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Fases do Sono: REM e Não REM Explicadas

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Alice Gabriele
Direitos autorais
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Fases do Sono: REM e Não REM Explicadas

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Objetivos ●​ Função: essencial para restauração física, economia

de energia e regulação metabólica


• Evidenciar a importância do sono normal com suas fases REM e não


REM;


• Fisiologia da vigília e estruturas anatômicas do SNC envolvidas;


• Funções endócrina, cardíaca e respiratória na vigília e sono;
🧬 Três Estados da Função Encefálica

• Definir os ritmos circadianos;
• Principais neurotransmissores do ciclo vigília/sono;
• Mecanismo de ação dos hipnóticos e sedativos. Cada fase comportamental (vigília, sono REM e sono não REM)
está associada a:
Importância sono normal fase REM
✅ Definição de Sono
●​ Três estados distintos da função encefálica
●​ Cada um com:
○​ Padrões específicos de atividade cerebral
●​ Sono é um estado facilmente reversível de: ○​ Alterações significativas na função
○​ Reduzida responsividade ao ambiente corporal (respiração, frequência cardíaca,
○​ Menor interação com o ambiente tônus muscular, etc.)
●​ Coma e anestesia geral:
○​ Não são considerados sono
○​ Não são facilmente reversíveis
💤 Sono não REM: “Um encéfalo indolente em um corpo em
movimento”

🧠 Estados Comportamentais Durante o Dia 🧍‍♂️ Corpo durante o sono não REM:
●​ Durante um dia normal, o ser humano alterna entre: ●​ Redução da tensão muscular geral
○​ Vigília (estado desperto) ●​ Movimentos mínimos do corpo (ocorrem raramente,
○​ Sono para ajuste postural)
●​ Redução da temperatura corporal
●​ Redução do consumo energético
●​ Aumento da atividade parassimpática do sistema
🌙 Fases do Sono nervoso autônomo:
○​ Frequência cardíaca e respiratória diminuem
●​ O sono não é um estado uniforme; ele se divide em ○​ Função renal diminui
dois estados principais: ○​ Processos digestivos são acelerados
1.​ Sono REM (Rapid Eye Movement)
2.​ Sono não REM (ou Sono de Ondas Lentas) 🧠 Encéfalo durante o sono não REM:
●​ Baixíssimo consumo de energia
●​ Baixa frequência de disparo neuronal
💤 Sono REM ●​ EEG com ritmos lentos e de grande amplitude
○​ Indica oscilação sincronizada dos neurônios
●​ Características: corticais
○​ Movimentos oculares rápidos ●​ A maioria dos estímulos sensoriais não atinge o
○​ EEG (eletroencefalograma) se assemelha ao córtex
do estado de vigília ●​ Atividade mental mínima:
○​ Atividade cerebral intensa ○​ Pessoas acordadas nesse estágio
○​ Imobilidade corporal, exceto: frequentemente:
■​ Músculos oculares ■​ Não se lembram de nada
■​ Músculos respiratórios ■​ Ou relatam pensamentos
○​ Presença de sonhos vívidos e detalhados​ fragmentados e plausíveis, com
pouca imagem visual
●​ Função: associada ao processamento emocional e ○​ Sonhos detalhados são raros, mas não
consolidação da memória totalmente ausentes

😴 Sono não REM (ou Sono de Ondas Lentas) 🧠 Sono REM: “Um encéfalo ativo e alucinando em um corpo
paralisado”
●​ Características:​
🧠 Atividade cerebral:
○​ Ausência de sonhos complexos (ou bem
menos frequentes) ●​ EEG semelhante ao da vigília:
○​ EEG dominado por ritmos amplos e lentos ○​ Oscilações rápidas e de baixa voltagem
○​ Atividade cerebral reduzida ●​ Chamado de sono paradoxal:
○​ EEG de vigília, mas com paralisia muscular
●​ Alto consumo de oxigênio pelo encéfalo:
○​ Maior até do que durante tarefas
Atividade Rara e pouco Frequente, vívida,
cognitivas intensas
onírica visual complexa e

😴 Sonhos: (sonhos) emocional

●​ Fase em que ocorrem os sonhos vívidos, animados


e frequentemente bizarros Consumo Baixo Elevado
●​ Estudos mostram que >90% das pessoas acordadas energético
durante ou logo após o REM relatam sonhos cerebral
●​ Pesquisadores como Dement, Aserinsky e Kleitman
comprovaram essa associação

💪 Corpo durante o sono REM:


●​ Paralisia quase completa do corpo (chamada
🧠 Sono REM: Atividade Fisiológica e Regulação
atonia):
○​ Perda do tônus muscular esquelético
🔄 Controle Autonômico no Sono REM
○​ Corpo está incapacitado de se mover
●​ Músculos respiratórios continuam a funcionar, mas ●​ Predomínio da atividade simpática:
de forma tenue ○​ Diferente do sono não REM, em que
●​ Músculos dos olhos e do ouvido interno: predomina o parassimpático
○​ Ativos ●​ Sistema de controle da temperatura corporal é
○​ Movimentos oculares rápidos (com desativado:
pálpebras fechadas) ocorrem em rajadas ○​ O organismo para de regular a temperatura
○​ São os melhores indicadores de sonho ○​ A temperatura interna tende a cair
vívido

❤️ Alterações Cardiovasculares e Respiratórias


📌 Comparação geral: ●​ Aumento da frequência cardíaca e respiratória
●​ Porém, ambas tornam-se irregulares:
Aspecto Sono não REM Sono REM ○​ Variabilidade acentuada
○​ Reflexo do predomínio simpático e da
instabilidade autonômica

EEG Ritmos lentos e Oscilações rápidas e


amplos de baixa voltagem
⚙️ Outras alterações fisiológicas
●​ Ereções penianas e clitorianas são comuns:
Atividade Reduzida Alta (semelhante à
○​ Ocorrem espontaneamente durante o sono
cerebral vigília)
REM
○​ Independentes do conteúdo sexual dos
sonhos
Tônus Reduzido Ausente (paralisia) ○​ Sugerem papel do sono REM na saúde
muscular sexual e vascular

Movimento Mínimo, para Oculares rápidos; 🧠 Atividade encefálica


ajustes resto do corpo imóvel
posturais ●​ Extremamente ativa, apesar de o corpo estar
paralisado
●​ O encéfalo, nesse estágio, claramente não está em
repouso
Sistema Predomínio Padrão variável ●​ Pode estar envolvido em:
nervoso parassimpático ○​ Processamento emocional
autônomo ○​ Consolidação de memória
○​ Organização de experiências sensoriais e
cognitivas
🧩 Frase-chave para memorizar: ○​ Ritmo biológico com duração menor que 24h
(mais rápido que o ritmo circadiano).
“Durante o sono REM, o encéfalo parece estar
fazendo qualquer coisa, exceto repousar.”

