11
1 INTRODUÇÃO
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é o surgimento de um déficit neurológico súbito
causado por um problema nos vasos sanguíneos do sistema nervoso central. O acidente vascular
cerebral (AVC) é uma doença não transmissível de importância crescente em populações em
processo de envelhecimento. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o AVC
é a segunda causa mais frequente de mortalidade a nível mundial, e a terceira nos países
industrializados, logo a seguir a doença coronária e cancro em geral (CASTRO, 2014).
Em cada ano, o AVC causa cerca de 5,54 milhões de mortes a nível mundial, com dois
terços destas mortes ocorrendo nos países menos desenvolvidos. Para além disso, é uma causa
muito importante de morbilidade, sendo a principal causa de incapacidade na população adulta
(MAFRA, 2018).
O cérebro é totalmente responsável pela inteligência, personalidade, humor e pelas
características que nos individualizam e levam os nossos semelhantes a reconhecerem-nos
como humanos. A perca da função cerebral pode ser desumanizante, tornando-nos dependentes
de outros (CAPLAN, 2009).
E o que poderia ser pior do que a repentina incapacidade de falar, mover um membro,
manterse de pé, caminhar, ver, ler, ou tornar-se seriamente incapaz de compreender a linguagem
falada, escrever, pensar com clareza ou não ter sequer a capacidade de recordar? E qual a
sensação de ser um indivíduo funcional para se tornar, num ápice, em um inválido desamparado,
e no instante seguinte ser um caso clínico, tal como conta na sua autobiografia Eric Hodgins?
A perda da função é muitas vezes instantânea e totalmente imprevisível; as deficiências podem
ser transitórios ou permanente, ligeiras ou devastadoras (ibidem).
Muitos dos doentes que sobrevivem ao AVC ficam com sequelas de ordem física, sensorial
e cognitiva. De facto, o AVC sendo a principal causa de incapacidade no adulto no mundo, leva
à reforma precoce e a repercussões sócio-económicas devastadoras (MS, 2010).
De acordo com Bonita (1992 apud Tambara, 2006), aproximadamente 85% dos acidentes
vasculares cerebrais são de origem isquémica e 15% hemorrágica; de entre os hemorrágicos,
10% são hemorragias intraparenquimatosas e 5% são hemorragias subaracnóideias.
Relativamente ao AVC hemorrágico, este pode ser causado por “malformações arteriovenosas,
ruptura de aneurisma, determinadas substâncias (por exemplo: anticoagulantes e anfetaminas)
ou hipertensão descontrolada, podendo resultar em hemorragia craniana, extradural, subdural,
subaracnóideia ou intracraniana”.
12
A cada ano, 13,7 milhões de pessoas tem um AVC no mundo, 5,5 milhões morrem e,
atualmente, existem 80 milhões de sobreviventes de AVC. Com medidas de prevenção
adequadas, 90% dos casos podem ser evitados. Um em cada 4 de nós terá um AVC ao longo
da vida. A doença pode acontecer com qualquer pessoa, em qualquer idade, a qualquer hora e
em qualquer lugar (LIMA, 2009).
Tempo é fundamental no reconhecimento dos sinais de alerta do AVC para que o paciente
possa ter acesso a um rápido tratamento de urgência em centro especializado, o que diminui as
chances de sequelas e o risco de morte (LAUERMANN, 2009).
A mortalidade depende, para além da incidência, das taxas de letalidade. A taxa de
letalidade aos 28 dias, após o primeiro AVC, oscila entre 19 a 28%, e a mesma taxa a 1 ano,
entre 31 a 41%.11,12 No estudo “Oxfordshire Community Stroke Project” (OCSP),13 um
estudo de incidência de primeiro AVC realizado entre 1981 e 1984, a proporção de casos fatais
aos 30 dias foi de 19% para o conjunto dos AVCs, sendo de 10% para os enfartes cerebrais, 50%
para a hemorragia intracerebral primária e 46% para a hemorragia subaracnoideia; um ano após
o AVC, as mesmas proporções eram, respectivamente, de 31%, 23%, 62% e 48%
(LAUERMANN, 2009).
O AVC é um grupo heterogéneo constituído por quatro tipos patológicos: enfarte cerebral,
hemorragia intracerebral primária, hemorragia subaracnoideia e AVC de tipo indeterminado
(IGESP, 2021).
Em Angola, um estudo intra-hospitalar realizado no Hospital Américo Boavida, revelou,
maior prevalência de AVC hemorrágico em doentes internados, sendo a Hipertensão arterial, o
principal factor de risco (Minstério da Saúde de Angola [MINSA], 2021).
