Objetivos ● Função: essencial para restauração física, economia
de energia e regulação metabólica
✅
• Evidenciar a importância do sono normal com suas fases REM e não
✅
REM;
✅
• Fisiologia da vigília e estruturas anatômicas do SNC envolvidas;
✅
• Funções endócrina, cardíaca e respiratória na vigília e sono;
🧬 Três Estados da Função Encefálica
✅
• Definir os ritmos circadianos;
• Principais neurotransmissores do ciclo vigília/sono;
• Mecanismo de ação dos hipnóticos e sedativos. Cada fase comportamental (vigília, sono REM e sono não REM)
está associada a:
Importância sono normal fase REM
✅ Definição de Sono
● Três estados distintos da função encefálica
● Cada um com:
○ Padrões específicos de atividade cerebral
● Sono é um estado facilmente reversível de: ○ Alterações significativas na função
○ Reduzida responsividade ao ambiente corporal (respiração, frequência cardíaca,
○ Menor interação com o ambiente tônus muscular, etc.)
● Coma e anestesia geral:
○ Não são considerados sono
○ Não são facilmente reversíveis
💤 Sono não REM: “Um encéfalo indolente em um corpo em
movimento”
🧠 Estados Comportamentais Durante o Dia 🧍♂️ Corpo durante o sono não REM:
● Durante um dia normal, o ser humano alterna entre: ● Redução da tensão muscular geral
○ Vigília (estado desperto) ● Movimentos mínimos do corpo (ocorrem raramente,
○ Sono para ajuste postural)
● Redução da temperatura corporal
● Redução do consumo energético
● Aumento da atividade parassimpática do sistema
🌙 Fases do Sono nervoso autônomo:
○ Frequência cardíaca e respiratória diminuem
● O sono não é um estado uniforme; ele se divide em ○ Função renal diminui
dois estados principais: ○ Processos digestivos são acelerados
1. Sono REM (Rapid Eye Movement)
2. Sono não REM (ou Sono de Ondas Lentas) 🧠 Encéfalo durante o sono não REM:
● Baixíssimo consumo de energia
● Baixa frequência de disparo neuronal
💤 Sono REM ● EEG com ritmos lentos e de grande amplitude
○ Indica oscilação sincronizada dos neurônios
● Características: corticais
○ Movimentos oculares rápidos ● A maioria dos estímulos sensoriais não atinge o
○ EEG (eletroencefalograma) se assemelha ao córtex
do estado de vigília ● Atividade mental mínima:
○ Atividade cerebral intensa ○ Pessoas acordadas nesse estágio
○ Imobilidade corporal, exceto: frequentemente:
■ Músculos oculares ■ Não se lembram de nada
■ Músculos respiratórios ■ Ou relatam pensamentos
○ Presença de sonhos vívidos e detalhados fragmentados e plausíveis, com
pouca imagem visual
● Função: associada ao processamento emocional e ○ Sonhos detalhados são raros, mas não
consolidação da memória totalmente ausentes
😴 Sono não REM (ou Sono de Ondas Lentas) 🧠 Sono REM: “Um encéfalo ativo e alucinando em um corpo
paralisado”
● Características:
🧠 Atividade cerebral:
○ Ausência de sonhos complexos (ou bem
menos frequentes) ● EEG semelhante ao da vigília:
○ EEG dominado por ritmos amplos e lentos ○ Oscilações rápidas e de baixa voltagem
○ Atividade cerebral reduzida ● Chamado de sono paradoxal:
○ EEG de vigília, mas com paralisia muscular
● Alto consumo de oxigênio pelo encéfalo:
○ Maior até do que durante tarefas
Atividade Rara e pouco Frequente, vívida,
cognitivas intensas
onírica visual complexa e
😴 Sonhos: (sonhos) emocional
● Fase em que ocorrem os sonhos vívidos, animados
e frequentemente bizarros Consumo Baixo Elevado
● Estudos mostram que >90% das pessoas acordadas energético
durante ou logo após o REM relatam sonhos cerebral
● Pesquisadores como Dement, Aserinsky e Kleitman
comprovaram essa associação
💪 Corpo durante o sono REM:
● Paralisia quase completa do corpo (chamada
🧠 Sono REM: Atividade Fisiológica e Regulação
atonia):
○ Perda do tônus muscular esquelético
🔄 Controle Autonômico no Sono REM
○ Corpo está incapacitado de se mover
● Músculos respiratórios continuam a funcionar, mas ● Predomínio da atividade simpática:
de forma tenue ○ Diferente do sono não REM, em que
● Músculos dos olhos e do ouvido interno: predomina o parassimpático
○ Ativos ● Sistema de controle da temperatura corporal é
○ Movimentos oculares rápidos (com desativado:
pálpebras fechadas) ocorrem em rajadas ○ O organismo para de regular a temperatura
○ São os melhores indicadores de sonho ○ A temperatura interna tende a cair
vívido
❤️ Alterações Cardiovasculares e Respiratórias
📌 Comparação geral: ● Aumento da frequência cardíaca e respiratória
● Porém, ambas tornam-se irregulares:
Aspecto Sono não REM Sono REM ○ Variabilidade acentuada
○ Reflexo do predomínio simpático e da
instabilidade autonômica
EEG Ritmos lentos e Oscilações rápidas e
amplos de baixa voltagem
⚙️ Outras alterações fisiológicas
● Ereções penianas e clitorianas são comuns:
Atividade Reduzida Alta (semelhante à
○ Ocorrem espontaneamente durante o sono
cerebral vigília)
REM
○ Independentes do conteúdo sexual dos
sonhos
Tônus Reduzido Ausente (paralisia) ○ Sugerem papel do sono REM na saúde
muscular sexual e vascular
Movimento Mínimo, para Oculares rápidos; 🧠 Atividade encefálica
ajustes resto do corpo imóvel
posturais ● Extremamente ativa, apesar de o corpo estar
paralisado
● O encéfalo, nesse estágio, claramente não está em
repouso
Sistema Predomínio Padrão variável ● Pode estar envolvido em:
nervoso parassimpático ○ Processamento emocional
autônomo ○ Consolidação de memória
○ Organização de experiências sensoriais e
cognitivas
🧩 Frase-chave para memorizar: ○ Ritmo biológico com duração menor que 24h
(mais rápido que o ritmo circadiano).
“Durante o sono REM, o encéfalo parece estar
fazendo qualquer coisa, exceto repousar.”
