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Mansão Plumaradams: Mistérios e Memórias

A Mansão Plumaradams é uma estrutura peculiar e enigmática, com três andares que desafiam a simetria e uma atmosfera de mistério, onde o tempo parece não seguir seu curso habitual. O interior da mansão é repleto de detalhes intrigantes, como o Teatro Esquecido, que revive memórias passadas, e a Biblioteca, onde o tempo se acumula e os livros têm vontade própria. Cada ambiente, desde a Sala de Estar até o hall principal, reflete uma fusão de emoções e histórias, criando uma experiência única e quase mágica para quem a visita.

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Mansão Plumaradams: Mistérios e Memórias

A Mansão Plumaradams é uma estrutura peculiar e enigmática, com três andares que desafiam a simetria e uma atmosfera de mistério, onde o tempo parece não seguir seu curso habitual. O interior da mansão é repleto de detalhes intrigantes, como o Teatro Esquecido, que revive memórias passadas, e a Biblioteca, onde o tempo se acumula e os livros têm vontade própria. Cada ambiente, desde a Sala de Estar até o hall principal, reflete uma fusão de emoções e histórias, criando uma experiência única e quase mágica para quem a visita.

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# Mansão Plumaradams

A Mansão Plumaradams é um ser disfarçado de lar. Erguida, ou talvez brotada, das


entranhas geladas de um colina esquecida pelo tempo, sua estrutura de três andares
desafia a simetria como obedecesse a um arquiteto bêbado. As paredes de madeira
escura respiram com um vapor tênue que paira sob noites úmidas, e suas vigas de
cobre e metal escuro, curvas, nodosas, retorcidas como costelas da Mob Dick (uma
balei pra vc q n sabe), sustentam um torre imponente e completamente sustentável ao
sul da casa e outra torta que se inclina levemente quase como estivesse prestes a
cair localizada mais ao norte da mesma, como se tentasse ouvir os sussurros do mar
distante.
Há uma sensação de que a mansão foi montada a partir de lembranças fragmentadas de
construções diferentes (que no caso foi praticamente isso): a entrada se projeto
como um bico de uma mascara de médico da peste, com uma janela oval vertical no
topo que brilha por dentro sem fonte de luz visível. As outras janelas piscam ou
ofegam suavemente em resposta ao vento, e alguns moradores garantem que uma delas
fecha os olhos quando se aproxima uma tempestade, quase como se estivesse com medo
ou receio de algo. Um telhado de penas verde-água escuro cobre parte da mansão,
enquanto outra parte parece telha viva, que se move sutilmente como dedos ansiosos.
A porta principal, forjada numa madeira reforçada com um metal escuro e gélido que
nunca esquenta, mesmo ao toque de fogo, tem entalhes tão profundos que parecem
abismos ou retoques meticulosos de um artista obcecado. Os símbolos da família
decoram sua face como um brasão animado: um relógio onde o ponteiro é uma pena,
tendo uma unidade de pata de ave que apoia sob asas abertas e olhos julgadores.
Cada vez que alguém bate na porta, a casa inteira parece suspirar de leve, um som
abafado quase maternal se solta após.
No topo da mansão, um observatório dobrado como um ninho de ferro enferrujado
vigia o céu. Um cata-vento em forma de vara de pesca gira mesmo na ausência de
vento. Canos de bronze enfincados ao redor da casa parecem se conectar há algo em
especifico mas ninguém tem muita noção sobre. Há uma sensação permanente de que o
tempo ali dentro não corre pra frente, quase como se quem estivesse ali estivesse
em outro fuso horário, o tempo ali não corre, ele espirala, escorrega, tropeça e ri
de si mesmo como uma criança perdida num teatro.

# Entrada e Hall Principal


Ao empurrar as grandes portas de madeira negra, pesadas de mais para serem novas,
mas leves demais para estarem vazias, é possível ser recebido por um silêncio
acolhedor, como se a casa própria segurasse o fôlego à sua chegada. O hall
principal se estende com uma imponência contida: um chão de tábuas antigas, que são
resistentes e que apesar dos longos anos não emite nenhum ranger... só às vezes e
em alguns lugares, na verdade, talvez em vários lugares até. Um tapete carmesim
gasto pelo tempo atravessa o salão em linha reta até a escadaria dupla, cujo
corrimão é esculpido em espirais com formatos de galhos retorcidos de madeiras de
árvores que já nem existem mais. Há um cheiro de poeira doce e verniz antigo que
paira ao ar, como se ali tivesse sido guardado há décadas e apenas agora foi
liberado.
Dos altos tetos escorre lustres de ferro negro que se moldam como gaiolas
entreabertas, cada um abrigando chamas pálidas e tremeluzentes, que projetam
sombras com vontade própria, não ameaçadoras, mas que são claramente conscientes.
As paredes é um marco histórico de relíquias e retratos: espadas com nomes
esquecidos, quadros de paisagens que mudam com as estações, molduras douradas
contendo rostos cujos olhos riscados parecem que encaram mais do que os vivos. No
topo da escadaria, um imenso relógio de pêndulo ressoa um tic seco e um leve uivo
de vento a cada hora, quase como se estivesse preso em dois mundos e, ao bater meia
noite, é como se toda a quase se sincronizasse no tempo como um alinhamento de
planetas, sendo possível ver por instantes os "fantasmas" que ali residem. Logo
abaixo dele, o retrato de todos da atual árvore da família, reunidos abaixo de um
grande painel da Árvore Genealógica de Plumas (completa), uma pintura feita à óleo
e sangue, tão viva que as folhas se agitam sutilmente ao menor desvio de olho ou
respiração de qualquer ser vivo (ou não) presente sob ela, e por vezes, um galho
aparece onde antes não havia nenhum, simbolizando a vinda de um novo membro, porem
o contrário também acontece, sendo a ida de alguém conhecido.

