas.

Os fatores mecânicos (repetição, trabalhos que exigem força, manutenção de posturas) continuam presentes
na análise das lesões, mas tiveram sua importância reduzida diante de outros fatores tão ou mais importantes
(insatisfação no trabalho, depressão, ansiedade, problemas pessoais).

Comentário
Estudos demonstram que grande parte das lesões enquadradas como LER/DORT pode ter relação com
depressão ou ansiedade, como a fibromialgia e a síndrome miofascial, contabilizando em torno de 60% a
70% de diagnósticos equivocados e incluídos como LER/DORT.

As doenças ocupacionais geralmente se manifestam com dor, dormência, parestesia (formigamento),


sensação de pontadas, redução da força, sensação de peso ou cansaço nos membros, edemas (inchaço),
dificuldade de movimentação, desconforto, entre outros. Porém, uma adequada avaliação é necessária, pois
esses sintomas podem ser decorrentes de diversas condições não relacionadas a sobrecargas biomecânicas
no ambiente de trabalho.

Atenção
Muitos distúrbios reumatológicos, imunológicos, hormonais, metabólicos, neurológicos ou infecciosos
podem ser responsáveis por sintomas que simulam LER/DORT.

Por que a sigla DORT?


A sigla DORT representa “Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho” e foi criada para substituir a
sigla LER (Lesões por Esforços Repetitivos) basicamente por duas razões:

• Primeiro, porque a maioria dos trabalhadores que apresentavam sintomas relacionados ao sistema
musculoesquelético não tinha lesão em qualquer estrutura.
• Segundo, porque, além do esforço repetitivo (sobrecarga dinâmica), outros tipos de sobrecarga no
trabalho podem ser nocivos como a contração muscular por tempo prolongado (sobrecarga estática), o
uso de aparelhos que transmitam vibração excessiva, os trabalhos executados com posturas
inadequadas e a manutenção de uma mesma postura por longos períodos.

O acrônimo DORT parece ser mais adequado quando falamos de doenças ocupacionais, principalmente por
ser mais abrangente; já LER pode ser empregado para qualquer lesão relacionada a esforço repetitivo, como
tendinites, bursites, tenossinovites, entre outras. LER se desenvolve em qualquer ambiente, seja laboral ou
não, como em academias, nos esportes e em tarefas domésticas.

Curiosidade
Em 1998, por meio da Norma Técnica do Instituto Nacional de Saúde e Seguridade Social – INSS, o
acrônimo DORT passou a ser adotado para designar os referidos distúrbios, embora o termo LER
continue a ser utilizado.

Para a avaliação e prevenção adequada dos distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao trabalho, é


preciso considerar:

Avaliação biomédica

Local onde é apresentado o sintoma, por exemplo, epicondilite lateral do cotovelo.

A epicondilite lateral caracteriza-se por dor na região do epicôndilo lateral (face lateral do cotovelo),
onde ocorre um processo inflamatório que envolve os tendões dos músculos extensores do punho e
dos dedos.
Avaliação biopsicossocial

Para esse modelo, existe a Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF), um instrumento de


avaliação amplamente utilizado, inclusive pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por profissionais das
mais diversas áreas, como pedagogos, fisioterapeutas, professores de educação física, médicos,
entre outros.

Identificação da dor

Nociceptiva (processo inflamatório local), neuropática (acometimento do sistema nervoso) ou


nociplástica (alterações cerebrais da percepção da dor). Nesse quesito, é de suma importância o
trabalho multidisciplinar entre médico, fisioterapeuta, psicólogo, educador físico, entre outros.

Estruturas e áreas mais afetadas

Nos DORTs, as estruturas e áreas mais afetadas são os tendões, músculos e as articulações,
principalmente dos membros superiores, ombros e pescoço, seja por causa da utilização e
sobrecarga excessiva, seja por manutenção de posturas inadequadas, resultando em dor, fadiga,
desconforto, imprecisão no movimento, consequente redução da produtividade e aumento do risco
de acidentes.

Etiologia do LER/DORT
A etiologia dos casos de LER/DORT é multifatorial. Diferentemente de uma intoxicação por metal pesado, cuja
etiologia é claramente identificada, nos casos de LER/DORT é importante analisar os vários fatores de risco
envolvidos direta ou indiretamente.

Os fatores de risco interagem e devem ser sempre analisados de maneira integrada, envolvendo aspectos
biomecânicos, cognitivos, sensoriais, afetivos e de organização do trabalho.

Exemplo
Podemos citar os fatores organizacionais como a carga de trabalho e as pausas para descanso, que são
de grande relevância no controle de risco. Há ainda setores e organizações que inserem ginástica laboral
e ações de ergonomia no posto de trabalho, o que também contribui positivamente na redução dos
riscos.

Veja a seguir alguns fatores de risco para o desenvolvimento e a instalação de LER/DORT:


Desorganização do posto de trabalho e posturas inadequadas
Pode levar a sobrecargas mecânicas no sistema musculoesquelético.

