Aula 01
CNU (Bloco Temático 3 - Ciências,
Dados e Tecnologia) Conhecimentos
Específicos - Eixo Temático 1 - Ciência,
Tecnologia e Sociedade (CTS) - 2025
(Pós-Edital)
Autor:
Rodrigo Rennó
13 de Agosto de 2025
Rodrigo Rennó
Aula 01
Índice
1) Introdução à Abordagem CTS
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INTRODUÇÃO À ABORDAGEM CTS: CIÊNCIA,
TECNOLOGIA E SOCIEDADE
A sigla CTS refere-se à abordagem Ciência, Tecnologia e Sociedade, um campo
interdisciplinar de estudos que visa compreender as interações entre a produção
científica, os avanços tecnológicos e os impactos sociais decorrentes dessas dinâmicas.
Ao contrário da visão tradicional que separava ciência e tecnologia da esfera social, a
abordagem CTS reconhece que o conhecimento científico e os produtos tecnológicos
são frutos de processos sociais, políticos, econômicos e culturais. Ou seja, eles são tanto
moldados pela sociedade quanto capazes de moldá-la.
A perspectiva CTS surgiu como resposta crítica à visão reducionista e linear do progresso
científico, que dominou o século XX. Segundo essa visão tradicional, a ciência seria uma
atividade pura, objetiva e neutra, e o avanço tecnológico seria uma consequência direta e
inevitável do acúmulo de descobertas científicas.
Desta forma, a abordagem CTS rompeu com esse paradigma, propondo uma visão
relacional e crítica, na qual ciência e tecnologia são compreendidas como práticas sociais
inseridas em contextos históricos e culturais específicos.
Assim, longe de serem esferas isoladas, a Ciência, a Tecnologia e a Sociedade (CTS) estão
em constante interação, moldando-se mutuamente em um processo dinâmico e muitas
vezes imprevisível.
É nesse cenário que emerge a abordagem CTS, um campo de estudos interdisciplinar que
se dedica a analisar essas interconexões, criticar visões simplistas sobre o progresso e
promover uma reflexão mais profunda sobre os impactos e responsabilidades associados à
inovação.
Seu foco principal é compreender como os valores sociais, as decisões políticas e as
estruturas econômicas influenciam a pesquisa científica e o desenvolvimento
tecnológico, e, inversamente, como a ciência e a tecnologia impactam a sociedade, seus
valores e suas estruturas.
Isso implica em:
• Questionar a neutralidade: Romper com a ideia de que a ciência e a tecnologia são
intrinsecamente neutras e desvinculadas de valores. A CTS revela que escolhas
científicas e tecnológicas são permeadas por interesses, valores e visões de mundo.
• Analisar os impactos: Avaliar não apenas os benefícios, mas também os riscos e as
consequências não intencionais da ciência e da tecnologia para diferentes grupos
sociais e para o meio ambiente. Isso inclui aprofundar-se nos impactos éticos, sociais,
econômicos e ambientais.
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• Promover a participação pública: Incentivar e analisar a participação de diferentes
atores sociais (cientistas, formuladores de políticas, cidadãos, grupos de interesse)
nos debates e decisões sobre ciência e tecnologia.
• Contextualizar a inovação: Entender que a inovação não é um processo linear ou
puramente técnico, mas um fenômeno complexo influenciado por fatores históricos,
culturais e institucionais.
Por que a abordagem CTS é importante no mundo contemporâneo?
A relevância da abordagem CTS no cenário atual é inegável, dado o ritmo acelerado das
inovações e seus impactos cada vez mais abrangentes. Algumas razões fundamentais para
sua importância incluem:
1. Complexidade e Interconexão Global: O mundo de hoje é caracterizado por
desafios globais que exigem soluções multidisciplinares e uma compreensão
profunda de suas raízes. Questões como mudanças climáticas, pandemias,
segurança alimentar e desigualdade social não podem ser abordadas eficazmente
sem considerar a interação entre o conhecimento científico, as soluções
tecnológicas e as dinâmicas sociais e políticas. A CTS oferece a estrutura conceitual
para analisar essa complexidade.
2. Dilemas Éticos e Sociais da Inovação: Avanços em áreas como inteligência
artificial, biotecnologia, nanotecnologia e engenharia genética levantam
questões éticas e sociais profundas. Quem se beneficia? Quem é prejudicado?
Quais são os limites da intervenção humana? A CTS fornece ferramentas para analisar
esses dilemas, fomentar o debate público e buscar caminhos para uma inovação mais
responsável. Por exemplo, o desenvolvimento de algoritmos de reconhecimento
facial levanta preocupações com privacidade e vigilância, enquanto a edição
genética de embriões gera debates sobre os limites da intervenção na natureza
humana. A CTS capacita a sociedade a engajar-se nesses debates de forma
informada.
3. Necessidade de Alfabetização Científica e Tecnológica: Em uma sociedade cada
vez mais dependente da ciência e da tecnologia, a capacidade de compreender,
interpretar e participar de debates sobre esses temas é crucial para o exercício
pleno da cidadania. A CTS contribui para uma alfabetização científica e tecnológica
mais crítica, que vai além da mera aquisição de fatos, incentivando a análise das
implicações sociais e éticas das descobertas e inovações. Trata-se de capacitar os
indivíduos a tomar decisões informadas em suas vidas pessoais e como participantes
ativos da democracia.
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4. Formulação de Políticas Públicas Efetivas: Governos em todo o mundo enfrentam
o desafio de formular políticas públicas que promovam o desenvolvimento
científico e tecnológico ao mesmo tempo em que garantam o bem-estar social e
a sustentabilidade. A abordagem CTS oferece insights cruciais para a elaboração de
políticas mais inteligentes e equitativas, que considerem não apenas o potencial de
inovação, mas também seus riscos, suas externalidades e sua capacidade de inclusão
social. Compreender as dinâmicas sociais da inovação é vital para evitar que as
políticas gerem mais desigualdade ou impactos negativos não previstos.
5. Desafios da Desinformação e Pseudociência: Na era da informação, a proliferação
de notícias falsas e pseudociência representa uma ameaça à tomada de decisões
racionais e à saúde pública. A abordagem CTS, ao desmistificar a ciência e a
tecnologia e mostrar seus processos humanos e falíveis, ajuda a desenvolver um
pensamento crítico que permite distinguir entre informações confiáveis e enganosas.
==13425b==
Ela ressalta a importância da evidência, mas também reconhece que o conhecimento
científico está em constante construção.
Em suma, a abordagem CTS é fundamental porque nos permite ir além da superfície das
descobertas e inovações, mergulhando nas profundas interações que moldam nosso
presente e futuro.
Ela nos convida a ser atores conscientes e críticos na construção de uma sociedade que
utilize a ciência e a tecnologia para o bem comum, de forma ética e sustentável.
(SEDUC-AL – PROFESSOR) No que tange à abordagem ciência, tecnologia e
sociedade (abordagem CTS), julgue o item seguinte.
A despeito de sua novidade relativa, a abordagem CTS parte do pressuposto da
neutralidade científica, perspectiva largamente contestada nos dias atuais.
Comentários
Esse item está errado. A abordagem CTS justamente contesta a ideia de neutralidade
científica. Ela defende que o conhecimento científico está inserido em contextos
sociais, históricos, políticos e culturais, e que, portanto, não é neutro.
O CTS critica o cientificismo e valoriza o debate sobre as implicações sociais da ciência
e da tecnologia.
Gabarito: Errada
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Paradigmas, conceitos, origens e evolução
A forma como compreendemos a ciência e a tecnologia molda nossa sociedade, nossas
políticas e até mesmo nossa percepção do que é "progresso". Por muito tempo,
prevaleceram visões simplificadas e idealizadas desses campos, apresentando-os como
esferas neutras e autônomas, distantes das influências sociais e políticas.
No entanto, a abordagem CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade) surgiu justamente para
desafiar esses dogmas, revelando a complexidade e a intrínseca relação entre o
conhecimento científico, a inovação tecnológica e as dinâmicas sociais.
Paradigma Positivista vs. Paradigma Crítico
Para entender as visões sobre ciência e tecnologia, é fundamental mergulhar em dois
grandes paradigmas que moldaram o pensamento ocidental: o paradigma positivista e o
paradigma crítico. Essas abordagens representam formas distintas de conceber o
conhecimento, a realidade e o papel da investigação científica.
O Paradigma Positivista: A Busca Pela Objetividade e Neutralidade
O positivismo é uma corrente filosófica que emergiu no século XIX, tendo como um de seus
principais expoentes o sociólogo e filósofo francês Auguste Comte.
Inspirado pelo sucesso das ciências naturais (física, química, biologia), o positivismo propôs
que o único conhecimento verdadeiro é aquele que provém da experiência e da
observação empírica, passível de verificação.
Para os positivistas, a ciência deveria se limitar à descrição dos fatos observáveis e à
descoberta de leis universais que regem os fenômenos, sejam eles naturais ou sociais.
As características Fundamentais do Positivismo são:
1. Objetividade e Neutralidade: Um dos pilares do positivismo é a crença de que a
ciência deve ser completamente objetiva, ou seja, livre de qualquer influência de
valores, crenças ou interesses pessoais do pesquisador. O cientista deveria ser um
observador imparcial, um espelho da realidade (separação entre sujeito e objeto).
A neutralidade axiológica (ausência de valores) é vista como essencial para garantir
a validade e a universalidade do conhecimento produzido.
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2. Unidade do Método Científico: O positivismo defende a ideia de que existe um
único método científico válido, baseado na observação, experimentação,
quantificação e na busca por leis gerais (generalizações indutivas). Esse método,
empregado com sucesso nas ciências naturais, deveria ser estendido a todas as áreas
do conhecimento, incluindo as ciências sociais.
3. Ênfase na Empiria e Verificabilidade: O conhecimento válido é aquele que pode ser
verificado empiricamente. Proposições que não podem ser testadas por meio da
observação e da experimentação são consideradas metafísicas ou especulativas, fora
do domínio da ciência.
4. Acumulação Progressiva do Conhecimento: A ciência é vista como um processo
de acumulação contínua de verdades, no qual cada nova descoberta se soma ao
corpo de conhecimento existente, levando a um progresso linear e cumulativo.
5. Distinção Rígida entre Fato e Valor: O positivismo estabelece uma separação clara
entre o que "é" (os fatos, objeto da ciência) e o que "deveria ser" (os valores, objeto
da ética ou da política). A ciência se ocupa apenas dos fatos, deixando os juízos de
valor para outras esferas.
6. Previsão e Controle: O objetivo final da ciência positivista é a capacidade de prever
fenômenos e, consequentemente, de controlá-los. Esse controle é visto como a
base para o progresso social e a solução de problemas.
Desta forma, no contexto da ciência e da tecnologia, o paradigma positivista sustentou a
visão de que a ciência é um motor autônomo de progresso, desvinculado de considerações
sociais e éticas.
A tecnologia seria a aplicação neutra desse conhecimento científico. Essa perspectiva, como
veremos, foi a base das visões tradicionais sobre a ciência.
O Paradigma Crítico: Desvelando Interesses e Poder
Em contraste com o positivismo, o paradigma crítico surge como uma resposta,
principalmente a partir da Teoria Crítica da Escola de Frankfurt (com nomes como Max
Horkheimer, Theodor Adorno, Herbert Marcuse e, posteriormente, Jürgen Habermas), e
outras correntes filosóficas e sociológicas, como o marxismo e a fenomenologia.
O paradigma crítico questiona fundamentalmente a neutralidade e a objetividade
propostas pelo positivismo, argumentando que o conhecimento não é um mero reflexo
da realidade, mas uma construção social que reflete interesses, poder e contextos
históricos.
As características fundamentais do paradigma crítico são:
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1. Não Neutralidade e Subjetividade Inerente: O paradigma crítico rejeita a ideia de
uma ciência neutra e desinteressada. Argumenta que todo conhecimento é
produzido em um contexto social, histórico e político específico, e que os valores,
ideologias e interesses do pesquisador (e da sociedade em que ele está inserido)
inevitavelmente influenciam a escolha do objeto de estudo, as questões formuladas,
as metodologias empregadas e a interpretação dos resultados.
2. Contextualização e Historicidade do Conhecimento: O conhecimento não é
universal e atemporal, mas historicamente e socialmente situado. As verdades
científicas são vistas como construções consensuais de uma comunidade em um
determinado momento, e não como verdades absolutas e eternas.
3. Crítica Social e Emancipação: O principal objetivo da ciência, sob o paradigma
crítico, não é apenas descrever ou prever, mas criticar as estruturas sociais
existentes, desvelar as relações de poder e as ideologias dominantes. A ciência
tem um papel emancipatório, buscando a transformação social e a libertação de
opressões. Ela se preocupa com o que "deveria ser" tanto quanto com o que "é".
4. Multiplicidade de Métodos e Abordagens: Não há um método científico único e
universalmente válido. O paradigma crítico reconhece a validade de diversas
metodologias, incluindo abordagens qualitativas, interpretativas e dialéticas, que
buscam compreender os significados, as subjetividades e as contradições sociais.
5. Interrelação entre Fato e Valor: A distinção rígida entre fato e valor é desfeita.
Valores e interesses estão intrinsecamente presentes na definição dos fatos e na
forma como são interpretados. A ciência é, portanto, uma atividade axiológica
(permeada por valores).
6. Rejeição da Acumulação Linear: O progresso científico não é visto como uma
acumulação linear de verdades, mas como um processo complexo, descontínuo,
marcado por rupturas, crises e a substituição de paradigmas (como proposto por
Thomas Kuhn, embora ele não seja um teórico crítico per se, suas ideias se alinham
bem com a crítica à linearidade).
Portanto, o paradigma crítico é a base filosófica fundamental para a emergência da
abordagem CTS.
Ao questionar a neutralidade da ciência e a autonomia da tecnologia, ele abriu caminho
para a compreensão de que a ciência e a tecnologia são empreendimentos sociais,
moldados por e, por sua vez, moldadores de valores, interesses e relações de poder.
A CTS, fortemente influenciada por essa perspectiva, busca investigar como a ciência e a
tecnologia podem ser usadas para a dominação ou para a emancipação, e como a
sociedade pode exercer um controle democrático sobre elas.
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Visões Tradicionais: Ciência Neutra e a Linearidade do Progresso Científico
As visões tradicionais sobre a ciência e a tecnologia estão profundamente enraizadas no
paradigma positivista. Por décadas, elas dominaram o imaginário popular, o discurso
político e até mesmo grande parte do ensino de ciências.
Essas visões apresentavam um quadro simplificado, mas potente, sobre o papel da ciência
e da tecnologia na sociedade.
A Ciência como Empreendimento Neutro e Puro
Uma das crenças centrais das visões tradicionais é a da neutralidade da ciência. Essa
perspectiva defende que a ciência é um corpo de conhecimento puro, desprovido de juízos
de valor, moral ou político.
O cientista seria um buscador imparcial da verdade, cujo trabalho consiste em desvendar
as leis da natureza sem que suas descobertas sejam afetadas por suas crenças pessoais, por
interesses econômicos, políticos ou sociais.
Os pilares da visão de ciência neutra são:
• Autonomia Científica: A ciência seria uma esfera autônoma, independente de
pressões externas. Os cientistas seriam os únicos capazes de determinar as
prioridades de pesquisa e avaliar a validade do conhecimento, sem interferência da
política, da religião ou da economia.
• Universalidade do Conhecimento: As verdades científicas seriam universais, válidas
em qualquer tempo e lugar, independentemente do contexto cultural ou social
em que foram descobertas.
• Amoralidade da Ciência: A ciência em si não seria "boa" nem "má". Seriam suas
aplicações que poderiam ser moralmente avaliadas. A responsabilidade ética
recairia sobre quem utiliza o conhecimento científico, e não sobre o cientista que o
produz. Por exemplo, a física nuclear seria neutra; a bomba atômica, uma aplicação
moralmente questionável.
• Distinção Rígida entre Descoberta e Aplicação: Haveria uma clara separação entre
a descoberta científica (a busca do conhecimento por si só) e a aplicação
tecnológica (o uso desse conhecimento para fins práticos). A descoberta seria um
processo puro, enquanto a aplicação envolveria questões de valor.
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Essa visão, embora idealizada, teve e ainda tem um forte apelo. Ela confere à ciência um
status de autoridade inquestionável, pois seu conhecimento é percebido como livre de
distorções e interesses.
Em muitos discursos políticos e midiáticos, a ciência é invocada como a solução para
todos os problemas, sem que se questione o processo de sua produção ou suas
implicações sociais.
A Linearidade do Progresso Científico e Tecnológico
Outro pilar das visões tradicionais é a crença na linearidade do progresso científico e
tecnológico, frequentemente associada ao modelo pipeline ou modelo linear de
inovação.
Essa concepção postula que o avanço ocorre em uma sequência previsível e unidirecional:
1. Pesquisa Básica: O processo se inicia com a pesquisa básica, motivada puramente
pela curiosidade e pela busca do conhecimento fundamental, sem preocupações
com aplicações imediatas.
2. Pesquisa Aplicada: Os resultados da pesquisa básica alimentam a pesquisa aplicada,
que busca solucionar problemas práticos ou desenvolver produtos e processos
específicos.
