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Emissão Radioativa e Momento Magnético

O documento discute diferentes tipos de emissão radioativa, como a fissão nuclear espontânea e a conversão interna, além de descrever a meia-vida dos isótopos radioativos. Também aborda o momento magnético das partículas elementares e a interação spin-órbita, que afeta a estrutura fina das linhas espectrais. Por fim, menciona a importância da camada de valência na química e a organização dos elementos na tabela periódica.
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Emissão Radioativa e Momento Magnético

O documento discute diferentes tipos de emissão radioativa, como a fissão nuclear espontânea e a conversão interna, além de descrever a meia-vida dos isótopos radioativos. Também aborda o momento magnético das partículas elementares e a interação spin-órbita, que afeta a estrutura fina das linhas espectrais. Por fim, menciona a importância da camada de valência na química e a organização dos elementos na tabela periódica.
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Os restantes tipos mais raros de emissão radioativa incluem a ejeção de

neutrões, protões ou grupos de nucleões a partir do núcleo, ou mais do que


uma partícula beta. A conversão interna é um processo análogo à emissão
gama, mas que permite ao núcleo excitado perder energia de forma diferente,
ao produzir eletrões de alta velocidade que não são raios beta, seguidos pela
produção de fotões de elevada energia que não são raios gama. Alguns
núcleos de grande dimensão explodem em dois ou mais fragmentos, com
carga elétrica e de massa variada, e de vários neutrões, numa emissão
denominada fissão nuclear espontânea.[45]

Cada isótopo radioativo tem um período de emissão ou decaimento


característico — a meia-vida — que é determinado pela quantidade de tempo
necessária para o decaimento de metade de uma amostra. Trata-se de um
processo de decaimento exponencial que diminui de forma constante a
proporção do isótopo restante em 50% a cada meia-vida. Desta forma, depois
de duas meias-vidas, só 25% do isótopo é que está presente, e assim por
diante.[43]

Momento magnético
Ver também: Momento magnético
As partículas elementares possuem uma propriedade mecânica quântica
intrínseca denominada spin. Isto é análogo ao momento angular de um objeto
em rotação à volta do seu centro de massa, embora em termos precisos se
acredite que estas partículas sejam similares a pontos e não se possa dizer
que estejam em rotação. O spin é medido em unidades da constante de
Planck reduzidas (h), tendo os eletrões, protões e neutrões todos um spin de
½ ħ. Num átomo, para além do spin, os eletrões em movimento ao redor do
núcleo possuem momento angular orbital, enquanto que o próprio núcleo
possui momento angular devido ao spin nuclear.[46]

O campo magnético produzido por um átomo — o seu momento magnético —


é determinado por estas diferentes formas de momento angular, uma vez que
um objeto com carga elétrica em rotação produz um campo magnético. No
entanto, a principal contribuição vem do próprio spin. Devido à natureza dos
eletrões em obedecer ao princípio de exclusão de Pauli, pelo qual dois eletrões
não podem apresentar o mesmo estado quântico, os eletrões ligados
emparelham-se entre si, ficando um dos membros num estado de spin positivo
e o outro num estado de spin negativo. Assim, os spins cancelam-se
mutuamente, diminuindo o momento de dipolo magnético para zero em
determinados átomos com número par de eletrões.[47]

Em elementos ferromagnéticos como o ferro, o número ímpar de eletrões leva


a que haja um eletrão não emparelhado e a que exista um momento
magnético. As órbitas de átomos vizinhos sobrepõem-se, e quando os spins de
eletrões se alinham entre si atinge-se um estado de energia inferior
denominado interação de troca. Quando os momentos magnéticos dos átomos
ferromagnéticos se encontram alinhados, o material é capaz de produzir um
campo macroscópico mensurável. Os materiais paramagnéticos possuem
átomos com momentos magnéticos que, na ausência de campos magnéticos,
se alinham em direções aleatórias, mas em que na presença de um campo se
alinham individualmente.[47][48]

O núcleo de um átomo pode também possuir spin próprio, ou spin nuclear.