1.1 Problema
No decorrer dos nossos estágios préliminares e curriculares nas várias unidades de cuidados
de saúde da nossa cidade capital, fomos constatando que muitos dos profissionais de
Enfermagem no momento de acolhimento dos pacientes, não aferíam com rigor os seus sinais
vitais e em especial a pressão arterial. Como sendo um dos critérios major para ocorrência de
vários eventos cardiovasculares e então, na qualidade de estudantes de Enfermagem, surgiu-
nos a inquietação com a seguinte pergunta de partida:
Quais são os Cuidados de Enfermagem Prestados a Pacientes com Acidente
Vascular Cerebral atendidos no Serviço de Neurologia do Hospital Geral de Luanda em
Fevereiro de 2024?
13
1.2 Justificativa
O grupo decidiu de um modo consensual para a escolha deste tema, com o objectivo
principal de obtermos de forma mais clara e concisa, conhecimentos técnicos e científicos sobre
a doença em questão, para posteriormente podermos participar na na redução da incidência de
Acidente Vascular Cerebral, através dos métodos da IEC, também aprimorando os cuidados
para contribuirmos na redução de incapacidades causas pela doença. E ainda mais além,
também pretendemos que o nosso trabalho venha servir de referência bibliográfica para as
futuras gerações de estudantes e profissionais de saúde do nosso país.
1.3 Objectivos
1.3.1 Geral
Descrever os Cuidados de Enfermagem Prestados a Pacientes com Acidente Vascular
Cerebral atendidos no Serviço de Neurologia do Hospital Geral de Luanda em Fevereiro de
2024.
1.3.2 Específicos
Caracterizar a amostra de acordo as variáveis sociodemográficas (idade, gênero, educação
e tempo de serviço);
Detalhar a amostra de acordo aos cuidados prestados aos pacientes com AVC (Verificação
dos sinais vitais, checar glicemia capilar, manter o paciente com cabeceira a 0°, instalar acesso
venoso periférico, manter a permeabilidade das vias aéreas e a ventilação adequada, administrar
oxigênio suplementar, em pacientes com rebaixamento de consciência, não reduzir níveis
pressóricos, não administrar grande volume de fluidos e utilizar antitérmico se a temperatura
axilar for > 37,5°).
14
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 Definição de Termos e Conceitos
2.1.1 Enfermagem
Segundo Wanda Aguiar Horta (1951), ‘‘é a ciência e arte de assistir o ser humano no
atendimento de de suas necessidades básicas, de torná-lo independente desta assistência através
da educação; de recuperar, manter e promover sua saúde, contando para isso com a colaboração
de outros grupos profissionais; (Gente que cuidad de gente)’’.
2.1.2 Cuidados
É o acto de tratar, respeitar, acolher, entender o ser humano em seu sofrimento, em
grande medida fruto de sua fragilidade social, mas com qualidade e resolutividade de seus
problemas (RENAUD, 2010).
2.1.3 Acidente Vascular Cerebral:
A Organização Mundial de Saúde (OMS) define o AVC como sendo um comprometimento
neurológico focal (ou global) que subitamente ocorre com sintomas persistindo para além de
24 horas, ou levando à morte, com provável origem vascular (Organização Mundial da Saúde
[OMS], 2006).
Segundo os resultados obtidos em um estudo realizado por Barella et al (2019), ‘‘A
literatura(10-12) é divergente quanto ao sexo mais acometido no AVC, dependendo das
características da população estudada como, por exemplo, a idade, afinal, após menopausa o
risco das mulheres desenvolverem AVC tende a se igualar ao dos homens’’.
O que torna o AVC uma doença tão prevalente é a sua relação com os fatores de risco e a
dificuldade de controle dos mesmos, o que complica a prevenção do evento agudo (BARELLA
et al, 2019),
2.2 Factores de Risco
Os factores de risco aumentam a probabilidade de um acidente vascular encefálico, mas
muitos deles podem ser atenuados com o tratamento médico ou mudança de estilo de vida
(CANCELA, 2008).
As causas são multifatoriais e estão divididos em: os não modificáveis e os modificáveis.
Dentre os não modificáveis encontramos: os fatores sócio-econômicos, idade e a raça
(CAPLAN, 2009). Segundo Cancela (2008) os factores de risco modificáveis para a ocorrência
15
de AVE são: Arteriosclerose, a HTA, o Tabagismo, o Colesterol elevado, o Diabetes Mellitus,
a Obesidade, as Valvulopatias e arritmias cardíacas, as Cardiomiopatias hipertróficas,
hereditariedade, o sedentarismo e o uso de anticoncepcionais orais.
