Poder
Executivo
Profª. Rafaela Stresser
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Poder Executivo
Funções típicas = pratica atos de chefia de Estado, chefia de governo e atos de
administração.
Funções atípicas = legisla, [Link].: via medida provisória (art. 62) e julga, no
“contencioso administrativo”, [Link].: exercido em caso de defesa de multa de
trânsito, etc.
Sistema de governo
• tratam da questão de Chefe de Estado e Chefe de Governo,
• da relação entre o Executivo e o Legislativo,
• da distribuição de poderes
SISTEMAS DE GOVERNO
CHEFE DE ESTADO CHEFE DE GOVERNO
• Representa o Estado e zela pela • traça as diretrizes políticas do Estado
continuidade do Estado. • pratica atos de administração e de
• representando a República natureza política — estes últimos
Federativa do Brasil nas relações quando participa do processo
internacionais e, internamente, legislativo —atribuições previstas nos
sua unidade, previstas nos incisos incisos I a VI; IX a XVIII e XX a XXVII do
VII, VIII e XIX do art. 84. art. 84.
Executivo monocrático
Executivo monocrático = as funções de Chefe de Estado e de Governo são exercidas por um
só indivíduo, no caso o Presidente da República, auxiliado pelos Ministros de Estado.
O Poder Executivo no Brasil, estabelece o art. 76, é exercido pelo Presidente da República,
auxiliado pelos Ministros de Estado.
No âmbito da União = Presidente da República, auxiliado pelos Ministros de Estado.
No âmbito dos Estados = o Poder Executivo é exercido pelo Governador de Estado, auxiliado
pelos Secretários de Estado, sendo substituído (no caso de impedimento) ou sucedido (no
caso de vaga), pelo Vice-Governador
No âmbito dos Municípios = Prefeito e vice-Prefeito
No âmbito do DF = Governador e do Vice-Governador do DF
Atribuições
O art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
I — nomear e exonerar os Ministros de Estado; (CHEFE DE GOVERNO)
Embora tenha liberdade para nomear, há parâmetros a serem seguidos (art. 87)
II — exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal; (CHEFE DE
GOVERNO)
Esse inciso é a essência principal da atribuição do Presidente, enquanto Chefe de Governo. Cabe, portanto, ao Presidente,
estabelecer as políticas públicas prioritárias, levando-se em conta os parâmetros constitucionais mínimos, bem como as
diretrizes da administração pública, ao lado de seus ministros.
III — iniciar o processo legislativo, na forma e nos casos previstos nesta Constituição (cf. art. 61, § 1.º); (CHEFE DE
GOVERNO)
um dos legitimados para iniciar o processo legislativo ordinário. Outrossim, é ele quem pode elaborar as
Medidas Provisórias (art. 62, CF), pode solicitar urgência nos projetos de sua iniciativa (art. 64, § 1º, CF), é
um dos legitimados da Emenda Constitucional (art. 60, II, CF), sem contar as hipóteses em que ele tem
iniciativa reservada (privativa), prevista no art. 61, § 1º, da Constituição Federal;
IV — sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos (decreto regulamentar) e
regulamentos para sua fiel execução; (CHEFE DE GOVERNO)
A primeira atribuição diz respeito à sanção presidencial aos projetos de lei (LO e LC) aprovados pelo
Congresso Nacional.
V — vetar projetos de lei, total ou parcialmente (cf. art. 66); (CHEFE DE GOVERNO)
VI — dispor, mediante decreto (decreto autônomo), sobre: a) organização e
funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa
nem criação ou extinção de órgãos públicos; (DELEGÁVEL) b) extinção de funções ou
cargos públicos, quando vagos; (DELEGÁVEL) (CHEFE DE GOVERNO)
É muito comum no Brasil. Por exemplo, o Decreto n. 8.910, de 22 de novembro de 2016,
foi editado pelo Presidente para aprovar a estrutura regimental e o quadro dos cargos em
comissão e das funções de confiança do Ministério da Transparência, Fiscalização e
Controladoria-Geral da União – CGU, remanejando cargos em comissão e funções de
confiança.
