Marcella e o Lobo
Copyright © 2022 Jenika Show
Copyright da Tradução © 2025 Editora Five
Produção Editorial: Grupo Editorial Five
Arte de Capa: Graziela Lancellotti
Tradução: Ana Paula Formigoni Horst
Preparação e Revisão: EN Serviços Editoriais
Diagramação: Carol Dias
Ícones de diagramação: macrovector/Freepik
Nenhuma parte do conteúdo desse livro poderá ser
reproduzida em qualquer meio ou forma — impresso,
digital, áudio ou visual — sem a expressa autorização sob
penas criminais e ações civis.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares
e acontecimentos descritos são produtos da imaginação da
autora. Qualquer semelhança com nomes, datas ou
acontecimentos reais é mera coincidência.
Sumário
Início
Aviso de conteúdo
Prólogo
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 14
Capítulo 15
Capítulo 16
Capítulo 17
Capítulo 18
Capítulo 19
Epílogo
Sobre a autora
Sobre a Five
Herói monstro, mocinha humana, caçador e presa,
perseguição, mocinha cativa pelo herói monstro, primal,
degradação, mordida, diferença de tamanho, proximidade
forçada, consentimento duvidoso.
Pênis monstro, garras, presas, sangue, reprodução,
gravidez, cenas de sexo explícitas, mordidas e marcas, colar
de pérolas, sexo anal, sexo desprotegido.
Somnofilia, teratofilia, violência gráfica, sangue,
assassinato.
Eu tropecei para trás, me enroscando em meus
próprios pés enquanto a criatura se aproximava. Caí de
bunda, mas não parei de recuar, meus pulmões queimando
enquanto hiperventilava.
A criatura era parecida com um lobo, mas… não. Era
um híbrido animal/humano monstruoso que foi arrancado
dos meus malditos pesadelos.
Ele se aproximou, seu corpo curvado enquanto
andava de quatro.
Quando o tronco grosso de uma árvore me impediu
de recuar, eu queria gritar, lutar. Mas eu estava apavorada,
incapaz de me mover, esse medo frio me inundando.
Quando estava a três metros de mim, ele parou, as
sombras do anoitecer encobrindo muito dessa fera. Eu
conseguia distinguir seu corpo enorme e cabeça desumana,
e ver um rosto mais longo, focinho, dentes afiados e pelos
cobrindo toda a sua forma.
E então a coisa lentamente se levantou para ficar em
duas patas traseiras, suas panturrilhas anguladas como as
de lobos, então pareciam curvadas.
Ele se aproximou; o chão vibrando com o quão
poderosos eram seus passos. A coisa devia ter pelo menos
dois metros de altura, braços protuberantes e mãos que
mais pareciam patas com garras pretas nas pontas. Tinha
uma cauda grossa e peluda que se movia para frente e para
trás, lembrando um predador prestes a atacar.
Meu Deus… a coisa estava nua e excitada, e o que
estava pendurado entre suas pernas era enorme.
— Não — sussurrei e balancei a cabeça, estendendo
as mãos como se isso realmente a afastasse.
Eu segui meu olhar pelo peito largo e pelo rosto de
lobo.
Minha nossa.
Embora parecesse um lobo — lobisomem, minha
mente sussurrou — ele tinha uma inteligência muito clara
por trás de seus olhos escuros enquanto me observava.
— Ah, Deus. Por favor. Por favor, não me machuque
— minha voz era fina como um sussurro. Eu nem tinha
certeza se tinha falado as palavras em voz alta. — O-o que
você é? — Estava tão perto agora que tudo o que eu sentia
era esse cheiro selvagem que se agarrava a ele.
Aqui estava essa criatura primitiva me apertando,
respirando em mim… recusando-se a me dar espaço. Ela
iria me comer. Eu tinha certeza disso. Por que mais ela
estaria aqui? Que outro propósito ela teria para mim?
Não ela. Ele. Essa criatura era claramente masculina,
dado o que ele estava fazendo.
— Sou aquele que vai fazer você ser minha.
Balancei minha cabeça e ataquei, arranhando minhas
unhas ao longo de seu peito, sentindo músculos duros e
definidos por baixo. Ele foi rápido quando estalou sua pata
e a enrolou em volta do meu pulso, minha palma e dedos
tão pequenos comparados aos dele.
Senti esse instinto de sobrevivência aumentar
quando comecei a gritar e a chutar, mas eu era apenas
como um mosquito irritante comparado a ele, eu tinha
certeza.
E quando ele soltou meu pulso para agarrar meu
tornozelo, impedindo meu pé de se conectar com a coisa
enorme que ele tinha entre as pernas, eu gritei de novo.
Mas dessa vez foi com medo. Medo de gelar os ossos.
Ele se levantou e começou a me arrastar para longe
como se eu fosse um maldito saco de batatas.
Torci meu corpo, arranhando o chão, a terra cavando
sob minhas unhas. Lágrimas deixaram minha visão
embaçada, e então o mundo girou quando ele me levantou
e me jogou por cima do ombro.
Por um segundo, fiquei sem fôlego quando minha
barriga se conectou com seu ombro, e eu fiquei lá me
debatendo com seus movimentos.
E então ele ganhou velocidade, correndo, me
forçando a agarrar o pelo longo e escuro que o cobria para
me segurar, soluçando incontrolavelmente.
— Não se preocupe, fêmea. Eu vou fazer você chorar
por um motivo bem diferente em breve.
Achei que tinha me acostumado com a morte.
A dor inicial. Aquela dor horrível no centro do peito
que parecia não diminuir, não importa quanto tempo
passasse.
Mas enquanto eu os observava abaixando o caixão da
minha avó no chão… doía.
Fiquei no cemitério muito depois que todos foram
embora, sentada no chão com os joelhos puxados até o
peito e os braços em volta das pernas.
Eu era próxima da minha avó. Ela me criou quando
minha mãe não estava em condições de fazer o trabalho.
Blanchette me ensinou como andar de bicicleta e até
me ajudou a comprar meus primeiros absorventes quando
menstruei e me explicou tudo quando comecei a chorar
porque não sabia o que estava acontecendo.
Ela se sentou e conversou comigo sobre meninos, me
ensinou a dirigir e me ajudou com o dever de casa todas as
noites. E quando me formei no ensino médio, ela era a
única família que eu tinha lá, mas ela é a única que eu
queria.
Para todos os efeitos, ela era minha mãe.
E agora, aos vinte e dois anos, eu estava completa e
verdadeiramente sozinha.
Limpei uma lágrima errante que escorreu pela
minha bochecha e senti meu coração se partir
continuamente, a dor cortante dele se partindo em um
milhão de pedaços únicos.
Sempre disseram que com o tempo ficava mais fácil,
mas agora eu não conseguia nem imaginar que poderia
melhorar. Eu literalmente não tinha mais ninguém. Eu não
via minha mãe desde que ela me deixou na casa da minha
avó quando eu era apenas uma criança.
Meu pai nunca foi presente e era filho único.
Caramba, eu nem chamaria meus “amigos” mais do que
conhecidos, só os via no trabalho.
Fiquei de pé e esfreguei a grama e a sujeira da minha
bunda, olhando para minhas pernas para ver uma mancha
nas meias escuras.
Acho que era normal como as coisas estavam indo
para mim.
Meus sapatos pretos Mary Jane de segunda mão
tinham marcas de desgaste, e meu vestido, um que comprei
no brechó ontem, tinha uma mancha na lateral e a bainha
estava desfiando na parte inferior.
— Bem — eu disse a mim mesma, já que estava
sozinha, olhando para o monte de terra diante de mim —,
vou continuar pensando em todas as coisas que você
disse… “E lembre-se de que os garotos podem ser péssimos
em qualquer idade, e que só porque o sol se põe e tudo fica
escuro, ele ainda vai nascer no dia seguinte e iluminar tudo
de novo”.
Enxugando outra lágrima, eu sorri.
— E eu sempre vou lembrar de como você me
ensinou a fazer seus famosos biscoitos de chocolate,
mesmo que eu os queime todas as vezes.
Eu alisei minhas mãos no meu vestido e respirei
fundo, então exalei lentamente.
— Mas vamos ser realistas. Eu nunca vou acertar.
Não como você sempre fez. — Ri suavemente enquanto
imaginava minha avó parada na minha frente, me
repreendendo por me subestimar. Seu rosto ficava ainda
mais enrugado enquanto ela me dizia para nunca ser
negativa comigo mesma, que sempre há espaço para
melhorias e é assim que crescemos… tentando
repetidamente.
Virei-me e fui embora sem olhar para trás, porque
sabia que se o fizesse, não conseguiria me impedir de
realmente desmoronar.
Um novo capítulo da minha vida começava agora, e
eu tentaria aproveitar ao máximo. Mas sinceramente? Era
uma merda.
— Você não tem medo de fazer isso sozinha?
Uma das minhas colegas de trabalho olhou por cima
do meu ombro para o meu telefone.
Peguei um mapa da área em Ketchikan, Alasca, onde
eu ficaria.
Quando descobri que minha avó tinha me deixado
uma herança pequena, mas confortável, eu sabia que fazer
uma viagem era o que ela queria que eu fizesse. Não era
muito, mas incluía sua casa de dois quartos, o pequeno
pedaço de terra onde a casa ficava e alguns milhares de
dólares.
Chorei quando a advogada me contou, não porque
era muito ou pouco, mas porque mesmo depois que
faleceu, ela ainda queria cuidar de mim.
Minha avó estava economizando há muito tempo, já
que tinha uma renda fixa, então saber que ela estava
colocando dinheiro em uma conta para mim me fez
desmoronar bem no escritório do advogado.
Então essa viagem foi tanto para mim quanto em
memória dela.
— Por que eu teria medo? Mais de oitocentos mil
turistas por ano, só de navios de cruzeiro, visitam
Ketchikan. Eles até têm navios de cruzeiro que param ali.
Não me incomodei em mencionar o fato de que a
cabana que aluguei ficava em uma ilha. Eu teria que pegar
um barco até lá, o que seria uma viagem de meia hora, e
não haveria nenhuma civilização por quilômetros. Sem
mencionar que não havia eletricidade ou serviço de celular.
Não, Tara não precisava saber de nada disso, porque
ela já estava me encarando como se eu tivesse perdido a
cabeça querendo ir para o Alasca.
Caramba, ela provavelmente era uma daquelas
pessoas que achavam que não era nada além de tundra e
que você teria que usar roupas térmicas da cabeça aos pés
ou morreria congelado.
— Os lugares em que estou hospedada têm turistas.
— Dei de ombros. — Além disso, eu costumava fazer
muitas trilhas e acampar com minha avó.
As sobrancelhas de Tara se ergueram enquanto ela
tentava — e falhava — não arrastar o olhar para cima e
para baixo no meu corpo.
Segurei meu bufo de indignação e, em vez disso,
estreitei meus olhos porque eu sabia exatamente o que ela
estava pensando.
— Você é uma garota grande. Como você fazia
trilhas?
Esperei, silenciosamente esperando que ela dissesse
algo nesse sentido porque eu me certificaria de que seria a
última vez que ela faria isso.
O fato de eu não ser como nenhuma das mulheres
aqui com seus corpos ágeis e bronzeamento artificial não
me incomodava. Eu não controlava minhas calorias ou me
preocupava com o que um homem pensaria se me visse
nua e eu tivesse um pouco de peso extra no meu corpo.
Baixa autoestima não era um problema para mim
porque minha avó tinha me ensinado que todo corpo era
bonito. Eu era bonita, mesmo que não me encaixasse no
molde que a sociedade havia criado.
E ninguém nunca me diria o contrário, nem com
palavras nem com olhares.
Quando Tara finalmente olhou para mim e viu meu
olhar, seus ombros se afastaram e ela me deu um sorriso
açucarado.
— Eu simplesmente não conseguiria. Sem minhas
manicures semanais, Netflix e, claro, pedir delivery de
comida. — Ela empinou o nariz de uma forma muito
arrebitada. — Eu simplesmente morreria — ela agiu e soou
excessivamente dramática enquanto conduzia a conversa
de volta para um terreno “seguro”.
Eu estava ficando um pouco na defensiva sobre toda
a viagem, porque a verdade era que uma parte de mim
achava que eu era louca por ir para lá sozinha.
Mas a parte maior de mim disse que eu precisava
disso. No último mês, desde que minha avó faleceu, eu me
senti como se estivesse em uma roda de hamster. Eu
simplesmente continuei girando e girando sem um fim à
vista.
Minha rotina era exatamente a mesma. Ia para casa,
para um apartamento vazio de um quarto, acordava, ia
trabalhar, pegava comida para viagem e sentava sozinha na
minha sala de estar, olhando para a TV que passava
reprises.
Eu sentia como se minha vida estivesse se esvaindo
diante dos meus olhos e não havia nada que eu pudesse
fazer para impedir.
Pelo menos antes eu podia visitar minha avó. Nós
jantávamos juntas aos domingos ou fazíamos caminhadas
na floresta perto da casa dela. Mesmo com a idade
avançada de oitenta e cinco anos, ela ainda era muito
aventureira.
Então, sim, eu estava com medo, mas estava mais
animada porque queria me reconectar mais uma vez com a
natureza selvagem, que era algo que minha avó incutiu em
mim para apreciar e amar.
Eu também queria ficar longe de tudo e de todos que
me lembravam que eu estava completamente sozinha
agora.
— Você não poderia pelo menos ir para algum lugar
perto?
— Eu poderia. Mas é para lá que eu quero ir.
Eu tinha acampado muitas vezes enquanto crescia,
mas nunca algo tão intenso e fora do comum quanto o que
planejei no final do mês. No entanto, a excitação tomou
conta de mim.
— Eu vou ficar bem.
Com mais um olhar velado em minha direção, Tara
murmurou algo sobre ter que voltar ao trabalho e me
deixou em paz.
Olhei de volta para o meu telefone, mais uma vez
olhando para a cidade de Ketchikan onde eu ficaria,
verificando quais lojas estavam por perto e, finalmente,
abrindo o mapa que me mostrava a cabana onde eu
passaria a maior parte do meu tempo.
Encontrei um sorriso curvando meu rosto.
Pela primeira vez desde que minha avó faleceu, eu
realmente me senti… feliz. Talvez isso fosse exatamente o
que eu precisava para sair daquele buraco escuro.
Um mês depois…
Deixei a última mala que carreguei para o meu
quarto cair no chão, fechei a porta atrás de mim e olhei ao
redor do pequeno lugar que aluguei para a noite.
Eu fiquei sem fôlego de subir as escadas do deck que
levavam à entrada do meu quarto. O suor escorria pela
minha testa, e abri o zíper da minha jaqueta, joguei-a de
lado e estava me arrependendo de usar uma camada extra
por baixo.
Mas eu tinha lido quando estava pesquisando para
esta viagem que o clima no norte pode ser exigente,
especialmente ficando em uma cabana isolada na floresta.
E eu tinha certeza de que tinha me preparado até demais
com a quantidade de suprimentos que tinha trazido.
Mas, novamente, é possível estar totalmente
preparado para o meu tipo de viagem? Eu prefiro levar a
pia da cozinha inteira do que perceber que esqueci algo.
Aterrissei em Ketchikan naquela tarde e peguei uma
balsa para a cidade onde a cabana estava localizada. Por
mais cansada que eu devesse estar dos voos longos — um
do Colorado para Seattle, depois outro para Ketchikan —
eu me sentia bem energética.
Atravessei a sala de estar, passei pela cozinha e olhei
pela janela que dava para a cidade. Havia uma baía logo
abaixo e sorri ao ver uma lontra colocar a cabeça para fora
antes de continuar nadando.
Do meu ponto de vista, eu podia ver as pequenas
lojas que se alinhavam nas ruas. Havia a ponte principal ao
longe, onde dois homens mais velhos estavam pescando.
Embora fosse agosto, nesta parte do país, o tempo
estava nublado e frio o suficiente para que eu ficasse feliz
por ter trazido minhas roupas de outono. As noites seriam
mais frias, mas eu vim preparada, mesmo que carregar
toda aquela merda tivesse sido um pé no saco durante a
viagem.
O navio de cruzeiro estava no porto à distância, e
deixei meu olhar permanecer no horizonte antes de me
virar e apreciar o quarto, agradavelmente surpresa com o
quão aconchegante e confortável o espaço era.
Havia a sala de estar e a cozinha, que eram
combinadas em uma área, e o quarto de solteiro e o
banheiro ficavam no final do corredor.
Havia apenas uma entrada e saída, a porta na minha
frente levava para os fundos da casa, onde havia um deck e
uma banheira de hidromassagem. E então isso levava para
as escadas que desciam para a rua. E ao redor da cabana
havia uma floresta densa, exuberante e verde.
Fui até minha primeira mala e me agachei para abri-
la. Só tirei o que precisaria para esta noite e amanhã de
manhã porque, de qualquer forma, logo de manhã eu iria
para a cabana.
Então fui até o resto das minhas malas — três no
total — e verifiquei duas e três vezes o conteúdo antes de
fechar tudo de volta.
Uma mala sozinha continha toda a comida que eu
precisaria para o meu tempo na cabana, a outra tinha
equipamentos de acampamento como lanternas a pilha,
faroletes e um rádio. Também trouxe um chuveiro externo
para pendurar, já que não havia água encanada. Porque um
banho frio era melhor do que nada.
Disseram-me que havia panelas e frigideiras na
cabana, bem como um fogão a lenha e alguns feixes de
lenha. Mas eu não me preocuparia com o fato de nunca ter
tentado acender uma fogueira na minha vida.
Acabei levando alimentos não perecíveis comigo.
Mas para as coisas frescas como frutas e vegetais, leite e
ovos e tudo mais, planejei parar no pequeno mercado que
vi no caminho para a cabana.
Embora eu estivesse sozinha nesta viagem, trouxe
muita coisa, muito mais do que provavelmente precisava,
mas prefiro estar preparada do que ferrada.
Descansei um pouco e caminhei até a cidade, onde
havia um pequeno restaurante. Eu não era muito fã de
peixe, mas imaginei que já que estava em um lugar de
pescadores e tudo mais, por que não? Então pedi o peixe
com batatas fritas e uma taça de vinho tinto.
Depois disso, caminhei por algumas horas, olhando
as pequenas lojas de presentes. Havia muita influência
russa em muitos dos itens que encontrei, assim como peças
de arte artesanais sendo vendidas.
Fiz uma anotação mental de que quando voltasse da
cabana em cinco dias, compraria meus souvenirs.
Depois de vagar um pouco e parar no navio de
cruzeiro que estava atracado, fui até o supermercado e
comecei a andar pelos corredores. Só peguei comida
suficiente para caber na cesta. Mas peguei duas garrafas de
vinho, porque… oras, é vinho.
Não estava com pressa de voltar para a cabana.
Embora eu estivesse exausta e meus pés doessem de toda a
caminhada que fiz hoje — não apenas desde que cheguei
em Ketchikan, mas também durante a viagem — eu
aproveitei o ambiente tranquilo.
Tudo aqui era tão tranquilo, calmo e limpo. Sem
poluição, sem carros buzinando, sem pessoas gritando
umas com as outras. Não havia caos, algo com que eu lidava
diariamente vivendo em uma área superpovoada.
Atravessei a ponte principal da cidade e vi dois
homens idosos encostados na grade com varas de pescar
nas mãos. Eles estavam discutindo um com o outro sobre o
clima, um dizendo que estava perfeito para pescar, o outro
reclamando que estava frio demais para eles morderem.
Passei por uma mulher que caminhava calmamente,
seu bebê enrolado contra o peito enquanto carregava uma
sacola de compras em cada mão.
Talvez um dia, quando eu não tivesse contas para me
preocupar, quando me sentisse mais estável na minha vida,
seria quando eu poderia fazer deste lugar meu lar.
Porque pela primeira vez em muito tempo, eu
realmente senti que pertencia a algum lugar.
Agarrei ambos os lados do pequeno barco, minhas
unhas cravando no metal gelado enquanto eu era levada
para a cabana isolada.
Eu tinha certeza de que o barco não era feito para
águas agitadas do oceano como esta, mas quando expressei
minhas preocupações a Harmond, o senhor mais velho que
estava me levando, ele apenas resmungou que estava tudo
bem e deixou por isso mesmo.
Claro, o dia em que fiz esta viagem foi um dia de
merda com chuva gelada que parecia pequenas agulhas ao
entrar em contato com minha pele nua.
As águas estavam quase violentas, e o barco estava
no meio do nada, quicando agressivamente. Eu estava a
dois segundos de ter que me inclinar sobre a borda e
vomitar meu café da manhã.
A capa de chuva que eu usava me manteve quase
seca, mas não evitou o frio gelado que mesmo em agosto
parecia me cercar.
Minhas três grandes bolsas impermeáveis estavam
no interior do barco, a chuva batendo no revestimento
emborrachado que as cobria.
Uma onda de náusea surgiu em mim enquanto
passávamos por uma grande crista, o barco balançando
para cima e para baixo com tanta força que minha bunda
doía.
Comecei a tremer, meus dentes batendo enquanto o
vento e a chuva chicoteavam ao meu redor. Meus dedos
estavam dormentes porque eu não tinha soltado as laterais
do barco desde que me sentei.
Olhei para Harmond. Ele tinha uma carranca
perpétua no rosto, mas eu tinha certeza de que esse era o
normal dele.
Linhas e sulcos profundos marcavam seu rosto, ele
tinha bigodes brancos por toda a bochecha e queixo,
faltavam alguns dentes e, embora eu soubesse que ele não
estava fumando agora devido à chuva, ele mantinha o
cachimbo preso no canto da boca.
Quando o encontrei no cais, ele estava usando uma
capa de chuva amarela suja e surrada, botas de borracha
pretas e, claro, aquele cachimbo que tinha fumaça saindo
dele. Ele me ofereceu um colete salva-vidas, ordenou que
eu o colocasse e depois fez o mesmo.
Estávamos viajando por meia hora antes que ele
finalmente reconhecesse minha presença. Ele levantou o
queixo e grunhiu, a chuva batendo em seu rosto.
— O quê? — gritei para ser ouvido acima do motor
do barco.
Harmond grunhiu novamente e apontou para trás de
mim.
Olhei por cima do ombro e apertei os olhos através
do ambiente cinza para ver a pequena cabana ficando mais
em foco quanto mais perto chegávamos. E quando
estávamos a cerca de três metros do cais… a porra da
chuva parou.
É claro, eu disse silenciosamente para o céu
enquanto ele manobrava o barco, amarrava-o no poste de
madeira do cais e então subia.
Olhei para ele, depois para a ilha, que ainda estava
bem longe de onde atracamos.
O cais balançava enquanto ele se movia nele, a
largura era de apenas um metro e vinte quando ele
começou a puxar minhas malas para fora.
Fiquei um pouco confusa por que não estávamos
indo direto para a ilha quando avistei um barco ao lado.
— Não consigo me aproximar mais — ele
resmungou, como se ouvisse meus pensamentos. — O
barco vai ficar preso.
Eu não sabia nada sobre barcos ou vela ou qualquer
coisa assim, mas o outro barco tinha metade do tamanho
do barco em que estávamos no momento, e eu podia ver a
praia rochosa e quão rasa era a água ao redor da ilha.
Harmond não disse nada enquanto pegava uma das
minhas malas e a transferia para o barco. Ele gesticulou
para que eu avançasse, e eu subi cambaleante no cais.
A plataforma balançava para cima e para baixo com a
corrente e eu alcancei o corrimão, sentindo os músculos da
minha coxa tensos enquanto tentava manter o equilíbrio.
Ele subiu no segundo barco e eu sentei ao lado das minhas
malas e na sua frente. E então ele nos levou para a praia.
Descobri que ele era um homem de poucas palavras,
mas conseguiu passar seu ponto de vista por meio de suas
expressões e grunhidos.
Quando chegamos à praia, eu saí e peguei minhas
malas. Ele já estava jogando as malas no cais antes mesmo
de eu colocá-las no chão.
— Segunda-feira às oito da manhã — ele resmungou,
me lembrando de quando ele me pegaria para voltar para
Ketchikan.
— Ok. Obrigada, Harmond.
Ele já estava remando para longe antes que eu
terminasse de dizer seu nome, e eu levantei minha mão
para acenar adeus, apesar de ele já ter virado suas costas
para mim.
Fiquei lá até não poder mais vê-lo, quando a névoa
pareceu rolar pelo oceano e obscurecer qualquer coisa a
mais de cento e vinte pés da ilha.
Então continuei ali parada enquanto olhava ao redor.
Havia outra ilha menor bem em frente à onde eu estava, e
outro esquife que estava virado e caído a alguns metros do
meu lado.
Atrás de mim estava a cabana com um conjunto de
escadas que levavam ao pequeno convés.
Eu conseguia ver um estreito caminho de madeira
que envolvia a lateral da cabana e desaparecia na parte de
trás.
Não havia muitas fotos online quando reservei este
lugar, e basicamente mostrava apenas o exterior da cabana
de caça e a natureza selvagem ao redor da propriedade.
Eu carreguei duas malas até a cabana e as coloquei
no chão para poder digitar o código da fechadura e abrir a
porta.
Entrei e imediatamente o cheiro de velho, espaço
não utilizado, poeira e um toque de mofo encheu meu
nariz. À minha esquerda havia uma pequena cozinha e uma
mesa de madeira para duas pessoas.
À minha direita estava o que eu presumi que deveria
ser a sala de estar, com um sofá de dois lugares de
patchwork ultrapassado e uma pequena mesa de centro na
frente que continha algumas revistas que pareciam ter sido
impressas vinte anos antes.
E o quarto ficava na minha frente.
O banheiro ficava do lado de fora. O que significa que
não passava de uma latrina.
Normalmente, a falta de água encanada ou
eletricidade poderia me desencorajar, mas eu estava em
um lugar na minha vida agora em que não ter nada além de
um teto sobre minha cabeça e ninguém mais por perto era
a fuga de que eu precisava.
Isso era como acampar, ao que eu estava mais do que
acostumada.
Saí rapidamente e peguei minha terceira mala,
levando-a para dentro. Fechei a porta da frente e olhei para
o quarto solitário, a porta parcialmente aberta para que eu
pudesse ver o que parecia ser um beliche sem colchões.
A única janela do quarto parecia embaçada, o vidro
velho. Usei a manga da minha capa de chuva, ainda
molhada do tempo, e a movi ao longo do vidro, esfregando
um pouco da sujeira para poder ver um pouco mais do lado
de fora.