Exposição a vibrações
Expor o corpo inteiro ou o membro superior a vibrações pode causar
repercussões vasculares, musculares e neurológicas.

Exposição ao frio e a ruídos elevados


Baixas temperaturas podem agir nas condições biológicas dos tecidos
musculares e das articulações; ruídos elevados podem produzir mudanças de
comportamento.

Pressão mecânica localizada


O contato físico com superfícies retas ou pontiagudas de objetos e
ferramentas pode comprimir estruturas moles do sistema
musculoesquelético.

Na anamnese, é importante considerar:

• A história das queixas atuais.


• A utilização de equipamentos e processos do trabalho.
• O comportamento e os hábitos relevantes, como pausas e postura no posto de trabalho.
• Os antecedentes individuais, como fraturas e doenças anteriores.
• Os antecedentes familiares.
Recomendação
O Ministério da Saúde recomenda aos empregadores atenção à Norma Regulamentadora NR-17,
expedida pelo Ministério do Trabalho, que estabelece parâmetros que permitem a adaptação das
condições de trabalho às características do trabalhador, com o objetivo de proporcionar maior conforto,
segurança e bom desempenho.

A prevenção, o controle e o tratamento precoce da LER/DORT são fundamentais. Muitas vezes, a procura por
um profissional é tardia, quando a lesão está em um grau de evolução difícil de ser revertido. É comum
colaboradores se recusarem a buscar ajuda médica por receio de perder o cargo na empresa ou por medo de
ser substituído durante a licença médica por outro profissional cujo desempenho possa ser considerado
melhor. Outras vezes, o trabalhador suporta a dor até situações extremas, movido pelo receio de substituição
e perdas salariais.

Curiosidade
28 de fevereiro é o Dia Internacional de Combate às Lesões por Esforços Repetitivos ou Distúrbios
Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT).

Outro fator preocupante, que pode influir na prevenção, no controle e no tratamento das síndromes LER/
DORT, é que a maior parte dos afastamentos do trabalho (e por tempo prolongado) representa custos para a
empresa com pagamentos de indenizações e tratamentos. Muitas vezes, depois do tratamento das lesões,
ocorrem dificuldades de adaptação do trabalhador em novo cargo, sendo necessário uma reintegração do
empregado à empresa.

De acordo com o protocolo do Ministério da Saúde, as LER/DORT:

São, por definição, um fenômeno relacionado ao trabalho. São danos decorrentes da utilização excessiva
imposta ao sistema musculoesquelético e da falta de tempo para recuperação. Caracterizam-se pela
ocorrência de vários sintomas, concomitantes ou não, de aparecimento insidioso, geralmente nos
membros superiores, tais como dor, parestesia, sensação de peso e fadiga. Abrangem quadros clínicos
do sistema musculoesquelético adquiridos pelo trabalhador submetido a determinadas condições de
trabalho.

(BRASIL, 2006, p. 5)

A Portaria nº 1.339/99 do Ministério da Saúde apresenta uma lista de Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou
Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) que podem ser exemplificados pelas tendinites,
tenossinovites e bursites, tendo como principais causas:

• Movimentos repetitivos.
• Hábitos posturais inadequados.
• Postura inadequada no local de trabalho.
• Metas adequadas de produção.
• Falta de comunicação e de sinalização pelo trabalhador ao surgir os sintomas iniciais.
• Falta de medidas adequadas em benefício da saúde do trabalhador, como ginástica laboral, avaliações
ergonômicas e investimento em uma equipe multidisciplinar habilitada para atuar na prevenção.

Listamos, a seguir, algumas doenças que constam no rol de doenças relacionadas ao trabalho do Ministério da
Saúde e que podem ser enquadradas como LER/DORT. O capítulo XVIII da publicação Doenças relacionadas
ao trabalho (BRASIL, 2001) descreve cada uma das entidades nosológicas de forma mais detalhada.

• Bursite da mão.
• Bursite do olécrano.
• Bursite do ombro.
• Capsulite adesiva do ombro (ombro congelado, periartrite do ombro).
• Cervicalgia.
• Dor ciática.
• Dedo em gatilho.
• Dorsalgia.
• Epicondilite lateral (cotovelo do tenista).
• Epicondilite medial.
• Fibromatose da fáscia palmar: contratura ou moléstia de Dupuytren.
• Síndrome cervicobraquial.
• Síndrome do manguito rotador ou síndrome do supra espinhoso.
• Sinovite crepitante crônica da mão e do punho.
• Sinovites e tenossinovites.
• Tendinite bicipital.
• Tendinite calcificante do ombro.
• Tenossinovite do estiloide radial (De Quervain).
• Transtorno não especificado dos tecidos moles relacionados com o uso, o uso excessivo e a pressão.
• Transtornos dos tecidos moles relacionados com o uso, o uso excessivo e a pressão, de origem
ocupacional.
• Outros transtornos especificados dos tecidos moles não classificados em outra parte (inclui mialgia).

Prevenção do LER/DORT
Prevenir LER e DORT é responsabilidade da empresa e do trabalhador. Veja, na tabela a seguir, os princípios
básicos de prevenção:

Redução da necessidade de uso da


Adequação do mobiliário do posto de trabalho.
força e do número de repetições.