VII — manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus representantes
diplomáticos; (CHEFE DE ESTADO)
VIII — celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do
Congresso Nacional (cf. art. 49, I - por meio de decreto legislativo, sem sanção do
Presidente da República); (CHEFE DE ESTADO)
IX — decretar o estado de defesa e o estado de sítio (cf. arts. 136 a 141); (CHEFE DE
GOVERNO)
X — decretar e executar a intervenção federal (cf. art. 34); (CHEFE DE GOVERNO)
XI — remeter mensagem e plano de governo ao Congresso Nacional por ocasião da
abertura da sessão legislativa, expondo a situação do País e solicitando as providências
que julgar necessárias (referente ao ano que passou); (CHEFE DE GOVERNO)
XII — conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos
instituídos em lei; (DELEGÁVEL) (CHEFE DE GOVERNO)
Indulto é o perdão coletivo concedido pelo Presidente da República, por
meio de decretos. É uma das causas de extinção da punibilidade, prevista no art. 107, II,
do Código Penal. É um ato de clemência do Poder Público, exclusivo do Presidente da
República. É uma tradição no Direito brasileiro ser editado um decreto presidencial às
vésperas do Natal, como um benefício aos condenados que preencherem certos
requisitos.
A comutação da pena é um benefício concedido igualmente pelo Presidente
da República, por meio de decreto (costuma estar previsto no mesmo decreto de
indulto), e consiste na redução da pena, calculada sobre o que resta a ser cumprida. A
análise da aplicação da comutação da pena é de responsabilidade do juiz da
execução penal;
XIII — exercer o comando supremo das Forças Armadas, nomear os Comandantes da Marinha, do
Exército e da Aeronáutica, promover seus oficiais-generais e nomeá-los para os cargos que lhes são
privativos (cf. art. 142); (CHEFE DE GOVERNO)
XIV — nomear, após aprovação pelo Senado Federal (sabatina), os Ministros do Supremo Tribunal
Federal e dos Tribunais Superiores, os Governadores de Territórios, o Procurador-Geral da
República, o presidente e os diretores do Banco Central (autarquia federal de regime especial) e
outros servidores, quando determinado em lei; (CHEFE DE GOVERNO)
XV — nomear, observado o disposto no art. 73, os Ministros do Tribunal de Contas da União;
(CHEFE DE GOVERNO)
XVI — nomear os magistrados (TRF, TRT), nos casos previstos nesta Constituição, e o Advogado-Geral
da União; (CHEFE DE GOVERNO)
XVII — nomear membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII; (CHEFE DE
GOVERNO)
XVIII — convocar e presidir o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional; (CHEFE DE
GOVERNO)
XIX — declarar guerra, no caso de agressão estrangeira, autorizado pelo Congresso Nacional ou
referendado por ele, quando ocorrida no intervalo das sessões legislativas, e, nas mesmas condições,
decretar, total ou parcialmente, a mobilização nacional; (CHEFE DE ESTADO)
XX — celebrar a paz, autorizado ou com o referendo do Congresso Nacional; (CHEFE
DE GOVERNO)
XXI — conferir condecorações e distinções honoríficas; (CHEFE DE GOVERNO)
XXII — permitir, nos casos previstos em lei complementar, que forças estrangeiras
transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente (cf. LC
n. 90/97 com as alterações introduzidas pela LC n. 149/2015); (CHEFE DE
GOVERNO)
Trata-se de medida tomada pelo Presidente, que, em regra, depende de autorização do Congresso Nacional,
por meio de decreto legislativo (art. 49, II, CF). Não obstante, a Lei Complementar n. 90, de 1997, prevê alguns
casos em que não será necessária a autorização do Congresso.
XXIII — enviar ao Congresso Nacional o plano plurianual, o projeto de lei de diretrizes orçamentárias e as
propostas de orçamento previstos nesta Constituição; (CHEFE DE GOVERNO)
XXIV — prestar, anualmente, ao Congresso Nacional, dentro de 60 dias após a abertura da sessão
legislativa, as contas referentes ao exercício anterior; (CHEFE DE GOVERNO)
Segundo o art. 49, IX, da Constituição Federal, compete ao Congresso Nacional, por decreto legislativo, julgar as contas prestadas
pelo Presidente da República, depois de elaborado parecer pelo Tribunal de Contas da União, que será elaborado em sessenta dias
a contar de seu recebimento (art. 71, I, CF).
