UNIDADE 1 - INTRODUÇÃO ÀS REDES INDUSTRIAIS E FUNDAMENTOS DE
FIELDBUS
APRESENTAÇÃO
Caro aluno,
Seja bem-vindo ao estudo da disciplina Foundation FieldBus.
A proposta deste Material de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se
entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e
qualidade. Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu
conteúdo, bem como pela interatividade e modernidade de sua estrutura
formal, adequadas à metodologia da Educação a Distância – EaD.
Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da
pluralidade dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar
conceitos específicos da área e atuar de forma competente e conscienciosa,
como convém ao profissional que busca a formação continuada para vencer os
desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao mundo
contemporâneo.
Elaborou-se o presente material com a intenção de torná-la subsídio valioso, de
modo a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida
pessoal quanto na profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na
carreira.
2
INTRODUÇÃO
Na indústria de controle e processos há um movimento em direção ao aumento
do uso de Fieldbuses para interconectar equipamentos de fabricação
“inteligentes”. Existem várias razões para usar o Fieldbus, alguns dos
benefícios incluem menor custo de aquisição e propriedade (cabeamento
reduzido, menos equipamentos) e acesso a mais informações disponíveis para
operações e diagnóstico. Uma ampla variedade de redes está disponível no
ambiente de automação industrial com barramentos projetados para áreas
específicas dentro do mercado de barramento de campo.
As redes industriais, atualmente, são fundamentais para o processo produtivo
das indústrias, por meio das redes industriais podemos obter dados
instantâneos e disponibilizá-los para a cadeia hierárquica, facilitando
manutenções preventivas e as tomadas de decisões em tempo real, garantindo
eficiência. A automação industrial pode ser dividida em: Sensorbus, Devicebus
e Fieldbus.
» Sensorbus:utilizado para conectar sensores (indutivo, capacitivo,
fotoelétrico, ultrassônico etc.) e atuadores trabalhando com status de Bits,
muito utilizado no “chão de fábrica”. Nesta categoria enquadram a Rede AS
Inteface (ASI), Interbus-S, dentre outras.
» Devicebus: utilizado para tráfego em nível de bytes, predominando
trabalho com equipamentos de variáveis discretas, possui os mesmos
requisitos da Sensorbus, porém, com uma quantidade maior de equipamentos.
Alguns exemplos são as redes DeviceNet e Profibus DP.
» Fieldbus:são redes inteligentes que podem executar funções específicas
(controle), podendo ter suas variáveis discretas, analógicas, envio de
parâmetros (diagnósticos, alarmes, periféricos e manutenções preventivas),
programas e informações de usuário, como, por exemplo, as redes Foundation
Fieldbus e Profibus PA.
Figura 1. Divisão das redes industriais.
Fonte: [Link]
[Link].
3 OBJETIVOS
» Apresentar o conceito básico de instrumentação.
» Apresentar os conceitos de Foundation Fieldbus, seu surgimento e
evolução.
» Introduzir:
› os tipos de topologias e camadas;
› os conceitos de comunicação;
› conceitos de EDDL, FDT/DTM e FDI;
› características de instalação e cabeamento;
› aplicações Foundation Fieldbus em áreas classificadas;
› testes e instalações dos cabos de instrumentos Foundation Fieldbus;
› ferramentas para instalação e teste de bancada;
› configurações analógicas para instrumentos Foundation Fieldbus;
› o conceito sobre Wireless (WIO).
» Demonstrar alguns problemas de instalação.
CONCEITOS, TOPOLOGIAS E CAMADAS
1
CONCEITOS
De acordo com a história, os sistemas de Fieldbus não começaram em meados
dos anos 1980, na verdade as raízes das redes industriais são muito mais
antigas e datam do início dos anos 1970. No entanto, foi somente durante a
década de 1980 que os sistemas de Fieldbus começaram a crescer. O número
esmagador de sistemas diferentes chocou em vez de atrair os clientes, e o que
se seguiu foi um feroz processo de seleção, onde nem sempre os mais aptos
sobreviveram, mas aqueles com o maior poder aquisitivo por detrás.
Consequentemente, a maioria dos sistemas recentemente desenvolvidos
desapareceu ou permaneceu restrita a pequenos nichos. No entanto, também
as grandes empresas logo perceberam que os sistemas de barramento de
campo proprietários sempre terão sucesso limitado e que o maior benefício
está em disponibilizar as especificações ao público, para que diferentes
fornecedores produzam dispositivos compatíveis, o que dá ao cliente sua
liberdade de escolha. Finalmente, foi essa abertura que abriu o caminho para o
avanço dos sistemas Fieldbus.
Desde a criação de uma especificação “aberta” até a padronização de um
sistema Fieldbus, a ideia básica é estabelecer um padrão, uma especificação
muito rígida e formal. Isso atribui uma noção de confiabilidade e estabilidade à
especificação, o que, por sua vez, assegura a confiança dos clientes e,
consequentemente, também a posição de mercado. Portanto, não é de se
admirar que, após a corrida pelo desenvolvimento do Fieldbus, tenha sido
lançada uma corrida pela padronização. Essa padronização foi muito fácil em
nível nacional, e a maioria dos sistemas Fieldbus relevantes de hoje logo se
tornaram padrões nacionais. O problema maior foi quando a padronização
passou para soluções internacionais. Isso causou fortes turbulências e abriu
um campo de batalha para a política que gradualmente deixou o terreno da
discussão técnica.
Na segunda metade da década de 1980, no início dos esforços do IEC no
comitê técnico TC65C, o desenvolvimento de sistemas Fieldbus era
principalmente um empreendimento europeu, impulsionado por projetos de
pesquisa que ainda possuíam uma sólida formação acadêmica, bem como
muitos desenvolvimentos próprios. Os resultados mais promissores foram o
francês FIP e o alemão PROFIBUS. Ambos foram logo padronizados no
respectivo nível nacional e finalmente propostos à IEC para padronização
internacional. Infelizmente, as abordagens dos dois sistemas eram
completamente diferentes. O PROFIBUS foi baseado em uma ideia de controle
distribuído e em sua forma original suportava uma comunicação vertical
orientada a objetos de acordo com o modelo cliente-servidor no espírito da
especificação MAPMMS. O FIP, por outro lado, foi projetado com um esquema
de controle central, mas estritamente em tempo real, e com o modelo produtor-
consumidor (produtor-distribuidor-consumidor) para comunicação horizontal.
Na década de 1990, mais precisamente em fins de 1994, surgiu com a união
de dois consórcios paralelos, ISP (InterOperable Systems Project) e o
WorldFIP, a organização Foundation. A Foundation é uma organização
internacional com cerca de 85 membros em todo o mundo. Seu objetivo é
fornecer um padrão de Fieldbus único, internacional e interoperável.
O Fieldbus é uma tecnologia que por si só não fornece uma solução. Ele
permite que os fornecedores desenvolvam produtos e soluções que ofereçam
muitas vantagens aos usuários finais, bem como muitas oportunidades para
produtos novos e inovadores. A solução do Foundation Fieldbus deve ser
aberta. Com ele, os usuários finais podem comprar produtos e sistemas de
qualquer fornecedor que esteja em conformidade com o padrão, e os
fornecedores podem competir em igualdade de condições e desenvolver
produtos e soluções diferenciados. A tecnologia Fieldbus deve ser
independente do controle de um único fornecedor.
Figura 12. Logo Foundation.
Fonte: [Link]
O Foundation Fieldbus (FF) é um protocolo de comunicação bidirecional que
possibilita a conexão de múltiplos instrumentos (sensores, atuadores e
controladores) e processos de campo a estações de operação. Possuem
inúmeras funções de controle que permitem executar o monitoramento via
sistema supervisório. O FF representa cerca de 40%, em relação ao 4-20, de
redução de custo nos projetos, instalação, operação e manutenção. Com o FF,
pode-se ter informações imediatas sobre diagnóstico dos equipamentos de
campo, tornando possível a manutenção antes que acorra algum distúrbio de
risco na planta. Além de garantir a precisão do sistema de controle e
consequentemente uma melhora na eficiência da planta. Uma grande
vantagem do instrumento FF é ter a capacidade de trabalhar como mestre
backup da rede, isto é, um equipamento pode ser configurado para assumir o
papel de mestre, caso ocorra algum problema com o controlador, garantido que
a rede nunca pare de funcionar.
A Foundation é uma organização independente que não visa lucro e cujo
propósito é desenvolver e manter um padrão uniforme de redes de campo para
automação de processos: o Foundation Fieldbus (FF). Os membros incluem
usuários e fabricantes dos dispositivos de campo e dos sistemas de
automação.
Existem duas redes FF, uma de baixa velocidade concebida para interligação
de instrumentos (H1 - 31,25 kbps) e outra de alta velocidade, utilizada para
integração das demais redes e para a ligação de dispositivos de alta velocidade
(HSE - 100 Mpbs).
A rede H1 possui grandes vantagens em relação ao tradicional de 4-20mA,
como:
» Redução do cabeamento, painéis, borneiras, fontes de alimentação,
conversores e espaço na sala de controle.
» Alimentação do instrumento pelo mesmo cabo.
» Segurança intrínseca.
» Grande capacidade de diagnóstico dos instrumentos.
» Capacidade de realizar funções de diagnóstico, configuração, calibração
via rede permitindo minerar dados de instrumentação em tempo real. Essas
funções irão permitir a implementação da manutenção proativa, centrando os
recursos onde eles são mais necessários.
» Capacidade de autorreconhecimento do instrumento, permitindo fácil
instalação e download de parâmetros.
» Redução dos custos de engenharia, instalação e manutenção.
» Sinal de alta resolução e livre de distorções, assegurando precisão do sinal
recebido aumentando a confiabilidade do sistema de automação.
Possui uma codificação Manchester codificada, produzindo um sinal com valor
médio nulo. A modulação é feita com a variação de corrente de 10mA a 31.25
Kbit/s com carga equivalente de 50Ω, resultando em uma tensão modulada de
0.75 Vpp a 1 Vpp, sobreposto a uma tensão do barramento de 9 a 32VDC.
Figura 13. Codificação Manchester.
Fonte: adaptada de [Link]
As Redes HSE e H1 possuem basicamente as mesmas características de
comunicação e sincronismo, o que difere é o determinismo. O HSE é baseado
na Ethernet, IP e TCP/UDP possuindo quatro tipos básicos:
» Host Device (HD);
» Link Device (LD);
» Gateway Device (GD);
» Ethernet Device (ED).
Seguem algumas características que diferem as duas redes:
Quadro 1. Característica H1 e HSE.
TAXA DE 31.25 10 MBIT/S OU 100
COMUNICAÇÃO KBITS/S MBIT/S
Distância (segmento) 1.900 m 100 m
Dois fios Sim Não
Multidrop Sim Não (UTP)
Bus-power Sim Não
Intrinsicamente segura Sim Não
Redundância Não Sim
Determinística Sim Sim (Com Switches)
Fonte: próprio autor.
A Ethernet de alta velocidade (HSE) foi projetada para incorporar a rede
Fieldbus H1, suportando tanto protocolo de controle de transmissão (TCP)
quanto protocolo da camada de transporte – User Datagram Protocol (UDP). O
HSE suporta redundância e possui o Data Link Layer. Todos os instrumentos
Ethernet são construídos na mesma plataforma, portanto, eles podem coexistir
na mesma rede com diferentes protocolos da camada de aplicação. Uma vez
que os padrões de Ethernet e Internet Protocol (IP) possuem esquemas de
endereçamento chamados MAC, é possível misturar instrumentos da Profibus
e da Fieldbus no mesmo meio físico. Embora seja possível compartilhar a
camada física com diferentes protocolos, não é aconselhável, mas se for
realmente necessário, devem-se utilizar switches IP V6 para minimizar o
impacto de grandes quantidades de dados e para monitorar pacotes em
relação à sua prioridade, a fim de que as informações de controle sempre
tenham alta prioridade.
Na hora de preparar as especificações HSE, a Foundation preparou uma lista
de requisitos ou classes:
» quatro tipos de instrumentos - Classe 41;
» quatro tipos de Linking Device – Classe 42;
» um I/O Gateway Device – Classe 44 e 45;
» dois níveis de redundância – Classe 46 e 47 e Classes 48 e 49.
