SEMINÁRIO ARQUIEPISCOPAL DE LUANDA
SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS
CURSO SUPERIOR DE FILOSOFIA
A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
III Ano de Filosofia
Grupo nº 11
Congregação: Missionários do Verbos Divino
Docente: Pe. Pascoal Salundovi
LUANDA, JANEIRO DE 2025
RELAÇÃO NOMINAL DP GRUPO
NOME CLASSIFICAÇÃO
Alberto da assunsão
António Miguel
Damião Gonçalves
Estevão kambenga
Fernando Mateiya
Inácio Ukuahamba
João da Costa Baptista
João Evangelista
Joaquin José
José Passassi
Leonardo Welema
Paulino Kativa
LUANDA, JANEIRO DE 2025
ÍNDICE
INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 4
HISTORIAL E DEFINIÇÃO ........................................................................................... 5
A INVENÇÃO DE TURING ........................................................................................... 6
A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL OU ENTENDIMENTO AUTOMÁTICO ? ............. 6
O COMPUTADOR .......................................................................................................... 7
HOMEM E MÁQUINAS ................................................................................................. 7
A MÁQUINA PERMITINDO AO HOMEM OCUPAR-SE DE SI ................................ 8
ALGUMAS VANTAGENS E DESVANTAGENS DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
........................................................................................................................................ 12
CONCLUSÃO ................................................................................................................ 13
REFÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................ 14
INTRODUÇÃO
O mundo actual está em constante evolução!. Agora se consegue fazer aquilo
que de antemão se via como impossível! Se antes não se podia comunicar à distância,
fazer mover máquinas robôticas a um click, mover bombas em dispositivos
computacionais e até mesmo resumir um calhamaço partindo de um aplicativo; agora se
faz! e se procura ir além dos desejos e ambições do homem.( Nakabayashi, 2009, Pag. ).
O que está, na verdade, por detrás disso tudo, é a tentativa de perceber, coligar e
clarificar o dualismo “mente-corpo” no sentido de o homem antingir o que parece
impossível: “fazer um ser semelhante a ele”. Todos esses processos e reflexões derivam
de um “SISTEMA” conhecido como “INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL” com incríveis
capacidades revolucionárias que facilitam a vida do homem. O que seria então IA?. (
Russell & Norving, 2003, Pag. 15).
O termo “IA” no seu significado etimológico, parte do latin- INTER (entre) e
LEGERE (escolher). Inteligência significa, então, “aquilo que nos permite escolher,
dentre várias possibilidades, aquela que permitirá realizar de forma eficiente uma
determinada tarefa. E por sua vez, a palavra “ Artificial” deriva do Latim:
ARTIFICIALLE, E SIGNIFICA “ algo não natural” ou “ algo produzido pelo homem”.
Portanto, a “IA” é um tipo de inteligência produzida pelo homem, para doptar as
máquinas de algum tipo de habilidade que simule a inteligência do próprio homem.
(Nakabayashi, 2009, Pag.19 ).
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HISTORIAL E DEFINIÇÃO
Ao longo dos tempos, várias foram as definições da “Inteligência Articial” por
parte daqueles que se dedicaram no estudo da mesma, mas uma das definições mais
abrangentes e largamente aceites, é a de Minsky, 1968: A Inteligência Artificial ‘IA’ é a
ciência de fazer máquinas fazerem coisas que requereriam inteligência, caso fossem
feitas pelos homens.
Para Durkin:« A Inteligência Artificial, é o campo de estudo da ciência que
pesquisa formas de fazer o raciocínio do computador simular ao raciocínio humano».
Para Weber: A Inteligência Artificial é o ramo da ciência da computação
dedicado ao estudo das técnicas computacionais que representam alguns aspectos da
cognição humana ( Nakabayashi, 2009, Pag. 19)
Duma forma simplificada, Winston nos apresenta uma definição clarividante: A
“IA” é o estudo das computações que tornam possível perceber, raciocinar e agir (
Russell & Norving, 2003, Pag. 24).