🧠 Tabela 19.1 – Características dos Três Estados Funcionais 📊 Proporção entre os tipos de sono:
do Encéfalo
●​ Sono não REM: aproximadamente 75% do tempo total
de sono
Caracterís Vigília Sono Sono REM
●​ Sono REM: cerca de 25% do tempo total​
tica não
REM

EEG Voltagem Voltage Voltagem baixa, 🌙 Estágios do sono não REM:


baixa, m alta, rápido
rápido lento ●​ Dividido em quatro estágios distintos (do mais leve
ao mais profundo)
●​ A progressão normal é:​

Sensação Vívida, Fraca Vívida, gerada ○​ Estágio 1 → Estágio 2 → Estágio 3 → Estágio


gerada ou internamente 4 (sono profundo) → sono REM → reinício do
externam ausente ciclo
ente ○​ o estagio 1 do sono é a transi~ção entre a
vigilia e o sono, periodo em que o sono
parece ser eminente, mas ainda não
desenvolvido.
Pensamen Lógico, Lógico, Vívido, ilógico, ○​ o estágio 2 é o primeiro estagio verdadeiro do
to progressiv repetitiv bizarro sono, sendo caracterizado pelo aparecimento
o o de fusos de sono dno EEG, resultado do
relaxamento e hiperpolarização generalizada
dps neuronios e das redes neuronais que
seguem uma inativação gradual dos
Moviment Contínuo, Ocasion Paralisia muscular; mecanismos encefáçicos de alerta; a
o voluntário al, movimentos respiração começa a ficar mais lenta e regular
involunt comandados pelo e a temperatura corporal começa a diminuir.
ário encéfalo, mas não ○​ o estagio 3 mostra maior redução nos
executados processos de excitação encefalica e um
aumento na sincronizala da atividade cortical
e talâmica;
○​ o estafio 4 é o sono mais profundo, após 30
Moviment Frequente Raro Frequente min nesse estágio, ao invés de acordar ele
o rápido estra no sono REM, periodo no qual os
dos olhos sonhos tormam se vividos ou até mesmo
bizzarros.

🕰️ Resumo – O Ciclo do Sono


🛏️ Estrutura do sono durante a noite:
●​ O sono não é contínuo ou estável – ocorre em ciclos
repetitivos.​

●​ O sono normalmente se inicia com o sono não REM.


●​ Alternância entre fases de sono não REM e sono
REM ao longo da noite.

🔁 Ciclos do sono
●​ Cada ciclo completo (não REM → REM → reinício)
dura cerca de 90 minutos.
●​ Esse padrão é um exemplo de ritmo ultradiano:
●​ O sono seria uma estratégia evolutiva:
○​ Para evitar perigos
🔄 Padrão repetitivo durante a noite: ○​ Para economizar energia​

●​ Ciclos entre estágios do sono não REM e REM se


repetem por várias vezes. 🛡️ Proteção contra riscos ambientais:
●​ Durante o sono REM:
○​ Ocorrem movimentos rápidos dos olhos, ●​ Animais seriam mais vulneráveis à noite (ex.: um
atividades fisiológicas intensas e ereções esquilo pode virar presa de uma coruja).
penianas espontâneas (em homens). ●​ Dormir reforça o isolamento e mantém o animal
●​ O cérebro passa por uma espécie de protegido em ambientes hostis ou escuros.​
"montanha-russa" de atividade, com fases altamente
ativas e outras mais repousantes.
🔋 Conservação de energia:
😴 Por que dormimos? ●​ Durante o sono:
○​ Temperatura corporal interna cai
Não há uma única teoria amplamente aceita, ○​ Regulação térmica diminui
mas há duas grandes categorias de ○​ Gasto calórico é reduzido​
explicações:​
➤ Teorias da Restauração​ ●​ O corpo funciona no modo mínimo necessário para
➤ Teorias da Adaptação manter-se vivo, economizando recursos.

🔧 1. Teorias da Restauração 📌 Conclusão geral:


💡 Ideia central: ●​ O sono não é apenas repouso – possui funções
biológicas essenciais e únicas.​
●​ Dormimos para descansar e recuperar o organismo,
preparando-nos para uma nova vigília. ●​ Pode combinar elementos das duas teorias:​

🧬 O que estaria sendo restaurado? ○​ Restaurar certas funções cerebrais e/ou


metabólicas​
●​ Ainda não se sabe exatamente.
●​ O repouso acordado (por exemplo, deitado com os
olhos fechados) não substitui o sono. ○​ Proteger o organismo e conservar energia
●​ Sono tem efeitos biológicos próprios e evolutivamente​
insubstituíveis.

📉 Efeitos da privação de sono:


●​ Pode causar sérios problemas físicos e Vigília e estruturas anatômicas do SNC envolvidas
comportamentais.
●​ Mostra que o sono é essencial para a saúde.

❓ O que ainda não foi comprovado:


●​ Nenhum processo fisiológico foi comprovadamente
restaurado apenas pelo sono.​

●​ Nenhuma substância essencial foi identificada como


sendo produzida ou removida exclusivamente
durante o sono.​ 🧠 A Vigília e o Sistema Ativador Reticular Ascendente (SARA)
🧠 Possível função cerebral: 🌟 Importância do Tronco Encefálico
●​ Lesões no tronco encefálico podem causar:
●​ O córtex cerebral pode precisar do sono,
○​ Sono profundo ou coma
especialmente do sono não REM, para um "repouso
○​ Tronco encefálico possui neurônios cuja
funcional" essencial.
atividade é essencial para nos manter
acordados. ​

🦊 2. Teorias da Adaptação ○​ Evidenciam que neurônios do tronco


encefálico são essenciais para a vigília

💡 Ideia central:
🔬 Pesquisas de Giuseppe Moruzzi (1940–1950) ○​ Histaminérgico​

●​ Descobertas:​ ●​ Papel na regulação do estado de vigília


●​ Inibe o sono REM
○​Lesões na linha média do tronco encefálico ●​ Facilita:
→ EEG semelhante ao sono não REM ○​ Comportamento motor
○​ Lesões no tegmento lateral (aferências ○​ Atividade neuroendócrina e
sensoriais ascendentes) → não causam neurovegetativa
sono ●​ Inicialmente associada ao comportamento alimentar,
○​ Estimulação elétrica da formação reticular mas tem função muito mais ampla
do mesencéfalo → EEG muda do padrão de
sono para padrão de vigília
●​ Denominou essa área de Sistema Ativador Reticular
Ascendente (SARA) 🛌 Hipocretina e Distúrbios do Sono
⚙️ Como o SARA promove a vigília ●​ A perda dos neurônios produtores de hipocretina
causa:

🧩 Envolve múltiplos sistemas moduladores ascendentes:


○​ Narcolepsia:
■​ Distúrbio caracterizado por

🔹 Neurônios e seus neurotransmissores principais:


sonolência excessiva e ataques
súbitos de sono
●​ Locus coeruleus → Noradrenalina
●​
●​
Núcleos da rafe → Serotonina
Neurônios colinérgicos → Acetilcolina (tronco 🌙 Formação Reticular e o Ciclo Sono–Vigília
encefálico e prosencéfalo basal)
●​ Neurônios histaminérgicos → Histamina ●​ A formação reticular:
(mesencéfalo) ○​ Estrutura em colunas centrais do tronco
●​ Neurônios orexinérgicos → Hipocretina (ou encefálico
orexina) (hipotálamo lateral)​ ○​ Estende-se do mesencéfalo ao bulbo
○​ Localiza-se abaixo do aqueduto do
mesencéfalo e do quarto ventrículo
🌐 Distribuição e ação: ⚙️ Função-chave:
●​ Esses neurônios projetam-se para:​
●​ Regulação do ciclo sono–vigília
○​ Tálamo ○​ Atua como centro integrador do estado de
○​ Córtex cerebral alerta
○​ Diversas outras regiões encefálicas​ ○​ Faz parte do Sistema Ativador Reticular
Ascendente (SARA)
●​ Seus efeitos gerais incluem:​ ○​ Influencia diretamente a transição entre
vigília, sono não REM e sono REM
○​ Despolarização neuronal
○​ Aumento da excitabilidade
○​ Supressão dos disparos rítmicos (inibição
de padrões do sono)​ ●​ A maior parte das regiões do prosencéfalo basal
promove alerta e vigília.​

●​ Um subconjunto de neurônios colinérgicos dessas


🧬 Funções da Hipocretina (Orexina) regiões tem comportamento diferente:​

🧠 Produção: ○​ Aumenta a frequência de disparos no


início do sono não REM.​
●​ Produzida por neurônios no hipotálamo lateral​
○​ Fica silencioso durante a vigília.
●​ Seus axônios se projetam amplamente pelo encéfalo​

⚙️ Funções: ✅ Conclusão:
●​ A formação reticular, localizada entre estruturas como
●​ Estimula fortemente os sistemas:
a ponte e o cerebelo, não atua no controle motor
○​ Colinérgico
como o cerebelo, mas é crucial para manter o
○​ Noradrenérgico
estado de vigília e regular os ciclos de sono.
○​ Serotoninérgico
●​ É uma peça central na modulação da consciência e
○​ Dopaminérgico
do alerta cerebral.
Eles atuam como promotores da vigília, aumentando a

🌙 Resumo – Regulação da Vigília no Bulbo Rostral


frequência cardíaca, a pressão arterial e a
disponibilidade de glicose, preparando o corpo para a
ação. A atividade desses hormônios é maior durante o
●​ O bulbo (medula oblonga) envolve o quarto dia e diminui consideravelmente à noite, contribuindo
ventrículo e possui várias estruturas funcionais. para o relaxamento e a indução do sono.
●​ Hormônios da Tireoide: O tri-iodotironina (T3​) e a
🔹 Núcleo da Rafe tiroxina (T4​) são essenciais para regular o metabolismo
basal. Níveis adequados desses hormônios são
●​ Localizado no bulbo rostral. necessários para manter o estado de alerta e a energia
●​ Atua na modulação da vigília, além de regular dor e durante a vigília. A disfunção da tireoide, como o
humor. hipotireoidismo, pode levar à sonolência diurna
●​ Produz serotonina, neurotransmissor importante excessiva, enquanto o hipertireoidismo pode causar
na transição entre sono e vigília. insônia.

Fase de Sono

🧠 Hipotálamo e a Regulação Sono–Vigília O sono é um estado de repouso reparador, caracterizado por


uma diminuição da atividade metabólica e de processos
●​ Projeções diretas ao hipotálamo têm papel fisiológicos que visam a restauração do corpo e da mente. A
essencial na sincronização dos ritmos biológicos. regulação endócrina é crucial para a progressão pelos
●​ Esses ritmos incluem o ciclo sono–vigília, diferentes estágios do sono (NREM e REM).
alinhando-o ao ciclo diário claro–escuro (ritmo ●​ Melatonina: Este é o principal hormônio regulador do
circadiano). sono. Produzida pela glândula pineal em resposta à
●​ Essa função está ligada a estruturas como o escuridão, a melatonina atua como um sinal para o
núcleo supraquiasmático (NSQ), que age como o corpo de que é hora de dormir. Sua secreção aumenta
"marcapasso biológico" do organismo. no início da noite, atinge um pico no meio da noite e
diminui ao amanhecer. A luz, especialmente a luz azul,
inibe a produção de melatonina, o que explica por que
a exposição a telas eletrônicas antes de dormir pode
funções endócrinas prejudicar a qualidade do sono.
●​ Hormônio do Crescimento (GH): O GH é liberado em
pulsos, sendo o maior pico de secreção concentrado
A regulação hormonal do ciclo de sono-vigília é um sistema
durante o sono de ondas lentas, ou sono profundo
complexo e altamente coordenado, essencial para a
(fases 3 e 4 do sono NREM). Esse hormônio é vital
homeostase do organismo. Os ritmos circadianos, que são
para o crescimento e desenvolvimento em crianças e
oscilações biológicas de aproximadamente 24 horas, atuam
adolescentes. Em adultos, ele desempenha um papel
como um "relógio mestre" que influencia a liberação de diversos
crucial na reparação de tecidos, no aumento da massa
hormônios. Esses hormônios, por sua vez, modulam a atividade
muscular e na renovação celular. A privação do sono
cerebral e sistêmica para promover a vigília ou o sono.
pode, portanto, comprometer a liberação ideal de GH,
impactando negativamente a regeneração corporal.
A seguir, uma análise aprofundada das funções endócrinas
●​ Hormônios da Fome e Saciedade (Grelina e
durante a vigília e o sono.
Leptina): O ciclo sono-vigília também modula
hormônios que regulam o apetite. A grelina, conhecida
Fase de Vigília
como o "hormônio da fome", tem seus níveis
A vigília é um estado de alerta e consciência, caracterizado por aumentados durante a privação do sono. Já a leptina,
alta atividade cortical, prontidão para responder a estímulos o "hormônio da saciedade", tem sua produção reduzida
sensoriais e uma série de processos metabólicos e fisiológicos pela falta de sono. Esse desequilíbrio hormonal pode
para manter o corpo ativo. explicar a tendência a comer em excesso e a
preferência por alimentos calóricos em indivíduos
●​ Cortisol: Conhecido como o "hormônio do estresse", o
privados de sono, o que está associado a um maior
cortisol é fundamental para a vigília. A secreção de
risco de obesidade e diabetes.
cortisol segue um ritmo circadiano, com um pico
●​ Eixo HHA e Cortisol no Sono: Embora os níveis de
significativo nas primeiras horas da manhã, que ajuda
cortisol sejam mais baixos durante a maior parte do
a despertar e a mobilizar a energia necessária para as
sono, eles começam a subir nas últimas horas da
atividades diárias. O cortisol aumenta os níveis de
noite, preparando o corpo para o despertar. A
glicose no sangue, suprime o sistema imunológico e
fragmentação ou a privação do sono, no entanto,
auxilia no metabolismo de carboidratos, gorduras e
podem hiperativar o eixo HHA, resultando em níveis
proteínas. A ativação do eixo
elevados de cortisol de forma crônica, o que está
hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA) é responsável
associado a distúrbios como insônia, hipertensão e
por essa produção. Durante o dia, seus níveis
resistência à insulina.
diminuem gradualmente, atingindo o ponto mais baixo
●​ Hormônios Sexuais: A regulação hormonal do sono
à noite, o que é crucial para permitir o início do sono.
também se estende aos hormônios sexuais. Em
●​ Adrenalina e Noradrenalina: Esses hormônios,
homens, a produção de testosterona tem seus picos
também parte da resposta ao estresse, são liberados
durante o sono. Níveis baixos de testosterona estão
pelas glândulas suprarrenais e pelo sistema nervoso.
associados a uma pior qualidade do sono e a um risco noite ("reverse dipping"), está associada a um risco
aumentado de apneia do sono. Em mulheres, os aumentado de eventos cardiovasculares.
hormônios estrogênio e progesterona afetam o sono, ●​ Variabilidade da Frequência Cardíaca (VFC):
especialmente durante a menopausa. A diminuição dos Durante o sono, a VFC aumenta, indicando uma maior
níveis de estrogênio pode causar ondas de calor influência do sistema parassimpático. Isso é um sinal
noturnas e insônia, prejudicando o descanso. de um sistema nervoso autônomo saudável e bem
regulado.
●​ Sono REM: Durante o sono REM, a atividade cardíaca
Em suma, a relação entre o sistema endócrino e o ciclo
se torna mais irregular e a PA e a FC podem flutuar,
sono-vigília é bidirecional e finamente ajustada pelos ritmos
aproximando-se dos níveis da vigília. Isso está
circadianos. A compreensão dessa complexa interação é
relacionado à atividade onírica e à dessincronização
essencial para a saúde, pois o desequilíbrio hormonal pode ser
cerebral, mas ainda é parte de um ciclo de descanso e
tanto causa quanto consequência de distúrbios do sono, com
recuperação.
implicações significativas para o metabolismo, o crescimento, a
resposta ao estresse e a saúde mental.
Implicações da Disfunção do Sono na Saúde Cardiovascular