2.3 Fisiopatologia
A fisiopatologia do AVC é complexa e envolve diferentes episódios, tais como a perda de
homeostase celular, falha de energia, acidose, elevação da concentração de cálcio intracelular,
toxicidade por radical livre, ativação de células gliais e infiltração de leucócitos e geração de
produtos do ácido araquidônico (FERNANDES & CARDOSO, 2021).
O fluxo sanguíneo é responsável por levar oxigênio e nutrientes para todo nosso corpo
incluindo os tecidos cerebrais que devem estar fortemente vascularizados para realizar todas as
funções. Quando não ocorre essa vascularização os neurônios e outras células cerebrais não
conseguem executar suas funções, podendo levar apoptose neural (ibidem).
2.4 Classificação
Pode-se dividir o Acidente Vascular Cerebral (AVC) em dois grupos sistemáticos segundo
os seus processos fisiopatológicos: “o Acidente Vascular Isquêmico, corresponde a 80% dos
AVC’s, que baseia-se na oclusão de um vaso sanguíneo, impossibilitando que o fluxo de sangue
alcance uma parte especifica do cérebro. Já o Acidente Vascular Hemorrágico, estimado em
20% dos AVC’s, por sua vez, está associado a outros fatores complicadores, entre os quais
podemos citar pressão intracraniana e o edema cerebral” (GAGLIARD, 2010).
AVC hemorrágico (AVCh) compreende a hemorragia subaracnóide, em geral decorrente
da ruptura de aneurismas saculares congênitos localizados nas artérias do polígono de Willis e
a hemorragia intraparenquimatosa, cujo mecanismo causal básico é a degeneração hialina de
artérias intraparenquimatosas cerebrais, tendo como principal doença associada a Hipertensão
Arterial Sistêmica (HAS) (RADANOVIC, 2000). O AVCh é quando um vaso se rompe
ocasionando uma hemorragia intracraniana ou no espaço subaracnóideo entre a camada interna
(pia-máter) e a camada intermediária (aracnóide) dos tecidos que envolvem o cérebro. Esse tipo
de AVC pode ter a necessidade de uma intervenção cirúrgica de urgência. Em comparação ao
isquêmico a taxa de mortalidade do hemorrágico é mais elevada, o edema cerebral ocasionado
pelo processo hemorrágico leva à ruptura e deslocamento de estruturas e consequentemente
apoptose neural (FERNANDES & CARDOSO, 2021).
AVC isquêmico (AVCi) descreve o déficit neurológico resultante da insuficiência de
suprimento sanguíneo cerebral, podendo ser temporário (episódio isquêmico transitório) ou
16
permanente , e tendo como principais fatores de risco a HAS, as cardiopatias e o Diabetes
Mellitus (RADANOVIC, 2000). Regularmente ocorre por uma formação de uma placa
aterosclerótica ou através de um coágulo que chega pela circulação causando a oclusão e
isquemia. Alguns fatores como altos níveis de colesterol, arritmias cardíacas e triglicerídeos
podem causar uma rigidez dos vasos limitando o espaço do lúmen que é por onde o fluxo
sanguíneo circula (FERNANDES & CARDOSO, 2021).
2.5 Sintomas e Sinais de Alerta
Os déficits neurológicos causados pela lesão cerebral podem ocasionar quadros de
incapacidades funcionais que se apresentarão como provisórios ou permanentes. Após a lesão
pode se observar alguns sinais e sintomas como hemiplegia ou hemiparesia, alterações de tônus
e sensibilidade, entre outras disfunções que podem afetar a autonomia do paciente
(FERNANDES & CARDOSO, 2021).
Segundo Martins (2002) a manifestação mas clássica do AVC é a hemiplegia. O doente
apresenta problemas relacionados com a sua função motora e sensitiva pelo que se torna
portador de uma deficiência, causando-lhe assim, determinadas incapacidades (ibidem).
A hemiplegia é uma sequela decorrente de um AVC, sendo essa uma paralisia que acomete
os músculos de um lado do corpo, contralateral ao lado da lesão. Sendo capaz de apresentar
variações conforme da distribuição e do grau de espasticidade. Essa disfunção resulta ao
paciente limitações em movimentos funcionais gerando uma incapacidade, apresentando uma
perda de mobilidade em tronco e extremidades, afetando diretamente sua independência em sua
vida diária (CANCELA, 2008).
O aparecimento da espasticidade está ligado ao desequilíbrio que acontece através das
influências inibitórias e facilitadores das vias descendentes que auxiliam na regulação do tônus
muscular, na qual atua participando na desativação dos músculos flexores e ativando os
músculos extensores da articulação. Essas alterações podem provocar deformidades, posturais
não funcionais e dor (FERNANDES & CARDOSO, 2021).