Embora exista um grande consenso entre os pesquisadores do campo da
Inteligência Artificial, de que esta ciência foi fundada em 1956, na famosa conferência
de Dartmouth, o intento de reproduzir a inteligência data de muito antes, desde a
antiguidade, havendo registos históricos disso na literatura, na Engenharia e na Filosofia
( Nakabayashi, 2009, Pag. 23).Quando apareceu pela primeira vez uma máquina dita
“pensante” – uma máquina dotada de um programa que demonstrava automaticamente
teoremas de matemática -, o impacto sobre as ciências do homem foi grandioso.
Subitamente a comunidade científica percebeu que uma verdadeira revolução havia se
iniciado. Uma revolução com profundas influências na psicologia, na linguística e na
filosofia. A ciência da computação deixava de ser uma disciplina puramente técnica, e
suas realizações passaram a estender-se para outros campos.
Para a psicologia, a IA trouxe uma revolução, na medida em que o novo modelo
apontava para uma alternativa à turbulência teórica que os psicólogos estavam
atravessando. Para a linguística, a IA significava uma revolução: agora seria possível
criar um programa de computador onde estivessem representadas as estruturas
gramaticais das diversas línguas humanas. Mas foi realmente sobre a filosofia que o
impacto da IA foi maior: criar uma máquina pensante significa desafiar uma velha
tradição que coloca o homem e sua capacidade racional como algo único e original do
universo. Mais do que isto, criar uma máquina pensante significa dizer que o
pensamento pode ser recriado artificialmente sem que para isto precisemos de algo
como uma “alma” ou outra marca divina.
Algumas questões que tradicionalmente atormentaram os filósofos ao longo dos
séculos, passaram a receber um novo enfoque a partir da IA: por exemplo, o problema
das relações entre a mente e o corpo, que se arrasta há milênios. Durante muitos anos os
filósofos discutiram entre si se os nossos estados mentais (raciocínio, sonhos, imagens
mentais etc.) seriam apenas manifestações de nossa atividade cerebral (materialismo) ou
se eles não seriam reveladores da existência de algo imaterial como, por exemplo, uma
alma imortal (dualismo). A “IA” oferece uma nova perspectiva para situarmos este
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problema para além das soluções existentes, que tendem seja para o materialismo seja
para o dualismo.
Os séculos XVII e XVIII conheceram também pela primeira vez uma
preocupação filosófica com algumas implicações teóricas envolvidas na construção dos
primeiros autômatos de que se tem notícia. Descartes (1596-1650), filósofo racionalista
do século XVII e oficialmente considerado o criador da filosofia moderna, expressou
este tipo de preocupação em várias passagens de sua obra, argumentando que os
autômatos, por mais bem construídos que fossem, jamais se igualariam aos seres
humanos em termos de suas habilidades mentais. Isto porque os autômatos nunca viriam
a ter uma alma imortal, igual à nossa, que lhes permitisse agir livremente e encadear
sentenças de modo a expressar pensamentos como nós, humanos, o fazemos (Teixeira
João, Pag.19).
A INVENÇÃO DE TURING
O princípio de funcionamento dos computadores é relativamente simples, mas
foram precisos anos para que se pudesse descobri-lo. Essa descoberta deveu-se a Alan
Turing (1912–1954), um matemático inglês que, apesar de ter sido brilhante na sua
época, teve uma vida particularmente atribulada: não pertencia à aristocracia da
Inglaterra, o que lhe criava dificuldades em certos meios acadêmicos, e, ademais, era
homossexual, o que escandalizava a sociedade britânica. Embora tenha morrido
prematuramente (ele se suicidou, provavelmente por motivos que tinham a ver com sua
homossexualidade), Turing deixou uma vasta produção de trabalhos e invenções
matemáticas. Foi na tentativa de resolver um problema matemático muito complexo que
estava sendo discutido na década de 30 que ele criou a chamada “máquina de Turing”.