🧠 Tabela 19.1 – Características dos Três Estados Funcionais 📊 Proporção entre os tipos de sono:
do Encéfalo
● Sono não REM: aproximadamente 75% do tempo total
de sono
Caracterís Vigília Sono Sono REM
● Sono REM: cerca de 25% do tempo total
tica não
REM
EEG Voltagem Voltage Voltagem baixa, 🌙 Estágios do sono não REM:
baixa, m alta, rápido
rápido lento ● Dividido em quatro estágios distintos (do mais leve
ao mais profundo)
● A progressão normal é:
Sensação Vívida, Fraca Vívida, gerada ○ Estágio 1 → Estágio 2 → Estágio 3 → Estágio
gerada ou internamente 4 (sono profundo) → sono REM → reinício do
externam ausente ciclo
ente ○ o estagio 1 do sono é a transi~ção entre a
vigilia e o sono, periodo em que o sono
parece ser eminente, mas ainda não
desenvolvido.
Pensamen Lógico, Lógico, Vívido, ilógico, ○ o estágio 2 é o primeiro estagio verdadeiro do
to progressiv repetitiv bizarro sono, sendo caracterizado pelo aparecimento
o o de fusos de sono dno EEG, resultado do
relaxamento e hiperpolarização generalizada
dps neuronios e das redes neuronais que
seguem uma inativação gradual dos
Moviment Contínuo, Ocasion Paralisia muscular; mecanismos encefáçicos de alerta; a
o voluntário al, movimentos respiração começa a ficar mais lenta e regular
involunt comandados pelo e a temperatura corporal começa a diminuir.
ário encéfalo, mas não ○ o estagio 3 mostra maior redução nos
executados processos de excitação encefalica e um
aumento na sincronizala da atividade cortical
e talâmica;
○ o estafio 4 é o sono mais profundo, após 30
Moviment Frequente Raro Frequente min nesse estágio, ao invés de acordar ele
o rápido estra no sono REM, periodo no qual os
dos olhos sonhos tormam se vividos ou até mesmo
bizzarros.
🕰️ Resumo – O Ciclo do Sono
🛏️ Estrutura do sono durante a noite:
● O sono não é contínuo ou estável – ocorre em ciclos
repetitivos.
● O sono normalmente se inicia com o sono não REM.
● Alternância entre fases de sono não REM e sono
REM ao longo da noite.
🔁 Ciclos do sono
● Cada ciclo completo (não REM → REM → reinício)
dura cerca de 90 minutos.
● Esse padrão é um exemplo de ritmo ultradiano:
● O sono seria uma estratégia evolutiva:
○ Para evitar perigos
🔄 Padrão repetitivo durante a noite: ○ Para economizar energia
● Ciclos entre estágios do sono não REM e REM se
repetem por várias vezes. 🛡️ Proteção contra riscos ambientais:
● Durante o sono REM:
○ Ocorrem movimentos rápidos dos olhos, ● Animais seriam mais vulneráveis à noite (ex.: um
atividades fisiológicas intensas e ereções esquilo pode virar presa de uma coruja).
penianas espontâneas (em homens). ● Dormir reforça o isolamento e mantém o animal
● O cérebro passa por uma espécie de protegido em ambientes hostis ou escuros.
"montanha-russa" de atividade, com fases altamente
ativas e outras mais repousantes.
🔋 Conservação de energia:
😴 Por que dormimos? ● Durante o sono:
○ Temperatura corporal interna cai
Não há uma única teoria amplamente aceita, ○ Regulação térmica diminui
mas há duas grandes categorias de ○ Gasto calórico é reduzido
explicações:
➤ Teorias da Restauração ● O corpo funciona no modo mínimo necessário para
➤ Teorias da Adaptação manter-se vivo, economizando recursos.
🔧 1. Teorias da Restauração 📌 Conclusão geral:
💡 Ideia central: ● O sono não é apenas repouso – possui funções
biológicas essenciais e únicas.
● Dormimos para descansar e recuperar o organismo,
preparando-nos para uma nova vigília. ● Pode combinar elementos das duas teorias:
🧬 O que estaria sendo restaurado? ○ Restaurar certas funções cerebrais e/ou
metabólicas
● Ainda não se sabe exatamente.
● O repouso acordado (por exemplo, deitado com os
olhos fechados) não substitui o sono. ○ Proteger o organismo e conservar energia
● Sono tem efeitos biológicos próprios e evolutivamente
insubstituíveis.
📉 Efeitos da privação de sono:
● Pode causar sérios problemas físicos e Vigília e estruturas anatômicas do SNC envolvidas
comportamentais.
● Mostra que o sono é essencial para a saúde.
❓ O que ainda não foi comprovado:
● Nenhum processo fisiológico foi comprovadamente
restaurado apenas pelo sono.
● Nenhuma substância essencial foi identificada como
sendo produzida ou removida exclusivamente
durante o sono. 🧠 A Vigília e o Sistema Ativador Reticular Ascendente (SARA)
🧠 Possível função cerebral: 🌟 Importância do Tronco Encefálico
● Lesões no tronco encefálico podem causar:
● O córtex cerebral pode precisar do sono,
○ Sono profundo ou coma
especialmente do sono não REM, para um "repouso
○ Tronco encefálico possui neurônios cuja
funcional" essencial.
atividade é essencial para nos manter
acordados.
🦊 2. Teorias da Adaptação ○ Evidenciam que neurônios do tronco
encefálico são essenciais para a vigília
💡 Ideia central:
🔬 Pesquisas de Giuseppe Moruzzi (1940–1950) ○ Histaminérgico
● Descobertas: ● Papel na regulação do estado de vigília
● Inibe o sono REM
○Lesões na linha média do tronco encefálico ● Facilita:
→ EEG semelhante ao sono não REM ○ Comportamento motor
○ Lesões no tegmento lateral (aferências ○ Atividade neuroendócrina e
sensoriais ascendentes) → não causam neurovegetativa
sono ● Inicialmente associada ao comportamento alimentar,
○ Estimulação elétrica da formação reticular mas tem função muito mais ampla
do mesencéfalo → EEG muda do padrão de
sono para padrão de vigília
● Denominou essa área de Sistema Ativador Reticular
Ascendente (SARA) 🛌 Hipocretina e Distúrbios do Sono
⚙️ Como o SARA promove a vigília ● A perda dos neurônios produtores de hipocretina
causa:
🧩 Envolve múltiplos sistemas moduladores ascendentes:
○ Narcolepsia:
■ Distúrbio caracterizado por
🔹 Neurônios e seus neurotransmissores principais:
sonolência excessiva e ataques
súbitos de sono
● Locus coeruleus → Noradrenalina
●
●
Núcleos da rafe → Serotonina
Neurônios colinérgicos → Acetilcolina (tronco 🌙 Formação Reticular e o Ciclo Sono–Vigília
encefálico e prosencéfalo basal)
● Neurônios histaminérgicos → Histamina ● A formação reticular:
(mesencéfalo) ○ Estrutura em colunas centrais do tronco
● Neurônios orexinérgicos → Hipocretina (ou encefálico
orexina) (hipotálamo lateral) ○ Estende-se do mesencéfalo ao bulbo
○ Localiza-se abaixo do aqueduto do
mesencéfalo e do quarto ventrículo
🌐 Distribuição e ação: ⚙️ Função-chave:
● Esses neurônios projetam-se para:
● Regulação do ciclo sono–vigília
○ Tálamo ○ Atua como centro integrador do estado de
○ Córtex cerebral alerta
○ Diversas outras regiões encefálicas ○ Faz parte do Sistema Ativador Reticular
Ascendente (SARA)
● Seus efeitos gerais incluem: ○ Influencia diretamente a transição entre
vigília, sono não REM e sono REM
○ Despolarização neuronal
○ Aumento da excitabilidade
○ Supressão dos disparos rítmicos (inibição
de padrões do sono) ● A maior parte das regiões do prosencéfalo basal
promove alerta e vigília.
