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Acolhimento e Gestão na Atenção à Saúde

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TiagoAlves
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Acolhimento à demanda espontânea e à demanda programada

UNIDADE 1 Acolhimento
Aula 1: #estamosjuntos!
A Atenção Primária à Saúde (APS) deve ser orientada pelos seguintes princípios: • primeiro
contato; • longitudinalidade; • integralidade; • coordenação; • abordagem familiar; •
enfoque comunitário.
Além disso, a APS deve cumprir três funções especiais • Resolução: visa resolver a grande
maioria dos problemas de saúde da população; • Organização: visa organizar os fuxos e os
contrafuxos dos usuários pelos diversos pontos de atenção à saúde, no sistema de serviços
de saúde; • Responsabilização: visa responsabilizar-se pela saúde dos usuários em quaisquer
pontos de atenção à saúde em que estejam.

O princípio do primeiro contato


O princípio do primeiro contato refere-se ao fato de ser o ponto de entrada mais fácil e
próximo do usuário para os serviços de um sistema de saúde, portanto, a acessibilidade
advoga por um local de atendimento próximo e que não prejudique ou atrase o diagnóstico
e as intervenções necessárias para se resolver um determinado problema de saúde.
O princípio da integralidade exige que a APS reconheça as necessidades de saúde da
população e os recursos para abordá-las. A APS deve prestar, diretamente, todos os serviços
para as necessidades comuns e atuar como um agente para a prestação de serviços de
necessidades que devem ser atendidas em outros pontos de atenção.
Acolher, como ato, expressa uma atitude de aproximação, de “estar perto, um ato de
inclusão. E essa atitude implica relações interpessoais com base na empatia, portanto, é
uma diretriz ética da Política Nacional de Humanização do SUS! Ética no sentido de
compromisso em entender e corresponsabilizar-se nas diferenças, nas dores, nas angústias,
nas dúvidas, nas alegrias e nos planos de felicidade das pessoas que procuram nossa
assistência. O acolhimento é potencialmente uma diretriz política também, pois implica o
compromisso em tornar as pessoas protagonistas da própria saúde.

Aula 2: O que ganhamos acolhendo?

 O acolhimento tem como objetivo a INCLUSÃO, pois avalia sob a ótica das
vulnerabilidades e organiza as demandas programadas e as imprevistas. Já a triagem
tem como objetivo a EXCLUSÃO: “quem não deveria estar aqui”
 É a atitude técnico-assistencial pautada pela ética e pela empatia.
 Diante disso, que outras estratégias podem ser adotadas para melhoria do acesso?
Classificação de Manchester (prioridades clínicas). Fundamenta-se em 3 variáveis:
gravidade (risco); recurso; tempo de resposta.
 Discriminadores que permitam o reconhecimento de prioridades clínicas:
a. Risco de morte: comprometimento de vias aéreas, choque;
b. Dor: severa, moderada, leve;
c. Hemorragia;
d. Estado de consciência;
e. Temperatura

1. Nem todos os tempos-alvo para o atendimento médico apresentados na escala de


triagem de Manchester estão adequados para ser praticados pelas equipes da
Atenção Primária. Então, nota-se a necessidade de adaptarmos essa escala para os
serviços de APS. Logo, para a APS, os casos “não urgentes”, por exemplo, poderão
ser agendados para uma consulta eletiva e os casos “pouco urgentes” poderão ser
atendidos num outro turno, de acordo com cada situação e com o volume da
demanda espontânea do dia.
2. Prioridade Azul (não urgente): Sem sinais vitais de alerta, consulta eletiva.
3. Prioridade Verde (pouco urgente): Atendido no mesmo dia, após primeiros cuidados.
4. Prioridade Amarelo (urgente): Atendimento em 1h no máximo.
5. Prioridade Laranja (muito urgente): Ainda não necessita de RCP. Atendimento em 10
min e chamar SAMU e levar para o Pronto-socorro.
6. Prioridade Vermelho: referenciar imediatamente para o pronto-socorro.