Para termos uma ideia do que seja uma máquina de Turing basta que imaginemos uma
longa fita de papel com símbolos e marcas a intervalos regulares, formando pequenos
quadrados (Teixeira, Pag. 11).
Ora, a descoberta de Turing consiste no fato de ele ter demonstrado, através da
invenção de sua máquina, que toda e qualquer tarefa que possa ser representada na
forma de um procedimento efetivo pode ser mecanizada, ou seja, pode ser realizada por
um computador. Com sua invenção ele demonstrou ademais, que todo e qualquer tipo
de computador pode, em última análise, ser reduzido a uma máquina de Turing, pois,
embora os computadores possam diferir entre si quanto à sua finalidade e até mesmo ao
material de que são compostos, eles podem ser imitados por sua máquina. E isso sem
dúvida torna a máquina de Turing um verdadeiro princípio universal (Teixeira, Pag. 14).
A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL OU ENTENDIMENTO AUTOMÁTICO ?
Perguntemo-nos:
Será que as máquinas vão ser capazes de revelar comportamento inteligente e
substituir os seres humanos em tarefas criativas? E será que desenvolverão algum tipo
de pensamento e sentimento que os seres humanos têm ? São questões que estudiosos
vão fazendo no que diz respeito a esta matéria, mas saibamos antes que: A crescente
espansão dos computadores modernos com sua velocidade de processar dados, tem
permitido a aplicação de tarefas que teriam sido quase impossíveis a alguns anos, por
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exemplo, reconhecimento de voz, de escrita e de imagem, a criação de robós cada vez
mais complexos e outros.
Todo esse progresso leva-nos a pensar nos limites de actuação dos
computadores, ou seja, será que as máquinas podem substituir toda a actividade da vida
humana? (Nakabayashi, 2009, Pag. 59)
O COMPUTADOR
Etimologicamente falando, o termo “computador” deriva do latin “computator”
e significa “ aquele que faz cômputos, que calcula”.
Em informática, é um aparelho eletrónico composto por uma ou mais unidades
de processamento de informação, dispositivos de memorização e por equipamento
periférico, permitindo efectuar simulações ou um grande volume de cálculos aritméticos
ou lógicos (Camões Instituto, 2001, Pág. 896).
Do ponto de vista lógico, um computador caracteriza-se por suas formas de
processar dados e o facto de tratar-se de um processamento sintáctico e não semântico.
Os computadores modernos digitais, são máquinas matemáticas, lógico-simbólicas
algorítmicas, isto é, processamento e efeito de qualquer instrução interpretada em
linguagem da máquina (minuciosamente, um computador nunca executa uma instrução,
ele a interpreta) podem ser matematicamente descritos, ou seja, representam uma função
matemática (Nakabayashi, 2009, Pag. 60).
HOMEM E MÁQUINAS
“O pensamento reflexivo é uma característica especificamente humana. Apartir
da reflexão, o Homem distancia-se da animalidade, se o animal sabe e se adapta
instintivamente às situações às quais está programado, só o homem sabe que sabe, não
se limitando a perceber e a pensar, pensa que percebe, e que pensa e interroga-se porque
e para que o faz. Pela consciência de si e dos seus actos e pela palavra articulada que
exprime os seus pensamentos, o homem assume a consciência reflexiva como
expecíficamente humana, isto quer dizer que só o homem tem a capacidade de se
perguntar: quem somos?,O que queremos?, Onde estamos? E Para onde vamos?( Santos
& Lima, Pag. 35).
Embora se crie muitas fantasias em torno das possibilidades de uma máquina, o
facto é que as máquinas apenas realizam tarefas determinadas por nós seres
[Link], é comum acreditar-se a capacidade de inovação dos seres humanos, à
existência de uma inteligência ou a faculdade de pensar e criar. Daí, dizer-se que as
máquinas computadoras são capazes de pensar ou exibir um comportamento inteligente.