● Um subconjunto de neurônios colinérgicos dessas
🧬 Funções da Hipocretina (Orexina) regiões tem comportamento diferente:
🧠 Produção: ○ Aumenta a frequência de disparos no
início do sono não REM.
● Produzida por neurônios no hipotálamo lateral
○ Fica silencioso durante a vigília.
● Seus axônios se projetam amplamente pelo encéfalo
⚙️ Funções: ✅ Conclusão:
● A formação reticular, localizada entre estruturas como
● Estimula fortemente os sistemas:
a ponte e o cerebelo, não atua no controle motor
○ Colinérgico
como o cerebelo, mas é crucial para manter o
○ Noradrenérgico
estado de vigília e regular os ciclos de sono.
○ Serotoninérgico
● É uma peça central na modulação da consciência e
○ Dopaminérgico
do alerta cerebral.
Eles atuam como promotores da vigília, aumentando a
🌙 Resumo – Regulação da Vigília no Bulbo Rostral
frequência cardíaca, a pressão arterial e a
disponibilidade de glicose, preparando o corpo para a
ação. A atividade desses hormônios é maior durante o
● O bulbo (medula oblonga) envolve o quarto dia e diminui consideravelmente à noite, contribuindo
ventrículo e possui várias estruturas funcionais. para o relaxamento e a indução do sono.
● Hormônios da Tireoide: O tri-iodotironina (T3) e a
🔹 Núcleo da Rafe tiroxina (T4) são essenciais para regular o metabolismo
basal. Níveis adequados desses hormônios são
● Localizado no bulbo rostral. necessários para manter o estado de alerta e a energia
● Atua na modulação da vigília, além de regular dor e durante a vigília. A disfunção da tireoide, como o
humor. hipotireoidismo, pode levar à sonolência diurna
● Produz serotonina, neurotransmissor importante excessiva, enquanto o hipertireoidismo pode causar
na transição entre sono e vigília. insônia.
Fase de Sono
🧠 Hipotálamo e a Regulação Sono–Vigília O sono é um estado de repouso reparador, caracterizado por
uma diminuição da atividade metabólica e de processos
● Projeções diretas ao hipotálamo têm papel fisiológicos que visam a restauração do corpo e da mente. A
essencial na sincronização dos ritmos biológicos. regulação endócrina é crucial para a progressão pelos
● Esses ritmos incluem o ciclo sono–vigília, diferentes estágios do sono (NREM e REM).
alinhando-o ao ciclo diário claro–escuro (ritmo ● Melatonina: Este é o principal hormônio regulador do
circadiano). sono. Produzida pela glândula pineal em resposta à
● Essa função está ligada a estruturas como o escuridão, a melatonina atua como um sinal para o
núcleo supraquiasmático (NSQ), que age como o corpo de que é hora de dormir. Sua secreção aumenta
"marcapasso biológico" do organismo. no início da noite, atinge um pico no meio da noite e
diminui ao amanhecer. A luz, especialmente a luz azul,
inibe a produção de melatonina, o que explica por que
a exposição a telas eletrônicas antes de dormir pode
funções endócrinas prejudicar a qualidade do sono.
● Hormônio do Crescimento (GH): O GH é liberado em
pulsos, sendo o maior pico de secreção concentrado
A regulação hormonal do ciclo de sono-vigília é um sistema
durante o sono de ondas lentas, ou sono profundo
complexo e altamente coordenado, essencial para a
(fases 3 e 4 do sono NREM). Esse hormônio é vital
homeostase do organismo. Os ritmos circadianos, que são
para o crescimento e desenvolvimento em crianças e
oscilações biológicas de aproximadamente 24 horas, atuam
adolescentes. Em adultos, ele desempenha um papel
como um "relógio mestre" que influencia a liberação de diversos
crucial na reparação de tecidos, no aumento da massa
hormônios. Esses hormônios, por sua vez, modulam a atividade
muscular e na renovação celular. A privação do sono
cerebral e sistêmica para promover a vigília ou o sono.
pode, portanto, comprometer a liberação ideal de GH,
impactando negativamente a regeneração corporal.
A seguir, uma análise aprofundada das funções endócrinas
● Hormônios da Fome e Saciedade (Grelina e
durante a vigília e o sono.
Leptina): O ciclo sono-vigília também modula
hormônios que regulam o apetite. A grelina, conhecida
Fase de Vigília
como o "hormônio da fome", tem seus níveis
A vigília é um estado de alerta e consciência, caracterizado por aumentados durante a privação do sono. Já a leptina,
alta atividade cortical, prontidão para responder a estímulos o "hormônio da saciedade", tem sua produção reduzida
sensoriais e uma série de processos metabólicos e fisiológicos pela falta de sono. Esse desequilíbrio hormonal pode
para manter o corpo ativo. explicar a tendência a comer em excesso e a
preferência por alimentos calóricos em indivíduos
● Cortisol: Conhecido como o "hormônio do estresse", o
privados de sono, o que está associado a um maior
cortisol é fundamental para a vigília. A secreção de
risco de obesidade e diabetes.
cortisol segue um ritmo circadiano, com um pico
● Eixo HHA e Cortisol no Sono: Embora os níveis de
significativo nas primeiras horas da manhã, que ajuda
cortisol sejam mais baixos durante a maior parte do
a despertar e a mobilizar a energia necessária para as
sono, eles começam a subir nas últimas horas da
atividades diárias. O cortisol aumenta os níveis de
noite, preparando o corpo para o despertar. A
glicose no sangue, suprime o sistema imunológico e
fragmentação ou a privação do sono, no entanto,
auxilia no metabolismo de carboidratos, gorduras e
podem hiperativar o eixo HHA, resultando em níveis
proteínas. A ativação do eixo
elevados de cortisol de forma crônica, o que está
hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA) é responsável
associado a distúrbios como insônia, hipertensão e
por essa produção. Durante o dia, seus níveis
resistência à insulina.
diminuem gradualmente, atingindo o ponto mais baixo
● Hormônios Sexuais: A regulação hormonal do sono
à noite, o que é crucial para permitir o início do sono.
também se estende aos hormônios sexuais. Em
● Adrenalina e Noradrenalina: Esses hormônios,
homens, a produção de testosterona tem seus picos
também parte da resposta ao estresse, são liberados
durante o sono. Níveis baixos de testosterona estão
pelas glândulas suprarrenais e pelo sistema nervoso.
associados a uma pior qualidade do sono e a um risco noite ("reverse dipping"), está associada a um risco
aumentado de apneia do sono. Em mulheres, os aumentado de eventos cardiovasculares.
hormônios estrogênio e progesterona afetam o sono, ● Variabilidade da Frequência Cardíaca (VFC):
especialmente durante a menopausa. A diminuição dos Durante o sono, a VFC aumenta, indicando uma maior
níveis de estrogênio pode causar ondas de calor influência do sistema parassimpático. Isso é um sinal
noturnas e insônia, prejudicando o descanso. de um sistema nervoso autônomo saudável e bem
regulado.