3. Desenvolvimento Tecnológico: A pesquisa aplicada leva ao desenvolvimento de
novas tecnologias, protótipos e processos.
4. Inovação e Difusão: Finalmente, as tecnologias são transformadas em inovações
(produtos, serviços) que são difundidas no mercado e adotadas pela sociedade,
gerando benefícios econômicos e sociais.
Nesse modelo, o progresso é visto como um fluxo ininterrupto e autoevidente de
descobertas que, invariavelmente, conduzem a melhorias na vida humana.
A tecnologia é uma consequência "natural" e positiva da ciência, e o aumento do
investimento em pesquisa básica automaticamente resultaria em mais tecnologia e,
consequentemente, mais desenvolvimento social.
Não há espaço para retrocessos, dilemas éticos ou impactos negativos significativos que
não possam ser facilmente controlados.
Algumas das implicações das visões tradicionais, envolvem:
• Responsabilidade Limitada: Se a ciência é neutra e o progresso linear, a
responsabilidade dos cientistas e tecnólogos é vista como restrita à excelência
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técnica de sua pesquisa. As consequências sociais e éticas seriam problema de
outros (políticos, legisladores, usuários).
• Foco no "Input": As políticas públicas de ciência e tecnologia sob essa visão
tendiam a focar predominantemente no aumento do financiamento para pesquisa
e desenvolvimento (P&D), esperando que os resultados "escorressem" para a
sociedade de forma automática.
• Hierarquia de Conhecimentos: O conhecimento científico é colocado no topo da
hierarquia, desvalorizando outras formas de saber (conhecimento tradicional,
senso comum, saberes locais).
• Exclusão da Participação Pública: Se a ciência é um domínio para especialistas
neutros, não haveria necessidade de a sociedade civil ou o público em geral
participarem dos debates sobre as direções da ciência e da tecnologia. As decisões
deveriam ser tomadas por "experts".
No Brasil, as visões tradicionais influenciaram por muito tempo as políticas de CT&I, com
um foco significativo na formação de pesquisadores, na criação de institutos de pesquisa e
no incentivo à publicação em periódicos internacionais.
Embora essas ações sejam importantes, a ausência de uma visão mais abrangente e crítica
levou a lacunas na articulação da ciência e tecnologia com as reais necessidades sociais e
com a participação pública.
O Construtivismo Social da Ciência e Tecnologia
Um dos conceitos centrais da abordagem CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade) é o
chamado construtivismo social. Essa ideia parte do princípio de que a ciência e a
tecnologia não são criações neutras ou puramente técnicas, mas sim produtos de
processos sociais, ou seja, são construções humanas influenciadas por valores, interesses,
culturas e contextos históricos.
Isso significa que, embora a natureza imponha certos limites físicos (por exemplo, a
gravidade, as leis da termodinâmica etc.), o modo como interpretamos e aplicamos esse
conhecimento científico é sempre moldado por fatores sociais.
Por isso, dizer que ciência e tecnologia são "atividades humanas" é reconhecer que elas
não são puramente objetivas ou neutras, como defendia o positivismo, mas estão
carregadas de escolhas e valores.
Essa maneira de pensar rompe com a visão tradicional, muito influenciada pelo positivismo,
que via a ciência como algo que apenas "descobre" verdades absolutas sobre o mundo.
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Ao contrário disso, autores como Ludwik Fleck, em sua obra Gênese e Desenvolvimento
de um Fato Científico (1935), já defendiam que os chamados "fatos científicos" são
construídos socialmente.
Fleck chegou a afirmar que "os fatos são inventados, não descobertos", no sentido de que
eles surgem dentro de uma rede de relações culturais, históricas e sociais, e não de uma
simples observação "pura" da realidade.
Esse tipo de pensamento trouxe uma verdadeira mudança na forma como entendemos a
ciência. A partir dele, passamos a ver que o conhecimento científico é moldado por
debates, negociações, interesses e até disputas entre diferentes grupos — e não algo
que simplesmente aparece pronto nas mãos de cientistas isolados em seus laboratórios.
Além disso, reconhecer que ciência e tecnologia carregam valores nos obriga a refletir
criticamente sobre suas consequências éticas e sociais. Ou seja, não basta avaliar se uma
nova tecnologia "funciona": é preciso perguntar a quem ela beneficia, quem ela pode
prejudicar, quais valores ela promove ou ignora. Essa é a ideia da problematização, um
elemento fundamental da abordagem CTS.
Portanto, a CTS nos convida a olhar para a ciência e a tecnologia não como verdades
imutáveis, mas como construções humanas que devem ser discutidas e avaliadas
criticamente pela sociedade. Esse olhar mais atento nos ajuda a entender melhor as
relações entre conhecimento, poder, cultura e responsabilidade social.
O Contexto Histórico, Político e Cultural
A partir da ideia central do construtivismo social, a abordagem CTS (Ciência, Tecnologia e
Sociedade) propõe algo muito importante: ciência e tecnologia não podem ser
entendidas isoladamente, como se estivessem fora da história, da política ou da cultura.
Pelo contrário, elas estão intimamente ligadas aos contextos em que surgem. Isso quer
dizer que, para compreender verdadeiramente uma invenção tecnológica ou uma
descoberta científica, é fundamental analisá-las dentro do seu tempo e das circunstâncias
sociais que as influenciaram.
Essa visão não nega que exista uma realidade objetiva — como leis da física ou fenômenos
naturais —, mas afirma que nosso entendimento sobre essa realidade é sempre
influenciado pelo contexto social em que vivemos.
Em outras palavras: a forma como interpretamos e aplicamos a ciência e a tecnologia varia
de acordo com o momento histórico, o ambiente político e as condições econômicas de
cada sociedade.
Por isso, nenhuma tecnologia pode ser vista como “neutra” ou “universal” em seus
efeitos. Cada solução técnica para um problema surge dentro de uma determinada
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estrutura social e reflete os valores, interesses e limitações daquele contexto. Uma mesma
tecnologia, quando aplicada em lugares ou tempos diferentes, pode ter resultados
totalmente distintos.
Mais do que uma simples observação, essa ideia se transforma em uma orientação de
método para quem estuda CTS. Ou seja, os pesquisadores e pesquisadoras da área são
chamados a sempre analisar a ciência e a tecnologia considerando o contexto em que
elas foram criadas e utilizadas.
Fazer isso é essencial para evitar análises superficiais ou distorcidas, que ignoram fatores
importantes como desigualdades sociais, disputas de poder ou valores culturais.
Um exemplo claro dessa perspectiva contextual aparece no próprio surgimento da
abordagem CTS, nos Estados Unidos, por volta dos anos 1960.
O campo nasceu em um momento marcado por grandes transformações sociais, como os
protestos contra a Guerra do Vietnã, o fortalecimento dos movimentos ambientalistas, as
críticas ao consumismo e as preocupações com o uso da energia nuclear.
Essas questões fizeram a sociedade questionar algo que, até então, parecia certo: a
ideia de que toda ciência ou tecnologia era, por definição, “boa” ou “benéfica”. Assim,
a pressão social levou acadêmicos, cientistas e políticos a repensarem o papel da ciência
na sociedade. A CTS nasceu, portanto, como uma resposta direta a esse contexto social de
dúvidas, críticas e mudanças.
Esse exemplo mostra que as preocupações da sociedade não são apenas pano de fundo,
mas verdadeiros motores que influenciam o rumo da ciência e da tecnologia.
Em resumo: o contexto não apenas afeta a forma como a ciência é feita e usada — ele
molda profundamente seus caminhos e seus significados.
Problematização e Democratização da Tecnocientífica
Quando entendemos que o conhecimento científico e o desenvolvimento tecnológico não
são neutros, mas sim carregados de valores, abrimos espaço para o que chamamos de
problematização.
Isso significa refletir criticamente sobre os impactos que ciência e tecnologia geram na
sociedade — impactos que podem ser tanto positivos quanto negativos e que afetam
diferentes grupos sociais de formas distintas.
Por exemplo, uma tecnologia que facilita o acesso à informação pode beneficiar muitos,
mas também pode excluir pessoas sem acesso à internet, aprofundando desigualdades.
Por isso, não basta aceitar a ciência e a tecnologia como “boas em si mesmas”. É
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necessário avaliá-las, questionar suas finalidades, seus efeitos práticos e quem são os
beneficiados ou prejudicados com sua aplicação.
Esse processo de problematização está diretamente ligado a dois pilares da abordagem
CTS:
• Construtivismo social: a ideia de que ciência e tecnologia são construídas
socialmente, com base em valores humanos;
• Contextualismo: a noção de que elas só fazem sentido dentro dos contextos
históricos, políticos e culturais em que surgem.
A partir disso, surge uma sequência lógica:
→ Se ciência e tecnologia são construídas com base em valores e
→ Se esses valores são influenciados pelos contextos sociais,
→ Então é preciso analisar criticamente seus efeitos e
→ Orientar seu uso para resultados socialmente desejáveis.
Deste modo, essa é a base da proposta da CTS: não estudar ciência e tecnologia apenas
para compreendê-las, mas também para transformá-las, tornando seus caminhos mais
justos, responsáveis e alinhados com os interesses coletivos.
É nesse ponto que entra outro elemento essencial da CTS: a democratização da
tecnociência. A ideia aqui é clara: não podemos deixar decisões sobre ciência e
tecnologia apenas nas mãos de especialistas ou autoridades. Essas decisões afetam toda
a sociedade, e, por isso, a sociedade como um todo deve participar delas.
Mas essa participação não pode ser simbólica nem acontecer somente depois que tudo já
foi decidido. Ou seja, a CTS defende que as pessoas precisam ser ouvidas desde o início,
especialmente nas primeiras fases de desenvolvimento de uma política pública, de um
produto tecnológico ou de uma linha de pesquisa científica.
Isso aumenta as chances de construir soluções mais justas, que atendam às reais
necessidades da população.
Essa proposta de um "controle democrático aprimorado" é uma resposta direta a uma
tradição antiga: a de que só os cientistas “sabem o que é melhor” para todos. Essa
postura, chamada de presunção cientificista, deixou de lado muitas vezes os interesses,
valores e preocupações da sociedade.
Assim, a CTS propõe o contrário: defende que a sociedade deve ter voz ativa, ajudando a
decidir quais tecnologias desenvolver, como aplicá-las e com que objetivos. Isso não
significa negar a importância do conhecimento técnico, mas colocar esse saber a serviço
do bem coletivo, com mais transparência, inclusão e justiça.
Em resumo, o compromisso da CTS é com uma ciência e uma tecnologia que:
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ü Reconheçam seus próprios valores e interesses;
ü Sejam analisadas criticamente pelos seus impactos sociais;
ü Sejam orientadas por princípios éticos e democráticos;
ü E tenham seus benefícios e riscos distribuídos de forma justa para toda a sociedade.
(SESI-SP – ANALISTA) Julgue os itens a seguir, relativos às habilidades que se
pretende desenvolver nos alunos com uma proposta de ensino de ciências na
abordagem CTS (ciência, tecnologia e sociedade).
I Entender a ciência como forma de conhecimento verdadeiro, que possibilita resolver
os diferentes problemas da atualidade.
II Compreender de forma integrada o mundo natural, o mundo construído pelo
homem e o mundo social do dia-a-dia.
III Participar democraticamente na sociedade por meio da expressão de suas opiniões.
IV Compreender a tecnologia como uma aplicação das diferentes formas de
conhecimento para atender as necessidades atuais.
A quantidade de itens certos é igual a
A) 1;
B) 2;
C) 3;
D) 4.
Comentários
O item I está errado. A abordagem CTS não trata a ciência como verdade absoluta,
mas sim como conhecimento construído, sujeito a críticas e revisões.
O item II está correto. A integração entre os mundos natural, tecnológico e social está
no cerne da proposta CTS.
O item III está certo também. Participação cidadã é uma das competências esperadas.
Finalmente, o item IV está certo também. CTS promove a compreensão da tecnologia
como um fenômeno que integra conhecimentos diversos, voltado à resolução de
problemas humanos.
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Aula 01
Gabarito: Letra C
(PREF. JATAI – PROFISSIONAL) A respeito da abordagem Ciência, Tecnologia e
Sociedade (CTS), assinale a alternativa correta:
A) As inovações científico-tecnológicas estão a serviço da sociedade, que não pode,
contudo, contestar a intencionalidade de seu uso;
B) Os conteúdos referentes à ciência somente poderão ser incluídos nos currículos com
o consentimento da comunidade científica;
C) Os achados científicos devem ser considerados como verdades absolutas, dado o
rigor científico com que os experimentos são realizados;
D) A compreensão da natureza da ciência é um conhecimento complexo, não sendo
fundamental para seu estudo;
E) É necessário disponibilizar as representações que permitam ao cidadão agir, tomar
decisão e compreender o que está em jogo no discurso dos especialistas.
Comentários
A letra A está errada. O CTS defende justamente o direito da sociedade de questionar
como a ciência e a tecnologia são usadas. A participação crítica é fundamental.
A letra B está errada, pois ela reforça uma visão tecnocrática, enquanto o CTS propõe
currículos abertos ao debate social, cultural e ético.
A letra C está errada. O CTS rejeita a ideia de ciência como verdade absoluta. A ciência
é provisória, revisável e construída socialmente.
A letra D está errada também. Compreender como a ciência funciona é essencial no
CTS, pois isso forma cidadãos críticos e conscientes.
Finalmente, a letra E está correta. Essa alternativa expressa um dos principais objetivos
do CTS: tornar o cidadão capaz de compreender e participar criticamente dos debates
tecnocientíficos.
Gabarito: Letra E
(IF-PR – PEDAGOGO) Em relação aos estudos sobre Ciência, Tecnologia e Sociedade
(CTS), assinale a alternativa correta:
A) O direcionamento dado à atividade científico-tecnológica (processo) resulta de
decisões políticas;
B) Uma descoberta científica em si não é nem “boa” nem “má”; o que importa é a
forma como ela é usada;
C) A tecnologia é autônoma e independente das influências sociais;
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Aula 01
D) A mudança tecnológica é a causa da mudança social, considerando-se que a
tecnologia define os limites do que uma sociedade pode fazer;
E) Os problemas hoje existentes e os que vierem a surgir, serão, necessariamente,
resolvidos com o desenvolvimento cada vez maior da ciência e tecnologia.
Comentários
A letra A está correta – Essa afirmativa reflete com precisão a perspectiva CTS, que
entende que as escolhas científicas e tecnológicas são influenciadas por interesses e
decisões políticas, e não são neutras ou inevitáveis.
A letra B está parcialmente correta, mas simplifica demais. O CTS também analisa
quem decide usar, com quais interesses e quais impactos isso gera – não apenas o uso
em si.
A letra C está errada – O CTS rejeita totalmente essa ideia. A tecnologia é influenciada
por fatores sociais, culturais e econômicos.
A letra D está errada também. Essa é a visão determinista tecnológica, criticada pelo
CTS, que propõe uma relação recíproca entre tecnologia e sociedade.
Finalmente, a letra E está errada. O CTS questiona essa visão otimista e simplista da
ciência como solução automática dos problemas sociais.
Gabarito: Letra A
(SEDUC-AL – PROFESSOR) No que tange à abordagem ciência, tecnologia e
sociedade (abordagem CTS), julgue o item seguinte.
A abordagem CTS tem por função disponibilizar as representações que permitam ao
cidadão agir, tomar decisão e compreender o que está em jogo no discurso dos
especialistas.
Comentários
Essa questão está correta. Um dos objetivos centrais da abordagem CTS é promover
a alfabetização científica crítica, permitindo que os cidadãos compreendam discursos
especializados e participem ativamente de debates e decisões informadas sobre temas
científicos e tecnológicos.
Gabarito: Certa
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Aula 01
Modelos e concepções de inovação tecnológica
A inovação tecnológica é, sem dúvida, um dos motores mais potentes do desenvolvimento
econômico e social na história.
Ela impulsiona o surgimento de novos produtos, processos, serviços e modelos de
negócios, transformando a vida das pessoas e a estrutura das sociedades. No entanto, a
forma como a inovação acontece e como ela é compreendida tem evoluído
significativamente ao longo do tempo.
Longe de ser um processo simples ou uma mera aplicação da ciência, a inovação é um
fenômeno complexo, multifacetado e profundamente conectado às dinâmicas sociais,
econômicas e políticas.
Temas como política industrial, competitividade, desenvolvimento regional,
sustentabilidade e inclusão social estão intrinsecamente ligados à capacidade de um país
de inovar.
Dominar as visões lineares, interativas e sistêmicas da inovação, bem como as abordagens
mais recentes como a inovação social, frugal e inclusiva, permite analisar criticamente os
desafios e oportunidades do Brasil no cenário global, além de fornecer subsídios para a
compreensão e formulação de políticas públicas mais eficazes.
Modelos Lineares de Inovação (Push e Pull)
Os modelos lineares de inovação foram os primeiros a surgir como explicações sistemáticas
para o processo de geração de novos produtos, processos e serviços com base no
conhecimento científico e tecnológico.
Apesar de sua simplicidade, esses modelos ainda são muito utilizados em políticas públicas,
estratégias empresariais e currículos acadêmicos.