Um instrumento Gateway I/O classe 43 permite serviços de Mensagens
Fieldbus (FMS) que são suportados pela Classe 42C. Um Host Classe 44 é um
host HSE de algum tipo, por exemplo, ele pode ser uma estação de operação
que suporta escrever dados nos Blocos de Função, tais como AI, AO, PID etc.
Pode ser um gerador de relatório ou um receptor de dados vindo da rede. A
Ethernet pode ser de maneira determinística, o que significa que a mensagem
será entregue dentro de uma fração de tempo específica, passando a
mensagem pelo menor número de nós possíveis.
O FMS fornece os serviços para comunicação padronizada. Os tipos de dados
comunicados pelo Fieldbus são atribuídos a determinados serviços de
comunicação. Para uma atribuição uniforme e clara, são usadas as descrições
de objetos. As descrições de objetos contêm definições de todos os formatos
de mensagem de transmissão. Para cada tipo de objeto existem serviços de
comunicação especiais e pré-definidos.
Topologia
O Foundation Fieldbus apresenta várias topologias de comunicação, dentre as
mais comuns temos: estrela ou árvore, barramento, ponto a ponto e mista.
» Estrela ou árvore:a topologia em árvore também conhecida como “pé de
galinha” ou “estrela”, concentra várias caixas de junção ligadas em série. Esse
tipo de ligação é bem simples e fácil para manutenção, uma vez que o cabo
tronco está conectado nas caixas de junção, os defeitos não atrapalham a
comunicação, pois, em grande parte, elas possuem proteção de curto e sobre
corrente e em alguns casos o terminador se faz presente.
Figura 15. Topologia tipo árvore.
Fonte: próprio autor.
» Barramento: nesse tipo de topologia, os instrumentos são conectados ao
cabo tronco (barramento), onde a comunicação chega ao instrumento sem
ajuda de qualquer outro dispositivo. Utiliza-se um barramento único, onde
equipamentos ou barramentos secundários (spurs) são conectados
diretamente a ele. Podem-se ter ainda vários equipamentos diferentes (spur).
Figura 16. Topologia tipo barramento.
Fonte: próprio autor.
» Ponto a ponto: nessa topologia, os elementos são ligados em série e
utilizam conectores que permitem a desconexão de um instrumento sem que a
rede seja interrompida.
Figura 17. Topologia tipo ponto a ponto.
Fonte: próprio autor.
» Mista:é uma mistura das três topologias mais usadas, conectadas entre
si. Porém, o comprimento máximo do segmento incluindo o spurs deve ser
observado.
Camadas
A especificação Foundation Fieldbus é baseada em um modelo de
comunicação em camadas ISO/OSI, consistindo de três elementos (nível físico,
camada de comunicação e camada de aplicação). O nível físico é equivalente à
camada física OSI. Sua principal particularidade é o fato de que a alimentação
dos dispositivos pode usar o mesmo cabo em que trafegam os dados.
A camada de comunicação é composta por três subcamadas:
» a subcamada inferior de enlace de dados, responsável pelo acesso ao
meio físico e controle de erro;
» a subcamada intermediária de acesso a serviços da rede – Fieldbus
Access Sublayer (FAS);
» a subcamada superior de montagem de mensagens – Fieldbus Message
Specification (FMS).
A camada de aplicação do usuário garante a interoperabilidade entre os
dispositivos, sendo padronizada e completamente especificada. O protocolo
não usa os níveis OSI 3, 4, 5 e 6. Cada nível no sistema de comunicação é
responsável por uma parte da mensagem que é transmitida no barramento.
Figura 18. Estrutura de camadas do Foundation Fieldbus.
Fonte: adaptada de [Link]
A camada de aplicação fornece uma interface para o software do instrumento,
essa camada define como ler, escrever ou iniciar uma tarefa em um nó remoto.
A principal tarefa dessa camada é definir a sintaxe das mensagens. Os
principais componentes da Camada de Aplicação são a Subcamada de Acesso
Fieldbus (FAS) e a Especificação de Mensagem Fieldbus (FMS). A FAS usa as
características listadas e não listadas da Camada de Enlace para fornecer um
serviço para a Especificação de Mensagem Fieldbus (FMS). Os tipos de
serviços da FAS são descritos pelas Relações de Comunicação Virtual (VCR).
O VCR é como as características de discagem rápida da memória do seu
telefone. Devem-se discar muitos dígitos para efetuar uma ligação internacional
– código internacional de acesso, código do país, código da cidade, código da
operadora e o número do telefone. Essas informações só precisam ser
digitadas uma vez e, então, um “número de discagem rápida” é formado. Após
o setup, apenas o número de discagem rápida precisa ser digitado para que a
discagem ocorra.
Em uma operação similar, após a configuração, apenas o número VCR é
necessário para comunicar-se com outro instrumento Fieldbus. Assim como
existem diferentes tipos de ligações telefônicas, existem diferentes tipos de
VCRS. Os serviços da Especificação de Mensagem Fieldbus (FMS) permitem
aplicações em que os usuários podem enviar mensagens um para o outro
através do Fieldbus, usando um conjunto padrão de formatos de mensagens. A
FMS descreve os serviços de comunicação, os formatos de mensagens e o
comportamento dos protocolos necessários para elaborar as mensagens e
enviar para a aplicação do usuário. Os dados que são comunicados através do
Fieldbus são descritos por uma “descrição de objetos”. As descrições de
objetos são reunidas em uma estrutura chamada dicionário de objetos (OD).
A descrição dos objetos é identificada pelo seu index (índice) dentro do OD. O
índice é chamado de cabeçalho do dicionário de objetos, fornece uma
descrição do próprio dicionário e define o primeiro índice para as descrições de
objetos da Aplicação de Usuários. As descrições de objetos da Aplicação de
Usuários podem começar em qualquer índice acima de 255.
O índice 255 e os inferiores definem tipos padrão de dados, tais como bitstring
booleano, integral e flutuante, bem como estruturas de dados que são usados
para construir todas as outras descrições de objetos. Um instrumento virtual de
campo (VFD) é usado para ver remotamente dados de instrumentos locais
descritos no dicionário de objetos. Um instrumento típico terá pelo menos três
VFDS:
» VFD de rede,
» VFD de gerenciamento de sistemas,
» VFD de aplicação do usuário.
O Gerenciamento de Redes faz parte da Aplicação da Rede e do
Gerenciamento do Sistema, ele também fornece a configuração de pilha de
comunicação. O Instrumento Virtual de Campo (VFD) usado para
Gerenciamento de Redes também é usado para Gerenciamento do Sistema, e
dá acesso ao Banco de Dados do Gerenciamento de Redes (NMIB) e ao
Banco de Dados do Gerenciamento do Sistema (SMIB). Os dados do NMIB
incluem Relacionamentos de Comunicação Virtual (VCR), variáveis dinâmicas,
estatísticas e as listas do Link Active Scheduler (LAS) se o instrumento for um
Link Máster. Os dados SMIB incluem o tag do device e informações sobre o
endereço, bem como listas de execução dos Blocos de Função.
A Camada do Usuário define a maneira de acessar informações nos
instrumentos Fieldbus de modo que tais informações possam ser distribuídas
para outros instrumentos ou nós na rede Fieldbus. Esse é um atributo
fundamental para aplicações de controle de processos. A arquitetura de um
instrumento Fieldbus é baseada em blocos, tais como Bloco de Função, o qual,
como o próprio nome o diz, é uma função baseada em um objeto, projetada
para executar as funções de controle, que são responsáveis por executar as
tarefas como aquisição de dados, feedback e controle da malha em cascata,
cálculos e atuação.
O Bloco de Função permite que o usuário possa fazer as configurações,
manutenção e customizar as aplicações. É um conceito genérico da
funcionalidade de instrumentos e sistemas de controle no campo, tais como
entradas e saídas analógicas, bem como o controle de PID (Proporcional
Integral Derivativo). Cada Bloco de Função contém um algoritmo, um banco de
dados e um nome definido pelo usuário, geralmente o nome da malha ou a tag,
uma vez que a tag do Bloco de Função deve ser única na planta do usuário. Os
parâmetros do Bloco de Função são encaminhados ao Fieldbus através do seu
TAG PARAMETER-NAME
Um instrumento inclui uma quantidade definida de Blocos de Função, sendo
que um bloco deve ser instanciado ou definido. A Camada do Usuário define a
maneira de acessar informações nos instrumentos Fieldbus de modo que tais
informações possam ser distribuídas para outros instrumentos ou nós na rede
Fieldbus.
Um Bloco de Função é um modelo genérico de medição e controle, e pode ser
divido em três classes:
» Bloco Padrão;
» Bloco Adicional;
» Bloco Estendido.
Os Blocos de Função MAI (Entrada Analógica Múltipla), MAO (Saída Analógica
Múltipla), MDI (Entrada Discreta Múltipla), MDO (Saída Discreta Múltipla) e FFB
(Bloco de Função Totalmente Flexível) foram desenvolvidos como parte do
processo da Ethernet de Alta Velocidade (HSE). A “série M” do bloco é capaz
de transferir um grupo de oito sinais da variável de processo (PV) como uma
única mensagem na Rede Fieldbus e, uma vez que a HSE é totalmente
compatível com o H1, uma grande quantidade de instrumentos H1 estão
tirando vantagem do bloco MAI. O Bloco de Função Totalmente Flexível (FFB),
podendo ser totalmente programado pelo usuário final, usando qualquer das
linguagens de programação da Norma IEC 61131-1.
Assim como todos os Blocos de Função Fieldbus baseados em objetos, o FFB
realiza as funções reais que são executadas dentro dele. As especificações
Fieldbus definem uma gama de parâmetros que devem ser comuns a todos os
Blocos de Função, a fim de assegurar a interoperabilidade e a comunicação
entre os vários blocos, os instrumentos e o Host. Uma vez que cada
componente da especificação Fieldbus é tratado como um objeto, é possível
que cada fabricante escreva o seu próprio código para ser executado, pois os
resultados são apresentados no formato pré-definido.
O FFB pode ser configurado pelo usuário final com qualquer uma das
linguagens do IEC 61131-1 para toda e qualquer função requerida. Portanto,
um instrumento que dê suporte ao FFB pode ser configurado ou programado
para uma grande quantidade de funções, de conversor de protocolos dentre
outros que execute operações de cálculos de controle de multivariáveis
complexos, tais como redes neurais artificiais ou lógicas fuzzy.
A especificação do FFB contém muitos blocos de funções úteis, contudo, o
bloco específico que foi desenvolvido para ajudar o Fieldbus na indústria de
manufatura, onde o controle discreto predomina, é um bloco controlador do
instrumento (DC), o qual controla qualquer instrumento físico de dois ou três
estados. O controlador de instrumento aceita um set point e faz com que o
instrumento vá até ele. É permitido certo tempo para a transição, mas serão
gerados alarmes se o instrumento físico falhar na sua tarefa de alcançar o
estado desejado ou perder o estado depois que a transição for concluída. O
bloco DC tem entradas para controle do set point por lógica externa ou por
comandos de um host, bem como por funções lógicas permissivas, de
intertravamento e de desligamento. Um operador pode bypassar um switch de
proteção após obter a confirmação visual do estado do instrumento físico. O
parâmetro DC_STATE mostra um de 14 estados que descrevem as condições
atuais de controle, enquanto o parâmetro FAIL fornece razões específicas para
falhas.
Infelizmente, as interfaces de programação do FFB ainda não são totalmente
interoperáveis. Isso significa que um FFB do fabricante “A” deve ser
programado e configurado pelo host e pelas ferramentas de software do
fabricante “A’, e vice-versa. Porém, uma vez que o FFB tenha sido preparado e
compilado através dos serviços DD, ele pode ser executado por qualquer
sistema que dê suporte ao tipo de bloco do FFB.
Clique sobre os números abaixo:
12
Figura 19. Blocos de função.
Fonte: próprio autor.
Além de converter o sinal físico (capacitância, frequência etc.) ou saída
(pressão, corrente), os blocos transdutores estão se tornando cada vez mais
importantes, pois eles também são utilizados para capturar e armazenar todos
os diagnósticos e dados relacionados à manutenção de um instrumento. O
bloco posicionador avançado é um requisito para o teste de partial stroke, o
qual é necessário para aplicações Fieldbus em segurança.