Mobilidade e possibilidade de mudanças


Pausas e exercícios preparatórios,
de posturas para facilitar o retorno
compensatórios ou de relaxamento.
venoso.

Manutenção de boas relações


Definição de metas adequadas de produção.
interpessoais.
Definição e clareza pela empresa sobre o que é Programas de incentivo à qualidade de
esperado de cada um, com adequada divisão de vida e à prática regular de atividades
tarefas. físicas.

Emissão da Comunicação de Acidente do Trabalho (CAT)


Todos os casos com suspeita diagnóstica de LER/DORT devem ser objeto de emissão de CAT pelo
empregador, com o devido preenchimento do Atestado Médico. Quando ocorre uma avaliação por perito do
Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), é necessário estabelecer a existência de nexo causal entre o
quadro clínico e o trabalho. Isso permitirá o enquadramento da lesão ou do distúrbio como um caso de DORT,
garantindo direitos previdenciários para o trabalhador, caso haja necessidade de afastamento do trabalho por
prazo superior a 15 dias.

Exemplos de DORT
A especialista Adriana Teixeira aborda algumas patologias listadas como DORT, explicando as estruturas
envolvidas e sintomas.

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Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.

Avaliação dos distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao


trabalho

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Entenda a diferença entre LER x DORT

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Verificando o aprendizado

Questão 1

(Adaptado de Instituto Mais, AHM-SP, Analista de Saúde (ANS), Psicologia, 2017) Sobre o diagnóstico dos
pacientes com Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), é correto afirmar que:

No estágio avançado, o paciente sente dor, mas esta melhora com o repouso.
B

No diagnóstico aumenta o presenteísmo dos pacientes no seu ambiente de trabalho.

A ansiedade e a depressão são quadros apresentados com frequência nos trabalhadores com DORT.

Constata-se nos indivíduos que possuem alta motivação para o trabalho.

É próprio de trabalhadores que realizam trabalhos repetitivos por curtos períodos de tempo com várias
interrupções.

A alternativa C está correta.


Os acometimentos musculoesqueléticos nos estágios avançados necessitam de tratamento, e o repouso,
muitas vezes, não é suficiente. No diagnóstico de DORT, sempre que necessário, ocorre o afastamento do
trabalhador para tratamento, e não no presenteísmo.

Questão 2

(Adaptado de IDIB, Câmara de Condado, Pernambuco, Agente Administrativo, 2020) No ambiente de trabalho,
é comum se deparar com a sigla DORT, que está relacionada com o impacto da rotina laboral na vida do
trabalhador. Assinale a alternativa que indica corretamente o significado dessa sigla.

Distúrbio de Órgãos Relacionados ao Trabalhador.

Doenças Oculares, Reumatológicas e Transpiratórias.

Doenças Ocupacionais pela Reincidência do Trabalho.

Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho.

Distúrbios Osteomusculares Relatadas ao Trabalho.


A alternativa D está correta.
O acrônimo DORT foi trazido em 1998 pelo INSS de modo mais ampliado que o usual termo Lesão por
Esforço Repetitivo (LER), caracterizando a possibilidade de uma doença ocupacional se manifestar por um
distúrbio e não necessariamente por uma lesão tecidual. O DORT também não implica a necessidade do
esforço repetitivo, pois a manutenção de posturas pode se tornar um agente causador de disfunções
musculoesqueléticas, por exemplo.
3. Síndrome de Burnout

Sobre a síndrome de Burnout


Também chamada de Síndrome do Esgotamento Profissional, a Síndrome de Burnout pode ser considerada
um dos distúrbios emocionais ligados ao trabalho. Sua principal característica é a tensão emocional e o
estresse crônico provocados por atividades físicas, emocionais e psicológicas desgastantes, geradoras de um
quadro tradicional de estresse envolvendo esgotamento pessoal que interfere na vida do trabalhador.

Merecem atenção os dados apresentados pelo International Stress Management Association no


Brasil (ISMA-BR, 2020):

• 72% da população brasileira sofre alguma sequela de estresse, do leve ao considerado


devastador.
• Entre esses, 32% sofrem de Síndrome de Burnout.
• Desses, 92% declararam que não se sentem em condições de trabalhar, mas continuam
trabalhando por receio de serem demitidos.
• 49% sofrem com depressão, com tendência a desenvolver a versão crônica da doença.
• 90% praticam o presenteísmo, ou seja, o colaborador está presente fisicamente, mas
emocionalmente ou mentalmente distante do trabalho.

A Síndrome de Burnout foi incluída na Classificação Internacional de Doenças (CID) da Organização Mundial
da Saúde (OMS) em 2019, em uma lista que entrará em vigor em 2022 – CID 11. Segundo a Organização Pan-
Americana da Saúde (2019):

Burnout é uma síndrome conceituada como resultante do estresse crônico no local de trabalho que
não foi gerenciado com sucesso, podendo ser caracterizada por três dimensões:

• Sentimentos de exaustão ou esgotamento de energia.