● Sono REM: Durante o sono REM, a atividade cardíaca
Em suma, a relação entre o sistema endócrino e o ciclo
se torna mais irregular e a PA e a FC podem flutuar,
sono-vigília é bidirecional e finamente ajustada pelos ritmos
aproximando-se dos níveis da vigília. Isso está
circadianos. A compreensão dessa complexa interação é
relacionado à atividade onírica e à dessincronização
essencial para a saúde, pois o desequilíbrio hormonal pode ser
cerebral, mas ainda é parte de um ciclo de descanso e
tanto causa quanto consequência de distúrbios do sono, com
recuperação.
implicações significativas para o metabolismo, o crescimento, a
resposta ao estresse e a saúde mental.
Implicações da Disfunção do Sono na Saúde Cardiovascular
função cardíaca O desequilíbrio entre o sono e a vigília pode ter sérias
consequências para o coração. A privação crônica do sono ou
A função cardíaca é profundamente modulada pelo ciclo distúrbios como a apneia obstrutiva do sono (AOS)
sono-vigília, sendo essa regulação crucial para a saúde desregulam o sistema cardiovascular.
cardiovascular a longo prazo. O sistema nervoso autônomo,
composto pelos sistemas simpático e parassimpático, atua ● Hipertensão: A falta de sono impede a queda noturna
como o principal mediador dessa relação. da PA, contribuindo para a hipertensão crônica. A AOS,
em particular, causa picos de PA repetidos durante a
Função Cardíaca na Vigília noite, sobrecarregando o sistema.
● Arritmias: A fragmentação do sono e a hiperatividade
Durante a vigília, o corpo está em um estado de alerta e simpática podem levar a arritmias cardíacas, como a
atividade, o que exige mais do sistema cardiovascular. A fibrilação atrial.
atividade do sistema nervoso simpático é predominante, ● Doenças Coronarianas e Infarto: A privação de sono
preparando o corpo para a "luta ou fuga". aumenta a inflamação sistêmica e a ativação
simpática, que são fatores de risco para a
● Frequência Cardíaca (FC): A FC é naturalmente mais aterosclerose e o infarto do miocárdio. Estudos
elevada durante a vigília para garantir um fluxo mostram que a incidência de infartos é maior nas
sanguíneo adequado aos músculos e ao cérebro. primeiras horas da manhã, um período de transição da
Variações ocorrem em resposta a atividades físicas, dominância parassimpática para a simpática.
estresse e emoções. ● Insuficiência Cardíaca: O sono insuficiente e de má
● Pressão Arterial (PA): A PA também se mantém mais qualidade exige um esforço contínuo do coração, o que
alta para otimizar a perfusão dos tecidos. Flutuações pode, a longo prazo, levar ao enfraquecimento do
são esperadas, mas a manutenção de uma pressão músculo cardíaco e à insuficiência cardíaca.
normal é essencial para a saúde.
● Variabilidade da Frequência Cardíaca (VFC): A VFC, A regulação da função cardíaca é um exemplo claro de como o
que é a variação no tempo entre os batimentos sono não é apenas um período de inatividade, mas uma fase de
cardíacos, é um indicador da atividade do sistema manutenção ativa e essencial para a homeostase do corpo. O
nervoso autônomo. Durante a vigília, a VFC é entendimento desses mecanismos reforça a importância de
geralmente menor, refletindo o domínio simpático. priorizar um sono de qualidade como parte fundamental de uma
estratégia de prevenção de doenças cardiovasculares.
Função Cardíaca no Sono
O sono é um período de repouso e recuperação, e o sistema
cardiovascular segue essa lógica. O sistema nervoso
parassimpático se torna mais ativo, promovendo o
relaxamento e a restauração.
● Frequência Cardíaca (FC): A FC diminui
significativamente durante o sono, especialmente nas
fases de sono profundo (NREM). Essa desaceleração
permite que o coração "descanse" e se recupere do
estresse do dia.
● Pressão Arterial (PA): A PA cai cerca de 10 a 20%
durante a noite, um fenômeno conhecido como
"dipping". Essa queda é vital para a saúde
cardiovascular, pois reduz a carga sobre os vasos
sanguíneos e o músculo cardíaco. A ausência de
"dipping" (não-dipping), ou a elevação da PA durante a
função respiratória variar bastante, com a ocorrência de pausas curtas
(apneias) e respirações mais rápidas e superficiais.
Essa irregularidade reflete a atividade onírica e a
A função respiratória, assim como a cardíaca, é regulada de dessincronização neural dessa fase do sono.
forma distinta durante a vigília e o sono. Essa regulação é
fundamental para garantir a oxigenação adequada do corpo,
tanto em estado de alerta quanto em repouso. O controle da
respiração é complexo e envolve o sistema nervoso central, Impacto dos Distúrbios do Sono na Função Respiratória
bem como a modulação por hormônios e quimiorreceptores.
O sono é um período de vulnerabilidade para o sistema
respiratório, e disfunções podem levar a problemas graves. A
apneia obstrutiva do sono (AOS) é o exemplo mais notório.
Função Respiratória na Vigília
● Apneia Obstrutiva do Sono (AOS): É um distúrbio
Durante a vigília, a respiração é predominantemente controlada em que a via aérea superior colapsa repetidamente
de forma consciente e voluntária. Isso significa que podemos durante o sono. A redução do tônus muscular das vias
prender a respiração, respirar mais fundo ou mais rápido, por aéreas, que é natural do sono, é exacerbada em
exemplo, para falar, cantar ou praticar exercícios físicos. indivíduos com AOS. O colapso impede a passagem
do ar, resultando em pausas respiratórias (apneias) e
● Controle Central: O tronco cerebral, em particular o quedas nos níveis de oxigênio no sangue. Essas
bulbo e a ponte, contém os centros respiratórios que apneias geram microdespertares para o cérebro,
geram o ritmo básico da respiração. Na vigília, esses fragmentando o sono e impedindo que o indivíduo
centros recebem informações de diversas áreas do atinja as fases de sono profundo.
cérebro, permitindo ajustes rápidos e precisos.