Normalmente, os núcleos estão alinhados em direções aleatórias devido
ao equilíbrio térmico. No entanto, para determinados elementos (como
o xénon-129) é possível polarizar uma grande proporção dos estados
de spin nuclear para que sejam alinhados na mesma direção — uma condição
denominada "hiperpolarização" — o que tem aplicações notáveis
na ressonância magnética.[49][50]

Níveis de energia
Ver artigo principal: Nível de energia
Quando um eletrão se encontra ligado a um átomo, possui energia
potencial inversamente proporcional à sua distância em relação ao núcleo. Isto
é medido pela quantidade de energia necessária para separar o eletrão do
átomo, sendo geralmente expressa em unidade de elétrão-volt (eV). No modelo
mecânico quântico, um eletrão ligado apenas pode ocupar um conjunto de
estados com centro no núcleo, em que cada estado corresponde a um nível
específico de energia. O estado de energia mínima de um eletrão ligado
denomina-se estado fundamental , enquanto que a transição para níveis mais
altos de energia resulta num estado excitado.[51]

Para um eletrão poder transitar entre dois estados diferentes, deve absorver ou
emitir um fotão cuja energia corresponda à diferença entre os potenciais de
energia desses níveis. A energia de um fotão emitido é proporcional à
sua frequência, fazendo com que estes níveis de energia específicos apareçam
como bandas distintas no espectro eletromagnético.[52] Cada elemento tem um
espectro característico que pode variar em função da carga nuclear, de
subcamadas preenchidas por eletrões e de interações eletromagnéticas entre
os eletrões e outros fatores.[53]

Exemplo de linhas de absorção no espectro


Quando se passa um espectro contínuo de energia através de um gás ou
plasma, alguns dos fotões são absorvidos pelos átomos, causando alterações
nos níveis de energia dos eletrões. Os eletrões assim excitados que
permaneçam ligados ao seu átomo vão, de forma espontânea, emitir esta
sobrecarga de energia através de um fotão que se movimentará numa direção
aleatória, levando a que o eletrão regresse aos níveis de energia anteriores.
Assim, os átomos comportam-se como um filtro que forma uma série
de bandas de absorção no espectro de energia. [nota 2] A
medição espectroscópica da força e largura das linhas espectrais permite
determinar a composição e propriedades físicas de uma substância.[54]

Quando observadas ao pormenor, algumas linhas espectrais revelam a


existência de um desdobramento em estrutura fina. Isto ocorre devido
à interação spin-órbita, uma interação entre o spin e movimento do eletrão mais
afastado do centro.[55] Quando um átomo se encontra num campo magnético
exterior, as linhas espectrais dividem-se em três ou mais componentes; um
fenómeno denominado efeito Zeeman. Isto é causado pela interação do campo
magnético com o momento magnético do átomo e dos seus eletrões. Alguns
átomos podem ter múltiplas configurações eletrónicas com o mesmo nível de
energia, aparecendo assim como uma única linha espectral. A interação do
campo magnético com o átomo altera estas configurações eletrónicas para
níveis de energia ligeiramente diferentes, o que resulta em várias linhas
espectrais.[56] A presença de um campo elétrico externo pode provocar nas
linhas espectrais desdobramentos e alterações semelhantes, ao modificar os
níveis de energia dos eletrões, um fenómeno denominado efeito Stark.[57]

Se um eletrão ligado se encontra num estado excitado, um fotão que com ele
interaja e tenha um nível de energia apropriado pode provocar a emissão
estimulada de um fotão com um nível de energia correspondente. Para que isto
ocorra, o eletrão deve descer para um estado energético inferior e que tenha
um diferencial de energia correspondente à energia do fotão que com ele
interage. O fotão emitido e o fotão de interação irão então mover-se
paralelamente e com fases iguais. Isto é, os padrões de onda dos dois fotões
vão-se sincronizar. Esta propriedade física é usada para produzir lasers, que
são capazes de emitir um raio coerente de luz através numa banda de
frequência estreita.[58]

Valência
Ver artigo principal: Valência (química)
A camada eletrónica mais afastada do núcleo de um átomo no estado neutro é
denominada camada de valência, sendo os eletrões nessa camada
denominados eletrões de valência. A quantidade de eletrões de valência
determina o comportamento da ligação com outros átomos. Os átomos tendem
a reagir quimicamente entre si de forma a que a sua camada de valência seja
preenchida.[59]

Os elementos químicos são geralmente representados numa tabela periódica,


organizada de forma a mostrar as principais propriedades químicas e na qual
os elementos com o mesmo número de eletrões de valência formam um grupo
alinhado ao longo da mesma coluna na tabela. Os elementos mais à direita da
tabela têm a sua camada externa completamente preenchida com eletrões, o
que dá origem a elementos quimicamente inertes conhecidos como gases
nobres.[60][61]

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