UNIDADE 2 Gestão da clínica


Aula 1: Planejando fca mais fácil
O que é a gestão da clínica? - É o conjunto de instrumentos tecnológicos que permite
integrar os diversos pontos de atenção à saúde para conformar uma rede de atenção à
saúde capaz de prestar a atenção no lugar certo, no tempo certo, com o custo certo e a
qualidade certa. Esse conjunto de instrumentos devem estar integrados e articulados para
atingir o objetivo de prestar uma atenção integral e efetiva. Didaticamente, podemos dividir
em:
A gestão do processo clínico individual inclui a abordagem clínica individual, a consulta
clínica propriamente dita, seja na unidade seja na casa da pessoa. Reúne informações sobre
o estado de saúde e o momento de vida de cada pessoa que está sob nossa
responsabilidade sanitária. --> Abordagem Centrada na Pessoa como centro do seu estudo.
A gestão do processo familiar utiliza de ferramentas que nos permitem conhecer e
entender melhor formação, estrutura, dinâmica, e a fase do ciclo de vida desse sistema
chamado família.
A gestão da prática clínica diz respeito à organização da equipe para o cuidado das pessoas,
nela, incluem-se o acolhimento, a gestão do tempo de consultas, a articulação com outros
pontos da rede de saúde, os cuidados com grupos com necessidades especiais, os cuidados
de promoção de saúde e de prevenção de doenças e, finalmente, a avaliação desses
processos
Da maneira geral, os referidos instrumentos envolvem a organização dos serviços,
considerando as condições crônicas e agudas, a articulação com outros serviços dentro da
rede assistencial, ou ainda com recursos da própria comunidade. Para tanto, é necessário o
desenvolvimento da COMUNICAÇÃO, seja “serviço-pessoa” seja “profssional-pessoa” (face a
face ou a distância, como telefones, e-mails, por exemplo), como meio para garantia do
acesso para satisfazer às necessidades apresentadas pelas pessoas.

A consulta clínica em ambiente ambulatorial: existe receita?


O processo de consulta pode ser considerado um sistema que envolve estrutura, processos
e resultados.
1. Estrutura: espaço físico, elemento organizacional e tecnologias.
2. Processos: modelos de consultas, comunicação e relação profssional-paciente.
3. Resultado: indicadores que permitam analisar o sucesso da consulta.
A importância da AMBIÊNCIA (O espaço físico) geralmente é um momento de intimidade,
em que as fragilidades, os medos e as angústias serão expostas, e que, portanto, não há,
absolutamente nenhuma necessidade de se compartilhar com o público o mais íntimo de
cada um. --> proporcionar ao binômio profssional-usuário um encontro da mais alta
qualidade.

Aula 2: Registrar é preciso!


E quais as funções do prontuário?
 Tem a função de comunicação entre os profissionais que assumem o cuidado da
pessoa em questão, entre diferentes serviços de uma mesma instituição e entre os
níveis de atenção de um sistema de saúde com o usuário. Tem, ainda, a função
educativa, pois registra o histórico científico; bem como administrativa, para análises
financeiras, sendo base para auditorias.
 Os registros ajudam a garantir a continuidade e a longitudinalidade, auxiliam na
comunicação e na tomada de decisão em equipe e permitem um arquivo de dados-
base das pessoas e das famílias em segmento, fornecendo, eventualmente, também
dados para investigação científica ou prova para diligências legais.
 Modelo de RCOP: Número do prontuário, nome completo, data de nascimento,
endereço residencial, telefone para contato, alergia(s), antecedentes pessoais,
antecedentes familiares, revisão por sistemas de órgãos, exame físico, data,
assinatura e carimbo
 Num segundo contato com o serviço, a base de dados pode ser construída segundo
outro modelo, que pode ser, por exemplo, uma LISTA DE PROBLEMAS previamente
identificados, devidamente atualizada.
 Problemas Ativos: persistem de épocas anteriores ou que se identificam a partir do
momento daquele atendimento e exijam algum tipo de manejo/conduta.
 Problemas Passivos: estão sob controle ou que já tiveram resolução, ou seja, são os
problemas que não estão afetando a pessoa naquele momento, mas precisam de
monitoramento por ofertarem riscos.