Classificar o desempenho de uma máquina como inteligente pressupõe que não
se conheça o preciso significado do vocábulo “ inteligente”. Entretanto, há
pesquisadores que se empenham na busca de factores que venham a destinguir ou
confundir, homens e máquinas.
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A MÁQUINA PERMITINDO AO HOMEM OCUPAR-SE DE SI
A disputa “homens versus máquinas”, não se dá apenas no que diz respeito às
suas potencialidades intelectivas. Há também problemas das relacções socio-
económicas.
A substituição da acção humana pela de uma máquina é, antes de tudo, uma
moeda de duas faces. Por uma lado pode ser vista com bons olhos: o homem fica
desobrigado de realizar um trabalho possivelmente desagradavel e pode se dedicar a
uma actividade mais prazerosa, compensado pela máquina. Do outro lado, o homem
deixa de fazer um trabalho , ao qual tinha tanto o direito como a necessidade, porque
apareceu uma máquina mais eficiciente, de certa forma isto acaba por se transformar
num dilema: as máquinas criadas pelo homem para servi-lo podem, de repente, se voltar
contra ele na disputa por emprego ou seja, as máquinas desalojam a mão-de-obra
(Nakabayashi, 2009, Pag. 64).
Uma coisa, porém, é certa: este tipo de questão parece atormentar muito as
pessoas até hoje. Será que existe algo como uma alma ou espírito – algo imaterial e
invisível de onde se originam nossos pensamentos - ou será que tudo é matéria? Quando
falamos de algo como espírito, normalmente associamos esta noção a alguma ideia de
imortalidade, de duração eterna.
Por outro lado, quando falamos de matéria, parece que estamos lidando com
alguma coisa visível, sólida, mas efêmera. É este tipo de oposição que parece ter
dividido as opiniões dos filósofos desde o século XVII. Nesta época, Descartes chegara
à conclusão de que mente e corpo são coisas inteiramente distintas, ou seja, duas
substâncias com características e propriedades diferentes. Esta doutrina foi chamada de
dualismo.
Embora estejamos acostumados com a visão de que corpo e mente sejam coisas
separadas e ainda sejamos educados de acordo com esta tradição, as coisas não são tão
simples assim. Há muitas dúvidas acerca disso. Se a mente é imaterial e se pensamentos
não são coisas, como podemos falar de uma localização dos pensamentos no espaço?
Parece intuitivo supor que somente objetos têm uma localização no espaço, e que
também não tem cabimento falar de abstrações como estando localizadas em algum
lugar.
Onde estariam os conceitos de linha reta, de triângulo e de círculo? Não há
sentido em falar de entidades abstratas como se elas devessem estar aqui ou ali, atrás da
cadeira ou em cima da mesa. Ora, se os pensamentos são imateriais, da mesma maneira
que as entidades abstratas, como poderíamos supor que eles ocorrem na nossa cabeça?
Mas ainda, se pensamentos não são como as coisas materiais, isto é, são algo imaterial,
como podem eles influir em algum tipo de processo ou estado corporal? Como pode
algo imaterial, que não tem as propriedades de um objeto, ocasionar alguma alteração
no domínio do mundo material, como por exemplo, um movimento do nosso corpo? Se
separarmos mente e corpo, supondo que pensamentos são imateriais, não podemos
explicar as nossas ações como decorrência daquilo que se passa na nossa mente. Em
outras palavras, tenho que imaginar que meu pensamento de me levantar, andar até a
janela e abrir a cortina não tem nenhum tipo de relação com o fato de meu corpo se
levantar, andar até a janela e abrir a cortina. Ora, isto seria tornar inexplicável o porquê
dos nossos comportamentos (Nakabayashi, 2009, Pag.18). Pensar em levantar, andar até
a janela e abrir a cortina, e o ato físico de levantar, andar até a janela e abrir a cortina
ocorrem quase ao mesmo tempo, mas isso não passaria de uma mera coincidência.