Eu podia ver a latrina diretamente em frente à janela
do quarto e franzi o nariz.
Nada como olhar para fora e ver onde alguém se
alivia para começar o dia.
Saí do quarto e comecei a vasculhar minhas malas,
colocando a comida na mesa, o fogão portátil e os
recipientes de propano que comprei na cidade no balcão e
colocando o resto dos meus “eletrônicos” na mesa.
Levei minhas roupas e equipamentos de dormir para
o quarto e voltei para a cozinha para colocar minha escova
de dentes e qualquer tipo de item de banho na pia.
Como eu ainda estava com meu equipamento
externo e a chuva tinha parado, montei o chuveiro externo
e dei uma volta pela cabana.
Depois de encher a bolsa com água no grande
recipiente plástico para coleta de chuva — algo que eu
estava grato pelos locatários terem incluído na descrição
de “comodidades” — eu a pendurei e caminhei ao longo do
caminho de madeira que corria o perímetro da cabana.
Por causa do clima recente, a floresta parecia mais
uma floresta tropical, com água pingando das folhas e o
cheiro de terra e umidade enchendo o ar.
O caminho só se alinhava na parte de trás e nas
laterais da cabana. A latrina ficava logo atrás dela, e havia
algumas trilhas artificiais que levavam para a floresta.
Voltando para a frente e em direção à costa, caminhei
pela linha d’água e ouvi o som do suave bater das ondas.
Havia caracóis presos nas pedras e peixes criando
ondulações enquanto saltavam acima da água antes de
mergulhar de volta no oceano. Quando chutei uma pedra,
pulei para trás, observando um caranguejo correndo para
longe, sua casa sendo perturbada.
Amanhã eu pegaria o barco para a ilha e exploraria
um pouco.
Depois de voltar para dentro, desempacotei meu
bloco de desenho e sentei-me à mesa. Apesar de não ter
sinal, ainda peguei meu celular e coloquei uma música.
E então, pela próxima hora, sentei e desenhei, e
encontrei uma paz que não sentia há muito tempo.
Comecei a esboçar o rosto da minha avó, depois
adicionei detalhes de flores. Desenhei jacintos para a
estrutura e glicínias atrás do perfil dela.
Quando minha mão ficou tensa, desliguei meu
telefone e coloquei o lápis de lado, percebendo que não
ouvia absolutamente… nada.
Foi a primeira vez na minha vida em que não havia o
som dos vizinhos no corredor gritando uns com os outros,
ou buzinas tocando do lado de fora da minha janela.
Inalei profundamente, sem sentir o cheiro de
escapamento de carro ou poluição ou alguém queimando
algo no fogão ao lado. Claro, havia um cheiro de mofo na
cabana, mas eu preferiria isso a todos os aromas poluídos
aos quais estava acostumado em casa.
Descansei e fechei os olhos, pensando pela centésima
vez desde que cheguei ontem que eu queria viver aqui,
apenas me enterrar profundamente, aninhada longe de
todos, e fingir que nada mais existia.
Ao longe ouvi um som de algo ser arranhado.
Puxei meu saco de dormir até o queixo enquanto
olhava fixamente para a janela do quarto. Eu estava
ouvindo aquele som pelos últimos dez minutos.
Havia algo do lado de fora da cabana, algo grande
andando pelo perímetro, suas unhas raspando a madeira.
Minha mente disse que provavelmente era um urso,
que eu sabia que havia muitos nesta parte do mundo antes
de fazer a viagem. Mas uma parte de mim claramente foi
ingênua em pensar que nunca encontraria um.
Os passos eram pesados, parando intermitentemente
como se o animal estivesse verificando algo antes de
continuar. E então eu o ouvi se aproximando.
Ouvi o som de novo.
Eu me afastei do saco de dormir com força. Eu tinha
comprado um spray repelente de ursos na cidade, não
tinha certeza se funcionaria, mas eu estava tão cansada
quando fui dormir ontem à noite que esqueci
completamente de pegá-lo e mantê-lo por perto.
Nenhuma quantidade de vídeos que eu assisti online
sobre tomar precauções e estar segura nesta viagem
poderia me preparar para vivê-la.
E então o tum-tum, tum-tum de seus passos se
aproximou antes que uma sombra enorme passasse pela
janela do quarto.
Ah, merda. Ah, merda. Ah, merda, merda, merda.
Prendi a respiração, puxei o saco de dormir para
cima de modo que cobrisse completamente meu rosto e
apenas meus olhos estivessem visíveis, e olhei pela janela
do quarto.
Aquele painel de vidro não manteria nada do lado de
fora, especialmente um grande urso do Alasca. Ele podia
ouvir meu coração disparado? Ah, Deus, os predadores não
conseguem sentir o cheiro do medo de suas presas?
Apertei meus olhos quando ouvi a grande fera do
lado de fora da janela, mas não se aproximando o suficiente
para que eu pudesse distinguir alguma coisa. Estava muito
escuro, as sombras muito espessas.
Eu sabia que dormir definitivamente não era uma
opção esta noite.
Eu estava de mau humor e me sentia uma merda
quando saí do quarto e fui direto para a cozinha.
O interior estava frio como o inferno com a geada da
manhã cobrindo o lado de fora das janelas. A noite passada
foi um fracasso épico de tentativa e erro para acender o
fogão a lenha; mas depois de muitas tentativas, finalmente
consegui fazê-lo funcionar.
Peguei alguns pedaços de madeira cortada e comecei
a trabalhar, acendendo outro fogo para aquecer o lugar.
Assim que ele acendeu, sentei-me na frente dele e enrolei
meu saco de dormir completamente em volta de mim.
Fiquei repensando seriamente toda essa viagem.
Depois do incidente do urso na noite passada, percebi que
posso ter tomado uma decisão impulsiva sobre vir aqui
sem pensar direito.
Eu não tinha como me comunicar com ninguém se
precisasse de ajuda, e ninguém saberia se algo acontecesse
comigo até que Harmond viesse me buscar.
Mas apesar de me preocupar com tudo isso, o medo
que senti na noite passada e as reservas sobre o que eu
realmente estava pensando sobre vir aqui, eu estava
determinada a fazer desta a melhor experiência possível.
Depois de me aquecer, fiz café no fogão e sentei em
frente ao fogo, segurando a caneca de alumínio preta e
branca salpicada entre as mãos.
Voltar a dormir depois de ouvir o urso lá fora tinha
sido impossível. Na verdade, agora eu estava com sérias
reservas sobre pisar lá fora, mesmo que fosse dia, e eu
tinha certeza de que ele já estaria dormindo.
Mas eu não podia ficar na cabana durante toda a
minha viagem, e eu não queria ser uma prisioneira
enquanto estivesse aqui, então tomei um café da manhã
rápido. Eu me vesti, vesti meu casaco vermelho com capuz
e então abri a porta da frente hesitantemente.
Coloquei minha cabeça para fora, mas não vi nada
destruído, e quando o silêncio me cumprimentou, eu me
senti um pouco mais corajosa e saí.
Como ainda era cedo, a temperatura estava bem fria,
então fechei o zíper da minha jaqueta e coloquei as mãos
nos bolsos, saindo do deck e contornando a cabana.
Mais uma vez, parei e escutei, mas não ouvi nada,
então dei os dois passos necessários para chegar ao
caminho e atravessei a plataforma. Devagar.
Olhando ao redor da cabana, onde ficava a janela do
quarto e onde ouvi o urso mais ativo, uma parte de mim
esperava ver uma grande fera peluda ali, mas estava vazia.
Eu exalei de alívio, mas senti minhas sobrancelhas se
abaixarem um pouco conforme minha confusão
aumentava. Chegando mais perto da janela, agachei-me,
estendendo a mão e deixando meus dedos percorrerem os
sulcos profundos que estavam gravados na madeira.
Eles eram grandes, profundos e somente algo com
garras afiadas poderia criar.
Um arrepio percorreu meu corpo que não tinha nada
a ver com a temperatura, e eu fiquei de pé, mantendo a
cabana nas minhas costas enquanto olhava para a floresta.
Eu estava prestes a voltar para dentro quando vi uma
trilha que certamente não era feita pelo homem. A
folhagem estava achatada, como se algo enorme tivesse
passado por ela.
Meu Deus, essa foi uma péssima ideia.
Sim, não teria como eu explorar hoje.
Fiquei perto da cabana, me aventurando apenas até a
costa na frente. E conforme o dia avançava e não havia
sinais de ursos, me senti mais à vontade.
Andei pela costa, vi focas à distância enquanto elas
colocavam suas cabeças para cima antes de mergulharem
de volta.
Fiquei perto da cabana enquanto olhava para toda a
vida selvagem e flora. Havia tantos tipos de cogumelos e
fungos, e eu fui estúpida o suficiente para tocar em um, o
que resultou em meus dedos queimando depois.
Nota para mim mesma, mantenha suas mãos para si
mesma.
Vi mexilhões espalhados ao longo da borda da água,
suas conchas pretas brilhantes e aglomeradas em cachos.
Quando terminei de explorar, sentei-me em frente à
fogueira e li por um tempo. Quanto mais as horas
passavam, mais frio o ar ficava, então abotoei meu casaco e
me aninhei um pouco mais nele, ainda não totalmente
pronta para entrar e encerrar a noite. Fiquei olhando para
o horizonte, observando o sol se pôr, o céu ficando com
lindos tons de azul e laranja, rosa e amarelo.
Fiquei fora apenas o tempo suficiente para que o sol
quase desaparecesse na distância antes de eu me levantar
e finalmente entrar. Embora eu me sentisse confortável e
segura o suficiente conforme o dia avançava, a última coisa
que eu queria era estar do lado de fora ao anoitecer.
E quanto mais tarde ficava, mais minha ansiedade
aumentava. Lembrei-me do urso do lado de fora da janela.
E por causa dos meus nervos, terminei metade de uma
garrafa de vinho. E quer saber? A ansiedade desapareceu.
Preparei um jantar para mim, sentei-me na pequena
cadeira da sala de jantar e usei o rádio a pilha que eu tinha
trazido para ouvir música. Imaginei que eu poderia muito
bem usá-lo e não drenar a bateria do meu celular, mesmo
que não tivesse sinal.
Eu tinha algumas lanternas acesas, uma na mesa e
outra perto do sofá. Havia bastante iluminação, visto que a
cabana era pequena.
Eu estava no meio do meu livro; a cena ficou
especialmente picante quando ouvi o que claramente eram
dois animais brigando do lado de fora da cabana.
Conhecendo a natureza selvagem o suficiente por
acampar com minha avó, eu sabia que soavam como dois
guaxinins. Aqueles pequenos filhos da puta selvagens e
loucos podiam ficar irritados quando estavam brigando
por uma migalha de comida.
Eles só continuaram por mais alguns segundos e
depois que o silêncio caiu, voltei para o meu livro.
Eu os ouvi correndo pela varanda ao redor da casa,
suas pequenas unhas raspando nas tábuas de madeira.
Eu podia ouvi-los correr para a floresta, a folhagem
sendo perturbada em sua pressa de escapar. Eu me inclinei
para trás na cadeira para terminar minha refeição quando
senti os cabelos da minha nuca se arrepiarem.
Como se meu corpo estivesse funcionando
automaticamente, levantei minha mão e esfreguei minha
nuca, olhando ao redor em busca da fonte que me deixou
tão desconfortável de repente.
Mas eu estava sozinha na cabana. E quanto mais eu
ficava sentada lá, meus músculos tensos, mais eu percebia
que estava deixando tudo isso me afetar. Eu estava me
aterrorizando por nada.
Claro, tinha um urso enorme do lado de fora da
cabana ontem à noite, mas não era incomum. Eu esperava
isso quando cheguei ao Alasca. Eu simplesmente não
conseguia me livrar dessa estranha sensação de que havia
algo… mais.
E eu não sabia exatamente o que era.
Terminei de comer e li outro capítulo do meu livro, e
então me preparei para dormir.
Tomei banho e lavei meu cabelo antes de sair de
Ketchikan, mas amanhã eu enfrentaria o chuveiro ao ar
livre, assim como talvez pegaria o esquife para a outra ilha.
Quando me acomodei no beliche de baixo, levei o
saco de dormir até o queixo e fiquei ali olhando para a
estrutura de madeira do beliche de cima. Não achei que
conseguiria dormir apesar de estar exausta.
Tudo o que eu conseguia pensar era no urso do lado
de fora da cabana e ele voltando.
Concentrando-me naquela janela solitária
novamente, senti meu corpo relaxar por conta própria
quanto mais o silêncio se estendia. Talvez o sono não fosse
tão ilusório esta noite.
Beber aquele vinho não foi uma ideia tão ruim,
afinal.
Eu podia sentir o cheiro dela. Tão doce. Tão minha.
Eu podia ouvir sua respiração, regular e lenta. Ela
estava em sono profundo. E foi por isso que me aproximei,
foi por isso que invadi.
Embora eu não me importasse muito se minha fêmea
sabia o que eu estava fazendo, eu não queria assustá-la. Se
ela me visse, ficaria apavorada.
Ela fugiria de mim.
E por mais que eu quisesse que ela fizesse isso, por
mais que eu quisesse persegui-la, prendê-la no chão da
floresta e me esfregar entre suas coxas como a besta
nojenta que eu era, eu a queria correndo porque ela sabia o
quanto isso me excitava e ela estava desesperada para me
agradar.
Quebrar a fechadura da porta foi fácil, tão fácil
quanto quebrar os ossos de um coelho que eu pretendia
comer.
As engenhocas humanas não passavam de
ferramentas frágeis que eles achavam que poderiam
manter os pesadelos longe.
Meu corpo era muito grande e largo para passar pela
entrada, e eu tive que torcer e mover meus ombros para
passar.
A cabana cheirava a coisa antiga e almíscar, como
machos humanos que tinham vindo e ido deste lugar.
Rosnei ao pensar na minha fêmea perto de outro macho.
Eu rasgaria suas gargantas por sequer pensar nela.
Mas por baixo daquele fedor antigo estava o doce
cheiro dela.
Inalei profundamente, sentindo o desejo se instalar
bem no meu pau, o comprimento pesado endurecendo.
Segui o cheiro dela e entrei no pequeno recinto onde ela
dormia profundamente. E por longos momentos eu apenas
a observei, minha boca salivando por um gosto, saliva
pingando de minhas presas e mandíbula porque ela me
deixou faminto.
Olhei ao redor do pequeno cômodo, notando uma
grande bolsa no chão. Eu me movi em direção a ela, o
baque pesado dos meus pés e o raspar das minhas garras
no chão de madeira alto o suficiente para que eu esperasse
que ela acordasse disso. Mas minha fêmea continuou
dormindo.
Agachei-me sobre meus quadris e enrolei a ponta de
uma garra preta em volta do pequeno gancho de metal que
o mantinha selado, puxando-o para revelar seu conteúdo.
Coloquei a mão lá dentro e peguei o primeiro item que
toquei, um pedaço macio de tecido que cheirava
sedutoramente, como minha fêmea.
Girando lentamente minha cabeça de volta para onde
ela dormia, levei a peça ao meu focinho e inalei
profundamente, o cheiro de sua boceta era fraco no
algodão.
Senti meu pau ficar totalmente ereto, uma gota de
sêmen revestindo a ponta.
Quando me levantei, ainda segurava o pedaço de
tecido, imaginando o material cobrindo sua boceta.
Minha boca encheu de água, e me aproximei dela,
fechando minha pata ainda mais forte em volta do material
por um segundo antes de deixar a peça cair no chão.
Vi a mesma peça de metal sob as cobertas e estendi a
mão para puxá-la para baixo, como fiz com a bolsa. O
material se desfazendo deixou o predador em mim cada
vez mais ansioso.
E quando puxei a parte de cima para longe dela, fui
presenteado com a visão de seu corpo exuberante.
— Uhmm — rosnei, sem me importar com o quão
alto foi o som.
Ela estava coberta do tornozelo ao peito, mas eu
ainda conseguia ver seu corpo curvilíneo enquanto suas
roupas se ajustavam a toda aquela perfeição feminina.
Suas coxas eram boas e grossas, e tudo o que eu
conseguia fazer era imaginar que a fêmea que era minha
precisaria de carne em seus ossos para lidar com a foda
primitiva que eu daria a ela. Eu não poderia ter uma
companheira que fosse só pele e osso, não com o quão
grande e forte eu era. Eu a quebraria ao meio.
Sua barriga era cheia e arredondada, e seus quadris
largos — de modo que tudo que eu conseguia imaginar era
agarrá-los enquanto a forçava a tomar meu pau gigante.
Meu eixo estava duro, o nó grosso no centro
crescendo enquanto eu imaginava todas as coisas sujas que
faria com ela quando a tivesse em meu covil.
Agarrando meu eixo, apertei em torno da
circunferência inchada. O nó era uma parte primitiva da
minha anatomia que se prenderia dentro dela para que eu
pudesse enchê-la com meu esperma. Isso garantiria que
nenhuma gota fosse desperdiçada.
Eu não conseguia deixar de imaginar seu pequeno
corpo sob o meu enquanto eu bombeava para dentro e
para fora antes de finalmente sentir suas paredes se
fechando ao meu redor enquanto ela chegava ao seu
orgasmo. Ela era muito menor do que eu, como um
passarinho.
Gemi com a visão que minha mente conjurou de sua
boceta apertando. Isso é o que me levaria ao limite e ao
meu próprio êxtase carnal.
Bombeei minha pata mais rápido e mais forte. Cada
músculo do meu corpo estava tenso, e tive que abrir um
pouco minha boca para respirar melhor.
Segurar meu rosnado de prazer era uma tortura, e
por mais que eu a quisesse acordada para que ela pudesse
me ver me dando prazer na sua frente, me masturbar ao
vê-la dormindo era uma excitação que eu não negaria a
mim mesmo.
Minhas bolas grandes e peludas apertaram com o
orgasmo iminente, e eu mantive meu corpo curvado
enquanto agarrava a estrutura de madeira acima de mim
com minha outra pata. Minhas garras cravaram na madeira
e eu sibilei através de minhas presas.
O slap slap slap da minha pata se movendo
rapidamente sobre meu eixo texturizado era
obscenamente alto, o que só alimentou minha necessidade
de gozar ainda mais.
E quando ela expirou suavemente e virou o rosto
para mim, eu não consegui segurar meu ronronar de
prazer.
Senti as cristas que revestiam meu pau se tornarem
mais pronunciadas conforme meu prazer aumentava. Senti
a coroa inchar e olhei para baixo para ver uma gota espessa
e branca de esperma escorrer da fenda na ponta.
Com meu foco de volta, abaixando meu olhar para
seus seios fartos e observando enquanto seus mamilos
perfuravam o material, me levando ao limite.
Gozei, sentindo jato após jato de sêmen branco
leitoso jorrar do meu pau e cobrir seus seios cobertos de
algodão. Posicionei meu pau para poder marcar sua
barriga cheia e coxas grossas, precisando que ela fosse
coberta pelo meu esperma para que ela cheirasse apenas a
mim.
Um rosnado retumbou de mim. Foi baixo e profundo,
mas não alto o suficiente para que ela acordasse. Cravei
minhas garras ainda mais fundo no corrimão de sua
plataforma de dormir, raspando-as lentamente para que
deixassem sulcos profundos.
O prazer era infinito, mas não se tratava de gozar,
mesmo que parecesse incrível. Tratava-se de marcar a
fêmea que eu considerava minha.
O objetivo era fazer com que ela cheirasse a mim,
para que todos os outros predadores soubessem que eu a
reclamei e, se chegassem perto dela, eu arrancaria suas
gargantas.
Apertei minha pata em volta da coroa do meu pau,
tirando outra gota de sêmen e me inclinando para que uma
linha grossa de esperma escorresse da ponta e cobrisse sua
boca. Por um segundo, aquela única corda de esperma nos
conectou.
Ah, ela era perfeita com minha semente pintando-a, e
ainda mais bonita quando estendi minha pata enorme e
passei um dedo sobre sua boca, espalhando-o em seus
lábios carnudos.
Inclinei-me, seu corpo curvilíneo muito menor do
que minha forma bestial. Ela era tão macia, toda aquela
pele lisa e curvas nos lugares certos.
Sua respiração exalava ao longo do pelo do meu
pescoço, cheirando a frutas fermentadas. Minha boca
encheu de água para ver se ela tinha o mesmo gosto doce.
Deslizei a ponta do meu focinho ao longo de sua
bochecha, cheirando-a, meu pau endurecendo novamente.
Tão perfeita…
Não me neguei enquanto deixava minha língua se
mover ao longo do lado de seu rosto, saboreando minha
pequena fêmea humana. Não havia mais espera. Era hora
de finalmente fazê-la minha.
Muito vinho.
Esse foi o primeiro pensamento na minha cabeça
quando acordei e dei um gemido grogue, uma batida já
presente atrás dos meus olhos. Na verdade, foi isso que me
acordou.
Eu rolei e me aninhei mais embaixo do saco de
dormir, o frio da manhã no ar como uma mordida na minha
pele exposta.
Mas quando me mexi, minhas roupas puxaram
minha pele, me arranhando desconfortavelmente. E então
houve o repuxo ao redor da minha boca, como se algo
tivesse secado nela.
Senti minhas sobrancelhas baixarem em confusão
enquanto abria o zíper do saco de dormir e puxava a parte
de cima, olhando para o meu corpo.
A princípio não vi nada, mas após uma inspeção mais
detalhada, pude ver que partes da minha blusa e da minha
parte de baixo térmicas tinham algum tipo de substância
seca. Estendi a mão e peguei, o material estava duro.
Passei os dedos pela minha boca, sentindo alguma
substância cobrindo-a.
— Mas que diabos? — Passei a unha em um ponto da
minha blusa térmica, a ponta raspando o que quer que
tivesse secado em mim. — O que é isso?
O que quer que fosse essa merda tinha um cheiro
distinto. Não era desagradável, apenas… estranho.
Depois de me levantar, enfrentei o frio lá fora para
usar o banheiro. Eu provavelmente teria batido o recorde
mundial de prender a respiração antes de entrar naquela
latrina.
Quando voltei para dentro, esquentei um pouco de
água e tomei um banho rápido. Mas chamar isso de banho
era muito generoso, pois era apenas eu limpando as partes
importantes e qualquer parte do meu corpo onde aquela
coisa estranha estava nas minhas roupas.
Depois de me vestir, esfreguei minhas roupas
térmicas e as deixei secar ao ar livre sobre o corrimão do
deck do lado de fora.
Eu ainda estava com uma leve dor de cabeça da meia
garrafa de vinho que bebi ontem à noite, mas, apesar da
ressaca mínima, provavelmente tive a melhor noite de sono
que tive em um bom tempo.
Eu não tinha ouvido nenhuma criatura lá fora, ou
estava muito fora de mim para ouvi-las. Mas eu estava me
sentindo mais otimista e corajosa hoje, e decidi que
deixaria a viagem para a ilha do outro lado do caminho
para amanhã.
Hoje eu iria explorar as trilhas que ficavam atrás da
cabana.
Depois de tomar café da manhã, juntei meu
equipamento, vesti uma calça comprida e umas térmicas
por baixo, e amarrei minhas botas de caminhada. Então
vesti meu casaco vermelho com capuz.
Até encontrei uma pequena cesta no armário, e a
usaria para coletar algumas flores para secar para poder
levá-las para casa. E então eu estava do lado de fora,
contornando a parte de trás da cabana e indo para a
primeira trilha.
Durante a primeira hora, fiquei perto o suficiente da
cabana para ainda poder vê-la. Levei meu caderno de
desenho comigo e rabisquei um pouco da flora natural que
encontrei. Os cogumelos, as frutas silvestres, as flores
silvestres em todas as suas cores vibrantes.
Até encontrei um arbusto de framboesa que pude
comer enquanto desenhava.
Tive que tirar meu casaco, pois toda a caminhada
tinha me deixado suada, e finalmente voltei para a cabana
para almoçar antes de voltar para a floresta e pegar a
segunda trilha que vi.
Esta era um pouco rochosa com uma inclinação
íngreme, mas me levou a um riacho lindo. Passei um bom
tempo lá, continuando a desenhar e até mesmo jogando
migalhas do meu muffin para um esquilo que foi corajoso o
suficiente para se aproximar de mim.
Fiquei do lado de fora a maior parte do dia e perdi a
noção do tempo e, antes que percebesse, estava bem longe
da cabana e o sol estava se pondo.
A temperatura tinha caído consideravelmente, então
abotoei meu casaco e coloquei meu capuz enquanto
segurava a cesta. Coletei mais framboesas selvagens e
decidi comê-las no jantar esta noite.
Quando comecei a voltar, percebi que tinha me
afastado mais do que pretendia. Embora ainda estivesse no
caminho, não conseguia mais ver a cabana.
Olhei para o céu, a luz do sol minguante espiando
por entre as copas das árvores, lançando fragmentos de
luz.
Tudo havia secado desde então com a chuva, e eu
podia ouvir pássaros cantando no alto e pequenos animais
selvagens correndo ao meu redor. Olhei para o chão para
ver para onde estava indo. Pedras, seixos e detritos do
clima espalhados pela trilha claramente não utilizada.
E então senti um aperto na nuca, uma sensação de
formigamento que me fez levantar a mão e esfregar a nuca.
Parei e olhei ao redor, sem saber o que sentia, mas
sabendo que havia algo lá fora. Mas não havia nada por
perto. Apesar disso, eu ainda sentia esse desconforto de
não estar sozinha.
Meu coração estava acelerado, meu corpo sabia de
algo que eu não sabia, aquela parte instintiva de
sobrevivência em mim estava me pedindo para me mover
mais rápido.
Então eu acelerei o passo, sentindo como se
estivesse sendo observada.
Um galho quebrou à distância, um bando de pássaros
se espalhando no alto. Eu estava ofegante agora, correndo,
minha pressa me fazendo tropeçar várias vezes.
A sensação pesada ao redor do meu corpo aumentou,
e quando olhei por cima do ombro, esperando ver algo me
seguindo, meu pé ficou preso em uma raiz exposta, me
derrubando.
Eu caí de quatro, a pequena cesta rolou para fora do
meu alcance, meu bloco de desenho e as frutas se
espalharam por todo o lugar. Soltei um suspiro de dor
quando as pedras cravaram em minhas palmas, mas afastei
o desconforto e me levantei, correndo novamente.
A essa altura, o sol estava se pondo rapidamente, o
crepúsculo cobrindo o céu. Como eu estava na floresta,
tudo parecia mais ameaçador, mais sombrio.