# Teatro Esquecido
O Teatro Esquecido Escondido sob a mansão, além de um botão sutilmente embutido na
pintura centra no hall da escadaria, O Teatro Esquecido só é acessível por um
elevador barulhento com cheiro de ferrugem, um pouco de mofo e nostalgia.
Construído por Grill com o humor estético meio gótico de Lwuis e os retoques
dramáticos e fofos de Brie, o elevador parece descer mais do que o possível, como
se estivesse indo não para baixo, mas para "antes". Ao se abrir, revela-se um
teatro antigo, de dois andares, imponente e crepitante de silêncio. As fileiras de
poltronas aveludadas seguem um degrade do vermelho vivo ao vinho queimado e, por
fim, ao preto fosco como se o tecido também tivesse assistido a coisas... que
preferia esquecer. O palco, moldado em madeira escura e com as laterais arqueadas
como mandíbulas, sustenta cortinas de um vinho arroxeado profundo, como se
carregasse história até na sua cor, que parece se mover com o ar mesmo quando tudo
tá parado. O teto é pintado com cenas detalhadas e confusas, retratando peças,
públicos e eventos que nem a família se lembra de ter vivido ou visto... mas que
curiosamente remetem a coisas e sentimentos estranhos e familiares.
Os refletores são antigos e ainda funcionam, mas decidem sozinhos quando se
ascender, como se tivesse uma agenda própria, mas sempre organizada e cooperativa.
Às vezes, todos os holofotes se voltam para o centro do palco como se algo ou
alguém estivesse num monologo solitário ensaiando a sua última fala. As poltronas
da primeira fileira têm nomes entalhados de antigos residentes, de alguns que ainda
vivem e outros que parecem só existir nas paredes do teatro, tendo umas rabiscadas
ou até com uma textura como se tivessem sidos apagadas do tempo. Sussurros saem de
trás das cortinas, passos ecoam onde não há ninguém e, de tempos em tempos, uma
sombra diferente aparece nas laterais do palco, só o bastante para ser notada,
nunca o suficiente para ser compreendida, também as vezes é possível escutar palmas
que podem ser escutadas até do térreo da casa, aparentemente a peça foi um sucesso.
O camarim tem espelhos que não imitam expressões, mas reinventam em máscaras
teatrais antigas, douradas com algumas rachaduras, que piscam com os olhos, mesmo
não tendo um, ou uns, ou alguns. Figurinos balançam sozinhos nos cabides como
pedissem para ser escolhidas ou como se ensaiassem por vontade própria uma dança
esquecida ou uma cena de drama profundo. No fosso da orquestra, um piano de cauda,
esbelto e imponente, é possível ver suas marcas de idade, mas até com o tempo
clamando ele não cedeu, suas notas se tocam por si e acompanhando um instrumental
cria melodias que não se repetem, alguns dizem que é até possível escutar um coro
suave vindo do segundo andar, as músicas que se tocam são as mesmas, talvez por
conta da velha guarda ou por nostalgia, mas elas nunca são iguais como as
originais.
Brie costuma ensaiar sozinha ali as vezes, no centro do palco, sob a luz que a
segue mesmo quando ela não se move ou sob a escuridão de quando talvez não há
ninguém há olhando. Lwuis geralmente observa de longe, calado, como se estivesse
assistindo a uma versão alternativa do presente, um passado distante, mas similar,
um reflexo de um possível aquilo que poderia ter existido. ÀS vezes Plumério
aparece, aparentemente levemente cabisbaixo com um olhar quase fúnebre e, quando
pisa ali, não é visto como ele mesmo, mas como suas antigas personas esquecidas: o
Dançarino, o Mímico, O Artista Plumado... como se o teatro não o deixasse esquecer
quem já foi e de peças históricas que talvez nunca serão mais contadas. Aqui, o
tempo não corre, não anda e nem cresce. Ele encena. Ele representa cenas passadas
com novos atores, revivendo lembranças com variações, não se prendendo ao que
obrigatoriamente tinha que ser, mas sim compreendendo que tudo muda e é melhor
assim, nada se permanece pro igual. Nesse espaço, o tempo repete, reescreve, dubla.
É uma peça infinita, onde o ontem volta ao palco como o hoje, e o amanhã já está se
preparando nos bastidores. O Teatro Esquecido não é apenas um lugar de memórias,
ele é o próprio Ato Inacabado da mansão, o próprio "espírito em construção". Um ser
paciente, observador, que ainda aguarda... o seu último ato.
# Sala de Estar
Uma junção de climas e temperamentos, parece tipo uma capsula de remédio com dois
polos, a Sala de Estar da Mansão Plumaradams é onde o tempo decide tirar uma
soneca... ou surtar levemente. Cada canto parece ter seu próprio fuso horário
emocional, fazendo da permanência ali uma experiência delicada, quase teatral. As
poltronas, espalhadas como peças de um jogo de xadrez meio inacabado, possuem
humores próprios, uma delas ronca suavemente, outra só permite que você se sente
caso elogie ela primeiro. Uma, tá no teto, e gira devagar, quase como se sonhasse
em ser um ventilador, dá um pouco de náusea olhar pra ela.
A lareira principal, envolta em azulejos azul-celeste-de-montanha com padrões de
neve estilizada meio pingando, abriga uma esfera meio translúcida que pulsa em
ritmo de um coração desacelerado em um azul frio. Seu brilho esfria o ar ao redor e
congela suavemente a ponta dos cobertores perto dela. Em contra parte disso quase
em ing ang, do outro lado da sala, há uma lareira dourada, ornamentada com espelhos
distorcidos e pequenas molduras vazias, de onde invés de sair um criptar de madeira
queimando, se solta pequenas palmas. Ali ao lado, tem uma caixinha de música que
dança sozinha dentro de sua redoma, com bonequinhos que, às vezes, trocam de lugar
ou se recusam a encenar a sua dança, como se estivessem cansados, saindo pra pear
um copo d'água em uma greve artística.
No centro, repousa eternamente uma bandeja de prata com duas xícaras: uma sempre
está congelada (até seu líquido, principalmente seu líquido), com cristais de gelo
que se estendem pela borda, enquanto a outra permanece seca e mornamente
empoeirada, como se tivesse acabado de ser abandonada por alguém, onde sempre está
em algum canto aleatório (incluindo o teto). Os livros da estante estão organizados
por "temperatura de leitura", numa escala térmoemocional que vai de "Calorosos e
Românticos", passando por "Tépidos e Melancólicos", até chegar em "Congelantes e
Traumáticos". No canto mais isolado da sala, repousa uma poltrona fundida a uma
montanha de cobertores de todos os tipos, estilos e estados de sanidade térmica. O
topo da pilha encosta no teto, subindo tal qual uma torre de babel, onde um post-it
flutua preso por nada e diz "por favor não reorganizar os cobertores, ele têm
hierarquia".