A demanda dos usuários finais está gerando a necessidade de uso dos blocos
transdutores padrão, uma vez que, sem uma interface, o levantamento dos
dados de manutenção contidos em cada instrumento fica com um grau de
dificuldade elevado, o ideal é a utilização de softwares modernos e sistemas de
gerenciamento de ativos. As especificações dos transdutores são definidas
geralmente pelos desenvolvedores dos instrumentos, eles conseguem
estabelecer o escopo básico das funções. Um instrumento pode até ter funções
adicionais, mas ele deve conter as funções que constam na especificação para
ser interoperável.
A Foundation Fieldbus criou vários blocos de função padrões para controle
básico. Esses blocos são listados abaixo:
» Entrada analógica – Al;
» Saída analógica – AO;
» Bias – B;
» Seletor de Controle – CS;
» Entrada discreta – DI;
» Saída discreta – FAZ;
» Carregador manual – ML;
» Proporcional derivativo – PD;
» Proporcional integrativo e derivativo – PID;
» Relação – RA.
COMUNICAÇÕES E INSTRUMENTOS
Cada dispositivo Fieldbus possui um identificador exclusivo de endereço com
hardware de 32 bits, composto de um código de fabricante de seis bytes, um
código de dispositivo de quatro bytes e um número de série. A Foundation
Fieldbus atribui os códigos do fabricante, enquanto o fabricante atribui o código
do tipo de dispositivo e o número de série sequencial.
Um configurador manual possui um endereço temporário. Um agendador de
link ativo (Link Active Scheduler - LAS) possui endereço de 0x04 ou a série dos
endereços mais baixos. Se um instrumento possui um endereço no gap
V(NUM), ele jamais será capaz de alocar-se à rede. Os parâmetros V(FUN)
V(NUM) são acessíveis através do gerenciamento de rede. Um instrumento
Foundation é classificado em BASIC, Link Master (LM) e Ponte. Um
instrumento LM pode ser LAS, enquanto os instrumentos da classe BASIC não
possuem esta funcionalidade, os instrumentos da classe Ponte podem ser LAS
e podem conectar redes.
Os instrumentos de classe LM e Ponte podem fazer o papel de LAS na rede
quando esse vier a falhar ou não estarem presente. Logo, é necessário ter
sempre em rede um instrumento LM ou Ponte em link. Um instrumento LM
secundário ou de backup observa a atividade do LAS e pode assumir suas
atividades, tornando-se primário ou Master LAS se o LAS vier a falhar. O LAS
possui várias funções, como já podemos observar. Além das mencionadas
acima, temos:
» Gerenciar parte planejada das comunicações de transferência de dados
sincronizados entre blocos de função.
» Controlar a transferência periódica de dados de um Publisher (saída de um
Bloco de Funções – Produtor) para um Subscribers (entrada de um Bloco de
Funções – Consumidor).
» Manter as comunicações da Rede.
Um Instrumento Fieldbus possui pelo menos dois VFDs (Instrumento Virtual de
Campo), sendo que, um deles faz a parte de gerenciamento, onde a rede e as
aplicações de gerenciamento residem. Também é utilizado para configurar
parâmetro de rede, incluindo os VCRs e para gerenciar instrumentos em um
sistema Fieldbus. O outro é o VFD do bloco de função, sendo mais de dois na
maioria dos instrumentos.
O bloco de função deve obter os parâmetros de entrada antes que o algoritmo
possa ser executado, para que assim possam ser publicados os parâmetros de
saída. Portando, a execução do algoritmo e a comunicação Publisher-
Subscriber deve ser orquestrada quando os blocos de função forem
distribuídos entre os instrumentos.
Os instrumentos de campo podem enviar e receber vários parâmetros que
ajudam ao controle e monitoramento. Para exemplificar, segue abaixo uma lista
com alguns parâmetros:
Quadro 2. Exemplo de parâmetros de um instrumento.
NOME DO PARÂMETRO DESCRIÇÃO
SENSOR ABERTO Ele identifica que o sensor OPEN está ativo ou não.
SENSOR FECHADO Ele identifica que o sensor CLOSE está ativo ou não.
Identifica a contagem real da saída (válvula). Quantos
Contagem do ciclo da Válvula
ciclos (On + Off) a válvula operou.
Ele identifica o tempo de abertura da válvula. A unidade
TIMEOUT ABERTO
numérica é milissegundos.
Identifica o tipo de alarme passado do nó. Os alarmes
são: CIRCUITO CURTO NAS SAÍDAS, SENSOR
COM PROBLEMA (AMBOS OU DESACTIVADOS),
O CONTADOR ESTÁ ACIMA DA FAIXA, A
ALARMS_STATUS INTELIGÊNCIA ALARME ABERTA, A
INTELIGÊNCIA ALARME FECHADA, A
TEMPERATURA ESTÁ FORA DO INTERVALO E
FECHADO/FALHA ABERTA (SE FECHAR, NÃO
FECHADO, SE ABRIR, NÃO ABRIR).
Ele identifica o tempo de fechamento da válvula. A
FECHAR TIMEOUT
unidade numérica é milissegundos.
SENSE SERIAL NUMBER Identifica (lê) o número de série de produção do produto.
LEITURA
Configura o número máximo de ciclos da válvula.
VALOR DO CICLO MÁXIMO Quantos ciclos (On + Off) o usuário deseja que a válvula
opere.
CICLO DE CONTADOR ENABLE Ele habilita ou desabilita a válvula do contador.
REINICIALIZAÇÃO DE CICLO DE Ele redefine o número do contador da válvula.
CONTADOR
Configura os números de ciclos iniciais do tempo de
leitura do monitor ABERTO e FECHADO. Os valores
CICLOS POR CONTA
são: 4, 8, 16 ou 32 ciclos iniciais. Cada vez será a média
aritmética das contagens iniciais.
Configura a tolerância de inteligência para os tempos
ABERTO e FECHADO. Os valores são: 30%, 60% ou
VALOR DE INTELIGÊNCIA 90%. Quando configurado, os dois tempos são
configurados para o valor acima. Neste caso, os tempos
serão adicionados de acordo à tolerância configurada.
Ele habilita ou desabilita a válvula do ciclo de
ATIVAR O CICLO DE
inteligência. É necessário HABILITAR a contagem do
INTELIGÊNCIA
tempo ABERTO e FECHADO.
REINICIAR O CICLO DE Redefine o tempo da válvula do ciclo de inteligência. Os
INTELIGÊNCIA horários OPEN e CLOSE são redefinidos.
ENTRADAS AUXILIARES Ele habilita ou desabilita as duas entradas auxiliares ao
HABILITADO mesmo tempo.
Entrada Auxiliar 1 Identifica que a entrada AUXILIAR 1 está ativa ou não.
Entrada Auxiliar 2 Identifica que a entrada AUXILIAR 2 está ativa ou não.
Mostra o número de ciclos das entradas auxiliares.
Contador Auxiliar de ciclos da
Contador de ciclos (AUX1 + AUX2 + AUX1) que as
Válvula
entradas operam.
AUX_COUNTER_VALUE_RESET Reinicia o ciclo da válvula de ciclo auxiliar.
Ele identifica (lê) a temperatura interna da placa PCI do
Temperatura interna
monitor. A unidade numérica é o grau Celsius.
Ele ativa ou desativa a medida interna de temperatura da
Ativa a temperatura Interna
placa PCI.
Configura o nível de alta temperatura. Os valores
Máxima temperatura interna
permitidos são: 40 até 65 graus Celsius.
Configura o nível de baixa temperatura. Os valores
Mínima temperatura interna
permitidos são: de -10 a 5 graus Celsius.
Identificador VALOR DO Configura o número de identificação do atuador.
ACTUADOR
MODELO VÁLVULA ATUADORA Configura o código do modelo do atuador.
NÚMERO DE SÉRIE DO Configura o número de série de produção do atuador.
ATUADOR
Identificação do valor da válvula Configura o número de identificação da válvula
Modelo da válvula Configura o código do modelo da válvula.
NÚMERO DE SÉRIE DA VALVE_SERIAL_NUMBER
VÁLVULA Ele configura o número serial de produção da válvula.
VALVE_TYPE
Configura o tipo de válvula. Os tipos possíveis são:
ATUALIZAÇÃO ÚNICA, 5 VIAS E 2
POSIÇÕES/ATUAÇÃO ÚNICA, 5 VIAS E 3
POSIÇÕES/ATUAÇÃO ÚNICA, 4 VIAS E 2
POSIÇÕES/ATUAÇÃO ÚNICA, 4 VIAS E 3
Tipo de Válvula POSIÇÕES/ATUAÇÃO ÚNICA, 3 VIAS E 2
POSIÇÕES / ATUALIZAÇÃO SIMPLES, 2 VIAS E 1
POSIÇÕES/DUPLO ATUAR, 5 VIAS E 2
POSIÇÕES/DUPLO ATUAR, 5 VIAS E 3
POSIÇÕES/DUPLO ATUAR, 4 VIAS E 2
POSIÇÕES/DUPLO ATUAR, 4 VIAS E 3
POSIÇÕES/DUPLO ATO, 3 VIAS E 2
POSIÇÕES/AÇÃO DUPLA, 2 WAY E 1 POSIÇÕES.
CONTAGEM DE DADOS INICIAIS Configura os dados de contagem inicial do produto
ÚLTIMA DATA DE
MANUTENÇÃO
Configura os últimos dados de contagem de manutenção
SINGLE/DOUBLE_OUT
do produto.
Endereço da Solenoide Configura a tag (número ou texto) do solenoide.
Modelo da Solenoide Configura o número do modelo do solenoide.
AUX1_TAG Configura a tag (número ou texto) do SENSOR AUX1.
AUX1 _MODEL Configura o número do modelo do SENSOR AUX1.
AUX2 _TAG Configura a tag (número ou texto) do SENSOR AUX2.
AUX2_MODEL Configura o número do modelo do SENSOR AUX2.
Fonte: [Link]
Os instrumentos que forem projetados para áreas altamente explosivas devem
passar por um processo de certificação.
Saiba MaisFechar
Os produtos que são projetados para uso em atmosferas potencialmente explosivas,
necessitam de uma certificação compulsória conforme a Portaria do INMETRO no 83,
de 3 de abril de 2006. Essa certificação garante que o equipamento projetado
conforme normas específicas, não irá ocasionar uma explosão no local onde será
instalado. O processo de certificação é feito por meio de análise do projeto e ensaios
especiais em amostras de produção. Além disso, é feita uma auditoria anual que
garanta que os processos de produção estão adequados aos requisitos das normas.
Além da certificação de produtos para atmosferas explosivas, certificados por
organismos internacionais como UL-Underwriters Laboratories Inc.
EDDL, FDT/DTM E FDI
1
CASES EDDL
A EDDL (Electronic Device Description Language), também chamada de DD
(Description Device), é a tecnologia utilizada para descrever equipamentos Hart
(Highway-Addressable Remote transducer), Profibus PA e Foundation
Fieldbus. Foi determinada pelo IEC como padrão internacional para descrição
de dispositivos conforme IEC 61804-2 (Function Block Application and EDDL e
CENELEC 50391 – Network Oriented Application Harmonization Electronic
Device Description Language), porém, continha pouco suporte para gráficos.
Assim, a interface e o grau de integração entre os dispositivos de campo e os
hosts não eram apenas limitados, mas o nível de integração e informação que
poderia ser apresentado a um usuário variava com cada instalação,
dependendo do host a ser usado.
A HART Communications Foundation, a Profibus Internacional e a Foundation
Fieldbus também perceberam que os usuários precisavam melhorar a interface
com seus dispositivos e, como resultado, desenvolveram, por meio de uma
atividade conjunta, várias funções de suporte gráfico ao EDDL, mantendo
100% de compatibilidade retroativa com as especificações originais preparadas
no início dos anos 1990. As principais novas capacidades do EDDL incluem o
seguinte:
» Permite que as imagens sejam apresentadas com informações de
instalação e manutenção.
» Usam gráficos e menus para apresentar e inserir dados de forma mais
consistente.