função cardíaca O desequilíbrio entre o sono e a vigília pode ter sérias


consequências para o coração. A privação crônica do sono ou
A função cardíaca é profundamente modulada pelo ciclo distúrbios como a apneia obstrutiva do sono (AOS)
sono-vigília, sendo essa regulação crucial para a saúde desregulam o sistema cardiovascular.
cardiovascular a longo prazo. O sistema nervoso autônomo,
composto pelos sistemas simpático e parassimpático, atua ●​ Hipertensão: A falta de sono impede a queda noturna
como o principal mediador dessa relação. da PA, contribuindo para a hipertensão crônica. A AOS,
em particular, causa picos de PA repetidos durante a
Função Cardíaca na Vigília noite, sobrecarregando o sistema.
●​ Arritmias: A fragmentação do sono e a hiperatividade
Durante a vigília, o corpo está em um estado de alerta e simpática podem levar a arritmias cardíacas, como a
atividade, o que exige mais do sistema cardiovascular. A fibrilação atrial.
atividade do sistema nervoso simpático é predominante, ●​ Doenças Coronarianas e Infarto: A privação de sono
preparando o corpo para a "luta ou fuga". aumenta a inflamação sistêmica e a ativação
simpática, que são fatores de risco para a
●​ Frequência Cardíaca (FC): A FC é naturalmente mais aterosclerose e o infarto do miocárdio. Estudos
elevada durante a vigília para garantir um fluxo mostram que a incidência de infartos é maior nas
sanguíneo adequado aos músculos e ao cérebro. primeiras horas da manhã, um período de transição da
Variações ocorrem em resposta a atividades físicas, dominância parassimpática para a simpática.
estresse e emoções. ●​ Insuficiência Cardíaca: O sono insuficiente e de má
●​ Pressão Arterial (PA): A PA também se mantém mais qualidade exige um esforço contínuo do coração, o que
alta para otimizar a perfusão dos tecidos. Flutuações pode, a longo prazo, levar ao enfraquecimento do
são esperadas, mas a manutenção de uma pressão músculo cardíaco e à insuficiência cardíaca.
normal é essencial para a saúde.
●​ Variabilidade da Frequência Cardíaca (VFC): A VFC, A regulação da função cardíaca é um exemplo claro de como o
que é a variação no tempo entre os batimentos sono não é apenas um período de inatividade, mas uma fase de
cardíacos, é um indicador da atividade do sistema manutenção ativa e essencial para a homeostase do corpo. O
nervoso autônomo. Durante a vigília, a VFC é entendimento desses mecanismos reforça a importância de
geralmente menor, refletindo o domínio simpático. priorizar um sono de qualidade como parte fundamental de uma
estratégia de prevenção de doenças cardiovasculares.

Função Cardíaca no Sono

O sono é um período de repouso e recuperação, e o sistema


cardiovascular segue essa lógica. O sistema nervoso
parassimpático se torna mais ativo, promovendo o
relaxamento e a restauração.