Idiota. Idiota. Idiota.
Eu deveria ter prestado mais atenção, especialmente
com a atividade do urso na outra noite. Eu só foquei em
voltar para a cabana, sem me importar com a cesta ou
frutas ou mesmo meu bloco de desenho que agora estava
para trás.
E então eu ouvi… algo se movendo em minha
direção. Estava acelerando o passo, galhos estalando sob
seus passos pesados.
O que quer que estivesse ali era enorme, e tudo o que
eu conseguia ver era um urso preto enorme correndo em
minha direção, faminto e pronto para me despedaçar.
Involuntariamente, soltei um grito assustado e ouvi a
criatura se mover ainda mais rápido. Eu estava chorando
agora, minha visão ficando turva.
E então ele bufou, fez um som profundo e estrondoso
anunciando que estava muito perto.
Gritei quando senti algo se esticar e tocar meu
cabelo. De jeito nenhum eu ia diminuir a velocidade ou
olhar para trás. Foda-se.
— Correr só me excita mais — ouvi sussurrar.
Senti meus olhos se arregalarem. Ah, meu Deus, não
era um animal. Era um homem. Ele estava me perseguindo,
me caçando.
E quando senti algo deslizar pela minha pele, gritei
de novo e caí com força, meu tornozelo torcendo, meu
corpo caindo para o lado e bem em um pequeno declive.
Levantei meus braços para me proteger do impacto
enquanto rolava.
Quando pousei no fundo, fiquei sem fôlego. Eu estava
tonta, meu corpo dolorido pela queda e, por um momento,
não consegui me mover enquanto ofegava. Mas então ouvi
galhos estalando perto demais para ser confortável e me
forcei a rolar de costas e me levantei.
E então vi o que estava a vários metros de mim. Fui
para trás como um caranguejo enquanto a criatura se
aproximava.
Não era um homem. Nem era humano. Como podia
falar, então?
Meus pulmões queimavam enquanto eu
hiperventilava.
A criatura era parecida com um lobo, mas… não. Era
um híbrido animal/humano monstruoso que foi arrancado
dos meus malditos pesadelos.
Ele se aproximou, seu corpo curvado enquanto
andava de quatro.
Quando o tronco grosso de uma árvore me impediu
de recuar, eu queria gritar, lutar. Mas eu estava apavorada,
incapaz de me mover, esse medo frio me invadindo.
Quando estava a alguns metros de mim, ele parou, as
sombras do anoitecer encobrindo muito dessa fera. Eu
conseguia distinguir seu corpo enorme e sua cabeça não
humana. Eu conseguia ver um rosto mais longo e um
focinho, dentes afiados e pelos cobrindo todo o seu corpo.
E então a coisa lentamente se levantou para ficar em
pé sobre duas patas traseiras, suas panturrilhas anguladas
como as de um lobo, então pareciam dobradas.
Ele se aproximou, o chão vibrando com o quão
poderosos eram seus passos. A coisa devia ter pelo menos
dois metros de altura, completamente coberta de pelos,
com braços enormes e protuberantes, mãos que mais
pareciam patas e com garras pretas nas pontas. Tinha uma
cauda grossa e peluda que se movia para frente e para trás,
lembrando um predador prestes a atacar.
Meu Deus… a coisa estava nua e excitada, e o que
estava pendurado entre suas pernas era enorme.
— Não — sussurrei e balancei a cabeça, estendendo
minhas mãos como se isso realmente a afastasse. Eu segui
meu olhar pelo peito largo e até seu rosto lupino.
Puta merda.
Embora parecesse um lobo — lobisomem, minha
mente sussurrou — ele tinha uma inteligência muito clara
por trás de seus olhos escuros enquanto me observava.
— Ah, meu Deus. Por favor. Por favor, não me
machuque — minha voz era fina como um sussurro. Eu
nem tinha certeza se tinha falado as palavras em voz alta.
— O-o que você é? — Estava tão perto agora que tudo o
que eu sentia era esse cheiro selvagem que emanava dele.
Aqui estava essa criatura primitiva me acuando,
respirando em mim… recusando-se a me dar espaço. Ela
iria me comer. Eu tinha certeza disso. Por que mais ela
estaria aqui? Que outro propósito ela teria para mim?
— Eu sou aquele que vai fazer você ser minha.
Eu balancei minha cabeça e ataquei, arranhando
minhas unhas ao longo de seu peito, sentindo músculos
duros e definidos por baixo. Ele foi rápido quando estalou
sua pata e a fechou em volta do meu pulso, minha palma e
dedos tão pequenos comparados aos dele.
Senti meu instinto de sobrevivência aumentar
enquanto eu gritava e chutava, mas eu era como um
mosquito irritante comparado a ele, eu tinha certeza.
E quando aquele lobo soltou meu pulso para agarrar
meu tornozelo, impedindo meu pé de se conectar com a
coisa enorme que ele tinha entre suas pernas, eu gritei
novamente. Mas dessa vez foi com medo. Medo de gelar os
ossos.
Ele se levantou e começou a me arrastar para longe
como se eu fosse um maldito saco de batatas.
Eu torci meu corpo, arranhando o chão, a terra
cavando sob minhas unhas. Lágrimas deixaram minha
visão turva, e então o mundo girou quando ele me levantou
e me jogou por cima do ombro.
Por um segundo, fiquei completamente sem fôlego
quando minha barriga se conectou com seu ombro. Fiquei
ali, me debatendo com seus movimentos.
Ele ganhou velocidade, me forçando a agarrar o pelo
longo e escuro que o cobria e segurar. Eu soluçava
incontrolavelmente.
— Não se preocupe, fêmea. Eu vou fazer você chorar
por um motivo bem diferente em breve.
Quando lentamente voltei à consciência, percebi
instantaneamente que não estava sozinha. Não abri os
olhos, apenas continuei a fingir que estava dormindo
porque tudo voltou correndo, me deixando reviver o
pesadelo.
Estar na floresta. Sentir como se não estivesse
sozinha. Então ser perseguida por aquela… aquela… coisa.
Reprimi meu arrepio de medo quando a imagem da
criatura atingiu minha mente. Era literalmente um
monstro, e a única coisa em que conseguia pensar era que
ele só me queria para uma refeição.
Como eu queria que o que estivesse me perseguindo
fosse um urso, porque isso seria menos assustador do que
qualquer criatura que tivesse me levado.
Eu podia ouvi-lo de perto, e o próprio chão abaixo de
mim vibrava levemente cada vez que ele dava um passo.
Tentei observar meus arredores enquanto estava
absolutamente imóvel. A última coisa que eu queria era
que essa fera soubesse que eu estava acordada.
No que quer que eu estivesse deitada era macio, mas
eu podia sentir coisas arranhando minha pele. O cobertor
— presumi que era isso — que me cobria tinha um cheiro
estranho e era pesado e quente, quase como veludo contra
minha pele.
Percebi, embora ainda vestida, que não estava mais
usando minhas botas ou minha jaqueta.
O som pesado de arrastar os pés ficou mais alto…
mais próximo, e involuntariamente fiquei tensa. Tentei
como o inferno fingir dormir, mas não havia como negar o
quão absolutamente aterrorizada eu estava, e como isso
transparecia externamente.
E então veio o bufar. Um sopro. Parecia que ar quente
estava se movendo ao longo do meu braço.
O monstro inalou profundamente enquanto
arrastava aquele focinho peludo não humano até meu
pescoço.
Cerrei meus olhos com força e não consegui segurar
o gemido que me deixou quando senti a sensação quente e
úmida do que presumi ser sua língua lambendo meu
pescoço.
— Você está acordada — a criatura disse em um tom
áspero que era mais profundo e assustador do que
qualquer coisa que eu já tinha ouvido. — Você não precisa
abrir os olhos para eu saber disso.
Eu choraminguei e tentei me afastar sutilmente, mas
um rosnado baixo saiu dele e ele agarrou meu braço. O
toque da fera não era doloroso, mas certamente era um que
me dizia que eu não escaparia.
Ele lambeu meu pescoço, então correu seu nariz, que
— meu Deus, parecia molhado — ao longo do local que
tinha acabado de lamber. Eu tremi, e ele cantarolou,
claramente gostando daquela reação minha.
Eu prendi meus molares posteriores quando ele
deslizou sua enorme mão — pata — Deus, o que diabos ele
tinha, pelo meu braço. Conforme ele se aproximava, eu
podia sentir o pelo cobrindo todo o seu corpo.
A coisa era enorme e usou seu domínio sobre mim
para me puxar de volta para si. Senti lágrimas escorrendo
pelo meu rosto.
O cheiro dele era forte, uma mistura de pinho,
natureza selvagem, almíscar e algo quase familiar.
— Manter os olhos fechados não mudará o fato de
que você está aqui comigo e ser minha.
Eu podia ouvir sua voz bem ao lado do meu ouvido,
senti a vibração profunda se instalando em cada parte de
mim.
Percebi então o que era aquele cheiro familiar. Estava
no meu quarto. Eu arfei, o choque tomando conta de mim.
Essa coisa estava me perseguindo e me observando dormir.
— Isso não é um sonho, Pequena, então você pode
muito bem abrir os olhos e ver seu destino.
Eu não obedeci imediatamente. Apenas mantive
meus olhos fechados e desejei que tudo isso fosse embora,
disse a mim mesma que era um pesadelo e que eu
acordaria e voltaria para a cabana.
Mas a maneira como ele continuou correndo sua
grande pata peluda para cima e para baixo no meu braço, e
o raspar suave de suas garras ao longo da minha pele
exposta, tornou impossível focar em qualquer outra coisa.
Fiquei repetindo a imagem várias vezes. Não era um
humano atrás de mim. Eu não sabia o que era.
Abri meus olhos lentamente para poder
compreender completamente a realidade em que estava
agora. Embora a criatura estivesse atrás de mim e não
pudesse ver meu rosto, especialmente com toda a
escuridão e sombras, ela ronronou como se estivesse
satisfeita por eu tê-la ouvido.
Eu queria mandá-lo se foder, mas quando deslizou
sua pata sobre meu quadril e a colocou na minha barriga,
sua palma era tão grande que englobava todo o meu
abdômen.
A vontade de fechar meus olhos novamente e
bloquear tudo isso era forte, mas quando ele me puxou de
volta para seu corpo enorme, minha boca ficou frouxa ao
sentir algo duro, longo e enorme pressionando contra
minha parte inferior das costas.
Fiz um som assustado e tentei me afastar, mas sua
pata com garras ainda estava pressionando minha barriga,
me mantendo no lugar sem esforço algum.
— Fique quieta agora, minha pequena fêmea. Não
tenho intenção de usar isso — ele rebolou os quadris para
frente, tocando o que era claramente uma ereção enorme
contra meu corpo — em você até que me implore.
Balancei a cabeça, mordendo minha língua porque
queria gritar que nunca iria querer ele ou aquilo.
E então ele fechou sua grande pata em volta da
minha barriga, apertando-a e soltando o que só poderia ser
chamado de ronronar. Ele se moveu para meu quadril,
fazendo o mesmo movimento ali antes de soltá-lo e
deslizar para minha coxa.
A criatura passou a palma em volta da minha coxa,
dando-lhe uma pequena sacudida antes de rosnar baixo.
— Seu corpo é perfeito.
Minha boca secou e senti algo se mover através de
mim. Eu não conseguia descrever, mas ouvi-lo elogiar
minha forma com aquela voz totalmente desumana me fez
sentir quente e formigando em lugares que não tinham
nada a ver com isso.
Eu estava naquele estranho estado mental de
processar suas palavras quando de repente sua grande
pata estava cobrindo meu peito. Eu gritei quando ele
apertou o monte ao mesmo tempo em que empurrou
contra mim, cravando aquela haste de aço em minhas
costas e me arrancando um suspiro.
— Você gosta de sentir seu companheiro?
Meu coração estava martelando no meu peito.
Companheiro? Mas que porra?
Foi puro instinto que me fez dar um tapa em sua pata
peluda com força suficiente para que eu sentisse seu corpo
inteiro ficar tenso. Percebi que talvez tivesse acabado de
me ferrar.
Antes que eu soubesse o que estava acontecendo, eu
estava deitada de costas com essa fera pairando sobre
mim. Eu sabia e sentia o quão enorme ele era bem antes,
mas tê-lo me apertando assim me fez sentir minúscula.
Eu me encolhi de seu rosto de lobo quando espiei as
fileiras de dentes afiados em sua boca.
— O que você é? — sussurrei, horrorizada.
— Eu sou seu — ele disse com firmeza. — Você é
minha fêmea, e eu sou seu macho. — Balancei minha
cabeça, negando o que ele disse.
A coisa — ele — colocou suas mãos em ambos os
lados do meu corpo, me prendendo com todos aqueles
músculos, pelos e aparência sobrenatural.
Era difícil distinguir os detalhes de como ele era
porque a caverna, na qual eu presumi que estávamos, era
muito escura. Mas quando ele levantou um braço, eu
estremeci.
Com meus olhos fechados e minha cabeça virada, eu
esperava um ataque. Quando nada aconteceu, lentamente
abri os olhos e olhei timidamente para vê-lo olhando para
mim, mas eu não conseguia ler seus motivos.
Ele olhou entre mim e sua pata levantada e então de
volta para mim. Eu podia imaginar suas sobrancelhas — se
ele tivesse alguma — abaixando em aparente confusão.
— O que é isso? — Ele rugiu e então lentamente
abaixou sua mão. — Você acha que eu te machucaria? —
seu tom me chamou a atenção porque era tão… gentil, se é
que essa era uma palavra que eu poderia usar para
descrevê-lo. — Você acha que eu machucaria minha
companheira? — Ele parecia quase horrorizado.
Ali estava aquela palavra… companheira. Eu podia
dizer apenas pelo seu tom que significava muito.
Ah, meu Deus. Essa fera me pegou porque ele me vê
como o quê? Sua namorada? Sua esposa? Seu brinquedo
sexual?
Quando eu não respondi, ele se inclinou para trás,
seu olhar quase suavizando. Isso fez minhas defesas
baixarem um pouco.
— Eu não sou sua — sussurrei.
O sorriso que ele me deu foi lento e quase
ameaçador. Ele não tinha lábios, não tinha uma boca como
um humano teria. Mas o brilho de seus dentes mais uma
vez me fez ficar o mais imóvel possível. Tudo o que eu
conseguia pensar era em não fazer nenhum movimento
repentino.
— Ah, Pequenina, você é minha. E — ele se inclinou
para perto, e eu mais uma vez senti aquele aroma
almiscarado de lobo que me fez sentir todos os tipos de
coisas — você não tem nada a temer de mim porque eu
mataria qualquer um que sequer pensasse em te machucar.
Eu abaixei meus braços lentamente, mas os mantive
pressionados contra meu peito, aterrorizada com o que
essa criatura faria, mesmo que estivesse bem claro que ela
não me machucaria.
Por um momento eu apenas fiquei lá enquanto ele
ainda pairava sobre mim, seu corpo tão maior que eu não
pude deixar de me sentir como uma pequena boneca
abaixo dele.
Meus olhos já tinham se ajustado à escuridão e eu
podia realmente ver uma pequena luz de fogo piscando ao
redor de sua forma.
— O que você é? O que você quer comigo? — Eu não
esperava que ele respondesse, mas tinha que perguntar. Eu
queria fingir que estava sonhando, empurrada para algum
pesadelo onde essa grande criatura pecaminosa rastejava
para fora da floresta profunda e me arrebatava.
Ele inclinou sua enorme cabeça para o lado, suas
orelhas se contraindo. A criatura não tinha dentes
salientes, mas afiados que eu imaginei que ele precisaria
para rasgar a carne de sua presa. Pelo escuro o cobria
completamente. Ele tinha um focinho longo, orelhas
pontudas e grandes olhos pretos redondos.
Seus ombros eram impossivelmente largos, seus
braços musculosos, salientes e mais grossos que minhas
coxas.
Eu me recusei a olhar para mais abaixo do seu
abdômen definido, mas não precisei perceber que o que ele
estava exibindo lá embaixo era enorme e muito duro. Olhei
rapidamente para seu rosto para vê-lo me olhando quase
inquisitivamente, como se ele estivesse tão curioso sobre
mim quanto eu estava sobre ele.
— O que você é? — sussurrei, perguntando
novamente porque ele não tinha respondido. Demorou um
segundo até que ele bufasse.
— Lobo — foi tudo o que ele disse.
Eu me levantei e deslizei todo o caminho de volta até
que a parede rochosa me impediu de recuar. Depois de
puxar minhas pernas até o peito e envolver meus braços
em volta dos joelhos, eu apenas o encarei, tentando me
fazer o menor possível.
Tudo o que eu pensava era, não faça movimentos
bruscos, não o deixe bravo. E então, logo após esse
pensamento, lembrei-me do olhar que ele tinha quando
pensei que ele iria me atacar.
— Eu sou eu — ele disse com naturalidade.
— Você não é humano — eu disse o óbvio. — O que
você é?
Ele não respondeu por longos momentos, apenas
olhou para mim, e eu podia dizer olhando em seus olhos
escuros que ele era altamente inteligente. Era a maneira
como ele me observava com esse olhar investigativo, como
se ele pudesse captar cada pequena nuance que me fazia…
eu, e dissecava tudo.
— Minha espécie sempre esteve aqui. Desde o início
dos tempos.
Eu deixei essa informação assentar em minha mente.
Certo. Então ele era diferente de mim. Embora possa ser
difícil para alguns aceitar isso, como eu poderia negar
quando ele era uma criatura-lobo viva e respirando bem na
minha frente? Eu não tinha visto muitas coisas na minha
vida, mas isso não significava que elas não existissem.
— Eu sou o que sou. — Se ele era do tipo que dá de
ombros, eu tinha a sensação de que ele faria isso agora,
como se o que ele dissesse fosse o mais simples dos fatos.
— Eu vi humanos irem e virem por essas partes ao longo
das décadas. Aprendi a língua deles, ouvi as histórias que
contavam uns aos outros e aprendi sobre o mundo deles.
Os humanos me chamariam de monstro, mas as coisas que
ouvi esses homens dizerem, a maneira como eles falavam
de suas fêmeas… e eles é que são os monstros.
Eu senti algo apertar no meu peito e não foi
desagradável.
Eu não sabia quanto tempo ficamos em silêncio, mas
ele nunca tirou o olhar de mim. Lobo ainda estava
agachado, aquele corpo gigantesco bloqueando a única
saída. Embora eu não fosse idiota, sabia que mesmo se
tentasse correr, ele me pegaria. Ele era um predador, isso
era óbvio.
— Por que você me pegou? — Eu senti como se
tivesse feito essa pergunta um milhão de vezes, mas era
como se ele não pudesse, ou melhor, não quisesse
responder.
Ele fez esse barulho de grunhido evasivo antes de se
virar e caminhar em direção onde a luz do fogo estava
brilhando.
Eu exalei bruscamente, sem perceber o quanto
estava prendendo a respiração intermitentemente.
Eu não sabia quanto tempo fiquei ali sentada,
supondo que ele queria que eu o seguisse, mas fiquei ali
tempo suficiente para que minha bunda ficasse dormente.
Eu teria ficado aqui o tempo todo se não fosse pelo
pensamento de que ele voltaria aqui e me arrastaria para
fora como uma boneca de pano.
Eu estava em algum tipo de palete coberto de peles
grossas em cima, e agulhas de pinheiro e grama morta por
baixo.
O cheiro que me cercava era úmido e terroso.
Embora eu soubesse que não queria ir lá fora, e não queria
segui-lo, eu também estava muito ciente de que Lobo
simplesmente me caçaria de volta.
Então fiquei ali, sabendo que provavelmente deveria
descobrir o que diabos estava acontecendo.
Assim que me levantei, fiquei onde estava por mais
um longo minuto. Eu estava com medo de sair, de ir lá e
encarar o que o Lobo havia reservado para mim.
Mas finalmente, me movi timidamente pelo túnel até
que ele se abriu e curvou para a esquerda, mostrando uma
grande área aberta. Eu podia ver o Lobo sentado diante de
uma fogueira, seu corpo imenso ainda parecendo diminuir
a área cavernosa.
Seus braços estavam pendurados entre as pernas,
seu foco nas chamas, e graças a Deus a posição em que ele
estava protegia a ereção enorme que eu havia sentido
cravando em minhas costas. Porque sim, essa garota com
certeza deu uma olhada.
Sua atenção estava no espeto inclinado sobre as
chamas enquanto ele o virava manualmente, assando
qualquer pequena criatura que ele espetasse no centro.
Eu lutei contra a onda de náusea quando pude ver
seu corpo carbonizado sendo assado.
Embora eu não fosse vegetariana, parecia um pouco
grosseiro demais para mim, e não algo que eu estava
acostumada a ver morando na cidade. Caramba, em casa,
minhas refeições tinham sido apresentadas lindamente em
um prato, ou eu abria a sacola e a puxava para fora antes de
desembrulhar.
O Lobo não olhou para cima, nem se moveu, mas eu
sabia que ele estava totalmente ciente de mim parada a
poucos metros dele.
Eu levei alguns momentos para olhar ao redor da
caverna e verificar tudo. Na verdade, eu estava tentando
encontrar onde era a rota de fuga. O interior era pequeno,
com a abertura a cerca de seis metros à minha direita. O
teto — é assim que se chama o topo de uma caverna? —
tinha estalactites, mas era alto o suficiente para que eu
soubesse que quando o Lobo se levantasse ele não teria
que se agachar.
Eu podia ver uma pilha de peles, entre outros itens
como pedras, ossos, gravetos, uma pilha de agulhas de
pinheiro e cestos grosseiramente tecidos cheios de coisas
que eu não conseguia distinguir de onde estava.
Quando olhei de volta para a criatura, foi para vê-lo
me encarando, seu olhar negro treinado diretamente em
mim da maneira mais penetrante.
— Como você se chama, mulher?
Minha língua parecia muito grossa para formar
palavras e responder. Passei o músculo pelo meu lábio
inferior, percebendo que ele observava o ato.
— M-Marcella — sussurrei.
Ele cantarolou um som áspero.
— Minha Marcella. Venha aqui — sua voz era rouca,
e uma parte de mim sentiu como se ele tivesse dito isso
com um tom gentil. Ele estendeu sua grande pata de cinco
dedos e me chamou curvando suas garras em direção à
palma.
Ele era um monstro. Literalmente. E eu sabia que ele
não tinha intenção de me deixar ir. Então por que ele se
importaria se eu estava confortável ou não?
Mas eu ainda me movi em direção a ele, o instinto me
dizendo que a última coisa que eu queria fazer era irritá-lo.
Sobrevivência, Marcella. Isso é você sendo inteligente
até conseguir se afastar dele.
Quanto mais perto eu chegava do fogo, mais eu
sentia meus tremores diminuírem e percebi que estava
congelando. Eu envolvi meus braços em volta da minha
cintura, o frio não tinha nada a ver com o ar da caverna, e
tudo tinha a ver com o choque de… tudo.
Eu mantive a criatura na minha mira o tempo todo
enquanto contornava o fogo para sentar no lado oposto,
mantendo as chamas entre nós como se fosse algum tipo
de barreira que pudesse realmente me proteger. Isso foi
risível.
Eu tentei olhar para a saída novamente, tentando ser
discreta enquanto esfregava meu queixo no meu ombro,
mas eu podia sentir o Lobo me encarando.
— Você pode tentar — ele disse em voz baixa, o que
me fez olhar para ele bruscamente, sentindo meus olhos se
arregalarem. — Você pode correr. — Ele se concentrou
novamente no fogo e estendeu a mão para soltar o espeto e
puxá-lo para longe das chamas. — Mas você é minha e não
há lugar onde possa se esconder que eu não te encontre.
Meu coração estava batendo forte e eu podia sentir
isso na minha garganta. Não respondi enquanto o
observava arrancar a carcaça do espeto. Suas patas eram
enormes, facilmente maiores que minha cabeça, e suas
garras afiadas e escuras na ponta eu podia imaginar que
ele usava para abrir sua presa.
— Então corra, minha pequena companheira — seu
tom era quase entediado. — Corra se isso te faz sentir
melhor, mais segura, mas saiba que — ele começou a
descascar a carne do animal e colocá-la em uma pedra
plana ao lado do fogo — a perseguição só me faz querer
você mais — disse a última parte com um rosnado e eu não
consegui suprimir meu arrepio.
Ouvir aquele som deveria ter me feito sentir apenas
de uma maneira. Em vez disso, senti algo que não era
medo. Não respondi porque o que eu deveria dizer?
Então fiquei sentada ali, mantendo meu olhar fixo
nele porque ele era intimidador pra caramba e parecia que
alguém o havia tirado de um filme de terror.
Eu o observei terminar de rasgar a carne e, quando
ele limpou os ossos, ele agarrou a pedra plana e se
levantou. Inclinei minha cabeça para trás enquanto olhava
para ele e me preparei, meus músculos tensos enquanto ele
andava ao redor do fogo em minha direção.
Eu me afastei até que a parede da caverna me
impediu. Ele fez um som impaciente, quase irritado, no
fundo da garganta. O que você esperava? Eu queria gritar
com ele.
— Coma — bufou aquela única palavra enquanto
estava diante de mim, segurando a pedra com a comida
empilhada nela.
Quando não peguei a pedra, ele a colocou na minha
frente e se virou para ir em direção à pilha de cestas. Ele se
agachou e puxou um pelo, e percebi que cobria um buraco
fundo. Ele estendeu a mão e pegou algo, mas com a
maneira como se posicionou, não consegui ver o que era.
Isso foi até que ele se virou e vi vários coelhos — muito
mortos — pendurados em sua pata.
Ele voltou para o fogo e veio se sentar muito mais
perto de mim do que eu gostaria. E então ele começou a
rasgar as criaturas. Ele arrancou as peles em um
movimento rápido antes de jogá-las de lado. Cobri minha
boca com as costas da mão e senti a bile subir na minha
garganta quando meu reflexo de vômito entrou em ação.
Então ele começou a comê-los. Simplesmente crus.
Fiquei ali sentada, apenas observando-o devorar
esses coelhos, o sangue cobrindo seu pelo escuro e
pingando no chão. Os sons que ele fazia eram ásperos e
animalescos, com rosnados e grunhidos, como se o instinto
ditasse que ele não conseguiria comer silenciosamente.
Quando terminou, os ossos foram limpos e colocados
em uma pilha ao lado, ele passou uma pata enorme sobre
seu focinho e mandíbula, limpando o sangue, mas na
verdade ele só espalhou tudo mais ainda.