» Usa gráfico X-Y para plotar uma variável em relação à outra, como uma
forma de onda de radar.
» Fornece matemática básica para uma equação de primeira ordem da
forma y = mx + b.
» Oferece histórico de informações ao longo do tempo.
Os arquivos DD são escritos em formato de texto para que os sistemas de
controle, configuradores, handheld ou outras ferramentas de software possam
se comunicar com cada instrumento de forma uniforme, permitindo descrever a
estrutura e o layout de menus que o usuário verá quando estiver comunicando
com o equipamento. É importante destacar que a DD não é uma tecnologia
aberta. Os arquivos textos de DD são traduzidos e fornecidos como arquivo
binário padrão pelo fabricante do equipamento e permitem que os menus,
métodos e parâmetros sejam apresentados como ele desejar.
A estrutura geral da DDL se faz por meio de um grupo de objetos. Cada objeto
possui uma função importante na organização, troca e apresentação de dados
para o usuário, podendo ser resumida em:
» dados (parâmetros);
» comunicação (comandos);
» interface gráfica (menus);
» operação (métodos).
Para o desenvolvimento de um arquivo DDL, é preciso entender algumas
normas que são essenciais para o estudo e implementação de uma linguagem
de dispositivo. Nesse documento, serão exemplificadas apenas algumas das
etapas necessárias para a sua criação:
» Importando bibliotecas: a DD permite entrar em conteúdos de outros
arquivos através das linhas de comando include. Para simplificar, o
desenvolvimento de DD busca uma padronização entre os desenvolvedores, a
HART Foundation fornece algumas DD’s com informações descritas na norma
HART, podendo ser acessadas por meio da instrução IMPORT (usado para
importar dados de DD’s padrões ou de revisões anteriores). Cada arquivo
importado precisa ser identificado através de uma linha de comando,
informando seu nome, revisão de equipamento e a revisão da DDL. Caso
precise importar todo conteúdo do arquivo, é necessário colocar na linha de
código a instrução EVERTHING. Se for necessário importar apenas alguns
itens, basta informar quais são. Os itens importados podem ser redefinidos na
nova DD. Para isso, em cada item que pretende redefinir, se usa dentro da
estrutura REDEFINITIONS a palavra REDEFINE.
» Criando variáveis (Variable): a variável é o principal mecanismo para
modelar os dados do instrumento, podendo ser qualquer informação contida
nele. O objeto VARIABLE descreve uma grande escala de propriedades,
permitindo que o dado seja completamente descrito. Toda variável deve
possuir um nome e esse pode ser referenciado em qualquer parte da DDL.
Abaixo estão descritos os 10 atributos que a variável pode suportar, sendo
obrigatório apenas o TYPE.
› LEABEL: especifica o texto que os aplicativos host devem exibir quando
a variável for referenciada.
› HELP: especifica detalhes sobre a variável quando solicitado pelo
usuário.
› CLASS: é utilizada para modelar o comportamento da variável.
› VALIDITY: alguns equipamentos podem operar em diferentes modos.
Por exemplo, um transmissor de temperatura pode ser usado para medição de
temperatura ou como controlador de sinal, mas não ao mesmo tempo. Desse
modo, algumas funções do transmissor não estarão disponíveis quando estiver
operando em modo controlador. O atributo VALIDITY verifica o modo
apropriado, disponibilizando ou não a variável para o usuário.
› HANDLING: especifica a operação que o host deve executar. As opções
são READ e WRITE. READ indica que a variável deve ser lida pelo
equipamento e WRITE indica que o valor deve ser escrito. A maioria dos
equipamentos possui READ & WRITE como padrão.
› CONSTANT_UNIT: se a variável tem um código de unidade que não
precisa ser alterado, pode ser especificado por esse atributo. (Exemplo:
corrente é sempre em amperes).
› DEFAULT_VALUE: permite à DDL mudar valores por meio do host
quando o equipamento não estiver fisicamente conectado (operando em modo
off-line).
› TYPE: esse é um item obrigatório, pois informa ao host qual será o
formato do dado e quantidade de bytes. Os tipos de dados da variável para
DDL são Integer, Unsigned Integer, Float, Double, Enumerated, Index, ASCII,
Password, Date e Time_Value. Alguns tipos de dados (integer,
unsigned_integer, float e double) possuem informações adicionais e opcionais
referente à formação, escala e limites.
› Pre/Post actions: uma ação deve ser executada antes ou depois de
ler/escrever ou editar o valor de uma variável no equipamento. Os métodos
não possuem preferência, sendo executados na ordem que foram definidos.
› REFRESH_ACTIONS: os métodos definidos nesse atributo são
executados antes de exibir ou atualizar a variável na tela.
» Criando comando (Command):o comando é um pacote de dados
utilizado para estabelecer a troca de informações entre o host e o equipamento
FF. Cada comando precisa ter um nome e pode ser referenciado em outras
partes da DD.
» Criando Método (Method):a finalidade de um método geralmente se
encaixa em três categorias: interação do usuário, que inclui receber os valores
e obter sua confirmação antes de continuar a execução do método; cálculos,
entrando toda parte de operação matemática de ordem mais elevada ou
comparação de valores; interação com o equipamento, que é o envio de
comandos e a interpretação de response_codes e status.
» Criando menu:o menu são as opções apresentadas ao usuário,
permitindo que execute configurações e operações no equipamento de forma
prática. Normalmente, a DDL apresenta um menu principal e divide as
variáveis e métodos em vários submenus. Esse atributo deve possuir um nome
e pode ser chamado em qualquer setor da DD. Faz parte da sua estrutura
também:
› LABEL: item obrigatório que tem como propósito informar seu título
quando o menu é referenciado.
› HELP: informa em forma de texto o que deve ser mostrado caso seja
solicitado ajuda pelo host.
› VALIDITY: analisa a condição do menu, tendo como resultado a sua
apresentação ou ocultação para o mesmo usuário.
› STYLE: especifica condições que devem ser respeitadas pelo host no
momento em que a tela é exibida. É possível ter alguns tipos de STYLE, como
DIALOG (mostrados em modo dialog box e todos os sub-menus devem ter
essa característica), WINDOW (itens mostrado em janelas fixas), PAGE,
GROUP (aparece como um Group-Box) ou MENU (exibido como menu pull-up
ou pull-down, mais conhecido como cascata).
› READ_ONLY: a variável não pode ser modificada, apenas lida.
› NO_LABEL: o valor da variável deve ser exibido, ocultando seu Label.
› NO_UNIT: o valor da variável deve ser exibido sem unidade de
engenharia.
A DDL, depois de finalizada e com a garantia de seu funcionamento, é enviada
para a associação Foundation, onde é realizada a conversão do arquivo binário
e disponibilizado para a biblioteca de todos os equipamentos host credenciados
pela associação. Caso não seja encontrado na biblioteca a DDL
correspondente, o host deverá avisar ao usuário e dar a opção de utilizar uma
DDL genérica que contém todos os comandos associados com os comandos
universais. A DDL genérica possibilita o acesso de algumas variáveis de
processo, calibração básica, configuração da escala de trabalho, status de
processo e dados de identificação.
A HART Foundation disponibiliza uma ferramenta computacional chamada DD-
Edit (Figura 20), software para padronizar e facilitar a criação de uma DDL.
Além de esse aplicativo computacional permitir ao desenvolvedor escrever,
testar e analisar erros nos métodos (por meio de Breakpoints), ele permite,
também, simular o equipamento de campo caso não esteja conectado (modo
off-line), com o objetivo de testar a DDL.
Figura 20. Tela Inicial DD-Edit.
Fonte: próprio autor.
Para criar uma nova DD, selecione Projeto NEW, que irá abrir a tela para
seleção do tipo de arquivo, selecione DDL, escolha o nome (normalmente é
utilizada à descrição do produto, aqui chamamos de TESTE) e o local onde
será salvo o projeto.
Figura 21. Criando nova DD.
Fonte: próprio autor.
A próxima tela será para importar o arquivo conforme mencionado acima:
Figura 22. Importando arquivo DD.
Fonte: próprio autor.
Figura 23. Exemplo de arquivo DD.
Fonte: próprio autor.
2
FDT/DTM
FDT (Field Device Tools) foi criado vários anos antes da EDDL, para que o
usuário não precisasse manter as diferentes definições de atributos para cada
dispositivo de campo em uso. O FDT permite que o fornecedor do dispositivo
de campo ofereça um único DTM (Device Type Manager) independente do
Fieldbus a ser usado para um projeto, enquanto o dispositivo host usa um
servidor FDT Framework que se comunica com os DTMs dos dispositivos de
campo.
A maioria dos fornecedores de controle de processo adotaram a FDT,
especialmente aqueles que também suportam o Profibus PA. O FDT/DTM foi
desenvolvido com objetivos semelhantes ao DDL, mas direcionado para a
simplificação do software de engenharia usado para configurar sistemas com
dispositivos de campo inteligentes operando em várias redes diferentes. O FDT
é uma especificação que permite que qualquer dispositivo, seja ele um
instrumento ou um equipamento de rede intermediário, possa ser acessado por
um host independente do protocolo utilizado. O que se deseja é acessar toda a
informação disponível nos dispositivos de campo, sejam eles em tecnologia FF,
Profibus ou Hart para fins de configuração, engenharia, operação, monitoração,
calibração, manutenção e diagnóstico.
DTMs podem ser encarados como fazendo parte dos dispositivos. Eles são
criados pelo fornecedor do equipamento encapsulando todas as estruturas de
dados e procedimentos necessários para a interação host-dispositivo. DTMs
proporcionam todos os diálogos em um formato user-friendly para a interação
com o operador. Esse conceito foi inicialmente criado pela ABB e abraçado
pela Organização Profibus, que é quem oferece hoje a padronização para o
mercado. O padrão FDT utiliza XML e cada interface do componente apresenta
uma certa funcionalidade, como, por exemplo, configuração ou visualização de
valores medidos.
O DTM de um equipamento pode ir evoluindo durante todo o tempo da sua via
útil. Se novas funcionalidades são adicionadas, novas interfaces são definidas.
Tanto os instrumentos como os equipamentos de comunicação intermediários
possuem DTMs. Todos os equipamentos pertencentes a uma arquitetura
necessitam de uma DTM para serem visualizados.
Para auxiliar os desenvolvedores e usuários de instrumentos FF, algumas
empresas desenvolveram ferramentas baseadas em FDT/DTM que podem ser
usadas para informação, configuração, monitoração e visualização de
diagnósticos. Nesse documento, iremos estudar o software FieldMate da
Yokogawa. O software de aplicação FieldMate é uma componente-chave que
sintetiza o conceito de excelência de ativos (AE) da Yokogawa junto com o
Plant Resource Manager (PRM). O FieldMate está disponível nas versões
básicas, que permitem a configuração e ajuste de parâmetros, bem como a
verificação de status de um dispositivo de campo conectando diretamente um
PC instalado no FieldMate a um dispositivo Foundation™ Fieldbus H1. A
versão avançada, por outro lado, tem uma função de gerenciamento de
dispositivos de campo além da funcionalidade da versão básica. Além disso, o
uso de DTMs de comunicação e gateway, descritos mais adiante, permite que
a versão avançada lide com outros protocolos de comunicação, além do HART
e do FF H1, e manipule dispositivos de campo de um tipo diferente da conexão
direta.
Figura 24. Tela inicial.
Fonte: próprio autor.
» Configuração:o FieldMate foi projetado assumindo que ele será instalado
em um notebook (My PC) usado diariamente pelo pessoal de manutenção. O
FieldMate é fornecido com um conjunto completo das versões mais recentes
fornecidas pela HART Communication Foundation ou Foundation Fieldbus,
incluindo as de outros dispositivos de fornecedores. Eles também podem ser
integrados posteriormente. Possui função de gerenciamento de dispositivos de
campo, essa função armazena informações relacionadas à manutenção de
dispositivos de campo, como um banco de dados, e é uma função que facilita a
manutenção do dispositivo de campo. Função de comunicação de campo é
para os dispositivos HART e FF H1, o hardware dedicado pode ser conectado
diretamente a um dispositivo para estabelecer comunicações.