●​ Frequência Cardíaca (FC): A FC diminui


significativamente durante o sono, especialmente nas
fases de sono profundo (NREM). Essa desaceleração
permite que o coração "descanse" e se recupere do
estresse do dia.
●​ Pressão Arterial (PA): A PA cai cerca de 10 a 20%
durante a noite, um fenômeno conhecido como
"dipping". Essa queda é vital para a saúde
cardiovascular, pois reduz a carga sobre os vasos
sanguíneos e o músculo cardíaco. A ausência de
"dipping" (não-dipping), ou a elevação da PA durante a
função respiratória variar bastante, com a ocorrência de pausas curtas
(apneias) e respirações mais rápidas e superficiais.
Essa irregularidade reflete a atividade onírica e a
A função respiratória, assim como a cardíaca, é regulada de dessincronização neural dessa fase do sono.
forma distinta durante a vigília e o sono. Essa regulação é
fundamental para garantir a oxigenação adequada do corpo,
tanto em estado de alerta quanto em repouso. O controle da
respiração é complexo e envolve o sistema nervoso central, Impacto dos Distúrbios do Sono na Função Respiratória
bem como a modulação por hormônios e quimiorreceptores.
O sono é um período de vulnerabilidade para o sistema
respiratório, e disfunções podem levar a problemas graves. A
apneia obstrutiva do sono (AOS) é o exemplo mais notório.
Função Respiratória na Vigília
●​ Apneia Obstrutiva do Sono (AOS): É um distúrbio
Durante a vigília, a respiração é predominantemente controlada em que a via aérea superior colapsa repetidamente
de forma consciente e voluntária. Isso significa que podemos durante o sono. A redução do tônus muscular das vias
prender a respiração, respirar mais fundo ou mais rápido, por aéreas, que é natural do sono, é exacerbada em
exemplo, para falar, cantar ou praticar exercícios físicos. indivíduos com AOS. O colapso impede a passagem
do ar, resultando em pausas respiratórias (apneias) e
●​ Controle Central: O tronco cerebral, em particular o quedas nos níveis de oxigênio no sangue. Essas
bulbo e a ponte, contém os centros respiratórios que apneias geram microdespertares para o cérebro,
geram o ritmo básico da respiração. Na vigília, esses fragmentando o sono e impedindo que o indivíduo
centros recebem informações de diversas áreas do atinja as fases de sono profundo.
cérebro, permitindo ajustes rápidos e precisos.
●​ Músculos Respiratórios: Os músculos da faringe e Consequências da AOS:
da laringe mantêm as vias aéreas superiores abertas e
firmes. O diafragma, principal músculo da respiração, ●​ Hipoxemia Intermitente: As repetidas quedas nos
trabalha de forma coordenada com os músculos níveis de oxigênio causam estresse oxidativo e
intercostais para inspirar e expirar. inflamação sistêmica, que são fatores de risco para
●​ Sensibilidade: A respiração na vigília é mais sensível doenças cardiovasculares, como hipertensão, arritmias
a mudanças nos níveis de dióxido de carbono (CO2​) e e infarto.
oxigênio (O2​) no sangue, graças a quimiorreceptores ●​ Hipercapnia Crônica: O acúmulo de CO2​ no sangue
periféricos e centrais. Isso garante que o corpo pode sobrecarregar o sistema respiratório e levar a
responda rapidamente a qualquer alteração que possa complicações a longo prazo.
comprometer a oxigenação. ●​ Aumento da Atividade Simpática: Os episódios de
apneia ativam a resposta de "luta ou fuga", resultando
em picos de pressão arterial e frequência cardíaca, o
que contribui para o desenvolvimento de hipertensão.
Função Respiratória no Sono
Em suma, a transição entre a vigília e o sono envolve uma
No sono, o controle da respiração se torna involuntário e mudança fundamental no controle da respiração, de consciente
automático. A influência consciente sobre a respiração para automático. Embora essa mudança seja natural, a redução
desaparece, e o controle passa a ser puramente dependente do tônus muscular e da sensibilidade respiratória durante o
dos centros respiratórios do tronco cerebral. sono torna o sistema vulnerável a distúrbios como a apneia,
com consequências significativas para a saúde geral.
●​ Mudanças na Respiração: Durante o sono, a
respiração se torna mais lenta e superficial,
especialmente nas fases de sono profundo (NREM).
Ocorre uma diminuição do volume corrente
(quantidade de ar que entra e sai a cada respiração) e
Ritmos circadianos
da frequência respiratória.
●​ Tonus Muscular: Há uma redução generalizada do ●​ Definição:
tônus muscular do corpo, incluindo os músculos das ○​ Ritmos circadianos são ciclos diários de
vias aéreas superiores (faringe e laringe). Essa claridade e escuridão resultantes da rotação
redução é mais acentuada no sono REM. da Terra.
●​ Menor Sensibilidade: A sensibilidade dos ○​ Nome vem do latim circa (“aproximadamente”)
quimiorreceptores para o CO2​ e o O2​ diminui durante + dies (“dia”).​
o sono. Isso significa que o corpo tolera níveis
ligeiramente mais altos de CO2​ e mais baixos de O2​ ●​ Variação entre espécies:
antes de ativar um reflexo para aumentar a ventilação. ○​ Alguns animais são ativos durante o dia
Essa é uma das razões pelas quais a respiração pode (diurnos).
se tornar menos eficiente durante a noite. ○​ Outros, à noite (noturnos).
●​ Sono REM e Irregularidade: O sono REM é ○​ Outros, no alvorecer ou crepúsculo
caracterizado por irregularidades na respiração. A (crepusculares).​
frequência respiratória e o volume corrente podem
●​ Influência fisiológica e bioquímica:
○​ Flutuações em temperatura corporal, fluxo ●​ Difícil eliminar todos no laboratório (sons,
sanguíneo, produção de urina, níveis movimentação, funcionamento de aparelhos).
hormonais, crescimento de pelos e taxa ●​ Ambientes mais isolados: cavernas profundas.
metabólica. ●​ Estudos em cavernas:​
○​ Em humanos, há relação inversa entre
propensão para dormir e temperatura ○​ Inicialmente → ritmo ~25h.​
corporal.
●​ Persistência sem luz: ○​ Com o tempo → livre-curso de 30 a 36h:
○​ Mesmo sem ciclos de claro-escuro, ritmos acordados ~20h e dormem ~12h, considerado
circadianos mantêm padrão semelhante. normal pelos participantes.​
○​ Isso porque o relógio primário é biológico,
localizado no encéfalo.
●​ Necessidade de ajuste:
○​ Relógios biológicos não são perfeitos e
precisam de ajustes periódicos. Dessincronização de ritmos
○​ Estímulos externos como luz/escuridão e
mudanças diárias de temperatura ajudam a ●​ Com luz artificial e alteração de horários:​
sincronizá-los com o ciclo solar.
●​ Importância científica: ○​ Temperatura corporal pode seguir ciclo de 24h
○​ Ritmos circadianos já foram amplamente mesmo com sono-vigília alterado.​
estudados nos níveis comportamental,
celular e molecular. ○​ Sono-vigília e temperatura podem se
○​ Relógios do encéfalo exemplificam a ligação desacoplar.​
entre atividade neuronal e comportamento.
●​ Em isolamento, o mínimo da temperatura corporal
(normalmente antes de acordar) pode mudar de
posição no ciclo.
Evidências iniciais de relógios biológicos ●​ Consequências: pior qualidade do sono e prejuízo do
bem-estar.
●​ Primeira evidência: planta mimosa, que levanta folhas ●​ Indica existência de mais de um relógio biológico no
de dia e abaixa à noite.​ corpo.

●​ 1729 – Jean Jacques d’Ortous de Mairan:


○​ Colocou mimosas no escuro → continuaram
com movimentos diários. Jet lag e ressincronização
○​ Concluiu que a planta ainda estaria
influenciada pelo Sol. ●​ Mudança brusca no ciclo sono-vigília (viagens
●​ Mais de 100 anos depois – Augustin de Candolle: transmeridionais) causa dessincronização.
○​ Planta similar no escuro → ciclo de 22 horas ●​ Melhor tratamento: exposição à luz intensa para
(não 24h). reajustar o relógio biológico.
○​ Sugere existência de relógio biológico
interno.​

Outros zeitgebers para mamíferos

●​ Ciclo claro-escuro é o principal nos adultos.


Zeitgebers (alemão: “impositores de tempo”) ●​ Em fetos, hormônios maternos podem ser o primeiro
zeitgeber.
●​ Estímulos ambientais que sincronizam ritmos ●​ Outros possíveis: disponibilidade periódica de alimento
biológicos: ou água, contato social, ciclos de temperatura e de
○​ Luz/escuridão (principal), variações de ruído-silêncio.
temperatura e umidade. ●​ Geralmente menos efetivos, mas importantes em
●​ Na presença de zeitgebers → ciclo de atividade de contextos específicos.
exatamente 24 horas.
●​ Sem zeitgebers → ritmos entram em livre-curso
(período natural do organismo).
○​ Camundongo: ~23h
○​ Hamster: ~24h
○​ Humanos: 24,5 a 25,5h

Isolamento de zeitgebers
O Núcleo Supraquiasmático: um Relógio Encefálico Um relógio
biológico que produz ritmos circadianos

Componentes de um relógio biológico circadiano

●​ Estrutura básica: Sensor de luz → Relógio → Via


eferente.
Acoplamento com luz – Trato retino-hipotalâmico
●​ Vias aferentes: sensíveis à luz/escuridão, regulam o
relógio para manter sincronia com o ambiente.
●​ NSQ sincroniza com luz via trato retino-hipotalâmico.​
●​ O relógio mantém seu ritmo básico mesmo sem via
aferente.
●​ Axônios de células ganglionares da retina → sinapse
●​ Vias eferentes: controlam funções cerebrais e
direta com neurônios do NSQ.​
corporais segundo a precisão temporal do relógio.