Inovação do tipo “Technology Push” – ou “Empurrada pela Tecnologia”
Esse modelo de inovação parte da seguinte ideia: a inovação nasce primeiro na ciência,
dentro dos laboratórios de universidades e centros de pesquisa. Ou seja, são os avanços
científicos e tecnológicos que impulsionam o surgimento de novos produtos, mesmo
antes que o mercado ou os consumidores estejam pedindo por eles.
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Aula 01
A lógica funciona assim: primeiro os cientistas descobrem algo novo; depois, os
engenheiros desenvolvem aplicações práticas para essa descoberta; em seguida, as
empresas transformam essas ideias em produtos comerciais, que então chegam ao
mercado.
As etapas do modelo "technology push" são:
1. Pesquisa básica – é o momento das descobertas científicas, sem uma aplicação
prática imediata;
2. Desenvolvimento aplicado – os cientistas e engenheiros começam a pensar em
como usar essa descoberta;
3. Prototipagem e testes – surgem os primeiros modelos, que são testados e
ajustados;
4. Produção e lançamento no mercado – o produto começa a ser fabricado e vendido;
5. Adoção pelo público – os consumidores começam a usar essa novidade, mesmo
que inicialmente não a tenham pedido.
Um caso clássico desse tipo de inovação foi a descoberta do transistor pelos laboratórios
Bell, na década de 1940.
Essa descoberta científica abriu caminho para a criação de rádios portáteis e, mais tarde,
possibilitou o desenvolvimento dos primeiros computadores.
Na época, ninguém estava pedindo especificamente por isso — a inovação veio “de cima
para baixo”, do laboratório para o mercado.
Apesar de importante, esse modelo tem algumas limitações:
• Ignora o que o mercado está pedindo: não considera se há, de fato, uma demanda
ou necessidade imediata por parte dos consumidores;
• Desconsidera o papel dos usuários: não leva em conta a opinião de quem vai usar
o produto, o que pode gerar inovações que o público não entende ou não adota;
• Parte da suposição de que toda descoberta científica será útil comercialmente, o
que nem sempre acontece.
Em resumo, o modelo "technology push" valoriza muito a ciência e a pesquisa como ponto
de partida da inovação, mas pode falhar ao não escutar o mercado.
Por isso, ele costuma ser complementado por outros modelos mais integrados, como o
modelo “market ou demand pull” (puxado pelo mercado), que considera as necessidades
e desejos dos consumidores desde o início do processo de inovação.
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Aula 01
Inovação do tipo “Demand Pull” – ou “Puxada pela Demanda ou Mercado”
Neste modelo, a inovação surge como resposta a uma necessidade do mercado ou da
sociedade. Em vez de partir da ciência pura, como no modelo “technology push”, aqui o
ponto de partida é um problema concreto que precisa ser resolvido.
Empresas, governos ou consumidores identificam uma carência ou uma oportunidade, e
isso estimula a busca por soluções inovadoras.
As etapas do modelo “demand pull” são:
1. Identificação de uma demanda ou necessidade específica – pode ser um problema
ambiental, uma insatisfação do consumidor, ou uma nova exigência do mercado;
2. Pesquisa aplicada direcionada à solução – pesquisadores e empresas se debruçam
sobre a melhor forma de resolver aquele problema;
3. Desenvolvimento da solução e testes – são criados protótipos e versões iniciais do
produto ou serviço;
4. Produção e distribuição em escala – a inovação é fabricada e disponibilizada no
mercado;
5. Comercialização e retorno do mercado – o produto é vendido, e o feedback dos
consumidores ajuda a aperfeiçoá-lo.
Um bom exemplo é o caso dos veículos elétricos. A preocupação crescente com o meio
ambiente e com a poluição urbana gerou forte demanda por transportes mais limpos.
Essa demanda levou várias montadoras a investir em inovação para desenvolver carros
elétricos mais eficientes, acessíveis e sustentáveis.
Embora muito relevante, esse modelo também apresenta algumas limitações:
• Foca demais na demanda atual e pode deixar de lado descobertas científicas mais
profundas, que ainda não têm aplicação imediata, mas podem ser transformadoras
no futuro;
• Enxerga a inovação como algo puramente reativo, ou seja, apenas como uma
resposta ao que já existe como problema, e não como um processo capaz de
antecipar necessidades ou criar novas possibilidades.
Tanto o modelo "technology push" quanto o "demand pull" são chamados de modelos
lineares de inovação, porque veem o processo de forma sequencial: primeiro acontece
uma coisa (pesquisa ou demanda), depois vem outra (desenvolvimento), até chegar ao
mercado.
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Aula 01
Esses modelos foram úteis no período do pós-guerra, especialmente em países
desenvolvidos, onde o Estado investia pesado em ciência e tecnologia como forma de
reconstrução econômica.
No entanto, a realidade atual é muito mais complexa. As inovações de hoje surgem de
interações constantes entre ciência, mercado, usuários, políticas públicas e contextos
sociais.
Por isso, os estudiosos passaram a defender modelos mais dinâmicos, interativos e
integrados, que veremos adiante.
Esses novos modelos reconhecem que inovação não é uma linha reta — é um processo
cheio de idas e vindas, com trocas de informação, ajustes constantes e participação de
diversos atores ao mesmo tempo.
Modelos Interativos e Sistêmicos
Com a crescente complexidade dos processos de inovação, surge a necessidade de
compreender as interações entre múltiplos atores, instituições e ambientes.
Essa evolução deu origem aos modelos interativos e sistêmicos, que superam a linearidade
dos anteriores e buscam explicar a inovação como um fenômeno colaborativo e em rede.
Modelo da Tríplice Hélice (Triple Helix)
O modelo da Tríplice Hélice foi desenvolvido pelos pesquisadores Henry Etzkowitz e Loet
Leydesdorff na década de 1990. Ele propõe uma nova forma de entender como a inovação
acontece nas sociedades modernas.
Em vez de pensar que só a universidade, ou só o setor privado, ou apenas o governo é
responsável por gerar inovação, esse modelo mostra que a verdadeira inovação surge da
cooperação entre três grandes setores:
• Universidade – responsável pela produção de conhecimento científico e
tecnológico, ou seja, pelas pesquisas que ampliam o saber humano.
• Indústria (empresas) – transforma esse conhecimento em produtos, processos e
serviços úteis para a sociedade.
• Governo – atua como regulador, financiador e formulador de políticas públicas
que incentivam a pesquisa, o desenvolvimento e o uso responsável da tecnologia.
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Aula 01
A ideia central é que esses três setores devem trabalhar juntos, de forma colaborativa, e
não separados como se fossem "ilhas". Essa integração gera um ambiente mais favorável
à inovação, pois combina saber científico, capacidade produtiva e apoio institucional.
Inovação Aberta (Open Innovation)
O conceito de Inovação Aberta foi desenvolvido e popularizado pelo pesquisador Henry
Chesbrough. A ideia central é simples, mas poderosa: as empresas não precisam — e nem
devem — depender apenas das suas próprias equipes de pesquisa e desenvolvimento
(P&D) para inovar.
Em vez disso, elas devem abrir suas portas para o conhecimento externo, aproveitando
ideias, tecnologias e colaborações vindas de outros atores, como:
• Startups, que costumam desenvolver soluções inovadoras com agilidade;
• Universidades, que produzem conhecimento científico de ponta;
• Outras empresas, até mesmo concorrentes, com as quais é possível firmar acordos
estratégicos;
• Comunidades de desenvolvedores e criadores, especialmente na área de
tecnologia;
• Consumidores, que podem contribuir com sugestões, críticas e até cocriação de
produtos.
Assim sendo, na inovação aberta, o fluxo de conhecimento seria de mão dupla:
• A empresa traz conhecimento de fora (como licenças de patentes, pesquisas
universitárias ou ideias de startups);
• E compartilha seu próprio conhecimento com o mercado, por exemplo, criando
spin-offs, licenciando tecnologias ou colaborando com outras organizações.
Ecossistemas de Inovação
O conceito de ecossistema de inovação amplia ainda mais a lógica da inovação como
um processo coletivo e interativo.
Aqui, a ideia é que a inovação não acontece isoladamente em uma empresa ou
universidade, mas sim dentro de um ambiente amplo, colaborativo e conectado, formado
por diversos atores que interagem de forma constante e dinâmica.
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Aula 01
Assim como em um ecossistema natural, onde diferentes espécies coexistem e dependem
umas das outras, no ecossistema de inovação os diversos participantes contribuem com
recursos, conhecimentos, experiências e competências complementares, criando um
ambiente fértil para novas ideias e soluções.
Os componentes típicos de um ecossistema de inovação são:
• Universidades e institutos de pesquisa – geram conhecimento científico e formam
profissionais qualificados.
• Startups e empresas de base tecnológica – atuam com agilidade, explorando novas
ideias e tecnologias.
• Grandes empresas (âncoras) – trazem escala, recursos e experiência de mercado.
• Incubadoras e aceleradoras – apoiam o nascimento e crescimento de novos
negócios inovadores.
• Investidores e fundos de capital de risco (venture capital) – financiam projetos com
alto potencial de crescimento.
• Governo (em diferentes níveis: municipal, estadual e federal) – cria políticas
públicas, regula o ambiente e oferece incentivos.
• Sociedade civil e usuários finais – participam com demandas, feedbacks e ideias,
fortalecendo a cocriação.
Esses atores não agem sozinhos. Eles se conectam, aprendem uns com os outros,
compartilham recursos e constroem juntos soluções para problemas reais.
Um dos casos mais reconhecidos de ecossistema de inovação no país é o Porto Digital, em
Recife (PE).
Ele reúne universidades, startups, grandes empresas de tecnologia, órgãos públicos e
investidores num mesmo território, criando um ambiente propício para o desenvolvimento
de soluções digitais, especialmente nas áreas de software, design e economia criativa.
Além disso, o Porto Digital tem forte apoio do governo local e de instituições de ensino, o
que potencializa sua atuação.
Concluindo, os ecossistemas de inovação são ambientes colaborativos que reúnem
diversos atores com objetivos comuns: resolver problemas, desenvolver soluções e
promover o progresso social e econômico.
Eles representam o estágio mais avançado da visão sistêmica da inovação, onde
conhecimento, capital, políticas públicas e demandas sociais se encontram para gerar
transformações significativas e sustentáveis.
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Aula 01
Inovação Social, Frugal e Inclusiva
Além dos modelos tradicionais voltados para ganhos econômicos e tecnológicos, novas
concepções de inovação têm ganhado relevância, especialmente em países em
desenvolvimento.
Essas inovações buscam responder a problemas sociais reais, com soluções acessíveis,
sustentáveis e participativas. São os modelos de inovação social, frugal e inclusiva.
Inovação Social
A inovação social refere-se à criação de soluções novas e eficazes para problemas sociais
complexos, como pobreza, saúde, educação, habitação, mobilidade e meio ambiente.
O diferencial está no fato de que:
• A população-alvo participa do processo de criação e implementação;
• O foco é no impacto social positivo, mais do que no lucro;
• As soluções geram mudanças sistêmicas e empowerment (empoderamento) das
comunidades.
No Brasil, a Lei de Inovação (Lei nº 10.973/2004) passou a incorporar elementos da inovação
social em suas atualizações.
Inovação Frugal
A inovação frugal (ou “jugaad innovation”, na Índia) é voltada para contextos de escassez
de recursos, buscando soluções simples, acessíveis e de baixo custo, porém eficazes.
Significa algo como "solução improvisada" ou "jeitinho inteligente". É a arte de conseguir
grandes resultados usando poucos materiais e muita criatividade.
É uma forma super inteligente e criativa de resolver problemas, principalmente quando a
gente não tem muitos recursos à disposição.
Imagine criar algo que seja simples, baratinho, mas que funcione muito bem e ajude um
monte de gente! É isso que a inovação frugal busca.
Essa forma de inovar tem algumas marcas registradas:
ü Simples e Direto ao Ponto: Esqueça a complicação! A inovação frugal foca no que
é essencial. Ela tira o que não serve e se concentra na funcionalidade principal. O
produto ou serviço é fácil de usar, de manter e, muitas vezes, de consertar.
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Aula 01
ü Economia no Bolso e nos Recursos: O objetivo é gastar pouco. Isso significa usar
materiais mais baratos, processos de fabricação mais simples e evitar o desperdício.
O resultado é algo que custa menos para ser produzido e, consequentemente, é mais
acessível para quem vai usar.
ü Feito para Chegar em Todo Lugar: Como é simples e barato, a inovação frugal
consegue se espalhar por muitos lugares, especialmente em comunidades e regiões
que normalmente não têm acesso a tecnologias mais sofisticadas ou caras. Pense em
soluções que podem ser adotadas por um grande número de pessoas.
Inovação Inclusiva
A inovação inclusiva é aquela que visa reduzir desigualdades sociais, econômicas e
territoriais, promovendo o acesso equitativo aos benefícios da ciência e da tecnologia.
Imagine que a ciência e a tecnologia são um bolo delicioso. A inovação inclusiva é sobre
garantir que todo mundo tenha um pedaço desse bolo, especialmente as pessoas que
historicamente foram deixadas de fora da festa.
Ela busca usar a tecnologia para diminuir as desigualdades que existem entre as pessoas e
os lugares, fazendo com que os benefícios do avanço tecnológico cheguem para todos de
forma justa.
Não é só criar uma tecnologia nova, é pensar: "Quem mais precisa disso? Como podemos
fazer com que essa novidade ajude quem mais foi esquecido?"
Essa forma de inovar se apoia em ideias muito importantes:
ü Dando Voz a Quem Sempre Foi Ignorado: A inovação inclusiva faz questão de
incluir grupos de pessoas que, por muito tempo, ficaram à margem da sociedade e
dos benefícios da tecnologia. Pense em: mulheres, pessoas negras, povos indígenas
etc.
ü Tecnologia que se Adapta a Cada Realidade: Não adianta criar uma
supertecnologia se ela só funciona em grandes cidades ou para quem tem muito
dinheiro. A inovação inclusiva se preocupa em adaptar as soluções tecnológicas para
funcionarem em diferentes lugares, como áreas rurais, comunidades afastadas ou
regiões com poucos recursos. É sobre fazer a tecnologia "caber" na vida das pessoas,
e não o contrário.
ü Decisões Feitas por Todos, Para Todos: A inovação inclusiva acredita que as
pessoas que serão afetadas pelas novas tecnologias devem participar das decisões
sobre elas. Isso significa que a comunidade, os usuários e os grupos marginalizados
precisam ter voz ativa no planejamento e desenvolvimento das inovações. Não é só
o especialista que decide; é todo mundo junto!
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Aula 01
(UFR – ADMINISTRADOR) Leia o texto a seguir:
As tecnologias transversais, aquelas com alto potencial transformador sobre diferentes
setores produtivos, são capazes de impulsionar a inovação em vários campos,
ajudando a transformar padrões de produção, modelos de negócio e formas de
concorrência nas economias industriais avançadas.
ANDRADE, Rodrigo. As tecnologias transversais e o futuro do setor produtivo.
Disponível em: [Link]
conteudo/artigos/artigos/353-as-tecnologias-transversais-e-o-futuro-do-
setorprodutivo. Acesso em: 04 out. 2023.
Os ecossistemas de inovação contribuem com o desenvolvimento de tal tecnologia
por
A) difundir o conhecimento científico;
B) evadir o capital humano nacional;
C) ampliar as taxas de importação;
D) aumentar os investimentos públicos.
Comentários
A letra A está certa. A difusão do conhecimento científico é uma função essencial dos
ecossistemas de inovação, pois permite a troca de saberes entre instituições, empresas
e sociedade.
Já a letra B está errada, pois a evasão de cérebros (fuga de talentos) é um problema,
não uma contribuição.
A letra C está errada. O objetivo é desenvolver soluções locais e reduzir a dependência
externa.
Finalmente, a letra D está parcialmente relacionada, mas é uma consequência, não um
papel direto do ecossistema.
Gabarito: Letra A
(INÉDITA – 2025)
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Aula 01
O modelo de inovação do tipo "Technology Push" (Empurrada pela Tecnologia) é
caracterizado por uma sequência linear de etapas. Qual das alternativas abaixo
descreve corretamente a etapa inicial e a lógica principal desse modelo?
a) O processo começa com a identificação de uma demanda do mercado, que "puxa"
a pesquisa e o desenvolvimento.
b) A inovação nasce de descobertas científicas em laboratórios, que impulsionam o
surgimento de novos produtos, mesmo sem demanda inicial.
c) O desenvolvimento aplicado é a primeira etapa, focado em resolver problemas
práticos já conhecidos.
d) A prototipagem e os testes são o ponto de partida, com foco em produtos que o
público já adota.
e) A adoção pelo público é o que inicia o ciclo, gerando a necessidade de pesquisa
==13425b==
básica.
Comentários
A letra A está incorreta porque descreve a lógica do modelo "Demand Pull".
Já a letra B está correta pois o "Technology Push" parte da ideia de que "a inovação
nasce primeiro na ciência, dentro dos laboratórios de universidades e centros de
pesquisa" e que "são os avanços científicos e tecnológicos que impulsionam o
surgimento de novos produtos, mesmo antes que o mercado ou os consumidores
estejam pedindo por eles."
A letra C está incorreta pois o desenvolvimento aplicado é uma etapa posterior à
pesquisa básica no modelo "Technology Push".