Um arquivo EDD é um dicionário de dados que define os parâmetros do
dispositivo de campo e o método para acessar os parâmetros. Há um longo
histórico de arquivos EDD, e eles estão disponíveis para quase todos os
dispositivos Foundation Fieldbus H1 e HART. Além disso, há uma vantagem
para o fornecedor do host, pois todos os dispositivos de campo podem ser
manipulados de maneira semelhante, usando a mesma IHM. O gerenciador de
parâmetros oferece funções como gerenciamento de valores de parâmetros de
dispositivos de campo, exportação, edição e importação de um arquivo CSV,
comparação de parâmetros entre o dispositivo real e valores armazenados no
banco de dados/arquivo e download diferencial, usando a IHM padronizada
independente do modelo. O FieldMate permite o reconhecimento instantâneo
do dispositivo na conexão e na configuração mais rápida do dispositivo. Para
definir uma função usada com mais frequência para a tela superior e aumentar
a produtividade do trabalho com facilidade de operação.
Além da ferramenta citada acima, podemos utilizar a USB Fieldbus Interface da
empresa Emerson, que é uma interface para comunicação Foundation
Fieldbus, é simples de ser utilizada, basta conectar ao PC ou laptop via USB,
possui as seguintes vantagens:
» use-se no campo ou no banco;
» conecta-se ao AMS Device Manager para diagnósticos preditivos
avançados;
» fornece energia de loop;
» fácil instalação - drivers incluídos;
» inclui comunicação DTM para uso com aplicações de quadros FDT.
A interface Fieldbus USB fornece o link de comunicação para os dispositivos
FF para comissionamento, calibração e solução de problemas. Quando usado
com um computador laptop, a Interface de Fieldbus USB pode ser levada para
o campo e usada como um “visitante” em um segmento de Fieldbus sem
interromper a operação adequada do segmento.
Figura 25. Interface Fieldbus USB.
Fonte: [Link]
[Link].
Quando combinada com o AMS Device Manager, a interface Fieldbus USB
fornece uma poderosa ferramenta de configuração e solução de problemas,
bem como documentação do trabalho na trilha de auditoria do AMS Device
Manager. A interface Fieldbus USB oferece a flexibilidade e a capacidade de
acessar importantes diagnósticos preditivos de seus dispositivos Foundation
Fieldbus no campo ou na oficina de manutenção.
A interface Fieldbus USB pode ser usada em um segmento energizado ou para
alimentar o segmento. O software do utilitário é padronizado para o modo NO
POWER e pergunta se a energia deve ser fornecida pela interface. Isso ajuda a
impedir que você aplique energia acidentalmente a uma rede Fieldbus já
energizada. Ao usar em situações sem energia, como na bancada, a interface
de Fieldbus USB pode fornecer até 85 mA de potência para o segmento
Fieldbus. Você pode conectar a interface diretamente ao dispositivo de campo
sem se preocupar com fontes de alimentação, condicionadores de energia,
terminadores etc. Um indicador LED indica se a energia está sendo fornecida
externamente ou através da interface Fieldbus USB.
Figura 26. Exemplo de conexão com 1 instrumento e com PLC.
Fonte: [Link]
[Link].
O software de interface Fieldbus USB pode ser usado para comissionar
dispositivos FF, incluindo a atribuição de tags de dispositivos. Você também
pode alterar uma classe de dispositivo do Basic para o Link Master. Os
dispositivos Fieldbus são facilmente comissionados, descomissionados e
atribuídos a tags de dispositivos usando uma solução simples. O DTM de
comunicação da interface permite a configuração de dispositivos usando
aplicativos de frame FDT de terceiros e uma biblioteca dos DTMs de
dispositivos da empresa. DTMs de dispositivos adicionais de outros
fornecedores estão disponíveis on-line. Se for necessário um recurso de
gerenciamento de ativos mais abrangente, a interface se conectará
perfeitamente ao AMS Suite da empresa.
Figura 27. Exemplo de conexão com 1 instrumento e com PLC.
Fonte: [Link]
connectivity/foundation-fieldbus/emerson-usb-fieldbus-interface-has.
3
FDI
Por meio da integração de dispositivos, as funções e informações dos
dispositivos podem ser disponibilizadas em um nível mais alto. Ambos,
dispositivos simples e complexos, precisam de integração. A integração
eficiente e economicamente viável de dispositivos requer tecnologia
padronizada e multiprotocolo para que as informações sobre o dispositivo
possam ser disponibilizadas em diferentes fabricantes. No passado, o
desenvolvimento de tal tecnologia uniforme foi inibido por muitos interesses
diferentes de organizações e fabricantes de automação, significando que
diferentes soluções técnicas foram criadas. As soluções atuais – EDDL
(Electronic Device Description Language) em vários formatos e FDT (Field
Device Technology) – têm seus pontos fortes e fracos, mas também se
sobrepõem em grande medida e, portanto, levam a despesas adicionais para
usuários, fabricantes e padronização.
Com o FDI, foi desenvolvida uma tecnologia que combina as vantagens do
FDT com as do EDDL em uma única solução escalável. O FDI leva em conta
as várias tarefas durante todo o ciclo de vida, tanto para dispositivos simples
quanto para os mais complexos, incluindo configuração, comissionamento,
diagnóstico e calibração. Líderes mundiais em sistemas de controle e
fabricantes de dispositivos, como ABB, Emerson, Endress + Hauser,
Honeywell, Invensys, Siemens e Yokogawa, juntamente com as principais
associações FDT Group, Foundation Fieldbus, HART Communication
Foundation, OPC Foundation, PROFIBUS e PROFINET estão apoiando e
impulsionando o desenvolvimento da tecnologia FDI juntos.
Um host FDI pode ser um software de gerenciamento de dispositivos como
parte do controle de processos ou do sistema de gerenciamento de ativos, uma
ferramenta de configuração de dispositivos em um laptop ou um comunicador
de campo portátil. O conceito baseia-se no modelo de arquitetura cliente-
servidor, um servidor fornece serviços que são acessados por vários clientes
(geralmente distribuídos). A arquitetura do FDI é baseada no modelo de
informação usado na Arquitetura Unificada do OPC (OPC UA), que oferece
vantagens como independência de plataforma. O servidor FDI importa pacotes
de dispositivos em seu catálogo interno de dispositivos, facilitando o
gerenciamento das versões dos pacotes, pois eles são gerenciados
centralmente no FDI Server.
Outro conceito de FDT usado no FDI é a comunicação com integração aberta
de gateways e a integração de drivers de comunicação por meio de servidores
de comunicação. No FDI, cada dispositivo é mapeado por meio de um pacote
FDI e integrado a um host FDI, o que se aplica aos dispositivos de
comunicação. Todas as operações e serviços necessários para a comunicação
são descritos e fornecidos em um formato padronizado como parte de um
pacote de comunicação FDI via código EDDL. O servidor FDI cuida da
execução e gerenciamento de todas as tarefas. Dispositivos que são usados
para acesso a redes requerem acesso a recursos de hardware. Isso é
implementado pelo FDI Communication Server.
Unidade 2
Neste capítulo estudaremos
CARACTERÍSTICAS DE CABOS
1
CARACTERÍSTICAS DE CABOS
Para rede FF é utilizado um par de cabos trançados (IEC61158-2), contendo
uma malha de aterramento (Shield) envolvendo-os para que possa haver uma
diminuição nos níveis de ruído. Visando haver um melhor desempenho da rede
Foundation, foi criado um cabo específico com as seguintes características:
Quadro 3.
TIPO A B
Tamanho do cabo 18 AWG 22 AWG
(0,82mm) (0,82mm)
Cobertura do Shield 90% 90%
Atenuação a 39 khz 3db/km 5db/km
Impedância característica a 31,25khz 100Ω±20% 100Ω±30%
Capacitância nominal 78nF/km 78nF/km
Resistência 44Ω/km 112Ω/km
Atraso de propagação máxima entre 0,25fr e 1,7µs/km 1,7µs/km
1,25fr
Fonte: próprio autor.
A norma IEC não determina qual o cabo a ser utilizado, o cabo tipo A é
recomendado a fim de garantir melhores condições de comunicação e
distância. Além do cabo mencionado acima, podemos utilizar outros tipos de
cabos, desde que sejam respeitados alguns parâmetros, conforme descrito na
tabela abaixo.
Quadro 4.
PARÂMETRO CONDIÇÕES TIPO A TIPO B TIPO C TIPO D
Impedância fr (31.25kHz) 100±20 100±30 ** **
característica, Zo,
OHM.
Resistência DC Por Condutor 22 56 132 20
máxima, Ω/km.
Atenuação 1.25fr(39kHz) 3.0 5.0 8.0 8.0
máxima, dB/km
Área da seção 0.8 0.32 0.13 1.25
transversal #18AWG #18AWG #18AWG #18AWG
Capacitância 30m 2 2 ** **
máxima não
balanceada (pF)
Comprimento 1900 1200 400 200
máximo, m
Capacitância 150 150 150
(pF/m)
Atenuação 3 5 5
(dB/km)
Obs.: Os cabos do Tipo C e D, apesar de listados acima, não são recomendados.
Fonte: próprio autor.
Embora a tabela acima mostre o comprimento do cabo, é recomendada a
utilização do fator de segurança para evitar possíveis problemas de
comunicação. A FF lançou a especificação FF-844, que é um descritivo de
utilização dos cabos nos seus diversos tipos. Algumas características devem
ser respeitadas:
» os cabos certificados pela FF devem ser na cor azul (para instalação
onde a instalação é intrinsecamente segura), contendo fitas de poliéster
metalizado com um mínimo de 90% de cobertura;
» proteção ultravioleta para a capa externa;
» o diâmetro externo deve ser respeitado para evitar problemas de
instalação, uma vez que a maioria dos prensa cabo utilizado nos instrumentos
possuem padrão de diâmetro.
Além de especificar os padrões e os diâmetros dos cabos, é de suma
importância manter os padrões os conectores M12 e 7/8’’- 16UN-2ª Thd. Para
validação de uma rede, devem-se somar todas as metragens existentes dentro
da planta, incluindo o cabo tronco as derivações e o spur.
Exemplo de cabo FF:
» FIELDBUS 100Ω BLINDAGEM ELETROSTÁTICA TOTAL EM FITA DE
ALUMÍNIO INVERTIDA
» Condutor: cobre eletrolítico, estanhado, encordoamento classe 2, conforme
NBR NM 280.
» Isolação dos Condutores: Poliolefina sólida (105°C).
» Classe de tensão: 300V.
» Identificação dos condutores: azul e laranja.
» Passo de torção: 50mm.
» Separador total: fita não higroscópica em poliéster.
» Blindagem eletrostática total: fita de alumínio + poliéster, invertida, com
condutor dreno 0,50mm² de cobre estanhado em contato elétrico com a fita de
alumínio.
» Cobertura: policloreto de vinila, tipo PVC ST2 (105° C) com acabamento
cilíndrico na cor laranja ou azul claro para segurança intrínseca, com proteção
UV.
Figura 28. Modelo de cabo FF.
Fonte: [Link]
Neste capítulo estudaremos
SEGMENTOS DE PROTEÇÃO E INSTALAÇÕES
Considerando que o cabeamento de uma rede é formado de alimentação e
comunicação em um único par de fios, devemos prevenir para que em casos
de defeito nos instrumentos não acarrete uma queda de comunicação em toda
a rede. Curto-circuito é um problema comum em qualquer instalação Fieldbus.
Os técnicos de manutenção podem forçar os cabos, a corrosão pode
enfraquecer as conexões e a vibração das bombas e os motores podem
afrouxar os cabos e conectores.
Os projetistas de segmentos devem se preocupar com o que poderia acontecer
a um segmento Fieldbus inteiro se qualquer instrumento entrar em curto-
circuito ou até mesmo se desconectar. É altamente recomendável que os
segmentos incorporem alguma forma de proteção contra curto-circuito de
estímulo, que pode ser ativa ou passiva. A proteção passiva é muito simples e
geralmente fornecida por fusíveis em cada derivação, que se rompem quando
acontecer uma falha (curto-circuito). Isso é barato e muito confiável, mas
requer intervenção manual, pois alguém precisa substituir o fusível queimado.
