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Última Estação: A Viagem de Marta

Marta, uma jornalista, embarca em um misterioso comboio à meia-noite que a leva a uma viagem com passageiros de épocas passadas, onde descobre que pode estar morta. Ao confrontar o revisor, ela tem a opção de continuar a viagem ou voltar à vida, escolhendo retornar apesar do peso de seu acidente. Meses depois, encontra um bilhete que a conecta à experiência, deixando-a com a sensação de que o comboio pode voltar a chamá-la.
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Última Estação: A Viagem de Marta

Marta, uma jornalista, embarca em um misterioso comboio à meia-noite que a leva a uma viagem com passageiros de épocas passadas, onde descobre que pode estar morta. Ao confrontar o revisor, ela tem a opção de continuar a viagem ou voltar à vida, escolhendo retornar apesar do peso de seu acidente. Meses depois, encontra um bilhete que a conecta à experiência, deixando-a com a sensação de que o comboio pode voltar a chamá-la.
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Última Estação (Drama / Mistério)

Capítulo 1 – O Comboio da Meia-Noite

A estação de São Bento, no Porto, estava quase deserta. Passava pouco da meia-noite
quando um comboio antigo entrou na plataforma, soltando um silvo agudo. Não havia
aviso no painel eletrônico, nem registo daquele horário.

Marta, jornalista de 28 anos, tinha ido à estação para apanhar o último comboio
para Lisboa. Mas o bilhete que comprara não correspondia a nenhum dos que estavam
no horário oficial.

Um revisor elegante, vestido como nos anos 50, aproximou-se:


— Senhora, o seu lugar é no vagão 3.

Sem entender, Marta entrou. O comboio partiu em silêncio, como se deslizasse sobre
um trilho invisível.

Capítulo 2 – Passageiros Improváveis

O vagão estava cheio, mas os passageiros não pareciam normais. Havia um soldado com
uniforme da Primeira Guerra, uma senhora com vestido de época e uma criança com um
urso de pelúcia antigo.

Todos a olhavam com curiosidade.

— Este não é um comboio comum, pois não? — perguntou Marta à mulher ao seu lado.

A senhora sorriu melancolicamente. — Aqui viajamos para onde nunca chegamos em


vida.

Um arrepio percorreu a espinha de Marta.

Capítulo 3 – Ecos do Passado

Durante a viagem, os passageiros começaram a contar as suas histórias. O soldado


descreveu a batalha em que morrera. A criança falava de um incêndio em casa.

Marta não conseguia acreditar. Seria um sonho? Estava morta também?

No reflexo da janela, viu o seu rosto pálido e cansado. Recordou-se de que, poucas
horas antes, tivera um acidente de carro numa estrada deserta. Talvez… talvez nunca
tivesse sobrevivido.

Capítulo 4 – O Revisor

Marta foi até ao revisor e perguntou em desespero:


— Para onde vai este comboio?

Ele respondeu calmamente:


— Para a última estação. Cada um desce onde deve descer.

— E eu? Onde devo descer?


O revisor encarou-a com um olhar grave. — Isso depende do que deixou por resolver.

Capítulo 5 – Entre Dois Destinos

O comboio atravessava paisagens impossíveis: mares iluminados por luas azuis,


cidades fantasma, campos onde milhares de velas ardiam no escuro.

Marta sentia o coração apertado. Não estava pronta para morrer. Ainda tinha a mãe,
os amigos, sonhos por cumprir.

Quando o comboio parou numa estação envolta em nevoeiro, alguns passageiros


desceram. Marta ouviu gritos de alegria, outros de dor. As portas fecharam-se de
novo.

Capítulo 6 – A Escolha

O revisor aproximou-se dela uma última vez.


— Marta, tens duas opções: continuar a viagem até ao fim, ou regressar. Mas para
regressar, terás de carregar o peso da dor e do acidente que sofrestes.

As lágrimas escorreram pelo seu rosto. Queria viver. Queria mais tempo.

— Eu escolho voltar. — disse com firmeza.

Capítulo 7 – O Regresso

O comboio começou a dissolver-se em névoa. Marta sentiu o corpo cair no vazio, como
se fosse sugada para trás.

Acordou num hospital, rodeada de máquinas e enfermeiros. Estava viva, ainda que com
cicatrizes.

Fechou os olhos e, por um instante, jurou ouvir o apito de um comboio distante.

Epílogo – O Bilhete

Meses depois, ao arrumar as roupas usadas no dia do acidente, Marta encontrou no


bolso do casaco um bilhete amarelado.

“Vagão 3 – Última Estação”

Nunca contou a ninguém. Mas sempre que passava por uma estação deserta, sentia que
um dia aquele comboio voltaria a chamá-la.

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