● Músculos Respiratórios: Os músculos da faringe e Consequências da AOS:
da laringe mantêm as vias aéreas superiores abertas e
firmes. O diafragma, principal músculo da respiração, ● Hipoxemia Intermitente: As repetidas quedas nos
trabalha de forma coordenada com os músculos níveis de oxigênio causam estresse oxidativo e
intercostais para inspirar e expirar. inflamação sistêmica, que são fatores de risco para
● Sensibilidade: A respiração na vigília é mais sensível doenças cardiovasculares, como hipertensão, arritmias
a mudanças nos níveis de dióxido de carbono (CO2) e e infarto.
oxigênio (O2) no sangue, graças a quimiorreceptores ● Hipercapnia Crônica: O acúmulo de CO2 no sangue
periféricos e centrais. Isso garante que o corpo pode sobrecarregar o sistema respiratório e levar a
responda rapidamente a qualquer alteração que possa complicações a longo prazo.
comprometer a oxigenação. ● Aumento da Atividade Simpática: Os episódios de
apneia ativam a resposta de "luta ou fuga", resultando
em picos de pressão arterial e frequência cardíaca, o
que contribui para o desenvolvimento de hipertensão.
Função Respiratória no Sono
Em suma, a transição entre a vigília e o sono envolve uma
No sono, o controle da respiração se torna involuntário e mudança fundamental no controle da respiração, de consciente
automático. A influência consciente sobre a respiração para automático. Embora essa mudança seja natural, a redução
desaparece, e o controle passa a ser puramente dependente do tônus muscular e da sensibilidade respiratória durante o
dos centros respiratórios do tronco cerebral. sono torna o sistema vulnerável a distúrbios como a apneia,
com consequências significativas para a saúde geral.
● Mudanças na Respiração: Durante o sono, a
respiração se torna mais lenta e superficial,
especialmente nas fases de sono profundo (NREM).
Ocorre uma diminuição do volume corrente
(quantidade de ar que entra e sai a cada respiração) e
Ritmos circadianos
da frequência respiratória.
● Tonus Muscular: Há uma redução generalizada do ● Definição:
tônus muscular do corpo, incluindo os músculos das ○ Ritmos circadianos são ciclos diários de
vias aéreas superiores (faringe e laringe). Essa claridade e escuridão resultantes da rotação
redução é mais acentuada no sono REM. da Terra.
● Menor Sensibilidade: A sensibilidade dos ○ Nome vem do latim circa (“aproximadamente”)
quimiorreceptores para o CO2 e o O2 diminui durante + dies (“dia”).
o sono. Isso significa que o corpo tolera níveis
ligeiramente mais altos de CO2 e mais baixos de O2 ● Variação entre espécies:
antes de ativar um reflexo para aumentar a ventilação. ○ Alguns animais são ativos durante o dia
Essa é uma das razões pelas quais a respiração pode (diurnos).
se tornar menos eficiente durante a noite. ○ Outros, à noite (noturnos).
● Sono REM e Irregularidade: O sono REM é ○ Outros, no alvorecer ou crepúsculo
caracterizado por irregularidades na respiração. A (crepusculares).
frequência respiratória e o volume corrente podem
● Influência fisiológica e bioquímica:
○ Flutuações em temperatura corporal, fluxo ● Difícil eliminar todos no laboratório (sons,
sanguíneo, produção de urina, níveis movimentação, funcionamento de aparelhos).
hormonais, crescimento de pelos e taxa ● Ambientes mais isolados: cavernas profundas.
metabólica. ● Estudos em cavernas:
○ Em humanos, há relação inversa entre
propensão para dormir e temperatura ○ Inicialmente → ritmo ~25h.
corporal.
● Persistência sem luz: ○ Com o tempo → livre-curso de 30 a 36h:
○ Mesmo sem ciclos de claro-escuro, ritmos acordados ~20h e dormem ~12h, considerado
circadianos mantêm padrão semelhante. normal pelos participantes.
○ Isso porque o relógio primário é biológico,
localizado no encéfalo.
● Necessidade de ajuste:
○ Relógios biológicos não são perfeitos e
precisam de ajustes periódicos. Dessincronização de ritmos
○ Estímulos externos como luz/escuridão e
mudanças diárias de temperatura ajudam a ● Com luz artificial e alteração de horários:
sincronizá-los com o ciclo solar.
● Importância científica: ○ Temperatura corporal pode seguir ciclo de 24h
○ Ritmos circadianos já foram amplamente mesmo com sono-vigília alterado.
estudados nos níveis comportamental,
celular e molecular. ○ Sono-vigília e temperatura podem se
○ Relógios do encéfalo exemplificam a ligação desacoplar.
entre atividade neuronal e comportamento.
● Em isolamento, o mínimo da temperatura corporal
(normalmente antes de acordar) pode mudar de
posição no ciclo.
Evidências iniciais de relógios biológicos ● Consequências: pior qualidade do sono e prejuízo do
bem-estar.
● Primeira evidência: planta mimosa, que levanta folhas ● Indica existência de mais de um relógio biológico no
de dia e abaixa à noite. corpo.
● 1729 – Jean Jacques d’Ortous de Mairan:
○ Colocou mimosas no escuro → continuaram
com movimentos diários. Jet lag e ressincronização
○ Concluiu que a planta ainda estaria
influenciada pelo Sol. ● Mudança brusca no ciclo sono-vigília (viagens
● Mais de 100 anos depois – Augustin de Candolle: transmeridionais) causa dessincronização.
○ Planta similar no escuro → ciclo de 22 horas ● Melhor tratamento: exposição à luz intensa para
(não 24h). reajustar o relógio biológico.
○ Sugere existência de relógio biológico
interno.
Outros zeitgebers para mamíferos
● Ciclo claro-escuro é o principal nos adultos.
Zeitgebers (alemão: “impositores de tempo”) ● Em fetos, hormônios maternos podem ser o primeiro
zeitgeber.
● Estímulos ambientais que sincronizam ritmos ● Outros possíveis: disponibilidade periódica de alimento
biológicos: ou água, contato social, ciclos de temperatura e de
○ Luz/escuridão (principal), variações de ruído-silêncio.
temperatura e umidade. ● Geralmente menos efetivos, mas importantes em
● Na presença de zeitgebers → ciclo de atividade de contextos específicos.
exatamente 24 horas.
● Sem zeitgebers → ritmos entram em livre-curso
(período natural do organismo).