Os acopladores de dispositivos geralmente fornecem proteção ativa de
explosão em duas formas básicas: “limitação de corrente” e “retrocesso”. Os
tipos de limitação e retrocesso de corrente são redefinidos automaticamente
após a remoção da falha e normalmente incorporam LEDs para indicar o status
de ativação.
A técnica de limitação de corrente limita a quantidade de energia que o curto-
circuito pode obter entre 40 e 60mA (dependente do fornecedor), mas também
mantém essa falha no segmento continuamente. Embora esse design proteja o
segmento do curto inicial, o consumo de corrente adicional do curto pode privar
outros instrumentos do segmento de energia, sobrecarregar a alimentação do
segmento e possivelmente causar falhas catastróficas no segmento. Se os
projetos de limitação de corrente forem usados, assegure-se de que a fonte de
alimentação do seu segmento possa suportar as cargas adicionais.
Como exemplo de proteção, temos um modulo de 8 derivações (FF-FDG-8P)
da empresa Sense Eletrônica Ltda. Esse módulo possui uma proteção de
corrente de 40mA, se um modulo entrar em curto-circuito, é isolado da rede,
impossibilitando que a comunicação da rede “caia” por completo, além de
possuir terminação integrada e led de sinalização por canal. A figura 29 mostra
como é a disposição das derivações.
Figura 29. Exemplo de rede com barreiras de proteção.
Fonte: [Link]
%20Segmento%2
0PA%20e%[Link].
Saiba MaisFechar
Os protetores de segmento são derivadores que incorporam uma proteção eletrônica
contra curto-circuito para cada segmento de rede e suas derivações. Todas as versões
são fornecidas com prensa, cabos e conectores duplo plug-in para a entrada/saída da
rede e conectores plug-in para as derivações (spurs).
» Identificação visual de terminador ativo.
» Identificação visual do spur em curto rápido de detecção da falha.
» Perda apenas do equipamento em curto.
» A rede se mantém mesmo com múltiplos curtos.
ARQUITETURA COM INSTALAÇÃO FISCO E REDUNDÂNCIA
1
ARQUITETURA COM INSTALAÇÃO FISCO E REDUNDÂNCIA
O termo FISCO (Conceito Intrinsecamente Seguro FieldBus) vem para
controlar a energia do barramento e para evitar uma explosão, levando-se em
conta a variação das características do cabo (R', L', C') e terminadores,
atendendo categorias e grupos de gases com uma simples avaliação da
instalação.
Foi baseado em tentativas reais de campo e experimentos feitos pelo PTB
(Physikalisch-Technische Bundesanstalt). Uma vez que esse padrão
IEC60079-15 é baseado em experimentação, todas as instalações devem
operar dentro dos limites nos quais foram experimentados.
As principais vantagens do FISCO, são:
» maior corrente de barramento, permitindo mais dispositivos de campo por
segmento;
» eliminação de cálculos de parâmetros de cabo;
» simplificação da documentação de segurança – apenas uma lista de
dispositivos;
» adição de novos dispositivos sem revisar o caso de segurança.
Fontes de alimentação, terminadores, cabos e instrumentos para uso em
sistemas FISCO devem cumprir alguns requisitos, como tensão entre 14 a 17,5
VDC, deve estar de acordo com a IEC 60079-11, porém não excedendo a
corrente de 380 mA, o comprimento do cabo de um sistema é limitado em
1.000 metros no caso de gases do grupo IIC A e B e 1.900 metros no caso dos
grupos IIB C e D (determinado pela norma FF-831). O máximo de comprimento
de cabo para um spur é de 60 metros, podendo ser até 120 metros,
respeitando os cálculos estipulados pela IEC 60079-27 em todo o segmento.
Além desses mencionados, devem ser verificados os itens do quadro abaixo.
Quadro 6. Parâmetro FISCO.
EEx ia IIC (Grupos A- EEx ib IIB (Grupos C,
D) D)
CABLE
Loop resistance R‘ 15 - 150 Ω/km
Loop inductance L‘ 0.4 - 1 mH/km
C' = C'conductor/conductor + 0.5 C'conductor/screen if the bus circuit is potential-free
(balanced)
C' = C'conductor/conductor + 0.5 C'conductor/screen if the bus circuit is potential-free
(balanced)
FIELD DEVICE
Ui 17.5 V min.
Ii 380 mA min.
Pi 5.32 W min.
Classification EEx ia IIC or Ex ib IIC (Groups A-D), T4
Maximum number of field devices 32
Internal capacitance 5 nF max.
Internal inductance 10 µH max.
TERMINATOR 90 – 102 Ω 0.8µF - 1.2µF (limited by FF specification)
Fonte: [Link]
[Link].
Quando os componentes individuais tiverem sido projetados e certificados de
acordo com esses requisitos e contiverem a marcação FISCO, poderão ser
montados sem a aprovação adicional. O critério para tal interconexão é que a
tensão (Ui), a corrente (Ii) e a potência (Pi) que o aparelho intrinsecamente
seguro pode receber e ainda permanecer intrinsecamente seguro,
considerando falhas, devem ser iguais ou maiores que a tensão (Uo ), a
corrente (Io) e a potência (Po) que pode ser fornecida pelo aparelho associado
(fonte de alimentação). Além disso, a capacitância residual máxima
desprotegida (Ci) e a indutância (Li) de cada aparelho (exceto os terminadores)
conectado ao barramento de campo deve ser menor ou igual a 5nF e 10µH,
respectivamente.
1
TERMINADORES
Cada segmento FF deve ter dois terminadores instalados nos extremos do
cabo tronco (rede principal) para evitar reflexões. Quando um sinal trafega por
um cabo e encontra uma descontinuidade, como um circuito aberto ou curto,
produz uma reflexão. A parte do sinal que ecoa da descontinuidade e viaja na
direção oposta gera uma forma de ruído que distorce o sinal. A solução para
essa reflexão são os terminadores.
O terminador consiste em um circuito em série formado por um capacitor de
1µF e um resistor de 100Ω.
Figura 30. Terminador.
Fonte: próprio autor.
Alguns instrumentos de campo podem ter terminadores incorporados. Esses
terminadores podem ser permanentemente instalados, ligados ou desligados
usando uma chave On/Off, ou com apenas um jumper. Os usuários não devem
fabricar seus próprios terminadores, de acordo com esse diagrama, uma vez
que a maioria das plantas FF está instalada em áreas altamente explosivas.
A falta de terminador pode aumentar o sinal em 70% e o excesso, isto é, um
terminador a mais, pode atenuar o sinal em 30%, abaixo segue o detalhamento
dos sinais de comunicação, mostrando a ausência e o excesso dos
terminadores.
Figura 32. Formas de ondas típicas do H1 de acordo com a terminação.
Fonte: [Link]/PDFs/Manuals/[Link].
Figura 33. Forma de onda sem terminador BT ativo.
Fonte: adaptada de [Link]/PDFs/Manuals/[Link].
Figura 34. Forma de onda com mais de 02 BT ativo.
Fonte: adaptada de [Link]/PDFs/Manuals/[Link].
Figura 35. Forma de onda BT correto.
Fonte: adaptada de [Link]/PDFs/Manuals/[Link].
Figura 36. Posição dos terminadores nas topologias árvore ou estrela e
barramento.
Fonte: adaptada de [Link]/PDFs/Manuals/[Link].
CONCEITO FNICO
1
CONCEITO FNICO
Embora concebidos para circuitos Fieldbus intrinsecamente seguros, os
princípios do FISCO podem ser aplicados com benefícios iguais aos circuitos
de barramento em áreas da Zona 2 e Divisão 2, onde o risco de explosão é
esperado somente em circunstâncias anormais. O tipo de proteção “n” para a
Zona 2 e a proteção não inflamável para a Divisão 2 são técnicas bem
estabelecidas, e é para isso que o FNICO (Fieldbus Non-incendive Concept) –
o Conceito Não Incendiável da Fieldbus – tem sido aplicado.
A FNICO, portanto, traz os benefícios da FISCO para a da Zona 2 e Divisão 2,
e explora os requisitos em termos de fatores de segurança, tensão e corrente.
O conjunto de regras resultantes tem a mesma facilidade do FISCO, com ainda
mais energia disponível para o tronco do Fieldbus. Os principais benefícios do
FISCO que são transferidos automaticamente para o FNICO são os seguintes:
» avaliação de segurança simples;
» a documentação de segurança é reduzida a uma lista de dispositivos;
» novos dispositivos podem ser adicionados sem reavaliar o caso de
segurança;
» eliminação dos cálculos dos parâmetros do cabo, desde que o cabo
cumpra com um requisito mínimo de resistência, capacitância e indutância por
unidade de comprimento.
O FNICO também tem os seguintes benefícios adicionais quando comparado
com o FISCO:
» Níveis mais altos de corrente disponível para a fiação de campo,
permitindo que mais dispositivos de campo sejam conectados ao tronco da
área de risco.
» Uma escolha mais ampla de aprovações de dispositivos de campo. Os
dispositivos podem ter qualquer uma das seguintes aprovações: ExnL, não
incendiável, IS (entidade) ou IS (FISCO).
» Regras para estabelecer compatibilidade de segurança entre os
dispositivos de campo e a fonte de alimentação Fieldbus.
Os requisitos para os sistemas FNICO estão agora contidos na IEC 60079-27,
que foi publicada como um padrão completo em abril de 2005.
O padrão inclui FISCO e FNICO, com base em uma decisão do comitê técnico
para manter os dois conceitos de Fieldbus em um documento e substituir a
especificação técnica FISCO anterior.
Outra grande vantagem da abordagem de não incendiável é que a
classificação de temperatura é determinada em operação normal. Ao
considerar dispositivos de campo não inflamáveis, a classificação de
temperatura é determinada pelo consumo de energia do dispositivo e é
independente da energia disponível da fonte. Da mesma forma, a corrente
relevante é a corrente consumida pelo dispositivo e não a corrente de
alimentação disponível.
Como os Fieldbuses devem ser capazes de adicionar ou desconectar
instrumentos sem perder dados ou cortar energia, certificá-los em uma área
perigosa precisa permitir alguma atividade na fiação elétrica. Embora o termo
“não incendiável” seja comumente aplicado a técnicas gerais de fiação para a
Divisão 2, usá-lo na FNICO significa especificamente “limitado pela energia” da
mesma forma que para segurança intrínseca. Isso é diferente dos circuitos
"não arqueados" da Divisão 2, que não permitem centelhamento ou faíscas.
Circuitos com energia limitada podem ser trabalhados ao vivo, enquanto
estiverem sob energia e na presença de uma atmosfera inflamável. Isso se
justifica porque a operação normal inclui abertura, curto-circuito e aterramento
da fiação de campo. Não incendiário, difere da segurança intrínseca no fator de
segurança aplicado e consideração de falhas. Consequentemente, os circuitos
de Fieldbus FNICO podem ser abertos, em curto ou aterrados sem risco de
ignição e sem a necessidade de monitoramento de gás. Além disso, essa
mesma regra se aplica ao tronco e às derivações, de modo que não é
necessário aplicar procedimentos de manutenção diferente e potencialmente
confusos a diferentes partes do circuito de campo.
Os principais componentes da camada física de uma instalação típica da
FNICO são:
» fonte de alimentação;
» cabos;
» terminação;
» instrumentos Fieldbus.
Em casos simples, a fonte de alimentação FNICO está localizada na interface
entre as áreas seguras e perigosas. As conexões ao sistema de controle do
host são feitas em seus terminais de “área segura” e as do tronco de campo
ocorrem em seus terminais de “área perigosa”. Ele combina as funções
necessárias para comunicações confiáveis do Fieldbus, que são definidas
pelos padrões apropriados do Foundation Fieldbus, com as de uma interface
limitada por energia. Isso é semelhante à construção de uma barreira IS na
saída de uma fonte de alimentação Fieldbus, embora, nesse caso, a barreira
atenda somente aos requisitos da Divisão 2. Tensão, corrente e potência
disponível na saída da fonte e o número de instrumentos de campo que podem
suportar, são determinados pelo Gas Group para o qual foi projetado.