●​ Essa aferência é necessária e suficiente para


sincronizar ciclos sono-vigília com noite e dia.​

Núcleo Supraquiasmático (NSQ) ●​ Neurônios do NSQ são fotossensíveis, respondendo


mais à luminosidade geral do que a detalhes como
●​ Localização: par de pequenos grupos de neurônios no orientação ou movimento da luz.​
hipotálamo, um de cada lado da linha média, nas
bordas do terceiro ventrículo.​

●​ Volume de cada NSQ: < 0,3 mm³; neurônios muito


pequenos.
Novo fotorreceptor retinal – Células ganglionares com
●​ Funções e evidências:​
melanopsina
○​ Estimulação elétrica → altera ritmos
●​ Descoberta por David Berson (Universidade Brown).​
circadianos de forma previsível.
○​ Remoção bilateral → abole ritmicidade
●​ Sincronização com o NSQ não depende de cones ou
circadiana de atividade física, sono-vigília,
bastonetes.​
alimentação e ingestão de água.
○​ Transplante em hamsters → restaura ritmos
●​ Camundongos mutantes sem cones/bastonetes, mas
em 2 a 4 semanas.
com retina intacta, ainda ajustam o relógio à luz.​
○​ Sem NSQ, ritmos encefálicos internos não
retornam.
●​ Fotorreceptores: células ganglionares especializadas
○​ Lesões no NSQ não abolam o sono, e o
→ fotossensíveis, com fotopigmento melanopsina
ciclo claro-escuro ainda sincroniza o
(ausente em cones e bastonetes).​
sono-vigília.
○​ O sono é regulado por outro mecanismo,
●​ Resposta à luz é lenta; axônios projetam diretamente
dependente do tempo e horário do sono
ao NSQ para reajuste do ritmo circadiano.​
prévio.​
Projeções e neurotransmissores

●​ Axônios eferentes do NSQ → principalmente regiões 3. Relógio molecular baseado em expressão gênica
próximas do hipotálamo; alguns para mesencéfalo e
outras áreas do diencéfalo.​ ●​ Envolve genes-relógio e alça de retroalimentação
negativa.​
●​ Quase todos os neurônios do NSQ usam GABA como
neurotransmissor principal → provavelmente inibem ●​ Principais genes em mamíferos: período (per),
neurônios-alvo.​ criptocromo e clock.​

●​ NSQ também secreta ritmicamente vasopressina ●​ Ciclo:​


como neuromodulador.​
1.​ Gene é transcrito → RNAm → proteína.​
●​ Lesões extensas das vias eferentes do NSQ →
prejudicam ritmos circadianos.​ 2.​ Proteína acumulada inibe sua própria
transcrição.​

3.​ Redução da proteína permite novo aumento


da expressão.​
Se você quiser, posso unir este resumo ao dos ritmos
circadianos e dos relógios biológicos que fiz antes, criando 4.​ Ciclo dura ~24h.​
um único esquema integrado para facilitar sua revisão e
memorização. Isso faria todo o conteúdo ficar organizado de ●​ Conservado em espécies como camundongos,
forma hierárquica e lógica. moscas-das-frutas e até fungos.​

Segue o resumo em tópicos do trecho sobre os mecanismos


do NSQ:

4. Coordenação interna no NSQ

1. Ritmicidade intrínseca das células do NSQ ●​ Miles de células precisam estar sincronizadas para
enviar um sinal coerente ao encéfalo.​
●​ Cada célula do NSQ funciona como um minúsculo
relógio molecular.​ ●​ Ajuste diário pela luz via retina, mas também
comunicação direta entre neurônios.​
●​ Experimentos de isolamento:​
●​ Coordenação independente de potenciais de ação
○​ Neurônios cultivados isoladamente mantêm ou sinapses químicas normais.​
ritmos (~24h) de disparo, uso de glicose,
produção de vasopressina e síntese proteica.​ ●​ Mecanismos:​

○​ Mantêm ritmicidade mesmo sem sinais ○​ Sinais químicos não clássicos.​


externos (zeitgebers).​
○​ Sinapses elétricas (junções gap).​

○​ Participação de células da glia.​

2. Potenciais de ação não são essenciais para o ritmo

●​ Potenciais de ação variam com o ritmo circadiano, mas


não geram o ritmo.​ 5. Relógios periféricos no corpo

●​ Bloqueio com tetrodotoxina (TTX):​ ●​ Todas as células do corpo (fígado, rim, pulmão, etc.)
têm relógios circadianos semelhantes ao do NSQ.​
○​ Ritmos bioquímicos e metabólicos
permanecem inalterados.​ ●​ Em condições normais, o NSQ atua como
relógio-mestre.​
○​ Quando TTX é removida, disparos retomam
na mesma fase/frequência.​ ●​ Ritmos periféricos sincronizados via:​

●​ Analogia: potenciais de ação são como ponteiros de ○​ Sistema nervoso visceral.​


um relógio — mostram a hora, mas não movem o
mecanismo interno.​ ○​ Temperatura corporal.​
○​ Hormônios (ex.: cortisol das suprarrenais).​ ●​ Acetilcolina no SNC​

○​ Controle de comportamento alimentar, ○​ Conhecida por atuar na junção


movimento e metabolismo.​ neuromuscular, nos gânglios
neurovegetativos e nas sinapses
pós-ganglionares parassimpáticas.​

○​ Presente também como interneurônios


6. Papel da temperatura corporal colinérgicos no estriado e córtex.​

●​ Temperatura cai ~1 °C à noite por influência do NSQ.​ ○​ Dois sistemas colinérgicos modulatórios
de projeção difusa no encéfalo.
●​ Essa queda ajuda a manter relógios periféricos
ajustados ao ciclo dia-noite.​

●​ NSQ é resistente a variações de temperatura, evitando 1. Complexo do Prosencéfalo Basal


autodesregulação.​
●​ Localização: no centro do telencéfalo, medial e
ventralmente aos núcleos da base
●​ Principais núcleos:
○​ Núcleos mediais do septo → inervam o
7. Fatores que podem dessincronizar os relógios hipocampo.
○​ Núcleo basal de Meynert → inerva
●​ Horários irregulares de alimentação. principalmente o neocórtex.​
●​ Uso crônico de metanfetamina.
●​ Condições extremas, como isolamento prolongado em ●​ Funções e importância:​
cavernas.
○​ Regulação da excitabilidade cerebral
(alerta e ciclos sono-vigília).
○​ Possível papel no aprendizado e formação
da memória.
Principais neurotransmissores do ciclo vigília/sono ○​ Células estão entre as primeiras a morrer
🔶 Sistemas Modulatórios Difusos e Vigília na doença de Alzheimer (associada a
perda cognitiva progressiva).
●​ Certos sistemas neurotransmissores difusos
atuam no tronco encefálico e em outras regiões,
regulando o nível de consciência e vigília.
2. Complexo Pontomesencefalotegmentar
●​ Os principais neurotransmissores envolvidos na

