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Superando Medos com um Cachorro

Este texto descreve a situação de uma menina chamada "La Cuello" na escola primária. As outras crianças a excluem e não a deixam participar de suas atividades ou grupos. A professora é a única que a trata com carinho e valoriza suas habilidades. O texto sugere que La Cuello enfrenta dificuldades em casa, como a ausência de sua mãe e abuso por parte de um familiar. Apesar da rejeição de seus colegas, a professora lhe dá esperanças de que ela pode alcançar seus objetivos.

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Superando Medos com um Cachorro

Este texto descreve a situação de uma menina chamada "La Cuello" na escola primária. As outras crianças a excluem e não a deixam participar de suas atividades ou grupos. A professora é a única que a trata com carinho e valoriza suas habilidades. O texto sugere que La Cuello enfrenta dificuldades em casa, como a ausência de sua mãe e abuso por parte de um familiar. Apesar da rejeição de seus colegas, a professora lhe dá esperanças de que ela pode alcançar seus objetivos.

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Medo

Graciela Cabal

Era uma vez um garoto que tinha medo.


Medo do escuro, porque no escuro crescem os monstros.
Medo de ruídos altos, porque os ruídos altos fazem buracos nas orelhas.
Medo de pessoas altas, porque elas te apertam para te dar beijos.
Medo de pessoas baixinhas, porque elas te empurram para arrancar os brinquedos.
Esse garoto tinha muito medo.
Então, a mamãe o levou ao médico.
E o médico receitou ao garoto um xarope para não ter medo (o xarope era amargo).
Mas para o pai parecia que melhor do que o xarope era um bom desafio:
-Basta de andar tendo medo, você!- ele disse -. Eu nunca tive medo quando era criança!
Mas o tio achou que melhor do que o xarope e o desafio era uma linda zombaria:
- A menina está com medo, a menina está com medo!

O garoto ainda tinha medo. Medo do escuro, dos barulhos altos, do


pessoas altas, às pessoas baixinhas.
E também aos xaropes amargos, aos desafios e às zombarias.
Muita medo continuava tendo esse garoto.
Um dia o menino foi à praça. Com medo foi, para agradar a mãe.
Estava cheia de pessoas baixinhas a praça. E de pessoas altas.
O garoto se sentou em um banco, ao lado da mãe.
E foi aí que viu uma pessoa baixinha, mas um pouco alta, que estava batendo em um cachorro
com um galho.
Branco e preto era o cachorro. Com manchinhas.
Muito magro e muito sujo estava o cachorro.

E o garoto sentiu uma coisa aqui, no meio do umbigo.


E então ele se levantou do banco e foi para o lado do cachorro. E ficou parado, sem saber
o que fazer. Morto de medo ele ficou.
A pessoa alta, mas um pouco baixa, olhou para o garoto. E depois disse algo e foi embora.

E o garoto voltou ao banco.


E o cachorro seguiu o menino. E se sentou ao lado.
- Não é de ninguém - disse o garoto -. Nós levamos?

-Não- disse a mamãe.


-Sim- disse o garoto -. Nós levamos.
Na casa, a mãe banhou o cachorro.
Mas o cachorro estava com fome.

O menino deu leite e um pouco de polenta do meio-dia.


Mas o cachorro ainda estava com fome. Esse cachorro tinha muita fome.
Então o cachorro foi e comeu todos os monstros que estavam na escuridão, e todos
os ruídos altos que fazem buracos nas orelhas. E como ainda estava com fome também
comeu o xarope amargo do doutor, os desafios do papai, as zombarias do tio, os beijos de
as pessoas altas e os empurrões das pessoas baixinhas.
Com a barriga bem cheia, o cachorro foi dormir.
Debajo da cama do garoto, ele foi dormir, caso ainda houvesse algum monstro.
Agora o garoto que tinha medo não tem mais medo.
Tem cachorro.
Choco encontra uma mamãe

Keiko Kasza

Choco era um pássaro muito pequeno que vivia sozinho. Ele estava ansioso para conseguir
uma mãe, mas quem poderia ser?
Um dia decidiu ir à procura de uma.

Primeiro, encontrou-se com a senhora Girafa.


- Senhora Girafa! - disse - Você é amarela como eu! Você é minha mamãe?
- Sinto muito - suspirou a senhora Girafa --. Mas eu não tenho asas como você.