• Aumento do distanciamento mental do próprio trabalho ou sentimentos de negativismo ou
cinismo relacionados ao próprio trabalho.
• Redução da eficácia profissional.

Se não tratada, a Síndrome de Burnout pode evoluir para doença coronariana, hipertensão, depressão
profunda e alcoolismo. As causas mais comuns são:

• Horas/Volume de trabalho.
• Insegurança no trabalho.
• Falta de apoio nas funções.
• Ser vítima de assédio.
• Falta de clareza de funções.
• Falta de independência na gestão do trabalho.

Assédio moral e Burnout


O assédio moral é entendido como a exposição
de pessoas a situações humilhantes e
constrangedoras no ambiente de trabalho, de
forma repetitiva e prolongada, no exercício de
suas atividades, trazendo danos à saúde física
e psíquica. Pode se manifestar em palavras,
gestos, insinuações ofensivas, ameaças e
comportamentos agressivos e repetitivos,
causando constrangimento, situações
vexatórias e sensação de menosprezo diante
do outro.

Muitas vezes, a vítima de assédio opta por


suportar as agressões em silêncio para manter-
se no trabalho. Somam-se a isso, metas a
cumprir, melhorias dos resultados, aumento na carga de horas e de trabalho. Esse conjunto de fatores pode
ocasionar estresse severo ao profissional, gerando ansiedade, depressão, síndrome do pânico, chegando à
Síndrome de Burnout — o último nível de exaustão emocional, caracterizado por um colapso físico e mental.

Atenção
O assédio moral é diferente de uma conduta abusiva, como algum tratamento desrespeitoso ou
inadequado esporádico. Para se configurar assédio, a conduta deve ser: sistemática, repetitiva,
direcionada a uma pessoa ou grupo de pessoas e com a intenção de humilhar, desmoralizar ou até
mesmo levar a um pedido de demissão, criando um clima de produção deficiente.

O que dizem as leis brasileiras sobre o assédio moral?


Em 2018, foram propostas 56.160 ações na Justiça do Trabalho por assédio moral. Embora no Brasil não exista
uma lei específica para punir quem pratica esse tipo de violência, a medida empregada é condenar a empresa
por assédio moral. É de grande importância prevenir a prática desse comportamento no ambiente laboral.

Veja o que diz a Constituição e o Código Civil.

Constituição da República Código Civil

A República Federativa do Brasil tem como Aquele que, por ação ou omissão voluntária,
fundamentos: a dignidade da pessoa humana e negligência ou imprudência, violar direito e
o valor social do trabalho (Art. 1º, III e IV). É causar dano a outrem, ainda que
assegurado o direito à saúde, ao trabalho e à exclusivamente moral, comete ato ilícito (Art.
honra (Art. 5º, X e XIII). 186).

As causas do assédio moral no ambiente de trabalho podem estar ligadas aos seguintes fatores:

• Econômicos, culturais e emocionais.


• Abuso do poder diretivo.
• Busca incessante do cumprimento de metas.
• Cultura autoritária.
• Despreparo do chefe para o gerenciamento de pessoas.
• Rivalidade no ambiente de trabalho.

Os 12 estágios do Burnout
O termo Burnout surgiu na década de 1970 para descrever um estado extremo de exaustão. Os profissionais
particularmente suscetíveis ao Burnout são os que se submetem a períodos prolongados de forte estresse,
como executivos, pilotos, médicos, enfermeiras, farmacêuticos e advogados, pois estão sob constante
pressão para cumprir prazos e produzir resultados, muitas vezes possuindo responsabilidade sobre a vida ou
o patrimônio de outras pessoas.

Podemos reconhecer os 12 estágios do Burnout por meio de um protocolo desenvolvido pelos psicólogos
Herbert Freudenberger e Gail North. Esse protocolo ajuda os profissionais a identificar, prevenir e tratar
quadros de estresse. Entenda melhor a seguir:

1
Compulsão de demonstrar a si mesmo
Sentir que precisa constantemente demonstrar seu valor; a autoestima se vincula ao sucesso no
trabalho.

2
Working harder (“trabalhando duro”)
Tornar-se um “viciado em trabalho”.

3
Negligenciar necessidades básicas
Não dormir ou não se alimentar de maneira adequada e negligenciar a interação social, passando a
ter descaso com suas necessidades essenciais.

4
Deslocamento de conflitos
Culpar os outros por todos os seus problemas, incluindo seu nível de estresse, passando a ter
sintomas físicos.

5
Revisão de valores
O trabalho passa a ser mais importante que amigos e familiares.

6
Negação de problemas
Intolerância, percebendo os outros no trabalho como preguiçosos, exigentes ou indisciplinados,
desmerecendo as outras pessoas.
7 Retirada
Afastar-se de encontros e reuniões, evitando ou temendo a interação social, usando muitas vezes
álcool ou drogas ilícitas para tentar aliviar o estresse.