Sinais como fraqueza ou formigamento na face, no braço ou na perna, especialmente em
um lado do corpo; Confusão, alteração da fala ou compreensão; Alteração na visão (em um ou
ambos os olhos); Alteração do equilíbrio, coordenação, tontura ou alteração no andar; Dor de
cabeça súbita, intensa e sem causa aparente, são elementos de alerta se pensar na possibilidade
de ocorrência de um AVC (Ministério da Saúde de Brasil [MS], 2019).
17
2.6 Diagnóstico
Em conformidade com a Cancela (2008) ‘‘O diagnóstico do Acidente Vascular Cerebral é
suspeitado pela clínica e confirmado por uma série de exames complementares’’. Corrobora o
Ministério da Saúde de Angola (2021), ‘‘os quadros clínicos descritos não têm nada de
patognomónico e não nos permitem diferenciar enfarto cerebral de outras patologias
cerebrovasculares focais. As diferentes causas dos AVC podem ser identificadas baseando-se
sobre a avaliação do exame físico e neurológico, e sobre o uso e interpretação de emergentes
técnicas diagnosticas. Portanto, apresenta os seguintes aspectos observados em alguns exames
complementares:
2.6.1 Exames laboratoriais
Nos exames laboratoriais é frequente observar leucocitose com neutrofilia (activação
leucocitária devido a lesão cerebral), marcada se infecções;
Frequente glicémia alta em pacientes sem diabetes e muito mais elevada em pacientes com
diabetes (expressão de reacção ao insulto cerebral);
Valores LDH, CPK, funcionalidade hepática, renal, colesterol, triglicéridos, VES, GE,
ionograma, PT, PTT, INR, urina, Funcionalidade tiroideia, Hepatite B e C, VDRL, marcadores
tumorais, devem ser pesquisados (Minstério da Saúde de Angola [MINSA], 2021).
2.6.2 Exames Imagiológicos
Tomografia Computorizada (TC) de crânio é o padrão ouro. Após o início dos sintomas. A
expansão do hematoma tende a ocorrer logo após a hemorragia intraparenquimatosa e aumenta
o risco de mau prognóstico funcional e morte. Entre os pacientes submetidos a TC de crânio, 3
horas de início da hemorragia intraparenquimatosa, 28% a 38% têm expansão do hematoma
(Minstério da Saúde de Angola [MINSA], 2021).
Angiografia TC (Angiografia Computorizada) e a TC com contraste podem identificar
Pacientes com alto risco de expansão do hematoma com base no contraste, muitas vezes
denominado um sinal spot (ibidem).
Angiografia Cerebral é indicada em pacientes com hemorragia intracerebral de localização
atípica ou com idade abaixo de 45 anos (independentemente da presença de HAS), devem ser
submetidos ao estudo angiográfico para investigação de causas secundárias como MAV,
aneurismas, fístulas, trombose de seio venoso e vasculites. Ressonância Magnética Solicitar
como alternativa a TAC, sobretudo nas hemorragias infratentoriais em caso de dúvida sobre a
18
natureza primária ou secundária da lesão; Exame de eleição no diagnóstico de Cavernomas; ü
Útil na investigação de malformações (Minstério da Saúde de Angola [MINSA], 2021).
Outros: ECG, Ecocardiograma Transtorácico.
Em resumo, o AVC h é uma emergência médica que deve ser diagnosticada e gerenciada
prontamente. A expansão do hematoma, e a deterioração precoce são comuns nas primeiras
horas após o início (Minstério da Saúde de Angola [MINSA], 2021).
As situações clínicas que fazem diagnóstico diferencial com o AVCh, são variadas, dentre
elas o próprio AVC isquémico, Síncope, Crises epilépticas, lesões neoplásicas, Neuropatias,
Síndromes demenciais, Hemorragia subdural ou extradural, mielopatia, Encealopatia, Trauma
cranioencefalico, encefalopatia hipertensiva, doença de Parkinson, amnesia global transitória
(Minstério da Saúde de Angola [MINSA], 2021).
2.7 Tratamento
O tratamento vai depender diretamente do diagnóstico que por sua vez confirma e classifica
o tipo do AVC. De acordo com a Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares (2010)
até que o diagnóstico seja confirmado existem algumas condutas ou procedimentos que podem
ser adotados a fim de estabilizar o paciente, dentre elas destacamos: controle da pressão arterial
(P.A), a fim de reduzir o sangramento; controle da glicemia, valores, < 120mg/dL, controle da
temperatura; controle da hiperventilação e quando necessária usar a hemodiluição.