○ Camundongo: ~23h
○ Hamster: ~24h
○ Humanos: 24,5 a 25,5h
Isolamento de zeitgebers
O Núcleo Supraquiasmático: um Relógio Encefálico Um relógio
biológico que produz ritmos circadianos
Componentes de um relógio biológico circadiano
● Estrutura básica: Sensor de luz → Relógio → Via
eferente.
Acoplamento com luz – Trato retino-hipotalâmico
● Vias aferentes: sensíveis à luz/escuridão, regulam o
relógio para manter sincronia com o ambiente.
● NSQ sincroniza com luz via trato retino-hipotalâmico.
● O relógio mantém seu ritmo básico mesmo sem via
aferente.
● Axônios de células ganglionares da retina → sinapse
● Vias eferentes: controlam funções cerebrais e
direta com neurônios do NSQ.
corporais segundo a precisão temporal do relógio.
● Essa aferência é necessária e suficiente para
sincronizar ciclos sono-vigília com noite e dia.
Núcleo Supraquiasmático (NSQ) ● Neurônios do NSQ são fotossensíveis, respondendo
mais à luminosidade geral do que a detalhes como
● Localização: par de pequenos grupos de neurônios no orientação ou movimento da luz.
hipotálamo, um de cada lado da linha média, nas
bordas do terceiro ventrículo.
● Volume de cada NSQ: < 0,3 mm³; neurônios muito
pequenos.
Novo fotorreceptor retinal – Células ganglionares com
● Funções e evidências:
melanopsina
○ Estimulação elétrica → altera ritmos
● Descoberta por David Berson (Universidade Brown).
circadianos de forma previsível.
○ Remoção bilateral → abole ritmicidade
● Sincronização com o NSQ não depende de cones ou
circadiana de atividade física, sono-vigília,
bastonetes.
alimentação e ingestão de água.
○ Transplante em hamsters → restaura ritmos
● Camundongos mutantes sem cones/bastonetes, mas
em 2 a 4 semanas.
com retina intacta, ainda ajustam o relógio à luz.
○ Sem NSQ, ritmos encefálicos internos não
retornam.
● Fotorreceptores: células ganglionares especializadas
○ Lesões no NSQ não abolam o sono, e o
→ fotossensíveis, com fotopigmento melanopsina
ciclo claro-escuro ainda sincroniza o
(ausente em cones e bastonetes).
sono-vigília.
○ O sono é regulado por outro mecanismo,
● Resposta à luz é lenta; axônios projetam diretamente
dependente do tempo e horário do sono
ao NSQ para reajuste do ritmo circadiano.
prévio.
Projeções e neurotransmissores
● Axônios eferentes do NSQ → principalmente regiões 3. Relógio molecular baseado em expressão gênica
próximas do hipotálamo; alguns para mesencéfalo e
outras áreas do diencéfalo. ● Envolve genes-relógio e alça de retroalimentação
negativa.
● Quase todos os neurônios do NSQ usam GABA como
neurotransmissor principal → provavelmente inibem ● Principais genes em mamíferos: período (per),
neurônios-alvo. criptocromo e clock.
● NSQ também secreta ritmicamente vasopressina ● Ciclo:
como neuromodulador.
1. Gene é transcrito → RNAm → proteína.
● Lesões extensas das vias eferentes do NSQ →
prejudicam ritmos circadianos. 2. Proteína acumulada inibe sua própria
transcrição.
3. Redução da proteína permite novo aumento
da expressão.
Se você quiser, posso unir este resumo ao dos ritmos
circadianos e dos relógios biológicos que fiz antes, criando 4. Ciclo dura ~24h.
um único esquema integrado para facilitar sua revisão e
memorização. Isso faria todo o conteúdo ficar organizado de ● Conservado em espécies como camundongos,
forma hierárquica e lógica. moscas-das-frutas e até fungos.
Segue o resumo em tópicos do trecho sobre os mecanismos
do NSQ:
4. Coordenação interna no NSQ
1. Ritmicidade intrínseca das células do NSQ ● Miles de células precisam estar sincronizadas para
enviar um sinal coerente ao encéfalo.
● Cada célula do NSQ funciona como um minúsculo
relógio molecular. ● Ajuste diário pela luz via retina, mas também
comunicação direta entre neurônios.
● Experimentos de isolamento:
● Coordenação independente de potenciais de ação
○ Neurônios cultivados isoladamente mantêm ou sinapses químicas normais.
ritmos (~24h) de disparo, uso de glicose,
produção de vasopressina e síntese proteica. ● Mecanismos:
○ Mantêm ritmicidade mesmo sem sinais ○ Sinais químicos não clássicos.
externos (zeitgebers).
○ Sinapses elétricas (junções gap).
○ Participação de células da glia.
2. Potenciais de ação não são essenciais para o ritmo
● Potenciais de ação variam com o ritmo circadiano, mas
não geram o ritmo. 5. Relógios periféricos no corpo
● Bloqueio com tetrodotoxina (TTX): ● Todas as células do corpo (fígado, rim, pulmão, etc.)
têm relógios circadianos semelhantes ao do NSQ.
○ Ritmos bioquímicos e metabólicos
permanecem inalterados. ● Em condições normais, o NSQ atua como
relógio-mestre.
○ Quando TTX é removida, disparos retomam
na mesma fase/frequência. ● Ritmos periféricos sincronizados via:
● Analogia: potenciais de ação são como ponteiros de ○ Sistema nervoso visceral.
um relógio — mostram a hora, mas não movem o
mecanismo interno. ○ Temperatura corporal.
○ Hormônios (ex.: cortisol das suprarrenais). ● Acetilcolina no SNC
○ Controle de comportamento alimentar, ○ Conhecida por atuar na junção
movimento e metabolismo. neuromuscular, nos gânglios
neurovegetativos e nas sinapses
pós-ganglionares parassimpáticas.
○ Presente também como interneurônios
6. Papel da temperatura corporal colinérgicos no estriado e córtex.
● Temperatura cai ~1 °C à noite por influência do NSQ. ○ Dois sistemas colinérgicos modulatórios
de projeção difusa no encéfalo.
● Essa queda ajuda a manter relógios periféricos
ajustados ao ciclo dia-noite.
● NSQ é resistente a variações de temperatura, evitando 1. Complexo do Prosencéfalo Basal
autodesregulação.
● Localização: no centro do telencéfalo, medial e
ventralmente aos núcleos da base
● Principais núcleos:
○ Núcleos mediais do septo → inervam o
7. Fatores que podem dessincronizar os relógios hipocampo.
○ Núcleo basal de Meynert → inerva
● Horários irregulares de alimentação. principalmente o neocórtex.
● Uso crônico de metanfetamina.
● Condições extremas, como isolamento prolongado em ● Funções e importância:
cavernas.
○ Regulação da excitabilidade cerebral
(alerta e ciclos sono-vigília).
○ Possível papel no aprendizado e formação
da memória.
