DESAFIO – PATOLOGIA DA NUTRIÇÃO E DIETOTERAPIA: OBESIDADE, CIRURGIA DE
REDUÇÃO DE ESTOMÂGO E DISTÚRBIOS NUTRICIONAIS
O tratamento cirúrgico para a obesidade vem mostrando resultados eficazes na perda
de peso e na melhora das patologias associadas à obesidade. O sucesso desse
tratamento também envolve a participação do nutricionista, fundamental integrante da
equipe multidisciplinar que acompanha esse paciente no pré e no pós-operatório.
A redução de estômago é o início de uma série de mudanças que devem ocorrer nos
padrões comportamentais e alimentares. Posto isso, o sucesso do tratamento
depende da boa aderência do paciente e da competência da equipe envolvida nesse
processo.
Você é o nutricionista de uma equipe multidisciplinar que avalia a indicação para a
realização de cirurgia de redução de estômago. Em seu consultório, você recebe
Maria, que tem o seguinte quadro clínico:
Durante a consulta, Maria afirma que quer muito realizar o tratamento, pois sabe que
precisa perder peso, e diz estar buscando informações com outros pacientes que já
realizaram o procedimento de redução de estômago.
Com base nessas informações, responda:
a) Qual é o diagnóstico nutricional de Maria?
O diagnóstico nutricional é de obesidade grau III (IMC acima de 40 kg/m²).
b) Dentro do quadro de Maria, defina os aspectos que a colocariam como
uma possível candidata para a redução de estômago.
Apresenta um quadro de obesidade mórbida, com IMC acima de 40 kg/m², e
comorbidades associadas, como hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo 2 e
dislipidemia. Esses aspectos a colocam como uma possível candidata para a
redução de estômago.
c) Qual seria sua conduta como nutricionista com essa paciente nessa
primeira consulta?
Na primeira consulta, deve avaliar o estado nutricional, identificar seus hábitos
alimentares e comportamentais, além de orientá-la sobre a importância da
mudança de estilo de vida e da adesão ao tratamento multidisciplinar. É
importante que explique que a cirurgia de redução de estômago é uma opção
terapêutica, mas que não é uma solução mágica para a perda de peso e que a
mudança de hábitos alimentares e comportamentais é fundamental para o
sucesso do tratamento. Deve-se orientar sobre a necessidade de seguir uma
dieta adequada no pré e no pós-operatório, além de monitorar a ingestão de
nutrientes e suplementação vitamínica.
Padrão de resposta esperado
a) Maria é uma paciente com IMC de 38,29 Kg/m², classificação nutricional: obesidade grau II.
b) Maria é uma paciente jovem com filhos pequenos, que vem lutando há anos contra o
excesso de peso. Atualmente, ela encontra-se desanimada e ansiosa com o próprio estado de
saúde. Trata-se de uma paciente que tem um autocuidado, pois ela realiza consultas
frequentes com o cardiologista, que confirma as tentativas frustradas de perda de peso de sua
paciente. Maria já utilizou o uso de terapia farmacológica na tentativa de perda de peso. A
obesidade dessa paciente afeta diretamente o estado clínico dela, pois atua na piora de
comorbidades associadas, diabetes e hipertensão. Além disso, Maria é uma paciente com
grande probabilidade de sofrer eventos cardíacos, caso não ocorra a perda de peso, pois
também tem um histórico familiar de DAC. Por fim, Maria mostra-se motivada em realizar o
tratamento, entendendo a necessidade de perda de peso e as implicações do tratamento
cirúrgico nas mudanças de hábitos e estilo de vida. Nessa perspectiva, Maria é uma paciente
candidata para a realização do tratamento cirúrgico da obesidade, que poderia trazer
melhoras clínicas e aumentar a qualidade e a estimativa de vida da paciente.
c) Maria precisa ser acolhida por toda a equipe multiprofissional, estabelecendo vínculo com a
equipe e confiança no tratamento. Como nutricionista, você deve esclarecer para Maria a
realidade das mudanças alimentares que serão necessárias no pós-operatório, fazendo com
que ela seja parte ativa no próprio tratamento. Para isso, é necessário o entendimento
absoluto de seu padrão alimentar atual. A realização de uma anamnese completa e detalhada
ajudará o nutricionista a entender o padrão alimentar dessa paciente, a fim de estabelecer
vínculo de confiança e sinceridade, sem julgamentos e críticas. Como se trata da primeira
consulta, é importante informar ao paciente que a cirurgia de redução de estômago não é a
cura da obesidade, e sim um tratamento que exige comprometimento e mudanças de hábitos
do paciente. Orientações de melhora de hábitos são sempre incentivadas, sem que a perda de
peso seja um resultado esperado ou cobrado pelo nutricionista, e sim a introdução de um
padrão alimentar mais saudável para ser seguido por toda a vida.