Uma fonte de alimentação típica da FNICO incorpora uma função de
repetidora, conexões para entrada de alimentação de 24 V CC e um terminador
comutável. Se instalado em um gabinete adequado, ele pode ser localizado em
uma área classificada da Divisão 2, o que adiciona flexibilidade e permite
topologias mais complexas.
Da mesma forma, os cabos do sistema FNICO são definidos pelos requisitos
operacionais normais da Foundation Fieldbus H1 e pelas considerações de
armazenamento de energia necessárias para a segurança. No entanto,
nenhum dos dois impõe uma carga onerosa. Operacionalmente, cabos
aceitáveis para instalações em área segura podem ser usados. Esses podem
incluir tipos especiais para Fieldbus e, com algumas limitações de
comprimento, cabos existentes de instalações analógicas.
As restrições de segurança para os cabos FNICO são as mesmas que as para
a FISCO e são atendidas pela maioria dos tipos de cabos convencionais.
Enquanto isso, o crescimento do Fieldbus levou à introdução de hubs de fiação
especialmente projetados. Esses são geralmente módulos com conexões pré-
determinadas de troncos e ramais, possivelmente embutidos em uma caixa de
junção montável em campo. Isso economiza tempo de instalação e evita a
complexidade de montar uma unidade equivalente a partir de terminais
montados em trilho DIN. Em um sistema FNICO, os requisitos são simples, o
hub de fiação e seu gabinete devem ser adequados para a Divisão 2 e
apropriados para seu ambiente instalado. Isso não é difícil porque os
componentes de fiação aprovados estão disponíveis para instalação em uma
caixa de junção de escolha do usuário. Notavelmente, gabinetes à prova de
explosão não são necessários na Divisão 2.
Por fim, a FNICO se beneficia de regulamentações para áreas de perigo
anormal ou não frequente, usando instrumentos Fieldbus certificados pela IS.
Basicamente, os instrumentos de SI podem ser usados em um sistema FNICO.
A caixa de segurança é feita facilmente porque um instrumento IS é projetado
para ser seguro na Zona 1 ou 0 e, portanto, excede quaisquer requisitos de
construção para a Divisão 2. Ela possui valores máximos de tensão de entrada,
corrente e potência que não devem ser excedidos. A fonte de alimentação
FNICO tem valores equivalentes atribuídos à sua saída. Os sistemas FNICO
podem, portanto, ser montados usando dispositivos certificados pela IS, e
dispositivos com a aprovação “Entity” e FISCO podem ser usados.
DART (DYNAMIC ARC RECOGNITION AND TERMINATION)
1
DART (DYNAMIC ARC RECOGNITION AND TERMINATION)
A tecnologia DART permite a segurança intrínseca de um circuito elétrico com
uma maior potência durante a operação normal. No caso de uma condição
indesejada e potencialmente ameaçadora, como a abertura ou fechamento do
circuito elétrico, a tecnologia DART coloca o circuito em um estado seguro
antes que os níveis críticos sejam atingidos. Uma faísca causada pela abertura
ou fechamento de um circuito elétrico tem uma mudança de corrente e tensão
muito característica e facilmente detectável. Essa alteração é detectada pela
tecnologia DART e o circuito é desligado em apenas alguns microssegundos
(µs). Assim, mesmo em níveis de potência mais elevados, as faíscas nunca se
tornam incendiárias. Em circuito com longos comprimentos de cabo, o DART
tem que levar em conta o tempo requerido para a mudança na corrente
causada por uma falha, quanto mais longo for o cabo, mais curto será o tempo
disponível para a detecção da falha. A energia liberada é determinada pela
potência convertida no ponto da falta integrada ao longo do tempo até a
desconexão efetiva. Os seguintes parâmetros físicos são os responsáveis por
isso:
» a potência, determinada pela tensão de alimentação e pela corrente de
carga;
» o tempo, compreendendo o atraso de propagação do sinal no cabo e o
tempo de reação da fonte de alimentação;
» a energia armazenada no cabo de conexão;
» o comportamento da carga.
A tecnologia DART utilizada em uma rede Foundation Fieldbus é também
conhecida no mercado como barreira de campo, várias empresas
comercializam equipamentos com está tecnologia, empresas como: Sense
eletrônica Ltda, Pepperl Fuchs, Nova Smar etc. Aqui, iremos apresentar a
barreira de campo da empresa Sense Eletrônica Ltda, modelo FF/PA-FDG-4B-
P12-P12-Ex. Como o próprio nome já diz, é uma barreira comum para a rede
Foundation Fieldbus e para a Rede Profibus PA.
Figura 37. Protetor de segmento.
Fonte: adaptada de [Link]
O processo de instalação é simples, a figura 37 mostra uma caixa com presa
cabo na lateral (entradas e saídas dos cabos), onde os dois superiores são
utilizados para a entrada e saída do cabo tronco (cabo principal). Para conectá-
lo à rede, iremos “romper” o cabo tronco (Figura 38) e conectar as duas
extremidades em um conector duplo (Figura 39), isso se faz necessário para
que possamos conectar algumas barreiras em todo o seguimento sem que haja
interrupção na comunicação em caso de uma possível manutenção.
O restante dos prensa-cabos são as derivações, onde iremos conectar nossos
instrumentos (spurs). Para cada ponto, podemos conectar um instrumento com
carga máxima de 40mA (Figura 40), esse ponto possui um sistema DART que
irá proteger o segmento de falhas causadas pelo instrumento. Isto é, se um
instrumento entrar em curto-circuito, o sistema reduzirá a potência e não
permitirá que haja centelhas e protegerá o cabo tronco para que o segmento
não perca a comunicação.
Figura 38. Conexão do cabo tronco.
Fonte: adaptada de [Link]
Figura 39. Conexão do cabo tronco.
Fonte: adaptada de [Link]
Figura 40. Exemplo de conexão FF com barreira.
Fonte: adaptada de [Link]
Grande parte das barreiras de campo possuem internamente terminações que
podem ser ligadas conforme necessidade e seguindo as regras conforme
mencionado no capítulo 4 – terminadores.
TESTES E INSTALAÇÃO DOS CABOS
É sugerida a utilização de terminais de desconexões (marshaling) em toda a
rede Foundation Fieldbus durante o processo de instalação, esses pontos irão
permitir a verificação de cada segmento, podendo garantir que o aterramento, a
isolação e a alimentação estarão corretas para serem comissionadas. Para
verificação de um cabeamento de rede, será necessário medir e analisar
algumas características fundamentais para uma boa comunicação, tais como
resistência, capacitância e tensão.
Conforme a Norma IEC60.227, alguns limites de isolação dos cabos devem ser
respeitados. Para cabos que podem operar com tensão de 300V, devem ser
testados com tensão de 1000VAC por 1 minuto (essa tensão deve ser aplicada
entre os dois condutores e também entre um condutor e o shield – blindagem),
para cabo que operar com tensão de 500V dever ser aplicado uma tensão de
1500VAC por 5 minutos. Para os testes de isolação, é utilizado o equipamento
Megohmetro (Megger).
Obs.: Antes de verificar as medições, certifique-se quer essas estejam
concluídas e que as derivações estejam conectadas, é importante que nenhum
dispositivo de campo (instrumento) esteja conectado à rede (isso irá alterar os
valores de resistência e capacitância).
Valor de resistência:
» “+” (positivo) para “-“ (negativo) a resistência deve estar > 50KΩ;
» “+” (positivo) para “shield” (drain) a resistência deve estar > 20MΩ;
» “-” (negativo) para “shield” (drain) a resistência deve estar > 20MΩ;
» “+” (positivo) para “aterramento” a resistência deve estar > 20MΩ;
» “-” (negativo) para “aterramento” a resistência deve estar > 20MΩ;
» “shield” (drain) para “aterramento” a resistência deve estar > 20MΩ.
Valor de capacitância:
» “+” (positivo) para “-” (negativo) a capacitância deve estar de 0.80 to 1.20
µF;
» “+” (positivo) para “shield” (drain) a capacitância deve ser < 300 nF;
» “-” (negativo) para “shield” (drain) a capacitância deve ser < 300 nF;
» “+” (positivo) para “aterramento” a capacitância deve ser < 300 nF;
» “-” (negativo) para “aterramento” a capacitância deve ser < 300 nF;
» shield” (drain) para “aterramento” a capacitância deve ser < 300 nF.
A prática de boa instalação sugere que separemos os tipos de cabos elétricos
por uma razão de segurança, pois um instalador pode acidentalmente vir a
manusear em um cabo de alta tensão esperando ser de baixa tensão e
também pode ajudar a minimizar os efeitos de EMC (acoplamento
eletromagnético) entre os condutores.
A IEC 61000-5-2:1997 compatibilidade eletromagnética: Diretriz sobre
instalação e Diminuição de Ruídos define diferentes tipos de classes para
diferentes tipos de cabos baseada nos níveis de energia.
Tipos de classes:
» Classe1: a classe 1 é dividida em Classe 1A e 1B onde 1A estão os
cabos que carregam sinais analógicos (transdutores de saída em milivolts e
alimentadores de Antenas receptoras de rádio) e para 1B estão os cabos de
comunicação para alta velocidade, tais como Ethernet.
» Classe 2:para cabos onde trafegam sinais levemente sensíveis, como
comunicações digitais analógicas comuns (4-20mA, 0-10Ve sinais abaixo de
1MHz, RS422, RS485) e entradas e saídas digitais.
» Classe 3:para cabos onde trafegam sinais de leve interferência, tais
como distribuição AC de baixa voltagem (< 1KV) ou energia DC (energia de
telecomunicações de 48V).
» Classe 4:para cabos onde trafegam sinais de forte interferência, incluindo
todas as entradas e saídas de energia para drives de motores e conversores
de energia. Além de se aplicar aos cabos associados a soldadores elétricos,
equipamentos de RF, motores AC/DC, e equipamentos similares que
apresentam ruído.
» Classe 5 e 6: são reservadas para cabos de média e alta voltagem.
Obs.:Devemos trabalhar com distância de no mínimo 30 mm entre os cabos de
diferentes classes. Se houver cabos de inversores de frequência ou outra fonte
de potencial muito ruidosa, a distância deve ser o dobro da especificada acima.
ATERRAMENTO
1
ATERRAMENTO
Neste capítulo, trataremos a respeito de aterramento, blindagem e os possíveis
danos que eles podem causar em uma instalação. Esses itens são
fundamentais para que se tenha um bom nível de comunicação, é comum
encontrar plantas com instrumentos que, de tempos em tempos, perdem a
comunicação, o que chamamos de intermitência da planta, em muitos casos,
entorno de 50% dessa intermitência é causada pela falta de aterramento ou
blindagem conectada em pontos inadequados.
A instalação inadequada do aterramento pode propiciar a entrada de ruídos na
comunicação, atrapalhando a integridade dos dados. O ruído é um sinal
elétrico indesejado que altera o sinal de verdadeiro, podendo ser fonte
geradora de um sinal na rede FF muito além do suportado pelos instrumentos,
causando, assim, danos irreversíveis ao instrumento. O ruído pode ser gerado
por motores, inversores de frequência, motores de alta potência, soldas
elétricas e fornos de indução. Como fonte de ruído, além dos citados acima,
podemos ter:
» a EMI (interferência eletromagnética);
» a RFI (interferência de radiofrequência);
» caminhos de fugas nos terminais de entradas dos equipamentos;
» arcos;
» 60Hz;
» etc.
O ruído pode ser modo-comum ou modo-diferencial.
Figura 41. Modo-Comum e Modo-Diferencial.
Fonte: adaptada de [Link]
emc/01-s-emc/6899.
Clique sobre os números abaixo:
12
O aterramento é o ponto onde se cria um caminho de baixa resistência para a
circulação de corrente que está entre o circuito elétrico e o terra. A função do
aterramento é a proteção para o modo-comum e para tensões altas (evite
LOOP de terra, pois é potencialmente perigoso).
O aterramento é um ponto crítico para todo projeto de instrumentação e
controle. Para a rede FF, o shield deve ser conectado a dois pontos, na CPU
(Entrada da Rede) e no final da Rede. É fundamental que toda a malha esteja
conectada entre si, em muitos casos as caixas de junção possuem um conector
de 3 vias onde “entramos e saímos” com o cabo tronco, é importante verificar
que a conexão nesses pontos estejam bem-feitas. Uma simples falha na
conexão (aperto inadequado dos conectores) pode causar perda de
comunicação e indução de ruído entre os segmentos.