🔹
promoção da vigília são:
●​ Localização: ponte e tegmento mesencefálico.​
○​ Acetilcolina (ACh)
■​ Ativa o córtex cerebral.
●​ Ações principais:​
■​ Importante para atenção e estado
de alerta.​
○​ Atua no tálamo dorsal, regulando
○​ 🔹 Noradrenalina (NA) excitabilidade de núcleos retransmissores
sensoriais (junto com sistemas
■​ Produzida principalmente no locus
noradrenérgico e serotoninérgico).
ceruleus.
○​ Projeta para o telencéfalo, conectando o
■​ Aumenta o despertar, a vigilância
tronco encefálico aos complexos
e a atenção sustentada.​
prosencefálicos basais.
○​ 🔹 Serotonina (5-HT)
■​ Origina-se nos núcleos da rafe.
■​ Contribui para o estado de vigília,
mas também está envolvida na
regulação do sono (especialmente
início do sono não REM).​

●​ Esses sistemas modulam amplamente grandes


áreas do cérebro e favorecem a manutenção da
vigília.​

Complexos Colinérgicos do Prosencéfalo Basal e do


Tronco Encefálico:
Núcleos Serotoninérgicos da Rafe: Locus Ceruleus Noradrenérgico:

●​ Localização e organização​ ●​ Localização e estrutura​

○​ Agrupados em nove núcleos ao longo da ○​ Pequeno núcleo localizado na ponte, com


linha medial do tronco encefálico (“rafe” = cerca de 12 mil neurônios em cada lado
linha tracejada/costura).​ (bilateral).​

○​ Disposição bilateral, com núcleos caudais ○​ Nome significa “lugar azul” devido à
no bulbo e rostrais na ponte e pigmentação característica.​
mesencéfalo.​
●​ Função neurotransmissora​
●​ Projeções e funções​
○​ Utiliza noradrenalina (NA) como
○​ Núcleos caudais (bulbo): inervam a medula neurotransmissor, também presente no
espinhal, modulando sinais sensoriais de sistema nervoso periférico.​
dor.​
○​ Descoberta como neurotransmissor no
○​ Núcleos rostrais (ponte e mesencéfalo): encéfalo demorou anos para ser aceita.​
projeções difusas para a maior parte do
encéfalo, semelhante ao locus ceruleus.​ ●​ Conectividade​

●​ Atividade neuronal​ ○​ Axônios se projetam por diversos tratos e


inervam praticamente todas as regiões do
○​ Maior taxa de disparos durante vigília ativa encéfalo: córtex, tálamo, hipotálamo, bulbo
e alerta.​ olfatório, cerebelo, mesencéfalo e medula
espinhal.​
○​ Menor atividade durante o sono.​
○​ Um único neurônio pode fazer mais de 250
○​ Envolvidos no controle de ciclos mil sinapses e alcançar áreas diferentes como
sono-vigília e estágios do sono.​ córtex cerebral e córtex cerebelar.​

●​ Integração com outros sistemas​ ●​ Funções associadas​

○​ Parte do Sistema Ativador Reticular ○​ Regulação da atenção, alerta, ciclos


Ascendente (SARA), que promove alerta e sono-vigília, aprendizado e memória,
despertar do prosencéfalo.​ ansiedade, dor, humor e metabolismo
cerebral.​
○​ Atua de forma coordenada com outros
sistemas modulatórios de projeção difusa.​ ○​ Pela ampla rede de conexões, pode
influenciar quase todas as funções
●​ Funções adicionais​ encefálicas.​

○​ Relacionados ao controle do humor e a ●​ Ativação dos neurônios​


certos comportamentos emocionais.​
○​ Mais ativos diante de estímulos novos,
○​ Papel relevante na depressão clínica (tema inesperados e não dolorosos.​
aprofundado em outro capítulo).​
○​ Menos ativos em estados de repouso,
relaxamento ou digestão.​

○​ Participa do alerta geral do encéfalo,


aumentando responsividade a estímulos
sensoriais salientes.​

●​ Efeito da noradrenalina no córtex​

○​ Torna neurônios corticais mais


responsivos a estímulos relevantes.​

○​ Acelera o processamento sensorial e


motor, aumentando eficiência da resposta.​
receptor GABA$_A$ causa a abertura do canal de
cloreto, hiperpolarizando a membrana neuronal e
inibindo a atividade elétrica.
●​ Ação dos Benzodiazepínicos:
○​ Não ativam diretamente o receptor
GABA$_A$.
○​ Atuam como moduladores alostéricos
positivos, potencializando os efeitos do
GABA.
○​ Aumentam a frequência de abertura dos
canais de cloreto, amplificando a inibição
GABAérgica.
●​ Ação dos Barbitúricos:
○​ Também potencializam a inibição
GABAérgica, mas de forma diferente.
Mecanismo de ação dos hipnóticos e sedativos. ○​ Aumentam a duração de abertura dos canais
de cloreto.
Para ser efetivo, um fármaco sedativo (ansiolítico) deve reduzir ○​ Em altas concentrações, podem atuar como
a ansiedade e exercer um efeito calmante. GABA-miméticos, abrindo diretamente os
Um fármaco hipnótico deve produzir sonolência e estimular o canais de cloreto mesmo na ausência de
início e a manutenção de um estado de sono. GABA.
○​ Possuem múltiplos locais de ação, deprimindo
Farmacodinâmica dos Benzodiazepínicos, Barbitúricos e também a ação do neurotransmissor
Hipnóticos Recentes excitatório glutamato. Essa menor
seletividade explica sua baixa margem de
A ação desses fármacos está intrinsecamente ligada ao segurança e a capacidade de induzir
receptor GABA$_A$, um canal iônico de cloreto que é o anestesia completa.
principal mediador da inibição no Sistema Nervoso Central ●​ Hipnóticos Recentes: Agem de forma semelhante
(SNC). aos benzodiazepínicos, potencializando a ação do
GABA através do aumento da frequência de abertura
1. Farmacologia Molecular do Receptor GABA$_A$ do canal, mas de maneira mais seletiva para
receptores com subunidades α1​.
●​ Estrutura do Receptor: O receptor GABA$_A$ é uma
estrutura pentamérica (cinco subunidades) composta
por diferentes classes de polipeptídeos (α, β, γ, δ, etc.).
Uma isoforma comum é formada por duas 3. Ligantes do Sítio BZ e Suas Ações
subunidades α1​, duas β2​e uma γ2​.
●​ Sítios de Ligação: O receptor possui múltiplos sítios ●​ Agonistas: Fármacos que facilitam a ação do GABA.
de ligação: ○​ Benzodiazepínicos: São agonistas que
○​ GABA: Dois sítios para o neurotransmissor agem em múltiplos subtipos do sítio BZ.
inibitório GABA, localizados entre as ○​ Zolpidem, Zaleplona, Eszopiclona: São
subunidades α1​e β2​. agonistas mais seletivos, agindo
○​ Benzodiazepínicos (sítio BZ): Uma bolsa de principalmente em receptores com
ligação entre a subunidade α1​e a γ2​. A subunidades α1​.
ligação de fármacos nesse sítio modula a ●​ Antagonistas: Fármacos que bloqueiam as ações dos
ação do GABA. agonistas.
●​ Heterogeneidade: O receptor GABA$_A$ apresenta ○​ Flumazenil: É um antagonista sintético que
diversas combinações de subunidades, o que explica bloqueia os efeitos dos benzodiazepínicos e
as diferentes ações farmacológicas dos fármacos. dos hipnóticos mais recentes, mas não afeta
○​ Benzodiazepínicos: Ligam-se a várias os barbitúricos.
isoformas do receptor, incluindo aquelas com ●​ Agonistas Inversos: Fármacos que atuam como
subunidades α1​,α2​,α3​e α5​. moduladores alostéricos negativos, produzindo efeitos
○​ Barbitúricos: Ligam-se a múltiplas isoformas, opostos aos dos agonistas (ex: ansiedade e
mas em sítios diferentes dos convulsões). Um exemplo são as β-carbolinas.
benzodiazepínicos.
○​ Hipnóticos Recentes (Zolpidem, Zaleplona, Efeitos dos Sedativos-Hipnóticos em Nível Orgânico
Eszopiclona): São mais seletivos, ligando-se
apenas a isoformas que contêm a subunidade Os efeitos desses fármacos se estendem por diversos sistemas
α1​. do corpo, indo da sedação e sono até a depressão respiratória e
cardiovascular em doses mais elevadas.