Para Lutsep (2004) nos AVC h o maior problema se dá por conta dos sangramentos e todo
o tratamento gira em torno de evitar o aumento do hematoma, evitar a hipovolemia periférica e
evitar e prevenir as hemorragias (NEVES, 2010).
Várias modalidades terapêuticas têm sido preconizadas, todas objetivando minimizar o
grau de lesão neuronal que ocorre após uma oclusão ou sangramento arterial. As intervenções
objetivam a otimização do fluxo sanguíneo (farmacológicas e cirúrgicas), melhorar o
metabolismo neuronal (drogas neuroprotetoras, uso de agentes anestésicos) e controlar a
hipertensão intracraniana. Além disso, um intenso esforço tem sido despendido na tentativa de
controlar os fatores de risco e na profilaxia de novos eventos, também através da terapêutica
medicamentosa ou intervenção cirúrgica precoce (endarterectomias) nos pacientes de alto risco
(NEVES, 2010).
19
Segundo Gagliard (2010), o AVC pode ser tratado através de 3 estágios: tratamento
preventivo, tratamento do acidente vascular cerebral agudo e o tratamento de reabilitação pós-
acidente vascular cerebral (ibidem).
O tratamento preventivo abarca a identificação e o controle dos fatores de risco. Assim, a
avaliação e o acompanhamento neurológicos adequados são artifícios do tratamento preventivo.
Desse modo, o domínio da hipertensão, da diabete, a interrupção do tabagismo e o uso de
determinadas drogas (anticoagulantes) que contribuem para a diminuição da incidência de
acidentes vasculares cerebrais também trazem benefícios (NEVES, 2010).
O tratamento agudo do acidente vascular cerebral isquêmico, por sua vez, incide sobre a
utilização de terapias antitrombóticas que tentam interromper o acidente vascular cerebral
quando ele está acontecendo, mediante a ligeira dissolução do coágulo que está originando a
isquemia. Portanto, a possibilidade de recobramento aumenta quanto mais rápida for a ação
terapêutica nestes casos. Em alguns casos selecionados pode ser usada a endarterectomia de
carótida. Desse modo, o acidente vascular cerebral em desenvolvimento compõe uma
emergência médica, devendo ser tratado rapidamente em ambiente hospitalar (NEVES, 2010).
Por fim, tem-se o último estágio de tratamento do AVC. Dessa maneira, reabilitação pós-
acidente vascular cerebral auxilia o indivíduo a suplantar os problemas resultantes dos danos
causados pela lesão. Assim, o uso de terapia antitrombótica é importante para evitar
recorrências. Além disso, deve-se controlar outras complicações, principalmente em pacientes
acamados (pneumonias, tromboembolismo, infecções, úlceras de pele) onde a instituição de
fisioterapia e a terapia ocupacional previne e tem papel importante na recuperação funcional do
paciente (LUTSEP, 2004).
2.8 Complicações
Segundo o MINSA (2021) ‘‘As principais complicações são as seguintes:
Complicações cardíacas (infarto do miocárdio, arritmias cardíacas, etc.);
Complicações pulmonares (pneumonia, dessaturação de oxigénio e apneia);
Complicações gastrointestinal (disfagia, Sangramento gastrointestinal, incontinência
fecal);
Complicações geniturinária (infecções do trato urinário, incontinência urinária);
Complicações musculoesqueléticas (fraturas de quadril, dor);
Outras complicações (Fadiga, depressão, febre, e úlceras de decúbito, TVP).’’
20
2.9 Cuidados de Enfermagem
Verificar os sinais vitais (pressão arterial, pulso, saturação, temperatura axilar);
Checar glicemia capilar: hipoglicemia pode causar sinais focais e simular um AVC. Se
a glicemia for < 70 mg/dl, administrar 20 ml de glicose hipertônica 50%, via endovenosa,
1 vez. Repetir hemoglicoteste em 1 hora
Manter o paciente com cabeceira a 0°, posicionar a 30° em caso de vômitos;
Instalar acesso venoso periférico em membro superior não parético;
Manter a permeabilidade das vias aéreas e a ventilação adequada;
Administrar oxigênio suplementar por cateter nasal ou máscara se saturação de oxigênio
for < 94% (atentar para pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica);
Considerar intubação orotraqueal em pacientes com rebaixamento de consciência
(Glasgow <=8), com claro sinal clínico de insuficiência respiratória (pO2 < 60mmHg
ou pCO2 > 50 mmHg), ou se for evidente o risco de aspiração;
Não reduzir níveis pressóricos, exceto se a pressão arterial sistólica for ≥ 220 mmHg ou
se a pressão arterial diastólica for ≥ 120 mmHg, ou se outra doença associada exigir a
redução da pressão arterial (dissecção de aorta, infarto agudo do miocárdio, edema
pulmonar);
Não administrar grande volume de fluidos a não ser em caso de hipotensão (em caso de
necessidade, utilizar solução de cloreto de sódio 0,9%);
Utilizar antitérmico se a temperatura axilar for > 37,5°C (NUNES et al, 2017).