XXV — prover (DELEGÁVEL) e extinguir os cargos públicos federais, na forma da lei; (CHEFE DE
GOVERNO)
Prover é nomear alguém para o cargo, é fazer preencher o cargo público. Havendo delegação para prover cargos =
essa autorização abrangeria, também, a atribuição para desprover cargos, praticando-se atos demissionários de
servidores públicos. Por exemplo, determinado Ministro de Estado poderia, por meio de Portaria, havendo
delegação nos termos do art. 84, parágrafo único, após procedimento administrativo, no qual se assegurou o
devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, aplicar a pena de demissão a servidor público. Quem tem
competência para nomear também tem para ‘desnomear’” (voto no RMS 24.619).
XXVI — editar medidas provisórias com força de lei, nos termos do art. 62; (CHEFE DE GOVERNO)
XXVII — exercer outras atribuições previstas nesta Constituição; (CHEFE DE GOVERNO)
XXVIII — propor ao Congresso Nacional a decretação do estado de calamidade pública de âmbito
nacional previsto nos arts. 167-B, 167-C, 167-D, 167-E, 167-F e 167-G desta Constituição (EC n. 109/2021).
Rol exemplificativo
As atribuições conferidas ao Presidente da República estão taxativamente previstas no art.
84?
O rol do art. 84 é meramente exemplificativo, pois, conforme o seu inciso XXVII, compete
privativamente ao Presidente da República exercer não só as atribuições definidas nos
incisos precedentes bem como outras previstas na CF/88.
OBS: Por uma questão lógica e de técnica legislativa, deveria ter colocado a nova regra antes
da norma de encerramento
Possibilidade de delegação
■ Essas atribuições poderiam ser delegadas?
Sim, mas o Presidente da República somente poderá delegar as atribuições previstas nos incisos VI, XII e XXV,
primeira parte, aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da República ou ao Advogado-Geral da União,
devendo todos observar os limites traçados nas respectivas delegações (cf. art. 84, parágrafo único), quais sejam,
as atribuições de:
❑ dispor, mediante decreto, sobre a organização e o funcionamento da administração federal, quando não
implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos;
❑ dispor, mediante decreto, sobre a extinção de funções ou de cargos públicos, quando vagos;
❑ conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei;
❑ prover os cargos públicos federais, na forma da lei.
Decretos
2 tipos de decretos:
1) Decretos regulamentares - art. 84, IV, CF
2) Decretos autônomos – art. 84, VI, CF
Decreto regulamentar – art. 84, IV
O inciso IV do art. 84, que atribui competência privativa ao Presidente da República para
sancionar, promulgar e fazer publicar leis, bem como expedir decretos e regulamentos
para sua fiel execução.
Trata-se do poder regulamentar, que se perfaz mediante decretos regulamentares (atos
infralegais). Passível de controle de legalidade.
Como regra geral, o Presidente da República materializa as competências do art. 84 por
decretos. É o instrumento através do qual se manifesta.
No tocante às leis: algumas são autoexecutáveis, outras precisam de regulamento para que
seja dado fiel cumprimento aos seus preceitos. Para tanto, são expedidos os decretos regu-
lamentares.
Decreto autônomo – art. 84, VI
São decretos que sem regulamentar lei superior criam normas autônomas.
Poderiam existir decretos autônomos, ou seja, independentes de lei preexistente?
Via de regra não. O conteúdo e a amplitude do regulamento devem sempre estar definidos em lei,
subordinando-se aos preceitos nela previstos.
Quando o regulamento extrapolar a lei, padecerá de vício de legalidade, podendo, inclusive, o
Congresso Nacional sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar
(art. 49, V).
Isso porque, ao contrário da lei, fonte primária do direito, o regulamento se caracteriza como fonte
secundária. Outro entendimento feriria o princípio da legalidade previsto no art. 5.º, II, CF/88, bem
como o princípio da separação de Poderes, previsto no art. 2.º e elevado à categoria de cláusula pétrea
(art. 60, § 4.º, III), uma vez que a expedição de normas gerais e abstratas é função típica do
Legislativo.
Quando o constituinte originário atribui função atípica de natureza legislativa ao Executivo, ele o faz de
modo expresso, por exemplo, no art. 62 (medidas provisórias).