# Biblioteca
A Biblioteca ocupa metade de um andar inteiro da mansão, de forma até meio
impossível, lá dentro se parece MUITO maior do que se vista de fora. Lá dentro, a
gravidade não é a mesma, ela parece... flexível de alguma forma, quase como se
fosse um sentimento constante de flutuar, algumas prateleiras flutuam
preguiçosamente, enquanto outras se contorcem em espirais subindo até atingir o
teto, outras são bizarramente grandes quase como um quarto inteiro e outras
estantes andam sobre pernas curtas quase como se brincassem de pega-pega entre si.
Algumas parecem ter desenvolvido personalidade: uma delas exige senha pra poder
pegar ou colocar os livros, outra ronca, e uma terceira só permite acesso se
resolver o enigma que nem ela direito sabe a resposta.
Os livros parecem ter vontade própria também, quase como uma criatura aparte.
Muitos sussurram em idiomas esquecidos, segredos ou só piadas (esse era da
coletânea de 1001 piadas eu acho). Alguns tem destes com um senso de humor...
peculiar, eu diria, mordendo dedos dos curiosos ou tentando lamber as mãos... hugh.
Ha livros que choram quando são fechados, e outros que voam para longe com as
páginas batendo como se fossem asas. Um em específico muda de capa sempre que é
tocado, mudando pra títulos como "Como se perder em três passos" ou "Manual prático
para achar livros".
No coração da sala repousa um atril, ele funciona quase como um mecanismo de busca
(tipo o google ksksks), parecido com um terminal de internet meio decrépito, que
responde as perguntas de forma diferente da pessoa: Pra Lwuis responde de forma
cansada, quase como se estivesse farto de ver esse mlk aqui; Para Grill responde de
forma impressionada, surpreso de ver ele aqui e quase como se fosse um mano pra
ele, usando gírias e tals; Para Frígida, com respeito e com o mínimo de palavras
possível; para Brie e Viplume... ele não responde já que elas nunca vem aqui; E
para o restante de forma sarcástica e irônica, muitas vezes mostrando o livro certo
com um ar de desprezo, ou então com um substituto meio aleatório "~porque você não
foi específico o suficiente.", segundo o mesmo. Lwuis anda por aqui frequentemente,
recolhido num canto entre estantes, escondido num "ninho" improvisado de almofadas
puídas, bichos de pelúcia abandonados e itens misterioso aleatórios, onde ele
escreve num diário de capa fofa que fica sob um pequeno totem (esculpido a mão),
enquanto os livros observam seus segredos de forma misteriosa. As vezes os livros
em volta, vez ou outra, viram umas páginas dos diário suspirando com suas
anotações, talvez de inveja ou com uma leve despreocupação.
A Biblioteca tem uma relação esquisita com o tempo: ali, ele não passa, ele se
acumula. Cada canto guarda séculos de pensamentos, de poeira, de ecos. Há
corredores onde o ontem ainda escuta e sussurra para o agora. Certas estantes estão
presas em momentos específicos, guardando livros que só existem em futuros
possíveis, outra só aceita obras esquecidas. Às vezes, um leitor entra e esquece o
dia da semana, outras vezes, sai de lá praticamente envelhecido por um só
parágrafo. O tempo não corre na biblioteca, ele se curva em torno das histórias que
foram escritas, das que ainda vão ser, e das que nunca deveriam ter sido se quer
pensadas em passar para o papel.

