INSUFICIÊNCIA RENAL
INSUFICIÊNCIA RENAL
A insuficiência renal surge quando os rins
não conseguem remover os resíduos
metabólicos do corpo, nem realizar as
funções reguladoras.
Existem 2 tipos de insuficiência renal:
aguda e crônica. A insuficiência renal
aguda (IRA) é caracterizada pela
diminuição abrupta e rápida da função
renal. A insuficiência renal crônica é
caracterizada pela lesão irreversível dos
néfrons.
INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA
A IRA é uma perda súbita e quase
completa da função renal (TFG
diminuída) durante um período de horas
a dias. Embora, com freqüência, se
acredite que a IRA seja um problema
observado apenas em pacientes
hospitalizados, ela também pode
ocorrer no ambiente de pacientes
externos.
FISIOPATOLOGIA E ETIOLOGIA
A insuficiência renal pode ser conseqüência de
distúrbios pré-renais, intra-renais e pós-renais.
Pré-renais = são condições não urológicas que
interrompem o fluxo sanguíneo renal aos
néfrons. EX: choque hipovolêmico,
desidratação, trombose, parada cardíaca,
hemorragias, ICC.
Intra-renais = são condições que ocorrem nos
rins. EX: glomerulonefrite, lesões por
esmagamento, infecções, isquemia.
Pós-renais = são problemas obstrutivos
localizados abaixo do rim. EX: Tumor uretral,
cálculos ureterais, estenose.
FASES DA IRA
A insuficiência renal aguda têm 4 fases:
Fase inicial
Fase oligúrica
Fase diurética
Fase de recuperação
FASES DA IRA
FASE INICIAL = começa com a agressão
inicial, é acompanhada pela redução do
fluxo sanguíneo aos néfrons a tal ponto que
ocorre necrose.
FASE OLIGÚRICA = está associada a
excreção de volumes urinários inferiores
aos adequados. Esta fase começa no
intervalo de 48 horas após a agressão
celular inicial, e pode durar de 10 a 14 dias
ou mais.
FASES DA IRA
FASE DIURÉTICA = a diurese começa à
medida que os néfrons se recuperam.
Apesar do aumento do conteúdo hídrico
na urina, a excreção de produtos
metabólitos e de eletrólitos continua
comprometida.
FASE DE RECUPERAÇÃO = Indica a melhora
da função renal e pode levar de 1 ou mais
anos. Os valores laboratoriais retornam ao
nível normal.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Quase os sistemas do corpo são afetados
quando existe falência dos mecanismos
reguladores renais normais.
Paciente pode parecer criticamente
doente e letárgico, com náuseas
persistentes e diarréia.
A pele e as mucosas mostram-se secas
devido à desidratação.
O hálito pode ter odor de urina (hálito
urêmico)
Sinais e sintomas do SNC compreendem
sonolência, cefaléia, convulsões.
DIAGNÓSTICO
Para se diagnosticar é necessário a realização
de vários exames:
Alterações na Urina - *debito urinário (escasso
ao volume normal) *Hematúria, *Proteinúria.
Alteração do contorno renal – A USG é o meio
adequado para visualização da estrutura
renal, onde está presente a IRA ou IRC.
Hipercalemia – com o declínio da TFG, o
paciente na consegue excretar normalmente
o potássio. A hipercalemia pode levar as
disritmias e a parada cardíaca.
TRATAMENTO
O rim tem notável capacidade de se
recuperar da agressão. No geral o
tratamento inclui a manutenção do
balanço hídrico, prevenção do excesso de
liquido ou, possivelmente, a realização da
diálise.
Como mitos medicamentos são
eliminados através dos rins, as dosagens de
medicamentos devem ser reduzidas
quando um paciente apresenta IRA.