A letra D está incorreta pois prototipagem e testes são etapas intermediárias, não o
ponto de partida, e a adoção pelo público ocorre no final do ciclo, não no início.
Finalmente, a letra E está incorreta pois a adoção pelo público é o resultado, não o
início do ciclo que gera pesquisa básica no "Technology Push".
Gabarito: Letra B
(INÉDITA – 2025)
Sobre o modelo de inovação "Demand Pull" (Puxada pela Demanda ou Mercado), o
texto afirma que ele é uma resposta a uma necessidade específica. Qual das opções
abaixo é um exemplo que se alinha perfeitamente à lógica desse modelo, conforme
descrito no texto?
a) A descoberta do transistor, que abriu caminho para rádios portáteis e
computadores, sem que houvesse uma demanda específica inicial.
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Aula 01
b) O desenvolvimento de uma nova vacina contra uma doença rara, impulsionado por
pesquisa básica em laboratório.
c) A criação de um software de inteligência artificial com base em algoritmos
complexos, antes de ter um uso comercial definido.
d) O investimento de montadoras em carros elétricos mais eficientes, motivado pela
preocupação crescente com o meio ambiente e a poluição urbana.
e) A pesquisa sobre a estrutura de materiais supercondutores, visando futuras
aplicações sem um problema imediato.
Comentários
A letra A está incorreta pois a descoberta do transistor seria um caso clássico desse
tipo de inovação, ou seja, ao "Technology Push".
A letra B está incorreta pois o desenvolvimento de uma vacina impulsionado por
pesquisa básica em laboratório sem demanda específica imediata se alinha mais ao
"Technology Push".
A letra C está incorreta pois a criação de um software de IA sem uso comercial definido
também se assemelha mais ao "Technology Push".
A letra D está correta pois seria um exemplo do modelo "Demand Pull" o "caso dos
veículos elétricos. A preocupação crescente com o meio ambiente e com a poluição
urbana gerou forte demanda por transportes mais limpos. Essa demanda levou várias
montadoras a investir em inovação para desenvolver carros elétricos mais eficientes,
acessíveis e sustentáveis."
A letra E está incorreta pois a pesquisa básica visando futuras aplicações sem um
problema imediato se encaixa no "Technology Push".
Gabarito: Letra D
(INÉDITA – 2025)
No contexto da Inovação Aberta, conceito popularizado por Henry Chesbrough, o
texto destaca que as empresas não devem depender apenas de suas equipes internas
de P&D. Qual é a principal característica da Inovação Aberta em relação ao fluxo de
conhecimento?
a) O conhecimento deve ser mantido estritamente dentro das fronteiras da empresa
para proteger segredos industriais.
b) As empresas devem apenas buscar tecnologias já prontas no mercado para licenciar.
c) Há um fluxo de conhecimento de mão dupla, onde a empresa tanto busca
conhecimento externo quanto compartilha o seu próprio.
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Aula 01
d) A colaboração ocorre somente entre concorrentes diretos para fins de redução de
custos.
e) A inovação é gerada exclusivamente por startups e depois vendida para grandes
empresas.
Comentários
A letra A está incorreta pois a Inovação Aberta, como o próprio nome indica, vai contra
a ideia de manter o conhecimento estritamente dentro da empresa.
A letra B está incorreta pois a Inovação Aberta não se limita a buscar tecnologias
prontas, mas também a cocriar e licenciar.
A letra C está correta pois "na inovação aberta, o fluxo de conhecimento seria de mão
dupla: A empresa traz conhecimento de fora [...] e compartilha seu próprio
conhecimento com o mercado".
A letra D está incorreta pois a colaboração na Inovação Aberta é mais ampla do que
apenas entre concorrentes diretos e não se limita à redução de custos.
A letra E está incorreta pois a Inovação Aberta envolve diversos atores, não se
limitando a startups vendendo para grandes empresas.
Gabarito: Letra C
(INÉDITA – 2025)
A Inovação Social é apresentada como uma concepção mais recente, voltada para
problemas sociais complexos. Qual é o principal diferencial da inovação social em
comparação com modelos mais tradicionais?
a) Seu foco exclusivo na geração de lucro e na competitividade de mercado.
b) A prioridade é no impacto social positivo e na participação da população-alvo no
processo de criação.
c) Ela se concentra apenas em descobertas científicas sem aplicação imediata.
d) Sua principal característica é a redução drástica de custos e materiais na produção.
e) Ela é definida por ser um processo puramente reativo às demandas do governo.
Comentários
A letra A está incorreta pois o "foco é no impacto social positivo, mais do que no
lucro".
A letra B está correta pois o "diferencial está no fato de que: A população-alvo
participa do processo de criação e implementação; O foco é no impacto social
positivo, mais do que no lucro; As soluções geram mudanças sistêmicas e
empowerment (empoderamento) das comunidades."
29 Tecnolog
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Aula 01
A letra C está incorreta pois essa característica se alinha mais com a pesquisa básica
no modelo "Technology Push".
A letra D está incorreta pois essa é a principal característica da Inovação Frugal, não
da Inovação Social.
A letra E está incorreta pois, embora possa atender a demandas, a Inovação Social não
é puramente reativa às demandas governamentais e tem um foco mais amplo na
participação da população-alvo.
Gabarito: Letra B
30 Tecnolog
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Aula 01
Pensamento crítico sobre os impactos e responsabilidades
sociais relacionados à ciência e tecnologia.
Os impactos da ciência e tecnologia são onipresentes e multifacetados, reverberando em
todas as esferas da vida humana e do planeta. Para uma análise crítica, é essencial
categorizá-los e compreender suas nuances.
Impactos Éticos
Conforme a ciência e a tecnologia avançam, elas trazem consigo um mundo de
possibilidades incríveis. Mas, junto com essas novidades, surgem também muitas perguntas
difíceis.
São os dilemas éticos: situações onde o que podemos fazer (tecnologicamente) nos força a
pensar no que devemos fazer, questionando nossos valores e o que consideramos certo ou
errado.
Vamos ver alguns exemplos dessas novas fronteiras e dos desafios que elas nos trazem:
1. Biotecnologia e Engenharia Genética: Mexendo com a Vida
Pense nas tecnologias que nos permitem "editar" ou mudar o código genético dos seres
vivos, como o CRISPR. Elas prometem curar doenças genéticas graves, mas também
levantam questões assustadoras:
ü "Bebês Sob Medida" e Escolhas Genéticas: Se pudermos mudar os genes de um
embrião, poderíamos escolher a cor dos olhos, a inteligência ou outras
características? Quem decide o que pode ou não ser alterado? E quais seriam as
consequências de "padronizar" os seres humanos, diminuindo a nossa diversidade?
ü Clonagem e os Limites da Vida: A capacidade de clonar seres vivos nos faz
questionar os limites da intervenção humana. Qual é o valor da vida individual? E as
implicações morais de replicar um ser vivo?
2. Inteligência Artificial (IA) e Robótica: Máquinas que Pensam e Agem
A Inteligência Artificial e a robótica estão revolucionando nosso dia a dia, mas também nos
colocam diante de dilemas complexos:
31 Tecnolog
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Aula 01
ü Decisões Feitas por Algoritmos: Justo ou Enviesado?
o Algoritmos de IA estão sendo usados para decidir coisas muito importantes,
como se alguém deve ser solto da prisão (avaliação de risco), se vai conseguir
um empréstimo no banco ou até se será contratado para um emprego.
o O problema é que, se esses algoritmos são "treinados" com dados do
passado que já contêm preconceitos (por exemplo, dados de prisões que
mostram mais pessoas negras sendo condenadas, mesmo que o crime seja o
mesmo), a IA pode aprender e repetir essa discriminação, tornando a situação
ainda pior.
o Aí a pergunta é: quem é o responsável se o algoritmo toma uma decisão
injusta? Os desenvolvedores? A empresa? E como podemos ter certeza de
que esses sistemas são transparentes e que podemos cobrar
responsabilidades (a famosa accountability) se algo der errado?
ü Autonomia das Máquinas: Quem Responde pelos Erros?
o Carros que dirigem sozinhos (carros autônomos) ou sistemas de armas que
decidem atacar sem intervenção humana são exemplos de tecnologias com
crescente autonomia.
o Mas e se um carro autônomo se envolve num acidente? Quem é culpado? O
passageiro? A empresa que o fabricou? O programador? À medida que
asmáquinas tomam mais decisões, a linha da responsabilidade fica borrada.
ü Privacidade e Vigilância: Onde está o Limite?
o Estamos produzindo uma quantidade gigantesca de dados pessoais a todo
momento (o que compramos, onde vamos, o que pesquisamos na internet).
Empresas e governos coletam esses dados.
o Tecnologias de reconhecimento facial e de monitoramento (como câmeras em
locais públicos) aumentam a capacidade de nos vigiar.
o Isso levanta preocupações profundas: nossa privacidade está em risco? Até
que ponto estamos sendo vigiados? E como isso afeta nossa liberdade
individual, já que sabemos que nossos passos estão sendo monitorados?
3. Neurotecnologias: Conectando Mentes e Máquinas
A neurotecnologia avança na interface entre o cérebro humano e máquinas, o que abre
portas para tratamentos incríveis para doenças neurológicas, mas também para novos
dilemas:
ü Identidade Pessoal e Autonomia Mental: Se pudermos controlar máquinas com o
pensamento ou até manipular a atividade cerebral, quem somos nós? Nossa mente
é inteiramente nossa? E a privacidade dos nossos pensamentos? Quem garante que
nossas ideias e emoções não serão acessadas ou influenciadas?
32 Tecnolog
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Aula 01
ü Melhoramento Humano: Se pudermos "turbinar" a memória ou a capacidade de
aprendizado com neurotecnologias, isso criaria uma forma de desigualdade entre
aqueles que podem pagar por esses aprimoramentos e aqueles que não podem?
Esses dilemas nos mostram que o progresso tecnocientífico exige mais do que apenas a
capacidade de inovar.
Exige uma reflexão constante e um debate amplo sobre os valores que queremos ver
refletidos em nosso futuro. Não basta perguntar "podemos fazer?"; é preciso perguntar
"devemos fazer?".
Impactos Sociais
As tecnologias remodelam as estruturas sociais, as relações humanas e o acesso a
oportunidades.
• Mercado de Trabalho e Desemprego Tecnológico: A automação e a IA podem
substituir trabalhadores em diversas funções, levando a um "desemprego
tecnológico" ou à precarização do trabalho. Isso exige políticas de requalificação
profissional, renda básica universal e novos modelos de economia.
• Desigualdade Social e Digital: O acesso à tecnologia (internet, dispositivos) e a
capacidade de usá-la (letramento digital) são desiguais, criando um "fosso digital"
que exacerba outras formas de desigualdade social. Quem não tem acesso fica à
margem das oportunidades de educação, trabalho e participação cívica.
• Saúde e Bem-Estar: Enquanto a tecnologia médica salva vidas, o acesso a esses
avanços é frequentemente desigual. Além disso, o uso excessivo de algumas
tecnologias (redes sociais, jogos) pode impactar a saúde mental (ansiedade,
depressão, isolamento).
• Relações Humanas e Comunicação: As redes sociais e as plataformas digitais
transformaram a comunicação e as interações sociais, criando novas formas de
conexão, mas também de polarização, desinformação e cyberbullying. A formação
de "bolhas" e "câmaras de eco" online afeta o debate público e a democracia.
• Cultura e Comportamento: A tecnologia molda nossos hábitos, valores e
expressões culturais. O consumo de conteúdo, a forma como aprendemos e como
nos divertimos são profundamente influenciados pelas plataformas digitais e pelos
algoritmos que nos "sugestões".
33 Tecnolog
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Aula 01
Impactos Econômicos
A tecnologia é um motor da economia, mas seus efeitos não são distribuídos
uniformemente.
• Concentração de Poder e Monopólios: As grandes empresas de tecnologia (big
techs) frequentemente adquirem poder de monopólio, controlando mercados,
dados e infraestrutura digital, o que levanta questões sobre concorrência justa e
regulamentação.
• Geração de Novas Indústrias e Modelos de Negócios: A tecnologia cria indústrias
inteiras (ex: e-commerce, fintechs, streaming) e novos modelos de negócios
(economia de compartilhamento, plataformas digitais), gerando riqueza e empregos.
• Produtividade e Competitividade: A inovação tecnológica é crucial para aumentar
a produtividade e a competitividade das empresas e nações no mercado global.
• Impacto no PIB e Crescimento: O setor de tecnologia tem se tornado um
componente significativo do Produto Interno Bruto (PIB) em muitos países.
Impactos Ambientais
A relação entre tecnologia e meio ambiente é ambígua: pode ser parte do problema e da
solução.
É muito comum pensar que a tecnologia é sempre boa e resolve tudo, ou que ela é a
grande culpada pelos problemas do nosso planeta.
A verdade é que a relação entre a tecnologia e o meio ambiente é bastante complexa: ela
é como uma moeda de dois lados. A tecnologia pode, sim, causar muitos estragos, mas
também é nossa maior esperança para encontrar soluções.
Vamos entender essa dualidade:
• Poluição e Esgotamento de Recursos: A produção de tecnologias exige recursos
naturais (minerais, energia) e gera resíduos (lixo eletrônico, poluição por plásticos). O
consumo de energia por data centers e a mineração de criptomoedas, por exemplo,
têm um impacto ambiental significativo.
• Crises Climáticas: Embora tecnologias renováveis sejam parte da solução para as
mudanças climáticas, a própria industrialização e a emissão de gases de efeito estufa
são produtos da tecnologia e do consumo de energia fóssil.
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Aula 01
• Degradação de Ecossistemas: A expansão industrial e agrícola, impulsionada por
tecnologias, pode levar ao desmatamento, à perda de biodiversidade e à
contaminação de solos e águas.
• Tecnologias para a Sustentabilidade: Por outro lado, a tecnologia também oferece
soluções para desafios ambientais: energias renováveis, tecnologias de
monitoramento ambiental, reciclagem avançada, agricultura de precisão,
dessalinização da água e smart grids.
Impactos Políticos e na Governança
Você já parou para pensar como o celular na sua mão ou a internet que você usa influenciam
o governo e a forma como a sociedade se organiza? A tecnologia não é apenas uma
ferramenta; ela tem um poder enorme de mudar como as coisas funcionam na política
e na sociedade.
Ela pode tanto fortalecer a democracia quanto criar novos desafios para a segurança e a
forma como os países se relacionam.
Vamos explorar essa relação:
ü Democracia e Participação Cívica: A internet e as redes sociais podem facilitar a
mobilização cívica e o acesso à informação, mas também são ferramentas para a
desinformação, a manipulação política e a polarização.
ü Cibernética e Segurança Nacional: O desenvolvimento de capacidades cibernéticas
(ataque e defesa) tornou-se uma prioridade estratégica para os estados, introduzindo
novas dimensões de conflito e segurança.
ü E-governo e Transparência: Tecnologias digitais podem tornar a administração
pública mais eficiente, transparente e acessível aos cidadãos (ex: serviços online,
open data).
ü Regulamentação e Legislação: O surgimento de novas tecnologias exige que os
governos desenvolvam novas leis e marcos regulatórios, muitas vezes em ritmo mais
lento do que o avanço tecnológico.
ü Geopolítica da Tecnologia: O controle sobre tecnologias estratégicas (ex:
semicondutores, IA, 5G) tornou-se um fator crucial nas relações internacionais e na
competição entre potências.
35 Tecnolog
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Aula 01
(INÉDITA – 2025) No que tange aos "Impactos Éticos" da Biotecnologia e Engenharia
Genética, existem dilemas complexos. Qual das questões éticas abaixo é
explicitamente levantada em relação a tecnologias como o CRISPR?
a) A responsabilidade dos desenvolvedores por algoritmos enviesados.
b) A formação de "bolhas" e "câmaras de eco" online.
c) A potencial padronização de seres humanos e as implicações para a diversidade.
==13425b==
d) O controle sobre tecnologias estratégicas na geopolítica.
e) A precarização do trabalho devido à automação.
Comentários
A letra A está incorreta porque se refere a dilemas da Inteligência Artificial, não da
Biotecnologia.
A letra B está incorreta porque se refere a impactos sociais da comunicação digital.
A letra C está correta. Se pudermos mudar os genes de um embrião, poderíamos
escolher a cor dos olhos, a inteligência ou outras características? Quem decide o que
pode ou não ser alterado? E quais seriam as consequências de 'padronizar' os seres
humanos, diminuindo a nossa diversidade?.
A letra D está incorreta porque se refere a impactos políticos e geopolíticos da
tecnologia. A letra E está incorreta porque se refere a impactos sociais no mercado de
trabalho.
Gabarito: Letra C
(INÉDITA – 2025) Qual o principal risco apontado pelo texto sobre algoritmos de IA
baseados em dados históricos com preconceitos?
a) A redução da produtividade e competitividade das empresas.
b) A dificuldade de acesso a serviços online para a população.
c) A perpetuação e amplificação da discriminação social.
d) O esgotamento de recursos naturais para o treinamento da IA.
e) A impossibilidade de monitoramento ambiental eficaz.
Comentários
36 Tecnolog
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Aula 01
A letra A está incorreta pois não associamos algoritmos enviesados diretamente à
redução de produtividade e competitividade.