Grande parte da doutrina manifesta-se pela inexistência de acolhida constitucional dos
regulamentos autônomos.
Decreto autônomo – art. 84, VI
Mas a EC 32/2001 permitiu a existência dos decretos autônomos ao mudar o art. 84, VI da Constituição.
VI - dispor sobre a organização e o funcionamento da administração federal, na forma da lei;
VI - dispor, mediante decreto, sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou
extinção de órgãos públicos; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
Então, na prática, acabam existindo decretos autônomos com indiscutível conteúdo normativo. Sendo que o STF
tem admitido controle de constitucionalidade desses decretos.
Em outro precedente, afirmou o Min. Gilmar Mendes: “a modificação introduzida pela EC n. 32/2001 parece ter
inaugurado, no sistema constitucional de 1988, o assim denominado ‘decreto autônomo’, isto é, decreto de perfil não
regulamentar, cujo fundamento de validade repousa diretamente na Constituição” (no caso, a Corte declarou
inconstitucional decreto que extinguiu “cargos e funções ocupadas, em manifesta violação ao art. 84, VI, ‘b’, da
Constituição Federal”, que permite e autoriza a sua extinção por decreto autônomo na hipótese de funções ou cargos
públicos quando vagos — cf. ADI 6.186, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 17.04.2023, DJE de 02.05.2023).
Decreto autônomo – art. 84, VI
“Impugnação de decreto autônomo, que institui benefícios fiscais. Caráter não meramente
regulamentar. Introdução e novidade normativa. Preliminar repelida. Precedentes. Decreto
que, não se limitando a regulamentar lei, institua benefício fiscal ou introduza outra novidade
normativa, reputa-se autônomo e, como tal, é suscetível de controle concentrado de
constitucionalidade” (ADI 3.664, rel. Min. Cezar Peluso).
No mesmo sentido: “Pode ser objeto de ação direta de inconstitucionalidade, o ato normativo
subalterno cujo conteúdo seja de lei ordinária em sentido material e, como tal, goze de
autonomia nomológica” (ADI 3.731-MC, rel. Min. Cezar Peluso).
Ministros de Estado
Os Ministros de Estado são auxiliares do Presidente da República no exercício do Poder
Executivo e na direção superior da administração federal (arts. 76, 84, II, e 87).
“o cargo de Ministro é um cargo civil”, pouco importando a área do Ministério. Nesse
sentido, mesmo o Ministro da Defesa (que é hierarquicamente superior aos Comandantes da
Marinha, do Exército e da Aeronáutica — militares) exerce uma função de natureza civil.
Ministros de Estado
Os Ministros de Estado dirigem Ministérios e são escolhidos pelo Presidente da
República, que os nomeia, podendo ser exonerados a qualquer tempo, ad nutum, não
tendo qualquer estabilidade (art. 84, I). Os requisitos para assumir o cargo de Ministro de
Estado, cargo de provimento em comissão, são, de acordo com o art. 87, caput:
■ ser brasileiro, nato ou naturalizado (exceto o cargo de Ministro de Estado da Defesa,16
que, de acordo com a EC n. 23, de 02.09.1999, deverá ser preenchido por brasileiro nato,
conforme se observa pelo inciso VII do § 3.º do art. 12, acrescentado pela aludida emenda);
■ ter mais de 21 anos de idade;
■ estar no exercício dos direitos políticos.
Ministros de Estado
O ato de escolha e nomeação de Ministro de Estado pode ser controlado pelo Poder Judiciário?
Essa questão ganhou relevância com um fato que gerou bastante polêmica e de conhecimento de
todos, qual seja, a nomeação do ex-Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, por meio de
Decreto da então Presidente da República Dilma Rousseff, que circulou em uma edição extra do
Diário Oficial de 16.03.2016, para exercer o cargo de Ministro de Estado Chefe da Casa Civil. Alegava-
se que o único objetivo daquela nomeação era o de lhe conferir prerrogativa de foro no STF (art. 102, I,
“c”, CF/88), retirando os autos do juízo da denominada Operação Lava-Jato, sob a responsabilidade do
então Juiz Sérgio Moro, em Curitiba.