8
Mudanças estranhas de comportamento
Comportamentos de impaciência, agressão e rancor com amigos e familiares.

9
Despersonalização
Sentir-se desapegado, não se ver como importante e desvalorizando as outras pessoas.

10
Vazio interior
Sentir-se incompleto, buscando superar esse vazio com abuso na ingesta de alimentos, álcool ou
drogas ilícitas.

11
Depressão
Sentir-se perdido e inseguro, exausto. O futuro parece sombrio.

12
Síndrome de Burnout
Pode incluir colapso mental e físico total; muitas vezes necessidade de internação e tratamento
médico integral.

Podemos resumir esses estágios do Burnout em três etapas:

1 Hiperfoco no trabalho.

2 Irritabilidade e ansiedade tanto no trabalho como nas relações sociais, passando a desenvolver
sintomas físicos como insônia, falta de ar e angústia.

3 Exaustão e apatia com esgotamento físico e mental, dificuldade de raciocínio e de memória e


quadros de apatia e isolamento.

Como prevenir a Síndrome de Burnout?


Identificar os fatores que podem levar à Síndrome de Burnout é a primeira medida de prevenção a ser tomada.
Como exemplo, podemos citar:

• Ausência de reconhecimento no trabalho.


• Falta de cooperação.
• Convívio com pessoas excessivamente perfeccionistas e competitivas.
• Falta de percepção de utilidade do trabalho desenvolvido.

Depois de identificadas as causas do Burnout, é preciso verificar os instrumentos que melhoram a capacidade
de enfrentamento ao estresse. Veja alguns deles a seguir:

Descanso ativo

Descansar se envolvendo em atividades estimulantes mental e fisicamente, como jogos, atividades


esportivas, leituras, miniexercícios de meditação no trabalho, hobbies.

Sono de qualidade

Dormir bem evita a redução de produtividade.

Alimentação saudável

Comer bem dá mais disposição e energia.

Contatos sociais fora do ambiente do trabalho

Passeios em grupo, dançar, sair para jantar, visitar amigos etc.

Como podemos prevenir a síndrome de burnout?


A especialista Adriana Teixeira aborda ações que, muitas vezes, não parecem importantes, principalmente
para o trabalhador que está desenvolvendo um quadro de estresse crônico, mas que podem ser muito
eficazes na prevenção.

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Síndrome de Burnout

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Os 12 estágios do Burnout

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Verificando o aprendizado

Questão 1

(Adaptado de Instituto Aocp, EBSERH, Psicólogo, Área Organizacional, 2015) O indivíduo submetido ao
estresse ocupacional pode deixar de responder adequadamente às demandas do trabalho e geralmente se
encontra irritável, ansioso e/ou deprimido. Indivíduos com cronificação de altos níveis de estresse ficam
vulneráveis ao surgimento da Síndrome de Burnout, um processo de enfraquecimento decorrente de vivência
de um período prolongado de estresse profissional. O termo Burnout é a junção de burn (queima) e out
(exterior). Significa exaustão emocional, fadiga, frustração, desajustamento. São fatores associados ao
aparecimento da Síndrome de Burnout, exceto:

Baixa autonomia no desempenho das atividades profissionais.

Elevado reconhecimento no trabalho por parte dos pares e superiores.

Sobrecarga de trabalho.

Problemas com relacionamentos interpessoais (chefia, colegas ou clientes).

Sentimento de desqualificação e falta de cooperação na equipe.

A alternativa B está correta.


Entre outros fatores apresentados, a Síndrome de Burnout pode decorrer de relacionamento inadequado,
com cobranças, críticas e falta de reconhecimento no ambiente do trabalho e nas relações interpessoais.

Questão 2

(Adaptado de FGV, Imbel, Analista Especializado, Analista de Recursos Humanos, 2021) A Síndrome do
Burnout, doença laboral cada vez mais comum, caracteriza-se pelo desinteresse e pela desmotivação para o
trabalho e pode acarretar forte impacto negativo na produtividade dos colaboradores de uma organização.
Analisando a Síndrome de Burnout à luz da gestão por competências, percebe-se que a doença afeta
diretamente:

Os conhecimentos

As informações

As experiências

As habilidades

As atitudes

A alternativa E está correta.


A síndrome de Burnout caracteriza-se pelo esgotamento profissional e está diretamente relacionada com
as atitudes (querer fazer) do sujeito afetado.
4. Biossegurança no trabalho

Acidente de trabalho
A primeira forma de proteção aos trabalhadores em caso de acidentes de trabalho ocorreu em 1919, com a
instituição do seguro de acidentes de trabalho. Em 1923, foram criadas as Caixas de Aposentadorias e
Pensões (CAPs) como forma de resposta às pressões populares que reivindicavam melhorias nas condições
de trabalho, na época extremamente precárias.

Do início do século XX até os dias atuais, as normas, regulamentações e leis de proteção aos trabalhadores
evoluíram bastante, principalmente após a promulgação da Constituição de 1988.

Saiba mais
O Sistema Único de Saúde (SUS) recebeu a responsabilidade das medidas e dos cuidados em relação à
saúde do trabalhador; a previdência social tornou-se responsável pelas concessões de pensões e
aposentadorias.