# Sala de Treinamento Climático


Escondida atrás de uma das estantes da biblioteca (uma obediente), entre
enciclopédias sobre criaturas abissais e um romance particularmente picante escrito
por um ex-cozinheiro pirata, repousa uma estante alta com lombadas poeirentas. Uma
delas, marcada por uma singela lágrima de gelo cristalizado, é a chave para o
início do caos... Ao ser puxada, a estante se estremece com um som de gelo rachando
de forma épica que nem em um filme ou sla no god of war, ela gira com elegância
desengonçada e revela um corredor úmido, iluminado por fungos bioluminescentes e
pinos de condensação que sussurram "volte... enquanto... dá.... tempo... por...
favor..." mas são sempre interrompidos antes de terminar a frase com um SHIU alto
de Frígida ou uma reclamação de outra pessoa pela demora da frase ser completa
(demora uns 5 minutos pra terminar de falar tudo). No fim, uma porta metálica com
um enorme símbolo de termômetro partido ao meio, que se abra com um baque dramático
(às vezes com efeito sonoros que variam), mostrando várias portas, diversas portas,
MUITAS PORTAS, atrás, abrindo de forma dramática e épica... e dramática.
Ao cruzar a porta, você entra numa câmara colossal, com dimensões impossíveis pra
caber dentro da mansão (a não ser que ela dobre as leis do espaço e do tempo sla).
O chão gira lentamente, como uma roleta climática, revelando áreas distintas
separadas por paredes móveis, ou fronteiras naturais que pareciam ter sido
colocadas por um diretor de teatro excêntrico com um orçamento ilimitado e traumas
de infância relacionados ao clima. Cada "bioma" é programável e serve como campo de
treinamento intensivo para os netos ou para quem quiser se desafiar ou talvez
morrer de forma rápida e um pouco divertida...? E ocasionalmente, para que a
própria Frígida extravase sua frustração com as mudanças climáticas globais.
- Monta Corta-sopro: Uma montanha coberta de gelo azul translúcido, tão
escorregadia que você sente vergonha só de tentar andar. Ventos cruzados gritam em
vários idiomas que ninguém traduziu até hoje, e é comum ver placas de "CUIDADO:
Gelo Rancoroso". Ótimo para treinar equilíbrio emocional e físico, ou só cair com
estilo.
- Pântano do Vapor Sábio: Uma floresta pantanosa, úmida e fedida, coberta por névoa
densa com cheiro de canela estragada. Árvore cochicham sobre os seus fracassos
profissionais e sapos usam ternos para ministrar debates existenciais. Frígida
adora esse setor pra treinar foco sob pressão ambiental e emocional.
- Ilha do Monção Mansa: Uma ilha tropical de que mansa não tem nada, está
constantemente assolada por tempestades, onde os coqueiros voam horizontalmente e
as gaivotas aprendem a nadar por necessidade. As ondas conversam entre si e têm
opinião sobre sua postura corporal, as vezes dando dicas. Ideal para ensinar
resistência à frustração e habilidades de natação que beiram o desespero pela vida.
- Cratera do Suco de Laranja: Um pequeno vulcão ativo com magma borbulhante, que
brilha em tons cítricos intensos... acho que é por isso que é suco de laranja.
Rochas pulam como pipoca quente, e Frígida sempre alerta: "se encostar nesse suco,
vai sentir na alma!" ou fala o mínimo suficiente pra passar essa ideia. É um dos
treinos mais temidos, especialmente por alunos com complexo de superação e ego
frágil, sendo um dos mais praticados em competições.
- Nevasca Eterna: Uma planície de neve tão branca e silenciosa que você começa a
ouvir seus próprios pensamentos em eco, talvez até fora da sua cabeça. A nevasca
sussurra em tom gelado memórias aleatórias da sua infância, receitas de sopa que
você nunca fez ou os momentos mais traumáticos que já vivenciou. Frígida adora
passar noites aqui, pensando sobre "o que é ser e ficar forte". Os netos geralmente
só tremem. É definitivamente o pior local para aqueles de mente fraca e
definitivamente o melhor lugar pra treinar essas pessoas.
No centro de tudo isso, fica a Base de Controle, uma cabine feita de vidro
temperado e carvalho escuro, recheada de alavancas, manômetros e uma chaleira que
nunca para de ferver ou nunca começou a ferver. Frígida comanda cada sessão com um
apito militar e um olhar que diz "pede água pra eu pensar se te libero", mas essa
impressão só fica no olhar. Manequins de combate, moldados se espalham para cada
ambiente, com nomes tipo "Aquele Professor Chato"; "Guaxinins"; "Tio Ramom" e
grande, temido e infame "Você Mesmo", que sempre muda de aparência, postura e até
forma de pensar. Reza a lenda que um deles pediu demissão após ser derrotado por um
dos netos particularmente e que ninguém sabe quem é ou até o motivo, suspeitam que
possa ser a Brie.