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A falta de uma resposta satisfatória para estes problemas levou alguns filósofos
do século XVII e XVIII a propor outro tipo de solução para as dificuldades colocadas
pelo dualismo, como conceber a existência de algo como uma harmonia preestabelecida
no universo, de acordo com a qual fenômenos mentais e fenômenos físicos, embora
tenham propriedades diferentes e pertençam a ordens distintas, caminham paralelamente
no tempo e sempre se ajustam perfeitamente (Nakabayashi, 2009).
Tudo se passaria como se tivéssemos dois relógios: um que correspondesse à
ordem de eventos físicos e outro a de eventos mentais. Damos corda nesses relógios
exatamente ao mesmo tempo e quando eles estão marcando a mesma hora. Assim,
embora não haja nenhuma ligação entre os dois relógios, saberemos que ambos sempre
marcarão a mesma hora. Da mesma maneira os teóricos da harmonia preestabelecida
concebiam as relações entre a mente e o corpo: uma correspondência que dispensaria
qualquer tipo de ligação.
A ideia de uma harmonia preestabelecida seria uma resposta satisfatória para o
problema colocado pelas relações mente e corpo, se ela não envolvesse a ideia de um
Deus todo-poderoso que colocou as duas ordens, a do físico e a do mental, a se
desenvolverem paralelamente, da mesma maneira que damos corda aos relógios
exatamente ao mesmo tempo e quando eles estão marcando a mesma hora. Ocorre que a
existência de um Deus nem sempre é uma hipótese inteiramente aceitável, sobretudo
para aqueles que querem ter certeza de estarem fazendo ciência, ou uma filosofia
“verdadeiramente científica” (Nakabayashi, 2009, Pag.15)
Mas o que dizer da doutrina oposta ao dualismo, ou seja, o materialismo, o qual
estabelece uma identidade entre pensamento e matéria (cérebro)? A visão materialista
não parece resolver as dificuldades colocadas pelo problema das relações entre mente e
corpo. Dizer que o físico e o mental são a mesma coisa não ajuda muito, pois pouco
sabemos acerca da natureza da matéria.
Até hoje a física moderna ainda não encontrou uma teoria definitiva para
explicar a natureza do mundo material. Esta sensação de indefinição se acentuou ainda
mais após as descobertas feitas no início do século XX, que obrigaram os cientistas a
rever todas as nossas concepções habituais acerca do que seja a matéria.
A teoria da relatividade e a teoria quântica propostas no século XX fizeram com
que o conceito habitual de matéria, entendida como corpo sólido que se move num
espaço vazio, fosse progressivamente abandonado. Os trabalhos de Einstein mostraram
que aquilo que chamamos de massa ou matéria nada mais é do que uma forma de
energia.
Ora, o filósofo materialista poderia até mesmo tirar partido destas descobertas e
dizer que o pensamento nada mais é do que matéria transformada em energia. Assim,
não haveria necessidade de se falar de uma separação entre mente e matéria. O dualismo
deixaria de ter sentido. Mas o materialismo também não teria mais sentido, pois
teríamos abandonado quase que inteiramente a nossa noção habitual de objeto físico
entendido como algo sólido, visível e compacto.
Parece que o aprofundamento do exame da noção de matéria nos leva a um
círculo vicioso: quanto mais analisamos a matéria, mais caminhamos em direção a
abstrações. E para isto precisamos de algo distinto do mundo material, pois só uma
mente pode formar as representações abstratas com as quais a teoria física trabalha.
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Chegamos a uma espécie de paradoxo do materialismo, pois ele estaria nos levando de
volta para as mesmas dificuldades que encontramos na teoria dualista.