O que configura um acidente de trabalho?


O acidente de trabalho ocorre no exercício do trabalho e pode provocar lesão corporal que leve à morte, à
perda ou diminuição (transitória ou permanente) da capacidade funcional. É classificado como:

Típico De trajeto

Quando ocorre no próprio local de trabalho. Quando ocorre na ida ou na volta do trabalho.

Podemos dizer ainda que acidente de trabalho é o infortúnio decorrente da atividade laboral que se enquadra
na definição da Lei nº 8.213/1991, que dispõe sobre o Plano de Benefícios da Previdência Social.

O Art. 19 do referido diploma legal define acidente do trabalho nos seguintes termos:

Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço de empresa ou de empregador
doméstico ou pelo exercício do trabalho (....) provocando lesão corporal ou perturbação funcional que
cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho.

(Lei complementar nº 150/2015).

A Lei nº 8.213/1991 ainda determina que:


Responsabilidade da empresa Penalidades por não conformidade

A empresa é responsável pela adoção e pelo Constitui contravenção penal, punível com
uso das medidas coletivas e individuais de multa, a empresa deixar de cumprir as normas
proteção e segurança da saúde do trabalhador. de segurança e higiene do trabalho.

Dever de informação

É dever da empresa prestar informações


pormenorizadas sobre os riscos da operação a
executar e do produto a manipular.

As entidades mórbidas consideradas acidentes de trabalho são:

Doença profissional

Assim entendida a doença produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a


determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da
Previdência Social.

Doença do trabalho

Assim entendida a doença adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o


trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, constante da relação mencionada no inciso I.

Segundo a mesma Lei nº 8.213/1991, não são consideradas como doença do trabalho:

• Doença degenerativa.
• Doença inerente a grupo etário.
• Doença que não produza incapacidade laborativa.
• Doença endêmica adquirida por segurado habitante de região em que ela se desenvolva, salvo
comprovação de que é resultante de exposição ou contato direto determinado pela natureza do
trabalho.

Importante ressaltar que se equiparam também ao acidente do trabalho, para efeitos da Lei, os seguintes
acidentes:
Acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa única, haja contribuído
diretamente para a morte do segurado, para redução ou perda da sua capacidade para o
trabalho, ou produzido lesão que exija atenção médica para a sua recuperação.

Acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho, em consequência de:

1. Ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou companheiro de


trabalho.
2. Ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa relacionada ao
trabalho.
3. Ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiro ou de companheiro de
trabalho.
4. Ato de pessoa privada do uso da razão.
5. Desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos ou decorrentes de força
maior.

A doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício de sua


atividade.

Acidente sofrido pelo segurado ainda que fora do local e horário de trabalho:

1. Na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da empresa.


2. Na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar prejuízo ou
proporcionar proveito.
3. Em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo quando financiada por esta
em seus planos para melhor capacitação da mão de obra, independentemente do
meio de locomoção utilizado, inclusive veículo de propriedade do segurado.
4. No percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela, qualquer que
seja o meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade do segurado.

Nos períodos destinados à refeição ou ao descanso, ou por ocasião da satisfação de outras necessidades
fisiológicas, no local do trabalho ou durante este, o empregado é considerado no exercício do trabalho.

Nexo causal ou nexo de causalidade


Para que seja considerado acidente ou doença do trabalho, é imprescindível que a ocorrência seja legalmente
caracterizada pela perícia médica do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que fará o reconhecimento
técnico do nexo causal entre o acidente e a lesão, a doença e o trabalho, ou a causa mortis e o acidente.

O acidente deverá acontecer durante a execução de atividades laborais decorrentes de um contrato de


emprego ou pelo exercício do trabalho do segurado especial:

• A ocorrência deverá resultar em dano à saúde ou à integridade física do empregado ou segurado


especial.
• Do fato, deverá decorrer a morte, a perda ou a redução da capacidade para o trabalho, temporária ou
permanente.

Sabemos que cada profissão tem seus riscos inerentes à natureza do trabalho e ao ambiente onde ele se
desenvolve, podendo ser classificado de três modos:
Riscos reais Riscos supostos

De responsabilidade do empregador. Quando se supõe que o trabalhador conhece


suas causas.

Riscos residuais

De responsabilidade do trabalhador.

A redução dos riscos deve ser uma ação conjunta entre empregados e empregadores. Ambos são
responsáveis pela prevenção dos acidentes de trabalho.

Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT)


Para o reconhecimento de um acidente de trabalho ou de trajeto, bem como de doença ocupacional, é
necessário emitir um documento chamado Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT). Veja a diferença
entre eles:

Acidente de trabalho ou de trajeto

É o acidente ocorrido no exercício da Doença ocupacional


atividade profissional a serviço da empresa ou
Doença produzida ou desencadeada
no deslocamento da residência para o
pelo exercício do trabalho relacionado a
trabalho ou do trabalho para a residência. O
determinada atividade e constante da
acidente deve provocar lesão corporal ou
respectiva relação elaborada pelo
perturbação funcional que cause a perda ou
Ministério do Trabalho e da Previdência
redução – permanente ou temporária – da
Social.
capacidade para o trabalho ou, em último
caso, levar à morte.