UNIDADE 3 O cuidado dentro de casa


Aula 1: Visita domiciliar como ferramenta de cuidado
A visita domiciliar (VD) é uma das modalidades previstas para a atenção domiciliar à saúde.
Outras delas são a internação domiciliar e o atendimento domiciliar. A visita é a modalidade
mais difundida pelo Brasil, principalmente depois da implantação da Estratégia saúde da
família (ESF). Ela pode ser definida como um contato pontual da equipe de saúde com
populações de risco, doentes e/ou seus familiares com objetivos de promoção de saúde,
prevenção de doenças, cura ou reabilitação. A VD prioriza o diagnóstico da realidade da
pessoa e seu entorno, com ações educativas, portanto, tem foco individual e coletivo.
A VD representa uma oportunidade singular de aprofundar o vínculo e ainda de conhecer,
em locus, elementos importantes para a elaboração de planos terapêuticos como a dieta e a
forma com que se estabelece a higiene daqueles que residem naquele ambiente. Os
membros da equipe terão de ser grandes curiosos durante a VD, mas sem perder o
entendimento de que estão num templo sagrado. O fato de ter a permissão de adentrar nos
lares exige bom senso e sensibilidade para não transformar uma visita em invasão!
A visita domiciliar é uma tecnologia potente e nos ajuda a aplicar o segundo componente do
Método Clínico Centrado na Pessoa (entendendo a pessoa como um todo).
A VD como estratégia de equipe e não de um só!
Essa tecnologia não é exclusividade de uma categoria profssional, é uma ferramenta
intersetorial e interdisciplinar! Cada caso deve ser discutido e planejado pela equipe,
considerando as especifcidades técnicas, socioculturais e as ações entre equipe, família e
comunidade.
Passos fundamentais para a realização de uma VD:
1- Identifcação dos pacientes e/ou famílias elegíveis.
2- Classifcar a complexidade dos elegíveis.
3- Elaborar um plano de cuidados.

Para a atenção primária, classicamente, Coelho (2003) é autor de um instrumento que


busca defnir riscos e assim estabelecer prioridades para as visitas. A partir dessa tabulação,
a equipe se sentirá mais empoderada para defnir as prioridades de visita, minimizando a
subjetividade das indicações sem critérios, tornando esse processo decisório, um processo
coletivo e planejado.
Atribuições das equipes da estratégia dentro da lógica da visita domiciliar:
Respeitar os princípios da assistência domiciliar, buscando estratégias para aprimorá-los; •
Compreender o indivíduo como sujeito do processo de promoção, manutenção e
recuperação de sua saúde e visualizá-lo como agente corresponsável pelo processo de
equilíbrio entre a relação saúde-doença; • Coordenar, participar e/ou nuclear grupos de
educação para a saúde; • Fornecer esclarecimentos e orientações à família; • Monitorizar o
estado de saúde do usuário, facilitando a comunicação entre família e equipe; • Desenvolver
grupos de suporte com os cuidadores; • Realizar reuniões com usuário e família para
planejamento e avaliação da AD; • Otimizar a realização do plano assistencial; • Fazer
abordagem familiar, considerando o contexto socioeconômico e cultural em que a família se
insere; Garantir o registro no prontuário domiciliar e da família na unidade de saúde; •
Orientar a família sobre sinais de gravidade e condutas a ser adotadas; • Dar apoio à
família, tanto para o desligamento após a alta da AD quanto para o caso de óbito dos
usuários; • Avaliar a condição e infraestrutura física do domicílio; • Acompanhar o usuário
conforme plano de assistência traçado pela equipe e família; • Pactuar concordância da
família para AD; • Buscar garantir assistência integral, resolutiva e livre de danos ao usuário
da AD; • Trabalhar as relações familiares na busca pela harmonia, otimizando ações para
um ambiente familiar terapêutico; • Solicitar avaliação da equipe de referência após
discussão de caso; • Dar apoio emocional; Orientar cuidados de higiene geral com corpo,
alimentos, ambiente e água.

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