As dificuldades teóricas que enfrentamos quando adotamos uma destas posições
Filosóficas, seja a materialista ou a dualista, sugerem que uma solução para o problema
das relações entre mente e corpo e da natureza dos estados mentais (pensamentos)
talvez ainda esteja muito distante. É possível que uma solução definitiva nunca venha a
ser encontrada e que tenhamos de nos contentar com algumas propostas de solução que
visem pelo menos a tornar alguns aspectos do problema mais claros e compreensíveis. É
neste sentido que o modelo computacional da mente proposto pela IA pode ajudar a
estabelecer algumas analogias entre mentes e máquinas, que podem, por sua vez,
esclarecer alguns aspectos do problema das relações entre mente e o corpo (Fernanda,
2014, Pag. 21).
Se retomarmos a noção básica de uma máquina de Turing, veremos como a IA
permite estabelecer uma nova perspectiva para o problema que viemos tratando até
então. Vimos no capítulo anterior que uma máquina de Turing pode ser construída a
partir de um equipamento relativamente simples, ou seja, uma fita de papel e um
marcador. Para termos uma máquina de Turing é preciso estipular um conjunto de
instruções que especifiquem quais as operações que serão realizadas pela máquina (no
caso, mover a fita para a esquerda ou para a direita etc.).
Ora, a máquina de Turing incorpora um tipo de dualidade parecida com aquela
que nos leva frequentemente a opor mente e corpo: de um lado, um conjunto de regras
abstratas (as instruções), e, de outro, a realização física dessas regras obtidas pelos
diferentes estados da máquina. Foi precisamente esta dualidade presente na máquina de
Turing que permitiu aos teóricos da IA propor uma perspectiva inovadora para o
tradicional problema filosófico das relações mente e corpo: a ideia consiste em
estabelecer uma analogia entre os estados mentais (pensamentos) e o software (conjunto
de instruções da máquina ou programa do computador) de um lado, e entre estados
cerebrais e o hardware ou os diferentes estados físicos pelos quais passa a máquina ao
obedecer às instruções ( Santos & Lima, Pag. 40).
Os críticos da IA dos quais podemos destacar: Hubert Dreyfus, John Searle entre
outros inseriram o debate no debate da IA questões filosóficas e epistemológicas
questionado qualquer possibilidade efetiva da IA. Seriam falsos assim, os próprios
pressupostos da construção de uma Inteligência ou consciência semelhante a humana
em uma máquina.
Searle inverte a questão colocada por Minsky a respeito do teste de Turing. Seu
argumento diz que: ainda que uma máquina possa parecer falar chinês, por meio de
recursos e exames comparativo com mostras e tabelas de referência binária, isso não
implica que tal máquina, fale e entenda efetivamente a língua. Para Dreyfus, 1997, em
seu livro “ O que os computadores ainda não conseguem fazer”, faz uma crítica ao
raciocínio artificial e argumenta que a consciência não pode ser adquirida por sistemas
baseados em regras ou lógica; tampouco por sistemas que não façam parte de um corpo
físico (Santos & Lima, Pag. 24).
Retomando alguns pontos vistos anteriormente, pode se dizer que tanto Dreyfus
quanto Searle, desacreditam da possibilidade de uma inteligência artificial; quer dizer,
desacreditam, da construção de uma inteligência ou consciência semelhante à humana a
uma máquina
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Trata-se, naturalmente, de se traçar uma analogia entre o modo como nossa
mente se relaciona com o nosso cérebro e não de dizer que nós funcionamos de maneira
idêntica a uma máquina de Turing. De qualquer forma, esta simples analogia já nos
ajuda a esclarecer uma série de dificuldades conceituais. Em primeiro lugar, podemos
conceber um paralelismo entre eventos mentais e eventos físicos ou cerebrais: as
operações da máquina de Turing estabelecem uma correlação precisa entre instruções
(software ou os estados mentais) e estados físicos da máquina (hardware ou estados
cerebrais). E este tipo de correlação ou harmonia preestabelecida não precisa postular a
existência de um Deus para tornar-se possível.