A letra B está incorreta pois a dificuldade de acesso a serviços online é um problema
de inclusão digital, não o principal risco de algoritmos enviesados.
A letra C está correta porque se esses algoritmos são 'treinados' com dados do
passado que já contêm preconceitos (...), a IA pode aprender e repetir essa
discriminação, tornando a situação ainda pior.
A letra D está incorreta pois o esgotamento de recursos naturais para o treinamento
da IA é um impacto ambiental, não o principal risco de vieses em algoritmos.
A letra E está incorreta pois a impossibilidade de monitoramento ambiental eficaz não
é o foco do risco dos algoritmos enviesados.
Gabarito: Letra C
(INÉDITA – 2025) Sobre os dilemas éticos de IA e Robótica, a questão central
levantada por tecnologias como carros autônomos ou sistemas de armas autônomas
é:
a) Como garantir a total neutralidade da ciência e da tecnologia.
b) Quem é o responsável em caso de falhas ou danos.
c) A capacidade de mobilização cívica em plataformas digitais.
d) O impacto exclusivo na saúde mental dos usuários.
e) A geração de novas indústrias e modelos de negócios.
Comentários
A letra A está incorreta porque o pensamento crítico justamente desmistifica a ideia
de neutralidade.
A letra B está correta porque o que ocorre se um carro autônomo se envolve num
acidente? Quem é culpado? O passageiro? A empresa que o fabricou? O
programador? À medida que as máquinas tomam mais decisões, a linha da
responsabilidade fica borrada.
A letra C está incorreta porque se refere a impactos políticos/sociais, não a dilemas
éticos específicos da autonomia de máquinas.
A letra D está incorreta porque se refere a impactos sociais na saúde mental, não ao
dilema central da autonomia.
A letra E está incorreta porque se refere a impactos econômicos, não a dilemas éticos
da autonomia.
Gabarito: Letra B
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Aula 01
(INÉDITA – 2025) Referente aos "Impactos Sociais" na "Desigualdade Social e
Digital", qual é o conceito que descreve a situação em que o acesso e a capacidade
de usar a tecnologia são desiguais, exacerbando outras formas de desigualdade?
a) Aceleração da inovação.
b) Geração de novas indústrias.
c) Câmaras de eco online.
d) Fosso digital.
e) Produtividade e competitividade.
Comentários
A letra A está incorreta pois a aceleração da inovação é um processo, não um conceito
de desigualdade.
A letra B está incorreta pois a geração de novas indústrias é um impacto econômico.
A letra C está incorreta pois "câmaras de eco online" referem-se à polarização nas
redes sociais, não ao acesso desigual à tecnologia em si.
A letra D está correta porque o acesso à tecnologia (internet, dispositivos) e a
capacidade de usá-la (letramento digital) são desiguais, criando um 'fosso digital' que
exacerba outras formas de desigualdade social.
A letra E está incorreta pois produtividade e competitividade são impactos
econômicos da tecnologia, não um conceito de desigualdade digital.
Gabarito: Letra D
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Aula 01
QUESTÕES COMENTADAS
1. (FGV – FIOCRUZ – TECNOLOGISTA – 2010)
Equipes de alguns museus e centros de ciência no mundo defendem que esses
espaços não devem discutir temas controversos da ciência.
Com relação à discussão sobre o dever dos museus de ciência em cobrir temas
controversos, analise as afirmativas a seguir:
I. Os museus de ciência da América Latina não cobrem temas controversos, visto
que isto poderia afetar a imagem da ciência local.
II. Os pressupostos do CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade) podem trazer
barreiras para uma proposta bem consolidada de educação em ciências, no
contexto da educação formal e não formal.
III. As temáticas controversas, que podem estimular uma visão crítica e uma maior
participação dos visitantes, são difíceis de explorar, mas têm potencial de suscitar
o interesse do público.
Assinale:
A) se somente a afirmativa I estiver correta.
B) se somente a afirmativa II estiver correta.
C) se somente a afirmativa III estiver correta.
D) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
E) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.
Comentários
Com relação à discussão sobre o dever dos museus de ciência em cobrir temas
controversos, analise as afirmativas a seguir:
Sobre o item I, essa poderia ser uma constatação, mas não é um argumento da abordagem
CTS. O CTS defende justamente o enfrentamento de temas controversos e socialmente
relevantes, o que contradiz a afirmativa.
39 Tecnolog
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Aula 01
No item II, podemos dizer que a afirmativa está errada. O CTS visa justamente romper com
a visão tradicional e descontextualizada da ciência, e promover um ensino mais conectado
com os problemas reais. Portanto, não representa a abordagem CTS.
Já o item III está correto. A abordagem CTS defende o uso de temas controversos como
forma de estimular o pensamento crítico e a participação social, ainda que exijam maior
esforço pedagógico.
Gabarito: Letra C
2. (FGV – FIOCRUZ – TECNOLOGISTA – 2010)
O movimento CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade) tem sido influente nos últimos
anos na educação em ciências, seja ela formal ou não formal.
==13425b==
Das afirmações a seguir, indique aquela que não corresponde adequadamente ao
que esta linha de pensamento defende:
A) Na abordagem educacional de conceitos científicos, eles devem ser apresentados
de forma articulada a questões tecnológicas e sociais;
B) No mundo contemporâneo, a tecnologia é um subproduto do desenvolvimento da
ciência;
C) Um dos problemas do ensino de ciências atual é a transmissão de uma visão
descontextualizada e socialmente neutra da ciência;
D) É importante que os professores desenvolvam concepções mais realistas sobre a
relação ciência, tecnologia e sociedade;
E) Um dos objetivos essenciais da educação formal é a formação para a cidadania.
Comentários
A letra A está certa — essa é a base da abordagem CTS.
Já a letra B está errada. Essa afirmativa representa a visão linear e reducionista da relação
entre ciência e tecnologia (ciência → tecnologia → sociedade), rejeitada pela abordagem
CTS. Para o CTS, ciência, tecnologia e sociedade se influenciam mutuamente e de forma
complexa.
A letra C está certa — o CTS critica exatamente essa visão.
A letra D está certa também — o CTS defende a formação de professores com essa
perspectiva.
Finalmente, a letra E está certa também — a alfabetização científica crítica é um dos pilares
do CTS.
Gabarito: Letra B
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Aula 01
QUESTÕES COMENTADAS
1. (VUNESP – PREF. ITATIBA-SP – EDUCADOR – 2025)
A abordagem Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente (CTSA) se caracteriza
por sua perspectiva em relação à articulação do conhecimento científico e
tecnológico com as questões sociais e ambientais na prática educativa. Sobre os
princípios fundamentais dessa abordagem, é correto afirmar:
A) o movimento CTSA defende que o ensino de Ciências deve priorizar exclusivamente
os conteúdos conceituais clássicos, mantendo-se distante das questões sociais e
ambientais contemporâneas;
B) na perspectiva CTSA, o papel do educador é restringir-se à transmissão de
informações sobre Ciência e Tecnologia, sem incentivar debates ou análises críticas
das implicações sociais e ambientais;
C) segundo a CTSA, os avanços científicos e tecnológicos são neutros e não devem
ser problematizados no contexto educacional, para não gerar conflitos de opinião
entre os alunos;
D) a abordagem CTSA busca integrar conhecimentos científicos e tecnológicos com
reflexões éticas, sociais e ambientais, incentivando uma educação crítica e
transformadora voltada à cidadania;
E) o movimento CTSA sugere que as discussões sobre Ciência e Tecnologia devem
ocorrer separadamente dos temas ambientais, para evitar a complexidade e a
interdisciplinaridade no processo de ensino-aprendizagem.
Comentários
A letra A está errada. A CTSA não prioriza exclusivamente conteúdos clássicos e
tampouco ignora aspectos sociais e ambientais. Ao contrário, ela defende justamente a
integração entre ciência, sociedade e ambiente.
A letra B também está errada. A postura do educador na abordagem CTSA deve ser ativa,
reflexiva e crítica, estimulando debates sobre os impactos sociais e ambientais da ciência.
Transmitir apenas informações vai contra o caráter formativo e crítico da proposta.
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Aula 01
A letra C também está errada. A CTSA rejeita a ideia de neutralidade da ciência e da
tecnologia, reconhecendo que ambas são produzidas em contextos sociais, culturais e
políticos. Problemáticas e conflitos são elementos a serem explorados, não evitados.
Já a letra D está certa, pois a alternativa sintetiza o objetivo da abordagem CTSA: promover
uma educação crítica, conectando ciência, tecnologia e ambiente, com reflexões éticas e
sociais voltadas à cidadania.
Finalmente, a letra E está errada. Separar ciência de temas ambientais contraria o
pressuposto interdisciplinar da abordagem CTSA. A complexidade é vista como um
desafio necessário, não um obstáculo a ser evitado.
Gabarito: Letra D
==13425b==
2. (VUNESP – SEDUC-SP – PROFESSOR – 2025)
A abordagem CTSA (Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente) é uma proposta
pedagógica que visa integrar o conhecimento científico aos contextos sociais e
ambientais em que os alunos estão inseridos. Considerando essa abordagem no
ensino de Química, uma das principais vantagens pedagógicas da sua aplicação é
o fato de que ela
A) facilita a aprendizagem de conteúdos químicos ao desvinculá-los de temas
polêmicos da sociedade atual;
B) promove o entendimento conceitual de Química a partir da análise de situações
reais com implicações sociais e ambientais;
C) amplia a memorização de fórmulas químicas ao relacioná-las a modelos
matemáticos aplicados ao cotidiano escolar;
D) permite abordar os conteúdos químicos exclusivamente de forma prática, sem a
necessidade de aprofundamento teórico;
E) reforça o ensino tradicional ao priorizar a repetição e a aplicação de exercícios
estruturados.
Comentários
A letra A está incorreta. A proposta não desvincula os conteúdos de temas polêmicos, mas
justamente busca contextualizar os conhecimentos com problemas reais da sociedade.
Já a letra B está correta. A CTSA promove a aprendizagem significativa ao articular conceitos
químicos com situações concretas, explorando as implicações sociais e ambientais. Isso gera
mais sentido para o aluno e favorece o entendimento crítico.
A letra C está incorreta. A memorização de fórmulas não é prioridade. O foco da CTSA está
na compreensão contextualizada e reflexiva, não em decorar equações.
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Aula 01
A letra D está incorreta também. O ensino CTSA integra teoria e prática, e não exclui o
aprofundamento conceitual. Reduzir a Química a prática descontextualizada empobrece a
aprendizagem.
Finalmente, a letra E está incorreta. A proposta não reforça o ensino tradicional, mas sim o
transforma por meio da interdisciplinaridade, da crítica e da cidadania científica.
Gabarito: Letra B
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Aula 01
QUESTÕES COMENTADAS
1. (CEBRASPE – SEDUC-AL – PROFESSOR – 2018)
A abordagem CTS trata das inter-relações entre explicação científica,
planejamento tecnológico e solução de problemas e tomada de decisão sobre
temas práticos de importância social.
Comentários
Essa afirmação está correta. A abordagem CTS tem como foco articular o conhecimento
científico com o contexto social, ético, político e tecnológico. Valoriza a ciência como
construção humana, destacando sua relação com os problemas reais da sociedade e sua
aplicação na tomada de decisões informadas.
Gabarito: Certa
2. (CEBRASPE – SEDUC-AL – PROFESSOR – 2018)
No que tange à abordagem ciência, tecnologia e sociedade (abordagem CTS),
julgue o item seguinte.
A despeito de sua novidade relativa, a abordagem CTS parte do pressuposto da
neutralidade científica, perspectiva largamente contestada nos dias atuais.
Comentários
Esse item está errado. A abordagem CTS justamente contesta a ideia de neutralidade
científica. Ela defende que o conhecimento científico está inserido em contextos sociais,
históricos, políticos e culturais, e que, portanto, não é neutro.
O CTS critica o cientificismo e valoriza o debate sobre as implicações sociais da ciência e
da tecnologia.
Gabarito: Errada
3. (CEBRASPE – SEDUC-AL – PROFESSOR – 2018)
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Aula 01
No que tange à abordagem ciência, tecnologia e sociedade (abordagem CTS),
julgue o item seguinte.
A abordagem CTS tem por função disponibilizar as representações que permitam
ao cidadão agir, tomar decisão e compreender o que está em jogo no discurso dos
especialistas.
Comentários
Esse item está correto. Um dos objetivos centrais da abordagem CTS é promover a
alfabetização científica crítica, permitindo que os cidadãos compreendam discursos
especializados e participem ativamente de debates e decisões informadas sobre temas
científicos e tecnológicos.
Gabarito: Certa
4. (CEBRASPE – SEDUC-AL – PROFESSOR – 2018)
No que tange à abordagem ciência, tecnologia e sociedade (abordagem CTS),
julgue o item seguinte.
Os estudos sobre a abordagem CTS se desenvolveram no bojo de uma reflexão
sobre o problema do cientificismo e suas consequências para o mundo atual.
Comentários
A origem da abordagem CTS está profundamente ligada à crítica ao cientificismo — ou
seja, à crença de que apenas a ciência fornece conhecimento válido e que ela é suficiente
para resolver todos os problemas da humanidade.
O CTS propõe a ciência como uma prática contextualizada, com implicações éticas, sociais
e políticas.
Gabarito: Certa
5. (CEBRASPE – SESI-SP – ANALISTA – 2008)
Assinale a opção que não contém um aspecto que deve ser enfatizado no ensino
de ciências na abordagem CTS:
A) Ciência como um processo sócio-histórico em construção, que apresenta
potencialidades e limitações;
B) Organização da matéria em temas tecnológicos e sociais;
C) Envolvimento com problemas verdadeiros no seu contexto real;
D) Investigação, observação, experimentação, coleta de dados e descoberta como
método científico.
Comentários
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Aula 01
A letra D representa a visão tradicional da ciência escolar, focada exclusivamente no método
científico experimental. Já a abordagem CTS valoriza essa prática em conjunto com a
análise crítica do papel da ciência na sociedade.
Por isso, embora a investigação científica seja importante, não é central no CTS como a
contextualização social, ética e política dos conteúdos científicos.
Gabarito: Letra D
6. (CEBRASPE – SESI-SP – ANALISTA – 2008)
Julgue os itens a seguir, relativos às habilidades que se pretende desenvolver nos
alunos com uma proposta de ensino de ciências na abordagem CTS (ciência,
tecnologia e sociedade). ==13425b==
I Entender a ciência como forma de conhecimento verdadeiro, que possibilita
resolver os diferentes problemas da atualidade.
II Compreender de forma integrada o mundo natural, o mundo construído pelo
homem e o mundo social do dia-a-dia.
III Participar democraticamente na sociedade por meio da expressão de suas
opiniões.
IV Compreender a tecnologia como uma aplicação das diferentes formas de
conhecimento para atender as necessidades atuais.
A quantidade de itens certos é igual a
A) 1;
B) 2;
C) 3;
D) 4.
Comentários
O item I está errado. A abordagem CTS não trata a ciência como verdade absoluta, mas sim
como conhecimento construído, sujeito a críticas e revisões.
O item II está correto. A integração entre os mundos natural, tecnológico e social está no
cerne da proposta CTS.
O item III está certo também. Participação cidadã é uma das competências esperadas.
Finalmente, o item IV está certo também. CTS promove a compreensão da tecnologia como
um fenômeno que integra conhecimentos diversos, voltado à resolução de problemas
humanos.
Gabarito: Letra C
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QUESTÕES COMENTADAS
1. (AEVSF/FACAPE – PREF. AFRANIO – PROFESSOR – 2025)
A relação entre Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) tem sido um eixo
fundamental para a educação científica contemporânea. O enfoque CTS busca
desenvolver nos estudantes uma compreensão crítica sobre o impacto da ciência
e da tecnologia na sociedade, promovendo a reflexão ética e a participação
cidadã. Com base nessa perspectiva, assinale a alternativa que não representa um
princípio da abordagem CTS no ensino de Ciências:
A) Incentivar a análise crítica dos impactos ambientais, sociais e éticos das inovações
científicas e tecnológicas;
B) Valorizar a memorização de conceitos científicos e fórmulas como principal
estratégia de ensino, sem necessidade de contextualização;
C) Promover o ensino interdisciplinar, articulando conhecimentos científicos com
aspectos históricos, culturais e sociais;
D) Estimular a participação dos estudantes na tomada de decisões sobre questões
socioambientais e tecnológicas que afetam a sociedade;
E) Relacionar o conhecimento científico ao cotidiano dos estudantes, favorecendo a
compreensão da ciência como um processo dinâmico e em constante evolução.
Comentários
A letra A está correta. Essa é uma das bases da abordagem CTS: promover uma visão crítica
das consequências da ciência e da tecnologia.
Já a letra está errada. Ele não representa um princípio do CTS, pois essa abordagem rejeita
o ensino descontextualizado e mecânico. O CTS valoriza a construção de sentido e a
aplicação crítica do conhecimento, e não a simples memorização.
A letra C está correta. A interdisciplinaridade é uma característica essencial da abordagem
CTS.
A letra D está correta também. A participação cidadã e a formação para a ação social são
centrais no CTS.
Finalmente, a letra E está correta também. Essa visão crítica e contextualizada da ciência é
exatamente o que o CTS promove.