E o tempo todo o Lobo agiu como a fera que era, ele
olhou diretamente para mim, mantendo seu foco treinado
em mim enquanto comia como um pagão.
Por um momento, nenhum de nós se moveu, meu
estômago doeu com o que eu tinha acabado de
testemunhar. Eu estava usando cada grama de autocontrole
que tinha para não engasgar com a visão macabra dele. E
então veio o cheiro. Um cheiro forte de cobre que enchia a
caverna tão densamente que eu o sentia me cobrir.
O Lobo se levantou lentamente, desenrolando aquele
corpo vasto de sua posição agachada enquanto vinha em
minha direção. O som assustador que me deixou foi
involuntário. Meus olhos estavam tão arregalados que
estavam secos, mas eu estava com medo até de piscar. Se
eu piscasse, talvez não visse seu próximo movimento.
Mas tudo o que ele fez foi se abaixar sobre os
calcanhares na minha frente, seus dedos com garras
cavando na terra enquanto ele se equilibrava. O Lobo
estendeu a mão e pegou a pedra achatada com toda a carne
cozida nela.
Ele pegou uma longa fatia de carne entre duas garras
afiadas e estendeu para mim.
— Coma — sua voz era severa, o tom me lembrando
que eu era uma criança petulante desobedecendo a ele.
Franzi os lábios novamente e senti uma faísca de
aborrecimento. Mas mesmo que minha raiva estivesse
aumentando, meu medo ainda estava na vanguarda.
— Você precisa comer. — Ele empurrou sua pata
para mais perto do meu rosto, e eu virei minha cabeça, mas
ainda mantive meu foco nele.
O Lobo fez um som áspero, um que era claramente
um aviso, e meu coração começou a bater mais rápido, se é
que isso era possível. Já parecia que ia explodir no meu
peito.
Quando ele bufou, me surpreendeu que o som fosse
quase de derrota. Ele se abaixou completamente até estar
sentado no chão na minha frente.
Ele colocou a pedra entre nós, ainda segurando
aquele pedaço de carne para mim como se isso não fosse
algo que ele abriria mão.
— Por favor? — Jurei que vi sua testa franzir como se
o gosto daquelas duas palavras em sua língua o
confundisse.
O ar ao redor mudou, aquelas palavras solitárias
parecendo tão estranhas para ele. Ele quase soou como se
não estivesse acostumado a dizê-las, como se talvez nunca
tivesse pronunciado aquelas palavras antes.
E eu acreditava nisso.
Eu não sabia o que me fez fazer isso, por que eu
sequer me importava com a forma como ele estava lidando
com o fato de eu estar recusando qualquer coisa que ele
oferecia. Mas antes que eu pudesse me conter, abaixei-me e
peguei um pedaço de carne.
— Estou fazendo isso por mim, não por você —
murmurei. — Só para que fique claro.
Vi sua boca — focinho, o que diabos compunha seu
rosto — levantar-se levemente, como se estivesse se
divertindo.
Meu corpo me dizia para bancar o mulherão
enquanto meu estômago me traiu e roncou. Ele deu um
grunhido evasivo, mas não se moveu, apenas ficou ali me
encarando. Ele estava na expectativa, como se me ver
comer fosse uma das coisas mais importantes que ele já
tinha testemunhado.
— Você vai comer.
Eu estreitei meus olhos para ele.
— Porque eu não terei uma companheira que seja
pele e osso.
Senti minha irritação aumentar, afastando aquele
medo.
— Como é que é?
Ele se inclinou um centímetro e mostrou suas presas.
E por mais aterrorizante que fosse aquela visão, eu
fortaleci meus ombros e levantei meu queixo.
— Eu quero que minha fêmea se encha. — Ele se
moveu um pouco mais. — Preciso de você roliça e perfeita
para que eu possa segurar em algo enquanto te fodo.
Ah, puta merda. Meu coração bateu mais forte.
— Você me entendeu?
Ele realmente esperava que eu respondesse? Quando
eu não respondi, ele deu um som de aviso.
— Eu vou deixar claro, fêmea, eu quero que você
coma e se alimente bem. Você sempre terá comida, nunca
passará fome. — Ele estendeu a mão antes que eu
percebesse, e sua enorme pata segurou o lado do meu
rosto, sua palma inteira me envolvendo. — Meu único
propósito é cuidar de você, e farei isso tão bem que te
faltará nada — sua voz era um som rouco. Eu a senti
perfurar bem entre minhas pernas.
Ele se afastou e eu exalei, percebendo que prendi a
respiração porque ele me afetou de maneiras que eu não
me sentia confortável em reconhecer.
— Porque o que planejei para você, Pequena — ele
disse, e deixou seu olhar negro percorrer meus seios,
depois minhas coxas e de volta ao meu rosto. Eu senti
aquele olhar. — O que planejei para você me deixa mais
faminto do que nunca.
Eu podia sentir o quão rápido eu estava respirando,
podia ouvi-lo encher minha cabeça e abafar todos os outros
sons.
— Que olhos grandes você tem — sussurrei antes
que pudesse me conter.
— Uhm, é melhor para olhar seu corpo exuberante,
minha Pequena.
— Que dentes afiados você tem.
Ele me observou como um predador.
— É melhor para destruir qualquer coisa que pense
em te machucar. — Seus dentes pareciam tão cruéis
enquanto ele arrastava sua língua por eles, como se ele já
pudesse me provar.
Mais uma vez, senti aquela sensação me invadir que
era confusa, mas me fez querer sentir mais dela.
— Coma, preciosa — ele disse de repente, me
tirando dos meus pensamentos e afastando os sentimentos
que eram curiosamente fortes dentro de mim, então fui
mais uma vez empurrada de volta à realidade.
Soltei um suspiro trêmulo e levei o pedaço de carne à
boca, dizendo a mim mesma que era apenas comida. Para
escapar, eu precisaria da minha força.
Depois de olhar para o pedaço de carne, coloquei-o
na boca e comecei a mastigar, agradavelmente surpresa
com o sabor. Era um pouco parecido com caça e era duro
enquanto eu mastigava, mas o sabor era bom e percebi o
quão faminta eu realmente estava. Peguei outro pedaço.
Ele se inclinou um pouco para a frente e eu me
afastei. O som que saiu dele não era algo que eu pudesse
descrever. Mas senti, estranhamente, que o agradou que eu
estivesse comendo.
Antes que eu percebesse, tinha comido metade das
tiras de carne que estavam na pedra.
O Lobo deu um grunhido e se levantou, movendo-se
em direção a uma parede lateral antes de se abaixar para
pegar o que parecia uma bexiga d’água.
Ele se virou e voltou para mim, e contra meu melhor
julgamento, olhei para baixo, esperando ver um pau
enorme balançando entre suas pernas.
Mas me surpreendeu ver… nada.
Não, isso não era preciso. Eu podia ver suas bolas
grandes e pesadas, e acima delas havia uma protuberância
enorme e peluda.
E quanto mais eu olhava para ela, mais eu via as
coisas mudando. Senti meus olhos se arregalando quando
ele começou a ficar excitado, seu pau saindo daquela
protuberância acima de seu saco.
Minha boca ficou frouxa enquanto os segundos
passavam. Uma parte de mim deveria ter ficado enojada
com o que vi. Mas a verdade é que apertei minhas coxas
porque o calor se instalou bem no meu centro.
E então ele ficou completamente ereto. Seu pau
parecia de um humano, mas não era.
A circunferência do Lobo era tão grossa quanto meu
pulso, e o comprimento tinha que ser metade do meu
antebraço. Seu prepúcio pendia ligeiramente sobre o topo
da cabeça, mas eu conseguia ver o contorno da crista por
baixo. E ele já estava pingando grandes quantidades de
excitação que caíam em suas coxas musculosas e peludas.
— Quanto mais você encarar, mais duro eu vou ficar.
Ele estava me observando com um calor claro atrás
de seus olhos pretos.
— Eu tenho que fazer xixi — eu falei e fiquei de pé,
meus joelhos tremendo enquanto eu respirava fundo,
tentando em vão agir, e falhando, como se eu não tivesse
acabado de assistir seu pau sair daquele bolso peludo
acima de suas bolas enormes.
A apreensão me fez me afastar dele e ir em direção à
entrada da caverna, minhas mãos na parede rochosa atrás
de mim. Porque a verdade era que eu precisava de algo
para me manter estável e com os pés no chão.
Mas ele não estava me deixando colocar muita
distância entre nós enquanto me seguia para fora, seu pau
ainda duro quicando levemente em seus passos.
Uma vez na boca da caverna, me virei e dei mais
alguns passos para longe dele antes de parar e respirar
fundo o ar frio da noite. Um arrepio percorreu meu corpo.
Tentei de tudo para sentir alguma normalidade novamente.
Eu já me senti realmente “normal”?
Eu podia sentir o Lobo bem atrás de mim, mas não
me virei. Sua presença era a coisa mais tangível que eu já
havia sentido.
Eu envolvi meus braços em volta da minha cintura, o
ato foi uma reação involuntária que não tinha nada a ver
com o frio, e tudo a ver com como eu o ouvi se aproximar,
como eu senti o calor do seu corpo me cobrindo.
Como eu senti aquele cheiro familiar que eu não
conseguia identificar até que…
Meu pulso acelerou quando a compreensão
finalmente se instalou em mim. Eu tive que inclinar minha
cabeça para trás para poder olhar em seu rosto, e antes que
eu percebesse, o Lobo estava abaixando a parte superior
do corpo para que seu rosto estivesse bem na frente do
meu.
Suas narinas se dilataram quando ele inalou
profundamente, e eu jurei ter visto um sorriso.
— Você esteve no meu quarto — sussurrei. —
Aquele cheiro… era você.
Ele não respondeu, não negou ou confirmou. Ele me
soltou depois que dei um passo para trás.
— Eu vi você. Eu queria você. Então eu te tomei —
ele disse de novo, tão claramente, tão objetivamente, que
era irritante.
— Existe uma coisinha chamada consentimento,
Lobo…
O som que ele deixou fez o resto do que eu estava
prestes a dizer morrer na minha língua.
— Diga isso de novo.
Ele estava falando sério?
— Vá se foder, meu amigo. — Mais uma vez, ele fez
aquele som, e eu senti as vibrações por todo o meu corpo.
— Diga isso de novo também. — Seus dentes
brilharam enquanto ele sorria. Babaca.
— Na verdade, diga as duas na mesma frase. Diga:
venha me foder, Lobo.
— Você é um animal e um pervertido. — Senti meus
olhos se arregalarem enquanto as palavras saíam da minha
boca por conta própria. Seus olhos ficaram semicerrados
enquanto ele inalava novamente. — Por que você faz isso?
— Faço, o quê? — Ele olhava para minha boca
enquanto fazia a pergunta.
— Você fica… me cheirando.
Seu olhar lentamente subiu pelo meu rosto para que
ele pudesse olhar nos meus olhos.
— Porque seu cheiro é tão bom, Pequena. Sua boceta
cheira tão doce quando você fica molhada.
Meu rosto parecia estar pegando fogo.
— Eu não… eu não estou excitada. — Engoli o nó
grosso na minha garganta e dei um passo para trás. Ele me
seguiu.
— Uhmm, você esquece que eu consigo saber
quando está mentindo. — Seu olhar baixou para meus
lábios. — E o cheiro da sua frustração pelo fato de você
estar excitada por minha causa torna seu cheiro ainda mais
viciante.
Ele conseguia ouvir o quão forte meu coração estava
batendo? Soava como tambores de guerra em meus
ouvidos.
— Você perguntou por que eu te peguei, e eu disse
porque eu queria você, mas talvez você precise ouvir de
uma maneira diferente. — Ele estendeu a mão, e eu estava
tão congelada no lugar que o deixei me tocar, deixei que ele
segurasse minha bochecha novamente e alisasse a ponta
do polegar sobre minha pele. — Quando eu te vi, eu sabia
que você seria minha. Seu corpo foi feito para lidar com a
foda que planejo dar à minha companheira. Suas curvas e
espessura foram criadas para carregar meus filhotes.
Minha boceta formigou. Essa maldita traidora.
Eu senti o raspar suave de uma garra mortal
descendo pela minha têmpora e respirei fundo. Porque era
bom.
— Eu nunca quis nada mais na vida do que eu quero
você. — Senti seu hálito quente roçando meu rosto e
pescoço.
Ele se inclinou novamente, e eu senti uma corrente
de ar ao longo da concha da minha orelha, a sensação
úmida do seu nariz se movendo contra minha bochecha.
Eu não sei por que fiz isso, mas fechei meus olhos e
estremeci. Deveria ter me enojado que esse lobo estivesse
tão perto de mim, me tocando. Mas quando senti algo
quente e úmido deslizar ao longo do meu rosto, e o ouvi
roncar baixo, não consegui parar a excitação que de
repente tomou conta de mim.
Eu também não consegui parar o pequeno gemido
que escapou dos meus lábios entreabertos.
Ele estava me lambendo, arrastando sua língua
enorme ao longo do meu rosto e me provando. Eu senti
meu pulso batendo bem entre minhas coxas.
O Lobo pressionou contra meu corpo, seu pelo
grosso, mas macio. As pontas dos meus dedos formigaram,
me incitando a estender a mão e tocá-lo. Eu não sabia o que
havia de errado comigo, por que eu não estava gritando e
chorando e tentando escapar agora.
Mas, que Deus me perdoe, eu não queria me mover.
Eu não queria que ele parasse.
E então não me movi, e em vez disso me inclinei mais
perto, levantando minhas mãos, e quando eu estava prestes
a colocá-las em seu peito, enrolando meus dedos em seu
pelo, ele deu um passo para trás.
Fiquei surpresa com o quão… decepcionada eu
estava com isso.
Quando eu abri meus olhos, ele fez esse som bem no
fundo do peito. Ele estava… ele estava rindo da minha
reação? Minhas bochechas esquentaram, e eu cerrei meus
dentes enquanto tentava afastar o constrangimento.
Mas quando eu olhei para seu rosto, eu não vi nada
além daquela rigidez que ele usava tão bem. Eu notei que
suas narinas estavam dilatadas e seu peito estava subindo
e descendo.
Ele foi afetado. Assim como eu.
Eu olhei para seu maxilar, pescoço e finalmente seu
peito. Eu senti aquela náusea subir de volta em mim. Como
diabos eu tinha esquecido que ele estava coberto de
sangue?
Eu estava tão faminta por qualquer tipo de atenção
que o bom senso e meu instinto de sobrevivência de
repente ficaram em segundo plano?
Ele estendeu a pata para mim e eu a encarei, mas não
fiz nenhum movimento para lhe dar minha mão, o que ele
obviamente queria.
Ele deu um rosnado frustrado e foi quem pegou
minha mão, seu toque ainda gentil. O Lobo segurou minha
palma na dele e a enorme diferença de tamanho entre
nós… entre outras coisas, me assustou novamente.
Tudo no Lobo era ampliado.
Como uma garota maior e mais curvilínea em toda a
minha vida, eu nunca me senti “minúscula”. Não que eu
quisesse ser. Foi assim que fui feita, e eu abracei isso ao
máximo. Mas agora, olhando para essa fera de dois metros,
eu me senti minúscula. Quebrável.
E por que eu me sentia excitada por causa disso?
Eu o deixei me guiar pela floresta, a noite tão densa
que era impossível para mim ver qualquer coisa. Então eu
tive que confiar nele, mesmo que eu não tivesse razão para
isso.
Nós não andamos muito longe da boca da caverna
antes que o som de água balbuciante quebrasse o silêncio.
Embora eu me sentisse exausta por tudo, quando
atravessamos a clareira e pude ver uma pequena cachoeira
que levava a uma generosa piscina de água, que então
continuava rio abaixo, um pouco do meu cansaço
desapareceu.
Meu corpo doía de correr e tentar — e falhar — fugir
do Lobo. Além do fato de eu ter caído algumas vezes na
perseguição e ter certeza de que tinha alguns hematomas
feios escondidos sob minhas roupas, senti uma sensação
quase serena de estar aqui.
Eu não estava com medo, apesar da escuridão
espessa que nos cercava e dos predadores por perto. Como
eu poderia quando o Lobo estava a um pé de distância de
mim e tudo que eu conseguia lembrar era dele me dizendo
que destruiria qualquer coisa que pensasse em me
machucar?
Havia uma espécie de brilho etéreo sendo lançado ao
longo da superfície da água, e uma brisa fresca aproveitou
aquele momento para me tocar, movendo os fios do meu
cabelo ao longo dos meus ombros.
Eu estava tão perdida em pensamentos e apreciação
da vista que não percebi que o Lobo estava me pedindo
para sentar em uma grande pedra na beira da água.
Por um segundo, eu apenas olhei para ele, e havia um
peso estranho que parecia nos cercar enquanto ele olhava
de volta para mim. Ele fez outro som, uma série de
grunhidos e ronronados, antes de se virar e ir em direção à
água.
Eu me perguntei mais de uma vez se estava
sonhando. Porque tudo isso era muito irreal para ser vida.
Mas parecia real. Ele parecia real.
Curiosamente, eu o observei caminhar em direção à
água e entrar, movendo-se em direção ao centro. Ele não
me encarou imediatamente quando começou a se lavar,
gotas espirrando ao redor de seu corpo, seu pelo escuro
quase parecendo preto agora que estava molhado e
grudado em seu corpo.
Eu podia ver claramente o quão musculoso e duro
ele era por toda parte. Ombros largos e enormes, braços
longos com bíceps salientes e antebraços que eram
cortados e definidos e me faziam apertar minhas coxas.
O Lobo pode não ser humano, mas era a coisa mais
masculina e poderosa que eu já tinha visto nos meus vinte
e dois anos de vida.
Olhei ao redor, percebendo que eu poderia tentar
escapar enquanto ele não estava olhando e alerta. Eu até
apoiei minhas mãos na pedra e estava prestes a me
levantar. Mas eu sabia… sabia que era inútil. Pelo menos
agora. Eu precisava ser inteligente, porque se eu tentasse
escapar agora, ele só me pegaria, e então suas defesas
estariam em alta.
Eu tinha que abaixá-las, fazê-lo pensar que eu era
submissa aos seus modos, para que ele não ficasse em
guarda. E então eu tentaria ir embora. Essa era a coisa
sensata a se fazer.
E quando ele se virou, eu não consegui evitar o arfar
agudo que dei. Ele estava ficando ereto. Assisti com uma
estranha espécie de admiração e fascínio enquanto seu pau
emergia e ele se abaixava para envolver sua grande e
carnuda pata em volta de si. E quanto mais eu olhava, mais
duro ele ficava. Suas bolas enormes e peludas começaram a
balançar levemente enquanto ele se masturbava bem na
minha frente.
Eu não deveria ter olhado, mas como diabos eu não
poderia assistir enquanto ele se dava prazer? Estava claro
que ele era um maldito exibicionista.
Acho que isso me tornou uma voyeur, porque minha
boceta ficou encharcada assistindo ele se masturbar. Com o
luar lançando um brilho prateado sobre seu corpo, eu
realmente olhei para seu sexo.
Tão longo. Tão grosso.
E porque ele estava tão duro, toda vez que sua palma
subia para a base, eu podia ver essas cristas elevadas ao
longo de todo o comprimento.
Nervuras embutidas para o prazer? Bem, droga.
Ele também tinha um anel inchado no centro de seu
pau, um que eu podia ver pulsando mesmo a essa curta
distância.
Minha garganta estava tão apertada e minha boca tão
seca. Tentei como o inferno parar de observá-lo, mas os
sons que ele fazia, os grunhidos e gemidos vindos de seu
peito, me disseram que ele gostava que eu fosse uma
pervertida, aparentemente.
Como eu poderia chamá-lo de pervertido quando eu
estava fazendo as mesmas coisas?
Ele deslizou a palma da mão para baixo até a ponta,
então a moveu de volta para cima, puxando o prepúcio
para que eu pudesse ver a coroa grossa de seu pau por
baixo.
Eu podia ver o jeito que sua cauda balançava para
frente e para trás, espirrando levemente a água como se ele
não pudesse se conter.
O esperma estava pingando constantemente da
ponta larga, e percebi que a fenda devia ser muito grande
porque essa criatura provavelmente gozou como um
maldito gêiser.
Minha boceta pareceu gostar disso — especialmente
quando imaginei todo o seu esperma jorrando enquanto
ele gozava — porque meus músculos internos se
contraíram por conta própria. Era quase como se meu
corpo quisesse algo grande e grosso enfiado bem fundo.
Meu Deus, eu era uma vadia safada, louca também.
Quem ficava excitada pensando em uma criatura lobo
gozando para todo lado?
Que tipo de pessoa foi sequestrada e ficou com a
boceta molhada só de pensar em envolver a mão naquele
monstro de pau e ver se os dedos dela se tocariam?
Eu. Eu era uma vadia safada, e nem estava lutando
contra isso.
Minha fêmea pensa que eu não a vi procurando uma
fuga. Ela não entendeu que não havia lugar para onde ela
pudesse correr onde eu não a seguiria?
Minha Marcella não entendeu completamente que
não havia um lugar para onde ela pudesse se esconder
onde eu não pudesse encontrar? Seu cheiro estava
totalmente enraizado em mim. Era uma parte de mim
agora. E quanto mais cedo ela aceitasse que era minha,
mais prazer eu poderia lhe dar.
E eu queria dar a ela uma quantidade imensurável.
Mas eu a deixei ter essa falsa bravata, essa falsa ideia
de que ela poderia me enganar. Eu era uma fera selvagem e
primitiva, mente e corpo, e meus instintos eram brutais e
afinados para a sobrevivência.
E agora que eu tinha minha Marcella, eu era ainda
mais. Porque nada a tiraria de mim, nem mesmo minha
pequena companheira lutando contra isso.
Eu só teria que mostrar a ela o quão bom seria
comigo, o quão bem eu a trataria. Ela seria minha rainha,
minha alfa. Eu adoraria o chão que ela pisasse e garantiria
que ela tivesse tudo o que pudesse querer.
Eu só queria que ela percebesse que era minha, e eu
nunca a deixaria ir.
E quando a senti me observando novamente, meu
pau endureceu, alongou. Enrolei minha pata em volta do
meu eixo e dei algumas boas estocadas.
Foi bom me masturbar, sabendo que ela estava me
observando. Foi incrível sentir o cheiro de sua excitação e
todo o doce néctar que escorria entre suas coxas.
Fios grossos do meu esperma saíram de mim,
voando na água, tornando-se ainda mais proeminentes
conforme meu desejo crescia.
Mas eu queria que ela me visse por inteiro. Eu queria
ver seus olhos se arregalarem e sua respiração prender
enquanto eu me acariciava e realmente gozava por todo o
lugar, derramando meu sêmen na água como eu faria em
seu corpo, em sua boca… bem fundo em seu útero.
— Venha até aqui, preciosa.
Ela ainda estava sentada na pedra, mas eu podia
ouvir sua unha humana raspando contra a rocha. Eu podia
ver a maneira como ela apertava as coxas, como sua
respiração acelerava.
Ela olhou para minha ereção. Deixei que ela olhasse
seu preenchimento enquanto eu me espalhava. Segurei o
comprimento pesado enquanto arrastava minha palma até
a coroa antes de deslizar de volta para a base, puxando o
prepúcio para baixo para que ela pudesse ver a cabeça
bulbosa e inchada de onde meu gozo semente pingava
continuamente.
Eu a observei morder o lábio, seus pequenos dentes
brancos contrastando fortemente com a carne vermelha, e
eu podia ver o rubor que cobria seu rosto, descia pelo
pescoço e desaparecia sob o tecido que cobria seus seios.
Eu queria chupá-los, queria vê-los ficar maiores,
mais redondos, pingando leite enquanto ela ficava pesada
com meus filhotes. E eu lamberia aqueles mamilos cheios e
escuros, lamberia o líquido doce que sairia das pontas que
alimentaria e nutriria nossos filhos.
— Eu disse, venha aqui, Marcella — minha voz
estava rouca e serrilhada, o lado primitivo subindo e
querendo apenas ir até ela e fazê-la fazer o que eu queria,
para mostrar a ela que sua hesitação não era necessária.
Mesmo que isso me excitasse como um demônio.
Ela sabia que o fogo que ela cuspiu em mim só me
excitou ainda mais e fez meu pau doer?
Ela se levantou lentamente e foi em direção à beira
da água. Quando a levei para meu covil, eu queria despi-la.
Eu queria arrancar o material do corpo dela e deleitar
meus olhos com toda aquela carne perfeita.
Enquanto eu olhava para sua fenda, imaginei agarrar
suas coxas grossas e abri-las com força.
Minha boca encheu de água, saliva escorrendo dos
cantos enquanto eu rosnava baixo e imaginava arrastar
minha língua grande pelos lábios de sua boceta.
Eu sabia que ela seria doce e almiscarada e teria
gosto de minha.
Eu me aproximei até que ela estivesse a apenas um
pé de mim, meu pau ainda na minha mão enquanto eu me
acariciava preguiçosamente.
— Me toque. — Eu a encarei. — Me acaricie até eu
gozar em toda a sua mão. — Inclinei minha cabeça para
baixo, mas mantive meu olhar fixo nela.
Ela respirou fundo e balançou a cabeça.
Uma explosão de diversão me encheu.
— Minha Pequena acha que tem escolha.
Ela abriu os lábios e arrastou a língua sobre o
inferior cheio. Marcella não tirou o foco do meu eixo o
tempo todo, e eu podia sentir ainda mais excitação saindo
da fenda e deslizando pela parte inferior do meu pau.
— Eu não deveria querer ter nada a ver com isso.
Ela parecia estar falando sozinha, mas eu podia
sentir o cheiro de quão molhada sua boceta estava. Eu
queria enterrar meu focinho entre suas coxas grossas e
lamber sua boceta até que ela me desse todo seu doce mel.
Ela estava na beira da água, e não seria preciso
esforço algum para puxá-la para perto e segurá-la firme
enquanto eu me movia para o centro, onde ela não
conseguia alcançar o fundo.
Marcella teria que se segurar em mim. Eu sentiria
seus peitos grandes pressionados contra meu peito. Ela
seria forçada a envolver suas pernas em volta da minha
cintura. Mesmo agora, eu podia ver as pontas duras de seus
mamilos perfurando o material que protegia os montes de
mim.
Minha boca encheu de água quando pensei em
rasgar o tecido fino e cheirar ela, cheirá-la e finalmente
transar com ela.
