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Indenização por Dano Moral em RJ

Sentença_Águas do Rio

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gvbonna
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Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro

PJe - Processo Judicial Eletrônico

01/06/2023

Número: 0801689-24.2022.8.19.0017
Classe: PROCEDIMENTO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL
Órgão julgador: Juizado Especial Adjunto Cível da Comarca de Casimiro de Abreu
Última distribuição : 07/12/2022
Valor da causa: R$ 20.000,00
Assuntos: Indenização Por Dano Moral - Outros
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
GENERVAL VALENTIM BONNA (AUTOR)
Águas do rio 1 SPE S.A. (RÉU) LUIS VITOR LOPES MEDEIROS (ADVOGADO)
JULLIANA DEL ANGELO BAPTISTA (ADVOGADO)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
60702 31/05/2023 16:50 Sentença Sentença
762
Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro
Comarca de Casimiro de Abreu

Juizado Especial Adjunto Cível da Comarca de Casimiro de Abreu

Rua Waldenir Heringer da Silva, 600, Centro, CASIMIRO DE ABREU - RJ - CEP: 28860-000

SENTENÇA

Processo: 0801689-24.2022.8.19.0017

Classe: PROCEDIMENTO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL (436)

AUTOR: GENERVAL VALENTIM BONNA

RÉU: ÁGUAS DO RIO 1 SPE S.A.

Vistos, etc.

Dispensado o relatório na forma do artigo 38 da Lei 9.099/95, passo a decidir.

DA FUNDAMENTAÇÃO:

DA INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA DO JUÍZO

Ao contrário do que alega a parte ré, desnecessária a produção de prova técnica neste feito, uma
vez que a geladeira já foi consertada. Além disso, a produção de prova documental é suficiente
para o deslinde da causa, motivo pelo qual rejeito a preliminar de incompetência do Juízo.

DO MÉRITO:

Presentes as condições para o regular exercício do direito de ação, bem como os pressupostos

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de constituição e desenvolvimento válido e regular do processo, passo diretamente à análise do
mérito.

Com efeito, cabe ressaltar que a relação jurídica objeto da presente demanda é de consumo,
ocupando o autor a posição de consumidor e o réu de fornecedor de serviços, conforme disposto
nos arts. 2º e 3º do CDC. Por este motivo, aplicam-se à demanda as disposições do Código de
Defesa do Consumidor, inclusive no que tange à inversão do ônus probatório, nos termos do
artigo 6º, inciso VIII do Código de Defesa do Consumidor, sendo verossímeis as alegações
autorais, além de vislumbrar-se sua hipossuficiência.

A parte autora alega que é consumidora dos serviços da empresa ré. Aduz que houve atraso no
pagamento das faturas e o corte do serviço sem aviso prévio. Alega, ainda, que entrou em
contato com a Ré no intuito de solucionar o problema, sem sucesso. Pede o restabelecimento do
serviço e danos morais.

A parte ré alega que não houve falha na prestação do serviço e que assumiu o fornecimento de
água em 01/11/2021 e não tem responsabilidade pelos atos da empresa anterior, que não há
comprovação de nexo causal que justifique a obrigação de indenizar, aduz ainda que não há
danos morais a serem indenizados. Pede a improcedência dos pedidos.

O corte no fornecimento do serviço ocorreu em 02/12/2022, ou seja, após a parte ré assumir os


serviços de prestação de água na região da residência da parte autora.

Compulsando os autos, verifico que a parte autora comprovou o adimplemento das faturas. Já a
parte ré não demonstrou que há débitos pendentes anteriores. Foi comprovado também que
houve o corte do serviço com as fotos que instruem a inicial. Por outro lado a empresa ré justifica
o corte com o argumento de que houve atraso no pagamento das faturas. Mas o corte ocorreu
após o pagamento das faturas, o que demonstra que houve falha na prestação do serviço.

Noutro giro, a parte autora informa na réplica que houve o restabelecimento do serviço. Sendo
assim, entendo que houve a perda superveniente do objeto em relação ao pedido de religação do
serviço.

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DO DANO MORAL:

A compensação por danos morais deve ocorrer quando há uma ofensa aos direitos da
personalidade. A verificação do dano moral não reside exatamente na simples ocorrência do ato
ilícito, de sorte que, nem todo ato desconforme ao ordenamento jurídico enseja compensação por
danos morais. O importante é que o ato ilícito seja capaz de irradiar-se para a esfera da dignidade
da pessoa, ofendendo-a de maneira relevante.

No entanto, o simples fato de uma pessoa ficar vários dias sem água não receber a devida
atenção da concessionária de serviço público quanto às suas reclamações, já enseja a situação
acima descrita, configurando verdadeiro desrespeito ao consumidor e sensação de impotência
inequívoca, caso este que não pode ser tido como um mero aborrecimento, haja vista que foi
afetada a tranquilidade e a paz interior do Autor.