CUIDADOS DE ENFEMARGEM
Monitorar o equilíbrio hidroeletrolítico
Monitorar a função cardíaca
Orientar o repouso no leito
Tratar de imediata febre e infecções
Evitar a ocorrência de infecções,
aplicando técnicas assépticas
Monitorar sinais de complicação
Auxiliar na realização de procedimentos
como diálise peritoneal ou hemodiálise
INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA
A IRC ou DRET é uma deteriorização
progressiva e irreversível da função
renal, na qual fracassa a capacidade
do corpo para manter os equilíbrios
metabólicos e hidroeletrolíticos.
A IRC tem três estágios:
Redução da reserva renal – 40 a 75% de perda da
função renal. Em geral o paciente não apresenta
sintomas, porque os néfrons são capazes de realizar
as funções normais dos rins.
Insuficiência renal – 75 a 90% de perda da função
renal. Níveis séricos de uréia e creatinina aumentam,
o rim perde sua capacidade de concentrar urina e
há desenvolvimento de anemia. Paciente pode
apresentar polaciúria e nictúria.
Doença renal terminal – menos de 10% renal é
mantida. Esse é o ponto na qual torna-se necessária
a realização regular de diálise ou de um transplante
renal para a manutenção da vida.
FISIOPATOLOGIA
À medida que a função renal diminui, os
produtos finais do metabolismo protéico (que
normalmente são excretados na urina)
acumulam-se no sangue. A uremia
desenvolve-se e afeta todos os sistemas do
corpo. Quanto maior for o acúmulo mais
graves serão os sintomas.
A susceptibilidade às infecções aumenta
em decorrência de um sistema imunológico
deficiente.
O edema e a hipertensão são
conseqüências do comprometimento da
eliminação urinária.
ETIOLOGIA
Doenças sistêmicas = DM
Hipertensão
Glomerulonefrite crônica
Obstrução do trato urinário
Lesões hereditárias
Entre outras.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Neurológicos = fraqueza, fadiga, letargia,
confusão, desorientação, convulsões
Tegumentares = pele seca e descamativa,
prurido, unhas finas e quebradiças, cabelos
finos.
Cardiovasculares = HAS, edema
depressível, edema periorbitário, atrito
pericárdico, pericardite, derrame
pericárdico.
Pulmonares = falta de ar, taquipnéia,
escarro espesso e viscoso.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Gastrintestinais = hálito urêmico, vômitos,
sangramento a partir do trato
gastrointestinal.
Hematológico = anemia
Reprodutivos = amenorréia, atrofia
testicular
Musculoesqueléticos: cãibras, perda da
força muscular, dor óssea.
DIAGNÓSTICO
Exames laboratoriais de sangue revelam
elevações de uréia, creatinina, potássio,
magnésio e fósforo.
O nível de cálcio está baixo.
A contagem dos eritrócitos está
diminuída.
A biopsia renal revela destruição dos
néfrons.
O Rx e USG mostra defeitos estruturais
nos rins, ureteres e bexiga.
TRATAMENTO
A meta do tratamento é manter a função
renal e a homeostasia pelo maior intervalo
de tempo possível.
Fatores reversíveis são identificados e
tratados
Medicamentos
Terapia com dieta
Diálise pode ser necessária para diminuir o
nível dos produtos residuais urêmicos no
sangue.
CUIDADOS DE ENFERMAGEM
Monitorar peso diário
Realizar balanço hídrico rigoroso
Observar distensão de veia jugular
Monitorar freqüência e esforço
respiratório
Monitorar dosagem de eletrólitos,
através de exames laboratoriais
Monitorar SSVV, principalmente P.A.
DIÁLISE
É um procedimento de limpeza e
filtração do sangue. Ela substitui a
função renal quando os rins não
conseguem remover produtos
metabólicos nitrogenados, nem manter
o equilíbrio hídrico, eletrolítico e ácido-
básico adequado.