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Aula 01
Gabarito: Letra B
2. (IF SUL – IF SUL – PROFESSOR – 2025)
A abordagem Ciência-Tecnologia-Sociedade (CTS) no ensino das Ciências pode
ser entendida como o campo de ação do movimento CTS junto à educação. Esse
movimento teve suas origens na Europa e na América do Norte, em uma época de
grandes avanços científicos e tecnológicos, norteado por um modelo tradicional
que entendia a ciência e a tecnologia como entidades neutras. É correto afirmar
que o ensino das Ciências, pautado pela abordagem CTS, visa:
A) valorizar a importância da ciência e da tecnologia, de uma forma linear, como
promotoras naturais do progresso humano;
B) proporcionar o entendimento de como ocorre o desenvolvimento científico e suas
teorias, destacando a ciência como resultado de uma ação neutra e impessoal;
C) organizar os currículos escolares priorizando conhecimentos científico-tecnológicos
e a formação de futuros cientistas;
D) formar, por meio do entendimento do verdadeiro papel da ciência e da tecnologia,
um cidadão crítico, capaz de tomar decisões responsáveis frente às questões que
envolvem a ciência e a tecnologia junto à sociedade.
Comentários
A letra A está errada. A abordagem CTS rejeita a ideia de progresso linear e automático.
Ciência e tecnologia não são neutras nem sempre promovem avanços positivos; seus efeitos
devem ser analisados criticamente.
A letra B está errada também. O CTS critica a ideia de neutralidade da ciência e a trata
como uma construção social influenciada por fatores políticos, culturais e econômicos.
A letra C está incorreta também. O CTS não visa apenas formar cientistas, mas sim cidadãos
críticos, capazes de compreender e agir diante de temas científicos e tecnológicos com
responsabilidade social.
Finalmente, a letra D está correta. A formação crítica e cidadã é um dos principais objetivos
do CTS.
Gabarito: Letra D
3. (ITAME – PREF. BALIZA – PROFESSOR – 2024)
A tendência reconhecida como Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) é uma das
fontes mais conhecidas quando o assunto é a prática docente no ensino das
Ciências da Natureza. Neste prisma, acerca da CTS é correto afirmar:
A) Surgiu como proposta curricular na década de 1970 e como reflexo do agravamento
dos problemas sociais e ambientais, o que levou a um aumento de discussões críticas
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Aula 01
sobre a natureza do conhecimento científico e seu papel na sociedade. Defende-se
que a CTS deve privilegiar uma alfabetização científica que explicite um conjunto de
conhecimentos que facilitariam aos estudantes fazer uma leitura do mundo onde
vivem, de modo a oportunizar aos alunos se tornarem agentes de transformação do
mundo.
B) Surgiu como proposta curricular e didático-pedagógica a partir dos anos 2000, por
meio de um trabalho de disseminação da Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Suas bases assentam-se sob os pilares da
educação mundial: aprender a ser, aprender a aprender, aprender a viver juntos e
aprender a fazer.
C) Nascida no Brasil na década de 1970, durante a Ditadura Militar, essa tendência
didático-curricular se ocupa com o fortalecimento da formação dos estudantes com o
objetivo de utilizar os conhecimentos a fim de atender aos fins econômicos da nação.
Sua base epistemológica é a Teoria do Capital Humano (TCP) e suas ênfases são no
autodidatismo, tele-ensino, microensino, instrução programada, trilhas de
aprendizagem, itinerários formativos e ensino a distância.
D) Criada na década de 1990 por Dermeval Saviani, Paulo Freire e Adriano Nogueira,
esta é uma tendência curricular marxista que se volta para a formação ideológica que
tenta produzir novas personalidades para atuação dos indivíduos em um novo tipo de
sociedade, de caráter socialista. Enfatiza a necessidade de apropriação dos
conhecimentos sobre a produção industrial e a atividade política a fim de formar o
dominado para que domine aquilo que o dominador domina.
Comentários
A letra A está correta. Essa é uma descrição precisa da origem e dos objetivos da
abordagem CTS.
Já a letra B está errada. A CTS tem origem nos anos 1970, em países como EUA e Inglaterra,
e não está ligada diretamente à UNESCO.
A letra C está errada. Essa descrição refere-se à tendência tecnicista, não ao CTS.
O item D está errado. A CTS não é uma tendência marxista nem criada por esses autores,
apesar de dialogar com educação crítica.
Gabarito: Letra A
4. (AVANÇA-SP – PREF. RIO CLARO – PROFESSOR – 2023)
O ensino de Ciências no Brasil passou por diversas transformações ao longo do
tempo, refletindo mudanças sociais, políticas e econômicas. A visão da ciência
como neutra e isolada da sociedade tem sido questionada, dando lugar a
abordagens que buscam conectar o conhecimento científico com a realidade
social. Diante dessas mudanças, é importante compreender como o ensino de
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Aula 01
Ciências se relaciona com a formação de cidadãos conscientes e críticos em relação
à ciência e à tecnologia.
Em relação ao desenvolvimento histórico do ensino de Ciências no Brasil e à
evolução da concepção social da ciência, considere as seguintes afirmações:
A) A visão da ciência como neutra e isolada da sociedade prevaleceu até as últimas
décadas, quando movimentos como os estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade
(CTS) começaram a questionar essa perspectiva e a destacar as implicações sociais da
ciência;
B) Durante a década de 60, foram desenvolvidos projetos de ensino de Física, Química,
Biologia e Matemática para o Ensino Médio, visando formar uma elite científica capaz
de garantir a supremacia do país na "batalha" espacial;
C) A inserção do ensino de ciências nas escolas brasileiras ocorreu apenas no início do
século XX, quando o sistema educacional passou a focar mais nas línguas clássicas e
na Matemática, sem considerar a importância das ciências naturais;
D) A ditadura militar no Brasil, a partir de 1964, teve impacto positivo no ensino de
Ciências, promovendo uma reforma educacional que enfatizava a formação técnica
profissional e a vinculação com as demandas do desenvolvimento econômico do país;
E) Uma das características do ensino de Ciências nos anos 70 foi a ênfase na
preparação dos jovens para seguirem carreiras científicas, visando à formação de
cientistas capazes de solucionarem problemas práticos do dia a dia.
Comentários
A letra A está correta. O CTS surge justamente para romper com a ideia da neutralidade
científica e integrar os aspectos sociais, políticos e culturais da ciência.
B) Durante a década de 60, foram desenvolvidos projetos para formar uma elite científica
com foco em supremacia tecnológica.
Já o item B está impreciso e não dialoga com os princípios formativos mais amplos que o
CTS propõe.
A letra C está incorreta historicamente. O ensino de ciências já vinha sendo desenvolvido
antes disso.
A letra D, embora possa ser vista como verdadeira, essa afirmação não está no contexto do
CTS, que é uma crítica a esse tipo de educação tecnicista.
Finalmente, a letra E até pode descrever uma proposta pedagógica válida, mas é a letra A
que expressa com mais precisão o princípio do CTS.
Gabarito: Letra A
5. (UFG – UFR – ADMINISTRADOR – 2023)
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Leia o texto a seguir:
As tecnologias transversais, aquelas com alto potencial transformador sobre
diferentes setores produtivos, são capazes de impulsionar a inovação em vários
campos, ajudando a transformar padrões de produção, modelos de negócio e
formas de concorrência nas economias industriais avançadas.
ANDRADE, Rodrigo. As tecnologias transversais e o futuro do setor produtivo.
Disponível em: [Link]
conteudo/artigos/artigos/353-as-tecnologias-transversais-e-o-futuro-do-
setorprodutivo. Acesso em: 04 out. 2023.
Os ecossistemas de inovação contribuem com o desenvolvimento de tal tecnologia
por
A) difundir o conhecimento científico;
B) evadir o capital humano nacional;
C) ampliar as taxas de importação;
D) aumentar os investimentos públicos.
Comentários
A letra A está certa. A difusão do conhecimento científico é uma função essencial dos
ecossistemas de inovação, pois permite a troca de saberes entre instituições, empresas e
sociedade.
Já a letra B está errada, pois a evasão de cérebros (fuga de talentos) é um problema, não
uma contribuição.
A letra C está errada. O objetivo é desenvolver soluções locais e reduzir a dependência
externa.
Finalmente, a letra D está parcialmente relacionada, mas é uma consequência, não um papel
direto do ecossistema.
Gabarito: Letra A
6. (UFSCAR – UFSCAR – FÍSICO – 2023)
Leia o texto a seguir e responda à questão:
A divulgação científica em Astronomia é uma atividade complexa, já que a própria
construção do conhecimento científico envolvido é parte de uma dinâmica
complexa. Isso porque é importante considerar que o conhecimento científico não
é um processo linear e sim uma atividade humana imersa em diversos contextos
como o cultural, social, econômico, político e outros. Assim, divulgar ciência passa,
inevitavelmente, por divulgar visões sobre a ciência e o fazer científico.
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Aula 01
Sobre isso, Gil Pérez et al (2001) apresentaram um trabalho em que sintetiza
algumas “visões deformadas do trabalho científico”. As três questões a seguir
tratam da relação destas visões deformadas do fazer científico com a prática da
divulgação científica em Astronomia.
Gil Pérez et al (2001) falam também de uma "visão deformada que transmite uma
imagem descontextualizada, socialmente neutra da ciência: esquecem-se as
complexas relações entre ciência, tecnologia, sociedade (CTS) e proporciona-se
uma imagem deformada dos cientistas" (p. 133) e do próprio fazer científico, como
se estes pudessem estar isolados dos contextos em que estão imersos.
Considerando esta concepção de ciência apontada pelos autores, pode-se afirmar
que:
A) É importante reforçar a relação entre ciência, tecnologia e sociedade, a partir de
ações de divulgação da ciência, destacando sempre o papel do conhecimento
científico como precursor do desenvolvimento tecnológico;
B) Ainda que se considere os contextos em que o cientista atua, é fundamental
apresentar a ciência como um processo objetivo que se constrói independente de
concepções sociais, políticas, econômicas e outras da comunidade científica;
C) É papel do divulgador científico apresentar a ciência como uma construção humana
que recebe influências da sociedade em que está imersa, assim como a influencia
também. Da mesma forma, o conhecimento científico tanto pode preceder o avanço
tecnológico, como se construir a partir dele, reforçando assim a complexidade das
relações entre ciência, tecnologia e a sociedade;
D) É papel do divulgador científico apresentar elementos contextuais presentes no
fazer científico e reforçar que, ao longo da sua história, os desenvolvimentos científicos
levaram ao bem-estar social, já que a ciência é feita de conhecimentos neutros e
provados objetivamente;
E) É papel do divulgador científico, em suas discussões sobre o fazer científico,
apresentar, a partir do contexto histórico, personagens que se mantiveram neutros ao
desenvolver seus trabalhos, para reforçar a neutralidade da ciência.
Comentários
Na letra A, apesar de parecer correta à primeira vista, esta alternativa reforça uma visão
linear de progresso, segundo a qual a ciência gera a tecnologia que, por sua vez, gera
desenvolvimento. Essa é justamente uma das visões criticadas pelo CTS, pois ignora os
aspectos sociais, éticos e políticos da produção científica e tecnológica.
A letra B está errada, pois essa alternativa reafirma a neutralidade da ciência, o que é
explicitamente criticado pelos autores mencionados. A ciência é uma construção humana
situada, e não uma atividade puramente objetiva e autônoma.
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Já a letra C está certa. A proposta é contextualizar a ciência e mostrar suas relações com
cultura, política e sociedade. Ela incorpora: a crítica à neutralidade científica; a ideia de que
ciência e tecnologia estão em relação recíproca com a sociedade; e o papel da divulgação
científica crítica, que vai além da simples transmissão de resultados para mostrar os
processos, os conflitos, os valores e as decisões envolvidas na ciência.
A letra D está incorreta. A primeira parte parece correta ao mencionar “elementos
contextuais”. Mas a segunda parte contradiz o CTS ao afirmar que a ciência é neutra e
objetiva. Isso reforça a “visão deformada” criticada por Gil Pérez et al.
Finalmente, a letra E está errada porque essa opção consolida exatamente a visão criticada
pelos autores. O CTS combate a ideia de que cientistas estão à parte dos contextos sociais
e culturais.
Gabarito: Letra C ==13425b==
7. (FUNDATEC – IF-SC – PEDAGOGO – 2023)
Sobre a importância da abordagem Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS),
assinale a alternativa correta:
A) As inovações científicas e técnicas servem à sociedade, mas não podem desafiar a
vontade de usar.
B) Os conteúdos relacionados à ciência só podem ser subordinados em currículos com
o consentimento da comunidade científica.
C) As descobertas científicas devem ser tomadas como verdade absoluta, dado o rigor
científico dos experimentos.
D) É necessário fornecer uma linguagem em que o público possa agir, tomar decisões
e entender do que se trata o debate de especialistas.
E) Compreender a natureza da ciência é um conhecimento complexo e não
fundamental para o seu estudo.
Comentários
A letra A desconsidera o princípio crítico da abordagem CTS. No CTS, o uso das inovações
científicas e tecnológicas deve, sim, ser questionado e debatido com base em seus impactos
sociais, éticos e ambientais.
Não se trata de aceitar a inovação automaticamente, mas de avaliá-la criticamente: “servir
à sociedade” não significa obedecer cegamente ao seu uso, e sim discuti-lo coletivamente.
A letra B está errada também. Essa afirmativa reproduz uma visão tecnocrática, na qual
apenas especialistas decidem o que deve ou não ser ensinado.
O CTS valoriza o papel do cidadão, do professor e da escola como espaços de reflexão
crítica.
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Aula 01
O currículo deve estar alinhado ao contexto social e aos desafios do mundo real, e não
restrito apenas às decisões internas da comunidade científica.
A letra C está errada também, pois reforça a ideia de ciência como neutra e absoluta, o que
é justamente criticado pela abordagem CTS.
A ciência, no paradigma CTS, é entendida como provisória, histórica, construída
socialmente e sujeita a revisão. Não se trata de desacreditar a ciência, mas de compreendê-
la como processo humano e coletivo, não como verdade indiscutível.
A letra D está correta. Um dos principais objetivos da alfabetização científica no CTS é
justamente tornar o cidadão apto a compreender, debater e intervir em temas
tecnocientíficos.
Isso inclui:
- Tornar a linguagem acessível e compreensível;
- Promover participação pública nos debates sobre ciência e tecnologia;
- Superar a separação entre “especialistas que sabem” e “leigos que obedecem”.
Finalmente, a letra E está errada. Essa afirmativa contraria diretamente o CTS. Justamente
porque a ciência é complexa, é fundamental que o estudante compreenda como ela se
constrói, em que contexto e com que implicações.
Negar isso é negar o papel formativo e emancipador da ciência na educação.
Gabarito: Letra D
8. (AMEOSC – PREF. ITAPIRANGA – PROFESSOR – 2022)
No estudo de Ciências, a importância dos alunos tem seu papel, uma vez que,
como sujeitos, os mesmos estão inseridos no meio natural (âmbito científico), no
meio artificialmente construído (âmbito tecnológico) e no meio social (âmbito
social), o que, desse modo, permite que tenham condições de avaliar e participar
das decisões que interferem em seu próprio contexto.
O pensamento das Ciências em uma perspectiva cidadã é pensar além dos
conhecimentos isolados, sendo necessário articular esses conhecimentos aos
aspectos da inter-relação entre Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS). Sendo que
essa inter-relação é a base que constitui a CTS defendida por muitos pesquisadores
da área de Ciências.
Dessa forma, alguns objetivos estão correlacionados ao CTS, exceto:
A) Formar cidadãos científica e tecnologicamente alfabetizados para que sejam
capazes de tomar decisões;
B) Desenvolver o pensamento crítico e a dependência intelectual dos alunos;
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C) Discutir as implicações sociais e éticas relacionadas ao uso da Ciência-Tecnologia
(CT);
D) Desenvolver a capacidade e o interesse dos estudantes em relacionar a Ciência com
os aspectos tecnológicos e sociais.
Comentários
A letra A está certa. A alfabetização científica e tecnológica tem como foco capacitar os
estudantes para a ação cidadã, tornando-os capazes de compreender, analisar e intervir nos
debates envolvendo ciência e tecnologia.
Já a letra B está errada. O início da frase está correto: desenvolver o pensamento crítico é,
de fato, um objetivo essencial da abordagem CTS.
Porém, o final da frase — “e a dependência intelectual” — vai na contramão dos princípios
CTS. A proposta do CTS é justamente estimular a autonomia intelectual dos estudantes,
incentivando-os a pensar por si mesmos, questionar e participar ativamente da construção
do conhecimento e das decisões sociais.
A letra C está certa. Um dos focos da abordagem é problematizar as implicações éticas,
ambientais e sociais da ciência e da tecnologia, convidando os estudantes a refletirem sobre
o impacto dessas áreas em suas vidas e na sociedade como um todo.
A letra D está certa também. Esse é um dos fundamentos da abordagem CTS. O ensino de
Ciências deve ser contextualizado e promover conexões entre a Ciência, a Tecnologia e a
Sociedade, quebrando a visão fragmentada e isolada da ciência tradicional. Isso permite
que os alunos compreendam melhor o conhecimento e seu papel no mundo.