Quando houver alguma diferença de potencial entre os pontos de aterramento,
permitindo a ocorrência de uma corrente de LOOP, é recomendado que o
ponto de aterramento seja único. Nesse caso, o aterramento do instrumento é
conectado ao aterramento da planta em um único lugar, na fonte de
alimentação ou na barreira de segurança intrínseca. É recomendado que o
shield do cabo FF seja aterrado junto ao gabinete do sistema de controle. Em
um instrumento de campo, a blindagem do cabo não deve ser conectada ao
aterramento do instrumento ou ao chassi.
SUPRESSOR TRANSIENTE
1
SUPRESSOR TRANSIENTE
Sempre que se tem uma distância efetiva maior que 100 m na horizontal ou 10
m na posição vertical entre dois pontos aterrados, recomenda-se o uso de
protetores transitórios, nos pontos inicial e final da distância. Na horizontal, seu
uso é recomendado entre 50 e 100 m. O protetor de transiente deve ser
instalado imediatamente após o PSI, antes de cada dispositivo e, também, na
caixa de junção. Em áreas classificadas, recomenda-se o uso de protetores
certificados.
Figura 42. Modelo de instalação de supressor de transiente.
Fonte: adaptada de [Link]
de-aterramento-blindagem-ruidos-interferencias-reflexoes-repetidores-e-muito-
mais.
Um circuito supressor de transiente é um circuito que pode proteger
componentes eletrônicos de transientes, que são picos de tensão, podendo ser
ocasionados por uma variedade de fatores, como raios, arcos de chave e arco
do motor. Os transientes podem ser muito prejudiciais e perigosos para um
circuito, pois podem eliminar componentes eletrônicos sensíveis. Muitos tipos
de componentes eletrônicos serão completamente destruídos se expostos a
picos de tensão, porque eles são muito sensíveis a eles.
Portanto, devemos suprimir tensões transientes e desviá-las para o terra e para
longe da eletrônica. Esse circuito TVS suprime transientes sempre que eles
ocorrem em um circuito e, em seguida, desvia o excesso de energia para o
terra, de modo que os componentes eletrônicos sensíveis do circuito não sejam
danificados ou destruídos por eles.
E construir um circuito de TVS é simples. Apenas alguns componentes
eletrônicos são necessários para isso. Para construir um circuito TVS, apenas
colocamos o supressor de tensão transiente em paralelo à carga ou circuito
que queremos proteger. Sempre que a tensão de entrada atingir certo limite, o
supressor de TVS entrará em vigor e desviará o excesso de energia acima
desse ponto limite para o terra e para longe de todos os componentes.
1
FONTE DE ALIMENTAÇÃO
Em termos de requisitos de energia nos segmentos, FF e PA são idênticos:
» tensão mínima de operação do dispositivo de 9V;
» tensão de barramento máxima de 32V.
A alimentação requerida pelos dispositivos no barramento é normalmente
fornecida por uma fonte de alimentação de barramento de campo ou
“condicionador de energia”, que evita que o sinal de comunicação de alta
frequência seja curto-circuitado pelos reguladores de tensão. Os
condicionadores de potência típicos disponibilizam 350 a 500mA no
barramento e geralmente incorporam isolamento para evitar interferência
cruzada de segmento a segmento.
Figura 43. Modelo de fonte disponível no mercado.
Fonte: [Link]
As fontes de alimentação podem falhar, por isso, geralmente é uma
aconselhável especificar fontes de alimentação redundantes (uma unidade
pode continuar fornecendo energia quando a outra falhar), podendo ser
“trocada a quente” (uma nova pode ser substituída sem desligar o segmento), e
possui algum tipo de alarme que notifica a manutenção ou as operações
quando ocorre um defeito.
A escolha da fonte de alimentação deve ser de acordo com as especificações
determinadas na execução do projeto, envolvendo comprimento do cabo,
quantidade de carga instalada (instrumentos), dentre outros fatores. Para
auxiliar, seguem algumas informações:
Clique sobre os números abaixo:
123
456
Como regra geral, quando vamos especificar um instrumento para a rede FF
devemos usar o valor de corrente de 20 mA, a maioria das instalações não
utiliza mais que 12 instrumentos em um segmento para evitar que haja perda
de medições (não é limitação física). A corrente de carga em uma rede pode
chagar a 240 mA, mais um valor de 10 mA para adicionar um equipamento de
diagnóstico e aproximadamente 50 mA de aumento de carga na atuação de
proteção contra curto-circuito. O ideal de demanda para a corrente de um
segmento FF é de 300 mA (12 instrumentos x 20mA + 60 mA de proteção e
diagnóstico).
Outro cálculo importante para a definição de uma fonte de alimentação é a
queda de tensão em todo o cabo. Para o cálculo, devemos considerar o
mínimo de tensão exigida por instrumento, que é de 9V. Como exemplo, vamos
utilizar o cabo do Tipo A que possui uma resistência nominal de 50 Ohms/km,
considerando o pior caso, 1.900 metros, teremos o seguinte cálculo:
Utilizando a lei de Ohm V=IR (V= tensão // R = Resistência // I= Corrente).
Para cálculo iremos utilizar a resistência geral do sistema de 100 ohm.
∆V = 300mA x 100 ohm
∆V = 3V
É importante especificar a fonte de alimentação sempre com um valor um
pouco acima do calculado, devido às variações que podem ocorrer no meio
físico. O próprio cabo pode sofrer alterações de resistência devido ao ambiente
de trabalho passar por elevações de temperatura durante o processo, isso
acarretará uma queda de tensão ainda maior, podendo assim ter perdas de
comunicação dos instrumentos.
Devemos considerar que em muitas redes são utilizadas barreiras Fieldbus.
Essas, por sua vez, possuem transformadores e vários componentes que
transformam a alta energia do cabo tronco em baixa energia para alimentar os
instrumentos que estão em áreas intrinsecamente seguras. Essas barreiras
possuem o consumo em torno de 250 mA, suportando no máximo 4
instrumentos. Considerando nossa rede de 12 instrumentos, o tamanho
máximo do condicionamento de energia não deve exceder os 750 mA.
Saiba MaisFechar
Noções básicas sobre o significado de “segurança intrínseca”
Figura 44. Área classificada.
Fonte: adaptada de [Link]
[Link].
O fogo é um perigo em muitos setores. Às vezes, o
risco é evidente, como quando gases inflamáveis,
como hidrogênio e gás propano, estão sendo
produzidos ou manipulados, mas em outras situações
é menos óbvio. Em particular a poeira, que muitas
vezes pode ser altamente combustível.
O fogo precisa de combustível, oxigênio e uma fonte
de ignição. Poeiras, vapores e gases inflamáveis
fornecem o combustível, o oxigênio está presente na
maioria dos ambientes e a ignição pode vir de uma
faísca ou superfície quente. Qualquer fogo é perigoso,
mas em casos mais extremos, a combustão é tão
rápida que chega a causar explosão. A OSHA tem
muitos relatos de incêndios e explosões devastadores
em uma ampla gama de setores.
A prevenção de incêndios e explosões é prioridade
máxima, já que nenhuma empresa ou organização
pretende ser responsável por causar mortes. Além
disso, as sanções financeiras diretas por tais eventos
– multas punitivas e aumento nos prêmios de seguro –
podem inviabilizar uma operação antes bem-sucedida.
Engenheiros que precisam instalar equipamentos em
áreas onde o fogo é um risco, têm duas opções:
empregar técnicas à prova de explosão ou adotar uma
abordagem de projeto com “segurança intrínseca”
(ambas não são mutuamente exclusivas). O White
Paper da OMEGA Engineering responde à pergunta:
“O que é a Segurança Intrínseca?” As seções
individuais abordam:
o
noções básicas sobre Segurança
Intrínseca (SI);
escolha do transdutor de pressão ou
elemento de carga correto para um
ambiente com SI;
considerações sobre instalação e gestão
de risco;
P&R gerais.
Fonte: [Link]
[Link].
A fonte de alimentação normalmente possui saída de 24Vdc, podendo operar em
modo redundante e deve possuir sinalização de falhas e proteções contra surtos,
transientes e curtos-circuitos. Como exemplo de fonte, podemos citar a DF52 da Smar,
que é uma fonte de alimentação D de segurança não intrínseca, com uma entrada AC
universal (90 a 264 Vac, 47 a 63 Hz ou 127 a 135 Vdc) e uma saída de 24Vdc isolada,
com proteção contra sobrecorrente e curto-circuito, além de indicação de falha.
Figura 45. Modelo de fonte H1.
Fonte: [Link]
foundation-profibus-pa.
CERTIFICAÇÃO DA COMUNICAÇÃO FOUNDATION FIELDBUS
Uma vez que todos os instrumentos estão conectados e a comunicação entre
eles e o Host foi estabelecida, precisamos agora confirmar a integridade do
sinal Foundation Fieldbus, podemos executar essa importante tarefa por meio
das ferramentas de diagnóstico já apresentadas anteriormente. Além de
realizarmos a verificação da integridade do sinal, devemos gravar e arquivar
essas informações para acompanhamento futuro da instalação. Essa atividade
deve ser feita periodicamente (em um prazo pelo menos anual) ou na
ocorrência de algum problema de comunicação entre o Host e algum
instrumento de um determinado segmento.
Além das informações sobre a frequência do sinal Fieldbus como nível de
tensão do sinal, desbalanceamento, tempo de subida e descida e ruído,
devemos dar atenção especial para a forma de onda, pois essas ferramentas
geralmente possuem a função de osciloscópio. Caso a ferramenta em uso não
tenha essa função, podemos utilizar um osciloscópio de boa qualidade. A
captura e análise da forma de onda indica a qualidade do sinal e pode indicar o
início de ocorrência de um problema de comunicação que irá acontecer se o
sinal continua a se degradar. Os arquivos em papel ou digital são parte
integrante da certificação de cada segmento e fazem parte do serviço que
antes da partida da Planta nos dará uma certeza que os segmentos estão com
uma comunicação estável e confiável.
É aconselhável que após a partida da planta e a estabilização da operação,
seja feita uma segunda certificação dos segmentos, pois somente com a planta
operando é que poderemos verificar o comportamento no mundo real da
comunicação. Essa verificação deve ser então comparada com a verificação
que foi feita antes da partida, para então analisar as possíveis degradações da
qualidade do sinal e procurar os pontos que estão causando a perda de
qualidade do sinal.
Na figura 46, podemos observar uma forma de onda Foundation Fieldbus de
boa qualidade, embora tenhamos um pouco de ruído nos picos da onda, o que
é perfeitamente aceitável, pois é praticamente impossível obtermos uma forma
de onda ideal quando a planta está operando.
Figura 46. Sinal Foundation.
Fonte: próprio autor.
Na figura 47, podemos observar que temos uma variação na base da
frequência da forma de onda e uma variação da amplitude do sinal, também
notamos que o sinal está desbalanceado. As causas mais comuns dessas
ocorrências podem ser: ruído de alta frequência ou problemas na qualidade do
aterramento.
Figura 47. Sinal desbalanceado.
Fonte: próprio autor.
A forma de onda da figura 48 apresenta variações que podem ter sido
causadas por distúrbios na corrente de alimentação de carga elétrica, como
motores alimentados por inversores de frequência, podendo ser também
introduzidos na comunicação da frequência Fieldbus via sistema de
aterramento não confiável.
Figura 48. Sinal com variação de corrente elevada.
Fonte: próprio autor.
A forma de onda FF, abaixo, se mostra completamente distorcida. Nesse caso
foi devido à influência de carga indutiva e seus respectivos campos
eletromagnéticos, induzindo certa quantidade de ruído no tronco. O terminador
no final do cabo não havia sido instalado, portanto, devemos sempre lembrar
que o efeito antena somente é minimizado se instalarmos corretamente o
terminador no final de cada segmento. Esse mesmo efeito pode acontecer
quando se instalam derivações com uma distância que não seja recomendada
pela Norma IEC61158.
Figura 49. Sinal com influência de carga resistiva.
Fonte: próprio autor.