# Garagem/Oficina de Grill
Na lateral meio engessada da mansão, a antiga garagem afunda sob o peso de décadas
de improvisos, sucatas, memórias e cafeína vencida. O acesso se dá por uma rampa
coberta de gelo rachado, marcada por rastros de pneu e crateras de explosões
passadas, quase como cicatrizes deixadas por tentativas de inovação e ideias
impulsivas. O portão metálico, torto e soldado mais de... algumas vezes, abre com
um gemido de dor, quase uma súplica de ajuda, revelando um "SANTUÁRIO" mecânico
onde a lógica meio não tão lógica e a física com um grande toque de fé imploram por
misericórdia. O cheiro é praticamente uma coisa viva: óleo velho, metal esquentado,
plástico derretido, suor de adolescente obcecado... hugh, e o inconfundível aroma
de salgadinho de queijo, levemente passado.
No centro, orgulhoso como uma estátua de um deus grego, só que moldado em
mecanismos voláteis e placas metálicas remendadas, tem um... um não, O MOTOR
Gigante, uma monstruosidade de tubos entrelaçados, peças de origem suspeita,
exoesqueletos adaptados de insetos gigantes e carapaças metálicas (ou drones
industriais, vai saber), e marcas em caneta permanente com instrução como "NÃO
PUXAR ISSO!!!!!" ou "se explodir, primeiro ri, depois CORRE ᵉ ᵃᵛⁱˢᵃʳ ᵃ ᵛᵒ". Grill
afirma de pé junto e encarando no findo dos olhos que consegue fazer a casa inteira
andar, ele diz "só precisa de tempo... alguns vários muito dezenas de rolos de
fita, planejamento e muito talvez provavelmente de sim de autorização da vó...
talvez só". Adesivos de caveiras e advertências de radiação estão colados como
selos de orgulho quase. As paredes são forradas por ferramentas modificadas,
motores abertos como carcaças expostas, peças penduradas em ganchos, e pequenos
quadros com recortes de revistas científicas com os rostos rasurados. Preso ao
teto, tem uma escultura de tubarão feito de sucata e peças improvisadas, diz ele
que algum dia isso vai virar ou um tubarão andante ou uma forma de ir pra
superfície.
Mais ao fundo, uma parede inteira é tomada pelo infame "PAINEL DOS TESTES QUE
QUASE MATARAM ALGUÉM POR MUITO POUCO POUQUINHO MESMO OU PASSARAM LONGE TALVEZ POUCO
LONGE". Há fotes amareladas com cantos queimados, post-its encharcados de gordura e
óleo com anotações como "por que estava pegando fogo por dentro?", além de croquis
em folhas A3 riscadas com "não mostrar isso pra vó" escrito em vermelho. Pilhas de
blueprints repousam em mesas de madeira deformada, algumas com marcas de mordida
(provavelmente de Grill ou Brie, talvez o motor). Entre as peças de robôs e
constructos esquecidos e algumas engrenagens quase fossilizadas, encontram-se sacos
de salgadinhos abertos em diferentes estágios de decomposição, alguns ainda
crocantes (mesmo estando por meses abertos), outros que tinha que ser estudados por
arqueólogos. Um rádio antigo toca músicas dos anos 2000 em rotação errada, criando
trilhas sonoras acidentalmente experimentais enquanto faíscas voam de algum lugar
não identificado.
Ali, em meio ao caos tecnológico, Grill constrói sonhos impossíveis com sucata com
ideias irresponsáveis e impulsivas, basicamente um gênio de transformar quase-
muito-provável-acidentes mortais em quase-talvez-por-pouco-invenções com uma sorte
BIZARRA.

# Botânica de Vidro
Anexa ao primeiro até o segundo andar da mansão por um meio de um corredor
levemente torto e com vinhas que crescem nele estando sempre perfumado, a Estufa é
uma catedral de vidro viva, crescendo para cima em uma abóbada de dois andares com
estrutura metálica verde-azulada quase como um cobre oxidado, coberta de musgos e
raízes que se entrelaçam entre as vigas. A estrutura é alta, com escadas abertas
que conectam plataformas suspensas como mezaninos e ilhas separadas presas ao teto,
jardins verticais e passarelas ladeadas por heras ambulantes. No centro, um
carvalho ancestral respira vapor pelas folhas e mexe seus galhos conforme a
presença de visitantes, alguns dizem que quase conseguem reconhecer um rosto, mas a
maioria diz que é possível claramente ver um bigode nele. Nas paredes, desenhos
botânicos tomam vida em "dias" chuvosos, criando um mural animado de flora em
constante metamorfose.
Lá dentro, crescem flores de todo tipo, desde as delicas, como uma flor branca e
levemente cintilante que com o mínimo toque pode ser quebrada, que alguns dizem que
se entregue pra pessoa correta milagres podem acontecer, há até ameaçadoras, como
uma papoula vermelha rubra que encanta, copiando as carapaças de quem à olha, dizem
as mas línguas de que quem observa por muito tempo consegue ver o seu destino... e
sempre é ruim. Lá residem: lírios que cantam baixo, orquídeas que mudam de cor
conforme seu humor, cinerárias que só florescem com névoa por perto, bromélias que
sussurram segredos se rasgadas à noite, até plantas pré-históricas que não constam
em nenhum livro moderno. Algumas mordem. Outras curam. E poucas fazem as duas
coisas ao mesmo tempo. O clima interno se adapta às necessidades das plantas,
criando microambientes que convivem em harmonia desconcertante, além de sempre ter
diversos esporos verdes que pairam por todo o ambiente, mudando de cor conforme o
clima. Há uma sala isolada chamada de "Berçário Ancestral", onde espécies extintas
parecem florescer sem explicação, como se ignorassem a extinção por simples
pirraça. Aqui, o tempo também parece crescer, lento, levemente úmido, mas fértil,
como se a estufa estivesse gerando alo maior que folhas.