Choco se encontrou depois com a senhora Pinguim.


- Senhora Pinguim! - disse - A senhora tem asas como eu! Será que você é minha mamãe?
- Sinto muito - suspirou a senhora Pinguim --. Mas minhas bochechas não são grandes e redondas
como as tuas.
Choco se encontrou depois com a senhora Morsa.
- Senhora Morsa! - exclamou - Suas bochechas são grandes e redondas como as minhas! É
você é minha mãe?

- Olhe! - resmungou a senhora Morsa--. Meus pés não têm listras como os seus, então não
me incomoda!
Choco procurou por todos os lugares, mas não conseguiu encontrar uma mãe que se parecesse com ele.

Quando Choco viu a senhora Urso colhendo maçãs, ele soube que ela não poderia ser sua
mãe. Não havia nenhuma semelhança entre ele e a senhora Urso.

Choco se sentiu tão triste, que começou a chorar:


- Mamãe, mamãe! Eu preciso de uma mamãe!

A senhora Oso se aproximou correndo para averiguar o que estava acontecendo com ela. Depois de ter
ouviu a história de Choco, suspirou:
-Como você reconheceria sua mãe?
¡Ay! Estou certo de que ela me abraçaria -disse Choco entre soluços.
- Assim? - perguntou a senhora Urso. E o abraçou com muita força.
- Sim... e tenho certeza de que também me beijaria - disse Choco.
- Assim? - perguntou a senhora Urso, e ao levantá-lo deu-lhe um beijo muito longo.

- Sim... e tenho certeza de que ele cantaria uma canção para mim e alegraria meu dia.
- Assim? - perguntou a senhora Urso. E então cantaram e dançaram.
Depois de descansar um pouco, a senhora Urso disse a Choco.
Choco, talvez eu pudesse ser sua mãe.
- Você? - perguntou Choco.
- Mas se você não é amarela. Além disso, você não tem asas, nem bochechas grandes e redondas. Suas
pés também não são como os meus!
– Que barbaridade! – disse a senhora Urso – Imagino o quão engraçada eu pareceria!
A Choco também achou que ficaria muito engraçada.
- Bom - disse a senhora Urso -, meus filhos estão me esperando em casa. Te convido para almoçar
Um pedaço de torta de maçã. Você quer vir?
A ideia de comer torta de maçã parecia excelente para Choco.
Assim que chegaram, os filhos da senhora Urso saíram para recebê-los.
-Choco, eu te apresento Hipo, Coco e Chanchi. Eu sou a mãe deles.
O cheiro agradável de torta de maçã e o doce som das risadas encheram a casa da
senhora Oso.
Depois daquela pequena festa, a senhora Urso abraçou todos os seus filhos com um forte e
caloroso abraço de urso, e Choco se sentiu muito feliz por sua mãe ser como ela era.
A Cuello

Marcela Alluz

La Cuello não ria, não pulava corda, não levava lanche e nem se penteava.
Minha mãe não me deixa, nós dizíamos quando ela nos pedia emprestados os brilhos.
a casa fica muito longe, repetíamos quando não lhe dávamos o convite para um
aniversário.
Sabíamos tudo sobre ela. Que subia as meias quando passava na frente, que apertava
fuerte o lápis, que não usava cores, que guardava os materiais em uma bolsa de supermercado.

Todo sabíamos. Todo. Menos que sua mãe tinha ido embora quando ele tinha dois anos, que sua
tio levantava a saia algumas tardes quando se encontravam em sua casa, que tinha um pai que
tomava muito e que a foto que guardava em sua carteirinha era a do irmão morto em um
assalto.
Ela levantava um ombro, assim, dizendo o que me importa quando não a escolhemos para
fazer grupo e a professora nos obrigava a incorporá-la em algum.
A mesma professora que uma vez perguntou quem sabia dançar e a Cuello brilhou como uma
fogueira no festival de fim de ano.
A mesma professora que lhe dava lápis de cor e colocava Excelente em seus testes de lápis
apertado forte.
Eu era parecida com você, disse um dia a seño e passou a mão pelo cabelo.
Eu era parecida com você, disse-lhe e abriu os sonhos para acreditar que ela também, ela
também um dia poderia ser como a professora.

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