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Amor e Poesia: Reflexões Femininas

O documento contém vários poemas de diferentes autoras. O primeiro poema fala sobre as regras para amar uma mulher de forma respeitosa e comprometida com causas sociais. O segundo poema trata sobre uma mulher que se casa consigo mesma após muito sofrimento. O terceiro poema descreve uma mulher apaixonada que sente falta de seu amado ausente.

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Amor e Poesia: Reflexões Femininas

O documento contém vários poemas de diferentes autoras. O primeiro poema fala sobre as regras para amar uma mulher de forma respeitosa e comprometida com causas sociais. O segundo poema trata sobre uma mulher que se casa consigo mesma após muito sofrimento. O terceiro poema descreve uma mulher apaixonada que sente falta de seu amado ausente.

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Gioconda Belli VI

Regras do jogo para os homens que querem O homem que me amar


amar mulheres fará poesia com sua vida,
construindo a cada dia
Eu com o olhar voltado para o futuro.

O homem que me ame VII


deverá saber descorrer as cortinas da pele,
encontrar a profundidade dos meus olhos Acima de todas as coisas,
e conhecer a que aninha em mim, o homem que me ame
a andorinha deverá amar o povo
transparente da ternura. não como uma palavra abstrata
sacada da manga
II senão como algo real, concreto,
ante quem render homenagem com ações
O homem que me ame e dar a vida se necessário.
não quer me possuir como uma mercadoria,
não me exibir como um troféu de caça, VIII
saberá estar ao meu lado
com o mesmo amor O homem que me ame
com que eu estarei ao seu lado. reconhecerá meu rosto na trincheira
joelho no chão me amará
III enquanto os dois atiramos juntos
contra o inimigo.
O amor do homem que me ame
será forte como as árvores de ceibo, IX
protetor e seguro como eles,
limpo como uma manhã de dezembro. O amor do meu homem
não conhecerá o medo da entrega,
IV não temerá se descobrir diante da magia do
apaixonamento
O homem que me ame em uma praça pública cheia de multidões
não duvidará do meu sorriso Pode gritar—eu te amo—
não temerá a abundância do meu cabelo ou fazer letreiros no alto dos edifícios
respeitará a tristeza, o silêncio proclamando seu direito a sentir
e com carícias tocará meu ventre como guitarra o mais belo e humano dos sentimentos.
para que brote música e alegria
desde o fundo do meu corpo. X

V O amor do meu homem


não fugirá das cozinhas
O homem que me ame não aos fraldas do filho,
poderá encontrar em mim será como um vento fresco
a rede para descansar levando-se entre nuvens de sonho e de passado
o pesado fardo de suas preocupações as fraquezas que, por séculos, nos mantiveram
a amiga com quem compartilhar suas intimidades separados
segredos como seres de distinta estatura
o lago onde flutuar
sem medo de que a âncora do compromisso XI
a impeça de voar quando lhe ocorrer ser pássaro.
O amor do meu homem
não quer me rotular ou etiquetar, não me chamava
me dará ar de, espaço, não me escrevia
alimento para crescer e ser melhor, não me visitava
como uma Revolução e às vezes
que faz de cada dia quando eu reunia coragem para me chamar
o começo de uma nova vitória. para me dizer: olá, estou bem?
eu me fazia negar
* * * * * *
cheguei até a me escrever
E Deus me fez mulher em uma lista de pregos
aos quais eu não queria me conectar
E Deus me fez mulher, porque davam a lata
de pelo longo, porque me perseguiam
olhos por que me acorralavam
nariz e boca de mulher. porque me reventavam
Com curvas
e pregas no final nem disfarçava eu
e suaves hondonadas quando eu me precisava
e me cavou por dentro,
me fez um workshop sobre seres humanos. me deixava entender
Teceu delicadamente meus nervos finamente
e balanceou com cuidado que me tinha podre
o número das minhas hormonas.
Compôs meu sangue e uma vez deixei de me chamar
e me injetou com ela e parei de me chamar
para que irrigasse
todo meu corpo; e passou tanto tempo
nascem assim as ideias, que me estranhei
os sonhos, então eu disse
o instinto. Há quanto tempo não me chamo?
Tudo o que criou suavemente añares
a marteladas de sopros deve fazer anos
e taladrazos de amor, e eu me chamei e atendi eu
as mil e uma coisas que me fazem mulher todos e não podia acreditar
os dias porque embora pereça mentira
pelas quais me levanto orgulhosa não havia cicatrizado
todas as manhãs sólo me havia ido em sangue
e bendigo meu sexo. então eu pensei: olá, sou eu?
sou eu, disse a mim mesmo, e acrescentou:

faz muito tempo que não sabemos nada


2.- Susana Thénon eu de mim nem mim de eu

CANTO NUPCIAL (TÍTULO PROVISÓRIO) Quero vir para casa?