É importante destacar alguns pontos sobre a CAT:

• A empresa é obrigada a informar à Previdência Social todos os acidentes de trabalho ocorridos com
seus empregados, mesmo que não haja afastamento das atividades, até o primeiro dia útil seguinte ao
da ocorrência. Porém, em caso de morte, a comunicação deve ser imediata.
• A empresa que não informar o acidente de trabalho dentro do prazo legal está sujeita à aplicação de
multa.
• Se a empresa não fizer o registro da CAT, o próprio trabalhador, o dependente, a entidade sindical, o
médico ou a autoridade pública (magistrados, membros do Ministério Público, entre outros) podem
realizar a qualquer tempo o registro desse instrumento na Previdência Social, o que não exclui a
possibilidade da aplicação da multa à empresa.

Biossegurança e os profissionais de saúde


A biossegurança é tema de grande importância
na área de saúde. Consiste em um conjunto de
normas cujo objetivo é garantir a segurança dos
profissionais de saúde, dos pacientes e do meio
ambiente. O surgimento de doenças como a
AIDS e a hepatite B e o conhecimento de seus
meios de transmissão levaram à criação de
normas e regulamentações sobre o trabalho na
área da saúde, buscando uma prática
profissional mais segura para todos.

Norma Regulamentadora 32 (NR-32)


Símbolo utilizado na biossegurança que diz respeito ao
risco biológico.
Destacamos aqui a norma que traz as
regras de biossegurança para consultórios
e hospitais. A Portaria do Ministério do
Trabalho e Emprego nº 485 expediu, em 11 de novembro de 2005, no Diário Oficial da União, a
Norma Regulamentadora 32. Ela aborda a segurança e a saúde no trabalho em serviços de saúde,
visando estabelecer as diretrizes básicas para a implementação de medidas de proteção à
segurança e à saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde.

Conheça agora as principais normas de biossegurança e como elas funcionam:

Higienização das mãos

• Todo local onde exista possibilidade de exposição a agentes


biológicos deve ter lavatório exclusivo para higiene das mãos e
provido de água corrente, sabonete líquido, toalha descartável e
lixeira com sistema de abertura sem contato manual.

• O uso de luvas não substitui o processo de lavagem das mãos, o


que deve ocorrer, no mínimo, antes e depois de seu uso.

• Os lavatórios para higiene das mãos devem ser providos de papel


toalha, sabonete líquido e lixeira com tampa, de acionamento por
pedal.

• Todos os lavatórios e pias devem possuir torneiras ou comandos


que dispensem o contato das mãos no fechamento da água; e ser
providos de sabão líquido e toalhas descartáveis para secagem
das mãos.
Equipamentos de proteção

• Os Equipamentos de Proteção Individual – EPIs, descartáveis ou


não, deverão estar à disposição em número suficiente nos postos
de trabalho, de modo que seja garantido o imediato fornecimento
ou reposição.

• Os profissionais de saúde não devem deixar o local de trabalho


munidos dos equipamentos de proteção individual e das
vestimentas utilizadas em suas atividades laborais. São exemplos
de equipamentos de proteção: luvas descartáveis, máscaras para
proteção da boca e nariz, óculos de proteção, sapatos fechados,
jalecos.

Descarte de lixo hospitalar

• É denominado lixo hospitalar todos os resíduos provenientes de


atendimentos a pacientes, como seringas, curativos, agulhas de
injeção, entre outros. O lixo hospitalar causa danos à saúde e ao
meio ambiente, por isso deve ser descartado de forma correta.

• Segundo a NR-32, os profissionais que utilizarem objetos


perfurocortantes devem ser os responsáveis pelo seu descarte.

Vacinação

• Segundo as diretrizes da NR-32, deve ser fornecido gratuitamente


para todo profissional de saúde o programa de imunização ativa
contra tétano, difteria e hepatite B.

• Sempre que houver vacinas eficazes contra agentes biológicos a


que os trabalhadores estão, ou poderão estar, expostos, o
empregador deve fornecê-las gratuitamente.

• O empregador deve fazer o controle da eficácia da vacinação


sempre que for recomendado pelo Ministério da Saúde e seus
órgãos, bem como providenciar, se necessário, seu reforço.

• A vacinação deve obedecer às recomendações do Ministério da


Saúde.
Conscientização dos profissionais

Todos os profissionais de saúde, independentemente de sua área de


atuação, devem ser conscientizados sobre a biossegurança. É importante
que os gestores promovam treinamentos, criação de informativos e
comunicações internas para garantir que as Boas Práticas sejam
realizadas.

Biossegurança
A especialista Adriana Teixeira aborda a biossegurança, aspecto importante que deve ser considerado sempre
nos ambientes de trabalho que envolvem riscos à saúde ou de acidentes.

