OS NÚMEROS PRIMOS *†‡
Milênios de estudo não foram suficientes
para solucionar problemas aparentemente simples
Alberto Ricardo Prass§,a
a FisicaNet - [Link]
A história dos números primos, de certa forma, é a própria história da Matemática, cujas origens se perdem
no tempo. E, nos poucos milênios em que houve registro humano, muitos pensadores fizeram contribuições
importantes para a teoria dos números, referindo-se, em particular, aos números primos. Citam-se, dentre
eles, Euclides e Eratóstenes, na Grécia antiga; Pierre de Fermat, no século XVII; e Leonhard Euler, no século
XVIII. Curiosamente, embora tenham constituı́do fonte de motivação para os estudos de matemáticos de todas
as épocas, pouco ainda se sabe sobre esses números.
Por definição, um número é chamado de primo quando é divisı́vel apenas por si mesmo e pela unidade. São
primos 3, 5, 7, 11, 13, etc., enquanto não o são os números 4, 8, 27, 50 e assim por diante. Os números não
primos são chamados compostos.
Uma das formas mais simples, porém trabalhosa, de encontrar os números primos inferiores a um número
dado deve-se a Eratóstenes: seja, por exemplo, determinar os números primos contidos no intervalo de 1 a 100.
O método de Eratóstenes consiste em escrever ordenadamente estes números e, sucessivamente, eliminar da
tabela obtida os números distanciados entre si de 2 unidades, a partir do número 2; de 3 unidades, a partir do
número 3; de 5 unidades a partir do número 5, e assim por diante, até 9. No intervalo considerado, sobram então
apenas os números primos, ou seja:
2 3 5 7 11 13 17 19 23 29 31 37 41 43 47 53 59 61 67 71 73 79 83 89
O método é denominado, com muita propriedade, crivo de Erastótenes, porque ”opera” como uma peneira
sobre um conjunto ordenado de números, separando os números primos dos demais.
Uma das poucas afirmações que se pode fazer com segurança a respeito dos números primos é que eles são
em quantidade infinita. Essa demonstração cabe a Euclides, sendo feita por ”redução ao absurdo”. Presume-se
que haja um número primo, p, maior que todos os outros. Ora, construindo-se o produto 1 × 2 × 3 × 4 × 5 ×
6. . . × p (que é indicado, abreviadamente, por p! - leia-se ”p fatorial”) e somando uma unidade a este número,
o resultado
p! + 1
não é divisı́vel por qualquer número menor que p, excetuando-se a unidade. Tal número é, pois, primo, o que
leva a uma contradição. Logo, a hipótese de partida, que tomava p como o maior dos números primos, é falsa.
* Adaptado da Enciclopédia Ciência Ilustrada,
Vol 09, p.3540-3541
† Editado em LAT X - Novembro, 2023
E
‡ Este texto faz parte da série ENSAIOS - Minha busca particular pela sabedoria
§ Email address: albertoprass@[Link]
Conclui-se, em consequência, que o conjunto dos números primos é infinito.
Uma questão que apaixonou muitos matemáticos é se existiria alguma lei de formação para os números
primos. Pierre de Fermat, um jurista francês que abraçou a Matemática por diversão, pensou ter respondido
afirmativamente a esta pergunta, quando escreveu a fórmula:
n
Fn = 22 + 1
Atribuindo valores inteiros a n (isto é, fazendo n=0, 1, 2, . . . ) encontra-se de fato, números primos. Mas isto
somente é verdadeiro até n=4. Para n=5, conforme demonstrou Leonhard Euler, cerca de um século após Fermat,
aquela expressão produz um número composto divisı́vel por 641.
O Polinômio de Euler apresenta marcantes riquezas de propriedades aritméticas. A mais conhecida é a de
ser um polinômio que, quando seus valores são tabelados, geram uma longa sequência de números primos.
f (n) = n2 − n + 41
para n assumindo valores inteiros. Contudo, esta fórmula falha quando n=41, caso no qual fornece 412 , que é
evidentemente um número composto, pois é produto de 41 por 41.
Há ainda mais um polinômio relacionado, que difere do primeiro por um sinal:
f (n) = n2 + n + 41
Os valores são quase os mesmos, exceto que para 0 e 1 o valor não se repete e que a primalidade só vai até
39, pois ao valor 40 é atribuı́do o quadrado de 41.