2.10 Prognóstico
O AVCh é de pior prognóstico, quanto menor o tempo entre o início dos sintomas e a
chegada na emergência, maior é a mortalidade, este aumento, se deve a falta de tratamento
específico para esta condição e também a característica da expansão do hematoma, que ocorre
sobretudo nas primeiras 6 horas do início dos sintomas em até um terço dos pacientes (Minstério
da Saúde de Angola [MINSA], 2021).
No AVCh a sobrevivência nos primeiros 30 dias depois do acidente oscila entre 40 a 70%.
Hemorragias a nível do tronco, a morte pode ocorrer durante as primeiras horas. A evolução
clínica da hemorragia de cerebelo não é previsível. Na hemorragia subaracnóidea a mortalidade
nos primeiros 30 dias é de 40%. Em relação ao prognóstico, cabe ressaltar que, se o paciente
receber assistência médica nas primeiras 24h a mortalidade nos primeiros 30 dias reduz em até
35% (ibidem).
21
2.11 Medidas de Prevenção
Aproximadamente 80% dos casos de AVC poderiam ser evitados através do controle de fatores
de risco mudanças nos hábitos de vida.
Controle da Hipertensão Arterial;
Tratamento do Diabetes;
Redução nos níveis de Colesterol;
Redução de peso;
Prática regular de exercícios físicos;
Não fumar ou parar de fumar;
Tratamento da Síndrome da Apneia do Sono (NEVES, 2010).
22
3 METODOLOGIA
3.1 Tipo de Estudo
Foi realizado um estudo observacional, descritivo e transversal de enfoque qualitativo e
quantitativo.
3.2 Local de Estudo
O estudo foi realizado no Hospital Geral de Luanda, Encontra-se no município do Kilamba
Kiaxi, de acordo a sua localização geográfica é delimitada pelos seguintes pontos de referências:
Província de Luanda, Município de Belas, Bairro Soba Capassa com as seguintes Delimitações
Geográficas: A Norte pelo bairro Calemba 2, a Sul pela Urbanização Nova Vida, ao Este pelo
Cemitério do Camama e ao Oeste pelo Golf 2.
3.3 População de Estudo
O universo em estudo foi constituído por todos os enfermeiro que trabalham nos Serviços
de Neurologia Hospital Geral de Luanda.
3.4 Amostra
Tratou-se de uma amostra probabilística de vinte (20) enfermeiros, extraída de forma
aleatória simples.
3.5 Critério de Inclusão
Foram incluídos todos os enfemeiros que estiveram presentes no local no dia da recolha de
dados e aceitarem participar do estudo.
3.6 Critério de Exclusão
Foram excluidos todos os enfermeiros que não estiveram presentes no local no dia da
recolha de dados.
3.7 Procedimentos Éticos
Para salvaguardar os princípios éticos, a Comissão Científica do ITPSEN após ter aprovado
o pré-projecto, enviou uma carta à Direcção do Hospital Geral de Luanda. Após a autorização
da pesquisa por entidades competentes procederemos com a recolha de dados. Aos sujeitos de
pesquisa, lhes foi apresentado um termo de consentimento livre esclarecido aonde constaram
todas as informações e os objectivos da pesquisa de forma que o mesmo aceitasse ou não
participar do estudo.
23
3.8 Método de Recolha de Dados
Os dados foram recolhidos por meio de um questionário, elaborado com perguntas abertas
e fechadas numa entrevista de aproximadamente 5 minutos.
3.9 Variáveis de Estudo
Idade, gênero, educação e tempo de serviço, verificação dos sinais vitais, checar glicemia
capilar, manter o paciente com cabeceira a 0°, instalar acesso venoso periférico, manter a
permeabilidade das vias aéreas e a ventilação adequada, administrar oxigênio suplementar, em
pacientes com rebaixamento de consciência, não reduzir níveis pressóricos, não administrar
grande volume de fluidos e utilizar antitérmico se a temperatura axilar for > 37,5°).
3.10 Análise e processamento de dados
Os resultados obtidos foram analizados e processados no programa estatístico Microsoft
Excel 2016, digitalizados em Microsoft Word 2016 e apresentados em Microsoft Power Point
2016 em forma de tabelas.