Eu queria traçar os montes pesados com a ponta do
meu nariz enquanto inalava profundamente, sentindo o
cheiro dela. Aposto que ela tinha aréolas grandes e escuras.
Eu rosnei com a imagem disso. Meu pau estremeceu
com o pensamento, e minhas bolas se contraíram.
— Segure meu pau e me acaricie, Pequena.
Ela olhou para o meu rosto então, suas pupilas
dilatadas de desejo, o cheiro de sua boceta encharcada
saturando o ar entre nós. Não havia como esconder que ela
queria que eu a fodesse, mas ela ainda estava lutando
contra isso, ainda tentando negar o final que ela
encontraria, de qualquer maneira.
— Eu não posso…
— Você pode e você vai. — Eu estendi a mão e peguei
a mão dela, e a levei para o meu pau. Eu a fiz envolver seus
dedos em volta do meu comprimento.
A palma da sua mão era tão pequena que nem cobria
metade da minha circunferência, mas eu mantive minha
palma sobre a dela e a forcei a acariciar meu pau.
Ela estava ofegante agora e balançando a cabeça
intermitentemente. A maneira como suas pálpebras
tremeram me disse que ela estava se esforçando muito
para lutar contra isso.
— Apenas se renda — cantarolei e comecei a mover
nossas mãos sobre meu comprimento mais rápido.
Ela ainda balançou a cabeça, mas manteve o olhar
fixo onde eu a fiz me tocar.
Um som suave a deixou, e eu gemi enquanto movia
sua mão para baixo, enrolando-a ao redor da crista para
que ela pudesse sentir o quanto ela me fez pingar de
excitação.
Sua respiração rápida alimentou minha excitação.
Começamos a trabalhar nossas mãos sobre meu pau duro
ainda mais rápido. Eu queria tanto tocá-la, enrolar minha
palma em torno de seu peito enorme e apenas apertar,
sentindo o quão macia ela era, o quanto ela miaria para
mim porque ela amaria a sensação de eu tocá-la.
Eu olhei para seu rosto o tempo todo, incapaz de
desviar o olhar enquanto ela observava nós dois nos
masturbando. Meu pau estava latejando, a veia grossa na
parte inferior pulsando, as costelas circulando meu eixo
endurecendo.
— Pode me imaginar empurrando isso
profundamente dentro de você? — Eu nos acariciei mais
rápido. — Consegue imaginar como seria bom fazer você
gozar, sentir essas nervuras pulsando na sua boceta,
tocando cada parte sua? — Meu nó latejava enquanto eu
imaginava gozar dentro dela.
Eu ronquei baixo, gemi asperamente e aumentei a
velocidade. Ela fez um som quase angustiado, e percebi que
estava apertando sua mão com muita força, mas não
consegui evitar com toda a minha paixão selvagem.
— Eu vou tocar em você, Pequena. — Não esperei
que ela me desse permissão, apenas estendi a mão e
enrolei minha mão contra sua cintura, puxando-a para
frente, a água espirrando ao nosso redor. E nunca impedi
que nossas mãos acariciassem meu eixo.
Deslizei minha mão até a parte inferior de seu seio.
Ela estava respirando tão forte que o monte estava
saltando levemente, o peso era grande.
E então moldei minha grande palma ao redor do
monte carnudo.
Inclinei-me e arrastei meu focinho ao longo de seu
pescoço, sobre a parte inferior de seu queixo, e segui o
mesmo caminho com minha língua.
Porra, eu estava perto de gozar, e ajustei meu corpo
para o lado, então agora eu estava de frente para ela, meu
pau apontado para sua barriga. Eu queria fazer uma
bagunça pegajosa em Marcella para que ela nunca
conseguisse limpá-la completamente.
— Marcella — eu rosnei e mostrei meus dentes, um
aviso para ela me obedecer. Ela exalou e lentamente
inclinou a cabeça para que pudesse olhar em meu rosto.
— Você vai olhar direto para mim enquanto fazemos
isso, enquanto eu tomo posse de você dessa forma pela
primeira vez.
Eu apertei sua mão com minha pata, sabia que
provavelmente a estava machucando, mas ela não me disse
para parar. E mesmo que ela tentasse impedir isso, eu não
conseguiria. Eu estava muito fundo em minha necessidade
primitiva de tê-la, de fazê-la ver e sentir e saber que eu
nunca a deixaria ir.
— Espere — ela engasgou, mas eu apenas fechei
meus dedos com mais força em volta dos dela. — Eu não
posso fazer isso.
— Você vai fazer isso. Você vai me fazer gozar para
que eu possa gozar em você.
Ela fez um barulho estranho e tentou puxar a mão de
volta sem muito entusiasmo. E embora eu a segurasse, se
ela realmente quisesse que eu parasse, eu a teria soltado.
Ela queria agir como se precisasse que isso parasse,
mas eu podia sentir o cheiro de quão doce e encharcada
sua boceta estava. Eu podia ouvir seus pequenos gemidos
que ela tentava manter enterrados no fundo da garganta.
Suas pupilas estavam dilatadas, seus lábios inchados
e vermelhos porque ela continuava mordendo-os.
Deslizei minha pata sobre sua nuca para enredar
minhas garras contra a parte de trás de sua cabeça,
agarrando os fios e puxando sua cabeça para trás.
— Você vai ser uma boa garota e admitir que é
minha?
Ela gemeu novamente e balançou a cabeça, o que me
fez cantarolar de prazer e frustração com seu desafio.
E quando ela gemeu, quando fechou os olhos e abriu
ainda mais a boca — enquanto eu sentia o cheiro da flor do
seu orgasmo no ar — foi quando me deixei levar.
Deixei um ronco baixo sair do meu peito enquanto
minhas bolas apertavam, e eu explodi, espirrando meu
gozo por toda a barriga dela antes de inclinar meu pau
para cima, de modo que as grossas cordas brancas
respingassem em seu pescoço.
Ela arfou.
Eu a puxei para mais perto e arrastei minha língua ao
longo de sua boca, repetidamente. E ainda assim continuei
marcando-a porque ela era minha.
Foi um segundo em que eu suguei grandes golfadas
de ar, meu corpo tremendo e estremecendo de gozar, antes
que eu me sentisse calmo o suficiente para pensar
claramente novamente. Masturbar não era estranho para
mim, mas nunca tive uma mulher me tocando. Até agora.
Enquanto Marcella ainda estava em sua névoa pós-
prazer, não me contive enquanto arrastava minha língua ao
longo de sua bochecha e depois sobre seus lábios
novamente. Quando ela separou os lábios, deixei minha
língua deslizar para dentro.
Eu não tinha boca ou lábios, e nunca poderia beijá-la
do jeito que eu tinha visto os humanos fazerem. Mas eu
poderia lambê-la, lambendo cada centímetro de seu corpo
até que ela tremesse e gritasse para que eu lhe desse mais.
— Você — ela finalmente disse em um tom quase
chocado antes que a surpresa desaparecesse, e eu pudesse
ver o tempero que eu tanto amava nela surgir. — Foi você.
— Ela olhou para baixo e pegou sua blusa, meu esperma
encharcando o tecido e eu senti um orgulho feroz por isso.
Eu sabia que ela tinha descoberto, e meu
comprimento começou a endurecer novamente com essa
realidade. Eu queria que ela soubesse que o que eu tinha
feito era algo que minha espécie fazia quando encontramos
nossa parceira.
— Diga, minha pequena fêmea feroz. Diga-me o que
você percebeu.
Ela deu um passo para trás, e eu a deixei.
Suas mãos estavam fechadas em pequenos punhos
ao lado do corpo, suas narinas dilatadas, o cheiro de sua
irritação enchendo meu nariz da maneira mais tentadora.
— Você… você… — ela não conseguiu passar daquela
palavra solitária, mas eu não me movi, não falei, apenas a
observei e a deixei trabalhar nisso. — Você gozou em mim
como um maldito pervertido.
Eu me aproximei um passo, a água ondulando ao
meu redor.
— Eu marquei você.
O som que veio dela foi alto e estridente.
— Me marcou? Como um cachorro mijando em uma
árvore?
Inclinei minha cabeça para o lado.
— Não. Como um predador, estou me certificando de
que qualquer coisa e qualquer um que chegue perto o
suficiente para sentir seu cheiro saiba que você é minha. —
Rosnei, o próprio pensamento de outro homem sequer
olhando para ela enchendo cada parte de mim. — Meu
cheiro cobre você, minha doce Marcella, e é esse cheiro que
deixará qualquer outro predador saber que eu vou destruí-
los se eles sequer tocarem em você.
Dei mais um passo à frente, e seus instintos de
sobrevivência a tomaram enquanto ela recuava um pouco,
causando uma onda de euforia enquanto o predador que
eu era se levantava também.
— Você gozou em mim — ela disse novamente e
piscou, seus lábios se abrindo. — Me marcou — sussurrou
suavemente essas palavras duplas enquanto olhava para a
água.
Mostrei meus dentes na única forma de sorriso que
pude dar a ela.
— Gozei, e você está linda coberta com minha
excitação. — Se eu pudesse ter rido, teria rido da raiva que
ela jogou em minha direção. Mas eu agarrei meu pau, que
tinha ficado duro em um instante, e comecei a me acariciar
de novo. — Eu posso te dar mais, se você quiser?
Ela fez um som frustrado e se virou, indo em direção
à costa, e eu cantarolei baixo de prazer. Minha
companheira tinha muita força, isso estava claro, e eu
estava faminto para ver o quanto eu poderia pressioná-la.
Antes de voltarmos para meu covil, Marcella lavou-se
o máximo que eu permiti, porque o que eu me recusei a
deixá-la fazer foi limpar suas roupas. Ela bufou, resmungou
e ameaçou “me chutar nas bolas”.
Mas eu apenas alisei minha palma sobre o lado de
seu pescoço, seus seios e sobre sua barriga. Quando ela
percebeu que eu estava esfregando ainda mais meu
esperma, ela disse mais algumas palavras mal educadas em
resposta.
E isso fez meu pau engrossar novamente.
Depois disso, eu levei Marcella de volta. O fogo não
tinha nada além de brasas, e depois que adicionei mais
alguns pedaços de madeira para garantir que
permanecesse quente o suficiente na caverna para minha
pequena companheira, eu disse a ela para ir para nosso
colchão de dormir.
Minha fêmea fogosa cruzou os braços sobre o peito,
levantou seu queixo fofo e franziu seus lábios rosados e
exuberantes para mim antes de me dizer para “dar o fora”.
Ela não sabia que esse empurra e puxa dela me
excitava?
Deixei-a dormir enquanto eu rondava o lado de fora
e me certificava de que não havia outros predadores
espreitando meu território. Eu chamei esse covil de meu
por tanto tempo que qualquer coisa que tivesse um
cérebro e quisesse sobreviver sabia que deveria ficar longe.
Mas eu não arriscaria nada com minha pequena
companheira. Eu me certifiquei de que meus avisos fossem
vistos, cheirados e conhecidos em alto e bom som. Partes
do corpo das criaturas que ousaram cruzar para o que era
meu encontraram seu fim e foram deixadas para apodrecer
como um aviso.
Eu urinei nas árvores ao redor da minha caverna,
deixando meu cheiro saturar o ar, arrastei minhas garras
sobre os troncos grossos para que as ranhuras
aparecessem, eu faria o mesmo com seus corpos.
Comecei a voltar para minha Marcella.
Uma vez de volta à minha caverna, me certifiquei de
que o fogo estava bom pelas próximas horas. Eu não
precisava de luz ou calor, mas sempre estaria preparado
para minha pequena humana.
Ela não era construída como eu, com pelos grossos
ou sentidos aguçados. Eu teria que ter cuidado com ela e
ficar atento às suas necessidades.
Peguei uma bexiga de água e fui até nosso catre,
coloquei ao lado dela para o caso de ela acordar e ficar com
sede, e então fiquei ali olhando para ela.
Um pelo grosso a cobria, e a subida e descida
constantes de seu peito me diziam que ela dormia. Subi no
catre, puxei as peles para trás e deslizei atrás dela para
poder enrolar meu corpo ao seu redor. Enrolei meu rabo
em volta de sua barriga, a espessura adicionando calor a
ela. E quando ela se abaixou e enterrou as mãos no tufo
grosso de pelo, cantarolei de prazer por ela ter me
procurado.
Enterrei meu focinho em seu cabelo e inalei
profundamente. Ter Marcella comigo me fez sentir mais
contente do que eu poderia imaginar. Nunca percebi o quão
solitário eu estava até vê-la e saber que ela era minha.
O comprimento rígido da minha ereção cavou nas
suaves ondulações de sua bunda. Não me contive enquanto
me esfregava contra ela, rolando meus quadris. Um
zumbido baixo de necessidade rasgou meu peito e agarrei
o quadril generoso da minha companheira, apertando
suavemente enquanto a puxava de volta para mim.
E ela ainda dormia, tão exausta que nem acordou.
Enquanto eu a cheirava, mantive meu focinho enterrado
em seu cabelo, querendo que ela fosse marcada por mim.
Continuei rolando meus quadris para frente e para
trás, segurando-a com mais força, sua bunda tão cheia que
quando eu a empurrei um pouco mais firme, meu pau
empurrou contra o vinco de suas coberturas de pernas.
Gemi e afastei o cabelo do pescoço dela para poder
olhar para ela, arrastar minha língua sobre o lado de seu
pescoço e empurrar para trás e recuar.
Uhmm. Eu queria puxar sua calça para baixo apenas
o suficiente para revelar sua bunda e sentir seu calor. E
então eu fiz exatamente isso até que ela estivesse nua para
mim.
Marcella gemeu levemente, ainda dormindo, mas
colocando sua bunda para fora e me dizendo o quanto ela
queria isso. Eu pressionei para frente e senti suas nádegas
se separarem enquanto meu pau se aninhava no vinco
quente.
Ela era perfeita. Ela era minha.
Continuei bombeando meus quadris para frente e
arrastando meu eixo longo e grosso para cima e para baixo
na fenda de sua bunda. Um rosnado de desejo primitivo me
encheu quando a cabeça do meu pau roçou contra sua
boceta e eu senti todo aquele mel escorregadio já
cobrindo-a.
Ela odiava me querer, mas não podia negar que
ansiava por mais. O corpo dela chorava por mim, e a ideia
de levantar a perna dela, jogá-la sobre meu quadril e
afundar fundo era tão forte que apertei meu aperto nela e
acelerei o ritmo.
O fato de ela ter dormido, mas seu corpo reagir
instintivamente a mim, sabendo que eu cuidaria dela, foi
um afrodisíaco tão grande que eu sabia que teria um
orgasmo novamente.
Rosnei, enrolando minha mão na frente dela,
deslizando-a entre suas pernas e levantando-a
ligeiramente. Ajustei-me para que meu pau deslizasse bem
entre aquelas coxas suculentas, o calor de seu corpo e a
maciez de sua boceta, facilitando meus movimentos
enquanto eu deslizava para frente e para trás.
Agarrei seu peito farto com minha pata, sentindo o
quão apertado seu mamilo estava enquanto eu apertava o
monte e acelerei meu ritmo, jogando meus quadris para
frente e para trás.
Meu pau deslizou para dentro e para fora. Para
dentro e para fora.
E então gozei, explodindo, espirrando esperma em
todos os lugares. Ela gemeu novamente, seu corpo se
despedaçando. Meu pau agora estava aninhado entre suas
dobras carnudas e esfregando contra seu clitóris inchado.
Mesmo dormindo, ela gozou para mim. Abri minha
boca e gentilmente prendi minha mandíbula em seu
pescoço, não forte o suficiente para romper a pele,
deixando-a saber que eu era o único no controle.
Eu queria que ela estivesse espalhada diante de mim,
nua e disposta. Suas coxas abertas, sua boceta encharcada
e preparada para mim. Eu queria cada centímetro dela
coberto com minhas marcas. Mordidas e arranhões,
hematomas e sêmen.
Ela ficaria tão perfeita assim.
Quando eu estava exausto, meu sêmen espalhado
entre suas coxas, relaxei no palete e a puxei para perto.
Ela se mexeu, gemendo novamente, e pressionou seu
traseiro na minha virilha.
— Tão bonita. — Ela tinha cabelos escuros, e eu
alisei minhas garras sobre eles. Levei os fios ao meu
focinho e inalei, roncando de prazer com seu cheiro.
Eu sabia quando ela estava completamente acordada
porque seu corpo enrijeceu contra o meu e ela deslizou a
mão sob as peles, sem dúvida sentindo todo o meu
esperma cremoso cobrindo-a.
— Seu filho da puta — Marcella murmurou, sua voz
ainda um pouco sonolenta, mas não havia calor por trás de
suas palavras.
Eu mostrei meus dentes e dei um bufo — uma risada.
Quanto mais cedo ela percebesse que eu era uma
besta nojenta para ela — só ela — mais orgasmos eu
poderia lhe dar.
Dois dias. É quanto tempo tinha ficado nessa caverna
com o Lobo.
Ele me observava como um falcão, me seguindo
aonde quer que eu fosse, me tocando sempre que estava
perto o suficiente.
E toda noite ele me forçava a dormir ao lado dele, me
tocava… me acariciava devagar e gentilmente, me
acariciava entre as pernas até eu tremer e gozar. Ele não
tentou me foder. E eu era descarada em admitir que toda
noite quando eu estava à beira do precipício, eu quase
implorava para ele colocar aquele pau monstruoso dentro
de mim.
Eu o encarava por cima do fogo enquanto ele
esfolava e preparava um coelho que ele trouxe depois de ir
caçar.
Eu tentei escapar então, mas não tinha saído mais do
que cinco minutos da caverna antes de ouvi-lo rugir. Correr
tinha sido quase risível. Ele me pegou momentos depois,
me jogou por cima do ombro como um saco de roupa suja e
bateu na minha bunda com força suficiente para que eu me
acalmasse do choque.
Então aqui estava eu, olhando para seu corpo grande
e peludo enquanto ele estava sentado ali, alheio à minha
irritação. O cheiro de cobre tingia o ar, e eu deveria estar
engasgando, mas o outro cheiro, o de carne assando,
juntamente com o som dela chiando, fez meu estômago
roncar e minha boca salivar.
— Para você — ele resmungou, e jogou uma pequena
bolsa de pano em minha direção.
Olhei para ele cautelosamente antes de pegá-la e
abri-la. Dentro havia uma variedade de frutas vermelhas e
nozes, algumas que eu nunca tinha visto antes, outras que
reconheci quando colhi durante minha caminhada.
O lado educado de mim queria agradecê-lo, mas a
parte irritada — que atualmente era muito mais forte —
me fez ranger os dentes e, em vez disso, coloquei a bolsa de
lado.
Ele continuou trabalhando no animal, mas eu podia
ver que ele me observava intermitentemente pelo canto do
olho.
— Eu sei que você acha que vai me manter aqui —
eu disse em um tom uniforme. Você pega mais moscas com
mel do que com vinagre, minha avó sempre dizia. Mas eu
também sabia que Lobo não dava a mínima para nada
disso. Ele devia ser a criatura mais teimosa… que eu já
conheci na minha vida. — Mas eu tenho que pegar um
barco na segunda-feira. Se eu não estiver lá, eles virão me
procurar.
Ele não respondeu enquanto começava a abrir o
animal com uma de suas garras pretas. Eu segurei meu
reflexo de vômito ao ver o sangue escorrendo da ferida
aberta. E então ele simplesmente começou a puxar
entranhas e jogá-las para o lado.
— Eles não vão te encontrar — seu tom era estoico,
como se essa fosse a conversa mais inútil que ele já tinha
ouvido. Que coisa estranha de se perceber, dado o fato de
que ele nem era humano, e não era como se ele tivesse
mais nada para fazer.
O Lobo cortou pedaços de carne e começou a
cozinhá-los no fogo. E embora eu soubesse que ele gostava
de carne crua, ele nunca mais comeu antes de mim depois
daquela primeira vez. Ele esperou até que eu me saciasse
antes de comer.
Eu odiava e amava como isso me fazia sentir, como
isso amolecia meu coração um pouco em relação a ele.
Mas a verdade era que se eu tirasse o fato de que ele
me sequestrou e estava me mantendo como refém — o que
eram grandes desvantagens para ele — o Lobo só tinha
cuidado de mim.
Ele fez de mim sua prioridade com abrigo, calor e
comida… e, claro, prazer.
Todas as noites, ele me levava para o lago onde nos
lavávamos e ele quase arrancava as roupas de mim para
lavá-las. Ele não se importava que eu dissesse — exigisse
— que ele me levasse de volta para a cabana, e se ele o
fizesse, eu teria mais variedade.
Parei de tocar no assunto quando ele disse que
preferia que eu ficasse nua.
Só levei dois dias tendo que me lavar no lago como
um animal e, claro, observando-o se tocar da maneira mais
obscena, antes de eu rapidamente superar a timidez. Era
tudo só pele, certo?
E qual era o sentido de se importar com esse tipo de
coisa quando, olhando de forma ampla, não importava?
Além disso… Lobo era muito inflexível sobre tocar
cada centímetro do meu corpo e me dar pelo menos dois
orgasmos antes de me deixar dormir.
Ele tirava minhas roupas lentamente, passava
aquelas grandes patas peludas em cada centímetro de mim,
rosnando baixo e de uma forma que deixava minha boceta
tão molhada que era constrangedor o efeito que ele tinha
em mim. Então havia toda a parte da masturbação como
um cretino obsceno enquanto ele me observava. Ele se
excitava sendo um exibicionista.
Enquanto eu imaginava isso, senti meu rosto
esquentar.
Pigarreei.
— Você não se importa se alguém vier me procurar?
E se eles nos encontrarem e capturarem você para fazer
experimentos malucos ou algo assim? — Ao pensar nisso,
meu estômago azedou e meu coração começou a bater em
um ritmo estranho.
Eu não gostava da ideia de alguém machucá-lo.
— Deixe-os vir — ele resmungou e virou a carne, o
chiado contínuo dela cozinhando na pedra muito alto. — Se
eles forem astutos e espertos o suficiente para encontrar
meu covil — ele disse lentamente e olhou para mim. — E
acham que podem tirar você de mim… — ele fez uma
pausa, sua voz ameaçadora. — Eles podem lutar comigo e
ver se vencem — sua voz ficou mais baixa. — Não vão. Mas
eles podem tentar. Vou arrancar suas cabeças de seus
pescoços e me banquetear com seu sangue.
Ele voltou a cortar tiras de carne, seus maneirismos
como o que ele tinha acabado de me dizer que era uma
conversa cotidiana.
Eu encarei o fogo, perdida em meus próprios
pensamentos. Levantei a mão e comecei a trançar meu
cabelo, algo que eu vinha fazendo nos últimos dois dias
para manter os emaranhados sob controle.
Na verdade, eu tive que recorrer a uma vida
realmente difícil em todos os aspectos. Escovando meus
dentes com folhas de hortelã que ele me trouxe, usando
areia ao longo da borda do lago para me esfregar antes de
esfregar minha pele com essas folhas pungentes que ele me
deu, que eu acho que agiam como sabão.
Quando olhei para cima, ele tinha seu olhar fixo no
movimento de mim trançando as mechas.
— Você vai me ensinar? — sua voz profunda fez
minhas coxas se contraírem involuntariamente. Eu era
como o cachorro de Pavlov quando se tratava dele. Apenas
um rosnado áspero do Lobo e minha boceta se animava.
— Você quer aprender a arrumar meu cabelo?
Ele grunhiu e acenou com sua cabeça quadrada.
— Mas por quê? — Senti minhas sobrancelhas
franzirem em confusão.
— Eu quero cuidar de você de todas as maneiras, e
isso inclui garantir que você não tenha nós.
Ah, meu Deus. Lá vai meu coração, fazendo aquela
batida engraçada no meu peito novamente.
Desviei o olhar, meu rosto queimando. Eu nunca
tinha corado tanto na minha vida.
— Ok — sussurrei, não me permitindo olhar para ele
porque sabia que isso faria meu cérebro virar mingau e
qualquer autocontrole desaparecer. — Eu te ensino. —
Fechei os olhos e respirei fundo.
Uma longa pausa encheu a caverna, e me concentrei
no fogo novamente antes de tentar uma última vez.
— Você vai me levar para minha cabana? — Olhei
para ele novamente. — Por favor? Eu quero minhas coisas.
Meu caderno de desenho e lápis, minhas roupas, meu
pente e escova de dentes e só… todas as minhas coisas,
Lobo.
Embora ele tenha trazido minha jaqueta e meu bloco
de desenho de quando eu estava correndo, o papel ficou
úmido e rasgado, sujo da queda, então agora era inútil. Eu
também não tinha nada para desenhar. E eu estava
sentindo uma certa abstinência por não poder desenhar.
— Isso vai te fazer feliz?
Sua pergunta me surpreendeu, e eu o encarei por
longos segundos antes de concordar.
— Sim. Isso me faria feliz. — Entre outras coisas,
pensei comigo mesmo.
Ele resmungou e voltou a trabalhar cortando o
animal.
— Então eu te levo para onde você precisa ir.
Tudo o que eu podia fazer era sentar lá e encará-lo.
Isso parecia tão… fácil. Por que era tão fácil agora, mas ele
tinha feito tanto alarde sobre isso antes? O Lobo olhou para
mim como se lesse meus pensamentos.
— Eu sou um alfa. Eu sou dominante. E sempre
consigo o que quero.
Eu me contive para não revirar os olhos.
— Mas não posso esperar que você aceite a situação
e me aceite, se eu não estiver disposto a fazer o mesmo.
Pisquei com sua franqueza. Maldito Lobo por me
fazer gostar dele um pouco mais.
Ele pegou a carne do fogo, nem mesmo agindo como
se o calor o incomodasse, e trouxe a comida para mim.
Ele sentou na minha frente, e eu não me intimidei
quando ele pegou um pedaço de carne e deu alguns
segundos para a tira esfriar.
Eu apenas o encarei, sentindo algo estranho crescer
no meu peito. Por ser tão bestial, ele era um gigante gentil
lá no fundo.
O Lobo estendeu a comida e eu fui pegá-la, mas seu
rosnado baixo e um pequeno balançar de cabeça me
impediram.
— Deixe-me alimentá-la. — Ele se inclinou para
frente e se concentrou na minha boca. — Não há nada que
eu queira mais do que agradar você, Marcella. — Ele estava
respirando mais forte agora. — E alimentá-la me dá grande
prazer. Então abra para mim — murmurou roucamente.
Eu abri minha boca e o deixei deslizar a comida para
dentro.