Gabarito: Letra B
9. (IF-SUL – IF-SUL – PROFESSOR – 2021)
Dentre os objetivos da educação CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade), pode-se
destacar a formação dos(as) estudantes de acordo com a nova imagem da Ciência
e da Tecnologia que emerge ao se levar em consideração seu contexto social.
Dentre as características dos programas e materiais CTS, tanto na Educação Básica,
quanto no Ensino Superior, afirma-se que:
A) enfatizam o caráter salvacionista da Ciência e da Tecnologia frente aos problemas
ambientais e sociais contemporâneos;
B) destacam o modelo linear de desenvolvimento, em que os avanços da Ciência
conduzem a mais benefícios sociais e tecnológicos;
C) proporcionam uma análise dos impactos da Ciência e da Tecnologia no bem-estar
dos indivíduos, levando em consideração fatores científicos, técnicos, éticos e
políticos;
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D) promovem a disseminação de concepções positivistas da Ciência, ressaltando a
neutralidade e a objetividade do conhecimento científico.
Comentários
A letra A está errada. A ideia de "caráter salvacionista" parte de uma visão acrítica,
tradicional e muitas vezes ideologicamente ingênua da ciência e da tecnologia — como se
elas, por si só, fossem capazes de resolver todos os problemas da sociedade.
A abordagem CTS rejeita esse discurso salvacionista, pois reconhece que as soluções
técnicas nem sempre são neutras, completas ou livres de impactos negativos. A CTS enfatiza
que as inovações devem ser debatidas em seus contextos sociais, culturais e éticos.
A letra B está também errada. O modelo linear de desenvolvimento científico-tecnológico
foi criticado nas últimas décadas por sua simplicidade e determinismo.
A abordagem CTS não adota essa visão linear, segundo a qual a ciência gera tecnologia e,
automaticamente, progresso social.
Ao contrário, o CTS propõe uma abordagem interativa e contextual, onde ciência,
tecnologia e sociedade se influenciam mutuamente.
Já a letra C está certa. Ela expressa o cerne da proposta CTS, que é avaliar a ciência e a
tecnologia como fenômenos sociais, com implicações complexas e múltiplas dimensões —
não apenas técnicas, mas também éticas, políticas e culturais.
Essa análise crítica e contextualizada visa formar cidadãos conscientes, capazes de participar
das decisões que envolvem ciência e tecnologia na sociedade.
A letra D está errada. A abordagem CTS contesta diretamente as concepções positivistas
tradicionais, segundo as quais a ciência seria neutra, objetiva e totalmente desvinculada de
valores sociais e interesses.
Para o CTS, o conhecimento científico é uma construção humana, sujeita a influências
sociais, culturais e históricas. Portanto, essa alternativa contraria os fundamentos da
abordagem.
Gabarito: Letra C
10. (IBADE – PREF. LINHARES – PROFESSOR – 2020)
"Os pressupostos do movimento CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade) têm se
ampliado em toda a sociedade e, principalmente, vêm recebendo cada vez mais
adeptos na área educacional. Esse movimento tem se manifestado desde 1970,
tendo sido base para construir currículos em vários países, em especial os de
ciências (...)". ([Link]
É uma característica do ensino de ciências sob uma abordagem CTS:
A) contribuir para a formação crítica dos indivíduos;
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B) voltar-se exclusivamente para a formação de dentistas;
C) garantir que a atividade científica seja exercida de forma neutra;
D) utilizar essencialmente o método científico como estratégia de aprendizado;
E) propiciar aos estudantes a sólida memorização de conteúdos.
Comentários
A letra A está logo correta. A principal característica do ensino baseado na abordagem CTS
é formar cidadãos críticos, capazes de compreender o papel da ciência e da tecnologia na
sociedade e tomar decisões responsáveis.
Essa formação crítica envolve problematizar os impactos sociais, ambientais, econômicos e
éticos da ciência, e incentivar a participação informada dos indivíduos nos debates públicos.
Já a letra B está errada. O ensino por CTS não é voltado à formação técnica ou profissional
de uma área específica. Ao contrário, busca uma formação geral e cidadã, voltada para
todos os estudantes, independentemente da carreira que seguirão.
A letra C está errada também. A neutralidade da ciência é explicitamente negada pela
abordagem CTS.
Ela defende que a ciência é influenciada por contextos históricos, políticos, sociais e
culturais, e que os cientistas fazem escolhas, tomam decisões e operam sob interesses.
Portanto, não existe ciência absolutamente neutra ou imparcial.
A letra D está errada. Embora o método científico possa ser utilizado, o CTS vai muito além
disso.
A simples aplicação de etapas do método (observação, hipótese, experimento etc.) não
garante reflexão crítica nem contextualização social. O CTS critica a ênfase exclusiva no
método e propõe o uso de temas controversos, dilemas éticos e análise de impactos sociais.
Finalmente, a letra E está incorreta, pois a abordagem CTS rejeita o ensino baseado apenas
na memorização.
Ela defende o desenvolvimento de competências analíticas, interpretativas e
argumentativas, ou seja, uma aprendizagem ativa e crítica, não mecânica.
O foco está em compreender a ciência no contexto em que se insere, e não apenas decorar
fórmulas ou definições.
Gabarito: Letra A
11. (IF-SC – IF-SC – PEDAGOGO – 2019)
No contexto do movimento CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade), analise as
afirmações:
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I. A educação científica e tecnológica torna-se elemento essencial do
desenvolvimento humano na medida em que privilegia as verdades científicas e
suas aplicações tecnológicas em seu processo formativo.
II. A educação científica e tecnológica deve valorizar, entre outros aspectos, a
emancipação do indivíduo, o respeito à cultura local, a sustentabilidade e a
transformação social.
III. No processo formativo, deve-se encarar a ciência como construção humana e
passível de influências sociais e políticas.
IV. A alfabetização científica visa formar sujeitos capazes de atuar de forma crítica
e reflexiva no contexto social em que estão inseridos.
V. A educação científica e tecnológica promoverá a emancipação do sujeito na
medida em que o habilite a alcançar melhores postos de trabalho, efetivando a
meritocracia na sociedade.
Assinale a opção CORRETA:
A) As afirmações I, II e III estão corretas.
B) As afirmações II, III, IV e V estão corretas.
C) As afirmações I, II, III e IV estão corretas.
D) As afirmações I, III e IV estão corretas.
E) As afirmações II, III e IV estão corretas.
Comentários
O item I está errado. Ele afirma que o processo formativo deve privilegiar as “verdades
científicas”, o que contraria a perspectiva CTS.
Para o CTS, a ciência não oferece verdades absolutas, mas sim conhecimentos construídos
historicamente, sujeitos a revisão e debate. O ensino baseado em CTS valoriza a análise
crítica e contextual da ciência, e não a sua consagração como verdade incontestável.
O item II está correto. Essa afirmativa reflete fielmente os princípios do CTS, que propõe
uma educação científica voltada à emancipação intelectual, ao respeito à diversidade
cultural e ao compromisso com a sustentabilidade e transformação social.
Esses valores ampliam a função da ciência para além da técnica, fortalecendo o papel da
escola na formação de cidadãos conscientes.
O item III está correto. Este item está totalmente alinhado ao CTS, que entende a ciência
como uma construção humana e, portanto, influenciada por fatores sociais, políticos e
culturais.
A superação da ideia de neutralidade científica é uma das bases do movimento CTS, que
defende que o conhecimento científico está sujeito a interesses, disputas e escolhas.
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O item IV está correto. A alfabetização científica crítica é um dos objetivos centrais da
abordagem CTS.
Não se trata apenas de ensinar conceitos científicos, mas de formar sujeitos capazes de
analisar, questionar e participar das decisões que envolvem ciência e tecnologia em suas
vidas e na sociedade.
Essa visão amplia a noção tradicional de ensino de ciências e o aproxima da cidadania ativa.
O item V está errado. Essa afirmativa reduz a educação científica a uma função
instrumental e meritocrática, sugerindo que sua principal utilidade é conquistar melhores
posições no mercado de trabalho.
O CTS rejeita essa visão tecnicista e defende uma formação humanística e crítica. A
emancipação do sujeito, no CTS, ocorre pela compreensão crítica da realidade, e não
apenas pela ascensão profissional.
Gabarito: Letra E
12. (QUADRIX – PREF. JATAI – PROFISSIONAL – 2019)
A respeito da abordagem Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS), assinale a
alternativa correta:
A) As inovações científico-tecnológicas estão a serviço da sociedade, que não pode,
contudo, contestar a intencionalidade de seu uso;
B) Os conteúdos referentes à ciência somente poderão ser incluídos nos currículos com
o consentimento da comunidade científica;
C) Os achados científicos devem ser considerados como verdades absolutas, dado o
rigor científico com que os experimentos são realizados;
D) A compreensão da natureza da ciência é um conhecimento complexo, não sendo
fundamental para seu estudo;
E) É necessário disponibilizar as representações que permitam ao cidadão agir, tomar
decisão e compreender o que está em jogo no discurso dos especialistas.
Comentários
A letra A está errada. O CTS defende justamente o direito da sociedade de questionar como
a ciência e a tecnologia são usadas. A participação crítica é fundamental.
A letra B está errada, pois ela reforça uma visão tecnocrática, enquanto o CTS propõe
currículos abertos ao debate social, cultural e ético.
A letra C está errada. O CTS rejeita a ideia de ciência como verdade absoluta. A ciência é
provisória, revisável e construída socialmente.
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A letra D está errada também. Compreender como a ciência funciona é essencial no CTS,
pois isso forma cidadãos críticos e conscientes.
Finalmente, a letra E está correta. Essa alternativa expressa um dos principais objetivos do
CTS: tornar o cidadão capaz de compreender e participar criticamente dos debates
tecnocientíficos.
Gabarito: Letra E
13. (IF-PR – IF-PR – PEDAGOGO – 2010)
Em relação aos estudos sobre Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS), assinale a
alternativa correta:
A) O direcionamento dado à atividade científico-tecnológica (processo) resulta de
decisões políticas;
B) Uma descoberta científica em si não é nem “boa” nem “má”; o que importa é a
forma como ela é usada;
C) A tecnologia é autônoma e independente das influências sociais;
D) A mudança tecnológica é a causa da mudança social, considerando-se que a
tecnologia define os limites do que uma sociedade pode fazer;
E) Os problemas hoje existentes e os que vierem a surgir, serão, necessariamente,
resolvidos com o desenvolvimento cada vez maior da ciência e tecnologia.
Comentários
A letra A está correta – Essa afirmativa reflete com precisão a perspectiva CTS, que entende
que as escolhas científicas e tecnológicas são influenciadas por interesses e decisões
políticas, e não são neutras ou inevitáveis.
A letra B está parcialmente correta, mas simplifica demais. O CTS também analisa quem
decide usar, com quais interesses e quais impactos isso gera – não apenas o uso em si.
A letra C está errada – O CTS rejeita totalmente essa ideia. A tecnologia é influenciada por
fatores sociais, culturais e econômicos.
A letra D está errada também. Essa é a visão determinista tecnológica, criticada pelo CTS,
que propõe uma relação recíproca entre tecnologia e sociedade.
Finalmente, a letra E está errada. O CTS questiona essa visão otimista e simplista da ciência
como solução automática dos problemas sociais.
Gabarito: Letra A
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Aula 01
LISTA DE QUESTÕES
1. (FGV – FIOCRUZ – TECNOLOGISTA – 2010)
Equipes de alguns museus e centros de ciência no mundo defendem que esses
espaços não devem discutir temas controversos da ciência.
Com relação à discussão sobre o dever dos museus de ciência em cobrir temas
controversos, analise as afirmativas a seguir:
I. Os museus de ciência da América Latina não cobrem temas controversos, visto
que isto poderia afetar a imagem da ciência local.
II. Os pressupostos do CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade) podem trazer
barreiras para uma proposta bem consolidada de educação em ciências, no
contexto da educação formal e não formal.
III. As temáticas controversas, que podem estimular uma visão crítica e uma maior
participação dos visitantes, são difíceis de explorar, mas têm potencial de suscitar
o interesse do público.
Assinale:
A) se somente a afirmativa I estiver correta.
B) se somente a afirmativa II estiver correta.
C) se somente a afirmativa III estiver correta.
D) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
E) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.
2. (FGV – FIOCRUZ – TECNOLOGISTA – 2010)
O movimento CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade) tem sido influente nos últimos
anos na educação em ciências, seja ela formal ou não formal.
Das afirmações a seguir, indique aquela que não corresponde adequadamente ao
que esta linha de pensamento defende:
A) Na abordagem educacional de conceitos científicos, eles devem ser apresentados
de forma articulada a questões tecnológicas e sociais;
B) No mundo contemporâneo, a tecnologia é um subproduto do desenvolvimento da
ciência;
C) Um dos problemas do ensino de ciências atual é a transmissão de uma visão
descontextualizada e socialmente neutra da ciência;
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D) É importante que os professores desenvolvam concepções mais realistas sobre a
relação ciência, tecnologia e sociedade;
E) Um dos objetivos essenciais da educação formal é a formação para a cidadania.
==13425b==
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GABARITO
1. C 2. B
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LISTA DE QUESTÕES
1. (VUNESP – PREF. ITATIBA-SP – EDUCADOR – 2025)
A abordagem Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente (CTSA) se caracteriza
por sua perspectiva em relação à articulação do conhecimento científico e
tecnológico com as questões sociais e ambientais na prática educativa. Sobre os
princípios fundamentais dessa abordagem, é correto afirmar:
A) o movimento CTSA defende que o ensino de Ciências deve priorizar exclusivamente
os conteúdos conceituais clássicos, mantendo-se distante das questões sociais e
ambientais contemporâneas;
B) na perspectiva CTSA, o papel do educador é restringir-se à transmissão de
informações sobre Ciência e Tecnologia, sem incentivar debates ou análises críticas
das implicações sociais e ambientais;
C) segundo a CTSA, os avanços científicos e tecnológicos são neutros e não devem
ser problematizados no contexto educacional, para não gerar conflitos de opinião
entre os alunos;
D) a abordagem CTSA busca integrar conhecimentos científicos e tecnológicos com
reflexões éticas, sociais e ambientais, incentivando uma educação crítica e
transformadora voltada à cidadania;
E) o movimento CTSA sugere que as discussões sobre Ciência e Tecnologia devem
ocorrer separadamente dos temas ambientais, para evitar a complexidade e a
interdisciplinaridade no processo de ensino-aprendizagem.
2. (VUNESP – SEDUC-SP – PROFESSOR – 2025)
A abordagem CTSA (Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente) é uma proposta
pedagógica que visa integrar o conhecimento científico aos contextos sociais e
ambientais em que os alunos estão inseridos. Considerando essa abordagem no
ensino de Química, uma das principais vantagens pedagógicas da sua aplicação é
o fato de que ela
A) facilita a aprendizagem de conteúdos químicos ao desvinculá-los de temas
polêmicos da sociedade atual;
B) promove o entendimento conceitual de Química a partir da análise de situações
reais com implicações sociais e ambientais;
C) amplia a memorização de fórmulas químicas ao relacioná-las a modelos
matemáticos aplicados ao cotidiano escolar;
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D) permite abordar os conteúdos químicos exclusivamente de forma prática, sem a
necessidade de aprofundamento teórico;
E) reforça o ensino tradicional ao priorizar a repetição e a aplicação de exercícios
estruturados.
==13425b==
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GABARITO
1. D 2. B
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LISTA DE QUESTÕES
1. (CEBRASPE – SEDUC-AL – PROFESSOR – 2018)
A abordagem CTS trata das inter-relações entre explicação científica,
planejamento tecnológico e solução de problemas e tomada de decisão sobre
temas práticos de importância social.
2. (CEBRASPE – SEDUC-AL – PROFESSOR – 2018)
No que tange à abordagem ciência, tecnologia e sociedade (abordagem CTS),
julgue o item seguinte.
A despeito de sua novidade relativa, a abordagem CTS parte do pressuposto da
neutralidade científica, perspectiva largamente contestada nos dias atuais.
3. (CEBRASPE – SEDUC-AL – PROFESSOR – 2018)
No que tange à abordagem ciência, tecnologia e sociedade (abordagem CTS),
julgue o item seguinte.
A abordagem CTS tem por função disponibilizar as representações que permitam
ao cidadão agir, tomar decisão e compreender o que está em jogo no discurso dos
especialistas.
4. (CEBRASPE – SEDUC-AL – PROFESSOR – 2018)
No que tange à abordagem ciência, tecnologia e sociedade (abordagem CTS),
julgue o item seguinte.
Os estudos sobre a abordagem CTS se desenvolveram no bojo de uma reflexão
sobre o problema do cientificismo e suas consequências para o mundo atual.
5. (CEBRASPE – SESI-SP – ANALISTA – 2008)
Assinale a opção que não contém um aspecto que deve ser enfatizado no ensino
de ciências na abordagem CTS:
A) Ciência como um processo sócio-histórico em construção, que apresenta
potencialidades e limitações;
B) Organização da matéria em temas tecnológicos e sociais;
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C) Envolvimento com problemas verdadeiros no seu contexto real;
D) Investigação, observação, experimentação, coleta de dados e descoberta como
método científico.
6. (CEBRASPE – SESI-SP – ANALISTA – 2008)
Julgue os itens a seguir, relativos às habilidades que se pretende desenvolver nos
alunos com uma proposta de ensino de ciências na abordagem CTS (ciência,
tecnologia e sociedade).