A diálise é realizada pela hemodiálise
e pela diálise peritoneal
HEMODIÁLISE
A hemodiálise é um procedimento que
filtra o sangue. Através da hemodiálise
são retiradas do sangue substâncias que
quando em excesso trazem prejuízos ao
corpo, como a uréia, potássio sódio e
água.
HEMODIÁLISE
Hemodiálise é feita com a ajuda de um dialisador
(capilar ou filtro). O dialisador é formado por um
conjunto de pequenos tubos chamados "linhas".
Durante a diálise, parte do sangue é retirado do
corpo, passa através da linha em um lado, onde o
sangue é filtrado e retorna ao paciente pela linha do
lado oposto.
Atualmente tem havido um grande progresso em
relação a segurança e a eficácia das máquinas de
diálise, tornando o tratamento bastante seguro.
Existem alarmes que indicam qualquer alteração
que ocorra no sistema (detectores de bolhas,
alteração de temperatura e do fluxo do sangue,
etc).
Há 2 métodos comumente
utilizados: Fístula arteriovenosa
e o enxerto arteriovenoso.
Uma fístula AV envolve um
procedimento cirúrgico para unir a
artéria e a veia sob a pele. O aumento
do fluxo sangüíneo dilata a veia elástica
para permitir um maior volume de fluxo
de sangue.
Hemodiálise
Cateter venoso central para hemodiálise
O enxerto AV pode ser usado por pessoas
que não tenham veias adequadas para o
procedimento de fístula AV. O enxerto AV
envolve o enxerto cirúrgico de uma veia
safena do próprio paciente (da perna),
uma artéria carótida de uma vaca ou um
enxerto sintético de uma artéria para uma
veia.
Após a ligação adequada pelos dois
acessos, a máquina de hemodiálise é
conectada; o acesso da artéria se
conecta à máquina e o acesso que
retorna o sangue da máquina se conecta
à veia.
DIÁLISE PERITONEAL
A diálise peritoneal é realizada pelo
uso da membrana peritoneal do interior
do abdome como membrana
semipermeável. São introduzidas
soluções especiais que absorvem as
toxinas, que permanecem no abdome
por um tempo e então são drenadas.
DIÁLISE PERITONEAL
A solução de diálise é introduzida na
cavidade abdominal através de um
cateter, onde permanece por um
determinado tempo para que ocorram as
trocas entre a solução e o sangue (esse
processo é chamado de permanência). De
um modo geral, produtos nitrogenados e
líquidos passam do sangue para a solução
de diálise, a qual é posteriormente
drenada da cavidade peritoneal. Após
isso, uma nova solução é infundida,
repetindo assim o processo dialítico e
dando início a um novo ciclo de diálise.
Portanto, cada ciclo de diálise
peritoneal (conhecido como troca)
possui três fases: infusão, permanência e
drenagem.
EXISTE TRÊS TIPOS DE DIÁLISE
PERITONEAL
Diálise peritoneal ambulatorial
continua = aproximadamente 2.000 ml
de dialisado é instilado por meio da
gravidade pelo cateter em 30 a 40
minutos. O cateter é pinçado e a soluão
permanece por 4 a 6 horas. Leva-se a
bolsa de instilação abaixo do nível do
cateter e remove-se a pinça por 30 a 40
minutos para permitir a drenagem
gravitacional.
Diálise peritoneal cíclica contínua =
um aparelho é conectado ao cateter
de diálise. Ele enche e drena
automaticamente o dialisado do
abdome enquanto o individui dorme. É
realizada durante um periodo de 10 a 12
horas. O peritoneo permanece cheio de
solução durante o dia, mas permite o
paciente realizar atividades sem ter que
fazer trocas do dialisado.
Diálise Peritoneal Intermitente = são
realizados com o mesmo aparelho da
dialise peritoneal cíclica contínua.
Contudo, o processo ocorre
periodicamente, com varios dias de
intervalo ntre as diálises. As sessões
podem durar 24 horas. O tempo total
despendido é de 36 a 42 duas por
semana.