— Essa é minha boa garota — ele quase ronronou.
— Quero que você seja feliz aqui. Eu quero te dar tudo o
que você precisa e deseja.
Enquanto eu mastigava, meu coração batia forte e
meu corpo se iluminava.
— E se isso vai te fazer feliz reunir seus itens, que
assim seja. Eu vou te levar lá na primeira luz do dia.
O Lobo estava mudando as regras. Ele estava
passando de captor para cuidador, e eu não deveria sentir
que estou querendo ele por causa de quão suave ele estava
sendo comigo.
Eu sabia o que faria quando ele me pegasse. Pegar
minhas coisas da cabana não era o verdadeiro motivo pelo
qual eu pedi novamente.
Eu tentaria escapar. Eu sabia que essa provavelmente
seria minha única chance, porque por mais que o Lobo
cuidasse de mim… esta não era minha casa.
Certo?
Aconchegando-me mais profundamente sob as peles,
senti meus olhos pesarem de sono.
Depois de comer minha porção de tiras de carne e as
nozes e frutas vermelhas que o Lobo me dera, tomamos
banho, voltamos para a caverna e agora eu o ouvia se
arrastando.
Deixei a sonolência tomar conta um pouco mais até
que o movimento do Lobo me acordou, enquanto ele
puxava a pele para o lado e deslizava atrás de mim.
Ele estava com cheiro da natureza, como o ar fresco e
a ausência de poluição a que eu estava tão acostumada
enquanto vivia na cidade.
Seu corpo também estava frio, como se o vento
tivesse passado por seu pelo por estar do lado de fora.
Tentei me afastar um pouco, um arrepio me tomando com
o frio que o cercava. Mas ele não sentia nada disso.
Lobo colocou a palma da mão no centro da minha
barriga, deu um grunhido de desaprovação e me puxou de
volta para seu peito.
Então ele se envolveu completamente em mim, sua
ereção já cravando contra minha bunda, o que
imediatamente enviou uma onda de calor direto entre
minhas coxas.
Ser segurada por ele não deveria parecer tão certo.
Não deveria ser tão bom ou excitante. Porque eu
estava tão molhada agora e tudo o que foi preciso foi o
cheiro dele e a sensação de seu corpo contra o meu para
ligar aquele interruptor dentro de mim.
Eu queria mais daqueles carinhos pesados que ele
gostava de me dar antes de eu adormecer, queria senti-lo
arrastando aquela língua grossa sobre minha pele exposta
e ouvi-lo rosnar porque ele amava tanto fazer isso.
Fiquei deitada ali e fingi dormir, mesmo sabendo que
ele provavelmente estava totalmente ciente de que eu
estava acordada.
Eu estava tendo dificuldade em controlar minha
respiração, senti-me ficar mais molhada, meus mamilos
perfurando o material da minha camisa.
Minhas roupas estavam duras de ter que secar ao ar
depois de lavá-las no lago. Eu deveria ter ficado nua
enquanto dormia, o material arranhava e raspava minha
carne, mas minhas roupas quase pareciam um escudo,
como se de alguma forma me ajudassem a manter minha
sanidade e não aceitar isso como minha realidade.
Mesmo que — quanto mais eu pensava sobre isso —
esse não fosse o pior resultado absoluto que eu já
experimentei.
E sinceramente, eu gosto de sentir seu corpo quente
e grande me cercando.
Eu estava perdendo a cabeça. Era possível ter
Síndrome de Estocolmo tão cedo depois de ser
sequestrada? Tudo o que eu sabia sobre a realidade era
completamente falso? Como algo tão bom e tão certo
poderia estar errado de alguma forma?
Eu podia sentir seu rabo subindo e descendo pela
minha panturrilha antes de deslizar até minha coxa. Ele
enrolou a pata em volta do meu quadril, empurrou
suavemente contra minha bunda, cravando seu pau contra
o vinco.
Fechei os olhos e mordi meu lábio quando seu rabo
deslizou ao longo da borda da minha camisa, empurrando-
a ligeiramente para cima enquanto ele provocava meu
abdômen que ele expôs.
Um arrepio involuntário percorreu meu corpo e eu
disse a mim mesma para não miar como uma gatinha. Eu
não faria nenhum som, não poderia deixá-lo saber o
quanto eu gostava disso.
Mas por quê? Por que eu não podia aproveitar isso?
Por que eu não podia simplesmente dizer dane-se tudo e
todos e tomar posse isso?
— Minha doce, doce Marcella. Você é tão perfeita
perto de mim. Você vai se sentir tão bem quando eu enfiar
meu pau profundamente em seu corpo humano e possuí-la
completamente.
Minha cabeça estava confusa, a euforia me enchendo.
— Você é a melhor. Nenhuma outra mulher jamais se
comparará a você. Nenhuma outra criatura será tão
importante quanto você para mim.
Não pense em mais em quão bom isso é. Não deixe que
suas palavras e toques o influenciem em seu plano de
descobrir uma maneira de escapar amanhã.
Eu não conseguia controlar minha respiração então.
Eu nem tentei. Soltei um suspiro trêmulo quando ele
moveu a ponta de sua cauda ao longo do meu quadril,
sobre minha cintura, e gentilmente a arrastou para baixo
dos meus seios.
— Deixe-me fazer você se sentir bem. — O Lobo
passou a língua sobre minha bochecha, e então eu gemi. —
Deixe-me te despir e lamber cada parte de você até que
você esteja se contorcendo e implorando para que eu
finalmente te foda. — Ele continuou movendo sua língua
sobre o lado do meu pescoço meticulosamente devagar.
Era mais tortura do que excitação neste momento.
Sua língua era tão grande e estranha, e ele tinha um
cheiro e uma sensação tão bons.
Eu mordia meu lábio repetidamente, tanto que a
carne estava macia, essa dor aumentando meu desejo
crescente.
E quando senti seu rabo se mover para baixo e
provocar o vinco entre minhas coxas, eu as separei
descaradamente e permiti que ele tivesse acesso.
Eu estava usando calça, mas podia sentir o toque
suave daquele rabo peludo deslizando para baixo,
provocando minha boceta coberta de tecido. Eu precisava
de mais.
Deus me ajude, mas eu queria mais.
— Deixe-me entrar — ele disse em uma voz de
barítono, e eu fiz um som que nem parecia que poderia ter
vindo de mim. Foi uma afirmação silenciosa.
Faça o que quiser. Só não pare.
Embora eu não tenha falado, eu sabia que ele sabia
totalmente que eu estava completamente a bordo com isso
porque, no segundo seguinte, ele se levantou e começou a
tirar minhas roupas.
Quando eu estava completamente nua na sua frente,
ele apenas se agachou e olhou para cada centímetro do
meu corpo. Por muito tempo.
Mas eu não me senti constrangida, não senti vontade
de me cobrir de sua avaliação.
Porque a coisa com o Lobo era que ele olhava para
cada parte do meu corpo como se estivesse morrendo de
vontade de tocá-las, de me provar, de memorizar cada
mergulho e cavidade, cada curva e dobra.
Eu podia ver em sua linguagem corporal que ele
tinha fome de mim, e era um sentimento poderoso.
— Seu corpo foi criado para a foda violenta que eu
quero te dar. — Ele deixou seu olhar viajar até minha
barriga. — A forma perfeita para carregar meu filho.
Como ouvi-lo dizer coisas tão obscenas poderia
causar uma reação visceral dentro de mim?
O Lobo estendeu a mão e começou a correr as
palmas sobre minha barriga, apertando minha carne,
agarrando as dobras que eu amava em mim.
— Olhe para essa perfeição.
Eu engasguei quando senti a eletricidade atingir meu
clitóris.
Ele estava rosnando, seu pau tão duro que a
excitação era um gotejamento constante da coroa e
deslizava pela parte inferior antes de pegar no pelo de suas
coxas.
— Eu quero que você me peça, implore para que eu
faça você se sentir bem.
Eu hesitei, e ele se inclinou e mostrou suas presas.
— Você fará o que eu disser porque quer me agradar.
Eu fiquei muito molhada.
— Agora seja uma boa garota e me diga exatamente
o que eu quero ouvir.
Ouvir essa besta-lobo falar todas essas palavras sujas
foi um afrodisíaco tão grande que eu abri minhas pernas ao
comando.
O Lobo se inclinou e fechou os olhos, inalando
profundamente.
— Sua boceta está tão preparada para mim, não é,
minha pequena humana?
Antes que eu pudesse responder, vi um flash de
movimento ao meu lado um segundo antes de sua cauda
pousar bem entre minhas pernas, batendo em meu clitóris.
Minhas costas arquearam, meus seios tremeram, e
esse som que eu nunca tinha ouvido antes, saiu da minha
garganta.
— Que diabos… — essa última palavra morreu na
minha garganta quando ele trouxe seu rabo peludo para
baixo na minha boceta encharcada novamente.
Ele o colocou estrategicamente para que quando ele
pousasse, a ponta roçasse meu clitóris tão fortemente que
um espasmo involuntário tomou conta de mim.
Lobo fazia ruídos animalescos acima de mim, suas
patas em ambos os lados das minhas pernas, suas garras
cravadas no palete.
Ele continuou batendo na minha boceta com aquele
rabo até que senti lágrimas vazando do canto dos meus
olhos.
Balancei minha cabeça, sem saber se queria que ele
parasse ou continuasse porque a dor estava levando a esse
prazer incrível que fez minhas coxas se apertarem, minha
respiração parar, e então eu gozei nele tão de repente que
não consegui segurar o grito que saiu de mim.
— É isso — ele disse na voz mais primitiva que
penetrou direto no meu clitóris e fez o orgasmo parecer
muito mais forte. — Essa é minha garota. Me dando tanto
prazer gozando para mim. Uhmm, essa sua boceta está
ficando tão molhada e pronta para se esticar em volta do
meu pau.
Ele se inclinou para perto e lambeu o lado do meu
rosto. Fechei os olhos, gemendo enquanto virava minha
cabeça mais para o lado para que ele tivesse melhor acesso.
A língua do Lobo não era lisa. Era áspera,
texturizada, como grãos de sal correndo contra minha pele.
Eu me perguntei como seria a sensação entre minhas
pernas enquanto ele lambia minha boceta e me fazia gozar
daquele jeito.
E como se ele soubesse onde estavam meus
pensamentos, como se pudesse sentir o cheiro de toda
aquela umidade saindo do meu buraco apertado, ele deu
uma mordidinha suave no meu maxilar antes de começar a
descer pelo meu corpo.
Ele arrastou aqueles dentes afiados entre o centro
dos meus seios, e a sensação daquela picada, juntamente
com seu grande nariz molhado descendo, fez minha boceta
apertar. Abri minhas pernas o máximo que pude, os
músculos se esticando e puxando, mas, mais uma vez,
aquele desconforto apenas alimentou meu desejo.
Arfei de dor e olhei para baixo, vendo que seus
caninos afiados tinham rompido a pele logo abaixo do meu
umbigo.
Gotas de sangue brotaram, e eu observei em
descrença atordoada enquanto ele se inclinava para trás
apenas o suficiente para deixar sua língua se desenrolar
lentamente antes de arrastá-la pela vermelhidão,
espalhando-a ao longo da minha barriga antes de
continuar a lambê-la para limpá-la.
— Esta noite, finalmente, vou te fazer minha.
E eu sabia que a definição do que ele queria dizer
com isso era mais selvagem do que qualquer coisa que eu
pudesse imaginar.
Quando ela abriu as coxas para mim, permitindo
acesso à sua doce, doce boceta, eu rosnei em uma
necessidade carnal.
— Mais, Marcella — minha voz estava quase
irreconhecível pelo meu desejo primitivo. — Abra mais e
deixe-me ver o que vou comer esta noite.
Ela abriu um pouco mais, mas fiquei impaciente.
Agarrei minhas garras sob a parte de trás dos joelhos dela,
puxei suas pernas para abrir — ouvindo-a suspirar — e as
levantei para pressionar contra seu peito.
— E-espera — ela disse, e eu rosnei. Eu odiava essa
palavra.
— Chega de esperar. — Apertei minhas garras na
parte de trás das pernas dela e a mantive exatamente onde
eu a queria. — Você precisa que eu lamba essa boceta e te
faça gozar, não é?
Deixei meu olhar percorrer sua barriga bem
arredondada e cheia, seu peito arfante e seus peitos
grandes que tremiam levemente, e olhei para seu rosto.
Os lábios da sua boceta eram brilhantes, rosados e
suculentos, e eu não pude deixar de inalar bruscamente.
Ela cheirava doce e almiscarado e tudo o que eu não sabia
que poderia ser viciante.
Eu nunca quis me entregar a nada na minha vida,
mas com minha parceira, eu queria me empanturrar.
— Vou precisar fazer isso todas as noites. — Eu me
inclinei, esfregando meu focinho ao longo da parte interna
de sua coxa. Até sua pele tinha um gosto bom, fresco, como
a água que descia do riacho do topo da montanha.
Estendendo a mão, agarrei a pele macia de sua
barriga e ronquei em apreciação quando ela me retribuiu.
E então, tomei minha dose da minha pequena
humana macia.
Enfiei minha língua em sua boceta, forçando o
músculo grosso, largo e texturizado para dentro. Ela gritou
e tentou me afastar, mas eu rosnei em aviso.
— Minha.
— É demais.
Eu recuei para deixar seu corpo se acostumar.
— Você vai tomar tudo. Vai doer. Você pode até
chorar, mas você gosta que eu foda essa boceta perfeita
com a língua. Você gosta de saber que esse monstro está te
excitando.
Olhei para o comprimento do corpo dela para ver
seus olhos arregalados e seu pulso batendo freneticamente
na base do pescoço.
— Agora seja uma boa garota e me peça para te foder
com a minha língua de novo.
Ela não respondeu imediatamente, e eu cravei
minhas garras em suas coxas com força suficiente para
saber que tinha arranhado a pele. Senti o cheiro forte do
sangue dela e segurei meu gemido.
Ela engasgou, então… gemeu.
Minha fêmea gostava de um pouco de dor. Eu poderia
dar a ela o suficiente para levá-la ao limite para que ela me
encharcasse.
— Eu quero — ela finalmente sussurrou, e olhou
para as marcas que eu tinha feito a ela, os arranhões das
minhas garras que tinham rompido a pele.
Elas não eram profundas, não deixariam cicatrizes,
mas gotas de sangue brotavam ao longo das linhas. Antes
que eu pudesse me conter, eu me inclinei e arrastei minha
língua sobre elas, lambendo o gosto acobreado de sua
essência.
— Puta merda, Lobo. Você não fez isso — ela
sussurrou, mas não havia desgosto em sua voz.
E enquanto eu arrastava minha língua sobre as
marcas de arranhões novamente, olhei em seus olhos para
deixá-la assistir enquanto eu fazia esse ato muito carnal.
— Deus — ela suspirou.
— Seu Deus não vai te salvar de mim e de tudo que
eu planejei.
Eu não conseguia me cansar do néctar que saía da
sua boceta enquanto eu movia minha língua pelos seus
lábios escorregadios, sobre seu pequeno clitóris inchado e,
finalmente, deslizava para baixo e mergulhava em seu
buraco apertado repetidamente.
Eu a fodi desse jeito, e toda vez que eu pressionava
minha língua em seu corpo, meu pau dava um puxão forte,
latejava e a excitação escorria de mim até que eu fiz uma
bagunça pegajosa embaixo de mim.
Eu reforcei ainda mais meu aperto em sua barriga,
sabendo que minhas garras estavam rompendo a pele, mas
ela continuou gemendo, continuou levantando seus
quadris e esfregando sua boceta contra meu rosto.
— É isso. Esfregue essa bocetinha em todo o meu
focinho, deixe meu pelo encharcado para que eu só sinta o
cheiro dos seus sucos — eu disse contra sua carne
saturada, e ela gozou para mim, suas costas se curvando
para fora das peles, seus grandes peitos balançando, seus
mamilos duros.
Eu estava com minhas patas em volta daqueles
montes enormes e apertei, arrancando os picos, rolando-os
entre os dedos até eu saber que doía, até que eu senti toda
a sua excitação derramar para fora e na minha língua.
E eu bebi tudo, engoli cada gota. Eu morreria se não
a provasse todas as noites, se eu não tivesse o sabor do seu
orgasmo deslizando pela minha garganta e enchendo
minha barriga.
Ela ainda estava naquela onda de prazer quando eu
dei a sua boceta mais uma última lambida longa e lânguida
e me afastei.
Minha humana perfeita piscou para mim com uma
expressão atordoada no rosto, e observou enquanto
segurei meu pau, me acariciando e empurrando ainda mais
sêmen para fora da crista.
A maneira como ela mordeu o lábio inferior e então
arrastou a língua sobre a carne carnuda, me fez mostrar os
dentes, saliva pingando das minhas presas porque eu
estava com muita fome e primitivo por ela.
— Venha aqui.
Marcella levantou-se lentamente, depois se
posicionou de joelhos enquanto eu me levantava até minha
altura máxima.
— Abra — exigi, elevando-me sobre ela.
Ela abriu os lábios e olhou para meu pau.
— Me excita ver todas essas nervuras alinhando o
comprimento, sabendo que o centro do seu pau incha
quando você está excitado.
Eu estava ansioso para mostrar a ela que não apenas
inchava, mas também me trancaria dentro dela.
A excitação escorria da fenda na ponta, e toda vez
que eu acariciava em direção à coroa e depois movia para a
base novamente, eu puxava a pele extra, revelando a cabeça
grossa e bulbosa com mais clareza.
— Diga-me o quanto você gosta do meu pau. —
Minhas bolas enormes balançavam com a força enquanto
eu me acariciava mais rápido.
Eu estava cheio de esperma, pronto para encher
minha pequena humana até que ele vazasse dela assim que
eu puxasse meu pau do aperto firme de sua boceta.
— Eu adoro — ela sussurrou, e se aproximou,
abrindo a boca, sua mandíbula ficando mais larga enquanto
ela lentamente deslizava a língua para fora, expectante e
esperando por mim.
Levei a ponta do meu eixo para baixo em sua língua,
batendo nela repetidamente, deixando meu sêmen cobrir o
músculo rosa até que ele se tornasse um branco leitoso.
— Engula — rosnei, e observei enquanto ela lambia
a cabeça do meu pau antes de fechar a boca e fazer o que
eu disse, bebendo meu esperma. — Abra de novo.
Assim que ela abriu os lábios, enfiei meu pau para
dentro, empurrando até o fundo de sua garganta.
Ela engasgou, seus olhos lacrimejando enquanto ela
olhava para mim, mas ela não recuou. Minha Marcella
agarrou o pelo da minha coxa e segurou enquanto eu
começava a puxar para fora e empurrar para dentro,
fazendo-a tomar o máximo que podia.
— Você fica tão bonita com a boca cheia do meu pau.
Bombeei nela mais algumas vezes, espirrando mais
esperma em sua garganta antes de puxar para fora, seus
lábios fazendo um som de estalo quando a sucção
terminou.
Ela logo descobriria que eu podia gozar muitas vezes
em uma noite, e eu mostraria a ela esse fato agora mesmo,
enquanto eu começava a me masturbar furiosamente,
mirando meu pau bem em seu rosto, e então explodia.
Pintei sua boca e queixo, seu pescoço e seu peito com
fios brancos leitosos de sêmen. Seus seios tremiam com a
força de sua respiração, e eu não tinha visto nada mais
bonito do que minha fêmea marcada por mim dessa forma
carnal.
Com um último jato em seus lábios, eu gemi.
— Lamba isso.
Ela obedeceu tão bem enquanto passava a língua
pelos lábios, então juntou o que podia do rosto para levar à
boca e chupou os dedos para limpar.
— Esfregue. — Eu ainda estava duro enquanto a
observava se abaixar e alisar as palmas das mãos por toda
a pele, espalhando tudo de mim em sua carne cremosa.
Com um uivo feroz, eu a empurrei de volta para
baixo, puxei suas pernas para abrir bem e então deslizei
minha palma entre seus seios para agarrar seu pescoço.
Eu podia sentir seu pulso batendo rapidamente sob
sua pele, e adicionei uma leve pressão enquanto me
posicionava.
Ela era tão pequena embaixo de mim, a pele toda
pálida contra meu pelo escuro, tão diferente do meu rosto
bestial.
E eu não tinha visto nada mais bonito na minha
existência.
Sua boceta era tão pequena comparada ao meu pau
grosso, mas ela aprenderia a me aceitar, e seu corpo se
acostumaria ao meu tamanho.
Alinhei a cabeça em sua entrada e, sem aviso, sem
nenhum tipo de preparação extra, estoquei com força, me
acomodando o mais fundo que pude. Eu a forcei a aceitar
tudo, e seu grito foi de prazer e dor.
— É grande demais! — ela gritou, e colocou as
palmas das mãos no meu abdômen, adicionando pressão
como se quisesse me empurrar para longe. — Você é
demais para mim.
— Você consegue lidar com isso. Você foi feita para
se esticar para mim. Vai me aceitar por inteiro. — Eu
reforcei meu aperto em seu pescoço enquanto saía dela,
mantendo a coroa alojada dentro dela antes de empurrar
lentamente de volta.
Fiz isso repetidamente, deixando-a se acostumar
com a sensação de eu esticá-la.
Somente quando Marcella relaxou contra as peles eu
deslizei minhas mãos por seus quadris generosos,
agarrando-a firmemente ali, e então comecei a fodê-la
como o animal que eu era.
Eu a puxei para baixo em meu comprimento ao
mesmo tempo em que eu empurrava de volta para cima, o
som de pele molhada batendo, enchendo a caverna e
fazendo jatos de sêmen explodirem de mim.
Mas eu não parei. Continuei estocando mais forte e
mais rápido, fascinado pela visão de seus seios saltando
antes de olhar para baixo para o quão esticada e rosada sua
boceta estava ao redor do meu pau.
— Ah, Deus, isso dói…
— Você adora isso — rosnei, e ela gemeu, assentindo
e afirmando que ela realmente amava. — Tome tudo de
mim — eu rosnei e me inclinei para frente apenas o tempo
suficiente para arrastar minha língua ao longo do lado de
seu rosto. — Tome cada centímetro até doer e você se
dividir em duas.
Não era da minha natureza ir devagar ou ser gentil.
Eu nunca tinha feito ou conhecido tais atos na minha vida.
Como uma criatura solitária da floresta, eu tinha que ser
feroz e agressivo, forte e territorial. Era a única maneira de
sobreviver.
Uma parte de mim queria ser doce com Marcella,
para mostrar a ela que eu não era essa fera que rasgava
carne com minhas presas ou rasgava membros com minhas
garras.
Mas o lado mais forte de mim era todo primitivo,
mais dominante, e eu realmente mergulhei nela,
balançando meus quadris para frente e para trás até que os
sons de sua boceta molhada sugando meu pau com
nervuras encheram minha cabeça. Eu arfei, querendo que
isso durasse, querendo rasgá-la até o sol nascer.
Eu precisava ir mais fundo.
Agarrando uma de suas pernas, eu a levantei,
pressionando o topo de sua coxa em seu peito. Enrolei meu
rabo em volta de seu tornozelo e fiz o mesmo com sua
outra perna.
Então olhei para sua boceta e a fodi brutalmente.
— Tão rosa. Tão molhada. Vai ficar dolorida quando
eu terminar com você.
Mostrei os dentes, certificando-me de que ela estava
focada em mim quando os cerrei:
— Vou te foder repetidamente até que você seja
minha de todas as maneiras.
Minha doce parceira, tão frágil, mas tomando meu
pau como se tivesse nascido para isso.
Eu me afastei de repente, agarrei sua cintura para
virá-la e a puxei para cima para que ela ficasse de quatro.
Coloquei minhas patas sobre ela, dando umas palmadas,
observando os grandes montes balançarem com o
movimento. E eu afastei aquelas nádegas, olhando para
aquele pequeno buraco apertado entre elas.
— Depois que eu te quebrar, vou foder esse buraco
também. — Alisei um dedo ao longo da tensão,
pressionando levemente antes de agarrar a base do meu
eixo, alinhando-o com sua boceta e mergulhando em seu
corpo.
Eu me inclinei sobre Marcella, prendi minha boca na
lateral de seu pescoço, afundei minhas presas e estoquei
com mais força e mais rápido a cada segundo que passava.
Rosnei contra seu pescoço quando ela me disse para ir
mais devagar. Meus dentes se agarraram a ela, um ato que
mostrava que eu era o dominante.
Era eu quem estava fodendo.
E quando senti seus músculos internos se apertarem
ao meu redor, cedi à necessidade de ir além.
Provoquei seu clitóris com a ponta do meu rabo e
senti seu orgasmo finalmente. Meu nó inchou e as costelas
ao longo do meu comprimento endureceram. Gozei com
tanta força que tive que me soltar do pescoço dela e rugir
minha liberação.
E o tempo todo eu estava atento para continuar
brincando com seu clitóris, para continuar arrastando seu
prazer até que eu pudesse sentir nossa umidade
combinada sendo forçada para fora de onde estávamos
unidos.
Meu orgasmo me rasgou e continuou subindo até
que fiquei tonto, até que a única coisa em que estava atento
era o empurrão dos meus quadris para frente e para trás.
Eu fodi minha companheira com tanta força que quando
olhei para Marcella, pude ver que ela teve que apoiar uma
mão na parede da caverna à sua frente para se manter
estável.
Eu me inclinei para trás para olhar para onde a fodi,
meu esperma e o néctar de sua boceta escorregando pelos
lados e fazendo uma grande bagunça.
— Não pare, Lobo. Não pare — ela continuou
cantarolando essas duas palavras, e eu passei minhas
garras por seu corpo, arranhando-a enquanto eu fazia meu
caminho para sua bunda e comecei a bater nas nádegas
repetidamente.
Fechei uma pata na parte de trás do pescoço dela,
empurrando seu rosto para baixo, levantando sua bunda, e
me afundei entre suas pernas como uma criatura selvagem
no cio.
Com um último pulso de esperma disparando em seu
corpo, meu nó inchou outra fração, arrancando um gemido
de mim sobre o quão incrível era a sensação. Eu fiquei
preso nela, não querendo deixar essa sensação ir embora.
Marcella caiu para frente, e envolvi meu antebraço ao
redor de sua barriga, nos abaixando até o palete para que
eu pudesse enrolar meu corpo em volta dela. Marcella
estava de costas para meu peito, e deslizei meu rabo entre
suas pernas para levantar uma e mantê-la sobre meu
quadril.