O paralelismo entre eventos mentais/eventos cerebrais e o software/hardware de
um computador sugeridos pelos teóricos da IA seria confirmado pelo fato de que
programas escritos em linguagens computacionais diferentes podem ser rodados numa
mesma máquina, com uma mesma e única configuração de hardware. De maneira
inversa, um mesmo programa pode ser rodado em computadores diferentes, isto é, em
hardwares diferentes. Isto significa que os programas têm uma grande autonomia em
relação ao hardware, e que não teria sentido falarmos em reduzir um determinado
programa ao hardware da máquina onde ele é rodado, embora tenhamos de falar de uma
correlação entre programa e máquina. Uma coisa não seria possível sem a outra.
(Fernanda, 2014, Pag. 26)
Ora, é precisamente este tipo de correlação – que embora estabeleça a existência
de uma dependência entre duas partes (máquina e programa), ao mesmo tempo lhes
assegura uma autonomia – que constitui um excelente modelo para conceber relações
entre mente e corpo. Este modelo, contudo, não constitui uma solução definitiva para o
problema. Por exemplo, não podemos concluir, pela simples aplicação do modelo, algo
acerca da própria natureza de nossos estados mentais, isto é, se eles são realmente
compostos de uma substância diferente daquela que compõe a matéria física ou não.
Não obtemos uma resposta definitiva para o problema da identidade mente-cérebro, mas
talvez isso nem sequer seja necessário, se podemos pelo menos supor que exista algo
que permite uma tradução ou uma ponte entre o físico e o mental. E essa ponte ou
tradução seria dada pelo modelo da máquina de Turing (Fernanda, 2014, Pag. 13).
A adoção deste tipo de analogia para tratar o problema das relações mente-corpo
tem ainda uma consequência interessante: sabemos que o que caracteriza uma máquina
de Turing não é o tipo de material ou de substância empregada na sua construção. A fita
poderia ser de papel ou de material magnético, ou, em vez de termos uma fita e um
marcador, poderíamos ter um sistema de relés ou de transistores e chips, como ocorre
nos computadores modernos. Isto quer dizer que, em última análise, não é preciso ter
um cérebro igual ao nosso para que se tenha um sistema capaz de desenvolver algo
parecido com estados mentais. A inteligência não depende da existência de algo como a
matéria viva; ela é, antes de tudo, o resultado de maneiras específicas de organizar
certas instruções ou preencher certas funções, o que pode ser feito seja por um cérebro,
seja por uma máquina de Turing. E é neste sentido que a inteligência poderia ser
recriada artificialmente. Eis aí o grande projeto – ou talvez o grande sonho – da
Inteligência Artificial! (Teixeira, Pág.27).
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ALGUMAS VANTAGENS E DESVANTAGENS DA INTELIGÊNCIA
ARTIFICIAL
A IA tem o potencial de influenciar significativamente a Biblioteconomia e a
Ciência da informação, trazendo avanços e transformações em várias áreas,
principalmente as relacionadas ao processamento técnico dos itens documentários, pois
a IA pode automatizar e agilizar tarefas de tratamento, como catalogação, indexação e
classificação de informações. Algoritmos de IA podem analisar grandes quantidades de
dados de forma rápida e precisa, tornando mais eficiente a organização e o acesso às
informações em bibliotecas e sistemas de informação.
A construção de réplicas de algumas das atividades mentais humanas alterou
profundamente nossas próprias concepções habituais acerca da natureza do
conhecimento. Para Dreyfus “é impossível, mecanizar a inteligência” pelo facto de
ainda não se ter uma simulação perfeita do comportamento racional humano (Fernanda,
2014, Pag. 26). O tempo de computação nos computadores, independentemente do meio
físico utilizado (chip de silício, máquinas moleculares etc.). A velocidade máxima de
computação é dada pela velocidade da luz. Assim como as bibliotecas podem ser
consideradas metaforicamente como "máquinas do tempo", a inteligência artificial (IA)
também desempenha um papel semelhante ao nos transportar para diferentes dimensões
do conhecimento e da experiência. A metáfora da IA como uma "máquina do tempo
digital" sugere que, por meio do desenvolvimento tecnológico, somos capazes de
acessar informações, insights e perspectivas de épocas passadas, assim como explorar as
inovações e avanços do presente e até antecipar possíveis cenários futuros.