A digitalização do texto foi feita com base as normas de manual da Escola de Formação de
Técnicos de Saúde de Luanda, onde usamos o tipo de letra Times New Roman, tamanho de
letra 14 na capa, 12 nos títulos e subtítulos, espaçamento de texto 1,5 cm, margem lateral
esquerda 3 cm, lateral direita 2 cm, superior 3 cm e inferior 2 cm, usamos citações direitas e
indireitas com base as normas de ABNT.
24
4 APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS
Tabela nº 1. Destribuição da amostra de acordo à idade (faixa etária).
Faixa Etária / Anos Fr %
19 – 24 5 15
25 – 30 10 50
31 – 36 2 10
37 – 42 2 10
≥ 43 1 5
Total 20 100
Fonte: Inquérito realizado no Hospital Geral de Luanda, em Fevereiro de 2024.
De acordo com a tabela acima representada, em cada 100 profissionais, 50% tínham idades
entre os 25 aos 30 anos de idade e 5% têm 43 ou mais anos de idade.
25
Tabela nº 2. Destribuição da amostra de acordo ao gênero.
Gênero Fr %
Feminino 12 60
Masculino 8 40
Total 20 100
Fonte: Inquérito realizado no Hospital Geral de Luanda, em Fevereiro de 2024.
De acordo com a tabela acima representada, em cada 100 profissionais, 60% eram do sexo
femininno e outros 40% do sexo oposto.
26
Tabela nº 3. Destribuição da amostra de acordo à educação.
Educação Fr %
Técnico Médio 10 50
Licenciado 8 40
Especialista 2 10
Total 20 100
Fonte: Inquérito realizado no Hospital Geral de Luanda, em Fevereiro de 2024.
De acordo com a tabela acima representada, em cada 100 profissionais, 50% eram Técnicos
Médio e 10% eram Especialistas.
27
Tabela nº 4. Destribuição da amostra de acordo ao tempo de serviço.
Tempo de serviço / Anos Fr %
1–5 8 40
6 – 10 4 20
11 – 15 2 10
≥ 16 6 30
Total 20 100
Fonte: Inquérito realizado no Hospital Geral de Luanda, em Fevereiro de 2024.
De acordo com a tabela acima representada, em cada 100 profissionais, 40% trabalham já
há 1 a 5 anos e 10% trabalham há já 11 a 15 anos.
28
Tabela nº 5. Destribuição da amostra de acordo à aferição dos sinais vitais.
Aferição dos Sinais Vitais Fr %
Sim 15 75
Não 5 25
Total 20 100
Fonte: Inquérito realizado no Hospital Geral de Luanda, em Fevereiro de 2024.
De acordo com a tabela acima representada, em cada 100 profissionais, 75% referiu aferir
os sinais vitais e outros 25% não.
29
Tabela nº 6. Destribuição da amostra de acordo a checagem da glicemia capilar.
Checar a Glicémia Capilar Fr %
Sim 2 10
Não 18 90
Total 20 100
Fonte: Inquérito realizado no Hospital Geral de Luanda, em Fevereiro de 2024.
De acordo com a tabela acima referida, em cada 100 profissionais, 90% referiu não checar
a glicémia capilar e os outros 10% sim.
30
Tabela nº 7. Destribuição da amostra de acordo ao mantimento da cabeceira do paciente
cabeceira a 0°.
Manter a Cabeceira a 0º Fr %
Sim 17 85
Não 3 15
Total 20 100
Fonte: Inquérito realizado no Hospital Geral de Luanda, em Fevereiro de 2024.
De acordo com a tabela acima representada, em cada 100 profissionais, 85% fereiu manter
a cabeceira a 0º e o outros 15% não.
31
Tabela nº 8. Destribuição da amostra de acordo à instalação do acesso venoso periférico.
Acesso Venoso Periférico Fr %
Sim 19 95
Não 1 5
Total 20 100
Fonte: Inquérito realizado no Hospital Geral de Luanda, em Fevereiro de 2024.
De acordo com a tabela acima referida, em cada 100 profissionais, 95% referiu fazer o
acesso venoso periférico e os outos 5% não.
32
Tabela nº 9. Destribuição da amostra de acordo ao mantimento da permeabilidade das vias
aéreas e a ventilação adequada.
Manter a PVA e Ventilação Fr %
Sim 15 75
Não 5 25
Total 20 100
Fonte: Inquérito realizado no Hospital Geral de Luanda, em Fevereiro de 2024.
De acordo com a tabela acima representada, em cada 100 profissionais, 75% referiu manter
permáveis as vias aéreas e a ventilação adequada, e os outos 25% não.
33
Tabela nº 10. Destribuição da amostra de acordo a administração do oxigênio suplementar.