1. Sedação e Ansiólise
2. Neurofarmacologia e Mecanismo de Ação

●​ GABA (Ácido γ-aminobutírico): É o neurotransmissor


inibitório mais importante do SNC. Sua ligação ao
●​ Efeito Calmantante: Benzodiazepínicos, barbitúricos e para a depressão respiratória pós-anestésica, que é
outros sedativos-hipnóticos antigos causam um efeito reversível com o flumazenil.
calmante e reduzem a ansiedade em doses baixas.
●​ Comprometimento Cognitivo: Os efeitos ansiolíticos
são frequentemente acompanhados de depressão das
funções psicomotoras e cognitivas. 4. Efeitos Anticonvulsivantes
●​ Desinibição: Esses fármacos podem desinibir
comportamentos suprimidos por punição, o que pode ●​ Inibição da Atividade Epiléptica: A maioria dos
estar ligado a efeitos como euforia, prejuízo do sedativos-hipnóticos pode inibir a atividade epiléptica
discernimento e perda do autocontrole. no SNC.
●​ Amnésia Anterógrada: Os benzodiazepínicos podem ●​ Seletividade:
causar a incapacidade de lembrar eventos que ○​ Benzodiazepínicos: Vários, como
ocorrem durante o período em que o fármaco está clonazepam, lorazepam e diazepam, são
ativo. seletivos o suficiente para serem clinicamente
úteis no tratamento de convulsões.
○​ Barbitúricos: O fenobarbital é eficaz em
crises tônico-clônicas generalizadas, mas não
2. Hipnose (Indução do Sono) é a primeira escolha.
○​ Hipnóticos Recentes: Zolpidem, zaleplona e
●​ Indução do Sono: Todos esses fármacos podem eszopiclona não possuem atividade
induzir o sono em doses altas o suficiente. anticonvulsivante, o que se deve à sua
●​ Efeitos no Padrão do Sono: maior seletividade de ligação a isoformas
○​ Benzodiazepínicos e Barbitúricos: específicas do receptor GABA$_A$.
■​ Reduzem a latência para o início do
sono (o tempo para adormecer).
■​ Aumentam a duração do estágio 2
do sono NREM. 5. Relaxamento Muscular
■​ Diminuem a duração do sono REM e
do sono de ondas lentas (estágio ●​ Inibição de Reflexos: Alguns sedativos-hipnóticos,
4). como os benzodiazepínicos e carbamatos (ex:
○​ Hipnóticos Recentes (Zolpidem, Zaleplona, meprobamato), inibem reflexos polissinápticos, levando
Eszopiclona): ao relaxamento muscular.
■​ Zolpidem: Diminui o sono REM com ●​ Uso Clínico: Essa ação os torna úteis no tratamento
efeito mínimo no sono de ondas de espasmos musculares.
lentas. ●​ Ausência de Efeito: Os hipnóticos mais recentes
■​ Zaleplona: Reduz a latência para o (zolpidem, zaleplona, eszopiclona) não possuem ação
sono, mas tem pouco efeito na relaxante muscular significativa.
duração total do sono, NREM ou
REM.
■​ Eszopiclona: Aumenta o tempo total
de sono, principalmente o estágio 2 6. Efeitos sobre a Respiração e a Função Cardiovascular
do NREM, com poucos efeitos no
sono REM em doses baixas. ●​ Respiração:
●​ Rebote do Sono: A interrupção abrupta do uso de ○​ Doses Terapêuticas: Em pacientes
sedativos-hipnóticos antigos, especialmente os de saudáveis, os efeitos sobre a respiração são
curta ação, pode causar um "rebote do sono REM", semelhantes aos do sono natural.
com aumento da ansiedade e irritabilidade. Os ○​ Pacientes com Doença Pulmonar: Mesmo
hipnóticos recentes têm menos evidências desse em doses terapêuticas, podem causar
efeito, mas a insônia de rebote pode ocorrer com o uso depressão respiratória significativa.
de doses mais altas. ○​ Superdosagem: A depressão do centro
respiratório medular é a causa comum de
morte por superdosagem de
sedativos-hipnóticos.
3. Anestesia ●​ Função Cardiovascular:
○​ Doses Normais: Não há efeito significativo
●​ Depressão do SNC: Em altas doses, alguns em pacientes saudáveis.
sedativos-hipnóticos (como os barbitúricos tiopental e ○​ Doenças Preexistentes: Em pacientes com
metoexital) deprimem o SNC a ponto de induzir o hipovolemia ou insuficiência cardíaca, doses
estágio III da anestesia geral. normais podem causar depressão
●​ Velocidade de Ação: A lipossolubilidade de alguns cardiovascular.
barbitúricos (tiopental) permite um início rápido de ○​ Doses Tóxicas: Podem deprimir a
ação após administração intravenosa, sendo úteis para contratilidade do miocárdio e o tônus vascular,
a indução da anestesia. levando ao colapso circulatório.
●​ Contribuição para a Anestesia: Benzodiazepínicos ●​ Administração Intravenosa: Os efeitos respiratórios e
como o diazepam, lorazepam e midazolam são usados cardiovasculares são mais acentuados quando os
como adjuvantes na anestesia, mas podem contribuir fármacos são administrados por via intravenosa.

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