Nesse contexto, faz necessário concluir que houve danos morais.

Ultrapassada a fase de constatação do cabimento de compensação dos danos morais, cabe a


este Juízo, a difícil tarefa de quantificar o aludido dano.

E quanto a isso, vale lembrar que não há regra aritmética/matemática para fixação do quantum
indenizatório. Deve o magistrado, balizado pelos princípios da razoabilidade e proporcionalidade,
fixar o valor observando as circunstâncias do caso concreto; duração e gravidade da lesão;
condição econômica das partes; direitos afetados; grau ou concorrência de culpa; dentre outros
parâmetros que possam ser

aferidos no caso concreto.

Na compensação do dano moral, o dinheiro não desempenha função de equivalência (como dano
material), em razão de ser impossível precisar o valor do dano moral, mas, sim, uma função
satisfatória. A quantia em pecúnia visa atenuar, de modo razoável, as consequências advindas do
dano, ao mesmo tempo em que pretende a punição do causador do evento danoso, tendo tal
pena, nesse último viés, função pedagógica.

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Levando-se em consideração tais fatores entendo como justa a quantia de R$7.000,00 (sete mil
reais), como forma de compensar os danos morais sofridos.

DO DISPOSITIVO:

Por todo o exposto e por tudo mais que consta nos autos, JULGO PROCEDENTES OS
PEDIDOS formulados pela parte autora para:

a) CONDENAR a parte ré a efetuar o pagamento de verba indenizatória, a título de dano moral,


no valor de R$7.000,00 (sete mil e reais), ao autor, corrigidos monetariamente a partir da data de
arbitramento do valor (súmula 362 do STJ), pelo índice adotado pela Corregedoria Geral de
Justiça, incidindo, ainda, juros de mora de 1% ao mês, desde a citação.

b) JULGAR EXTINTO o processo em relação ao pedido de religação do serviço por reconhecer a


perda superveniente do objeto com fundamento no art. 485, VI, do Código de Processo Civil.

Sem custas, nem honorários, na forma do artigo 55, da Lei 9.099/95.

Caso o devedor não pague a quantia certa a que foi condenado em 15 (quinze) dias contados do
trânsito em julgado da sentença ou do acórdão, o valor da condenação será acrescido de multa
de 10% (dez por cento), prevista no artigo 523 do CPC, independentemente da nova intimação,
nos termos do enunciado 97 do Fonaje e do Enunciado 13.9.1 do aviso 23/2008 do TJRJ.

Certificado o trânsito em julgado e, após o prazo de 15 dias fixado no art. 523 do CPC, em caso
de condenação, a execução, por não cumprimento voluntário, deverá ser requerida pela parte
interessada, que deverá trazer planilha discriminada e atualizada do débito.

A parte autora, em eventual execução, deverá observar os seguintes Enunciados, constantes do


Aviso TJRJ 23/2008 e do Aviso Conjunto TJ/COJES nº 15/2016: Enunciado. Nº 13.9.5 - "O art.
523, §1º do CPC/2015 não incide sobre o valor da multa cominatória."; Enunciado. Nº 14.2.5 -

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Número do documento: 23053116501944400000057912550
"Não incidem honorários, juros e correção monetária sobre o valor da multa cominatória."

Ainda, com base no Projeto Piloto de Protestos de Títulos Judiciais (Ato Executivo nº148/2017),
instalado no Sistema dos Juizados Especiais Cíveis, das Comarcas de Niterói e São Gonçalo, e
no Aviso nº 14/2017, escoado o prazo de 15 dias a que se refere o art. 523 do NCPC, intime-se o
credor alertando-o sobre a eficiência e utilidade da adoção do procedimento de protesto do título
judicial definitivo, para que se manifeste no prazo de 05 dias quanto ao seu efetivo interesse na
utilização do instrumento, na conformidade do art. 517 do NCPC c/c o disposto no Ato Executivo
Conjunto TJ/CGJ nº 07/2014, alterado pelo ato executivo conjunto TJ/CGJ 18/2016, não havendo,
no protesto de sentença, qualquer prejuízo para o vencedor da demanda, que não terá que arcar
com qualquer nova despesa para valer-se de tal procedimento, garantindo-se, ainda, os
acréscimos do art. 523, parágrafo 1º do NCPC.

Desde já fica deferido o desentranhamento de documentos, mediante recibo e condicionado à


substituição por cópias. De acordo com o § 1º, do Ato Normativo Conjunto n.º 01/2005, publicado
no D.O. de 07/01/2005, ficam as partes cientificadas de que os autos processuais findos dos
Juizados Especiais Cíveis serão eliminados após o prazo de 90 (noventa) dias da data do
arquivamento.

CASIMIRO DE ABREU, 30 de maio de 2023.

RAFAEL AZEVEDO RIBEIRO ALVES


Juiz Titular

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