Eu me casei sim, eu disse


eu me casei
eu disse sim e nos encontramos novamente
um sim que demorou anos para chegar com paz
anos de sofrimentos indecíveis
de chorar com a chuva eu me sentia bem comigo mesmo
de me encerrar no quarto igual que eu
porque eu -o grande amor da minha existência- que me sentia bem ao meu lado
e assim
da noite para o dia 3.- Alejandra Pizarnik
me casei e me casei
e estou junta A ENAMORADA
e nem a morte pode me separar
esta lúgubre mania de viver
* * * * * * * * esta recôndita humorada de viver
te arrasta alejandra não negue.
Por que grita essa mulher?
hoje você se olhou no espelho
Por que essa mulher está gritando?
e te foi triste, estavas sozinha
Por que grita? a luz rugia, o ar cantava
Por que essa mulher grita? mas o teu amado não voltou
anda a saber
enviarás mensagens sorrirás
essa mulher por que grita? tremularás suas mãos assim voltará
eis a saber tu amado tão amado
olha que flores bonitas
Por que grita? oi a demente sereia que o roubou
jacintos margaritas o barco com barbas de espuma
por quê? onde morreram as risadas
Por que quê? você se lembra do último abraço
Por que grita essa mulher? oh nada de angústias
ria no lenço chora em gargalhadas
E aquela mulher?
mas feche as portas do seu rosto
E essa mulher? para que não digam depois
você vai saber que aquela mulher apaixonada foste tu
estará loca essa mulher
olhe olha os espelhinhos te remuem los dias
Será por seu corcel? te culpan as noites
anda a saber te dói a vida tanto tanto
desesperada, aonde você vai?
E onde você ouviu
desesperada ¡nada más!
a palavra corcel?
é um segredo essa mulher * * * * * * * *
Por que grita? Exílio
mire as margaridas
a mulher A Raúl Gustavo Aguirre
espejitos
gravatas borboleta Esta mania de saber-me anjo,
que não cantam sem idade,
Por que grita? sem morte em que viver-me,
que não voam sem piedade pelo meu nome
Por que grita? nem pelos meus ossos que choram vagando.
que não atrapalham
a mulher E quem não tem um amor?
e essa mulher E quem não se deleita entre papoulas?
E estava louca mulher? E quem não possui um fogo, uma morte,
Y
anotgir um medo, algo horrível,
ainda que fosse com penas,
(você se lembra daquela mulher?)
mesmo que fosse com sorrisos?
Siniestro delírio amar uma sombra. por quais milagres,
A sombra não morre. Você me pretende branca
E meu amor (Deus te perdoe)
sólo abraça o que flui você me pretende casta
como lava do inferno: (Deus te perdoe)
uma loja silenciosa, Você me pretende, alba!
fantasmas em doce ereção
sacerdotes de espuma, Fuja para os bosques,
e acima de tudo anjos, vá para a montanha;
anjos belos como facas limpa a boca
que se elevam na noite vive nas cabanas;
e devastam a esperança. toca com as mãos
a terra molhada
alimenta o corpo
com raiz amarga;
bebe das rochas;
dorme sobre geada;
4.- Alfonsina Storni renova tecidos
com salitre e água;
TU ME QUERES BRANCA fala com os pássaros
e levante-se ao amanhecer.