# A Torre do Lwuis
A torre de Lwuis se ergue no canto mais isolado e nebuloso da mansão, não saindo da
parte principal que nem o cemitério, mas fincando mais ao canto, ela parece flutuar
levemente ou pelo menos passa essa sensação, se desse pra dizer que passa das
nuvens seria uma hyperbole, mas tem algumas a sua volta... ou na verdade são
somente um pouco de fumaça escapando da garagem. É um espigão circular gótico de
pedra escura com janelas altas semelhantes a lápides, algumas redondas (não tanto
quanto o gustavo) como olhs e quase sempre embaçadas por dentro ou tapadas por
cortinas escuras, como se o próprio ar ali tivesse medo de ser respirado ou como se
tivesse algo tenebroso a se esconder por dentro. A estrutura é acessada é acessada
somente por uma porta e nela uma escadaria em espiral apertada se ergue por tudo em
sua parte interna, feita de metal retorcido e coberto de inscrições com um tapete
imponente e meticulosamente arrumado. No topo, uma grande sala circular abriga
estantes infinitas de livros antigos, objetos místicos e misteriosos com uma aura
estranha, cartas de tarô pregadas nas paredes, e um planetário giratório que nunca
repete os mesmos astros duas noites seguidas, e que atualiza o mapa astral
diariamente, tem vários posters de conspirações e mistérios da superfície, como "Os
humanos tem esporos tóxicos. CUIDADO", "Será o SOL um OLHO que vai NOS
OBSERVAR?!?", "Humanos vieram em paz...?", "A terra é REDONDA", e também alguns de
bandas também. Ao centro, Lwuis mantém um tabuleiro de ouvia (ouija dos monstros)
em uma mesa cravada com uma jarra cheia de olhos de vidro que observam em silêncio
e alguns adornos supersticiosos como cristais e plantas estranhas.
O ambiente muda sutilmente conforme o humor do seu dono: quando calmo, a Torre
exala uma sensação de encantamento; mas se está inquieto, as paredes parecem se
contrair levemente e criar uma sensação de extensão quase infinita, como pulmões
respirando e se contraindo ao total em pesadelos leves. Diversas gaiolas pendem do
teto, mas não há pássaros, e sim alguns relicários como cabeças de pano, tentáculos
e algumas outras coisas estranhas. Nas paredes, quadros pintados por ele,
retratando cenas de sonhos que ele afirma que ele afirma ainda não ter vivido, como
um ser estranho sem rosto ou outro que é uma figura feminina manchada e rabiscada,
há um espelho que cobre um canto inteiro, mas não reflete nada além de uma névoa
meio esverdeada. Aqui, Lwuis conversa com o tempo e com alguma entidade que ele
pensa que deve ter ali dentro, tornando a torre quase como um santuário de segredos
que nem mesmo a mansão sonda direito.
Tudo em seu interior é meticulosamente organizado e simétrico, pelo menos o que
consegue tenta deixar. A torre tem ao total 3 andares, seguindo a da Mansão, sendo
levemente maior que a mesma, o último andar seria realmente o seu quarto, tendo sua
cama e coisas mais particulares; o segundo é quase como um "escritório" tendo um
caldeirão e diversos objetos místicos e míticos que ele investiga e tenta entender,
tendo vários livros de pesquisas bizarros, principalmente sobre seres estranhos e
humanos, histórias antigas e contos, e algum que ele obsessivamente tenta entender
falando sobre um ser da vida e morte nunca encontrado; e no primeiro anda, tem um
salão de "recepção", que nem a de um hotel, tendo uma bancada com uma planilha
aonde anota a entrada e saída de cada um que passa por ali. Esse espaço serve tanto
como recepção e sala de espera, como um observatório informal, ali tem poltronas
confortáveis com tons que fazem um degrade meticuloso do cinza para o preto
perfeito que não escapa nem um pouco da luz, mesas com jogos de cartas e de mesa
enigmáticos que quase ninguém entende nem mesmo Lwuis que finge entender
completamente. Uma vitrola antiga toca músicas que ele nunca lembra de ter
colocado, e os discos mudam sozinhos de tempos em tempos, igualmente a uma maquina
de escrever que datilografa sozinha. Junto com um mural onde ele anota "teorias da
semana", diagramas, símbolos, e mapas absurdos com títulos como "Territórios
Invertidos", "Regiões onde o Silêncio tem Cor" e "Avistamentos de HUMANOS!"