Referido ato de nomeação e outras questões relacionadas foram judicializados no STF, destacando-se
os MS 34.070 e 37.071, as ADPFs 390 e 391 e a Rcl 23.457.
Essa questão de suposto desvio de finalidade também foi levantada durante o governo do Presidente
Michel Temer (que sucedeu, de modo definitivo, Dilma Rousseff em razão da condenação desta no
processo de impeachment), tendo em vista o ato de nomeação de Moreira Franco para o cargo de
Ministro de Estado (MS 34.609 e 34.615).
O ato de escolha, nomeação e exoneração de Ministro de Estado é, de fato, discricionário, por se
tratar de cargo de confiança do Presidente da República, tanto é que são demissíveis ad nutum,
qual seja, sem qualquer procedimento ou garantia de contraditório.
Ministros de Estado
Dessa forma, haveria, em regra e em tese, apenas a possibilidade de eventual controle judicial sobre os requisitos
formais previstos no art. 87, caput, CF/88, ou seja, o controle da legalidade da nomeação e não do mérito da
escolha.
Contudo, em se caracterizando desvio de finalidade no ato de nomeação (ou seja, ato com finalidade diversa de
auxílio do Presidente da República na forma do art. 76, CF/88), que não se presume e tem de ser cabalmente
demonstrado, nesse caso específico, é possível o controle judicial, já que se trata de ato nulo e, então, sob esse
aspecto, passível de controle (art. 2.º, “e” e parágrafo único, “e”, da Lei n. 4.717/65 — Lei da Ação Popular). Também é
possível identificar violação aos princípios da moralidade, da impessoalidade e do interesse público.
No caso de Lula, essa questão concreta não chegou a ser apreciada pelo STF, na medida em que, tendo em vista o
afastamento de Dilma Rousseff decorrente da instalação do processo de impeachment no Senado Federal, ela mesma
revogou o ato de nomeação, não tendo sido este restabelecido, já que, como todos sabem, em 31.08.2016 houve a sua
condenação, com a aplicação da sanção de perda do cargo. Por esse motivo, decidiu o Min. Gilmar Mendes: “tendo em
vista a publicação, no Diário Oficial da União de 12.5.2016 (Seção 2, p. 1), da exoneração do Ministro de Estado Chefe da
Casa Civil da Presidência da República, está prejudicada a presente ação mandamental, em razão da perda
superveniente de seu objeto (art. 21, IX, do RISTF)” (há agravo interno pendente de julgamento).
No mesmo sentido, os mandados de segurança impetrados contra o ato de nomeação de Moreira Alves foram
julgados prejudicados por perda superveniente do objeto, em razão de sua exoneração do cargo.
Ministros de Estado – é preciso ter conhecimento
técnico?
Além dos requisitos objetivos listados no art. 87, caput, o Ministro de Estado precisa ter
conhecimentos técnicos sobre a área de seu Ministério, ou basta ser um bom gestor com
estratégicos relacionamentos políticos? Em outras palavras, será, por exemplo, que o Ministro da
Saúde precisa ser necessariamente da área da saúde? Ou, para se ter um outro exemplo, será que o
Ministro da Economia pode ser um político?
Vamos lembrar alguns exemplos: durante a pandemia da Covid-19, tivemos um General da ativa do
Exército como Ministro da Saúde. Em outro momento, Fernando Henrique Cardoso (FHC), antes de
ter sido eleito Presidente da República, foi nomeado Ministro das Relações Exteriores e Ministro da
Fazenda por Itamar Franco (certamente, o sucesso do Plano Real, que foi elaborado sob a sua gestão,
o ajudou na sua posterior eleição como Presidente da República). José Serra, economista e
engenheiro civil, foi nomeado Ministro da Saúde durante o Governo FHC.
Para algumas pastas, seria um benefício em se ter, também, o conhecimento técnico.
Mas não é uma obrigação constitucional ou legal.
Ministros de Estado - atribuições
Competem aos Ministros de Estado, além de outras atribuições estabelecidas na Constituição e na lei, as elencadas
no parágrafo único do art. 87, CF/88:
■ exercer a orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da administração federal na área de
sua competência e referendar os atos e decretos assinados pelo Presidente da República
■ expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos
■ apresentar ao Presidente da República relatório anual de sua gestão no Ministério
■ praticar os atos pertinentes às atribuições que lhe forem outorgadas ou delegadas pelo Presidente da
República
Ministros de Estado - atribuições
Lei n. 14.600, de 19.06.2023.