Eu ainda estava enterrado profundamente nela,
recusando-me a sair, embora meu nó tivesse diminuído de
tamanho.
Marcella se contorceu na minha frente, e eu grunhi
em advertência, apertando uma mão em sua barriga e
pressionando suas costas contra mim.
— Não. Você fica aí. É assim que dormimos. Com meu
pau enterrado bem fundo dentro de você e sem chance do
meu esperma sair do seu útero.
— Seu cretino maluco — ela murmurou sonolenta.
Eu esperava que ela lutasse mais, que me desse mais
daquela centelha de vida que eu tanto desejava, mas
Marcella apenas suspirou de contentamento e se aninhou
de volta contra mim, deslizando sua mão para baixo para
que ela pudesse enrolar seus dedos em volta do meu
polegar.
E eu senti algo apertar no meu peito enquanto me
levantava o suficiente para olhar para o rosto dela. Essa
tensão cresceu para um nível desconfortável, uma dor que
eu nunca tinha sentido antes.
Minha humana perfeita estava dormindo,
pressionada contra mim e me mostrando toda a confiança
do mundo, como se ela soubesse que eu a protegeria. E o
tempo todo minha Marcella se segurou a isso.
Embora eu soubesse que nunca a deixaria ir porque
ela era minha, esse sentimento crescendo em mim era algo
diferente, e nada que eu já tinha sentido antes.
Foi uma emoção que fez meu coração amolecer em
relação a essa coisinha, e uma pequena voz dentro de mim
se movendo do domínio total para algo mais profundo e
significativo.
Enquanto eu olhava para minha companheira, eu
sabia que ela seria a única a ter controle sobre mim. E eu
daria isso a ela dez vezes mais.
Senti como se algo tivesse mudado dentro de mim da
noite passada para hoje, a mudança do meu processo de
pensamento e como eu queria que as coisas acontecessem.
Eu estava tão decidida a tentar escapar de Lobo e
dessa situação, encontrando todos os meios necessários
para apenas fugir, mas eu realmente não tinha parado e
apreciado completamente que eu estava realmente… feliz
passando tempo com ele.
Claro, eu não tinha meus confortos como internet,
água corrente ou aquecimento, ou mesmo um banheiro
adequado, mas eu não precisava de nenhuma dessas
coisas. E pela primeira vez na minha vida, eu não senti
nenhum tipo de pressão para obedecer a regras ou leis ou
um certo conjunto de padrões.
Esse era apenas um modo de vida selvagem e
primitivo, mas funcionava. E era bom.
Tentei me manter quieta e lenta enquanto me mexia
no palete de peles para poder encará-lo. Sua pata apertou
minha cintura, como se ele pensasse que eu estava
tentando escapar. Eu devia estar ficando louca porque eu
realmente sorri e senti esse calor florescer no meu peito ao
pensar nele sendo tão territorial e protetor comigo.
Por longos segundos eu apenas olhei para ele,
memorizando o quão diferente ele era de mim, mas a cada
momento que passava com o Lobo, ele se tornava mais
familiar.
Eu provavelmente olhei para seu rosto e absorvi
todas as suas características estranhas, bestiais, mas
bonitas, uma centena de vezes desde que ele me pegou.
Mas eu não consegui me conter enquanto olhava para suas
orelhas pontudas, e não consegui me impedir de levantar e
correr meus dedos ao longo das bordas.
O pelo era tão grosso, mas também macio, e eles se
contraíram levemente quando eu movi os dedos atrás deles
e para baixo em seu rosto.
Ele fez um som profundo em sua garganta, mas
continuou dormindo e então eu continuei explorando-o.
Toquei seu focinho, correndo meus dedos sobre a borda de
seu nariz preto, então para baixo em seus ombros largos e
bíceps salientes.
Seu peito era tão duro e definido que eu senti um
calor diferente se instalar bem entre minhas pernas.
Depois da foda que ele me deu ontem à noite, não deveria
haver nenhuma maneira de eu estar interessada em sexo
agora.
Eu estava dolorida e pegajosa pela quantidade de
esperma que ele deixou dentro de mim. No entanto, estava
pronta para ele me tocar, me arranhar, me dar mais marcas
que atualmente cobriam meu corpo.
Com esse pensamento em mente, olhei para baixo,
empurrando o pelo para longe para que eu pudesse ver
meus seios e barriga, minhas coxas e meus quadris. Eu
estava coberta de marcas vermelhas e roxas do tamanho de
impressões digitais, arranhões em todos os meus lados,
mais cores azuladas cobrindo minha barriga.
Eu os toquei levemente, sem saber por que os achei
tão bonitos. Eu devia estar perdendo a cabeça. Quando
olhei de volta para o Lobo, fiz um pequeno som de surpresa
em seus olhos escuros — abertos, e seu olhar fixo em mim.
Ele olhou para onde eu toquei minha barriga, meus
dedos circulando sobre um hematoma bem grande que ele
me deu em sua paixão primitiva. Lentamente, ele voltou
seu olhar para meu rosto, fez um som profundo em sua
garganta que eu conhecia muito bem, e de repente ele
estava puxando as peles para longe de mim.
Ele me virou de bruços e agarrou meus quadris para
levantar a parte inferior do meu corpo do chão. Eu afastei
meus joelhos, realmente me abrindo para ele. Eu já estava
inchada e encharcada e tão pronta para aquele pau grande
e duro com costelas.
Mas ele me surpreendeu quando agarrou minhas
nádegas e as abriu, passando seu nariz molhado sobre uma
nádega, ao longo da parte inferior das minhas costas e
então se movendo para a outra nádega.
Com meu peito pressionado no chão, tentei olhar por
cima do ombro, mas ele apertou sua mão na minha nuca e
rosnou de desejo.
O Lobo era quem estava no controle.
O que ele não sabia, ou talvez soubesse e é por isso
que ele agia de forma tão dominadora e possessiva, era que
eu gostava dessa energia alfa bruta que vinha dele.
Ele deu um tapa forte na minha bunda, e eu gritei,
mas então ele passou a língua sobre o local, aliviando a dor.
— Lobo… — seu nome foi o máximo que consegui
dizer antes de sentir sua língua texturizada deslizar ao
longo do vinco e se mover ao longo do buraco enrugado
aninhado entre minhas nádegas. Senti meus olhos se
arregalarem, essa onda de autoconsciência me
preenchendo.
Ele estava… ele estava me lambendo ali atrás. Ah, ok.
Era assim que começaríamos a manhã.
Suas garras cravaram na minha bunda, me mantendo
aberta enquanto ele lambia, enquanto ele provocava aquela
pequena abertura que era como uma linha direta para
minha boceta porque eu fiquei muito molhada para ele.
— Você é tão linda e encharcada — sua voz era um
som serrilhado contra minha carne agora encharcada antes
de usar a ponta da língua para circular aquela abertura. —
E você é minha.
Eu levantei minha bunda ainda mais quando ele
pressionou, forçando aquele músculo dentro de mim, me
fazendo esticar e pegar o que ele tinha para dar.
Seus rosnados e grunhidos só se intensificaram
quanto mais ele saboreava minha bunda, e a maneira como
ele movia sua cauda para meu tornozelo, estava claro que
ele tinha que tocar cada parte de mim. Isso fez meu
orgasmo me consumir tão de repente que dei um grito
assustado enquanto ele rasgava meu corpo.
Com mais um tapa doloroso na minha bunda, Lobo
se levantou, alinhou aquele pau bulboso na minha entrada
e estocou na minha boceta com tanta força que me movi
para o chão, minha cabeça batendo na parede rochosa.
Ele agarrou minha cintura e me fodeu como a besta
que ele era, me puxando para seu pau enquanto ele
empurrava para frente.
E quando o Lobo cobriu minhas costas com seu peito
e cravou aqueles dentes afiados na lateral do meu pescoço,
me mantendo no lugar enquanto ele me dominava, eu gozei
novamente.
Eu estava dolorida, mas era do tipo bom, do tipo que
dava aquelas pequenas pontadas que deixavam você saber
que tinha sido amada muito bem e com força. Não que eu
soubesse como era isso de verdade.
Eu não era virgem antes do Lobo, mas também
nunca tinha sido fodida daquele jeito. Na verdade, eu não
tinha experimentado nada parecido com o que eu fiz com
ele.
E algo tinha mudado com ele desde que finalmente
ficamos juntos ontem à noite.
Embora antes de termos feito sexo — se algo tão
primitivo e selvagem pudesse ser chamado de algo tão…
mundano — eu sempre o pegava me olhando, estando
perto de mim.
Mas desde ontem à noite? O Lobo não conseguia
parar de me acariciar.
Ele passou a pata na parte de trás da minha cabeça,
suas garras se enroscando nos fios, enquanto me puxava
para perto e lambia meu rosto antes de arrastar sua língua
sobre meus lábios.
Ele me fez sentar em seu colo enquanto me
alimentava com frutas vermelhas, nozes e salmão que ele
tinha pescado naquela manhã.
Não que fosse difícil deixá-lo fazer isso. Na verdade,
eu apenas me aninhei contra ele enquanto ele me
alimentava e me tocava, me fazendo sentir como se não
houvesse nada mais importante no mundo do que eu.
Eu insisti que ele me levasse para o lago para que eu
pudesse me limpar, o que ele respondeu com muitos
rosnados e grunhidos para me deixar saber que ele não
aprovava. Mas eu não estava disposta a andar por aí com
esperma seco entre as pernas e no peito, porque ele
gostava do fato de ter me marcado e eu ter o cheiro dele.
A única maneira de convencê-lo foi prometendo que
ele poderia fazer tudo de novo esta noite.
E algo no meu peito doeu com esse pensamento. Eu
não queria ir embora, não realmente, não agora, pelo
menos. Eu estava curiosa para ver como as coisas
poderiam ser com o Lobo aqui.
Embora, realisticamente, não fosse como se eu
pudesse simplesmente desaparecer completamente da face
do planeta. Havia pessoas em casa que questionariam onde
eu estava e o que aconteceu. Eu tinha que amarrar pontas
soltas.
Será que tinha mesmo? Quem sentiria minha falta?
Quem se importaria se eu tivesse ido embora?
Minha avó se foi, e eu não tenho amigos. Nenhum
que quisesse ter nada a ver comigo, a menos que
precisassem de algo.
O Lobo me deixaria ir embora se eu prometesse
voltar? Olhei para ele enquanto ele preparava uma
pequena mochila para mim.
Mesmo agora ele estava pensando no meu conforto,
certificando-se de que tínhamos água e um pouco de
comida, para que eu não ficasse com fome, porque ele me
informou que a caminhada até a cabana era bem longa.
Eu sabia que ele não me deixaria ir, não de bom
grado, nem mesmo se eu jurasse de pés juntos que voltaria
para ele. Aos seus olhos, não havia ele sem mim.
Ele me ajudou a vestir meu casaco vermelho e
colocou o capuz, me tirando dos meus pensamentos, suas
patas segurando cada lado da minha cabeça enquanto ele
olhava nos meus olhos.
— Quero que você esteja aquecida — ele murmurou.
— Sinto o cheiro da chuva chegando.
Ele olhou nos meus olhos, fez um som profundo na
garganta, e eu fiquei na ponta dos pés para que ele pudesse
arrastar a língua sobre meus lábios.
Sua versão de um beijo que eu estava começando a
amar tanto.
— Tem certeza de que quer viajar hoje? A forte
tempestade vai deixar tudo molhado e frio, e a viagem vai
ser mais longa do que o normal.
Eu sabia por que ele estava trazendo isso à tona, que
embora ele quisesse me fazer feliz e me levasse para a
cabana, ele também estava preocupado. Eu não precisava
ouvi-lo dizer as palavras. O Lobo era muito expressivo com
os grunhidos e rosnados e toda a linguagem corporal que
eram demonstrações de suas emoções.
— Quero pegar minhas coisas, Lobo — murmurei, e
estendi a mão para passar meu dedo ao longo de uma
orelha espessamente peluda. Ele se inclinou para mim
enquanto ela se contraía sob meu toque. — Não vou correr
ou tentar escapar, se é isso que você pensa. — Dei a ele um
sorriso. — Eu gosto de estar aqui com você.
Não é mentira, estranhamente.
Quão insano era que em apenas alguns dias eu estava
tão confortável com ele?
Não mais. Mas é claro que guardei isso para mim. Se
eu admitisse que tinha planejado fugir, mas depois
mudasse de ideia, tinha certeza de que ele ficaria paranoico
demais para sequer fazer a viagem.
Ele fez um som áspero e se inclinou para acariciar
meu pescoço. Envolvi meus braços em volta de sua cintura,
embora minhas mãos não pudessem envolvê-lo
completamente porque ele era muito grande.
Com mais uma lambida persistente sobre minha
boca que fez meus dedos dos pés se curvarem e um
delicioso zumbido de excitação me preenchendo, ele se
afastou com um grunhido quase frustrado e pegou minha
mão.
Ele pegou a mochila com os suprimentos em sua
outra pata e saímos da caverna. Embora estivesse
ensolarado, raios de luz espiando pelas copas das árvores
que cercavam a caverna, olhei para o Lobo.
— Tem certeza de que vai chover? — Inclinei a
cabeça para trás e olhei para o céu azul brilhante. Era um
dia lindo, nem muito quente nem muito frio.
Ele fez aquele som muito animalesco quando me
achou engraçada, e eu o encarei, mesmo sabendo que ele
estava apenas brincando.
— Confie em mim. Eu sei quando vai chover, minha
Pequena.
E ainda assim começamos nossa caminhada pela
floresta, mantendo-nos nas partes sombreadas onde a luz
do sol não alcançava.
Continuei olhando para o Lobo e notei como suas
orelhas se contraíam de um lado para o outro como se ele
estivesse captando sons diferentes, e como ele parava
intermitentemente e inclinava a cabeça para trás, suas
narinas dilatando enquanto ele inalava profundamente
antes de começarmos a andar novamente.
Ele era tão grande e predador, e aqui estava eu, essa
pequena humana que nem chegava ao centro do peito,
colocando toda a minha confiança nele e sabendo que ele
nunca me machucaria.
Paramos algumas vezes, e ele me incentivou a comer,
rosnando baixo quando eu disse que não estava com fome.
Estava tranquilo aqui fora, com apenas o som do
vento movendo as folhas acima de nós, pássaros cantando
e grasnando à distância, e pequenas criaturas correndo por
aí.
Não havia escapamento de carro ou buzinas. Não
havia gritos ou o cheiro de comida cozinhando dos
vendedores de rua.
Estava apenas serena, e fechei os olhos enquanto
descansava minhas mãos atrás de mim para absorver tudo.
Eu me senti centrada e aterrada por isso. Eu me senti… eu.
Quando abri meus olhos e olhei para o Lobo,
sentindo um sorriso puxar meus lábios, foi para vê-lo já me
encarando.
— O quê? — perguntei suavemente.
Ele balançou a cabeça.
— Nada e ninguém é mais bonito do que você.
Senti um frio na barriga, meu coração parou e, antes
que eu percebesse o que estava fazendo, eu estava
caminhando até ele e me levantando na ponta dos pés.
Coloquei minhas mãos em seu peito e beijei o canto de sua
boca.
Continuamos nossa jornada, o Lobo insistindo que
parássemos de vez em quando para que eu pudesse
descansar, embora eu tenha dito a ele que não
precisávamos. Mas eu gostava de aproveitar o nosso tempo.
Gostei de estar nas profundezas das florestas do
Alasca, lugares onde poucas pessoas provavelmente já
tinham estado porque era tão selvagem e livre. Conforme o
tempo passava, o céu ficava mais escuro e a promessa de
chuva no ar ficava mais forte.
O Lobo parou e olhou para cima, fazendo um som
áspero, antes de olhar para mim. Eu reprimi revirar os
olhos, sabendo que o brilho em seus olhos era sua
arrogância de que ele estava certo.
Estava prestes a chover.
Meus pensamentos claramente queriam voltar para
casa, porque o céu se abriu e a chuva caiu como um
cobertor pesado.
Eu ri enquanto ela caía sobre minhas mãos sobre
minha cabeça em uma tentativa pobre de fazer um guarda-
chuva.
Quando cheguei ao afloramento, virei-me e encarei o
Lobo, vendo-o parado do lado de fora, encharcado, a água
pingando de seu pelo escuro, seus dentes aparecendo
naquele sorriso fofo — e totalmente cativante — de lobo.
— Entre aqui! — gritei e ri. Ele correu para dentro e,
antes que eu pudesse me preparar, ele fez uma sacudida de
corpo inteiro, bem canina.
Gotas de água caíram por todo lugar — inclusive em
mim — mas eu já estava encharcada, então tudo o que fiz
foi rir mais alto.
Fiquei na entrada desta pequena alcova e observei a
chuva cair. O som das gotas batendo nas folhas tinha uma
leveza musical. Era lindo.
Quando me virei para encarar o Lobo, percebi que
ele estava empoleirado em uma pedra. Antes que eu
soubesse de suas intenções, ele agarrou minha cintura e
me ajustou em seu colo como se eu fosse uma boneca que
ele pudesse mover quando quisesse.
Ele olhou nos meus olhos por tanto tempo que me
senti nua.
— O quê? — perguntei suavemente.
— Você preenche esse vazio em mim que eu não
sabia que tinha. — Ele pegou minha mão e colocou em seu
peito, bem sobre seu coração. — Bem aqui. Você me
preenche bem aqui.
Eu me amoleci contra ele e sorri.
— Sinto o mesmo — sussurrei, sem perceber o
quanto eu queria dizer essas palavras até que elas saíram
abertamente.
Assim que o Lobo me posicionou do jeito que ele
queria, com nossos peitos pressionados um contra o outro
e minhas pernas em sua cintura, ele colocou sua enorme
pata na parte inferior das minhas costas e se inclinou para
passar seu focinho ao longo do lado do meu pescoço.
— Eu nunca senti nada mais doce do que você. Você
faz minha boca salivar, minha pequena humana.
Deixei minha cabeça cair para o lado e fechei meus
olhos enquanto ele me cheirava. Eu não conseguia explicar
a sensação que sentia quando ele fazia isso. Era uma
mistura de conforto e desejo.
Nós apenas ficamos lá, com o Lobo me cheirando
enquanto eu corria meus dedos por seu pelo grosso. Eu
poderia ter adormecido assim, seu corpo colossal
embalando o meu, o som da chuva caindo e os pássaros
cantando à distância.
Ele estava duro embaixo da minha bunda, aquele
comprimento grosso cavando na minha carne e me fazendo
contorcer conforme meu desejo aumentava. Eu estava
louca pelo Lobo. Suas garras me agarraram com mais força,
e ele cheirou meu pescoço, afastando meu cabelo do meu
pescoço.
— Me coloque dentro de você.
O jeito que ele disse isso, seu tom serrilhado e
dominador, como se eu não ousasse negá-lo, fez com que
uma umidade fresca se acumulasse entre minhas pernas.
Eu não sabia como tirei minha calça, mas aqui estava
ela, minha legging pendurada em um tornozelo, minha
boceta tão molhada que vergonhosamente pingava minha
excitação em seu pau duro.
Olhei entre nós, observando-o ficar mais duro, mais
grosso, e não consegui me impedir de me abaixar e
acariciá-lo da ponta não cortada até a base larga.
Deslizei meus dedos para baixo para agarrar suas
bolas pesadas e cobertas de pelos, o peso considerável na
minha palma.
Ele deu um gemido rouco e arrastou sua língua
áspera ao longo do meu pescoço antes de lamber minha
bochecha, então minha boca, e sondar suavemente entre
meus lábios. Ele também foi gentil, consciente de seus
dentes afiados. Eu chupei sua língua, girando a minha ao
longo da sua muito maior, e alinhei a ponta de seu pau com
minha boceta. E então eu deslizei para baixo em um
movimento fluido.
Mesmo tendo feito sexo várias vezes, eu não achava
que estaria preparada ou pronta para tomá-lo. Seu
tamanho era monumental demais.
Mas eu queria aquela dor, queria sentir a queimação
e o alongamento. Eu queria que Lobo forçasse sua entrada,
lutando porque ele era tão grande e não conseguia caber
completamente.
Foram esses pensamentos e imagens em minha
mente, a sensação de suas garras raspando para cima e
para baixo em minhas costas antes que ele agarrasse
minha bunda, que me fizeram subir e descer de volta.
Eu o montei com força e febrilmente, nem mesmo
tendo certeza de quem era essa mulher enquanto eu
saltava em seu pau e apenas me deixava sentir.
O cheiro dele, o som de seus gemidos e a sensação
dele dentro de mim me fizeram gozar tão forte e rápido
que me chocou tanto que gritei.
Ele bateu na minha bunda uma vez, duas vezes, e na
terceira vez ele agarrou a carne e me puxou para baixo até
que nossos corpos estivessem completamente se tocando.
Seu pau tremeu dentro de mim, e a sensação foi tão
intensa que senti outra faísca de êxtase me reivindicar. Seu
esperma estava quente e grosso dentro de mim, e eu gemi,
girando meus quadris, rebolando-os para frente e para
trás.
Eu queria me levantar e ter seu esperma
escorregando para fora de mim e descendo pelas minhas
coxas internas. Esse pensamento me fez inclinar e chupar
sua língua novamente.
Mas assim que meu orgasmo desapareceu, ele
agarrou meus quadris e me levantou dele, seu pau
deslizando para fora de mim, todo molhado e relaxado de
gozar em mim.
Quando o Lobo me empurrou para os joelhos, perdi o
equilíbrio e balancei para trás. Ele agarrou meu cabelo,
puxando os fios, e me sacudiu. Eu gemi com o quão boa
aquela sensação era, como seu foco estava no meu rosto,
seus olhos brilhando com necessidade primitiva.
Ajoelhar entre suas coxas me deixou cara a cara com
seu pau, e eu apertei minhas coxas e senti um rubor
percorrer meus seios com a forma como ele se projetava
em minha direção.
Ele segurou seu comprimento, e eu fiquei fascinada
com a visão de quão brilhante seu pau parecia, sabendo
que toda aquela umidade o cobria porque ele estava
enterrado bem fundo dentro do meu corpo.
Gotas grossas de esperma pingavam da fenda e antes
que eu pudesse me inclinar e lambê-la, ele grunhiu:
— Me chupe e me faça gozar de novo.
Enquanto eu olhava em seus olhos, agarrei seu pau,
meus dedos não conseguiam tocar enquanto eu os
apertava ao redor de sua ereção.
Eu podia sentir as nervuras duras que o cercavam,
começando na base e subindo para parar logo abaixo da
coroa.
Tirando meu foco dos olhos de Lobo, olhei para
baixo novamente e me inclinei para frente, arrastando
minha língua sobre a cabeça bulbosa, chupando o esperma
salgado que derramava dele.
Eu cantarolei de prazer e fechei meus olhos. Eu
realmente comecei a trabalhar nele, traçando aquelas
nervuras, lambendo aquela definição como se fossem um
daqueles sugadores de arco-íris. Ele continuou pingando
esperma, e eu continuei lambendo.
O Lobo abriu suas coxas um pouco mais, permitindo
que eu me aproximasse mais. Ele soltou seu pau e se
inclinou para trás, e quando eu não consegui alcançar com
minha boca, eu acariciei com minha palma. Meus olhos
estavam fechados enquanto eu o saboreava, mas eles se
abriram quando senti sua pata na minha bunda, então
entre minhas nádegas.
Ele pressionou a grande ponta de um dedo contra
meu cu. Ele não me penetrou, não conseguiu com aquelas
garras afiadas, mas o dedo era grosso o suficiente para que
ele pudesse provocar o buraco e adicionar pressão, o que
fez meu prazer aumentar.
Usei minha outra mão para segurar seu saco, girando
os pesos gêmeos na minha palma. Suas bolas
transbordaram na minha palma, e a percepção de que ele
era tão viril e potente me deixou molhada.
Meu clitóris latejou e minha boceta apertou. A vadia
gananciosa sabia que esse pau precisava estar entre
minhas coxas.
E então ele começou a levantar os quadris ao mesmo
tempo em que eu afundava minha boca nele, me forçando a
tomar mais do que o confortavelmente possível.
Engasguei, saliva escorrendo pelos cantos da minha
boca, meus olhos lacrimejando.
Ambas as patas estavam agora no meu cabelo,
agarrando os fios enquanto ele começava a foder minha
boca. Eu não era mais a única no controle. Ele estava
enquanto batia em meu rosto tão selvagemente que tudo
que eu podia fazer era agarrar suas coxas e segurar,
deixando-o ter seu prazer.
Apertei minhas coxas juntas, beliscando meu clitóris
entre os lábios da minha boceta e cantarolando o quão
bom era. Eu poderia gozar com isso, apenas deixar minhas
pernas esfregarem uma na outra e prender aquele pequeno
feixe de nervos enquanto movia minhas coxas para frente e
para trás até gozar.
E então ele gozou, empurrando meu rosto todo para
baixo até que a coroa estivesse enterrada no fundo da
minha garganta e eu não tive escolha a não ser engolir em
volta dela, bebendo seu esperma que ele bombeava.
Eu não conseguia respirar, estava chorando
enquanto meus olhos lacrimejavam profusamente, mas eu
estava tendo um orgasmo junto com ele, explosões de
prazer começando na minha boceta e disparando do topo
da minha cabeça até as pontas dos meus dedos dos pés.
Havia tanto esperma que eu não conseguia engolir
rápido o suficiente, minha boca não conseguia segurar
tudo. Ele jorrou para os lados, o que provocou um som de
bufo de prazer de Lobo.
Sentir seu nó pulsando na minha boca, me fez gemer
novamente.
E quando engoli o último jato de gozo, ele
gentilmente afastou meu rosto, segurou minhas bochechas
e se inclinou para passar a língua no meu rosto, lambendo
minhas lágrimas e alisando aquele músculo grosso ao
longo dos meus lábios para que ele também estivesse
saboreando seu gozo.
— Minha companheira perfeita. Você é uma garota
tão boa. — Ele gentilmente passou aquelas garras mortais
sobre minhas bochechas. — Ninguém nunca vai me
agradar do jeito que você faz. Ninguém nunca será tão
importante para mim quanto você.
Seu elogio fez algo maravilhoso em mim.
Ele continuou a lamber meus lábios, e eu estaria
mentindo se não admitisse que isso me excitou, sabendo
que ele não se importava em provar seu próprio sabor
enquanto me beijava.