# Jardim Zen (maicu)


No topo inalcançável da mansão, onde as nuvens... de vapor parecem ter feito
morada e o vento sussurra segredos antigos e notícias de famosos, fica o Jardim do
Teto. A entrada, um alçapão travado por uma senha que muda todos os dias (sempre
uma piada de pai, um trocadilho ruim ou uma charada muito "enigmática" meio boba),
protege a entrada quase como um guarda na porta de um reinado gigantesco (meio
fácil de passar/ignorar), protege quase como se guardasse algo sagrado ou
completamente sem noção. O chão é formado por trilhas de pedras que causam um calor
confortável, como um abraço de fim de tarde, e as plantas, ah, as plantas...
flutuam levemente acima do solo, em cores tão vivas que parecem ter sido desenhadas
por uma criança, e flores nascem de materiais improváveis, algumas de vidro
esculpido em forma de caracol, latão retorcido em trombetas e até TIJOLOS que
desabrocham de alguma forma, como se lembrassem que não nasceram pra isso. O vento
sopra em melodias, e cada brisa parece uma música esquecida, ora soa como uma
canção de ninar, ora corta feito uma memória triste de um tempo que não volta.
No centro do Jardim, uma fonte feita que em seu centro é feita com espelhos d´água
translúcidos (que foram feitos dos espelhos da Sala de Plumério) reflete o tempo de
forma pessoal, quem olha vê a si mesmo quando criança... ou como alguém que um dia
talvez se torne. Ali vive Maicu, como um jardineiro enigmático, um homem que
responde em silêncio, mas só quando medita ou faz ioga, geralmente fala em piadas
sem graça ou em gestos que parecem uma charada, mas sempre falando que nem um pai.
As plantas seguem ele como se entendessem melhor que qualquer um, inclinando folhas
e pétalas em reverência, como se ele fosse um monge ou sla um palhaço sagrado. À
noite, vaga-lumes azul-esverdeados surgem em bandos dançantes, e o teto inteiro da
mansão parece se transformar em céu, um céu meio tombado que desceu por uma noite
só, só pra ver se ainda era lembrado. Aqui o tempo não corre, nem para. Ele só
observa, curioso e com calma, enquanto flores de metal continuam desabrochando
lentamente.