A EC n. 32/2001 alterou a redação do art. 88 nos seguintes termos: “a lei disporá sobre a criação e extinção de
Ministérios e órgãos da administração pública”, não mais falando em estruturação e atribuições.
A lei ordinária prevista no art. 88 é peculiar, porque adentra na esfera de liberdade do presidente da República,
a quem compete organizar a máquina administrativa. Não seria melhor deixar a matéria em aberto, como antes
da EC?
Apesar de o texto exigir lei e o art. 61, § 1.º, II, “e”, estabelecer a iniciativa privativa do Presidente da República para
criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública, observado o disposto no art. 84, VI, na prática,
tem sido verificada a reestruturação dos Ministérios por medida provisória (especialmente em caso de alteração
do Presidente da República), afirmando-se serem convenientes e necessárias as adaptações administrativas,
justificando-se a “relevância e urgência” pela necessidade de o Governo eleito implementar as novas medidas (vide,
por exemplo, a referida MP n. 1.154/2023, que foi convertida na Lei n. 14.600/2023).
Conselho da República e Conselho de Defesa
Nacional
• O Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional são órgãos superiores de
consulta do Presidente da República
• Cabe ao Presidente da República convocar e presidir o Conselho da República e o
Conselho de Defesa Nacional (art. 84, XVIII).
• sendo os seus pareceres e manifestações meramente opinativos porque não vinculam
as decisões a serem tomadas pelo Chefe do Executivo Federal.
Conselho da República
A Lei n. 8.041/90 regula a organização e o funcionamento do Conselho da República, cujas competências
constitucionais foram definidas no sentido de se pronunciar sobre (art. 90, I e II, CF/88):
■ a intervenção federal, o estado de defesa e o estado de sítio;
■ questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas.
Além dos integrantes já indicados acima, o Presidente da República poderá convocar Ministro de Estado
para participar da reunião do Conselho da República, quando constar da pauta questão relacionada com o
respectivo Ministério (art. 90, § 1.º, CF/88). Neste caso, contudo, o Ministro convocado não terá direito a
voto (art. 5.º, parágrafo único, da Lei n. 8.041/90).
Finalmente, além de outras prescrições estabelecidas na referida lei regulamentadora, cabe destacar que a
participação no Conselho da República é considerada atividade relevante e não remunerada (art. 3.º, § 4.º,
da Lei n. 8.041/90).
Conselho de Defesa Nacional
Vem como substituto do famigerado Conselho de Segurança Nacional do regime militar e é órgão de
consulta (superior) do Presidente da República nos assuntos relacionados com a soberania nacional e
a defesa do Estado democrático.
A Lei n. 8.183/91 regula a organização e o funcionamento do Conselho de Defesa Nacional, competindo-
lhe, nos termos da Constituição:
■ opinar nas hipóteses de declaração de guerra e de celebração da paz, bem como sobre a
decretação do estado de defesa, do estado de sítio e da intervenção federal;
■ propor os critérios e as condições de utilização de áreas indispensáveis à segurança do
território nacional e opinar sobre seu efetivo uso, especialmente na faixa de fronteira e nas
relacionadas com a preservação e a exploração dos recursos naturais de qualquer tipo;
■ estudar, propor e acompanhar o desenvolvimento de iniciativas necessárias a garantir a
independência nacional e a defesa do Estado democrático.
Na mesma linha do previsto para o Conselho da República, a participação, efetiva ou eventual, no
Conselho de Defesa Nacional constitui serviço público relevante, e seus membros não poderão
receber remuneração sob qualquer título ou pretexto (art. 7.º da Lei n. 8.183/91).
Exercício
Leia o texto “Para que servem as emendas parlamentares”.
Responda às seguintes perguntas:
a) Qual a relação dessas emendas parlamentares com a função típica
do Poder Executivo?
b) Aponte os prós e contras das emendas parlamentares.
Trabalho individual e manuscrito, porém a discussão pode ser em grupo.
A correção ocorrerá com o debate em sala.