Principais neurotransmissores do ciclo vigília/sono ○ Células estão entre as primeiras a morrer
🔶 Sistemas Modulatórios Difusos e Vigília na doença de Alzheimer (associada a
perda cognitiva progressiva).
● Certos sistemas neurotransmissores difusos
atuam no tronco encefálico e em outras regiões,
regulando o nível de consciência e vigília.
2. Complexo Pontomesencefalotegmentar
● Os principais neurotransmissores envolvidos na
🔹
promoção da vigília são:
● Localização: ponte e tegmento mesencefálico.
○ Acetilcolina (ACh)
■ Ativa o córtex cerebral.
● Ações principais:
■ Importante para atenção e estado
de alerta.
○ Atua no tálamo dorsal, regulando
○ 🔹 Noradrenalina (NA) excitabilidade de núcleos retransmissores
sensoriais (junto com sistemas
■ Produzida principalmente no locus
noradrenérgico e serotoninérgico).
ceruleus.
○ Projeta para o telencéfalo, conectando o
■ Aumenta o despertar, a vigilância
tronco encefálico aos complexos
e a atenção sustentada.
prosencefálicos basais.
○ 🔹 Serotonina (5-HT)
■ Origina-se nos núcleos da rafe.
■ Contribui para o estado de vigília,
mas também está envolvida na
regulação do sono (especialmente
início do sono não REM).
● Esses sistemas modulam amplamente grandes
áreas do cérebro e favorecem a manutenção da
vigília.
Complexos Colinérgicos do Prosencéfalo Basal e do
Tronco Encefálico:
Núcleos Serotoninérgicos da Rafe: Locus Ceruleus Noradrenérgico:
● Localização e organização ● Localização e estrutura
○ Agrupados em nove núcleos ao longo da ○ Pequeno núcleo localizado na ponte, com
linha medial do tronco encefálico (“rafe” = cerca de 12 mil neurônios em cada lado
linha tracejada/costura). (bilateral).
○ Disposição bilateral, com núcleos caudais ○ Nome significa “lugar azul” devido à
no bulbo e rostrais na ponte e pigmentação característica.
mesencéfalo.
● Função neurotransmissora
● Projeções e funções
○ Utiliza noradrenalina (NA) como
○ Núcleos caudais (bulbo): inervam a medula neurotransmissor, também presente no
espinhal, modulando sinais sensoriais de sistema nervoso periférico.
dor.
○ Descoberta como neurotransmissor no
○ Núcleos rostrais (ponte e mesencéfalo): encéfalo demorou anos para ser aceita.
projeções difusas para a maior parte do
encéfalo, semelhante ao locus ceruleus. ● Conectividade
● Atividade neuronal ○ Axônios se projetam por diversos tratos e
inervam praticamente todas as regiões do
○ Maior taxa de disparos durante vigília ativa encéfalo: córtex, tálamo, hipotálamo, bulbo
e alerta. olfatório, cerebelo, mesencéfalo e medula
espinhal.
○ Menor atividade durante o sono.
○ Um único neurônio pode fazer mais de 250
○ Envolvidos no controle de ciclos mil sinapses e alcançar áreas diferentes como
sono-vigília e estágios do sono. córtex cerebral e córtex cerebelar.
● Integração com outros sistemas ● Funções associadas
○ Parte do Sistema Ativador Reticular ○ Regulação da atenção, alerta, ciclos
Ascendente (SARA), que promove alerta e sono-vigília, aprendizado e memória,
despertar do prosencéfalo. ansiedade, dor, humor e metabolismo
cerebral.
○ Atua de forma coordenada com outros
sistemas modulatórios de projeção difusa. ○ Pela ampla rede de conexões, pode
influenciar quase todas as funções
● Funções adicionais encefálicas.
○ Relacionados ao controle do humor e a ● Ativação dos neurônios
certos comportamentos emocionais.
○ Mais ativos diante de estímulos novos,
○ Papel relevante na depressão clínica (tema inesperados e não dolorosos.
aprofundado em outro capítulo).
○ Menos ativos em estados de repouso,
relaxamento ou digestão.
○ Participa do alerta geral do encéfalo,
aumentando responsividade a estímulos
sensoriais salientes.
● Efeito da noradrenalina no córtex
○ Torna neurônios corticais mais
responsivos a estímulos relevantes.
○ Acelera o processamento sensorial e
motor, aumentando eficiência da resposta.
receptor GABA$_A$ causa a abertura do canal de
cloreto, hiperpolarizando a membrana neuronal e
inibindo a atividade elétrica.
● Ação dos Benzodiazepínicos:
○ Não ativam diretamente o receptor
GABA$_A$.
○ Atuam como moduladores alostéricos
positivos, potencializando os efeitos do
GABA.
○ Aumentam a frequência de abertura dos
canais de cloreto, amplificando a inibição
GABAérgica.
● Ação dos Barbitúricos:
○ Também potencializam a inibição
GABAérgica, mas de forma diferente.
Mecanismo de ação dos hipnóticos e sedativos. ○ Aumentam a duração de abertura dos canais
de cloreto.
Para ser efetivo, um fármaco sedativo (ansiolítico) deve reduzir ○ Em altas concentrações, podem atuar como
a ansiedade e exercer um efeito calmante. GABA-miméticos, abrindo diretamente os
Um fármaco hipnótico deve produzir sonolência e estimular o canais de cloreto mesmo na ausência de
início e a manutenção de um estado de sono. GABA.
○ Possuem múltiplos locais de ação, deprimindo
Farmacodinâmica dos Benzodiazepínicos, Barbitúricos e também a ação do neurotransmissor
Hipnóticos Recentes excitatório glutamato. Essa menor
seletividade explica sua baixa margem de
A ação desses fármacos está intrinsecamente ligada ao segurança e a capacidade de induzir
receptor GABA$_A$, um canal iônico de cloreto que é o anestesia completa.
principal mediador da inibição no Sistema Nervoso Central ● Hipnóticos Recentes: Agem de forma semelhante
(SNC). aos benzodiazepínicos, potencializando a ação do
GABA através do aumento da frequência de abertura
1. Farmacologia Molecular do Receptor GABA$_A$ do canal, mas de maneira mais seletiva para
receptores com subunidades α1.
● Estrutura do Receptor: O receptor GABA$_A$ é uma
estrutura pentamérica (cinco subunidades) composta
por diferentes classes de polipeptídeos (α, β, γ, δ, etc.).
Uma isoforma comum é formada por duas 3. Ligantes do Sítio BZ e Suas Ações
subunidades α1, duas β2e uma γ2.