I Entender a ciência como forma de conhecimento verdadeiro, que possibilita
resolver os diferentes problemas da atualidade.
II Compreender de forma integrada o mundo natural, o mundo construído pelo
==13425b==
homem e o mundo social do dia-a-dia.
III Participar democraticamente na sociedade por meio da expressão de suas
opiniões.
IV Compreender a tecnologia como uma aplicação das diferentes formas de
conhecimento para atender as necessidades atuais.
A quantidade de itens certos é igual a
A) 1;
B) 2;
C) 3;
D) 4.
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GABARITO
1. C 3. C 5. D
2. E 4. C 6. C
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LISTA DE QUESTÕES
1. (AEVSF/FACAPE – PREF. AFRANIO – PROFESSOR – 2025)
A relação entre Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) tem sido um eixo
fundamental para a educação científica contemporânea. O enfoque CTS busca
desenvolver nos estudantes uma compreensão crítica sobre o impacto da ciência
e da tecnologia na sociedade, promovendo a reflexão ética e a participação
cidadã. Com base nessa perspectiva, assinale a alternativa que não representa um
princípio da abordagem CTS no ensino de Ciências:
A) Incentivar a análise crítica dos impactos ambientais, sociais e éticos das inovações
científicas e tecnológicas;
B) Valorizar a memorização de conceitos científicos e fórmulas como principal
estratégia de ensino, sem necessidade de contextualização;
C) Promover o ensino interdisciplinar, articulando conhecimentos científicos com
aspectos históricos, culturais e sociais;
D) Estimular a participação dos estudantes na tomada de decisões sobre questões
socioambientais e tecnológicas que afetam a sociedade;
E) Relacionar o conhecimento científico ao cotidiano dos estudantes, favorecendo a
compreensão da ciência como um processo dinâmico e em constante evolução.
2. (IF SUL – IF SUL – PROFESSOR – 2025)
A abordagem Ciência-Tecnologia-Sociedade (CTS) no ensino das Ciências pode
ser entendida como o campo de ação do movimento CTS junto à educação. Esse
movimento teve suas origens na Europa e na América do Norte, em uma época de
grandes avanços científicos e tecnológicos, norteado por um modelo tradicional
que entendia a ciência e a tecnologia como entidades neutras. É correto afirmar
que o ensino das Ciências, pautado pela abordagem CTS, visa:
A) valorizar a importância da ciência e da tecnologia, de uma forma linear, como
promotoras naturais do progresso humano;
B) proporcionar o entendimento de como ocorre o desenvolvimento científico e suas
teorias, destacando a ciência como resultado de uma ação neutra e impessoal;
C) organizar os currículos escolares priorizando conhecimentos científico-tecnológicos
e a formação de futuros cientistas;
D) formar, por meio do entendimento do verdadeiro papel da ciência e da tecnologia,
um cidadão crítico, capaz de tomar decisões responsáveis frente às questões que
envolvem a ciência e a tecnologia junto à sociedade.
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3. (ITAME – PREF. BALIZA – PROFESSOR – 2024)
A tendência reconhecida como Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) é uma das
fontes mais conhecidas quando o assunto é a prática docente no ensino das
Ciências da Natureza. Neste prisma, acerca da CTS é correto afirmar:
A) Surgiu como proposta curricular na década de 1970 e como reflexo do agravamento
dos problemas sociais e ambientais, o que levou a um aumento de discussões críticas
sobre a natureza do conhecimento científico e seu papel na sociedade. Defende-se
que a CTS deve privilegiar uma alfabetização científica que explicite um conjunto de
conhecimentos que facilitariam aos estudantes fazer uma leitura do mundo onde
vivem, de modo a oportunizar aos alunos se tornarem agentes de transformação do
mundo.
B) Surgiu como proposta curricular e didático-pedagógica a partir dos anos 2000, por
meio de um trabalho de disseminação da Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Suas bases assentam-se sob os pilares da
educação mundial: aprender a ser, aprender a aprender, aprender a viver juntos e
aprender a fazer.
C) Nascida no Brasil na década de 1970, durante a Ditadura Militar, essa tendência
didático-curricular se ocupa com o fortalecimento da formação dos estudantes com o
objetivo de utilizar os conhecimentos a fim de atender aos fins econômicos da nação.
Sua base epistemológica é a Teoria do Capital Humano (TCP) e suas ênfases são no
autodidatismo, tele-ensino, microensino, instrução programada, trilhas de
aprendizagem, itinerários formativos e ensino a distância.
D) Criada na década de 1990 por Dermeval Saviani, Paulo Freire e Adriano Nogueira,
esta é uma tendência curricular marxista que se volta para a formação ideológica que
tenta produzir novas personalidades para atuação dos indivíduos em um novo tipo de
sociedade, de caráter socialista. Enfatiza a necessidade de apropriação dos
conhecimentos sobre a produção industrial e a atividade política a fim de formar o
dominado para que domine aquilo que o dominador domina.
4. (AVANÇA-SP – PREF. RIO CLARO – PROFESSOR – 2023)
O ensino de Ciências no Brasil passou por diversas transformações ao longo do
tempo, refletindo mudanças sociais, políticas e econômicas. A visão da ciência
como neutra e isolada da sociedade tem sido questionada, dando lugar a
abordagens que buscam conectar o conhecimento científico com a realidade
social. Diante dessas mudanças, é importante compreender como o ensino de
Ciências se relaciona com a formação de cidadãos conscientes e críticos em relação
à ciência e à tecnologia.
Em relação ao desenvolvimento histórico do ensino de Ciências no Brasil e à
evolução da concepção social da ciência, considere as seguintes afirmações:
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A) A visão da ciência como neutra e isolada da sociedade prevaleceu até as últimas
décadas, quando movimentos como os estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade
(CTS) começaram a questionar essa perspectiva e a destacar as implicações sociais da
ciência;
B) Durante a década de 60, foram desenvolvidos projetos de ensino de Física, Química,
Biologia e Matemática para o Ensino Médio, visando formar uma elite científica capaz
de garantir a supremacia do país na "batalha" espacial;
C) A inserção do ensino de ciências nas escolas brasileiras ocorreu apenas no início do
século XX, quando o sistema educacional passou a focar mais nas línguas clássicas e
na Matemática, sem considerar a importância das ciências naturais;
D) A ditadura militar no Brasil, a partir de 1964, teve impacto positivo no ensino de
Ciências, promovendo uma reforma educacional que enfatizava a formação técnica
profissional e a vinculação com as demandas do desenvolvimento econômico do país;
E) Uma das características do ensino de Ciências nos anos 70 foi a ênfase na
preparação dos jovens para seguirem carreiras científicas, visando à formação de
cientistas capazes de solucionarem problemas práticos do dia a dia.
5. (UFG – UFR – ADMINISTRADOR – 2023)
Leia o texto a seguir:
As tecnologias transversais, aquelas com alto potencial transformador sobre
diferentes setores produtivos, são capazes de impulsionar a inovação em vários
campos, ajudando a transformar padrões de produção, modelos de negócio e
formas de concorrência nas economias industriais avançadas.
ANDRADE, Rodrigo. As tecnologias transversais e o futuro do setor produtivo.
Disponível em: [Link]
conteudo/artigos/artigos/353-as-tecnologias-transversais-e-o-futuro-do-
setorprodutivo. Acesso em: 04 out. 2023.
Os ecossistemas de inovação contribuem com o desenvolvimento de tal tecnologia
por
A) difundir o conhecimento científico;
B) evadir o capital humano nacional;
C) ampliar as taxas de importação;
D) aumentar os investimentos públicos.
6. (UFSCAR – UFSCAR – FÍSICO – 2023)
Leia o texto a seguir e responda à questão:
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A divulgação científica em Astronomia é uma atividade complexa, já que a própria
construção do conhecimento científico envolvido é parte de uma dinâmica
complexa. Isso porque é importante considerar que o conhecimento científico não
é um processo linear e sim uma atividade humana imersa em diversos contextos
como o cultural, social, econômico, político e outros. Assim, divulgar ciência passa,
inevitavelmente, por divulgar visões sobre a ciência e o fazer científico.
Sobre isso, Gil Pérez et al (2001) apresentaram um trabalho em que sintetiza
algumas “visões deformadas do trabalho científico”. As três questões a seguir
tratam da relação destas visões deformadas do fazer científico com a prática da
divulgação científica em Astronomia.
Gil Pérez et al (2001) falam também de uma "visão deformada que transmite uma
imagem descontextualizada, socialmente neutra da ciência: esquecem-se as
complexas relações entre ciência, tecnologia, sociedade (CTS) e proporciona-se
uma imagem deformada dos cientistas" (p. 133) e do próprio fazer científico, como
se estes pudessem estar isolados dos contextos em que estão imersos.
Considerando esta concepção de ciência apontada pelos autores, pode-se afirmar
que:
A) É importante reforçar a relação entre ciência, tecnologia e sociedade, a partir de
ações de divulgação da ciência, destacando sempre o papel do conhecimento
científico como precursor do desenvolvimento tecnológico;
B) Ainda que se considere os contextos em que o cientista atua, é fundamental
apresentar a ciência como um processo objetivo que se constrói independente de
concepções sociais, políticas, econômicas e outras da comunidade científica;
C) É papel do divulgador científico apresentar a ciência como uma construção humana
que recebe influências da sociedade em que está imersa, assim como a influencia
também. Da mesma forma, o conhecimento científico tanto pode preceder o avanço
tecnológico, como se construir a partir dele, reforçando assim a complexidade das
relações entre ciência, tecnologia e a sociedade;
D) É papel do divulgador científico apresentar elementos contextuais presentes no
fazer científico e reforçar que, ao longo da sua história, os desenvolvimentos científicos
levaram ao bem-estar social, já que a ciência é feita de conhecimentos neutros e
provados objetivamente;
E) É papel do divulgador científico, em suas discussões sobre o fazer científico,
apresentar, a partir do contexto histórico, personagens que se mantiveram neutros ao
desenvolver seus trabalhos, para reforçar a neutralidade da ciência.
7. (FUNDATEC – IF-SC – PEDAGOGO – 2023)
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Sobre a importância da abordagem Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS),
assinale a alternativa correta:
A) As inovações científicas e técnicas servem à sociedade, mas não podem desafiar a
vontade de usar.
B) Os conteúdos relacionados à ciência só podem ser subordinados em currículos com
o consentimento da comunidade científica.
C) As descobertas científicas devem ser tomadas como verdade absoluta, dado o rigor
científico dos experimentos.
D) É necessário fornecer uma linguagem em que o público possa agir, tomar decisões
e entender do que se trata o debate de especialistas.
E) Compreender a natureza da ciência é um conhecimento complexo e não
fundamental para o seu estudo.
==13425b==
8. (AMEOSC – PREF. ITAPIRANGA – PROFESSOR – 2022)
No estudo de Ciências, a importância dos alunos tem seu papel, uma vez que,
como sujeitos, os mesmos estão inseridos no meio natural (âmbito científico), no
meio artificialmente construído (âmbito tecnológico) e no meio social (âmbito
social), o que, desse modo, permite que tenham condições de avaliar e participar
das decisões que interferem em seu próprio contexto.
O pensamento das Ciências em uma perspectiva cidadã é pensar além dos
conhecimentos isolados, sendo necessário articular esses conhecimentos aos
aspectos da inter-relação entre Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS). Sendo que
essa inter-relação é a base que constitui a CTS defendida por muitos pesquisadores
da área de Ciências.
Dessa forma, alguns objetivos estão correlacionados ao CTS, exceto:
A) Formar cidadãos científica e tecnologicamente alfabetizados para que sejam
capazes de tomar decisões;
B) Desenvolver o pensamento crítico e a dependência intelectual dos alunos;
C) Discutir as implicações sociais e éticas relacionadas ao uso da Ciência-Tecnologia
(CT);
D) Desenvolver a capacidade e o interesse dos estudantes em relacionar a Ciência com
os aspectos tecnológicos e sociais.
9. (IF-SUL – IF-SUL – PROFESSOR – 2021)
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Dentre os objetivos da educação CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade), pode-se
destacar a formação dos(as) estudantes de acordo com a nova imagem da Ciência
e da Tecnologia que emerge ao se levar em consideração seu contexto social.
Dentre as características dos programas e materiais CTS, tanto na Educação Básica,
quanto no Ensino Superior, afirma-se que:
A) enfatizam o caráter salvacionista da Ciência e da Tecnologia frente aos problemas
ambientais e sociais contemporâneos;
B) destacam o modelo linear de desenvolvimento, em que os avanços da Ciência
conduzem a mais benefícios sociais e tecnológicos;
C) proporcionam uma análise dos impactos da Ciência e da Tecnologia no bem-estar
dos indivíduos, levando em consideração fatores científicos, técnicos, éticos e
políticos;
D) promovem a disseminação de concepções positivistas da Ciência, ressaltando a
neutralidade e a objetividade do conhecimento científico.
10. (IBADE – PREF. LINHARES – PROFESSOR – 2020)
"Os pressupostos do movimento CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade) têm se
ampliado em toda a sociedade e, principalmente, vêm recebendo cada vez mais
adeptos na área educacional. Esse movimento tem se manifestado desde 1970,
tendo sido base para construir currículos em vários países, em especial os de
ciências (...)". ([Link]
É uma característica do ensino de ciências sob uma abordagem CTS:
A) contribuir para a formação crítica dos indivíduos;
B) voltar-se exclusivamente para a formação de dentistas;
C) garantir que a atividade científica seja exercida de forma neutra;
D) utilizar essencialmente o método científico como estratégia de aprendizado;
E) propiciar aos estudantes a sólida memorização de conteúdos.
Comen
11. (IF-SC – IF-SC – PEDAGOGO – 2019)
No contexto do movimento CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade), analise as
afirmações:
I. A educação científica e tecnológica torna-se elemento essencial do
desenvolvimento humano na medida em que privilegia as verdades científicas e
suas aplicações tecnológicas em seu processo formativo.
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II. A educação científica e tecnológica deve valorizar, entre outros aspectos, a
emancipação do indivíduo, o respeito à cultura local, a sustentabilidade e a
transformação social.
III. No processo formativo, deve-se encarar a ciência como construção humana e
passível de influências sociais e políticas.
IV. A alfabetização científica visa formar sujeitos capazes de atuar de forma crítica
e reflexiva no contexto social em que estão inseridos.
V. A educação científica e tecnológica promoverá a emancipação do sujeito na
medida em que o habilite a alcançar melhores postos de trabalho, efetivando a
meritocracia na sociedade.
Assinale a opção CORRETA:
A) As afirmações I, II e III estão corretas.
B) As afirmações II, III, IV e V estão corretas.
C) As afirmações I, II, III e IV estão corretas.
D) As afirmações I, III e IV estão corretas.
E) As afirmações II, III e IV estão corretas.
12. (QUADRIX – PREF. JATAI – PROFISSIONAL – 2019)
A respeito da abordagem Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS), assinale a
alternativa correta:
A) As inovações científico-tecnológicas estão a serviço da sociedade, que não pode,
contudo, contestar a intencionalidade de seu uso;
B) Os conteúdos referentes à ciência somente poderão ser incluídos nos currículos com
o consentimento da comunidade científica;
C) Os achados científicos devem ser considerados como verdades absolutas, dado o
rigor científico com que os experimentos são realizados;
D) A compreensão da natureza da ciência é um conhecimento complexo, não sendo
fundamental para seu estudo;
E) É necessário disponibilizar as representações que permitam ao cidadão agir, tomar
decisão e compreender o que está em jogo no discurso dos especialistas.
Comentários
A letra A está errada. O CTS defende justamente o direito da sociedade de questionar como
a ciência e a tecnologia são usadas. A participação crítica é fundamental.
A letra B está errada, pois ela reforça uma visão tecnocrática, enquanto o CTS propõe
currículos abertos ao debate social, cultural e ético.
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A letra C está errada. O CTS rejeita a ideia de ciência como verdade absoluta. A ciência é
provisória, revisável e construída socialmente.
A letra D está errada também. Compreender como a ciência funciona é essencial no CTS,
pois isso forma cidadãos críticos e conscientes.
Finalmente, a letra E está correta. Essa alternativa expressa um dos principais objetivos do
CTS: tornar o cidadão capaz de compreender e participar criticamente dos debates
tecnocientíficos.
Gabarito: Letra E
13. (IF-PR – IF-PR – PEDAGOGO – 2010)
Em relação aos estudos sobre Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS), assinale a
alternativa correta:
A) O direcionamento dado à atividade científico-tecnológica (processo) resulta de
decisões políticas;
B) Uma descoberta científica em si não é nem “boa” nem “má”; o que importa é a
forma como ela é usada;
C) A tecnologia é autônoma e independente das influências sociais;
D) A mudança tecnológica é a causa da mudança social, considerando-se que a
tecnologia define os limites do que uma sociedade pode fazer;
E) Os problemas hoje existentes e os que vierem a surgir, serão, necessariamente,
resolvidos com o desenvolvimento cada vez maior da ciência e tecnologia.
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GABARITO
1. B 6. C 11. E
2. D 7. D 12. E
3. A 8. B 13. A
4. A 9. C
5. A 10. A
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