# O Cemitério
Nos fundos da mansão, para além dos jardins desbotados e das sebes que parecem
cortadas por mãos esquecidas ao tempo, repousa o cemitério. Mas "repousar" talvez
não seja realmente a melhor palavra. Ele se estende como um sussurro longo demais,
alastrando-se em curvas tênues e níveis mal definidos, como se toda a construção
não fosse planejada e sim aos poucos moldada pelo tempo e a melancolia, envolto por
uma neblina esverdeada que nunca evapora, apenas muda de lugar e enrijece entre os
vultos e as silhuetas.
À primeira vista, parece pequeno. Mas caminhar por suas trilhas cobertas de folhas
secas, galhos partidos, pedras com gravuras antigas como desenhos e túmulos revela
um espaço que se desdobra mais do que o aceitável, como se desafiasse as leis da
geografia ou geometria sla. As trilhas se cruzam de forma que não deveriam, mas não
se perde, só se você achar que está perdido, e retornar ao início nem sempre é tão
simples quanto seguir pra trás como se tentasse voltar no tempo.
As lápides são no mínimo estranhas ou curiosas. Algumas parecem normais, datas,
nomes, epitáfios, até você percebê-los melhor: datas de morte no futuro, nomes de
figuras históricas que já se partiram a muito tempo e de outras que nunca morreram
ou foram confirmadas mortas, e, o mais estranho, túmulos com nomes como sentimentos
ou frases inacabadas:
- "Silêncio... da Silva"
- "Ainda Não... de Moraes"
- "Não Olhe... Pinto"
Outras têm nomes compostos por letras misturadas, como em anagramas ou como se
tivessem sido geradas por um teclado apertado por um espírito em um rage kit que
foi mogado kk beta. E há ainda as lápides que não possuem nada, apenas pedra e uma
espécie de musgo, e, ocasionalmente, um som abafado vindo debaixo delas. Algumas
lápides só desaparecem com o piscar de olhos, e as vezes aparecem em lugares
impossíveis como em meio a árvores ao prendidas horizontalmente nas chapadas de
pedra próximas.
Há estátuas chorosas, mas que só derramam lágrimas quando não estão sendo
observadas diretamente. Algumas mudam de expressão quando o nevoeiro está mais
espesso. Outras parecem seguir com os olhos os visitantes, ainda que não movam um
milímetro sequer.
Árvores, retorcidas e despidas, lembram figuras que tentaram fugir antes de criar
raízes. Seus galhos se entrelaçam no alto, formando desenhos que só podem ser visto
sob certos ângulos, como pequenos enigmas feitos pelo acaso, alguns dizem que é
possível ver olhos entre os nós dos galhos, e eles piscam, isso é fato. Mas não só
de temor se há, também existe uma árvore em específico, ela nunca envelhece ou da
indícios de morrer, suas folhas sim caiem, mas a sua alma não, e ela se mantem lá,
inalcançável, indisponível sob o alto de uma colina ainda mais alta, com somente
uma lápide ao seu lado que nunca à abandona, quase como em uma promessa, nem uma
amais, nem uma a menos.
E no meio disso tudo há um espaço onde a brisa sempre sopra contra a direção de
que chega. É lá que repousa a lápide sem nome, eternamente limpa apesar de cercada
por cinzas que pairam sob ar como uma nuvem tempestuosa particular. Ninguém para
ali ou tem até coragem de refletir sob o que pode ser isso. Exceto Plumério, que
costuma sentar ao seu lado, como quem ouve confidências ou contos de um antigo
conhecido. Segundo ele "Elas me contam coisas... Coisas mais verdadeiras que não só
as palavras dos vivos mas como os fatos que eles representam... mas falam umas
besteiras também. Uns babados de que você nem acredita."
## Estrutura em Níveis:
O cemitério parece empilhado, como uma oferenda em camadas ao tempo e à morte:
- 1º. A Base- Cemitério Raso
Aqui é onde tudo começa... ou de certa forma termina, né? Túmulos mal alinhados,
trilhas quebradas, ossos que às vezes aparecem sob a terra com texturas parciais de
carbonização, como se o solo estivesse tentando devolver o que lhe foi dado. O chão
afunda em certos pontos, e há locais em que a terra pulsa levemente, como se
respirasse ou como se tivesse alguém ou algo vivo por de baixo. Todo o ar é de
fúnebre e pesado e, por todo o local se espalha um silêncio que somente ecoa o soar
do vento ao seu redor. Marcas de lampiões esverdeados a sua volta se definem como
um item característico por todo o seu decorrer.
- 2º. O Meio- Capela Fúnebre
A capela gótica, de pedra negra e madeira retorcida e quase apodrecida, está
sempre trancada. Suas janelas de vitrais sombrios contam histórias mudas como numa
apresentação de teatro, que se reconfiguram semana após semana, sempre cenas
diferentes, sempre sem explicação, mas com um sentido, uma lógica, com um fato
secreto a se contar, um fato preso em algum lugar do tempo que não se sabe. Algumas
mostram o que parece ser o interior da própria capela, mas com pessoas (ou coisas)
que não existem, figuras deformadas em formas pretas de penas arrastadas, ou dias
que se começam normal mas seu desfecho é um certeiro fim... de tudo. É como um
teatro sem autor, com encenações que você jura já ter sonhado ou no mínimo, ter
tido pelo menos algum devaneio sobre. Dizem que quem ouve os sinos da capela à
meia-noite tem um dia a menos guardado na memória dos queridos, ou talvez um dia a
mais marcado como desenho nas paredes da própria, porem se sabe, nem tudo se vem de
mal dela, pois afinal... no fim há vida, e no "mal" há o "bem", e vice versa.
Alguns dizem que os sinos não são tocados e sim, só ouvidos.
- 3º. O Topo- Mausoléu de Plumas Profunda
Construído com pedras cinzentas que parecem absorver a luz da lua, o mausoléu se
ergue como um dedo pútrido. O portão está sempre entreaberto, mas dentro reina um
vazio que ecoa por décadas longe de mais. Os corredores internos mudam, como se o
lugar rejeitasse ser mapeado, ou como se sempre esquecessem de como era o interno.
Às vezes há escadas onde antes havia parede. Outras vezes, portas levam para o
jardim da frente, mesmo que você esteja a dezenas de metros de distância e altura.
Uma inscrição corroída na entrada diz: "Aqui repousam os que ainda vagueiam sob a
terra. Aqueles cuja lembranças perdura, e aqueles que fingimos não enxergar.
Esquecidos pelos vivos, amaldiçoados pelas eras, jazem marcados como estelas
eternas, incorruptíveis, e contudo, imutáveis em sua danação. Abençoado sejam.
Amaldiçoado somos."
## Elementos Misteriosos
- À noite, os vaga-lumes se reúnem em padrões que formam palvras no ar, como
fragmentos de conversas sussurradas;
- Sombras com formas humanas passeiam entre os túmulos, parando em frente a nomes
específicos e depois desaparecendo como um espirro;
- Um gato preto com olhos dourados ronda a capela. Ele nunca é visto entrando ou
saindo, ele apenas aparece, dentro ou fora;
- O ar cheira levemente a cera derretida, terra molhada e... por algum motivo maçãs
verdes.
##Atmosfera
É um lugar onde o tempo hesita, pois sabe que não tem mais nada a tratar ali; onde
o silêncio nunca é completo, e onde a sensação de estar sendo observado nunca
passa. Há respeito, sim, mas não aquele confortável, é quase como uma quietude
desconfortável após uma piada sem graça. É o respeito que se presta a algo que
pode, a qualquer momento, responder, mesmo se quem pergunta tivesse feito uma frase
retórica.
A mansão , vista à distância do alto do mausoléu, parece sorrir com janelas
acesas.

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