Segue a tabela de valores para este f(n) entre 0 e 41
Tabela de valores de f(n)
n f(n) é primo
0 41 sim
1 41 sim
2 43 sim
3 47 sim
4 53 sim
5 61 sim
... ... sim
40 1601 sim
41 1681 não
A existência de uma lei de formação para os números primos permanece, ainda, uma questão em aberto; de
modo semelhante, não parece existir um critério para verificar se um dado número é ou não primo, sem que seja
necessário proceder-se à divisão por todos os números menores que sua raiz quadrada.
2
OS MATEMÁTICOS
(a) EUCLIDES (b) ERATÓSTENES
(c) FERMAT (d) EULER
Matemáticos pioneiros no estudo dos números primos
Euclides (a), matemático alexandrino do século III AEC, conseguiu demonstrar de maneira extraordinaria-
mente simples que existe uma quantidade infinita de números primos.
Eratóstenes (b), por sua vez, por volta do século II AEC, desenvolveu um método que permite encontrar
todos os números primos inferiores a um certo número dado; tal método é conhecido, hoje, como ”crivo de
Eratóstenes”.
Fermat (c), no século XVII, chegou à conclusão de que todos os números
n
Fn = 22 + 1
são primos.
0
F0 = 22 + 1 = 3
1
F1 = 22 + 1 = 5
2
F2 = 22 + 1 = 17
3
F3 = 22 + 1 = 257
4
F4 = 22 + 1 = 65537
5
Euler (d), no entanto, um século depois, provou que Fermat estava errado. De fato, o número F5 = 22 + 1 =
232 + 1 = [Link] = 641 × 6.700.417 é um número composto, divisı́vel por 641.
3
POLÍGONOS E NÚMEROS PRIMOS
Em fins do século XVIII, com apenas dezoito anos de idade, Karl Fridrich Gauss - que, com seu gênio,
marcaria indelevelmente a Ciência de seu tempo - conseguiu relacionar a geometria com os números primos.
Gauss demonstrou que, dos polı́gonos dotados de um número ı́mpar de lados, somente podem ser construı́dos
com régua e compasso aqueles com número de lados coincidentes com um número de Fermat, isto é, número de
n
forma 22 + 1. Os demais polı́gonos são construı́dos por métodos de aproximação ou pelo uso de transferidores.
Os primeiros números primos são 3, 5, 7, 11, 13, 17, 19 e 23. Destes, somente os números 3, 5 e 17 são
números de Fermat (correspondentes, respectivamente, a n = 0, 1 e 2). Assim, apenas os polı́gonos com tais
números de lados podem ser construı́dos usando-se exclusivamente régua e compasso.
GAUSS
4
PROGRAMAS PARA VERIFICAR SE UM NÚMERO É PRIMO
VISUAL BASIC
f u n c t i o n primo ( n as long ) as boolean
Dim aux a s l o n g , r a i z a s l o n g
i f n<=3 t h e n
p r i m o = n<>1
else
i f n MOD 2 = 0 t h e n
p r i m o = FALSE
else
aux = 3
raiz = int ( sqr (n ))
do w h i l e ( n MOD aux <>0) AND ( aux < r a i z )
aux = aux +2
loop
p r i m o = n MOD aux <> 0
end i f
end i f
end f u n c t i o n
PYTHON
num = i n t ( i n p u t ( ” D i g i t e um n ú mero i n t e i r o : ” ) )
i f num < 2 :
p r i n t ( ’ n ã o p r i m o ’ )
e l i f num == 2 :
p r i n t ( ’ primo ’ )
e l i f num % 2 == 0 :
p r i n t ( ’ n ã o p r i m o ’ )
else :
f o r i i n range ( 3 , num / / 2 , 2 ) :
i f num % i == 0 :
p r i n t ( ’ n ã o p r i m o ’ )
break
else :
p r i n t ( ’ primo ’ )
5
FORTRAN
Program p r i m e n u m b e r s
i m p l i c i t none
integer i , j , n
logical is prime
p r i n t * , ” D i g i t e um numero n a t u r a l N: ”
read * , n
do i = 2 , n
is prime = . true .
do j = 2 , i n t ( s q r t ( d b l e ( i ) ) )
i f ( mod ( i , j ) == 0 ) t h e n
is prime = . false .
end i f
end do
i f ( is prime ) print * , i
end do
end program
6
SITES SUGERIDOS
FisicaNET
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Lista dos primeiros 10.000 números primos
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