No momento seguinte, ele me colocou de costas,
minhas pernas jogadas sobre seus ombros e seu rosto
enterrado na minha boceta enquanto ele me comia e me
fazia gozar mais duas vezes.
Foram longos momentos depois que nós dois
tivemos orgasmos que ele apenas me segurou, me
mantendo enrolada em seu peito enquanto ele estava
deitado no chão duro.
Ele acariciou sua palma para cima e para baixo em
minha espinha, me acariciando daquele jeito que eu tanto
gostava.
E eu girei meus dedos em volta do pelo do seu peito,
fechando meus olhos e inalando o cheiro de Lobo.
Mas quando seu corpo ficou tenso, e seus braços se
enrolaram firmemente ao redor dos meus, eu senti o ar
mudar. Eu senti o perigo e a agressão vindo do Lobo tão de
repente. Meu coração batia em um ritmo estranho. E foi aí
que meu instinto de sobrevivência aumentou.
Algo estava errado. O perigo estava no ar.
Embora eu não pudesse ver a ameaça, tomei a
linguagem corporal do Lobo como uma dica de que algo
estava muito errado.
Ele me levantou do chão e me vestiu em questão de
segundos, minhas roupas úmidas e grudadas na minha
pele, mas eu não me importei. Eu estava muito nervosa
para me preocupar com qualquer coisa além do que estava
fazendo o Lobo reagir assim.
E então manteve seu corpo colossal na frente do meu
enquanto se aproximava da entrada da alcova. Olhei ao
redor de seu braço protuberante, mas não consegui ver
nada.
Com uma mão colocada no centro de suas costas, eu
podia sentir o quão pesado ele estava respirando, seus
ombros subindo e descendo porque ele estava quase
ofegante.
Olhei para suas patas e observei enquanto ele as
apertava e relaxava.
— Lobo? — eu me ajustei para o lado, meu tom
assustado, mas seu braço disparou como uma barra de aço
na minha frente, me impedindo de chegar mais perto.
Olhei para ele, sentindo meus olhos se arregalarem,
o medo quase me consumindo. Eu podia sentir a violência
e a tensão irradiando dele, e quando ele lentamente virou a
cabeça para olhar para mim, tudo o que vi foi o animal que
ele realmente era refletido em mim.
— Juro pelo ar em meus pulmões, pelo sangue em
minhas veias e por qualquer parte boa de mim que já tive,
que não deixarei nada te machucar.
Suas palavras, a inclinação de sua voz, eram tão
profundas, tão determinadas, que eu sabia que era sua
verdade absoluta.
O que havia lá fora que o faria dizer algo com tanta
convicção?
E então, como se qualquer ameaça tivesse ouvido
meus pensamentos, um rosnado profundo ecoou pela
floresta.
Com sua grande pata em volta da minha cintura, ele
reforçou seu aperto, me empurrando mais para trás na
alcova enquanto dava um passo para frente e para longe de
mim.
— Não importa o que aconteça, você fica aqui. Me
deixe te proteger. — Ele olhou para mim mais uma vez. —
É o que eu nasci para fazer.
Meu peito apertou com suas palavras e eu soube
então — mesmo que eu já não tivesse certeza — que eu
não deixaria o Lobo. Eu era para estar aqui.
Nós tínhamos que ficar juntos.
E eu faria disso nossa realidade se saíssemos disso…
o que quer que fosse.
Eu assenti lentamente porque eu sabia que ele
queria que eu afirmasse que eu entendia. Só então o Lobo
olhou para frente novamente. Eu vi a maneira como seus
ombros subiam e desciam enquanto ele respirava com
mais força.
Suas patas estavam completamente estendidas de
cada lado dele agora, suas garras pareciam mais escuras e
afiadas do que nunca.
Inclinei-me para o lado para olhar ao redor de seu
bíceps por um longo momento.
Nenhum som escapou de mim enquanto eu
observava a criatura sair da espessura da floresta. Eu
poderia dizer que era outra criatura-fera como Lobo, mas
além da altura e do formato geral, era aí que as
semelhanças terminavam.
Esta criatura parecia raivosa e selvagem. Tinha
espuma branca e vermelha — a última cor eu tinha que
presumir que era sangue — saindo dos cantos de sua
mandíbula e ao redor de seus dentes descoloridos. Uma de
suas orelhas estava parcialmente faltando, e eu podia ver
pedaços de pelo desaparecidos, cicatrizes cobrindo sua
carne por baixo.
Por instinto, dei mais um passo para trás assim que o
Lobo deu um para frente, mantendo seu corpo na frente do
meu.
Os sons vindos dele eram aqueles que eu nunca tinha
ouvido antes. Seus rosnados eram muito mais ásperos, e eu
sabia que eram de alerta.
Meu coração estava trovejando, e eu sabia que não
havia nada que eu pudesse fazer. Por mais forte que eu
pensasse que era, por mais independente que eu sempre
tenha sido na minha vida, isso era algo que eu nunca
sequer imaginei enfrentar.
E então, como um relâmpago e um estrondo de
trovão, as duas feras colidiram.
Pois por mais desnutrido e doente que o outro
animal parecesse, ele lutou tão brutalmente quanto o Lobo.
Mas o que tornou toda a situação ainda mais aterrorizante
foi a maneira como o outro animal continuou olhando para
mim com a mandíbula bem aberta e os olhos brilhando de
fome.
Que tipo de fome era, eu não queria descobrir.
Ele tentou chegar até mim repetidamente, mas antes
que pudesse chegar perto o suficiente, Lobo travava suas
mandíbulas e garras em seu corpo e o puxava de volta.
Houve um rugido ensurdecedor de Lobo antes que
ele agarrasse a outra criatura e o jogasse contra a árvore
mais próxima. Seu corpo rachou contra o tronco, o som
vindo dele era tão anormal que fez a bile subir pela minha
garganta.
Ele caiu no chão e ficou lá imóvel. Eu esperava que
esse fosse o fim, que em seu estado enfraquecido ele não
fosse páreo para meu Lobo.
Quando ele ficou no chão, eu me movi para frente
timidamente. O Lobo estava a alguns metros do corpo da
criatura, seu peito subindo e descendo, sangue pingando
de suas garras de quando ele rasgou o animal.
Lentamente, comecei a caminhar em direção a Lobo,
meu olhar nunca deixando o outro animal. E então Lobo se
virou lentamente para mim.
— Minha fêmea — ele disse, baixo e profundo e
cheio de alívio.
Eu estava prestes a correr para seus braços,
precisando segurá-lo e me certificar de que estávamos
ambos seguros, mas no segundo seguinte a outra fera
sibilou e saiu do chão, arrastando-se em direção a Lobo.
Ambas as criaturas colidiram, e eu gritei enquanto
cambaleava para trás, perdendo o equilíbrio antes de cair
no chão da floresta.
Ele arranhou o Lobo, rasgando seu peito até que eu
vi manchas escuras de sangue em seu pelo. Eu gritei, mas
ninguém me escutou e foi inútil.
Eu não podia ficar aqui e deixar isso acontecer, então
fiquei de pé e encontrei a maior pedra que pude pegar.
Sem pensar na minha segurança ou em quão
estúpida eu estava sendo indo atrás de algo que poderia
me partir ao meio, me lancei na outra criatura e desci a
pedra em seu crânio.
Ela rugiu e atacou, suas garras quase errando minha
carne enquanto rasgava o material da minha camisa que
cobria meu abdômen.
Isso não me impediu de acertar aquela pedra de
novo e de novo, bem sobre seu crânio quadrado, até sentir
o cheiro metálico de sangue cobrindo o ar.
Com mais uma pancada forte da pedra contra seu
crânio, a criatura caiu para o lado, o ferimento aberto na
parte de trás de sua cabeça tão vividamente nojento que
quase engasguei.
O chão da floresta ficou saturado com seu sangue,
seus olhos sem vida fixos acima, sem piscar.
Deixei a pedra cair e cambaleei para trás, incapaz de
recuperar o fôlego enquanto olhava para o Lobo, que
estava me observando com uma expressão
assustadoramente calma.
Ele tinha quatro longos cortes na frente do peito,
mas não parecia que isso o incomodava enquanto se
levantava lentamente, sua forma colossal elevando-se
sobre a minha. Sua cabeça abaixou e seu olhar fixou-se em
mim.
— Minha fêmea feroz — ele rugiu, e eu estremeci,
dando um passo para trás, embora não tivesse certeza do
porquê.
Eu não estava com medo, não do Lobo. Nunca dele.
Havia apenas algo na maneira como ele olhava para mim,
no tom de sua voz, que fez meu sangue bombear por um
motivo muito diferente.
Minha pele ficou tensa, formigando, e dei outro passo
para trás, e mais um. Ele fez um som indistinto no fundo do
peito e senti um lampejo de calor e uma descarga de
adrenalina percorrerem cada parte de mim.
Ele avançou, seu pau ficando ereto. Minha boca secou
e meu coração disparou. E antes que eu soubesse o que
estava acontecendo, Lobo estendeu a mão e agarrou meu
pescoço, me puxando para frente para que ele pudesse
arrastar seu nariz para cima e para baixo na lateral do meu
pescoço, me cheirando.
Ele se afastou o suficiente para respirar com força
contra a concha da minha orelha, então avisou:
— Corra.
Senti a emoção da caçada correr por mim enquanto
perseguia minha Marcella pela floresta. O sangue me
cobria, e a adrenalina corria por minhas veias por causa da
luta com a criatura selvagem.
O cretino louco estava faminto e queria minha
companheira. Mas antes que eu pudesse matá-lo, minha
perfeita fêmea tomou as rédeas da situação e fez o trabalho
com tanta ferocidade que senti uma onda de orgulho me
encher.
E por causa daquela luta, eu era selvagem, primitivo,
e tudo que eu queria fazer era derrubar Marcella no chão,
arrancar suas roupas e fazer cio entre suas coxas.
Eu precisava porque ela era minha e essa era a única
maneira de garantir isso, mostrar a ela exatamente o
macho a quem ela estava agora amarrada pelo resto de
nossas vidas.
Porque eu não a deixaria ir. Nunca.
— Minha companheira é rápida — minha voz era
baixa, mas era carregada pelo vento enquanto eu a
provocava. Alcançá-la teria sido fácil, mas a caçada, a
perseguição, deixou meu pau duro, o comprimento
balançando enquanto eu corria mais rápido.
Eu podia ouvir seu coração acelerado e sentir o
cheiro de quão molhada ela estava.
— Sua boceta está pronta para mim, minha humana
frágil?
Ela respirou fundo, mas não respondeu.
— Você está doida para que eu a encha como fiz
tanto nos últimos dias?
Eu me controlei, porque sabia que assim que a
pegasse, acabaria. Eu seria feroz em tomar posse dela,
muito mais forte do que em qualquer outro momento.
A única maneira de eu liberar toda essa agressão,
possessividade e necessidade alfa em mim era foder minha
Marcella com tanta força que qualquer coisa e qualquer um
perto o suficiente para nos ouvir ou nos ver saberia que ela
era minha.
Eu a deixei pensar que ela era mais rápida porque
isso me excitou ainda mais. Eu senti o cheiro da leve
sugestão de seu medo. Ela pode saber que eu nunca a
machucaria, mas ela também sentiu o quão selvagem eu
estava agora. Ela sabia que eu estava pisando em uma linha
tênue de civilidade, de sanidade.
Fiquei de quatro e ziguezagueei entre as árvores
enquanto diminuía a distância. Minha companheira era
rápida.
Chega de brincadeiras. Chega de perseguição.
Envolvi um antebraço em volta da cintura dela e a levantei
do chão. Ela gritou de surpresa, e eu rosnei de prazer com
o som.
Ela pressionou contra o tronco da árvore depois que
nos virei.
Eu não estava consciente de nada além de fodê-la
enquanto rasgava suas roupas até que elas se tornassem
farrapos de material ao nosso redor. Rosnei e agarrei sua
cintura enquanto puxava sua bunda para cima, de modo
que a parte superior do corpo dela ficasse paralela ao chão,
sua boceta pronta para ser tomada.
Eu não conseguiria falar mesmo se quisesse, então
usei meu pé para chutar suas pernas para longe, e minha
boa menina sabia exatamente o que eu queria.
Ela se abriu para mim tão bem, tão rápido. Os lábios
de sua boceta se abriram como pétalas de flores, e
qualquer tipo de humanidade desapareceu quando deixei
meu lado selvagem assumir o controle total.
— Boceta rosada, perfeita e molhada — sibilei
enquanto me agachava, colocava minhas patas em suas
nádegas e a abria ainda mais.
Fiquei selvagem em sua boceta relaxada, lambendo,
chupando, sentindo-a tremer por mim. E quando enfiei
minha língua nela, fazendo-a pegar o músculo grosso sem
aviso, ela foi minha boa garota e me deu seu orgasmo.
Sua boceta agarrou minha língua, apertando os
músculos. Senti meu pau pingar esperma no chão da
floresta, pulsar e sacudir com a necessidade de ser
experimentado em seu corpo apertado.
— Diga ao seu parceiro que você quer que eu te foda
— minha voz estava quase irreconhecível enquanto meu
lado animal assumia o controle.
— Lobo — ela gemeu, e balançou sua bunda, os
montes balançando.
Eu bati em sua bunda uma, duas e uma terceira vez
antes de arrastar minha língua sobre sua boceta mais uma
vez, bebendo seu mel, e me levantei.
Segurando meu comprimento, eu o levantei, batendo
em sua boceta com a cabeça grossa. O som molhado de
carne contra carne arrancou um gemido de mim.
— Sente o quão duro você me deixa, fêmea?
Ela gemeu.
— Você quer um animal te fodendo entre essas coxas
doces?
— Lobo. Deus…
— Eu não quero o nome do seu Deus na sua língua,
Marcella. Você deveria gritar meu nome em vez disso. —
Alojei a cabeça em sua boceta, cravei minhas garras em
seus quadris e empurrei fundo e áspero. — Me mostre seu
pescoço.
Ela tirou o cabelo do ombro e inclinou a cabeça para
o lado, me deixando ver aquele comprimento fino e
cremoso. Minha boca encheu de água, saliva escorrendo
dos meus dentes afiados.
— Eu nunca estive tão faminto. — Eu a foderia com
um frenesi que me consumiu. Eu a machucaria, marcaria
minha companheira para que ela ficasse dolorida e não
conseguisse andar direito amanhã. Ela não conseguiria
sentar confortavelmente.
Um zumbido me deixou, e eu me forcei a entrar nela
quando Marcella gritou, quando ela me disse para ir mais
devagar.
— Eu não posso e não vou.
Ela arfou e gritou quando eu me afastei e estoquei de
volta.
— Bem aí. Não pare.
Nunca.
Deixei meu rabo deslizar pela lateral de sua coxa,
sobre seu quadril, e comecei a fazer cócegas em seu clitóris
enquanto eu estocava para dentro e para fora como um
selvagem. Com a outra pata, agarrei seu seio cheio,
beliscando o mamilo entre as pontas dos meus dedos,
puxando-o com força suficiente para saber que doía.
— Você ficará tão cheia do meu gozo que não haverá
como não te encher dos meus filhotes.
Os sucos da sua boceta fizeram meu impulso fluído
enquanto cobriam suas coxas e o meu pau.
— Preciso de você grande e grávida dos meus
filhotes. — Meu pau estremeceu com o pensamento e eu
esguichei esperma nela.
— Eu-eu posso sentir você, Lobo.
Ronronei e gozei um pouco mais dentro dela.
— Tem mais de onde isso veio, coisa doce humana.
Tenho muito mais para te dar. Minhas bolas estão cheias de
esperma só para você. — Inclinei minha cabeça para trás e
uivei quando o prazer se tornou demais. — Nunca haverá
ninguém ou nada que me faça sentir tão bem quanto você.
Não haverá ninguém que me agrade tanto quanto você,
minha Marcella.
— Ah… Lobo. Aqui eu…
— Goze para mim.
Inclinei-me sobre suas costas e afundei meus dentes
em seu pescoço e nós dois gozamos. Eu vi estrelas, minhas
bolas puxando para cima, meu nó totalmente inchado e
preso dentro dela, então eu não conseguia me mover.
— É isso. Tome tudo — as palavras abafadas
vibraram contra seu pescoço. Eu me afastei o suficiente
para lamber seu sangue. Quando me levantei, meu pau
ainda pulsava em sua boceta, meu esperma ainda jorrando
de mim. Eu exalei, meu corpo inteiro tremendo com a força
de quão boa ela era.
Marcella caiu contra a árvore, suas unhas pequenas e
rombas cravadas na casca, sua respiração áspera e alta ao
nosso redor.
Finalmente, meu pau pulsou uma última vez antes de
eu parar e exalar. Não nos movemos ou falamos por longos
segundos enquanto eu deixava meu nó fazer o que tinha
que fazer e permanecia preso nela para que meu esperma
não pudesse escapar, para que eu pudesse engravidá-la do
meu bebê.
— Diga — exigi e arrastei minha língua por toda a
extensão de sua espinha, lambendo o sangue que brotava
dos arranhões que eu nem sabia que tinha feito, bebendo o
suor salgado que cobria sua pele. — Seja uma boa garota e
me diga o que eu quero ouvir, e eu te farei gozar mais duas
vezes, Pequena.
Ela ainda estava respirando com dificuldade, mas
virou a cabeça para o lado, olhou-me nos olhos e
sussurrou:
— Você sabe que sou sua. E nada jamais mudará isso.
Fiquei nas sombras enquanto observava Marcella
falar com o velho humano.
Eu confiava na minha pequena humana, sabia que ela
não iria embora, mas a vontade de ir até ela, de colocar
meu corpo entre o dela e qualquer coisa e qualquer um que
pudesse tirá-la de mim, me dominava fortemente.
Mas me forcei a ficar para trás, estendendo a mão e
agarrando o tronco grosso de um cedro, minhas garras
cravando na casca até deixar marcas profundas.
Esperei e escutei enquanto ela lhe dizia que havia
uma mudança de planos, que havia feito outros arranjos e
ficaria ali por mais tempo.
Quando chegamos à cabana dela dois dias antes, eu
não estava com pressa de voltar para meu covil. Eu queria
que ela descansasse. Eu precisava que ela comesse e
bebesse. Eu sabia que ela estava dolorida por tudo o que
tinha acontecido, e tudo o que eu queria fazer era cuidar
dela.
Então fiquei de guarda enquanto ela se sentava na
praia e desenhava. Eu a observei fazer formas usando cores
desses gravetos finos que ela segurava. Lápis, ela os
chamava.
Ela fez belas fotos do nosso entorno, e eu queria
pegá-las de volta e pressioná-las nas paredes da caverna do
nosso covil, colorindo o espaço escuro com sua luz.
E à noite eu a segurava, deixando-a usar meu corpo
como proteção e calor enquanto eu a envolvia com meus
braços, meu rabo enrolado em volta de sua cintura.
Quando Marcella estava dormindo profundamente,
eu rondava do lado de fora, perseguindo as trilhas e terras
familiares ao redor da cabana.
Mas agora aqui estávamos nós, no dia em que ela me
disse que deveria partir, um barco vindo buscá-la. Fiquei
mal-humorado com a ideia de alguém se aproximar dela.
Fiquei territorial com a ideia de alguém sequer olhar para
Marcella.
Mas se eu quisesse que ela confiasse em mim, eu
tinha que fazer o mesmo.
E então eu fiquei para trás e observei, fiquei
escondido e deixei minha fêmea perfeita controlar a
situação. Só dessa vez.
Mesmo de longe, eu podia sentir o cheiro de sua
apreensão, vi a maneira como seu rosto enrugado assumiu
uma expressão inquisitiva, talvez até um pouco
preocupada.
Ele não era um idiota. A idade e a experiência o
deixaram cauteloso. Ele pode até ter ouvido falar da minha
espécie ao longo dos anos, fábulas sobre os lobos bestiais
que viviam nas profundezas da natureza selvagem do
Alasca.
Mas o homem finalmente assentiu e se virou para
sair. Minha Marcella ficou na praia, observando até que ele
contornou a curva e sumiu de vista.
Quando ela se virou, eu esperava ver um pouco de
apreensão, talvez até arrependimento, em seu rosto por ter
tomado a decisão errada. Mas o que ela me deu foi o
sorriso mais bonito que eu já tinha visto.
Ela deu um passo em minha direção e eu saí das
sombras da floresta. E então ela correu para mim. Eu
estendi meus braços no momento em que Marcella pulou
neles, envolvendo suas pernas em volta da minha cintura,
seus braços em volta do meu pescoço.
Eu enterrei meu focinho em seu cabelo, inalando
profundamente e soltando um ronco muito satisfeito.
— Minha Marcella — eu disse suavemente, e deslizei
uma pata para baixo para segurar sua bunda, os montes
gloriosos enchendo minha palma. — Minha.
Eu estava dolorida, suada e o esperma fluía
constantemente da minha boceta, me deixando encharcada
entre as coxas e deixando os pelos embaixo de mim todos
pegajosos.
— Já te disse que amo o seu cheiro depois que te
fodo bem e com força?
Eu ri suavemente, mas estava tão cansada, meu
corpo fantasticamente esgotado que não soava tão
energético quanto normalmente seria.
— É porque você insiste em gozar tanto, depois
espalha no meu corpo como se fosse loção. — Ele grunhiu,
claramente satisfeito com a descrição.
Olhei para o Lobo enquanto ele descia pela minha
barriga, pelo meu quadril, e arrastava a língua pela minha
coxa e panturrilha.
Ele circulou meu tornozelo com os dedos e levantou
minha perna, passando a língua pelo arco antes de lamber
meus dedos e a parte superior do meu pé.
Eu nunca estive mais saciada ou feliz na minha vida,
especialmente quando sentia o Lobo começar sua rotina
noturna de lamber cada centímetro de mim depois que me
fodeu.
Essa parte do pós-tratamento que ele me dava
completava todo o nosso encontro sexual. E era porque ele
realmente gostava de fazer isso. Era uma camada extra
para o Lobo que eu estava descobrindo que amava mais
nele a cada dia.
Nos últimos meses, me acostumei a esse estilo de
vida muito diferente. Embora tudo fosse tão facilmente
acessível na cidade, com o passar do tempo e eu me
acostumando a viver na natureza, percebi que nada
daquelas coisas materialistas importava. Nada disso me
fazia feliz.
O Lobo preencheu um vazio dentro de mim que eu
não sabia que tinha. Ele me ensinou a caçar e pescar, como
colher frutas e cogumelos que eram seguros para
comermos.
Ele me mostrou como esfolar um animal, o que era
minha coisa menos favorita. Eu era muito amante de
animais, mesmo que fosse necessário para nossa
sobrevivência.
Ele me deu uma última lambida antes de se
acomodar ao meu lado, seu antebraço jogado sobre meu
corpo, sua pata moldando-se contra minha barriga.
Coloquei minha mão muito menor sobre a dele,
sorrindo. Não era mais apenas sobre nós. Tínhamos um
pequeno a caminho.
O Lobo me segurou enquanto eu pensava nas coisas
que eu tinha perdido inicialmente. Cheeseburgers do
Rowdy’s, o fast food local da cidade. Ou saborear sundaes
de calda quente enquanto assistia a reality shows sem
sentido e bebia uma garrafa de vinho em uma noite de
sábado.
Mas mesmo depois de sentir falta dessas coisas, elas
não se comparavam ao quão perfeita era essa nova vida
com o Lobo.
Meu estômago deu um ronco repentino, e senti
minhas bochechas esquentarem enquanto eu ria quando
ouvi o Lobo fazer aquele grunhido familiar de diversão.
— Meu pequeno está crescendo grande e forte
dentro da minha pequena humana, nos dizendo que está
com fome?
— Ele? — Olhei por cima do ombro. — Pode ser uma
menina. — Virei-me para encará-lo completamente e
pressionei minha bochecha contra seu peito peludo,
apenas inalando o cheiro selvagem dele.
— Menina. Menino. Não faz diferença.
Eventualmente, teremos uma porção deles.
Eu bufei.
— Vá sonhando, amigo. — Mas secretamente, isso
soava como o paraíso.
Eu inalei novamente. Ele sempre tinha o cheiro do ar
noturno grudado nele. Com as temperaturas caindo
conforme o outono se aproximava, estávamos ficando mais
do lado de dentro. Mas isso com certeza não era uma
dificuldade. Isso me permitia me aconchegar ainda mais
nele e deixar seu calor agir como um aquecedor natural.
Ele manteve a palma da mão na minha barriga,
acariciando o monte arredondado. Eu estava prestes a
cochilar quando senti uma vibração no meu abdômen. Sua
expressão me disse que ele não tinha sentido.
Quando olhei para o comprimento do meu corpo,
prendi a respiração enquanto observava sua pata se mover
em círculos lentos ao redor da minha barriga. E então senti
de novo, dessa vez com mais força.
Um som suave de surpresa me deixou, e Lobo se
afastou. Comecei a rir do olhar estranho em seu rosto. Ele
se moveu um pouco para trás para poder realmente olhar
para minha barriga.
— Você sentiu?
Embora ele não precisasse responder para que eu
soubesse que sentiu. Sua linguagem corporal falava muito.
Estendi a mão e agarrei seu pulso, trazendo sua pata
de volta para minha barriga. Sua palma era tão grande que
quase abrangia toda a largura. E enquanto nós dois ficamos
ali em silêncio, esperando que acontecesse de novo, senti o
amor que eu tinha pelo Lobo crescendo ainda mais.
Eu não sabia quando aconteceu, mas definitivamente
tinha se aproximado de mim. Era esse sentimento que
agora estava tão enraizado em mim que só iria crescer.
Com o tempo, ficaria maior e mais forte e se tornaria
impenetrável.
— Minha — ele resmungou, e desceu para poder
arrastar a língua sobre minha barriga de grávida.
Houve outro empurrão e então ele estava
descansando sua bochecha contra mim, murmurando
palavras suaves que eu não conseguia ouvir, aquelas que eu
sabia que eram apenas para o nosso pequeno.
Enquanto eu estava deitada em nosso palete e
passava meus dedos sobre sua cabeça e ao redor de suas
orelhas, eu sabia que não havia melhor final feliz que eu
pudesse ter do que com meu grande lobo mau.
FIM!
Jenika Snow é o pseudônimo de uma autora best-
seller do USA Today, que é conhecida por escrever
romances sensuais, exageradamente possessivos de heróis
alfa.
A autora publica seus livros desde 2009 e escreveu
centenas de romances sensuais que permitem que os
leitores experimentem do que são feitos os namorados
literários.
REDES SOCIAIS
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