Tu me queres alba, E quando as carnes


e queres de espumas, te sejam tornadas,
e quando você tiver colocado
me queres de nácar.
Que seja azucena nelas a alma
sobre todas, casta. que pelas alcovas
De perfume tenue. se ficou enredada,
corola fechada Então, bom homem,
pretenda-me branca,
Nem um raio de lua pretenda-me nívea,
filtrado me haya. pretenda-me casta.
nem uma margarida
se diga minha irmã. * * * * * * * *
Tu me queres nívea, FRENTE AO MAR
tu me queres branca,
tu queres me alba. Oh mar, enorme mar, coração feroz
Tu que tiveste tudo De ritmo desigual, coração mau,
as copas na mão, Soum
sm
aiadcioqueaqeupeloebprau
de frutos e mel Que se pudre em suas ondas prisioneiro.
os lábios roxos.
Tu que no banquete Oh mar, dame tu cólera tremenda,
coberto de pámpanos Eupaedsivaipderoando,
Porque entendia, mar, eu fui me entregando:
Você deixou as carnes
festejando a Baco. Piedade, piedade para quem mais ofende.
Tu que nos jardins
Vulgaridade, vulgaridade me persegue.
negros do Engaño
vestido vermelho Ah, compraram-me a cidade e o homem.
correste ao Estrago. Faz-me ter a tua cólera sem nome:
Y
am
gaim
etsafãsoideoars.
Você que é o esqueleto
conservas intacto Vês o vulgar? Esse vulgar me pena,
não sei ainda Me falta o ar e onde falta fico,
Queria não entender, mas não posso:
É a vulgaridade que me envenena. Parece querer o denodo
do vosso parecer louco
Me empobrecí porque entender abruma, o menino que coloca o coco
Me empobrecí porque entender sofoca, e então ele tem medo.
Bendita seja a força da rocha!
Euenhtoocoaçãrocomoaepsuma. Quereis, com presunção tola,
encontrar a que procurais,
Mar, eu sonhava em ser como você é, para pretendida, Thais,
Lá nas tardes que a minha vida e na posse, Lucrécia.
Sob as horas quentes abria...
Ah, eu sonhava em ser como você é. Que humor pode ser mais raro
que o que, faltando de conselho,
Olhe para mim aqui, pequena, miserável, ele mesmo embaça o espelho,
Todo dor me vence, todo sonho; e sente que não está claro?
Mar, dê-me, dê-me o inefável empenho
De tornar-me soberba, inalcansável. Com o favor e desdém
tendes condição igual,
Dame seu sal, seu iodo, sua fúria, queixando-se, se lhes tratam mal,
Ar do mar!... Oh tempestade, oh ira! enganando-os, se vos querem bem.
Desgraçada de mim, sou um espinho,
E eu morro, mar, sucumbo na minha pobreza. Sempre tão teimosos vocês andam
que, com nível desigual,
E a minha alma é como o mar, é isso, a uma culpáis por cruel
Ah, a cidade a apodrece e confunde e a outra por fácil culpáis.
Pequena vida que dor provoca,
Que eu possa me libertar do seu peso! Pois como deve estar morna
a que o vosso amor pretende,
Voe meu empenho, minha esperança voe... se a que é ingrata, ofende,
A minha vida devia ter sido horrível, e a que é fácil, irrita?
Deveria ser uma artéria incontrolável
E apenas é uma cicatriz que sempre dói. Mas, entre a raiva e a pena
que o seu gosto refere,
bem haja aquela que não os quer
5.- Sor Juana Inés de la Cruz e queixai-vos a hora boa.

Homens necios que acusais Dai às vossas amantes penas


a suas liberdades alas,
Homens necios que acusais e depois de fazê-las más
vocês querem encontrá-las muito boas.
à mulher sem razão,
sem ver que sois a ocasião
do mesmo que culpais: Qual a maior culpa que teve
em uma paixão errada:
se com ansiedade sem igual a que cai de rogada,
ou aquele que roga de caído?
solicitais seu desdém,
por que quereis que obrem bem
se vocês incitarem ao mal? Ou quem é mais a culpar,
embora qualquer um faça o mal:
Combate sua resistência a que peca pela paga,
e então, com gravidade, ou quem paga por pecar?
decís que foi liviandade
o que fez a diligência. Pois para que vos espantais
da culpa que têm? beijar-se sabendo que nossas saliva arrastam
Queredlas qual as fazeis beijos negados/ opacados/ apagados/
faze-as como as procurais. cercenados/ mutilados/ hambrientos/ que não são
somente os nossos
Deixem de solicitar, que seus lábios e os meus enquanto racham a terra
e depois, com mais razão, a constroem
acusareis a afeição e há uma história de beijos que o espanto não tem
da que os for a rogar. deixado ser
e é por isso que te beijo
Bem com muitas armas fundo lxs beijo
que lida com a vossa arrogância, me beijas
pois em promessa e instância besaremos
juntáis diabo, carne e mundo. por isso o beijo
beijo

Susy Shock

Oração à Divina Trans

Senhora do Trans
sucia de pelo a rabo
e tão bendita...
conceda-me a vontade
de iluminar-me e iluminar
dê-me forças para batalhar
com minha espada brilhante de ideias
com minha lumpen borboleta de amar
e a humildade de me saber diamante
do meu próprio criar...
Amém

Susy Shock

* * * * * * * *

BEIJO

Beijar-se nos cantos escuros


beijar-se diante do rosto do guarda
beijar-se na porta da Santa Catedral de
todas as Canalladas
beijar-se na praça de todas as Repúblicas
(ou escolher especialmente aquelas onde ainda
te matam por um beijo de sodoma e gomorra
beijar-se diante da foto da criança que também
fui
(e sentir que me faz um piscar de olho para que eu continue,
que não pare, que não interrompa, porque gosta
esse beijo...)

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