Administrar O2 suplementar Fr %
Sim 14 70
Não 6 30
Total 20 100
Fonte: Inquérito realizado no Hospital Geral de Luanda, em Fevereiro de 2024.
De acordo com a tabela acima representada, em cada 100 profissioais, 70% referiu
administrar Oxigênio suplementar, e os outros 30% não.
34
Tabela nº 11. Destribuição da amostra de acordo à redução dos níveis pressóricos em pacientes
com rebaixamento de consciência.
Redução dos níveis Pressóricos Fr %
Sim 11 55
Não 9 45
Total 20 100
Fonte: Inquérito realizado no Hospital Geral de Luanda, em Fevereiro de 2024.
De acordo com a tabela acima representada, em cada 100 profissionais, 55% referiu redusir
os níveis pressóricos em pacientes com rebaixamento de consciência, e os outros 45% não.
35
Tabela nº 12. Destribuição da amostra de acordo à administração de grande volume de fluidos.
Adm. Grande volume Fr %
Sim 17 85
não 3 25
Total 20 100
Fonte: Inquérito realizado no Hospital Geral de Luanda, em Fevereiro de 2024.
De acordo com a tabela acima representada, em cada 100 profissionais, 85% referiu
administrar grande volume de fluídos, e os outros 25% não.
36
Tabela nº 13. Destribuição da amostra de acordo à utilização de antitérmico em caso de febre.
Adm. Antitérmico Fr %
Sim 20 100
Não 0 0
Total 20 100
Fonte: Inquérito realizado no Hospital Geral de Luanda, em Fevereiro de 2024.
De acordo com a tabela a cima representada, em cada 100 profissionais, todos (100%)
referem administrar antitérmicos em caso de febre.
37
5 CONCLUSÃO
Após a apresentação e interpretação dos resultados da pesquisa sobre Cuidados de
Enfermagem Prestados à Pacientes com Acidente Vascular Cerebral em Fevereiro de 2024,
chegamos à conclusão de que:
Em relação a caracterização sociodemográfica dos profissionais de enfermagem do serviço
de Neurologia do HGL, em fereveiro de 2024:
50% tínham idades entre os 25 aos 30 anos; 60% eram do sexo femininno; 50% eram
Técnicos Médio e 40% trabalham já há 1 a 5 anos.
Já em relação aos cuidados de Enfermagem que eram prestados aos pacientes, o que
responde a nossa pergunta de partida, concluímos que em cada 100 profissionais de
enfermagem do servico de Neurologia do HGL, em Fevereiro de 2024:
75% aferia os sinais vitais; 90% não checava a glicémia capilar; 85% mantia a cabeceira a
0º; 95% fazeia o acesso venoso periférico; 75% mantia permáveis as vias aéreas e a ventilação
adequada; 70% administrava Oxigênio suplementar; 55% redusia os níveis pressóricos em
pacientes com rebaixamento de consciência; 85% administrava grande volume de fluídos e 100%
administrava antitérmicos em caso de febre.
38
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base as conclusões que obtivemos durante o estudo, consolidados pelos resultados
apresentados, o grupo apresenta as seguintes considerações finas:
Incentivamos fortemente os profissionais que aferiam os sinais vitais a continuarem a o
fazer, quando aos que não faziam aconselhamos que comecem a considerar, porque a eficácia
do cuidado em grande parte depende do conhecimento a riscas sobre os padrões vitais do
paciente, o que nos ajudar a saber quando e como intervir;
É importante checar a glicémia capital, porque os pacientes com AVC têm tendência a
aumentar os seus níveis glicémicos, o que pode levar à outros problemas. Por isso incentivamos
a grande maioria que o faz que continue fazendo e, que a minoria que não o faz que considere
começar a fazer;
Incentivamos aos profissionais que mantínham as cabeceiras de seus pacientes a 0º a
continuarem, porque isso facilita a chegado do sangue junto o O2 ao cérebro, contibuindo assim
para a rápida recuperação da consciência do paciente. Para os profissionais que não faziam,
aconselhamos que passem a faze;
Também incentivamos os profissionais que fazia o acesso venoso periférico; mantia
permáveis as vias aéreas e a ventilação adequada; administrava Oxigênio suplementar e
administrava antitérmicos em caso de febre, que continuem a fazer e, os que não fazem que o
façam.
Aconselhamos a não redução os níveis pressóricos em pacientes com rebaixamento de
consciência e a não administração grande volume de fluídos, porque representam risco à
recuperação do paciente;
Em resumo, incentivamos a prática de cuidados adequados a pacientes com AVC, porque
estes pacientes precisam de muita atenção, evitando assim recorrências do evento e diminuindo
ou evitando o desenvolvimento de sequelas incapacitantes.