Igualmente como em uma biblioteca, na qual podemos pesquisar e encontrar
registros informacionais que abrangem diversas áreas do conhecimento, a IA pode
analisar e processar vastos conjuntos de dados de diferentes fontes, fornecendo-nos uma
visão abrangente e interconectada das informações. Isso nos permite explorar diferentes
campos, desde a história e ciência até a arte e a cultura, semelhante à forma como uma
biblioteca nos oferece uma variedade de tópicos para explorar. Além disso, podemos
considerar as bibliotecas como plataformas para a troca de conhecimento e ideias entre
as pessoas, a IA também facilita a comunicação e a colaboração global (Nakabayashi,
2009, Pag. 34).
As bibliotecas têm tirado proveito dos desenvolvimentos tecnológicos de toda
ordem e já se aproximam da IA no reconhecimento facial dos seus usuários, na
utilização de robôs para localização e apreensão dos livros nas estantes. Há também
relato do uso de drones, durante a pandemia, para a entrega de livros, todos
desenvolvimentos relatados em Carvalho, Brito e Vieira (2022). E é visível, no quadro
apresentado pelos autores, a diversidade de espaços novos que se abrem na nova era das
tecnologias avançadas. O curioso, entretanto, são os ‘espaços de fuga digital’ (idem p.
8). Segundo os autores, o tradicional lugar quieto para leitura transformou-se em ‘zona
Desplugada’, transformando a biblioteca em um lugar para balancear o impacto que o
digital tem sobre o quotidiano. Seria este um espaço de resistência para ‘fazer tempo’?
Um cruzamento entre literatura e filosofia poderá ajudar-nos a entender o tempo ou a
biblioteca como máquina do tempo (Santos & Lima, Pag. 17).
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CONCLUSÃO
Inferimos que, “ a inteligência artificial está à nossa volta – não temos mais a
mão na tomada. O simples ato de nos conectarmos com alguém por meio de uma
mensagem de texto, e-mail ou telefones usa algoritmos inteligentes para direcionar a
informação. Kurzweil, 2015, diz que praticamente todos os produtos que tocamos foram
originalmente desenhados com a colaboração entre inteligências humanas e artificiais, e
após esse esboço, os artefatos foram construídos em fábricas automatizadas. Algo que
fica patente em nós, é que a IA não supera a inteligência humana, visto que a IA é algo
produzido pelo homem, de facto o próprio homem em si, tem consciência das suas
acções; dito doutro modo, na relação do criador e criado, o criado nunca supera o
criador.
Porém, reconhecemos a importância que a inteligência artificial tem na vida do
homem facilitando-o nas suas tarefas diárias, todavia, é necessário que o homem esteja
atento ao seu uso a fim de que não seja substituído por ela completamente dependente
da mesma.
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REFÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
NAKABAYASHI, Luciana Akemi. A contribuição da Inteligência Artificial na
Filosofia da Mente. São Paulo 2009.
BERTALLE, Liane Broilo & GUEDES, ANÍBAL LOPES . ART. Reflexões da Pirre
Lévy sobre a Inteligência Artificial. RBTI - Revista Brasileira em Tecnologia da
Informação 38 Campinas, SP v.4 n.2 p. 1-48 jul-dez/2022.
MOSTAFA, Solange Puntel & ROCHA, Ednéia Silva Santos. A inteligência Artificial,
Inscrições e o Tempo: a filosofia de Bergson nos debates contemporâneos. 2023.
SANTOS & LIMAN, O reino Dos Porquês: O Homem do outro lado do Espelho, ed. 4ª
Porto editora, 1986.
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