● Sítios de Ligação: O receptor possui múltiplos sítios ● Agonistas: Fármacos que facilitam a ação do GABA.
de ligação: ○ Benzodiazepínicos: São agonistas que
○ GABA: Dois sítios para o neurotransmissor agem em múltiplos subtipos do sítio BZ.
inibitório GABA, localizados entre as ○ Zolpidem, Zaleplona, Eszopiclona: São
subunidades α1e β2. agonistas mais seletivos, agindo
○ Benzodiazepínicos (sítio BZ): Uma bolsa de principalmente em receptores com
ligação entre a subunidade α1e a γ2. A subunidades α1.
ligação de fármacos nesse sítio modula a ● Antagonistas: Fármacos que bloqueiam as ações dos
ação do GABA. agonistas.
● Heterogeneidade: O receptor GABA$_A$ apresenta ○ Flumazenil: É um antagonista sintético que
diversas combinações de subunidades, o que explica bloqueia os efeitos dos benzodiazepínicos e
as diferentes ações farmacológicas dos fármacos. dos hipnóticos mais recentes, mas não afeta
○ Benzodiazepínicos: Ligam-se a várias os barbitúricos.
isoformas do receptor, incluindo aquelas com ● Agonistas Inversos: Fármacos que atuam como
subunidades α1,α2,α3e α5. moduladores alostéricos negativos, produzindo efeitos
○ Barbitúricos: Ligam-se a múltiplas isoformas, opostos aos dos agonistas (ex: ansiedade e
mas em sítios diferentes dos convulsões). Um exemplo são as β-carbolinas.
benzodiazepínicos.
○ Hipnóticos Recentes (Zolpidem, Zaleplona, Efeitos dos Sedativos-Hipnóticos em Nível Orgânico
Eszopiclona): São mais seletivos, ligando-se
apenas a isoformas que contêm a subunidade Os efeitos desses fármacos se estendem por diversos sistemas
α1. do corpo, indo da sedação e sono até a depressão respiratória e
cardiovascular em doses mais elevadas.
1. Sedação e Ansiólise
2. Neurofarmacologia e Mecanismo de Ação
● GABA (Ácido γ-aminobutírico): É o neurotransmissor
inibitório mais importante do SNC. Sua ligação ao
● Efeito Calmantante: Benzodiazepínicos, barbitúricos e para a depressão respiratória pós-anestésica, que é
outros sedativos-hipnóticos antigos causam um efeito reversível com o flumazenil.
calmante e reduzem a ansiedade em doses baixas.
● Comprometimento Cognitivo: Os efeitos ansiolíticos
são frequentemente acompanhados de depressão das
funções psicomotoras e cognitivas. 4. Efeitos Anticonvulsivantes
● Desinibição: Esses fármacos podem desinibir
comportamentos suprimidos por punição, o que pode ● Inibição da Atividade Epiléptica: A maioria dos
estar ligado a efeitos como euforia, prejuízo do sedativos-hipnóticos pode inibir a atividade epiléptica
discernimento e perda do autocontrole. no SNC.
● Amnésia Anterógrada: Os benzodiazepínicos podem ● Seletividade:
causar a incapacidade de lembrar eventos que ○ Benzodiazepínicos: Vários, como
ocorrem durante o período em que o fármaco está clonazepam, lorazepam e diazepam, são
ativo. seletivos o suficiente para serem clinicamente
úteis no tratamento de convulsões.
○ Barbitúricos: O fenobarbital é eficaz em
crises tônico-clônicas generalizadas, mas não
2. Hipnose (Indução do Sono) é a primeira escolha.
○ Hipnóticos Recentes: Zolpidem, zaleplona e
● Indução do Sono: Todos esses fármacos podem eszopiclona não possuem atividade
induzir o sono em doses altas o suficiente. anticonvulsivante, o que se deve à sua
● Efeitos no Padrão do Sono: maior seletividade de ligação a isoformas
○ Benzodiazepínicos e Barbitúricos: específicas do receptor GABA$_A$.
■ Reduzem a latência para o início do
sono (o tempo para adormecer).
■ Aumentam a duração do estágio 2
do sono NREM. 5. Relaxamento Muscular
■ Diminuem a duração do sono REM e
do sono de ondas lentas (estágio ● Inibição de Reflexos: Alguns sedativos-hipnóticos,
4). como os benzodiazepínicos e carbamatos (ex:
○ Hipnóticos Recentes (Zolpidem, Zaleplona, meprobamato), inibem reflexos polissinápticos, levando
Eszopiclona): ao relaxamento muscular.
■ Zolpidem: Diminui o sono REM com ● Uso Clínico: Essa ação os torna úteis no tratamento
efeito mínimo no sono de ondas de espasmos musculares.
lentas. ● Ausência de Efeito: Os hipnóticos mais recentes
■ Zaleplona: Reduz a latência para o (zolpidem, zaleplona, eszopiclona) não possuem ação
sono, mas tem pouco efeito na relaxante muscular significativa.
duração total do sono, NREM ou
REM.
■ Eszopiclona: Aumenta o tempo total
de sono, principalmente o estágio 2 6. Efeitos sobre a Respiração e a Função Cardiovascular
do NREM, com poucos efeitos no
sono REM em doses baixas. ● Respiração:
● Rebote do Sono: A interrupção abrupta do uso de ○ Doses Terapêuticas: Em pacientes
sedativos-hipnóticos antigos, especialmente os de saudáveis, os efeitos sobre a respiração são
curta ação, pode causar um "rebote do sono REM", semelhantes aos do sono natural.
com aumento da ansiedade e irritabilidade. Os ○ Pacientes com Doença Pulmonar: Mesmo
hipnóticos recentes têm menos evidências desse em doses terapêuticas, podem causar
efeito, mas a insônia de rebote pode ocorrer com o uso depressão respiratória significativa.
de doses mais altas. ○ Superdosagem: A depressão do centro
respiratório medular é a causa comum de
morte por superdosagem de
sedativos-hipnóticos.
3. Anestesia ● Função Cardiovascular:
○ Doses Normais: Não há efeito significativo
● Depressão do SNC: Em altas doses, alguns em pacientes saudáveis.
sedativos-hipnóticos (como os barbitúricos tiopental e ○ Doenças Preexistentes: Em pacientes com
metoexital) deprimem o SNC a ponto de induzir o hipovolemia ou insuficiência cardíaca, doses
estágio III da anestesia geral. normais podem causar depressão
● Velocidade de Ação: A lipossolubilidade de alguns cardiovascular.
barbitúricos (tiopental) permite um início rápido de ○ Doses Tóxicas: Podem deprimir a
ação após administração intravenosa, sendo úteis para contratilidade do miocárdio e o tônus vascular,
a indução da anestesia. levando ao colapso circulatório.
● Contribuição para a Anestesia: Benzodiazepínicos ● Administração Intravenosa: Os efeitos respiratórios e
como o diazepam, lorazepam e midazolam são usados cardiovasculares são mais acentuados quando os
como adjuvantes na anestesia, mas podem contribuir fármacos são administrados por via intravenosa.