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Acidente de trabalho

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Nexo de causalidade

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Verificando o aprendizado

Questão 1

(Adaptado de CEV-URCA, Prefeitura de Crato, Ceará, Técnico em Segurança do Trabalho, 2021) A


Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) é um documento emitido para reconhecer tanto um acidente de
trabalho ou de trajeto como uma doença ocupacional. Assinale o que for incorreto sobre a CAT.

A empresa é obrigada a informar à Previdência Social todos os acidentes de trabalho ocorridos com seus
empregados, mesmo que não haja afastamento das atividades, até o primeiro dia útil seguinte ao da
ocorrência.

B
Em caso de morte, a comunicação deverá ser imediata.

A empresa que não informar o acidente de trabalho no prazo legal estará sujeita à aplicação de multa.

A CAT inicial irá se referir a acidente de trabalho típico, trajeto, doença profissional, do trabalho ou óbito
imediato.

Se a empresa não fizer o registro da CAT, o próprio trabalhador poderá efetivar o registro na Previdência
Social, evitando a possibilidade da aplicação da multa à empresa.

A alternativa E está correta.


As assertivas A, B, C e D estão corretas. A letra E está incorreta, porque o próprio trabalhador poderá
efetivar o registro da CAT na Previdência Social, porém isso não exclui a possibilidade da aplicação da
multa à empresa.

Questão 2

(Adaptado de IMPARH, Prefeitura de Fortaleza, Ceará, Técnico Higiene Dental, 2020) De acordo com Teixeira e
Valle (1996), o conjunto de ações voltadas para a prevenção, minimização ou eliminação de riscos inerentes às
atividades de pesquisa, produção, ensino, desenvolvimento tecnológico e prestação de serviços, visando à
saúde dos homens, à preservação do meio ambiente e à qualidade dos resultados, refere-se ao conceito de:

Biossegurança

Vigilância Sanitária

Política de Saúde

Vigilância Epidemiológica

Previdência Social
A alternativa A está correta.
A Vigilância Sanitária é a parcela do poder de polícia do Estado destinada à proteção e à promoção da
saúde da população; a Vigilância Epidemiológica é o registro e a observação sistemática de casos
suspeitos ou confirmados de doenças transmissíveis; e a Previdência Social é um seguro social em que o
trabalhador participa por meio de contribuições mensais, um tipo de apoio e assistência governamental
destinado a garantir que os membros de uma sociedade possam ter acesso a direitos humanos básicos
como comida e moradia.
5. Conclusão

Considerações finais
Conforme estudamos, para classificarmos uma doença como relacionada ao trabalho, precisamos de
legislação e de normas expedidas pela Previdência Social, pelo Ministério do Trabalho e INSS. Para tal, é
necessária a identificação do nexo de causalidade entre a manifestação clínica e os sintomas, a fim de que o
diagnóstico possa confirmar se estamos mesmo diante de uma doença relacionada ao trabalho.

Vimos que, na Síndrome de Burnout, as manifestações nem sempre são físicas, mas psicológicas, o que nos
permite entender a importância da preocupação com o clima organizacional, as relações interpessoais e os
processos relacionados às tarefas laborativas.

Por fim, entendemos que os acidentes de trabalho e as normas de biossegurança estão intimamente
relacionados nos cuidados com a saúde do trabalhador, principalmente para os profissionais que atuam na
área de saúde.

Podcast

Agora, a especialista Adriana Teixeira encerra o tema falando sobre Responsabilidades do empregador e
do empregado na prevenção de doenças ocupacionais.

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• Para saber mais sobre os assuntos tratados neste conteúdo, leia o capítulo XVIII da publicação
Doenças relacionadas ao trabalho: manual de procedimentos para os serviços de saúde, para conhecer
as entidades nosológicas de forma mais detalhada. Disponível no portal do Ministério da Saúde.

Referências
BOM, A. M. T.; SANTOS, A. M. A. Sílica - Exposição ocupacional . Sílica e Silicosi. Fundacentro. [2010] apud
Ministério da Saúde. Mapa da Exposição à Sílica no Brasil – Ministério da Saúde/UERJ. 2010.

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eletronicamente em: 29 ago. 2021.

BRASIL. Protocolos de atenção integral à saúde do trabalhador de complexidade diferenciada: LER E DORT.
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BRASIL. Ministério da Saúde. Doenças relacionadas ao trabalho: manual de procedimentos para os serviços de
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Piauí, MPP, 2020.

JUSBRASIL. Qual a diferença entre doença profissional e doença do trabalho? Consultado na internet.

MORAES, M. V. G. D. Doenças ocupacionais: agentes físico, químico, biológico, ergonômico. São Paulo: Editora
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RIBEIRO, F. S. N. (coord.). O mapa da exposição à sílica no Brasil. Rio de Janeiro: UERJ, Ministério da Saúde,
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SANTOS, S. A. Amianto: do uso em larga escala ao banimento. Divisão de Vigilância Sanitária do Trabalho
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SPRADA, E. Toxicologia: Rede e-Tec Brasil. Instituto Federal do Paraná, Educação a Distância, Curitiba, 2013,
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